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Opinião
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
A Vida dos Rios da Vida
Texto e Fotos_Jorge Moreira [Ambientalista e Investigador]
A água, tão preciosa, sem cor, sem cheiro, cristalina, que vive dentro da gente, respira em nosso
corpo e evapora no ar. Formando nuvens de amor de onde cai a chuva para enverdecer as
matas, crescer os brotos; as flores para perfumar o universo e alimentar as abelhas que fazem o
doce mel; e as frutas para alimentar os pássaros e outros animais.
O mato traz sombra e vitamina para terra e os rios que correm dentro do corpo da terra, como o
sangue em nossas veias.
Mas a maldade cruel faz o fogo da morte passar no corpo da terra, secando suas veias. O
ardume do fogo torra sua pele. A mata chora e depois morre. O veneno intoxica. O lixo sufoca. A
pisada do boi magoa o solo. O trator revira a terra.
Fora de nossas terras ouvimos seu choro e sua morte sem termos como socorrer a Vida.
Chegou a hora de defender a vida do fogo da morte.
Excerto da “Carta de Compromisso de Yvy Poty em Defesa da Vida, Terra e Futuro”
(Povo Guarani), 2017
O Instalador Abril 2018 www.oinstalador.com 75
Opinião
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
Os rios não são só cursos naturais de água.
Eles são ecossistemas importantíssimos que
alimentam outros ecossistemas. São como
veias que levam a vitalidade ao resto do corpo.
E onde o fluxo falha, a vida perece. De igual
modo, alimentos infectados que entram na
rede vital contaminam o resto do organismo
ou a cadeia trófica. Por conseguinte, a
poluição dos rios afeta o equilíbrio natural, e
dependendo da concentração e da toxicidade
para a vida, pode levar desde a morte de
alguns indivíduos até à destruição de todo
o ecossistema por onde o rio corre. A fonte
que alimentava a vida pode transformar-se no
anjo da morte, um subproduto da arrogância
de uma elite de uma espécie, que se acha no
direito de subjugar e maltratar todas as outras,
bem como os rios, as florestas e os mares.
As Veias da Terra
A ideia de que os rios são as veias da Terra
existe em diferentes geografias, culturas e
épocas. Um dos maiores sábios que flores-
ceu no seio da Humanidade foi Leonardo
Da Vinci. A sua capacidade de ver mais
além do que o comum dos mortais levou-o
ao grande axioma hermético, o princípio da
correspondência, que existe entre dimensões
e aspectos da vida. A analogia entre um
organismo e a Natureza, mais precisamente,
entre o funcionamento de um corpo humano
e a Terra, é retratada, segundo a obra “A Alma
de Leonardo Da Vinci”, de Fritjof Capra, da
seguinte maneira: Podemos, pois, dizer que
a Terra possui uma força vital de crescimento
e que sua carne é o solo; seus ossos são os
estratos sucessivos de rochas que formam as
montanhas; sua cartilagem é a pedra porosa;
seu sangue é a rede de veias de água. O lago
de sangue em volta do coração é o oceano.
Sua respiração é o aumento e a diminuição
do sangue nos pulsos, assim como, na Terra,
é a subida e a descida das marés. Estas
conclusões remetem também para a Terra
como organismo vivo, mais tarde fundamen-
tada cientificamente através da Teoria de Gaia,
também conhecida por Hipótese biogeoquí-
mica de James Lovelock e Lynn Margulis.
A Terra é um complexo sistema, cuja a água
é peça fundamental para a vida. Assim, os
rios saudáveis são os canais de vitalidade da
Terra. Transportam água e sedimentos ricos
em nutrientes e minerais. Quando falamos de
rios, estamos a falar das suas bacias hidro-
gráficas, das zonas ripícolas, das correntes
de águas subterrâneas, das quedas de água
de montanha, dos deltas e estuários, dos “rios
aéreos”, das lagoas, dos pântanos e planícies
aluviais, das florestas envolventes e da enorme
biodiversidade que apresentam e sustentam.
As águas estuarinas, devido ao manancial de
nutrientes, são das zonas mais produtivas do
planeta. São autênticos berçários para muitas
espécies de peixes e estações de serviço para
imensas aves migratórias.
O Homem e os Rios
O ser humano teve ao longo da sua história
preferência por locais junto aos rios. Isto
porque eles fornecem uma série de serviços
importantes para nós: água potável, peixe,
transporte, materiais de construção, fertilizan-
tes, etc. As suas águas abastecem cidades,
agricultura e indústria. Servem para arrefecer
centrais termoelétricas e nucleares, produzir
energia através das barragens ou simples-
mente eliminar efluentes da atividade industrial
e doméstica. E aqui começam os problemas:
a destruição das zonas ripícolas para dar
origem a grandes áreas urbanas e industriais,
agravada pelos constantes despejos de
poluentes nos rios. O belo curso de água
cristalino, onde a vida pulava em inúmeras
formas, tornou-se escuro, nauseabundo e
morto. Foi-se o ecossistema e surgiram pro-
blemas de saúde pública relacionados com o
estado dos rios. Para solucionar estas ques-
tões foram criadas normas legais, tecnologias
de tratamento de efluentes, despoluição dos
rios e sua renaturalização. Hoje já se assiste
aos desmantelamento de barragens em
várias partes do globo e muitas margens dos
rios, outrora aprisionadas pelo betão, estão a
ser requalificadas no sentido de restaurar o
ecossistema original. Depois da entrada de
Portugal na Comunidade Económica Euro-
peia, organização anterior à União Europeia,
as questões ambientais tiveram um relevo
especial. Deu-se a esverdeamento da política,
isto é, as políticas de todos os sectores tinham
de estar de acordo com certas normas
ambientais. A poluição dos rios passou a
ser vista como um mal a evitar e a corrigir.
Houve efetivos esforços na sua recuperação e
muitos deles voltaram a saborear a vida, pelo
menos em alguns troços. Foi maravilhoso
rever fauna em locais onde já não se avistava
há décadas. Estávamos num período de evo-
lução nas questões ambientais, não fossem
as insistentes construções, em contraciclo,
de barragens em rios ainda puros como o
Sabor, considerado na altura como um dos
mais selvagens da Europa. A crise financeira
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Opinião
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
e económica, que se fez sentir mais a partir de
2007, veio alterar o panorama em Portugal. O
Ambiente deixou de estar na agenda política
e o que interessava mais era reverter a crise.
Os governos tornaram-se permissivos com os
prevaricadores e os rios, salvo raras exceções,
voltaram às notícias pelas piores razões. O
Tejo foi o mais badalado.
A Poluição do Tejo
O maior rio da Península Ibérica tem sido
alvo de frequentes focos de poluição, cada
vez mais graves, e os infratores são bem co-
nhecidos. Os alertas constantes do “Guardião
do Tejo”, Arlindo Marques, e a deteção, a 24
de janeiro passado, segundo a Agência Por-
tuguesa do Ambiente, de uma carga poluente
cincomilvezessuperioraonormal,proveniente
das descargas da indústria da pasta de papel,
não deixa margem para dúvidas. Não são os
únicos poluidores, mas são aqueles que cau-
sam maior impacte. Curiosamente, o Princípio
Poluidor–Pagador não se aplicar aqui, porque
vai ser o Fundo Ambiental a financiar a limpeza
orçamentada em 1,5 milhões de euros. As
empresas de celulose destroem as nossas
florestas, com o incentivo à monocultura
inflamável de eucalipto, poluem os rios, e a
fatura dos incêndios e da despoluição somos
nós que a pagamos? E a descaradeza da
Celtejo – empresa de celulose do Grupo Altri
- em reclamar 250 mil euros por “difamação”
num processo interposto em Tribunal contra o
“Guardião do Tejo”, precisamente por este ter
alertado para a origem da poluição? Querem
calar os ambientalistas? Arlindo Marques fez
o papel que competia ao Estado – a defesa
do nosso património natural. Mas de que Es-
tado estamos a falar? O que olha para o lado,
perante sistemáticos abusos e só intervém
quando os media publicam? Ou o Estado
que deveria obrigar o infrator a despoluir em
vez de custear essa ação? Mas os problemas
não acabam aqui. O Governo pretende depo-
sitar, mesmo que temporariamente, as lamas
poluidas retiradas do rio Tejo, em plena zona
protegida, nas proximidades do Monumento
Natural das Portas de Ródão, contrariando
mesmo o decreto referente à área que proíbe
qualquer depósito de resíduos.
Outros Problemas
Com as alterações climáticas e a destruição
das florestas nativas ou a sua substituição
por monocultura de exóticas, muitos rios
encontram-se atualmente ameaçados. Há
uma influência profunda entre rios e florestas
autóctones. Para além da fixação e da prote-
ção da água no solo, a floresta cria humidade
e os chamados “rios aéreos”, provenientes da
transpiração das folhas, que são correntes
voadoras de ar, cheias de água, com efeitos
equivalentes aos rios que correm sobre a
terra. A razão porque o interior do Brasil não
é desértico, comparativamente a outros locais
com a mesma latitude em África ou Austrália,
é devido à Amazónia e aos seus “rios aéreos”.
No nosso caso, as florestas compostas por
carvalhos, bétulas, castanheiros, etc., as co-
pas e a matéria orgânica depositada no solo
são importantes para manter a humidade e as
condições ideais para que ocorra o processo
natural de infiltração da água nos solos. Por
sua vez, a infiltração recarrega lençóis freáti-
cos que abastece rios. Assim, a destruição da
floresta nativa tem um impacte enorme nos
rios. E, da mesma forma, a poluição dos rios
tem um impacte enorme na vida que existe
no seu seio ou que se encontra sob a sua
influência ecológica.
Outra grande ameaça para os rios são
as barragens. Para além da degradação
da qualidade da água e o depósito de
sedimentos e poluentes nas suas albufeiras,
como se viu recentemente no Tejo, as
barragens são uma barreira enorme para a
fauna. Os peixes não conseguem subir o rio
e muitos mamíferos ficam impossibilitados de
atravessar o enorme curso de água. Muitas
espécies endémicas ficam ameaçadas
ou desaparecem com a construção das
barragens. Os sedimentos retidos nestas
estruturas não chegam à costa, para repôr
as areias nas praias, e contribuem para outro
problema, a erosão da costa, já agravado
com o aumento do nível médio da água do
mar e dos fenómenos extremos provenientes
das alterações climáticas.
O Instalador Abril 2018 www.oinstalador.com 77
Opinião
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
Que Futuro para os Rios
Há locais, onde os rios são sagrados pela
sua importância ecológica e religiosa. Mas
mesmo esses já tiveram dias melhores. Por
esse motivo, algumas culturas tradicionais,
onde determinado curso de água tem um
papel central na sua cosmovisão, movimen-
taram-se no sentido de atribuir direitos aná-
logos aos dos seres humanos, como forma
de proteção e valorização. Embora sejam
culturas ancestrais, elas estão em sintonia
com as ciências atuais do ambiente sobre o
valor dos rios nos ecossistemas terrestres.
Falta por cá a partilha desse conhecimento
holístico nas escolas e uma Lei que atribua
Direitos à Natureza, para termos rios cuida-
dos com o devido respeito.
Da Vinci, com um toque de profeta ecolo-
gista, escreveu num dos textos incluídos no
“Codex Arundel”: E os rios perderão suas
águas, e a frutífera terra não conseguirá
gerar de si nenhum broto, e não crescerá
sobre os campos a inclinada beleza da
espiga; e assim morrerão os animais, não
podendo se nutrir com as frescas ervas
dos prados; (…) e os homens, depois de
múltiplas tentativas, de igual forma per-
derão a vida, morrendo por fim a espécie
humana. E a terra fértil, rica em frutos, será
transformada num deserto. Infelizmente
estamos a caminhar para este cenário. Ou-
tro sábio, que desapareceu recentemente,
Stephen Hawking, avisou que Estamos em
perigo de nos destruir pela nossa ganância
e estupidez. Não podemos continuar a
olhar para dentro de nós mesmos num
planeta pequeno e cada vez mais poluído
e superlotado. Efetivamente, as alterações
climáticas, a poluição e a destruição das
florestas autóctones, fruto do nosso egoís-
mo e antropocentrismo, afetam gravemen-
te os rios. Sem eles não há vida como a
conhecemos e este planeta, outrora lindo,
ficará mais parecido do que nunca com
o seu vizinho Marte. Certamente que por
mais cegos e gananciosos que possamos
ser, não vamos querer viver sem as belas
curvas dos rios, sem a sua frescura crista-
lina, sem os rápidos, cachoeiras e deltas,
sem os Guarda-rios ou a brincadeira da
Lontra. O rio não é um recurso. É a seiva
que alimenta a vida! Chegou a hora de
defender a vida do fogo da morte.
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A Vida dos Rios da Vida, Jorge Moreira, Revista O Instalador, Abril 2018

  • 1. 74 O Instalador Abril 2018 www.oinstalador.com Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS A Vida dos Rios da Vida Texto e Fotos_Jorge Moreira [Ambientalista e Investigador] A água, tão preciosa, sem cor, sem cheiro, cristalina, que vive dentro da gente, respira em nosso corpo e evapora no ar. Formando nuvens de amor de onde cai a chuva para enverdecer as matas, crescer os brotos; as flores para perfumar o universo e alimentar as abelhas que fazem o doce mel; e as frutas para alimentar os pássaros e outros animais. O mato traz sombra e vitamina para terra e os rios que correm dentro do corpo da terra, como o sangue em nossas veias. Mas a maldade cruel faz o fogo da morte passar no corpo da terra, secando suas veias. O ardume do fogo torra sua pele. A mata chora e depois morre. O veneno intoxica. O lixo sufoca. A pisada do boi magoa o solo. O trator revira a terra. Fora de nossas terras ouvimos seu choro e sua morte sem termos como socorrer a Vida. Chegou a hora de defender a vida do fogo da morte. Excerto da “Carta de Compromisso de Yvy Poty em Defesa da Vida, Terra e Futuro” (Povo Guarani), 2017
  • 2. O Instalador Abril 2018 www.oinstalador.com 75 Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS Os rios não são só cursos naturais de água. Eles são ecossistemas importantíssimos que alimentam outros ecossistemas. São como veias que levam a vitalidade ao resto do corpo. E onde o fluxo falha, a vida perece. De igual modo, alimentos infectados que entram na rede vital contaminam o resto do organismo ou a cadeia trófica. Por conseguinte, a poluição dos rios afeta o equilíbrio natural, e dependendo da concentração e da toxicidade para a vida, pode levar desde a morte de alguns indivíduos até à destruição de todo o ecossistema por onde o rio corre. A fonte que alimentava a vida pode transformar-se no anjo da morte, um subproduto da arrogância de uma elite de uma espécie, que se acha no direito de subjugar e maltratar todas as outras, bem como os rios, as florestas e os mares. As Veias da Terra A ideia de que os rios são as veias da Terra existe em diferentes geografias, culturas e épocas. Um dos maiores sábios que flores- ceu no seio da Humanidade foi Leonardo Da Vinci. A sua capacidade de ver mais além do que o comum dos mortais levou-o ao grande axioma hermético, o princípio da correspondência, que existe entre dimensões e aspectos da vida. A analogia entre um organismo e a Natureza, mais precisamente, entre o funcionamento de um corpo humano e a Terra, é retratada, segundo a obra “A Alma de Leonardo Da Vinci”, de Fritjof Capra, da seguinte maneira: Podemos, pois, dizer que a Terra possui uma força vital de crescimento e que sua carne é o solo; seus ossos são os estratos sucessivos de rochas que formam as montanhas; sua cartilagem é a pedra porosa; seu sangue é a rede de veias de água. O lago de sangue em volta do coração é o oceano. Sua respiração é o aumento e a diminuição do sangue nos pulsos, assim como, na Terra, é a subida e a descida das marés. Estas conclusões remetem também para a Terra como organismo vivo, mais tarde fundamen- tada cientificamente através da Teoria de Gaia, também conhecida por Hipótese biogeoquí- mica de James Lovelock e Lynn Margulis. A Terra é um complexo sistema, cuja a água é peça fundamental para a vida. Assim, os rios saudáveis são os canais de vitalidade da Terra. Transportam água e sedimentos ricos em nutrientes e minerais. Quando falamos de rios, estamos a falar das suas bacias hidro- gráficas, das zonas ripícolas, das correntes de águas subterrâneas, das quedas de água de montanha, dos deltas e estuários, dos “rios aéreos”, das lagoas, dos pântanos e planícies aluviais, das florestas envolventes e da enorme biodiversidade que apresentam e sustentam. As águas estuarinas, devido ao manancial de nutrientes, são das zonas mais produtivas do planeta. São autênticos berçários para muitas espécies de peixes e estações de serviço para imensas aves migratórias. O Homem e os Rios O ser humano teve ao longo da sua história preferência por locais junto aos rios. Isto porque eles fornecem uma série de serviços importantes para nós: água potável, peixe, transporte, materiais de construção, fertilizan- tes, etc. As suas águas abastecem cidades, agricultura e indústria. Servem para arrefecer centrais termoelétricas e nucleares, produzir energia através das barragens ou simples- mente eliminar efluentes da atividade industrial e doméstica. E aqui começam os problemas: a destruição das zonas ripícolas para dar origem a grandes áreas urbanas e industriais, agravada pelos constantes despejos de poluentes nos rios. O belo curso de água cristalino, onde a vida pulava em inúmeras formas, tornou-se escuro, nauseabundo e morto. Foi-se o ecossistema e surgiram pro- blemas de saúde pública relacionados com o estado dos rios. Para solucionar estas ques- tões foram criadas normas legais, tecnologias de tratamento de efluentes, despoluição dos rios e sua renaturalização. Hoje já se assiste aos desmantelamento de barragens em várias partes do globo e muitas margens dos rios, outrora aprisionadas pelo betão, estão a ser requalificadas no sentido de restaurar o ecossistema original. Depois da entrada de Portugal na Comunidade Económica Euro- peia, organização anterior à União Europeia, as questões ambientais tiveram um relevo especial. Deu-se a esverdeamento da política, isto é, as políticas de todos os sectores tinham de estar de acordo com certas normas ambientais. A poluição dos rios passou a ser vista como um mal a evitar e a corrigir. Houve efetivos esforços na sua recuperação e muitos deles voltaram a saborear a vida, pelo menos em alguns troços. Foi maravilhoso rever fauna em locais onde já não se avistava há décadas. Estávamos num período de evo- lução nas questões ambientais, não fossem as insistentes construções, em contraciclo, de barragens em rios ainda puros como o Sabor, considerado na altura como um dos mais selvagens da Europa. A crise financeira
  • 3. 76 O Instalador Abril 2018 www.oinstalador.com Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS e económica, que se fez sentir mais a partir de 2007, veio alterar o panorama em Portugal. O Ambiente deixou de estar na agenda política e o que interessava mais era reverter a crise. Os governos tornaram-se permissivos com os prevaricadores e os rios, salvo raras exceções, voltaram às notícias pelas piores razões. O Tejo foi o mais badalado. A Poluição do Tejo O maior rio da Península Ibérica tem sido alvo de frequentes focos de poluição, cada vez mais graves, e os infratores são bem co- nhecidos. Os alertas constantes do “Guardião do Tejo”, Arlindo Marques, e a deteção, a 24 de janeiro passado, segundo a Agência Por- tuguesa do Ambiente, de uma carga poluente cincomilvezessuperioraonormal,proveniente das descargas da indústria da pasta de papel, não deixa margem para dúvidas. Não são os únicos poluidores, mas são aqueles que cau- sam maior impacte. Curiosamente, o Princípio Poluidor–Pagador não se aplicar aqui, porque vai ser o Fundo Ambiental a financiar a limpeza orçamentada em 1,5 milhões de euros. As empresas de celulose destroem as nossas florestas, com o incentivo à monocultura inflamável de eucalipto, poluem os rios, e a fatura dos incêndios e da despoluição somos nós que a pagamos? E a descaradeza da Celtejo – empresa de celulose do Grupo Altri - em reclamar 250 mil euros por “difamação” num processo interposto em Tribunal contra o “Guardião do Tejo”, precisamente por este ter alertado para a origem da poluição? Querem calar os ambientalistas? Arlindo Marques fez o papel que competia ao Estado – a defesa do nosso património natural. Mas de que Es- tado estamos a falar? O que olha para o lado, perante sistemáticos abusos e só intervém quando os media publicam? Ou o Estado que deveria obrigar o infrator a despoluir em vez de custear essa ação? Mas os problemas não acabam aqui. O Governo pretende depo- sitar, mesmo que temporariamente, as lamas poluidas retiradas do rio Tejo, em plena zona protegida, nas proximidades do Monumento Natural das Portas de Ródão, contrariando mesmo o decreto referente à área que proíbe qualquer depósito de resíduos. Outros Problemas Com as alterações climáticas e a destruição das florestas nativas ou a sua substituição por monocultura de exóticas, muitos rios encontram-se atualmente ameaçados. Há uma influência profunda entre rios e florestas autóctones. Para além da fixação e da prote- ção da água no solo, a floresta cria humidade e os chamados “rios aéreos”, provenientes da transpiração das folhas, que são correntes voadoras de ar, cheias de água, com efeitos equivalentes aos rios que correm sobre a terra. A razão porque o interior do Brasil não é desértico, comparativamente a outros locais com a mesma latitude em África ou Austrália, é devido à Amazónia e aos seus “rios aéreos”. No nosso caso, as florestas compostas por carvalhos, bétulas, castanheiros, etc., as co- pas e a matéria orgânica depositada no solo são importantes para manter a humidade e as condições ideais para que ocorra o processo natural de infiltração da água nos solos. Por sua vez, a infiltração recarrega lençóis freáti- cos que abastece rios. Assim, a destruição da floresta nativa tem um impacte enorme nos rios. E, da mesma forma, a poluição dos rios tem um impacte enorme na vida que existe no seu seio ou que se encontra sob a sua influência ecológica. Outra grande ameaça para os rios são as barragens. Para além da degradação da qualidade da água e o depósito de sedimentos e poluentes nas suas albufeiras, como se viu recentemente no Tejo, as barragens são uma barreira enorme para a fauna. Os peixes não conseguem subir o rio e muitos mamíferos ficam impossibilitados de atravessar o enorme curso de água. Muitas espécies endémicas ficam ameaçadas ou desaparecem com a construção das barragens. Os sedimentos retidos nestas estruturas não chegam à costa, para repôr as areias nas praias, e contribuem para outro problema, a erosão da costa, já agravado com o aumento do nível médio da água do mar e dos fenómenos extremos provenientes das alterações climáticas.
  • 4. O Instalador Abril 2018 www.oinstalador.com 77 Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS Que Futuro para os Rios Há locais, onde os rios são sagrados pela sua importância ecológica e religiosa. Mas mesmo esses já tiveram dias melhores. Por esse motivo, algumas culturas tradicionais, onde determinado curso de água tem um papel central na sua cosmovisão, movimen- taram-se no sentido de atribuir direitos aná- logos aos dos seres humanos, como forma de proteção e valorização. Embora sejam culturas ancestrais, elas estão em sintonia com as ciências atuais do ambiente sobre o valor dos rios nos ecossistemas terrestres. Falta por cá a partilha desse conhecimento holístico nas escolas e uma Lei que atribua Direitos à Natureza, para termos rios cuida- dos com o devido respeito. Da Vinci, com um toque de profeta ecolo- gista, escreveu num dos textos incluídos no “Codex Arundel”: E os rios perderão suas águas, e a frutífera terra não conseguirá gerar de si nenhum broto, e não crescerá sobre os campos a inclinada beleza da espiga; e assim morrerão os animais, não podendo se nutrir com as frescas ervas dos prados; (…) e os homens, depois de múltiplas tentativas, de igual forma per- derão a vida, morrendo por fim a espécie humana. E a terra fértil, rica em frutos, será transformada num deserto. Infelizmente estamos a caminhar para este cenário. Ou- tro sábio, que desapareceu recentemente, Stephen Hawking, avisou que Estamos em perigo de nos destruir pela nossa ganância e estupidez. Não podemos continuar a olhar para dentro de nós mesmos num planeta pequeno e cada vez mais poluído e superlotado. Efetivamente, as alterações climáticas, a poluição e a destruição das florestas autóctones, fruto do nosso egoís- mo e antropocentrismo, afetam gravemen- te os rios. Sem eles não há vida como a conhecemos e este planeta, outrora lindo, ficará mais parecido do que nunca com o seu vizinho Marte. Certamente que por mais cegos e gananciosos que possamos ser, não vamos querer viver sem as belas curvas dos rios, sem a sua frescura crista- lina, sem os rápidos, cachoeiras e deltas, sem os Guarda-rios ou a brincadeira da Lontra. O rio não é um recurso. É a seiva que alimenta a vida! Chegou a hora de defender a vida do fogo da morte. Foto_Paulo Cunha (Lusa)