O exercício do perdão

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O exercício do perdão

  1. 1. O exercício do perdão
  2. 2. Certa vez, perguntaram a um filósofo se Deus perdoa. Após refletir um tanto, ele respondeu com outro questionamento: Para perdoar é necessário sentir-se ofendido? De pronto o interlocutor respondeu: Sim. Se não há ofensa, como haveriaperdão? Retornou ele novamente para o filósofo.
  3. 3. Esse então, calmamente respondeu: Logo, Deus não perdoa! Embora a resposta nos pareçaestranha, traz em si reflexões de grande monta.
  4. 4. A primeira delas é a de que muitomelhor que perdoar, é não se sentirofendido. E para isso, é necessário que a indulgência esteja em nossamente, que a benevolência esteja em nossas ações.
  5. 5. Porém, quem já não se sentiuofendido? Ainda trazemos muitasdificuldades na alma. O orgulho, a vaidade, a pretensão, todos reunidos na alma, nos fazemcriaturas com grande dificuldade em não se ofender.
  6. 6. Às vezes, o ofensor nem percebe que nos magoou, quando acontece de não conseguir avaliar as nossas limitações emocionais. Outras tantas, percebe, tenta remediar, mas o mal já está feito... A ofensa já nos atingiu.
  7. 7. Assim, se ainda nos ofendemos, devemos aprender a perdoar. Porque será o perdão queconseguirá tirar a nódoa da ofensa dos tecidos de nossa alma.
  8. 8. Se a ofensa nos pesa no coração, atormenta a alma eperturba a mente, o perdão nos fará leves novamente, tranquilizando a alma e sossegando a mente.Dessa forma, todo esforço para perdoar deve ser levado emconta, sem economia de nossas capacidades emocionais e racionais.
  9. 9. É claro que o perdão não se instauraimediatamente, e ainda, quanto mais magoados e ofendidos, maior a intensidade das dores. Talvez, mais esforço nos seja demandado.
  10. 10. Assim, comecemos o exercício do perdão assumindo que a raiva, amágoa, a ofensa existem em nosso coração. Enquanto fingirmos que perdoamos, apenas pelos lábios, sem passar pelo coração, nada acontecerá.
  11. 11. Em seguida, busquemos compreender aatitude do outro, daquele que nos ofendeu.Talvez tenha sido um mau dia para ele. Ou esteja passando por uma fase difícil. Ou ainda, talvez ele mesmo seja uma pessoa com grandes feridas na alma. Por isso, mostra-se tão agressivo.
  12. 12. Após compreender, exercitemos pequenos passos de aproximação. Primeiramente, suportemo-lo,enfrentando os sentimentos ruins quepoderão brotar em nossa alma, nesseprimeiro instante. Mas, persistamos naconvivência, por alguns instantes que seja.
  13. 13. Em seguida, demos espaço para a tolerância, ensaiando os primeirospassos do relacionamento, mesmo que distante e ainda um tanto frio. Em seguida, estreitemos um pouco mais o relacionamento, através da cordialidade e do coleguismo.
  14. 14. Não tardará para que sejamos capazesde retomar a fraternidade e administrar o ocorrido, em nossa intimidade.Afinal, o perdão exige o esquecimento. Porém, não esqueceremos o fato,aquilo que nos causou a mágoa, já que isso se mostra quase impossível.
  15. 15. O esquecimento que o perdão provoca é o da mágoa, da ofensa. Quando pudermosolhar nos olhos daquele que nos magoou, com tranquilidade e paz no coração, aí estará implantado em nossa alma...
  16. 16. O PERDÃOMúsica: O perdão FIMNoemi Nonato

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