Educação
                                    sem fronteiras

                                  SERVIÇO
                                   SOCIAL

                                                          Autores
                                            Carmen Ferreira Barbosa
                                   Edilene Maria de Oliveira Araújo
                                        Edilene Xavier Rocha Garcia
                                                  Eloísa Castro Berro
                                                Maria Massae Sakate
                                         Silvia Regina da Silva Costa




                                                                6
                                          www.interativa.uniderp.br
                                         www.unianhanguera.edu.br
                                             Anhanguera Publicações
                                                  Valinhos/SP, 2009




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© 2009 Anhanguera Publicações
             Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de                                                    Ficha Catalográfica realizada pela Bibliotecária
             impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua                                              Alessandra Karyne C. de Souza Neves – CRB 8/6640
             portuguesa ou qualquer outro idioma.
             Impresso no Brasil 2009
                                                                                                           S514     Serviço social / Carmen Ferreira Barbosa ...[et al.]. - Valinhos :
                                                                                                                         Anhanguera Publicações, 2009.
                                                                                                                         240 p. - (Educação sem fronteiras ; 6)


                                                                                                                           ISBN: 978-85-62280-55-9


                                                                                                                        1. Serviço social – Planejamento. 2. Serviço social – Administração.
                                                                                                                    3. Serviço social – Integração da assistência. I. Barbosa, Carmen
                                                                                                                    Ferreira. II. Título. III. Série.
             ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A.
             CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CAMPO GRANDE/MS
                                                                                                                                                                             CDD: 360
             Presidente
             Prof. Antonio Carbonari Netto

             Diretor Acadêmico
             Prof. José Luis Poli

             Diretor Administrativo
             Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior
                                                                                                                                                          ANHANGUERA PUBLICAÇÕES
             CAMPUS I
                                                                                                                                                                                    Diretor
             Chanceler                                                                                                                                        Prof. Diógenes da Silva Júnior
             Profa. Dra. Ana Maria Costa de Sousa
             Reitor                                                                                                                                                    Gerente Acadêmico
             Prof. Dr. Guilherme Marback Neto                                                                                                                           Prof. Adauto Damásio
             Vice-Reitor
                                                                                                                                                                 Gerente Administrativo
             Profa. Heloísa Helena Gianotti Pereira
                                                                                                                                                                Prof. Cássio Alvarenga Netto
             Pró-Reitores
             Pró-Reitor Administrativo: Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior
             Pró-Reitora de Graduação: Profa. Heloisa Helena Gianotti Pereira
             Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Desporto: Prof. Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato




             ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A.
             UNIDERP INTERATIVA

             Diretor
             Prof. Dr. Ednilson Aparecido Guioti

             Coodernação
             Prof. Wilson Buzinaro

             COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
             Profa. Terezinha Pereira Braz / Profa. Aparecida Lucinei Lopes Taveira Rizzo / Profa. Maria Massae Sakate /
             Profa. Adriana Amaral Flores Salles / Profa. Lúcia Helena Paula Canto (revisora)

             PROJETO DOS CURSOS
             Administração: Prof. Wilson Correa da Silva / Profa. Mônica Ferreira Satolani
             Ciências Contábeis: Prof. Ruberlei Bulgarelli
             Enfermagem: Profa. Cátia Cristina Valadão Martins / Profa. Roberta Machado Pereira
             Letras: Profa. Márcia Cristina Rocha Figliolini
             Pedagogia: Profa. Vivina Dias Sol Queiroz
             Serviço Social: Profa. Maria de Fátima Bregolato Rubira de Assis / Profa. Ana Lúcia Américo Antonio
             Tecnologia em Gestão e Marketing de Pequenas e Médias Empresas: Profa. Fabiana Annibal Faria de Oliveira Biazetto
             Tecnologia em Gestão e Serviço de Saúde: Profa. Irma Marcario
             Tecnologia em Logística: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias
             Tecnologia em Marketing: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias
             Tecnologia em Recursos Humanos: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias




00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 2                                                                                                                                                                6/5/09 10:07:39 AM
Nossa Missão, Nossos Valores
                      _______________________________

                A Anhanguera Educacional completa 15 anos em 2009. Desde sua fundação, buscou a ino-
             vação e o aprimoramento acadêmico em todas as suas ações e programas. É uma Instituição de
             Ensino Superior comprometida com a qualidade dos cursos que oferece e privilegia a preparação
             dos alunos para a realização de seus projetos de vida e sucesso no mercado de trabalho.
                A missão da Anhanguera Educacional é traduzida na capacitação dos alunos e estará sempre
             preocupada com o ensino superior voltado às necessidades do mercado de trabalho, à adminis-
             tração de recursos e ao atendimento aos alunos. Para manter esse compromisso com a melhor
             relação qualidade/custo, adotaram-se inovadores e modernos sistemas de gestão nas instituições
             de ensino. As unidades no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas
             Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul preservam a missão e difundem os valores
             da Anhanguera.
                Atuando também no Ensino a Distância, a Anhanguera Educacional orgulha-se de poder es-
             tar presente, por meio do exemplar trabalho educacional da Uniderp Interativa, nos seus pólos
             espalhados por todo o Brasil.




                                                                         Boa aprendizagem e bons estudos!



                                                                             Prof. Antonio Carbonari Netto
                                                                    Presidente — Anhanguera Educacional




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AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico



                                       Apresentação
                                   ____________________

                 A Universidade Anhanguera/UNIDERP, ao longo de sua existência, prima pela excelência no
              desenvolvimento de seu sólido projeto institucional, concebido a partir de princípios modernos,
              arrojados, pluralistas, democráticos.
                 Consolidada sobre patamares de qualidade, a Universidade conquistou credibilidade de par-
              ceiros e congêneres no país e no exterior. Em 2007, sua entidade mantenedora (CESUP) passou
              para o comando do Grupo Anhanguera Educacional, reconhecido pelo compromisso com a
              qualidade do ensino, pela forma moderna de gestão acadêmico-administrativa e pelos propósi-
              tos responsáveis em promover, cada vez mais, a inclusão e a ascensão social.
                  Reconhecida pela ousadia de estar sempre na vanguarda, a Universidade impôs a si mais um
              desafio: o de implantar o sistema de ensino a distância. Com o propósito de levar oportunida-
              des de acesso ao ensino superior a comunidades distantes, implantou o Centro de Educação a
              Distância.
                 Trata-se de uma proposta inovadora e bem-sucedida, que, em pouco tempo, saiu das frontei-
              ras do Estado do Mato Grosso do Sul e se expandiu para outras regiões do país, possibilitando o
              acesso ao ensino superior de uma enorme demanda populacional excluída.
                 O Centro de Educação a Distância atua por meio de duas unidades operacionais: a Uniderp
              Interativa e a Faculdade Interativa Anhanguera(FIAN). Com os modelos alternativos ofereci-
              dos e respectivos pólos de apoio presencial de cada uma das unidades operacionais, localizados
              em diversas regiões do país e exterior, oferece cursos de graduação, pós-graduação e educação
              continuada, possibilitando, dessa forma, o atendimento de jovens e adultos com metodologias
              dinâmicas e inovadoras.
                 Com muita determinação, o Grupo Anhanguera tem dado continuidade ao crescimento da
              Instituição e realizado inúmeras benfeitorias na estrutura organizacional e acadêmica, com re-
              flexos positivos nas práticas pedagógicas. Um exemplo é a implantação do Programa do Livro-
              Texto – PLT, que atende às necessidades didático-pedagógicas dos cursos de graduação, viabiliza
              a compra, pelos alunos, de livros a preços bem mais acessíveis do que os praticados no mercado
              e estimula-os a formar a própria biblioteca, promovendo, assim, a melhoria na qualidade de sua
              aprendizagem.
                 É nesse ambiente de efervescente produção intelectual, de construção artístico-cultural, de
              formação de cidadãos competentes e críticos, que você, acadêmico(a), realizará os seus estudos,
              preparando-se para o exercício da profissão escolhida e uma vida mais plena na sociedade.



                                                                               Prof. Guilherme Marback Neto




00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 5                                                                                 6/5/09 10:07:40 AM
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Autores
                                    ____________________

                                                                            CARMEN FERREIRA BARBOSA
                                                   Graduação: Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de
                                                                              Mato Grosso – FUCMT – 1984
                              Especialização: Saúde da Família – Universidade Federal de MS – UFMS – 2003
                                          Especialização: Metodologia de Ensino Superior – FUCMAT – 1992
                    Mestrado: Serviço Social – Universidade Estadual Paulista/UNESP e Universidade Católica
                                                                                  Dom Bosco/UCDB – 2002

                                                                EDILENE MARIA DE OLIVEIRA ARAÚJO
                                                 Graduação:Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de
                                                                              Mato Grosso – FUCMT – 1986
                    Pós-graduação Latu sensu: Gestão de Iniciativas Sociais – Universidade Federal do Rio de
                                                                                      Janeiro – UFRJ – 2002
                Pós-graduação Lato Sensu: Formação de Formadores de em Educação de Jovens e Adultos –
                                                           Universidade Nacional de Brasília – UNB – 2003
               Pós-graduação Lato Sensu: Administração em Marketing e Comércio Exterior – UCDB – 1998

                                                                      EDILENE XAVIER ROCHA GARCIA
                                                 Graduação: Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de
                                                                              Mato Grosso – FUCMT – 1988
                                               Especialização: Gestão de Políticas Sócias – UNIDERP – 2003
                                  Mestrado: Desenvolvimento Local – Universidade Unidas Católicas – UCDB
                                                                                                 MS – 2007

                                                                                 ELOÍSA CASTRO BERRO
                                        Graduação: Serviço Social – Faculdades Integradas de Marília – 1984
                             Especialização: Planejamento e Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de
                                                                             Mato Grosso – FUCMT – 1998
                                         Especialização: Metodologia de Ação do Serviço Social - Faculdades
                                                                                         Unidas Católica de
                                                                             Mato Grosso – FUCMT – 1983
             Mestrado: Serviço Social - Universidade Estadual Paulista/UNESP e Universidade Católica Dom
                                                                                       Bosco/UCDB – 2002




00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 7                                                                                6/5/09 10:07:40 AM
MARIA MASSAE SAKATE
                                              Graduação: Matemática – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS,
                                                                                                 Campo Grande, MS – 1992
                                     Especialização: Informática na Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul –
                                                                                         UFMS, Campo Grande, MS – 1998
                                                  Mestrado: Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS,
                                                                                                 Campo Grande, MS – 2003

                                                                                           SILVIA REGINA DA SILVA COSTA
                                                Graduação: Serviço Social – Universidade Católica Dom Bosco – UCDB – 2001
                                  Especialização em Violência Doméstica Contra Criança e Adolescentes – Universidade de São
                                                                                                           Paulo – USP – 2004
                                         Especialização: Políticas Sociais com Ênfase no Território e na Família – Universidade
                                                                                          Católica Dom Bosco – UCDB – 2007
                                                     Mestrado em Educação – Universidade Estadual Paulista – UNESP – 2008




00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 8                                                                                               6/5/09 10:07:40 AM
Sumário
                                               ____________________
             MÓDULO – PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO

             UNIDADE DIDÁTICA – ESTÁGIO SUPERVISIONADO III
             AULA 1
               O estágio supervisionado III - o estágio como atividade integradora entre o saber e a ação .........                                               3
             AULA 2
               A Intervenção em Serviço Social ........................................................................................................           7


             UNIDADE DIDÁTICA – PLANEJAMENTO DE INTERVENÇÕES SOCIAIS
             AULA 1
               Planejamento em Serviço Social – conceitos e definições ................................................................                          14
             AULA 2
               A Administração no Serviço Social – contextualizações básicas ......................................................                              18
             AULA 3
               Gestão Social – aspectos importantes ................................................................................................             23
             AULA 4
               Políticas, Planos, Programas e Projetos – Definições ........................................................................                     29
             AULA 5
               Papel do Gestor Social ........................................................................................................................   32
             AULA 6
               O que é um projeto social? Implicações diretas na realidade atual ..................................................                              36
             AULA 7
               Roteiro básico de um projeto social ...................................................................................................           40
             AULA 8
               Fases metodológicas e a instrumentalização do planejamento social ..............................................                                  47
             AULA 9
               Avaliação e monitoramento de projetos sociais ................................................................................                    54
             AULA 10
               O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o planejamento na administração pública.........                                                   60


             UNIDADE DIDÁTICA – TRATAMENTO DE INFORMAÇÕES E OS
             INDICADORES SOCIAIS
             AULA 1
               Noções de estatística descritiva – obtenção e organização de dados ................................................                               68
             AULA 2
               Representações dos dados por meio da tabela...................................................................................                    76
             AULA 3
               Representações gráficas dos dados .....................................................................................................           82
             AULA 4
               Aspectos conceituais: o que são indicadores e índices ......................................................................                      86




00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 9                                                                                                                                       6/5/09 10:07:40 AM
AULA 5
                                 Sistema de indicadores: requisitos para a sua construção e produção ............................................. 90
                               AULA 6
                                 Fontes de indicadores sociais .............................................................................................................. 94
                               AULA 7
                                 Desenvolvimento humano ................................................................................................................. 100
                               AULA 8
                                 Objetivos do Desenvolvimento do Milênio - ODM.......................................................................... 106


                               SEMINÁRIO INTEGRADO: PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO .............................................. 115


                               MÓDULO – DESENVOLVIMENTO LOCAL E INTEGRAÇÃO DA
                               ASSISTÊNCIA

                               UNIDADE DIDÁTICA – DESENVOLVIMENTO LOCAL E TERRITORIALIZAÇÃO
                               AULA 1
                                 Desenvolvimento local: reflexões e conceitos ....................................................................................                        119
                               AULA 2
                                 Espaço, lugar e território ....................................................................................................................          125
                               AULA 3
                                 Cultura e identidade ...........................................................................................................................         132
                               AULA 4
                                 Capital social .......................................................................................................................................   138
                               AULA 5
                                 Potencialidade e comunidade .............................................................................................................                146
                               AULA 6
                                 Agentes do desenvolvimento local e dimensões metodológicas .......................................................                                       150
                               AULA 7
                                 Solidariedade e educação ....................................................................................................................            154
                               AULA 8
                                 Cultura do desenvolvimento e desenvolvimento da cultura ............................................................                                     160


                               UNIDADE DIDÁTICA – REDE SOCIOASSISTENCIAL
                               AULA 1
                                 O significado de redes no contexto do trabalho socioassistencial ...................................................                                     171
                               AULA 2
                                 A filantropia no Brasil .........................................................................................................................        175
                               AULA 3
                                 Terceiro setor e suas diversas concepções ..........................................................................................                     182
                               AULA 4
                                 Movimentos sociais, ONGs e redes solidárias ...................................................................................                          186
                               AULA 5
                                 Marco legal das entidades que compõem a rede socioassistencial ...................................................                                       190




00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 10                                                                                                                                                            6/5/09 10:07:41 AM
AULA 6
               O Sistema Único de Assistência Social e a nova forma de gestão da assistência social: caráter
               público, protagonismo e avaliação do processo................................................................................ 197
             AULA 7
               Oficina 1: PEAS/2006 – Pesquisa das Entidades de Assistência Social Privadas sem
               Fins Lucrativos ................................................................................................................................... 208
             AULA 8
               Oficina 2: PEAS/2006 – Pesquisa das Entidades de Assistência Social Privadas sem
               Fins Lucrativos .................................................................................................................................... 215


             SEMINÁRIO INTEGRADO: DESENVOLVIMENTO LOCAL E INTEGRAÇÃO
             DA ASSISTÊNCIA .................................................................................................................................... 227




00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 11                                                                                                                                          6/5/09 10:07:41 AM
Módulo
                     PLANEJAMENTO E
                      ADMINISTRAÇÃO




                                    Profa. Ma. Eloísa Castro Berro
                               Profa. Ma. Maria Massae Sakate
                         Profa. Ma. Silvia Regina da Silva Costa
                    Profa. Esp. Edilene Maria de Oliveira Araújo
                               13


Modulo 01.indd 13                                                    2/6/2009 12:15:37
Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais
                                                                               Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais



                                                                                                                 AULA

                                                                                          ____________________          1
                                                                                 PLANEJAMENTO EM SERVIÇO SOCIAL –
                                                                                      CONCEITOS E DEFINIÇÕES

                                                                      Conteúdo
                                                                      • Reflexões históricas sobre o planejamento em Serviço Social – conceitos e definições.
                                                                      • A importância do planejamento para o Serviço Social.

                                                                      Competências e habilidades
                                                                      • Entender a importância do planejamento para a área social e as implicações de sua não utilização.
                                                                      • Compreender as definições e os conceitos utilizados no planejamento para o Serviço Social.


                                                                      Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                                                                      Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                                                                      Duração
                                                                      2 h/a – via satélite com o professor interativo
                                                                      2 h/a – presenciais com o professor local
                                                                      6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




                     INTRODUÇÃO                                                                                         REFLEXÕES HISTÓRICAS SOBRE O
                        Neste conteúdo se corrobora com definições e                                                     PLANEJAMENTO EM SERVIÇO SOCIAL –
                     conceituações que envolvam a questão do planeja-                                                   CONCEITOS E DEFINIÇÕES
                     mento em Serviço Social. O planejamento é questão                                                     O planejamento é um processo. Parte-se aqui da
                     atual e fundamental e se torna preocupante quando                                                  premissa que existe uma sequência temporal de fa-
                     se verifica que muitos profissionais não fazem uso                                                   tos que se concretizam ao longo da história e não
                     dessa ferramenta no seu cotidiano, o que interfere                                                 de acontecimentos isolados que surgem em um mo-
                     diretamente nos resultados obtidos por meio das                                                    mento específico. Para cumprir seu papel, o plane-
                     ações, projetos e programas desenvolvidos na área                                                  jamento deve atravessar vários estágios explicitados
                     social.                                                                                            a seguir.




                                                                                                                 14


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AULA 1 — Planejamento em Serviço Social – Conceitos e Definições

                  Pode-se considerar o planejamento como um                           aquele que inclui o processo da participação crítica
               processo de reflexão e como uma “disciplina que                         no planejamento social (Barbosa, 1980, p. 14).
               instrumenta transformações da realidade social”
                                                                                    Registra-se assim o nascimento da disciplina de
               (Barbosa, 1980, p. 11). Com muita propriedade,
                                                                                 Planejamento nos cursos de Serviço Social, nas es-
               Barbosa afirma ainda que “por natureza, o plane-
                                                                                 colas norte-americanas. No Brasil, a disciplina Pla-
               jamento não é nem todo-poderoso, nem meio de
                                                                                 nejamento em Serviço Social iniciou-se em 1968,
               dominação da sociedade, mas, ao contrário, tem ca-
                                                                                 segundo Barbosa, que também faz um apanhado
               ráter eminentemente humanístico e é elemento im-
                                                                                 histórico dos aspectos evolutivos do planejamento.
               portante e estratégico de uma práxis democrática”
                                                                                 Para tanto, aborda a relação direta do processo de
               (Barbosa, 1980, p. 11).
                                                                                 racionalidade do ser humano com o ato de planejar
                  Esse autor relata, ainda, que inicialmente na his-
                                                                                 e afirma ser esse ato inerente ao homem.
               tória do Serviço Social utilizava-se a terminologia
                                                                                    Para entender a evolução da necessidade do pla-
               plano de tratamento correspondente ao resultado
                                                                                 nejamento é preciso compreender a evolução, no
               da ação de planejar juntamente com o então cha-
                                                                                 homem, da consciência de individualidade em con-
               mado “cliente” em uma tentativa de solucionar os
                                                                                 traposição à coletividade, como mostrado a seguir.
               seus problemas.
                                                                                 Segundo o mesmo autor, o homem não havia des-
                  No período em que a palavra planejamento tor-
                                                                                 pertado para se tornar um ser individual e a partici-
               nou-se mais generalizada, foi relacionada com toda
                                                                                 pação, consequentemente, era atribuição grupal não
               a ordenação lógica e racional do profissional, com
                                                                                 sendo vista ou entendida na sua individualidade.
               início na fase do estudo até o final do tratamento.
                                                                                    De acordo com Ammann (1978 apud Barbosa,
               Em um período mais próximo, ainda no século XX,
                                                                                 1980), o planejamento e o processo administrativo
               o Serviço Social assume características de disciplina
                                                                                 também podem ser considerados inerentes à natu-
               teórico-prática (práxis) de intervenção na realidade
                                                                                 reza humana, pois se trata de um canal/instrumento
               humana e social.
                                                                                 importante da participação do indivíduo.
                    Historicamente, no referente às relações entre pla-            O segundo estágio tem início com a fase da con-
                    nejamento e Serviço Social, sempre voltado à in-             corrência individual e de competição individual. É
                    tervenção sobre situações concretas que expressam            caracterizada pelo nascimento do indivíduo. O ho-
                    problemas, necessidades, aspirações de pessoas,              mem passa a ter capacidade de enxergar o mundo
                    grupos, organizações, comunidades, sistemas e es-            com seus próprios olhos, assumindo para si respon-
                    truturas sociais, visando soluções possíveis, viáveis
                                                                                 sabilidades e reagindo às tradições convencionais
                    e adequadas, vem estabelecendo interações cres-
                                                                                 grupais (Barbosa, 1980).
                    centes com o planejamento, que passa a ser, des-
                    se modo, componente indispensável à formação e                  Nesse período, o planejamento era individual, mas
                    ação do assistente social (Barbosa, 1980, p. 11-12).         o homem utilizava a capacidade racional. A parti-
                                                                                 cipação tinha a característica da pessoalidade e do
                  Dessa forma, tem início o debate no Serviço So-                imediatismo, traço marcante desse estágio, usado
               cial acerca do planejamento e há uma discussão so-                para justificar a não utilização do controle social e
               bre a participação direta ou não do povo/sociedade                entendido como forças que dão sustentação ou man-
               nesse processo. Barbosa afirma ainda que:                          têm qualquer estrutura social (Pereira apud Barbosa,
                                                                                 1980). A terceira e última fase ou estágio é caracte-
                    Já não basta planejar a ação como processo natu-
                    ral de ordenação, decisão e controle, mas surge a            rizada pela solidariedade do homem em relação ao
                    necessidade de informar ao assistente social sobre           grupo por meio de sindicatos ou associações.
                    o planejamento como método e como processo,                    Sobre o planejamento, acreditamos que “começou
                    numa perspectiva de um social mais abrangente ou             com o primeiro ser humano e, desde então, perma-

                                                                            15


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             neceu simples prática natural de todos os indivíduos                    Desse modo, o planejamento, para ser entendido
             e grupos” (Person, 1955, apud Barbosa, 1980, p. 22).                 de uma forma mais ampla, clara e objetiva, consis-
             Apenas no século 19, o planejamento passa a ser ob-                  te numa previsão do futuro. Trata-se, pois, de uma
             jeto de preocupação, quando usado para atender aos                   atividade intelectual complexa, pois não é simples
             interesses das empresas e organizações.                              planejar ações para um futuro próximo, em médio
                Nesse período, abordado a seguir, a teoria da ad-                 ou longo prazo. É necessário um raciocínio com-
             ministração introduz o conceito do planejamento                      prometido com algumas características, tais como:
             como função do administrador, e torna necessária                     atividade sistematizada, reflexão crítica, caminhos
             a existência dos “planos B” para tomadas de decisão                  e alternativas, futuro, visão de conjunto, temporal/
             em decorrência de alterações drásticas no mercado.                   espacial e objetivos e metas. Dessa forma, a ativida-
             Toma-se como exemplo o plano de fuga para evitar                     de sistematizada é aquela que utiliza determinado
             que qualquer empresa vá à falência em caso de cri-                   método, identificando-se com o comportamento
             ses financeiras.                                                      científico. A reflexão crítica vai muito além da sim-
                                                                                  plicidade de levantamento e tabulação de dados,
                    Partindo da premissa de que o planejamento é ba-
                                                                                  mas estabelece uma correlação causal.
                    sicamente um processo de racionalidade, é indis-
                    cutível que todo homem é capaz de planejar, sendo
                                                                                     Sobre os caminhos e alternativas, podemos afir-
                    inerente à sua natureza essa atitude, em si dialética,        mar que o planejamento aponta pistas sem deter-
                    de tomar decisões em relação ao futuro (Barbosa,              miná-las. É necessário, portanto, o exame detalhado
                    1980, p. 19).                                                 para escolher qual o caminho mais adequado a de-
                                                                                  terminadas situações.
                Assim, pode-se dividir o homem em ser racional e
                                                                                     Uma das características do futuro consiste na vi-
             social. Racional quando possui a capacidade de pen-
                                                                                  são utópica de algo que se deseja ou que se almeja
             sar para agir e refletir sobre o acontecido, projetando
                                                                                  atingir. A visão de conjunto trata-se de uma visão
             a experiência para a construção de um futuro indi-
                                                                                  em sua totalidade. Temporal/espacial está direta-
             vidual ou coletivo. Por sua vez, o ser social é provido
                                                                                  mente ligado a prazos, metas e objetivos predeter-
             de capacidade analítica e de fazer acordos com ter-
                                                                                  minados. Finalmente os objetivos e metas estão di-
             ceiros, para dar direcionamento à sua vida pessoal e
                                                                                  retamente ligados ao ideal a ser alcançado (Barbosa,
             à vida coletiva. Em consequência dessa afirmação, o
                                                                                  1980).
             homem deveria agir de forma conjunta, cooperando
             com o interesse comum em todos os aspectos, seja
             ele econômico, político, cultural e, sobretudo, social               A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO
             (Barbosa, 1980). Essa ideia possibilita inferir que:                 PARA A ÁREA SOCIAL
                                                                                     Por tudo o que foi apresentado, infere-se que o
                    o planejamento é então uma atividade que mesmo                planejamento é crucial para o desenvolvimento das
                    diante de situações específicas guarda sua visão ge-           atividades relacionadas ao Serviço Social. Está im-
                    nérica, sistematizando e realimentando a própria
                                                                                  plícito em todas as etapas das atividades a serem
                    atividade, imprimindo-lhe assim uma dinâmica
                                                                                  desenvolvidas pelo profissional da área social. Re-
                    processual (Barbosa, 1980, p. 30).
                                                                                  afirma-se aqui, para rememorar o aprendido, que
                Pode-se compreender que o planejamento ainda                      ao povo deve ser dado o poder decisório. Não sem
             “supõe um método, uma ordenação ou caminho, o                        razão, Toledo (1978 apud Barbosa, 1980, p. 52) afir-
             que em última instância ‘poderá ser encontrado nos                   ma que “o povo tem que tomar consciência lúcida
             hábitos e capacidades da inteligência humana, nos                    de sua própria posição, de sua própria realidade, de
             processos do conhecimento e da ação’” (Lamparelli                    seu próprio valor e do que o próprio povo pode”. A
             [s/d] apud Barbosa, 1980, p. 30).                                    área social lida diretamente com o povo, com a co-

                                                                             16


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AULA 1 — Planejamento em Serviço Social – Conceitos e Definições

               munidade, cujos interesses devem estar sempre em                to ao concreto, onde possa situar-se e transcender
               primeiro lugar.                                                 o pensar: ‘(...) Refletir não é alienar-me, mas dis-
                  O planejamento é tão importante na área social,              tinguir-me para melhor tornar-me sujeito do que
               pois dele depende, em muitos casos, o sucesso de                faço’” (Furter, 1976, apud Barbosa, 1980, p. 128).
               um programa ou projeto coordenados pelos assis-                    Assim, “(...) o planejamento imprime à prática
               tentes sociais.                                                 profissional uma confiabilidade na sua ação e no
                  Na área social, o planejamento tem início quando             controle da mesma, através das atividades de pre-
               se decide em qual região intervir e se realiza o diag-          visão e do controle das ações” (Barbosa, 1980, p.
               nóstico social, com olevantamento de dados da po-               141).
               pulação x ou y para detectar todas as potencialidades              Reflita sobre a ação profissional do assistente so-
               e dificuldades do lugar e, assim, planejar ações que             cial analisando a seguinte afirmação de Barbosa:
               possam intervir positivamente nos pontos diagnos-
               ticados. Barbosa (1980, p. 83) diz que “para que o                   um profissional considera indispensável o plane-
               Serviço Social possa elaborar projetos adequados à                   jamento da ação, qualquer que seja o trabalho a
                                                                                    executar, passa a ser o objeto da aplicabilidade do
               transformação da realidade social, é necessário que
                                                                                    planejamento e ainda que tal postura é ratificada
               tenha a visão global dessa realidade, apreendida ra-
                                                                                    quando afirma que o planejamento é indispensável
               cionalmente, isto é, pelo desenvolvimento dos ra-
                                                                                    e que é impossível a prática do Serviço Social sem
               ciocínios objetivo, analítico e projetivo”.
                                                                                    ele (Barbosa, 1980, p. 142).
                  Nosso papel, como profissionais da área social, é
               o de utilizarmos os mais variados subsídios teóricos
               e práticos disponíveis para o bom andamento das                 CONCLUINDO
               atividades, o que reforça a seguinte afirmativa:                   As breves explicações servem para subsidiar a
                                                                               análise de planejamento como método necessário à
                    O assistente social, com uma visão teórica preesta-
                                                                               sobrevivência de todas as espécies no planeta e ao
                    belecida do que seja bom para o desenvolvimento
                    humano e social, planeja sua intervenção a partir          desenvolvimento de atividades sociais com grupos
                    de parâmetros e indicadores estabelecidos que pre-         ou comunidades.
                    tende alcançar como ótimos para uma dada reali-               Lembrando que planejamento é inerente ao ser
                    dade (Barbosa, 1980, p. 114).                              humano, está presente no nosso cotidiano, participa
                                                                               das mais simples previsões como abrir a janela e ve-
                  Furter (1976) afirma com propriedade e sapiên-
                                                                               rificar como o tempo está lá fora e, ao perceber algu-
               cia que:
                                                                               mas nuvens escuras, concluir que seria interessante
                    No caso do planejamento, a reflexão tem toda a              levar guarda-chuva. No entanto, o planejamento
                    sua importância porque há um perigo sério de se            encontra-se também nas complexidades da área so-
                    dissolver na planificação um presente monstruoso,           cial, para, ao conhecer a comunidade com a qual se
                    no qual estamos perdendo as dimensões do real. Só          irá trabalhar, delimitar as áreas de intervenção.
                    a reflexão permite um pensar no tempo, que dá a
                                                                                  Assim, cabe a cada um de nós refletir sobre a
                    significação plena ao planejamento (Furter, 1976,
                                                                               importância do processo de planejamento em nos-
                    apud Barbosa, 1980, p. 128).
                                                                               sas vidas não só profissional, mas também na vida
                  Barbosa (1980) afirma que “(...) o aluno, como                pessoal. Sejamos planejadores natos, pois por meio
               futuro profissional, precisa aprender a reflexão e o              desse processo podemos trazer credibilidade para a
               questionamento, o processo de passar do abstra-                 instituição na qual atuamos.



                                                                          17


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais
            Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais

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                                                                                          ____________________          2
                                                                              A ADMINISTRAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL –
                                                                                  CONTEXTUALIZAÇÕES BÁSICAS

                                                                      Conteúdo
                                                                      • A administração e o Serviço Social – contextualizações históricas básicas.
                                                                      • A administração em Serviço Social.

                                                                      Competências e habilidades
                                                                      • Refletir sobre a administração em parceria com o Serviço Social.
                                                                      • Conhecer princípios básicos da administração para entender melhor a gestão social, suas utilizações
                                                                        na prática conjugada com a teoria.


                                                                      Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                                                                      Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                                                                      Duração
                                                                      2 h/a – via satélite com o professor interativo
                                                                      2 h/a – presenciais com o professor local
                                                                      6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




                      INTRODUÇÃO                                                                                        ponibilizados no Portal e em outros que tiverem
                         Feita a abordagem sobre planejamento e sua im-                                                 à mão.
                      portância para o Serviço Social, entramos no mun-                                                    Há também a possibilidade de procurar organi-
                      do das questões associadas à própria disciplina de                                                zações que possuam conhecimentos administrati-
                      Administração, parte obrigatória do curso em Ser-                                                 vos visíveis para que se possa vivenciar na prática
                      viço Social.                                                                                      a teoria aqui aprendida. Procure no seu município
                         Muitas vezes, utilizamos conhecimentos e fer-                                                  organizações em que possa fazer a correlação teoria
                      ramentas sem nos apercebermos que pertencem à                                                        prática de uma forma clara e transparente.
                      área de administração, de cujo universo procura-                                                    Assim, abordaremos apenas conceitos generaliza-
                      remos apresentar conceituações básicas, lembran-                                                  dos da administração, para proporcionar visão geral
                      do que caberá a cada um de nós o aprofundamento                                                   das suas principais dimensões, tendo por foco a área
                      por meio de estudo e pesquisa nos materiais dis-                                                  social (Curty, 2001).

                                                                                                                 18


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AULA 2 — A Administração em Serviço Social – Contextualizações Básicas

               A ADMINISTRAÇÃO E O SERVIÇO SOCIAL –                              forço do homem em conquistar a natureza e possibi-
               CONTEXTUALIZAÇÕES HISTÓRICAS BÁSICAS                              litar condições mínimas de sobrevivência e conforto.
                  Mesmo que para fins didáticos tenhamos abor-                    Dessa forma, a vida em organização surgiu quando os
               dado separadamente planejamento e administração,                  indivíduos perceberam que a associação com os ou-
               deve-se ter em mente que os dois caminham juntos.                 tros facilitava a realização de determinados trabalhos.
                  Segundo Barbosa (1980), Henry Fayol, um dos au-                    Então, como definição, podemos afirmar que or-
               tores clássicos da administração, foi um dos primeiros            ganização é o agrupamento de pessoas e recursos
               a associar planejamento e administração, afirmando                 – dinheiro, equipamentos, materiais, informações e
               que “administrar é prever e planejar, é organizar, co-            tecnologia – com o objetivo de produzir bens e/ou
               ordenar e controlar” (Barbosa, 1980, p. 22).                      prestar serviços (Tenório, 2000, p. 17).
                  No início do século 20, finalmente, os conceitos                    No entanto, precisamos entender que agrupar-
               de administração planejada começaram a ser utili-                 mos simplesmente não será pré-requisito para que
               zados graças aos estudos de Fayol, que já havia defi-              os recursos existentes sejam alocados da melhor for-
               nido as bases do planejamento ao referir que “admi-               ma possível e que o trabalho seja realizado na hora
               nistrar significa olhar para frente” (Silva [s/d] apud             certa. “Para que isso ocorra, é preciso haver a pre-
               Barbosa, 1980, p. 22).                                            ocupação em gerenciar as partes que constituem a
                  Assim, pode-se afirmar que o planejamento teve                  organização” (op. cit.). “E o que é gerenciar? É a ação
               início com a administração privada para posterior-                de estabelecer ou interpretar objetivos e de alocar
               mente passar para a administração pública. Foi a                  recursos para atingir uma finalidade previamente
               União Soviética quem apresentou em 1929 o pri-                    determinada” (Tenório, 2001, p. 17, grifo nosso).
               meiro plano quinquenal como ideia política e eco-                     Tenório afirma que nos dias atuais, em particu-
               nômica centralizada.                                              lar na administração, os clientes/usuários são quem
                  Curty (2001) afirma que a disciplina da adminis-                determina o tipo de produto ou serviço a ser ofere-
               tração seria uma das que mais se aproxima em grau                 cido pela organização. Dessa forma, percebe-se que
               de generalização no interesse prático e que:                      a finalidade de uma organização não está mais de-
                                                                                 terminada exclusivamente pelos desejos e interesses
                    entre todas as disciplinas, a administração – ciência
                                                                                 dos proprietários.
                    do trabalho objetivado e organizado – talvez seja
                                                                                     Na área social acontece algo idêntico a que cha-
                    a de mais generalizado interesse prático, posto que
                    de bem compreendê-la pode depender o saber uti-
                                                                                 mamos de controle social. De uma maneira bem
                    lizar a organização à qual pertencemos como um               simples e prática, isso pode ser definido como perda
                    elemento facilitador para o alcance de nossos obje-          da liberdade decisória das organizações. No passado,
                    tivos pessoais (Curty, 2001, p. 22).                         tudo era decidido apenas por interesses estratégicos
                                                                                 da organização; atualmente é necessário incluir as
                  Segundo dados da autora, oito em cada 10 traba-                noções de bem comum da sociedade (Curty, 2001).
               lhadores se tornaram ou irão se tornar membros de
                                                                                     Segundo afirmações da autora, a organização
               uma organização. Parte-se, assim, do pressuposto
                                                                                 que pretende se destacar por atributos positivos, ser
               de que a sociedade contemporânea é composta por
                                                                                 transparente e correta com o cidadão, deve utilizar
               organizações, pois nelas encontramos basicamen-
                                                                                 o termo accountability1 para desenvolver suas ações.
               te oportunidades de realização profissional e para
               nossa sobrevivência (Curty, 2001).
                                                                                 1
                                                                                     Accountability é um termo da língua inglesa, sem tradução exata para
                  Segundo Tenório (2000), só entendemos a impor-                     o português, que remete à obrigação de membros de um órgão admi-
               tância da administração quando compreendemos o                        nistrativo ou representativo de prestar contas a instâncias controlado-
                                                                                     ras ou a seus representados. Outro termo usado numa possível versão
               motivo pelo qual os homens se associam para atingir                   portuguesa é responsabilização. Disponível em: <www.babylon.com/
               objetivos comuns. A vida humana é marcada pelo es-                    definition/accountability/Portuguese>. Acesso em: 8 abr. 2009.


                                                                            19


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             Alguns autores traduzem a palavra como respon-                        Em relação à efetividade, é o “(...) estudo do
             sabilidade social. Sem tradução para o português,                  impacto do planejado sobre a situação, à adequa-
             denota algum desinteresse das organizações brasi-                  ção dos objetivos definidos para o atendimento da
             leiras, já que no mundo atual o conhecimento social                problemática objeto da intervenção, ou melhor, ao
             está em alta e em breve o termo accountability será                estudo dos efeitos da ação sobre a questão objeto do
             utilizado mais corriqueiramente em nossas ações e                  planejamento” (Baptista, 2003, p. 120).
             organizações.                                                         Citaremos os exemplos do livro de Fernando
                                                                                Tenório (2000) para melhor entendermos os concei-
                    A busca de bons níveis de accountability se coloca          tos de eficiência, eficácia e efetividade. No primeiro
                    com especial relevância para as organizações de             exemplo a relação entre eficiência e eficácia:
                    produto social, que, lidando com recursos públicos             Analisemos a seguinte situação: dois professores
                    e tendo a questão da transformação social como              viajam a São Paulo para ministrar um curso. O pri-
                    sua razão de ser, deve caracterizar sua atuação pela        meiro, Fernando Braga, viaja de avião, gastando R$
                    máxima transparência e rigoroso respeito à socie-           270,00, e chega a tempo de dormir confortavelmente.
                    dade na qual se insere e para a qual gera produto           O segundo, Rodrigo Baça, viaja de ônibus, gastando
                    (Curty, 2001, p. 25).                                       R$ 18,00 e dorme no próprio ônibus, só tendo tem-
                                                                                po de tomar uma ducha e o café da manhã antes de
                Os bons níveis de accountability estão diretamen-
                                                                                iniciar a aula. Fernando ministra um excelente curso,
             te relacionados, em sua dinâmica organizacional, à
                                                                                enquanto Rodrigo, cansado, tem desempenho insa-
             concepção do produto, incorporando os desejos e
                                                                                tisfatório (Tenório, 2000, p. 18-19).
             saberes da comunidade beneficiária. Ainda na pres-
                                                                                   Ao analisarmos a situação exposta chegamos às
             tação de contas, tanto de recursos quanto de resul-
                                                                                seguintes conclusões: ao avaliarmos os recursos fi-
             tados, a organização deve ser clara, honesta e apre-               nanceiros Rodrigo foi mais eficiente do que Fernan-
             sentar senso de oportunidade (Curty, 2001).                        do, pois seus gastos foram menores, mas, mesmo
                Após definirmos accountability, tratado neste ca-                sendo eficiente, Rodrigo não foi eficaz, pois ao mi-
             pítulo como responsabilidade social, abordaremos                   nistrar seu curso não o apresentou satisfatoriamen-
             o desafio dos 3 Es: eficiência, eficácia e efetividade.               te. Entretanto, Fernando que não foi tão eficiente,
             Tais medidas são utilizadas para avaliar a gerência                foi mais eficaz e ministrou um excelente curso.
             da organização.
                Na avaliação da eficiência, a incidência é dire-
                                                                                  !   IMPORTANTE
             tamente ligada à ação desenvolvida. Seu objetivo é
                                                                                     “Não basta, portanto, fazer um trabalho com
             “reestruturar a ação para obter, ao menor custo e
                                                                                  menos recursos, é necessário fazer a coisa certa,
             ao menor esforço, melhores resultados. Deve ser ne-
                                                                                  ser eficaz” (Tenório, 2000, p. 19).
             cessariamente crítica, estabelecendo juízos de valor
             sobre o desempenho e os resultados que o mesmo
             propicia” (Baptista, 2003, p. 117).                                   A tabela a seguir possibilita a análise do desempe-
                Ao avaliarmos a eficácia devemos analisar:                       nho de organizações, gerentes, equipes ou indivídu-
                                                                                os isolados, por meio das hipóteses.
                    a partir do estudo da adequação da ação para o al-
                    cance dos objetivos e das metas previstos no pla-
                                                                                  A terceira medida a ser considerada na avaliação
                    nejamento e do grau em que os mesmos foram                  das atividades de uma organização é a efetividade,
                    alcançados. Incide sobre a proposta e, basicamen-           que nada mais é do que a “capacidade de atender às
                    te, sobre os objetivos (gerais e específicos) por ela        expectativas da sociedade” (Tenório, 2000, p. 20).
                    alcançados e quais as razões dos êxitos e fracassos            O mesmo autor afirma que as medidas devem ser
                    (Curty, 2001, p. 25).                                       estabelecidas previamente e baseadas na experiência

                                                                           20


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AULA 2 — A Administração em Serviço Social – Contextualizações Básicas


                Desempenho       Avaliação                                           Controle é a ação de comparar os objetivos esta-
                Eficaz e eficiente Os objetivos propostos foram atingidos           belecidos e os recursos previstos com os resultados
                                 com a menor utilização dos recursos
                                 disponíveis.                                     atingidos e os recursos literalmente gastos, a fim de
                Eficaz, mas       Os objetivos foram alcançados, mas               tomar medidas que possam corrigir ou mudar os
                ineficiente       com maior consumo de recursos do que
                                 o previsto.
                                                                                  rumos fixados (op. cit.).
                Eficiente, mas    Os recursos foram utilizados conforme               Abaixo destacamos o funcionamento dessas qua-
                ineficaz          o estabelecido, porém os objetivos
                                 previstos não foram alcançados.
                                                                                  tro funções como um ciclo que tem início com o
                Ineficaz e        Os objetivos não foram alcançados e              planejamento e termina no controle, que, por sua
                ineficiente       o consumo de recursos ultrapassou o              vez, subsidia uma nova etapa do planejamento:
                                 previsto.
               Fonte: Tenório (2000, p. 19).


               da organização, levando em consideração os resul-
               tados obtidos por outras organizações semelhantes
               ou mesmo nas expectativas criadas.

                      Já vimos que as organizações existem para produzir
                      bens e prestar serviços. Sua sobrevivência depende
                      de atenderem às expectativas de seus clientes e pro-
                      prietários, de encontrarem a melhor forma de rea-
                      lizar o trabalho necessário à produção desses bens e
                      à prestação de serviços, bem como de aproveitarem
                      da melhor forma possível os recursos de que dis-
                      põem (Tenório, 2000, p. 21).                                   Tenório (2000) afirma que, para melhor enten-
                                                                                  dimento do ato de gerenciar, é necessário um olhar
                 Dessa forma entendemos que a garantia de so-                     para a organização em que uma pirâmide contemple
               brevivência da organização é uma gerência compro-                  três níveis hierárquicos: estratégico ou institucional,
               metida e que é realizada através do exercício diário               tático ou gerencial e operacional ou de execução.
               de quatro funções primordiais denominadas fun-
               ções gerenciais (Tenório, 2000).


               Funções gerenciais
                  São quatro as funções essenciais ao trabalho do ge-
               rente: planejamento, organização, direção e controle.
                  Planejamento é a ação de determinar a finalidade e
               os objetivos da organização e prever as atividades, os
                                                                                     O nível estratégico contempla a definição da fina-
               recursos e os meios que permitirão atingi-los ao longo
                                                                                  lidade e dos objetivos a serem perseguidos, num dado
               de um período determinado (Tenório, 2000, p. 22).
                                                                                  período. As decisões tomadas, nesse nível hierárqui-
                  Organização é a ação de agrupar pessoas e recur-
                                                                                  co, geralmente estão relacionadas à organização toda
               sos, definir atribuições, responsabilidade e normas,
                                                                                  sem fazer discriminações entre clientes/usuários,
               de modo a atingir a finalidade e os objetivos previs-
                                                                                  fornecedores, concorrentes, financiadores e demais
               tos (op. cit.).
                                                                                  entidades, avaliando suas relações mútuas. São temas
                 Direção é a ação de conduzir e motivar pessoas a
               exercerem suas tarefas a fim de alcançar os objetivos               2
                                                                                      Disponível em: <http://kmol.online.pt/artigos/2005/02/01/
               organizacionais (op. cit.).                                            paradigma-gc>. Acesso em: 8 abr. 2009.


                                                                             21


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             abordados durante assembleias, conselhos de admi-           que se deve planejar, organizar, dirigir, controlar e
             nistração ou reuniões de diretoria (Tenório, 2000).         tomar decisões estratégicas, táticas ou operacionais.
                Sobre o nível tático, as decisões são tomadas es-        Tais condições são inerentes ao ato de gerenciar.
             pecificamente para cada setor da organização. Nessa             Percebemos que muitas organizações do terceiro
             fase os responsáveis pelas tomadas de decisão são os        setor necessitam de embasamento técnico-científico
             diretores, chefes de departamento, coordenadores            em administração para que suas atividades tenham
             que deverão se preocupar individualmente com suas           planejamento e, numa forma bem simples, abando-
             respectivas áreas de competência (Tenório, 2000).           nem a forma intuitiva de gestão para que se emba-
                No nível operacional, temos as atividades neces-         sem nos fundamentos administrativos disponibili-
             sárias ao cumprimento dos objetivos da organiza-            zados a todos.
             ção. Aqui são resolvidas questões cotidianas e cor-           O século 21 traz para as organizações em geral o
             riqueiras.                                                  conhecimento tácito de questões gerenciais, de ad-
                                                                         ministração, essenciais para o bom desenvolvimento
             CONCLUINDO                                                  das atividades a serem executadas. É chegada a hora
               Podemos resumir gerenciamento como a busca                de abandonar a intuição gerencial e nos utilizarmos
             pela eficiência, eficácia e efetividade, o que implica        do embasamento teórico disponível.



               *    ANOTAÇÕES




                                                                    22


Modulo 01.indd 22                                                                                                            2/6/2009 12:15:39
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                                                               AULA

                                        ____________________          3
                          GESTÃO SOCIAL – ASPECTOS IMPORTANTES

                    Conteúdo
                    • Gestão social – contextualização histórica.

                    Competências e habilidades
                    • Identificar os principais aspectos que permeiam e englobam a conceituação de gestão social na atua-
                      lidade.
                    • Definir referenciais históricos que pontuem o início da utilização da gestão social.
                    • Refletir sobre a gestão social e o papel do assistente social nesse contexto.


                    Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                    Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                    Duração
                    2 h/a – via satélite com o professor interativo
                    2 h/a – presenciais com o professor local
                    6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




               INTRODUÇÃO                                                        cipação na formulação de políticas sociais nos mais
                  A gestão social no Brasil tem início com a partici-            variados setores.
               pação da sociedade civil organizada, por intermédio                  Faz-se necessário a busca e entendimento do real
               do conhecido terceiro setor que trouxe novas possi-               papel do assistente social no século 21 a partir de
               bilidades à população.                                            fragmentos históricos que tragam a resposta sobre
                  Segundo alguns estudiosos, a questão da partici-               os caminhos seguidos pelo processo de gestão social
               pação popular começou por meio das associações                    no Brasil até chegar aos dias atuais.
               de bairros, de moradores e de mulheres. Posterior-
               mente, com a introdução dos governos participati-                 GESTÃO SOCIAL – CONTEXTUALIZAÇÃO
               vos, a população conseguiu, com os mais variados                  HISTÓRICA
               conselhos municipais, estaduais e até mesmo fede-                   Abordar a gestão social nos remete a refletirmos
               rais, buscar entendimento sobre os gastos públicos,               sobre alguns fatores históricos que tiveram gran-
               as prioridades governamentais e até mesmo a parti-                de influência no processo de desenvolvimento da

                                                                            23


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             gestão pública social. Precisamos em primeiro lu-                     Em relação aos movimentos sociais, o golpe de 64
             gar fazer um apanhado histórico sobre os direitos                  trouxe o fechamento de muitos sindicatos e as ligas
             da população e a forma da sociedade civil em se                    camponesas foram liquidadas. Lembrando, ainda,
             organizar, pois, mesmo com todas as violações já                   que o movimento estudantil foi o mais perseguido
             ocorridas no decorrer da história brasileira, o povo               nesse período. Com o Ato Institucional n.º 5 em
             sempre conseguiu se reunir e reivindicar seus direi-               dezembro de 1968 houve a suspensão das garantias
             tos. Abordaremos principalmente a implantação do                   constitucionais e um endurecimento da repressão
             sistema neoliberal no Brasil e suas consequências                  policial-militar “(...) Entre 1968 e 1973 a oposição
             diretas no novo modelo de administração pública                    ao regime ficou praticamente por conta das organi-
             e na nova forma de posicionamento da sociedade                     zações de esquerda que optaram pela luta armada e
             por meio dos movimentos sociais. Assim podemos                     que acabaram sendo destruídas pelas forças de re-
             entender que:                                                      pressão” (Lesbauspin, Steil e Boff, 1996, p. 24).
                    Gestão social é uma forma de gestão de políticas               Porém, podemos analisar que foi no período da
                    públicas (federais, estaduais ou municipais), exer-         ditadura militar que os movimentos populares reor-
                    cida por instituições governamentais e da socieda-          ganizaram-se por meio dos clubes de mães, associa-
                    de civil, baseada na mobilização das comunidades;           ções de moradores e comunidades de base, em me-
                    na democracia interna de seus processos decisó-             ados da década de 1970. Em 1978 as greves públicas
                    rios; na transparência de suas decisões e ações e na        retornaram, após 10 anos de paralisação. E em 1979
                    criação de canais de participação que a tornem efe-         houve um forte Movimento Feminino pela Anistia,
                    tivamente representativa do querer local (Projeto
                                                                                para que os exilados pudessem retornar ao Brasil.
                    Inovar, 2005, p. 25).
                                                                                Apesar de não ter a sua participação muito difundi-
                Para melhor entendermos os caminhos trilha-                     da, a Igreja Católica no Brasil teve um papel impor-
             dos pela gestão social faremos uma breve análise                   tante como principal ponto de apoio de luta contra a
             de pontos principais da história, tendo como início                ditadura, por intermédio das Comunidades Eclesiais
             a análise dos fatos a partir do regime da ditadura                 de Base (CEBs) e da Conferência Nacional dos Bispos
             militar, contraponto de direitos e liberdades sociais.             do Brasil (CNBB) (Lesbauspin, Steil e Boff, 1996).
             Houve no Brasil um período conturbado em que                          Relembrando as aulas do quinto semestre sobre
             a população teve seus direitos cerceados e que não                 o terceiro setor, foi no decorrer dos anos 1970 que
             existia a democracia, conhecido como período da                    surgiram as primeiras organizações não governa-
             ditadura militar (1964-1985).                                      mentais no Brasil (ONGs). Lembre-se de que nessa
                                                                                época não se utilizava ainda essa denominação, e es-
                !   ATENÇÃO                                                     sas organizações tinham basicamente como foco a
                                                                                educação popular. Em 1988 existiam no Brasil 1.288
                   A melhor forma de sabermos de detalhes
                                                                                ONGs e 402 entidades ecologistas, mas havia pouca
                que não existem nos livros é conversando di-
                                                                                ou quase nenhuma visibilidade a tais movimentos
                retamente com pessoas que viveram a época da
                                                                                da sociedade civil organizada (Landim apud Les-
                ditadura militar, que sofreram na pele a inexis-
                                                                                bauspin, Steil e Boff, 1996).
                tência do direito à liberdade de expressão e to-
                                                                                  Em 1988 foi promulgada a Constituição Federal
                dos os outros direitos cerceados ou inexistentes,
                                                                                que, por meio do parágrafo único “(...) Todo o po-
                por isso não se acanhe em conversar com seus
                                                                                der emana do povo, que o exerce por meio de repre-
                avós, tios e até mesmo com seus pais sobre esses
                anos que marcaram a história do Brasil.                         sentantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
                                                                                Constituição” (Brasil, 2008, p. 13), traz consigo a ga-


                                                                           24


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AULA 3 — Gestão Social – Aspectos Importantes

               rantia do direito à participação direta na adminis-          rantias conquistadas pelos funcionários efetivos ou
               tração pública, mas somente em 1992 com a Confe-             de carreira. Salienta-se ainda que, nos países em que
               rência Internacional sobre o Meio Ambiente no Rio            foi implantado o neoliberalismo, houve um aumen-
               de Janeiro (Eco-92) é que teve início a divulgação           to no trabalho informal, ou seja, sem carteira assi-
               das ações brasileiras internacionalmente voltadas            nada, sem direitos trabalhistas assegurados, como
               para essa vertente da participação da sociedade.             os camelôs, ambulantes, diaristas ou domésticas,
                  A campanha contra a fome – Ação da Cidadania              entre outros (Lesbauspin, Steil e Boff, 1996).
               contra a Fome, a Miséria e pela Vida –, do sociólogo           Concordamos com Carvalho (2001) quando essa
               Betinho, na época do Ibase, trouxe uma mudança               autora afirma que:
               no olhar e na ação efetiva das ONGs, pois se mos-
                                                                                 A transformação produtiva, o desemprego e a pre-
               trou ao país que muitas instituições com poucos re-
                                                                                 carização das relações de trabalho produziram au-
               cursos obtinham êxito em suas ações. É claro que a                mento da pobreza e das desigualdades sociais, en-
               ação dessas instituições não substituía a ação do go-             fraquecendo o protagonismo maior da classe tra-
               verno, mas mostrava que vontade política poderia                  balhadora. Em contrapartida, novos atores sociais
               superar a questão da miséria no Brasil (Lesbauspin,               emergiram: os movimentos sociais deslocaram
               Steil e Boff, 1996).                                              para a sociedade civil um papel central na defini-
                  Aos nos depararmos com a organização da socie-                 ção da agenda política dos Estados. As organizações
               dade civil, não podemos de forma alguma deixar de                 não governamentais são uma expressão desse novo
                                                                                 protagonismo, alargando e revitalizando a esfera
               abordar o sistema neoliberal que teve sua introdu-
                                                                                 pública. (...) As compressões políticas e econômi-
               ção no Brasil a partir do governo Collor, nos anos
                                                                                 cas globais, as novas demandas de uma sociedade
               1990. Alguns autores relatam que dados estatísticos
                                                                                 complexa, os déficits públicos crônicos, a revolu-
               afirmam que, a partir da implementação do siste-                   ção informacional, a transformação produtiva, o
               ma neoliberal, em alguns países como os Estados                   desemprego e a precarização das relações de traba-
               Unidos da América (EUA) houve um considerável                     lho, a expansão da pobreza e o aumento das desi-
               aumento da população abaixo da linha da pobreza.                  gualdades sociais são alguns dos tantos fatores que
               Na Inglaterra ressurgiu a população de rua, sendo                 engendram demandas e limites e pressionam por
               que nos dois países houve falência de indústrias e o              novos modos de gestão da política social (Carvalho,
               desemprego aumentou em larga escala (Lesbauspin,                  2001, p. 16).
               Steil e Boff, 1996).
                                                                               A autora acima ainda relata que a onda neolibe-
                  A política neoliberal trouxe consequências catas-         ral dos anos 1980 e 1990 na qual existia a proposta
               tróficas para o mundo desregulamentando e flexibi-             de um Estado mínimo e a prioridade no mercado
               lizando as relações de trabalho. É um momento de             para que se enfrentasse a crise emanada a partir da
               novas descobertas, do surgimento de novas tecnolo-           transformação produtiva, do desemprego, das rela-
               gias, processos que, de alguma forma, acabam pou-            ções precárias entre trabalhador e empregador e da
               pando a mão de obra. Assim, as relações trabalhistas         crescente expansão da pobreza está em descrédito. E
               acabaram se tornando precárias e há um boom nas              que o neoliberalismo, até então pensado como so-
               conhecidas terceirizações pelas grandes empresas,            lução, não foi capaz de enfrentar a crise, e que defi-
               indústrias e até mesmo por pequenos comerciantes             nitivamente não houve a esperada diminuição dos
               (Lesbauspin, Steil e Boff, 1996).                            gastos públicos. Dessa forma surgem os novos ato-
                  As grandes e até mesmo médias e pequenas em-              res para garantir os direitos existentes e lutar pela
               presas, indústrias que anteriormente contratavam             implementação de novos direitos, definindo então
               diretamente seus funcionários, partiram para a ter-          mudanças significativas nos padrões de governabi-
               ceirização em massa, diminuindo salários e as ga-            lidade preexistentes à crise.

                                                                       25


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

                Com a globalização, processo desencadeado pelo                    A gestão social consiste em um processo de empo-
             neoliberalismo, presenciou-se na área social o forta-             deramento da sociedade e é composta basicamente
             lecimento da sociedade civil por meio de um novo                  por três atores: governo, mercado e sociedade civil.
             caminho denominado terceiro setor (o primeiro se-                 A gestão social busca fazer com que a população
             tor está relacionado ao Estado e o segundo setor ao               reflita e participe ativamente dos processos demo-
             mercado) com sua representatividade nas organiza-                 cráticos e históricos do Brasil. Desmistificando um
             ções da sociedade civil (OSCs) e fundações empre-                 velho preconceito instituído pelo senso comum de
             sariais sem fins lucrativos que se relacionam mun-                 que “para pobre qualquer coisa serve”. Ela só existe
             dialmente com outras instituições com as mesmas                   quando a população, por meio dos canais de parti-
             finalidades (Carvalho, 2001).                                      cipação, passa a participar efetivamente e concebê-
                Fischer et al. (2006) trazem uma definição mui-                 los como direito, tais como os próprios conselhos
             to clara das organizações da sociedade civil e que                gestores e de direitos.
             utilizamos em nossa primeira aula e que será útil                    Percebemos em toda sociedade um desconten-
             durante toda essa disciplina:                                     tamento contínuo. A população está cada vez mais
                                                                               exigente. Clama por ética, pela transparência, pelo
                    Definida pela autonegação e relativa exclusão do
                                                                               correto, pelo bom e pelo reto.
                    Estado e do mercado (não governamentais, não lu-
                    crativas), as OSCs advogam autonomia, bem como                De grande importância é o comprometimento e
                    perfis visíveis na gestão social do desenvolvimento         a postura ética do profissional de Serviço Social no
                    a identificação com a ética do bem comum e o uso            trabalho desenvolvido com toda população. Com
                    do espaço público como contexto de referência.             uma postura ética, o profissional de Serviço Social
                    Sua legitimidade deriva das ações que empreendem           pode orientar a população/comunidade a refle-
                    e do impacto que elas têm na sociedade civil em            tir sobre suas necessidades e tecer suas exigências,
                    que se originam e que, de forma especial, espelham         pois somente dessa forma teremos o processo de
                    (Fischer et al., 2006, p. 790-791).                        construção da gestão social implementado. Alguns
                O terceiro setor tem papel fundamental nesse                   princípios são básicos e precisam ser relembrados e
             novo processo de gestão social, pois as OSCs bus-                 abordados durante esse processo:
             cam desde o início de suas fundações a capacidade                      Democracia e participação: uma gestão democráti-
             de articulação com a comunidade, implantação do                        ca é aquela que abre canais de participação desde
             voluntariado, parcerias com o Estado para gerir o                      os níveis mais elementares – grupos de esporte nas
             sistema público por meio de políticas e programas,                     comunidades rurais, por exemplo – até os de maior
             democracia e participação, transparência, controle                     responsabilidade, como os conselhos gestores; vai
             social e respeito às pessoas e aos processos.                          até as pessoas e estabelece com elas uma relação
                Dowbor (1999) discorre sobre o processo cons-                       aberta, positiva e dialógica; as pessoas têm o direito
             tante de construção da gestão social, e concordamos                    de opinar, serem ouvidas e respeitadas; as decisões
             com ele quando afirma que:                                              são abertas e não restritas a um pequeno grupo; os
                                                                                    critérios de decisão são construídos em conjunto,
                    As tendências recentes da gestão social nos obrigam             conhecidos e assumidos por todos.
                    a repensar formas de organização social, a redefi-               Transparência: uma instituição com gestão trans-
                    nir a relação entre o político, o econômico e o so-             parente é aquela que cria canais de comunicação
                    cial, a desenvolver pesquisas cruzando as diversas              regulares e permanentes, informando as pessoas e
                    disciplinas, a escutar de forma sistemática os ato-             as comunidades dos atos, das negociações, das de-
                    res estatais, empresariais e comunitários. Trata-se             cisões, dos critérios, dos resultados, dos ganhos, das
                    hoje, realmente, de um universo em construção                   perdas e, principalmente, da gestão financeira sob
                    (Dowbor, 1999, p. 12-13).                                       sua responsabilidade, em linguagem acessível.

                                                                          26


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AULA 3 — Gestão Social – Aspectos Importantes

                    Controle social: conforme Andrade (2004), a ges-
                    tão com controle social está diretamente vinculada                 !    SAIBA MAIS!
                    à ideia de constituição de uma esfera pública de-                     Você sabia que existe a Ouvidoria da União?
                    mocrática, que possa viabilizar o controle dos go-                 No site da Controladoria Geral da União (www.
                    vernantes pela sociedade. A ideia básica reside na                 cgu.gov.br) você acessa o link ouvidoria e pode
                    possibilidade de os grupos organizados influírem e
                                                                                       fazer sua reclamação em relação aos agentes, ór-
                    decidirem sobre o tipo de sociedade e de ação go-
                                                                                       gãos e entidades do Poder Executivo federal. E
                    vernamental necessárias ao bem-estar da coletivi-
                                                                                       mais você sabia que existem sites relacionados à
                    dade, além de manter mecanismos de avaliação das
                                                                                       Controladoria da União em que podemos saber
                    ações governamentais. Isso supõe a institucionali-
                                                                                       mais sobre a transparência dos gastos públicos?
                    zação de instrumentos de controle do setor público
                    pela sociedade, garantindo não somente a fiscali-                   O site é o (www.cgu.gov.br/transparencia/) e lá
                    zação do orçamento, mas também a definição de                       você pode verificar por unidade da Federação
                    prioridades, estratégias de ação e localização dos                 e ainda por servidor os gastos até mesmo com
                    serviços.                                                          diárias e passagens.
                    Respeito às pessoas e aos processos: respeitar as pes-
                    soas e as instituições tem a ver com a compreensão
                    de que elas têm um tempo de amadurecimento das                         gestões referentes a procedimentos e ações de agen-
                    consciências e dos processos que precisam ser con-                     tes, órgãos e entidades do Poder Executivo federal.
                    siderados. Portanto construir processos locais de                      A Ouvidoria-Geral também tem a competência de
                    desenvolvimento sustentável pressupõe o conhe-                         coordenar tecnicamente o segmento de ouvidorias
                    cimento, o entendimento e a prática desses prin-                       do Poder Executivo federal, bem como de organizar
                    cípios da gestão social (Projeto Inovar, 2005, p. 27                   e interpretar o conjunto das manifestações recebidas
                    – grifo nosso).                                                        e produzir indicativos quantificados do nível de sa-
                                                                                           tisfação dos usuários dos serviços públicos prestados
                  Acreditamos que negociar é o verbo primordial                            no âmbito do Poder Executivo federal.3
               na gestão social e é um dos papéis dos conselhos,
               sindicatos, associações e outras instituições que fa-                 Nosso papel, tanto como cidadão quanto profis-
               zem parte da sociedade civil organizada e politizada.              sionais da área social é divulgar os meios de partici-
               Ao abordarmos a temática da gestão social, falamos                 pação e como acontecem aos nossos usuários e prin-
               do espaço institucional aberto entre governo, mer-                 cipalmente se informando sobre a disponibilidade
               cado e sociedade civil organizada para a negociação                desses canais e as formas de atendimento, pois para
               de interesses diferentes e muitas vezes até mesmo                  nos tornarmos multiplicadores de conhecimento,
               conflitantes, mas sempre um espaço de negociação                    precisamos inicialmente ter tais conhecimentos.
               e construção de um projeto em comum.
                  É bom ressaltar que os canais de participação po-               CONCLUINDO
               pular existentes atualmente são: orçamentos parti-                    O processo de gestão social, ou como define Fischer
               cipativos, conselhos municipais, estaduais e federais              et al. (2000) gestão do desenvolvimento social, é um:
               dos direitos humanos, da saúde, de assistência so-
                                                                                           (...) reflexo das práticas e do conhecimento cons-
               cial, de educação, conselhos gestores, fóruns, movi-
                                                                                           truído por múltiplas disciplinas, delineando-se
               mentos sociais, planos diretores municipais e outras
                                                                                           uma proposta multiparadigmática, de natureza
               formas de participação popular.
                                                                                           interdisciplinar. Como as ações mobilizadoras par-
                    A Ouvidoria-Geral da União, ligada à Controladoria-                    tem de múltiplas origens e têm muitas direções,
                    Geral da União (CGU), é responsável por receber,
                                                                                  3
                    examinar e encaminhar reclamações, elogios e su-                  Disponível em: <www.cgu.gov.br/CGU/>. Acesso em: 27 dez. 2008.


                                                                             27


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

                    as dimensões praxiológica e epistemológica estão           lembrando sempre que as dificuldades e particula-
                    entrelaçadas. Aprende-se com as práticas, e o co-          ridades territoriais também devem ser levadas em
                    nhecimento se organiza para iluminar a prática. A          consideração. O nosso papel, do assistente social, na
                    gestão do desenvolvimento é uma forma de gestão            gestão social vai muito além de “incitar” os atores
                    social, a transição entre modelos do século passado        envolvidos a uma participação ativa, mas obedece a
                    e novas formas, comprometidas com utopias de de-
                                                                               preceitos éticos, buscando cidadãos que façam que
                    senvolvimento local, que os tempos de crise fazem
                                                                               toda a população envolvida tenha conhecimento e
                    emergir (Fischer et al., 2006, p. 797).
                                                                               acesso às políticas públicas, às legislações que re-
                Ou seja, precisamos acima de tudo entender o                   gulamentam nossa sociedade. Relaciona-se direta-
             processo como um todo para que possamos parti-                    mente ao “ser” cidadão e ao conhecimento do que
             cipar ativamente, provocando os atores envolvidos,                vem a ser cidadania e sua importância no processo
             fazendo-os refletir sobre a situação atual brasileira,             da gestão social.



               *    ANOTAÇÕES




                                                                          28


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Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais
                                                               AULA

                                        ____________________          4
                                    POLÍTICAS, PLANOS, PROGRAMAS
                                      E PROJETOS – DEFINIÇÕES

                    Conteúdo
                    • Conceituações básicas de políticas, planos, programas e projetos.

                    Competências e habilidades
                    • Entender as diferenças básicas entre planos, programas e projetos.
                    • Identificar, na prática, como esses instrumentos estão dispostos no nosso dia a dia.


                    Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                    Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                    Duração
                    2 h/a – via satélite com o professor interativo
                    2 h/a – presenciais com o professor local
                    6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




               INTRODUÇÃO                                                        (políticas) e chega à parte prática, com a execução
                  Políticas, planos, programas e projetos fazem                  dos projetos.
               parte de uma só cadeia social e estão diretamente                   Se pudéssemos visualizar esse conjunto em uma
               ligados uns aos outros. A cadeia começa pelo macro                figura, seria assim representado:




                                                                            29


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

                Assim, trabalharemos com conceituações básicas                      finindo as áreas de atuação ou concentração, e para
             que darão entendimento real e concreto da ocupa-                       essas áreas são elaborados programas que possivel-
             ção e importância individual de cada elemento des-                     mente culminarão em projetos. Segundo esse autor,
             sa cadeia e do conjunto dessas definições. É preciso                    o programa nada mais é do que o aprofundamento
             ressaltar que todas as definições se complementam e                     do plano, com os detalhes da setorização das políti-
             interligam. As definições são complementares, por-                      cas e diretrizes dos planos. De maneira prática e ob-
             tanto fazem do conhecimento e do funcionamento                         jetiva, podemos dizer que um programa é um con-
             dessa cadeia social algo imprescindível para o traba-                  junto de projetos que buscam os mesmos objetivos.
             lho do assistente social.                                                 Podemos, ainda, definir programa simplesmen-
                                                                                    te como “um conjunto de projetos que perseguem
             CONCEITOS BÁSICOS DE POLÍTICAS, PLANOS,                                os mesmos objetivos. Estabelece as prioridades da
             PROGRAMAS E PROJETOS                                                   intervenção, identifica e ordena os projetos, define
                Conforme mencionado na introdução, políticas,                       o âmbito institucional e aloca os recursos a serem
             planos, programas e projetos são elos de uma mesma                     utilizados” (Cohen e Franco, 2008, p. 85).
             cadeia social, e, a despeito do envolvimento de ume-                      Esses autores afirmam que a maioria das orga-
             lemento com o outro, cada um deles apresenta parti-                    nizações que são responsáveis pelos programas
             cularidades. Esses são postulados básicos necessários                  encontram-se geralmente no primeiro setor, ou
             para o desenvolvimento das atividades na área social.                  seja, são, em sua maioria, de administração públi-
                Em primeiro lugar, pela perspectiva do plane-                       ca. Atualmente encontramos instituições privadas
             jamento, podemos afirmar que a política é um                            e do terceiro setor que atuam por meio de progra-
             “processo de tomada de decisões que começa com                         mas. É preciso mencionar ainda que os progra-
             a adoção de postulados gerais que depois são de-                       mas se situam temporalmente no período entre
             sagregados e especificados” (Cury, 2001, p. 43). Ou                     um e cinco anos. Devemos levar em consideração,
             seja, a política seria a base da pirâmide social, onde                 no entanto, que alguns programas excedem esse
             se estabelecem as definições a serem seguidas pelos                     período.
             planos, programas e projetos. Por exemplo, a políti-                      Alguns elementos são considerados básicos e de-
             ca social define como primordiais alguns trabalhos                      vem obrigatoriamente pertecer a um programa, en-
             com a família, idosos, crianças, deficientes, entre                     tre eles estão:
             outros. Mas são apenas grandes definições, com al-
             guns postulados básicos que somente dão referen-                            a síntese de informações sobre a situação a ser mo-
             ciais para a montagem dos planos.                                           dificada com a programação;
                                                                                         a formulação explícita das funções efetivamente
                Para a definição de plano, de acordo com
                                                                                         consignadas aos órgãos e/ou serviços ligados ao pro-
             Nogueira,4 “O plano delineia as decisões de caráter
                                                                                         grama, com responsabilidades em sua execução;
             geral do sistema, as suas grandes linhas políticas,                         a formulação de objetivos gerais e específicos e a
             suas estratégias, suas diretrizes e precisa responsabi-                     explicitação de sua coerência com as políticas, dire-
             lidades”. Assim, no plano estão relacionados meios                          trizes e objetivos do sistema maior, e de sua relação
             e fins a serem atingidos, determinando-se o tempo                            com os demais programas do mesmo nível;
             a ser despendido, bem como determinando quem                                a estratégia e a dinâmica de trabalho a serem adota-
             será responsável por cada delegação constante nele.                         das para a realização do programa;
                Cury (2001) afirma que, dentro de um plano, os                            as atividades e os projetos que comporão o pro-
             problemas são delimitados e é feita uma seleção, de-                        grama, suas interligações, incluindo a apresentação
                                                                                         sumária de objetivos e de ação;
             4
                 Disponível em: <www.jaironogueira.noradar.com/jairo13.htm>.
                                                                                         os recursos humanos, físicos e materiais a serem
                 Acesso em: 21 mar. 2009.                                                mobilizados para sua realização;

                                                                               30


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AULA 4 — Políticas, Planos, Programas e Projetos – Definições

                        a explicitação das medidas administrativas necessá-
                        rias para sua implantação e manutenção (Nogueira             !   SAIBA MAIS
                        [s/d]).                                                         Você sabia que... a palavra projeto vem do la-
                  Agora falaremos sobre projeto. Segundo a ONU                       tim projectus e significa o que se tem a intenção
               (1984) projeto “é um empreendimento planejado                         de fazer?
               que consiste num conjunto de atividades inter-rela-
               cionadas e coordenadas para alcançar objetivos es-                  inexistente (ausente), deverão existir os outros dois
               pecíficos dentro dos limites de um orçamento e de                    elos da cadeia: os programas e projetos (Cohen e
               um período de tempo dados” (ONU apud Cohen e                        Franco, 2008).
               Franco, 2008, p. 85).
                  Na figura a seguir, demonstraremos que o projeto
                                                                                   CONCLUINDO
               deve seguir quatro direções fundamentais que estão
                                                                                      Políticas, planos, programas e projetos estão in-
               interligadas como num ciclo. As quatro direções
                                                                                   terligados, dependendo um do outro para sua exis-
               culminam na mesma finalidade (que é o próprio
                                                                                   tência. São elementos básicos para o desenvolvimen-
               projeto) e devem andar juntas e articuladas.
                                                                                   to das atividades profissionais do assistente social,
                                                                                   desde a sua elaboração na parte técnica a prática até
                                                                                   a realização das ações alocadas dentro do projeto.
                                                                                      Assim, é preciso ter clareza do processo, sua inter-
                                                                                   ligação e funcionamento para que se possam desen-
                                                                                   volver, com habilidade e competência técnica, os pro-
                                                                                   jetos, e implementar políticas, planos e programas.
                                                                                   Tudo o que foi aqui mencionado apenas pretende
                                                                                   despertar para as reflexões iniciais sobre o tema abor-
                                                                                   dado. Cabe, agora, a cada um de vocês pesquisar e dar
                                                                                   continuidade aos estudos e colocar em prática a teo-
                                                                                   ria aprendida. Para finalizar, fica aqui um pensamen-
                  Um projeto geralmente se desenvolve entre um                     to do Johann Göethe para que possamos refletir.
               e três anos, mas em alguns casos, principalmen-
               te quando são parte de um programa, a duração é                           Toda uma corrente de acontecimentos brota da de-
                                                                                         cisão, fazendo surgir a nosso favor toda a sorte de
               maior. Pode-se dizer que tão prontamente conse-
                                                                                         incidentes, encontros e assistência material que ne-
               gue-se identificar e localizar os projetos no campo
                                                                                         nhum homem sonharia que viesse em sua direção.
               dos setores sociais, segue-se uma lógica sequencial,                      O que quer que você possa fazer, ou sonhe que o
               já descrita anteriormente: planos, programas e pro-                       possa, faça-o. Coragem contém genialidade, poder
               jetos. Lembre-se de que, mesmo quando o plano é                           e magia. Comece-o agora (Göethe).



                    *   ANOTAÇÕES




                                                                              31


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Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais
                                                                               Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais



                                                                                                                 AULA

                                                                                          ____________________           5
                                                                                               PAPEL DO GESTOR SOCIAL

                                                                      Conteúdo
                                                                      • Atribuições do gestor social.
                                                                      • Papel do assistente social como gestor social.

                                                                      Competências e habilidades
                                                                      • Ter conhecimento das atribuições e funções do gestor social na implementação das políticas públicas.
                                                                      • Discutir o papel do assistente social na gestão social.


                                                                      Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                                                                      Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                                                                      Duração
                                                                      2 h/a – via satélite com o professor interativo
                                                                      2 h/a – presenciais com o professor local
                                                                      6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




                      INTRODUÇÃO                                                                                        junho de 1993, trouxe-nos o embasamento legal do
                         Após falarmos sobre a gestão social, seu processo                                              nosso agir profissional.
                      de implantação para que esteja tal como se apresen-                                                  O gestor social deve ir muito além de delegar
                      ta hoje, falaremos sobre o papel importantíssimo                                                  funções e determinar ações, deve ter senso crítico,
                      do gestor social. Ator principal nas interlocuções e                                              capacidade gerencial, liderança e motivação; prin-
                      acordos entre poder público e sociedade civil.                                                    cipalmente saber trabalhar em grupo e lidar com as
                         O assistente social, sem sombra de dúvida, é o                                                 diferenças existentes, conseguindo de maneira hábil
                      profissional mais habilitado para atuar no processo                                                sobrepor-se às dificuldades encontradas durante o
                      da gestão social, como gestor social. Nossa forma-                                                processo da gestão social.
                      ção abarca conteúdos fundamentais para o trabalho
                      na área social, tais como: direito e legislação social,                                           ATRIBUIÇÕES DO GESTOR SOCIAL
                      movimentos sociais, terceiro setor, entre outras dis-                                                Abordamos inicialmente a questão do planejamen-
                      ciplinas de suma importância. A regulamentação                                                    to e da administração em Serviço Social para agora
                      de nossa profissão, através da Lei n.° 8.662, de 7 de                                              podermos falar do papel do gestor social, pois ele deve

                                                                                                                 32


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AULA 5 — Papel do Gestor Social

               primordialmente ter conhecimento de conceitos                         eficácia; liderança; análise contextual interna e ex-
               inerentes à administração, sabendo em princípio                       ternamente com capacidade de adaptação a novas
               sobre o desafio dos 3 Es.                                              situações; negociação e convencimento; sensibili-
                  Mas você sabe do que se trata esse desafio? Nada                    dade para definição de prioridade; transparência à
               mais é do que saber a diferença básica entre eficiên-                  gestão e se organizar “administrativamente”.
               cia, eficácia e efetividade (Curty, 2001).                                Perceba que para ser um bom gestor social, você
                                                                                     precisa ir de um extremo a outro. Sabendo ser sen-
                        O que é eficiência? É a melhor forma de fazer algo
                                                                                     sível para perceber pequenos detalhes do processo
                        com os recursos existentes. Já a eficácia é alcançar
                        o objetivo pré-estipulado. E efetividade está direta-        da gestão e ter pulso firme para saber quais atitudes
                        mente relacionada com o impacto social obtido, ou            deverão e precisam ser tomadas para que os proje-
                        seja, é a capacidade de corresponder às expectativas         tos e/ou programas tenham êxito.
                        da sociedade.                                                   Um bom gestor conhece técnicas de gerencia-
                                                                                     mento como ninguém e as coloca em prática dia-
                  Concordamos com Fischer et al. quando afir-
                                                                                     riamente, desde o momento em que entra na sua
               mam que “ao tratarmos de gestão social, articula-
                                                                                     instituição e até mesmo nos momentos em que está
               mos liderança e management, eficácia, eficiência e
                                                                                     planejando ações para a equipe/o grupo ou a comu-
               efetividade social. Estamos tratando de mediações
                                                                                     nidade na qual está envolvido e é responsável.
               sociais realizadas por indivíduos (gestores) e suas
               organizações” (Fischer et al., 2006, p. 797).                            O pensador grego Sófocles disse que “o poder re-
                                                                                     vela o homem” e isso é uma grande verdade, pois
                        O que caracteriza esse gestor, basicamente, além da          se não soubermos utilizar o nosso bom senso, a ca-
                        capacidade de mediação, é a visão que precede qual-          pacidade de lidar com pessoas e grupos diferentes,
                        quer ato de gestão. Vários autores falam da visão            consequentemente, não seremos bons na gestão e
                        do líder. Da literatura pop management aos estudos
                                                                                     gestores habilitados.
                        mais consistentes sobre o indivíduo enquanto líder,
                                                                                        Para ser e se tornar um bom gestor social, tem
                        a capacidade de ver, retrospectiva e prospectiva-
                        mente, definem o presente organizacional (Fischer             que se ter muito além da formação superior e expe-
                        et al., 2006, p. 797).                                       riência na área social. Deve-se ser alguém compro-
                                                                                     metido com a causa que “abraçou” e principalmente
                                                                                     agir corretamente com todas as pessoas envolvidas
                    !   ATENÇÃO
                                                                                     no contexto, sejam projetos, programas, ações pon-
                      Management é palavra originária da língua                      tuais, equipe de trabalho, comunidade atendida etc.
                    inglesa e pode ser entendida como: gerência,                     Precisa-se ter transparência nas decisões, na presta-
                    gestão ou gerenciamento.                                         ção de contas, ser solidário e acreditar naquilo que
                                                                                     se trabalha.
                                                                                        Quantas vezes já não ouvimos alguém falar mal
                  Concordamos com Souza (2001) quando afirma                          do lugar onde trabalha? Isso é a prova viva da fal-
               que, no processo da gestão social, o gestor é o gran-                 ta de ética, pois um bom gestor não toma atitudes
               de facilitador e mediador da gestão e que o sucesso                   nesse sentido. Ele é um profissional assertivo, com-
               de um programa ou projeto depende quase que ex-                       petente, hábil, eficaz e eficiente. Não devemos nos
               clusivamente do seu papel.                                            esgotar em falar na ética, nos bons hábitos com o
                  Souza (2001) relata algumas características bási-                  próximo e ainda de como é importante a sua ima-
               cas e primordiais que o gestor, não só o social, mas                  gem junto às pessoas que você trabalha.
               todos que gerem algum negócio, precisa possuir.                         Não adianta dizer aquele ditado antigo: “faça o
               Capacidade de comunicação interna e externa com                       que eu falo, mas não faça o que eu faço” porque isso

                                                                                33


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             não faz sentido na vida real. As pessoas que acabam                  O gestor social deve estar preparado para:
             convivendo com cada um de vocês, seja profissional
                                                                                     (...) atuar num contexto de desafios e tensões en-
             ou emocionalmente, se espelham em vocês, acham
                                                                                     tre a eficiência (busca de resultados) e a democra-
             “bacana” isso ou aquilo que você fez, acham-o ino-
                                                                                     cia (busca da participação social), o individual e o
             vador e muitas vezes podem até chamar de “irreve-                       coletivo, o político e o técnico; considerar as ques-
             rente”. Mas, lembre-se: nunca devemos ser taxados                       tões de forma integral, não fragmentada (aspectos
             de “alienados” ou que você está ali na instituição                      sociais, culturais, ambientais, políticos e econô-
             somente para dizer que faz o bem ao próximo. Essa                       micos); ultrapassar as tensões dicotômicas entre
             imagem realmente não é a melhor, muito menos                            teoria e prática, local e global, disciplinar e inter/
             a ideal, nem para você nem para a instituição que                       transdisciplinar; ter a capacidade de migrar entre
             você representa.                                                        esferas e de atuar em rede, o que requer formação
                                                                                     generalista e habilidade de comunicação e arti-
                Então, vista-se literalmente para o trabalho, dedi-
                                                                                     culação; trabalhar com a diversidade e respeitando
             que-se, acredite no que você faz, faça diferente, seja
                                                                                     cultura e linguagem de cada local; criar referências
             irreverente, mas não perca as rédeas do seu trabalho
                                                                                     próprias do local, de contribuir para a construção
             e tenha consciência de que lidar com o ser humano                       de sujeitos sociais em cada processo em que atua;
             é uma tarefa muito difícil, mas extremamente pra-                       avaliar criticamente contextos e ações, para selecio-
             zerosa, pois senão você não teria escolhido a profis-                    nar tecnologias sociais apropriadas; ser um gestor
             são que escolheu.                                                       de conflitos, um mediador de interesses diferencia-
                                                                                     dos; ser um avaliador.5
             PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL COMO GESTOR
                                                                                O conceito de gestor está ligado tradicionalmente
             SOCIAL
                                                                             à área de administração, seguindo muitas vezes um
                Conforme foi dito anteriormente para que seja-               modelo clássico. A diferença para o gestor social é
             mos assistentes sociais passamos por um curso de                que sua área de atuação é a social, mas, indo além,
             nível superior em que inúmeras disciplinas abarca-              o gestor precisa conhecer ferramentas administra-
             das ligam-se diretamente ao trabalho em comuni-                 tivas, faladas na nossa Aula 1 e aplicá-las, correla-
             dade, terceiro setor, psicologia, entre outras necessá-         cioná-las na área social, fazendo uma relação real
             rias para a formação de um profissional competente               entre prática e teoria para ser efetivamente um bom
             e habilitado no trato com o outro.                              gestor social.
                Muitos têm habilidade nata e nascem verdadeiros
             líderes, tendo muitas vezes em sua vida escolar pre-            CONCLUINDO
             gressa participado de conselhos de classe, metido, lite-           Falamos nesta aula sobre o papel do gestor social
             ralmente, o dedo onde não foram chamados e muitas               e do papel importante desenvolvido pelo assistente
             vezes ouvido suas mães contarem que, quando eram                social na área social. Alguns de vocês podem, ainda,
             pequenininhos, sempre souberam o que queriam                    não acreditar no poder de unir teoria com prática e
             para comer, vestir e até mesmo quem queriam para                principalmente de reconhecer dentro de cada um de
             seus amigos, e vocês tinham apenas 5 anos.                      vocês as possibilidades de ser um líder-cooperativo,
                Outros desenvolvem essa habilidade no decorrer               proativo, sensível, ouvindo, literalmente, cada uma
             da vida, mas ser assistente social requer primordial-           das pessoas com que trabalha, seja na instituição ou
             mente que você saiba lidar com os outros, com as                na própria comunidade onde desenvolve suas ativi-
             diferenças, muitas vezes com classes marginalizadas             dades/ações.
             e estigmatizadas por nossa sociedade, então quer
             você queira ou não você é um gestor nato. Você                  5
                                                                                 Disponível em: <www.adm.ufba.br/contents.php?opc=CRSO&nCrso
             realmente nasceu para isso!                                         Id=4>. Acesso em: 14 mar. 2009.


                                                                        34


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AULA 5 — Papel do Gestor Social

                  O melhor exercício a ser feito posteriormente à             Reflita e veja como prática e teoria estão direta-
               nossa aula de hoje será o de verificar dentro de cada        mente relacionadas ao seu cotidiano, e como atitu-
               um de vocês como lidam com o resto do mundo.                des assertivas e proativas são necessárias não só em
               Como são suas atitudes em relação ao próximo?               sua vida pessoal, mas na gestão social. Pergunte-se
               Qual solidário e disponível você está em aprender           se já está preparado para ser um bom gestor social e
               e reconhecer que sua opção muitas vezes não era a           mãos à obra, não será sentado que você conseguirá
               melhor para aquele determinado momento?                     relacionar a teoria com a prática.




                    *   ANOTAÇÕES




                                                                      35


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Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais
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                                                                                                                             AULA

                                                                                                     ____________________         6
                                                                                              O QUE É UM PROJETO SOCIAL?
                                                                                           IMPLICAÇÕES DIRETAS NA REALIDADE

                                                                                Conteúdo
                                                                                • Projeto social e suas implicações diretas na realidade.

                                                                                Competências e habilidades
                                                                                • Compreender a importância do projeto social para mudar segmentos vulnerabilizados ou estigmati-
                                                                                  zados bem como na vida de pessoas em situação vulnerável dentro da sociedade.
                                                                                • Entender o conceito de projeto social.


                                                                                Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                                                                                Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                                                                                Duração
                                                                                2 h/a – via satélite com o professor interativo
                                                                                2 h/a – presenciais com o professor local
                                                                                6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




                      INTRODUÇÃO                                                                                                       seja através da capacitação dos executores, seja por
                         Não basta só enfrentar as questões sociais, é                                                                 meio da contratação de consultoria externa ou coo-
                      preciso a capacitação e especialização das pessoas                                                               peração técnica de especialistas (Freitas, 2001, apud
                                                                                                                                       Santos, 2003, p. 40).
                      envolvidas em projetos sociais, tal como nos mos-
                      tra Freitas (2001),6 com muita propriedade, a se-                                                              Ao expormos nas aulas anteriores sobre o papel do
                      guir:                                                                                                       gestor social, já enfatizamos a importância da quali-
                                                                                                                                  ficação profissional do gestor envolvido no proces-
                                                                      (...) para o enfrentamento das questões sociais pre-
                                                                                                                                  so. Além da importância do gestor social, devemos
                                                                      cisamos mais do que vontade de acertar. A com-
                                                                                                                                  atentar às exigências do mercado, principalmente das
                                                                      petência técnica para propor, conduzir e avaliar
                                                                                                                                  agências financiadoras do projeto, pois a qualificação
                                                                      intervenções no campo social deve ser buscada,
                                                                                                                                  dos profissionais envolvidos no processo de elabora-
                                                                                                                                  ção e execução do projeto social é importante e de-
                      6
                                    Freitas, A. S. Projetos sociais. Porto Alegre: Alvorada, 2000.                                terminante para a aprovação ou não do projeto.

                                                                                                                             36


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AULA 6 — O que é um Projeto Social? Implicações Diretas na Realidade

                  Por sua vez, as agências financiadoras têm se vol-           nem por eficácia. “Ações desse tipo mobilizam mais
               tado para a efetividade das ações além do cuidado              gente para participar, promovem parcerias e moti-
               com a eficiência e eficácia no atendimento das metas             vam o grupo participante, facilitando a administra-
               propostas no projeto. Financiadores da área social,            ção mais racional e transparente dos recursos. É o
               ao fazerem a análise das propostas, procuram por               que chamamos de eficiência” (Armani, 2008, p. 19).
               “indicativos claros de que o proponente conhece o                 Os projetos sociais devem trazer legitimidade nas
               contexto no qual pretende atuar, tem condições de              suas ações e credibilidade junto à sociedade, que se
               criar alternativas para reverter ou amenizar a situa-          utilizarem de maneira correta a eficiência e eficácia
               ção problema enfocada e uma noção realista do es-              terão ótimos resultados com baixo custo.
               forço necessário e o custo da intervenção” (Santos,               Devemos ter, ainda, contínua e progressiva refle-
               2003, p. 40). Assim, torna-se importante e crucial             xão coletiva sobre a experiência durante a execução
               que, além da boa utilização dos recursos disponi-              do projeto. A produção coletiva de conhecimento a
               bilizados pela agência financiadora, as atividades              partir da sistematização de experiências é ponto cru-
               contribuam para a mudança positiva da situação                 cial para a validação dos projetos junto à comunidade
               problema que o projeto enfoca.                                 envolvida e com a sociedade que terá conhecimento
                  Por essa razão, um projeto social distanciado da            dos impactos e ações do projeto (Armani, 2008).
               realidade, que não atende às solicitações da comuni-              Os projetos surgem como um “(...) espaço para
               dade, que não intervém de forma positiva e que não             expressão de interesses e visões diferentes e de ne-
               é propositor de possibilidades sustentáveis direcio-           gociação e construção de consensos, assim como o
               nadas ao público-alvo, sem dúvida, não terá êxito              fortalecimento do protagonismo dos setores excluí-
               em sua execução.                                               dos. A esse processo chamamos de empoderamento
                                                                              (ou empowerment)” (Armani, 2008, p. 19).
               O QUE É UM PROJETO SOCIAL? IMPLICAÇÕES                            O autor finaliza as vantagens de atuar por inter-
               DIRETAS NA REALIDADE                                           médio de projetos sociais com a seguinte afirmação:
                  O Dicionário Aurélio define o termo projeto                        Por fim, ações sociais desenvolvidas através de pro-
               como: “plano, intento, empreendimento”, já a pa-                     jetos têm maior consciência técnica, aumentando a
               lavra social é definida como: “relativo à sociedade,                  chance para parcerias e o envolvimento organizado
               comunidade ou agremiação”. Logo, infere-se que                       dos beneficiários, resultando em mudanças mais
               projeto social é uma ideia, um plano a ser executado                 duradouras e sustentáveis. A isso chamamos de im-
               em benefício da sociedade, comunidade, agremia-                      pacto (Armani, 2008, p. 19).
               ção, associação etc. (Costa, 2007).
                  O projeto social carrega, em essência, a tarefa de            !    ATENÇÃO!
               mudar panoramas, atingir objetivos que modifiquem
                                                                                    • Um projeto social tem em vista a melhoria
               e/ou transformem a comunidade-alvo do projeto.
                                                                                      das condições de vida coletiva.
               Como é direcionado a comunidades e problemas es-
               pecíficos, existem vários métodos e linhas de planeja-                • O projeto social está vinculado a um pro-
               mento dentro do projeto social (Costa, 2007).                          blema social.
                  Armani (2008) afirma que existem várias vanta-
               gens em desenvolver projetos sociais, entre elas está o           Por tudo o que já vimos, é possível afirmar que
               desenvolvimento de ações sociais que foram formu-              a elaboração de um projeto é o ponto decisivo para
               ladas com seriedade, tendo estabelecido claramente             qualquer empreendimento. Em qualquer financia-
               os objetivos e atividades, tendo um gerenciamento              mento, seja governamental ou privado, o projeto é
               sistemático e participativo, que alguns autores defi-           o cartão de visita. Mais do que isso, é por meio do

                                                                         37


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             projeto que uma instituição se torna capaz de ad-            um projeto sem mercado, ou pior, que se sobrepo-
             ministrar os recursos recebidos e cumprir seus ob-           nha a outra atividade já desenvolvida e em anda-
             jetivos. Por essa, pode-se afirmar que, um projeto é          mento (Costa, 2007).
             antes de tudo um plano de trabalho, em outras pala-
             vras, uma atividade de planejamento (Costa, 2007).           CONCLUINDO
                Para exemplificar, vamos comparar o projeto a                 Os atores sociais, ou as pessoas que são parte da co-
             um planejamento de voo. No planejamento de voo               munidade envolvida com o projeto ou público-alvo,
             é preciso saber de onde se vai partir, onde pousar e         precisam estar diretamente ligados às ações do proje-
             quais procedimentos para que as rotas sejam segui-           to e envolvidos no seu desenvolvimento, pois assim a
             das e passageiros cheguem a salvo. De uma forma              possibilidade de sucesso será infinitamente maior.
             comparativa, entendemos que para elaborar um                    Não é sem razão que Santos (2001, p. 39) afirma
             projeto é necessário o conhecimento da comuni-               que “Um projeto social é um planejamento para so-
             dade na qual serão desenvolvidas as atividades, ou           lucionar um problema ou responder a uma carência
             seja, de onde é a partida do nosso voo. Onde pousar          social”.
             e os procedimentos das rotas a serem seguidas são               E, ainda, que é crucial a identificação de quais
             definidos dentro do projeto pelos objetivos, tanto o          são os atores sociais envolvidos, pois dessa forma
             geral quanto os específicos.                                  saberemos se a influência nos resultados do nosso
                Assim atendendo às rotas predeterminadas den-             projeto será negativa ou positiva e como se inserem
             tro do planejamento do voo, será possível uma ater-          esses atores na realidade social, ou seja, como eles
             rissagem segura, ou seja, teremos um projeto que             a explicam, pois não é possível a existência de uma
             efetivamente venha trazer sustentabilidade à comu-           solução única para todos os problemas sociais exis-
             nidade atendida e ainda que intervenha positiva-             tentes (Cury, 2001). Esse mesmo autor afirma que:
             mente em todo o contexto.
                                                                               Perceber a realidade em sua complexidade é compre-
                                                                               ender essa relação, todos interagindo como se partici-
             Como elaborar um bom projeto?                                     passem de um jogo – o jogo social, um jogo interativo,
                Um projeto bem redigido é simples e claro. Pos-                em que o resultado de uma jogada só será conhecido
             sui objetivos gerais e específicos. O bom projeto de-              após a jogada do outro (Cury, 2001, p. 45).
             limita as atividades e apresenta indicadores mensu-
                                                                             A afirmação de Cury pode ser complementada
             ráveis, o que é muito importante, pois é necessário
                                                                          por Huertas (1996), quando este menciona o jogo
             medir os resultados alcançados. Em se tratando de
                                                                          existente na relação projeto/comunidade:
             um projeto social, apontar os beneficiários é funda-
             mental. De praxe, cronograma e orçamento devem                    Qual o fundamento explicativo a partir do qual
             estar adequados ao trabalho (Costa, 2007).                        cada jogador faz seus planos para ganhar o jogo?
               Além desses aspectos mais básicos, um projeto                   A explicação de cada ator constrói uma realidade
             social precisa ter mercado. De nada adianta uma                   não é um amontoado de dados e informações: os
             proposta perfeita em todos os aspectos, se não hou-               dados e informações podem ser objetivos e podem
                                                                               ser igualmente acessíveis a todos. A explicação é
             ver quem financie. Para tanto, é preciso pensar no
                                                                               uma leitura de dados e informações que expressam
             projeto como um produto a ser colocado no merca-
                                                                               a realidade. Cada ator retira da realidade uma in-
             do e calcular a sua demanda.
                                                                               terpretação dos fatos, conforme as lentes que os ob-
                Alertamos que o trabalho exigido na redação de                 servam. Toda explicação é declarada, por alguém, e
             um bom projeto é grande, demorado e caro. Portan-                 esse alguém é um ser humano que tem seus valores,
             to, as equipes e as instituições devem se conscienti-             suas ideologias e seus interesses (Huertas, 1996,
             zar de que não adianta gastar tempo e dinheiro em                 apud Cury, 2001, p. 45-46).

                                                                     38


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AULA 6 — O que é um Projeto Social? Implicações Diretas na Realidade

                  Assim é preciso ficar claro que o projeto social traz            Para tanto, é preciso verificar se o projeto a ser
               em seu bojo a intervenção em uma realidade geral-               apresentado realmente intervirá em alguma reali-
               mente impregnada de preconceitos, discriminações,               dade negativa e se há possibilidade de parceria com
               vulnerabilidades sociais, violações de direitos, entre          seu público-alvo. Com um bom projeto, que vise à
               tantos outros abusos e prejuízos sociais. A ação do pro-        realidade concreta e seja bem formulado, sempre se-
               jeto social é, pois, direta sobre um problema social.           rão colhidos bons frutos.



                    *   ANOTAÇÕES




                                                                          39


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais



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                                                                                   ____________________           7
                           Intervenções Sociais
        Unidade Didática – Planejamento de




                                                                      ROTEIRO BÁSICO DE UM PROJETO SOCIAL

                                                             Conteúdo
                                                             • O ciclo de um projeto social.
                                                             • Sugestões básicas para a elaboração de um projeto social.

                                                             Competências e habilidades
                                                             • Refletir sobre os pontos principais necessários para um projeto e a partir deste conhecimento, for-
                                                               mular projetos com itens que entendam como importante para cada realidade.


                                                             Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                                                             Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                                                             Duração
                                                             2 h/a – via satélite com o professor interativo
                                                             2 h/a – presenciais com o professor local
                                                             6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




                       INTRODUÇÃO                                                                                 nanciadores com o intuito de captar recursos. Indo
                          Na aula anterior, falamos sobre o que é um pro-                                         muito além, é uma das formas mais difundidas atu-
                       jeto social e retomamos tal discussão trazendo                                             almente, utilizado com instrumento e solução téc-
                       para nossa introdução um pensamento de Armani                                              nica para que pessoas e organizações contribuam
                       (2008):                                                                                    de maneira propositiva para o “enfrentamento de
                                                                                                                  problemas sociais de uma forma organizada, ágil e
                                                  A grande utilidade dos projetos é o fato de eles coloca-
                                                  rem em prática as políticas e programas na forma de             prática” (Armani, 2008, p. 18).
                                                  unidades de intervenção concretas. Os projetos ainda
                                                  são a melhor solução para organizar ações sociais,              O CICLO DE UM PROJETO SOCIAL
                                                  uma vez que eles “capturam” a realidade complexa                   Os projetos sociais têm seu ciclo de vida com di-
                                                  em pequenas partes, tornando-as mais compreensí-
                                                                                                                  reito o nascimento, crescimento, tomar forma, mo-
                                                  veis, planejáveis, manejáveis (Armani, 2008, p. 18).
                                                                                                                  dificar-se e, muitas vezes, morrer. Chamamos isso de
                          Definitivamente um projeto não é apenas uma                                              ciclo do projeto. “O ciclo expressa os principais mo-
                       formalização documental enviada para possíveis fi-                                          mentos e atividades da vida de um projeto – a identi-

                                                                                                             40


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AULA 7 — Roteiro Básico de um Projeto Social

               ficação, a elaboração, a aprovação, a implementação                 De acordo com cada fase do ciclo do projeto,
               (com monitoramento e avaliação), a avaliação e o                abordaremos agora seus objetivos e atividades rela-
               replanejamento” (Armani, 2008, p. 30).                          cionadas a cada momento.
                                                                                     Fase de identificação – na qual serão caracteri-
                                                                               zadas e identificadas oportunidades de intervenção,
                                                                               exame preliminar da sustentabilidade da ideia e diag-
                                                                               nóstico da problemática. Cada uma está diretamente
                                                                               relacionada à outra; dessa forma, ao pensarmos na
                                                                               identificação da oportunidade de intervenção, de-
                                                                               vemos delimitar o objetivo e seu âmbito de atuação,
                                                                               relacionando “hipóteses explicativas preliminares so-
                                                                               bre a situação-problema a ser enfrentada” (Domin-
                                                                               gos, 2008, p. 32); sobre a sustentabilidade da ideia de-
                                                                               vem ser avaliadas a sustentabilidade política, técnica
                  Quando pensamos na parte prática do ciclo do
                                                                               e financeira e por último, após estarem as duas outras
               projeto, talvez ele não seja tão linear quanto a figura          fases claras e definidas, passamos à “análise da situa-
               nos mostra, mas podemos pensá-lo em três itens. O               ção problema e dos atores envolvidos e para a formu-
               primeiro seria a elaboração do projeto que é inter-             lação adequada de objetivos, estratégias, resultados e
               mitente, já que existe uma reflexão contínua duran-              atividades” (Domingos, 2008, p. 32).
               te todo o processo de implementação, o que inclui o                    Fase de elaboração – na qual serão definidos
               monitoramento e a avaliação que acaba por pensar                os pontos principais do projeto, entre eles: o objeti-
               novas possibilidades mesmo durante a sua execução,              vo, propostos os resultados imediatos, indicação de
               podendo ser reformulado a qualquer tempo. O se-                 atividades e ações, análise da lógica da intervenção,
               gundo seria em relação à aprovação do projeto, que              identificação dos fatores de risco, definição de in-
               em vários casos já vêm definida pelo próprio grupo               dicadores, meios de verificação e procedimentos de
               executor que determinou os recursos disponíveis e               monitoramento e avaliação; análise da sustentação
               o projeto foi aprovado e elaborado em cima desses               lógica do projeto, montagem do plano operacional;
               recursos. O terceiro e último item seria a avaliação,           determinação dos custos e viabilidade financeira e
               mas que, ao contrário do que muitos pensam, acon-               por fim a redação do projeto (Domingos, 2008).
               tece durante todo o ciclo do projeto, presente desde                  Fase de aprovação – na qual serão aprovados os
               a sua elaboração (Armani, 2008).                                recursos disponíveis para a implementação do projeto.
                 Reforçamos nossa explicação acima quando con-
               cordamos com Armani (2008) ao afirmar que:                         !   IMPORTANTE!
                    (...) a implementação de um projeto deve dar-se                 “É recomendável que o projeto só seja iniciado
                    no bojo de um processo cumulativo de aprendi-                uma vez que a maior parte dos recursos necessá-
                    zado coletivo a partir da prática concreta ao longo          rios tenham sido assegurados” (Domingos, 2008,
                    de uma espiral onde ação e reflexão se desafiam e              p. 32, grifo do autor).
                    complementam de forma progressiva. A cada novo
                    ciclo, devem-se produzir mudanças significativas
                    nas condições materiais de vida e no aprendizado                Fase de implementação – “a fase de implemen-
                    dos beneficiários, na sua capacidade organizativa           tação do projeto, de todas a de maior complexidade,
                    e no fortalecimento de seu poder de influenciar o           envolve o desenrolar das atividades e a utilização
                    contexto mais amplo (Armani, 2008, p. 31).                 dos recursos com vistas à produção dos resultados e

                                                                          41


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             ao alcance dos objetivos estipulados. Durante a im-              O projeto social deve ser elaborado com base nas
             plementação, ocorrem também atividades de moni-               informações referentes ao diagnóstico social preli-
             toramento e avaliação” (Domingos, 2008, p. 32).               minar, visando atingir os objetivos.
                   Fase da avaliação – essa fase se diferencia do
             monitoramento e avaliação, que presumidamente                   Título do projeto.
             deve ser um ato contínuo do projeto, para uma ava-               Apresentação da organização, município, entida-
             liação que ocorre em determinados períodos, seja ao           de etc.
             final de cada ano, ou ainda, no final de cada triênio             Diagnóstico da comunidade.
             e geralmente é realizada com a participação de ava-             Análise do contexto e justificativa.
             liadores externos, ou seja, pessoas que não fizeram
                                                                             Objetivos: geral e específicos e metas.
             parte do processo do projeto (Domingos, 2008).
                                                                             Metodologia.
                   Fase de replanejamento – caracterizada pelo re-
                                                                             Sistema de avaliação/monitoramento.
             planejamento das ações, tendo como base e vantagem
                                                                             Cronograma de atividades.
             as atividades já desenvolvidas (Domingos, 2008).
                                                                             Cronograma físico-financeiro.
                Lembrando sempre da importância de ter claras
             todas as fases do ciclo do projeto para que dessa for-          Anexos (se tiver).
             ma o transcorrer do projeto se dê da melhor forma
             possível, otimizando recursos humanos, sociais e                   Título do projeto
             financeiros disponíveis, sabendo gerenciar seu pro-              “O título de seu projeto deve refletir a natureza
             jeto, utilizando os critérios da gestão social que tem        do problema enfocado e ter um impacto significati-
             como base a participação dos atores envolvidos des-           vo ao seu leitor” (Cury, 2001, p. 52).
             de o início do ciclo do projeto.
                                                                                Apresentação da organização
             SUGESTÕES BÁSICAS PARA A ELABORAÇÃO                              “(...) deve conter: nome ou sigla da organização;
             DE UM PROJETO SOCIAL                                          composição da diretoria, da coordenação e nome
                Não há um modelo-padrão para escrever um                   do responsável pelo projeto; endereço completo
             projeto. Várias formas/roteiros podem ser utiliza-            para contatos e correspondências; histórico resumi-
             dos. Além disso, na captação de recursos e na solici-         do da entidade (quando foi criada, diretrizes gerais,
             tação de apoio financeiro, você encontrará agências            percurso ligado ao social, parcerias e trabalhos rea-
             financiadoras que possuem roteiros e formulários               lizados, resultados alcançados e principais fontes de
             específicos e exigências na documentação a ser en-             recursos ou financiamentos da organização)” (Cury,
             tregue (Rocha, 2003).                                         2001, p. 52).
                O projeto social é um documento contendo um
             conjunto de ações educativas, planejadas para a pro-               Diagnóstico da comunidade e análise do contexto
             moção da organização e desenvolvimento comuni-                   Para montar um projeto é necessário que saiba-
             tário da população beneficiada (Costa, 2007).                  mos em que local ele vai acontecer, o que signifi-
                Essas atividades podem abranger ações voltadas             ca conhecer a região e/ou comunidade, seus atores
             para capacitação profissional, geração de emprego,             (público-alvo) e o entorno. Dessa forma, é necessá-
             trabalho e renda, inserção social e resgate da cidada-        rio que seja feito um levantamento dos recursos e
             nia, educação sanitária, ambiental e para o trânsito,         equipamentos existentes na comunidade na qual o
             cultura, educação, saúde, esportes, lazer, divulgação/        projeto está inserido.
             comunicação, intercâmbio e outras de interesse da               Segundo Paz (2003, p. 5), algumas informações
             população (Costa, 2007).                                      são necessárias para um bom diagnóstico:

                                                                      42


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AULA 7 — Roteiro Básico de um Projeto Social

                    Onde fica a comunidade? (Localização.)                 de que a justificativa é uma das últimas etapas a ser
                     Como surgiu a comunidade? (Pequeno his-              cumprida. Isso porque é conveniente ter uma visão
               tórico.)                                                   mais ampla e completa do que se pretende fazer
                    Quantas pessoas vivem nela?                           para depois explicar as escolhas realizadas (Costa,
                                                                          2007).
                     O que existe na comunidade (associações de
               moradores, postos de saúde, creches, escolas, igre-           Na justificativa deve-se responder sempre à per-
               jas, empresas, comércio, transporte, saneamento,           gunta: por que executar o projeto? Por que o projeto
               energia elétrica, coleta de lixo etc.).                    precisa acontecer?
                     As instituições locais têm algum tipo de ação           Descrever as razões determinantes do projeto, os
                                                                          fatores de motivação que levaram à abordagem do
               social?
                                                                          assunto. Situação atual: diagnóstico do problema
                    Com que pessoas e/ou instituições pode-se
                                                                          que o projeto se propõe a solucionar. Deve-se in-
               contar para resolver os problemas da comunidade?
                                                                          cluir uma descrição dos antecedentes do problema,
                     Como as pessoas vivem? Qual é a situação
                                                                          relatando os esforços já realizados ou em curso para
               habitacional, de emprego, de salário das famílias?         resolvê-lo.
               Quem chefia a família? Há crianças e jovens traba-
                                                                             Deverá ser descrita a solução proposta para resol-
               lhando?
                                                                          ver ou minorar o problema identificado. Demons-
                    Qual a porcentagem de crianças e jovens que           trar a importância da execução do projeto no con-
               vivem ali? Quantos pertencem a famílias de baixa           texto social, científico e até mesmo tecnológico, se
               renda?                                                     for o caso.
                    Onde vivem as crianças e adolescentes? Com a
               família? Em instituições? Na rua?
                                                                            !   LEMBRE-SE
                    O que está acontecendo de bom na comuni-
               dade?                                                           A justificativa é uma das partes mais impor-
                                                                            tantes do projeto, pois contém toda parte de
                    Do que a comunidade sente falta? (Necessi-
                                                                            argumentação e precisa ser o mais convincen-
               dades.)
                                                                            te possível, pois é através da sua leitura que o
                    Quais são os sonhos da comunidade? (Desejos.)
                                                                            financiador irá aprovar ou não a liberação dos
                    Existem problemas? Quais são eles?                      recursos financeiros e que você conseguirá pro-
                  As perguntas não terminam aqui; caso perce-               var por A + B que o projeto contribui para mo-
               bam a necessidade de incorporarem mais dados ao              dificar a realidade.
               projeto, eles podem ser inclusos prontamente, já
               que servirão para o conhecimento da realidade da
                                                                                Objetivos: geral e específicos e metas
               comunidade em questão. Num projeto de grande
               porte deverão incluir outros dados, que vão variar            Sua elaboração e delimitação, sua clareza e legiti-
               de acordo com as necessidades, como por exemplo:           midade são fundamentais para o êxito de qualquer
               porcentagem de jovens, adultos, crianças, nível de         projeto, já que será em função dos objetivos traça-
               renda, entre outros que podem ser obtidos através          dos que todas as ações serão pensadas, executadas
               de publicações do IBGE ou pesquisas realizadas pe-         e avaliadas. Conhecida e analisada a realidade, o
               las mais variadas instituições (Paz, 2003).                momento mais importante passa a ser a definição
                                                                          e a delimitação dos objetivos. Os dados coletados e
                    Análise do contexto e justificativa                    sistematizados devem servir de parâmetros orienta-
                 Embora seja um dos primeiros itens que apare-            dores para a seleção e a determinação dos melhores
               cem no projeto, muitos autores sustentam a ideia           objetivos (Costa, 2007).

                                                                     43


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

                “Objetivo geral – é o fim que se pretende alcançar          ter a possibilidade de se prever e obter resultados
             com o desenvolvimento do projeto” (Nuñes, 2003,               naquilo que se quer atingir. Esses resultados podem
             p. 2).                                                        ser verificados e observados a longo, médio ou curto
                “Objetivo específico – é o detalhamento do obje-            prazo, contudo, se faz necessário ter condições para
             tivo geral” (Nuñes, 2003, p. 2). Uma boa definição             verificar os resultados (Nuñes, 2003).
             dos objetivos deve apresentar algumas característi-
             cas: clareza, simplicidade, validade, operacionalida-         Metas
             de e poder ser avaliado.                                         Metas são estimativas de mudanças que deverão
                   Clareza: todo objetivo deve descrever e comu-           ocorrer com a execução do projeto. Devem ser esta-
             nicar claramente o que se quer alcançar, caso isso            belecidas em relação às necessidades não satisfeitas
             não ocorra, ele não pode ser considerado um bom               e definidas em relação à quantidade, à qualidade e
             objetivo. A clareza é uma característica fundamental          ao tempo, a partir dos objetivos (Paz, 2003, p. 14).
             e necessária para que o objetivo se torne algo con-             Metas são os objetivos quantificados (Costa, 2007).
             creto, inteligível e possível de ser trabalhado e ava-
             liado (Nuñes, 2003).
                                                                                Metodologia
                   Simplicidade: pouco resolve, em determinadas
                                                                              Cury (2001, p. 53) afirma que “deve-se relatar,
             situações, apresentar longas e complexas listagens
                                                                           sucintamente, o modelo teórico utilizado, explicitar
             de objetivos que, pela sua própria natureza, não
                                                                           as rotinas e as estratégias planejadas, as responsabi-
             possam ser trabalhados pelos agentes envolvidos.
                                                                           lidades e compromissos assumidos, como o projeto
             Ao se definirem os objetivos se faz necessário al-
                                                                           vai se desenvolver, todos os envolvidos e o nível de
             gumas perguntas. Serão esses objetivos adequados
                                                                           participação/responsabilidade de cada um”.
             à realidade em questão? Será possível trabalhá-los
             junto à população? Por esse motivo, os objetivos
             mais complexos e amplos deverão ser especificados                   Sistema de avaliação/monitoramento
             e operacionalizados, isto é, tornados mais claros e              “Deve-se descrever como será o sistema de moni-
             concretos para se poder verificar a possibilidade de           toramento e avaliação do projeto, apresentando al-
             realizá-los (Nuñes, 2003).                                    guns indicadores tangíveis e/ou intangíveis, os ins-
                    Validade: na definição dos objetivos deve-se            trumentos e estratégias de coleta de dados e a equipe
             perguntar se são significativos e úteis para a popu-           responsável pelo processo” (Cury, 2001, p. 53).
             lação beneficiada, pois a validade dos objetivos de-
             pende das necessidades, interesses e capacidades da                Cronograma de atividades
             mesma. Se isso não ocorrer, eles serão insignifican-              “O cronograma de atividades deve enumerar as
             tes e sem utilidade (Nuñes, 2003).                            atividades necessárias à realização do projeto e suas
                   Operacionalidade: o objetivo é algo que se quer         etapas no tempo” (Cury, 2001, p. 53).
             alcançar por meio de um agir possível, concreto e                Para cada atividade prevista no projeto devem
             viável. Tudo o que pode ser feito, trabalhado, agili-         ser explicados claramente quais os recursos físicos,
             zado ou operacionalizado demonstra ser um bom                 financeiros e humanos necessários, pois só assim
             objetivo. O que é inviável, inexecutável e impraticá-         será possível elaborar um orçamento realista (Cos-
             vel não é um bom objetivo (Nuñes, 2003).                      ta, 2007).
                   Observável: toda a ação exige, por consequên-              O cronograma é um poderoso auxiliar tanto no
             cia, um resultado concreto e observável. Sempre que           planejamento quanto no monitoramento do proje-
             a pessoa faz alguma coisa, no final da ação quer ver           to, pois com ele visualizamos o todo das atividades
             os resultados da sua ação. Não seria sensato agir sem         no tempo, suas interdependências, seu desenvolvi-

                                                                      44


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AULA 7 — Roteiro Básico de um Projeto Social

               mento, seus resultados, e podemos identificar pos-                         financeiros e humanos necessários, pois só assim
               síveis desvios em relação ao planejado, o que possi-                      será possível elaborar um orçamento realista. O
               bilita uma correção de rota ainda durante o desen-                        planejamento dos recursos deve ser minucioso, a
               volvimento do projeto (Costa, 2007).                                      fim de diminuir as surpresas na fase de implemen-
                                                                                         tação do projeto, dando contornos e limites à nossa
                  De acordo com Cury (2001) o cronograma de
                                                                                         ação (Cury, 2001, p. 49).
               atividades deve ser:
                      completo, isto é, com todas as atividades do                 O cronograma físico-financeiro deve conter a
               projeto e seus respectivos responsáveis;                         previsão de todos os custos, por item de despesa,
                      preciso, apontando o início e o fim de cada                durante o tempo de duração do projeto. A compo-
               atividade;                                                       sição do orçamento deve explicitar o planejamento
                      lógico, de modo a mostrar as independências               da cobertura/composição desses custos.
               entre as diversas atividades (por exemplo, a ativida-
               de de divulgar para o público-alvo os critérios de                     Modelo de cronograma financeiro
               seleção para um curso de capacitação pressupõe ou-                   Itens de despesa                  Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4
               tra, a confecção de folhetos e cartazes de divulgação;               Recursos humanos
                                                                                    Materiais de consumo
               se esta não for bem realizada e no tempo planejado,                  Alimentação
               aquela estará prejudicada);                                          Transporte
                      flexível, atualizado e sistematicamente analisado;             Outros
                                                                                    Total geral
                      realista, baseado em estimativas reais (Cury,
               2001, p. 48-49).
                                                                                       Anexos
                                                                                   Tudo que agrega valor ao projeto, mas que não
                    Modelo de cronograma de atividades
                                                                                cabe no seu corpo, como por exemplo: questioná-
                                         Respon- Mês
                Atividade
                                         sável   1 2 3 4 5 6 7 8 9
                                                                                rios, fotos, gráficos, curriculum vitae, plantas baixas
                1. Identificação,                                                etc. São informações que enriquecem e esclarecem
                análise e contatos com                                          como recortes de jornais, revistas, dados estatísti-
                a comunidade
                2. Reuniões de
                                                                                cos referentes ao tema tratado. Se for contratado
                elaboração de projetos                                          um consultor, vale anexar o currículo, visto que o
                e definição de
                parceiros
                                                                                financiador merece “conhecer” melhor a pessoa em
                3. Contratação de                                               quem está investindo. Pode-se, ainda, complemen-
                profissionais                                                    tar o projeto anexando o currículo resumido de
                4. Preparação e
                confecção do material
                                                                                toda equipe técnica responsável pelo projeto (Caixa
                de divulgação do                                                Econômica Federal, 2009).
                projeto
                                                                                   “Os anexos devem conter as informações (ou
                5. Divulgação
                6. Execução das                                                 documentos) adicionais que o financiador tenha
                atividades do projeto                                           solicitado ou que você considere necessárias como
                7. Avaliação e
                elaboração dos
                                                                                complementação do projeto” (Cury, 2001, p. 53).
                relatórios avaliativos

                                                                                   Dicas para elaboração de projetos7 (eu incluiria
                    Cronograma físico-financeiro                                 a referência da nota na bibliografia)
                 Concordamos com Cury (2001) quando afirma                             Comentários gerais e opinativos não devem
               que:                                                             constar dos objetivos.

                      Para cada atividade prevista no projeto devem ser         7
                                                                                    De acordo com o livro deÁvila, Célia M. de. Gestão de projetos sociais.
                      explicitados claramente quais os recursos físicos,            3. ed. São Paulo: AAPCS, 2001.


                                                                           45


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

                   Lembre-se de que aquilo que parece óbvio                   No caso de seu projeto solicitar a tercei-
             para você, em geral não o é para outro leitor. Não         ros recursos para a compra de equipamentos ou
             se esqueça de informações que complementam seu             outro serviço especializado, mande em anexo o
             projeto, tais como parcerias e articulações com ou-        levantamento de preços de pelo menos três for-
             tros projetos e instituições.                              necedores.
                   Às vezes, o texto começa a ficar muito longo,               Para avaliar é necessário que os objetivos do
             pois você sente dificuldade em explicar suas ações.         projeto estejam bem claros e sejam de fácil compre-
             Tente fazer um quadro que sintetize o que você está        ensão, caso contrário existirá um projeto diferente
             querendo expressar, com uma legenda ou observa-            na cabeça de cada pessoa.
             ções que esclareçam. Quadros e tabelas sempre per-               Registre sempre as informações coletadas em
             mitem uma leitura mais objetiva dos assuntos.              relatórios que servirão para serem utilizados pelos
                   O número de páginas não torna o seu projeto          executores; enviados, periodicamente, aos patro-
             melhor. Ao contrário, uma das características mais         cinadores e para orientar a avaliação de resultados
             procuradas hoje em dia em um projeto é a concisão.         (final). Padronize esse relatório, caso contrário as
             Ser capaz de elaborar um documento claro, preciso          informações serão desencontradas, o que dificultará
             e conciso é fundamental.                                   a sua comparação com etapas anteriores.



               *    ANOTAÇÕES




                                                                   46


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Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais
                                                               AULA

                                        ____________________          8
                                          FASES METODOLÓGICAS E A
                                          INSTRUMENTALIZAÇÃO DO
                                            PLANEJAMENTO SOCIAL

                    Conteúdo
                    • Dimensões e instrumentos básicos do planejamento social.
                    • Resumo das fases metodológicas do planejamento social.

                    Competências e habilidades
                    • Compreender as definições básicas referentes ao planejamento social e como se aplicam no nosso
                      cotidiano.
                    • Apresentar os instrumentos disponíveis dentro do planejamento social.


                    Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                    Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                    Duração
                    2 h/a – via satélite com o professor interativo
                    2 h/a – presenciais com o professor local
                    6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




               INTRODUÇÃO                                                        jamento social, por isso, conhecer suas fases meto-
                  Após abordarmos nas aulas anteriores o plane-                  dológicas é de extrema importância para que você,
               jamento e a administração em serviço social, ges-                 estudante, consiga aplicá-las e replicá-las em seu
               tão social, políticas, planos, programas, projetos e              cotidiano, por meio das próprias ações dentro dos
               o papel do gestor social, faremos agora uma revisão               estágios curriculares ou extracurriculares.
               sobre todos esses conteúdos, considerando as seme-                   Relembrando o que é planejar: é reconhecer a
               lhanças existentes entre as fases metodológicas do                realidade num primeiro momento para posterior-
               planejamento em serviço social.                                   mente desenvolver ações preestabelecidas e defini-
                 Ao falarmos de planejamento de intervenções                     das, de acordo com cada particularidade (Nogueira,
               sociais estamos diretamente associados ao plane-                  2009).

                                                                            47


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             DIMENSÕES E INSTRUMENTOS BÁSICOS DO                                             ação, escolha dos objetivos gerais, específicos e me-
             PLANEJAMENTO SOCIAL                                                             tas e dos procedimentos metodológicos. Engloba-se
                O conhecimento da realidade a ser trabalhada é o                             ainda nessa fase a definição de alternativas e canais
             que nos dá o direcionamento correto para planejar,                              de participação da população tanto ao nível insti-
             ou seja, para efetuar planejamento. Nosso foco deve                             tucional quanto nas instâncias dos movimentos so-
             ter como prioridade o processo, a eficiência do de-                              ciais. A decisão a que se chega nessa fase é conside-
             sempenho, constituindo-se dessa forma, o planeja-                               rada uma decisão política que é apoiada em técnicas
             mento numa dimensão utilitarista8 (Nuñez, 1999).                                decisionais e relacionadas diretamente ao objetivo
                O planejamento expressa em seu conteúdo qua-                                 final que se pretende alcançar. Instrumentos: reuni-
             tro dimensões básicas que são: a racional lógica, a                             ões, encontros e assembleias (Nuñez, 1999).
             política, a valorativa e a técnico-administrativa.                                 3. Ação/execução – corresponde a implantar, im-
             Dentro da dimensão racional lógica consideramos                                 plementar e efetivar as decisões. Nessa fase acontece
             que o processo estabelece a trajetória de uma prá-                              o detalhamento da ação, elaborando-se um plano
             tica transformando-o em hábito de pensar e agir                                 que posteriormente será efetivado, desdobrando-se
             dentro de um sistema próprio. Podemos expressar                                 as decisões tomadas na fase anterior da decisão/es-
             tal dimensão conforme o que se segue:                                           colha de alternativa. Temos alguns procedimentos
                                                                                             básicos nessa fase, como: detalhamento das alterna-
                                                                                             tivas, seleção e escolha de prioridades justificadas,
                                                                                             caracterização do público-alvo e recursos/prazos
                                                                                             (Nuñez, 1999).
                                                                                                4. Revisão/crítica – onde determinamos os méto-
                                                                                             dos de controle e avaliação. Controle é o registro de
                                                                                             toda a ação e permite o acompanhamento do pro-
                1. Reflexão/busca do conhecimento – é necessário                              cesso passo a passo. Nessa fase são realizados acom-
             o conhecimento da configuração social, política e                                panhamento, mensuração e registro das atividades
             econômica da área em que se pretende atuar, fazen-                              executadas, tendo como objetivo verificar a relação
             do um recorte daquilo que será objeto da interven-                              entre trabalho executado e planejamento e identifi-
             ção social, estabelecendo as principais variáveis e in-                         cação e correção de possíveis desvios e até mesmo
             dicadores. Nessa fase, o planejador precisa construir                           de bloqueios que interfiram na realização do pla-
             seu referencial teórico, analisando a coerência entre                           nejado, servindo, também, para levantar subsídios
             as categorias de análise e as referências teóricas bá-                          para uma avaliação e revisão do plano de ação, defi-
             sicas. Instrumentos: entrevistas, reuniões, pesquisas,                          nido na fase anterior. Já a avaliação se faz com base
             depoimentos, coleta de dados de diversas formas,                                nos instrumentos de controle e tem como foco o
             relatórios e documentação institucional e outras                                objetivo, a intencionalidade do projeto. Instrumen-
             (Nuñez, 1999).                                                                  tos: diários de campo, fichas, relatórios de controle
                                                                                             e avaliação, reuniões, relatórios avaliativos, encon-
                2. Decisão/escolha da alternativa – tem como
                                                                                             tros, assembleias, pareceres, entre outras formas de
             principal enfoque o processo decisório. Por tal mo-
                                                                                             registro nesta fase (Nuñez, 1999).
             tivo, acontece nessa fase a definição das diretrizes de
                                                                                                A segunda dimensão do planejamento é a valo-
                                                                                             rativa, que tem como princípio o favorecimento do
             8
                 Em filosofia, o utilitarismo é uma doutrina ética que prescreve a ação
                 (ou inação) de forma a otimizar o bem-estar do conjunto dos seres
                                                                                             desenvolvimento de uma tecnologia que possibili-
                 sencientes. O utilitarismo é então uma forma de consequencialismo,          te tanto uma solução científica para os problemas
                 ou seja, ele avalia uma ação (ou regra) unicamente em função de
                 suas consequências. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/
                                                                                             quanto a viabilização da centralidade no poder e
                 Utilitarismo>. Acesso em: 7 abr. 2009.                                      o aumento de sua eficácia controladora. Podemos

                                                                                        48


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AULA 8 — Fases Metodológicas e a Instrumentalização do Planejamento Social

               afirmar que envolve opções e decisões de valores e                RESUMO DAS FASES METODOLÓGICAS
               conteúdo ético, pois tem implicações diretas na mu-              DO PLANEJAMENTO SOCIAL
               dança da situação futura de grupos sociais que mui-                 É realizado o planejamento a partir de um pro-
               tas vezes não têm acesso às decisões (Nuñez, 1999).              cesso de problematizações sucessivas, que tem como
                  A dimensão política consiste em um processo                   foco de interesse a situação definida como objeto de
               contínuo de decisão e engloba caminhos pelo poder                intervenção. Concordamos com Baptista (2003)
               decisório tanto na área governamental quanto na                  quando afirma que:
               área privada, buscando participação, decisão políti-
                                                                                      o planejamento refere-se, ao mesmo, à seleção das
               ca e o exercício da expressão da vontade. O planeja-                   atividades necessárias para atender questões deter-
               mento passa a trabalhar questões que se apresentam                     minadas e à otimização de seu inter-relacionamento,
               como superação de verdades (Nuñez, 1999).                              levando em conta os condicionantes impostos a cada
                  A quarta e última dimensão consiste na dimensão                     caso (recursos, prazos e outros); diz respeito, tam-
               técnico-administrativa e existe uma preocupação                        bém, à decisão sobre os caminhos à sua adoção, ao
               com a base material para a ação com recursos, estra-                   acompanhamento da execução, ao controle, à avalia-
               tégias, estabelecimento de condições para avaliar as                   ção e à redefinição da ação (Baptista, 2003, p. 13).

               correlações de forças, criatividade e buscando a supe-              De acordo com Baptista, (2003), no início do
               ração das dificuldades institucionais. O planejamen-              processo do planejamento percorreremos algumas
               to se faz coeso, caso consigamos trabalhar todas essas           fases básicas e fundamentais:
               questões de forma articulada (Nuñez, 1999).                        1. escolha e delimitação do objeto – sobre o que
                   Nessa última dimensão definimos a conjuntura,                      planejar;
               indicadores e a planificação. Conjuntura que ex-                    2. estudo da situação;
               pressa o movimento da situação, através de aconte-                 3. identificação de prioridades de intervenção;
               cimentos, cenários, fatos, base material, atores, po-              4. definição de objetivos e estabelecimentos de meta;
               líticas, propostas, leis, correlação de forças, alianças,
                                                                                  5. análise de alternativas de intervenção;
               poder, subordinação e cooptação. O entendimento
                                                                                  6. planificação;
               da conjuntura é crucial e fundamental para a defini-
                                                                                  7. implementação;
               ção dos indicadores sociais (Nuñez, 1999).
                                                                                  8. implantação e execução;
                  Os indicadores sociais, que serão aprofundados
                                                                                  9. controle;
               na Aula 9, são os elementos que serão utilizados
               para verificar se as ações propostas estão sendo exe-              10. avaliação;
               cutadas conforme o planejado. A partir da análise                 11. retomada do processo.
               da conjuntura (realidade) são expressos, mediante
               dados qualitativos e quantitativos que servirão de                 !    IMPORTANTE
               índice para nossa própria reflexão em relação ao
                                                                                     As fases são definidas, aparentemente, numa
               projeto. A planificação é considerada a construção
                                                                                  sequência lógica, contínua e dinâmica, mas na
               lógica do processo de planejamento, levando em
                                                                                  prática os seus aspectos nem sempre se mos-
               consideração os diferentes níveis de poder de deci-
                                                                                  tram claramente ordenados. O processo, na
               são. Posteriormente à fase do conhecimento da rea-
                                                                                  prática, tem se apresentado descontínuo em
               lidade (conjuntura), à delimitação da ação e decisão
                                                                                  grande número de casos e, metodologicamente,
               de planejar, vê-se a necessidade de sistematização e
                                                                                  o planejador muitas vezes trabalha simultanea-
               interpretação das propostas consubstanciadas em
                                                                                  mente em diferentes fases, uma vez que elas in-
               documentos: planos, programas e projetos (Nuñez,
                                                                                  teragem dinamicamente (Nogueira, 2009).
               1999).

                                                                           49


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             Escolha e delimitação do objeto:                                                 após a definição e delimitação do objeto, este deverá
             sobre o que planejar                                                             ser formulado de forma clara e simples, de maneira
                Considerando que o objeto do planejamento da                                  a regular as próximas fases do trabalho. Tal formu-
             intervenção profissional é o aspecto básico da reali-                             lação leva à nomenclatura de proposta e apresenta
             dade com o qual ou sobre o qual se irá formular um                               os seguintes componentes:
             sistema de proposições, sua escolha e delimitação
                                                                                                   • a especificidade do objeto e dos sistemas e subsis-
             no planejamento se referem à localização da ques-
                                                                                                     temas que o compõem;
             tão central e das ideias básicas que serão trabalhadas
                                                                                                   • a justificativa da escolha, destacando aspectos de
             no decorrer do processo (Baptista, 2003).
                                                                                                     viabilidade institucional, política-administrativa e
                A delimitação do objeto de trabalho no planeja-
                                                                                                     técnica e de importância do problema (para a ins-
             mento é uma abstração, com o objetivo de permitir                                       tituição, para os grupos sociais que se beneficiarão
             maior racionalidade à ação, isso porque na realida-                                     do planejamento; para o grupo de técnicos que a
             de social o aspecto delimitado continua mantendo                                        ele se dedica e, se for o caso, para a ciência);
             suas inter-relações com o universo mais amplo.                                        • a explicação das limitações resultantes das restri-
                Nessa fase o profissional, nesse caso o planejador,                                   ções institucionais, administrativas e técnicas e
             poderá se deparar com situações ambíguas, pois o                                        das soluções decorrentes;
             seu empregador é quem solicita o desenvolvimento                                      • o dimensionamento da questão e a formulação
             de atividades com uma demanda específica e do ou-                                        de hipóteses iniciais que orientem as investiga-
             tro lado encontramos pessoas que, em sua maioria,                                       ções e os estudos posteriores;
             estão buscando um recurso disponibilizado, mas                                        • a operacionalização dos conceitos básicos con-
             que em muitos casos não têm acesso ao recurso e aos                                     tidos na formulação da questão e nas hipóteses
             seus critérios de inclusão, acabando numa exclusão                                      iniciais (Nogueira, 2009, p. 1).
             para usufruto daquele recurso (Baptista, 2003).
                Myrian Veras (2003) menciona uma forma clara                                  Estudo da situação
             e objetiva sobre o posicionamento a ser tomado por                                  Alguns autores definem essa fase como estudo ou
             nós profissionais quando nos depararmos com situ-                                 diagnóstico ou momento explicativo da realidade.
             ações que podem parecer dicotômicas, mas que na                                  O estudo/diagnóstico consiste na compreensão e na
             verdade podem ser resolvidas com o bom senso do                                  caracterização global de uma determinada situação
             profissional da área social:                                                      problema e na determinação da natureza e da mag-
                                                                                              nitude de suas limitações e possibilidades. Como
                      Não se trata de aceitar ou negar mecanicamente as
                                                                                              fase do processo de planejamento, é caracterizada
                      demandas institucionais nem de assumir ou “formar
                                                                                              pela investigação e pela reflexão, com fins operati-
                      trincheira” junto com a população. Qualquer dessas
                      respostas optativas poderá levar a uma ação distan-
                                                                                              vos e sentido programático: sua finalidade é definir
                      ciada do real. Trata-se de reestruturar essa demanda,                   uma situação com vistas à intervenção, não simples-
                      mediando interesses diversos, numa determinada                          mente dar resposta de caráter teórico.
                      direção ético-política, o que significa reconstruir o                      O processo de elaboração do estudo/diagnóstico
                      objeto da intervenção (Baptista, 2003, p. 33).                          envolve:
                                                                                                • levantamento de hipóteses preliminares;
               O professor Jairo Nogueira9 (2009), analisando a
             obra de Myrian Veras Baptista [s/d], especifica que                                 • construção de referenciais teórico-práticos;
                                                                                                • coleta de dados;
             9
                 Aula de Jairo Nogueira: Planejamento: introdução à metodologia do              • organização e análise;
                 planejamento social – análise do livro de Myrian Veras Baptista. Dis-          • descrição;
                 ponível em: <www.jaironogueira.noradar.com/jairo20.htm>. Acesso
                 em: 16 abr. 2009.                                                              • a identificação de prioridades de intervenção.

                                                                                         50


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AULA 8 — Fases Metodológicas e a Instrumentalização do Planejamento Social

               Levantamento de hipóteses preliminares                       va, no decorrer de todo o processo, constituindo-se,
                  As hipóteses preliminares de explicação da situa-         como já citado, um conjunto dinâmico de informa-
               ção e as de possibilidade de intervenção são o objeto        ções (Nogueira, 2009; Baptista, 2003).
               do estudo/diagnóstico. Geralmente, essas hipóteses              Baptista (2003) relaciona quatro tipos diferencia-
               são levantadas a partir de um referencial preexisten-        dos de dados que deverão ser coletados. O primei-
               te, relacionado com a situação abordada e o senso            ro são os dados da situação que estão relacionados
               comum a respeito da realidade (Baptista, 2003).              com o aprofundamento do conhecimento do objeto
                                                                            de ação, levantando-se dados de ordem social, eco-
               Construção de referenciais teórico-práticos                  nômica e cultural que fazem uma composição dos
                  A construção do quadro referencial para o estu-           problemas e possibilidades detectados.
               do/diagnóstico tem por base a análise e a explicita-            O segundo tipo de dado a ser coletado são os da-
               ção dos valores (éticos, morais, filosóficos, teóricos,        dos da instituição demandatária da ação que bus-
               científicos e técnicos) e padrões assumidos pela              cam conhecer melhor a instituição responsável pe-
               equipe responsável pelo planejamento (equipe pla-            las ações, conhecendo:
               nejadora), pela instituição e pela população envol-               (...) suas finalidades (sua missão), seus valores, sua
               vida no processo. Conta, ainda, com o levantamen-                 área de ação (região, município etc.), seu setor (so-
               to dos conhecimentos teóricos, das generalizações e               cial, econômico etc.), seu nível de competência (mu-
               das leis científicas desenvolvidas em relação aos di-              nicipal, regional etc.), sua função (...) seus objetivos,
               ferentes fenômenos sociais, culturais, psicológicos,              diretrizes, estratégias, expectativas, sua estrutura or-
               políticos, econômicos etc. (Nogueira, 2009; Baptis-               ganizacional e administrativa (organograma, estatu-
               ta, 2003).                                                        tos, regulamentos, descrição de cargos, política geral,
                  De acordo com Nogueira (2009), tais estudos de-                política salarial) (Baptista, 2003, p. 55).
               verão estar organizados com bastante simplicidade               Dados das políticas, da legislação, do equipamen-
               e clareza suficientes para a sua constatação/verifica-         to jurídico e da rede de apoio existente são de cru-
               ção quando confrontados com dados concretos dos              cial importância para o planejamento de suas ações,
               fenômenos sociais, possibilitando, ainda, que exista         tendo em vista que as leis regulam nosso Estado e
               a identificação e a categorização das necessidades e          dessa forma, consequentemente, as nossas ações,
               aspirações relacionadas com a situação do proble-            por tal motivo faz-se necessário o conhecimento
               ma; identificação de princípios e conceitos com ela           desses dados.
               relacionados; determinação ou identificação dos                  Por último, mas não menos importante, estão os
               indicadores e parâmetros para aferição dos fenôme-           dados da prática (interna e externa) que estão rela-
               nos ligados à situação e a especificação de normas e          cionados à análise dos fatores internos diretamente
               padrões de intervenção.                                      ligados aos fatores que envolvem a instituição exe-
                                                                            cutora numa perspectiva analítica da situação a ser
               Coleta de dados                                              enfrentada. Sobre a parte externa é feito o estudo
                  A coleta e o processamento de dados de realidade          pelo levantamento e análise de procedimentos, ha-
               se relacionam com o levantamento de informações,             bilidades, tecnologias disponíveis, instrumental.
               de maneira a permitir a composição de índices dos            Ressaltando que as instituições não precisam ser lo-
               indicadores sociais determinados pelo quadro refe-           calizadas na mesma região do projeto, mas servem
               rencial, sua análise e estudo projetivo, com vistas a        como modelo de base para o planejamento (Baptis-
               identificar tendências e pontos críticos na realidade         ta, 2003).
               abordada. Portanto, a coleta de dados para o plane-             Sendo assim, o estudo não para nesse momento
               jamento deverá se processar de maneira acumulati-            do planejamento, mas é continuamente realimenta-

                                                                       51


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             do por informações procedentes de novos estudos e                    lidade das relações sociais – deve necessariamente
             pesquisas e/ou avaliações da ação desencadeadora                     procurar superar os limites do enfoque situacional
             (Nogueira, 2009).                                                    para identificar prioridades de intervenção, ado-
                                                                                  tando uma visão que não reduza a ação à imediati-
                                                                                  cidade (Baptista, 2003, p. 73).
             Organização e análise
                Nesse momento, chamado pelo professor Jairo
             Nogueira como momento da reflexão diagnóstica, os                Definição de objetivos e estabelecimento
             dados que foram colhidos no estudo são trabalhados              de meta
             sistematicamente através de técnicas determinadas, e               Nessa fase temos como característica a definição
             interpretados a partir do uso deliberado de raciocí-            de objetivos da nossa ação que caracteriza um mo-
             nios estudados (Nogueira, 2009; Baptista, 2003).                mento de tomada de decisões no processo de plane-
                Baptista (2003) afirma que “nesse processo, a re-             jamento, no qual se define o estado de coisas que se
             flexão vai caminhando, articulada com elementos                  pretende atingir com a ação planejada. A definição
             que emergem do real, sem deixar nada de fora – o                de objetivos tem por base: os valores e a ideologia do
             aqui, o agora, o antes, o daqui a pouco –, em um                grupo planejador, as características da instituição, o
             movimento que articula a descrição, a interpreta-               reconhecimento do problema e a análise diagnósti-
             ção, a compreensão e a explicação dos dados da rea-             ca realizada (Nogueira, 2009; Baptista, 2003).
             lidade” (Baptista, 2003).                                         Além das qualificações quanto ao conteúdo, os
                Dentro dessa fase, encontraremos a: descrição                objetivos e as metas podem ser classificados segun-
             que “é a exposição circunstanciada da base factual              do o tempo presumido para o seu alcance.
             relacionada ao problema imediato” (Baptista, 2003,                a) “Objetivos de longo prazo: quando é definido
             p. 64); interpretação que é considerada uma segun-                   em termos relativamente distantes (no plane-
             da aproximação e “refere-se à busca dos significados                  jamento governamental, o longo prazo é o que
             das situações encontradas” (Baptista, 2003, p. 66);                  ultrapassa um período de governo)” (Baptista,
             compreensão/explicação dos dados da realidade em                     2003, p. 83).
             que “é preciso ir além da apreensão imediata dos                  b) “Objetivos de curto prazo: podem ser traduzidos
             dados e desvelar a estrutura imanente do objeto em                   em metas que possam ser alcançadas no exercí-
             estudo, seus significados, suas tendências e situá-la                 cio de uma administração. Têm como vantagem
             na conjuntura sócio-histórica que a gestou” (Bap-                    as recompensas resultantes de uma ação de efei-
             tista, 2003, p. 69).                                                 tos mediatos” (Baptista, 2003, p. 84).
                                                                               c) “Objetivos imediatos referem-se a alvos esta-
             Identificação de prioridade de intervenção                            belecidos para curtíssimo prazo, quase imedia-
                Nessa fase metodológica do planejamento, iden-                    tamente. Geralmente visam estabelecer alvos
             tificamos qual será nossa prioridade de intervenção,                  padrões para atividades do cotidiano, de modo
             pois as ações na área social em todos os setores mui-                a permitir que os objetivos de maior alcance
             tas vezes dispõem de poucos recursos para atendi-                    sejam atingidos” (Baptista, 2003, p. 84).
             mento de uma gama enorme de pessoas, sendo as-
             sim, é necessário definir qual nossa prioridade de                    Michael Jucius e Schlender (1968 apud Baptista,
             intervenção no todo.                                                 2003) relacionam cinco princípios aplicáveis na de-
                                                                                  finição dos objetivos para garantir sua efetividade,
                    O planejador que pretende criar condições para                são eles: “Aceitabilidade: um objetivo deve ser acei-
                    uma intervenção que conduza mudanças signifi-                  tável para as pessoas, cujas ações se acham envolvi-
                    cativas – não apenas na singularidade do objeto,              das na sua execução; Exequibilidade: um objetivo
                    mas na particularidade da situação e na universa-             tem de ser exequível dentro de um tempo razoável;

                                                                        52


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AULA 8 — Fases Metodológicas e a Instrumentalização do Planejamento Social

                    Motivação: deve ter qualidades que motivem a po-            Controle
                    pulação a desejá-lo e a esforçar-se para alcançá-lo;           Em planejamento, o controle é entendido como
                    Simplicidade: deve ser simples e claramente estabe-         instrumento de apoio e racionalização da execução
                    lecido; Comunicação: deve ser comunicado a todos            e também:
                    que se acham ligados à sua consecução” (Baptista,
                    2003, p. 85).                                                    no sentido de assegurar a observância ao progra-
                                                                                     mado, prevenindo desvios. Pode ser definido como
                                                                                     a fase em que se processam o acompanhamento, a
               Análise de alternativas de intervenção                                mensuração e o registro das atividades executadas,
                  A formulação e a escolha de alternativas são feitas                do tempo despendido em cada fase, dos resultados
               tendo como princípio um processo complexo que                         alcançados (Baptista, 2003, p. 109).
               analisa e avalia a dinâmica histórica em que o objeto
               está imbricado, analisando os recursos, facilidades,
                                                                                Avaliação
               dificuldades, expectativas, hábitos ligados à cultura,
                                                                                   “A avaliação, no processo de planejamento, cor-
               características psicológicas, sociais e políticas dos
                                                                                responde à fase em que o desempenho e os resul-
               grupos trabalhados (Baptista, 2003).
                                                                                tados da ação são examinados a partir de critérios
                                                                                determinados, com vistas à formulação de juízos de
               Planificação                                                      valor” (Nogueira, 2009).
                 É feita através da elaboração e montagem de pla-
               nos e/ou programas e/ou projetos dentro do plane-
                                                                                Retomada do processo
               jamento. Isso é realizado após decisões tomadas em
                                                                                   A fase do retorno, ou como muitos autores defi-
               conjunto para que seja efetivamente realizada em
                                                                                nem como opinião, ou de realimentação do processo
               decorrência de uma realidade determinada. Come-
                                                                                de planejamento, traduz-se em novas políticas, em
               çam-se, então, a sistematização, a interpretação e por
                                                                                novos planos, com base nas evidências percebidas a
               fim a elaboração do documento (Baptista, 2003).
                                                                                partir do acompanhamento do progresso da inter-
                                                                                venção e da análise dos resultados obtidos (Noguei-
               Implementação                                                    ra, 2009; Baptista, 2003).
                  “A fase de implementação pode ser considerada
               como a busca, formalização e incorporação de re-                 CONCLUINDO
               cursos humanos, físicos, financeiros e institucionais               Como mencionado inicialmente, as fases meto-
               que viabilizem o projeto, bem como a instrumen-                  dológicas do planejamento muito se assemelham
               talização jurídico-administrativa do planejamento”               aos conteúdos abordados anteriormente em que es-
               (Baptista, 2003, p. 103).                                        tudamos a elaboração de projetos sociais, definições
                                                                                de planos, programas e projetos, avaliação, constru-
               Implantação e execução                                           ção de indicadores, entre outros.
                  Essa fase de implantação e execução do planejado                 Dessa forma, pretendemos que a importância
               quase sempre fica sob a responsabilidade dos setores              do planejamento dentro da área social fique muito
               de execução, mas deve ser acompanhada e supervi-                 presente e clara na cabeça de cada um de vocês,
               sionada pela equipe que foi inicialmente responsável             fazendo dessa ferramenta seu parceiro diário nas
               pelo seu planejamento. Tudo isso porque “sua fideli-              implementações, execuções de atividades que se-
               dade ao planejado é fundamental para o desenrolar                rão planejadas por vocês, futuros profissionais da
               harmônico de todo o trabalho” (Nogueira, 2009).                  área social.


                                                                           53


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais
            Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais

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                                                                                          ____________________          9
                                                                                       AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO
                                                                                           DE PROJETOS SOCIAIS

                                                                      Conteúdo
                                                                      • Avaliação e monitoramento.
                                                                      • Fases da avaliação.
                                                                      • Indicadores de avaliação em projetos sociais.

                                                                      Competências e habilidades
                                                                      • Compreender as tipologias de avaliação e a importância do monitoramento nos projetos sociais da
                                                                        atualidade.


                                                                      Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                                                                      Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                                                                      Duração
                                                                      2 h/a – via satélite com o professor interativo
                                                                      2 h/a – presenciais com o professor local
                                                                      6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




                      INTRODUÇÃO                                                                                        tenham que lidar com eles. Partindo dessa premissa,
                         Armani (2008) afirma que uma ótima escrita,                                                     o autor afirma que projetos de intervenções sociais
                      ou seja, um ótimo projeto elaborado não é garan-                                                  relevantes precisam acima de tudo “evitar erros e
                      tia para que dê certo. O projeto bem elaborado é                                                  não apenas remediá-los” (Marino, 2003, p. 23).
                      importante, mas é necessário e fundamental um
                                                                                                                          É importante que planejemos
                      sistema de gerenciamento para analisar a sua im-
                      plementação, controlando-a. O gerenciamento de                                                         (...) a partir da avaliação das necessidades e dos re-
                      projetos envolve diretamente o monitoramento e a                                                       cursos disponíveis, enfocando o contexto político,
                      avaliação.                                                                                             social e econômico do público-alvo e aumentan-
                        De acordo com Marino (2003), um dos princí-                                                          do, assim, as chances de que as intervenções sejam
                      pios primordiais referente ao êxito de uma ação é                                                      aceitas pelos líderes da comunidade e organizações
                      conseguir detectar erros antes que outras pessoas                                                      locais (Marino, 2003, p. 23).

                                                                                                                 54


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AULA 9 — Avaliação e Monitoramento de Projetos Sociais

                  Assim, caros(as) acadêmicos(as), não basta ter                      a inter-relação entre sistemas de ação e lógica dos
               um ótimo projeto no papel que não consiga efetiva-                     atores. Não mais uma avaliação apenas de resulta-
               mente passar para a parte prática e tenha êxito nas                    dos, mas também de processos. Não mais uma ava-
               atividades previstas!                                                  liação que apenas mensura quantitativamente os
                                                                                      benefícios ou malefícios de uma política ou progra-
                                                                                      ma, mas que também qualifica decisões, processos,
               COMPREENDENDO A AVALIAÇÃO                                              resultados e impactos (Carvalho, 2001, p. 70).
               E O MONITORAMENTO
                  A avaliação é hoje um instrumento de gestão so-
               cial imprescindível – dela depende, muitas vezes, a                !   IMPORTANTE
               captação de recursos para a implantação ou manu-                      Toda avaliação exige como condição prévia
               tenção de nossas ações. É também grande aliada da                  a contextualização da realidade socioinstitucio-
               transparência e da visibilidade que precisamos ter                 nal na qual está inserido o projeto. Sem a com-
               para trabalharmos questões públicas com recursos                   preensão do contexto no qual opera o projeto,
               públicos (Costa, 2007).                                            a avaliação fica prejudicada (Carvalho, 2001, p.
                  De acordo com Carvalho (2001, p. 68) “avaliar é                 71).
               atribuir valor, medir o grau de eficiência, eficácia e efe-
               tividade das políticas, programas e projetos sociais”.
                 Podemos afirmar que a avaliação de programas e                     Devemos, ainda, utilizar os 3 Es abordados ante-
               projetos sociais é algo novo no Brasil e que a biblio-           riormente na aula 5. Aplica-se, não só aos gestores
               grafia existente ainda traz consigo uma concepção                 sociais em suas ações, mas à própria avaliação de
               equivocada de avaliação. Recentemente, a literatura              projetos sociais.
               vem tentando assegurar à avaliação um reconheci-                    Dessa forma avaliaremos os projetos pela eficiên-
               mento científico (Carvalho, 2001).                                cia, eficácia e efetividade:
                  A influência das ciências econômicas, matemá-
                                                                                      A avaliação da eficiência de um projeto verifica e
               ticas e biológicas esteve fortemente presente nas
                                                                                      analisa a relação entre a aplicação de recursos (fi-
               primeiras abordagens relacionadas à avaliação, re-                     nanceiros, materiais, humanos) e os benefícios
               sultando num excesso de importância dado à men-                        derivados de seus resultados. Ou seja, a obtenção
               suração. Dessa forma, “a avaliação, na concepção                       de “custo” mínimo (menor número de insumos de
               tradicional, buscou ancoragem nos métodos econo-                       pessoal, de moeda) para o maior número e qua-
               métricos para mensurar o social, o que fez com que                     lidade de benefícios. A gestão de um projeto será
               a mensuração se tornasse principalmente sinônimo                       tão mais eficiente quanto menor for o seu custo e
               de avaliação” (Carvalho, 2001, p. 69). A autora ainda                  maior o benefício introduzido pelo projeto (Carva-
               relata que, nesse período, a perspectiva multidisci-                   lho, 2001, p. 73).
               plinar foi desprezada e que foi um tempo de glória                     A eficácia de um projeto está relacionada ao alcance
               da avaliação quantitativa.                                             de seus objetivos. A sua gestão será eficaz à medida
                  Carvalho (2001) expõe de maneira clara a impor-                     que suas metas sejam iguais ou superiores às pro-
               tância da avaliação atualmente:                                        postas (Carvalho, 2001, p. 74).
                                                                                      A efetividade de um projeto está relacionada ao
                    Hoje, há uma procura de síntese, isto é, uma ten-                 atendimento das reais demandas sociais, ou seja, à
                    dência em valorizar concepções mais abrangentes                   relevância de sua ação, à sua capacidade de alterar
                    e totalizantes de avaliação no campo social, uma                  as situações encontradas (Carvalho, 2001, p. 74).
                    avaliação que busque apreender a ação, sua formu-
                    lação, implementação, execução, processos, resulta-            O monitoramento e a avaliação têm como ob-
                    dos e impactos, uma avaliação que busque captar             jetivo verificar se as atividades programadas estão

                                                                           55


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             sendo executadas e se os indicadores de resultados                     Avaliação de Resultados – acontece na fase in-
             estão sendo atingidos, conforme planejado, identifi-               termediária, próxima ao final do projeto.
             cando os desvios ocorridos (Costa, 2007).
                                                                               Tipo de
                    O processo de monitoramento e avaliação de um                             Perguntas orientadoras
                                                                               avaliação
                    projeto é definido em conjunto dos procedimentos                       Quais são os indicadores sociais da
                    de acompanhamento e análise realizados ao longo                       comunidade – natalidade, mortalidade,
                                                                                          escolaridade etc.? Onde queremos atuar?
                    da sua implementação, com o propósito de checar            Marco      Quais são os indicadores específicos – evasão
                    se as atividades e resultados realizados correspon-        Zero       escolar, aproveitamento escolar, nutrição etc.?
                                                                                          Por quais problemas passam hoje? Quem sofre
                    dem ao que foi planejado (monitoramento) e se os
                                                                                          com esses problemas? Onde moram as pessoas
                    objetivos previstos estão sendo alcançados (avalia-                   alvo? Qual o quadro geral da situação?
                    ção) (Armani, 2008, p. 69).                                           Como todos os participantes estão recebendo
                                                                               Avaliação o projeto? Quais são os pontos fortes e
                                                                               de         fracos das atividades do dia a dia do projeto?
               Tem razão Armani (2008) quando afirma que o                      Processo   Como o processo de implantação pode ser
             monitoramento e a avaliação são duas dimensões                               melhorado?
             do acompanhamento do projeto que caminham                                    Os resultados previamente estabelecidos
                                                                               Avaliação
                                                                                          estão sendo cumpridos? Quais efeitos têm o
             juntas, não fazendo muito sentido que aconteça o                  de
                                                                                          projeto sobre os envolvidos? Quais são nossos
                                                                               Resultados
             monitoramento sem a avaliação, ou vice-versa.                                indicadores de resultados?
                                                                               Fonte: Caixa Econômica Federal (2002, p. 8).

             FASES DA AVALIAÇÃO
                Segundo Marino (2003), a avaliação pode ser de-                DEFINIÇÃO DE INDICADORES DE AVALIAÇÃO
             finida em três categorias:                                         EM PROJETOS SOCIAIS

                   Marco Zero – uma avaliação preliminar, que                    De acordo com Leandro Lamas Valarelli (1999),
             poderia ser chamada de diagnóstico, indicadores pre-              no contexto dos projetos sociais, os indicadores
             liminares, avaliação ex ante, de contexto ou outras.              são parâmetros qualificados e/ou quantificados
                   Avaliação de Processo – inicia-se após a im-                que são responsáveis pelo detalhamento, através
             plementação das ações na busca dos objetivos es-                  do qual os objetivos de um projeto foram alcan-
             tabelecidos. Nessa fase acontece o monitoramento                  çados, dentro de um prazo delimitado de tempo e
             contínuo das atividades, a reflexão sobre as relações              numa localidade específica.
             entre os membros da equipe e a interação com o                     Kayano e Cabral (2002) defendem a ideia de que
             público-alvo.                                                     mais importante do que definir indicadores é criar




                                                                          56


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AULA 9 — Avaliação e Monitoramento de Projetos Sociais

               algumas ideias chaves que estão presentes nos indi-                 ção de meios para verificar o rumo das mudanças
               cadores, tais como:                                                 que são pretensas a acontecer (Valarelli, 1999).
                                                                                     Os 3 Es (eficiência, eficácia e efetividade) aborda-
                        • Indicadores são instrumentos, ou seja, o indica-
                                                                                   dos anteriormente também se aplicam na criação e
                          dor não é um fim em si, mas um meio.
                                                                                   definição dos indicadores, tendo ainda o critério de
                        • Indicadores são uma medida, uma forma de
                          mensuração, um parâmetro, quer dizer, o indica-          impacto.
                          dor é um instrumento que sintetiza um conjun-
                          to de informações em um “número” e, portanto,
                                                                                        A eficiência diz respeito aos recursos e sua
                          permite medir determinados fenômenos entre si,
                                                                                     correta utilização; eficácia se refere às ações do
                          ou ao longo de determinado tempo.
                        • Indicadores podem ser utilizados para verificação,
                                                                                     projeto e ao alcance dos objetivos propostos;
                          observação, demonstração, avaliação, ou seja, o            efetividade avalia em que medida os resultados
                          indicador permite observar e mensurar determi-             do projeto são replicados e incorporados na re-
                          nados aspectos da realidade social: eles medem,            alidade da comunidade atendida e por último
                          observam e analisam a realidade de acordo com              o impacto que diz “respeito às mudanças em
                          um determinado ponto de vista (Kayano e Cabral,            outras áreas não diretamente trabalhadas pelo
                          2002, p. 2).                                               projeto (...)” (Valarelli, 1999, p. 5).

                  Ao nos depararmos com projetos sociais, es-
               tamos diante de realidade complexas e desiguais                        O referido autor acrescenta para esclarecer “(...)
               onde muitos fatores e sujeitos participam e inter-                  Por exemplo, se um programa de orientação de
               vêm e acabam definindo as relações e os processos.                   saúde gerou na população ações de reivindicação
               O projeto social tem como base a intencionalidade                   e negociação com a prefeitura para obras de sane-
               da mudança nesse contexto complexo, perseguindo                     amento básico na comunidade” (Valarelli, 1999, p.
               objetivos de mudança, relacionando-se com ações                     5). Isso é considerado um impacto além do previsto
               de outros sujeitos da sociedade, que têm a pretensão                no projeto.
               de produzir resultados, que num todo, objetivem a                      De acordo com Carvalho (2001), ao definirmos
               mudança do problema encontrado. Dessa forma não                     os indicadores, é imprescindível garantir alguns cri-
               existem certezas e precisamos identificar a constru-                 térios e características, a saber:
                                                                                        relevância e pertinência;
                    !   VOCÊ SABE O QUE É IDH?                                          unidade;
                       IDH é um dos indicadores internacional-                          exatidão e consistência;
                    mente reconhecidos e significa Índice de Desen-                      objetividade;
                    volvimento Humano. Produzido e divulgado                            que possam ser medidos;
                    pela Organização das Nações Unidas (ONU),                           facilidade de interpretação;
                    constitui-se num indicador composto da renda,                       acessibilidade.
                    educação e saúde, dos vários países, com o mes-
                                                                                      Deixaremos alguns exemplos citados dentro do
                    mo peso: saúde – esperança de vida ao nascer;
                                                                                   Caderno de Orientação Técnica Social – Programas
                    educação – taxa de matrículas e taxa de alfabe-
                                                                                   OGU 2002 da Caixa Econômica Federal, que ilus-
                    tização e renda – Produto Interno Bruto (PIB)
                                                                                   trarão com mais clareza a criação de alguns indica-
                    per capita.
                                                                                   dores para determinados projetos:




                                                                              57


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais


              Eixo                      Módulo                    Indicador
                                                                  Domicílios rústicos e improvisados
                                        Moradia                   Famílias em situação de coabitação
                                                                  Comprometimento da renda familiar com aluguel
                                                                  Domicílios ligados à rede de água
                                                                  Domicílios com solução adequada de esgoto
                                        Acesso à
                                                                  Domicílios ligados à rede elétrica
              Habitabilidade            infraestrutura
                                                                  Domicílios com coleta regular de lixo
                                                                  Existência de transporte público a 500m
                                        Acesso ao lazer           Existência de equipamento público de lazer na área
                                                                  Domicílios em situação irregular
                                        Acesso à propriedade
                                                                  Permanência de famílias beneficiadas na moradia
                                        Risco ambiental           Presença de fatores de risco na área (quais)
                                                                  Famílias com renda média familiar de até 3 s.m.
                                                                  Famílias com renda média per capita inferior a 0,5 s.m.
                                                                  Famílias chefiadas por mulheres
                                        Pobreza
                                                                  Taxa de desemprego
                                                                  Trabalhadores informais
                                                                  Menores de 16 anos trabalhando
              Equidade                                            Mortalidade infantil
                                                                  Incidência de doenças de veiculação hídrica
                                        Saúde
                                                                  Incidência de doenças transmitidas por vetores
                                                                  Incidência de doenças respiratórias
                                                                  Taxa de analfabetismo
                                        Educação                  População de mais de 15 anos com menos de 3 anos de escolaridade
                                                                  População com Ensino Fundamental completo
                                                                  Crianças fora da escola
                                                                  Matrículas no Ensino Fundamental
                                        Acesso
              Direito à infância                                  Taxa de evasão
                                        à escola
                                                                  Taxa de retenção
                                                                  Desenvolvimento de atividades extraescolares
                                                                  Cursos oferecidos
                                        Capacitação profissional   Total de pessoas capacitadas
              Geração de trabalho
                                                                  % de conclusão
              e renda
                                                                  Formação de grupos associativos ou cooperativas
                                        Empreendedorismo
                                                                  Incremento % da renda familiar dos capacitados
                                                                  Quantidade de organizações formais e informais na área
                                                                  Taxa de participação
                                        Associativismo
              Organização                                         Existência de iniciativas voltadas ao bem-estar da comunidade
              comunitária                                         Presença de entidades governamentais e não governamentais
                                                                  Parcerias firmadas
                                        Atuação
                                                                  Total de eventos promovidos nos últimos 12 meses
                                                                  Total de resíduos gerados – kg/ano por habitante
                                        Destinação                Domicílios com coleta regular
                                        adequada                  Acondicionamento adequado
                                                                  Presença de lixo em áreas públicas
              Gestão de resíduos                                  Existência de coleta seletiva oficial
              sólidos                                             Domicílios atendidos pela coleta seletiva
                                        Coleta                    Separação domiciliar – % domicílios
                                        seletiva                  Existência de iniciativas comunitárias para coleta seletiva
                                                                  Inclusão de catadores na coleta seletiva
                                                                  Existência de associações/cooperativas de catadores
              Segurança no                                        Total de pessoas feridas em decorrência de acidentes no trânsito
                                        Mortalidade e morbidade
              trânsito                                            Total de óbitos em decorrência de acidentes no trânsito

             Fonte: Caixa Econômica Federal (2002:12).


                                                                       58


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AULA 9 — Avaliação e Monitoramento de Projetos Sociais

               CONCLUINDO                                                   dificar os padrões mentais criados a partir do con-
                  O sistema de avaliação e monitoramento é im-              ceito punitivo de avaliação, por que este realmente
               prescindível para que as ações previstas dentro do           não é o objetivo da avaliação.
               projeto social tenham chances de ser concluídas                 Devemos abandonar a crença da avaliação como
               com êxito.                                                   agente controlador e incorporar tanto o monitora-
                  A contribuição de Marino (2003) é abordar tema            mento quanto a avaliação, lado a lado, caminhando
               tão polêmico de forma prática e sucinta em um guia           para o sucesso das instituições e projetos sociais.
               prático sobre avaliação de projetos sociais. Elucida,        É preciso tratar avaliação e monitoramento como
               assim, questionamentos de todos que trabalham di-            aliados na execução de projetos sociais com impacto
               retamente com projetos e mostra que é preciso mo-            e resultado positivos nas comunidades atendidas.




                    *   ANOTAÇÕES




                                                                       59


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais
            Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais

                                                                                                                 AULA

                                                                                          ____________________     10
                                                                            O SISTEMA ÚNICO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
                                                                                 (SUAS) E O PLANEJAMENTO NA
                                                                                   ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

                                                                      Conteúdo
                                                                      • SUAS e o planejamento na administração pública.

                                                                      Competências e habilidades
                                                                      • Compreender e discutir o planejamento na administração pública e os conceitos básicos oriundos da
                                                                        implantação do SUAS.


                                                                      Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal
                                                                      Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade.


                                                                      Duração
                                                                      2 h/a – via satélite com o professor interativo
                                                                      2 h/a – presenciais com o professor local
                                                                      6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo




                      INTRODUÇÃO                                                                                        acessos e responsabilidade estatal, ou seja, passa a
                         O início do processo de construção da nova ma-                                                 ser responsabilidade do Estado.
                      triz para a assistência social brasileira foi estabeleci-                                            Em outubro de 2004, após as deliberações da IV
                      do pela Constituição Federal de 1988. Por sua vez, a                                              Conferência Nacional de Assistência Social, ocor-
                      seguridade social foi inclusa na pauta das discussões                                             rida em dezembro de 2003, foi aprovada a Política
                      e regulamentada pela Lei Orgânica da Assistência                                                  Nacional de Assistência Social (PNAS) pelo Conse-
                      Social (LOAS), em dezembro de 1993, como políti-                                                  lho Nacional de Assistência Social. Inicia-se a era do
                      ca social pública.                                                                                Sistema Único da Assistência Social (SUAS).
                         Durante esse período, ocorre a transição do cam-                                                  Hoje, não há como se falar em assistência social
                      po unicamente da assistência social para o campo                                                  sem fazer correlação direta com a implementação,
                      dos direitos. Deixa, assim, de ter caráter puramente                                              diretrizes e orientações do SUAS. Assim, neste pri-
                      assistencialista para abranger a universalização dos                                              meiro momento, apresentaremos os conceitos bási-

                                                                                                                 60


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AULA 10 — O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o Planejamento

               cos do SUAS que serão ampliados e aprofundados                  até mesmo com organizações do terceiro setor. Por
               no decorrer do curso.                                           intermédio dos Centros de Referência da Assistência
                                                                               Social (CRAS) deverão ser executados programas de
               O SISTEMA ÚNICO DA ASSISTÊNCIA                                  geração de renda, de atenção integral às famílias, cen-
               SOCIAL (SUAS) E O PLANEJAMENTO                                  tro de convivência de idosos, serviços socioeducati-
               NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA                                        vos para crianças, adolescentes e jovens (0 a 24 anos),
                  O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) é               incentivo ao protagonismo juvenil, entre outros.
               um sistema não contributivo, descentralizado e par-                A proteção social especial tem por finalidade pro-
               ticipativo que tem por função a gestão do conteúdo              teger contra situações de risco famílias e indivíduos
               específico da assistência social no campo da prote-              cujos direitos tenham sido violados ou que já tenha
               ção social brasileira. Configura-se como o novo re-              ocorrido rompimento dos laços familiares e comu-
               ordenamento da política de assistência social cuja              nitários. A proteção social especial se divide em de
               perspectiva é promover maior efetividade de suas                média e alta complexidade. A proteção social espe-
               ações. No SUAS, os serviços, programas, projetos                cial de média complexidade deve atuar quando ain-
               e benefícios da assistência social são reorganizados            da não houve o rompimento dos vínculos familia-
               por níveis de proteção social básica e especial, que            res, mas os direitos dos sujeitos já foram violados. Já
                                                                               a de alta complexidade atua quando os vínculos já
                    Prevê o desenvolvimento de serviços, programas e
                                                                               foram rompidos e existe a necessidade de se afastar
                    projetos locais de acolhimento, convivência e so-
                                                                               do núcleo familiar ou comunitário (Brasil, 2004).
                    cialização de famílias e de indivíduos, conforme
                    identificação da situação de vulnerabilidade apre-             A unidade executora das ações de proteção social
                    sentada. Deverão incluir as pessoas com deficiên-           básica é o Centro de Referência da Assistência Social
                    cia e ser organizados em rede, de modo a inseri-las        (CRAS) e das ações de proteção social especial de
                    nas diversas ações ofertadas. Os benefícios, tanto         média complexidade é o Centro de Referência Espe-
                    de prestação continuada como os eventuais, com-            cializado de Assistência Social (CREAS).
                    põem a proteção social básica, dada a natureza de             Sobre a execução dos projetos e programas pode-
                    sua realização (Brasil, 2004, p. 34).                      se considerar que serão realizados pelas três ins-
                  A proteção social básica tem como objetivo a pre-            tâncias de governo e devem ser articulados dentro
               venção, por meio do desenvolvimento de potencia-                do SUAS. Ressaltamos o Programa de Atenção In-
               lidades, aquisições e o fortalecimento de vínculos              tegral à Família (PAIF) que, segundo informações
               familiares e comunitários. Mesmo que não seja de-               da PNAS, surtiu efeitos concretos na sociedade e foi
               tectado o rompimento dos vínculos familiares, mas               efetuado pelas três instâncias em parceria (Brasil,
               existe uma fragilização das relações familiares geral-          2004).
               mente, em decorrência da pobreza, privação (por                    Podemos exemplificar: é sabido que a época do
               ausência de renda ou acesso aos serviços públicos               governo de Fernando Henrique Cardoso foi mar-
               precário ou nulo), discriminações etárias (idoso),              cada pelo neoliberalismo e, principalmente, pelas
               étnicas (índios, negros), de gênero (mulher) ou por             privatizações das grandes estatais. Também é certo
               deficiências, seja ela qual for (Brasil, 2004).                  que o neoliberalismo trouxe consigo mazelas, como
                  De acordo com a Política Nacional da Assistência             a fragilização das relações de trabalho, principal-
               Social (PNAS), os programas e projetos foram for-               mente a terceirização da mão de obra sem assegurar
               matados dentro do SUAS e, hoje, cabe a cada muni-               todos os direitos aos empregados.
               cípio brasileiro, de acordo com os habitantes e ter-               O neoliberalismo resulta na massificação de al-
               ritorialidade, implementá-los e executá-los, seja em            guns itens/bens de consumo e materiais permanen-
               parceria com o governo do estado e as prefeituras ou            tes, como as telefonias fixa e móvel. Se, até então, so-

                                                                          61


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             mente pessoas com alto poder aquisitivo poderiam                       da análise dos cursos de ação factíveis, congruentes
             se dar ao luxo de ter um telefone fixo após longa                       com os objetivos que se quer alcançar e os valores
             espera, hoje, a telefonia fixa e móvel se expandiu em                   que se quer promover e a especificação e avaliação
             proporções elevadas. A disputa acirrada pelo mer-                      dos resultados deles esperados (Carneiro, 2004, p.
                                                                                    50-51).
             cado entre as operadoras de telefonia faz os preços
             caírem proporcionando à população brasileira o                       Ao se falar da teoria da escolha racional como
             acesso a esse meio de comunicação.                                fundamento da atividade planejadora, o autor afir-
                Falar em monitoramento e avaliação como fer-                   ma que a racionalidade não se separa da intenção
             ramentas do planejamento e da gestão e, ainda, em                 e que a ação é movida por interesses, mas que nem
             estratégia de melhoramento aos serviços prestados                 sempre a escolha racional pensada por determinado
             à população, infelizmente é constatar que só fun-                 indivíduo, pensado para si próprio, será a melhor
             cionam na teoria, nos relatórios que funcionários                 alternativa para todos.
             ou consultorias emitem ao Estado. A excessiva bu-                    O referido autor analisa que a escolha das coi-
             rocratização estatal não permite novos arranjos ou                sas que serão utilizadas por toda uma população,
             oportunidades de um melhor funcionamento da                       é cercada pela individualidade de algumas poucas
             máquina pública em si e dos atendimentos à comu-                  pessoas, ferindo desse modo a democracia. Para que
             nidade.                                                           um processo seja realmente democrático, a popu-
                Carneiro (2004) aborda questões acerca do pla-                 lação deve participar da escolha e das decisões que
             nejamento para diferenciar o planejar na esfera pú-               irão afetar a todos. Dessa forma, é necessário incen-
             blica e privada. Ressaltando particularidades entre               tivo, por meio dos conselhos, desse processo de par-
             essas áreas, afirma que algumas ideias e procedi-                  ticipação democrático de toda a população para que
             mentos do planejamento da esfera privada podem                    ele efetivamente ocorra e não seja apenas algo “fictí-
             ser utilizados na pública. Assegura, ainda, que exis-             cio”, ou seja, algo em que os cidadãos acreditam que
             te uma diferença primordial e fundamental entre o                 estejam participando, mas são manipulados para
             planejamento das esferas pública e privada, porque                decidirem o que os governantes desejam.
             a pública deveria representar o espaço por excelên-
                                                                                    Fazer escolhas implica identificar e avaliar as alter-
             cia da promoção dos valores e interesses coletivos.                    nativas de ação com as quais o indivíduo se defronta,
                No entanto, não é o que se presencia ao se analisar                 e que expressam distintas combinações de meios e
             a atualidade. A mídia relata, quase que diariamente,                   fins. A ideia da racionalidade significa, em essência,
             casos de funcionários públicos, gestores ou gover-                     adotar uma estratégia que seleciona o curso da ação
             nantes que se apropriam da coisa pública, utilizam                     que presumidamente “levará ao melhor resultado
             a máquina pública em interesses particulares ou de                     global” (Elster, 1998, apud Carneiro, 2004, p. 51).
             terceiros, favorecidos em esquemas fraudulentos
                                                                                  O autor faz críticas pertinentes e construtivas so-
             que indignam cidadãos que ainda acreditam num
                                                                               bre a atual forma de publicidade dos resultados do
             Brasil melhor.
                                                                               governo. Analisa que nossa população sabe apenas
               Sobre o planejamento na esfera pública, Carneiro                o que é de interesse dos governantes, os quais são
             (2004) ressalta que:                                              pagos com nossos impostos. Fala-se da publicidade
                    Não se trata, como na esfera privada, de buscar so-
                                                                               de “faz de conta”, pois somos tolhidos em realmente
                    luções capazes de aperfeiçoar o aproveitamento das         saber e enxergar como agem nossos governantes.
                    oportunidades de ganhos econômicos ao alcance                 Analisa ainda uma tentativa de reestruturação da
                    do agente. O que está em jogo, no âmbito público,          distribuição da renda, que não teve sucesso. Como a
                    são o mapeamento e a identificação de quais ne-             corda sempre rompe do lado mais fraco, a assistên-
                    cessidades e interesses priorizar, o delineamento          cia social continua recebendo mínimos financeiros,

                                                                          62


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AULA 10 — O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o Planejamento

               pois servem apenas para financiar os “miseráveis”.             rio que se entenda o planejamento como algo útil e
               Destaca também que os governantes acreditam ain-              que possa ser implementado na prática.
               da estar fazendo um favor aos pobres, distribuindo               O autor proporciona ainda reflexão sobre nosso
               migalhas, por meio das políticas sociais presentes            cotidiano, sobre as limitações impostas pelos nossos
               no atual governo, prática herdada de administra-              dirigentes em desenvolver ações de planejamento no
               ções anteriores.                                              decorrer das nossas atividades corriqueiras e ainda
                  Mais uma vez retomamos a questão de pensar so-             num plano macro, como implementá-las de cima
               bre os governantes, pois eles irão definir os objetivos        para baixo, como a própria hierarquia existente no
               que movem a administração pública, expressando                poder público.
               uma escolha política do individual para o coletivo,             O planejamento é realmente uma ferramenta efi-
               tornando essas escolhas extremamente injustas com             caz para utilização na coisa pública, mas precisa que
               toda a população.                                             nossos governantes, como afirmado acima, o enten-
                  Podemos enxergar como essencial ao planeja-                dam como algo útil e principalmente a necessidade
               mento, a escolha da estratégia de ação. Concorda-             de sua efetividade.
               mos com Elster (1998 apud Carneiro, 2004) quando
               aborda que, em muitos casos, o planejamento acaba             CONCLUINDO
               como cumprimento de um protocolo utilizado ape-                 Para finalizarmos nossa aula transcrevo um pa-
               nas para endossar as ações tomadas pelo governo,              rágrafo do texto de Ricardo Carneiro (2004) que
               legitimando-as e não realizando essencialmente o              expressa de forma única e objetiva o planejamento
               planejamento.                                                 na esfera pública. Convido vocês a refletirem e a for-
                  São levantadas pelo autor, duas vertentes: uma             mularem as suas conclusões.
               que utiliza o raciocínio lógico e outra que abarca
               a análise das práticas já utilizadas anteriormente e               O desafio que se coloca para qualquer governo é a
               que, de uma forma genérica, podemos definir como                    formulação e implementação de políticas públicas
                                                                                  capazes de atender, da melhor forma possível, as aspi-
               “jurisprudência social”. O autor lança reflexões so-
                                                                                  rações e os interesses da sociedade. Isso envolve defi-
               bre a contratação terceirizada de pessoal no serviço
                                                                                  nir prioridades, estabelecer objetivos e metas a serem
               público, em vez da realização de concursos públicos
                                                                                  perseguidos, traçar linhas de ação visando sua con-
               como uma alternativa nem tanto eficiente, princi-
                                                                                  secução, acompanhar o que está sendo feito e avaliar
               palmente à população. Analisa as novas parcerias                   os resultados obtidos. Não se trata, é óbvio, de tarefa
               entre público privado como uma solução criativa                    fácil. O planejamento, em suas diversas modalidades
               para problemas antigos, enfrentando o estrangu-                    (...) pode se constituir numa ferramenta muito útil
               lamento financeiro na realização de investimentos                   para se lidar com a questão. Isso requer, no entanto,
               pelo governo. Ressaltando, novamente, uma legiti-                  que se tenha clareza do que dele se pode esperar e de
               midade das ações governamentais, “manipulando”                     seus requisitos operacionais. Primeiro, o planejamen-
               dessa forma o processo de planejamento.                            to pouco pode fazer frente à incompetência política
                  O planejamento foi institucionalizado como uma                  dos governantes. Segundo, não há o que planejar
               estratégia muito útil para se pensar as atividades an-             quando as soluções já estão dadas e não se pode alte-
                                                                                  rar o rumo das coisas. Terceiro, o planejamento leva-
               tes de sua efetiva ação e para que possamos viabi-
                                                                                  do a sério exige profissionalismo e condições efetivas
               lizar saídas quando tudo acaba dando errado, mas
                                                                                  de trabalho no âmbito da administração pública. Sem
               que sua implementação na esfera pública trata-se de
                                                                                  isso, é melhor esquecê-lo (Carneiro, 2004, p. 67).
               tarefa nada simples e fácil. Principalmente por ter-
               mos pessoas, seres humanos como nossos dirigentes                Agora é preciso que vocês reflitam sobre o SUAS
               ou governantes e acima (e antes de tudo) é necessá-           e sua implementação no município no qual vocês

                                                                        63


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais

             residem e verifiquem se os programas e projetos               ______. Caderno de Orientação Técnica Social.
             estão sendo executadosde acordo com o previsto.              Brasília: SUDES; GEPAD, 2008. Disponível em:
             Verifiquem também se o que foi previsto, ou, se o             <www1.caixa.gov.br/download/asp/download.
             planejamento realizado pela PNAS atende a toda               asp?subCategId=306&CategId=86&subCateg
             realidade brasileira.                                        layout=Manuais%20de%20Orientações%20
                                                                          Técnicas&Categlayout=Trabalho%20Técnico%20
             REFERÊNCIAS                                                  Social>. Acesso em: 22 mar. 2009.
             Básica                                                       CARNEIRO, R. O planejamento na esfera pública:
             ARMANI, D. Como elaborar projetos: guia prático              fundamentos teóricos, possibilidades e limites
             para elaboração e gestão de projetos sociais. Porto          operacionais. In: CARNEIRO, C. B. L.; COSTA, B.
             Alegre: Tomo Editorial, 2000.                                L. (orgs.). Gestão social: o que há de novo? Desafios
             BAPTISTA, M. V. Planejamento social:                         e tendências. Belo Horizonte: Fundação João
             intencionalidade e instrumentalização. São Paulo:            Pinheiro, 2004, v. 2, p. 47-68.
             Veras, 2000.                                                 CARVALHO, M. C. B. Avaliação de projetos sociais.
             KISIL, R. Elaboração de projetos e propostas para            In: ÁVILA, C. M. (coord.). Gestão de projetos
             organizações da sociedade civil. 2. ed. São Paulo:           sociais. 3. ed. São Paulo: AAPCS, 2001.
             Global, 2002.                                                COSTA, S. R. S. Elaboração de projetos sociais.
                                                                          Campo Grande: CRESS 21.ª Região/MS, 2007.
             Complementar                                                 mimeo.
             JANNUZZI, P. M. Indicadores sociais no Brasil:               ______. Elaboração de projetos da área social.
             conceitos, fonte de dados e aplicações. Campinas:            Campo Grande: Excel Consultoria, 2003.
             Alínea, 2001.                                                COHEN, E.; FRANCO, R. Avaliação de projetos
             KARSCH, U. M. S. Serviço social na era dos serviços.         sociais. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.
             3. ed. São Paulo: Cortez, 1998.                              CURY, T. C. H. Elaboração de projetos sociais. In:
             KEELING, R. Gestão de projetos: uma abordagem                ÁVILA, C. M. (coord.). Gestão de projetos sociais. 3. ed.
             global. São Paulo: Saraiva, 2002.                            São Paulo: AAPCS, 2001.
             MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da                          CURTY, A. L. Administração em organizações de
             administração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2005.                produto social – articulações possíveis. In: ÁVILA,
             SILVA, M. O. S. e. Avaliação de políticas e programas        C. M. (coord.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. São
             sociais: teoria e prática. São Paulo: Veras, 2001.           Paulo: AAPCS, 2001.
                                                                          KAYANO, J.; CALDAS, E. L. Indicadores para o
             Utilizada pelo professor                                     diálogo. Disponível em: <www.aditepp.org.br/
             BAPTISTA, M. V. Planejamento: introdução à                   gtindicadores/pdf/gt8.pdf>. Acesso em: 15 mar.
             metodologia do planejamento social. 4. ed. São               2009.
             Paulo: Moraes, 1981.                                         VALARELLI, L. L. Indicadores de resultados de
             BARBOSA, M. C. Planejamento e Serviço Social.                projetos sociais. Disponível em <www.rits.org.br/
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             BRASIL. Política Nacional de Assistência                     em: 20 mar. 2009.
             Social – PNAS/2004. Brasília: Ministério do                  NOGUEIRA, J. Metodologia do planejamento.
             Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2004.               Disponível em: <www.jaironogueira.noradar.com/
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             Orientação Técnica Social – Programas OGU/2002.              NUÑEZ, L. M. B. Prática do assistente social x
             Brasília: GEPAP; GIPUP, 2002.                                planejamento. Campo Grande: UCDB, 1999.

                                                                     64


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AULA 10 — O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o Planejamento

               ______. Elaboração de projeto. Campo Grande:                 – Campus I/Universidade do Estado da Bahia
               Universidade Católica Dom Bosco, 2003.                       – UNEB – Programa Gestão de Organizações –
               mimeo.                                                       PGO, Salvador, v. 1, n. 4, p. 39-50, maio/ago. 2003.
               PAZ, M. H. C. Cadernos Bunge de cidadania                    Disponível em: <www.lcsantos.pro.br/arquivos/
               – elaboração de projetos sociais. São Paulo:                 Projetos_Sociais26062008-122652.pdf>. Acesso
               Comunidade Ativa, 2003. mimeo. Disponível                    em: 22 mar. 2009.
               em: <www.fundacaobunge.org.br/site/uploads/                  TENÓRIO, F. G. Gestão de ONGs: principais
               materiais_de_apoio/CaderVolunt4_Projetos.pdf>.               funções gerenciais. 4. ed. Revista. Rio de Janeiro:
               Acesso em: 20 jan. 2007.                                     Fundação Getulio Vargas, 2000. 132 p.
               ROCHA, A. C. Como elaborar projetos e mobilizar              YASBEK, C. Compromissos e responsabilidade para
               recursos para entidades sem fins lucrativos. Salvador:        assegurar a proteção social pelo SUAS. Disponível
               Multidimensão Consultoria, 2003. mimeo.                      em: <www.mds.gov.br/sites/conferencias-1/artigos/
               SANTOS, L. C. Projetos sociais: fragmentos de                compromissos-e-responsabilidades-para-assegurar-
               ensinamentos. Revista ADM Pública: vista &                   protecao-social-pelo-suas-maria-carmelita-yazbek/
               revista, Departamento de Ciências Humanas                    html2pdf>. Acesso em: 7 jul. 2008.




                    *   ANOTAÇÕES




                                                                       65


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Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais




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Servico social 2009_6_2

  • 1.
    Educação sem fronteiras SERVIÇO SOCIAL Autores Carmen Ferreira Barbosa Edilene Maria de Oliveira Araújo Edilene Xavier Rocha Garcia Eloísa Castro Berro Maria Massae Sakate Silvia Regina da Silva Costa 6 www.interativa.uniderp.br www.unianhanguera.edu.br Anhanguera Publicações Valinhos/SP, 2009 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 1 6/5/09 10:07:38 AM
  • 2.
    © 2009 AnhangueraPublicações Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de Ficha Catalográfica realizada pela Bibliotecária impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua Alessandra Karyne C. de Souza Neves – CRB 8/6640 portuguesa ou qualquer outro idioma. Impresso no Brasil 2009 S514 Serviço social / Carmen Ferreira Barbosa ...[et al.]. - Valinhos : Anhanguera Publicações, 2009. 240 p. - (Educação sem fronteiras ; 6) ISBN: 978-85-62280-55-9 1. Serviço social – Planejamento. 2. Serviço social – Administração. 3. Serviço social – Integração da assistência. I. Barbosa, Carmen Ferreira. II. Título. III. Série. ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CAMPO GRANDE/MS CDD: 360 Presidente Prof. Antonio Carbonari Netto Diretor Acadêmico Prof. José Luis Poli Diretor Administrativo Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior ANHANGUERA PUBLICAÇÕES CAMPUS I Diretor Chanceler Prof. Diógenes da Silva Júnior Profa. Dra. Ana Maria Costa de Sousa Reitor Gerente Acadêmico Prof. Dr. Guilherme Marback Neto Prof. Adauto Damásio Vice-Reitor Gerente Administrativo Profa. Heloísa Helena Gianotti Pereira Prof. Cássio Alvarenga Netto Pró-Reitores Pró-Reitor Administrativo: Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior Pró-Reitora de Graduação: Profa. Heloisa Helena Gianotti Pereira Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Desporto: Prof. Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. UNIDERP INTERATIVA Diretor Prof. Dr. Ednilson Aparecido Guioti Coodernação Prof. Wilson Buzinaro COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Profa. Terezinha Pereira Braz / Profa. Aparecida Lucinei Lopes Taveira Rizzo / Profa. Maria Massae Sakate / Profa. Adriana Amaral Flores Salles / Profa. Lúcia Helena Paula Canto (revisora) PROJETO DOS CURSOS Administração: Prof. Wilson Correa da Silva / Profa. Mônica Ferreira Satolani Ciências Contábeis: Prof. Ruberlei Bulgarelli Enfermagem: Profa. Cátia Cristina Valadão Martins / Profa. Roberta Machado Pereira Letras: Profa. Márcia Cristina Rocha Figliolini Pedagogia: Profa. Vivina Dias Sol Queiroz Serviço Social: Profa. Maria de Fátima Bregolato Rubira de Assis / Profa. Ana Lúcia Américo Antonio Tecnologia em Gestão e Marketing de Pequenas e Médias Empresas: Profa. Fabiana Annibal Faria de Oliveira Biazetto Tecnologia em Gestão e Serviço de Saúde: Profa. Irma Marcario Tecnologia em Logística: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Marketing: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Recursos Humanos: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 2 6/5/09 10:07:39 AM
  • 3.
    Nossa Missão, NossosValores _______________________________ A Anhanguera Educacional completa 15 anos em 2009. Desde sua fundação, buscou a ino- vação e o aprimoramento acadêmico em todas as suas ações e programas. É uma Instituição de Ensino Superior comprometida com a qualidade dos cursos que oferece e privilegia a preparação dos alunos para a realização de seus projetos de vida e sucesso no mercado de trabalho. A missão da Anhanguera Educacional é traduzida na capacitação dos alunos e estará sempre preocupada com o ensino superior voltado às necessidades do mercado de trabalho, à adminis- tração de recursos e ao atendimento aos alunos. Para manter esse compromisso com a melhor relação qualidade/custo, adotaram-se inovadores e modernos sistemas de gestão nas instituições de ensino. As unidades no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul preservam a missão e difundem os valores da Anhanguera. Atuando também no Ensino a Distância, a Anhanguera Educacional orgulha-se de poder es- tar presente, por meio do exemplar trabalho educacional da Uniderp Interativa, nos seus pólos espalhados por todo o Brasil. Boa aprendizagem e bons estudos! Prof. Antonio Carbonari Netto Presidente — Anhanguera Educacional 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 3 6/5/09 10:07:39 AM
  • 4.
    . 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 4 6/5/09 10:07:40 AM
  • 5.
    AULA 1 —A Base do Pensamento Econômico Apresentação ____________________ A Universidade Anhanguera/UNIDERP, ao longo de sua existência, prima pela excelência no desenvolvimento de seu sólido projeto institucional, concebido a partir de princípios modernos, arrojados, pluralistas, democráticos. Consolidada sobre patamares de qualidade, a Universidade conquistou credibilidade de par- ceiros e congêneres no país e no exterior. Em 2007, sua entidade mantenedora (CESUP) passou para o comando do Grupo Anhanguera Educacional, reconhecido pelo compromisso com a qualidade do ensino, pela forma moderna de gestão acadêmico-administrativa e pelos propósi- tos responsáveis em promover, cada vez mais, a inclusão e a ascensão social. Reconhecida pela ousadia de estar sempre na vanguarda, a Universidade impôs a si mais um desafio: o de implantar o sistema de ensino a distância. Com o propósito de levar oportunida- des de acesso ao ensino superior a comunidades distantes, implantou o Centro de Educação a Distância. Trata-se de uma proposta inovadora e bem-sucedida, que, em pouco tempo, saiu das frontei- ras do Estado do Mato Grosso do Sul e se expandiu para outras regiões do país, possibilitando o acesso ao ensino superior de uma enorme demanda populacional excluída. O Centro de Educação a Distância atua por meio de duas unidades operacionais: a Uniderp Interativa e a Faculdade Interativa Anhanguera(FIAN). Com os modelos alternativos ofereci- dos e respectivos pólos de apoio presencial de cada uma das unidades operacionais, localizados em diversas regiões do país e exterior, oferece cursos de graduação, pós-graduação e educação continuada, possibilitando, dessa forma, o atendimento de jovens e adultos com metodologias dinâmicas e inovadoras. Com muita determinação, o Grupo Anhanguera tem dado continuidade ao crescimento da Instituição e realizado inúmeras benfeitorias na estrutura organizacional e acadêmica, com re- flexos positivos nas práticas pedagógicas. Um exemplo é a implantação do Programa do Livro- Texto – PLT, que atende às necessidades didático-pedagógicas dos cursos de graduação, viabiliza a compra, pelos alunos, de livros a preços bem mais acessíveis do que os praticados no mercado e estimula-os a formar a própria biblioteca, promovendo, assim, a melhoria na qualidade de sua aprendizagem. É nesse ambiente de efervescente produção intelectual, de construção artístico-cultural, de formação de cidadãos competentes e críticos, que você, acadêmico(a), realizará os seus estudos, preparando-se para o exercício da profissão escolhida e uma vida mais plena na sociedade. Prof. Guilherme Marback Neto 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 5 6/5/09 10:07:40 AM
  • 6.
  • 7.
    Autores ____________________ CARMEN FERREIRA BARBOSA Graduação: Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1984 Especialização: Saúde da Família – Universidade Federal de MS – UFMS – 2003 Especialização: Metodologia de Ensino Superior – FUCMAT – 1992 Mestrado: Serviço Social – Universidade Estadual Paulista/UNESP e Universidade Católica Dom Bosco/UCDB – 2002 EDILENE MARIA DE OLIVEIRA ARAÚJO Graduação:Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1986 Pós-graduação Latu sensu: Gestão de Iniciativas Sociais – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – 2002 Pós-graduação Lato Sensu: Formação de Formadores de em Educação de Jovens e Adultos – Universidade Nacional de Brasília – UNB – 2003 Pós-graduação Lato Sensu: Administração em Marketing e Comércio Exterior – UCDB – 1998 EDILENE XAVIER ROCHA GARCIA Graduação: Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1988 Especialização: Gestão de Políticas Sócias – UNIDERP – 2003 Mestrado: Desenvolvimento Local – Universidade Unidas Católicas – UCDB MS – 2007 ELOÍSA CASTRO BERRO Graduação: Serviço Social – Faculdades Integradas de Marília – 1984 Especialização: Planejamento e Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1998 Especialização: Metodologia de Ação do Serviço Social - Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1983 Mestrado: Serviço Social - Universidade Estadual Paulista/UNESP e Universidade Católica Dom Bosco/UCDB – 2002 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 7 6/5/09 10:07:40 AM
  • 8.
    MARIA MASSAE SAKATE Graduação: Matemática – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande, MS – 1992 Especialização: Informática na Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande, MS – 1998 Mestrado: Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande, MS – 2003 SILVIA REGINA DA SILVA COSTA Graduação: Serviço Social – Universidade Católica Dom Bosco – UCDB – 2001 Especialização em Violência Doméstica Contra Criança e Adolescentes – Universidade de São Paulo – USP – 2004 Especialização: Políticas Sociais com Ênfase no Território e na Família – Universidade Católica Dom Bosco – UCDB – 2007 Mestrado em Educação – Universidade Estadual Paulista – UNESP – 2008 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 8 6/5/09 10:07:40 AM
  • 9.
    Sumário ____________________ MÓDULO – PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO UNIDADE DIDÁTICA – ESTÁGIO SUPERVISIONADO III AULA 1 O estágio supervisionado III - o estágio como atividade integradora entre o saber e a ação ......... 3 AULA 2 A Intervenção em Serviço Social ........................................................................................................ 7 UNIDADE DIDÁTICA – PLANEJAMENTO DE INTERVENÇÕES SOCIAIS AULA 1 Planejamento em Serviço Social – conceitos e definições ................................................................ 14 AULA 2 A Administração no Serviço Social – contextualizações básicas ...................................................... 18 AULA 3 Gestão Social – aspectos importantes ................................................................................................ 23 AULA 4 Políticas, Planos, Programas e Projetos – Definições ........................................................................ 29 AULA 5 Papel do Gestor Social ........................................................................................................................ 32 AULA 6 O que é um projeto social? Implicações diretas na realidade atual .................................................. 36 AULA 7 Roteiro básico de um projeto social ................................................................................................... 40 AULA 8 Fases metodológicas e a instrumentalização do planejamento social .............................................. 47 AULA 9 Avaliação e monitoramento de projetos sociais ................................................................................ 54 AULA 10 O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o planejamento na administração pública......... 60 UNIDADE DIDÁTICA – TRATAMENTO DE INFORMAÇÕES E OS INDICADORES SOCIAIS AULA 1 Noções de estatística descritiva – obtenção e organização de dados ................................................ 68 AULA 2 Representações dos dados por meio da tabela................................................................................... 76 AULA 3 Representações gráficas dos dados ..................................................................................................... 82 AULA 4 Aspectos conceituais: o que são indicadores e índices ...................................................................... 86 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 9 6/5/09 10:07:40 AM
  • 10.
    AULA 5 Sistema de indicadores: requisitos para a sua construção e produção ............................................. 90 AULA 6 Fontes de indicadores sociais .............................................................................................................. 94 AULA 7 Desenvolvimento humano ................................................................................................................. 100 AULA 8 Objetivos do Desenvolvimento do Milênio - ODM.......................................................................... 106 SEMINÁRIO INTEGRADO: PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO .............................................. 115 MÓDULO – DESENVOLVIMENTO LOCAL E INTEGRAÇÃO DA ASSISTÊNCIA UNIDADE DIDÁTICA – DESENVOLVIMENTO LOCAL E TERRITORIALIZAÇÃO AULA 1 Desenvolvimento local: reflexões e conceitos .................................................................................... 119 AULA 2 Espaço, lugar e território .................................................................................................................... 125 AULA 3 Cultura e identidade ........................................................................................................................... 132 AULA 4 Capital social ....................................................................................................................................... 138 AULA 5 Potencialidade e comunidade ............................................................................................................. 146 AULA 6 Agentes do desenvolvimento local e dimensões metodológicas ....................................................... 150 AULA 7 Solidariedade e educação .................................................................................................................... 154 AULA 8 Cultura do desenvolvimento e desenvolvimento da cultura ............................................................ 160 UNIDADE DIDÁTICA – REDE SOCIOASSISTENCIAL AULA 1 O significado de redes no contexto do trabalho socioassistencial ................................................... 171 AULA 2 A filantropia no Brasil ......................................................................................................................... 175 AULA 3 Terceiro setor e suas diversas concepções .......................................................................................... 182 AULA 4 Movimentos sociais, ONGs e redes solidárias ................................................................................... 186 AULA 5 Marco legal das entidades que compõem a rede socioassistencial ................................................... 190 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 10 6/5/09 10:07:41 AM
  • 11.
    AULA 6 O Sistema Único de Assistência Social e a nova forma de gestão da assistência social: caráter público, protagonismo e avaliação do processo................................................................................ 197 AULA 7 Oficina 1: PEAS/2006 – Pesquisa das Entidades de Assistência Social Privadas sem Fins Lucrativos ................................................................................................................................... 208 AULA 8 Oficina 2: PEAS/2006 – Pesquisa das Entidades de Assistência Social Privadas sem Fins Lucrativos .................................................................................................................................... 215 SEMINÁRIO INTEGRADO: DESENVOLVIMENTO LOCAL E INTEGRAÇÃO DA ASSISTÊNCIA .................................................................................................................................... 227 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 11 6/5/09 10:07:41 AM
  • 12.
    Módulo PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO Profa. Ma. Eloísa Castro Berro Profa. Ma. Maria Massae Sakate Profa. Ma. Silvia Regina da Silva Costa Profa. Esp. Edilene Maria de Oliveira Araújo 13 Modulo 01.indd 13 2/6/2009 12:15:37
  • 13.
    Unidade Didática –Planejamento de Intervenções Sociais Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 1 PLANEJAMENTO EM SERVIÇO SOCIAL – CONCEITOS E DEFINIÇÕES Conteúdo • Reflexões históricas sobre o planejamento em Serviço Social – conceitos e definições. • A importância do planejamento para o Serviço Social. Competências e habilidades • Entender a importância do planejamento para a área social e as implicações de sua não utilização. • Compreender as definições e os conceitos utilizados no planejamento para o Serviço Social. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO REFLEXÕES HISTÓRICAS SOBRE O Neste conteúdo se corrobora com definições e PLANEJAMENTO EM SERVIÇO SOCIAL – conceituações que envolvam a questão do planeja- CONCEITOS E DEFINIÇÕES mento em Serviço Social. O planejamento é questão O planejamento é um processo. Parte-se aqui da atual e fundamental e se torna preocupante quando premissa que existe uma sequência temporal de fa- se verifica que muitos profissionais não fazem uso tos que se concretizam ao longo da história e não dessa ferramenta no seu cotidiano, o que interfere de acontecimentos isolados que surgem em um mo- diretamente nos resultados obtidos por meio das mento específico. Para cumprir seu papel, o plane- ações, projetos e programas desenvolvidos na área jamento deve atravessar vários estágios explicitados social. a seguir. 14 Modulo 01.indd 14 2/6/2009 12:15:38
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    AULA 1 —Planejamento em Serviço Social – Conceitos e Definições Pode-se considerar o planejamento como um aquele que inclui o processo da participação crítica processo de reflexão e como uma “disciplina que no planejamento social (Barbosa, 1980, p. 14). instrumenta transformações da realidade social” Registra-se assim o nascimento da disciplina de (Barbosa, 1980, p. 11). Com muita propriedade, Planejamento nos cursos de Serviço Social, nas es- Barbosa afirma ainda que “por natureza, o plane- colas norte-americanas. No Brasil, a disciplina Pla- jamento não é nem todo-poderoso, nem meio de nejamento em Serviço Social iniciou-se em 1968, dominação da sociedade, mas, ao contrário, tem ca- segundo Barbosa, que também faz um apanhado ráter eminentemente humanístico e é elemento im- histórico dos aspectos evolutivos do planejamento. portante e estratégico de uma práxis democrática” Para tanto, aborda a relação direta do processo de (Barbosa, 1980, p. 11). racionalidade do ser humano com o ato de planejar Esse autor relata, ainda, que inicialmente na his- e afirma ser esse ato inerente ao homem. tória do Serviço Social utilizava-se a terminologia Para entender a evolução da necessidade do pla- plano de tratamento correspondente ao resultado nejamento é preciso compreender a evolução, no da ação de planejar juntamente com o então cha- homem, da consciência de individualidade em con- mado “cliente” em uma tentativa de solucionar os traposição à coletividade, como mostrado a seguir. seus problemas. Segundo o mesmo autor, o homem não havia des- No período em que a palavra planejamento tor- pertado para se tornar um ser individual e a partici- nou-se mais generalizada, foi relacionada com toda pação, consequentemente, era atribuição grupal não a ordenação lógica e racional do profissional, com sendo vista ou entendida na sua individualidade. início na fase do estudo até o final do tratamento. De acordo com Ammann (1978 apud Barbosa, Em um período mais próximo, ainda no século XX, 1980), o planejamento e o processo administrativo o Serviço Social assume características de disciplina também podem ser considerados inerentes à natu- teórico-prática (práxis) de intervenção na realidade reza humana, pois se trata de um canal/instrumento humana e social. importante da participação do indivíduo. Historicamente, no referente às relações entre pla- O segundo estágio tem início com a fase da con- nejamento e Serviço Social, sempre voltado à in- corrência individual e de competição individual. É tervenção sobre situações concretas que expressam caracterizada pelo nascimento do indivíduo. O ho- problemas, necessidades, aspirações de pessoas, mem passa a ter capacidade de enxergar o mundo grupos, organizações, comunidades, sistemas e es- com seus próprios olhos, assumindo para si respon- truturas sociais, visando soluções possíveis, viáveis sabilidades e reagindo às tradições convencionais e adequadas, vem estabelecendo interações cres- grupais (Barbosa, 1980). centes com o planejamento, que passa a ser, des- se modo, componente indispensável à formação e Nesse período, o planejamento era individual, mas ação do assistente social (Barbosa, 1980, p. 11-12). o homem utilizava a capacidade racional. A parti- cipação tinha a característica da pessoalidade e do Dessa forma, tem início o debate no Serviço So- imediatismo, traço marcante desse estágio, usado cial acerca do planejamento e há uma discussão so- para justificar a não utilização do controle social e bre a participação direta ou não do povo/sociedade entendido como forças que dão sustentação ou man- nesse processo. Barbosa afirma ainda que: têm qualquer estrutura social (Pereira apud Barbosa, 1980). A terceira e última fase ou estágio é caracte- Já não basta planejar a ação como processo natu- ral de ordenação, decisão e controle, mas surge a rizada pela solidariedade do homem em relação ao necessidade de informar ao assistente social sobre grupo por meio de sindicatos ou associações. o planejamento como método e como processo, Sobre o planejamento, acreditamos que “começou numa perspectiva de um social mais abrangente ou com o primeiro ser humano e, desde então, perma- 15 Modulo 01.indd 15 2/6/2009 12:15:38
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais neceu simples prática natural de todos os indivíduos Desse modo, o planejamento, para ser entendido e grupos” (Person, 1955, apud Barbosa, 1980, p. 22). de uma forma mais ampla, clara e objetiva, consis- Apenas no século 19, o planejamento passa a ser ob- te numa previsão do futuro. Trata-se, pois, de uma jeto de preocupação, quando usado para atender aos atividade intelectual complexa, pois não é simples interesses das empresas e organizações. planejar ações para um futuro próximo, em médio Nesse período, abordado a seguir, a teoria da ad- ou longo prazo. É necessário um raciocínio com- ministração introduz o conceito do planejamento prometido com algumas características, tais como: como função do administrador, e torna necessária atividade sistematizada, reflexão crítica, caminhos a existência dos “planos B” para tomadas de decisão e alternativas, futuro, visão de conjunto, temporal/ em decorrência de alterações drásticas no mercado. espacial e objetivos e metas. Dessa forma, a ativida- Toma-se como exemplo o plano de fuga para evitar de sistematizada é aquela que utiliza determinado que qualquer empresa vá à falência em caso de cri- método, identificando-se com o comportamento ses financeiras. científico. A reflexão crítica vai muito além da sim- plicidade de levantamento e tabulação de dados, Partindo da premissa de que o planejamento é ba- mas estabelece uma correlação causal. sicamente um processo de racionalidade, é indis- cutível que todo homem é capaz de planejar, sendo Sobre os caminhos e alternativas, podemos afir- inerente à sua natureza essa atitude, em si dialética, mar que o planejamento aponta pistas sem deter- de tomar decisões em relação ao futuro (Barbosa, miná-las. É necessário, portanto, o exame detalhado 1980, p. 19). para escolher qual o caminho mais adequado a de- terminadas situações. Assim, pode-se dividir o homem em ser racional e Uma das características do futuro consiste na vi- social. Racional quando possui a capacidade de pen- são utópica de algo que se deseja ou que se almeja sar para agir e refletir sobre o acontecido, projetando atingir. A visão de conjunto trata-se de uma visão a experiência para a construção de um futuro indi- em sua totalidade. Temporal/espacial está direta- vidual ou coletivo. Por sua vez, o ser social é provido mente ligado a prazos, metas e objetivos predeter- de capacidade analítica e de fazer acordos com ter- minados. Finalmente os objetivos e metas estão di- ceiros, para dar direcionamento à sua vida pessoal e retamente ligados ao ideal a ser alcançado (Barbosa, à vida coletiva. Em consequência dessa afirmação, o 1980). homem deveria agir de forma conjunta, cooperando com o interesse comum em todos os aspectos, seja ele econômico, político, cultural e, sobretudo, social A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO (Barbosa, 1980). Essa ideia possibilita inferir que: PARA A ÁREA SOCIAL Por tudo o que foi apresentado, infere-se que o o planejamento é então uma atividade que mesmo planejamento é crucial para o desenvolvimento das diante de situações específicas guarda sua visão ge- atividades relacionadas ao Serviço Social. Está im- nérica, sistematizando e realimentando a própria plícito em todas as etapas das atividades a serem atividade, imprimindo-lhe assim uma dinâmica desenvolvidas pelo profissional da área social. Re- processual (Barbosa, 1980, p. 30). afirma-se aqui, para rememorar o aprendido, que Pode-se compreender que o planejamento ainda ao povo deve ser dado o poder decisório. Não sem “supõe um método, uma ordenação ou caminho, o razão, Toledo (1978 apud Barbosa, 1980, p. 52) afir- que em última instância ‘poderá ser encontrado nos ma que “o povo tem que tomar consciência lúcida hábitos e capacidades da inteligência humana, nos de sua própria posição, de sua própria realidade, de processos do conhecimento e da ação’” (Lamparelli seu próprio valor e do que o próprio povo pode”. A [s/d] apud Barbosa, 1980, p. 30). área social lida diretamente com o povo, com a co- 16 Modulo 01.indd 16 2/6/2009 12:15:38
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    AULA 1 —Planejamento em Serviço Social – Conceitos e Definições munidade, cujos interesses devem estar sempre em to ao concreto, onde possa situar-se e transcender primeiro lugar. o pensar: ‘(...) Refletir não é alienar-me, mas dis- O planejamento é tão importante na área social, tinguir-me para melhor tornar-me sujeito do que pois dele depende, em muitos casos, o sucesso de faço’” (Furter, 1976, apud Barbosa, 1980, p. 128). um programa ou projeto coordenados pelos assis- Assim, “(...) o planejamento imprime à prática tentes sociais. profissional uma confiabilidade na sua ação e no Na área social, o planejamento tem início quando controle da mesma, através das atividades de pre- se decide em qual região intervir e se realiza o diag- visão e do controle das ações” (Barbosa, 1980, p. nóstico social, com olevantamento de dados da po- 141). pulação x ou y para detectar todas as potencialidades Reflita sobre a ação profissional do assistente so- e dificuldades do lugar e, assim, planejar ações que cial analisando a seguinte afirmação de Barbosa: possam intervir positivamente nos pontos diagnos- ticados. Barbosa (1980, p. 83) diz que “para que o um profissional considera indispensável o plane- Serviço Social possa elaborar projetos adequados à jamento da ação, qualquer que seja o trabalho a executar, passa a ser o objeto da aplicabilidade do transformação da realidade social, é necessário que planejamento e ainda que tal postura é ratificada tenha a visão global dessa realidade, apreendida ra- quando afirma que o planejamento é indispensável cionalmente, isto é, pelo desenvolvimento dos ra- e que é impossível a prática do Serviço Social sem ciocínios objetivo, analítico e projetivo”. ele (Barbosa, 1980, p. 142). Nosso papel, como profissionais da área social, é o de utilizarmos os mais variados subsídios teóricos e práticos disponíveis para o bom andamento das CONCLUINDO atividades, o que reforça a seguinte afirmativa: As breves explicações servem para subsidiar a análise de planejamento como método necessário à O assistente social, com uma visão teórica preesta- sobrevivência de todas as espécies no planeta e ao belecida do que seja bom para o desenvolvimento humano e social, planeja sua intervenção a partir desenvolvimento de atividades sociais com grupos de parâmetros e indicadores estabelecidos que pre- ou comunidades. tende alcançar como ótimos para uma dada reali- Lembrando que planejamento é inerente ao ser dade (Barbosa, 1980, p. 114). humano, está presente no nosso cotidiano, participa das mais simples previsões como abrir a janela e ve- Furter (1976) afirma com propriedade e sapiên- rificar como o tempo está lá fora e, ao perceber algu- cia que: mas nuvens escuras, concluir que seria interessante No caso do planejamento, a reflexão tem toda a levar guarda-chuva. No entanto, o planejamento sua importância porque há um perigo sério de se encontra-se também nas complexidades da área so- dissolver na planificação um presente monstruoso, cial, para, ao conhecer a comunidade com a qual se no qual estamos perdendo as dimensões do real. Só irá trabalhar, delimitar as áreas de intervenção. a reflexão permite um pensar no tempo, que dá a Assim, cabe a cada um de nós refletir sobre a significação plena ao planejamento (Furter, 1976, importância do processo de planejamento em nos- apud Barbosa, 1980, p. 128). sas vidas não só profissional, mas também na vida Barbosa (1980) afirma que “(...) o aluno, como pessoal. Sejamos planejadores natos, pois por meio futuro profissional, precisa aprender a reflexão e o desse processo podemos trazer credibilidade para a questionamento, o processo de passar do abstra- instituição na qual atuamos. 17 Modulo 01.indd 17 2/6/2009 12:15:38
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 2 A ADMINISTRAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL – CONTEXTUALIZAÇÕES BÁSICAS Conteúdo • A administração e o Serviço Social – contextualizações históricas básicas. • A administração em Serviço Social. Competências e habilidades • Refletir sobre a administração em parceria com o Serviço Social. • Conhecer princípios básicos da administração para entender melhor a gestão social, suas utilizações na prática conjugada com a teoria. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO ponibilizados no Portal e em outros que tiverem Feita a abordagem sobre planejamento e sua im- à mão. portância para o Serviço Social, entramos no mun- Há também a possibilidade de procurar organi- do das questões associadas à própria disciplina de zações que possuam conhecimentos administrati- Administração, parte obrigatória do curso em Ser- vos visíveis para que se possa vivenciar na prática viço Social. a teoria aqui aprendida. Procure no seu município Muitas vezes, utilizamos conhecimentos e fer- organizações em que possa fazer a correlação teoria ramentas sem nos apercebermos que pertencem à prática de uma forma clara e transparente. área de administração, de cujo universo procura- Assim, abordaremos apenas conceitos generaliza- remos apresentar conceituações básicas, lembran- dos da administração, para proporcionar visão geral do que caberá a cada um de nós o aprofundamento das suas principais dimensões, tendo por foco a área por meio de estudo e pesquisa nos materiais dis- social (Curty, 2001). 18 Modulo 01.indd 18 2/6/2009 12:15:38
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    AULA 2 —A Administração em Serviço Social – Contextualizações Básicas A ADMINISTRAÇÃO E O SERVIÇO SOCIAL – forço do homem em conquistar a natureza e possibi- CONTEXTUALIZAÇÕES HISTÓRICAS BÁSICAS litar condições mínimas de sobrevivência e conforto. Mesmo que para fins didáticos tenhamos abor- Dessa forma, a vida em organização surgiu quando os dado separadamente planejamento e administração, indivíduos perceberam que a associação com os ou- deve-se ter em mente que os dois caminham juntos. tros facilitava a realização de determinados trabalhos. Segundo Barbosa (1980), Henry Fayol, um dos au- Então, como definição, podemos afirmar que or- tores clássicos da administração, foi um dos primeiros ganização é o agrupamento de pessoas e recursos a associar planejamento e administração, afirmando – dinheiro, equipamentos, materiais, informações e que “administrar é prever e planejar, é organizar, co- tecnologia – com o objetivo de produzir bens e/ou ordenar e controlar” (Barbosa, 1980, p. 22). prestar serviços (Tenório, 2000, p. 17). No início do século 20, finalmente, os conceitos No entanto, precisamos entender que agrupar- de administração planejada começaram a ser utili- mos simplesmente não será pré-requisito para que zados graças aos estudos de Fayol, que já havia defi- os recursos existentes sejam alocados da melhor for- nido as bases do planejamento ao referir que “admi- ma possível e que o trabalho seja realizado na hora nistrar significa olhar para frente” (Silva [s/d] apud certa. “Para que isso ocorra, é preciso haver a pre- Barbosa, 1980, p. 22). ocupação em gerenciar as partes que constituem a Assim, pode-se afirmar que o planejamento teve organização” (op. cit.). “E o que é gerenciar? É a ação início com a administração privada para posterior- de estabelecer ou interpretar objetivos e de alocar mente passar para a administração pública. Foi a recursos para atingir uma finalidade previamente União Soviética quem apresentou em 1929 o pri- determinada” (Tenório, 2001, p. 17, grifo nosso). meiro plano quinquenal como ideia política e eco- Tenório afirma que nos dias atuais, em particu- nômica centralizada. lar na administração, os clientes/usuários são quem Curty (2001) afirma que a disciplina da adminis- determina o tipo de produto ou serviço a ser ofere- tração seria uma das que mais se aproxima em grau cido pela organização. Dessa forma, percebe-se que de generalização no interesse prático e que: a finalidade de uma organização não está mais de- terminada exclusivamente pelos desejos e interesses entre todas as disciplinas, a administração – ciência dos proprietários. do trabalho objetivado e organizado – talvez seja Na área social acontece algo idêntico a que cha- a de mais generalizado interesse prático, posto que de bem compreendê-la pode depender o saber uti- mamos de controle social. De uma maneira bem lizar a organização à qual pertencemos como um simples e prática, isso pode ser definido como perda elemento facilitador para o alcance de nossos obje- da liberdade decisória das organizações. No passado, tivos pessoais (Curty, 2001, p. 22). tudo era decidido apenas por interesses estratégicos da organização; atualmente é necessário incluir as Segundo dados da autora, oito em cada 10 traba- noções de bem comum da sociedade (Curty, 2001). lhadores se tornaram ou irão se tornar membros de Segundo afirmações da autora, a organização uma organização. Parte-se, assim, do pressuposto que pretende se destacar por atributos positivos, ser de que a sociedade contemporânea é composta por transparente e correta com o cidadão, deve utilizar organizações, pois nelas encontramos basicamen- o termo accountability1 para desenvolver suas ações. te oportunidades de realização profissional e para nossa sobrevivência (Curty, 2001). 1 Accountability é um termo da língua inglesa, sem tradução exata para Segundo Tenório (2000), só entendemos a impor- o português, que remete à obrigação de membros de um órgão admi- tância da administração quando compreendemos o nistrativo ou representativo de prestar contas a instâncias controlado- ras ou a seus representados. Outro termo usado numa possível versão motivo pelo qual os homens se associam para atingir portuguesa é responsabilização. Disponível em: <www.babylon.com/ objetivos comuns. A vida humana é marcada pelo es- definition/accountability/Portuguese>. Acesso em: 8 abr. 2009. 19 Modulo 01.indd 19 2/6/2009 12:15:38
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Alguns autores traduzem a palavra como respon- Em relação à efetividade, é o “(...) estudo do sabilidade social. Sem tradução para o português, impacto do planejado sobre a situação, à adequa- denota algum desinteresse das organizações brasi- ção dos objetivos definidos para o atendimento da leiras, já que no mundo atual o conhecimento social problemática objeto da intervenção, ou melhor, ao está em alta e em breve o termo accountability será estudo dos efeitos da ação sobre a questão objeto do utilizado mais corriqueiramente em nossas ações e planejamento” (Baptista, 2003, p. 120). organizações. Citaremos os exemplos do livro de Fernando Tenório (2000) para melhor entendermos os concei- A busca de bons níveis de accountability se coloca tos de eficiência, eficácia e efetividade. No primeiro com especial relevância para as organizações de exemplo a relação entre eficiência e eficácia: produto social, que, lidando com recursos públicos Analisemos a seguinte situação: dois professores e tendo a questão da transformação social como viajam a São Paulo para ministrar um curso. O pri- sua razão de ser, deve caracterizar sua atuação pela meiro, Fernando Braga, viaja de avião, gastando R$ máxima transparência e rigoroso respeito à socie- 270,00, e chega a tempo de dormir confortavelmente. dade na qual se insere e para a qual gera produto O segundo, Rodrigo Baça, viaja de ônibus, gastando (Curty, 2001, p. 25). R$ 18,00 e dorme no próprio ônibus, só tendo tem- po de tomar uma ducha e o café da manhã antes de Os bons níveis de accountability estão diretamen- iniciar a aula. Fernando ministra um excelente curso, te relacionados, em sua dinâmica organizacional, à enquanto Rodrigo, cansado, tem desempenho insa- concepção do produto, incorporando os desejos e tisfatório (Tenório, 2000, p. 18-19). saberes da comunidade beneficiária. Ainda na pres- Ao analisarmos a situação exposta chegamos às tação de contas, tanto de recursos quanto de resul- seguintes conclusões: ao avaliarmos os recursos fi- tados, a organização deve ser clara, honesta e apre- nanceiros Rodrigo foi mais eficiente do que Fernan- sentar senso de oportunidade (Curty, 2001). do, pois seus gastos foram menores, mas, mesmo Após definirmos accountability, tratado neste ca- sendo eficiente, Rodrigo não foi eficaz, pois ao mi- pítulo como responsabilidade social, abordaremos nistrar seu curso não o apresentou satisfatoriamen- o desafio dos 3 Es: eficiência, eficácia e efetividade. te. Entretanto, Fernando que não foi tão eficiente, Tais medidas são utilizadas para avaliar a gerência foi mais eficaz e ministrou um excelente curso. da organização. Na avaliação da eficiência, a incidência é dire- ! IMPORTANTE tamente ligada à ação desenvolvida. Seu objetivo é “Não basta, portanto, fazer um trabalho com “reestruturar a ação para obter, ao menor custo e menos recursos, é necessário fazer a coisa certa, ao menor esforço, melhores resultados. Deve ser ne- ser eficaz” (Tenório, 2000, p. 19). cessariamente crítica, estabelecendo juízos de valor sobre o desempenho e os resultados que o mesmo propicia” (Baptista, 2003, p. 117). A tabela a seguir possibilita a análise do desempe- Ao avaliarmos a eficácia devemos analisar: nho de organizações, gerentes, equipes ou indivídu- os isolados, por meio das hipóteses. a partir do estudo da adequação da ação para o al- cance dos objetivos e das metas previstos no pla- A terceira medida a ser considerada na avaliação nejamento e do grau em que os mesmos foram das atividades de uma organização é a efetividade, alcançados. Incide sobre a proposta e, basicamen- que nada mais é do que a “capacidade de atender às te, sobre os objetivos (gerais e específicos) por ela expectativas da sociedade” (Tenório, 2000, p. 20). alcançados e quais as razões dos êxitos e fracassos O mesmo autor afirma que as medidas devem ser (Curty, 2001, p. 25). estabelecidas previamente e baseadas na experiência 20 Modulo 01.indd 20 2/6/2009 12:15:38
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    AULA 2 —A Administração em Serviço Social – Contextualizações Básicas Desempenho Avaliação Controle é a ação de comparar os objetivos esta- Eficaz e eficiente Os objetivos propostos foram atingidos belecidos e os recursos previstos com os resultados com a menor utilização dos recursos disponíveis. atingidos e os recursos literalmente gastos, a fim de Eficaz, mas Os objetivos foram alcançados, mas tomar medidas que possam corrigir ou mudar os ineficiente com maior consumo de recursos do que o previsto. rumos fixados (op. cit.). Eficiente, mas Os recursos foram utilizados conforme Abaixo destacamos o funcionamento dessas qua- ineficaz o estabelecido, porém os objetivos previstos não foram alcançados. tro funções como um ciclo que tem início com o Ineficaz e Os objetivos não foram alcançados e planejamento e termina no controle, que, por sua ineficiente o consumo de recursos ultrapassou o vez, subsidia uma nova etapa do planejamento: previsto. Fonte: Tenório (2000, p. 19). da organização, levando em consideração os resul- tados obtidos por outras organizações semelhantes ou mesmo nas expectativas criadas. Já vimos que as organizações existem para produzir bens e prestar serviços. Sua sobrevivência depende de atenderem às expectativas de seus clientes e pro- prietários, de encontrarem a melhor forma de rea- lizar o trabalho necessário à produção desses bens e à prestação de serviços, bem como de aproveitarem da melhor forma possível os recursos de que dis- põem (Tenório, 2000, p. 21). Tenório (2000) afirma que, para melhor enten- dimento do ato de gerenciar, é necessário um olhar Dessa forma entendemos que a garantia de so- para a organização em que uma pirâmide contemple brevivência da organização é uma gerência compro- três níveis hierárquicos: estratégico ou institucional, metida e que é realizada através do exercício diário tático ou gerencial e operacional ou de execução. de quatro funções primordiais denominadas fun- ções gerenciais (Tenório, 2000). Funções gerenciais São quatro as funções essenciais ao trabalho do ge- rente: planejamento, organização, direção e controle. Planejamento é a ação de determinar a finalidade e os objetivos da organização e prever as atividades, os O nível estratégico contempla a definição da fina- recursos e os meios que permitirão atingi-los ao longo lidade e dos objetivos a serem perseguidos, num dado de um período determinado (Tenório, 2000, p. 22). período. As decisões tomadas, nesse nível hierárqui- Organização é a ação de agrupar pessoas e recur- co, geralmente estão relacionadas à organização toda sos, definir atribuições, responsabilidade e normas, sem fazer discriminações entre clientes/usuários, de modo a atingir a finalidade e os objetivos previs- fornecedores, concorrentes, financiadores e demais tos (op. cit.). entidades, avaliando suas relações mútuas. São temas Direção é a ação de conduzir e motivar pessoas a exercerem suas tarefas a fim de alcançar os objetivos 2 Disponível em: <http://kmol.online.pt/artigos/2005/02/01/ organizacionais (op. cit.). paradigma-gc>. Acesso em: 8 abr. 2009. 21 Modulo 01.indd 21 2/6/2009 12:15:38
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais abordados durante assembleias, conselhos de admi- que se deve planejar, organizar, dirigir, controlar e nistração ou reuniões de diretoria (Tenório, 2000). tomar decisões estratégicas, táticas ou operacionais. Sobre o nível tático, as decisões são tomadas es- Tais condições são inerentes ao ato de gerenciar. pecificamente para cada setor da organização. Nessa Percebemos que muitas organizações do terceiro fase os responsáveis pelas tomadas de decisão são os setor necessitam de embasamento técnico-científico diretores, chefes de departamento, coordenadores em administração para que suas atividades tenham que deverão se preocupar individualmente com suas planejamento e, numa forma bem simples, abando- respectivas áreas de competência (Tenório, 2000). nem a forma intuitiva de gestão para que se emba- No nível operacional, temos as atividades neces- sem nos fundamentos administrativos disponibili- sárias ao cumprimento dos objetivos da organiza- zados a todos. ção. Aqui são resolvidas questões cotidianas e cor- O século 21 traz para as organizações em geral o riqueiras. conhecimento tácito de questões gerenciais, de ad- ministração, essenciais para o bom desenvolvimento CONCLUINDO das atividades a serem executadas. É chegada a hora Podemos resumir gerenciamento como a busca de abandonar a intuição gerencial e nos utilizarmos pela eficiência, eficácia e efetividade, o que implica do embasamento teórico disponível. * ANOTAÇÕES 22 Modulo 01.indd 22 2/6/2009 12:15:39
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    Unidade Didática –Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 3 GESTÃO SOCIAL – ASPECTOS IMPORTANTES Conteúdo • Gestão social – contextualização histórica. Competências e habilidades • Identificar os principais aspectos que permeiam e englobam a conceituação de gestão social na atua- lidade. • Definir referenciais históricos que pontuem o início da utilização da gestão social. • Refletir sobre a gestão social e o papel do assistente social nesse contexto. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO cipação na formulação de políticas sociais nos mais A gestão social no Brasil tem início com a partici- variados setores. pação da sociedade civil organizada, por intermédio Faz-se necessário a busca e entendimento do real do conhecido terceiro setor que trouxe novas possi- papel do assistente social no século 21 a partir de bilidades à população. fragmentos históricos que tragam a resposta sobre Segundo alguns estudiosos, a questão da partici- os caminhos seguidos pelo processo de gestão social pação popular começou por meio das associações no Brasil até chegar aos dias atuais. de bairros, de moradores e de mulheres. Posterior- mente, com a introdução dos governos participati- GESTÃO SOCIAL – CONTEXTUALIZAÇÃO vos, a população conseguiu, com os mais variados HISTÓRICA conselhos municipais, estaduais e até mesmo fede- Abordar a gestão social nos remete a refletirmos rais, buscar entendimento sobre os gastos públicos, sobre alguns fatores históricos que tiveram gran- as prioridades governamentais e até mesmo a parti- de influência no processo de desenvolvimento da 23 Modulo 01.indd 23 2/6/2009 12:15:39
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais gestão pública social. Precisamos em primeiro lu- Em relação aos movimentos sociais, o golpe de 64 gar fazer um apanhado histórico sobre os direitos trouxe o fechamento de muitos sindicatos e as ligas da população e a forma da sociedade civil em se camponesas foram liquidadas. Lembrando, ainda, organizar, pois, mesmo com todas as violações já que o movimento estudantil foi o mais perseguido ocorridas no decorrer da história brasileira, o povo nesse período. Com o Ato Institucional n.º 5 em sempre conseguiu se reunir e reivindicar seus direi- dezembro de 1968 houve a suspensão das garantias tos. Abordaremos principalmente a implantação do constitucionais e um endurecimento da repressão sistema neoliberal no Brasil e suas consequências policial-militar “(...) Entre 1968 e 1973 a oposição diretas no novo modelo de administração pública ao regime ficou praticamente por conta das organi- e na nova forma de posicionamento da sociedade zações de esquerda que optaram pela luta armada e por meio dos movimentos sociais. Assim podemos que acabaram sendo destruídas pelas forças de re- entender que: pressão” (Lesbauspin, Steil e Boff, 1996, p. 24). Gestão social é uma forma de gestão de políticas Porém, podemos analisar que foi no período da públicas (federais, estaduais ou municipais), exer- ditadura militar que os movimentos populares reor- cida por instituições governamentais e da socieda- ganizaram-se por meio dos clubes de mães, associa- de civil, baseada na mobilização das comunidades; ções de moradores e comunidades de base, em me- na democracia interna de seus processos decisó- ados da década de 1970. Em 1978 as greves públicas rios; na transparência de suas decisões e ações e na retornaram, após 10 anos de paralisação. E em 1979 criação de canais de participação que a tornem efe- houve um forte Movimento Feminino pela Anistia, tivamente representativa do querer local (Projeto para que os exilados pudessem retornar ao Brasil. Inovar, 2005, p. 25). Apesar de não ter a sua participação muito difundi- Para melhor entendermos os caminhos trilha- da, a Igreja Católica no Brasil teve um papel impor- dos pela gestão social faremos uma breve análise tante como principal ponto de apoio de luta contra a de pontos principais da história, tendo como início ditadura, por intermédio das Comunidades Eclesiais a análise dos fatos a partir do regime da ditadura de Base (CEBs) e da Conferência Nacional dos Bispos militar, contraponto de direitos e liberdades sociais. do Brasil (CNBB) (Lesbauspin, Steil e Boff, 1996). Houve no Brasil um período conturbado em que Relembrando as aulas do quinto semestre sobre a população teve seus direitos cerceados e que não o terceiro setor, foi no decorrer dos anos 1970 que existia a democracia, conhecido como período da surgiram as primeiras organizações não governa- ditadura militar (1964-1985). mentais no Brasil (ONGs). Lembre-se de que nessa época não se utilizava ainda essa denominação, e es- ! ATENÇÃO sas organizações tinham basicamente como foco a educação popular. Em 1988 existiam no Brasil 1.288 A melhor forma de sabermos de detalhes ONGs e 402 entidades ecologistas, mas havia pouca que não existem nos livros é conversando di- ou quase nenhuma visibilidade a tais movimentos retamente com pessoas que viveram a época da da sociedade civil organizada (Landim apud Les- ditadura militar, que sofreram na pele a inexis- bauspin, Steil e Boff, 1996). tência do direito à liberdade de expressão e to- Em 1988 foi promulgada a Constituição Federal dos os outros direitos cerceados ou inexistentes, que, por meio do parágrafo único “(...) Todo o po- por isso não se acanhe em conversar com seus der emana do povo, que o exerce por meio de repre- avós, tios e até mesmo com seus pais sobre esses anos que marcaram a história do Brasil. sentantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição” (Brasil, 2008, p. 13), traz consigo a ga- 24 Modulo 01.indd 24 2/6/2009 12:15:39
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    AULA 3 —Gestão Social – Aspectos Importantes rantia do direito à participação direta na adminis- rantias conquistadas pelos funcionários efetivos ou tração pública, mas somente em 1992 com a Confe- de carreira. Salienta-se ainda que, nos países em que rência Internacional sobre o Meio Ambiente no Rio foi implantado o neoliberalismo, houve um aumen- de Janeiro (Eco-92) é que teve início a divulgação to no trabalho informal, ou seja, sem carteira assi- das ações brasileiras internacionalmente voltadas nada, sem direitos trabalhistas assegurados, como para essa vertente da participação da sociedade. os camelôs, ambulantes, diaristas ou domésticas, A campanha contra a fome – Ação da Cidadania entre outros (Lesbauspin, Steil e Boff, 1996). contra a Fome, a Miséria e pela Vida –, do sociólogo Concordamos com Carvalho (2001) quando essa Betinho, na época do Ibase, trouxe uma mudança autora afirma que: no olhar e na ação efetiva das ONGs, pois se mos- A transformação produtiva, o desemprego e a pre- trou ao país que muitas instituições com poucos re- carização das relações de trabalho produziram au- cursos obtinham êxito em suas ações. É claro que a mento da pobreza e das desigualdades sociais, en- ação dessas instituições não substituía a ação do go- fraquecendo o protagonismo maior da classe tra- verno, mas mostrava que vontade política poderia balhadora. Em contrapartida, novos atores sociais superar a questão da miséria no Brasil (Lesbauspin, emergiram: os movimentos sociais deslocaram Steil e Boff, 1996). para a sociedade civil um papel central na defini- Aos nos depararmos com a organização da socie- ção da agenda política dos Estados. As organizações dade civil, não podemos de forma alguma deixar de não governamentais são uma expressão desse novo protagonismo, alargando e revitalizando a esfera abordar o sistema neoliberal que teve sua introdu- pública. (...) As compressões políticas e econômi- ção no Brasil a partir do governo Collor, nos anos cas globais, as novas demandas de uma sociedade 1990. Alguns autores relatam que dados estatísticos complexa, os déficits públicos crônicos, a revolu- afirmam que, a partir da implementação do siste- ção informacional, a transformação produtiva, o ma neoliberal, em alguns países como os Estados desemprego e a precarização das relações de traba- Unidos da América (EUA) houve um considerável lho, a expansão da pobreza e o aumento das desi- aumento da população abaixo da linha da pobreza. gualdades sociais são alguns dos tantos fatores que Na Inglaterra ressurgiu a população de rua, sendo engendram demandas e limites e pressionam por que nos dois países houve falência de indústrias e o novos modos de gestão da política social (Carvalho, desemprego aumentou em larga escala (Lesbauspin, 2001, p. 16). Steil e Boff, 1996). A autora acima ainda relata que a onda neolibe- A política neoliberal trouxe consequências catas- ral dos anos 1980 e 1990 na qual existia a proposta tróficas para o mundo desregulamentando e flexibi- de um Estado mínimo e a prioridade no mercado lizando as relações de trabalho. É um momento de para que se enfrentasse a crise emanada a partir da novas descobertas, do surgimento de novas tecnolo- transformação produtiva, do desemprego, das rela- gias, processos que, de alguma forma, acabam pou- ções precárias entre trabalhador e empregador e da pando a mão de obra. Assim, as relações trabalhistas crescente expansão da pobreza está em descrédito. E acabaram se tornando precárias e há um boom nas que o neoliberalismo, até então pensado como so- conhecidas terceirizações pelas grandes empresas, lução, não foi capaz de enfrentar a crise, e que defi- indústrias e até mesmo por pequenos comerciantes nitivamente não houve a esperada diminuição dos (Lesbauspin, Steil e Boff, 1996). gastos públicos. Dessa forma surgem os novos ato- As grandes e até mesmo médias e pequenas em- res para garantir os direitos existentes e lutar pela presas, indústrias que anteriormente contratavam implementação de novos direitos, definindo então diretamente seus funcionários, partiram para a ter- mudanças significativas nos padrões de governabi- ceirização em massa, diminuindo salários e as ga- lidade preexistentes à crise. 25 Modulo 01.indd 25 2/6/2009 12:15:39
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Com a globalização, processo desencadeado pelo A gestão social consiste em um processo de empo- neoliberalismo, presenciou-se na área social o forta- deramento da sociedade e é composta basicamente lecimento da sociedade civil por meio de um novo por três atores: governo, mercado e sociedade civil. caminho denominado terceiro setor (o primeiro se- A gestão social busca fazer com que a população tor está relacionado ao Estado e o segundo setor ao reflita e participe ativamente dos processos demo- mercado) com sua representatividade nas organiza- cráticos e históricos do Brasil. Desmistificando um ções da sociedade civil (OSCs) e fundações empre- velho preconceito instituído pelo senso comum de sariais sem fins lucrativos que se relacionam mun- que “para pobre qualquer coisa serve”. Ela só existe dialmente com outras instituições com as mesmas quando a população, por meio dos canais de parti- finalidades (Carvalho, 2001). cipação, passa a participar efetivamente e concebê- Fischer et al. (2006) trazem uma definição mui- los como direito, tais como os próprios conselhos to clara das organizações da sociedade civil e que gestores e de direitos. utilizamos em nossa primeira aula e que será útil Percebemos em toda sociedade um desconten- durante toda essa disciplina: tamento contínuo. A população está cada vez mais exigente. Clama por ética, pela transparência, pelo Definida pela autonegação e relativa exclusão do correto, pelo bom e pelo reto. Estado e do mercado (não governamentais, não lu- crativas), as OSCs advogam autonomia, bem como De grande importância é o comprometimento e perfis visíveis na gestão social do desenvolvimento a postura ética do profissional de Serviço Social no a identificação com a ética do bem comum e o uso trabalho desenvolvido com toda população. Com do espaço público como contexto de referência. uma postura ética, o profissional de Serviço Social Sua legitimidade deriva das ações que empreendem pode orientar a população/comunidade a refle- e do impacto que elas têm na sociedade civil em tir sobre suas necessidades e tecer suas exigências, que se originam e que, de forma especial, espelham pois somente dessa forma teremos o processo de (Fischer et al., 2006, p. 790-791). construção da gestão social implementado. Alguns O terceiro setor tem papel fundamental nesse princípios são básicos e precisam ser relembrados e novo processo de gestão social, pois as OSCs bus- abordados durante esse processo: cam desde o início de suas fundações a capacidade Democracia e participação: uma gestão democráti- de articulação com a comunidade, implantação do ca é aquela que abre canais de participação desde voluntariado, parcerias com o Estado para gerir o os níveis mais elementares – grupos de esporte nas sistema público por meio de políticas e programas, comunidades rurais, por exemplo – até os de maior democracia e participação, transparência, controle responsabilidade, como os conselhos gestores; vai social e respeito às pessoas e aos processos. até as pessoas e estabelece com elas uma relação Dowbor (1999) discorre sobre o processo cons- aberta, positiva e dialógica; as pessoas têm o direito tante de construção da gestão social, e concordamos de opinar, serem ouvidas e respeitadas; as decisões com ele quando afirma que: são abertas e não restritas a um pequeno grupo; os critérios de decisão são construídos em conjunto, As tendências recentes da gestão social nos obrigam conhecidos e assumidos por todos. a repensar formas de organização social, a redefi- Transparência: uma instituição com gestão trans- nir a relação entre o político, o econômico e o so- parente é aquela que cria canais de comunicação cial, a desenvolver pesquisas cruzando as diversas regulares e permanentes, informando as pessoas e disciplinas, a escutar de forma sistemática os ato- as comunidades dos atos, das negociações, das de- res estatais, empresariais e comunitários. Trata-se cisões, dos critérios, dos resultados, dos ganhos, das hoje, realmente, de um universo em construção perdas e, principalmente, da gestão financeira sob (Dowbor, 1999, p. 12-13). sua responsabilidade, em linguagem acessível. 26 Modulo 01.indd 26 2/6/2009 12:15:39
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    AULA 3 —Gestão Social – Aspectos Importantes Controle social: conforme Andrade (2004), a ges- tão com controle social está diretamente vinculada ! SAIBA MAIS! à ideia de constituição de uma esfera pública de- Você sabia que existe a Ouvidoria da União? mocrática, que possa viabilizar o controle dos go- No site da Controladoria Geral da União (www. vernantes pela sociedade. A ideia básica reside na cgu.gov.br) você acessa o link ouvidoria e pode possibilidade de os grupos organizados influírem e fazer sua reclamação em relação aos agentes, ór- decidirem sobre o tipo de sociedade e de ação go- gãos e entidades do Poder Executivo federal. E vernamental necessárias ao bem-estar da coletivi- mais você sabia que existem sites relacionados à dade, além de manter mecanismos de avaliação das Controladoria da União em que podemos saber ações governamentais. Isso supõe a institucionali- mais sobre a transparência dos gastos públicos? zação de instrumentos de controle do setor público pela sociedade, garantindo não somente a fiscali- O site é o (www.cgu.gov.br/transparencia/) e lá zação do orçamento, mas também a definição de você pode verificar por unidade da Federação prioridades, estratégias de ação e localização dos e ainda por servidor os gastos até mesmo com serviços. diárias e passagens. Respeito às pessoas e aos processos: respeitar as pes- soas e as instituições tem a ver com a compreensão de que elas têm um tempo de amadurecimento das gestões referentes a procedimentos e ações de agen- consciências e dos processos que precisam ser con- tes, órgãos e entidades do Poder Executivo federal. siderados. Portanto construir processos locais de A Ouvidoria-Geral também tem a competência de desenvolvimento sustentável pressupõe o conhe- coordenar tecnicamente o segmento de ouvidorias cimento, o entendimento e a prática desses prin- do Poder Executivo federal, bem como de organizar cípios da gestão social (Projeto Inovar, 2005, p. 27 e interpretar o conjunto das manifestações recebidas – grifo nosso). e produzir indicativos quantificados do nível de sa- tisfação dos usuários dos serviços públicos prestados Acreditamos que negociar é o verbo primordial no âmbito do Poder Executivo federal.3 na gestão social e é um dos papéis dos conselhos, sindicatos, associações e outras instituições que fa- Nosso papel, tanto como cidadão quanto profis- zem parte da sociedade civil organizada e politizada. sionais da área social é divulgar os meios de partici- Ao abordarmos a temática da gestão social, falamos pação e como acontecem aos nossos usuários e prin- do espaço institucional aberto entre governo, mer- cipalmente se informando sobre a disponibilidade cado e sociedade civil organizada para a negociação desses canais e as formas de atendimento, pois para de interesses diferentes e muitas vezes até mesmo nos tornarmos multiplicadores de conhecimento, conflitantes, mas sempre um espaço de negociação precisamos inicialmente ter tais conhecimentos. e construção de um projeto em comum. É bom ressaltar que os canais de participação po- CONCLUINDO pular existentes atualmente são: orçamentos parti- O processo de gestão social, ou como define Fischer cipativos, conselhos municipais, estaduais e federais et al. (2000) gestão do desenvolvimento social, é um: dos direitos humanos, da saúde, de assistência so- (...) reflexo das práticas e do conhecimento cons- cial, de educação, conselhos gestores, fóruns, movi- truído por múltiplas disciplinas, delineando-se mentos sociais, planos diretores municipais e outras uma proposta multiparadigmática, de natureza formas de participação popular. interdisciplinar. Como as ações mobilizadoras par- A Ouvidoria-Geral da União, ligada à Controladoria- tem de múltiplas origens e têm muitas direções, Geral da União (CGU), é responsável por receber, 3 examinar e encaminhar reclamações, elogios e su- Disponível em: <www.cgu.gov.br/CGU/>. Acesso em: 27 dez. 2008. 27 Modulo 01.indd 27 2/6/2009 12:15:39
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais as dimensões praxiológica e epistemológica estão lembrando sempre que as dificuldades e particula- entrelaçadas. Aprende-se com as práticas, e o co- ridades territoriais também devem ser levadas em nhecimento se organiza para iluminar a prática. A consideração. O nosso papel, do assistente social, na gestão do desenvolvimento é uma forma de gestão gestão social vai muito além de “incitar” os atores social, a transição entre modelos do século passado envolvidos a uma participação ativa, mas obedece a e novas formas, comprometidas com utopias de de- preceitos éticos, buscando cidadãos que façam que senvolvimento local, que os tempos de crise fazem toda a população envolvida tenha conhecimento e emergir (Fischer et al., 2006, p. 797). acesso às políticas públicas, às legislações que re- Ou seja, precisamos acima de tudo entender o gulamentam nossa sociedade. Relaciona-se direta- processo como um todo para que possamos parti- mente ao “ser” cidadão e ao conhecimento do que cipar ativamente, provocando os atores envolvidos, vem a ser cidadania e sua importância no processo fazendo-os refletir sobre a situação atual brasileira, da gestão social. * ANOTAÇÕES 28 Modulo 01.indd 28 2/6/2009 12:15:39
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    Unidade Didática –Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 4 POLÍTICAS, PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS – DEFINIÇÕES Conteúdo • Conceituações básicas de políticas, planos, programas e projetos. Competências e habilidades • Entender as diferenças básicas entre planos, programas e projetos. • Identificar, na prática, como esses instrumentos estão dispostos no nosso dia a dia. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO (políticas) e chega à parte prática, com a execução Políticas, planos, programas e projetos fazem dos projetos. parte de uma só cadeia social e estão diretamente Se pudéssemos visualizar esse conjunto em uma ligados uns aos outros. A cadeia começa pelo macro figura, seria assim representado: 29 Modulo 01.indd 29 2/6/2009 12:15:40
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Assim, trabalharemos com conceituações básicas finindo as áreas de atuação ou concentração, e para que darão entendimento real e concreto da ocupa- essas áreas são elaborados programas que possivel- ção e importância individual de cada elemento des- mente culminarão em projetos. Segundo esse autor, sa cadeia e do conjunto dessas definições. É preciso o programa nada mais é do que o aprofundamento ressaltar que todas as definições se complementam e do plano, com os detalhes da setorização das políti- interligam. As definições são complementares, por- cas e diretrizes dos planos. De maneira prática e ob- tanto fazem do conhecimento e do funcionamento jetiva, podemos dizer que um programa é um con- dessa cadeia social algo imprescindível para o traba- junto de projetos que buscam os mesmos objetivos. lho do assistente social. Podemos, ainda, definir programa simplesmen- te como “um conjunto de projetos que perseguem CONCEITOS BÁSICOS DE POLÍTICAS, PLANOS, os mesmos objetivos. Estabelece as prioridades da PROGRAMAS E PROJETOS intervenção, identifica e ordena os projetos, define Conforme mencionado na introdução, políticas, o âmbito institucional e aloca os recursos a serem planos, programas e projetos são elos de uma mesma utilizados” (Cohen e Franco, 2008, p. 85). cadeia social, e, a despeito do envolvimento de ume- Esses autores afirmam que a maioria das orga- lemento com o outro, cada um deles apresenta parti- nizações que são responsáveis pelos programas cularidades. Esses são postulados básicos necessários encontram-se geralmente no primeiro setor, ou para o desenvolvimento das atividades na área social. seja, são, em sua maioria, de administração públi- Em primeiro lugar, pela perspectiva do plane- ca. Atualmente encontramos instituições privadas jamento, podemos afirmar que a política é um e do terceiro setor que atuam por meio de progra- “processo de tomada de decisões que começa com mas. É preciso mencionar ainda que os progra- a adoção de postulados gerais que depois são de- mas se situam temporalmente no período entre sagregados e especificados” (Cury, 2001, p. 43). Ou um e cinco anos. Devemos levar em consideração, seja, a política seria a base da pirâmide social, onde no entanto, que alguns programas excedem esse se estabelecem as definições a serem seguidas pelos período. planos, programas e projetos. Por exemplo, a políti- Alguns elementos são considerados básicos e de- ca social define como primordiais alguns trabalhos vem obrigatoriamente pertecer a um programa, en- com a família, idosos, crianças, deficientes, entre tre eles estão: outros. Mas são apenas grandes definições, com al- guns postulados básicos que somente dão referen- a síntese de informações sobre a situação a ser mo- ciais para a montagem dos planos. dificada com a programação; a formulação explícita das funções efetivamente Para a definição de plano, de acordo com consignadas aos órgãos e/ou serviços ligados ao pro- Nogueira,4 “O plano delineia as decisões de caráter grama, com responsabilidades em sua execução; geral do sistema, as suas grandes linhas políticas, a formulação de objetivos gerais e específicos e a suas estratégias, suas diretrizes e precisa responsabi- explicitação de sua coerência com as políticas, dire- lidades”. Assim, no plano estão relacionados meios trizes e objetivos do sistema maior, e de sua relação e fins a serem atingidos, determinando-se o tempo com os demais programas do mesmo nível; a ser despendido, bem como determinando quem a estratégia e a dinâmica de trabalho a serem adota- será responsável por cada delegação constante nele. das para a realização do programa; Cury (2001) afirma que, dentro de um plano, os as atividades e os projetos que comporão o pro- problemas são delimitados e é feita uma seleção, de- grama, suas interligações, incluindo a apresentação sumária de objetivos e de ação; 4 Disponível em: <www.jaironogueira.noradar.com/jairo13.htm>. os recursos humanos, físicos e materiais a serem Acesso em: 21 mar. 2009. mobilizados para sua realização; 30 Modulo 01.indd 30 2/6/2009 12:15:40
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    AULA 4 —Políticas, Planos, Programas e Projetos – Definições a explicitação das medidas administrativas necessá- rias para sua implantação e manutenção (Nogueira ! SAIBA MAIS [s/d]). Você sabia que... a palavra projeto vem do la- Agora falaremos sobre projeto. Segundo a ONU tim projectus e significa o que se tem a intenção (1984) projeto “é um empreendimento planejado de fazer? que consiste num conjunto de atividades inter-rela- cionadas e coordenadas para alcançar objetivos es- inexistente (ausente), deverão existir os outros dois pecíficos dentro dos limites de um orçamento e de elos da cadeia: os programas e projetos (Cohen e um período de tempo dados” (ONU apud Cohen e Franco, 2008). Franco, 2008, p. 85). Na figura a seguir, demonstraremos que o projeto CONCLUINDO deve seguir quatro direções fundamentais que estão Políticas, planos, programas e projetos estão in- interligadas como num ciclo. As quatro direções terligados, dependendo um do outro para sua exis- culminam na mesma finalidade (que é o próprio tência. São elementos básicos para o desenvolvimen- projeto) e devem andar juntas e articuladas. to das atividades profissionais do assistente social, desde a sua elaboração na parte técnica a prática até a realização das ações alocadas dentro do projeto. Assim, é preciso ter clareza do processo, sua inter- ligação e funcionamento para que se possam desen- volver, com habilidade e competência técnica, os pro- jetos, e implementar políticas, planos e programas. Tudo o que foi aqui mencionado apenas pretende despertar para as reflexões iniciais sobre o tema abor- dado. Cabe, agora, a cada um de vocês pesquisar e dar continuidade aos estudos e colocar em prática a teo- ria aprendida. Para finalizar, fica aqui um pensamen- Um projeto geralmente se desenvolve entre um to do Johann Göethe para que possamos refletir. e três anos, mas em alguns casos, principalmen- te quando são parte de um programa, a duração é Toda uma corrente de acontecimentos brota da de- cisão, fazendo surgir a nosso favor toda a sorte de maior. Pode-se dizer que tão prontamente conse- incidentes, encontros e assistência material que ne- gue-se identificar e localizar os projetos no campo nhum homem sonharia que viesse em sua direção. dos setores sociais, segue-se uma lógica sequencial, O que quer que você possa fazer, ou sonhe que o já descrita anteriormente: planos, programas e pro- possa, faça-o. Coragem contém genialidade, poder jetos. Lembre-se de que, mesmo quando o plano é e magia. Comece-o agora (Göethe). * ANOTAÇÕES 31 Modulo 01.indd 31 2/6/2009 12:15:40
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    Unidade Didática –Planejamento de Intervenções Sociais Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 5 PAPEL DO GESTOR SOCIAL Conteúdo • Atribuições do gestor social. • Papel do assistente social como gestor social. Competências e habilidades • Ter conhecimento das atribuições e funções do gestor social na implementação das políticas públicas. • Discutir o papel do assistente social na gestão social. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO junho de 1993, trouxe-nos o embasamento legal do Após falarmos sobre a gestão social, seu processo nosso agir profissional. de implantação para que esteja tal como se apresen- O gestor social deve ir muito além de delegar ta hoje, falaremos sobre o papel importantíssimo funções e determinar ações, deve ter senso crítico, do gestor social. Ator principal nas interlocuções e capacidade gerencial, liderança e motivação; prin- acordos entre poder público e sociedade civil. cipalmente saber trabalhar em grupo e lidar com as O assistente social, sem sombra de dúvida, é o diferenças existentes, conseguindo de maneira hábil profissional mais habilitado para atuar no processo sobrepor-se às dificuldades encontradas durante o da gestão social, como gestor social. Nossa forma- processo da gestão social. ção abarca conteúdos fundamentais para o trabalho na área social, tais como: direito e legislação social, ATRIBUIÇÕES DO GESTOR SOCIAL movimentos sociais, terceiro setor, entre outras dis- Abordamos inicialmente a questão do planejamen- ciplinas de suma importância. A regulamentação to e da administração em Serviço Social para agora de nossa profissão, através da Lei n.° 8.662, de 7 de podermos falar do papel do gestor social, pois ele deve 32 Modulo 01.indd 32 2/6/2009 12:15:40
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    AULA 5 —Papel do Gestor Social primordialmente ter conhecimento de conceitos eficácia; liderança; análise contextual interna e ex- inerentes à administração, sabendo em princípio ternamente com capacidade de adaptação a novas sobre o desafio dos 3 Es. situações; negociação e convencimento; sensibili- Mas você sabe do que se trata esse desafio? Nada dade para definição de prioridade; transparência à mais é do que saber a diferença básica entre eficiên- gestão e se organizar “administrativamente”. cia, eficácia e efetividade (Curty, 2001). Perceba que para ser um bom gestor social, você precisa ir de um extremo a outro. Sabendo ser sen- O que é eficiência? É a melhor forma de fazer algo sível para perceber pequenos detalhes do processo com os recursos existentes. Já a eficácia é alcançar o objetivo pré-estipulado. E efetividade está direta- da gestão e ter pulso firme para saber quais atitudes mente relacionada com o impacto social obtido, ou deverão e precisam ser tomadas para que os proje- seja, é a capacidade de corresponder às expectativas tos e/ou programas tenham êxito. da sociedade. Um bom gestor conhece técnicas de gerencia- mento como ninguém e as coloca em prática dia- Concordamos com Fischer et al. quando afir- riamente, desde o momento em que entra na sua mam que “ao tratarmos de gestão social, articula- instituição e até mesmo nos momentos em que está mos liderança e management, eficácia, eficiência e planejando ações para a equipe/o grupo ou a comu- efetividade social. Estamos tratando de mediações nidade na qual está envolvido e é responsável. sociais realizadas por indivíduos (gestores) e suas organizações” (Fischer et al., 2006, p. 797). O pensador grego Sófocles disse que “o poder re- vela o homem” e isso é uma grande verdade, pois O que caracteriza esse gestor, basicamente, além da se não soubermos utilizar o nosso bom senso, a ca- capacidade de mediação, é a visão que precede qual- pacidade de lidar com pessoas e grupos diferentes, quer ato de gestão. Vários autores falam da visão consequentemente, não seremos bons na gestão e do líder. Da literatura pop management aos estudos gestores habilitados. mais consistentes sobre o indivíduo enquanto líder, Para ser e se tornar um bom gestor social, tem a capacidade de ver, retrospectiva e prospectiva- mente, definem o presente organizacional (Fischer que se ter muito além da formação superior e expe- et al., 2006, p. 797). riência na área social. Deve-se ser alguém compro- metido com a causa que “abraçou” e principalmente agir corretamente com todas as pessoas envolvidas ! ATENÇÃO no contexto, sejam projetos, programas, ações pon- Management é palavra originária da língua tuais, equipe de trabalho, comunidade atendida etc. inglesa e pode ser entendida como: gerência, Precisa-se ter transparência nas decisões, na presta- gestão ou gerenciamento. ção de contas, ser solidário e acreditar naquilo que se trabalha. Quantas vezes já não ouvimos alguém falar mal Concordamos com Souza (2001) quando afirma do lugar onde trabalha? Isso é a prova viva da fal- que, no processo da gestão social, o gestor é o gran- ta de ética, pois um bom gestor não toma atitudes de facilitador e mediador da gestão e que o sucesso nesse sentido. Ele é um profissional assertivo, com- de um programa ou projeto depende quase que ex- petente, hábil, eficaz e eficiente. Não devemos nos clusivamente do seu papel. esgotar em falar na ética, nos bons hábitos com o Souza (2001) relata algumas características bási- próximo e ainda de como é importante a sua ima- cas e primordiais que o gestor, não só o social, mas gem junto às pessoas que você trabalha. todos que gerem algum negócio, precisa possuir. Não adianta dizer aquele ditado antigo: “faça o Capacidade de comunicação interna e externa com que eu falo, mas não faça o que eu faço” porque isso 33 Modulo 01.indd 33 2/6/2009 12:15:40
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais não faz sentido na vida real. As pessoas que acabam O gestor social deve estar preparado para: convivendo com cada um de vocês, seja profissional (...) atuar num contexto de desafios e tensões en- ou emocionalmente, se espelham em vocês, acham tre a eficiência (busca de resultados) e a democra- “bacana” isso ou aquilo que você fez, acham-o ino- cia (busca da participação social), o individual e o vador e muitas vezes podem até chamar de “irreve- coletivo, o político e o técnico; considerar as ques- rente”. Mas, lembre-se: nunca devemos ser taxados tões de forma integral, não fragmentada (aspectos de “alienados” ou que você está ali na instituição sociais, culturais, ambientais, políticos e econô- somente para dizer que faz o bem ao próximo. Essa micos); ultrapassar as tensões dicotômicas entre imagem realmente não é a melhor, muito menos teoria e prática, local e global, disciplinar e inter/ a ideal, nem para você nem para a instituição que transdisciplinar; ter a capacidade de migrar entre você representa. esferas e de atuar em rede, o que requer formação generalista e habilidade de comunicação e arti- Então, vista-se literalmente para o trabalho, dedi- culação; trabalhar com a diversidade e respeitando que-se, acredite no que você faz, faça diferente, seja cultura e linguagem de cada local; criar referências irreverente, mas não perca as rédeas do seu trabalho próprias do local, de contribuir para a construção e tenha consciência de que lidar com o ser humano de sujeitos sociais em cada processo em que atua; é uma tarefa muito difícil, mas extremamente pra- avaliar criticamente contextos e ações, para selecio- zerosa, pois senão você não teria escolhido a profis- nar tecnologias sociais apropriadas; ser um gestor são que escolheu. de conflitos, um mediador de interesses diferencia- dos; ser um avaliador.5 PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL COMO GESTOR O conceito de gestor está ligado tradicionalmente SOCIAL à área de administração, seguindo muitas vezes um Conforme foi dito anteriormente para que seja- modelo clássico. A diferença para o gestor social é mos assistentes sociais passamos por um curso de que sua área de atuação é a social, mas, indo além, nível superior em que inúmeras disciplinas abarca- o gestor precisa conhecer ferramentas administra- das ligam-se diretamente ao trabalho em comuni- tivas, faladas na nossa Aula 1 e aplicá-las, correla- dade, terceiro setor, psicologia, entre outras necessá- cioná-las na área social, fazendo uma relação real rias para a formação de um profissional competente entre prática e teoria para ser efetivamente um bom e habilitado no trato com o outro. gestor social. Muitos têm habilidade nata e nascem verdadeiros líderes, tendo muitas vezes em sua vida escolar pre- CONCLUINDO gressa participado de conselhos de classe, metido, lite- Falamos nesta aula sobre o papel do gestor social ralmente, o dedo onde não foram chamados e muitas e do papel importante desenvolvido pelo assistente vezes ouvido suas mães contarem que, quando eram social na área social. Alguns de vocês podem, ainda, pequenininhos, sempre souberam o que queriam não acreditar no poder de unir teoria com prática e para comer, vestir e até mesmo quem queriam para principalmente de reconhecer dentro de cada um de seus amigos, e vocês tinham apenas 5 anos. vocês as possibilidades de ser um líder-cooperativo, Outros desenvolvem essa habilidade no decorrer proativo, sensível, ouvindo, literalmente, cada uma da vida, mas ser assistente social requer primordial- das pessoas com que trabalha, seja na instituição ou mente que você saiba lidar com os outros, com as na própria comunidade onde desenvolve suas ativi- diferenças, muitas vezes com classes marginalizadas dades/ações. e estigmatizadas por nossa sociedade, então quer você queira ou não você é um gestor nato. Você 5 Disponível em: <www.adm.ufba.br/contents.php?opc=CRSO&nCrso realmente nasceu para isso! Id=4>. Acesso em: 14 mar. 2009. 34 Modulo 01.indd 34 2/6/2009 12:15:40
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    AULA 5 —Papel do Gestor Social O melhor exercício a ser feito posteriormente à Reflita e veja como prática e teoria estão direta- nossa aula de hoje será o de verificar dentro de cada mente relacionadas ao seu cotidiano, e como atitu- um de vocês como lidam com o resto do mundo. des assertivas e proativas são necessárias não só em Como são suas atitudes em relação ao próximo? sua vida pessoal, mas na gestão social. Pergunte-se Qual solidário e disponível você está em aprender se já está preparado para ser um bom gestor social e e reconhecer que sua opção muitas vezes não era a mãos à obra, não será sentado que você conseguirá melhor para aquele determinado momento? relacionar a teoria com a prática. * ANOTAÇÕES 35 Modulo 01.indd 35 2/6/2009 12:15:41
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    Unidade Didática –Planejamento de Intervenções Sociais Unidade Didática — Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 6 O QUE É UM PROJETO SOCIAL? IMPLICAÇÕES DIRETAS NA REALIDADE Conteúdo • Projeto social e suas implicações diretas na realidade. Competências e habilidades • Compreender a importância do projeto social para mudar segmentos vulnerabilizados ou estigmati- zados bem como na vida de pessoas em situação vulnerável dentro da sociedade. • Entender o conceito de projeto social. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO seja através da capacitação dos executores, seja por Não basta só enfrentar as questões sociais, é meio da contratação de consultoria externa ou coo- preciso a capacitação e especialização das pessoas peração técnica de especialistas (Freitas, 2001, apud Santos, 2003, p. 40). envolvidas em projetos sociais, tal como nos mos- tra Freitas (2001),6 com muita propriedade, a se- Ao expormos nas aulas anteriores sobre o papel do guir: gestor social, já enfatizamos a importância da quali- ficação profissional do gestor envolvido no proces- (...) para o enfrentamento das questões sociais pre- so. Além da importância do gestor social, devemos cisamos mais do que vontade de acertar. A com- atentar às exigências do mercado, principalmente das petência técnica para propor, conduzir e avaliar agências financiadoras do projeto, pois a qualificação intervenções no campo social deve ser buscada, dos profissionais envolvidos no processo de elabora- ção e execução do projeto social é importante e de- 6 Freitas, A. S. Projetos sociais. Porto Alegre: Alvorada, 2000. terminante para a aprovação ou não do projeto. 36 Modulo 01.indd 36 2/6/2009 12:15:41
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    AULA 6 —O que é um Projeto Social? Implicações Diretas na Realidade Por sua vez, as agências financiadoras têm se vol- nem por eficácia. “Ações desse tipo mobilizam mais tado para a efetividade das ações além do cuidado gente para participar, promovem parcerias e moti- com a eficiência e eficácia no atendimento das metas vam o grupo participante, facilitando a administra- propostas no projeto. Financiadores da área social, ção mais racional e transparente dos recursos. É o ao fazerem a análise das propostas, procuram por que chamamos de eficiência” (Armani, 2008, p. 19). “indicativos claros de que o proponente conhece o Os projetos sociais devem trazer legitimidade nas contexto no qual pretende atuar, tem condições de suas ações e credibilidade junto à sociedade, que se criar alternativas para reverter ou amenizar a situa- utilizarem de maneira correta a eficiência e eficácia ção problema enfocada e uma noção realista do es- terão ótimos resultados com baixo custo. forço necessário e o custo da intervenção” (Santos, Devemos ter, ainda, contínua e progressiva refle- 2003, p. 40). Assim, torna-se importante e crucial xão coletiva sobre a experiência durante a execução que, além da boa utilização dos recursos disponi- do projeto. A produção coletiva de conhecimento a bilizados pela agência financiadora, as atividades partir da sistematização de experiências é ponto cru- contribuam para a mudança positiva da situação cial para a validação dos projetos junto à comunidade problema que o projeto enfoca. envolvida e com a sociedade que terá conhecimento Por essa razão, um projeto social distanciado da dos impactos e ações do projeto (Armani, 2008). realidade, que não atende às solicitações da comuni- Os projetos surgem como um “(...) espaço para dade, que não intervém de forma positiva e que não expressão de interesses e visões diferentes e de ne- é propositor de possibilidades sustentáveis direcio- gociação e construção de consensos, assim como o nadas ao público-alvo, sem dúvida, não terá êxito fortalecimento do protagonismo dos setores excluí- em sua execução. dos. A esse processo chamamos de empoderamento (ou empowerment)” (Armani, 2008, p. 19). O QUE É UM PROJETO SOCIAL? IMPLICAÇÕES O autor finaliza as vantagens de atuar por inter- DIRETAS NA REALIDADE médio de projetos sociais com a seguinte afirmação: O Dicionário Aurélio define o termo projeto Por fim, ações sociais desenvolvidas através de pro- como: “plano, intento, empreendimento”, já a pa- jetos têm maior consciência técnica, aumentando a lavra social é definida como: “relativo à sociedade, chance para parcerias e o envolvimento organizado comunidade ou agremiação”. Logo, infere-se que dos beneficiários, resultando em mudanças mais projeto social é uma ideia, um plano a ser executado duradouras e sustentáveis. A isso chamamos de im- em benefício da sociedade, comunidade, agremia- pacto (Armani, 2008, p. 19). ção, associação etc. (Costa, 2007). O projeto social carrega, em essência, a tarefa de ! ATENÇÃO! mudar panoramas, atingir objetivos que modifiquem • Um projeto social tem em vista a melhoria e/ou transformem a comunidade-alvo do projeto. das condições de vida coletiva. Como é direcionado a comunidades e problemas es- pecíficos, existem vários métodos e linhas de planeja- • O projeto social está vinculado a um pro- mento dentro do projeto social (Costa, 2007). blema social. Armani (2008) afirma que existem várias vanta- gens em desenvolver projetos sociais, entre elas está o Por tudo o que já vimos, é possível afirmar que desenvolvimento de ações sociais que foram formu- a elaboração de um projeto é o ponto decisivo para ladas com seriedade, tendo estabelecido claramente qualquer empreendimento. Em qualquer financia- os objetivos e atividades, tendo um gerenciamento mento, seja governamental ou privado, o projeto é sistemático e participativo, que alguns autores defi- o cartão de visita. Mais do que isso, é por meio do 37 Modulo 01.indd 37 2/6/2009 12:15:41
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais projeto que uma instituição se torna capaz de ad- um projeto sem mercado, ou pior, que se sobrepo- ministrar os recursos recebidos e cumprir seus ob- nha a outra atividade já desenvolvida e em anda- jetivos. Por essa, pode-se afirmar que, um projeto é mento (Costa, 2007). antes de tudo um plano de trabalho, em outras pala- vras, uma atividade de planejamento (Costa, 2007). CONCLUINDO Para exemplificar, vamos comparar o projeto a Os atores sociais, ou as pessoas que são parte da co- um planejamento de voo. No planejamento de voo munidade envolvida com o projeto ou público-alvo, é preciso saber de onde se vai partir, onde pousar e precisam estar diretamente ligados às ações do proje- quais procedimentos para que as rotas sejam segui- to e envolvidos no seu desenvolvimento, pois assim a das e passageiros cheguem a salvo. De uma forma possibilidade de sucesso será infinitamente maior. comparativa, entendemos que para elaborar um Não é sem razão que Santos (2001, p. 39) afirma projeto é necessário o conhecimento da comuni- que “Um projeto social é um planejamento para so- dade na qual serão desenvolvidas as atividades, ou lucionar um problema ou responder a uma carência seja, de onde é a partida do nosso voo. Onde pousar social”. e os procedimentos das rotas a serem seguidas são E, ainda, que é crucial a identificação de quais definidos dentro do projeto pelos objetivos, tanto o são os atores sociais envolvidos, pois dessa forma geral quanto os específicos. saberemos se a influência nos resultados do nosso Assim atendendo às rotas predeterminadas den- projeto será negativa ou positiva e como se inserem tro do planejamento do voo, será possível uma ater- esses atores na realidade social, ou seja, como eles rissagem segura, ou seja, teremos um projeto que a explicam, pois não é possível a existência de uma efetivamente venha trazer sustentabilidade à comu- solução única para todos os problemas sociais exis- nidade atendida e ainda que intervenha positiva- tentes (Cury, 2001). Esse mesmo autor afirma que: mente em todo o contexto. Perceber a realidade em sua complexidade é compre- ender essa relação, todos interagindo como se partici- Como elaborar um bom projeto? passem de um jogo – o jogo social, um jogo interativo, Um projeto bem redigido é simples e claro. Pos- em que o resultado de uma jogada só será conhecido sui objetivos gerais e específicos. O bom projeto de- após a jogada do outro (Cury, 2001, p. 45). limita as atividades e apresenta indicadores mensu- A afirmação de Cury pode ser complementada ráveis, o que é muito importante, pois é necessário por Huertas (1996), quando este menciona o jogo medir os resultados alcançados. Em se tratando de existente na relação projeto/comunidade: um projeto social, apontar os beneficiários é funda- mental. De praxe, cronograma e orçamento devem Qual o fundamento explicativo a partir do qual estar adequados ao trabalho (Costa, 2007). cada jogador faz seus planos para ganhar o jogo? Além desses aspectos mais básicos, um projeto A explicação de cada ator constrói uma realidade social precisa ter mercado. De nada adianta uma não é um amontoado de dados e informações: os proposta perfeita em todos os aspectos, se não hou- dados e informações podem ser objetivos e podem ser igualmente acessíveis a todos. A explicação é ver quem financie. Para tanto, é preciso pensar no uma leitura de dados e informações que expressam projeto como um produto a ser colocado no merca- a realidade. Cada ator retira da realidade uma in- do e calcular a sua demanda. terpretação dos fatos, conforme as lentes que os ob- Alertamos que o trabalho exigido na redação de servam. Toda explicação é declarada, por alguém, e um bom projeto é grande, demorado e caro. Portan- esse alguém é um ser humano que tem seus valores, to, as equipes e as instituições devem se conscienti- suas ideologias e seus interesses (Huertas, 1996, zar de que não adianta gastar tempo e dinheiro em apud Cury, 2001, p. 45-46). 38 Modulo 01.indd 38 2/6/2009 12:15:41
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    AULA 6 —O que é um Projeto Social? Implicações Diretas na Realidade Assim é preciso ficar claro que o projeto social traz Para tanto, é preciso verificar se o projeto a ser em seu bojo a intervenção em uma realidade geral- apresentado realmente intervirá em alguma reali- mente impregnada de preconceitos, discriminações, dade negativa e se há possibilidade de parceria com vulnerabilidades sociais, violações de direitos, entre seu público-alvo. Com um bom projeto, que vise à tantos outros abusos e prejuízos sociais. A ação do pro- realidade concreta e seja bem formulado, sempre se- jeto social é, pois, direta sobre um problema social. rão colhidos bons frutos. * ANOTAÇÕES 39 Modulo 01.indd 39 2/6/2009 12:15:41
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 7 Intervenções Sociais Unidade Didática – Planejamento de ROTEIRO BÁSICO DE UM PROJETO SOCIAL Conteúdo • O ciclo de um projeto social. • Sugestões básicas para a elaboração de um projeto social. Competências e habilidades • Refletir sobre os pontos principais necessários para um projeto e a partir deste conhecimento, for- mular projetos com itens que entendam como importante para cada realidade. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO nanciadores com o intuito de captar recursos. Indo Na aula anterior, falamos sobre o que é um pro- muito além, é uma das formas mais difundidas atu- jeto social e retomamos tal discussão trazendo almente, utilizado com instrumento e solução téc- para nossa introdução um pensamento de Armani nica para que pessoas e organizações contribuam (2008): de maneira propositiva para o “enfrentamento de problemas sociais de uma forma organizada, ágil e A grande utilidade dos projetos é o fato de eles coloca- rem em prática as políticas e programas na forma de prática” (Armani, 2008, p. 18). unidades de intervenção concretas. Os projetos ainda são a melhor solução para organizar ações sociais, O CICLO DE UM PROJETO SOCIAL uma vez que eles “capturam” a realidade complexa Os projetos sociais têm seu ciclo de vida com di- em pequenas partes, tornando-as mais compreensí- reito o nascimento, crescimento, tomar forma, mo- veis, planejáveis, manejáveis (Armani, 2008, p. 18). dificar-se e, muitas vezes, morrer. Chamamos isso de Definitivamente um projeto não é apenas uma ciclo do projeto. “O ciclo expressa os principais mo- formalização documental enviada para possíveis fi- mentos e atividades da vida de um projeto – a identi- 40 Modulo 01.indd 40 2/6/2009 12:15:41
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    AULA 7 —Roteiro Básico de um Projeto Social ficação, a elaboração, a aprovação, a implementação De acordo com cada fase do ciclo do projeto, (com monitoramento e avaliação), a avaliação e o abordaremos agora seus objetivos e atividades rela- replanejamento” (Armani, 2008, p. 30). cionadas a cada momento. Fase de identificação – na qual serão caracteri- zadas e identificadas oportunidades de intervenção, exame preliminar da sustentabilidade da ideia e diag- nóstico da problemática. Cada uma está diretamente relacionada à outra; dessa forma, ao pensarmos na identificação da oportunidade de intervenção, de- vemos delimitar o objetivo e seu âmbito de atuação, relacionando “hipóteses explicativas preliminares so- bre a situação-problema a ser enfrentada” (Domin- gos, 2008, p. 32); sobre a sustentabilidade da ideia de- vem ser avaliadas a sustentabilidade política, técnica Quando pensamos na parte prática do ciclo do e financeira e por último, após estarem as duas outras projeto, talvez ele não seja tão linear quanto a figura fases claras e definidas, passamos à “análise da situa- nos mostra, mas podemos pensá-lo em três itens. O ção problema e dos atores envolvidos e para a formu- primeiro seria a elaboração do projeto que é inter- lação adequada de objetivos, estratégias, resultados e mitente, já que existe uma reflexão contínua duran- atividades” (Domingos, 2008, p. 32). te todo o processo de implementação, o que inclui o Fase de elaboração – na qual serão definidos monitoramento e a avaliação que acaba por pensar os pontos principais do projeto, entre eles: o objeti- novas possibilidades mesmo durante a sua execução, vo, propostos os resultados imediatos, indicação de podendo ser reformulado a qualquer tempo. O se- atividades e ações, análise da lógica da intervenção, gundo seria em relação à aprovação do projeto, que identificação dos fatores de risco, definição de in- em vários casos já vêm definida pelo próprio grupo dicadores, meios de verificação e procedimentos de executor que determinou os recursos disponíveis e monitoramento e avaliação; análise da sustentação o projeto foi aprovado e elaborado em cima desses lógica do projeto, montagem do plano operacional; recursos. O terceiro e último item seria a avaliação, determinação dos custos e viabilidade financeira e mas que, ao contrário do que muitos pensam, acon- por fim a redação do projeto (Domingos, 2008). tece durante todo o ciclo do projeto, presente desde Fase de aprovação – na qual serão aprovados os a sua elaboração (Armani, 2008). recursos disponíveis para a implementação do projeto. Reforçamos nossa explicação acima quando con- cordamos com Armani (2008) ao afirmar que: ! IMPORTANTE! (...) a implementação de um projeto deve dar-se “É recomendável que o projeto só seja iniciado no bojo de um processo cumulativo de aprendi- uma vez que a maior parte dos recursos necessá- zado coletivo a partir da prática concreta ao longo rios tenham sido assegurados” (Domingos, 2008, de uma espiral onde ação e reflexão se desafiam e p. 32, grifo do autor). complementam de forma progressiva. A cada novo ciclo, devem-se produzir mudanças significativas nas condições materiais de vida e no aprendizado Fase de implementação – “a fase de implemen- dos beneficiários, na sua capacidade organizativa tação do projeto, de todas a de maior complexidade, e no fortalecimento de seu poder de influenciar o envolve o desenrolar das atividades e a utilização contexto mais amplo (Armani, 2008, p. 31). dos recursos com vistas à produção dos resultados e 41 Modulo 01.indd 41 2/6/2009 12:15:41
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais ao alcance dos objetivos estipulados. Durante a im- O projeto social deve ser elaborado com base nas plementação, ocorrem também atividades de moni- informações referentes ao diagnóstico social preli- toramento e avaliação” (Domingos, 2008, p. 32). minar, visando atingir os objetivos. Fase da avaliação – essa fase se diferencia do monitoramento e avaliação, que presumidamente Título do projeto. deve ser um ato contínuo do projeto, para uma ava- Apresentação da organização, município, entida- liação que ocorre em determinados períodos, seja ao de etc. final de cada ano, ou ainda, no final de cada triênio Diagnóstico da comunidade. e geralmente é realizada com a participação de ava- Análise do contexto e justificativa. liadores externos, ou seja, pessoas que não fizeram Objetivos: geral e específicos e metas. parte do processo do projeto (Domingos, 2008). Metodologia. Fase de replanejamento – caracterizada pelo re- Sistema de avaliação/monitoramento. planejamento das ações, tendo como base e vantagem Cronograma de atividades. as atividades já desenvolvidas (Domingos, 2008). Cronograma físico-financeiro. Lembrando sempre da importância de ter claras todas as fases do ciclo do projeto para que dessa for- Anexos (se tiver). ma o transcorrer do projeto se dê da melhor forma possível, otimizando recursos humanos, sociais e Título do projeto financeiros disponíveis, sabendo gerenciar seu pro- “O título de seu projeto deve refletir a natureza jeto, utilizando os critérios da gestão social que tem do problema enfocado e ter um impacto significati- como base a participação dos atores envolvidos des- vo ao seu leitor” (Cury, 2001, p. 52). de o início do ciclo do projeto. Apresentação da organização SUGESTÕES BÁSICAS PARA A ELABORAÇÃO “(...) deve conter: nome ou sigla da organização; DE UM PROJETO SOCIAL composição da diretoria, da coordenação e nome Não há um modelo-padrão para escrever um do responsável pelo projeto; endereço completo projeto. Várias formas/roteiros podem ser utiliza- para contatos e correspondências; histórico resumi- dos. Além disso, na captação de recursos e na solici- do da entidade (quando foi criada, diretrizes gerais, tação de apoio financeiro, você encontrará agências percurso ligado ao social, parcerias e trabalhos rea- financiadoras que possuem roteiros e formulários lizados, resultados alcançados e principais fontes de específicos e exigências na documentação a ser en- recursos ou financiamentos da organização)” (Cury, tregue (Rocha, 2003). 2001, p. 52). O projeto social é um documento contendo um conjunto de ações educativas, planejadas para a pro- Diagnóstico da comunidade e análise do contexto moção da organização e desenvolvimento comuni- Para montar um projeto é necessário que saiba- tário da população beneficiada (Costa, 2007). mos em que local ele vai acontecer, o que signifi- Essas atividades podem abranger ações voltadas ca conhecer a região e/ou comunidade, seus atores para capacitação profissional, geração de emprego, (público-alvo) e o entorno. Dessa forma, é necessá- trabalho e renda, inserção social e resgate da cidada- rio que seja feito um levantamento dos recursos e nia, educação sanitária, ambiental e para o trânsito, equipamentos existentes na comunidade na qual o cultura, educação, saúde, esportes, lazer, divulgação/ projeto está inserido. comunicação, intercâmbio e outras de interesse da Segundo Paz (2003, p. 5), algumas informações população (Costa, 2007). são necessárias para um bom diagnóstico: 42 Modulo 01.indd 42 2/6/2009 12:15:41
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    AULA 7 —Roteiro Básico de um Projeto Social Onde fica a comunidade? (Localização.) de que a justificativa é uma das últimas etapas a ser Como surgiu a comunidade? (Pequeno his- cumprida. Isso porque é conveniente ter uma visão tórico.) mais ampla e completa do que se pretende fazer Quantas pessoas vivem nela? para depois explicar as escolhas realizadas (Costa, 2007). O que existe na comunidade (associações de moradores, postos de saúde, creches, escolas, igre- Na justificativa deve-se responder sempre à per- jas, empresas, comércio, transporte, saneamento, gunta: por que executar o projeto? Por que o projeto energia elétrica, coleta de lixo etc.). precisa acontecer? As instituições locais têm algum tipo de ação Descrever as razões determinantes do projeto, os fatores de motivação que levaram à abordagem do social? assunto. Situação atual: diagnóstico do problema Com que pessoas e/ou instituições pode-se que o projeto se propõe a solucionar. Deve-se in- contar para resolver os problemas da comunidade? cluir uma descrição dos antecedentes do problema, Como as pessoas vivem? Qual é a situação relatando os esforços já realizados ou em curso para habitacional, de emprego, de salário das famílias? resolvê-lo. Quem chefia a família? Há crianças e jovens traba- Deverá ser descrita a solução proposta para resol- lhando? ver ou minorar o problema identificado. Demons- Qual a porcentagem de crianças e jovens que trar a importância da execução do projeto no con- vivem ali? Quantos pertencem a famílias de baixa texto social, científico e até mesmo tecnológico, se renda? for o caso. Onde vivem as crianças e adolescentes? Com a família? Em instituições? Na rua? ! LEMBRE-SE O que está acontecendo de bom na comuni- dade? A justificativa é uma das partes mais impor- tantes do projeto, pois contém toda parte de Do que a comunidade sente falta? (Necessi- argumentação e precisa ser o mais convincen- dades.) te possível, pois é através da sua leitura que o Quais são os sonhos da comunidade? (Desejos.) financiador irá aprovar ou não a liberação dos Existem problemas? Quais são eles? recursos financeiros e que você conseguirá pro- As perguntas não terminam aqui; caso perce- var por A + B que o projeto contribui para mo- bam a necessidade de incorporarem mais dados ao dificar a realidade. projeto, eles podem ser inclusos prontamente, já que servirão para o conhecimento da realidade da Objetivos: geral e específicos e metas comunidade em questão. Num projeto de grande porte deverão incluir outros dados, que vão variar Sua elaboração e delimitação, sua clareza e legiti- de acordo com as necessidades, como por exemplo: midade são fundamentais para o êxito de qualquer porcentagem de jovens, adultos, crianças, nível de projeto, já que será em função dos objetivos traça- renda, entre outros que podem ser obtidos através dos que todas as ações serão pensadas, executadas de publicações do IBGE ou pesquisas realizadas pe- e avaliadas. Conhecida e analisada a realidade, o las mais variadas instituições (Paz, 2003). momento mais importante passa a ser a definição e a delimitação dos objetivos. Os dados coletados e Análise do contexto e justificativa sistematizados devem servir de parâmetros orienta- Embora seja um dos primeiros itens que apare- dores para a seleção e a determinação dos melhores cem no projeto, muitos autores sustentam a ideia objetivos (Costa, 2007). 43 Modulo 01.indd 43 2/6/2009 12:15:41
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais “Objetivo geral – é o fim que se pretende alcançar ter a possibilidade de se prever e obter resultados com o desenvolvimento do projeto” (Nuñes, 2003, naquilo que se quer atingir. Esses resultados podem p. 2). ser verificados e observados a longo, médio ou curto “Objetivo específico – é o detalhamento do obje- prazo, contudo, se faz necessário ter condições para tivo geral” (Nuñes, 2003, p. 2). Uma boa definição verificar os resultados (Nuñes, 2003). dos objetivos deve apresentar algumas característi- cas: clareza, simplicidade, validade, operacionalida- Metas de e poder ser avaliado. Metas são estimativas de mudanças que deverão Clareza: todo objetivo deve descrever e comu- ocorrer com a execução do projeto. Devem ser esta- nicar claramente o que se quer alcançar, caso isso belecidas em relação às necessidades não satisfeitas não ocorra, ele não pode ser considerado um bom e definidas em relação à quantidade, à qualidade e objetivo. A clareza é uma característica fundamental ao tempo, a partir dos objetivos (Paz, 2003, p. 14). e necessária para que o objetivo se torne algo con- Metas são os objetivos quantificados (Costa, 2007). creto, inteligível e possível de ser trabalhado e ava- liado (Nuñes, 2003). Metodologia Simplicidade: pouco resolve, em determinadas Cury (2001, p. 53) afirma que “deve-se relatar, situações, apresentar longas e complexas listagens sucintamente, o modelo teórico utilizado, explicitar de objetivos que, pela sua própria natureza, não as rotinas e as estratégias planejadas, as responsabi- possam ser trabalhados pelos agentes envolvidos. lidades e compromissos assumidos, como o projeto Ao se definirem os objetivos se faz necessário al- vai se desenvolver, todos os envolvidos e o nível de gumas perguntas. Serão esses objetivos adequados participação/responsabilidade de cada um”. à realidade em questão? Será possível trabalhá-los junto à população? Por esse motivo, os objetivos mais complexos e amplos deverão ser especificados Sistema de avaliação/monitoramento e operacionalizados, isto é, tornados mais claros e “Deve-se descrever como será o sistema de moni- concretos para se poder verificar a possibilidade de toramento e avaliação do projeto, apresentando al- realizá-los (Nuñes, 2003). guns indicadores tangíveis e/ou intangíveis, os ins- Validade: na definição dos objetivos deve-se trumentos e estratégias de coleta de dados e a equipe perguntar se são significativos e úteis para a popu- responsável pelo processo” (Cury, 2001, p. 53). lação beneficiada, pois a validade dos objetivos de- pende das necessidades, interesses e capacidades da Cronograma de atividades mesma. Se isso não ocorrer, eles serão insignifican- “O cronograma de atividades deve enumerar as tes e sem utilidade (Nuñes, 2003). atividades necessárias à realização do projeto e suas Operacionalidade: o objetivo é algo que se quer etapas no tempo” (Cury, 2001, p. 53). alcançar por meio de um agir possível, concreto e Para cada atividade prevista no projeto devem viável. Tudo o que pode ser feito, trabalhado, agili- ser explicados claramente quais os recursos físicos, zado ou operacionalizado demonstra ser um bom financeiros e humanos necessários, pois só assim objetivo. O que é inviável, inexecutável e impraticá- será possível elaborar um orçamento realista (Cos- vel não é um bom objetivo (Nuñes, 2003). ta, 2007). Observável: toda a ação exige, por consequên- O cronograma é um poderoso auxiliar tanto no cia, um resultado concreto e observável. Sempre que planejamento quanto no monitoramento do proje- a pessoa faz alguma coisa, no final da ação quer ver to, pois com ele visualizamos o todo das atividades os resultados da sua ação. Não seria sensato agir sem no tempo, suas interdependências, seu desenvolvi- 44 Modulo 01.indd 44 2/6/2009 12:15:42
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    AULA 7 —Roteiro Básico de um Projeto Social mento, seus resultados, e podemos identificar pos- financeiros e humanos necessários, pois só assim síveis desvios em relação ao planejado, o que possi- será possível elaborar um orçamento realista. O bilita uma correção de rota ainda durante o desen- planejamento dos recursos deve ser minucioso, a volvimento do projeto (Costa, 2007). fim de diminuir as surpresas na fase de implemen- tação do projeto, dando contornos e limites à nossa De acordo com Cury (2001) o cronograma de ação (Cury, 2001, p. 49). atividades deve ser: completo, isto é, com todas as atividades do O cronograma físico-financeiro deve conter a projeto e seus respectivos responsáveis; previsão de todos os custos, por item de despesa, preciso, apontando o início e o fim de cada durante o tempo de duração do projeto. A compo- atividade; sição do orçamento deve explicitar o planejamento lógico, de modo a mostrar as independências da cobertura/composição desses custos. entre as diversas atividades (por exemplo, a ativida- de de divulgar para o público-alvo os critérios de Modelo de cronograma financeiro seleção para um curso de capacitação pressupõe ou- Itens de despesa Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 tra, a confecção de folhetos e cartazes de divulgação; Recursos humanos Materiais de consumo se esta não for bem realizada e no tempo planejado, Alimentação aquela estará prejudicada); Transporte flexível, atualizado e sistematicamente analisado; Outros Total geral realista, baseado em estimativas reais (Cury, 2001, p. 48-49). Anexos Tudo que agrega valor ao projeto, mas que não Modelo de cronograma de atividades cabe no seu corpo, como por exemplo: questioná- Respon- Mês Atividade sável 1 2 3 4 5 6 7 8 9 rios, fotos, gráficos, curriculum vitae, plantas baixas 1. Identificação, etc. São informações que enriquecem e esclarecem análise e contatos com como recortes de jornais, revistas, dados estatísti- a comunidade 2. Reuniões de cos referentes ao tema tratado. Se for contratado elaboração de projetos um consultor, vale anexar o currículo, visto que o e definição de parceiros financiador merece “conhecer” melhor a pessoa em 3. Contratação de quem está investindo. Pode-se, ainda, complemen- profissionais tar o projeto anexando o currículo resumido de 4. Preparação e confecção do material toda equipe técnica responsável pelo projeto (Caixa de divulgação do Econômica Federal, 2009). projeto “Os anexos devem conter as informações (ou 5. Divulgação 6. Execução das documentos) adicionais que o financiador tenha atividades do projeto solicitado ou que você considere necessárias como 7. Avaliação e elaboração dos complementação do projeto” (Cury, 2001, p. 53). relatórios avaliativos Dicas para elaboração de projetos7 (eu incluiria Cronograma físico-financeiro a referência da nota na bibliografia) Concordamos com Cury (2001) quando afirma Comentários gerais e opinativos não devem que: constar dos objetivos. Para cada atividade prevista no projeto devem ser 7 De acordo com o livro deÁvila, Célia M. de. Gestão de projetos sociais. explicitados claramente quais os recursos físicos, 3. ed. São Paulo: AAPCS, 2001. 45 Modulo 01.indd 45 2/6/2009 12:15:42
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Lembre-se de que aquilo que parece óbvio No caso de seu projeto solicitar a tercei- para você, em geral não o é para outro leitor. Não ros recursos para a compra de equipamentos ou se esqueça de informações que complementam seu outro serviço especializado, mande em anexo o projeto, tais como parcerias e articulações com ou- levantamento de preços de pelo menos três for- tros projetos e instituições. necedores. Às vezes, o texto começa a ficar muito longo, Para avaliar é necessário que os objetivos do pois você sente dificuldade em explicar suas ações. projeto estejam bem claros e sejam de fácil compre- Tente fazer um quadro que sintetize o que você está ensão, caso contrário existirá um projeto diferente querendo expressar, com uma legenda ou observa- na cabeça de cada pessoa. ções que esclareçam. Quadros e tabelas sempre per- Registre sempre as informações coletadas em mitem uma leitura mais objetiva dos assuntos. relatórios que servirão para serem utilizados pelos O número de páginas não torna o seu projeto executores; enviados, periodicamente, aos patro- melhor. Ao contrário, uma das características mais cinadores e para orientar a avaliação de resultados procuradas hoje em dia em um projeto é a concisão. (final). Padronize esse relatório, caso contrário as Ser capaz de elaborar um documento claro, preciso informações serão desencontradas, o que dificultará e conciso é fundamental. a sua comparação com etapas anteriores. * ANOTAÇÕES 46 Modulo 01.indd 46 2/6/2009 12:15:42
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    Unidade Didática –Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 8 FASES METODOLÓGICAS E A INSTRUMENTALIZAÇÃO DO PLANEJAMENTO SOCIAL Conteúdo • Dimensões e instrumentos básicos do planejamento social. • Resumo das fases metodológicas do planejamento social. Competências e habilidades • Compreender as definições básicas referentes ao planejamento social e como se aplicam no nosso cotidiano. • Apresentar os instrumentos disponíveis dentro do planejamento social. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO jamento social, por isso, conhecer suas fases meto- Após abordarmos nas aulas anteriores o plane- dológicas é de extrema importância para que você, jamento e a administração em serviço social, ges- estudante, consiga aplicá-las e replicá-las em seu tão social, políticas, planos, programas, projetos e cotidiano, por meio das próprias ações dentro dos o papel do gestor social, faremos agora uma revisão estágios curriculares ou extracurriculares. sobre todos esses conteúdos, considerando as seme- Relembrando o que é planejar: é reconhecer a lhanças existentes entre as fases metodológicas do realidade num primeiro momento para posterior- planejamento em serviço social. mente desenvolver ações preestabelecidas e defini- Ao falarmos de planejamento de intervenções das, de acordo com cada particularidade (Nogueira, sociais estamos diretamente associados ao plane- 2009). 47 Modulo 01.indd 47 2/6/2009 12:15:42
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais DIMENSÕES E INSTRUMENTOS BÁSICOS DO ação, escolha dos objetivos gerais, específicos e me- PLANEJAMENTO SOCIAL tas e dos procedimentos metodológicos. Engloba-se O conhecimento da realidade a ser trabalhada é o ainda nessa fase a definição de alternativas e canais que nos dá o direcionamento correto para planejar, de participação da população tanto ao nível insti- ou seja, para efetuar planejamento. Nosso foco deve tucional quanto nas instâncias dos movimentos so- ter como prioridade o processo, a eficiência do de- ciais. A decisão a que se chega nessa fase é conside- sempenho, constituindo-se dessa forma, o planeja- rada uma decisão política que é apoiada em técnicas mento numa dimensão utilitarista8 (Nuñez, 1999). decisionais e relacionadas diretamente ao objetivo O planejamento expressa em seu conteúdo qua- final que se pretende alcançar. Instrumentos: reuni- tro dimensões básicas que são: a racional lógica, a ões, encontros e assembleias (Nuñez, 1999). política, a valorativa e a técnico-administrativa. 3. Ação/execução – corresponde a implantar, im- Dentro da dimensão racional lógica consideramos plementar e efetivar as decisões. Nessa fase acontece que o processo estabelece a trajetória de uma prá- o detalhamento da ação, elaborando-se um plano tica transformando-o em hábito de pensar e agir que posteriormente será efetivado, desdobrando-se dentro de um sistema próprio. Podemos expressar as decisões tomadas na fase anterior da decisão/es- tal dimensão conforme o que se segue: colha de alternativa. Temos alguns procedimentos básicos nessa fase, como: detalhamento das alterna- tivas, seleção e escolha de prioridades justificadas, caracterização do público-alvo e recursos/prazos (Nuñez, 1999). 4. Revisão/crítica – onde determinamos os méto- dos de controle e avaliação. Controle é o registro de toda a ação e permite o acompanhamento do pro- 1. Reflexão/busca do conhecimento – é necessário cesso passo a passo. Nessa fase são realizados acom- o conhecimento da configuração social, política e panhamento, mensuração e registro das atividades econômica da área em que se pretende atuar, fazen- executadas, tendo como objetivo verificar a relação do um recorte daquilo que será objeto da interven- entre trabalho executado e planejamento e identifi- ção social, estabelecendo as principais variáveis e in- cação e correção de possíveis desvios e até mesmo dicadores. Nessa fase, o planejador precisa construir de bloqueios que interfiram na realização do pla- seu referencial teórico, analisando a coerência entre nejado, servindo, também, para levantar subsídios as categorias de análise e as referências teóricas bá- para uma avaliação e revisão do plano de ação, defi- sicas. Instrumentos: entrevistas, reuniões, pesquisas, nido na fase anterior. Já a avaliação se faz com base depoimentos, coleta de dados de diversas formas, nos instrumentos de controle e tem como foco o relatórios e documentação institucional e outras objetivo, a intencionalidade do projeto. Instrumen- (Nuñez, 1999). tos: diários de campo, fichas, relatórios de controle e avaliação, reuniões, relatórios avaliativos, encon- 2. Decisão/escolha da alternativa – tem como tros, assembleias, pareceres, entre outras formas de principal enfoque o processo decisório. Por tal mo- registro nesta fase (Nuñez, 1999). tivo, acontece nessa fase a definição das diretrizes de A segunda dimensão do planejamento é a valo- rativa, que tem como princípio o favorecimento do 8 Em filosofia, o utilitarismo é uma doutrina ética que prescreve a ação (ou inação) de forma a otimizar o bem-estar do conjunto dos seres desenvolvimento de uma tecnologia que possibili- sencientes. O utilitarismo é então uma forma de consequencialismo, te tanto uma solução científica para os problemas ou seja, ele avalia uma ação (ou regra) unicamente em função de suas consequências. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ quanto a viabilização da centralidade no poder e Utilitarismo>. Acesso em: 7 abr. 2009. o aumento de sua eficácia controladora. Podemos 48 Modulo 01.indd 48 2/6/2009 12:15:42
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    AULA 8 —Fases Metodológicas e a Instrumentalização do Planejamento Social afirmar que envolve opções e decisões de valores e RESUMO DAS FASES METODOLÓGICAS conteúdo ético, pois tem implicações diretas na mu- DO PLANEJAMENTO SOCIAL dança da situação futura de grupos sociais que mui- É realizado o planejamento a partir de um pro- tas vezes não têm acesso às decisões (Nuñez, 1999). cesso de problematizações sucessivas, que tem como A dimensão política consiste em um processo foco de interesse a situação definida como objeto de contínuo de decisão e engloba caminhos pelo poder intervenção. Concordamos com Baptista (2003) decisório tanto na área governamental quanto na quando afirma que: área privada, buscando participação, decisão políti- o planejamento refere-se, ao mesmo, à seleção das ca e o exercício da expressão da vontade. O planeja- atividades necessárias para atender questões deter- mento passa a trabalhar questões que se apresentam minadas e à otimização de seu inter-relacionamento, como superação de verdades (Nuñez, 1999). levando em conta os condicionantes impostos a cada A quarta e última dimensão consiste na dimensão caso (recursos, prazos e outros); diz respeito, tam- técnico-administrativa e existe uma preocupação bém, à decisão sobre os caminhos à sua adoção, ao com a base material para a ação com recursos, estra- acompanhamento da execução, ao controle, à avalia- tégias, estabelecimento de condições para avaliar as ção e à redefinição da ação (Baptista, 2003, p. 13). correlações de forças, criatividade e buscando a supe- De acordo com Baptista, (2003), no início do ração das dificuldades institucionais. O planejamen- processo do planejamento percorreremos algumas to se faz coeso, caso consigamos trabalhar todas essas fases básicas e fundamentais: questões de forma articulada (Nuñez, 1999). 1. escolha e delimitação do objeto – sobre o que Nessa última dimensão definimos a conjuntura, planejar; indicadores e a planificação. Conjuntura que ex- 2. estudo da situação; pressa o movimento da situação, através de aconte- 3. identificação de prioridades de intervenção; cimentos, cenários, fatos, base material, atores, po- 4. definição de objetivos e estabelecimentos de meta; líticas, propostas, leis, correlação de forças, alianças, 5. análise de alternativas de intervenção; poder, subordinação e cooptação. O entendimento 6. planificação; da conjuntura é crucial e fundamental para a defini- 7. implementação; ção dos indicadores sociais (Nuñez, 1999). 8. implantação e execução; Os indicadores sociais, que serão aprofundados 9. controle; na Aula 9, são os elementos que serão utilizados para verificar se as ações propostas estão sendo exe- 10. avaliação; cutadas conforme o planejado. A partir da análise 11. retomada do processo. da conjuntura (realidade) são expressos, mediante dados qualitativos e quantitativos que servirão de ! IMPORTANTE índice para nossa própria reflexão em relação ao As fases são definidas, aparentemente, numa projeto. A planificação é considerada a construção sequência lógica, contínua e dinâmica, mas na lógica do processo de planejamento, levando em prática os seus aspectos nem sempre se mos- consideração os diferentes níveis de poder de deci- tram claramente ordenados. O processo, na são. Posteriormente à fase do conhecimento da rea- prática, tem se apresentado descontínuo em lidade (conjuntura), à delimitação da ação e decisão grande número de casos e, metodologicamente, de planejar, vê-se a necessidade de sistematização e o planejador muitas vezes trabalha simultanea- interpretação das propostas consubstanciadas em mente em diferentes fases, uma vez que elas in- documentos: planos, programas e projetos (Nuñez, teragem dinamicamente (Nogueira, 2009). 1999). 49 Modulo 01.indd 49 2/6/2009 12:15:42
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Escolha e delimitação do objeto: após a definição e delimitação do objeto, este deverá sobre o que planejar ser formulado de forma clara e simples, de maneira Considerando que o objeto do planejamento da a regular as próximas fases do trabalho. Tal formu- intervenção profissional é o aspecto básico da reali- lação leva à nomenclatura de proposta e apresenta dade com o qual ou sobre o qual se irá formular um os seguintes componentes: sistema de proposições, sua escolha e delimitação • a especificidade do objeto e dos sistemas e subsis- no planejamento se referem à localização da ques- temas que o compõem; tão central e das ideias básicas que serão trabalhadas • a justificativa da escolha, destacando aspectos de no decorrer do processo (Baptista, 2003). viabilidade institucional, política-administrativa e A delimitação do objeto de trabalho no planeja- técnica e de importância do problema (para a ins- mento é uma abstração, com o objetivo de permitir tituição, para os grupos sociais que se beneficiarão maior racionalidade à ação, isso porque na realida- do planejamento; para o grupo de técnicos que a de social o aspecto delimitado continua mantendo ele se dedica e, se for o caso, para a ciência); suas inter-relações com o universo mais amplo. • a explicação das limitações resultantes das restri- Nessa fase o profissional, nesse caso o planejador, ções institucionais, administrativas e técnicas e poderá se deparar com situações ambíguas, pois o das soluções decorrentes; seu empregador é quem solicita o desenvolvimento • o dimensionamento da questão e a formulação de atividades com uma demanda específica e do ou- de hipóteses iniciais que orientem as investiga- tro lado encontramos pessoas que, em sua maioria, ções e os estudos posteriores; estão buscando um recurso disponibilizado, mas • a operacionalização dos conceitos básicos con- que em muitos casos não têm acesso ao recurso e aos tidos na formulação da questão e nas hipóteses seus critérios de inclusão, acabando numa exclusão iniciais (Nogueira, 2009, p. 1). para usufruto daquele recurso (Baptista, 2003). Myrian Veras (2003) menciona uma forma clara Estudo da situação e objetiva sobre o posicionamento a ser tomado por Alguns autores definem essa fase como estudo ou nós profissionais quando nos depararmos com situ- diagnóstico ou momento explicativo da realidade. ações que podem parecer dicotômicas, mas que na O estudo/diagnóstico consiste na compreensão e na verdade podem ser resolvidas com o bom senso do caracterização global de uma determinada situação profissional da área social: problema e na determinação da natureza e da mag- nitude de suas limitações e possibilidades. Como Não se trata de aceitar ou negar mecanicamente as fase do processo de planejamento, é caracterizada demandas institucionais nem de assumir ou “formar pela investigação e pela reflexão, com fins operati- trincheira” junto com a população. Qualquer dessas respostas optativas poderá levar a uma ação distan- vos e sentido programático: sua finalidade é definir ciada do real. Trata-se de reestruturar essa demanda, uma situação com vistas à intervenção, não simples- mediando interesses diversos, numa determinada mente dar resposta de caráter teórico. direção ético-política, o que significa reconstruir o O processo de elaboração do estudo/diagnóstico objeto da intervenção (Baptista, 2003, p. 33). envolve: • levantamento de hipóteses preliminares; O professor Jairo Nogueira9 (2009), analisando a obra de Myrian Veras Baptista [s/d], especifica que • construção de referenciais teórico-práticos; • coleta de dados; 9 Aula de Jairo Nogueira: Planejamento: introdução à metodologia do • organização e análise; planejamento social – análise do livro de Myrian Veras Baptista. Dis- • descrição; ponível em: <www.jaironogueira.noradar.com/jairo20.htm>. Acesso em: 16 abr. 2009. • a identificação de prioridades de intervenção. 50 Modulo 01.indd 50 2/6/2009 12:15:42
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    AULA 8 —Fases Metodológicas e a Instrumentalização do Planejamento Social Levantamento de hipóteses preliminares va, no decorrer de todo o processo, constituindo-se, As hipóteses preliminares de explicação da situa- como já citado, um conjunto dinâmico de informa- ção e as de possibilidade de intervenção são o objeto ções (Nogueira, 2009; Baptista, 2003). do estudo/diagnóstico. Geralmente, essas hipóteses Baptista (2003) relaciona quatro tipos diferencia- são levantadas a partir de um referencial preexisten- dos de dados que deverão ser coletados. O primei- te, relacionado com a situação abordada e o senso ro são os dados da situação que estão relacionados comum a respeito da realidade (Baptista, 2003). com o aprofundamento do conhecimento do objeto de ação, levantando-se dados de ordem social, eco- Construção de referenciais teórico-práticos nômica e cultural que fazem uma composição dos A construção do quadro referencial para o estu- problemas e possibilidades detectados. do/diagnóstico tem por base a análise e a explicita- O segundo tipo de dado a ser coletado são os da- ção dos valores (éticos, morais, filosóficos, teóricos, dos da instituição demandatária da ação que bus- científicos e técnicos) e padrões assumidos pela cam conhecer melhor a instituição responsável pe- equipe responsável pelo planejamento (equipe pla- las ações, conhecendo: nejadora), pela instituição e pela população envol- (...) suas finalidades (sua missão), seus valores, sua vida no processo. Conta, ainda, com o levantamen- área de ação (região, município etc.), seu setor (so- to dos conhecimentos teóricos, das generalizações e cial, econômico etc.), seu nível de competência (mu- das leis científicas desenvolvidas em relação aos di- nicipal, regional etc.), sua função (...) seus objetivos, ferentes fenômenos sociais, culturais, psicológicos, diretrizes, estratégias, expectativas, sua estrutura or- políticos, econômicos etc. (Nogueira, 2009; Baptis- ganizacional e administrativa (organograma, estatu- ta, 2003). tos, regulamentos, descrição de cargos, política geral, De acordo com Nogueira (2009), tais estudos de- política salarial) (Baptista, 2003, p. 55). verão estar organizados com bastante simplicidade Dados das políticas, da legislação, do equipamen- e clareza suficientes para a sua constatação/verifica- to jurídico e da rede de apoio existente são de cru- ção quando confrontados com dados concretos dos cial importância para o planejamento de suas ações, fenômenos sociais, possibilitando, ainda, que exista tendo em vista que as leis regulam nosso Estado e a identificação e a categorização das necessidades e dessa forma, consequentemente, as nossas ações, aspirações relacionadas com a situação do proble- por tal motivo faz-se necessário o conhecimento ma; identificação de princípios e conceitos com ela desses dados. relacionados; determinação ou identificação dos Por último, mas não menos importante, estão os indicadores e parâmetros para aferição dos fenôme- dados da prática (interna e externa) que estão rela- nos ligados à situação e a especificação de normas e cionados à análise dos fatores internos diretamente padrões de intervenção. ligados aos fatores que envolvem a instituição exe- cutora numa perspectiva analítica da situação a ser Coleta de dados enfrentada. Sobre a parte externa é feito o estudo A coleta e o processamento de dados de realidade pelo levantamento e análise de procedimentos, ha- se relacionam com o levantamento de informações, bilidades, tecnologias disponíveis, instrumental. de maneira a permitir a composição de índices dos Ressaltando que as instituições não precisam ser lo- indicadores sociais determinados pelo quadro refe- calizadas na mesma região do projeto, mas servem rencial, sua análise e estudo projetivo, com vistas a como modelo de base para o planejamento (Baptis- identificar tendências e pontos críticos na realidade ta, 2003). abordada. Portanto, a coleta de dados para o plane- Sendo assim, o estudo não para nesse momento jamento deverá se processar de maneira acumulati- do planejamento, mas é continuamente realimenta- 51 Modulo 01.indd 51 2/6/2009 12:15:42
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais do por informações procedentes de novos estudos e lidade das relações sociais – deve necessariamente pesquisas e/ou avaliações da ação desencadeadora procurar superar os limites do enfoque situacional (Nogueira, 2009). para identificar prioridades de intervenção, ado- tando uma visão que não reduza a ação à imediati- cidade (Baptista, 2003, p. 73). Organização e análise Nesse momento, chamado pelo professor Jairo Nogueira como momento da reflexão diagnóstica, os Definição de objetivos e estabelecimento dados que foram colhidos no estudo são trabalhados de meta sistematicamente através de técnicas determinadas, e Nessa fase temos como característica a definição interpretados a partir do uso deliberado de raciocí- de objetivos da nossa ação que caracteriza um mo- nios estudados (Nogueira, 2009; Baptista, 2003). mento de tomada de decisões no processo de plane- Baptista (2003) afirma que “nesse processo, a re- jamento, no qual se define o estado de coisas que se flexão vai caminhando, articulada com elementos pretende atingir com a ação planejada. A definição que emergem do real, sem deixar nada de fora – o de objetivos tem por base: os valores e a ideologia do aqui, o agora, o antes, o daqui a pouco –, em um grupo planejador, as características da instituição, o movimento que articula a descrição, a interpreta- reconhecimento do problema e a análise diagnósti- ção, a compreensão e a explicação dos dados da rea- ca realizada (Nogueira, 2009; Baptista, 2003). lidade” (Baptista, 2003). Além das qualificações quanto ao conteúdo, os Dentro dessa fase, encontraremos a: descrição objetivos e as metas podem ser classificados segun- que “é a exposição circunstanciada da base factual do o tempo presumido para o seu alcance. relacionada ao problema imediato” (Baptista, 2003, a) “Objetivos de longo prazo: quando é definido p. 64); interpretação que é considerada uma segun- em termos relativamente distantes (no plane- da aproximação e “refere-se à busca dos significados jamento governamental, o longo prazo é o que das situações encontradas” (Baptista, 2003, p. 66); ultrapassa um período de governo)” (Baptista, compreensão/explicação dos dados da realidade em 2003, p. 83). que “é preciso ir além da apreensão imediata dos b) “Objetivos de curto prazo: podem ser traduzidos dados e desvelar a estrutura imanente do objeto em em metas que possam ser alcançadas no exercí- estudo, seus significados, suas tendências e situá-la cio de uma administração. Têm como vantagem na conjuntura sócio-histórica que a gestou” (Bap- as recompensas resultantes de uma ação de efei- tista, 2003, p. 69). tos mediatos” (Baptista, 2003, p. 84). c) “Objetivos imediatos referem-se a alvos esta- Identificação de prioridade de intervenção belecidos para curtíssimo prazo, quase imedia- Nessa fase metodológica do planejamento, iden- tamente. Geralmente visam estabelecer alvos tificamos qual será nossa prioridade de intervenção, padrões para atividades do cotidiano, de modo pois as ações na área social em todos os setores mui- a permitir que os objetivos de maior alcance tas vezes dispõem de poucos recursos para atendi- sejam atingidos” (Baptista, 2003, p. 84). mento de uma gama enorme de pessoas, sendo as- sim, é necessário definir qual nossa prioridade de Michael Jucius e Schlender (1968 apud Baptista, intervenção no todo. 2003) relacionam cinco princípios aplicáveis na de- finição dos objetivos para garantir sua efetividade, O planejador que pretende criar condições para são eles: “Aceitabilidade: um objetivo deve ser acei- uma intervenção que conduza mudanças signifi- tável para as pessoas, cujas ações se acham envolvi- cativas – não apenas na singularidade do objeto, das na sua execução; Exequibilidade: um objetivo mas na particularidade da situação e na universa- tem de ser exequível dentro de um tempo razoável; 52 Modulo 01.indd 52 2/6/2009 12:15:43
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    AULA 8 —Fases Metodológicas e a Instrumentalização do Planejamento Social Motivação: deve ter qualidades que motivem a po- Controle pulação a desejá-lo e a esforçar-se para alcançá-lo; Em planejamento, o controle é entendido como Simplicidade: deve ser simples e claramente estabe- instrumento de apoio e racionalização da execução lecido; Comunicação: deve ser comunicado a todos e também: que se acham ligados à sua consecução” (Baptista, 2003, p. 85). no sentido de assegurar a observância ao progra- mado, prevenindo desvios. Pode ser definido como a fase em que se processam o acompanhamento, a Análise de alternativas de intervenção mensuração e o registro das atividades executadas, A formulação e a escolha de alternativas são feitas do tempo despendido em cada fase, dos resultados tendo como princípio um processo complexo que alcançados (Baptista, 2003, p. 109). analisa e avalia a dinâmica histórica em que o objeto está imbricado, analisando os recursos, facilidades, Avaliação dificuldades, expectativas, hábitos ligados à cultura, “A avaliação, no processo de planejamento, cor- características psicológicas, sociais e políticas dos responde à fase em que o desempenho e os resul- grupos trabalhados (Baptista, 2003). tados da ação são examinados a partir de critérios determinados, com vistas à formulação de juízos de Planificação valor” (Nogueira, 2009). É feita através da elaboração e montagem de pla- nos e/ou programas e/ou projetos dentro do plane- Retomada do processo jamento. Isso é realizado após decisões tomadas em A fase do retorno, ou como muitos autores defi- conjunto para que seja efetivamente realizada em nem como opinião, ou de realimentação do processo decorrência de uma realidade determinada. Come- de planejamento, traduz-se em novas políticas, em çam-se, então, a sistematização, a interpretação e por novos planos, com base nas evidências percebidas a fim a elaboração do documento (Baptista, 2003). partir do acompanhamento do progresso da inter- venção e da análise dos resultados obtidos (Noguei- Implementação ra, 2009; Baptista, 2003). “A fase de implementação pode ser considerada como a busca, formalização e incorporação de re- CONCLUINDO cursos humanos, físicos, financeiros e institucionais Como mencionado inicialmente, as fases meto- que viabilizem o projeto, bem como a instrumen- dológicas do planejamento muito se assemelham talização jurídico-administrativa do planejamento” aos conteúdos abordados anteriormente em que es- (Baptista, 2003, p. 103). tudamos a elaboração de projetos sociais, definições de planos, programas e projetos, avaliação, constru- Implantação e execução ção de indicadores, entre outros. Essa fase de implantação e execução do planejado Dessa forma, pretendemos que a importância quase sempre fica sob a responsabilidade dos setores do planejamento dentro da área social fique muito de execução, mas deve ser acompanhada e supervi- presente e clara na cabeça de cada um de vocês, sionada pela equipe que foi inicialmente responsável fazendo dessa ferramenta seu parceiro diário nas pelo seu planejamento. Tudo isso porque “sua fideli- implementações, execuções de atividades que se- dade ao planejado é fundamental para o desenrolar rão planejadas por vocês, futuros profissionais da harmônico de todo o trabalho” (Nogueira, 2009). área social. 53 Modulo 01.indd 53 2/6/2009 12:15:43
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 9 AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DE PROJETOS SOCIAIS Conteúdo • Avaliação e monitoramento. • Fases da avaliação. • Indicadores de avaliação em projetos sociais. Competências e habilidades • Compreender as tipologias de avaliação e a importância do monitoramento nos projetos sociais da atualidade. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO tenham que lidar com eles. Partindo dessa premissa, Armani (2008) afirma que uma ótima escrita, o autor afirma que projetos de intervenções sociais ou seja, um ótimo projeto elaborado não é garan- relevantes precisam acima de tudo “evitar erros e tia para que dê certo. O projeto bem elaborado é não apenas remediá-los” (Marino, 2003, p. 23). importante, mas é necessário e fundamental um É importante que planejemos sistema de gerenciamento para analisar a sua im- plementação, controlando-a. O gerenciamento de (...) a partir da avaliação das necessidades e dos re- projetos envolve diretamente o monitoramento e a cursos disponíveis, enfocando o contexto político, avaliação. social e econômico do público-alvo e aumentan- De acordo com Marino (2003), um dos princí- do, assim, as chances de que as intervenções sejam pios primordiais referente ao êxito de uma ação é aceitas pelos líderes da comunidade e organizações conseguir detectar erros antes que outras pessoas locais (Marino, 2003, p. 23). 54 Modulo 01.indd 54 2/6/2009 12:15:43
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    AULA 9 —Avaliação e Monitoramento de Projetos Sociais Assim, caros(as) acadêmicos(as), não basta ter a inter-relação entre sistemas de ação e lógica dos um ótimo projeto no papel que não consiga efetiva- atores. Não mais uma avaliação apenas de resulta- mente passar para a parte prática e tenha êxito nas dos, mas também de processos. Não mais uma ava- atividades previstas! liação que apenas mensura quantitativamente os benefícios ou malefícios de uma política ou progra- ma, mas que também qualifica decisões, processos, COMPREENDENDO A AVALIAÇÃO resultados e impactos (Carvalho, 2001, p. 70). E O MONITORAMENTO A avaliação é hoje um instrumento de gestão so- cial imprescindível – dela depende, muitas vezes, a ! IMPORTANTE captação de recursos para a implantação ou manu- Toda avaliação exige como condição prévia tenção de nossas ações. É também grande aliada da a contextualização da realidade socioinstitucio- transparência e da visibilidade que precisamos ter nal na qual está inserido o projeto. Sem a com- para trabalharmos questões públicas com recursos preensão do contexto no qual opera o projeto, públicos (Costa, 2007). a avaliação fica prejudicada (Carvalho, 2001, p. De acordo com Carvalho (2001, p. 68) “avaliar é 71). atribuir valor, medir o grau de eficiência, eficácia e efe- tividade das políticas, programas e projetos sociais”. Podemos afirmar que a avaliação de programas e Devemos, ainda, utilizar os 3 Es abordados ante- projetos sociais é algo novo no Brasil e que a biblio- riormente na aula 5. Aplica-se, não só aos gestores grafia existente ainda traz consigo uma concepção sociais em suas ações, mas à própria avaliação de equivocada de avaliação. Recentemente, a literatura projetos sociais. vem tentando assegurar à avaliação um reconheci- Dessa forma avaliaremos os projetos pela eficiên- mento científico (Carvalho, 2001). cia, eficácia e efetividade: A influência das ciências econômicas, matemá- A avaliação da eficiência de um projeto verifica e ticas e biológicas esteve fortemente presente nas analisa a relação entre a aplicação de recursos (fi- primeiras abordagens relacionadas à avaliação, re- nanceiros, materiais, humanos) e os benefícios sultando num excesso de importância dado à men- derivados de seus resultados. Ou seja, a obtenção suração. Dessa forma, “a avaliação, na concepção de “custo” mínimo (menor número de insumos de tradicional, buscou ancoragem nos métodos econo- pessoal, de moeda) para o maior número e qua- métricos para mensurar o social, o que fez com que lidade de benefícios. A gestão de um projeto será a mensuração se tornasse principalmente sinônimo tão mais eficiente quanto menor for o seu custo e de avaliação” (Carvalho, 2001, p. 69). A autora ainda maior o benefício introduzido pelo projeto (Carva- relata que, nesse período, a perspectiva multidisci- lho, 2001, p. 73). plinar foi desprezada e que foi um tempo de glória A eficácia de um projeto está relacionada ao alcance da avaliação quantitativa. de seus objetivos. A sua gestão será eficaz à medida Carvalho (2001) expõe de maneira clara a impor- que suas metas sejam iguais ou superiores às pro- tância da avaliação atualmente: postas (Carvalho, 2001, p. 74). A efetividade de um projeto está relacionada ao Hoje, há uma procura de síntese, isto é, uma ten- atendimento das reais demandas sociais, ou seja, à dência em valorizar concepções mais abrangentes relevância de sua ação, à sua capacidade de alterar e totalizantes de avaliação no campo social, uma as situações encontradas (Carvalho, 2001, p. 74). avaliação que busque apreender a ação, sua formu- lação, implementação, execução, processos, resulta- O monitoramento e a avaliação têm como ob- dos e impactos, uma avaliação que busque captar jetivo verificar se as atividades programadas estão 55 Modulo 01.indd 55 2/6/2009 12:15:43
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais sendo executadas e se os indicadores de resultados Avaliação de Resultados – acontece na fase in- estão sendo atingidos, conforme planejado, identifi- termediária, próxima ao final do projeto. cando os desvios ocorridos (Costa, 2007). Tipo de O processo de monitoramento e avaliação de um Perguntas orientadoras avaliação projeto é definido em conjunto dos procedimentos Quais são os indicadores sociais da de acompanhamento e análise realizados ao longo comunidade – natalidade, mortalidade, escolaridade etc.? Onde queremos atuar? da sua implementação, com o propósito de checar Marco Quais são os indicadores específicos – evasão se as atividades e resultados realizados correspon- Zero escolar, aproveitamento escolar, nutrição etc.? Por quais problemas passam hoje? Quem sofre dem ao que foi planejado (monitoramento) e se os com esses problemas? Onde moram as pessoas objetivos previstos estão sendo alcançados (avalia- alvo? Qual o quadro geral da situação? ção) (Armani, 2008, p. 69). Como todos os participantes estão recebendo Avaliação o projeto? Quais são os pontos fortes e de fracos das atividades do dia a dia do projeto? Tem razão Armani (2008) quando afirma que o Processo Como o processo de implantação pode ser monitoramento e a avaliação são duas dimensões melhorado? do acompanhamento do projeto que caminham Os resultados previamente estabelecidos Avaliação estão sendo cumpridos? Quais efeitos têm o juntas, não fazendo muito sentido que aconteça o de projeto sobre os envolvidos? Quais são nossos Resultados monitoramento sem a avaliação, ou vice-versa. indicadores de resultados? Fonte: Caixa Econômica Federal (2002, p. 8). FASES DA AVALIAÇÃO Segundo Marino (2003), a avaliação pode ser de- DEFINIÇÃO DE INDICADORES DE AVALIAÇÃO finida em três categorias: EM PROJETOS SOCIAIS Marco Zero – uma avaliação preliminar, que De acordo com Leandro Lamas Valarelli (1999), poderia ser chamada de diagnóstico, indicadores pre- no contexto dos projetos sociais, os indicadores liminares, avaliação ex ante, de contexto ou outras. são parâmetros qualificados e/ou quantificados Avaliação de Processo – inicia-se após a im- que são responsáveis pelo detalhamento, através plementação das ações na busca dos objetivos es- do qual os objetivos de um projeto foram alcan- tabelecidos. Nessa fase acontece o monitoramento çados, dentro de um prazo delimitado de tempo e contínuo das atividades, a reflexão sobre as relações numa localidade específica. entre os membros da equipe e a interação com o Kayano e Cabral (2002) defendem a ideia de que público-alvo. mais importante do que definir indicadores é criar 56 Modulo 01.indd 56 2/6/2009 12:15:43
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    AULA 9 —Avaliação e Monitoramento de Projetos Sociais algumas ideias chaves que estão presentes nos indi- ção de meios para verificar o rumo das mudanças cadores, tais como: que são pretensas a acontecer (Valarelli, 1999). Os 3 Es (eficiência, eficácia e efetividade) aborda- • Indicadores são instrumentos, ou seja, o indica- dos anteriormente também se aplicam na criação e dor não é um fim em si, mas um meio. definição dos indicadores, tendo ainda o critério de • Indicadores são uma medida, uma forma de mensuração, um parâmetro, quer dizer, o indica- impacto. dor é um instrumento que sintetiza um conjun- to de informações em um “número” e, portanto, A eficiência diz respeito aos recursos e sua permite medir determinados fenômenos entre si, correta utilização; eficácia se refere às ações do ou ao longo de determinado tempo. • Indicadores podem ser utilizados para verificação, projeto e ao alcance dos objetivos propostos; observação, demonstração, avaliação, ou seja, o efetividade avalia em que medida os resultados indicador permite observar e mensurar determi- do projeto são replicados e incorporados na re- nados aspectos da realidade social: eles medem, alidade da comunidade atendida e por último observam e analisam a realidade de acordo com o impacto que diz “respeito às mudanças em um determinado ponto de vista (Kayano e Cabral, outras áreas não diretamente trabalhadas pelo 2002, p. 2). projeto (...)” (Valarelli, 1999, p. 5). Ao nos depararmos com projetos sociais, es- tamos diante de realidade complexas e desiguais O referido autor acrescenta para esclarecer “(...) onde muitos fatores e sujeitos participam e inter- Por exemplo, se um programa de orientação de vêm e acabam definindo as relações e os processos. saúde gerou na população ações de reivindicação O projeto social tem como base a intencionalidade e negociação com a prefeitura para obras de sane- da mudança nesse contexto complexo, perseguindo amento básico na comunidade” (Valarelli, 1999, p. objetivos de mudança, relacionando-se com ações 5). Isso é considerado um impacto além do previsto de outros sujeitos da sociedade, que têm a pretensão no projeto. de produzir resultados, que num todo, objetivem a De acordo com Carvalho (2001), ao definirmos mudança do problema encontrado. Dessa forma não os indicadores, é imprescindível garantir alguns cri- existem certezas e precisamos identificar a constru- térios e características, a saber: relevância e pertinência; ! VOCÊ SABE O QUE É IDH? unidade; IDH é um dos indicadores internacional- exatidão e consistência; mente reconhecidos e significa Índice de Desen- objetividade; volvimento Humano. Produzido e divulgado que possam ser medidos; pela Organização das Nações Unidas (ONU), facilidade de interpretação; constitui-se num indicador composto da renda, acessibilidade. educação e saúde, dos vários países, com o mes- Deixaremos alguns exemplos citados dentro do mo peso: saúde – esperança de vida ao nascer; Caderno de Orientação Técnica Social – Programas educação – taxa de matrículas e taxa de alfabe- OGU 2002 da Caixa Econômica Federal, que ilus- tização e renda – Produto Interno Bruto (PIB) trarão com mais clareza a criação de alguns indica- per capita. dores para determinados projetos: 57 Modulo 01.indd 57 2/6/2009 12:15:43
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Eixo Módulo Indicador Domicílios rústicos e improvisados Moradia Famílias em situação de coabitação Comprometimento da renda familiar com aluguel Domicílios ligados à rede de água Domicílios com solução adequada de esgoto Acesso à Domicílios ligados à rede elétrica Habitabilidade infraestrutura Domicílios com coleta regular de lixo Existência de transporte público a 500m Acesso ao lazer Existência de equipamento público de lazer na área Domicílios em situação irregular Acesso à propriedade Permanência de famílias beneficiadas na moradia Risco ambiental Presença de fatores de risco na área (quais) Famílias com renda média familiar de até 3 s.m. Famílias com renda média per capita inferior a 0,5 s.m. Famílias chefiadas por mulheres Pobreza Taxa de desemprego Trabalhadores informais Menores de 16 anos trabalhando Equidade Mortalidade infantil Incidência de doenças de veiculação hídrica Saúde Incidência de doenças transmitidas por vetores Incidência de doenças respiratórias Taxa de analfabetismo Educação População de mais de 15 anos com menos de 3 anos de escolaridade População com Ensino Fundamental completo Crianças fora da escola Matrículas no Ensino Fundamental Acesso Direito à infância Taxa de evasão à escola Taxa de retenção Desenvolvimento de atividades extraescolares Cursos oferecidos Capacitação profissional Total de pessoas capacitadas Geração de trabalho % de conclusão e renda Formação de grupos associativos ou cooperativas Empreendedorismo Incremento % da renda familiar dos capacitados Quantidade de organizações formais e informais na área Taxa de participação Associativismo Organização Existência de iniciativas voltadas ao bem-estar da comunidade comunitária Presença de entidades governamentais e não governamentais Parcerias firmadas Atuação Total de eventos promovidos nos últimos 12 meses Total de resíduos gerados – kg/ano por habitante Destinação Domicílios com coleta regular adequada Acondicionamento adequado Presença de lixo em áreas públicas Gestão de resíduos Existência de coleta seletiva oficial sólidos Domicílios atendidos pela coleta seletiva Coleta Separação domiciliar – % domicílios seletiva Existência de iniciativas comunitárias para coleta seletiva Inclusão de catadores na coleta seletiva Existência de associações/cooperativas de catadores Segurança no Total de pessoas feridas em decorrência de acidentes no trânsito Mortalidade e morbidade trânsito Total de óbitos em decorrência de acidentes no trânsito Fonte: Caixa Econômica Federal (2002:12). 58 Modulo 01.indd 58 2/6/2009 12:15:43
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    AULA 9 —Avaliação e Monitoramento de Projetos Sociais CONCLUINDO dificar os padrões mentais criados a partir do con- O sistema de avaliação e monitoramento é im- ceito punitivo de avaliação, por que este realmente prescindível para que as ações previstas dentro do não é o objetivo da avaliação. projeto social tenham chances de ser concluídas Devemos abandonar a crença da avaliação como com êxito. agente controlador e incorporar tanto o monitora- A contribuição de Marino (2003) é abordar tema mento quanto a avaliação, lado a lado, caminhando tão polêmico de forma prática e sucinta em um guia para o sucesso das instituições e projetos sociais. prático sobre avaliação de projetos sociais. Elucida, É preciso tratar avaliação e monitoramento como assim, questionamentos de todos que trabalham di- aliados na execução de projetos sociais com impacto retamente com projetos e mostra que é preciso mo- e resultado positivos nas comunidades atendidas. * ANOTAÇÕES 59 Modulo 01.indd 59 2/6/2009 12:15:43
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais Unidade Didática – Planejamento de Intervenções Sociais AULA ____________________ 10 O SISTEMA ÚNICO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS) E O PLANEJAMENTO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Conteúdo • SUAS e o planejamento na administração pública. Competências e habilidades • Compreender e discutir o planejamento na administração pública e os conceitos básicos oriundos da implantação do SUAS. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo INTRODUÇÃO acessos e responsabilidade estatal, ou seja, passa a O início do processo de construção da nova ma- ser responsabilidade do Estado. triz para a assistência social brasileira foi estabeleci- Em outubro de 2004, após as deliberações da IV do pela Constituição Federal de 1988. Por sua vez, a Conferência Nacional de Assistência Social, ocor- seguridade social foi inclusa na pauta das discussões rida em dezembro de 2003, foi aprovada a Política e regulamentada pela Lei Orgânica da Assistência Nacional de Assistência Social (PNAS) pelo Conse- Social (LOAS), em dezembro de 1993, como políti- lho Nacional de Assistência Social. Inicia-se a era do ca social pública. Sistema Único da Assistência Social (SUAS). Durante esse período, ocorre a transição do cam- Hoje, não há como se falar em assistência social po unicamente da assistência social para o campo sem fazer correlação direta com a implementação, dos direitos. Deixa, assim, de ter caráter puramente diretrizes e orientações do SUAS. Assim, neste pri- assistencialista para abranger a universalização dos meiro momento, apresentaremos os conceitos bási- 60 Modulo 01.indd 60 2/6/2009 12:15:44
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    AULA 10 —O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o Planejamento cos do SUAS que serão ampliados e aprofundados até mesmo com organizações do terceiro setor. Por no decorrer do curso. intermédio dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) deverão ser executados programas de O SISTEMA ÚNICO DA ASSISTÊNCIA geração de renda, de atenção integral às famílias, cen- SOCIAL (SUAS) E O PLANEJAMENTO tro de convivência de idosos, serviços socioeducati- NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA vos para crianças, adolescentes e jovens (0 a 24 anos), O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) é incentivo ao protagonismo juvenil, entre outros. um sistema não contributivo, descentralizado e par- A proteção social especial tem por finalidade pro- ticipativo que tem por função a gestão do conteúdo teger contra situações de risco famílias e indivíduos específico da assistência social no campo da prote- cujos direitos tenham sido violados ou que já tenha ção social brasileira. Configura-se como o novo re- ocorrido rompimento dos laços familiares e comu- ordenamento da política de assistência social cuja nitários. A proteção social especial se divide em de perspectiva é promover maior efetividade de suas média e alta complexidade. A proteção social espe- ações. No SUAS, os serviços, programas, projetos cial de média complexidade deve atuar quando ain- e benefícios da assistência social são reorganizados da não houve o rompimento dos vínculos familia- por níveis de proteção social básica e especial, que res, mas os direitos dos sujeitos já foram violados. Já a de alta complexidade atua quando os vínculos já Prevê o desenvolvimento de serviços, programas e foram rompidos e existe a necessidade de se afastar projetos locais de acolhimento, convivência e so- do núcleo familiar ou comunitário (Brasil, 2004). cialização de famílias e de indivíduos, conforme identificação da situação de vulnerabilidade apre- A unidade executora das ações de proteção social sentada. Deverão incluir as pessoas com deficiên- básica é o Centro de Referência da Assistência Social cia e ser organizados em rede, de modo a inseri-las (CRAS) e das ações de proteção social especial de nas diversas ações ofertadas. Os benefícios, tanto média complexidade é o Centro de Referência Espe- de prestação continuada como os eventuais, com- cializado de Assistência Social (CREAS). põem a proteção social básica, dada a natureza de Sobre a execução dos projetos e programas pode- sua realização (Brasil, 2004, p. 34). se considerar que serão realizados pelas três ins- A proteção social básica tem como objetivo a pre- tâncias de governo e devem ser articulados dentro venção, por meio do desenvolvimento de potencia- do SUAS. Ressaltamos o Programa de Atenção In- lidades, aquisições e o fortalecimento de vínculos tegral à Família (PAIF) que, segundo informações familiares e comunitários. Mesmo que não seja de- da PNAS, surtiu efeitos concretos na sociedade e foi tectado o rompimento dos vínculos familiares, mas efetuado pelas três instâncias em parceria (Brasil, existe uma fragilização das relações familiares geral- 2004). mente, em decorrência da pobreza, privação (por Podemos exemplificar: é sabido que a época do ausência de renda ou acesso aos serviços públicos governo de Fernando Henrique Cardoso foi mar- precário ou nulo), discriminações etárias (idoso), cada pelo neoliberalismo e, principalmente, pelas étnicas (índios, negros), de gênero (mulher) ou por privatizações das grandes estatais. Também é certo deficiências, seja ela qual for (Brasil, 2004). que o neoliberalismo trouxe consigo mazelas, como De acordo com a Política Nacional da Assistência a fragilização das relações de trabalho, principal- Social (PNAS), os programas e projetos foram for- mente a terceirização da mão de obra sem assegurar matados dentro do SUAS e, hoje, cabe a cada muni- todos os direitos aos empregados. cípio brasileiro, de acordo com os habitantes e ter- O neoliberalismo resulta na massificação de al- ritorialidade, implementá-los e executá-los, seja em guns itens/bens de consumo e materiais permanen- parceria com o governo do estado e as prefeituras ou tes, como as telefonias fixa e móvel. Se, até então, so- 61 Modulo 01.indd 61 2/6/2009 12:15:44
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais mente pessoas com alto poder aquisitivo poderiam da análise dos cursos de ação factíveis, congruentes se dar ao luxo de ter um telefone fixo após longa com os objetivos que se quer alcançar e os valores espera, hoje, a telefonia fixa e móvel se expandiu em que se quer promover e a especificação e avaliação proporções elevadas. A disputa acirrada pelo mer- dos resultados deles esperados (Carneiro, 2004, p. 50-51). cado entre as operadoras de telefonia faz os preços caírem proporcionando à população brasileira o Ao se falar da teoria da escolha racional como acesso a esse meio de comunicação. fundamento da atividade planejadora, o autor afir- Falar em monitoramento e avaliação como fer- ma que a racionalidade não se separa da intenção ramentas do planejamento e da gestão e, ainda, em e que a ação é movida por interesses, mas que nem estratégia de melhoramento aos serviços prestados sempre a escolha racional pensada por determinado à população, infelizmente é constatar que só fun- indivíduo, pensado para si próprio, será a melhor cionam na teoria, nos relatórios que funcionários alternativa para todos. ou consultorias emitem ao Estado. A excessiva bu- O referido autor analisa que a escolha das coi- rocratização estatal não permite novos arranjos ou sas que serão utilizadas por toda uma população, oportunidades de um melhor funcionamento da é cercada pela individualidade de algumas poucas máquina pública em si e dos atendimentos à comu- pessoas, ferindo desse modo a democracia. Para que nidade. um processo seja realmente democrático, a popu- Carneiro (2004) aborda questões acerca do pla- lação deve participar da escolha e das decisões que nejamento para diferenciar o planejar na esfera pú- irão afetar a todos. Dessa forma, é necessário incen- blica e privada. Ressaltando particularidades entre tivo, por meio dos conselhos, desse processo de par- essas áreas, afirma que algumas ideias e procedi- ticipação democrático de toda a população para que mentos do planejamento da esfera privada podem ele efetivamente ocorra e não seja apenas algo “fictí- ser utilizados na pública. Assegura, ainda, que exis- cio”, ou seja, algo em que os cidadãos acreditam que te uma diferença primordial e fundamental entre o estejam participando, mas são manipulados para planejamento das esferas pública e privada, porque decidirem o que os governantes desejam. a pública deveria representar o espaço por excelên- Fazer escolhas implica identificar e avaliar as alter- cia da promoção dos valores e interesses coletivos. nativas de ação com as quais o indivíduo se defronta, No entanto, não é o que se presencia ao se analisar e que expressam distintas combinações de meios e a atualidade. A mídia relata, quase que diariamente, fins. A ideia da racionalidade significa, em essência, casos de funcionários públicos, gestores ou gover- adotar uma estratégia que seleciona o curso da ação nantes que se apropriam da coisa pública, utilizam que presumidamente “levará ao melhor resultado a máquina pública em interesses particulares ou de global” (Elster, 1998, apud Carneiro, 2004, p. 51). terceiros, favorecidos em esquemas fraudulentos O autor faz críticas pertinentes e construtivas so- que indignam cidadãos que ainda acreditam num bre a atual forma de publicidade dos resultados do Brasil melhor. governo. Analisa que nossa população sabe apenas Sobre o planejamento na esfera pública, Carneiro o que é de interesse dos governantes, os quais são (2004) ressalta que: pagos com nossos impostos. Fala-se da publicidade Não se trata, como na esfera privada, de buscar so- de “faz de conta”, pois somos tolhidos em realmente luções capazes de aperfeiçoar o aproveitamento das saber e enxergar como agem nossos governantes. oportunidades de ganhos econômicos ao alcance Analisa ainda uma tentativa de reestruturação da do agente. O que está em jogo, no âmbito público, distribuição da renda, que não teve sucesso. Como a são o mapeamento e a identificação de quais ne- corda sempre rompe do lado mais fraco, a assistên- cessidades e interesses priorizar, o delineamento cia social continua recebendo mínimos financeiros, 62 Modulo 01.indd 62 2/6/2009 12:15:44
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    AULA 10 —O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o Planejamento pois servem apenas para financiar os “miseráveis”. rio que se entenda o planejamento como algo útil e Destaca também que os governantes acreditam ain- que possa ser implementado na prática. da estar fazendo um favor aos pobres, distribuindo O autor proporciona ainda reflexão sobre nosso migalhas, por meio das políticas sociais presentes cotidiano, sobre as limitações impostas pelos nossos no atual governo, prática herdada de administra- dirigentes em desenvolver ações de planejamento no ções anteriores. decorrer das nossas atividades corriqueiras e ainda Mais uma vez retomamos a questão de pensar so- num plano macro, como implementá-las de cima bre os governantes, pois eles irão definir os objetivos para baixo, como a própria hierarquia existente no que movem a administração pública, expressando poder público. uma escolha política do individual para o coletivo, O planejamento é realmente uma ferramenta efi- tornando essas escolhas extremamente injustas com caz para utilização na coisa pública, mas precisa que toda a população. nossos governantes, como afirmado acima, o enten- Podemos enxergar como essencial ao planeja- dam como algo útil e principalmente a necessidade mento, a escolha da estratégia de ação. Concorda- de sua efetividade. mos com Elster (1998 apud Carneiro, 2004) quando aborda que, em muitos casos, o planejamento acaba CONCLUINDO como cumprimento de um protocolo utilizado ape- Para finalizarmos nossa aula transcrevo um pa- nas para endossar as ações tomadas pelo governo, rágrafo do texto de Ricardo Carneiro (2004) que legitimando-as e não realizando essencialmente o expressa de forma única e objetiva o planejamento planejamento. na esfera pública. Convido vocês a refletirem e a for- São levantadas pelo autor, duas vertentes: uma mularem as suas conclusões. que utiliza o raciocínio lógico e outra que abarca a análise das práticas já utilizadas anteriormente e O desafio que se coloca para qualquer governo é a que, de uma forma genérica, podemos definir como formulação e implementação de políticas públicas capazes de atender, da melhor forma possível, as aspi- “jurisprudência social”. O autor lança reflexões so- rações e os interesses da sociedade. Isso envolve defi- bre a contratação terceirizada de pessoal no serviço nir prioridades, estabelecer objetivos e metas a serem público, em vez da realização de concursos públicos perseguidos, traçar linhas de ação visando sua con- como uma alternativa nem tanto eficiente, princi- secução, acompanhar o que está sendo feito e avaliar palmente à população. Analisa as novas parcerias os resultados obtidos. Não se trata, é óbvio, de tarefa entre público privado como uma solução criativa fácil. O planejamento, em suas diversas modalidades para problemas antigos, enfrentando o estrangu- (...) pode se constituir numa ferramenta muito útil lamento financeiro na realização de investimentos para se lidar com a questão. Isso requer, no entanto, pelo governo. Ressaltando, novamente, uma legiti- que se tenha clareza do que dele se pode esperar e de midade das ações governamentais, “manipulando” seus requisitos operacionais. Primeiro, o planejamen- dessa forma o processo de planejamento. to pouco pode fazer frente à incompetência política O planejamento foi institucionalizado como uma dos governantes. Segundo, não há o que planejar estratégia muito útil para se pensar as atividades an- quando as soluções já estão dadas e não se pode alte- rar o rumo das coisas. Terceiro, o planejamento leva- tes de sua efetiva ação e para que possamos viabi- do a sério exige profissionalismo e condições efetivas lizar saídas quando tudo acaba dando errado, mas de trabalho no âmbito da administração pública. Sem que sua implementação na esfera pública trata-se de isso, é melhor esquecê-lo (Carneiro, 2004, p. 67). tarefa nada simples e fácil. Principalmente por ter- mos pessoas, seres humanos como nossos dirigentes Agora é preciso que vocês reflitam sobre o SUAS ou governantes e acima (e antes de tudo) é necessá- e sua implementação no município no qual vocês 63 Modulo 01.indd 63 2/6/2009 12:15:44
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    Unidade Didática —Planejamento de Intervenções Sociais residem e verifiquem se os programas e projetos ______. Caderno de Orientação Técnica Social. estão sendo executadosde acordo com o previsto. Brasília: SUDES; GEPAD, 2008. Disponível em: Verifiquem também se o que foi previsto, ou, se o <www1.caixa.gov.br/download/asp/download. planejamento realizado pela PNAS atende a toda asp?subCategId=306&CategId=86&subCateg realidade brasileira. layout=Manuais%20de%20Orientações%20 Técnicas&Categlayout=Trabalho%20Técnico%20 REFERÊNCIAS Social>. Acesso em: 22 mar. 2009. Básica CARNEIRO, R. O planejamento na esfera pública: ARMANI, D. Como elaborar projetos: guia prático fundamentos teóricos, possibilidades e limites para elaboração e gestão de projetos sociais. Porto operacionais. In: CARNEIRO, C. B. L.; COSTA, B. Alegre: Tomo Editorial, 2000. L. (orgs.). Gestão social: o que há de novo? Desafios BAPTISTA, M. V. Planejamento social: e tendências. Belo Horizonte: Fundação João intencionalidade e instrumentalização. São Paulo: Pinheiro, 2004, v. 2, p. 47-68. Veras, 2000. CARVALHO, M. C. B. Avaliação de projetos sociais. KISIL, R. Elaboração de projetos e propostas para In: ÁVILA, C. M. (coord.). Gestão de projetos organizações da sociedade civil. 2. ed. São Paulo: sociais. 3. ed. São Paulo: AAPCS, 2001. Global, 2002. COSTA, S. R. S. Elaboração de projetos sociais. Campo Grande: CRESS 21.ª Região/MS, 2007. Complementar mimeo. JANNUZZI, P. M. Indicadores sociais no Brasil: ______. Elaboração de projetos da área social. conceitos, fonte de dados e aplicações. Campinas: Campo Grande: Excel Consultoria, 2003. Alínea, 2001. COHEN, E.; FRANCO, R. Avaliação de projetos KARSCH, U. M. S. Serviço social na era dos serviços. sociais. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2008. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1998. CURY, T. C. H. Elaboração de projetos sociais. In: KEELING, R. Gestão de projetos: uma abordagem ÁVILA, C. M. (coord.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. global. São Paulo: Saraiva, 2002. São Paulo: AAPCS, 2001. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da CURTY, A. L. Administração em organizações de administração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2005. produto social – articulações possíveis. In: ÁVILA, SILVA, M. O. S. e. Avaliação de políticas e programas C. M. (coord.). Gestão de projetos sociais. 3. ed. São sociais: teoria e prática. São Paulo: Veras, 2001. Paulo: AAPCS, 2001. KAYANO, J.; CALDAS, E. L. Indicadores para o Utilizada pelo professor diálogo. Disponível em: <www.aditepp.org.br/ BAPTISTA, M. V. Planejamento: introdução à gtindicadores/pdf/gt8.pdf>. Acesso em: 15 mar. metodologia do planejamento social. 4. ed. São 2009. Paulo: Moraes, 1981. VALARELLI, L. L. Indicadores de resultados de BARBOSA, M. C. Planejamento e Serviço Social. projetos sociais. Disponível em <www.rits.org.br/ São Paulo: Cortez, 1980. gestao_teste/ge_testes/ge_tmes_jul99.cfm>. Acesso BRASIL. Política Nacional de Assistência em: 20 mar. 2009. Social – PNAS/2004. Brasília: Ministério do NOGUEIRA, J. Metodologia do planejamento. Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2004. Disponível em: <www.jaironogueira.noradar.com/ CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Caderno de jairo20.htm>. Acesso em: 7 abr. 2009. Orientação Técnica Social – Programas OGU/2002. NUÑEZ, L. M. B. Prática do assistente social x Brasília: GEPAP; GIPUP, 2002. planejamento. Campo Grande: UCDB, 1999. 64 Modulo 01.indd 64 2/6/2009 12:15:44
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    AULA 10 —O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o Planejamento ______. Elaboração de projeto. Campo Grande: – Campus I/Universidade do Estado da Bahia Universidade Católica Dom Bosco, 2003. – UNEB – Programa Gestão de Organizações – mimeo. PGO, Salvador, v. 1, n. 4, p. 39-50, maio/ago. 2003. PAZ, M. H. C. Cadernos Bunge de cidadania Disponível em: <www.lcsantos.pro.br/arquivos/ – elaboração de projetos sociais. São Paulo: Projetos_Sociais26062008-122652.pdf>. Acesso Comunidade Ativa, 2003. mimeo. Disponível em: 22 mar. 2009. em: <www.fundacaobunge.org.br/site/uploads/ TENÓRIO, F. G. Gestão de ONGs: principais materiais_de_apoio/CaderVolunt4_Projetos.pdf>. funções gerenciais. 4. ed. Revista. Rio de Janeiro: Acesso em: 20 jan. 2007. Fundação Getulio Vargas, 2000. 132 p. ROCHA, A. C. Como elaborar projetos e mobilizar YASBEK, C. Compromissos e responsabilidade para recursos para entidades sem fins lucrativos. Salvador: assegurar a proteção social pelo SUAS. Disponível Multidimensão Consultoria, 2003. mimeo. em: <www.mds.gov.br/sites/conferencias-1/artigos/ SANTOS, L. C. Projetos sociais: fragmentos de compromissos-e-responsabilidades-para-assegurar- ensinamentos. Revista ADM Pública: vista & protecao-social-pelo-suas-maria-carmelita-yazbek/ revista, Departamento de Ciências Humanas html2pdf>. Acesso em: 7 jul. 2008. * ANOTAÇÕES 65 Modulo 01.indd 65 2/6/2009 12:15:44
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