Este documento descreve a crise religiosa do século XVI na Europa, incluindo as causas da crise, a Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero e sua rápida expansão, e a reação católica através da Reforma Católica e Contra-Reforma.
OS NOVOS VALORESOSNOVOS VALORES
EUROPEUSEUROPEUS
O tempo das reformas religiosasO tempo das reformas religiosas
A crise religiosa do século XVI e a ruptura protestanteA crise religiosa do século XVI e a ruptura protestante
A reação Católica: Reforma Católica e Contra-ReformaA reação Católica: Reforma Católica e Contra-Reforma
2.
Já desde aIdade média que se sentia a necessidade de mudança na doutrina da Igreja e
no comportamento dos papas e dos membros do alto clero. John Wyclif, na Inglaterra,
Jan Huss, na actual República Checa, e o monge italiano Girolamo Savonarola foram
alguns dos que criticavam a Igreja e faziam apelos à sua reforma.
A CRISE RELIGIOSA DO SÉCULO XVIA CRISE RELIGIOSA DO SÉCULO XVI
John Wyclif Jan Huss Girolamo Savonarola
3.
Mas foi, noséculo XVI, que as críticas e os protestos dos humanistas, como por
exemplo Tomas More e Erasmo de Roterdão, que defendiam a renovação da Igreja,
aumentaram, pois os abusos do clero e o desprestígio da Igreja tornam-se mais
evidentes. Mas porquê?
Eis os soberanos Pontífices, os cardeais e os bispos (…). Hoje (…) estes pastores não
fazem nada senão alimentar-se bem. Deixam o cuidado do rebanho ao próprio Cristo (…).
Esquecem que o nome de bispo significa labor, vigilância (…). Estas qualidades servem-
lhes para deitar mão ao dinheiro (…). Se os soberanos Pontífices, que estão no lugar de
Cristo, se esforçassem por imitá-lo na sua pobreza, nos seus trabalhos, na sua
sabedoria, na sua cruz e no desprezo da vida (…) não seriam os mais infelizes dos
Homens?
Erasmo de Roterdão, O Elogio da Loucura.
Thomas More Erasmo de Roterdão e a sua obra “O Elogio da Loucura”
4.
1- A veracidadede alguns dos ensinamentos da Igreja é posta em causa, devido
ao espírito crítico dos renascentistas (exemplo: Geocentrismo).
2- A corrupção e a imoralidade dos membros do alto clero eram frequentes:
AS CAUSAS DA CRISE DA IGREJA NO SÉCULO XVIAS CAUSAS DA CRISE DA IGREJA NO SÉCULO XVI
▪ Os membros do alto clero, nomeadamente os papas, comportavam-se como
príncipes e levavam uma vida de luxo e ostentação.
▪ Muitos membros do clero mantinham uma vida imoral (vários tinham, aliás,
mulher e filhos, contrariando o voto de celibato) e a sua formação religiosa era
pobre.
▪ O acesso aos altos cargos eclesiásticos, devido aos elevados rendimentos que
proporcionavam, era muitas vezes atribuído (e mesmo comprado) a familiares e a
nobres (simonia).
3- A “Questão das Indulgências”: O Papa Leão X publicou,
em 1513, a Bula das Indulgências, documento que concedia
o perdão dos pecados aos cristãos que dessem esmolas para
a construção da basílica de S. Pedro.
Papa Leão X
(1513-1521)
5.
Neste documento, Luterocondenava a venda das indulgências a troco de dinheiro e
demonstrava que a capacidade para conceder o perdão dos pecados não pertencia ao
Papa, pois a absolvição passava pela prática de boas acções.
A RUPTURA COM A IGREJA: A REFORMA PROTESTANTEA RUPTURA COM A IGREJA: A REFORMA PROTESTANTE
Indignado com a atitude da Igreja, Martinho Lutero, monge agostinho, denunciou
publicamente a venda das indulgências através de uma proclamação, as 95 Teses
Contra as Indulgências, que afixou nas portas da catedral de Wittemberg, em 1517.
Martinho Lutero
(1483-1546)
6.
Foi, por isto,perseguido e excomungado (expulso da Igreja) em 1521. Em sinal de
revolta, Lutero queimou publicamente a bula de excomunhão. Esta atitude marca a
ruptura com a Igreja Católica e o início da Reforma Protestante.
As ideias de Lutero deram início a uma nova doutrina – O PROTESTANTISMO – que
rapidamente se difundiu nos países do Norte da Europa, embora com algumas
variantes doutrinárias.
7.
AS IGREJAS PROTESTANTESASIGREJAS PROTESTANTES
▪ Luteranismo (Igreja Luterana): foi criado, na Alemanha e os seus princípios
doutrinários, definidos na Confissão de Ausburgo, podem resumir-se aos seguintes:
- a salvação alcança-se unicamente pela fé e não pelas obras;
- a Bíblia é a única fonte de fé e deve ser interpretada livremente por todos (Lutero
traduziu a Bíblia para o alemão);
- só existem dois sacramentos: o batismo e a eucaristia;
- recusa a autoridade do Papa, o culto dos santos e da Virgem e o celibato.
Martinho Lutero
(1483-1546)
8.
▪ Calvinismo (IgrejaCalvinista): foi fundado, na Suíça e
assentava na teoria da predestinação, segundo a qual
todo o Homem está destinado por Deus à salvação ou à
condenação eternas.
João Calvino
(1509-1564)
▪ Anglicanismo (Igreja Anglicana): foi fundado pelo rei
Henrique VIII de Inglaterra, em 1534, através do Ato de
Supremacia. Embora o chefe máximo passe a ser o rei
inglês, esta Igreja manteve o cerimonial e a hierarquia da
Igreja Católica.
Henrique VIII
(1509-1547)
9.
A RÁPIDA EXPANSÃODA REFORMA PROTESTANTEA RÁPIDA EXPANSÃO DA REFORMA PROTESTANTE
▪ Muitos príncipes e nobres aderiram à Reforma com o objetivo de se apoderarem dos
bens materiais da Igreja Católica.
▪ Os camponeses esperavam livrar-se dos impostos que pagavam ao clero.
Em finais do século XVI, a Europa encontrava-se dividida: o Norte era majoritariamente
protestante e o Sul católico. Mas que razões explicam esta expansão do protestantismo?
10.
Às críticas doshumanistas e avanços do protestantismo respondeu a Igreja Católica com
um movimento que foi simultaneamente de renovação interna (Reforma Católica) e de
combate à expansão do protestantismo (Contra-Reforma).
A REAÇÃO CATÓLICA: REFORMA CATÓLICA E CONTRA-REFORMAA REAÇÃO CATÓLICA: REFORMA CATÓLICA E CONTRA-REFORMA
REFORMA CATÓLICA:REFORMA CATÓLICA: Movimento de renovação interna que redefiniu a doutrina
oficial da Igreja e reestruturou o clero, de forma a melhorar a
sua formação e a sua conduta.
Este processo de renovação interna da Igreja foi desencadeado a partir do Concílio deConcílio de
TrentoTrento (1545-1563), convocado e presidido pelo Papa Paulo III, no qual foram tomadas
decisões relacionadas com a fé e a disciplina do clero.
Papa Paulo III
(1534-1549)
11.
Principais decisões doConcílio de Trento:Principais decisões do Concílio de Trento:
▪ Reafirmação da doutrina oficial da Igreja posta em causa pelos protestantes.
▪ Reestruturação do clero, impondo uma disciplina mais severa para combater a
ignorância, a falta de formação e os abusos dos membros do clero:
- criação de seminários como centros de formação dos padres;
- proibição da acumulação de cargos;
- proibição da ordenação sacerdotal antes dos 25 anos;
- manutenção do celibato.
Concílio de Trento (1545-1563)
Foi o mais longo concílio da história da
Igreja. Teve uma duração real de 8 anos
divididos por três períodos: 1545-1549,
1551-1552 e 1562-1563.
Foi presidido pelos papas Paulo III, Júlio
III, Marcelo II e Pio IV.
12.
CONTRA-CONTRA-
REFORMA:REFORMA:
Movimento da IgrejaCatólica de prevenção e combate ao
avanço do Protestantismo, por meio do recurso à Companhia
de Jesus, à Inquisição e ao Índex.
A Companhia de Jesus.
Santo Inácio de Loyola
(1491-1556)
Foi criada em 1539, pelo nobre espanhol Inácio de Loyola. Caracterizava-se por
uma disciplina muito rigorosa e os seus membros, os Jesuítas, destacaram-se no
ensino e na evangelização dos povos.
Inácio de Loyola entrega ao papa Paulo III as
regras da Companhia de Jesus
13.
A Inquisição(Tribunal do Santo Ofício/Santa Inquisição).
Tribunal eclesiástico destinado a “defender a fé católica e os bons costumes”,
com poderes para prender, torturar e condenar, geralmente à morte na fogueira, os
suspeitos de praticarem bruxaria ou outras religiões, especialmente o Luteranismo e
o Judaísmo.
Em Portugal, a Inquisição foi introduzida em 1536, no reinado de D. João III, e as
suas principais vítimas foram os cristãos-novos, isto é, os descendentes dos
judeus convertidos ao Cristianismo durante o reinado de D. Manuel I.
Auto-de-fé: execução pública de condenados pela inquisição.
14.
O Índex(Congregação do Índex).
Fundado em 1543, era uma lista dos livros considerados perigosos para a fé e cuja
impressão, venda e leitura era proibida, sob pena de excomunhão.
Em muitos casos as perseguições e as condenações não eram
motivadas por razões religiosas, mas sim por razões econômicas. É que
os bens dos condenados passavam a pertencer à Inquisição e muitos
cristãos-novos eram ricos burgueses.