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Quadro 2                                                  Definições de Stakeholder            Autor                      ...
Essa gama de definições deixa clara a falta deconsenso com relação ao tema, e dificulta a atuaçãodas empresas que queiram ...
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Como anda o diálogo com stakeholders nas empresas brasileiras?

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Lucas Amaral e João Henrique Bueno, da Fundação Dom Cabral, falam sobre o relacionamento entre empresas e stakeholders baseando-se na pesquisa “O Estágio da Sustentabilidade das Empresas Brasileiras”.

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Como anda o diálogo com stakeholders nas empresas brasileiras?

  1. 1. CI1305Como anda o diálogo com stakeholders nas empresasbrasileiras?Lucas Amaral Lauriano, João Henrique Dutra Bueno - Núcleo Petrobras deSustentabilidadeE ste caderno de ideias possui como objetivo aprofundarnos achados da pesquisa Estágio da Sustentabilidade A pesquisadas Empresas Brasileiras 1, realizada pelo NúcleoPetrobras de Sustentabilidade, através de seu Centro de Em 2012, o Núcleo Petrobras de Sustentabilidade, atravésDesenvolvimento da Sustentabilidade da Construção. de seu Centro de Desenvolvimento da SustentabilidadeDiversas abordagens voltadas para a sustentabilidade na Construção (CDSC), realizou a primeira ediçãocorporativa enfatizam a centralidade do relacionamento de uma pesquisa Estágio da Sustentabilidade dasdas organizações com suas diversas partes interessadas. Empresas Brasileiras. O objetivo dessa avaliação foiQuanto mais as demandas e ideias dos stakeholders são observar como anda a questão da sustentabilidade nasincorporadas no sistema de gestão empresarial das empresas brasileiras.organizações, maior a maturidade dessas empresas Nessa pesquisa, foi utilizada a abordagem “Estágios depara lidar com as questões que a sustentabilidade traz. Cidadania Corporativa”, arcabouço que permite avaliar aNesse material, os resultados selecionados buscam gestão empresarial para a sustentabilidade em diversosavaliar até que ponto as organizações brasileiras aspectos e categorizar as empresas de acordo com asdialogam e realizam parcerias com suas diversas partes características encontradas.interessadas. Com essa avaliação, é possível não somente entenderA seguir, a pesquisa será brevemente apresentada, como a sustentabilidade tem sido trabalhada nasseguida dos resultados encontrados na avaliação, na organizações, mas também quais são os principaisseção 2. Na seção 3 serão apontados alguns caminhos aspectos que ainda precisam de melhorias. A partir dessasque visam a auxiliar as organizações a melhorarem nos definições, as empresas foram questionadas sobre osaspectos encontrados na avaliação. Por fim, na seção diversos aspectos da gestão para a sustentabilidade,4, algumas considerações finais são feitas. O ANEXO além dos desafios e barreiras que as organizaçõesA traz algumas informações sobre a teoria utilizada enfrentam. Dentre os aspectos avaliados na pesquisa,na pesquisa, denominada Estágios de Cidadania consta a capacidade de resposta das empresasCorporativa, além de considerações acerca do conceito brasileiras frente às diversas demandas socioambientaisde stakeholder. que a sustentabilidade traz.1 O relatório completo está disponível em: http://www.fdc.org.br/pt/publicacoes/Paginas/relatoriodepesquisa.aspx?COD_ACERVO=27699
  2. 2. Resultados nesse aspecto. Em estágios de maior maturidade de sustentabilidade, a percepção de que os problemas são complexos demais para serem solucionados somente pela empresa leva a organização a realizar parceriasA pesquisa Estágio da Sustentabilidade das Empresas também com escolas, empresas com atividadesbrasileiras contou com uma amostra de 172 empresas similares e até mesmo instituições de caridade, o quedos três setores da economia, com destaque para o de não é observado nas empresas brasileiras.comércio e serviços, com 93 empresas. Com relaçãoao número de empregados diretos, 119 corporações O relacionamento com a comunidade de uma formatinham mais de 250 funcionários. Os 169 executivos que geral também é uma atividade a ser melhorada, comresponderam sobre suas respectivas idades tinham entre a capacitação de funcionários com menores salários22 e 67 anos de idade. A média era de 38 anos, com e compreensão das necessidades das populaçõesmaior incidência nos profissionais de 27 e 28 anos. de baixa renda. Essa comunicação existente, porém limitada com os stakeholders, caracteriza as empresasA avaliação contou com diversas perguntas relacionadas brasileiras como organizações em um estágio aindaao diálogo e engajamento com stakeholders. Esse bastante inicial com relação à sustentabilidade. A seguir,aspecto avalia o relacionamento da empresa com os resultados serão apresentados.suas partes interessadas. Em estágios iniciais desustentabilidade, as empresas possuem comunicaçãolimitada com seus stakeholders. Quando há a tentativade aproximação das partes interessadas, as empresaspercebem que não possuem estrutura para atuar com Suporte a comunidadesessas novas questões, o que demanda a construção decapacidades internas para lidar com as demandas de economicamenteseus stakeholders (MIRVIS; GOOGINS, 2006). desfavorecidasPara a avaliação do relacionamento das empresas com Quando perguntadas sobre o envolvimento em questõessuas partes interessadas, foram utilizados três blocos relacionadas ao suporte a comunidades economicamentede perguntas: desfavorecidas, o destaque é a discussão sobre •• Suporte a comunidades economicamente sustentabilidade fora da empresa com suas partes desfavorecidas - Qual é o envolvimento da interessadas (61%); porém, ao serem questionadas empresa com essas comunidades? sobre o envolvimento efetivo na melhoria das condições dessas partes interessadas, a amostra não possui a •• Práticas laborais - Como a empresa lida com mesma resposta, como observado na Tabela 1. questões que envolvem seus colaboradores e clientes? A preocupação com a compra de produtos de empresas cujos proprietários são mulheres ou minorias não •• Parcerias - Frente a um problema relacionado foi apontado como algo de grande envolvimento por à sustentabilidade, a empresa realiza parceria parte das empresas. Isso demonstra que esse tipo de com quem? questão ainda não é discutida nas organizações. Em estágios mais altos de sustentabilidade, essas questõesNo caso do Brasil como um todo, é possível observar começam a surgir como reflexão do papel da empresaque o diálogo tem sido desenvolvido com stakeholders na sociedade. Assim, a baixa porcentagem encontradaespecíficos, como os clientes e ONGs, mas a relação nessas questões demonstra que o nível de maturidadefraca na formação de parcerias com outras partes das empresas ainda não é alto o suficiente para que hajainteressadas mostra a necessidade de se avançar esse tipo de preocupação. Caderno de Ideias FDC - Nova Lima - 2013 - CI 1305 2
  3. 3. Tabela 1 organizações, o que ainda não é observado nas práticas Suporte a comunidades economicamente das organizações do País. desfavorecidas A compensação dos trabalhadores por ideias que Taxa de beneficiam a empresa em termos econômicos, sociais e resposta ambientais é uma ação que ainda precisa ser melhorada % nas empresas; é importante que esses colaboradores se sintam reconhecidos dentro das organizações Discutimos sobre sustentabilidade fora para que continuem a motivar a sustentabilidade. Os da empresa com stakeholders (ex: 61% colaboradores que possuem ideias sustentáveis e fornecedores, consumidores, reguladores, incentivam esse movimento na gestão empresarial são ONGs etc.) chamados de intraempreendedores sociais e tendem Melhorar as condições em comunidades a ganhar espaço nas organizações nos próximos anos 46% menos favorecidas economicamente (SPITZECK; JANSSEN, 2010). Por isso é importante que as organizações valorizem esse tipo de profissional. Oferecer programas de treinamento a pessoas em comunidades 43% Por fim, 46% das empresas afirmam aconselhar seus economicamente desfavorecidas consumidores sobre escolhas sustentáveis de produtos e serviços, o que ainda é baixo, mas já mostra certa Contratar pessoas de comunidades mais 38% preocupação das organizações para a questão. pobres / menos favorecidas Provisão de oportunidades de treinamento e desenvolvimento para empregados com 37% Tabela 2 menor remuneração Práticas Laborais Instalar sua empresa em comunidades Taxa de 25% resposta menos favorecidas economicamente % Comprar de empresas fornecedoras cujas 17% Nossa empresa oferece cobertura de proprietárias são mulheres seguro-saúde a todos os empregados, Comprar de empresas fornecedoras cujos 70% 14% inclusive àqueles remunerados por proprietários fazem parte de minorias hora.Fonte: LAURIANO et al., 2012. Apoiamos o desenvolvimento de habilidades, educação e melhoria na 68% carreira de trabalhadores dos menores níveis hierárquicos da empresaPráticas laborais Apoiamos o balanceamento das práticas laborais para todos os empregados, 51%Alguns questionamentos relacionados a práticas laborais inclusive aqueles remunerados porforam feitos e são mostrados na Tabela 2. Os dados hora.apontam que grande parte das empresas oferece Compensamos trabalhadores por ideiascobertura de seguro-saúde a todos os empregados, que beneficiam a empresa em termos 49%inclusive àqueles remunerados por hora. A questão do econômicos, sociais e ambientaisseguro-saúde, apesar de mostrar certa preocupação dasorganizações, é prevista em lei, o que torna a prática Aconselhamos nossos consumidoresmandatória. Nesse contexto, 30% da amostra afirma sobre escolhas sustentáveis de produtos 46%não adotar a prática, o que é preocupante. Em estágios e serviçosmais altos de sustentabilidade, a ideia é a de que aspráticas laborais de saúde, segurança e desenvolvimento Fonte: LAURIANO et al., 2012.dos colaboradores sejam estratégicas e esperadas nas Caderno de Ideias FDC - Nova Lima - 2013 - CI 1305 3
  4. 4. Parcerias Como melhorar oOs problemas ambientais e sociais enfrentados pelas relacionamento com asorganizações muitas vezes geram a necessidade deconstruir parcerias para solucioná-las. Solicitou-se que partes interessadas nasos respondentes apontassem todos os atores com osquais as parcerias existem, como apontado na Tabela empresas brasileiras3. Os clientes foram indicados por 54% das empresasentrevistadas como os maiores parceiros das empresas,na solução de problemas sociais e ambientais, seguido Os resultados da pesquisa demonstram que já hápelas ONGs, apontados por 51% dos entrevistados. As certo envolvimento das organizações com suas partesinstituições de caridade, por sua vez, são as parcerias interessadas; porém, é preciso realizar mais parceriasmenos recorrentes, sendo apontadas por 26% das para lidar com as questões socioambientais que aempresas, logo após empresas com atividades similares, sustentabilidade coloca. Além disso, o relacionamentoassinaladas por 21% da amostra. com as comunidades e funcionários com baixa remuneração ainda precisa ser melhorado, comQuanto maior o envolvimento das organizações nas incentivos ao desenvolvimento local. Para isso, asquestões de sustentabilidade, maior é a quantidade organizações brasileiras podem realizar um processo dee diversidade de parcerias realizadas. É interessante mapeamento de stakeholders e identificar quais são asobservar o distanciamento da amostra com a filantropia. partes interessadas que possuem legitimidade, urgênciaAs instituições de caridade aparecem como parceiros e poder. Com o objetivo de auxiliar as organizações afracos das organizações, o que mostra certo grau de avaliarem seu sistema de gestão para lidar com suasmaturidade das empresas. Apesar de ser uma forma partes interessadas, o Quadro 1 traz um checklist comde diminuir os impactos negativos das atividades possíveis questionamentos. Quanto mais positivas foremempresariais, a sustentabilidade não pode se limitar ao as respostas, maior é a preocupação, envolvimento eassistencialismo. diálogo com os stakeholders. Quadro 1 Tabela 3 Como anda o diálogo com os stakeholders na minha Parcerias para a sustentabilidade organização? Taxa de •• Minha empresa possui uma matriz de materialidade resposta de stakeholders? % •• Minha empresa consegue identificar claramente aquelas partes interessadas com legitimidade, Clientes 54% urgência e poder? ONGs 51% •• Realizamos parcerias com escolas e universidade Governo 47% para a busca de soluções sustentáveis? Fornecedores 43% •• Realizamos parcerias com nossos diversos stakeholders? Escolas 38% •• Conversamos com nossos stakeholders e Empresas com atividades similares 27% compreendemos suas demandas? Instituições de caridade 26% •• Oferecemos benefícios e condições adequadas de trabalho a todos os nossos funcionários?Fonte: LAURIANO et al., 2012. •• Colaboramos com o desenvolvimento local? •• Colaboramos com o desenvolvimento de nossos funcionários, incluindo aqueles com menor remuneração? •• O relacionamento da nossa empresa com os fornecedores leva em consideração questões de sustentabilidade? Fonte: Elaborado pelo autor. Caderno de Ideias FDC - Nova Lima - 2013 - CI 1305 4
  5. 5. Essas perguntas são apenas o início de um processo FREEMAN, R.E.; REED, D.L. Stockholders andque deve ser acompanhado de uma estratégia para Stakeholders: a new perspective on corporate governance.lidar com as partes interessadas e a sustentabilidade. É California Management Review, 25 (3), 88-106, 1983.preciso compreender que a sustentabilidade é um tema KLEFSÖ, Bengt; BERGQUIST, Bjame; GARVARE,transversal que exige a colaboração e a participação Rickard. Quality management and business excellence,de todas as áreas e empregados. Dessa forma, o customers and stakeholders: Do we agree on whatengajamento com os stakeholders internos é crucial para we are talking about, and does it matter? 2008.qualquer atitude que vise à sustentabilidade. Disponível em: <http://www.emeraldinsight.com/journals. htm?articleid=1711307> Acesso em: 30 mar. 2012. LAURIANO, Lucas Amaral; CARVALHAES, Eduarda; TELLO, Rafael. Estágio da Sustentabilidade das Considerações finais Empresas Brasileiras. Disponível em: <http://acervo. ci.fdc.org.br/AcervoDigital/Relat%C3%B3rios%20de%20 Pesquisa/Relat%C3%B3rio%20de%20Pesquisa%20Com este caderno de ideias, buscou-se aprofundar nos 2012/Relat%C3%B3rio%20-%20Est%C3%A1gio%20questionamentos sobre o relacionamento e diálogo com da%20Sustentabilidade%20das%20Empresas%20as partes interessadas, realizados pela pesquisa Estágio Brasileiras.pdf > Acesso em: 18 fev. 2013.da Sustentabilidade das Empresas Brasileiras. MIRVIS, Philip; GOOGINS, Bradley. Stages of CorporateAs organizações do País já possuem certo nível Citizenship. 2006. Disponível em: <http://digilib.bc.edu/de relacionamento com seus stakeholders, mas reserves/mm902/wadd/mm90201.pdf> Acesso em: 27ainda é preciso levar em consideração questões de nov. 2012.desenvolvimento de funcionários e comunidades, assim MITCHELL, R. K.; AGLE, B. R.; WOOD, D. J. Towardcomo formação de parcerias com diversos atores para a Theory of Stakeholder Identification and Salience:a solução de questões socioambientais. Defining the Principle of Who and What Really Counts.As empresas podem realizar um processo de In: Academy of Management Review, v. 22, n. 4, p. 853-autoavaliação e observar aquelas questões que já são 886, 1997consideradas pela gestão empresarial e aquelas que NATIONAL INSTITUTE FOR STANDARD ANDainda precisam ser melhoradas. Apesar de ser apenas o TECHNOLOGY (NIST). Criteria for Performanceprimeiro passo, essa reflexão pode incentivar um processo Excellence. National Institute for Standard and Technology,de sustentabilidade efetivo nas organizações. Gaithersburg, MD, 2008.A pesquisa Estágio da Sustentabilidade abre diversas S P I T Z E C K , H e i k o ; J A N SS E N , F r a n k . S o c i a lpossibilidades e aprofundamentos e serve também de Entrepreneurship: Implications for Management Practice.ferramenta para que as empresas compreendam como In: International Review of Entrepreneurship. Vol. 8: Issuea sustentabilidade está sendo gerida no País e em suas 2, 2010 - Social Entrepreneurship Special Issue 2.respectivas organizações. USAID, MEASURE EVALUATION. Tools for Data Demand and Use in the Health Sector. 2011. Disponível em: <http://www.minsa.gob.pe/ogei/conferenciaops/ Recursos/24.pdf> Acesso em: 30 mar. 2012. ReferênciasDONALDSON, T.; PRESTON, L. E.. The stakeholdertheory of the corporation: concepts, evidence and ANEXO A – Estágios deimplications. In: Academy of Management Review, v. 20,n. 1, p. 65-91, Jan. 1995. Cidadania Corporativa(THE) EUROPEAN FOUNDATION FOR QUALITYMANAGEMENT (EFQM) (2007). The EFQM Excellence A ideia da cidadania corporativa é a de que asModel. The European Foundation for Quality Management, empresas devem possuir uma conduta ética, levandoBrussels, 2007. em consideração os interesses das pessoas, sejam Caderno de Ideias FDC - Nova Lima - 2013 - CI 1305 5
  6. 6. elas funcionários, fornecedores, comunidade etc. Em Estudos consideráveis sobre os estágios de cidadaniauma perspectiva ampla, a cidadania corporativa pode corporativa têm sido realizados pelo Centro para Cidadaniaser definida como sinônimo da sustentabilidade, isto é, Corporativa da Boston College, Estados Unidos, incluindo umaa busca por atividades e processos corporativos com survey bianual com o objetivo de verificar em qual estágioresultados ambientais, econômicos e sociais equilibrados de cidadania corporativa as empresas americanas separa todas as partes interessadas da organização encontram (MIRVIS, GOOGINS, 2006).(MIRVIS, GOOGINS, 2006)2. O interessante da abordagem Os estudos apontam que, com a avaliação de diversasé poder identificar em qual estágio as organizações se dimensões da gestão empresarial, é possível observarencontram, avaliando principais desafios, barreiras e em qual estágio a empresa se encontra, como écaracterísticas de suas atitudes voltadas à sustentabilidade. mostrado na Figura 1: Figura 1 Os Estágios de Cidadania CorporativaFonte: Elaborada pelo autor, baseado em MIRVIS; GOOGINS, 20062 A cidadania corporativa pode ser considerada sinônimo de sustentabilidade em seus estágios mais avançados; dessa forma, ostermos serão utilizados da mesma forma, compreendendo que ambos demandam a geração de resultados ambientais, econômicose sociais equilibrados para todos os stakeholders das organizações. Caderno de Ideias FDC - Nova Lima - 2013 - CI 1305 6
  7. 7. Os cinco estágios de cidadania corporativa são avaliados de acordo com sete dimensões, que representam aspectosque influenciam na gestão da sustentabilidade empresarial. No Quadro 2 é possível observar as dimensões e osestágios de cidadania corporativa: Quadro 2 Estágios de Cidadania CorporativaFonte: MIRVIS, GOOGINS, 2006Existem outros modelos de estágios de cidadania Os stakeholderscorporativa que consideram algumas questões diferentes, As dificuldades que as empresas enfrentam ao lidar comou mesmo outros estágios. Contudo, o modelo aqui stakeholders começam com o próprio significado doapresentado inclui a maior parte das questões e é termo. A definição mais comum, cunhada por Freemansatisfatório nesse sentido. (1984), nos diz que stakeholder é qualquer grupo ouCabe ressaltar os motivadores internos e externos da indivíduo que pode afetar ou é afetado pelas atividadescidadania corporativa, apontada pela survey bianual e objetivos da organização. Por esse conceito amplo, érealizada pelo Centro para Cidadania Corporativa. possível reconhecer uma vasta gama de stakeholdersDentre os motivadores internos, os mais fortes são em uma organização (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997).as tradições e valores, reputação/imagem, estratégia Mesmo essa sendo a concepção mais difundida, existemde negócios e recrutamento/retenção de funcionários. diversas outras definições para o termo stakeholder,Já as pressões externas podem ser compradores ou desde as mais restritas às mais amplas, como aquelaconsumidores, expectativas da comunidade ou leis e proposta por Freeman. No Quadro 2 alguns conceitospressões políticas (MIRVIS; GOOGINS, 2006). Nesse são apresentados.sentido, os stakeholders são o grande motivadorexterno para que as organizações atuem em prol dasustentabilidade. A seguir, o termo será introduzido ealguns desafios que o tema representa às organizaçõesserão apresentados. Caderno de Ideias FDC - Nova Lima - 2013 - CI 1305 7
  8. 8. Quadro 2 Definições de Stakeholder Autor Definição Stanford Research Institute Grupos dos quais a organização depende para sua sobrevivência ao longo do tempo. (MITCHELL; (1963) AGLE; WOOD, 1997). Tradução nossa. Aqueles que dependem da organização com o objetivo de satisfazerem suas metas pessoais e Hhenman (1964) a organização deles depende para sua existência. (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997). Tradução nossa. Guiados por seus próprios interesses ou metas, são participantes em uma organização, e, Ahlstedt e Jdhnukainen portanto, dependem desta, e a organização depende deles para seu próprio bem. (MITCHELL; (1971) AGLE; WOOD, 1997). Tradução nossa. Stakeholder é qualquer grupo ou indivíduo que pode afetar ou é afetado pelas atividades e Freeman e Reed (1983) objetivos da organização (FREEMAN; REED, 1983) Os que demandam e possuem “contratos” (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997). Tradução Cornell & Shapiro (1987) nossa. Aqueles que possuam interesse ou demanda em uma organização. (MITCHELL; AGLE; WOOD, Evan & Freeman (1988) 1997). Tradução nossa. Aqueles sem cujo apoio a organização deixa de existir. (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997). Bowie (1988) Tradução nossa. Grupos pelos quais a organização é responsável. (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997). Tradução Alkhalaji (1989) nossa. Aquele que afirma ter um ou mais desses tipos de riscos “que vão desde o interesse de um Carroll (1989) direito de propriedade (legal ou moral) até a posse ou o título legal para os ativos da organização ou propriedade”. (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997). Tradução nossa. Aqueles em um relacionamento com a organização. (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997). Tradução Thompson et al. (1991) nossa. Aqueles que possuem interesse nas ações de uma organização e a habilidade de influenciá-la. Savage et al. (1991) (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997). Tradução nossa. Stakeholders voluntários carregam certa forma de risco como resultado de haver investido alguma forma de capital, humano ou financeiro, algo de valor, em uma organização. Stakeholders involuntários Clarkson (1994) são colocados em risco como um resultado das atividades da organização. Mas sem o elemento de risco não há parte interessada. (MITCHELL; AGLE; WOOD, 1997). Tradução nossa. Pessoas ou grupos de pessoas com interesses legítimos em procedimentos ou aspectos Donaldson e Preston (1995) importantes nas atividades organizacionais. (DONALDSON; PRESTON, 1995) São todos aqueles que possuem interesse em uma organização, em suas atividades e em suas EFQM (2007) conquistas. (EFQM, 2007, p.31). Tradução nossa. São todos os grupos que são, ou podem ser, afetados pelas ações ou sucesso de uma NIST (2008) organização. (NIST, 2008, p.60). Tradução nossa. Aqueles atores que provêm os meios necessários ou apoiam uma organização, requisitos que Klefsö, Bergquist, Garvare podem ser retirados caso suas vontades ou expectativas não sejam atendidas. (KLEFSÖ; (2008) BERGQUIST; GARVARE, 2008, p.125). Tradução nossa. Klefsö, Bergquist, Garvare Aqueles que atribuem algum custo à organização. (KLEFSÖ; BERGQUIST; GARVARE, 2008, (2008) p.124). Tradução nossa.Fonte: Elaborado pelo autor Caderno de Ideias FDC - Nova Lima - 2013 - CI 1305 8
  9. 9. Essa gama de definições deixa clara a falta deconsenso com relação ao tema, e dificulta a atuaçãodas empresas que queiram equilibrar suas atividadeslevando em consideração as percepções de seusstakeholders. Quando as empresas realizam essareflexão, podem se assustar com o tamanho do desafioque os stakeholders representam, e por isso, muitasvezes, acreditam não possuir os recursos necessáriospara a realização de diálogo e engajamento (MITCHEL,AGLE, WOOD, 1997).De fato, sem um propósito muito bem estabelecido,começar um processo de identificação e engajamentode stakeholders é inviável para as organizações (REVIT,2007; ACCOUTABILITY, 2011). Muitas empresas sórealizam o processo de engajamento efetivo de maneirareativa, quando projetos específicos apresentamproblemas com determinados grupos de stakeholders(USAID, MEASURE EVALUATION, 2011).É preciso frisar que generalizar a situação dasorganizações, e colocá-las em apenas um grupo, éarriscado. Por sua complexidade, a sustentabilidadeainda é um desafio, pois envolve recursos financeiros ehumanos abundantes, os quais muitas organizações nãopossuem, ou não estão dispostas a reservá-los para tal(KLEFSÖ, BERGQUIST, GARVARE, 2008). Caderno de Ideias FDC - Nova Lima - 2013 - CI 1305 9

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