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        1
Universidade Anhanguera - Uniderp
  Centro de Educação a Distância



      Caderno de Atividades

    Serviço Social
             Coordenação do Curso
       Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre




                     Autores
             Ana Lucia Américo Antonio
       Angela Cristina Dias do Rego Catonio
             Edilene Xavier Rocha Garcia
        Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre
        Helenrose A. da S. Pedroso Coelho
                Luciano Gamez (org.)
            Ricardo Leite de Albuquerque
                     Yaeko Ozaki
Universidade Anhanguera - Uniderp
                        Centro de Educação a Distância
Chanceler                                             Diretor-Adjunto
Ana Maria Costa de Sousa                              Luciano Sathler
Reitor                                                Coordenação de Qualidade do Material
Guilherme Marback Neto                                Didático
Vice-Reitora                                          Luciano Gamez: Coordenador e organizador
Heloisa Helena Gianotti Pereira                       da publicação
Pró-Reitores                                          Barbara Monteiro Gomes de Campos
Pró-Reitor Administrativo: Antonio Fonseca            Bruno Tonhetti Galasse
de Carvalho                                           Fernanda Bocchi Balthazar
Pró-Reitor de Extensão, Cultura e                     Helena Okada
Desporto: Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato            Lucia Helena Paula do Canto
Pró-Reitor de Graduação: Eduardo de                   Waurie Rolão
Oliveira Elias                                        Ilustrações
Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação:              Ednei Marx
Elizabeth Tereza Brunini Sbardelini
CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA                        ANHANGUERA PUBLICAÇÕES
Diretor-Geral                                         Gerente Editorial
José Manuel Moran                                     Adauto Damásio



                            C129   Caderno de atividades: serviço social / Ana Lucia Américo An-
                                      tonio... [et. al.].; Organizador Luciano Gamez; Coordenação
                                      do curso Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre. – Valinhos :
                                      Anhanguera Publicações, 2011.
                                      288 p.



                                      ISBN: 978-85-7969-053-2

© 2011 Anhanguera
Publicações - Proibida
a reprodução final ou                  1. Serviço social. I. Antonio, Ana Lucia Américo. II. Gamez,
parcial por qualquer meio          Luciano. III. Nobre, Elisa Cléia Pinheiro.
de impressão, em forma
idêntica, resumida ou                                                         CDD - 20.ed. : 370.15
modificada em língua
portuguesa ou qualquer
outro idioma. Impresso
no Brasil 2011
Nossa Missão, Nossos Valores
Desde sua fundação, em 1994, os fundamentos da “Anhanguera Educacional” têm sido o principal motivo do
seu crescimento.
Buscando permanentemente a inovação e o aprimoramento acadêmico em todas as ações e programas, é uma
Instituição de Educação Superior comprometida com a qualidade do ensino, pesquisa de iniciação científica e
extensão, que oferecemos.
Ela procura adequar suas iniciativas às necessidades do mercado de trabalho e às exigências do mundo em cons-
tante transformação.
Esse compromisso com a qualidade é evidenciado pelos intensos e constantes investimentos no corpo docente
e de funcionários, na infraestrutura, nas bibliotecas, nos laboratórios, nas metodologias e nos Programas Institu-
cionais, tais como:
•   Programa de Iniciação Científica (PIC), que concede bolsas de estudo aos alunos para o desenvolvimento de
    pesquisa supervisionada pelos nossos professores.
•   Programa Institucional de Capacitação Docente (PICD), que concede bolsas de estudos para docentes cursa-
    rem especialização, mestrado e doutorado.
•   Programa do Livro-Texto (PLT), que propicia aos alunos a aquisição de livros a preços acessíveis, dos melhores
    autores nacionais e internacionais, indicados pelos professores.
•   Serviço de Assistência ao Estudante (SAE), que oferece orientação pessoal, psicopedagógica e financeira aos
    alunos.
•   Programas de Extensão Comunitária, que desenvolve ações de responsabilidade social, permitindo aos alunos
    o pleno exercício da cidadania, beneficiando a comunidade no acesso aos bens educacionais e culturais.
A fim de manter esse compromisso com a mais perfeita qualidade, a custos acessíveis, a Anhanguera privilegia
o preparo dos alunos para que concretizem seus Projetos de Vida e obtenham sucesso no mercado de trabalho.
Adota inovadores e modernos sistemas de gestão nas suas instituições. As unidades localizadas em diversos Es-
tados do País preservam a missão e difundem os valores da Anhanguera.
Atuando também na Educação a Distância, orgulha-se em oferecer ensino superior de qualidade em todo o Terri-
tório Nacional, por meio do trabalho desenvolvido pelo Centro de Educação a Distância da Universidade Anhan-
guera - Uniderp, nos diversos polos de apoio presencial espalhados por todo o Brasil. Sua metodologia permite
a integração dos professores, tutores e coordenadores habilitados na área pedagógica, com a mesma finalidade:
aliar os melhores recursos tecnológicos e educacionais, devidamente revisados, atualizados e com conteúdo cada
vez mais amplo para o desenvolvimento pessoal e profissional de nossos alunos.
A todos, bons estudos!

                                                                                Prof. Antonio Carbonari Netto
                                                                                   Presidente - Anhanguera Educacional
Sobre o Caderno de Atividades
Caro(a) Aluno(a),
Você está recebendo o Caderno de Atividades, preparado pelos professores do Curso de Graduação em que você
está matriculado, com o objetivo de contribuir para a sua aprendizagem. Ele aprofunda os conteúdos disponíveis
nas publicações que fazem parte do Programa do Livro-Texto (PLT), trazendo orientações de estudo, destaques,
propostas de atividades individuais e em grupo e desafios de aprendizagem a serem realizados.
As questões propostas foram elaboradas pelos docentes ou adaptadas de provas públicas já realizadas, inclusi-
ve do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), que tem o objetivo de aferir o rendimento dos
alunos dos cursos de graduação em relação a conhecimentos, habilidades e competências, necessários ao seu
futuro desempenho profissional. Essa inclusão de perguntas, selecionadas a partir de avaliações ocorridas fora
do âmbito universitário, colabora na sua preparação para o enfrentamento de situações mais contextualizadas.
Você também vai encontrar caminhos para vincular os textos e questões com as teleaulas do seu curso. Isso
permite planejar com antecedência seu tempo e dedicação, estudar os temas previamente e se preparar para
aproveitar ao máximo a interação com a equipe docente.
Desejamos que você tenha um ótimo semestre letivo.



                                                                     José Manuel Moran e Luciano Sathler
                                                                           Diretoria do Centro de Educação a Distância
                                                                                   Universidade Anhanguera - UNIDERP
Autores
                                          Ana Lúcia Américo Antonio
                    Graduação: Serviço Social - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 1999.
   Especialização: Trabalho Social com Famílias - Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do
                                            Pantanal (UNIDERP) - 2001.
                                     Angela Cristina Dias do Rego Catonio
              Graduação: Letras - Português/Inglês - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 1996.
            Especialização: Comunicação Social - Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) - 1999.
              Mestrado: Comunicação Social - Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) - 2000.
                                             Edilene Xavier Rocha Garcia
             Graduação: Serviço Social - Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT) - 1988.
Especialização: Gestão de Políticas Sociais - Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal
                                                   (UNIDERP) - 2003.
                Mestrado: Desenvolvimento Local - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 2007.
                                         Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre
                   Graduação: Serviço Social - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 1992.
     Especialização: Políticas Sociais - Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal
                                                    (UNIDERP) - 2003.
                 Mestrado: Educação - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - 2007.
                                    Helenrose Aparecida da Silva Pedroso Coelho
                Graduação: Ciências Sociais - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - 1982.
                               Direito - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 1992.
        Psicologia - Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal (UNIDERP) - 2004.
Especialização: Gestão Judiciária Estratégica - Centro Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso (CEFET-MT) - 2007.
                    Mestrado: Psicologia Social - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 2007.
                                  Luciano Gamez - Organizador da publicação
  Graduação: Psicologia - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação - Universidade de Lisboa (FPCE-UL) - 1992.
                    Mestrado: Engenharia Humana - Universidade do Minho (UMINHO) - 1998.
  Doutorado: Engenharia de Produção - Área de concentração: Ergonomia - Universidade Federal de Santa Catarina
                                                    (UFSC) - 2004.
                                         Ricardo Leite de Albuquerque
Graduação: Licenciatura em Educação Física e Técnica de desporto - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - 1976.
   Especialização: Aperfeiçoamento em Informática Aplicada à Educação - Universidade Estadual de Campinas
                                                (UNICAMP) - 1987.
                Mestrado: Educação - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - 1999.
                                                  Yaeko Ozaki
                         Graduação: Psicologia - Universidade São Francisco (USF) - 1992.
       Especialização: Administração de Recursos Humanos - Universidade São Judas Tadeu (USJT) - 1993.
Mestrado: Clínica Médica - Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNI-CAMP) - 2008.
Sumário

Família e Sociedade
   Tema 1 - Mudanças Estruturais, Política Social e Papel da Família ............................... 15
   Tema 2 - Novas Propostas e Dinâmica da Família ........................................................ 22
   Tema 3 - Transformações Econômicas e Sociais no Brasil dos Anos 1990
            e seu Impacto no Âmbito da Família ............................................................ 28
   Tema 4 - A Família, a Criança e o Adolescente ........................................................... 34
   Tema 5 - Família - e as Situações Vivenciadas por seus Membros ................................ 41
   Tema 6 - Família e Trabalho........................................................................................ 48
   Tema 7 - Programas de Atendimento à Família........................................................... 55
   Tema 8 - O Assistente Social e o Trabalho com Famílias .............................................. 61


Serviço Social na Contemporaneidade
   Tema 1 - Preleções sobre a Gênese do Serviço Social .................................................. 79
   Tema 2 - A Especificidade do Serviço Social ................................................................ 86
   Tema 3 - O Serviço Social e as Políticas Sociais ........................................................... 93
   Tema 4 - A Natureza Subalterna do Serviço Social .................................................... 100
   Tema 5 - O Objeto do Serviço Social ........................................................................ 107
   Tema 6 - Particularidades do Serviço Social .............................................................. 114
   Tema 7 - Teoria e Prática no Serviço Social ............................................................... 120
   Tema 8 - Demandas Profissionais do Serviço Social ................................................... 126
Tecnologias da Informação e da Comunicação
   Tema 1 - A Relação entre a Tecnologia e a Comunicação ......................................... 142
   Tema 2 - O Fenômeno Técnico e suas Particularidades no Âmbito da Comunicação
            e da Cultura Contemporânea .................................................................... 148
   Tema 3 - A Tecnologia da Informação e a Utilização de suas Ferramentas
            Computacionais no Apoio à Atuação Profissional do Assistente Social ....... 155
   Tema 4 - Mídia e Questão Social: o Direito à Informação como Direito Humano ....... 162
   Tema 5 - A Indústria Cultural e seus Produtos Midiáticos .......................................... 169
   Tema 6 - Configurações Midiáticas da Globalização: Hegemonia e Monopólios ....... 176
   Tema 7 - A Blogosfera e as Alternativas à Comunicação Hegemônica ...................... 182
   Tema 8 - O Assistente Social na Era das Comunicações ............................................ 189


Leitura e Produção de Textos
   Tema 1 - Leitura, Texto e Sentido ............................................................................. 204
   Tema 2 - Texto e Contexto ....................................................................................... 212
   Tema 3 - Texto e Intertextualidade ........................................................................... 221
   Tema 4 - Coerência Textual: um Princípio de Interpretabilidade ................................ 231


Desenvolvimento Pessoal e Profissional
   Tema 1 - Você no Mundo ........................................................................................ 253
   Tema 2 - Você com os Outros .................................................................................. 259
   Tema 3 - Você e a Empregabilidade.......................................................................... 267
   Tema 4 - Você Conquistando Oportunidades ........................................................... 275
Leitura e
Produção de Textos



Autora:
Angela Cristina Dias do Rego Catonio
Leitura e
 Produção de Textos

 Orientações de estudo
 Este Caderno de Atividades foi elaborado com base
 no livro “Ler e compreender: os sentidos do texto”,
 das autoras Ingedore V. Koch e Vanda Maria Elias,
 da Editora Contexto, PLT 225.
 Ele é composto de quatro temas:


 Tema 1
 Leitura, Texto e Sentido
 Aborda os conteúdos situados no capítulo I,
 pp. 9-37. Nele, você perceberá que a leitura é re-
 sultado da construção de sentidos entre vários fatores que compõem um texto, os objetivos da leitura e conheci-
 mentos do leitor. Isso porque somos resultado de nossas experiências em sociedade.
 Com isso, você entenderá que a leitura e a compreensão do que se lê implica sempre uma participação mútua de
 quem escreve e de quem lê. Assim, toda vez que se lê qualquer texto, devem-se observar as circunstâncias em que
 foi escrito e as circunstâncias em que foi lido para que ele adquira um sentido, fruto das experiências do leitor.


 Tema 2
 Texto e Contexto
 Aborda os conteúdos situados no capítulo III, pp. 57-73. Nele, conceituam-se as concepções de contexto que
 derivam dos conhecimentos de mundo adquiridos pelo leitor, a partir de suas experiências de vida.
 O contexto é a inter-relação de circunstâncias que acompanham um fato ou uma situação. Ele se constitui de
 dados comuns ao emissor e ao receptor, composto pelos saberes dos interlocutores, isto é, a junção de elementos
 linguísticos e sociais e a troca de dados em comum entre o emissor e o receptor, envolvendo os elementos do
 ambiente que favorecem seu entendimento e significado.


 Tema 3
 Texto e Intertextualidade
 Aborda os conteúdos situados no capítulo IV, pp. 75 -100. Nele, você poderá entender que intertextualidade é o
 diálogo entre diferentes textos. Significa inter-relacionar, diretamente ou não, assuntos afins, em que os conheci-
 mentos são reunidos e voltados para a análise e verificação do mesmo objeto de estudo.
 No conteúdo aqui apresentado, você observará que a intertextualidade envolve o conhecimento de mundo e
 compreende o processo de produção/recepção de um texto, processo no qual a decodificação pode adquirir
 múltiplos sentidos.




202
Você verá também, neste tema, como a intertextualidade se constitui e como ela pode ajudar na construção de
sentidos.


Tema 4
Coerência Textual: um Princípio de Interpretabilidade
Aborda os conteúdos situados no capítulo IV, pp. 183-214. Nele, você entenderá que em um bom texto as partes
devem-se ligar, formando uma harmonia interna, uma unidade; cada parte depende das outras com que se rela-
cionam. As ideias contidas no texto devem formar um conjunto uno, coeso e coerente.
Tendo em vista os elementos que fazem a coerência de um texto, destaca-se que o raciocínio deve ter um direcio-
namento claro e único. Em outras palavras, um texto deve ter unidade, ou seja, criar relações entre os elementos
e informações nele contidas.
Você verá, neste capítulo também, os diversos tipos de coerência que determinam a elaboração de um
bom texto.


ATENÇÃO! As respostas para as atividades deste caderno estão disponíveis no ambiente
virtual do curso. Consulte seu tutor presencial para mais informações.




                                                                                                         203
Tema 1
 Leitura, Texto e Sentido

 Objetivos de aprendizagem
 •    Identificar as concepções de leitura.
 •    Compreender a importância da leitura como uma forma de interação social.
 •    Perceber as diversas possibilidades de leitura.




 Para início de conversa
 Aqui você terá uma visão ampla sobre o processo da lei-
 tura e sobre como ele se constrói. Perceberá que a leitu-
 ra implica sempre em uma interação entre quem produz o
 texto e quem o lê.
 Você terá a oportunidade de perceber que a leitura é carre-
 gada de significados pessoais e recebe influência das expe-
 riências de vida do leitor.




 Por dentro do tema
 As concepções de leitura variam conforme a visão de sujeito, de língua, de texto e
 de sentido.
 A concepção do foco no autor é aquela em que o texto é resultado da sua re-
 presentação mental. Cabe ao leitor “captar” os sentidos do que o autor pretende
 informar, isto é, o leitor tem função passiva, porque o sentido do texto está centrado
 no autor.
 A segunda concepção de leitura é aquela com o foco no texto. Leva em conta
 a estrutura da língua como sistema, código, cabendo, então, ao leitor identificar,
 reconhecer, decodificar os sentidos expressos no texto. Nesse caso, não se leva em
 conta o conhecimento do leitor. Conforme as autoras, não há lugar para ele, para
 sua história de sujeito, para sua história de leituras, para suas experiências de vida. Basta somente ao leitor conhe-
 cer o código e decodificá-lo.
 A última concepção é a interação entre autor-texto-leitor em que, diferentemente das concepções anteriores,
 há uma concepção interacional (dialógica) da língua.
 Neste foco de concepção, para que haja produção de sentido, devem-se levar em conta as experiências e conhe-
 cimentos do leitor, os conhecimentos construídos socialmente. É a interação “texto-sujeitos”.
 A linguagem é expressa em diversas formas do uso de uma língua, podendo variar em sua forma de manifestação.
 Lev Vygotsky foi o pioneiro nos estudos que relacionam a linguagem, não somente como aquisição de habilidades
 cognitivas de características congênitas, mas como resultado das experiências adquiridas ao longo da vida social
 do indivíduo. Segundo ele, o conhecimento é adquirido socialmente, no âmbito das relações humanas.


204
A teoria de Vygotsky (1991) tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-
histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento.
Para ele (VYGOTSKY, 1991), a linguagem possui duas finalidades: a de intercâmbio social e a de pensamento ge-
neralizante. A primeira serve para a comunicação entre os indivíduos. A segunda é a ordenação do real, processo
de inter-relações que desenvolve a consciência e a percepção de determinado objeto/situação, posteriormente
transmitido para outros conceitos e outras áreas do pensamento.
Vale observar que a língua foi o principal código desenvolvido pelo homem para expressar suas necessidades e
uma tentativa, muitas vezes vitoriosa, de modificação da sociedade.
A leitura para o ser humano vai muito além da simples decodificação dos símbolos. Pode ser interpretada de ma-
neiras diferentes, baseada nas experiências sensoriais, representações e lembranças do leitor.
Em termos de produção e recepção, a leitura é o veículo da interação entre o emissor e o receptor. Dessa forma é
que se estabelecem os laços de inter-relação entre os sujeitos e serve, também, de instrumento de inserção social.
Logo, na leitura de um texto, deve-se ter em mente os conhecimentos adquiridos pelo leitor ao longo de sua
vida.
São as experiências individuais que determinam as diferentes formas de leitura e de sentidos compreendidos no
texto, uma vez que os fatores que envolvem o entendimento de um texto dependem do conhecimento linguístico,
dos esquemas cognitivos, da bagagem cultural e das circunstâncias em que o texto foi produzido e lido: contextos
de produção e de uso.
Com relação aos fatores de compreensão da leitura, é importante salientar que, se todo texto apresenta elemen-
tos de informação necessários para o seu entendimento, por outro lado também sempre há elementos implícitos
que necessitam ser inferidos pelos leitores.
Em outras palavras, podemos afirmar que os conhecimentos ativados na leitura são fruto da bagagem pessoal de
cada leitor, armazenados em sua memória de forma a construir o sentido do texto.




Anotações
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Tema 1 - Atividades                                                  Leitura e Produção de Textos




 Atividades                                           ____________________________________________
                                                      ____________________________________________
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                                                      ____________________________________________
 INSTRUÇÕES                                           ____________________________________________
 A seguir, você encontrará algumas questões           ____________________________________________
 para que verifique o seu entendimento sobre o         ____________________________________________
 tema apresentado. A ideia é que você constate,
 como a sua história de vida interfere, orienta e     ____________________________________________
 propicia a interação com os textos.                  ____________________________________________
                                                      ____________________________________________
                                                      ____________________________________________

 Ponto de partida                                     ____________________________________________
                                                      ____________________________________________
                                                      ____________________________________________
 Por que um mesmo texto suscita várias interpre-
 tações? Você já parou para pensar sobre isso?        ____________________________________________
 ____________________________________________
 ____________________________________________
 ____________________________________________         Questão 2
 ____________________________________________
 ____________________________________________         Individual e sem consulta.
 ____________________________________________         O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos,
 ____________________________________________         retrata a dura vida do homem sertanejo em
 ____________________________________________         condições subumanas. Mostra aspectos da de-
                                                      sigualdade social, da seca, da fome e da miséria
 ____________________________________________         humana, em que o homem se assemelha a um
 ____________________________________________         animal irracional buscando sua própria sobrevi-
 ____________________________________________         vência.
                                                      Leia o fragmento a seguir e responda à questão
                                                      que o segue.
 Agora é com você! Responda às questões a             FABIANO
 seguir para conferir o que aprendeu.                 Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se.
                                                      Chegara naquele Estado, com a família morren-
                                                      do de fome, comendo raízes. Caíra no fim do
                                                      pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara
 Questão 1                                            conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos
                                                      tinham-se habituado à cama rinha escura, pare-
 Individual e sem consulta.                           ciam ratos - e a lembrança dos sofrimentos pas-
                                                      sados esmorecera.
 Angela Kleiman (2007, p. 10) afirma que a leitu-
 ra “[...] é uma prática social que remete a outros   Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a
 textos e outras leituras. Em outras palavras, ao     faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. Tirou
 lermos um texto, qualquer texto, colocamos em        do aió um pedaço de fumo, picou-o, fez um ci-
 ação todo o nosso sistema de valores, crenças e      garro com palha de milho, acendeu-o ao binga,
 atitudes que refletem o grupo social em que se        pôs-se a fumar regalado.
 deu nossa sociabilização primária, isto é, o gru-    – Fabiano, você é um homem, exclamou em voz
 po social em que fomos criados”.                     alta.
 Com base nessa afirmação, como os sistemas de         Conteve-se, notou que os meninos estavam per-
 valores pessoais se refletem na leitura? Sua res-     to, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar
 posta deve ficar entre 10 e 15 linhas.                só. E, pensando bem, ele não era homem: era
                                                      apenas um cabra ocupado em guardar coisas


206
Leitura e Produção de Textos                                      Tema 1 - Atividades



  dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos      ____________________________________________
  azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vi-    ____________________________________________
  via em terra alheia, cuidava de animais alheios,
                                                      ____________________________________________
  descobria-se, encolhia-se na presença dos bran-
  cos e julgava-se cabra.                             ____________________________________________
  Olhou em torno, com receio de que, fora os me-      ____________________________________________
  ninos, alguém tivesse percebido a frase impru-      ____________________________________________
  dente. Corrigiu-a, murmurando:                      ____________________________________________
  – Você é um bicho, Fabiano.                         ____________________________________________
  Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor,    ____________________________________________
  um bicho, capaz de vencer dificuldades.
  Chegara naquela situação medonha - e ali esta-
  va forte, até gordo, fumando o seu cigarro de
  palha.”                                             Questão 4
  Comente as duas colocações do autor: “Fabia-
  no, você é um homem, exclamou em voz alta” e        Em grupo e sem consulta.
  “Você é um bicho, Fabiano”.
                                                      Segundo Paulo Freire, a leitura de mundo pre-
   ____________________________________________       cede à leitura da palavra. Discuta com seus cole-
   ____________________________________________       gas essa afirmação e depois escreva o resultado
   ____________________________________________       dessa reflexão.
   ____________________________________________       ____________________________________________
   ____________________________________________       ____________________________________________
   ____________________________________________       ____________________________________________
   ____________________________________________       ____________________________________________
   ____________________________________________       ____________________________________________
   ____________________________________________       ____________________________________________
   ____________________________________________       ____________________________________________
                                                      ____________________________________________
                                                      ____________________________________________

  Questão 3                                           ____________________________________________


  Individual e com consulta.
  Para realizar esta atividade, você deverá consul-   Questão 5
  tar a internet. Acesse o site da Turma da Mônica
  e cumpra os seguintes passos:                       Em grupo e com consulta.
  a. Acesse o site <http://www.monica.com.br/         Leia o texto a seguir, discuta com seus colegas
      index.htm>.                                     de grupo e responda o que se pede.
  b. Na parte superior da página “clique” em          O LEITOR IDEAL
      “Quadrinhos”.
                                                      Mário Quintana
  c. Aberta a página, “clique” em “Histórias es-
                                                      O leitor ideal para o cronista seria aquele a
      peciais”.
                                                      quem bastasse uma frase.
  d. Aparecerão vários gibis com temas especiais.
                                                      Uma frase? Que digo? Uma palavra!
      “Clique” no gibi “Acessibilidade”.
                                                      O cronista escolheria a palavra do dia: “Árvo-
  e. Leia toda a história.
                                                      re”, por exemplo, ou “Menina”.
  f. Explique: de que forma a HQ constrói, du-
                                                      Escreveria essa palavra bem no meio da pági-
      rante a leitura, o sentido de “acessibilida-
                                                      na, com espaço em branco para todos os lados,
      de”?
                                                      como um campo aberto aos devaneios do lei-
                                                      tor.



                                                                                                   207
Tema 1 - Atividades                                                  Leitura e Produção de Textos




 Imaginem só uma meninazinha solta no meio
 da página.                                           Questão 6
 Sem mais nada.
 Até sem nome.                                        (IBGE). Uma diferença de 3.000 quilômetros e
 Sem cor de vestido nem de olhos.                     32 anos de vida separa as margens do abismo
 Sem se saber para onde ia...                         entre o Brasil que vive muito, e bem, e o Brasil
 Que mundo de sugestões e de poesia para o lei-       que vive pouco, e mal. Esses números, levanta-
 tor!                                                 dos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-
                                                      tística, IBGE, e pela Fundação Joaquim Nabuco,
 E que cúmulo de arte a crônica! Pois bem sabeis      de Pernambuco, se referem a duas cidades si-
 que arte é sugestão...                               tuadas em polos opostos do quadro social brasi-
 E se o leitor nada conseguisse tirar dessa obra-     leiro. Num dos extremos está a cidade de Vera-
 prima, poderia o autor alegar, cavilosamente,        nópolis, encravada na Serra Gaúcha. As pessoas
 que a culpa não era do cronista.                     que nascem ali têm grandes possibilidades de
 Mas nem tudo estaria perdido para esse hipoté-       viver até os 70 anos de idade. Na outra ponta
 tico leitor fracassado, porque ele teria sempre      fica Juripiranga, uma pequena cidade do sertão
 à sua disposição, na página, um considerável         da Paraíba. Lá, chegar à velhice é privilégio de
 espaço em branco para tomar seus apontamen-          poucos. Segundo o IBGE, quem nasce em Juripi-
 tos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha...      ranga tem a menor esperança de vida do País:
 Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a        apenas 38 anos.
 palavra “Ventania”. Serve?                           A estatística revela o tamanho do abismo entre
                                (QUINTANA, 1988)      a cidade serrana e a sertaneja. Na cidade gaú-
                                                      cha, 95% das pessoas são alfabetizadas, todas
 O texto apresenta uma proposta diferente de
                                                      usam água tratada e comem, em média, 2.800
 escrita e leitura, que é justamente a participa-
                                                      calorias por dia. Os moradores de Juripiranga
 ção “ativa” do leitor no processo de construção
                                                      não têm a mesma sorte. Só a metade deles re-
 do texto.
                                                      cebe água tratada, os analfabetos são 40% da
 Discuta e responda:                                  população e, no item alimentação, o consumo
 Qual seria o tipo de participação do “leitor         médio de calorias por dia não passa de 650.
 ideal” na construção do texto? Faça a relação        O Brasil está no meio do trajeto que liga a dra-
 entre essa crônica e o tema: Leitura, texto e sen-   mática situação de Juripiranga à vida tranquila
 tido.                                                dos veranenses. A média que aparece nas esta-
  ____________________________________________        tísticas internacionais dá conta de que o brasi-
  ____________________________________________        leiro tem uma expectativa de vida de 66 anos.
  ____________________________________________        Veranópolis, como é comum na Serra Gaúcha, é
                                                      formada por pequenas propriedades rurais em
  ____________________________________________
                                                      que se planta uva para a fabricação de vinhos.
  ____________________________________________        Tem um cenário verdejante. Seus moradores -
  ____________________________________________        na maioria descendentes de imigrantes euro-
  ____________________________________________        peus - plantam e criam animais para o consumo
                                                      da família. Na cidade paraibana, é óbvio, a rea-
  ____________________________________________
                                                      lidade é bem diferente. Os sertanejos vivem em
  ____________________________________________        cenário árido. Juripiranga não tem calçamento
  ____________________________________________        e o esgoto corre entre as casas, a céu aberto.
                                                      Não há hospitais. A economia gira em torno
 Atenção! As questões de 6 a 10 deverão ser res-      da cana-de-açúcar. Em época de entressafra, a
 pondidas individualmente e sem consulta.             maioria das pessoas fica sem trabalho.
                                                      No censo de 1980, os entrevistadores do IBGE
                                                      perguntaram às mulheres de Juripiranga quan-
                                                      tos de seus filhos nascidos vivos ainda sobre-
                                                      viviam. O índice geral de sobreviventes foi de
                                                      55%. Na cidade gaúcha, o resultado foi bem di-
                                                      ferente: a sobrevivência é de 93%.



208
Leitura e Produção de Textos                                            Tema 1 - Atividades



  Contrastes como esses são comuns no País. A              ultrapassou o número daquelas que viviam no
  estrada entre o país rico e o miserável está se-         campo. No início deste século, em 2000, segun-
  dimentada por séculos de tradições e culturas            do dados do IBGE, mais de 80% da população
  econômicas diferentes. Cobrir esse fosso custará         brasileira já era urbana.
  muito tempo e trabalho.                                  Considerando essas informações, estabeleça a
  (Revista Veja - 11/05/94 - pp. 86-87 - com adaptações)   relação entre as charges:
  Analise as afirmações abaixo e assinale V para
  as que, de acordo com o texto, considerar ver-
  dadeiras e F para as falsas:
  ( ) A cidade paraibana não tem sequer a meta-
      de dos privilégios de que goza a cidade gaú-
      cha.
  ( ) O Brasil, como um todo, encontra-se numa
      posição intermediária entre as duas cidades.
  ( ) Apesar de afastadas pelas estatísticas, Ve-
      ranópolis e Juripiranga se unem pelas tradi-
      ções culturais.
  ( ) Embora com resultados diferentes, a base da
      economia das duas cidades é a agricultura.
  ( ) De seus ancestrais europeus os sertanejos
      adquiriram as técnicas rurais.                       PORQUE
    A sequência correta é:
  a) V - V - V - F - F.
  b) V - V - F - F - F.
  c) V - V - F - V - F.
  d) F - F - V - F - V.
  e) F - F - V - V – V.



  Questão 7
  Ainda conforme o texto anterior: “Cobrir esse
  fosso custará muito tempo e trabalho.” O fosso
  mencionado no texto diz respeito ao(à):
  a) Abismo entre as duas realidades.                      BARALDI, Márcio. Disponível em: <http://www.
  b) Esgoto que corre a céu aberto.                        marciobaraldi.com.br/baraldi2/component/joomgallery/
                                                           ?func=detail&id=178>. Acesso em: 5 out. 2009.
  c) Calçamento deficiente das estradas brasilei-
      ras.                                                 Com base nas informações dadas e na relação
                                                           proposta entre essas charges, é CORRETO afir-
  d) Falta de trabalho durante a entressafra.
                                                           mar que:
  e) Distância geográfica entre os dois polos.
                                                           a) A primeira charge é falsa e a segunda é ver-
                                                              dadeira.
                                                           b) A primeira charge é verdadeira e a segunda
  Questão 8                                                   é falsa.
                                                           c) As duas charges são falsas.
                                                           d) As duas charges são verdadeiras e a segunda
  (ENADE, 2009). A urbanização no Brasil regis-
                                                              explica a primeira.
  trou marco histórico na década de 1970, quan-
  do o número de pessoas que viviam nas cidades            e) As duas charges são verdadeiras, mas a se-
                                                              gunda não explica a primeira.



                                                                                                             209
Tema 1 - Atividades                                                          Leitura e Produção de Textos




                                                              c) Programas de formação continuada de pro-
 Questão 9                                                       fessores, capacitando-os para criar um víncu-
                                                                 lo significativo entre o estudante e o texto.
                                                              d) Programas de iniciativa pública e privada,
 (ENADE, 2009). Leia os gráficos:
                                                                 garantindo que os livros migrem das estan-
                                                                 tes para as mãos dos leitores.
                                                              e) Uso da literatura como estratégia de motiva-
                                                                 ção dos estudantes, contribuindo para uma
                                                                 leitura mais prazerosa.



                                                              Questão 10
                                                              (TJ-PE, 2009). A quebra das tradições transfor-
 ____________________________________________                 mou o comportamento social e trouxe conflitos
                                                              para o cotidiano. O crescimento da violência
                                                              nos grandes centros urbanos:
                                                              a) Está relacionado apenas com o fim dos valo-
                                                                  res conservadores das famílias.
                                                              b) Demonstra a falta de mais cuidado com o
                                                                  planejamento econômico.
                                                              c) Acontece apenas nos países pobres da Amé-
                                                                  rica Latina e da África.
                                                              d) Fortalece somente a repressão policial, sem,
                                                                  contudo haver o êxito esperado.
                                                              e) Vincula-se, sobretudo, à falta de projetos so-
 Fonte: Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional - INAF,       ciais e políticos responsáveis.
 2005.
 Relacione estes gráficos às seguintes informa-
                                                              AMPLIANDO O CONHECIMENTO
 ções:
 O Ministério da Cultura divulgou, em 2008, que o             Você quer saber mais sobre esse assunto? En-
 Brasil não só produz mais da metade dos livros do            tão:
 Continente Americano, como também tem par-                   • Leia o livro Vidas secas, de Graciliano Ramos.
 que gráfico atualizado, excelente nível de pro-               Você terá um retrato da vida sofrida do homem
 dução editorial e grande quantidade de papel.                sertanejo e poderá ativar seus conhecimentos
 Estima-se que 73% dos livros do País estejam nas             sobre a cultura brasileira.
 mãos de 16% da população.                                    • Leia o artigo A importância do ato de ler, de
 Para melhorar essa situação, é necessário que o              Paulo Freire. Disponível em: <http://extralibris.
 Brasil adote políticas públicas capazes de condu-            org/2007/04/a-importancia-do-ato-de-ler>.
 zir o País à formação de uma sociedade leitora.              Acesso em: 20 ago. 2010.
 Qual das seguintes ações NÃO contribui para a                • Acesse o site da Revista Letras - Paraná: UFPR,
 formação de uma sociedade leitora?                           onde você encontrará artigos variados sobre
 a) Desaceleração da distribuição de livros didá-             o processo de leitura e escrita. Disponível em:
     ticos para os estudantes das escolas públicas,           <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/letras>.
     pelo MEC, porque isso enriquece editoras e               Acesso em: 20 ago. 2010.
     livreiros.                                               • Assista ao filme Narradores de Javé. É a
 b) Exigência de acervo mínimo de livros, impres-             história de um povoado que está prestes a ser
     sos e eletrônicos, com gêneros diversificados             inundado por uma represa e a sua única chance
     para as bibliotecas escolares e comunitárias.            de não sumir do mapa é provar que o vilarejo




210
Leitura e Produção de Textos                                   Tema 1 - Atividades



  tem algum valor histórico e cultural. É preciso    ____________________________________________
  fazer um documento escrito para provar sua         ____________________________________________
  importância. Contudo, ninguém por lá sabe ler
                                                     ____________________________________________
  ou escrever.
                                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
  FINALIZANDO                                        ____________________________________________
  Neste tema, você viu que a leitura é a constru-    ____________________________________________
  ção de sentidos decorrentes da interação emis-     ____________________________________________
  sor/receptor. Além disso, você pôde conhecer as    ____________________________________________
  três concepções de leitura apresentadas pelas
                                                     ____________________________________________
  autoras do PLT, que se manifestam no ato de ler:
  foco no autor, foco no texto e foco no autor-      ____________________________________________
  texto-leitor.                                      ____________________________________________
  Assim, lembre-se de que a bagagem cultural do      ____________________________________________
  leitor é fundamental para uma leitura eficaz e      ____________________________________________
  para melhor entendimento do texto.
                                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
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   Anotações                                         ____________________________________________
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Tema 2
 Texto e Contexto

 Objetivos de aprendizagem
 •    Entender que o contexto determina a construção de sentido em um texto.
 •    Conhecer diferentes fatores contextuais.
 •    Identificar o contexto em diferentes textos.
 •    Perceber que o sentido do texto é construído na interação dos sujeitos.




 Para início de conversa
 Neste tema, você perceberá o quanto são importantes seus
 conhecimentos para o entendimento de um texto. É esse
 conjunto de saberes, linguísticos e sociais, que determinarão
 a apreensão integral do que é lido, porque o sentido do texto
 se completa com a interação entre os interlocutores.




 Por dentro do tema
 Como você viu anteriormente, a leitura vai muito além da simples identificação dos
 símbolos. Quando lemos algo, logo damos sentido à informação apresentada con-
 forme o que trazemos como bagagem de vida.
 A inter-relação de situações que envolvem o texto forma o seu contexto. É, simul-
 taneamente, a junção de elementos linguísticos e sociais e da troca de dados em
 comum entre o emissor e o receptor, envolvendo os elementos do ambiente que
 favorecem seu entendimento e significado.
 A leitura e a escrita são resultado de processos sociais e culturais. Ler significa pro-
 duzir sentido e é um ato interativo entre o autor e o leitor por meio do texto. O
 leitor constrói significados a partir de conhecimentos adquiridos ao longo de suas
 experiências de vida. O conhecimento é adquirido socialmente, no âmbito das relações humanas.
 A leitura tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfati-
 zando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. O leitor produz os sentidos conforme os
 valores e conhecimentos adquiridos em um contexto sócio-histórico-cultural.
 Logo, podemos definir contexto como a relação entre um texto e as circunstâncias que ele envolve, e conhecimen-
 tos que acionam sua interpretação.
 Conforme as autoras, Koch e Elias, devemos sempre considerar o contexto em qualquer ato de leitura. Caso isso
 não aconteça, corremos os seguintes riscos:




212
1.   Enunciados ambíguos: tornam a mensagem equívoca, despertando dúvida, incerteza.
2.   Os fatores contextuais podem alterar o que se diz: se o contexto não estiver claro levará a interpretações
     diversas e até contrárias ao que se quer dizer.
A capacidade de construir o sentido do texto se faz pela observância de vários aspectos que determinam a com-
preensão da leitura. O primeiro deles é o “cotexto”, conhecimento da língua; o segundo, a situação mediata –
fatores adjacentes às condições sociopolítico-culturais e, por último, o contexto cognitivo dos interlocutores,
os conhecimentos adquiridos pelo indivíduo e que precisam ser ativados no momento da leitura.
No contexto cognitivo, destacam-se os seguintes conhecimentos: a. linguístico - uso da língua; b. adquirido - o
que aprendemos intelectualmente e da convivência social; c. comunicativo - observância à situação comunica-
tiva; d. superestrutural; e. estilístico – diz respeito aos gêneros e tipos textuais; f. intertextual – identificação de
outros textos naquele que é lido.
Contudo, se não levarmos em conta esses fatores de interpretação em um texto, podemos incorrer em equívocos
no entendimento global da leitura. Por isso, vale destacar que:
•    O entendimento de contexto pode evitar a ambiguidade de uma asserção.
•    Quando houver uma lacuna no texto, o contexto poderá elucidar o enunciado.
•    Os fatores que compõem o contexto podem modificar o sentido do texto, conforme alguns elementos de
     expressão como gestos, expressão facial, entonação da voz, entre outros.
•    O contexto justifica por levar em consideração fatores externos à língua, por exemplo, a prática social e
     situação comunicativa.
O plano de significação e interpretação de um texto depende também da contextualização da escrita. Distingue-
se, aqui, o contexto de produção e o contexto de uso. O primeiro é fruto das experiências de quem escreve so-
madas às circunstâncias e intenções de produção. No segundo, o receptor ativa seus conhecimentos e estabelece
as relações com o texto.
Vale destacar, ainda, que, para o bom entendimento de um texto, os contextos sociocognitivos dos interlocutores
devem ser em parte concordantes.
Por tudo isso, se tem certeza de que a leitura exerce papel fundamental na formação do sujeito social. A relação
entre quem produz o texto com quem o lê deve ser um processo dinâmico, levando-se em consideração as vivên-
cias pessoais e o decurso das experiências de vida.




Anotações
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Tema 2 - Atividades                                                Leitura e Produção de Textos




 Atividades                                        Agora é com você! Responda às questões a
                                                   seguir para conferir o que aprendeu.


 INSTRUÇÕES
                                                   Questão 1
 Na sequência, você encontrará algumas ques-
 tões para fixação do conteúdo apresentado.
 Observe as orientações de resolução de cada       Individual e sem consulta. (ENADE 2008). Discur-
 questão, considerando as indicações com rela-     siva.
 ção ao trabalho individual ou em grupo. Nas       DIREITOS HUMANOS EM QUESTÃO
 questões propostas, será importante perceber      “O caráter universalizante dos direitos do
 quais as relações de contexto que você fará nos   homem (...) não é da ordem do saber teórico,
 textos apresentados.                              mas do operatório ou prático: eles são invoca-
                                                   dos para agir, desde o princípio, em qualquer
                                                   situação dada.”
 Ponto de partida                                  François JULIEN, filósofo e sociólogo.


 Leia o trecho da letra da música a seguir, de
 autoria de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e
 Sérgio Brito. Comente quais conhecimentos de
 contexto se deve ter para entendê-la.
 COMIDA
     Bebida é água.
     Comida é pasto.
     Você tem sede de que?
     Você tem fome de que?
     A gente não quer só comida
     A gente quer comida, diversão e arte.
     A gente não quer só comida,
     A gente quer saída para qualquer parte.
     A gente não quer só comida,
     A gente quer bebida, diversão, balé.
     A gente não quer só comida,
     A gente quer a vida como a vida quer.
 ____________________________________________
 ____________________________________________
 ____________________________________________
 ____________________________________________      Neste ano, em que são comemorados os 60 anos
                                                   da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
 ____________________________________________
                                                   novas perspectivas e concepções incorporam-
 ____________________________________________      se à agenda pública brasileira. Uma das novas
 ____________________________________________      perspectivas em foco é a visão mais integrada
 ____________________________________________      dos direitos econômicos, sociais, civis, políticos.
                                                   E, mais recentemente, ambientais, ou seja, tra-
 ____________________________________________
                                                   ta-se da integralidade ou indivisibilidade dos di-
 ____________________________________________      reitos humanos. Dentre as novas concepções de
 ____________________________________________      direitos, destacam-se:
 ____________________________________________




214
Leitura e Produção de Textos                                      Tema 2 - Atividades



  • A habitação como moradia digna e não ape-         Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isto para
  nas como necessidade de abrigo e proteção.          ele, Plutarco. Mas para o grego comum da épo-
  • A segurança como bem-estar e não apenas           ca deviam ser a delícia e a tábua de salvação das
  como necessidade de vigilância e punição.           conversas.
  • O trabalho como ação para a vida e não ape-       Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem
  nas como necessidade de emprego e renda.            esforço? O lugar-comum é a base da socieda-
                                                      de, e sua política, a sua filosofia, a segurança
  Tendo em vista o exposto acima, selecione uma
                                                      das instituições. Ninguém é levado a sério com
  das concepções destacadas e esclareça por que
                                                      ideias originais.
  ela representa um avanço para o exercício ple-
  no da cidadania, na perspectiva da integralida-     Já não é a primeira vez, por exemplo, que um
  de dos direitos humanos.                            figurão qualquer declara em entrevista:
  Seu texto deve ter entre 8 e 10 linhas.             “O Brasil não fugirá ao seu destino histórico”!
  ____________________________________________        O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe
                                                      dá a imprensa, é sempre infalível, embora o lei-
  ____________________________________________
                                                      tor semidesperto possa desconfiar que isso não
  ____________________________________________        quer dizer coisa alguma, pois nada foge mesmo
  ____________________________________________        ao seu destino histórico, seja um Império que
  ____________________________________________        desaba ou uma barata esmagada.
  ____________________________________________        (QUINTANA, 1989)
  ____________________________________________        Poderíamos comparar o “leitor dorminhoco”
  ____________________________________________        que Mário Quintana apresenta no texto com
                                                      aqueles leitores que não se interessam por com-
  ____________________________________________        preender uma mensagem em seu contexto? Ex-
  ____________________________________________        plique.
  ____________________________________________         ____________________________________________
  ____________________________________________         ____________________________________________
  ____________________________________________         ____________________________________________
  ____________________________________________         ____________________________________________
  ____________________________________________         ____________________________________________
  ____________________________________________         ____________________________________________
  ____________________________________________         ____________________________________________
  ____________________________________________         ____________________________________________
                                                       ____________________________________________
                                                       ____________________________________________
  Questão 2                                            ____________________________________________
                                                       ____________________________________________
  Individual e sem consulta.                           ____________________________________________
  Leia o fragmento a seguir e responda à questão       ____________________________________________
  que o segue.                                         ____________________________________________
  NÃO DESPERTEMOS O LEITOR                             ____________________________________________
  Os leitores são, por natureza, dorminhocos.          ____________________________________________
  Gostam de ler dormindo. Autor que os queira          ____________________________________________
  conservar não deve ministrar-lhes o mínimo sus-      ____________________________________________
  to. Apenas as eternas frases feitas.
                                                       ____________________________________________
  “A vida é um fardo” – isto, por exemplo, pode-
  se repetir sempre. E acrescentar impunemente:        ____________________________________________
  “disse Bias”. Bias não faz mal a ninguém, como       ____________________________________________
  aliás os outros seis sábios da Grécia, pois todos    ____________________________________________
  os sete, como há vinte séculos já se queixara        ____________________________________________



                                                                                                   215
Tema 2 - Atividades                                                Leitura e Produção de Textos




 Questão 3                                          Questão 4
 Individual e com consulta.                         Em grupo e sem consulta.
 Observe as pinturas a seguir, de Pedro Wein-       “Se a compreensão emerge da relação texto-
 gartner (1853-1929), importante pintor brasilei-   leitor, quanto mais ele souber do que será lido,
 ro do século XIX, que se preocupou em retratar     mais possibilidade terá de interagir, de criar uma
 o Brasil de sua época. Qual leitura de contexto    rede de relações, de minimizar as dificuldades e
 seria necessária para compreender sua obra?        de construir significados”. (BRAGA, 2002)
                                                    Discuta com os colegas essa afirmação e anote
                                                    as conclusões a que chegaram.
                                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
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                                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
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                                                     ____________________________________________
 Ceifa, Anticoli, 1903.
                                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________



                                                    Questão 5
                                                    Em grupo e com consulta.
                                                    Leia o poema abaixo e responda à questão a se-
                                                    guir:
                                                    HERANÇA

                                                    - Vamos brincar de Brasil?
                                                    Mas sou eu quem manda
 Tempora Mutantur, 1889.                            Quero morar numa casa grande
 ____________________________________________       Começou desse jeito a nossa história
 ____________________________________________
 ____________________________________________       Negro fez papel de sombra.
 ____________________________________________
 ____________________________________________       E foram chegando soldados e frades
 ____________________________________________       Trouxeram as leis e os Dez Mandamentos
 ____________________________________________       Jabuti perguntou:
 ____________________________________________       “- Ora é só isso?”
 ____________________________________________
 ____________________________________________       Depois vieram as mulheres do próximo
 ____________________________________________       Vieram imigrantes com alma a retalho
                                                    Brasil subiu até o 10º andar




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Leitura e Produção de Textos                                   Tema 2 - Atividades



  Litoral riu com os motores
  Subúrbio confraternizou com a cidade            Questão 6
  Negro coçou piano e fez música
                                                  (ENADE, 2009). Leia o gráfico a seguir, em que é
  Vira-bosta mudou de vida                        mostrada a evolução do número de trabalhado-
  Maitacas se instalaram no alto dos galhos       res de 10 a 14 anos, em algumas regiões metro-
                                                  politanas brasileiras, em dado período:
  No interior do Brasil continua desconfiado
  A serra morde as carretas
  Povo puxa bendito pra vir chuva
  Nas estradas vazias
  cruzes sem nome marcam casos de morte
  As vinganças continuam
  Famílias se entredevoram nas tocaias

  Há noites de reza e cata-piolho

  Nas bandas do cemitério
  Cachorro magro sem dono uiva sozinho

  De vez em quando                                Fonte: Adaptado de Folha. Disponível em: <http://www1.
                                                  folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u85799.shtml>.
  a mula sem cabeça sobe a serra                  Acesso em: 2 out. 2009.
  ver o Brasil como vai                           Leia a charge:
  (BOPP, 1984).
  Quais são os conhecimentos sobre o contexto
  que o poema “Herança” aborda e que precisa-
  mos saber para entendê-lo?
  ____________________________________________
  ____________________________________________
  ____________________________________________
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  ____________________________________________
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  ____________________________________________
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  ____________________________________________
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                                                  Fonte: Charges. Disponível em: <www.charges.com.br>.
                                                  Acesso em: 15 set. 2009.
  As questões de 6 a 10 deverão ser respondidas
                                                  Há relação entre o que é mostrado no gráfico e
  individualmente e sem consulta.
                                                  na charge?



                                                                                                    217
Tema 2 - Atividades                                                 Leitura e Produção de Textos




 a) Não, pois a faixa etária acima dos 18 anos
    é aquela responsável pela disseminação da
    violência urbana nas grandes cidades brasi-
    leiras.
 b) Não, pois o crescimento do número de crian-
    ças e adolescentes que trabalham diminui o
    risco de sua exposição aos perigos da rua.
 c) Sim, pois ambos se associam ao mesmo con-
    texto de problemas socioeconômicos e cul-
    turais vigentes no País.
 d) Sim, pois o crescimento do trabalho infantil
    no Brasil faz crescer o número de crianças
    envolvidas com o crime organizado.
 e) Ambos abordam temas diferentes e não é
    possível se estabelecer relação mesmo que
    indireta entre eles.



 Questão 7
 (ENADE, 2007). Entre 1508 e 1512, Michelange-
 lo pintou o teto da Capela Sistina no Vaticano,
 um marco da civilização ocidental. Revolucioná-
 ria, a obra chocou os mais conservadores, pela
 quantidade de corpos nus, possivelmente re-
 sultado de seus secretos estudos de anatomia,
 uma vez que, no seu tempo, era necessária a
 autorização da Igreja para a dissecação de ca-
 dáveres. Recentemente, perceberam-se algu-
 mas peças anatômicas camufladas entre as ce-       Fonte: BARRETO, Gilson e OLIVEIRA, Marcelo G. de.
 nas que compõem o teto. Alguns pesquisadores      A arte secreta de Michelangelo - Uma lição de anatomia
 conseguiram identificar uma grande quantida-       na Capela Sistina. ARX.
 de de estruturas internas da anatomia humana,     Considerando essa hipótese, uma ampliação in-
 que teria sido a forma velada de como o artista   terpretativa dessa obra-prima de Michelangelo
 “imortalizou a comunhão da arte com o conhe-      expressaria:
 cimento”. Uma das cenas mais conhecidas é “A
 criação de Adão”. Para esses pesquisadores ela    a) O Criador dando a consciência ao ser huma-
 representaria o cérebro num corte sagital, como       no, manifestada pela função do cérebro.
 se pode observar nas figuras a seguir:             b) A separação entre o bem e o mal, apresenta-
                                                       da em cada seção do cérebro.
                                                   c) A evolução do cérebro humano, apoiada na
                                                       teoria darwinista.
                                                   d) A esperança no futuro da Humanidade, re-
                                                       velada pelo conhecimento da mente.
                                                   e) A diversidade humana, representada pelo
                                                       cérebro e pela medula.




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Leitura e Produção de Textos                                       Tema 2 - Atividades



                                                       (FCC, 2008). As questões 9 e 10 referem-se ao
  Questão 8                                            texto abaixo.
                                                       FIM DE FEIRA
  (Eletrobrás).                                        Quando os feirantes já se dispõem a desarmar
                                                       as barracas, começam a chegar os que querem
  A MISÉRIA É DE TODOS NÓS
                                                       pagar pouco pelo que restou nas bancadas, ou
  Como entender a resistência da miséria no            mesmo nada, pelo que ameaça estragar. Che-
  Brasil, uma chaga social que remonta aos pri-        gam com suas sacolas cheias de esperança. Al-
  mórdios da colonização? No decorrer das últi-        guns não perdem tempo e passam a recolher o
  mas décadas, enquanto a miséria se mantinha          que está pelo chão: um mamãozinho amoleci-
  mais ou menos do mesmo tamanho, todos os             do, umas folhas de couve amarelas, a metade
  indicadores sociais brasileiros melhoraram. Há       de um abacaxi que serviu de chamariz para os
  mais crianças em idade escolar frequentando          fregueses compradores. Há uns que se aven-
  aulas atualmente do que em qualquer outro            turam até mesmo nas cercanias da barraca de
  período da nossa história. As taxas de analfa-       pescados, onde pode haver alguma suspeita
  betismo e mortalidade infantil também são as         sardinha oculta entre jornais, ou uma ponta de
  menores desde que se passou a registrá-las na-       cação obviamente desprezada.
  cionalmente. O Brasil figura entre as dez nações
                                                       Há feirantes que facilitam o trabalho dessas pes-
  de economia mais forte do mundo. No campo
                                                       soas: oferecem-lhes o que, de qualquer modo,
  diplomático, começa a exercitar seus músculos.
                                                       eles iriam jogar fora. Mas outros parecem ciu-
  Vem firmando uma inconteste liderança política
                                                       mentos do teimoso aproveitamento dos refu-
  regional na América Latina, ao mesmo tempo
                                                       gos, e chegam a recolhê-los para não os verem
  em que atrai a simpatia do Terceiro Mundo por
                                                       coletados. Agem para salvaguardar não o lucro
  ter se tornado um forte oponente das injustas
                                                       possível, mas o princípio mesmo do comércio.
  políticas de comércio dos países ricos. Apesar de
                                                       Parecem temer que a fome seja debelada sem
  todos esses avanços, a miséria resiste.
                                                       que alguém pague por isso. E não admitem ser
  Embora em algumas de suas ocorrências, es-           acusados de egoístas: somos comerciantes, não
  pecialmente na zona rural, esteja confinada a         assistentes sociais, alegam.
  bolsões invisíveis aos olhos dos brasileiros mais
                                                       Finda a feira, esvaziada a rua, chega o caminhão
  bem posicionados na escala social, a miséria é
                                                       da limpeza e os funcionários da prefeitura var-
  onipresente. Nas grandes cidades, com aterro-
                                                       rem e lavam tudo, entre risos e gritos. O trânsito
  rizante frequência, ela atravessa o fosso social
                                                       é liberado, os carros atravancam a rua e, não
  profundo e se manifesta de forma violenta. A
                                                       fosse o persistente cheiro de peixe, a ninguém
  mais assustadora dessas manifestações é a crimi-
                                                       ocorreria que ali houve uma feira, frequentada
  nalidade, que, se não tem na pobreza sua única
                                                       por tão diversas espécies de seres humanos.
  causa, certamente em razão dela se tornou mais
  disseminada e cruel. Explicar a resistência da po-   (Joel Rubinato, inédito)
  breza extrema entre milhões de habitantes não
  é uma empreitada simples.
  (Revista Veja, ed. 1735)
                                                       Questão 9
  O título dado ao texto se justifica porque:
  a) A miséria abrange grande parte de nossa
                                                       Nas frases “parecem ciumentos do teimoso
      população.
                                                       aproveitamento dos refugos e não admitem ser
  b) A miséria é culpa da classe dominante.            acusados de egoístas”, o narrador do texto:
  c) Todos os governantes colaboraram para a           a) Mostra-se imparcial diante de atitudes opos-
      miséria comum.                                      tas dos feirantes.
  d) A miséria deveria ser preocupação de todos        b) Revela uma perspectiva crítica diante da ati-
      nós.                                                tude de certos feirantes.
  e) Um mal tão intenso atinge indistintamente         c) Demonstra não reconhecer qualquer provei-
      a todos.                                            to nesse tipo de coleta.




                                                                                                     219
Tema 2 - Atividades                                               Leitura e Produção de Textos




 d) Assume-se como um cronista a quem não          • O filme Nenhum a menos, que apresenta
    cabe emitir julgamentos.                       uma menina que se torna professora e tem a
 e) Insinua sua indignação contra o lucro exces-   missão de não deixar nenhum aluno abandonar
    sivo dos feirantes.                            a escola. As aventuras da pequena professora
                                                   começam quando um dos meninos vai para a
                                                   cidade grande em busca de emprego e ela vai
                                                   atrás para buscá-lo.
 Questão 10
                                                   FINALIZANDO
 Considerando-se o contexto, traduz-se correta-
 mente o sentido de um segmento do texto em:       Em resumo, a leitura se caracteriza pela parti-
                                                   lha de experiências pessoais entre os indivíduos
 a) Serviu de chamariz = respondeu ao chama-
                                                   participantes no ato comunicativo, uma vez que
    do.
                                                   as trocas de experiências e conhecimentos entre
 b) Alguma suspeita sardinha = possivelmente       o emissor e o receptor é que fazem a dinâmica
    uma sardinha.                                  do diálogo.
 c) Teimoso aproveitamento = persistente utili-
    zação.
 d) O princípio mesmo do comércio = preâmbu-
    lo da operação comercial.                       Anotações
 e) Agem para salvaguardar = relutam em
    admitir.                                       ____________________________________________
                                                   ____________________________________________
                                                   ____________________________________________
 AMPLIANDO O CONHECIMENTO                          ____________________________________________
 Você quer saber mais sobre esse assunto? Então,   ____________________________________________
 consulte:                                         ____________________________________________
 • O livro O corpo fala, de Pierre Weil e Ronald   ____________________________________________
 Tampakow da editora Vozes. Você também            ____________________________________________
 pode encontrá-lo na internet como e-book para
 download.                                         ____________________________________________
 • O artigo Sociedade, democracia e lingua-        ____________________________________________
 gem, de Carlos Vogt. Disponível em: <http://      ____________________________________________
 www.comciencia.br/reportagens/2005/07/01_         ____________________________________________
 impr.shtml>. Acesso em: 20 ago. 2010.             ____________________________________________
 • O artigo Vygotsky e o papel das intera-         ____________________________________________
 ções sociais na sala de aula: reconhecer
 e desvendar o mundo de João Carlos Martins.       ____________________________________________
 Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.       ____________________________________________
 gov.br/pdf/ideias_28_p111-122_c.pdf>. Acesso      ____________________________________________
 em: 20 ago. 2010. Refletir sobre a importância     ____________________________________________
 das trocas entre os parceiros como momentos
                                                   ____________________________________________
 significativos no processo ensino-aprendizagem
 remete, necessariamente, à psicologia sócio-      ____________________________________________
 histórica como paradigma de nossas reflexões.      ____________________________________________
 • O filme O baile, que faz um painel histórico     ____________________________________________
 da França, desde a ocupação nazista até a         ____________________________________________
 década de 80.
                                                   ____________________________________________
                                                   ____________________________________________
                                                   ____________________________________________
                                                   ____________________________________________



220
Tema 3
Texto e Intertextualidade

Objetivos de aprendizagem
•    Conhecer o que é intertextualidade.
•    Entender que textos dialogam entre si.
•    Compreender os diferentes tipos de intertextualidade.
•    Identificar a intertextualidade em diferentes textos.




Para início de conversa
Agora, você aprenderá o que é intertextualidade e como ela
se manifesta em textos variados. Além disso, terá a oportu-
nidade de analisar textos e identificar como acontece o pro-
cesso dialógico entre eles e avaliar se a referência é explícita
ou implícita.




Por dentro do tema
Leia os textos no quadro da página seguinte. Você observará que a música da ban-
da Legião Urbana retoma outras duas passagens já escritas anteriormente, uma na
Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, outra no soneto de Luís Vaz de Camões.
A composição “Monte Castelo” juntou outros conhecimentos e fez o intercâmbio
entre os conceitos de amor apresentados pelo apóstolo Paulo e por Camões, ob-
jetivando a compreensão da mensagem por meio da relação entre os conteúdos.
Dessa forma, realizou uma “intercomunicação” entre os textos desses autores,
achando um tema que os liga.
Intertextualidade é o diálogo entre diferentes textos. Significa inter-relacionar, dire-
tamente ou não, assuntos afins, em que os conhecimentos são reunidos e voltados
para a análise e verificação do mesmo objeto de estudo. Ela pode acontecer também em diferentes manifestações
artísticas, por exemplo, entre pinturas, esculturas, arquitetura etc.
Para as autoras Koch e Elias (PLT), a intertextualidade envolve conhecimento de mundo e compreende o processo
de produção/recepção de um texto, processo no qual a decodificação pode adquirir múltiplos sentidos. Conforme
as autoras, a intertextualidade pode ser:
a.   Intertextualidade explícita: quando a fonte aparece claramente no intertexto.
b.   Intertextualidade implícita: não há a citação expressa da fonte e o interlocutor deve relacionar os conteúdos
     intertextuais.
Devemos lembrar que a interdisciplinaridade não é uma mistura confusa de informações ou textos. Mas, uma
forma de transformação e junção de outros vários, a partir de um inicial, de modo que o novo texto retome os
sentidos dos outros originários.



                                                                                                           221
Vale destacar, também, a diferença entre plágio e intertextualidade. Plágio é a apresentação de uma obra como de
 sua própria autoria, sendo originalmente produzida por outrem, ou seja, a dissimulação da produção intelectual
 ou artística de outra pessoa.
 Salienta-se, aqui, que a intertextualidade também pode servir como “voz” de uma época, do momento histórico-
 político-social de uma sociedade, ao realizar o diálogo com os acontecimentos e situações sociais contemporâ-
 neas.
 Quando um texto incorpora elementos de outro, permite que se amplie o horizonte de quem lê. O intercâmbio
 entre as temáticas no diálogo intertextual aumenta a visão de mundo e privilegia o conhecimento de quem lê, isto
 porque, no esforço de dar sentido à leitura, busca-se identificar os assuntos nela envolvidos.
 Por isso, a nossa compreensão de um texto depende do conhecimento de mundo adquirido pela experiência, pela
 educação, pelo estudo, por nossas leituras. Quanto maior o conhecimento do leitor, melhores possibilidades ele
 terá de perceber as ligações entre os textos, facilitando, assim, a sua compreensão.


        MONTE CASTELO
        Legião Urbana

        Ainda que eu falasse
        A língua dos homens
        E falasse a língua dos anjos
        Sem amor, eu nada seria...
                                                                  I Coríntios 13:1 Ainda que eu falasse as
        É só o amor, é só o amor
                                                                  línguas dos homens e dos anjos, e não
        Que conhece o que é verdade
                                                                  tivesse amor, seria como o metal que soa
        O amor é bom, não quer o mal
                                                                  ou como o címbalo que retine.
        Não sente inveja
        Ou se envaidece...                                        I Coríntios 13:2 E ainda que tivesse o
        O amor é o fogo                                           dom de profecia, e conhecesse todos
        Que arde sem se ver                                       os mistérios e toda a ciência, e ainda
        É ferida que dói                                          que tivesse toda fé, de maneira tal que
        E não se sente                                            transportasse os montes, e não tivesse
        É um contentamento                                        amor, nada seria.
        Descontente                                               I Coríntios 13:4 O amor é sofredor, é
        É dor que desatina sem doer...                            benigno; o amor não é invejoso; o amor
        Ainda que eu falasse                                      não se vangloria não se ensoberbece...
        A língua dos homens                                                                    Apóstolo Paulo
        E falasse a língua dos anjos
        Sem amor, eu nada seria...
        É um não querer
        Mais que bem querer
        É solitário andar
        Por entre a gente
        É um não contentar-se
        De contente
        É cuidar que se ganha                                     Amor é fogo que arde sem se ver;
        Em se perder...                                           É ferida que dói e não se sente;
        É um estar-se preso                                       É um contentamento descontente;
        Por vontade                                               É dor que desatina sem doer;
        É servir a quem vence
        O vencedor                                                É um não querer mais que bem querer;
        É um ter com quem nos mata                                É solitário andar por entre a gente;
        A lealdade                                                É nunca contentar-se de contente;
        Tão contrário a si                                        É cuidar que se ganha em se perder;
        É o mesmo amor...
        Estou acordado                                            É querer estar preso por vontade;
        E todos dormem, todos dormem                              É servir a quem vence, o vencedor;
        Todos dormem                                              É ter com quem nos mata lealdade.
        Agora vejo em parte
        Mas então veremos face a face                             Mas como causar pode seu favor
        É só o amor, é só o amor                                  Nos corações humanos amizade,
        Que conhece o que é verdade...                            se tão contrário a si é o mesmo Amor?
        Ainda que eu falasse
        A língua dos homens                                                                            Camões
        E falasse a língua dos anjos
        Sem amor, eu nada seria...




222
Leitura e Produção de Textos                                      Tema 3 - Atividades



  Atividades                                          Agora é com você! Responda às questões a
                                                      seguir para conferir o que aprendeu.


  INSTRUÇÕES
                                                      Questão 1
  Vamos, agora, pôr em prática o conteúdo so-
  bre intertextualidade. Observe as orientações
  de resolução de cada questão, considerando as       Individual e sem consulta.
  indicações com relação ao trabalho individual       Leia os dois textos a seguir e explique, em no
  ou em grupo. Lembre-se de que é importante          mínimo 10 e no máximo 15 linhas, a relação in-
  perceber as relações dialógicas entre os textos     tertextual entre eles.
  apresentados.                                       Texto 1:


                                                          VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
  Ponto de partida                                        Manuel Bandeira

                                                          Vou-me embora pra Pasárgada
  Vamos criar um conteúdo intertextual?                   Lá sou amigo do rei
                                                          Lá tenho a mulher que eu quero
  Apresentamos uma pintura de Van Gogh intitu-
                                                          Na cama que escolherei
  lada “A Sesta” (1889-90). A partir dela, produ-         Vou-me embora pra Pasárgada
  za um texto escrito que poderá ser um poema,            Vou-me embora pra Pasárgada
  uma música, uma argumentação, uma matéria               Aqui eu não sou feliz
  jornalística, um anúncio publicitário etc, utili-       Lá a existência é uma aventura
  zando o diálogo entre a tela e o seu texto.             De tal modo inconsequente
  Lembre-se de que você deve deixar clara a refe-         Que Joana a Louca de Espanha
                                                          Rainha e falsa demente
  rência à obra de Van Gogh.
                                                          Vem a ser contraparente
                                                          Da nora que nunca tive
                                                          E como farei ginástica
                                                          Andarei de bicicleta
                                                          Montarei em burro brabo
                                                          Subirei no pau-de-sebo
                                                          Tomarei banhos de mar!
                                                          E quando estiver cansado
                                                          Deito na beira do rio
                                                          Mando chamar a mãe-d’água
                                                          Pra me contar as histórias
                                                          Que no tempo de eu menino
                                                          Rosa vinha me contar
                                                          Vou-me embora pra Pasárgada
                                                          Em Pasárgada tem tudo
                                                          É outra civilização
                                                          Tem um processo seguro
                                                          De impedir a concepção
  A sesta, 1889. Museu d’Orsay.                           Tem telefone automático
                                                          Tem alcalóide à vontade
  ____________________________________________            Tem prostitutas bonitas
  ____________________________________________            Para a gente namorar
  ____________________________________________            E quando eu estiver mais triste
                                                          Mas triste de não ter jeito
  ____________________________________________            Quando de noite me der
  ____________________________________________            Vontade de me matar
                                                          - Lá sou amigo do rei -
  ____________________________________________
                                                          Terei a mulher que eu quero
  ____________________________________________            Na cama que escolherei
  ____________________________________________            Vou-me embora pra Pasárgada.




                                                                                                223
Tema 3 - Atividades                                                       Leitura e Produção de Textos




 Texto 2:


      NÃO VOU PRA PASÁRGADA                                 continuação...
      Lya Luft
                                                            Aumenta o isolamento dos homens e mulheres
        “Achei que em Pasárgada eu correria menos           públicos respeitáveis, que mais parecem dinos-
      risco de me tornar descrente. Eu, que detesto o       sauros sobreviventes de um tempo em que seria
      ceticismo, agora tenho medo de me contagiar”          totalmente impensável o que hoje é pão nosso
                                                            de cada dia. Eu ia embora porque enjoei dessa
      Eu já estava de malas prontas: ia pra Pasárgada
                                                            repetição obsessiva de fatos que provocam in-
      (para quem não se recorda, é o reino feliz inven-
                                                            sônia no noticioso da noite e náusea no café da
      tado por Manuel, o Bandeira; para quem não
                                                            manhã. Ia partir sem endereço, sem telefone,
      sabe, ele foi um poeta maravilhoso). Queria es-
                                                            sem e-mail. Levaria comigo pássaros, crianças e
      capar deste reino das frases infelizes e atitudes
                                                            esta paisagem diante da minha janela (com ne-
      grotescas, dos reis feios e nus, das explicações
                                                            voeiro, porque aí é de uma beleza pungente).
      cabotinas, da falta de providências e de auto-
                                                            Levaria família, amigos, livros, música e o ho-
      ridade, da euforia apoteótica de um lado e da
                                                            mem amado. Ah, e as minhas velhas crenças de
      realidade tão diferente de outro.
                                                            que não somos totalmente omissos ou sem cará-
      Pasárgada podia ser um bom lugar, onde se
                                                            ter, portanto este país ainda teria jeito, embora
      acredita nas instituições e nos líderes, onde vale
                                                            neste momento eu não tenha muita fé nisso.
      a pena ser honrado e os malfeitores vão direto
                                                            Achei que em Pasárgada eu correria menos risco
      para a cadeia, onde se tomam providências an-
                                                            de me tornar descrente: eu, que detesto o ceti-
      tes que tudo desabe. Lá, ao contrário daqui - em
                                                            cismo e não vivo bem com os pessimistas, agora
      que a manada se divide entre os ingênuos, os
                                                            tenho medo de me contagiar. Podia me livrar
      que sabem das coisas, mas se conformam e os
                                                            da suspeita de que por trás de tudo isso existe
      aproveitadores -, autoridade serve para cuidar
                                                            algo muito sério, gravíssimo, que nós, rebanho
      do bem do povo, decoro é simplesmente decên-
                                                            alienado, desconhecemos. Quem sabe até ter-
      cia, seja em algum cargo, seja na vida cotidiana
                                                            minasse o romance que venho escrevendo, num
      de qualquer um.
                                                            compasso de desânimo que nada tem a ver com
      Na minha nova pátria eu tentaria não escrever
                                                            literatura: nasce do meu amor por este país, ao
      mais sobre o que por estas bandas tem me an-
                                                            qual dei meus filhos e meus netos para nele cres-
      gustiado ou ameaça transformar-se num tristís-
                                                            cerem.
      simo tédio: sempre os mesmos assuntos? Man-
                                                            Mas então, entre lideranças que negavam qual-
      daria só questionamentos sobre o que faz a vida
                                                            quer problema, fazendo afirmações estapafúr-
      valer a pena: as coisas humanas, como família,
                                                            dias e divertindo-se talvez com nossa agonia,
      educação, transformações, relacionamentos e
                                                            soprou um vento de lucidez e autoridade - pa-
      separação, responsabilidades e escolhas, alegria,
                                                            rece que as coisas se reorganizam. Botar a casa
      vida e morte, incomunicabilidade e o mistério
                                                            em ordem ao menos nos aeroportos não podia
      de tudo - até a dor (mas que seja uma dor de-
                                                            ter levado tanto tempo, pobres de nós, mas hoje
      cente).
                                                            não precisarei ter medo se um de meus filhos
      Nem problema de transporte eu teria: para Pa-
                                                            viajar de avião. Amanhã é um enigma (sabe se
      sárgada se viaja com o coração e o pensamento.
                                                            lá o que vai acontecer no breve intervalo entre
      Ainda bem, pois de avião seria loucura e risco.
                                                            escrever esta coluna e ela ser publicada).
      Desses meses todos me ficou inesquecível o tra-
                                                            E assim, na última hora, decidi ficar. Acho que me
      balhador humilde cochilando numa cadeira de
                                                            sentiria como quem deserta de um grupo com o
      aeroporto que, entrevistado sobre toda a confu-
                                                            qual tem laços muito fortes: meus leitores. Os
      são, respondeu: “A casa já caiu, o brasileiro tem
                                                            que me acompanham, os que pensam diferen-
      de se conformar”. Ninguém faz nada? - pergun-
                                                            te e até os indignados - às vezes por terem lido
      tam-se as pessoas, no limite de sua capacidade
                                                            algo, que nem estava ali. Todos são importantes
      de espanto. A impressão que estávamos tendo,
                                                            para mim. Com eles tem sido imensamente esti-
      nós, comuns mortais, era que resolver proble-
                                                            mulante partilhar alegrias e preocupações, des-
      mas e impor ordem importava bem menos do
                                                            cobertas ou receios. Afinal, somos irmãos, filhos
      que distribuir ilusões como quem distribui piru-
                                                            desta mãe, que, com decoro, firmeza e vontade,
      litos. É para rir ou para chorar? Ora rimos, ora
                                                            será melhor do que qualquer Pasárgada inven-
      choramos, esse é o novo jeito brasileiro de ser.
                                                            tada.
      Cresce a economia, encolhe a respeitabilidade;
      pisca uma luzinha de esperança, mas a serieda-          Fonte: Veja. Disponível em: <http://veja.abril.
      de extraviou-se. Poucos andam à sua procura.            com.br/040707/ponto_de_vista.shtml>. Acesso
                                              continua...     em: 30 ago. 2010.




224
Leitura e Produção de Textos                                    Tema 3 - Atividades



  ____________________________________________     Sem que veja a Rua 15
  ____________________________________________     E o progresso de São Paulo
  ____________________________________________     ____________________________________________
  ____________________________________________     ____________________________________________
  ____________________________________________     ____________________________________________
  ____________________________________________     ____________________________________________
  ____________________________________________     ____________________________________________
  ____________________________________________     ____________________________________________
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  ____________________________________________     ____________________________________________
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  Questão 2
                                                   Questão 3                      Questão 3
  Individual e sem consulta.
  Observe os dois poemas a seguir e crie um ter-   Individual e com consulta.
  ceiro utilizando a intertextualidade:            Apresentamos duas músicas da nossa MPB. Leia-
  Poema 1:                                         as e responda o que se pede.
  EUROPA, FRANÇA E BAHIA                           Qual é o tema da intertextualidade presente
  Carlos Drummond de Andrade                       nos poemas? Comente sobre ele, fazendo as re-
                                                   lações com a atualidade.
  ... Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
  Minha boca procura a “Canção do Exílio”.         Composição 1:                 Composição 2:
  Como era mesmo a “Canção do Exílio”?                                           QUERELAS DO BRASIL
                                                   AQUARELA DO BRASIL
  Eu tão esquecido de minha terra...               Ary Barroso                   Maurício Tapajós e
                                                                                 Aldir Blanc
  Ai terra que tem palmeiras
                                                   Brasil!                       O Brazil não conhece o
  Onde canta o sabiá!                              Meu Brasil Brasileiro         Brasil
                                                   Meu mulato inzoneiro          O Brasil nunca foi ao Brazil
                                                   Vou cantar-te nos meus        Tapir, jabuti
  Poema 2:                                         versos                        Iliana, alamanda, alialaúde
  CANTO DO REGRESSO À PÁTRIA                       Brasil, samba que dá          Piau ururau akiataúde
                                                   Bamboleio, que faz gingá      Piá-carioca porecramecrã
  Oswald de Andrade                                O Brasil do meu amor          Jobim-akarore jobim-açu
  Minha terra tem palmares                         Terra de Nosso Senhor...      Uô - uô - uô - uô
                                                   Abre a cortina do passado     Pereê camará tororó olerê
  Onde gorjeia o mar                               Tira a mãe preta do cerrado   Piriri ratatá karatê olará
  Os passarinhos daqui                             Bota o rei congo no           O Brazil não merece o
                                                   congado                       Brasil
  Não cantam como os de lá                         Canta de novo o trovador      O Brazil tá matando o
                                                   A merencória à luz da lua     Brasil
  Minha terra tem mais rosas                       Toda canção do seu amor       Jereba saci caandrades
  E quase que mais amores                          Quero ver essa dona           cunhãs ariranharanha
                                                   caminhando                    Sertões guimarães
  Minha terra tem mais ouro                        Pelos salões arrastando       bachianas águas
  Minha terra tem mais terra                       O seu vestido rendado...      Imarionaíma ariraribóia
                                                   Esse coqueiro que dá côco     Na aura das mãos de
                                                   Oi! Onde amarro minha         jobim-açu
  Ouro terra amor e rosas                          rede                          Jerê sarará cururu olerê
                                                   Nas noites claras de luar     Blá-blá-blá bafafá sururu
  Eu quero tudo de lá                              Por essas fontes              olará
  Não permita Deus que eu morra                    murmurantes                   Do Brasil, SOS ao Brasil
                                                   Onde eu mato a minha sede     Tinhorão urutu sucuri
  Sem que volte para lá                            Onde a lua vem brincar        Ujobim sabiá bem-te-vi
  Não permita Deus que eu morra
                                                                                             Continua ...
  Sem que volte pra São Paulo


                                                                                                         225
Tema 3 - Atividades                                                      Leitura e Produção de Textos




 Continuação ...                                         ____________________________________________
                                                         ____________________________________________
 AQUARELA DO BRASIL              QUERELAS DO BRASIL
 Ary Barroso                     Maurício Tapajós e      ____________________________________________
                                 Aldir Blanc             ____________________________________________
                                                         ____________________________________________
 Esse Brasil lindo e trigueiro   Cabucu Cordovil
 É o meu Brasil Brasileiro       Cachambi                ____________________________________________
 Terra de samba e pandeiro...    Madureira Olaria e
 Brasil!                         Bangu
                                                         ____________________________________________
 Terra boa e gostosa             Cascadura Água Santa    ____________________________________________
 Da morena sestrosa              Acari
 De olhar indiferente            Ipanema e Nova Iguaçu
                                                         ____________________________________________
 Brasil, samba que dá                                    ____________________________________________
 Para o mundo se admirar
 O Brasil, do meu amor                                   ____________________________________________
 Terra de Nosso Senhor...                                ____________________________________________
 Abre a cortina do passado
 Tira a mãe preta do cerrado                             ____________________________________________
 Bota o rei congo no congado                             ____________________________________________
 Canta de novo o trovador
 A merencória à luz da lua                               ____________________________________________
 Toda canção do seu amor                                 ____________________________________________
 Huuum!
 Essa dona caminhando
 Pelos salões arrastando
 O seu vestido rendado...
 Esse coqueiro que dá côco
 Onde amarro minha rede
                                                         Questão 4
 Nas noites claras de luar
 Por essas fontes
 murmurantes                                             Em grupo e sem consulta.
 Onde eu mato a minha sede                               Os textos a seguir mantêm o diálogo intertex-
 Onde a lua vem brincar                                  tual. Explique como se dá a intertextualidade
 Huuum!
 Esse Brasil lindo e trigueiro                           entre eles e qual a crítica que o segundo faz à
 É o meu Brasil Brasileiro                               sociedade atual.
 Terra de samba e pandeiro...
                                                         Poema 1:
 Brasil!
 Meu Brasil Brasileiro                                   QUADRILHA
 Meu mulato inzoneiro
 Vou cantar-te nos meus
                                                         Carlos Drummond de Andrade
 versos                                                      João amava Teresa que amava Raimundo
 Brasil, samba que dá                                        que amava Maria que amava Joaquim que
 Bamboleio, que faz gingá
 O Brasil do meu amor                                        amava Lili
 Terra de Nosso Senhor...                                    que não amava ninguém.
 Abre a cortina do passado
 Tira a mãe preta do cerrado                                 João foi para os Estados Unidos, Teresa para
 Bota o rei congo no congado                                 o convento,
 Canta de novo o trovador
                                                             Raimundo morreu de desastre, Maria ficou
 A merencória à luz da lua
 Toda canção do seu amor                                     para tia,
 Quero ver essa dona                                         Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J.
 caminhando
 Pelos salões arrastando
                                                             Pinto Fernandes
 O seu vestido rendado...                                    que não tinha entrado na história.
 Esse coqueiro que dá côco
 Onde amarro minha rede                                  Fonte: Carlos Drummond de Andrade, Disponível em:
 Nas noites claras de luar                               <http://carlosdrummonddeandrade.com.br/>. Acesso em:
 Por essas fontes                                        30 ago. 2010.
 murmurantes
 Onde eu mato a minha sede
 Aonde a lua vem brincar
 Esse Brasil lindo e trigueiro
 É o meu Brasil Brasileiro




226
Leitura e Produção de Textos                                         Tema 3 - Atividades



  Poema 2:                                             ____________________________________________
  QUADRILHA DA SUJEIRA                                 ____________________________________________
  Ricardo Azevedo                                      ____________________________________________
      João joga um palitinho de sorvete na             ____________________________________________
      rua de Teresa que joga uma latinha de            ____________________________________________
      refrigerante na rua de Raimundo que              ____________________________________________
      joga um saquinho plástico na rua de              ____________________________________________
      Joaquim que joga uma garrafinha                   ____________________________________________
      velha na rua de Lili.                            ____________________________________________
      Lili joga um pedacinho de isopor na             As questões de 6 a 10 deverão ser respondidas
      rua de João que joga uma embalagenzinha         individualmente e sem consulta.
      de não sei o quê na rua de Teresa que
      joga um lencinho de papel na rua de
      Raimundo que joga uma tampinha de               Questão 6
      refrigerante na rua de Joaquim que joga
      um papelzinho de bala na rua de J.Pinto         (ENADE, 2008).
      Fernandes que ainda nem tinha                   Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrin-
      entrado na história.                            do, não os olhos, mas uma infinidade de portas e janelas
                                                      alinhadas. (...) Sentia-se naquela fermentação sanguínea,
  (AZEVEDO, 1999)                                     naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham o
  ____________________________________________        pé na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de
                                                      existir, a triunfante sensação de respirar sobre a terra. Da
  ____________________________________________        porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como
  ____________________________________________        formigas, fazendo compras.

  ____________________________________________          Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1989,
                                                        p. 28-9.
  ____________________________________________
  ____________________________________________
                                                      Aliás, o cortiço andava no ar, excitado pela festa, alvoro-
  ____________________________________________        çado pelo jantar, que eles apressavam para se dirigirem a
  ____________________________________________        Montsou. Grupos de crianças corriam, homens em mangas
                                                      de camisa arrastavam chinelos com o gingar dos dias de re-
  ____________________________________________        pouso. As janelas e as portas, escancaradas por causa do
  ____________________________________________        tempo quente, deixavam ver a correnteza das salas, trans-
                                                      bordando em gesticulações e em gritos o formigueiro das
                                                      famílias.

                                                        Émile Zola. Germinal. São Paulo: Nova Cultural,
  Questão 5                                             1996, p. 136.

                                                      Aluísio Azevedo certamente se inspirou em L’Assommoir (A
  Em grupo e com consulta.                            Taberna), de Émile Zola, para escrever O Cortiço (1890), e
                                                      por muitos aspectos seu texto é um texto segundo, que to-
  Cada membro do grupo deverá buscar, em revis-       mou de empréstimo não apenas a ideia de descrever a vida
  tas ou jornais, anúncios que utilizam a intertex-   do trabalhador pobre no quadro de um cortiço, mas um
  tualidade como um recurso de mensagem.              bom número de pormenores, mais ou menos importantes.
                                                      Mas, ao mesmo tempo, Aluísio quis reproduzir e interpre-
  Discuta com os colegas a presença da intertex-      tar a realidade que o cercava e sob esse aspecto elaborou
  tualidade e qual a intenção do emissor ao usar      um texto primeiro. Texto primeiro na medida em que filtra
  desse recurso textual. Escreva as conclusões a      o meio; texto segundo na medida em que vê o meio com
  que o grupo chegou e depois exponha para            lentes de empréstimo. Se pudermos marcar alguns aspectos
                                                      dessa interação, talvez possamos esclarecer como, em um
  toda a turma.                                       país subdesenvolvido, a elaboração de um mundo ficcional
  ____________________________________________        coerente sofre de maneira acentuada o impacto dos textos
                                                      feitos nos países centrais e, ao mesmo tempo, a solicitação
  ____________________________________________        imperiosa da realidade natural e social imediata. (CANDI-
  ____________________________________________        DO, 2004)

  ____________________________________________


                                                                                                              227
Tema 3 - Atividades                                                     Leitura e Produção de Textos




 Assinale a opção em que a relação intertextual      a) “Nós somos da Pátria a guarda,
 entre “O Cortiço” e “Germinal” é interpretada          Fiéis soldados,
 pelos parâmetros críticos apresentados no texto
                                                        Por ela amados.
 de Antonio Candido acerca da relação entre a
 obra de Aluísio Azevedo e a de Émile Zola.             Nas cores de nossa farda
 a) O texto de Aluísio Azevedo é um texto pri-          Rebrilha a glória,
     meiro em relação ao de Zola porque foi es-         “Fulge a vitória.”
     crito anteriormente e influenciou a produ-       (Ten. Cel. Alberto Augusto Martins)
     ção naturalista do escritor francês.
                                                     b) “Já podeis da Pátria filhos,
 b) A relação de proximidade entre o texto de
                                                        Ver contente a mãe gentil;
     Azevedo e o de Zola evidencia que o diálogo
     entre os textos desassocia-os da realidade         Já raiou a liberdade
     social em que foram produzidos.                    No horizonte do Brasil”.
 c) O texto de Aluísio Azevedo, por suas condi-      (Evaristo Ferreira da Veiga)
     ções de produção, está submetido ao mode-       c) “Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
     lo naturalista europeu, ao mesmo tempo em
     que atende a demandas da realidade nacio-          De um povo heróico o brado retumbante,
     nal.                                               E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
 d) “O Cortiço” é um texto segundo em rela-             Brilhou no céu da pátria nesse instante”.
     ção ao texto de Zola porque é, sobretudo, a     (Joaquim Osório Duque Estrada)
     duplicação do modelo literário francês e da
                                                     d) “Seja um pálio de luz desdobrado
     realidade social das classes operárias euro-
     péias.                                             Sob a larga amplidão destes céus
 e) A presença de elementos do naturalismo              Este canto rebel que o passado
     francês em “O Cortiço” é indicativo da troca       Vem remir dos mais torpes labéus!
     cultural que ocorre no espaço do intertexto,       Seja um hino de glória que fale
     independentemente das realidades locais de
                                                        De esperanças, de um novo porvir!
     produção.
                                                        Com visões de triunfos embale
                                                        Quem por ele lutando surgir!”
                                                     (Medeiros e Albuquerque)
 Questão 7                                           e) “Os celeiros de farturas,
                                                        Sob um céu de puro azul,
 A Independência do Brasil criou novas perspec-         Reforjaram em Mato Grosso do Sul
 tivas para a nação, que se desprendeu da metró-
 pole portuguesa. As alternativas a seguir con-         Uma gente audaz.”
 têm estrofes de hinos brasileiros. Observe a tela   (Jorge Antonio Siufi e Otávio Gonçalves Gomes)
 do pintor Pedro Américo e assinale a alternativa
 que faz corretamente a intertextualidade com o
 tema da pintura:
                                                     Questão 8
                                                     (TJ-RS, 2008). Debruçando-se sobre o estudo
                                                     do exercício da política, Maquiavel dissecou a
                                                     anatomia do poder de sua época: dos senhores
                                                     feudais e da igreja medieval. E, por isso mesmo,
                                                     por botar o dedo na ferida, foi considerado um
                                                     autor maldito. Ele se mostra preocupado com
                                                     o fato de que na política não existem regras fi-
                                                     xas. Governar, isto é, tomar atitudes políticas, é
                                                     um trabalho extremamente criativo e, por isso
 O Grito do Ipiranga - Pedro Américo (1888)          mesmo, sem parâmetros anteriores. Assim, essa
                                                     preocupação do filósofo, por incrível que pare-



228
Leitura e Produção de Textos                                      Tema 3 - Atividades



  ça, torna-se um bom instrumento para repen-          a) Ó Deus, salve todos nós!
  sarmos a ética. Hoje, com o fim das garantias         b) Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja
  tradicionais, estamos todos mais ou menos na            o Vosso Nome. Venha a nós o Vosso Reino,
  posição do príncipe de Maquiavel — isto é, em           seja feita a vossa vontade assim na terra
  um mundo de incertezas, dentro do qual temos            como no Céu...
  de inventar nossa melhor posição.
                                                       c) Que, da obra ousada, é minha a parte feita:/
  É mergulhado nesse mundo de incertezas, de              O por-fazer é só com Deus.
  instabilidade social e política, de culto ao indi-
                                                          E ao imenso e possível oceano /Ensinam es-
  vidualismo, que construímos nossa identidade,
                                                          tas Quinas, que aqui vês,/Que o mar com fim
  nosso modo de agir.
                                                          será grego ou romano:/O mar sem fim é por-
  Como seres humanos, nosso fim último é a fe-             tuguês. (“Mensagem”, de Fernando Pessoa,
  licidade. Como indivíduos sociais, precisamos           1934)
  entender que, por melhores que sejam nossos
                                                       d) Todos somos filhos de Deus e seu Filho nas-
  objetivos na vida, os meios para alcançá-los não
                                                          ceu há 2.000 anos.
  podem entrar em contradição com a nobreza
  dos fins. Desse modo, não basta termos fins no-        e) Onde estás, Ó Deus,/ que não respondes? /
  bres, é necessário também que os meios para             Em que mares, /Em que ares, /em que astro-
  alcançá-los sejam adequados a essa nobreza.             nave tu te escondes? (BRITO, 1975)
  Planeta, jul./2006, p. 59 (com adaptações).
  Considerando que intertextualidade é a reto-
  mada das ideias de um texto em outro, o texto        Questão 10
  em questão apresenta intertextualidade entre:
  a) As ideias de Maquiavel e a discussão sobre        Em “Hamlet”, peça teatral escrita por Shakespe-
     atitudes políticas atuais.                        are no século XVII, há uma fala do protagonista
  b) O conceito de poder na igreja e dos senho-        Hamlet, príncipe da Dinamarca, que em deter-
     res feudais.                                      minado momento fala com o fantasma de seu
  c) Os instrumentos de governo e a busca da fe-       pai, assassinado pelo próprio irmão, que lhe diz
     licidade.                                         o seguinte: “Há muita coisa mais no céu e na
                                                       terra, Horácio, do que sonha a nossa pobre fi-
  d) Nobreza de espírito e objetivos de vida.
                                                       losofia”.
  e) Filosofia e política.
                                                       Em 1896, Machado de Assis, um dos mais impor-
                                                       tantes nomes da literatura brasileira, retomou a
                                                       mesma frase de Shakespeare em seu conto “A
  Questão 9                                            cartomante”: “A voz da mãe repetia-lhe uma
                                                       porção de casos extraordinários: e a mesma fra-
                                                       se do príncipe de Dinamarca reboava-lhe den-
  Assinale a alternativa que faz corretamente a        tro: ‘Há mais cousas no céu e na terra do que
  intertextualidade com o seguinte fragmento do        sonha a filosofia... ’
  poema “Vozes d’África”, de Castro Alves, século      Assinale a seguir qual alternativa corresponde
  XIX.                                                 acertadamente à intenção de Shakespeare e de
        “Deus! ó Deus! onde estás que                  Machado de Assis em ambas as citações.
        não respondes?                                 a) Entre o céu e a Terra há muitas camadas da
        Em que mundo, em que estrela tu                    atmosfera terrestre que a ciência ainda não
        t’ escondes                                        desvendou integralmente.
        Embuçado nos céus?                             b) Desconhecemos os segredos e mistérios que
        Há dois mil anos te mandei meu                     envolvem a criação do Universo.
        grito,                                         c) Todos nós estamos adquirindo novos conhe-
        Que embalde desde então corre o                    cimentos filosóficos necessários para justifi-
        infinito                                            car os fenômenos sociais.
        Onde estás, Senhor Deus?”




                                                                                                   229
Tema 3 - Atividades                                              Leitura e Produção de Textos




 d) Não conhecemos integralmente todas as
    verdades da vida e os mistérios que nos ro-     Anotações
    deiam.                                          ____________________________________________
 e) O ser humano conquista conhecimentos            ____________________________________________
    científicos que favorecem o progresso da
                                                    ____________________________________________
    humanidade.
                                                    ____________________________________________
                                                    ____________________________________________
 AMPLIANDO O CONHECIMENTO                           ____________________________________________
 Você quer saber mais sobre esse assunto? Então,    ____________________________________________
 consulte:                                          ____________________________________________
 • Um dos romances de Machado de Assis. Em          ____________________________________________
 todos eles o autor sempre faz várias citações      ____________________________________________
 e alusões a outros autores e textos. Sugerimos
 os seguintes títulos: Dom Casmurro, Memórias       ____________________________________________
 póstumas de Brás Cubas, A mão e a luva e           ____________________________________________
 Quincas Borba.                                     ____________________________________________
 Todos esses títulos você encontra para fazer       ____________________________________________
 o download. Disponível em: <http://www.            ____________________________________________
 dominiopublico.gov.br/>. Acesso em: 30 ago.
                                                    ____________________________________________
 2010.
                                                    ____________________________________________
 • O artigo Intertextualidade, de Maria
 Christina de Motta Maia. Disponível em: <http://   ____________________________________________
 acd.ufrj.br/~pead/tema02/intertextualidade2.       ____________________________________________
 htm>. Acesso em: 30 ago. 2010. Fala sobre a        ____________________________________________
 intertextualidade que pressupõe um universo
                                                    ____________________________________________
 cultural muito amplo e complexo, pois implica
 a identificação / o reconhecimento de remissões     ____________________________________________
 a obras ou a textos / trechos mais, ou menos       ____________________________________________
 conhecidos, além de exigir do interlocutor a       ____________________________________________
 capacidade de interpretar a função daquela
                                                    ____________________________________________
 citação ou alusão em questão.
                                                    ____________________________________________
 • O artigo Intertextualidade: considerações
 em torno do dialogismo, de Ricardo Zani.           ____________________________________________
 Disponível em:< http://seer.ufrgs.br/index.php/    ____________________________________________
 EmQuestao/article/viewArticle/65> Acesso em:       ____________________________________________
 30 ago. 2010.                                      ____________________________________________
 • Os filmes: Shrek 1, 2 e 3, Shakespeare            ____________________________________________
 apaixonado, Deu a louca na Chapeuzinho, 1492
 - A Conquista do Paraíso, Crepúsculo. Cada um      ____________________________________________
 deles faz intertextualidade com outros textos      ____________________________________________
 fabulosos ou históricos.                           ____________________________________________
                                                    ____________________________________________
                                                    ____________________________________________
 FINALIZANDO
                                                    ____________________________________________
 Ao chegar ao final desse tema, você aprendeu
                                                    ____________________________________________
 que um texto pode ser criado a partir de um ou
 mais textos. A isso chamamos de intertextuali-     ____________________________________________
 dade, que é uma forma de fazer alusão e refe-      ____________________________________________
 rência a ideias contidas em outros materiais.      ____________________________________________
                                                    ____________________________________________
                                                    ____________________________________________



230
Tema 4
Coerência Textual: um Princípio de
Interpretabilidade

Objetivos de aprendizagem
•    Desenvolver habilidades de uso adequado de escrita.
•    Identificar os elementos de conexão dentro de um texto.
•    Organizar acertadamente as ideias no texto.
•    Perceber as ligações entre as partes de um texto.




Para início de conversa
Você já parou para pensar o que faz de um texto ser
inteligível? É a coerência do texto que o torna claro e
compreensível.
A coerência é a sequência lógica do raciocínio e das partes
que o compõem de forma a dar unidade à leitura e entendi-
mento do que se lê.
A seguir, você conhecerá alguns elementos que permitem
tornar o texto mais coerente, possibilitando, assim, sua me-
lhor compreensão.




Por dentro do tema
Em um bom texto as partes devem estar ligadas com harmonia interna, mantendo
uma unidade. Cada parte depende das outras com as quais se relaciona. O raciocí-
nio deve ter um direcionamento claro e único. Em outras palavras, um texto deve ter
unidade, criando relações entre os elementos e as informações nele contidas.
Observe os textos a seguir:
O CORVO E A RAPOSA
Esopo
Um corvo, tendo roubado um pedaço de carne, pousou sobre uma árvore. Uma
raposa o viu e, querendo apoderar-se da carne, pôs-se diante dele, elogiando seu
tamanho e sua beleza, dizendo que ele, mais que todos os pássaros, merecia ser rei e que isso realmente aconte-
ceria se tivesse voz. Querendo mostrar-lhe que também voz ele tinha, o corvo deixou cair a carne e pôs-se a soltar
grandes gritos. A raposa precipitou-se e, tendo pegado a carne, disse: “Ó corvo, se tu tivesses também inteligên-
cia, nada te faltaria para seres rei de todos os pássaros”.
ESOPO. Fábulas completas. São Paulo: Moderna, 1994.




                                                                                                           231
CIDADEZINHA QUALQUER
      Casas entre bananeiras
      mulheres entre laranjeiras
      pomar amor cantar.
      Um homem vai devagar.
      Um cachorro vai devagar.
      Um burro vai devagar.
      Devagar... as janelas olham.

 Você entendeu a mensagem que eles passam? Levando-se em conta o raciocínio lógico, pode-se dizer que os
 textos estão completos?
 Na fábula de Esopo, percebe-se que faltou entender como a raposa conseguiu pegar o pedaço de carne do corvo.
 Não sabemos o que levou o pássaro a soltá-lo. Já no poema, a informação está incompleta, não chega a lugar
 nenhum, fica em aberto, não sabemos o porquê da descrição da “cidadezinha”.
 Algo faltou nos dois textos, não é? No primeiro faltou uma explicação para contextualizar a conclusão da história
 e, no segundo, o texto permaneceu em aberto.
 Observe agora:



                                            O CORVO E A RAPOSA
                                                      Esopo

             Um corvo, tendo roubado um pedaço de carne, pousou sobre uma árvore. Uma raposa o
             viu e, querendo apoderar-se da carne, pôs-se diante dele, elogiando seu tamanho e sua
             beleza, dizendo que ele, mais que todos os pássaros, merecia ser rei e que isso realmente
             aconteceria se tivesse voz. Querendo mostrar-lhe que também voz ele tinha, o corvo dei-
             xou cair a carne e pôs-se a soltar grandes gritos. A raposa precipitou-se e, tendo pegado
             a carne, disse: “Ó corvo, se tu tivesses também inteligência, nada te faltaria para seres rei
             de todos os pássaros”.
             ESOPO. Fábulas completas. São Paulo: Moderna, 1994.




                                          CIDADEZINHA QUALQUER
                                           Carlos Drummond de Andrade
                                              Casas entre bananeiras
                                             mulheres entre laranjeiras
                                                pomar amor cantar.
                                              Um homem vai devagar.
                                             Um cachorro vai devagar.
                                               Um burro vai devagar.
                                            Devagar... as janelas olham.
                                             Eta vida besta, meu Deus.
             ANDRADE, Carlos Drummond de. José e outros. 8ª ed. São Paulo: Record. 2008.




232
Nesta segunda leitura, pode-se observar que havia algo faltando, tanto no primeiro como no segundo texto.
A quebra na mensagem faz com que um texto perca sua coesão e coerência e se torne confuso.
No caso dos exemplos observados, o primeiro, na fábula, não mostrou a forma com que a raposa convenceu o
corvo a soltar o pedaço de carne e, no poema de Drummond, a frase que o fecha é que faz a conclusão da ideia,
irônica, diga-se de passagem, sobre a monotonia do lugar.



                                                    Coerência
            É a unidade do texto. Um texto coerente é um conjunto harmônico, em que suas partes
            se inter-relacionam de tal modo que o desenvolvimento de uma ideia depende do desen-
            volvimento anterior de outra.



Veja agora, a seguir, os diversos tipos de coerência apresentados pelas autoras do Livro-Texto:
Coerência sintática: é manifestada pelo domínio lexical de cada indivíduo, isto é, o uso de conectivos, pronomes,
expressões de ligação entre termos das orações etc.
Coerência semântica: refere-se às relações de sentido entre as estruturas (palavras, expressões) de um texto. É o
cuidado para não entrar em contradição com as informações apresentadas no texto.
Coerência temática: pela qual todos os conteúdos expostos no texto devem ficar explicitados em seu desenvol-
vimento.
Coerência pragmática: relaciona-se com a adequação do texto à situação comunicativa.
Coerência estilística: é a escolha da variedade ou registro de língua adequada à situação comunicativa confor-
me cada situação apresentada. Observa-se a melhor forma de interação entre o produtor da mensagem com o
receptor.
Coerência genérica: está relacionada com o gênero textual de acordo com o propósito a que se destina.
A coerência exige que o pensamento se articule período a período, formando o todo. É um olhar para trás e adian-
te constantemente. E para isso é necessário, antes de mais nada, a coerência interna da própria frase, depois de
frase para frase e, na sequência, de um parágrafo ligando-se a outro de maneira ordenada e lógica, até formar o
todo: o texto completo.
Dessa forma, a transição de um parágrafo para outro deve visar à continuidade da mensagem. A ideia expressa
em um período anterior precisa de seguimento lógico da narrativa, sem que haja mudanças bruscas ou junção
desordenada de orações. Por isso, o uso de expressões e conjunções para ligar os períodos é fundamental para o
texto coerente.




Anotações
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Tema 4 - Atividades                                                 Leitura e Produção de Textos




 Atividades                                            continuação...
                                                       que se mantém ao longo da sua construção.
                                                       Caso isso não aconteça, fica enfraquecida,
 INSTRUÇÕES                                            perdendo o crédito e o interesse do leitor.
                                                       Para evitar o fracasso do texto, o autor deve
 Agora que você estudou sobre coerência tex-           mantê-lo com uma boa seqüência, permi-
 tual, que tal avaliar os conhecimentos adqui-         tindo ao seu leitor agregar sentimentos à
 ridos? Observe as orientações de resolução de         sua leitura, colocando-o na primeira poltro-
 cada questão, considerando as indicações com          na, bem ligadinho no seu “filme”. Isso é o
 relação ao trabalho individual ou em grupo.           que faz de um texto um bom texto, e de
 Após a realização dos exercícios, é importante        uma história, uma boa história.
 que você aperfeiçoe suas habilidades de escrita
                                                       3. Estipule cinco minutos e, ao fim desse
 e torne seu texto mais coerente. Por isso, é fun-
                                                       tempo, cada componente do grupo deve-
 damental que você analise e avalie suas respos-
                                                       rá passar o texto ao colega ao seu lado, no
 tas e seus textos produzidos.
                                                       sentido horário. Todo aluno deverá obede-
                                                       cer ao tempo estabelecido (mesmo que te-
                                                       nha escrito pouco) e, ao sinal do professor,
 Ponto de partida                                      entregar para o próximo colega a história
                                                       que tem em mãos, iniciando o trabalho no
                                                       texto seguinte. Deixe claro que antes de
 Quer entender o que é coerência na prática?           começar a escrever no novo texto, o aluno
 Então siga as instruções da dinâmica a seguir         seguinte deverá ler com atenção o que já
 e depois, com a participação de toda a turma,         foi escrito.
 faça a reflexão do que foi observado.                  4. Quando o texto inicial voltar para o pri-
 Dinâmica: (Retirada do livro: “Cem aulas sem té-      meiro aluno, as produções passam a ser li-
 dio de Língua Portuguesa”, de Antônio Falcet-         das. Após as leituras, os alunos ficam livres
 ta, Santa Cruz: Instituto Pe. Réus, 2000).            para trocarem entre si seus textos.

                Dinâmica de redação                  Ao final da atividade, façam as seguintes refle-
              “Circulando com o texto”               xões sobre a dinâmica: o que foi necessário para
                                                     dar a sequência lógica aos pensamentos, o que
   Esta é uma atividade para quebrar a mo-           foi preciso para unir as ideias expostas, quais
   notonia das produções individuais, ou seja,       elementos de ligação foram usados para unir as
   aquelas cujo destino inexorável é habitar         orações (conjunções, pronomes, conectivos...),
   gavetas (ou serem lidas pelas traças que lá       como foi possível dar sentido à história etc.
   estão...). Ela também tem por objetivo de-
   senvolver a criatividade e a leitura atenta e     Salienta-se a importância de um texto bem es-
   crítica.                                          crito, que deve seguir uma linha lógica do pen-
                                                     samento e fazer as escolhas apropriadas dos
   1. Divida a turma em grupos de no máximo          elementos a usar. Não basta somente juntar
   cinco alunos.                                     pensamentos sem se preocupar com a sua estru-
   2. Todos têm a mesma proposta inicial para        tura e clareza de ideias. Para se escrever bem é
   a produção de um texto que é: “A preguiça         preciso estabelecer relações de sentido entre os
   é a mãe do progresso; se o homem não ti-          termos e partes que compõem a redação.
   vesse preguiça de caminhar, não teria inven-      ____________________________________________
   tado a roda.” (Mário Quintana), a ser desen-
   volvida por cada aluno. O trabalho parece         ____________________________________________
   não envolver, na sua dinâmica, o grupo. E,        ____________________________________________
   nesta etapa, não é mesmo esse o objetivo.         ____________________________________________
   À medida que a atividade se desenvolve, co-       ____________________________________________
   meçam a aparecer os resultados coletivos. É
                                                     ____________________________________________
   importante frisar que toda história deve ter
   um fio condutor, uma unidade de sentido            ____________________________________________
                                      continua...    ____________________________________________



234
Leitura e Produção de Textos                                      Tema 4 - Atividades



  Agora é com você! Responda às questões a            – Engano seu - disse ele. - A continuar assim,
  seguir para conferir o que aprendeu.                dentro de cinco anos você terá que mudar de
                                                      profissão.
  As questões 1, 2 e 3 se referem ao texto a se-      – Por quê? - espantei-me. - Quanto menos gen-
  guir.                                               te sabendo escrever, mais chance eu tenho de
                                                      sobreviver.
  A REGREÇÃO DA REDASSÃO
                                                      – E você sabe por que essa geração não sabe
  Semana passada recebi um telefonema de uma          escrever?
  senhora que me deixou surpreso. Pedia encare-
  cidamente que ensinasse seu filho a escrever.        – Sei lá - dei com os ombros -, vai ver que é por-
                                                      que não pega direito no lápis.
  – Mas, minha senhora - desculpei-me -, eu não
  sou professor.                                      – Não senhor. Não sabe escrever porque está
                                                      perdendo o hábito da leitura. E quando o perder
  – Eu sei. Por isso mesmo. Os professores não têm    completamente, você vai escrever para quem?
  conseguido muito.
                                                      Taí um dado novo que eu não havia considera-
  – A culpa não é deles. A falha é do ensino.         do. Imediatamente pensei quais as utilidades
  – Pode ser, mas gostaria que o senhor ensinasse     que teria um jornal no futuro: embrulhar car-
  o menino. O senhor escreve muito bem.               ne? Então, vou trabalhar num açougue. Serviria
  – Obrigado - agradeci -, mas não acredite muito     para fazer barquinhos, para fazer fogueira nas
  nisso. Não coloco vírgulas e nunca sei onde bo-     arquibancadas do Maracanã, para forrar sapato
  tar os acentos. A senhora precisa ver o trabalho    furado ou para quebrar um galho em banhei-
  que dou ao revisor.                                 ro de estrada? Imaginei-me com uns textos na
  – Não faz mal - insistiu -, o senhor vem e traz     mão, correndo pelas ruas para oferecer às pes-
  um revisor.                                         soas, assim como quem oferece hoje bilhete de
                                                      loteria:
  – Não dá, minha senhora - tornei a me descul-
  par, eu não tenho o menor jeito com crianças.       – Por favor, amigo, leia - disse, puxando um ci-
                                                      dadão pelo paletó.
  – E quem falou em crianças? Meu filho tem 17
  anos.                                               – Não, obrigado. Não estou interessado. Nos úl-
                                                      timos cinco anos a única coisa que leio é a bula
  Comentei o fato com um professor, meu amigo,        de remédio.
  que me respondeu: “Você não deve se assustar,
  o estudante brasileiro não sabe escrever”. No       – E a senhorita não quer ler? - perguntei, acom-
  dia seguinte, ouvi de outro educador: “O estu-      panhando os passos de uma universitária. – A
  dante brasileiro não sabe escrever”. Depois li no   senhorita vai gostar. É um texto muito curioso.
  jornal as declarações de um diretor da faculda-     – O senhor só tem escrito? Então não quero. Por
  de: “O estudante brasileiro escreve muito mal”.     que o senhor não grava o texto? Fica mais fácil
  Impressionado, saí à procura de outros educa-       ouvi-lo no meu gravador.
  dores. Todos me disseram: acredite, o estudante     – E o senhor, não está interessado nuns textos?
  brasileiro não sabe escrever. Passei a observar     – É sobre o quê? Ensina como ganhar dinheiro?
  e notei que já não se escreve mais como anti-
  gamente. Ninguém mais faz diário, ninguém           – E o senhor, vai? Leva três e paga um.
  escreve em portas de banheiros, em muros, em        – Deixa eu ver o tamanho - pediu ele.
  paredes.                                            Assustou-se com o tamanho do texto:
  Não tenho visto nem aquelas inscrições, geral-      – O quê? Tudo isso? O senhor está pensando
  mente acompanhadas de um coração, feitas em         que sou vagabundo? Que tenho tempo para ler
  casca de árvore. Bem, é verdade que não tenho       tudo isso? Não dá para resumir tudo em cinco
  visto nem árvore.                                   linhas?
  – Quer dizer - disse a um amigo enquanto íamos      Não há dúvidas: o estudante brasileiro não sabe
  pela rua - que o estudante brasileiro não sabe      escrever. Não sabe escrever porque não lê. E não
  escrever? Isto é ótimo para mim. Pelo menos         lendo também desaprende a falar [...]
  diminui a concorrência e me garante emprego
  por mais dez anos.




                                                                                                    235
Tema 4 - Atividades                                                   Leitura e Produção de Textos




 [...] Tudo isso me faz pensar que estamos muito
 mais perto do que se imaginava da Idade da Pe-
 dra. A prosseguir nessa gravação, ou a regredir
                                                     Questão 3
 nessa progressão, não demora muito, estare-
 mos todos de tacape na mão reinventando os          Em grupo e sem consulta.
 hieróglifos. Nesse dia, então, a palavra escrever   Comente o que o autor quis dizer com: “ex-cre-
 ganhará uma nova grafia: ex-crever.”                 ver”.
 (NOVAES, 1976).                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
 Questão 1                                           ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
 Em grupo e sem consulta.                            ____________________________________________
 Explique o título do texto.                         ____________________________________________
 ____________________________________________        ____________________________________________
 ____________________________________________        ____________________________________________
 ____________________________________________        ____________________________________________
 ____________________________________________
 ____________________________________________
 ____________________________________________        Questão 4
 ____________________________________________
 ____________________________________________        Em grupo e sem consulta.
 ____________________________________________        (ENADE, 2005). Sobre a implantação de “políti-
 ____________________________________________        cas afirmativas” relacionadas à adoção de “sis-
                                                     temas de cotas” por meio de Projetos de Lei em
                                                     tramitação no Congresso Nacional, leia os dois
                                                     textos a seguir.
 Questão 2                                           TEXTO I
                                                     “Representantes do Movimento Negro Socialista
 Em grupo e sem consulta.                            entregaram ontem no Congresso um manifesto
 O pensamento do autor, que estava feliz com a       contra a votação dos projetos que propõem o
 falta de estudantes brasileiros que saibam ler,     estabelecimento de cotas para negros em Uni-
 se tornou muito mais coerente com a realidade       versidades Federais e a criação do Estatuto de
 quando seu amigo chamou sua atenção para o          Igualdade Racial. As duas propostas estão pron-
 que ocorreria com o escritor no futuro. Por que     tas para serem votadas na Câmara, mas o movi-
 o autor estava satisfeito com a ignorância do es-   mento quer que os projetos sejam retirados da
 tudante brasileiro e por que, depois, passou a se   pauta. (...) Entre os integrantes do movimento
 preocupar com essa condição?                        estava a professora titular de Antropologia da
                                                     Universidade Federal do Rio de Janeiro, Yvonne
 ____________________________________________
                                                     Maggie. ‘É preciso fazer o debate. Por isso, ter
 ____________________________________________        vindo aqui já foi um avanço’, disse.”
 ____________________________________________        (Folha de S. Paulo – Cotidiano 30 jun. 2006, com
 ____________________________________________        adaptação.)
 ____________________________________________        TEXTO II
 ____________________________________________        “Desde a última quinta-feira, quando um grupo
 ____________________________________________        de intelectuais entregou ao Congresso Nacio-
 ____________________________________________        nal um manifesto contrário à adoção de cotas
 ____________________________________________        raciais no Brasil, a polêmica foi reacesa. (...) O
                                                     diretor executivo da Educação e Cidadania de
 ____________________________________________


236
Leitura e Produção de Textos                                      Tema 4 - Atividades



  Afrodescendentes e Carentes (Educafro), frei
  David Raimundo dos Santos, acredita que hoje
  o quadro do país é injusto com os negros e de-
                                                    Questão 5
  fende a adoção do sistema de cotas.”
                                                    Individual e sem consulta.
  (Agência Estado-Brasil, 03 jul. 2006.)
                                                    “Falar bem em português é uma habilidade va-
  Ampliando ainda mais o debate sobre todas es-
                                                    lorizada entre executivos. Os profissionais que
  sas políticas afirmativas, há também os que ado-
                                                    se expressam com clareza ganham a admiração
  tam a posição de que o critério para cotas nas
                                                    dos colegas e têm mais chance de progredir na
  Universidades Públicas não deva ser restritivo,
                                                    carreira. Por isso, os especialistas em Recursos
  mas que considere também a condição social
                                                    Humanos aconselham retomar os estudos da
  dos candidatos ao ingresso.
                                                    língua pátria juntamente com as aulas de lín-
  Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas    guas estrangeiras.”
  “raciais”, identifique, no atual debate social:
                                                    (Revista Veja, 15 dez. 1999, p. 197)
  a) Um argumento coerente utilizado por aque-
     les que o criticam.                            Escreva um texto argumentativo, de 10 a 15 li-
                                                    nhas, sobre essa citação. Lembre-se de fazer um
  ____________________________________________      texto coeso e coerente, observando a temática
  ____________________________________________      do fragmento. Atente também para que seu
  ____________________________________________      texto respeite a norma gramatical culta da lín-
  ____________________________________________      gua portuguesa.
  ____________________________________________      ____________________________________________
  ____________________________________________      ____________________________________________
  ____________________________________________      ____________________________________________
  ____________________________________________      ____________________________________________
  ____________________________________________      ____________________________________________
  ____________________________________________      ____________________________________________
  b) Um argumento coerente utilizado por aque-      ____________________________________________
     les que o defendem.                            ____________________________________________
  ____________________________________________      ____________________________________________
  ____________________________________________      ____________________________________________
  ____________________________________________
  ____________________________________________      As questões de 6 a 10 deverão ser respondidas
  ____________________________________________      individualmente e sem consulta.
  ____________________________________________
  ____________________________________________
  ____________________________________________      Questão 6
  ____________________________________________
  ____________________________________________      (ESAF, 2006). A Pesquisa Nacional por Amostra
                                                    de Domicílio, realizada pelo IBGE, revelou que
                                                    a renda das famílias parou de cair em 2004,
                                                    interrompendo uma trajetória de queda, que
                                                    acontecia desde 1997, e que houve diminuição
                                                    do grau de concentração da renda do trabalho.
                                                    Enquanto a metade da população ocupada, que
                                                    recebe os menores rendimentos, teve ganho
                                                    real de 3,2%, a outra metade, que tem rendi-
                                                    mentos maiores, teve perda de 0,6%.
                                                    Os resultados da PNAD revelaram, também, que
                                                    o Brasil melhorou em itens como número de
                                                    trabalhadores ocupados, participação das mu-



                                                                                                237
Tema 4 - Atividades                                                    Leitura e Produção de Textos




 lheres no mercado de trabalho, indicadores da        plicar a natureza, fundamentos e condições da
 área de educação e melhoria das condições de         moral, relacionando-a com necessidades sociais
 vida.                                                humanas.” Teríamos, assim, nessa acepção, o
 Assinale a opção que NÃO constitui continua-         entendimento de que o fenômeno moral pode
 ção coesa e coerente para esse texto.                ser estudado racional e cientificamente por uma
                                                      disciplina que se propõe a descrever as normas
 a) Para o secretário de Avaliação e Gestão da
                                                      morais ou mesmo, com o auxílio de outras ciên-
     Informação do Ministério do Desenvolvi-
                                                      cias, ser capaz de explicar valorações comporta-
     mento Social, o resultado da pesquisa revela
                                                      mentais.
     muito mais do que um aumento de renda:
     “A desigualdade no Brasil não se alterava        Um segundo emprego dessa palavra é conside-
     desde 88. A população mais pobre do Brasil       rá-la uma categoria filosófica e mesmo parte
     está ganhando mais se comparada à popu-          da Filosofia, da qual se constituiria em núcleo
     lação mais rica, ou seja, a riqueza no Brasil    especulativo e reflexivo sobre a complexa feno-
     está se desconcentrando. Essa é a melhor         menologia da moral na convivência humana. A
     notícia. O Brasil está redistribuindo melhor     Ética, como parte da Filosofia, teria por obje-
     a sua riqueza.”                                  to refletir sobre os fundamentos da moral na
                                                      busca de explicação dos fatos morais. Numa ter-
 b) Entretanto, as ações na área de educação,
                                                      ceira acepção, a Ética já não é entendida como
     saúde e transferência de dinheiro, por exem-
                                                      objeto descritível de uma Ciência, tampouco
     plo, foram responsáveis pelo resultado.
                                                      como fenômeno especulativo. Trata-se agora
 c) A expectativa é de que, no próximo ano,           da conduta esperada pela aplicação de regras
     a diminuição da miséria no País seja ainda       morais no comportamento social, o que se pode
     maior por causa das ações voltadas para os       resumir como qualificação do comportamento
     indígenas e quilombolas.                         do homem como ser em situação. É esse cará-
 d) O assessor especial da Presidência da Repú-       ter normativo de Ética que a colocará em íntima
     blica, José Graziano, avaliou que esses nú-      conexão com o Direito. Nessa visão, os valores
     meros comprovam que o País está mudando.         morais dariam o balizamento do agir e a Ética
     “Esses resultados revertem uma máxima his-       seria, assim, a moral em realização pelo reco-
     tórica no nosso País de que os ricos ficavam      nhecimento do outro como ser de direito, es-
     cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais    pecialmente de dignidade. Como se vê, a com-
     pobres.”                                         preensão do fenômeno Ética não mais surgiria
 e) A PNAD é a mais completa pesquisa anual           metodologicamente dos resultados de uma des-
     sobre as condições de vida da população,         crição ou reflexão, mas sim, objetivamente, de
     mostra um retrato do País e, em 2004, foi        um agir, de um comportamento consequencial,
     estendida para as áreas rurais dos Estados de    capaz de tornar possível e correta a convivên-
     Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e        cia.
     Amapá, alcançando a cobertura completa           (Adaptado do site Doutrina Jus Navigandi)
     do território nacional.
                                                      Está clara, correta e coerente a redação do se-
 (Adaptado de “Em Questão”, n. 379, Brasília, 30 de   guinte comentário sobre o texto:
 novembro de 2005)
                                                      a) Dentre as três acepções de Ética que se men-
                                                          ciona no texto, uma apenas diz respeito a
                                                          uma área em que conflui com o Direito.
 Questão 7                                            b) O balizamento da conduta humana é uma
                                                          atividade em que, cada um em seu campo,
                                                          se empenha, o jurista ou o filósofo.
 (TRT-Alagoas, 2008).                                 c) Costuma ocorrer muitas vezes não ser fácil
 SOBRE ÉTICA                                              distinguir Ética ou Moral, haja vista que tan-
 A palavra Ética é empregada nos meios acadê-             to uma quanto outra pretende ajuizar à si-
 micos em três acepções. Numa, faz referência a           tuação do homem.
 teorias que têm como objeto de estudo o com-         d) Ainda que se torne por consenso um valor
 portamento moral, ou seja, como entende Adol-            do comportamento humano, a Ética varia
 fo Sanchez Vasquez, “a teoria que pretende ex-           conforme a perspectiva de atribuição do
                                                          mesmo.



238
Leitura e Produção de Textos                                              Tema 4 - Atividades



  e) Os saberes humanos aplicados, do conheci-           a)   I.
     mento da Ética, costumam apresentar diver-          b)   II.
     gências de enfoques, em que pese a meto-
                                                         c)   III.
     dologia usada.
                                                         d)   I e II.
                                                         e)   II e III.

  Questão 8
  (FCC, 2008).
                                                         Questão 9
  O HOMEM MORAL E O MORALIZADOR
                                                         Os seguintes fragmentos constituem parágrafos
  Depois de um bom século de Psicologia e Psi-
                                                         de um texto, mas não estão ordenados. Ordene-
  quiatria dinâmicas, estamos certos disto: o mo-
                                                         os de forma coerente e coesa e assinale a res-
  ralizador e o homem moral são figuras diferen-
                                                         posta correta.
  tes, se não opostas. O homem moral se impõe
  padrões de conduta e tenta respeitá-los; o mo-         1. O motorista dizia: “Isso aqui é tudo de Re-
  ralizador quer impor ferozmente aos outros os          nan, isso aqui de Lira, isso aqui de Fulano,
  padrões que ele não consegue respeitar.                Sicrano”. Eu olhava e só via vazios com algumas
                                                         almas penadas nas estradas. “E isso aqui é do
  A distinção entre ambos tem alguns corolários
                                                         MST.”
  relevantes. Primeiro, o moralizador é um ho-
  mem moral falido: se soubesse respeitar o pa-          2. Você já viajou pelo interior de Alagoas? Há
  drão moral que impõe, ele não precisaria punir         alguns meses eu fui de carro até uma cidade a
  suas imperfeições nos outros. Segundo, é possí-        apenas uma hora e meia de Maceió. Parecia um
  vel e compreensível que um homem moral te-             deserto vermelho de barro, pontilhado de mise-
  nha um espírito missionário: ele pode agir para        ráveis vilarejos de uma só rua.
  levar os outros a adotar um padrão parecido            3. Andamos meia hora sem ver casas, nem
  com o seu. Mas a imposição forçada de um pa-           plantações, além de algumas usinas desativadas.
  drão moral não é nunca o ato de um homem               Era o silêncio da miséria, a paz do nada, onde
  moral, é sempre o ato de um moralizador. Em            vagam os vassalos do feudalismo nordestino.
  geral, as sociedades em que as normas morais           Aqueles municípios paralíticos já são catástrofes
  ganham força de lei (os Estados confessionais,         secas, só que silenciosas, paradas no tempo.
  por exemplo) não são regradas por uma moral            4. Só nos restou a solidariedade, mas como sen-
  comum, nem pelas aspirações de poucos e es-            tir a dor de um pobre homem catando comida
  colhidos homens exemplares, mas por morali-            na lama para dar ao filho chorando no colo? Di-
  zadores que tentam remir suas próprias falhas          zendo o que? “Ai, que horror?” A solidariedade
  morais pela brutalidade do controle que exer-          tinha de vir antes para proteger aqueles brasi-
  cem sobre os outros. A pior barbárie do mundo          leiros raquíticos, famintos, analfabetos, que só
  é isto: um mundo em que todos pagam pelos              são procurados pelos donos do Nordeste para
  pecados de hipócritas que não se aguentam.             votos ou para serem “laranjas” em roubalheiras
  (Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo, 20/03/2008)   das oligarquias.
  Atente para as afirmações abaixo.                       5. De repente, esta tragédia fixa, quase invi-
                                                         sível, se transformou em uma tragédia bruta
  I. Diferentemente do homem moral, o ho-
                                                         e retumbante. Aí, o verdadeiro Brasil apare-
       mem moralizador não se preocupa com os
                                                         ceu diante de nós: abandonado, sem verbas,
       padrões morais de conduta.
                                                         só usadas por interesses políticos do governo.
  II. Pelo fato de impor a si mesmo um rígido pa-        (Arnaldo Jabor)
       drão de conduta, o homem moral acaba por
                                                         a) 2, 1, 3, 5, 4.
       impô-lo à conduta alheia.
                                                         b) 5, 4, 3, 2, 1.
  III. O moralizador, hipocritamente, age como se
       de fato respeitasse os padrões de conduta         c) 2, 1, 4, 3, 5.
       que ele cobra dos outros.                         d) 3, 2, 5, 4, 1.
  Em relação ao texto, é correto o que se afirma          e) 2, 1, 5, 4, 3.
  APENAS em:



                                                                                                      239
Tema 4 - Atividades                                                Leitura e Produção de Textos




                                                     dificuldades dos brasileiros. A boa notícia é
 Questão 10                                          que muitos estão conscientes disso e querem
                                                     melhorar.
                                                     • O site osun.org. Disponível em: <http://www.
 (ESAF, 2006). O Brasil é sócio fundador do FMI
                                                     osun.org/coesao+E+COERENCIA-ppt.html>.
 desde 1944 e o pagamento antecipado da dí-
                                                     Acesso em: 1 set. 2010. Lá você encontra vários
 vida não vai alterar o bom relacionamento
                                                     documentos que abordam o tema coerência
 entre essa instituição e o País. Além das rela-
                                                     textual.
 ções normais previstas no Artigo IV do Esta-
 tuto do Fundo para todos os países-membros,         • Aos filmes: Tempos de matar, Central do Brasil,
 _____________________que deverão ter impacto        Amistad e Amnésia. Todos eles apresentam a
 importante em outros países-membros, nota-          temática sobre coerência argumentativa.
 damente no que concerne ao Projeto Piloto de
 Investimento e à implementação do Manual de
 Contas Públicas. Além disso, o Brasil dará pros-    FINALIZANDO
 seguimento ao diálogo que vem mantendo com          Neste tema, você viu o que é coerência textual e
 o Fundo sobre a conveniência de desenvolver         a importância de organizar seus pensamentos de
 mecanismos que fortaleçam a arquitetura fi-          maneira lógica e coerente para poder passá-los
 nanceira mundial e amenizem os impactos de          para o papel. Um texto coerente é aquele que se-
 choques sobre a conta de capital das economias      gue uma linha lógica do raciocínio, respeitando
 abertas.                                            as normas da língua.
 (Adaptado de Em Questão, n. 387 - Brasília, 26 de
 dezembro de 2005)
 Assinale a opção que completa o texto acima
 com coesão e coerência.                              Anotações
 a) Alguns dos projetos conjuntos.
                                                     ____________________________________________
 b) O Brasil continuará desenvolvendo projetos
                                                     ____________________________________________
     conjuntos.
                                                     ____________________________________________
 c) Determinados projetos conjuntos.
                                                     ____________________________________________
 d) O desenvolvimento de determinados proje-
     tos conjuntos.                                  ____________________________________________
 e) O Brasil e o desenvolvimento conjunto de         ____________________________________________
     projetos.                                       ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
                                                     ____________________________________________
 AMPLIANDO O CONHECIMENTO
                                                     ____________________________________________
 Você quer saber mais sobre esse assunto? Então,     ____________________________________________
 consulte:
                                                     ____________________________________________
 • O livro O prazer do texto, de Roland Barthes,
 editora Perspectiva, 1999. Nele, Barthes aborda     ____________________________________________
 sobre dois efeitos simultâneos: por um lado,        ____________________________________________
 interessa-nos não apenas como obra que nos          ____________________________________________
 fala de literatura, mas como obra que fala          ____________________________________________
 insistentemente de política e de moral; por outro
                                                     ____________________________________________
 tem o mérito de deslocarmos vários campos
 da realidade (a literatura, a política, a moral),   ____________________________________________
 criando espaços de reflexão inteiramente novos       ____________________________________________
 e inesperados.                                      ____________________________________________
 • O artigo Falar e escrever, eis a questão! de      ____________________________________________
 João Gabriel de Lima. Disponível em: <http://
                                                     ____________________________________________
 veja.abril.com.br/071101/p_104.html>. Acesso
 em: 1 set. 2010. Expressar-se em português          ____________________________________________
 com clareza e correção é uma das maiores            ____________________________________________


240
Leitura e Produção de Textos                                              Desafio de Aprendizagem

                                                                                          Autora: Luciene Maria Garbuio



  A atividade prática supervisionada (ATPS) é um método de ensino-aprendizagem desenvolvido por meio de um
  conjunto de atividades programadas e supervisionadas e tem por objetivos:
  •    Favorecer a aprendizagem.
  •    Estimular a corresponsabilidade do aluno pelo aprendizado eficiente e eficaz.
  •    Promover o estudo, a convivência e o trabalho em grupo.
  •    Desenvolver os estudos independentes, sistemáticos e o autoaprendizado.
  •    Oferecer diferenciados ambientes de aprendizagem.
  •    Auxiliar no desenvolvimento das competências requeridas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos
       de Graduação.
  •    Promover a aplicação da teoria e dos conceitos para a solução de problemas relativos à profissão.
  •    Direcionar o estudante para a emancipação intelectual.
  Para atingir esses objetivos, as atividades foram organizadas na forma de um desafio, que será solucionado por
  etapas ao longo do semestre letivo.
  Participar ativamente desse desafio é essencial para o desenvolvimento das competências e habilidades requeridas
  na sua atuação no mercado de trabalho.
  Aproveite esta oportunidade de estudar e aprender com os desafios da vida profissional.




  Competências e Habilidades
  Ao concluir as etapas propostas nesse desafio, você terá desenvolvido as competências e habilidades descritas a
  seguir:
  •    Dominar os conteúdos básicos que são objetos de aprendizagem nos níveis fundamental e médio.
  •    Domínio dos métodos e técnicas pedagógicos que permitem a transmissão do conhecimento para os dife-
       rentes níveis de ensino.
  •    Aplicar modos de ensinar diferentes linguagens - Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geo-
       grafia, Artes, Educação Física, de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento
       humano, particularmente de crianças.
  •    Preparação profissional atualizada, de acordo com a dinâmica do mercado de trabalho.




  Primeiro Desafio
  Todos os dias, as pessoas estão expostas aos diferentes gêneros textuais, ou seja, têm-se uma relação estreita com
  os textos escritos. Acredita-se que, para formar bons leitores e escritores, é essencial propor aos alunos situações
  de leitura e escrita utilizando diversos gêneros.
  Neste desafio, vocês estudarão os gêneros textuais e produzirão um texto dissertativo-argumentativo, a partir da
  proposta elaborada pelos grupos.




                                                                                                               241
Desafio de Aprendizagem                                                      Leitura e Produção de Textos


Autora: Luciene Maria Garbuio




   Etapa 1
   Aula-tema: Estratégias, objetivos, pluralidade e sentidos de leitura
   Esta etapa é importante para que você reflita e compreenda o conceito de leitura de vários teóricos na literatura
   e compare as definições.
   Para realizá-la, é importante seguir os passos descritos.

   PASSOS
   Passo 1 - Este primeiro desafio deverá ser realizado em grupo de no máximo quatro alunos, em todas as etapas.
   Entregue ao professor os nomes dos integrantes do grupo e respectivos RAs.
   Passo 2 - Consulte a literatura básica e complementar indicada no plano de ensino da disciplina Leitura e Produ-
   ção de Textos, apresentada pelo seu professor EAD no primeiro dia de aula. Encontre no PLT da disciplina, capítulo
   1 (KOCK, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e compreender os sentidos do texto. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2008), as
   seguintes informações:
   a)    Concepção de leitura.
   b)    Estratégias de leitura.
   c)    Leitura e a produção de sentidos.
   Outras fontes também deverão ser consultadas, por exemplo:
   http://www.scielo.br/pdf/his/v23n1-2/a05v2312.pdf. Acesso em: 7 de dez. 2009.
   http://www.alemdasletras.org.br/AgenciaNoticias/Site/Categoria1/Not%C3%ADcias/tabid/76/ctl/ArticleView/
   mid/403/articleId/336/default.aspx. Acesso em: 7 de dez. 2009.
   http://www.moderna.com.br/moderna/didaticos/em/artigos/2007/fevereiro 01.htm - Acesso em: 7 de dez. 2009.
   http://www.projetopresente.com.br/formacao/competencia.leitora.pdf. Acesso em: 7 de dez. 2009.
   Passo 3 - Reúna todas as informações e discuta as definições com o grupo. Elabore um texto com as ideias que
   foram consenso do grupo, sobre as questões apontadas no Passo 2 e entregue-o ao seu professor.
   O texto deve ser digitado da seguinte forma: corpo 12, fonte Arial ou Times New Roman e espaço de 1,5 entre
   as linhas, justificado. No topo da página deve constar o logo da sua unidade, o nome da disciplina, o nome do
   professor, os nomes completos dos alunos e RAs e data. Em seguida, coloque o título centralizado, corpo 20, caixa
   alta: LEITURA E OS SENTIDOS DO TEXTO.



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Leitura e Produção de Textos                                            Desafio de Aprendizagem

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  Etapa 2
  Aula-tema: Gêneros textuais e mecanismos de coesão
  Esta etapa é importante para que você saiba quais são os diferentes gêneros textuais e os mecanismos de coesão,
  para auxiliá-lo na produção do texto proposto no Desafio 1.
  Para realizá-la, siga os passos descritos.




  PASSOS
  O contato com diferentes textos de diferentes gêneros pode favorecer a familiaridade com a escrita e leitura. À
  medida que essa familiaridade aumenta, a qualidade dos textos também aumentará. Os gêneros textuais ou gê-
  neros discursivos têm função comunicativa e podem ser identificados a partir de algumas características comuns
  como estrutura do texto, temas abordados e contextos de circulação dos textos. São alguns exemplos de gêneros
  textuais: carta, bilhete, receita, anúncio, história em quadrinhos, conto, entre outros.
  Passo 1 - Você deverá pesquisar, na internet ou em seu Livro-Texto, a definição de gênero textual e os elementos
  que caracterizam um gênero.
  Passo 2 - Agora elabore uma lista, contendo o máximo de gêneros textuais possíveis encontrados.
  Passo 3 - Há vários gêneros em jornais e revistas. Em equipe, vocês deverão analisar o conjunto de textos en-
  contrados em uma revista de grande circulação, como Veja, Época, Isto É, e identificar pelo menos cinco gêneros
  presentes na publicação e suas características:
  http://veja.abril.com.br/. Acesso em: 7 dez. 2009.
  http://www.istoe.com.br/capa. Acesso em: 7 dez. 2009.
  http://revistaepoca.globo.com/. Acesso em: 7 dez. 2009.
  http://bravonline.abril.com.br/. Acesso em: 7 dez. 2009.
  http://revistatpm.uol.com.br/. Acesso em: 7 dez. 2009.
  http://vidasimples.abril.com.br/. Acesso em: 7 dez. 2009.
  Passo 4 - Vocês deverão escrever um texto e apresentar o resultado da pesquisa ao seu professor; o texto deve ser
  formatado conforme indicação na Etapa 1. O título do texto deverá ser: GÊNEROS TEXTUAIS OU DISCURSIVOS
  PRESENTES NA REVISTA X (nome da revista) e o texto deverá ter a seguinte sequência:



                                                                                                             243
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Autora: Luciene Maria Garbuio



   1.    Nome da revista.
         Texto 1 (colocar o texto).
         Análise do texto (identificação do gênero e suas características).
   2.    Texto 2 (colocar o texto).
         Análise do texto (identificação do gênero e suas características).
   Seguir essa sequência até o Texto 5.
   O número de gêneros a ser encontrado na revista poderá sofrer modificação, a critério do professor. A apresenta-
   ção do resultado da análise também pode variar. Como sugestão, os grupos podem agrupar vários exemplos de
   gêneros encontrados na revista e montar um painel, com o mesmo título sugerido anteriormente.




   Etapa 3
   Aula-tema: Tipologia: textos argumentativos
   Esta etapa é importante para que você conheça ou se lembre quais são os tipos de textos. Este estudo auxiliará na
   produção do texto proposto no Desafio 1.
   Para realizá-la, siga os passos descritos.

   PASSOS
   Passo 1 - Pesquise, na internet ou em livros, uma lista contendo o máximo de elementos coesivos ou mecanismos
   de coesão possíveis (organizados em grupos) e apresente, pelo menos, dois exemplos de cada. Entregue a lista
   ao seu professor.
   Vocês podem pesquisar sobre o tema nas seguintes referências:
   http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/coesao. Acesso em: 7 dez. 2009.
   http://www.slideshare.net/Profa.LucileneFonseca/a-coerncia-e-. Acesso em: 7 dez. 2009.
   http://www.pucrs.br/gpt/coesao.php. Acesso em: 7 dez. 2009.
   KOCH, Ingedore Villaça. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 2008.
   Passo 2 - Agora, o grupo deverá pesquisar sobre as características dos tipos de textos, na internet (descritivo,
   narrativo e dissertativo-argumentativo) ou Livro-Texto, e instruções para a produção de cada texto constando a
   estrutura de cada um.
   Algumas sugestões para consulta:
   http://www.proteoria.org/omar/metodologia/estrutura_do_texto_argumentativo.rtf. Acesso em: 7 dez. 2009.
   http://www.docstoc.com/docs/6432723/Texto-argumentativo. Acesso em: 7 dez. 2009.
   http://www.slideshare.net/efaesan/texto-argumentativo-1580989. Acesso em: 7 dez. 2009.
   ABAURRE, Maria Luiza M.; ABAURRE, Maria Bernadete M. Produção de texto:
   interlocução e gêneros. São Paulo: Moderna, 2007.
   Passo 3 - Cada grupo deverá elaborar uma proposta de produção de um texto dissertativo-argumentativo que
   deverá constar:
   1.    Pesquisa e análise de dados:
         - Introdução (contextualização do tema).
         - Título do texto.
         - Seleção de textos variados (coletânea) sobre o tema.


 244
Leitura e Produção de Textos                                             Desafio de Aprendizagem

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  2.   Elaboração do texto (Indicar estas questões, a fim de facilitar a produção escrita).
       - Análise articulada da questão tematizada.
       - Qual o ponto de vista (tese) que se pretende defender.
       - Esquema do encaminhamento analítico que se pretende desenvolver.
       - Aspecto formal do texto.
       - Criação do título que sintetize o tema abordado e o foco da análise desenvolvida.
  3.   Outras explicações na internet ou em outros livros, como o citado no Passo 2.
  Passo 4 - Entregar a produção escrita, ao seu professor, que são os documentos elaborados nos Passos 1, 2 e 3.
  Passo 5 - Agora vocês deverão trocar as propostas de produção de texto com os outros grupos.
  Passo 6 - Cada integrante do grupo deverá produzir um texto, conforme proposta do outro grupo.
  Passo 7 - Todos os integrantes do grupo devem trocar o texto com um colega e este deverá avaliar o texto (argu-
  mentos claros, coesão e coerência) e propor modificações para tornar o texto mais articulado.
  Passo 8 - Após a análise do colega, releia seu texto e analise os aspectos que podem ser melhorados. Reescreva
  o seu texto fazendo as alterações necessárias e entregue as duas versões ao seu professor.




  Segundo Desafio
  A reforma ortográfica da Língua Portuguesa está em vigor desde janeiro de 2009 e o período de transição é até
  dezembro de 2012, durante o qual serão válidas as duas normas ortográficas. Oito países lusófonos adotaram
  o novo acordo: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor
  Leste. As mudanças foram elaboradas com a intenção de simplificar a escrita e unificar as regras ortográficas da
  Língua Portuguesa, as quais envolvem, principalmente, o uso do hífen e da acentuação.
  Até o final do 2º bimestre, cada grupo de alunos elaborará e fará a exposição de um painel, onde estejam apre-
  sentadas todas as regras ortográficas, de forma didática e criativa.
  Este desafio é importante para que vocês conheçam, compreendam e divulguem as principais alterações na nova
  ortografia da Língua Portuguesa.




  Etapa 1
  Aula-tema: A nova ortografia
  Esta etapa é importante para que vocês pesquisem e utilizem estratégias para memorizar as principais mudanças
  na nova ortografia da Língua Portuguesa.
  Para realizá-la, siga os passos descritos.

  PASSOS
  Passo 1 - Escolha a sua equipe de trabalho e entregue ao professor os nomes, RAs, nome da disciplina, série,
  nome do professor e data. A equipe deve ser composta de, no máximo, cinco alunos, os mesmos alunos escolhi-
  dos para realizar a etapa anterior, ou não.




                                                                                                                  245
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Autora: Luciene Maria Garbuio



   Passo 2 - Os grupos devem pesquisar as principais características dos países de Língua Portuguesa envolvidos na
   reforma ortográfica. Uma pesquisa nos seguintes sites poderá auxiliá-los.
   http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_dos_Pa%C3%ADses_de_L%C3%ADngua_Portuguesa. Acesso em: 5
   dez. 2009.
   http://joaoxms.sites.uol.com.br/ - acesso em 05 de dezembro de 2009.




   Passo 3 - A busca nos referidos sites deverá ser dividida entre os integrantes do grupo e apresentar ao professor
   as seguintes informações sobre cada país:
   a) Bandeira.
   b) História do país.
   c) Localização (apresentar o mapa do país).
   d) Língua oficial
   e) Clima.
   f) Meio ambiente.
   g) População.
   h) Etnias.
   i) Problemas sociais.
   j) Economia.
   k) Educação.
   l) Cultura.
   m) Literatura.
   Passo 4 - Em grupos, pesquisem em livros, revistas e na internet, informações sobre a reforma ortográfica. Alguns
   links sobre o tema que podem ser acessados:
   http://www.abril.com.br/reforma-ortografica. Acesso em: 5 dez. 2009.
   http://www.reformaortografica.com. Acesso em: 5 dez. 2009.




 246
Leitura e Produção de Textos                                              Desafio de Aprendizagem

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  Passo 5 - Agora o grupo deverá reunir as informações pesquisadas da seguinte forma:
  1)   Organizar o conteúdo da pesquisa em painéis, de forma bastante criativa (estima-se, no máximo, o tamanho
       de seis cartolinas), os quais poderão ser expostos nos corredores/biblioteca de sua unidade. Para esta orga-
       nização, alguns critérios serão considerados:
       a) Layout - estratégias visuais deverão ser utilizadas para chamar a atenção do leitor.
       b) Didática - estratégias deverão ser utilizadas para facilitar a assimilação do conteúdo de qualquer possível
          leitor e do próprio grupo.
       c) Conteúdo - deverá haver uma seleção e organização criteriosa do conteúdo, pois todas as regras devem
          ser contempladas.
  2)   No painel deverão constar digitados (fonte Arial ou Times Roman, corpo 12) e impresso:
       - Título do trabalho.
       - Nome completo dos componentes do grupo e respectivos RAs.
       - Nome da disciplina.
       - Nome do professor.




  3)   O painel deverá ser entregue e exposto nos corredores da unidade, em data estabelecida pelo professor EAD
       da disciplina, sob a orientação do coordenador do seu curso.




                                                                                                               247
Referências Bibliográficas                                               Leitura e Produção de Textos




AZEVEDO, R. Você diz que sabe muito, borboleta sabe mais. São Paulo: Fundação Cargill, 1999.

BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2004.

BARROS, D. L. P. de; FIORIN, J. L. Dialogismo, polifonia, Intertextualidade. São Paulo: Edusp, 1994.

BERLO, D. K. O processo da comunicação. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

BOPP, R. Cobra Norato e outros poemas. 13. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984.

BRAGA, R. M.; SILVESTRE, M. de F. Construindo o leitor competente: atividades de leitura interativa
para a sala de aula. São Paulo: Petrópolis, 2002.

CANDIDO, A. De cortiço a cortiço. In: MOREIRA, M. E.; SMITH, M. M.; BOCCHESE, J. C. (Orgs.). O discurso
e a cidade. São Paulo / Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2004. p.106-7/128-9 (com adaptações).

FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. São Paulo: Ática, 1991.

FIORIN, J. L.; PLATÃO, F. Lições de texto: leitura e redação. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002.

___________. Para entender o texto: leitura e redação. 17. ed. São Paulo: Ática, 2007.

KLEIMAN, A. Oficina de leitura: teoria e prática. 11. ed. Campinas: Pontes, 2007.

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KOCH, I. V.; BENTES, A. C.; CAVALCANTE, M. M. Intertextualidade: diálogos possíveis. 2. ed. São Paulo:
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MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial,
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NOVAES, C. E. Os mistérios do aquém. 2. ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1976.

PAULINO, G.; WALTY, I.; CURY, M. Z. Intertextualidades: teoria e prática. Belo Horizonte: Lê 1995.

QUINTANA, M. Porta Giratória. São Paulo: Globo, 1988.

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VANOYE, F. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. 11. ed. São Paulo:
Martins Fontes, 1998.

VIANA, A. C. Roteiro de redação, lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1999.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores.
4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.




248

Servico social 4a

  • 1.
    SS eo r c vi ia ç l o CA ada d td eed r i e nv oi s 1
  • 3.
    Universidade Anhanguera -Uniderp Centro de Educação a Distância Caderno de Atividades Serviço Social Coordenação do Curso Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre Autores Ana Lucia Américo Antonio Angela Cristina Dias do Rego Catonio Edilene Xavier Rocha Garcia Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre Helenrose A. da S. Pedroso Coelho Luciano Gamez (org.) Ricardo Leite de Albuquerque Yaeko Ozaki
  • 4.
    Universidade Anhanguera -Uniderp Centro de Educação a Distância Chanceler Diretor-Adjunto Ana Maria Costa de Sousa Luciano Sathler Reitor Coordenação de Qualidade do Material Guilherme Marback Neto Didático Vice-Reitora Luciano Gamez: Coordenador e organizador Heloisa Helena Gianotti Pereira da publicação Pró-Reitores Barbara Monteiro Gomes de Campos Pró-Reitor Administrativo: Antonio Fonseca Bruno Tonhetti Galasse de Carvalho Fernanda Bocchi Balthazar Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Helena Okada Desporto: Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato Lucia Helena Paula do Canto Pró-Reitor de Graduação: Eduardo de Waurie Rolão Oliveira Elias Ilustrações Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação: Ednei Marx Elizabeth Tereza Brunini Sbardelini CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ANHANGUERA PUBLICAÇÕES Diretor-Geral Gerente Editorial José Manuel Moran Adauto Damásio C129 Caderno de atividades: serviço social / Ana Lucia Américo An- tonio... [et. al.].; Organizador Luciano Gamez; Coordenação do curso Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre. – Valinhos : Anhanguera Publicações, 2011. 288 p. ISBN: 978-85-7969-053-2 © 2011 Anhanguera Publicações - Proibida a reprodução final ou 1. Serviço social. I. Antonio, Ana Lucia Américo. II. Gamez, parcial por qualquer meio Luciano. III. Nobre, Elisa Cléia Pinheiro. de impressão, em forma idêntica, resumida ou CDD - 20.ed. : 370.15 modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. Impresso no Brasil 2011
  • 5.
    Nossa Missão, NossosValores Desde sua fundação, em 1994, os fundamentos da “Anhanguera Educacional” têm sido o principal motivo do seu crescimento. Buscando permanentemente a inovação e o aprimoramento acadêmico em todas as ações e programas, é uma Instituição de Educação Superior comprometida com a qualidade do ensino, pesquisa de iniciação científica e extensão, que oferecemos. Ela procura adequar suas iniciativas às necessidades do mercado de trabalho e às exigências do mundo em cons- tante transformação. Esse compromisso com a qualidade é evidenciado pelos intensos e constantes investimentos no corpo docente e de funcionários, na infraestrutura, nas bibliotecas, nos laboratórios, nas metodologias e nos Programas Institu- cionais, tais como: • Programa de Iniciação Científica (PIC), que concede bolsas de estudo aos alunos para o desenvolvimento de pesquisa supervisionada pelos nossos professores. • Programa Institucional de Capacitação Docente (PICD), que concede bolsas de estudos para docentes cursa- rem especialização, mestrado e doutorado. • Programa do Livro-Texto (PLT), que propicia aos alunos a aquisição de livros a preços acessíveis, dos melhores autores nacionais e internacionais, indicados pelos professores. • Serviço de Assistência ao Estudante (SAE), que oferece orientação pessoal, psicopedagógica e financeira aos alunos. • Programas de Extensão Comunitária, que desenvolve ações de responsabilidade social, permitindo aos alunos o pleno exercício da cidadania, beneficiando a comunidade no acesso aos bens educacionais e culturais. A fim de manter esse compromisso com a mais perfeita qualidade, a custos acessíveis, a Anhanguera privilegia o preparo dos alunos para que concretizem seus Projetos de Vida e obtenham sucesso no mercado de trabalho. Adota inovadores e modernos sistemas de gestão nas suas instituições. As unidades localizadas em diversos Es- tados do País preservam a missão e difundem os valores da Anhanguera. Atuando também na Educação a Distância, orgulha-se em oferecer ensino superior de qualidade em todo o Terri- tório Nacional, por meio do trabalho desenvolvido pelo Centro de Educação a Distância da Universidade Anhan- guera - Uniderp, nos diversos polos de apoio presencial espalhados por todo o Brasil. Sua metodologia permite a integração dos professores, tutores e coordenadores habilitados na área pedagógica, com a mesma finalidade: aliar os melhores recursos tecnológicos e educacionais, devidamente revisados, atualizados e com conteúdo cada vez mais amplo para o desenvolvimento pessoal e profissional de nossos alunos. A todos, bons estudos! Prof. Antonio Carbonari Netto Presidente - Anhanguera Educacional
  • 7.
    Sobre o Cadernode Atividades Caro(a) Aluno(a), Você está recebendo o Caderno de Atividades, preparado pelos professores do Curso de Graduação em que você está matriculado, com o objetivo de contribuir para a sua aprendizagem. Ele aprofunda os conteúdos disponíveis nas publicações que fazem parte do Programa do Livro-Texto (PLT), trazendo orientações de estudo, destaques, propostas de atividades individuais e em grupo e desafios de aprendizagem a serem realizados. As questões propostas foram elaboradas pelos docentes ou adaptadas de provas públicas já realizadas, inclusi- ve do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), que tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação a conhecimentos, habilidades e competências, necessários ao seu futuro desempenho profissional. Essa inclusão de perguntas, selecionadas a partir de avaliações ocorridas fora do âmbito universitário, colabora na sua preparação para o enfrentamento de situações mais contextualizadas. Você também vai encontrar caminhos para vincular os textos e questões com as teleaulas do seu curso. Isso permite planejar com antecedência seu tempo e dedicação, estudar os temas previamente e se preparar para aproveitar ao máximo a interação com a equipe docente. Desejamos que você tenha um ótimo semestre letivo. José Manuel Moran e Luciano Sathler Diretoria do Centro de Educação a Distância Universidade Anhanguera - UNIDERP
  • 8.
    Autores Ana Lúcia Américo Antonio Graduação: Serviço Social - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 1999. Especialização: Trabalho Social com Famílias - Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP) - 2001. Angela Cristina Dias do Rego Catonio Graduação: Letras - Português/Inglês - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 1996. Especialização: Comunicação Social - Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) - 1999. Mestrado: Comunicação Social - Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) - 2000. Edilene Xavier Rocha Garcia Graduação: Serviço Social - Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT) - 1988. Especialização: Gestão de Políticas Sociais - Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP) - 2003. Mestrado: Desenvolvimento Local - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 2007. Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre Graduação: Serviço Social - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 1992. Especialização: Políticas Sociais - Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP) - 2003. Mestrado: Educação - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - 2007. Helenrose Aparecida da Silva Pedroso Coelho Graduação: Ciências Sociais - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - 1982. Direito - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 1992. Psicologia - Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal (UNIDERP) - 2004. Especialização: Gestão Judiciária Estratégica - Centro Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso (CEFET-MT) - 2007. Mestrado: Psicologia Social - Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) - 2007. Luciano Gamez - Organizador da publicação Graduação: Psicologia - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação - Universidade de Lisboa (FPCE-UL) - 1992. Mestrado: Engenharia Humana - Universidade do Minho (UMINHO) - 1998. Doutorado: Engenharia de Produção - Área de concentração: Ergonomia - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - 2004. Ricardo Leite de Albuquerque Graduação: Licenciatura em Educação Física e Técnica de desporto - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - 1976. Especialização: Aperfeiçoamento em Informática Aplicada à Educação - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - 1987. Mestrado: Educação - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - 1999. Yaeko Ozaki Graduação: Psicologia - Universidade São Francisco (USF) - 1992. Especialização: Administração de Recursos Humanos - Universidade São Judas Tadeu (USJT) - 1993. Mestrado: Clínica Médica - Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNI-CAMP) - 2008.
  • 9.
    Sumário Família e Sociedade Tema 1 - Mudanças Estruturais, Política Social e Papel da Família ............................... 15 Tema 2 - Novas Propostas e Dinâmica da Família ........................................................ 22 Tema 3 - Transformações Econômicas e Sociais no Brasil dos Anos 1990 e seu Impacto no Âmbito da Família ............................................................ 28 Tema 4 - A Família, a Criança e o Adolescente ........................................................... 34 Tema 5 - Família - e as Situações Vivenciadas por seus Membros ................................ 41 Tema 6 - Família e Trabalho........................................................................................ 48 Tema 7 - Programas de Atendimento à Família........................................................... 55 Tema 8 - O Assistente Social e o Trabalho com Famílias .............................................. 61 Serviço Social na Contemporaneidade Tema 1 - Preleções sobre a Gênese do Serviço Social .................................................. 79 Tema 2 - A Especificidade do Serviço Social ................................................................ 86 Tema 3 - O Serviço Social e as Políticas Sociais ........................................................... 93 Tema 4 - A Natureza Subalterna do Serviço Social .................................................... 100 Tema 5 - O Objeto do Serviço Social ........................................................................ 107 Tema 6 - Particularidades do Serviço Social .............................................................. 114 Tema 7 - Teoria e Prática no Serviço Social ............................................................... 120 Tema 8 - Demandas Profissionais do Serviço Social ................................................... 126
  • 10.
    Tecnologias da Informaçãoe da Comunicação Tema 1 - A Relação entre a Tecnologia e a Comunicação ......................................... 142 Tema 2 - O Fenômeno Técnico e suas Particularidades no Âmbito da Comunicação e da Cultura Contemporânea .................................................................... 148 Tema 3 - A Tecnologia da Informação e a Utilização de suas Ferramentas Computacionais no Apoio à Atuação Profissional do Assistente Social ....... 155 Tema 4 - Mídia e Questão Social: o Direito à Informação como Direito Humano ....... 162 Tema 5 - A Indústria Cultural e seus Produtos Midiáticos .......................................... 169 Tema 6 - Configurações Midiáticas da Globalização: Hegemonia e Monopólios ....... 176 Tema 7 - A Blogosfera e as Alternativas à Comunicação Hegemônica ...................... 182 Tema 8 - O Assistente Social na Era das Comunicações ............................................ 189 Leitura e Produção de Textos Tema 1 - Leitura, Texto e Sentido ............................................................................. 204 Tema 2 - Texto e Contexto ....................................................................................... 212 Tema 3 - Texto e Intertextualidade ........................................................................... 221 Tema 4 - Coerência Textual: um Princípio de Interpretabilidade ................................ 231 Desenvolvimento Pessoal e Profissional Tema 1 - Você no Mundo ........................................................................................ 253 Tema 2 - Você com os Outros .................................................................................. 259 Tema 3 - Você e a Empregabilidade.......................................................................... 267 Tema 4 - Você Conquistando Oportunidades ........................................................... 275
  • 11.
    Leitura e Produção deTextos Autora: Angela Cristina Dias do Rego Catonio
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    Leitura e Produçãode Textos Orientações de estudo Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro “Ler e compreender: os sentidos do texto”, das autoras Ingedore V. Koch e Vanda Maria Elias, da Editora Contexto, PLT 225. Ele é composto de quatro temas: Tema 1 Leitura, Texto e Sentido Aborda os conteúdos situados no capítulo I, pp. 9-37. Nele, você perceberá que a leitura é re- sultado da construção de sentidos entre vários fatores que compõem um texto, os objetivos da leitura e conheci- mentos do leitor. Isso porque somos resultado de nossas experiências em sociedade. Com isso, você entenderá que a leitura e a compreensão do que se lê implica sempre uma participação mútua de quem escreve e de quem lê. Assim, toda vez que se lê qualquer texto, devem-se observar as circunstâncias em que foi escrito e as circunstâncias em que foi lido para que ele adquira um sentido, fruto das experiências do leitor. Tema 2 Texto e Contexto Aborda os conteúdos situados no capítulo III, pp. 57-73. Nele, conceituam-se as concepções de contexto que derivam dos conhecimentos de mundo adquiridos pelo leitor, a partir de suas experiências de vida. O contexto é a inter-relação de circunstâncias que acompanham um fato ou uma situação. Ele se constitui de dados comuns ao emissor e ao receptor, composto pelos saberes dos interlocutores, isto é, a junção de elementos linguísticos e sociais e a troca de dados em comum entre o emissor e o receptor, envolvendo os elementos do ambiente que favorecem seu entendimento e significado. Tema 3 Texto e Intertextualidade Aborda os conteúdos situados no capítulo IV, pp. 75 -100. Nele, você poderá entender que intertextualidade é o diálogo entre diferentes textos. Significa inter-relacionar, diretamente ou não, assuntos afins, em que os conheci- mentos são reunidos e voltados para a análise e verificação do mesmo objeto de estudo. No conteúdo aqui apresentado, você observará que a intertextualidade envolve o conhecimento de mundo e compreende o processo de produção/recepção de um texto, processo no qual a decodificação pode adquirir múltiplos sentidos. 202
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    Você verá também,neste tema, como a intertextualidade se constitui e como ela pode ajudar na construção de sentidos. Tema 4 Coerência Textual: um Princípio de Interpretabilidade Aborda os conteúdos situados no capítulo IV, pp. 183-214. Nele, você entenderá que em um bom texto as partes devem-se ligar, formando uma harmonia interna, uma unidade; cada parte depende das outras com que se rela- cionam. As ideias contidas no texto devem formar um conjunto uno, coeso e coerente. Tendo em vista os elementos que fazem a coerência de um texto, destaca-se que o raciocínio deve ter um direcio- namento claro e único. Em outras palavras, um texto deve ter unidade, ou seja, criar relações entre os elementos e informações nele contidas. Você verá, neste capítulo também, os diversos tipos de coerência que determinam a elaboração de um bom texto. ATENÇÃO! As respostas para as atividades deste caderno estão disponíveis no ambiente virtual do curso. Consulte seu tutor presencial para mais informações. 203
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    Tema 1 Leitura,Texto e Sentido Objetivos de aprendizagem • Identificar as concepções de leitura. • Compreender a importância da leitura como uma forma de interação social. • Perceber as diversas possibilidades de leitura. Para início de conversa Aqui você terá uma visão ampla sobre o processo da lei- tura e sobre como ele se constrói. Perceberá que a leitu- ra implica sempre em uma interação entre quem produz o texto e quem o lê. Você terá a oportunidade de perceber que a leitura é carre- gada de significados pessoais e recebe influência das expe- riências de vida do leitor. Por dentro do tema As concepções de leitura variam conforme a visão de sujeito, de língua, de texto e de sentido. A concepção do foco no autor é aquela em que o texto é resultado da sua re- presentação mental. Cabe ao leitor “captar” os sentidos do que o autor pretende informar, isto é, o leitor tem função passiva, porque o sentido do texto está centrado no autor. A segunda concepção de leitura é aquela com o foco no texto. Leva em conta a estrutura da língua como sistema, código, cabendo, então, ao leitor identificar, reconhecer, decodificar os sentidos expressos no texto. Nesse caso, não se leva em conta o conhecimento do leitor. Conforme as autoras, não há lugar para ele, para sua história de sujeito, para sua história de leituras, para suas experiências de vida. Basta somente ao leitor conhe- cer o código e decodificá-lo. A última concepção é a interação entre autor-texto-leitor em que, diferentemente das concepções anteriores, há uma concepção interacional (dialógica) da língua. Neste foco de concepção, para que haja produção de sentido, devem-se levar em conta as experiências e conhe- cimentos do leitor, os conhecimentos construídos socialmente. É a interação “texto-sujeitos”. A linguagem é expressa em diversas formas do uso de uma língua, podendo variar em sua forma de manifestação. Lev Vygotsky foi o pioneiro nos estudos que relacionam a linguagem, não somente como aquisição de habilidades cognitivas de características congênitas, mas como resultado das experiências adquiridas ao longo da vida social do indivíduo. Segundo ele, o conhecimento é adquirido socialmente, no âmbito das relações humanas. 204
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    A teoria deVygotsky (1991) tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio- histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. Para ele (VYGOTSKY, 1991), a linguagem possui duas finalidades: a de intercâmbio social e a de pensamento ge- neralizante. A primeira serve para a comunicação entre os indivíduos. A segunda é a ordenação do real, processo de inter-relações que desenvolve a consciência e a percepção de determinado objeto/situação, posteriormente transmitido para outros conceitos e outras áreas do pensamento. Vale observar que a língua foi o principal código desenvolvido pelo homem para expressar suas necessidades e uma tentativa, muitas vezes vitoriosa, de modificação da sociedade. A leitura para o ser humano vai muito além da simples decodificação dos símbolos. Pode ser interpretada de ma- neiras diferentes, baseada nas experiências sensoriais, representações e lembranças do leitor. Em termos de produção e recepção, a leitura é o veículo da interação entre o emissor e o receptor. Dessa forma é que se estabelecem os laços de inter-relação entre os sujeitos e serve, também, de instrumento de inserção social. Logo, na leitura de um texto, deve-se ter em mente os conhecimentos adquiridos pelo leitor ao longo de sua vida. São as experiências individuais que determinam as diferentes formas de leitura e de sentidos compreendidos no texto, uma vez que os fatores que envolvem o entendimento de um texto dependem do conhecimento linguístico, dos esquemas cognitivos, da bagagem cultural e das circunstâncias em que o texto foi produzido e lido: contextos de produção e de uso. Com relação aos fatores de compreensão da leitura, é importante salientar que, se todo texto apresenta elemen- tos de informação necessários para o seu entendimento, por outro lado também sempre há elementos implícitos que necessitam ser inferidos pelos leitores. Em outras palavras, podemos afirmar que os conhecimentos ativados na leitura são fruto da bagagem pessoal de cada leitor, armazenados em sua memória de forma a construir o sentido do texto. Anotações _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ 205
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    Tema 1 -Atividades Leitura e Produção de Textos Atividades ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ INSTRUÇÕES ____________________________________________ A seguir, você encontrará algumas questões ____________________________________________ para que verifique o seu entendimento sobre o ____________________________________________ tema apresentado. A ideia é que você constate, como a sua história de vida interfere, orienta e ____________________________________________ propicia a interação com os textos. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Ponto de partida ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Por que um mesmo texto suscita várias interpre- tações? Você já parou para pensar sobre isso? ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Questão 2 ____________________________________________ ____________________________________________ Individual e sem consulta. ____________________________________________ O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, ____________________________________________ retrata a dura vida do homem sertanejo em ____________________________________________ condições subumanas. Mostra aspectos da de- sigualdade social, da seca, da fome e da miséria ____________________________________________ humana, em que o homem se assemelha a um ____________________________________________ animal irracional buscando sua própria sobrevi- ____________________________________________ vência. Leia o fragmento a seguir e responda à questão que o segue. Agora é com você! Responda às questões a FABIANO seguir para conferir o que aprendeu. Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele Estado, com a família morren- do de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara Questão 1 conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à cama rinha escura, pare- Individual e sem consulta. ciam ratos - e a lembrança dos sofrimentos pas- sados esmorecera. Angela Kleiman (2007, p. 10) afirma que a leitu- ra “[...] é uma prática social que remete a outros Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a textos e outras leituras. Em outras palavras, ao faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. Tirou lermos um texto, qualquer texto, colocamos em do aió um pedaço de fumo, picou-o, fez um ci- ação todo o nosso sistema de valores, crenças e garro com palha de milho, acendeu-o ao binga, atitudes que refletem o grupo social em que se pôs-se a fumar regalado. deu nossa sociabilização primária, isto é, o gru- – Fabiano, você é um homem, exclamou em voz po social em que fomos criados”. alta. Com base nessa afirmação, como os sistemas de Conteve-se, notou que os meninos estavam per- valores pessoais se refletem na leitura? Sua res- to, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar posta deve ficar entre 10 e 15 linhas. só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas 206
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 1 - Atividades dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos ____________________________________________ azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vi- ____________________________________________ via em terra alheia, cuidava de animais alheios, ____________________________________________ descobria-se, encolhia-se na presença dos bran- cos e julgava-se cabra. ____________________________________________ Olhou em torno, com receio de que, fora os me- ____________________________________________ ninos, alguém tivesse percebido a frase impru- ____________________________________________ dente. Corrigiu-a, murmurando: ____________________________________________ – Você é um bicho, Fabiano. ____________________________________________ Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, ____________________________________________ um bicho, capaz de vencer dificuldades. Chegara naquela situação medonha - e ali esta- va forte, até gordo, fumando o seu cigarro de palha.” Questão 4 Comente as duas colocações do autor: “Fabia- no, você é um homem, exclamou em voz alta” e Em grupo e sem consulta. “Você é um bicho, Fabiano”. Segundo Paulo Freire, a leitura de mundo pre- ____________________________________________ cede à leitura da palavra. Discuta com seus cole- ____________________________________________ gas essa afirmação e depois escreva o resultado ____________________________________________ dessa reflexão. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Questão 3 ____________________________________________ Individual e com consulta. Para realizar esta atividade, você deverá consul- Questão 5 tar a internet. Acesse o site da Turma da Mônica e cumpra os seguintes passos: Em grupo e com consulta. a. Acesse o site <http://www.monica.com.br/ Leia o texto a seguir, discuta com seus colegas index.htm>. de grupo e responda o que se pede. b. Na parte superior da página “clique” em O LEITOR IDEAL “Quadrinhos”. Mário Quintana c. Aberta a página, “clique” em “Histórias es- O leitor ideal para o cronista seria aquele a peciais”. quem bastasse uma frase. d. Aparecerão vários gibis com temas especiais. Uma frase? Que digo? Uma palavra! “Clique” no gibi “Acessibilidade”. O cronista escolheria a palavra do dia: “Árvo- e. Leia toda a história. re”, por exemplo, ou “Menina”. f. Explique: de que forma a HQ constrói, du- Escreveria essa palavra bem no meio da pági- rante a leitura, o sentido de “acessibilida- na, com espaço em branco para todos os lados, de”? como um campo aberto aos devaneios do lei- tor. 207
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    Tema 1 -Atividades Leitura e Produção de Textos Imaginem só uma meninazinha solta no meio da página. Questão 6 Sem mais nada. Até sem nome. (IBGE). Uma diferença de 3.000 quilômetros e Sem cor de vestido nem de olhos. 32 anos de vida separa as margens do abismo Sem se saber para onde ia... entre o Brasil que vive muito, e bem, e o Brasil Que mundo de sugestões e de poesia para o lei- que vive pouco, e mal. Esses números, levanta- tor! dos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta- tística, IBGE, e pela Fundação Joaquim Nabuco, E que cúmulo de arte a crônica! Pois bem sabeis de Pernambuco, se referem a duas cidades si- que arte é sugestão... tuadas em polos opostos do quadro social brasi- E se o leitor nada conseguisse tirar dessa obra- leiro. Num dos extremos está a cidade de Vera- prima, poderia o autor alegar, cavilosamente, nópolis, encravada na Serra Gaúcha. As pessoas que a culpa não era do cronista. que nascem ali têm grandes possibilidades de Mas nem tudo estaria perdido para esse hipoté- viver até os 70 anos de idade. Na outra ponta tico leitor fracassado, porque ele teria sempre fica Juripiranga, uma pequena cidade do sertão à sua disposição, na página, um considerável da Paraíba. Lá, chegar à velhice é privilégio de espaço em branco para tomar seus apontamen- poucos. Segundo o IBGE, quem nasce em Juripi- tos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha... ranga tem a menor esperança de vida do País: Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a apenas 38 anos. palavra “Ventania”. Serve? A estatística revela o tamanho do abismo entre (QUINTANA, 1988) a cidade serrana e a sertaneja. Na cidade gaú- cha, 95% das pessoas são alfabetizadas, todas O texto apresenta uma proposta diferente de usam água tratada e comem, em média, 2.800 escrita e leitura, que é justamente a participa- calorias por dia. Os moradores de Juripiranga ção “ativa” do leitor no processo de construção não têm a mesma sorte. Só a metade deles re- do texto. cebe água tratada, os analfabetos são 40% da Discuta e responda: população e, no item alimentação, o consumo Qual seria o tipo de participação do “leitor médio de calorias por dia não passa de 650. ideal” na construção do texto? Faça a relação O Brasil está no meio do trajeto que liga a dra- entre essa crônica e o tema: Leitura, texto e sen- mática situação de Juripiranga à vida tranquila tido. dos veranenses. A média que aparece nas esta- ____________________________________________ tísticas internacionais dá conta de que o brasi- ____________________________________________ leiro tem uma expectativa de vida de 66 anos. ____________________________________________ Veranópolis, como é comum na Serra Gaúcha, é formada por pequenas propriedades rurais em ____________________________________________ que se planta uva para a fabricação de vinhos. ____________________________________________ Tem um cenário verdejante. Seus moradores - ____________________________________________ na maioria descendentes de imigrantes euro- ____________________________________________ peus - plantam e criam animais para o consumo da família. Na cidade paraibana, é óbvio, a rea- ____________________________________________ lidade é bem diferente. Os sertanejos vivem em ____________________________________________ cenário árido. Juripiranga não tem calçamento ____________________________________________ e o esgoto corre entre as casas, a céu aberto. Não há hospitais. A economia gira em torno Atenção! As questões de 6 a 10 deverão ser res- da cana-de-açúcar. Em época de entressafra, a pondidas individualmente e sem consulta. maioria das pessoas fica sem trabalho. No censo de 1980, os entrevistadores do IBGE perguntaram às mulheres de Juripiranga quan- tos de seus filhos nascidos vivos ainda sobre- viviam. O índice geral de sobreviventes foi de 55%. Na cidade gaúcha, o resultado foi bem di- ferente: a sobrevivência é de 93%. 208
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 1 - Atividades Contrastes como esses são comuns no País. A ultrapassou o número daquelas que viviam no estrada entre o país rico e o miserável está se- campo. No início deste século, em 2000, segun- dimentada por séculos de tradições e culturas do dados do IBGE, mais de 80% da população econômicas diferentes. Cobrir esse fosso custará brasileira já era urbana. muito tempo e trabalho. Considerando essas informações, estabeleça a (Revista Veja - 11/05/94 - pp. 86-87 - com adaptações) relação entre as charges: Analise as afirmações abaixo e assinale V para as que, de acordo com o texto, considerar ver- dadeiras e F para as falsas: ( ) A cidade paraibana não tem sequer a meta- de dos privilégios de que goza a cidade gaú- cha. ( ) O Brasil, como um todo, encontra-se numa posição intermediária entre as duas cidades. ( ) Apesar de afastadas pelas estatísticas, Ve- ranópolis e Juripiranga se unem pelas tradi- ções culturais. ( ) Embora com resultados diferentes, a base da economia das duas cidades é a agricultura. ( ) De seus ancestrais europeus os sertanejos adquiriram as técnicas rurais. PORQUE A sequência correta é: a) V - V - V - F - F. b) V - V - F - F - F. c) V - V - F - V - F. d) F - F - V - F - V. e) F - F - V - V – V. Questão 7 Ainda conforme o texto anterior: “Cobrir esse fosso custará muito tempo e trabalho.” O fosso mencionado no texto diz respeito ao(à): a) Abismo entre as duas realidades. BARALDI, Márcio. Disponível em: <http://www. b) Esgoto que corre a céu aberto. marciobaraldi.com.br/baraldi2/component/joomgallery/ ?func=detail&id=178>. Acesso em: 5 out. 2009. c) Calçamento deficiente das estradas brasilei- ras. Com base nas informações dadas e na relação proposta entre essas charges, é CORRETO afir- d) Falta de trabalho durante a entressafra. mar que: e) Distância geográfica entre os dois polos. a) A primeira charge é falsa e a segunda é ver- dadeira. b) A primeira charge é verdadeira e a segunda Questão 8 é falsa. c) As duas charges são falsas. d) As duas charges são verdadeiras e a segunda (ENADE, 2009). A urbanização no Brasil regis- explica a primeira. trou marco histórico na década de 1970, quan- do o número de pessoas que viviam nas cidades e) As duas charges são verdadeiras, mas a se- gunda não explica a primeira. 209
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    Tema 1 -Atividades Leitura e Produção de Textos c) Programas de formação continuada de pro- Questão 9 fessores, capacitando-os para criar um víncu- lo significativo entre o estudante e o texto. d) Programas de iniciativa pública e privada, (ENADE, 2009). Leia os gráficos: garantindo que os livros migrem das estan- tes para as mãos dos leitores. e) Uso da literatura como estratégia de motiva- ção dos estudantes, contribuindo para uma leitura mais prazerosa. Questão 10 (TJ-PE, 2009). A quebra das tradições transfor- ____________________________________________ mou o comportamento social e trouxe conflitos para o cotidiano. O crescimento da violência nos grandes centros urbanos: a) Está relacionado apenas com o fim dos valo- res conservadores das famílias. b) Demonstra a falta de mais cuidado com o planejamento econômico. c) Acontece apenas nos países pobres da Amé- rica Latina e da África. d) Fortalece somente a repressão policial, sem, contudo haver o êxito esperado. e) Vincula-se, sobretudo, à falta de projetos so- Fonte: Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional - INAF, ciais e políticos responsáveis. 2005. Relacione estes gráficos às seguintes informa- AMPLIANDO O CONHECIMENTO ções: O Ministério da Cultura divulgou, em 2008, que o Você quer saber mais sobre esse assunto? En- Brasil não só produz mais da metade dos livros do tão: Continente Americano, como também tem par- • Leia o livro Vidas secas, de Graciliano Ramos. que gráfico atualizado, excelente nível de pro- Você terá um retrato da vida sofrida do homem dução editorial e grande quantidade de papel. sertanejo e poderá ativar seus conhecimentos Estima-se que 73% dos livros do País estejam nas sobre a cultura brasileira. mãos de 16% da população. • Leia o artigo A importância do ato de ler, de Para melhorar essa situação, é necessário que o Paulo Freire. Disponível em: <http://extralibris. Brasil adote políticas públicas capazes de condu- org/2007/04/a-importancia-do-ato-de-ler>. zir o País à formação de uma sociedade leitora. Acesso em: 20 ago. 2010. Qual das seguintes ações NÃO contribui para a • Acesse o site da Revista Letras - Paraná: UFPR, formação de uma sociedade leitora? onde você encontrará artigos variados sobre a) Desaceleração da distribuição de livros didá- o processo de leitura e escrita. Disponível em: ticos para os estudantes das escolas públicas, <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/letras>. pelo MEC, porque isso enriquece editoras e Acesso em: 20 ago. 2010. livreiros. • Assista ao filme Narradores de Javé. É a b) Exigência de acervo mínimo de livros, impres- história de um povoado que está prestes a ser sos e eletrônicos, com gêneros diversificados inundado por uma represa e a sua única chance para as bibliotecas escolares e comunitárias. de não sumir do mapa é provar que o vilarejo 210
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 1 - Atividades tem algum valor histórico e cultural. É preciso ____________________________________________ fazer um documento escrito para provar sua ____________________________________________ importância. Contudo, ninguém por lá sabe ler ____________________________________________ ou escrever. ____________________________________________ ____________________________________________ FINALIZANDO ____________________________________________ Neste tema, você viu que a leitura é a constru- ____________________________________________ ção de sentidos decorrentes da interação emis- ____________________________________________ sor/receptor. Além disso, você pôde conhecer as ____________________________________________ três concepções de leitura apresentadas pelas ____________________________________________ autoras do PLT, que se manifestam no ato de ler: foco no autor, foco no texto e foco no autor- ____________________________________________ texto-leitor. ____________________________________________ Assim, lembre-se de que a bagagem cultural do ____________________________________________ leitor é fundamental para uma leitura eficaz e ____________________________________________ para melhor entendimento do texto. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Anotações ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ 211
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    Tema 2 Textoe Contexto Objetivos de aprendizagem • Entender que o contexto determina a construção de sentido em um texto. • Conhecer diferentes fatores contextuais. • Identificar o contexto em diferentes textos. • Perceber que o sentido do texto é construído na interação dos sujeitos. Para início de conversa Neste tema, você perceberá o quanto são importantes seus conhecimentos para o entendimento de um texto. É esse conjunto de saberes, linguísticos e sociais, que determinarão a apreensão integral do que é lido, porque o sentido do texto se completa com a interação entre os interlocutores. Por dentro do tema Como você viu anteriormente, a leitura vai muito além da simples identificação dos símbolos. Quando lemos algo, logo damos sentido à informação apresentada con- forme o que trazemos como bagagem de vida. A inter-relação de situações que envolvem o texto forma o seu contexto. É, simul- taneamente, a junção de elementos linguísticos e sociais e da troca de dados em comum entre o emissor e o receptor, envolvendo os elementos do ambiente que favorecem seu entendimento e significado. A leitura e a escrita são resultado de processos sociais e culturais. Ler significa pro- duzir sentido e é um ato interativo entre o autor e o leitor por meio do texto. O leitor constrói significados a partir de conhecimentos adquiridos ao longo de suas experiências de vida. O conhecimento é adquirido socialmente, no âmbito das relações humanas. A leitura tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfati- zando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento. O leitor produz os sentidos conforme os valores e conhecimentos adquiridos em um contexto sócio-histórico-cultural. Logo, podemos definir contexto como a relação entre um texto e as circunstâncias que ele envolve, e conhecimen- tos que acionam sua interpretação. Conforme as autoras, Koch e Elias, devemos sempre considerar o contexto em qualquer ato de leitura. Caso isso não aconteça, corremos os seguintes riscos: 212
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    1. Enunciados ambíguos: tornam a mensagem equívoca, despertando dúvida, incerteza. 2. Os fatores contextuais podem alterar o que se diz: se o contexto não estiver claro levará a interpretações diversas e até contrárias ao que se quer dizer. A capacidade de construir o sentido do texto se faz pela observância de vários aspectos que determinam a com- preensão da leitura. O primeiro deles é o “cotexto”, conhecimento da língua; o segundo, a situação mediata – fatores adjacentes às condições sociopolítico-culturais e, por último, o contexto cognitivo dos interlocutores, os conhecimentos adquiridos pelo indivíduo e que precisam ser ativados no momento da leitura. No contexto cognitivo, destacam-se os seguintes conhecimentos: a. linguístico - uso da língua; b. adquirido - o que aprendemos intelectualmente e da convivência social; c. comunicativo - observância à situação comunica- tiva; d. superestrutural; e. estilístico – diz respeito aos gêneros e tipos textuais; f. intertextual – identificação de outros textos naquele que é lido. Contudo, se não levarmos em conta esses fatores de interpretação em um texto, podemos incorrer em equívocos no entendimento global da leitura. Por isso, vale destacar que: • O entendimento de contexto pode evitar a ambiguidade de uma asserção. • Quando houver uma lacuna no texto, o contexto poderá elucidar o enunciado. • Os fatores que compõem o contexto podem modificar o sentido do texto, conforme alguns elementos de expressão como gestos, expressão facial, entonação da voz, entre outros. • O contexto justifica por levar em consideração fatores externos à língua, por exemplo, a prática social e situação comunicativa. O plano de significação e interpretação de um texto depende também da contextualização da escrita. Distingue- se, aqui, o contexto de produção e o contexto de uso. O primeiro é fruto das experiências de quem escreve so- madas às circunstâncias e intenções de produção. No segundo, o receptor ativa seus conhecimentos e estabelece as relações com o texto. Vale destacar, ainda, que, para o bom entendimento de um texto, os contextos sociocognitivos dos interlocutores devem ser em parte concordantes. Por tudo isso, se tem certeza de que a leitura exerce papel fundamental na formação do sujeito social. A relação entre quem produz o texto com quem o lê deve ser um processo dinâmico, levando-se em consideração as vivên- cias pessoais e o decurso das experiências de vida. Anotações _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ 213
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    Tema 2 -Atividades Leitura e Produção de Textos Atividades Agora é com você! Responda às questões a seguir para conferir o que aprendeu. INSTRUÇÕES Questão 1 Na sequência, você encontrará algumas ques- tões para fixação do conteúdo apresentado. Observe as orientações de resolução de cada Individual e sem consulta. (ENADE 2008). Discur- questão, considerando as indicações com rela- siva. ção ao trabalho individual ou em grupo. Nas DIREITOS HUMANOS EM QUESTÃO questões propostas, será importante perceber “O caráter universalizante dos direitos do quais as relações de contexto que você fará nos homem (...) não é da ordem do saber teórico, textos apresentados. mas do operatório ou prático: eles são invoca- dos para agir, desde o princípio, em qualquer situação dada.” Ponto de partida François JULIEN, filósofo e sociólogo. Leia o trecho da letra da música a seguir, de autoria de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito. Comente quais conhecimentos de contexto se deve ter para entendê-la. COMIDA Bebida é água. Comida é pasto. Você tem sede de que? Você tem fome de que? A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, A gente quer saída para qualquer parte. A gente não quer só comida, A gente quer bebida, diversão, balé. A gente não quer só comida, A gente quer a vida como a vida quer. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Neste ano, em que são comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ____________________________________________ novas perspectivas e concepções incorporam- ____________________________________________ se à agenda pública brasileira. Uma das novas ____________________________________________ perspectivas em foco é a visão mais integrada ____________________________________________ dos direitos econômicos, sociais, civis, políticos. E, mais recentemente, ambientais, ou seja, tra- ____________________________________________ ta-se da integralidade ou indivisibilidade dos di- ____________________________________________ reitos humanos. Dentre as novas concepções de ____________________________________________ direitos, destacam-se: ____________________________________________ 214
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 2 - Atividades • A habitação como moradia digna e não ape- Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isto para nas como necessidade de abrigo e proteção. ele, Plutarco. Mas para o grego comum da épo- • A segurança como bem-estar e não apenas ca deviam ser a delícia e a tábua de salvação das como necessidade de vigilância e punição. conversas. • O trabalho como ação para a vida e não ape- Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem nas como necessidade de emprego e renda. esforço? O lugar-comum é a base da socieda- de, e sua política, a sua filosofia, a segurança Tendo em vista o exposto acima, selecione uma das instituições. Ninguém é levado a sério com das concepções destacadas e esclareça por que ideias originais. ela representa um avanço para o exercício ple- no da cidadania, na perspectiva da integralida- Já não é a primeira vez, por exemplo, que um de dos direitos humanos. figurão qualquer declara em entrevista: Seu texto deve ter entre 8 e 10 linhas. “O Brasil não fugirá ao seu destino histórico”! ____________________________________________ O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a imprensa, é sempre infalível, embora o lei- ____________________________________________ tor semidesperto possa desconfiar que isso não ____________________________________________ quer dizer coisa alguma, pois nada foge mesmo ____________________________________________ ao seu destino histórico, seja um Império que ____________________________________________ desaba ou uma barata esmagada. ____________________________________________ (QUINTANA, 1989) ____________________________________________ Poderíamos comparar o “leitor dorminhoco” ____________________________________________ que Mário Quintana apresenta no texto com aqueles leitores que não se interessam por com- ____________________________________________ preender uma mensagem em seu contexto? Ex- ____________________________________________ plique. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Questão 2 ____________________________________________ ____________________________________________ Individual e sem consulta. ____________________________________________ Leia o fragmento a seguir e responda à questão ____________________________________________ que o segue. ____________________________________________ NÃO DESPERTEMOS O LEITOR ____________________________________________ Os leitores são, por natureza, dorminhocos. ____________________________________________ Gostam de ler dormindo. Autor que os queira ____________________________________________ conservar não deve ministrar-lhes o mínimo sus- ____________________________________________ to. Apenas as eternas frases feitas. ____________________________________________ “A vida é um fardo” – isto, por exemplo, pode- se repetir sempre. E acrescentar impunemente: ____________________________________________ “disse Bias”. Bias não faz mal a ninguém, como ____________________________________________ aliás os outros seis sábios da Grécia, pois todos ____________________________________________ os sete, como há vinte séculos já se queixara ____________________________________________ 215
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    Tema 2 -Atividades Leitura e Produção de Textos Questão 3 Questão 4 Individual e com consulta. Em grupo e sem consulta. Observe as pinturas a seguir, de Pedro Wein- “Se a compreensão emerge da relação texto- gartner (1853-1929), importante pintor brasilei- leitor, quanto mais ele souber do que será lido, ro do século XIX, que se preocupou em retratar mais possibilidade terá de interagir, de criar uma o Brasil de sua época. Qual leitura de contexto rede de relações, de minimizar as dificuldades e seria necessária para compreender sua obra? de construir significados”. (BRAGA, 2002) Discuta com os colegas essa afirmação e anote as conclusões a que chegaram. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Ceifa, Anticoli, 1903. ____________________________________________ ____________________________________________ Questão 5 Em grupo e com consulta. Leia o poema abaixo e responda à questão a se- guir: HERANÇA - Vamos brincar de Brasil? Mas sou eu quem manda Tempora Mutantur, 1889. Quero morar numa casa grande ____________________________________________ Começou desse jeito a nossa história ____________________________________________ ____________________________________________ Negro fez papel de sombra. ____________________________________________ ____________________________________________ E foram chegando soldados e frades ____________________________________________ Trouxeram as leis e os Dez Mandamentos ____________________________________________ Jabuti perguntou: ____________________________________________ “- Ora é só isso?” ____________________________________________ ____________________________________________ Depois vieram as mulheres do próximo ____________________________________________ Vieram imigrantes com alma a retalho Brasil subiu até o 10º andar 216
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 2 - Atividades Litoral riu com os motores Subúrbio confraternizou com a cidade Questão 6 Negro coçou piano e fez música (ENADE, 2009). Leia o gráfico a seguir, em que é Vira-bosta mudou de vida mostrada a evolução do número de trabalhado- Maitacas se instalaram no alto dos galhos res de 10 a 14 anos, em algumas regiões metro- politanas brasileiras, em dado período: No interior do Brasil continua desconfiado A serra morde as carretas Povo puxa bendito pra vir chuva Nas estradas vazias cruzes sem nome marcam casos de morte As vinganças continuam Famílias se entredevoram nas tocaias Há noites de reza e cata-piolho Nas bandas do cemitério Cachorro magro sem dono uiva sozinho De vez em quando Fonte: Adaptado de Folha. Disponível em: <http://www1. folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u85799.shtml>. a mula sem cabeça sobe a serra Acesso em: 2 out. 2009. ver o Brasil como vai Leia a charge: (BOPP, 1984). Quais são os conhecimentos sobre o contexto que o poema “Herança” aborda e que precisa- mos saber para entendê-lo? ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Fonte: Charges. Disponível em: <www.charges.com.br>. Acesso em: 15 set. 2009. As questões de 6 a 10 deverão ser respondidas Há relação entre o que é mostrado no gráfico e individualmente e sem consulta. na charge? 217
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    Tema 2 -Atividades Leitura e Produção de Textos a) Não, pois a faixa etária acima dos 18 anos é aquela responsável pela disseminação da violência urbana nas grandes cidades brasi- leiras. b) Não, pois o crescimento do número de crian- ças e adolescentes que trabalham diminui o risco de sua exposição aos perigos da rua. c) Sim, pois ambos se associam ao mesmo con- texto de problemas socioeconômicos e cul- turais vigentes no País. d) Sim, pois o crescimento do trabalho infantil no Brasil faz crescer o número de crianças envolvidas com o crime organizado. e) Ambos abordam temas diferentes e não é possível se estabelecer relação mesmo que indireta entre eles. Questão 7 (ENADE, 2007). Entre 1508 e 1512, Michelange- lo pintou o teto da Capela Sistina no Vaticano, um marco da civilização ocidental. Revolucioná- ria, a obra chocou os mais conservadores, pela quantidade de corpos nus, possivelmente re- sultado de seus secretos estudos de anatomia, uma vez que, no seu tempo, era necessária a autorização da Igreja para a dissecação de ca- dáveres. Recentemente, perceberam-se algu- mas peças anatômicas camufladas entre as ce- Fonte: BARRETO, Gilson e OLIVEIRA, Marcelo G. de. nas que compõem o teto. Alguns pesquisadores A arte secreta de Michelangelo - Uma lição de anatomia conseguiram identificar uma grande quantida- na Capela Sistina. ARX. de de estruturas internas da anatomia humana, Considerando essa hipótese, uma ampliação in- que teria sido a forma velada de como o artista terpretativa dessa obra-prima de Michelangelo “imortalizou a comunhão da arte com o conhe- expressaria: cimento”. Uma das cenas mais conhecidas é “A criação de Adão”. Para esses pesquisadores ela a) O Criador dando a consciência ao ser huma- representaria o cérebro num corte sagital, como no, manifestada pela função do cérebro. se pode observar nas figuras a seguir: b) A separação entre o bem e o mal, apresenta- da em cada seção do cérebro. c) A evolução do cérebro humano, apoiada na teoria darwinista. d) A esperança no futuro da Humanidade, re- velada pelo conhecimento da mente. e) A diversidade humana, representada pelo cérebro e pela medula. 218
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 2 - Atividades (FCC, 2008). As questões 9 e 10 referem-se ao Questão 8 texto abaixo. FIM DE FEIRA (Eletrobrás). Quando os feirantes já se dispõem a desarmar as barracas, começam a chegar os que querem A MISÉRIA É DE TODOS NÓS pagar pouco pelo que restou nas bancadas, ou Como entender a resistência da miséria no mesmo nada, pelo que ameaça estragar. Che- Brasil, uma chaga social que remonta aos pri- gam com suas sacolas cheias de esperança. Al- mórdios da colonização? No decorrer das últi- guns não perdem tempo e passam a recolher o mas décadas, enquanto a miséria se mantinha que está pelo chão: um mamãozinho amoleci- mais ou menos do mesmo tamanho, todos os do, umas folhas de couve amarelas, a metade indicadores sociais brasileiros melhoraram. Há de um abacaxi que serviu de chamariz para os mais crianças em idade escolar frequentando fregueses compradores. Há uns que se aven- aulas atualmente do que em qualquer outro turam até mesmo nas cercanias da barraca de período da nossa história. As taxas de analfa- pescados, onde pode haver alguma suspeita betismo e mortalidade infantil também são as sardinha oculta entre jornais, ou uma ponta de menores desde que se passou a registrá-las na- cação obviamente desprezada. cionalmente. O Brasil figura entre as dez nações Há feirantes que facilitam o trabalho dessas pes- de economia mais forte do mundo. No campo soas: oferecem-lhes o que, de qualquer modo, diplomático, começa a exercitar seus músculos. eles iriam jogar fora. Mas outros parecem ciu- Vem firmando uma inconteste liderança política mentos do teimoso aproveitamento dos refu- regional na América Latina, ao mesmo tempo gos, e chegam a recolhê-los para não os verem em que atrai a simpatia do Terceiro Mundo por coletados. Agem para salvaguardar não o lucro ter se tornado um forte oponente das injustas possível, mas o princípio mesmo do comércio. políticas de comércio dos países ricos. Apesar de Parecem temer que a fome seja debelada sem todos esses avanços, a miséria resiste. que alguém pague por isso. E não admitem ser Embora em algumas de suas ocorrências, es- acusados de egoístas: somos comerciantes, não pecialmente na zona rural, esteja confinada a assistentes sociais, alegam. bolsões invisíveis aos olhos dos brasileiros mais Finda a feira, esvaziada a rua, chega o caminhão bem posicionados na escala social, a miséria é da limpeza e os funcionários da prefeitura var- onipresente. Nas grandes cidades, com aterro- rem e lavam tudo, entre risos e gritos. O trânsito rizante frequência, ela atravessa o fosso social é liberado, os carros atravancam a rua e, não profundo e se manifesta de forma violenta. A fosse o persistente cheiro de peixe, a ninguém mais assustadora dessas manifestações é a crimi- ocorreria que ali houve uma feira, frequentada nalidade, que, se não tem na pobreza sua única por tão diversas espécies de seres humanos. causa, certamente em razão dela se tornou mais disseminada e cruel. Explicar a resistência da po- (Joel Rubinato, inédito) breza extrema entre milhões de habitantes não é uma empreitada simples. (Revista Veja, ed. 1735) Questão 9 O título dado ao texto se justifica porque: a) A miséria abrange grande parte de nossa Nas frases “parecem ciumentos do teimoso população. aproveitamento dos refugos e não admitem ser b) A miséria é culpa da classe dominante. acusados de egoístas”, o narrador do texto: c) Todos os governantes colaboraram para a a) Mostra-se imparcial diante de atitudes opos- miséria comum. tas dos feirantes. d) A miséria deveria ser preocupação de todos b) Revela uma perspectiva crítica diante da ati- nós. tude de certos feirantes. e) Um mal tão intenso atinge indistintamente c) Demonstra não reconhecer qualquer provei- a todos. to nesse tipo de coleta. 219
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    Tema 2 -Atividades Leitura e Produção de Textos d) Assume-se como um cronista a quem não • O filme Nenhum a menos, que apresenta cabe emitir julgamentos. uma menina que se torna professora e tem a e) Insinua sua indignação contra o lucro exces- missão de não deixar nenhum aluno abandonar sivo dos feirantes. a escola. As aventuras da pequena professora começam quando um dos meninos vai para a cidade grande em busca de emprego e ela vai atrás para buscá-lo. Questão 10 FINALIZANDO Considerando-se o contexto, traduz-se correta- mente o sentido de um segmento do texto em: Em resumo, a leitura se caracteriza pela parti- lha de experiências pessoais entre os indivíduos a) Serviu de chamariz = respondeu ao chama- participantes no ato comunicativo, uma vez que do. as trocas de experiências e conhecimentos entre b) Alguma suspeita sardinha = possivelmente o emissor e o receptor é que fazem a dinâmica uma sardinha. do diálogo. c) Teimoso aproveitamento = persistente utili- zação. d) O princípio mesmo do comércio = preâmbu- lo da operação comercial. Anotações e) Agem para salvaguardar = relutam em admitir. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ AMPLIANDO O CONHECIMENTO ____________________________________________ Você quer saber mais sobre esse assunto? Então, ____________________________________________ consulte: ____________________________________________ • O livro O corpo fala, de Pierre Weil e Ronald ____________________________________________ Tampakow da editora Vozes. Você também ____________________________________________ pode encontrá-lo na internet como e-book para download. ____________________________________________ • O artigo Sociedade, democracia e lingua- ____________________________________________ gem, de Carlos Vogt. Disponível em: <http:// ____________________________________________ www.comciencia.br/reportagens/2005/07/01_ ____________________________________________ impr.shtml>. Acesso em: 20 ago. 2010. ____________________________________________ • O artigo Vygotsky e o papel das intera- ____________________________________________ ções sociais na sala de aula: reconhecer e desvendar o mundo de João Carlos Martins. ____________________________________________ Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp. ____________________________________________ gov.br/pdf/ideias_28_p111-122_c.pdf>. Acesso ____________________________________________ em: 20 ago. 2010. Refletir sobre a importância ____________________________________________ das trocas entre os parceiros como momentos ____________________________________________ significativos no processo ensino-aprendizagem remete, necessariamente, à psicologia sócio- ____________________________________________ histórica como paradigma de nossas reflexões. ____________________________________________ • O filme O baile, que faz um painel histórico ____________________________________________ da França, desde a ocupação nazista até a ____________________________________________ década de 80. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ 220
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    Tema 3 Texto eIntertextualidade Objetivos de aprendizagem • Conhecer o que é intertextualidade. • Entender que textos dialogam entre si. • Compreender os diferentes tipos de intertextualidade. • Identificar a intertextualidade em diferentes textos. Para início de conversa Agora, você aprenderá o que é intertextualidade e como ela se manifesta em textos variados. Além disso, terá a oportu- nidade de analisar textos e identificar como acontece o pro- cesso dialógico entre eles e avaliar se a referência é explícita ou implícita. Por dentro do tema Leia os textos no quadro da página seguinte. Você observará que a música da ban- da Legião Urbana retoma outras duas passagens já escritas anteriormente, uma na Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, outra no soneto de Luís Vaz de Camões. A composição “Monte Castelo” juntou outros conhecimentos e fez o intercâmbio entre os conceitos de amor apresentados pelo apóstolo Paulo e por Camões, ob- jetivando a compreensão da mensagem por meio da relação entre os conteúdos. Dessa forma, realizou uma “intercomunicação” entre os textos desses autores, achando um tema que os liga. Intertextualidade é o diálogo entre diferentes textos. Significa inter-relacionar, dire- tamente ou não, assuntos afins, em que os conhecimentos são reunidos e voltados para a análise e verificação do mesmo objeto de estudo. Ela pode acontecer também em diferentes manifestações artísticas, por exemplo, entre pinturas, esculturas, arquitetura etc. Para as autoras Koch e Elias (PLT), a intertextualidade envolve conhecimento de mundo e compreende o processo de produção/recepção de um texto, processo no qual a decodificação pode adquirir múltiplos sentidos. Conforme as autoras, a intertextualidade pode ser: a. Intertextualidade explícita: quando a fonte aparece claramente no intertexto. b. Intertextualidade implícita: não há a citação expressa da fonte e o interlocutor deve relacionar os conteúdos intertextuais. Devemos lembrar que a interdisciplinaridade não é uma mistura confusa de informações ou textos. Mas, uma forma de transformação e junção de outros vários, a partir de um inicial, de modo que o novo texto retome os sentidos dos outros originários. 221
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    Vale destacar, também,a diferença entre plágio e intertextualidade. Plágio é a apresentação de uma obra como de sua própria autoria, sendo originalmente produzida por outrem, ou seja, a dissimulação da produção intelectual ou artística de outra pessoa. Salienta-se, aqui, que a intertextualidade também pode servir como “voz” de uma época, do momento histórico- político-social de uma sociedade, ao realizar o diálogo com os acontecimentos e situações sociais contemporâ- neas. Quando um texto incorpora elementos de outro, permite que se amplie o horizonte de quem lê. O intercâmbio entre as temáticas no diálogo intertextual aumenta a visão de mundo e privilegia o conhecimento de quem lê, isto porque, no esforço de dar sentido à leitura, busca-se identificar os assuntos nela envolvidos. Por isso, a nossa compreensão de um texto depende do conhecimento de mundo adquirido pela experiência, pela educação, pelo estudo, por nossas leituras. Quanto maior o conhecimento do leitor, melhores possibilidades ele terá de perceber as ligações entre os textos, facilitando, assim, a sua compreensão. MONTE CASTELO Legião Urbana Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria... I Coríntios 13:1 Ainda que eu falasse as É só o amor, é só o amor línguas dos homens e dos anjos, e não Que conhece o que é verdade tivesse amor, seria como o metal que soa O amor é bom, não quer o mal ou como o címbalo que retine. Não sente inveja Ou se envaidece... I Coríntios 13:2 E ainda que tivesse o O amor é o fogo dom de profecia, e conhecesse todos Que arde sem se ver os mistérios e toda a ciência, e ainda É ferida que dói que tivesse toda fé, de maneira tal que E não se sente transportasse os montes, e não tivesse É um contentamento amor, nada seria. Descontente I Coríntios 13:4 O amor é sofredor, é É dor que desatina sem doer... benigno; o amor não é invejoso; o amor Ainda que eu falasse não se vangloria não se ensoberbece... A língua dos homens Apóstolo Paulo E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria... É um não querer Mais que bem querer É solitário andar Por entre a gente É um não contentar-se De contente É cuidar que se ganha Amor é fogo que arde sem se ver; Em se perder... É ferida que dói e não se sente; É um estar-se preso É um contentamento descontente; Por vontade É dor que desatina sem doer; É servir a quem vence O vencedor É um não querer mais que bem querer; É um ter com quem nos mata É solitário andar por entre a gente; A lealdade É nunca contentar-se de contente; Tão contrário a si É cuidar que se ganha em se perder; É o mesmo amor... Estou acordado É querer estar preso por vontade; E todos dormem, todos dormem É servir a quem vence, o vencedor; Todos dormem É ter com quem nos mata lealdade. Agora vejo em parte Mas então veremos face a face Mas como causar pode seu favor É só o amor, é só o amor Nos corações humanos amizade, Que conhece o que é verdade... se tão contrário a si é o mesmo Amor? Ainda que eu falasse A língua dos homens Camões E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria... 222
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 3 - Atividades Atividades Agora é com você! Responda às questões a seguir para conferir o que aprendeu. INSTRUÇÕES Questão 1 Vamos, agora, pôr em prática o conteúdo so- bre intertextualidade. Observe as orientações de resolução de cada questão, considerando as Individual e sem consulta. indicações com relação ao trabalho individual Leia os dois textos a seguir e explique, em no ou em grupo. Lembre-se de que é importante mínimo 10 e no máximo 15 linhas, a relação in- perceber as relações dialógicas entre os textos tertextual entre eles. apresentados. Texto 1: VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA Ponto de partida Manuel Bandeira Vou-me embora pra Pasárgada Vamos criar um conteúdo intertextual? Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Apresentamos uma pintura de Van Gogh intitu- Na cama que escolherei lada “A Sesta” (1889-90). A partir dela, produ- Vou-me embora pra Pasárgada za um texto escrito que poderá ser um poema, Vou-me embora pra Pasárgada uma música, uma argumentação, uma matéria Aqui eu não sou feliz jornalística, um anúncio publicitário etc, utili- Lá a existência é uma aventura zando o diálogo entre a tela e o seu texto. De tal modo inconsequente Lembre-se de que você deve deixar clara a refe- Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente rência à obra de Van Gogh. Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d’água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção A sesta, 1889. Museu d’Orsay. Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade ____________________________________________ Tem prostitutas bonitas ____________________________________________ Para a gente namorar ____________________________________________ E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito ____________________________________________ Quando de noite me der ____________________________________________ Vontade de me matar - Lá sou amigo do rei - ____________________________________________ Terei a mulher que eu quero ____________________________________________ Na cama que escolherei ____________________________________________ Vou-me embora pra Pasárgada. 223
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    Tema 3 -Atividades Leitura e Produção de Textos Texto 2: NÃO VOU PRA PASÁRGADA continuação... Lya Luft Aumenta o isolamento dos homens e mulheres “Achei que em Pasárgada eu correria menos públicos respeitáveis, que mais parecem dinos- risco de me tornar descrente. Eu, que detesto o sauros sobreviventes de um tempo em que seria ceticismo, agora tenho medo de me contagiar” totalmente impensável o que hoje é pão nosso de cada dia. Eu ia embora porque enjoei dessa Eu já estava de malas prontas: ia pra Pasárgada repetição obsessiva de fatos que provocam in- (para quem não se recorda, é o reino feliz inven- sônia no noticioso da noite e náusea no café da tado por Manuel, o Bandeira; para quem não manhã. Ia partir sem endereço, sem telefone, sabe, ele foi um poeta maravilhoso). Queria es- sem e-mail. Levaria comigo pássaros, crianças e capar deste reino das frases infelizes e atitudes esta paisagem diante da minha janela (com ne- grotescas, dos reis feios e nus, das explicações voeiro, porque aí é de uma beleza pungente). cabotinas, da falta de providências e de auto- Levaria família, amigos, livros, música e o ho- ridade, da euforia apoteótica de um lado e da mem amado. Ah, e as minhas velhas crenças de realidade tão diferente de outro. que não somos totalmente omissos ou sem cará- Pasárgada podia ser um bom lugar, onde se ter, portanto este país ainda teria jeito, embora acredita nas instituições e nos líderes, onde vale neste momento eu não tenha muita fé nisso. a pena ser honrado e os malfeitores vão direto Achei que em Pasárgada eu correria menos risco para a cadeia, onde se tomam providências an- de me tornar descrente: eu, que detesto o ceti- tes que tudo desabe. Lá, ao contrário daqui - em cismo e não vivo bem com os pessimistas, agora que a manada se divide entre os ingênuos, os tenho medo de me contagiar. Podia me livrar que sabem das coisas, mas se conformam e os da suspeita de que por trás de tudo isso existe aproveitadores -, autoridade serve para cuidar algo muito sério, gravíssimo, que nós, rebanho do bem do povo, decoro é simplesmente decên- alienado, desconhecemos. Quem sabe até ter- cia, seja em algum cargo, seja na vida cotidiana minasse o romance que venho escrevendo, num de qualquer um. compasso de desânimo que nada tem a ver com Na minha nova pátria eu tentaria não escrever literatura: nasce do meu amor por este país, ao mais sobre o que por estas bandas tem me an- qual dei meus filhos e meus netos para nele cres- gustiado ou ameaça transformar-se num tristís- cerem. simo tédio: sempre os mesmos assuntos? Man- Mas então, entre lideranças que negavam qual- daria só questionamentos sobre o que faz a vida quer problema, fazendo afirmações estapafúr- valer a pena: as coisas humanas, como família, dias e divertindo-se talvez com nossa agonia, educação, transformações, relacionamentos e soprou um vento de lucidez e autoridade - pa- separação, responsabilidades e escolhas, alegria, rece que as coisas se reorganizam. Botar a casa vida e morte, incomunicabilidade e o mistério em ordem ao menos nos aeroportos não podia de tudo - até a dor (mas que seja uma dor de- ter levado tanto tempo, pobres de nós, mas hoje cente). não precisarei ter medo se um de meus filhos Nem problema de transporte eu teria: para Pa- viajar de avião. Amanhã é um enigma (sabe se sárgada se viaja com o coração e o pensamento. lá o que vai acontecer no breve intervalo entre Ainda bem, pois de avião seria loucura e risco. escrever esta coluna e ela ser publicada). Desses meses todos me ficou inesquecível o tra- E assim, na última hora, decidi ficar. Acho que me balhador humilde cochilando numa cadeira de sentiria como quem deserta de um grupo com o aeroporto que, entrevistado sobre toda a confu- qual tem laços muito fortes: meus leitores. Os são, respondeu: “A casa já caiu, o brasileiro tem que me acompanham, os que pensam diferen- de se conformar”. Ninguém faz nada? - pergun- te e até os indignados - às vezes por terem lido tam-se as pessoas, no limite de sua capacidade algo, que nem estava ali. Todos são importantes de espanto. A impressão que estávamos tendo, para mim. Com eles tem sido imensamente esti- nós, comuns mortais, era que resolver proble- mulante partilhar alegrias e preocupações, des- mas e impor ordem importava bem menos do cobertas ou receios. Afinal, somos irmãos, filhos que distribuir ilusões como quem distribui piru- desta mãe, que, com decoro, firmeza e vontade, litos. É para rir ou para chorar? Ora rimos, ora será melhor do que qualquer Pasárgada inven- choramos, esse é o novo jeito brasileiro de ser. tada. Cresce a economia, encolhe a respeitabilidade; pisca uma luzinha de esperança, mas a serieda- Fonte: Veja. Disponível em: <http://veja.abril. de extraviou-se. Poucos andam à sua procura. com.br/040707/ponto_de_vista.shtml>. Acesso continua... em: 30 ago. 2010. 224
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 3 - Atividades ____________________________________________ Sem que veja a Rua 15 ____________________________________________ E o progresso de São Paulo ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Questão 2 Questão 3 Questão 3 Individual e sem consulta. Observe os dois poemas a seguir e crie um ter- Individual e com consulta. ceiro utilizando a intertextualidade: Apresentamos duas músicas da nossa MPB. Leia- Poema 1: as e responda o que se pede. EUROPA, FRANÇA E BAHIA Qual é o tema da intertextualidade presente Carlos Drummond de Andrade nos poemas? Comente sobre ele, fazendo as re- lações com a atualidade. ... Meus olhos brasileiros se fecham saudosos Minha boca procura a “Canção do Exílio”. Composição 1: Composição 2: Como era mesmo a “Canção do Exílio”? QUERELAS DO BRASIL AQUARELA DO BRASIL Eu tão esquecido de minha terra... Ary Barroso Maurício Tapajós e Aldir Blanc Ai terra que tem palmeiras Brasil! O Brazil não conhece o Onde canta o sabiá! Meu Brasil Brasileiro Brasil Meu mulato inzoneiro O Brasil nunca foi ao Brazil Vou cantar-te nos meus Tapir, jabuti Poema 2: versos Iliana, alamanda, alialaúde CANTO DO REGRESSO À PÁTRIA Brasil, samba que dá Piau ururau akiataúde Bamboleio, que faz gingá Piá-carioca porecramecrã Oswald de Andrade O Brasil do meu amor Jobim-akarore jobim-açu Minha terra tem palmares Terra de Nosso Senhor... Uô - uô - uô - uô Abre a cortina do passado Pereê camará tororó olerê Onde gorjeia o mar Tira a mãe preta do cerrado Piriri ratatá karatê olará Os passarinhos daqui Bota o rei congo no O Brazil não merece o congado Brasil Não cantam como os de lá Canta de novo o trovador O Brazil tá matando o A merencória à luz da lua Brasil Minha terra tem mais rosas Toda canção do seu amor Jereba saci caandrades E quase que mais amores Quero ver essa dona cunhãs ariranharanha caminhando Sertões guimarães Minha terra tem mais ouro Pelos salões arrastando bachianas águas Minha terra tem mais terra O seu vestido rendado... Imarionaíma ariraribóia Esse coqueiro que dá côco Na aura das mãos de Oi! Onde amarro minha jobim-açu Ouro terra amor e rosas rede Jerê sarará cururu olerê Nas noites claras de luar Blá-blá-blá bafafá sururu Eu quero tudo de lá Por essas fontes olará Não permita Deus que eu morra murmurantes Do Brasil, SOS ao Brasil Onde eu mato a minha sede Tinhorão urutu sucuri Sem que volte para lá Onde a lua vem brincar Ujobim sabiá bem-te-vi Não permita Deus que eu morra Continua ... Sem que volte pra São Paulo 225
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    Tema 3 -Atividades Leitura e Produção de Textos Continuação ... ____________________________________________ ____________________________________________ AQUARELA DO BRASIL QUERELAS DO BRASIL Ary Barroso Maurício Tapajós e ____________________________________________ Aldir Blanc ____________________________________________ ____________________________________________ Esse Brasil lindo e trigueiro Cabucu Cordovil É o meu Brasil Brasileiro Cachambi ____________________________________________ Terra de samba e pandeiro... Madureira Olaria e Brasil! Bangu ____________________________________________ Terra boa e gostosa Cascadura Água Santa ____________________________________________ Da morena sestrosa Acari De olhar indiferente Ipanema e Nova Iguaçu ____________________________________________ Brasil, samba que dá ____________________________________________ Para o mundo se admirar O Brasil, do meu amor ____________________________________________ Terra de Nosso Senhor... ____________________________________________ Abre a cortina do passado Tira a mãe preta do cerrado ____________________________________________ Bota o rei congo no congado ____________________________________________ Canta de novo o trovador A merencória à luz da lua ____________________________________________ Toda canção do seu amor ____________________________________________ Huuum! Essa dona caminhando Pelos salões arrastando O seu vestido rendado... Esse coqueiro que dá côco Onde amarro minha rede Questão 4 Nas noites claras de luar Por essas fontes murmurantes Em grupo e sem consulta. Onde eu mato a minha sede Os textos a seguir mantêm o diálogo intertex- Onde a lua vem brincar tual. Explique como se dá a intertextualidade Huuum! Esse Brasil lindo e trigueiro entre eles e qual a crítica que o segundo faz à É o meu Brasil Brasileiro sociedade atual. Terra de samba e pandeiro... Poema 1: Brasil! Meu Brasil Brasileiro QUADRILHA Meu mulato inzoneiro Vou cantar-te nos meus Carlos Drummond de Andrade versos João amava Teresa que amava Raimundo Brasil, samba que dá que amava Maria que amava Joaquim que Bamboleio, que faz gingá O Brasil do meu amor amava Lili Terra de Nosso Senhor... que não amava ninguém. Abre a cortina do passado Tira a mãe preta do cerrado João foi para os Estados Unidos, Teresa para Bota o rei congo no congado o convento, Canta de novo o trovador Raimundo morreu de desastre, Maria ficou A merencória à luz da lua Toda canção do seu amor para tia, Quero ver essa dona Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J. caminhando Pelos salões arrastando Pinto Fernandes O seu vestido rendado... que não tinha entrado na história. Esse coqueiro que dá côco Onde amarro minha rede Fonte: Carlos Drummond de Andrade, Disponível em: Nas noites claras de luar <http://carlosdrummonddeandrade.com.br/>. Acesso em: Por essas fontes 30 ago. 2010. murmurantes Onde eu mato a minha sede Aonde a lua vem brincar Esse Brasil lindo e trigueiro É o meu Brasil Brasileiro 226
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 3 - Atividades Poema 2: ____________________________________________ QUADRILHA DA SUJEIRA ____________________________________________ Ricardo Azevedo ____________________________________________ João joga um palitinho de sorvete na ____________________________________________ rua de Teresa que joga uma latinha de ____________________________________________ refrigerante na rua de Raimundo que ____________________________________________ joga um saquinho plástico na rua de ____________________________________________ Joaquim que joga uma garrafinha ____________________________________________ velha na rua de Lili. ____________________________________________ Lili joga um pedacinho de isopor na As questões de 6 a 10 deverão ser respondidas rua de João que joga uma embalagenzinha individualmente e sem consulta. de não sei o quê na rua de Teresa que joga um lencinho de papel na rua de Raimundo que joga uma tampinha de Questão 6 refrigerante na rua de Joaquim que joga um papelzinho de bala na rua de J.Pinto (ENADE, 2008). Fernandes que ainda nem tinha Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrin- entrado na história. do, não os olhos, mas uma infinidade de portas e janelas alinhadas. (...) Sentia-se naquela fermentação sanguínea, (AZEVEDO, 1999) naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham o ____________________________________________ pé na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante sensação de respirar sobre a terra. Da ____________________________________________ porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como ____________________________________________ formigas, fazendo compras. ____________________________________________ Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1989, p. 28-9. ____________________________________________ ____________________________________________ Aliás, o cortiço andava no ar, excitado pela festa, alvoro- ____________________________________________ çado pelo jantar, que eles apressavam para se dirigirem a ____________________________________________ Montsou. Grupos de crianças corriam, homens em mangas de camisa arrastavam chinelos com o gingar dos dias de re- ____________________________________________ pouso. As janelas e as portas, escancaradas por causa do ____________________________________________ tempo quente, deixavam ver a correnteza das salas, trans- bordando em gesticulações e em gritos o formigueiro das famílias. Émile Zola. Germinal. São Paulo: Nova Cultural, Questão 5 1996, p. 136. Aluísio Azevedo certamente se inspirou em L’Assommoir (A Em grupo e com consulta. Taberna), de Émile Zola, para escrever O Cortiço (1890), e por muitos aspectos seu texto é um texto segundo, que to- Cada membro do grupo deverá buscar, em revis- mou de empréstimo não apenas a ideia de descrever a vida tas ou jornais, anúncios que utilizam a intertex- do trabalhador pobre no quadro de um cortiço, mas um tualidade como um recurso de mensagem. bom número de pormenores, mais ou menos importantes. Mas, ao mesmo tempo, Aluísio quis reproduzir e interpre- Discuta com os colegas a presença da intertex- tar a realidade que o cercava e sob esse aspecto elaborou tualidade e qual a intenção do emissor ao usar um texto primeiro. Texto primeiro na medida em que filtra desse recurso textual. Escreva as conclusões a o meio; texto segundo na medida em que vê o meio com que o grupo chegou e depois exponha para lentes de empréstimo. Se pudermos marcar alguns aspectos dessa interação, talvez possamos esclarecer como, em um toda a turma. país subdesenvolvido, a elaboração de um mundo ficcional ____________________________________________ coerente sofre de maneira acentuada o impacto dos textos feitos nos países centrais e, ao mesmo tempo, a solicitação ____________________________________________ imperiosa da realidade natural e social imediata. (CANDI- ____________________________________________ DO, 2004) ____________________________________________ 227
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    Tema 3 -Atividades Leitura e Produção de Textos Assinale a opção em que a relação intertextual a) “Nós somos da Pátria a guarda, entre “O Cortiço” e “Germinal” é interpretada Fiéis soldados, pelos parâmetros críticos apresentados no texto Por ela amados. de Antonio Candido acerca da relação entre a obra de Aluísio Azevedo e a de Émile Zola. Nas cores de nossa farda a) O texto de Aluísio Azevedo é um texto pri- Rebrilha a glória, meiro em relação ao de Zola porque foi es- “Fulge a vitória.” crito anteriormente e influenciou a produ- (Ten. Cel. Alberto Augusto Martins) ção naturalista do escritor francês. b) “Já podeis da Pátria filhos, b) A relação de proximidade entre o texto de Ver contente a mãe gentil; Azevedo e o de Zola evidencia que o diálogo entre os textos desassocia-os da realidade Já raiou a liberdade social em que foram produzidos. No horizonte do Brasil”. c) O texto de Aluísio Azevedo, por suas condi- (Evaristo Ferreira da Veiga) ções de produção, está submetido ao mode- c) “Ouviram do Ipiranga às margens plácidas lo naturalista europeu, ao mesmo tempo em que atende a demandas da realidade nacio- De um povo heróico o brado retumbante, nal. E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, d) “O Cortiço” é um texto segundo em rela- Brilhou no céu da pátria nesse instante”. ção ao texto de Zola porque é, sobretudo, a (Joaquim Osório Duque Estrada) duplicação do modelo literário francês e da d) “Seja um pálio de luz desdobrado realidade social das classes operárias euro- péias. Sob a larga amplidão destes céus e) A presença de elementos do naturalismo Este canto rebel que o passado francês em “O Cortiço” é indicativo da troca Vem remir dos mais torpes labéus! cultural que ocorre no espaço do intertexto, Seja um hino de glória que fale independentemente das realidades locais de De esperanças, de um novo porvir! produção. Com visões de triunfos embale Quem por ele lutando surgir!” (Medeiros e Albuquerque) Questão 7 e) “Os celeiros de farturas, Sob um céu de puro azul, A Independência do Brasil criou novas perspec- Reforjaram em Mato Grosso do Sul tivas para a nação, que se desprendeu da metró- pole portuguesa. As alternativas a seguir con- Uma gente audaz.” têm estrofes de hinos brasileiros. Observe a tela (Jorge Antonio Siufi e Otávio Gonçalves Gomes) do pintor Pedro Américo e assinale a alternativa que faz corretamente a intertextualidade com o tema da pintura: Questão 8 (TJ-RS, 2008). Debruçando-se sobre o estudo do exercício da política, Maquiavel dissecou a anatomia do poder de sua época: dos senhores feudais e da igreja medieval. E, por isso mesmo, por botar o dedo na ferida, foi considerado um autor maldito. Ele se mostra preocupado com o fato de que na política não existem regras fi- xas. Governar, isto é, tomar atitudes políticas, é um trabalho extremamente criativo e, por isso O Grito do Ipiranga - Pedro Américo (1888) mesmo, sem parâmetros anteriores. Assim, essa preocupação do filósofo, por incrível que pare- 228
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 3 - Atividades ça, torna-se um bom instrumento para repen- a) Ó Deus, salve todos nós! sarmos a ética. Hoje, com o fim das garantias b) Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja tradicionais, estamos todos mais ou menos na o Vosso Nome. Venha a nós o Vosso Reino, posição do príncipe de Maquiavel — isto é, em seja feita a vossa vontade assim na terra um mundo de incertezas, dentro do qual temos como no Céu... de inventar nossa melhor posição. c) Que, da obra ousada, é minha a parte feita:/ É mergulhado nesse mundo de incertezas, de O por-fazer é só com Deus. instabilidade social e política, de culto ao indi- E ao imenso e possível oceano /Ensinam es- vidualismo, que construímos nossa identidade, tas Quinas, que aqui vês,/Que o mar com fim nosso modo de agir. será grego ou romano:/O mar sem fim é por- Como seres humanos, nosso fim último é a fe- tuguês. (“Mensagem”, de Fernando Pessoa, licidade. Como indivíduos sociais, precisamos 1934) entender que, por melhores que sejam nossos d) Todos somos filhos de Deus e seu Filho nas- objetivos na vida, os meios para alcançá-los não ceu há 2.000 anos. podem entrar em contradição com a nobreza dos fins. Desse modo, não basta termos fins no- e) Onde estás, Ó Deus,/ que não respondes? / bres, é necessário também que os meios para Em que mares, /Em que ares, /em que astro- alcançá-los sejam adequados a essa nobreza. nave tu te escondes? (BRITO, 1975) Planeta, jul./2006, p. 59 (com adaptações). Considerando que intertextualidade é a reto- mada das ideias de um texto em outro, o texto Questão 10 em questão apresenta intertextualidade entre: a) As ideias de Maquiavel e a discussão sobre Em “Hamlet”, peça teatral escrita por Shakespe- atitudes políticas atuais. are no século XVII, há uma fala do protagonista b) O conceito de poder na igreja e dos senho- Hamlet, príncipe da Dinamarca, que em deter- res feudais. minado momento fala com o fantasma de seu c) Os instrumentos de governo e a busca da fe- pai, assassinado pelo próprio irmão, que lhe diz licidade. o seguinte: “Há muita coisa mais no céu e na terra, Horácio, do que sonha a nossa pobre fi- d) Nobreza de espírito e objetivos de vida. losofia”. e) Filosofia e política. Em 1896, Machado de Assis, um dos mais impor- tantes nomes da literatura brasileira, retomou a mesma frase de Shakespeare em seu conto “A Questão 9 cartomante”: “A voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários: e a mesma fra- se do príncipe de Dinamarca reboava-lhe den- Assinale a alternativa que faz corretamente a tro: ‘Há mais cousas no céu e na terra do que intertextualidade com o seguinte fragmento do sonha a filosofia... ’ poema “Vozes d’África”, de Castro Alves, século Assinale a seguir qual alternativa corresponde XIX. acertadamente à intenção de Shakespeare e de “Deus! ó Deus! onde estás que Machado de Assis em ambas as citações. não respondes? a) Entre o céu e a Terra há muitas camadas da Em que mundo, em que estrela tu atmosfera terrestre que a ciência ainda não t’ escondes desvendou integralmente. Embuçado nos céus? b) Desconhecemos os segredos e mistérios que Há dois mil anos te mandei meu envolvem a criação do Universo. grito, c) Todos nós estamos adquirindo novos conhe- Que embalde desde então corre o cimentos filosóficos necessários para justifi- infinito car os fenômenos sociais. Onde estás, Senhor Deus?” 229
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    Tema 3 -Atividades Leitura e Produção de Textos d) Não conhecemos integralmente todas as verdades da vida e os mistérios que nos ro- Anotações deiam. ____________________________________________ e) O ser humano conquista conhecimentos ____________________________________________ científicos que favorecem o progresso da ____________________________________________ humanidade. ____________________________________________ ____________________________________________ AMPLIANDO O CONHECIMENTO ____________________________________________ Você quer saber mais sobre esse assunto? Então, ____________________________________________ consulte: ____________________________________________ • Um dos romances de Machado de Assis. Em ____________________________________________ todos eles o autor sempre faz várias citações ____________________________________________ e alusões a outros autores e textos. Sugerimos os seguintes títulos: Dom Casmurro, Memórias ____________________________________________ póstumas de Brás Cubas, A mão e a luva e ____________________________________________ Quincas Borba. ____________________________________________ Todos esses títulos você encontra para fazer ____________________________________________ o download. Disponível em: <http://www. ____________________________________________ dominiopublico.gov.br/>. Acesso em: 30 ago. ____________________________________________ 2010. ____________________________________________ • O artigo Intertextualidade, de Maria Christina de Motta Maia. Disponível em: <http:// ____________________________________________ acd.ufrj.br/~pead/tema02/intertextualidade2. ____________________________________________ htm>. Acesso em: 30 ago. 2010. Fala sobre a ____________________________________________ intertextualidade que pressupõe um universo ____________________________________________ cultural muito amplo e complexo, pois implica a identificação / o reconhecimento de remissões ____________________________________________ a obras ou a textos / trechos mais, ou menos ____________________________________________ conhecidos, além de exigir do interlocutor a ____________________________________________ capacidade de interpretar a função daquela ____________________________________________ citação ou alusão em questão. ____________________________________________ • O artigo Intertextualidade: considerações em torno do dialogismo, de Ricardo Zani. ____________________________________________ Disponível em:< http://seer.ufrgs.br/index.php/ ____________________________________________ EmQuestao/article/viewArticle/65> Acesso em: ____________________________________________ 30 ago. 2010. ____________________________________________ • Os filmes: Shrek 1, 2 e 3, Shakespeare ____________________________________________ apaixonado, Deu a louca na Chapeuzinho, 1492 - A Conquista do Paraíso, Crepúsculo. Cada um ____________________________________________ deles faz intertextualidade com outros textos ____________________________________________ fabulosos ou históricos. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ FINALIZANDO ____________________________________________ Ao chegar ao final desse tema, você aprendeu ____________________________________________ que um texto pode ser criado a partir de um ou mais textos. A isso chamamos de intertextuali- ____________________________________________ dade, que é uma forma de fazer alusão e refe- ____________________________________________ rência a ideias contidas em outros materiais. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ 230
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    Tema 4 Coerência Textual:um Princípio de Interpretabilidade Objetivos de aprendizagem • Desenvolver habilidades de uso adequado de escrita. • Identificar os elementos de conexão dentro de um texto. • Organizar acertadamente as ideias no texto. • Perceber as ligações entre as partes de um texto. Para início de conversa Você já parou para pensar o que faz de um texto ser inteligível? É a coerência do texto que o torna claro e compreensível. A coerência é a sequência lógica do raciocínio e das partes que o compõem de forma a dar unidade à leitura e entendi- mento do que se lê. A seguir, você conhecerá alguns elementos que permitem tornar o texto mais coerente, possibilitando, assim, sua me- lhor compreensão. Por dentro do tema Em um bom texto as partes devem estar ligadas com harmonia interna, mantendo uma unidade. Cada parte depende das outras com as quais se relaciona. O raciocí- nio deve ter um direcionamento claro e único. Em outras palavras, um texto deve ter unidade, criando relações entre os elementos e as informações nele contidas. Observe os textos a seguir: O CORVO E A RAPOSA Esopo Um corvo, tendo roubado um pedaço de carne, pousou sobre uma árvore. Uma raposa o viu e, querendo apoderar-se da carne, pôs-se diante dele, elogiando seu tamanho e sua beleza, dizendo que ele, mais que todos os pássaros, merecia ser rei e que isso realmente aconte- ceria se tivesse voz. Querendo mostrar-lhe que também voz ele tinha, o corvo deixou cair a carne e pôs-se a soltar grandes gritos. A raposa precipitou-se e, tendo pegado a carne, disse: “Ó corvo, se tu tivesses também inteligên- cia, nada te faltaria para seres rei de todos os pássaros”. ESOPO. Fábulas completas. São Paulo: Moderna, 1994. 231
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    CIDADEZINHA QUALQUER Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Você entendeu a mensagem que eles passam? Levando-se em conta o raciocínio lógico, pode-se dizer que os textos estão completos? Na fábula de Esopo, percebe-se que faltou entender como a raposa conseguiu pegar o pedaço de carne do corvo. Não sabemos o que levou o pássaro a soltá-lo. Já no poema, a informação está incompleta, não chega a lugar nenhum, fica em aberto, não sabemos o porquê da descrição da “cidadezinha”. Algo faltou nos dois textos, não é? No primeiro faltou uma explicação para contextualizar a conclusão da história e, no segundo, o texto permaneceu em aberto. Observe agora: O CORVO E A RAPOSA Esopo Um corvo, tendo roubado um pedaço de carne, pousou sobre uma árvore. Uma raposa o viu e, querendo apoderar-se da carne, pôs-se diante dele, elogiando seu tamanho e sua beleza, dizendo que ele, mais que todos os pássaros, merecia ser rei e que isso realmente aconteceria se tivesse voz. Querendo mostrar-lhe que também voz ele tinha, o corvo dei- xou cair a carne e pôs-se a soltar grandes gritos. A raposa precipitou-se e, tendo pegado a carne, disse: “Ó corvo, se tu tivesses também inteligência, nada te faltaria para seres rei de todos os pássaros”. ESOPO. Fábulas completas. São Paulo: Moderna, 1994. CIDADEZINHA QUALQUER Carlos Drummond de Andrade Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus. ANDRADE, Carlos Drummond de. José e outros. 8ª ed. São Paulo: Record. 2008. 232
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    Nesta segunda leitura,pode-se observar que havia algo faltando, tanto no primeiro como no segundo texto. A quebra na mensagem faz com que um texto perca sua coesão e coerência e se torne confuso. No caso dos exemplos observados, o primeiro, na fábula, não mostrou a forma com que a raposa convenceu o corvo a soltar o pedaço de carne e, no poema de Drummond, a frase que o fecha é que faz a conclusão da ideia, irônica, diga-se de passagem, sobre a monotonia do lugar. Coerência É a unidade do texto. Um texto coerente é um conjunto harmônico, em que suas partes se inter-relacionam de tal modo que o desenvolvimento de uma ideia depende do desen- volvimento anterior de outra. Veja agora, a seguir, os diversos tipos de coerência apresentados pelas autoras do Livro-Texto: Coerência sintática: é manifestada pelo domínio lexical de cada indivíduo, isto é, o uso de conectivos, pronomes, expressões de ligação entre termos das orações etc. Coerência semântica: refere-se às relações de sentido entre as estruturas (palavras, expressões) de um texto. É o cuidado para não entrar em contradição com as informações apresentadas no texto. Coerência temática: pela qual todos os conteúdos expostos no texto devem ficar explicitados em seu desenvol- vimento. Coerência pragmática: relaciona-se com a adequação do texto à situação comunicativa. Coerência estilística: é a escolha da variedade ou registro de língua adequada à situação comunicativa confor- me cada situação apresentada. Observa-se a melhor forma de interação entre o produtor da mensagem com o receptor. Coerência genérica: está relacionada com o gênero textual de acordo com o propósito a que se destina. A coerência exige que o pensamento se articule período a período, formando o todo. É um olhar para trás e adian- te constantemente. E para isso é necessário, antes de mais nada, a coerência interna da própria frase, depois de frase para frase e, na sequência, de um parágrafo ligando-se a outro de maneira ordenada e lógica, até formar o todo: o texto completo. Dessa forma, a transição de um parágrafo para outro deve visar à continuidade da mensagem. A ideia expressa em um período anterior precisa de seguimento lógico da narrativa, sem que haja mudanças bruscas ou junção desordenada de orações. Por isso, o uso de expressões e conjunções para ligar os períodos é fundamental para o texto coerente. Anotações _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ 233
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    Tema 4 -Atividades Leitura e Produção de Textos Atividades continuação... que se mantém ao longo da sua construção. Caso isso não aconteça, fica enfraquecida, INSTRUÇÕES perdendo o crédito e o interesse do leitor. Para evitar o fracasso do texto, o autor deve Agora que você estudou sobre coerência tex- mantê-lo com uma boa seqüência, permi- tual, que tal avaliar os conhecimentos adqui- tindo ao seu leitor agregar sentimentos à ridos? Observe as orientações de resolução de sua leitura, colocando-o na primeira poltro- cada questão, considerando as indicações com na, bem ligadinho no seu “filme”. Isso é o relação ao trabalho individual ou em grupo. que faz de um texto um bom texto, e de Após a realização dos exercícios, é importante uma história, uma boa história. que você aperfeiçoe suas habilidades de escrita 3. Estipule cinco minutos e, ao fim desse e torne seu texto mais coerente. Por isso, é fun- tempo, cada componente do grupo deve- damental que você analise e avalie suas respos- rá passar o texto ao colega ao seu lado, no tas e seus textos produzidos. sentido horário. Todo aluno deverá obede- cer ao tempo estabelecido (mesmo que te- nha escrito pouco) e, ao sinal do professor, Ponto de partida entregar para o próximo colega a história que tem em mãos, iniciando o trabalho no texto seguinte. Deixe claro que antes de Quer entender o que é coerência na prática? começar a escrever no novo texto, o aluno Então siga as instruções da dinâmica a seguir seguinte deverá ler com atenção o que já e depois, com a participação de toda a turma, foi escrito. faça a reflexão do que foi observado. 4. Quando o texto inicial voltar para o pri- Dinâmica: (Retirada do livro: “Cem aulas sem té- meiro aluno, as produções passam a ser li- dio de Língua Portuguesa”, de Antônio Falcet- das. Após as leituras, os alunos ficam livres ta, Santa Cruz: Instituto Pe. Réus, 2000). para trocarem entre si seus textos. Dinâmica de redação Ao final da atividade, façam as seguintes refle- “Circulando com o texto” xões sobre a dinâmica: o que foi necessário para dar a sequência lógica aos pensamentos, o que Esta é uma atividade para quebrar a mo- foi preciso para unir as ideias expostas, quais notonia das produções individuais, ou seja, elementos de ligação foram usados para unir as aquelas cujo destino inexorável é habitar orações (conjunções, pronomes, conectivos...), gavetas (ou serem lidas pelas traças que lá como foi possível dar sentido à história etc. estão...). Ela também tem por objetivo de- senvolver a criatividade e a leitura atenta e Salienta-se a importância de um texto bem es- crítica. crito, que deve seguir uma linha lógica do pen- samento e fazer as escolhas apropriadas dos 1. Divida a turma em grupos de no máximo elementos a usar. Não basta somente juntar cinco alunos. pensamentos sem se preocupar com a sua estru- 2. Todos têm a mesma proposta inicial para tura e clareza de ideias. Para se escrever bem é a produção de um texto que é: “A preguiça preciso estabelecer relações de sentido entre os é a mãe do progresso; se o homem não ti- termos e partes que compõem a redação. vesse preguiça de caminhar, não teria inven- ____________________________________________ tado a roda.” (Mário Quintana), a ser desen- volvida por cada aluno. O trabalho parece ____________________________________________ não envolver, na sua dinâmica, o grupo. E, ____________________________________________ nesta etapa, não é mesmo esse o objetivo. ____________________________________________ À medida que a atividade se desenvolve, co- ____________________________________________ meçam a aparecer os resultados coletivos. É ____________________________________________ importante frisar que toda história deve ter um fio condutor, uma unidade de sentido ____________________________________________ continua... ____________________________________________ 234
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 4 - Atividades Agora é com você! Responda às questões a – Engano seu - disse ele. - A continuar assim, seguir para conferir o que aprendeu. dentro de cinco anos você terá que mudar de profissão. As questões 1, 2 e 3 se referem ao texto a se- – Por quê? - espantei-me. - Quanto menos gen- guir. te sabendo escrever, mais chance eu tenho de sobreviver. A REGREÇÃO DA REDASSÃO – E você sabe por que essa geração não sabe Semana passada recebi um telefonema de uma escrever? senhora que me deixou surpreso. Pedia encare- cidamente que ensinasse seu filho a escrever. – Sei lá - dei com os ombros -, vai ver que é por- que não pega direito no lápis. – Mas, minha senhora - desculpei-me -, eu não sou professor. – Não senhor. Não sabe escrever porque está perdendo o hábito da leitura. E quando o perder – Eu sei. Por isso mesmo. Os professores não têm completamente, você vai escrever para quem? conseguido muito. Taí um dado novo que eu não havia considera- – A culpa não é deles. A falha é do ensino. do. Imediatamente pensei quais as utilidades – Pode ser, mas gostaria que o senhor ensinasse que teria um jornal no futuro: embrulhar car- o menino. O senhor escreve muito bem. ne? Então, vou trabalhar num açougue. Serviria – Obrigado - agradeci -, mas não acredite muito para fazer barquinhos, para fazer fogueira nas nisso. Não coloco vírgulas e nunca sei onde bo- arquibancadas do Maracanã, para forrar sapato tar os acentos. A senhora precisa ver o trabalho furado ou para quebrar um galho em banhei- que dou ao revisor. ro de estrada? Imaginei-me com uns textos na – Não faz mal - insistiu -, o senhor vem e traz mão, correndo pelas ruas para oferecer às pes- um revisor. soas, assim como quem oferece hoje bilhete de loteria: – Não dá, minha senhora - tornei a me descul- par, eu não tenho o menor jeito com crianças. – Por favor, amigo, leia - disse, puxando um ci- dadão pelo paletó. – E quem falou em crianças? Meu filho tem 17 anos. – Não, obrigado. Não estou interessado. Nos úl- timos cinco anos a única coisa que leio é a bula Comentei o fato com um professor, meu amigo, de remédio. que me respondeu: “Você não deve se assustar, o estudante brasileiro não sabe escrever”. No – E a senhorita não quer ler? - perguntei, acom- dia seguinte, ouvi de outro educador: “O estu- panhando os passos de uma universitária. – A dante brasileiro não sabe escrever”. Depois li no senhorita vai gostar. É um texto muito curioso. jornal as declarações de um diretor da faculda- – O senhor só tem escrito? Então não quero. Por de: “O estudante brasileiro escreve muito mal”. que o senhor não grava o texto? Fica mais fácil Impressionado, saí à procura de outros educa- ouvi-lo no meu gravador. dores. Todos me disseram: acredite, o estudante – E o senhor, não está interessado nuns textos? brasileiro não sabe escrever. Passei a observar – É sobre o quê? Ensina como ganhar dinheiro? e notei que já não se escreve mais como anti- gamente. Ninguém mais faz diário, ninguém – E o senhor, vai? Leva três e paga um. escreve em portas de banheiros, em muros, em – Deixa eu ver o tamanho - pediu ele. paredes. Assustou-se com o tamanho do texto: Não tenho visto nem aquelas inscrições, geral- – O quê? Tudo isso? O senhor está pensando mente acompanhadas de um coração, feitas em que sou vagabundo? Que tenho tempo para ler casca de árvore. Bem, é verdade que não tenho tudo isso? Não dá para resumir tudo em cinco visto nem árvore. linhas? – Quer dizer - disse a um amigo enquanto íamos Não há dúvidas: o estudante brasileiro não sabe pela rua - que o estudante brasileiro não sabe escrever. Não sabe escrever porque não lê. E não escrever? Isto é ótimo para mim. Pelo menos lendo também desaprende a falar [...] diminui a concorrência e me garante emprego por mais dez anos. 235
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    Tema 4 -Atividades Leitura e Produção de Textos [...] Tudo isso me faz pensar que estamos muito mais perto do que se imaginava da Idade da Pe- dra. A prosseguir nessa gravação, ou a regredir Questão 3 nessa progressão, não demora muito, estare- mos todos de tacape na mão reinventando os Em grupo e sem consulta. hieróglifos. Nesse dia, então, a palavra escrever Comente o que o autor quis dizer com: “ex-cre- ganhará uma nova grafia: ex-crever.” ver”. (NOVAES, 1976). ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Questão 1 ____________________________________________ ____________________________________________ Em grupo e sem consulta. ____________________________________________ Explique o título do texto. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Questão 4 ____________________________________________ ____________________________________________ Em grupo e sem consulta. ____________________________________________ (ENADE, 2005). Sobre a implantação de “políti- ____________________________________________ cas afirmativas” relacionadas à adoção de “sis- temas de cotas” por meio de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional, leia os dois textos a seguir. Questão 2 TEXTO I “Representantes do Movimento Negro Socialista Em grupo e sem consulta. entregaram ontem no Congresso um manifesto O pensamento do autor, que estava feliz com a contra a votação dos projetos que propõem o falta de estudantes brasileiros que saibam ler, estabelecimento de cotas para negros em Uni- se tornou muito mais coerente com a realidade versidades Federais e a criação do Estatuto de quando seu amigo chamou sua atenção para o Igualdade Racial. As duas propostas estão pron- que ocorreria com o escritor no futuro. Por que tas para serem votadas na Câmara, mas o movi- o autor estava satisfeito com a ignorância do es- mento quer que os projetos sejam retirados da tudante brasileiro e por que, depois, passou a se pauta. (...) Entre os integrantes do movimento preocupar com essa condição? estava a professora titular de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Yvonne ____________________________________________ Maggie. ‘É preciso fazer o debate. Por isso, ter ____________________________________________ vindo aqui já foi um avanço’, disse.” ____________________________________________ (Folha de S. Paulo – Cotidiano 30 jun. 2006, com ____________________________________________ adaptação.) ____________________________________________ TEXTO II ____________________________________________ “Desde a última quinta-feira, quando um grupo ____________________________________________ de intelectuais entregou ao Congresso Nacio- ____________________________________________ nal um manifesto contrário à adoção de cotas ____________________________________________ raciais no Brasil, a polêmica foi reacesa. (...) O diretor executivo da Educação e Cidadania de ____________________________________________ 236
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 4 - Atividades Afrodescendentes e Carentes (Educafro), frei David Raimundo dos Santos, acredita que hoje o quadro do país é injusto com os negros e de- Questão 5 fende a adoção do sistema de cotas.” Individual e sem consulta. (Agência Estado-Brasil, 03 jul. 2006.) “Falar bem em português é uma habilidade va- Ampliando ainda mais o debate sobre todas es- lorizada entre executivos. Os profissionais que sas políticas afirmativas, há também os que ado- se expressam com clareza ganham a admiração tam a posição de que o critério para cotas nas dos colegas e têm mais chance de progredir na Universidades Públicas não deva ser restritivo, carreira. Por isso, os especialistas em Recursos mas que considere também a condição social Humanos aconselham retomar os estudos da dos candidatos ao ingresso. língua pátria juntamente com as aulas de lín- Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas guas estrangeiras.” “raciais”, identifique, no atual debate social: (Revista Veja, 15 dez. 1999, p. 197) a) Um argumento coerente utilizado por aque- les que o criticam. Escreva um texto argumentativo, de 10 a 15 li- nhas, sobre essa citação. Lembre-se de fazer um ____________________________________________ texto coeso e coerente, observando a temática ____________________________________________ do fragmento. Atente também para que seu ____________________________________________ texto respeite a norma gramatical culta da lín- ____________________________________________ gua portuguesa. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ b) Um argumento coerente utilizado por aque- ____________________________________________ les que o defendem. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ As questões de 6 a 10 deverão ser respondidas ____________________________________________ individualmente e sem consulta. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Questão 6 ____________________________________________ ____________________________________________ (ESAF, 2006). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, realizada pelo IBGE, revelou que a renda das famílias parou de cair em 2004, interrompendo uma trajetória de queda, que acontecia desde 1997, e que houve diminuição do grau de concentração da renda do trabalho. Enquanto a metade da população ocupada, que recebe os menores rendimentos, teve ganho real de 3,2%, a outra metade, que tem rendi- mentos maiores, teve perda de 0,6%. Os resultados da PNAD revelaram, também, que o Brasil melhorou em itens como número de trabalhadores ocupados, participação das mu- 237
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    Tema 4 -Atividades Leitura e Produção de Textos lheres no mercado de trabalho, indicadores da plicar a natureza, fundamentos e condições da área de educação e melhoria das condições de moral, relacionando-a com necessidades sociais vida. humanas.” Teríamos, assim, nessa acepção, o Assinale a opção que NÃO constitui continua- entendimento de que o fenômeno moral pode ção coesa e coerente para esse texto. ser estudado racional e cientificamente por uma disciplina que se propõe a descrever as normas a) Para o secretário de Avaliação e Gestão da morais ou mesmo, com o auxílio de outras ciên- Informação do Ministério do Desenvolvi- cias, ser capaz de explicar valorações comporta- mento Social, o resultado da pesquisa revela mentais. muito mais do que um aumento de renda: “A desigualdade no Brasil não se alterava Um segundo emprego dessa palavra é conside- desde 88. A população mais pobre do Brasil rá-la uma categoria filosófica e mesmo parte está ganhando mais se comparada à popu- da Filosofia, da qual se constituiria em núcleo lação mais rica, ou seja, a riqueza no Brasil especulativo e reflexivo sobre a complexa feno- está se desconcentrando. Essa é a melhor menologia da moral na convivência humana. A notícia. O Brasil está redistribuindo melhor Ética, como parte da Filosofia, teria por obje- a sua riqueza.” to refletir sobre os fundamentos da moral na busca de explicação dos fatos morais. Numa ter- b) Entretanto, as ações na área de educação, ceira acepção, a Ética já não é entendida como saúde e transferência de dinheiro, por exem- objeto descritível de uma Ciência, tampouco plo, foram responsáveis pelo resultado. como fenômeno especulativo. Trata-se agora c) A expectativa é de que, no próximo ano, da conduta esperada pela aplicação de regras a diminuição da miséria no País seja ainda morais no comportamento social, o que se pode maior por causa das ações voltadas para os resumir como qualificação do comportamento indígenas e quilombolas. do homem como ser em situação. É esse cará- d) O assessor especial da Presidência da Repú- ter normativo de Ética que a colocará em íntima blica, José Graziano, avaliou que esses nú- conexão com o Direito. Nessa visão, os valores meros comprovam que o País está mudando. morais dariam o balizamento do agir e a Ética “Esses resultados revertem uma máxima his- seria, assim, a moral em realização pelo reco- tórica no nosso País de que os ricos ficavam nhecimento do outro como ser de direito, es- cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pecialmente de dignidade. Como se vê, a com- pobres.” preensão do fenômeno Ética não mais surgiria e) A PNAD é a mais completa pesquisa anual metodologicamente dos resultados de uma des- sobre as condições de vida da população, crição ou reflexão, mas sim, objetivamente, de mostra um retrato do País e, em 2004, foi um agir, de um comportamento consequencial, estendida para as áreas rurais dos Estados de capaz de tornar possível e correta a convivên- Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e cia. Amapá, alcançando a cobertura completa (Adaptado do site Doutrina Jus Navigandi) do território nacional. Está clara, correta e coerente a redação do se- (Adaptado de “Em Questão”, n. 379, Brasília, 30 de guinte comentário sobre o texto: novembro de 2005) a) Dentre as três acepções de Ética que se men- ciona no texto, uma apenas diz respeito a uma área em que conflui com o Direito. Questão 7 b) O balizamento da conduta humana é uma atividade em que, cada um em seu campo, se empenha, o jurista ou o filósofo. (TRT-Alagoas, 2008). c) Costuma ocorrer muitas vezes não ser fácil SOBRE ÉTICA distinguir Ética ou Moral, haja vista que tan- A palavra Ética é empregada nos meios acadê- to uma quanto outra pretende ajuizar à si- micos em três acepções. Numa, faz referência a tuação do homem. teorias que têm como objeto de estudo o com- d) Ainda que se torne por consenso um valor portamento moral, ou seja, como entende Adol- do comportamento humano, a Ética varia fo Sanchez Vasquez, “a teoria que pretende ex- conforme a perspectiva de atribuição do mesmo. 238
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    Leitura e Produçãode Textos Tema 4 - Atividades e) Os saberes humanos aplicados, do conheci- a) I. mento da Ética, costumam apresentar diver- b) II. gências de enfoques, em que pese a meto- c) III. dologia usada. d) I e II. e) II e III. Questão 8 (FCC, 2008). Questão 9 O HOMEM MORAL E O MORALIZADOR Os seguintes fragmentos constituem parágrafos Depois de um bom século de Psicologia e Psi- de um texto, mas não estão ordenados. Ordene- quiatria dinâmicas, estamos certos disto: o mo- os de forma coerente e coesa e assinale a res- ralizador e o homem moral são figuras diferen- posta correta. tes, se não opostas. O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; o mo- 1. O motorista dizia: “Isso aqui é tudo de Re- ralizador quer impor ferozmente aos outros os nan, isso aqui de Lira, isso aqui de Fulano, padrões que ele não consegue respeitar. Sicrano”. Eu olhava e só via vazios com algumas almas penadas nas estradas. “E isso aqui é do A distinção entre ambos tem alguns corolários MST.” relevantes. Primeiro, o moralizador é um ho- mem moral falido: se soubesse respeitar o pa- 2. Você já viajou pelo interior de Alagoas? Há drão moral que impõe, ele não precisaria punir alguns meses eu fui de carro até uma cidade a suas imperfeições nos outros. Segundo, é possí- apenas uma hora e meia de Maceió. Parecia um vel e compreensível que um homem moral te- deserto vermelho de barro, pontilhado de mise- nha um espírito missionário: ele pode agir para ráveis vilarejos de uma só rua. levar os outros a adotar um padrão parecido 3. Andamos meia hora sem ver casas, nem com o seu. Mas a imposição forçada de um pa- plantações, além de algumas usinas desativadas. drão moral não é nunca o ato de um homem Era o silêncio da miséria, a paz do nada, onde moral, é sempre o ato de um moralizador. Em vagam os vassalos do feudalismo nordestino. geral, as sociedades em que as normas morais Aqueles municípios paralíticos já são catástrofes ganham força de lei (os Estados confessionais, secas, só que silenciosas, paradas no tempo. por exemplo) não são regradas por uma moral 4. Só nos restou a solidariedade, mas como sen- comum, nem pelas aspirações de poucos e es- tir a dor de um pobre homem catando comida colhidos homens exemplares, mas por morali- na lama para dar ao filho chorando no colo? Di- zadores que tentam remir suas próprias falhas zendo o que? “Ai, que horror?” A solidariedade morais pela brutalidade do controle que exer- tinha de vir antes para proteger aqueles brasi- cem sobre os outros. A pior barbárie do mundo leiros raquíticos, famintos, analfabetos, que só é isto: um mundo em que todos pagam pelos são procurados pelos donos do Nordeste para pecados de hipócritas que não se aguentam. votos ou para serem “laranjas” em roubalheiras (Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo, 20/03/2008) das oligarquias. Atente para as afirmações abaixo. 5. De repente, esta tragédia fixa, quase invi- sível, se transformou em uma tragédia bruta I. Diferentemente do homem moral, o ho- e retumbante. Aí, o verdadeiro Brasil apare- mem moralizador não se preocupa com os ceu diante de nós: abandonado, sem verbas, padrões morais de conduta. só usadas por interesses políticos do governo. II. Pelo fato de impor a si mesmo um rígido pa- (Arnaldo Jabor) drão de conduta, o homem moral acaba por a) 2, 1, 3, 5, 4. impô-lo à conduta alheia. b) 5, 4, 3, 2, 1. III. O moralizador, hipocritamente, age como se de fato respeitasse os padrões de conduta c) 2, 1, 4, 3, 5. que ele cobra dos outros. d) 3, 2, 5, 4, 1. Em relação ao texto, é correto o que se afirma e) 2, 1, 5, 4, 3. APENAS em: 239
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    Tema 4 -Atividades Leitura e Produção de Textos dificuldades dos brasileiros. A boa notícia é Questão 10 que muitos estão conscientes disso e querem melhorar. • O site osun.org. Disponível em: <http://www. (ESAF, 2006). O Brasil é sócio fundador do FMI osun.org/coesao+E+COERENCIA-ppt.html>. desde 1944 e o pagamento antecipado da dí- Acesso em: 1 set. 2010. Lá você encontra vários vida não vai alterar o bom relacionamento documentos que abordam o tema coerência entre essa instituição e o País. Além das rela- textual. ções normais previstas no Artigo IV do Esta- tuto do Fundo para todos os países-membros, • Aos filmes: Tempos de matar, Central do Brasil, _____________________que deverão ter impacto Amistad e Amnésia. Todos eles apresentam a importante em outros países-membros, nota- temática sobre coerência argumentativa. damente no que concerne ao Projeto Piloto de Investimento e à implementação do Manual de Contas Públicas. Além disso, o Brasil dará pros- FINALIZANDO seguimento ao diálogo que vem mantendo com Neste tema, você viu o que é coerência textual e o Fundo sobre a conveniência de desenvolver a importância de organizar seus pensamentos de mecanismos que fortaleçam a arquitetura fi- maneira lógica e coerente para poder passá-los nanceira mundial e amenizem os impactos de para o papel. Um texto coerente é aquele que se- choques sobre a conta de capital das economias gue uma linha lógica do raciocínio, respeitando abertas. as normas da língua. (Adaptado de Em Questão, n. 387 - Brasília, 26 de dezembro de 2005) Assinale a opção que completa o texto acima com coesão e coerência. Anotações a) Alguns dos projetos conjuntos. ____________________________________________ b) O Brasil continuará desenvolvendo projetos ____________________________________________ conjuntos. ____________________________________________ c) Determinados projetos conjuntos. ____________________________________________ d) O desenvolvimento de determinados proje- tos conjuntos. ____________________________________________ e) O Brasil e o desenvolvimento conjunto de ____________________________________________ projetos. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ AMPLIANDO O CONHECIMENTO ____________________________________________ Você quer saber mais sobre esse assunto? Então, ____________________________________________ consulte: ____________________________________________ • O livro O prazer do texto, de Roland Barthes, editora Perspectiva, 1999. Nele, Barthes aborda ____________________________________________ sobre dois efeitos simultâneos: por um lado, ____________________________________________ interessa-nos não apenas como obra que nos ____________________________________________ fala de literatura, mas como obra que fala ____________________________________________ insistentemente de política e de moral; por outro ____________________________________________ tem o mérito de deslocarmos vários campos da realidade (a literatura, a política, a moral), ____________________________________________ criando espaços de reflexão inteiramente novos ____________________________________________ e inesperados. ____________________________________________ • O artigo Falar e escrever, eis a questão! de ____________________________________________ João Gabriel de Lima. Disponível em: <http:// ____________________________________________ veja.abril.com.br/071101/p_104.html>. Acesso em: 1 set. 2010. Expressar-se em português ____________________________________________ com clareza e correção é uma das maiores ____________________________________________ 240
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    Leitura e Produçãode Textos Desafio de Aprendizagem Autora: Luciene Maria Garbuio A atividade prática supervisionada (ATPS) é um método de ensino-aprendizagem desenvolvido por meio de um conjunto de atividades programadas e supervisionadas e tem por objetivos: • Favorecer a aprendizagem. • Estimular a corresponsabilidade do aluno pelo aprendizado eficiente e eficaz. • Promover o estudo, a convivência e o trabalho em grupo. • Desenvolver os estudos independentes, sistemáticos e o autoaprendizado. • Oferecer diferenciados ambientes de aprendizagem. • Auxiliar no desenvolvimento das competências requeridas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação. • Promover a aplicação da teoria e dos conceitos para a solução de problemas relativos à profissão. • Direcionar o estudante para a emancipação intelectual. Para atingir esses objetivos, as atividades foram organizadas na forma de um desafio, que será solucionado por etapas ao longo do semestre letivo. Participar ativamente desse desafio é essencial para o desenvolvimento das competências e habilidades requeridas na sua atuação no mercado de trabalho. Aproveite esta oportunidade de estudar e aprender com os desafios da vida profissional. Competências e Habilidades Ao concluir as etapas propostas nesse desafio, você terá desenvolvido as competências e habilidades descritas a seguir: • Dominar os conteúdos básicos que são objetos de aprendizagem nos níveis fundamental e médio. • Domínio dos métodos e técnicas pedagógicos que permitem a transmissão do conhecimento para os dife- rentes níveis de ensino. • Aplicar modos de ensinar diferentes linguagens - Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geo- grafia, Artes, Educação Física, de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano, particularmente de crianças. • Preparação profissional atualizada, de acordo com a dinâmica do mercado de trabalho. Primeiro Desafio Todos os dias, as pessoas estão expostas aos diferentes gêneros textuais, ou seja, têm-se uma relação estreita com os textos escritos. Acredita-se que, para formar bons leitores e escritores, é essencial propor aos alunos situações de leitura e escrita utilizando diversos gêneros. Neste desafio, vocês estudarão os gêneros textuais e produzirão um texto dissertativo-argumentativo, a partir da proposta elaborada pelos grupos. 241
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    Desafio de Aprendizagem Leitura e Produção de Textos Autora: Luciene Maria Garbuio Etapa 1 Aula-tema: Estratégias, objetivos, pluralidade e sentidos de leitura Esta etapa é importante para que você reflita e compreenda o conceito de leitura de vários teóricos na literatura e compare as definições. Para realizá-la, é importante seguir os passos descritos. PASSOS Passo 1 - Este primeiro desafio deverá ser realizado em grupo de no máximo quatro alunos, em todas as etapas. Entregue ao professor os nomes dos integrantes do grupo e respectivos RAs. Passo 2 - Consulte a literatura básica e complementar indicada no plano de ensino da disciplina Leitura e Produ- ção de Textos, apresentada pelo seu professor EAD no primeiro dia de aula. Encontre no PLT da disciplina, capítulo 1 (KOCK, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e compreender os sentidos do texto. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2008), as seguintes informações: a) Concepção de leitura. b) Estratégias de leitura. c) Leitura e a produção de sentidos. Outras fontes também deverão ser consultadas, por exemplo: http://www.scielo.br/pdf/his/v23n1-2/a05v2312.pdf. Acesso em: 7 de dez. 2009. http://www.alemdasletras.org.br/AgenciaNoticias/Site/Categoria1/Not%C3%ADcias/tabid/76/ctl/ArticleView/ mid/403/articleId/336/default.aspx. Acesso em: 7 de dez. 2009. http://www.moderna.com.br/moderna/didaticos/em/artigos/2007/fevereiro 01.htm - Acesso em: 7 de dez. 2009. http://www.projetopresente.com.br/formacao/competencia.leitora.pdf. Acesso em: 7 de dez. 2009. Passo 3 - Reúna todas as informações e discuta as definições com o grupo. Elabore um texto com as ideias que foram consenso do grupo, sobre as questões apontadas no Passo 2 e entregue-o ao seu professor. O texto deve ser digitado da seguinte forma: corpo 12, fonte Arial ou Times New Roman e espaço de 1,5 entre as linhas, justificado. No topo da página deve constar o logo da sua unidade, o nome da disciplina, o nome do professor, os nomes completos dos alunos e RAs e data. Em seguida, coloque o título centralizado, corpo 20, caixa alta: LEITURA E OS SENTIDOS DO TEXTO. 242
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    Leitura e Produçãode Textos Desafio de Aprendizagem Autora: Luciene Maria Garbuio Etapa 2 Aula-tema: Gêneros textuais e mecanismos de coesão Esta etapa é importante para que você saiba quais são os diferentes gêneros textuais e os mecanismos de coesão, para auxiliá-lo na produção do texto proposto no Desafio 1. Para realizá-la, siga os passos descritos. PASSOS O contato com diferentes textos de diferentes gêneros pode favorecer a familiaridade com a escrita e leitura. À medida que essa familiaridade aumenta, a qualidade dos textos também aumentará. Os gêneros textuais ou gê- neros discursivos têm função comunicativa e podem ser identificados a partir de algumas características comuns como estrutura do texto, temas abordados e contextos de circulação dos textos. São alguns exemplos de gêneros textuais: carta, bilhete, receita, anúncio, história em quadrinhos, conto, entre outros. Passo 1 - Você deverá pesquisar, na internet ou em seu Livro-Texto, a definição de gênero textual e os elementos que caracterizam um gênero. Passo 2 - Agora elabore uma lista, contendo o máximo de gêneros textuais possíveis encontrados. Passo 3 - Há vários gêneros em jornais e revistas. Em equipe, vocês deverão analisar o conjunto de textos en- contrados em uma revista de grande circulação, como Veja, Época, Isto É, e identificar pelo menos cinco gêneros presentes na publicação e suas características: http://veja.abril.com.br/. Acesso em: 7 dez. 2009. http://www.istoe.com.br/capa. Acesso em: 7 dez. 2009. http://revistaepoca.globo.com/. Acesso em: 7 dez. 2009. http://bravonline.abril.com.br/. Acesso em: 7 dez. 2009. http://revistatpm.uol.com.br/. Acesso em: 7 dez. 2009. http://vidasimples.abril.com.br/. Acesso em: 7 dez. 2009. Passo 4 - Vocês deverão escrever um texto e apresentar o resultado da pesquisa ao seu professor; o texto deve ser formatado conforme indicação na Etapa 1. O título do texto deverá ser: GÊNEROS TEXTUAIS OU DISCURSIVOS PRESENTES NA REVISTA X (nome da revista) e o texto deverá ter a seguinte sequência: 243
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    Desafio de Aprendizagem Leitura e Produção de Textos Autora: Luciene Maria Garbuio 1. Nome da revista. Texto 1 (colocar o texto). Análise do texto (identificação do gênero e suas características). 2. Texto 2 (colocar o texto). Análise do texto (identificação do gênero e suas características). Seguir essa sequência até o Texto 5. O número de gêneros a ser encontrado na revista poderá sofrer modificação, a critério do professor. A apresenta- ção do resultado da análise também pode variar. Como sugestão, os grupos podem agrupar vários exemplos de gêneros encontrados na revista e montar um painel, com o mesmo título sugerido anteriormente. Etapa 3 Aula-tema: Tipologia: textos argumentativos Esta etapa é importante para que você conheça ou se lembre quais são os tipos de textos. Este estudo auxiliará na produção do texto proposto no Desafio 1. Para realizá-la, siga os passos descritos. PASSOS Passo 1 - Pesquise, na internet ou em livros, uma lista contendo o máximo de elementos coesivos ou mecanismos de coesão possíveis (organizados em grupos) e apresente, pelo menos, dois exemplos de cada. Entregue a lista ao seu professor. Vocês podem pesquisar sobre o tema nas seguintes referências: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/coesao. Acesso em: 7 dez. 2009. http://www.slideshare.net/Profa.LucileneFonseca/a-coerncia-e-. Acesso em: 7 dez. 2009. http://www.pucrs.br/gpt/coesao.php. Acesso em: 7 dez. 2009. KOCH, Ingedore Villaça. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 2008. Passo 2 - Agora, o grupo deverá pesquisar sobre as características dos tipos de textos, na internet (descritivo, narrativo e dissertativo-argumentativo) ou Livro-Texto, e instruções para a produção de cada texto constando a estrutura de cada um. Algumas sugestões para consulta: http://www.proteoria.org/omar/metodologia/estrutura_do_texto_argumentativo.rtf. Acesso em: 7 dez. 2009. http://www.docstoc.com/docs/6432723/Texto-argumentativo. Acesso em: 7 dez. 2009. http://www.slideshare.net/efaesan/texto-argumentativo-1580989. Acesso em: 7 dez. 2009. ABAURRE, Maria Luiza M.; ABAURRE, Maria Bernadete M. Produção de texto: interlocução e gêneros. São Paulo: Moderna, 2007. Passo 3 - Cada grupo deverá elaborar uma proposta de produção de um texto dissertativo-argumentativo que deverá constar: 1. Pesquisa e análise de dados: - Introdução (contextualização do tema). - Título do texto. - Seleção de textos variados (coletânea) sobre o tema. 244
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    Leitura e Produçãode Textos Desafio de Aprendizagem Autora: Luciene Maria Garbuio 2. Elaboração do texto (Indicar estas questões, a fim de facilitar a produção escrita). - Análise articulada da questão tematizada. - Qual o ponto de vista (tese) que se pretende defender. - Esquema do encaminhamento analítico que se pretende desenvolver. - Aspecto formal do texto. - Criação do título que sintetize o tema abordado e o foco da análise desenvolvida. 3. Outras explicações na internet ou em outros livros, como o citado no Passo 2. Passo 4 - Entregar a produção escrita, ao seu professor, que são os documentos elaborados nos Passos 1, 2 e 3. Passo 5 - Agora vocês deverão trocar as propostas de produção de texto com os outros grupos. Passo 6 - Cada integrante do grupo deverá produzir um texto, conforme proposta do outro grupo. Passo 7 - Todos os integrantes do grupo devem trocar o texto com um colega e este deverá avaliar o texto (argu- mentos claros, coesão e coerência) e propor modificações para tornar o texto mais articulado. Passo 8 - Após a análise do colega, releia seu texto e analise os aspectos que podem ser melhorados. Reescreva o seu texto fazendo as alterações necessárias e entregue as duas versões ao seu professor. Segundo Desafio A reforma ortográfica da Língua Portuguesa está em vigor desde janeiro de 2009 e o período de transição é até dezembro de 2012, durante o qual serão válidas as duas normas ortográficas. Oito países lusófonos adotaram o novo acordo: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor Leste. As mudanças foram elaboradas com a intenção de simplificar a escrita e unificar as regras ortográficas da Língua Portuguesa, as quais envolvem, principalmente, o uso do hífen e da acentuação. Até o final do 2º bimestre, cada grupo de alunos elaborará e fará a exposição de um painel, onde estejam apre- sentadas todas as regras ortográficas, de forma didática e criativa. Este desafio é importante para que vocês conheçam, compreendam e divulguem as principais alterações na nova ortografia da Língua Portuguesa. Etapa 1 Aula-tema: A nova ortografia Esta etapa é importante para que vocês pesquisem e utilizem estratégias para memorizar as principais mudanças na nova ortografia da Língua Portuguesa. Para realizá-la, siga os passos descritos. PASSOS Passo 1 - Escolha a sua equipe de trabalho e entregue ao professor os nomes, RAs, nome da disciplina, série, nome do professor e data. A equipe deve ser composta de, no máximo, cinco alunos, os mesmos alunos escolhi- dos para realizar a etapa anterior, ou não. 245
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    Desafio de Aprendizagem Leitura e Produção de Textos Autora: Luciene Maria Garbuio Passo 2 - Os grupos devem pesquisar as principais características dos países de Língua Portuguesa envolvidos na reforma ortográfica. Uma pesquisa nos seguintes sites poderá auxiliá-los. http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_dos_Pa%C3%ADses_de_L%C3%ADngua_Portuguesa. Acesso em: 5 dez. 2009. http://joaoxms.sites.uol.com.br/ - acesso em 05 de dezembro de 2009. Passo 3 - A busca nos referidos sites deverá ser dividida entre os integrantes do grupo e apresentar ao professor as seguintes informações sobre cada país: a) Bandeira. b) História do país. c) Localização (apresentar o mapa do país). d) Língua oficial e) Clima. f) Meio ambiente. g) População. h) Etnias. i) Problemas sociais. j) Economia. k) Educação. l) Cultura. m) Literatura. Passo 4 - Em grupos, pesquisem em livros, revistas e na internet, informações sobre a reforma ortográfica. Alguns links sobre o tema que podem ser acessados: http://www.abril.com.br/reforma-ortografica. Acesso em: 5 dez. 2009. http://www.reformaortografica.com. Acesso em: 5 dez. 2009. 246
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    Leitura e Produçãode Textos Desafio de Aprendizagem Autora: Luciene Maria Garbuio Passo 5 - Agora o grupo deverá reunir as informações pesquisadas da seguinte forma: 1) Organizar o conteúdo da pesquisa em painéis, de forma bastante criativa (estima-se, no máximo, o tamanho de seis cartolinas), os quais poderão ser expostos nos corredores/biblioteca de sua unidade. Para esta orga- nização, alguns critérios serão considerados: a) Layout - estratégias visuais deverão ser utilizadas para chamar a atenção do leitor. b) Didática - estratégias deverão ser utilizadas para facilitar a assimilação do conteúdo de qualquer possível leitor e do próprio grupo. c) Conteúdo - deverá haver uma seleção e organização criteriosa do conteúdo, pois todas as regras devem ser contempladas. 2) No painel deverão constar digitados (fonte Arial ou Times Roman, corpo 12) e impresso: - Título do trabalho. - Nome completo dos componentes do grupo e respectivos RAs. - Nome da disciplina. - Nome do professor. 3) O painel deverá ser entregue e exposto nos corredores da unidade, em data estabelecida pelo professor EAD da disciplina, sob a orientação do coordenador do seu curso. 247
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    Referências Bibliográficas Leitura e Produção de Textos AZEVEDO, R. Você diz que sabe muito, borboleta sabe mais. São Paulo: Fundação Cargill, 1999. BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2004. BARROS, D. L. P. de; FIORIN, J. L. Dialogismo, polifonia, Intertextualidade. São Paulo: Edusp, 1994. BERLO, D. K. O processo da comunicação. São Paulo: Martins Fontes, 1997. BOPP, R. Cobra Norato e outros poemas. 13. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984. BRAGA, R. M.; SILVESTRE, M. de F. Construindo o leitor competente: atividades de leitura interativa para a sala de aula. São Paulo: Petrópolis, 2002. CANDIDO, A. De cortiço a cortiço. In: MOREIRA, M. E.; SMITH, M. M.; BOCCHESE, J. C. (Orgs.). O discurso e a cidade. São Paulo / Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2004. p.106-7/128-9 (com adaptações). FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. São Paulo: Ática, 1991. FIORIN, J. L.; PLATÃO, F. Lições de texto: leitura e redação. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002. ___________. Para entender o texto: leitura e redação. 17. ed. São Paulo: Ática, 2007. KLEIMAN, A. Oficina de leitura: teoria e prática. 11. ed. Campinas: Pontes, 2007. KOCH, I. V. A interação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 2002. KOCH, I. V; TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 2004. KOCH, I. V.; BENTES, A. C.; CAVALCANTE, M. M. Intertextualidade: diálogos possíveis. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993. MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. NOVAES, C. E. Os mistérios do aquém. 2. ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1976. PAULINO, G.; WALTY, I.; CURY, M. Z. Intertextualidades: teoria e prática. Belo Horizonte: Lê 1995. QUINTANA, M. Porta Giratória. São Paulo: Globo, 1988. RAMOS, G. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 1998. VANOYE, F. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. 11. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. VIANA, A. C. Roteiro de redação, lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1999. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 248