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Número 27 // 1 de Maio 2021 Vento e Água // Ritmos da Terra
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H
allingskarvet é uma bela cordilheira situada a sul da Noruega, que
se eleva da charneca contígua em penhascos abruptos. O seu nome
retrata a geomorfologia mais alta do local, sendo skarv o equivalente
a rocha ou montanha nua. Toda a área é um Parque Natural, criado
em 2006, cuja vegetação, ora rara, ora composta, conforme as condições climáticas
e geológicas, promove a ocorrência de certa fauna selvagem. A rena, o alce, o veado,
a lebre, a raposa de montanha e a raposa vermelha são algumas das espécies que
deslumbram quem visita Hallingskarvet. Nos penhascos ainda é possível observar a
águia dourada e o falcão peregrino, e as zonas húmidas são habitat para várias espécies
de pássaros. Na parte sul do Parque, junto a um precipício, encontra-se uma cabana de
montanha, um pequeno abrigo chamado Tvergastein.
A sua localização, 1505 metros acima das águas dos fiordes, 600 a norte do equador
e 500 metros acima da linha das árvores, revela um clima puramente ártico. Um
local isolado do mundo humano, onde a vacuidade emerge no silêncio repleto de
sonoridades naturais. Para chegar à vila mais próxima, são necessárias três horas
de viagem, mas foi neste local que o filósofo Arne Naess sentiu um chamamento e
construiu uma cabana de madeira com as suas próprias mãos. Tal como aconteceu
a John Muir, a montanha chamou-o, e Naess teve de ir para junto dela. As suas palavras
são bem elucidativas: Estou a obedecer, a obedecer ao desejo de Hallingskarvet de
vir (Naess, 1995). Parece que as experiências místicas junto à montanha que o filósofo
norueguês descreve desde pequeno eram equivalentes à epifania que Aldo Leopold
teve junto à loba moribunda. Neste caso, através do fogo verde que se soltava do olhar
por
Jorge Moreira
Ambientalista e Investigador
	
» shakti@sapo.pt
	
» facebook.com/ecologiaespiritual.pt
ARTIGO
Tvergastein
da loba, a montanha revelou a Leopold a importância da
harmonia, da beleza e da estabilidade ecológica.
Desde que Naess terminou
a construção da cabana,
em 1938, passou lá cerca de
catorze anos da sua vida, onde
desenvolveu o conceito de
ecologia profunda, que viria a
reinventar o olhar do ser
humano sobre si mesmo e sobre
o Ambiente envolvente.
Sobre a nossa capacidade de destruir as barreiras do eu,
deixando emergir a nossa verdadeira natureza, que se revele
também nos outros seres e na Natureza como um todo.
A defesa da Natureza é assim e intuitivamente entendida
como a defesa de nós próprios e, nesse sentido, cria-se
uma relação profunda com o Ambiente, alcançada pelo
autoconhecimento. Um trabalho inspirador desenvolvido numa
cabana rodeada de Natureza selvagem, tal como Henry David
Thoreau o fez durante dois anos e que originou ‘Walden ou
a Vida nos Bosques’. Podemos constatar um entrelaçamento
entre o Thoreau e Naess, sendo que o movimento
transcendentalista norte-americano é uma das muitas fontes
da ecologia profunda.
O nome Tvergastein está relacionado com a alegada existência
local de enormes e belos cristais de quartzo, que tiveram há
mais de cem anos grande procura por parte dos habitantes
da Noruega Ocidental. Tverga quer dizer passagem, e stein,
pedra. Tvergastein está assim associado à passagem (travessia)
da pedra, ou pedra de passagem, indicativo do percurso para
alcançar os cristais. Normalmente, estes encontram-se em
locais de difícil acesso, como no interior das rochas ou das
montanhas, representando, portanto, a dimensão interna,
oculta, viva na sua beleza. Metaforicamente, o cristal é a
nossa natureza interna, oculta pela pedra bruta que é a
nossa natureza externa. Tal como o escultor, que desvela a
obra de arte no interior da pedra, também nós precisamos de
nos libertar dos condicionalismos que nos impede de sermos
Quando eu tinha dez anos, foi a experiência
mais espontânea de Hallingskarvet, como
um ser semelhante a Deus
(Arne Naess, 1995)
Photo ©Lars Verket
Número 27 // 1 de Maio 2021 Vento e Água // Ritmos da Terra
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quem na realidade somos – elementos cristalinos da Natureza,
que formam com os outros seres uma rede viva expressa numa
unidade orgânica. A expansão da consciência, faz-se integrando
essa rede viva na nossa verdadeira identidade. Ou seja, sermos
não só uma singularidade, mas também a montanha na
sua totalidade, conjuntamente com as outras singularidades
específicas de cada espécie, espécimenes ou conjuntos naturais,
tais como plantas, fungos, animais, bactérias, charcos, riachos,
bosques habitats, etc. Tal como diz Naess: Mas eu gosto muito
desta palavra, Tvergastein. É do tipo de resistência e rigor, e às
vezes pensei que me chamaria de ‘Arne Tvergastein’. Porque eu
sinto que pertenço a esta área aqui, eu pertenço-lhe. Não me
pertence, mas eu pertenço-lhe (Naess, 1995).
Paralelamente, a montanha encerra ainda mais duas dimensões
que merecem uma especial atenção. A primeira encontra-
se em muitas alegorias de escolas espiritualistas e tratados
religiosos, que relacionam a escalada da montanha à evolução
da alma espiritual. Todos precisamos de subir a montanha
como percurso evolutivo - a capacidade de ver a paisagem na
sua totalidade, de forma holística. Uns fazem o percurso pelos
caminhos da normalidade, outros são aliciados pela facilidade e
acabam por cair em precipícios.
Outros dedicam-se ainda a abrir novos caminhos, seguros e
mais rápidos e inspirando outros a segui-los. É que no alto
da Montanha, há algo misteriosamente inefável que
todos queremos aceder. Talvez a Alegria de sermos a própria
Montanha com toda a sua dimensão. Talvez os montanhistas
consigam explicar essa emoção. Talvez Naess, como alpinista
que também o foi, tivesse ousado passar para a filosofia algo
que é da natureza da espiritualidade. É conhecida a influência
da sabedoria ancestral e do Budismo na relação que os sherpas
nepaleses têm com os Himalaias e o questionamento profundo
que motivou em Naess, quando este esteve em contato com
esse interessante mundo natural e cultural.
Essa vivência e cosmovisão
não dualista foi precursora de
muitas das ideias que viriam
a ser reunidas numa ética
ecocêntrica, fundada não só
pela razão, mas também pela
intuição e pela emoção. Por
conseguinte, Hallingskarvet
está intimamente ligado aos
Himalaias pela deep ecology.
A outra dimensão que a montanha e, especialmente,
Tvergastein transmite é que mesmo onde impera a rocha nua,
a vida encontra-se imanente. A Teoria da Ordem Implícita de
David Bohm diz: (…) a vida está dobrada na totalidade e que,
mesmo quando não se manifesta, de alguma maneira se acha
“implícita” naquilo que geralmente chamamos de uma situação
na qual não há vida. (…) A matéria inanimada deve então ser
vista como uma subtotalidade relativamente autónoma, na qual,
pelo menos até onde o sabemos agora, a vida não se manifesta
de maneira significativa. Isto é, a matéria inanimada é uma
abstração secundária, derivada e particular do holomovimento
(…) que é “vida implícita” é o fundamento tanto da “vida
explícita” como da “matéria inanimada”, e é esse fundamento
que é primário, existente por si mesmo e universal. Assim, não
fragmentamos a vida e a matéria inanimada, nem tentamos
reduzir completamente aquela a um mero produto desta (Bohm
1980, p. 247). Nesta passagem, Bohm revela duas características
que se ligam à Ecologia Profunda. Por um lado, dá-nos a
ideia de que a vida é Una, formada pela complexidade de
formas que se ligam em rede. Por outro, diz-nos que a vida
é o princípio básico e se encontra ‘implícita’, até mesmo
na matéria onde ‘explicitamente’ não a detetamos, como
é o caso das rochas. Complementarmente, quem vive em
comunhão com a Natureza é capaz de sentir a vibração dessa
vida imanente e o modo como esta a influencia com a sua
presença. Diz-nos Naess: Eu olho para Tvergastein, a cabana,
como faço neste momento, são os [elementos] envolventes que
participam no que vejo. Eu vejo isso num ambiente mineral,
que se destaca como uma espécie de ser vivo. O contraste
entre os minerais, todas as pedras, toda a vastidão, a dimensão
externa: isso influencia o que vês espontaneamente quando
olhas para a cabana. Então, vês, quando se está numa natureza
tão vasta assim, a própria vastidão entra em ti ... como parte
da tua experiência espontânea (…) o que experimentas
espontaneamente depende do teu tipo especial de existência
num ambiente natural ótimo. Então, tudo se junta lá (Naess,
1995). Neste trecho podemos ainda retirar a influência que o
ambiente natural tem no sujeito. Por esse motivo, a Ecologia
Profunda promove o contato com a Natureza. Contudo,
mesmo sabendo que ecologicamente os abiota têm um papel
fundamental no ecossistema, formando com a biota uma
unidade viva, muitas cosmovisões e movimentos espiritualistas
integram o Reino Mineral como algo vivo, capaz de comunicar e
evoluir, servido também de habitáculo a elementais - energias
vivas que participam na construção do mundo natural –
retratadas no folclore de muitos povos e mitologias, assim
como na cosmologia de muitos dos ecologistas profundos, que
integram esses elementais no cuidado e respeito que têm com
a Natureza.
A cabana de Arne Naees traduz a profunda comunhão que
o filósofo tinha com o mundo natural. A sala onde recebia
visitas encontrava-se decorada com fotos de galáxias distantes,
que traduzia o gosto e o interesse que Naess tinha pela
Física e pela cosmologia - outras fontes que contribuíram
para a Ecologia Profunda. Foi nessa cabana de montanha
que ele produziu muitos dos seus trabalhos e concebeu a
perspetiva de que cada um deve desenvolver a sua própria
filosofia, a sua própria ecosofia. A ecosofia T de Naess, ‘T’
que alguns autores relacionam com Tvergastein, mas
que Naess não confirma, assenta num trabalho interior
de reflexão profunda e constante sobre o sentido da vida
que o leva à Autorrealização. Portanto, a ecosofia implica
autoconhecimento, compreensão da teia da vida, expansão
da consciência e experiência direta com a Natureza, longe da
dualidade sujeito e objeto e onde o ser humano é entendido
como uma extensão do mundo natural. A Autorrealização é a
realização do eu como parte de um todo formado por nós e pela
Natureza. A maturidade do indivíduo dá-se quando o círculo
de identificação é o mais alargado possível, conduzindo-o
naturalmente à espiritualidade. Isto é, à consciência
ecológica. Fritjof Capra afirma que “a consciência ecológica
profunda é em última análise uma consciência espiritual”
(Capra, 1996, p. 45). Esta perspetiva retrata uma ecologia
transpessoal que é simultaneamente uma ética de respeito
integral pela teia da vida e uma sabedoria profunda fundada
na alegria de olhar do cimo da montanha e ver-se a si próprio
como a montanha que anima toda a vida subjacente. Um logos
ecológico.
REFERÊNCIAS:
Bohm, D. (1980). Wholeness and the Implicate Order. London and New
York: Routledge Classics.
Capra, F. (1996). A teia da vida. São Paulo: Editora Cultrix.
Naess, A. (1995). Stichting ReRun Producties. Interview with Norwegian
eco-philosopher Arne Naess. Tvergastein. Hardangervidda, Norway,
June 1995 Interviewer: Jan van Boeckel.
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Tvergastein: A cabana de Arne Naess

  • 1. Número 27 // 1 de Maio 2021 Vento e Água // Ritmos da Terra 14 15 H allingskarvet é uma bela cordilheira situada a sul da Noruega, que se eleva da charneca contígua em penhascos abruptos. O seu nome retrata a geomorfologia mais alta do local, sendo skarv o equivalente a rocha ou montanha nua. Toda a área é um Parque Natural, criado em 2006, cuja vegetação, ora rara, ora composta, conforme as condições climáticas e geológicas, promove a ocorrência de certa fauna selvagem. A rena, o alce, o veado, a lebre, a raposa de montanha e a raposa vermelha são algumas das espécies que deslumbram quem visita Hallingskarvet. Nos penhascos ainda é possível observar a águia dourada e o falcão peregrino, e as zonas húmidas são habitat para várias espécies de pássaros. Na parte sul do Parque, junto a um precipício, encontra-se uma cabana de montanha, um pequeno abrigo chamado Tvergastein. A sua localização, 1505 metros acima das águas dos fiordes, 600 a norte do equador e 500 metros acima da linha das árvores, revela um clima puramente ártico. Um local isolado do mundo humano, onde a vacuidade emerge no silêncio repleto de sonoridades naturais. Para chegar à vila mais próxima, são necessárias três horas de viagem, mas foi neste local que o filósofo Arne Naess sentiu um chamamento e construiu uma cabana de madeira com as suas próprias mãos. Tal como aconteceu a John Muir, a montanha chamou-o, e Naess teve de ir para junto dela. As suas palavras são bem elucidativas: Estou a obedecer, a obedecer ao desejo de Hallingskarvet de vir (Naess, 1995). Parece que as experiências místicas junto à montanha que o filósofo norueguês descreve desde pequeno eram equivalentes à epifania que Aldo Leopold teve junto à loba moribunda. Neste caso, através do fogo verde que se soltava do olhar por Jorge Moreira Ambientalista e Investigador » shakti@sapo.pt » facebook.com/ecologiaespiritual.pt ARTIGO Tvergastein da loba, a montanha revelou a Leopold a importância da harmonia, da beleza e da estabilidade ecológica. Desde que Naess terminou a construção da cabana, em 1938, passou lá cerca de catorze anos da sua vida, onde desenvolveu o conceito de ecologia profunda, que viria a reinventar o olhar do ser humano sobre si mesmo e sobre o Ambiente envolvente. Sobre a nossa capacidade de destruir as barreiras do eu, deixando emergir a nossa verdadeira natureza, que se revele também nos outros seres e na Natureza como um todo. A defesa da Natureza é assim e intuitivamente entendida como a defesa de nós próprios e, nesse sentido, cria-se uma relação profunda com o Ambiente, alcançada pelo autoconhecimento. Um trabalho inspirador desenvolvido numa cabana rodeada de Natureza selvagem, tal como Henry David Thoreau o fez durante dois anos e que originou ‘Walden ou a Vida nos Bosques’. Podemos constatar um entrelaçamento entre o Thoreau e Naess, sendo que o movimento transcendentalista norte-americano é uma das muitas fontes da ecologia profunda. O nome Tvergastein está relacionado com a alegada existência local de enormes e belos cristais de quartzo, que tiveram há mais de cem anos grande procura por parte dos habitantes da Noruega Ocidental. Tverga quer dizer passagem, e stein, pedra. Tvergastein está assim associado à passagem (travessia) da pedra, ou pedra de passagem, indicativo do percurso para alcançar os cristais. Normalmente, estes encontram-se em locais de difícil acesso, como no interior das rochas ou das montanhas, representando, portanto, a dimensão interna, oculta, viva na sua beleza. Metaforicamente, o cristal é a nossa natureza interna, oculta pela pedra bruta que é a nossa natureza externa. Tal como o escultor, que desvela a obra de arte no interior da pedra, também nós precisamos de nos libertar dos condicionalismos que nos impede de sermos Quando eu tinha dez anos, foi a experiência mais espontânea de Hallingskarvet, como um ser semelhante a Deus (Arne Naess, 1995) Photo ©Lars Verket
  • 2. Número 27 // 1 de Maio 2021 Vento e Água // Ritmos da Terra 16 17 quem na realidade somos – elementos cristalinos da Natureza, que formam com os outros seres uma rede viva expressa numa unidade orgânica. A expansão da consciência, faz-se integrando essa rede viva na nossa verdadeira identidade. Ou seja, sermos não só uma singularidade, mas também a montanha na sua totalidade, conjuntamente com as outras singularidades específicas de cada espécie, espécimenes ou conjuntos naturais, tais como plantas, fungos, animais, bactérias, charcos, riachos, bosques habitats, etc. Tal como diz Naess: Mas eu gosto muito desta palavra, Tvergastein. É do tipo de resistência e rigor, e às vezes pensei que me chamaria de ‘Arne Tvergastein’. Porque eu sinto que pertenço a esta área aqui, eu pertenço-lhe. Não me pertence, mas eu pertenço-lhe (Naess, 1995). Paralelamente, a montanha encerra ainda mais duas dimensões que merecem uma especial atenção. A primeira encontra- se em muitas alegorias de escolas espiritualistas e tratados religiosos, que relacionam a escalada da montanha à evolução da alma espiritual. Todos precisamos de subir a montanha como percurso evolutivo - a capacidade de ver a paisagem na sua totalidade, de forma holística. Uns fazem o percurso pelos caminhos da normalidade, outros são aliciados pela facilidade e acabam por cair em precipícios. Outros dedicam-se ainda a abrir novos caminhos, seguros e mais rápidos e inspirando outros a segui-los. É que no alto da Montanha, há algo misteriosamente inefável que todos queremos aceder. Talvez a Alegria de sermos a própria Montanha com toda a sua dimensão. Talvez os montanhistas consigam explicar essa emoção. Talvez Naess, como alpinista que também o foi, tivesse ousado passar para a filosofia algo que é da natureza da espiritualidade. É conhecida a influência da sabedoria ancestral e do Budismo na relação que os sherpas nepaleses têm com os Himalaias e o questionamento profundo que motivou em Naess, quando este esteve em contato com esse interessante mundo natural e cultural. Essa vivência e cosmovisão não dualista foi precursora de muitas das ideias que viriam a ser reunidas numa ética ecocêntrica, fundada não só pela razão, mas também pela intuição e pela emoção. Por conseguinte, Hallingskarvet está intimamente ligado aos Himalaias pela deep ecology. A outra dimensão que a montanha e, especialmente, Tvergastein transmite é que mesmo onde impera a rocha nua, a vida encontra-se imanente. A Teoria da Ordem Implícita de David Bohm diz: (…) a vida está dobrada na totalidade e que, mesmo quando não se manifesta, de alguma maneira se acha “implícita” naquilo que geralmente chamamos de uma situação na qual não há vida. (…) A matéria inanimada deve então ser vista como uma subtotalidade relativamente autónoma, na qual, pelo menos até onde o sabemos agora, a vida não se manifesta de maneira significativa. Isto é, a matéria inanimada é uma abstração secundária, derivada e particular do holomovimento (…) que é “vida implícita” é o fundamento tanto da “vida explícita” como da “matéria inanimada”, e é esse fundamento que é primário, existente por si mesmo e universal. Assim, não fragmentamos a vida e a matéria inanimada, nem tentamos reduzir completamente aquela a um mero produto desta (Bohm 1980, p. 247). Nesta passagem, Bohm revela duas características que se ligam à Ecologia Profunda. Por um lado, dá-nos a ideia de que a vida é Una, formada pela complexidade de formas que se ligam em rede. Por outro, diz-nos que a vida é o princípio básico e se encontra ‘implícita’, até mesmo na matéria onde ‘explicitamente’ não a detetamos, como é o caso das rochas. Complementarmente, quem vive em comunhão com a Natureza é capaz de sentir a vibração dessa vida imanente e o modo como esta a influencia com a sua presença. Diz-nos Naess: Eu olho para Tvergastein, a cabana, como faço neste momento, são os [elementos] envolventes que participam no que vejo. Eu vejo isso num ambiente mineral, que se destaca como uma espécie de ser vivo. O contraste entre os minerais, todas as pedras, toda a vastidão, a dimensão externa: isso influencia o que vês espontaneamente quando olhas para a cabana. Então, vês, quando se está numa natureza tão vasta assim, a própria vastidão entra em ti ... como parte da tua experiência espontânea (…) o que experimentas espontaneamente depende do teu tipo especial de existência num ambiente natural ótimo. Então, tudo se junta lá (Naess, 1995). Neste trecho podemos ainda retirar a influência que o ambiente natural tem no sujeito. Por esse motivo, a Ecologia Profunda promove o contato com a Natureza. Contudo, mesmo sabendo que ecologicamente os abiota têm um papel fundamental no ecossistema, formando com a biota uma unidade viva, muitas cosmovisões e movimentos espiritualistas integram o Reino Mineral como algo vivo, capaz de comunicar e evoluir, servido também de habitáculo a elementais - energias vivas que participam na construção do mundo natural – retratadas no folclore de muitos povos e mitologias, assim como na cosmologia de muitos dos ecologistas profundos, que integram esses elementais no cuidado e respeito que têm com a Natureza. A cabana de Arne Naees traduz a profunda comunhão que o filósofo tinha com o mundo natural. A sala onde recebia visitas encontrava-se decorada com fotos de galáxias distantes, que traduzia o gosto e o interesse que Naess tinha pela Física e pela cosmologia - outras fontes que contribuíram para a Ecologia Profunda. Foi nessa cabana de montanha que ele produziu muitos dos seus trabalhos e concebeu a perspetiva de que cada um deve desenvolver a sua própria filosofia, a sua própria ecosofia. A ecosofia T de Naess, ‘T’ que alguns autores relacionam com Tvergastein, mas que Naess não confirma, assenta num trabalho interior de reflexão profunda e constante sobre o sentido da vida que o leva à Autorrealização. Portanto, a ecosofia implica autoconhecimento, compreensão da teia da vida, expansão da consciência e experiência direta com a Natureza, longe da dualidade sujeito e objeto e onde o ser humano é entendido como uma extensão do mundo natural. A Autorrealização é a realização do eu como parte de um todo formado por nós e pela Natureza. A maturidade do indivíduo dá-se quando o círculo de identificação é o mais alargado possível, conduzindo-o naturalmente à espiritualidade. Isto é, à consciência ecológica. Fritjof Capra afirma que “a consciência ecológica profunda é em última análise uma consciência espiritual” (Capra, 1996, p. 45). Esta perspetiva retrata uma ecologia transpessoal que é simultaneamente uma ética de respeito integral pela teia da vida e uma sabedoria profunda fundada na alegria de olhar do cimo da montanha e ver-se a si próprio como a montanha que anima toda a vida subjacente. Um logos ecológico. REFERÊNCIAS: Bohm, D. (1980). Wholeness and the Implicate Order. London and New York: Routledge Classics. Capra, F. (1996). A teia da vida. São Paulo: Editora Cultrix. Naess, A. (1995). Stichting ReRun Producties. Interview with Norwegian eco-philosopher Arne Naess. Tvergastein. Hardangervidda, Norway, June 1995 Interviewer: Jan van Boeckel. photo ©Petter Mejlænder