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Universidade Estadual do Piauí – UESPI
Mestrado Profissional em Letras
Disciplina: Texto e Ensino
Profª. Drª.: Bárbara Melo
Iane Portela
Ivânia Saila
Meirydianne Chrystina
Teresina – PI
Maio/2015
Processos referenciais - Texto e Ensino
I. Plano de Aula: PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO 28/05/2015
II. Dados de Identificação:
Universidade Estadual do Piauí
Profª. Drª.: Bárbara Melo
Acadêmicos: Iane Portela / Ivânia Saila / Meirydianne Chrystina.
Disciplina: Texto e Ensino
Curso: Mestrado Profissional em Letras - Profletras
III. Tema:
- Referenciação e processos referenciais.
- conceito fundamental: referência sucinta de base historiográfica que sustenta o tema.
IV. Objetivos: conhecer os processos referenciais.
Objetivo geral: capacitar o professor no conhecimento dos processos referenciais.
Objetivos específicos:
Retomar o conteúdo de referenciação;
Estudar os processos referenciais: conceitos, classificação e funções;
Conhecer, por meio de embasamento teórico, os principais processos de referenciação: introdução
referencial, anáforas e dêixis;
Utilizar textos diversos para ilustrar os casos de referenciação;
Apontar sugestões de trabalho com a temática a ser aplicados em salas de aula da Educação Básica.
V. Conteúdo e desenvolvimento do tema:
•Referenciação – conceito, importância e retomada de aula;
•Introdução ao estudo dos processos referenciais: o que são? Finalidades.
•Apresentação dos principais processos referenciais (Cavalcante, 2014);
•Introdução referencial;
•Atividades propostas;
•Estratégias de referenciação – Koch (2008);
•Introdução referencial e intertextualidade;
•Anáforas – diretas, indiretas e encapsuladoras;
•Categorização e recategorização;
•Análise dos processos em textos;
•Dêiticos: conceitos, classificação e funções;
•Aplicabilidade dos processos referenciais no ensino – sugestão de atividades.
PLANO DE AULA
VII. Recursos didáticos:
Cópia dos textos para análise;
Projetor;
Slides;
Textos verbais e não-verbais;
Fontes teóricas.
VIII. Avaliação: acontecerá de forma teórico-prática. Será executada mediante a participação do
estudante na abordagem teórica, bem como seu envolvimento na resolução de atividades
propostas.
XIX. Bibliografia:
BERTUCCI, R. A. Anáforas encapsuladoras: uma análise em textos de opinião. Revista Letras,
Curitiba, N. 70, P. 207-221, SET./DEZ. 2006. Editora UFPR.
CAVALCANTE, M. M. Expressões referenciais – uma proposta classificatória. Cadernos de
estudos lingüísticos, Campinas, v. 44, 2003.
CAVALCANTE, M. M. e FILHO, V. C. Revisitando o estatuto do texto. Revista do Gelne, v. 12, n.
2, 2010, p. 56-71.
CAVALCANTE, M.M.; FILHO, V.C.; BRITO, M.A.P. Coerência, refrenciação e ensino. – 1. ed. –
São Paulo: Cortez, 2014.
KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e Compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto,
2006.
PINHEIRO, Clemilton Lopes. Processos referenciais em textos multimodais: aplicação ao
ensino. Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758
REFERENCIAÇÃO
 usamos de forma intuitiva;
 processo pelo qual se constroem referentes e que
representam uma certa realidade;
 Referência é a propriedade que tem a linguagem de
remeter à realidade;
 Referenciação – são as diversas formas de introdução, no
texto, a novas entidades ou referentes.
 REFERENCIAÇÃO = processo de construção dos
referentes no texto.
 Estratégias de referenciação pelos quais formulamos os
referentes no texto que produzimos;
 Estratégias pelas quais interpretamos os referentes
produzidos nos textos dos outros.
 Cavalcante, Pinheiro, Lins e Lima (2010, p. 233-4):
Referenciação: “o processo pelo qual, no entorno
sociocognitivo-discursivo e interacional, os referentes
se (re)constroem. Trata-se, portanto, de um ponto de
vista cognitivo-discursivo, e é por isso que se diz que a
referenciação é um processo em permanente
elaboração, que, embora opere cognitivamente, é
indiciado por pistas linguísticas e completado por
inferências várias”.
 MARCUSCHI (2002)
Os referentes modificam-se ao longo do texto. Para
manter o controle sobre o que foi dito a respeito
deles, usamos constantemente termos/expressões
que retomam outros termos/expressões do próprio
texto, constituindo, assim, cadeias referenciais. É
nesse processo que dois indivíduos, ao interagirem
lingüisticamente, chegam a saber do que estão
falando e como estão construindo seus referentes
A referenciação constitui, assim, uma atividade
discursiva. O sujeito, na interação, opera sobre o
material lingüístico que tem à sua disposição,
operando escolhas significativas para representar
estados de coisas, com vistas à concretização do seu
projeto de dizer
 KOCH (2004) a referenciação como uma atividade
discursiva, como um processo realizado
negociadamente no discurso e que resulta na construção
de referentes ou objetos de discurso.
 concepção de referência como, através da língua,
referimo-nos às coisas.
 KOCH (2002, p. 106)
A função das expressões referenciais não é apenas
referir. Pelo contrário, como multifuncionais que são,
elas contribuem para elaborar o sentido, indicando
pontos de vista, assinalando direções argumentativas,
sinalizando dificuldades de acesso ao referente e
recategorizando os objetos presentes na memória
discursiva.
 Cavalcante (2011, p. 59):
“os elos referenciais vão entrelaçando-se nas
representações mentais que os falantes vão
elaborando no universo do discurso, compondo
verdadeiras cadeias anafóricas”. Essa coesão não se
estabelece apenas pelo que está explícito no
cotexto, mas também pelo “que se encontra
implícito na memória discursiva e que se descobre
por inferência”.
• IMPORTANTE: entorno discursivo, pois outras
marcas lingüísticas e situacionais, que não apenas as
chamadas expressões referenciais, contribuem de
maneira específica para o processo de categorização
(introdução do elemento no discurso) e, de maneira
mais geral, para o processo de referenciação.
MONDADA; DUBOIS (2003) –
a referenciação é uma atividade discursiva de
(re)elaboração de referentes. A existência dessa
constante reelaboração é que coloca o ato de referir
num processo de instabilidade constitutiva das
categorias/entidades da língua e do mundo
CAVALCANTE (2012):
o processo de construção dos objetos de discurso
implica que, no fundo, o papel da linguagem não é
o de promulgar firmemente uma realidade pronta
e delimitada, porém, o de construir uma versão de
eventos ocorridos, experimentados
 é preciso comutar a palavra referência pela palavra
referenciação, uma vez que o processo de
referenciar é configurado como uma atividade da
língua produzida, em determinado momento
histórico e social, por sujeitos em interação.
 Instabilidades: na interação, os sujeitos criam
mundos textuais em que os objetos não refletem
de modo fiel o “mundo real”, pois esses objetos são
organizados por meio das práticas sociais,
tornando-se assim, objetos-de-discurso.
 Abordam a referenciação em duas linhas:
 Categorização: os mecanismos cognitivos atribuem
estabilidade ao mundo;
 Uma visão linguística discursiva e interacionista -
analisa os processos de referenciação no sentido de
constituição dos objetos-de-discurso e de
intermediação dos padrões sociais.
 Consideram a referência como um sistema pronto e
preexistente, e a referenciação como um sistema que é
construído.
Denominam-se estratégias de referenciação, e, mais
recentemente estratégias de progressão referencial, os
procedimentos responsáveis por introduzir e manter a
referência em determinado texto, seja ele oral ou
escrito.
Marcuschi, (2005, p. 54), “originalmente, o termo “aná-
fora”, na retórica clássica, indicava a repetição de uma
expressão ou de um sintagma no início de uma frase”
Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei
(À Primeira Vista – Chico César)
Ele não desiste de você
Ele se importa com você
Ele compreende o seu caminhar
Nunca vi amor tão grande assim.
(Marquinhos Gomes)
[...] hoje, na acepção técnica, [o conceito de anáfora]
anda longe da noção original. [Este] termo é usado
para designar expressões, que, no texto, se reportam
a outras expressões, enunciados, conteúdos ou
contextos textuais (retomando-os ou não),
contribuindo, assim, para a continuidade tópica e
referencial.
Marcuschi (2005, p:55)
Segundo Cavalcante (2011):
termo-âncora
1. Não se atrela a nenhum
elemento formalmente dado
no cotexto.
2. Introduz formalmente um
novo referente no discurso.
1. Está relacionado a elementos
formalmente dados no cotexto.
2. Promove a continuidade
referencial (não ocorre
necessariamente através do
mesmo referente)
Introdução referencial Anáforas
 Colaborar para a construção da coerência/coesão
textual e discursiva.
 Cavalcante, Filho e Brito (2014: p. 53)
Processos referenciais
Introdução
referencial
Anáfora Dêixis
 Âncora das anáforas;
 Estreia do termo no texto;
 Ocorre por meio do emprego de uma expressão
referencial ainda não mencionada anteriormente;
 Vai ancorar e gerar outros processos de retomadas
anafóricas.
Falaremos de introdução referencial apenas quando um
objeto for novo no cotexto e não tiver sido engatilhado por
nenhuma entidade, atributo ou evento expresso no texto.
Uma introdução referencial é instaurada somente quando,
durante o processo de compreensão, um referente (ainda não
manifestado por uma expressão referencial) é construído pela
primeira vez na mente do coenunciador do texto/discurso. Esse
referente pode (ou não) ser retomado anaforicamente ao longo do
texto.
Koch e Marcuschi (1998) falam de categorização e recategorização.
Categorização: um elemento seria introduzido no discurso;
Recategorização: um elemento já referido seria reformulado, sendo o
seu significado alterado de algum modo.
O Ibama anunciou ontem a
descoberta de uma nova ave, o
bicudinho-do-brejo-paulista.
O Stymphalornissp.nov (a
terminação indica que o animal
não recebeu a denominação
definitiva da espécie) foi
encontrado pelo professor Luís
Fábio Silveira, do Departamento
de Zoologia da USP, em áreas de
brejo nos municípios de
Paraitinga e Biritiba-Mirim, na
Grande São Paulo, em fevereiro.
O pássaro tem pouco mais de 10
centímetros de comprimento,
capacidade pequena de voo e
penugem escura.
Identificar o termo que faz a
introdução referencial.
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Nesse texto, é possível falar que a
introdução referencial é âncora para
outros elementos? Se sim, cite quais.
Justifique.
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PAI,
Este retrato é mais
e mais que a pedra
branca,
mais que a data
sempre.
E mais que um
nome
que um eco
nunca mais.
É o que salta seu
e o assalto de não
ser.
Sou eu
Riscada em molde.
O que condenei
que cresceu em
mim.
É vivo fitá-lo assim
remendado do que
foi.
É querer fincá-lo
doce,
envolvido, e não
sofrer.
É a certeza má
de que este retrato
é mais
e será mais
do que você.
Você, que o tempo
sobre o tempo,
impenetrado,
levará de mim.
Fonte: Mônica Magalhães
Cavalcante, poema inédito.
No poema, pode-se perceber a
presença de introdução
referencial. Aponte-a.
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 Afirma que na construção dos referentes textuais estão envolvidas as
seguintes estratégias de referenciação:
1. Introdução (construção): um objeto, até então não mencionado é
introduzido no texto, de modo que a expressão linguística que o
representa é posta em foco, ficando esse objeto saliente no modelo
textual. Ex: uma nova ave (exemplo 1).
2. Retomada (manutenção) – um objeto já presente no texto é
reativado por meio de uma forma referencial, de modo que o objeto-
de-discurso permaneça em foco como acontece com as expressões o
bicudinho-do-brejo-paulista; O Stymphalornissp.nov; o animal; O
pássaro (exemplo 1)
3. Desfocalização: quando um novo objeto de discurso é introduzido
passando a ocupar a posição focal. O objeto retirado de foco,
contudo, permanece em stand by, ou seja, ele continua disponível
para utilização sempre que necessário.
Porto
Ana Maria Braga vai se desfazer de
dois de seus três barcos.
A apresentadora está procurando
comprador para as lanchas Ambar I, de
47 pés, e Ambar II, de 52 pés. Ela
pretende ficar apenas com Shambhala, o
trawler de 85 pés que inclui até TV de
tela plana na sala de estar. Lanchas com
essas dimensões custam entre R$ 450
mil e R$ 600 mil.
Fonte: O Estado de São Paulo. 6 de maio de 2005,.
Apontar os elementos referenciais
usados nas estratégias de
referenciação propostas por Koch
(2008) e que podem ser encontradas
nesse texto.
a) Introdução/construção:
b) Retomada/manutenção:
c) Desfocalização:
Daí em diante, tudo o mais que guardar relação com
tais referentes estará inevitavelmente associado a ele, o
que pode gerar diferentes processos de retomada
anafórica.
As introduções referenciais podem cumprir funções
outras, como a de construir processos intertextuais.
Quando ela contém introduções referenciais
intertextuais, necessitamos acionar também o nosso
conhecimento sociocultural.
Introdução referencial com intertextualidade implícita (sem fonte)
Introdução referencial com intertextualidade explícita
(com fonte)
Havia um gesso no meio do caminho
Enquanto estava no hospital, todo mundo escreveu no gesso. Deixaram-lhe recadinhos,
desenharam caretas, assinaram com nomes e datas.
Ao tirar o gesso, os médicos deram a má notícia: o osso calcificou torto, e assim a perna
ficará, para sempre, torta.
Seu consolo é que tem muitos amigos, embora eles andem todos, e sempre, uns metros
adiante.
Brasiliense, Leonardo. Adeus conto de fadas (minicontos juvenis). - 3. ed. – Rio de Janeiro: 7Letras, 2013
 Tem criticado o fato de se supor que uma introdução
referencial sirva apenas como um mecanismo para
promover a “aparição” de referentes.
 A introdução referencial também pode orientar
argumentativamente, lançand0 um direcionamento
opinativo.
Processos referenciais - Texto e Ensino
Do grego anapherein e quer dizer “repetir”, “lembrar” ou
“trazer de volta”;
Anáfora – mecanismo linguístico por meio do qual se
aponta ou remete para elementos presentes no texto ou
que são inferíveis a partir deste. Comumente, reserva-se a
denominação de anáfora à remissão para trás.
Ex.: Paulo Saiu. Ele foi ao cinema
Catáfora – à remissão para a frente.
Ex.: Só quero isto: que vocês me entendam.
 Existe mais de um tipo de anáfora;
 consistiria na remissão ao mesmo objeto-de-discurso
já introduzido, ou seja, designaria o mesmo referente;
 Comum: propriedade de continuar uma referência de
modo direto ou indireto.
 As diretas retomam um elemento presente no cotexto.
Um mesmo elemento é destacado de diferentes
formas. O mesmo referente é retomado por expressões
referenciais anafóricas responsáveis pela manutenção
(continuidade) e pela progressão da referência no
texto.
Anáfora
Direta/correferencial
Retoma o mesmo referente já
introduzido no discurso
Indireta/
Não correferenciais
Não retoma o
mesmo referente
 CLASSIFICAÇÕES DAS ANÁFORAS
Anáfora direta: o referente está explicito no texto.
Exemplo: Comprei um CD. Ele é ótimo.
Anáfora indireta: o referente não está explicito no
texto, ele é recuperado por meio do conhecimento
prévio.
Fui caçar, mas eles não saiam da toca. O referente “tatus”
é recuperado pelo verbo “caçar”
Anáfora associativa: ocorre quando é introduzido um
novo referente no texto por meio da relação parte/
todo ou vice-versa.
Exemplo: A árvore ficava no alto da colina. O tronco
estava podre.
Anáfora encapsuladora: retoma uma parte do texto
resumindo-a.
Exemplo: O homem criticava suas atitudes. Isso a
deixava mais nervosa.
Todo processo de compreensão pressupõe,
portanto, atividades do ouvinte/leitor, de modo que
se caracteriza como um processo ativo e contínuo
de construção – e não apenas de reconstrução —,
no qual as unidades de sentido ativas a partir do
texto se conectam a elementos suplementares de
conhecimento extraídos de um modelo global
também ativado em sua memória. Por ocasião da
produção, o locutor já prevê essas inferências, na
medida em que deixa implícitas certas partes do
texto, pressupondo que tais lacunas venham a ser
preenchidas sem dificuldades pelo
interlocutor com base em seus conhecimentos
prévios e nos elementos da própria situação
enunciativa. Por esta razão, dependendo desses
conhecimentos e do contexto, diferentes
interlocutores poderão construir interpretações
diferentes do mesmo texto.
Fui há dias a um cemitério, a um enterro, logo de manhã, num
dia ardente como todos os diabos e suas respectivas habitações. Em
volta de mim ouvia o estribilho geral: que calor! Que sol! É de
rachar passarinho! É de fazer um homem doido!
Íamos em carros! Apeamo-nos à porta do cemitério e
caminhamos um longo pedaço. O sol das onze horas batia de chapa
em todos nós; mas sem tirarmos os chapéus, abríamos os de sol e
seguíamos a suar até o lugar onde devia verificar-se o enterramento.
Naquele lugar esbarramos com seis ou oito homens ocupados em
abrir covas: estavam de cabeça descoberta, a erguer e fazer cair a
enxada. Nós enterramos o morto, voltamos nos carros, c dar às
nossas casas ou repartições. E eles? Lá os achamos, lá os deixamos,
ao sol, de cabeça descoberta, a trabalhar com a enxada. Se o sol nos
fazia mal, que não faria àqueles pobres-diabos, durante todas as
horas quentes do dia?
Identificar as retomadas anafóricas (diretas) presentes no texto e observar as
evoluções das anáforas durante o texto (recategorizações).
 As retomadas anafóricas quando são feitas por
expressões referenciais, podem ser realizadas
por estruturas linguísticas de diversos tipos,
tais como:
 Pronomes substantivos;
 Sintagmas nominais diferentes (seis ou oito
homens = aqueles pobres diabos);
 Sintagmas nominais total ou parcialmente
repetidos (que sol=sol das onze= o sol);
 Sintagmas adverbiais (lá)
• A coesão referencial é realizada por certos
elementos lingüísticos cujo papel na língua é
indicar, assinalar a referência, ou seja, são
dependentes da referência para serem
interpretados. Veja, a seguir, os elementos
lingüísticos que realizam a coesão referencial.
• Outros recursos de coesão: Sinônimos,
hiperônimos, hipônimos, etc.
Nas anáforas há a RECATEGORIZAÇÃO – acréscimo de
informações ao referente.
No texto a recategorização ocorreu em:
 num dia ardente como todos os diabos e suas
respectivas habitações.
 Que sol!
 que calor!
 de rachar passarinho!
 É de fazer um homem doido!
Álvaro de Campos
Apontamento
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. Asneira? Impossível? Sei
lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Natal na barca - Lygia Fagundes Telles
Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei
que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na
embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos
iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.
O velho, um bêbado esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira
palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada
entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher
jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto
de uma figura antiga.
Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. Mas já devíamos estar quase no fim
da viagem e até aquele instante não me ocorrera dizer-lhe qualquer palavra. Nem
combinava mesmo com uma barca tão despojada, tão sem artifícios, a ociosidade
de um diálogo. Estávamos sós. E o melhor ainda era não fazer nada, não dizer
nada, apenas olhar o sulco negro que a embarcação ia fazendo no rio. Debrucei-
me na grade de madeira carcomida. Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro,
silenciosos como mortos num antigo barco de mortos deslizando na escuridão.
Contudo, estávamos vivos. E era Natal.
Aparentemente introduz uma entidade nova, mas na
verdade, remetem ou a outros referentes expressos no
cotexto, ou a pistas cotextuais de qualquer espécie,
com as quais se associam para permitir ao
coenunciador inferir essa entidade.
Anáforas indiretas:
Sua interpretação depende de outros conteúdos
fornecidos pelo contexto, e elas não têm referência
com nenhuma outra entidade já introduzida.
Grandes mudanças
Não sou nenhuma ignorante. Sabia que ia acontecer.
Só não esperava que fosse tão cedo. Nem imaginava
que assim,já na primeira vez a coisa pudesse ser tão
intensa. Agora sou uma mulher, uma mulher de
verdade. Posso engravidar, ser mãe... De uma hora
pra outra deixei de ser menina e tenho que encarar
grandes responsabilidades... Mas, antes de tudo, elo
amor de Deus, um absorvente.
A inferência, por sua vez, entende-se a atividade mental feita pelo
leitor do texto que, a partir de seu conhecimento de mundo, tem
acesso a informações que não estão explícitas no texto, mas que se
“ancoram” em informações deste. A inferência é necessária para a
compreensão da anáfora em geral, e em particular para a
compreensão da “anáfora indireta”.
Processos referenciais - Texto e Ensino
O que se pode inferir da relação
homem-cabelo no texto ao lado?
Há elementos no texto que permitem a
retomada de termos para a construção
do sentido? Quais?
Analisando o texto ao lado, explique
como se dá a construção do humor.
O que se pode inferir a partir da última
frase do texto?
Processos referenciais - Texto e Ensino
Ora, o Senhor não
sabia que o ar não
vale nada?
Claro que
não! E o seu
Madruga?
Também não.
Processos referenciais - Texto e Ensino
Processos referenciais - Texto e Ensino
Processos referenciais - Texto e Ensino
Processos referenciais - Texto e Ensino
A caixa de fósforos escapou-me das mãos e quase resvalou para o. rio.
Agachei-me para apanhá-la. Sentindo então alguns respingos no rosto,
inclinei-me mais até mergulhar as pontas dos dedos na água.
— Tão gelada — estranhei, enxugando a mão.
— Mas de manhã é quente.
Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um
meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros,
extraordinariamente brilhantes. Reparei que suas roupas (pobres roupas
puídas) tinham muito caráter, revestidas de uma certa dignidade.
— De manhã esse rio é quente — insistiu ela, me encarando.
— Quente?
— Quente e verde, tão verde que a primeira vez que lavei nele uma peça de
roupa pensei que a roupa fosse sair esverdeada. É a primeira vez que vem
por estas bandas?
Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas. E respondi com uma
outra pergunta: (o texto não diz q ela perguntou, mas sabemos)
— Mas a senhora mora aqui perto?
— Em Lucena. Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava
que justamente hoje...
A criança agitou-se, choramingando. A mulher apertou-a mais contra o peito. Cobriu-lhe
a cabeça com o xale e pôs-se a niná-la com um brando movimento de cadeira de balanço.
Suas mãos destacavam-se exaltadas sobre o xale preto, mas o rosto era sereno.
— Seu filho?
— É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia ver
um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem mas piorou de repente. Uma febre,
só febre... Mas Deus não vai me abandonar.
— É o caçula?
Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo mas o olhar tinha a expressão
doce.
— É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu no muro, estava brincando
de mágico quando de repente avisou, vou voar! E atirou-se. A queda não foi grande, o
muro não era alto, mas caiu de tal jeito...
Tinha pouco mais de quatro anos.
Joguei o cigarro na direção do rio e o toco bateu na grade, voltou e veio rolando aceso
pelo chão. Alcancei-o com a ponta do sapato e fiquei a esfregá-lo devagar. Era preciso
desviar o assunto para aquele filho que estava ali, doente, embora. Mas vivo.
— E esse? Que idade tem?
— Vai completar um ano. — E, noutro tom, inclinando a cabeça para o ombro: — Era um
menino tão alegre. Tinha verdadeira mania com mágicas. Claro que não saía nada, mas
era muito engraçado... A última mágica que fez foi perfeita, vou voar! disse abrindo os
braços. E voou.
O cara de branco
O sujeito acorda, vê um homem de branco ao lado e
pergunta:
- Correu tudo bem com a cirurgia, doutor?
- Eu não sou doutor, não. Eu sou São Pedro.
SOGRO ESPIRITUOSO
A filha empertigada entra no escritório do pai, com o marido
à tiracolo e indaga sem rodeios:
- Papai! Por que você não coloca meu marido no lugar do
seu sócio que acaba de falecer?
E o pai responde, de pronto:
- Olhe, filha! Corra e converse com o pessoal da funerária!
Por mim, tudo bem!
 Resumir porções cotextuais: parte do cotexto somado a outros
conhecimentos partilhados;
 Parte do cotexto pode ser encapsulada; por vezes até o texto todo;
 É híbrida;
 Bertucci (2006) cita Cavalcante (2003) quando diz que:
os encapsulamentos estão entre as anáforas indiretas e diretas (sem
referente, mas recupera – sem retomar – algo já apontado no co(n)texto.
Nas palavras de Cavalcante (2003):
encapsular consiste em resumir proposições do discurso empacotando-as
numa expressão referencial, que pode ser um sintagma nominal (o quem
tem recebido a denominação de “rótulo” – Francis, 1994), ou pode ser um
pronome, geralmente demonstrativo.
Não me sinto um aliado ali. Me sinto um
inimigo. Essa é não apenas a minha opinião
mas a dos grupos Tortura Nunca Mais do Rio,
São Paulo e Bahia... (Pinaud, J.L.D. FSP, 17 nov. 2004,
Opinião, A2).
 Deixis, etimologicamente, liga-se ao ato de mostrar, de apontar através
da linguagem.
 A deixis designa o conjunto de palavras ou expressões que têm como
funçãoapontar para o contexto situacional, isto é, que assinalam as
marcas da enunciação: o locutor - o sujeito que enuncia, o interlocutor
- o sujeito a quem se dirige, o tempo e o espaço da enunciação.
 Criar um vínculo entre o cotexto (pronomes pessoais e
demonstrativos, formas gramaticais de tempo/lugar e
outras formas linguísticas) com a situação de
comunicação.
 fazer referência à situação de produção dos gêneros
textuais, sejam estes nas modalidades oral ou escrita;
a) Dêiticos pessoais (apontam para os próprios interlocutores na
situação de comunicação)/expressões que se referem às pessoas do ato
comunicativo.
(2) As frases seguintes foram proferidas, realmente, por advogados e
tiradas de registros oficiais de tribunais:
Você tem filhos ou coisa do gênero???
- Vou mostrar-lhe a Prova 3 e peço que reconheça a foto.
- Este sou eu.
- Você estava presente quando esta foto foi tirada? (Piadas da Internet)
b) Dêiticos temporais (pressupõem o tempo em que se dá o ato
comunicativo ou o tempo em que a mensagem é enviada)/ situam os
acontecimentos em relação ao dia, hora, mês, semana, etc.
(3) Apresentada na última sexta-feira pela polícia como uma das autoras do assassinato de
seus pais, ocorrido no mês passado, em São Paulo, Suzane Richthofen, de 19 anos, tem
muito a ensinar sobre a atual geração de jovens de classe média. (Artigo de opinião, de Gilberto
Dimenstein – Folha de São Paulo)
c) Dêiticos espaciais (remetem ao lugar em que se acha o enunciador, ou
pressupõem esse local)/ marcam as noções de proximidade/distância do
locutor. Apontam para um lugar situado e referido com relação a quem
fala.
(4) “Cantadas que não deram certo
Homem: Este lugar está vago?
Mulher: Está, e este aqui onde estou também vai ficar se você se sentar aí.” (Piadas da
Internet)
d) Dêiticos memoriais (indicam que o referente tem acesso fácil na
memória comum dos interlocutores e incentivam o destinatário a buscar
ali a informação de que ele precisa)/conhecimento partilhado.
(5) Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele
papo de ‘experimenta, depois, quando você quiser, é só parar...’ e eu fui na dele.
Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de ‘raiz’, ‘da terra’, que não fazia
mal, e me deu um inofensivo disco do ‘Chitãozinho e Xororó’ e em seguida um do
‘Leandro e Leonardo’. (crônicaDrogas do submundo – autor desconhecido)
e) Dêiticos sociais – relação entre os participantes da comunicação
(escolha dos níveis de linguagem, honorífico, polido, íntimos,
insultantes com maior ou menor formalidade).
[...] O senhor mire e veja. O mais importante e bonito do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas –
mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam. [...]
 f) Dêiticos textuais – o espaço em que o texto se materializa. Feita por
meio do uso de expressões que demarcam e organizam, anafórica e
cataforicamente, o tempo e o espaço do próprio texto (escrito ou oral).
Constroem a dêixis textual expressões como referir antes, a ideia antes
expressa, como se referiu no parágrafo anterior, como se demonstrou acima,
veremos seguidamente...
Processos referenciais - Texto e Ensino
 Concepção de texto: sociocognitivo interacional;
 Cavalcante (2010) O texto= fenômeno multifacetado;
 Análise textual deve considerar também os múltiplos
fatores, cognitivos e discursivos, que entram na sua
constituição e na construção do seu sentido;
 Ampliar as capacidades comunicativas dos alunos por
meio do ensino dos processos de referenciação, seus
conceitos, funções e importância.
Processos referenciais - Texto e Ensino
 ATIVIDADE 01: construção de referentes e função discursiva em texto exclusivamente
verbal.
O porco
Samir Ferreira
Um fazendeiro colecionava cavalos, e só faltava uma determinada raça. Um dia, ele
descobriu que seu vizinho tinha este determinado cavalo. Assim, ele atazanou seu
vizinho até conseguir comprá-lo. Um mês depois, o cavalo adoeceu, e ele chamou o
veterinário, que disse:
– Bem, seu cavalo está com uma virose; é preciso tomar este medicamento durante três
dias. No 3º dia, eu retornarei e, caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.
Neste momento, o porco escutava a conversa.
No dia seguinte, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo
e disse:
– Força, amigo, levanta daí, senão será sacrificado!!!
No segundo dia, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou novamente
e disse:
– Vamos lá, amigão, levanta, senão você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar. Upa!
Um, dois, três...
No terceiro dia, deram o medicamento, e o veterinário disse:
– Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode
contaminar os outros cavalos.
Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:
– Cara, é agora ou nunca! Levanta logo, upa! Coragem! Vamos, vamos! Upa!
Upa! Isso, devagar! Ótimo, vamos, um, dois, três, legal, legal, agora mais
depressa, vai....fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa! Você venceu,
campeão!!!.
Então, de repente, o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:
– Milagre!!! O cavalo melhorou, isso merece uma festa!Vamos matar o porco!
Pontos de Reflexão: Isso acontece com frequência no ambiente de trabalho.
Ninguém percebe qual é o funcionário que realmente tem mérito pelo
sucesso, ou que está dando o suporte para que as coisas aconteçam.
SABER VIVER SEM SER RECONHECIDO É UMA ARTE!
Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional,
lembre-se: amadores construíram a Arca de Noé, e profissionais, o Titanic.
PROCURE SER UMA PESSOA DE VALOR, AO INVÉS DE UMA PESSOA DE
SUCESSO!
(Fonte: FERREIRA, Samir. O porco. Disponível em: <http://leiasamirferreira.blogspot.com/2009/05/licao-
do-porco.html>. Acesso em: 14 fev. 2010.)
a) “O dono da fazenda” e “o cavalo de raça específica”
são dois dos vários referentes presentes no texto.
Qual a expressão referencial utilizada para introduzir
esses referentes no texto?
b) Quais as expressões utilizadas para retomar esses
referentes ao longo do texto?
c) Identifique as expressões referenciais que retomam o
referente “o cavalo de raça específica” e que
apresentam, explicitamente, a avaliação do porco em
relação a esse referente.
ATIVIDADE 02:
Considere o seguinte trecho do romance Vidas Secas de Graciliano
Ramos.
A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe
em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde
manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As
chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a
bebida [...]
Então Fabiano resolveu matá-la [...]
Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados,
que advinhavam desgraça [...]. Ela também tinha o coração pesado, mas
resignava-se: naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e justa.
Pobre Baleia.
Escutou, ouviu o rumor do chumbo que se derramava no cano da arma, as
pancadas surdas da vareta na bucha. Coitadinha da Baleia.
a) Identifique as expressões referenciais empregadas para retomar e
recategorizar o referente “cachorra Baleia”.
Processos referenciais - Texto e Ensino
a) O que podemos inferir a partir da parte não-verbal do texto?
b) O quê não está explícito na imagem, mas que o texto deixa como pistas
para que se possa inferir onde o filho está?
c) Como é a relação entre pai, mãe e filho nessa família?
d) Será que eles têm muito contato uns com os outros?
e) Será que pais passam tempo com o filho e vice-versa?
f) É normal os pais escreverem um e-mail chamando o filho para o
jantar?
g) Será que o filho é mais antenado à tecnologia que os pais?
Processos referenciais - Texto e Ensino
Processos referenciais - Texto e Ensino
Considere a imagem abaixo. Que informações podem ser extraídas para se
chegar à produção de sentido?
Observando a materialidade cotextual, quais
os possíveis sentidos podem ser atribuídos à
parte verbal do texto?
Que relação pode ser estabelecida entre a parte verbal e não verbal do texto?
Que informações do contexto são importantes
para que a interpretação deste texto alcance o
sentido pretendido?
Identifique o elemento categorizado no 1º quadrinho.
Quais as recategorizações que este elemento sofre ao longo do texto?
No 2º quadrinho há a desfocalização do referente anteriormente introduzido.
Qual é o novo referente?
Há retomada desse elemento na continuidade do texto? Qual?
ambigüidade causada por anáforas
Caro leitor,
Sinto muito dizer que o livro que você tem nas mãos é bastante
desagradável. Conta a infeliz história de três crianças muito sem
sorte.Apesar de encantadores e inteligentes, os irmãos Baudelaire
levam uma vida esmagada por aflições e infortúnios. Logo no primeiro
capítulo as crianças estão na praia e recebem uma trágica notícia. A
infelicidade segue seus passos, como se eles fossem ímãs que atraíssem
desgraças.
Neste pequeno volume, os três jovens têm que lidar com um
repulsivo vilão dominado pela cobiça, com roupas que pinicam o
corpo, um incêndio calamitoso, um plano para roubar a fortuna deles e
mingau frio servido como café da manhã.
É meu triste dever pôr no papel essas histórias lamentáveis. Mas
não há nada que o impeça de largar o livro imediatamente e sair para
outra leitura sobre coisas alegres, se é isso que você prefere.
Respeitosamente,
Lemony Snicket
2 - Leia atentamente o texto a seguir:
A descoberta da América pelos europeus, nos fins do século quinze, deu lugar a uma
transplantação da cultura europeia para este continente. Tal empreendimento constituiu,
porém, uma aventura impregnada de duplicidade. Proclamavam os
europeus aqui chegarem para expandir nestas plagas o cristianismo, mas, na realidade,
movia-os o propósito de exploração e fortuna. A história do período colonial é a
história desses dois objetivos a se ajudarem mutuamente na tarefa real e não confessada
de espoliação colonial. [...]
Nascemos, assim, divididos entre propósitos reais e propósitos reclamados. A essa
duplicidade dos conquistadores seguiu-se a duplicidade da própria sociedade nascente,
dividida entre senhores e escravos, dando assim ao contexto social do continente recém-
descoberto o caráter de um anacronismo, mesmo em relação à Europa, na época, em
plena renovação social e religiosa ( Reforma Protestante ).
(Educação no Brasil. São Paulo. Ed. Nacional. 1976)
Observe os elementos sublinhados presentes no texto e, quando à função textual, assinale,
na ordem em que ocorrem, a opção correta:
A - ( ) dêitico, dêitico, anafórico, anafórico, anafórico;
B - ( ) dêitico, anafórico, anafórico, anafórico, dêitico;
C - ( ) anafórico, dêitico, dêitico, anafórico, dêitico;
D - ( ) dêitico, dêitico, dêitico, anafórico, dêitico;
E - ( ) anafórico, dêitico, dêitico, anafórico, anafórico.
COISAS QUE TODO PROFESSOR DE PORTUGUÊS
PRECISA SABER: a teoria na prática
Todo professor já ouviu falar em método de ensino. Mas
será que ele sabe o que é um método? Inevitavelmente,
uma questão extrema é levantada: o que significa saber o
português? Será que todos os brasileiros, alfabetizados ou
não, sabem o português? A resposta a essa questão é
essencial para compreendermos o papel do professor no
ensino fundamental e no ensino médio. É disso que esse
livro trata.
Faça um levantamento das anáforas desse texto, indicando quem são seus
referentes e classificando as anáforas.
 O conhecimento das teorias pode fundamentar nosso
trabalho com textos . Entendê-las é essencial para
poder repassar isso aos estudantes com o propósito
maior de desenvolver neles as habilidades de leitura e
escrita.
 Procurar inserir nas atividades de produção oral e
escrita os processos de referenciação.
 Importantes recursos que norteiam e facilitam a
compreensão.
BERTUCCI, R. A. Anáforas encapsuladoras: uma análise em textos de
opinião. Revista Letras, Curitiba, N. 70, P. 207-221, SET./DEZ. 2006.
Editora UFPR.
CAVALCANTE, M. M. Expressões referenciais – uma proposta
classificatória. Cadernos de estudos lingüísticos, Campinas, v. 44, 2003.
CAVALCANTE, M. M. e FILHO, V. C. Revisitando o estatuto do texto.
Revista do Gelne, v. 12, n. 2, 2010, p. 56-71.
CAVALCANTE, M.M.; FILHO, V.C.; BRITO, M.A.P. Coerência,
refrenciação e ensino. – 1. ed. – São Paulo: Cortez, 2014.
KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e Compreender: os sentidos do texto.
São Paulo: Contexto, 2006.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Anáfora indireta: o barco textual e suas
âncoras. In: KOCH, Ingedore et al. Referenciação e discurso. São Paulo:
Contexto, 2005.
PINHEIRO, Clemilton Lopes. Processos referenciais em textos
multimodais: aplicação ao ensino. Anais do SIELP. Volume 2, Número
1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758

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Processos referenciais - Texto e Ensino

  • 1. Universidade Estadual do Piauí – UESPI Mestrado Profissional em Letras Disciplina: Texto e Ensino Profª. Drª.: Bárbara Melo Iane Portela Ivânia Saila Meirydianne Chrystina Teresina – PI Maio/2015
  • 3. I. Plano de Aula: PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO 28/05/2015 II. Dados de Identificação: Universidade Estadual do Piauí Profª. Drª.: Bárbara Melo Acadêmicos: Iane Portela / Ivânia Saila / Meirydianne Chrystina. Disciplina: Texto e Ensino Curso: Mestrado Profissional em Letras - Profletras III. Tema: - Referenciação e processos referenciais. - conceito fundamental: referência sucinta de base historiográfica que sustenta o tema. IV. Objetivos: conhecer os processos referenciais. Objetivo geral: capacitar o professor no conhecimento dos processos referenciais. Objetivos específicos: Retomar o conteúdo de referenciação; Estudar os processos referenciais: conceitos, classificação e funções; Conhecer, por meio de embasamento teórico, os principais processos de referenciação: introdução referencial, anáforas e dêixis; Utilizar textos diversos para ilustrar os casos de referenciação; Apontar sugestões de trabalho com a temática a ser aplicados em salas de aula da Educação Básica.
  • 4. V. Conteúdo e desenvolvimento do tema: •Referenciação – conceito, importância e retomada de aula; •Introdução ao estudo dos processos referenciais: o que são? Finalidades. •Apresentação dos principais processos referenciais (Cavalcante, 2014); •Introdução referencial; •Atividades propostas; •Estratégias de referenciação – Koch (2008); •Introdução referencial e intertextualidade; •Anáforas – diretas, indiretas e encapsuladoras; •Categorização e recategorização; •Análise dos processos em textos; •Dêiticos: conceitos, classificação e funções; •Aplicabilidade dos processos referenciais no ensino – sugestão de atividades. PLANO DE AULA
  • 5. VII. Recursos didáticos: Cópia dos textos para análise; Projetor; Slides; Textos verbais e não-verbais; Fontes teóricas. VIII. Avaliação: acontecerá de forma teórico-prática. Será executada mediante a participação do estudante na abordagem teórica, bem como seu envolvimento na resolução de atividades propostas. XIX. Bibliografia: BERTUCCI, R. A. Anáforas encapsuladoras: uma análise em textos de opinião. Revista Letras, Curitiba, N. 70, P. 207-221, SET./DEZ. 2006. Editora UFPR. CAVALCANTE, M. M. Expressões referenciais – uma proposta classificatória. Cadernos de estudos lingüísticos, Campinas, v. 44, 2003. CAVALCANTE, M. M. e FILHO, V. C. Revisitando o estatuto do texto. Revista do Gelne, v. 12, n. 2, 2010, p. 56-71. CAVALCANTE, M.M.; FILHO, V.C.; BRITO, M.A.P. Coerência, refrenciação e ensino. – 1. ed. – São Paulo: Cortez, 2014. KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e Compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. PINHEIRO, Clemilton Lopes. Processos referenciais em textos multimodais: aplicação ao ensino. Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758
  • 6. REFERENCIAÇÃO  usamos de forma intuitiva;  processo pelo qual se constroem referentes e que representam uma certa realidade;  Referência é a propriedade que tem a linguagem de remeter à realidade;  Referenciação – são as diversas formas de introdução, no texto, a novas entidades ou referentes.  REFERENCIAÇÃO = processo de construção dos referentes no texto.
  • 7.  Estratégias de referenciação pelos quais formulamos os referentes no texto que produzimos;  Estratégias pelas quais interpretamos os referentes produzidos nos textos dos outros.  Cavalcante, Pinheiro, Lins e Lima (2010, p. 233-4): Referenciação: “o processo pelo qual, no entorno sociocognitivo-discursivo e interacional, os referentes se (re)constroem. Trata-se, portanto, de um ponto de vista cognitivo-discursivo, e é por isso que se diz que a referenciação é um processo em permanente elaboração, que, embora opere cognitivamente, é indiciado por pistas linguísticas e completado por inferências várias”.
  • 8.  MARCUSCHI (2002) Os referentes modificam-se ao longo do texto. Para manter o controle sobre o que foi dito a respeito deles, usamos constantemente termos/expressões que retomam outros termos/expressões do próprio texto, constituindo, assim, cadeias referenciais. É nesse processo que dois indivíduos, ao interagirem lingüisticamente, chegam a saber do que estão falando e como estão construindo seus referentes A referenciação constitui, assim, uma atividade discursiva. O sujeito, na interação, opera sobre o material lingüístico que tem à sua disposição, operando escolhas significativas para representar estados de coisas, com vistas à concretização do seu projeto de dizer
  • 9.  KOCH (2004) a referenciação como uma atividade discursiva, como um processo realizado negociadamente no discurso e que resulta na construção de referentes ou objetos de discurso.  concepção de referência como, através da língua, referimo-nos às coisas.  KOCH (2002, p. 106) A função das expressões referenciais não é apenas referir. Pelo contrário, como multifuncionais que são, elas contribuem para elaborar o sentido, indicando pontos de vista, assinalando direções argumentativas, sinalizando dificuldades de acesso ao referente e recategorizando os objetos presentes na memória discursiva.
  • 10.  Cavalcante (2011, p. 59): “os elos referenciais vão entrelaçando-se nas representações mentais que os falantes vão elaborando no universo do discurso, compondo verdadeiras cadeias anafóricas”. Essa coesão não se estabelece apenas pelo que está explícito no cotexto, mas também pelo “que se encontra implícito na memória discursiva e que se descobre por inferência”. • IMPORTANTE: entorno discursivo, pois outras marcas lingüísticas e situacionais, que não apenas as chamadas expressões referenciais, contribuem de maneira específica para o processo de categorização (introdução do elemento no discurso) e, de maneira mais geral, para o processo de referenciação.
  • 11. MONDADA; DUBOIS (2003) – a referenciação é uma atividade discursiva de (re)elaboração de referentes. A existência dessa constante reelaboração é que coloca o ato de referir num processo de instabilidade constitutiva das categorias/entidades da língua e do mundo CAVALCANTE (2012): o processo de construção dos objetos de discurso implica que, no fundo, o papel da linguagem não é o de promulgar firmemente uma realidade pronta e delimitada, porém, o de construir uma versão de eventos ocorridos, experimentados
  • 12.  é preciso comutar a palavra referência pela palavra referenciação, uma vez que o processo de referenciar é configurado como uma atividade da língua produzida, em determinado momento histórico e social, por sujeitos em interação.  Instabilidades: na interação, os sujeitos criam mundos textuais em que os objetos não refletem de modo fiel o “mundo real”, pois esses objetos são organizados por meio das práticas sociais, tornando-se assim, objetos-de-discurso.
  • 13.  Abordam a referenciação em duas linhas:  Categorização: os mecanismos cognitivos atribuem estabilidade ao mundo;  Uma visão linguística discursiva e interacionista - analisa os processos de referenciação no sentido de constituição dos objetos-de-discurso e de intermediação dos padrões sociais.  Consideram a referência como um sistema pronto e preexistente, e a referenciação como um sistema que é construído.
  • 14. Denominam-se estratégias de referenciação, e, mais recentemente estratégias de progressão referencial, os procedimentos responsáveis por introduzir e manter a referência em determinado texto, seja ele oral ou escrito. Marcuschi, (2005, p. 54), “originalmente, o termo “aná- fora”, na retórica clássica, indicava a repetição de uma expressão ou de um sintagma no início de uma frase”
  • 15. Quando não tinha nada, eu quis Quando tudo era ausência, esperei Quando tive frio, tremi Quando tive coragem, liguei (À Primeira Vista – Chico César) Ele não desiste de você Ele se importa com você Ele compreende o seu caminhar Nunca vi amor tão grande assim. (Marquinhos Gomes)
  • 16. [...] hoje, na acepção técnica, [o conceito de anáfora] anda longe da noção original. [Este] termo é usado para designar expressões, que, no texto, se reportam a outras expressões, enunciados, conteúdos ou contextos textuais (retomando-os ou não), contribuindo, assim, para a continuidade tópica e referencial. Marcuschi (2005, p:55)
  • 17. Segundo Cavalcante (2011): termo-âncora 1. Não se atrela a nenhum elemento formalmente dado no cotexto. 2. Introduz formalmente um novo referente no discurso. 1. Está relacionado a elementos formalmente dados no cotexto. 2. Promove a continuidade referencial (não ocorre necessariamente através do mesmo referente) Introdução referencial Anáforas
  • 18.  Colaborar para a construção da coerência/coesão textual e discursiva.  Cavalcante, Filho e Brito (2014: p. 53) Processos referenciais Introdução referencial Anáfora Dêixis
  • 19.  Âncora das anáforas;  Estreia do termo no texto;  Ocorre por meio do emprego de uma expressão referencial ainda não mencionada anteriormente;  Vai ancorar e gerar outros processos de retomadas anafóricas. Falaremos de introdução referencial apenas quando um objeto for novo no cotexto e não tiver sido engatilhado por nenhuma entidade, atributo ou evento expresso no texto.
  • 20. Uma introdução referencial é instaurada somente quando, durante o processo de compreensão, um referente (ainda não manifestado por uma expressão referencial) é construído pela primeira vez na mente do coenunciador do texto/discurso. Esse referente pode (ou não) ser retomado anaforicamente ao longo do texto. Koch e Marcuschi (1998) falam de categorização e recategorização. Categorização: um elemento seria introduzido no discurso; Recategorização: um elemento já referido seria reformulado, sendo o seu significado alterado de algum modo.
  • 21. O Ibama anunciou ontem a descoberta de uma nova ave, o bicudinho-do-brejo-paulista. O Stymphalornissp.nov (a terminação indica que o animal não recebeu a denominação definitiva da espécie) foi encontrado pelo professor Luís Fábio Silveira, do Departamento de Zoologia da USP, em áreas de brejo nos municípios de Paraitinga e Biritiba-Mirim, na Grande São Paulo, em fevereiro. O pássaro tem pouco mais de 10 centímetros de comprimento, capacidade pequena de voo e penugem escura. Identificar o termo que faz a introdução referencial. ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________ Nesse texto, é possível falar que a introdução referencial é âncora para outros elementos? Se sim, cite quais. Justifique. ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________ ________________________________
  • 22. PAI, Este retrato é mais e mais que a pedra branca, mais que a data sempre. E mais que um nome que um eco nunca mais. É o que salta seu e o assalto de não ser. Sou eu Riscada em molde. O que condenei que cresceu em mim. É vivo fitá-lo assim remendado do que foi. É querer fincá-lo doce, envolvido, e não sofrer. É a certeza má de que este retrato é mais e será mais do que você. Você, que o tempo sobre o tempo, impenetrado, levará de mim. Fonte: Mônica Magalhães Cavalcante, poema inédito. No poema, pode-se perceber a presença de introdução referencial. Aponte-a. ___________________________ ___________________________ ___________________________ ___________________________
  • 23.  Afirma que na construção dos referentes textuais estão envolvidas as seguintes estratégias de referenciação: 1. Introdução (construção): um objeto, até então não mencionado é introduzido no texto, de modo que a expressão linguística que o representa é posta em foco, ficando esse objeto saliente no modelo textual. Ex: uma nova ave (exemplo 1). 2. Retomada (manutenção) – um objeto já presente no texto é reativado por meio de uma forma referencial, de modo que o objeto- de-discurso permaneça em foco como acontece com as expressões o bicudinho-do-brejo-paulista; O Stymphalornissp.nov; o animal; O pássaro (exemplo 1) 3. Desfocalização: quando um novo objeto de discurso é introduzido passando a ocupar a posição focal. O objeto retirado de foco, contudo, permanece em stand by, ou seja, ele continua disponível para utilização sempre que necessário.
  • 24. Porto Ana Maria Braga vai se desfazer de dois de seus três barcos. A apresentadora está procurando comprador para as lanchas Ambar I, de 47 pés, e Ambar II, de 52 pés. Ela pretende ficar apenas com Shambhala, o trawler de 85 pés que inclui até TV de tela plana na sala de estar. Lanchas com essas dimensões custam entre R$ 450 mil e R$ 600 mil. Fonte: O Estado de São Paulo. 6 de maio de 2005,. Apontar os elementos referenciais usados nas estratégias de referenciação propostas por Koch (2008) e que podem ser encontradas nesse texto. a) Introdução/construção: b) Retomada/manutenção: c) Desfocalização:
  • 25. Daí em diante, tudo o mais que guardar relação com tais referentes estará inevitavelmente associado a ele, o que pode gerar diferentes processos de retomada anafórica.
  • 26. As introduções referenciais podem cumprir funções outras, como a de construir processos intertextuais. Quando ela contém introduções referenciais intertextuais, necessitamos acionar também o nosso conhecimento sociocultural.
  • 27. Introdução referencial com intertextualidade implícita (sem fonte)
  • 28. Introdução referencial com intertextualidade explícita (com fonte)
  • 29. Havia um gesso no meio do caminho Enquanto estava no hospital, todo mundo escreveu no gesso. Deixaram-lhe recadinhos, desenharam caretas, assinaram com nomes e datas. Ao tirar o gesso, os médicos deram a má notícia: o osso calcificou torto, e assim a perna ficará, para sempre, torta. Seu consolo é que tem muitos amigos, embora eles andem todos, e sempre, uns metros adiante. Brasiliense, Leonardo. Adeus conto de fadas (minicontos juvenis). - 3. ed. – Rio de Janeiro: 7Letras, 2013
  • 30.  Tem criticado o fato de se supor que uma introdução referencial sirva apenas como um mecanismo para promover a “aparição” de referentes.  A introdução referencial também pode orientar argumentativamente, lançand0 um direcionamento opinativo.
  • 32. Do grego anapherein e quer dizer “repetir”, “lembrar” ou “trazer de volta”; Anáfora – mecanismo linguístico por meio do qual se aponta ou remete para elementos presentes no texto ou que são inferíveis a partir deste. Comumente, reserva-se a denominação de anáfora à remissão para trás. Ex.: Paulo Saiu. Ele foi ao cinema Catáfora – à remissão para a frente. Ex.: Só quero isto: que vocês me entendam.
  • 33.  Existe mais de um tipo de anáfora;  consistiria na remissão ao mesmo objeto-de-discurso já introduzido, ou seja, designaria o mesmo referente;  Comum: propriedade de continuar uma referência de modo direto ou indireto.  As diretas retomam um elemento presente no cotexto. Um mesmo elemento é destacado de diferentes formas. O mesmo referente é retomado por expressões referenciais anafóricas responsáveis pela manutenção (continuidade) e pela progressão da referência no texto.
  • 34. Anáfora Direta/correferencial Retoma o mesmo referente já introduzido no discurso Indireta/ Não correferenciais Não retoma o mesmo referente
  • 35.  CLASSIFICAÇÕES DAS ANÁFORAS Anáfora direta: o referente está explicito no texto. Exemplo: Comprei um CD. Ele é ótimo. Anáfora indireta: o referente não está explicito no texto, ele é recuperado por meio do conhecimento prévio. Fui caçar, mas eles não saiam da toca. O referente “tatus” é recuperado pelo verbo “caçar”
  • 36. Anáfora associativa: ocorre quando é introduzido um novo referente no texto por meio da relação parte/ todo ou vice-versa. Exemplo: A árvore ficava no alto da colina. O tronco estava podre. Anáfora encapsuladora: retoma uma parte do texto resumindo-a. Exemplo: O homem criticava suas atitudes. Isso a deixava mais nervosa.
  • 37. Todo processo de compreensão pressupõe, portanto, atividades do ouvinte/leitor, de modo que se caracteriza como um processo ativo e contínuo de construção – e não apenas de reconstrução —, no qual as unidades de sentido ativas a partir do texto se conectam a elementos suplementares de conhecimento extraídos de um modelo global também ativado em sua memória. Por ocasião da produção, o locutor já prevê essas inferências, na medida em que deixa implícitas certas partes do texto, pressupondo que tais lacunas venham a ser preenchidas sem dificuldades pelo interlocutor com base em seus conhecimentos prévios e nos elementos da própria situação enunciativa. Por esta razão, dependendo desses conhecimentos e do contexto, diferentes interlocutores poderão construir interpretações diferentes do mesmo texto.
  • 38. Fui há dias a um cemitério, a um enterro, logo de manhã, num dia ardente como todos os diabos e suas respectivas habitações. Em volta de mim ouvia o estribilho geral: que calor! Que sol! É de rachar passarinho! É de fazer um homem doido! Íamos em carros! Apeamo-nos à porta do cemitério e caminhamos um longo pedaço. O sol das onze horas batia de chapa em todos nós; mas sem tirarmos os chapéus, abríamos os de sol e seguíamos a suar até o lugar onde devia verificar-se o enterramento. Naquele lugar esbarramos com seis ou oito homens ocupados em abrir covas: estavam de cabeça descoberta, a erguer e fazer cair a enxada. Nós enterramos o morto, voltamos nos carros, c dar às nossas casas ou repartições. E eles? Lá os achamos, lá os deixamos, ao sol, de cabeça descoberta, a trabalhar com a enxada. Se o sol nos fazia mal, que não faria àqueles pobres-diabos, durante todas as horas quentes do dia? Identificar as retomadas anafóricas (diretas) presentes no texto e observar as evoluções das anáforas durante o texto (recategorizações).
  • 39.  As retomadas anafóricas quando são feitas por expressões referenciais, podem ser realizadas por estruturas linguísticas de diversos tipos, tais como:  Pronomes substantivos;  Sintagmas nominais diferentes (seis ou oito homens = aqueles pobres diabos);  Sintagmas nominais total ou parcialmente repetidos (que sol=sol das onze= o sol);  Sintagmas adverbiais (lá)
  • 40. • A coesão referencial é realizada por certos elementos lingüísticos cujo papel na língua é indicar, assinalar a referência, ou seja, são dependentes da referência para serem interpretados. Veja, a seguir, os elementos lingüísticos que realizam a coesão referencial. • Outros recursos de coesão: Sinônimos, hiperônimos, hipônimos, etc.
  • 41. Nas anáforas há a RECATEGORIZAÇÃO – acréscimo de informações ao referente. No texto a recategorização ocorreu em:  num dia ardente como todos os diabos e suas respectivas habitações.  Que sol!  que calor!  de rachar passarinho!  É de fazer um homem doido!
  • 42. Álvaro de Campos Apontamento A minha alma partiu-se como um vaso vazio. Caiu pela escada excessivamente abaixo. Caiu das mãos da criada descuidada. Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. Asneira? Impossível? Sei lá! Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu. Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir. Fiz barulho na queda como um vaso que se partia. Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada. E fitam os cacos que a criada deles fez de mim. Não se zanguem com ela. São tolerantes com ela. O que era eu um vaso vazio? Olham os cacos absurdamente conscientes, Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles. Olham e sorriem. Sorriem tolerantes à criada involuntária. Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas. Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros. A minha obra? A minha alma principal? A minha vida? Um caco. E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
  • 43. Natal na barca - Lygia Fagundes Telles Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu. O velho, um bêbado esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de uma figura antiga. Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. Mas já devíamos estar quase no fim da viagem e até aquele instante não me ocorrera dizer-lhe qualquer palavra. Nem combinava mesmo com uma barca tão despojada, tão sem artifícios, a ociosidade de um diálogo. Estávamos sós. E o melhor ainda era não fazer nada, não dizer nada, apenas olhar o sulco negro que a embarcação ia fazendo no rio. Debrucei- me na grade de madeira carcomida. Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro, silenciosos como mortos num antigo barco de mortos deslizando na escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal.
  • 44. Aparentemente introduz uma entidade nova, mas na verdade, remetem ou a outros referentes expressos no cotexto, ou a pistas cotextuais de qualquer espécie, com as quais se associam para permitir ao coenunciador inferir essa entidade. Anáforas indiretas: Sua interpretação depende de outros conteúdos fornecidos pelo contexto, e elas não têm referência com nenhuma outra entidade já introduzida.
  • 45. Grandes mudanças Não sou nenhuma ignorante. Sabia que ia acontecer. Só não esperava que fosse tão cedo. Nem imaginava que assim,já na primeira vez a coisa pudesse ser tão intensa. Agora sou uma mulher, uma mulher de verdade. Posso engravidar, ser mãe... De uma hora pra outra deixei de ser menina e tenho que encarar grandes responsabilidades... Mas, antes de tudo, elo amor de Deus, um absorvente. A inferência, por sua vez, entende-se a atividade mental feita pelo leitor do texto que, a partir de seu conhecimento de mundo, tem acesso a informações que não estão explícitas no texto, mas que se “ancoram” em informações deste. A inferência é necessária para a compreensão da anáfora em geral, e em particular para a compreensão da “anáfora indireta”.
  • 47. O que se pode inferir da relação homem-cabelo no texto ao lado? Há elementos no texto que permitem a retomada de termos para a construção do sentido? Quais?
  • 48. Analisando o texto ao lado, explique como se dá a construção do humor. O que se pode inferir a partir da última frase do texto?
  • 50. Ora, o Senhor não sabia que o ar não vale nada? Claro que não! E o seu Madruga? Também não.
  • 55. A caixa de fósforos escapou-me das mãos e quase resvalou para o. rio. Agachei-me para apanhá-la. Sentindo então alguns respingos no rosto, inclinei-me mais até mergulhar as pontas dos dedos na água. — Tão gelada — estranhei, enxugando a mão. — Mas de manhã é quente. Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros, extraordinariamente brilhantes. Reparei que suas roupas (pobres roupas puídas) tinham muito caráter, revestidas de uma certa dignidade. — De manhã esse rio é quente — insistiu ela, me encarando. — Quente? — Quente e verde, tão verde que a primeira vez que lavei nele uma peça de roupa pensei que a roupa fosse sair esverdeada. É a primeira vez que vem por estas bandas? Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas. E respondi com uma outra pergunta: (o texto não diz q ela perguntou, mas sabemos) — Mas a senhora mora aqui perto? — Em Lucena. Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava que justamente hoje...
  • 56. A criança agitou-se, choramingando. A mulher apertou-a mais contra o peito. Cobriu-lhe a cabeça com o xale e pôs-se a niná-la com um brando movimento de cadeira de balanço. Suas mãos destacavam-se exaltadas sobre o xale preto, mas o rosto era sereno. — Seu filho? — É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia ver um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem mas piorou de repente. Uma febre, só febre... Mas Deus não vai me abandonar. — É o caçula? Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo mas o olhar tinha a expressão doce. — É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu no muro, estava brincando de mágico quando de repente avisou, vou voar! E atirou-se. A queda não foi grande, o muro não era alto, mas caiu de tal jeito... Tinha pouco mais de quatro anos. Joguei o cigarro na direção do rio e o toco bateu na grade, voltou e veio rolando aceso pelo chão. Alcancei-o com a ponta do sapato e fiquei a esfregá-lo devagar. Era preciso desviar o assunto para aquele filho que estava ali, doente, embora. Mas vivo. — E esse? Que idade tem? — Vai completar um ano. — E, noutro tom, inclinando a cabeça para o ombro: — Era um menino tão alegre. Tinha verdadeira mania com mágicas. Claro que não saía nada, mas era muito engraçado... A última mágica que fez foi perfeita, vou voar! disse abrindo os braços. E voou.
  • 57. O cara de branco O sujeito acorda, vê um homem de branco ao lado e pergunta: - Correu tudo bem com a cirurgia, doutor? - Eu não sou doutor, não. Eu sou São Pedro. SOGRO ESPIRITUOSO A filha empertigada entra no escritório do pai, com o marido à tiracolo e indaga sem rodeios: - Papai! Por que você não coloca meu marido no lugar do seu sócio que acaba de falecer? E o pai responde, de pronto: - Olhe, filha! Corra e converse com o pessoal da funerária! Por mim, tudo bem!
  • 58.  Resumir porções cotextuais: parte do cotexto somado a outros conhecimentos partilhados;  Parte do cotexto pode ser encapsulada; por vezes até o texto todo;  É híbrida;  Bertucci (2006) cita Cavalcante (2003) quando diz que: os encapsulamentos estão entre as anáforas indiretas e diretas (sem referente, mas recupera – sem retomar – algo já apontado no co(n)texto. Nas palavras de Cavalcante (2003): encapsular consiste em resumir proposições do discurso empacotando-as numa expressão referencial, que pode ser um sintagma nominal (o quem tem recebido a denominação de “rótulo” – Francis, 1994), ou pode ser um pronome, geralmente demonstrativo. Não me sinto um aliado ali. Me sinto um inimigo. Essa é não apenas a minha opinião mas a dos grupos Tortura Nunca Mais do Rio, São Paulo e Bahia... (Pinaud, J.L.D. FSP, 17 nov. 2004, Opinião, A2).
  • 59.  Deixis, etimologicamente, liga-se ao ato de mostrar, de apontar através da linguagem.  A deixis designa o conjunto de palavras ou expressões que têm como funçãoapontar para o contexto situacional, isto é, que assinalam as marcas da enunciação: o locutor - o sujeito que enuncia, o interlocutor - o sujeito a quem se dirige, o tempo e o espaço da enunciação.
  • 60.  Criar um vínculo entre o cotexto (pronomes pessoais e demonstrativos, formas gramaticais de tempo/lugar e outras formas linguísticas) com a situação de comunicação.  fazer referência à situação de produção dos gêneros textuais, sejam estes nas modalidades oral ou escrita;
  • 61. a) Dêiticos pessoais (apontam para os próprios interlocutores na situação de comunicação)/expressões que se referem às pessoas do ato comunicativo. (2) As frases seguintes foram proferidas, realmente, por advogados e tiradas de registros oficiais de tribunais: Você tem filhos ou coisa do gênero??? - Vou mostrar-lhe a Prova 3 e peço que reconheça a foto. - Este sou eu. - Você estava presente quando esta foto foi tirada? (Piadas da Internet) b) Dêiticos temporais (pressupõem o tempo em que se dá o ato comunicativo ou o tempo em que a mensagem é enviada)/ situam os acontecimentos em relação ao dia, hora, mês, semana, etc. (3) Apresentada na última sexta-feira pela polícia como uma das autoras do assassinato de seus pais, ocorrido no mês passado, em São Paulo, Suzane Richthofen, de 19 anos, tem muito a ensinar sobre a atual geração de jovens de classe média. (Artigo de opinião, de Gilberto Dimenstein – Folha de São Paulo)
  • 62. c) Dêiticos espaciais (remetem ao lugar em que se acha o enunciador, ou pressupõem esse local)/ marcam as noções de proximidade/distância do locutor. Apontam para um lugar situado e referido com relação a quem fala. (4) “Cantadas que não deram certo Homem: Este lugar está vago? Mulher: Está, e este aqui onde estou também vai ficar se você se sentar aí.” (Piadas da Internet) d) Dêiticos memoriais (indicam que o referente tem acesso fácil na memória comum dos interlocutores e incentivam o destinatário a buscar ali a informação de que ele precisa)/conhecimento partilhado. (5) Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de ‘experimenta, depois, quando você quiser, é só parar...’ e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de ‘raiz’, ‘da terra’, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do ‘Chitãozinho e Xororó’ e em seguida um do ‘Leandro e Leonardo’. (crônicaDrogas do submundo – autor desconhecido)
  • 63. e) Dêiticos sociais – relação entre os participantes da comunicação (escolha dos níveis de linguagem, honorífico, polido, íntimos, insultantes com maior ou menor formalidade). [...] O senhor mire e veja. O mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam. [...]  f) Dêiticos textuais – o espaço em que o texto se materializa. Feita por meio do uso de expressões que demarcam e organizam, anafórica e cataforicamente, o tempo e o espaço do próprio texto (escrito ou oral). Constroem a dêixis textual expressões como referir antes, a ideia antes expressa, como se referiu no parágrafo anterior, como se demonstrou acima, veremos seguidamente...
  • 65.  Concepção de texto: sociocognitivo interacional;  Cavalcante (2010) O texto= fenômeno multifacetado;  Análise textual deve considerar também os múltiplos fatores, cognitivos e discursivos, que entram na sua constituição e na construção do seu sentido;  Ampliar as capacidades comunicativas dos alunos por meio do ensino dos processos de referenciação, seus conceitos, funções e importância.
  • 67.  ATIVIDADE 01: construção de referentes e função discursiva em texto exclusivamente verbal. O porco Samir Ferreira Um fazendeiro colecionava cavalos, e só faltava uma determinada raça. Um dia, ele descobriu que seu vizinho tinha este determinado cavalo. Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo. Um mês depois, o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário, que disse: – Bem, seu cavalo está com uma virose; é preciso tomar este medicamento durante três dias. No 3º dia, eu retornarei e, caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo. Neste momento, o porco escutava a conversa. No dia seguinte, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse: – Força, amigo, levanta daí, senão será sacrificado!!! No segundo dia, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou novamente e disse: – Vamos lá, amigão, levanta, senão você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar. Upa! Um, dois, três... No terceiro dia, deram o medicamento, e o veterinário disse:
  • 68. – Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos. Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse: – Cara, é agora ou nunca! Levanta logo, upa! Coragem! Vamos, vamos! Upa! Upa! Isso, devagar! Ótimo, vamos, um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa, vai....fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa! Você venceu, campeão!!!. Então, de repente, o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou: – Milagre!!! O cavalo melhorou, isso merece uma festa!Vamos matar o porco! Pontos de Reflexão: Isso acontece com frequência no ambiente de trabalho. Ninguém percebe qual é o funcionário que realmente tem mérito pelo sucesso, ou que está dando o suporte para que as coisas aconteçam. SABER VIVER SEM SER RECONHECIDO É UMA ARTE! Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se: amadores construíram a Arca de Noé, e profissionais, o Titanic. PROCURE SER UMA PESSOA DE VALOR, AO INVÉS DE UMA PESSOA DE SUCESSO! (Fonte: FERREIRA, Samir. O porco. Disponível em: <http://leiasamirferreira.blogspot.com/2009/05/licao- do-porco.html>. Acesso em: 14 fev. 2010.)
  • 69. a) “O dono da fazenda” e “o cavalo de raça específica” são dois dos vários referentes presentes no texto. Qual a expressão referencial utilizada para introduzir esses referentes no texto? b) Quais as expressões utilizadas para retomar esses referentes ao longo do texto? c) Identifique as expressões referenciais que retomam o referente “o cavalo de raça específica” e que apresentam, explicitamente, a avaliação do porco em relação a esse referente.
  • 70. ATIVIDADE 02: Considere o seguinte trecho do romance Vidas Secas de Graciliano Ramos. A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida [...] Então Fabiano resolveu matá-la [...] Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que advinhavam desgraça [...]. Ela também tinha o coração pesado, mas resignava-se: naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e justa. Pobre Baleia. Escutou, ouviu o rumor do chumbo que se derramava no cano da arma, as pancadas surdas da vareta na bucha. Coitadinha da Baleia. a) Identifique as expressões referenciais empregadas para retomar e recategorizar o referente “cachorra Baleia”.
  • 72. a) O que podemos inferir a partir da parte não-verbal do texto? b) O quê não está explícito na imagem, mas que o texto deixa como pistas para que se possa inferir onde o filho está? c) Como é a relação entre pai, mãe e filho nessa família? d) Será que eles têm muito contato uns com os outros? e) Será que pais passam tempo com o filho e vice-versa? f) É normal os pais escreverem um e-mail chamando o filho para o jantar? g) Será que o filho é mais antenado à tecnologia que os pais?
  • 75. Considere a imagem abaixo. Que informações podem ser extraídas para se chegar à produção de sentido? Observando a materialidade cotextual, quais os possíveis sentidos podem ser atribuídos à parte verbal do texto? Que relação pode ser estabelecida entre a parte verbal e não verbal do texto? Que informações do contexto são importantes para que a interpretação deste texto alcance o sentido pretendido?
  • 76. Identifique o elemento categorizado no 1º quadrinho. Quais as recategorizações que este elemento sofre ao longo do texto? No 2º quadrinho há a desfocalização do referente anteriormente introduzido. Qual é o novo referente? Há retomada desse elemento na continuidade do texto? Qual? ambigüidade causada por anáforas
  • 77. Caro leitor, Sinto muito dizer que o livro que você tem nas mãos é bastante desagradável. Conta a infeliz história de três crianças muito sem sorte.Apesar de encantadores e inteligentes, os irmãos Baudelaire levam uma vida esmagada por aflições e infortúnios. Logo no primeiro capítulo as crianças estão na praia e recebem uma trágica notícia. A infelicidade segue seus passos, como se eles fossem ímãs que atraíssem desgraças. Neste pequeno volume, os três jovens têm que lidar com um repulsivo vilão dominado pela cobiça, com roupas que pinicam o corpo, um incêndio calamitoso, um plano para roubar a fortuna deles e mingau frio servido como café da manhã. É meu triste dever pôr no papel essas histórias lamentáveis. Mas não há nada que o impeça de largar o livro imediatamente e sair para outra leitura sobre coisas alegres, se é isso que você prefere. Respeitosamente, Lemony Snicket
  • 78. 2 - Leia atentamente o texto a seguir: A descoberta da América pelos europeus, nos fins do século quinze, deu lugar a uma transplantação da cultura europeia para este continente. Tal empreendimento constituiu, porém, uma aventura impregnada de duplicidade. Proclamavam os europeus aqui chegarem para expandir nestas plagas o cristianismo, mas, na realidade, movia-os o propósito de exploração e fortuna. A história do período colonial é a história desses dois objetivos a se ajudarem mutuamente na tarefa real e não confessada de espoliação colonial. [...] Nascemos, assim, divididos entre propósitos reais e propósitos reclamados. A essa duplicidade dos conquistadores seguiu-se a duplicidade da própria sociedade nascente, dividida entre senhores e escravos, dando assim ao contexto social do continente recém- descoberto o caráter de um anacronismo, mesmo em relação à Europa, na época, em plena renovação social e religiosa ( Reforma Protestante ). (Educação no Brasil. São Paulo. Ed. Nacional. 1976) Observe os elementos sublinhados presentes no texto e, quando à função textual, assinale, na ordem em que ocorrem, a opção correta: A - ( ) dêitico, dêitico, anafórico, anafórico, anafórico; B - ( ) dêitico, anafórico, anafórico, anafórico, dêitico; C - ( ) anafórico, dêitico, dêitico, anafórico, dêitico; D - ( ) dêitico, dêitico, dêitico, anafórico, dêitico; E - ( ) anafórico, dêitico, dêitico, anafórico, anafórico.
  • 79. COISAS QUE TODO PROFESSOR DE PORTUGUÊS PRECISA SABER: a teoria na prática Todo professor já ouviu falar em método de ensino. Mas será que ele sabe o que é um método? Inevitavelmente, uma questão extrema é levantada: o que significa saber o português? Será que todos os brasileiros, alfabetizados ou não, sabem o português? A resposta a essa questão é essencial para compreendermos o papel do professor no ensino fundamental e no ensino médio. É disso que esse livro trata. Faça um levantamento das anáforas desse texto, indicando quem são seus referentes e classificando as anáforas.
  • 80.  O conhecimento das teorias pode fundamentar nosso trabalho com textos . Entendê-las é essencial para poder repassar isso aos estudantes com o propósito maior de desenvolver neles as habilidades de leitura e escrita.  Procurar inserir nas atividades de produção oral e escrita os processos de referenciação.  Importantes recursos que norteiam e facilitam a compreensão.
  • 81. BERTUCCI, R. A. Anáforas encapsuladoras: uma análise em textos de opinião. Revista Letras, Curitiba, N. 70, P. 207-221, SET./DEZ. 2006. Editora UFPR. CAVALCANTE, M. M. Expressões referenciais – uma proposta classificatória. Cadernos de estudos lingüísticos, Campinas, v. 44, 2003. CAVALCANTE, M. M. e FILHO, V. C. Revisitando o estatuto do texto. Revista do Gelne, v. 12, n. 2, 2010, p. 56-71. CAVALCANTE, M.M.; FILHO, V.C.; BRITO, M.A.P. Coerência, refrenciação e ensino. – 1. ed. – São Paulo: Cortez, 2014. KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e Compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. MARCUSCHI, Luiz Antônio. Anáfora indireta: o barco textual e suas âncoras. In: KOCH, Ingedore et al. Referenciação e discurso. São Paulo: Contexto, 2005. PINHEIRO, Clemilton Lopes. Processos referenciais em textos multimodais: aplicação ao ensino. Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758