A literatura do século xix

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A literatura do século xix

  1. 1. A LITERATURA DO SÉCULO XIX PROSA E POESIA<br />DO ROMANTISMO AO SIMBOLISMO <br />
  2. 2. ROMANTISMO<br />O Romantismo é um movimento de expressão burguesa<br />
  3. 3. CONTEXTO SOCIOPOLÍTICO<br /><ul><li>ASCENSÃO DA BURGUESIA MATERIALISTA.
  4. 4. DESENVOLVIMENTO DO CAPITALISMO.
  5. 5. DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL.
  6. 6. CRESCIMENTO DAS ZONAS URBANAS.
  7. 7. IDEAIS DA REVOLUÇÃO FRANCESA.
  8. 8. SENTIMENTO NACIONALISTA.
  9. 9. INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS. </li></li></ul><li>O CONFLITO ROMÂNTICO<br />MATERIALISMO BURGUÊS CAPITALISTA<br />VALORES EXISTÊNCIAS E ESPIRITUAIS.<br />
  10. 10. VALORES MATERIAIS<br /><ul><li>BUSCA DO “STATUS QUO” BURGUÊS.
  11. 11. CRENÇA NO PROGRESSO MATERIAL.
  12. 12. ESTIMULO À COMPETIÇÃO INDIVIDUAL.
  13. 13. INÍCIO DA LUTA DE CLASSES.
  14. 14. VALORIZAÇÃO DA APARÊNCIA SOCIAL.
  15. 15. ACUMULAÇÃO DE RIQUEZA A TODO CUSTO.
  16. 16. RELAÇÕES SOCIAIS E CULTURAIS URBANAS.</li></li></ul><li>VALORES EXISTENCIAS E ESPIRITUAIS<br /><ul><li>CRENÇA NA LIBERDADE INDIVIDUAL E COLETIVA.
  17. 17. BUSCA DA AUTORREALIZAÇÃO A TODO CUSTO.
  18. 18. A SOLIDARIEDADE HUMANA COMO FORMA DE CONVIVÊNCIA.
  19. 19. O AMOR PLATÔNICO COMO ALTERNATIVA ÚLTIMA DE FELICIDADE DO HOMEM.
  20. 20. SENTIMENTO POSITIVO EM RELAÇÃO À FELICIDADE HUMANA.
  21. 21. VALORIZAÇÃO DA IDEOLOGIA DE IGUALDADE ENTRE OS HOMENS E AS SOCIEDADES. </li></li></ul><li>CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO NO BRASIL<br /><ul><li>No Brasil o contexto social e político difere bastante do europeu, mas em alguns aspectos se assemelham, basicamente em consequência de dois aspectos:
  22. 22. A vinda da família real ao Brasil que é de fundamental importância para impor ao país um modelo cultural e social europeu.
  23. 23. O processo de Independência política que cria em nossa cultura um sentimento de nacionalismo ufanista nunca visto entre nós.</li></li></ul><li>OS TEMAS E O ESTILO ROMÂNTICO<br /><ul><li>A arte romântica, estética e tematicamente, vai refletir o conflito do homem burguês da primeira metade do século XIX.
  24. 24. Se de um lado, ele acredita nos valores existenciais e espirituais, advindos da ideologia da Revolução francesa; de outro, ele está inserido numa sociedade de base materialista que crer e valoriza aspectos capitalistas como fundamentais para o desenvolvimento social.
  25. 25. Os temas e a estética da arte romântica serão um reflexo, a grosso modo, dessa contradição, às vezes reduplicando a ideologia burguesa e/ ou contestando. </li></li></ul><li>A TEMÁTICA ROMÂNTICA<br /><ul><li>Num primeiro momento, o artista romântico revela-se otimista, acreditando ser ele um gênio que com sua arte vai ser o arauto de uma sociedade que está nascendo.
  26. 26. A arte romântica então é revolucionária, reformista, engajada, voltada para divulgar os valores humanos autênticos e universais, como liberdade, fraternidade e igualdade.
  27. 27. Assim a Literatura romântica passa a ser sistematicamente pela primeira vez na História um veículo também político, através do qual, o artista poderá expressar uma ideologia e uma contra ideologia. </li></li></ul><li><ul><li>O amor platônico se torna então imperativo como forma de promover a solidariedade e a felicidade do homem.
  28. 28. O culto do herói é outro tema fundamental no Romantismo, em que se valorizam aspectos do homem medieval, na Europa, e homem natural, no Brasil.
  29. 29. “O bom selvagem” é o modelo cultuado pelo artista romântico que resgata, dessa maneira, o mesmo ideal do Arcadismo, na formulação pregada por Jean Jacques Rosseau.
  30. 30. Assim, o grande heroi da Literatura europeia será um personagem com características semelhantes ao Cavaleiro medieval, enquanto que na Literatura brasileira, o heroi será o Índio, em seu estado selvagem, por ser puro, ingênuo e nobre.
  31. 31. Com esses modelos de personagens, a Literatura romântica cria um modelo social harmônico, sem conflitos, surgindo, consequentemente, um ambiente idealizado, longe de refletir a realidade dura, opressora e violenta em que já se caracteriza a sociedade burguesa. </li></li></ul><li><ul><li>O confronto entre o desejo do artista e dos personagens com a realidade concreta vai provocar uma literatura conflituosa.
  32. 32. A primeira consequência é o desejo de reformar a sociedade, surgindo então uma literatura revolucionária para refletir ideias que contrastem com a realidade concreta.
  33. 33. Mas os desejos do artista romântico e dos personagens surgem individualmente e por ser tão puros e perfeitos tornam-se irrealizáveis.
  34. 34. A segunda consequência é um sentimento de impotência e de frustração que vai levar o romântico a mergulhar exacerbadamente num conflito existencial que será chamado de “mal do século”.</li></li></ul><li>AS FORMAS DE EVASÃO<br /><ul><li> A evasão do romântico é muito mais um estado de espírito do que real. Seus desejos, seus anseios não realizados estimulam uma fuga do mundo concreto.
  35. 35. O Sonho, a imaginação, a fantasia, o delírio, tornam-se assim o veículo através do qual o romântico veicula o desejo de uma vida e de uma sociedade melhor e diferente da realidade.
  36. 36. Entretanto, ao perceber que o sonho está distante de se concretizar, o romântico mergulha num sentimento de frustração tão intenso que a grande saída será a morte. </li></li></ul><li> A MORTE COMO TRANSCENDÊNCIA<br /><ul><li>A morte será o grande tema do Romantismo e a última saída para o homem se reencontrar com um estado de paz e harmonia, e, por isso, torna-se uma forma de transcendência.
  37. 37. Com a morte o romântico vai encontrar a paz, a harmonia e a felicidade tão procuradas na vida real que se revela opressora e castradora de seus anseios em busca da realização individual.
  38. 38. A morte, portanto, será uma solução para os problemas e obstáculos encontrados pelo homem romântico, pois, com ela, desaparecem todos elementos que o tornam existencialmente infeliz. </li></li></ul><li>A NATUREZA COMO FORMA DE EVASÃO<br /><ul><li>Desde o Arcadismo que o artista tematiza a natureza como refúgio do homem burguês, inserido já numa sociedade materialista e industrial, centrada na competição, no progresso e na acumulação de riqueza.
  39. 39. O Romantismo encara a Natureza não só como espaço bucólico, harmônico, mas também como elemento que pode interagir espiritualmente como o homem e restituir a ele a paz que necessita.
  40. 40. A natureza, no Romantismo, é personificada e reflete o estado de alma do artista e dos personagens.
  41. 41. No Brasil, a Natureza vai servir de símbolo nacional, reforçando o ufanismo e o nativismo que serão frequentes em nossos poetas e romancistas. </li></li></ul><li>A IDEALIZAÇÃO ROMÂNTICA<br /><ul><li>As formas de evasão do romântico levam-no a idealizar a realidade, ou seja, ela aparece descrita no plano do desejo, do sonho e da imaginação.
  42. 42. Daí a ênfase no amor platônico, no sentimento puro, espiritual, capaz enobrecer as ações humanas, e a busca de uma integração total com a natureza primitiva e bucólica.
  43. 43. As ações dos personagens românticos também aparecem idealizadas, daí o culto do herói, nobre, natural e capaz de grandes proezas para fazer prevalecer o bem na luta contra o mal. </li></li></ul><li>O ULTRARROMANTISMO <br /><ul><li>A impossibilidade de auto realização leva o romântico a mergulhar em diversas formas de evasão, inclusive, na valorização de uma forma existencial não convencional.
  44. 44. Na maioria das vezes, a ênfase temática nessas formas não convencionais é muito mais um estado de espírito do que uma atitude real.
  45. 45. A apologia de orgias sexuais, relações incestuosas, o culto do satanismo, o alcoolismo, a vida boêmia e noturna são temas cultuados por Lord Byron, daí a denominação Byoronismo. </li></li></ul><li>O ROMANTISMO NO BRASIL<br /><ul><li>O Romantismo brasileiro, num primeiro momento, é uma extensão temática e estilística do Romantismo europeu.
  46. 46. Mas aos poucos vai adquirindo alguns temas típicos e originais que dão uma certa ideia de independência cultural e artística em relação ao Movimento europeu.
  47. 47. O indianismo, o nacionalismo nativista e ufanista e o condoreirismo foram temas adaptados à realidade brasileira e que deram ao nosso Romantismo um estilo mais original.
  48. 48. Mas de uma forma geral, o Romantismo no Brasil ainda espelhou a ideologia estrangeira, tanto temática, quanto estilisticamente, só sendo possível uma ruptura durante o Modernismo. </li></li></ul><li>A LINGUAGEM ROMÂNTICA<br /><ul><li>O sentimentalismo se reflete no plano da enunciação dos textos românticos no uso de diminutivos afetivos e de metáforas denotadoras de estado de espírito.
  49. 49. A idealização ocorre pela incidência de metáforas grandiosas, intensa adjetivação, hipérboles e personificações principalmente de elementos naturais.
  50. 50. A subjetividade se dá pelo uso constante de verbos e pronomes em primeira pessoa, por um vocabulário intensamente abstrato e revelador do estado de alma dos personagens.
  51. 51. De uma forma geral, a linguagem romântica já apresenta uma tendência a uma ruptura em relação à linguagem clássica, principalmente, pela presença de elementos da oralidade e do coloquialismo.
  52. 52. No Brasil, já ocorre a inserção de uma linguagem de origem indígena, além de uma escrita baseada num português brasileiro. </li></li></ul><li>ANTOLOGIA ROMÂNTICA<br />
  53. 53. Se eu morresse amanhã, viria ao menos<br />Fechar meus olhos minha triste irmã; <br />Minha mãe de saudades morreria<br />Se eu morresse amanhã! ( ... ) <br /> <br />Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva<br />Acorda a natureza mais louçã!<br />Não me batera tanto amor no peito<br />Se eu morresse amanhã!<br /> <br />Mas essa dor da vida que devora<br />A ânsia de glória, o dolorido afã... <br />A dor no peito emudecera ao menos<br />Se eu morresse amanhã! ( ... ) <br /> <br />Eu deixo a vida como deixa o tédio<br />Do deserto, o poento caminheiro<br />Como as horas de um longo pesadelo<br />Que se desfaz ao dobre de um sineiro; <br /> <br />Sombras do vale, noites da montanha,<br />Que minh' alma cantou e amava tanto,<br />Protegei o meu corpo abandonado,<br />E no silêncio derramai-lhe canto!<br /> <br />Mas quando preludia ave d' aurora<br />E quando à meia-noite o céu repousa,<br />Arvoredos do bosque, abri os ramos...<br />Deixai a lua prantear a lousa!"<br />( Álvares de Azevedo ) <br />
  54. 54. Pálida, à luz da lâmpada sombria,<br />Sobre o leito de flores reclinada,<br />Como a lua por noite embalsamada,<br />Entre as nuvens do amor ela dormia!<br /> <br />Era a virgem do mar! Na escuma fria<br />Pela maré das águas embalada!<br />Era um anjo entre nuvens d’alvorada!<br />Que em sonhos se banhava e se esquecia!<br /> <br />Era mais bela! O seio palpitando... <br />Negros olhos as pálpebras abrindo...<br />Formas nuas no peito resvalando...<br /> <br />Não te rias de mim, meu anjo lindo!<br />Por ti – as noites eu velei chorando,<br />Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!<br /> ( Álvares de Azevedo ) <br />
  55. 55. “Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. <br />Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. <br />O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. <br />Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. ( ... ) <br /> José de Alencar em Iracema.<br />
  56. 56. “Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade.Era rica e formosa.Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante.Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu -fulgor?Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande novidade do dia. ( ... )” <br /> José de Alencar em senhora<br />
  57. 57. REALISMO/NATURALISMO<br /><ul><li>O Realismo é um movimento artístico-literário que se desenvolve na segunda metade do século XIX que, em alguns aspectos, aprofunda temas já abordados pelo Romantismo e, em outros, reage ao sentimentalismo dos românticos.
  58. 58. O Naturalismo também se desenvolve na mesma época e se constitui estética e estilística numa reação ao Romantismo, enquanto que em seu enfoque temático aprofunda o Realismo na abordagem da realidade.
  59. 59. No Brasil, foram dois movimentos que se desenvolveram concomitantemente e do ponto de vista literário ocorreram principalmente na prosa, pois na poesia o Parnasianismo foi a expressão realista.
  60. 60. O Realismo brasileiro teve como grande nome Machado de Assis que desenvolveu temas e estilos diferentes do Realismo europeu, inaugurando uma literatura que prenunciava o Modernismo, enquanto que o Naturalismo reproduziu praticamente a ideologia europeia, tanto em relação aos temas, quanto à linguagem. </li></li></ul><li>O CONTEXTO SOCIAL E HISTÓRICO<br /><ul><li>O contexto social e histórico será determinante para o aparecimento de um novo fazer artístico e literário.
  61. 61. A consolidação do Capitalismo como sistema político e econômico, o que vai reforçar a competitividade entre as classes sociais.
  62. 62. A consolidação da Burguesia como classe dominante, e a consequente aparição do proletariado, como classe dominada.
  63. 63. A segunda Revolução Industrial que reforçará a estratificação social, dividindo a sociedade em duas classes distintas: burguesia X proletariado.
  64. 64. O crescimento demasiado das zonas urbanas que ao incharem deixam à mostra a miséria do proletariado explorado pelas classes burguesas. </li></li></ul><li>CONTEXTO FILOSÓFICO-CIENTÍFICO <br /><ul><li>A segunda metade do século XIX experimenta um grande desenvolvimento científico e filosófico que ideologicamente vai influenciar as artes e a sociedade burguesa.
  65. 65. O Positivismo de Augusto Conte dá as bases para a abordagem racional dos problemas sociais e humanos, inaugurando uma concepção científica da realidade.
  66. 66. O Evolucionismo de Charles Darwin muda a concepção da origem e do desenvolvimento do homem, com base nas ciências naturais.
  67. 67. O Determinismo de Taine revela que o homem e a sociedade são determinados pelos fatores meio, raça, instinto, hereditariedade e momento histórico.
  68. 68. Karl Marx elabora a teoria da luta de classe em que explica a evolução social por meio de um conflito permanente entre Burguesia e proletariado.
  69. 69. Renan nega com o seu livro O Poder da ciência a dimensão espiritual e metafísica do homem, reforçando o materialismo que os demais ramos do conhecimento já valorizavam. </li></li></ul><li>O REALISMO LITERÁRIO<br /><ul><li>O Realismo literário se afastará da idealização romântica para abordar a realidade pelo ângulo da psicologia e da sociologia. </li></ul>O NATURALISMO LITERÁRIO<br /><ul><li>O Naturalismo vai extrapolar o Realismo ao conceber a realidade e homem como determinados por fatores biopsicossocial. </li></li></ul><li>ASPECTOS TEMÁTICOS DO REALISMO<br /><ul><li>As relações sociais e afetivas das classes burguesas são os grandes temas da Literatura realista, vista pelo ângulo da psicologia e da sociologia.
  70. 70. Os temas são abordados pelos aspectos mais sórdidos do homem e da sociedade, numa atitude típica de crítica social e de amostragem de seu avesso.
  71. 71. O adultério, a traição, a infidelidade amorosa e afetiva estão no centro da abordagem realista com nítida intenção de desmistificar o amor romântico, idealizado e platônico.
  72. 72. Ao enfatizarem aspectos como hipocrisia, dissimulação, egoísmo, inautenticidade, avareza, os realistas revelam-se, céticos, pessimistas e, em algumas vezes, niilistas.
  73. 73. Os temas realistas negam constantemente a dimensão espiritual, as relações idealizadas, revelando a propensão do ser humano em ser mau caráter, e nestes termos fazem uma crítica da sociedade burguesa.
  74. 74. A competição entre os personagens é a força motriz do enredo realista, em que, no desfecho das narrativas, qualquer tentativa de felicidade é afastada. </li></li></ul><li>ASPECTOS TEMÁTICOS DO NATURALISMO<br /><ul><li>Os temas do realismo aparecem também no Naturalismo, mas a ênfase recai em aspectos deterministas.
  75. 75. Para o escritor naturalismo é fundamental explicar que o homem é produto do meio, da raça, do instinto, da hereditariedade e do momento histórico.
  76. 76. Assim, enquanto o realista explica o homem e a sociedade a partir de uma fundamentação psicológica e sociológica, o naturalista explica através de uma fundamentação científica baseada na Biologia, na Química e Sociologia.
  77. 77. O principal tema do Naturalismo é provar que o homem é determinado pelo meio e pelos instintos, derivando dessa concepção os demais determinismos.
  78. 78. Também no Naturalismo a dimensão espiritual do homem é negada, enfatizando-se totalmente os aspectos materiais e bestiais da existência humana, em que afloram elementos instintivos, como a sexualidade. </li></li></ul><li>ASPECTOS ESTILÍSTICOS DO REALISMO E DO NATURALISMO <br />
  79. 79. <ul><li>A linguagem do Realismo e do Naturalismo é objetiva, enfatizando-se o uso das palavras em seu aspecto denotativo, evitando-se as metáforas de cunho ornamental.
  80. 80. O vocabulário guarda estreita relação com os aspectos narrados por uma questão de verossimilhança.
  81. 81. No Realismo, a linguagem tende a ser introspectiva, já que o escritor enfatiza o interior dos personagens, seus pensamentos, suas reações, através do discurso indireto e do monólogo.
  82. 82. No Naturalismo, a linguagem aproxima-se mais da realidade cotidiana, enfatizando–se o uso de termos vulgares e comparativos entre o homem e o animal.
  83. 83. Também no Naturalismo ocorre frequentemente o uso de palavras eróticas e de cunho científico que contribuirão para o escritor sistematizar a sua tese sobre os comportamentos humanos e sociais.
  84. 84. Tanto no Realismo quanto no Naturalismo a tipologia textual mais evidente oscilará entre a descrição e a dissertação que serão usadas abundantemente, já que a narração será lenta, pois pouco interessa a ação. </li></li></ul><li><ul><li>Sintaticamente, entretanto, tanto no Realismo, quanto no Naturalismo, o escritor procura ser correto, quase não transgredindo as regras gramaticas, a não ser nas falas de personagens populares.
  85. 85. Os personagens saem, no Realismo, em sua maioria, das classes burguesas, por ser elas que dão o padrão sociocultural e, também, pela intenção do escritor em desmistificar a visão romântica do herói burguês.
  86. 86. No Naturalismo, o escritor normalmente constrói personagens patológicos e marginalizados, tais como, lésbicas, homossexuais, ninfomaníacas, loucos, bêbados, maníacos, criminosos, avarentos e adúlteros.
  87. 87. De uma forma geral, o escritor naturalista enfatiza personagens sem refinamento cultural e social , mas quando eles aparecem na narrativa, destacam-se os aspectos negativos.
  88. 88. O grande personagem do Naturalismo, contudo, será o ambiente físico e social, que faz parte da intenção do escritor em mostrar que o homem é determinado pelo meio.</li></li></ul><li>ANTOLOGIA<br /> REALISTA E NATURALISTA<br />
  89. 89. DOM CASMURRO <br />“Não culpo ao homem; para ele, a coisa mais importante do momento era o filho. Mas também não me culpem a mim; para mim, a coisa mais importante era Capitu. O mal foi que os dois casos se conjugassem na mesma tarde, e que a morte de um viesse meter o nariz na vida do outro. Eis o mal todo. Se eu passasse antes ou depois, ou se o Manduca esperasse algumas horas para morrer, nenhuma nota aborrecida viria interromper as melodias de minha alma. Por que morrer exatamente há meia hora? Toda tarde é apropriada ao óbito; morre-se muito bem às seis ou sete horas da tarde.“<br /> Machado de Assis<br />
  90. 90. MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS<br />“Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse: eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica: vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... E caem! - Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para ir, também não deixa olhos para chorar... Heisde cair. “<br /> Machado de Assis<br />
  91. 91. O CORTIÇO<br />“Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo. […].<br />O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.” <br /> Aluísio Azevedo<br />
  92. 92. PARNASIANISMO<br />arte pela arte<br />
  93. 93. A POESIA REALISTA BRASILEIRA<br /><ul><li>A manifestação poética do Realismo e do Naturalismo no Brasil chamou-se Parnasianismo.
  94. 94. Na Europa, tivemos uma poesia de caráter realista e parnasiano, principalmente, em Portugal e França.
  95. 95. O contexto histórico do Parnasianismo é o mesmo que forneceu ideologicamente as bases para o Realismo e Naturalismo.
  96. 96. Assim, costuma-se dizer que o Parnasianismo é o Realismo na poesia, embora ideologicamente haja uma diferença fundamental. </li></li></ul><li>PARNASIANISMO X REALISMO<br /><ul><li>O parnasianismo no Brasil foi um movimento essencialmente poético tornando-se sinônimo de “academicismo” durante cerca de quarenta anos.
  97. 97. Enquanto o Realismo mergulhava fundo nas reflexões sociais e humanas, o Parnasianismo afastou-se da realidade.
  98. 98. Os parnasianos cultivaram uma arte sem ideologia social e política, centrando suas preocupações básicas na estética, e, por isso, foram chamados de “poetas da torre de marfim”.
  99. 99. Tematicamente, a poesia parnasiana foi uma reação à subjetividade e à idealização romântica, enquanto que do ponto de vista formal reduplicou a ideologia clássica de “beleza e perfeição”. </li></li></ul><li><ul><li>O ponto de contato entre Realismo e Parnasianismo reside no fato de que são estéticas objetivas e racionalistas.
  100. 100. A postura racional será responsável pela busca obstinada dos parnasianos em encontrar a objetividade absoluta.
  101. 101. A poesia torna-se, portanto, uma atividade frívola e lúdica em que o principal objetivo era encontrar a perfeição da forma, o que levou os poetas a cultuarem a forma. </li></li></ul><li>O CULTO DA FORMA<br /><ul><li>A obsessão por uma forma perfeita leva os parnasianos a dar preferência:
  102. 102. Ao verso decassílabo clássico, sáfico e heroico.
  103. 103. Ao verso alexandrino, invenção parnasiana.
  104. 104. À estrofe simétrica, principalmente, quarteto e terceto.
  105. 105. À forma fixa clássica do soneto, com estrutura dissertativa e com a chave de ouro.
  106. 106. Ao vocabulário solene, dicionarizado, recheado de termos latinos e helênicos. </li></li></ul><li><ul><li>Às rimas clássicas, em que as rimas ricas e raras se tornam uma verdadeira obsessão.
  107. 107. Á disposição de rimas em AABB, ABBA e ABAB.
  108. 108. A uma sintaxe lusitana, de exceção, em que se destacam a coesão e o hipérbato.
  109. 109. A uma estrutura dissertativa, com prevalência de versos encadeados sintática e semanticamente, através de “enjambemant”.
  110. 110. A uma postura objetiva, através de um “EU” poético reflexivo e descritivista.
  111. 111. À contenção da emoção através da abordagem de temas centrados em objetos artísticos e utilitários, na natureza, entendida como se fosse uma fotografia. </li></li></ul><li>A TEMÁTICA PARNASIANA<br /><ul><li>Os temas parnasianos se afastam da realidade social e humana e de toda e qualquer manifestação subjetiva.
  112. 112. Esta postura faz parte da obsessão parnasiana em busca da “beleza e da perfeição” e, por isso, vão cultuar uma poesia fria, impassível e objetiva:
  113. 113. Objetos artísticos, utilitários e decorativos, em que a descrição e a reflexão se fixarão na beleza estética da forma, numa verdadeira poética de objetos é um dos temas mais cultuados.
  114. 114. Os parnasianos não se interessarão pela finalidade utilitária do objeto, mas pelos seus contornos estéticos perfeitos e belos, num verdadeiro exercício de metalinguagem. </li></li></ul><li><ul><li>A natureza estática, bucólica, idealizada, como se fosse uma fotografia em que o grande objetivo é pintá-la objetivamente com palavras.
  115. 115. A história, a cultura e a geografia da antiguidade também se tornam uma abordagem frequente da poesia parnasiana.
  116. 116. A metalinguagem reforça a obsessão do poeta parnasiano pela perfeição da forma que, consequentemente, se volta para o “fazer poético”.
  117. 117. A abordagem de temas sobre a existência humana, num tom reflexivo-filosófico, é outra recorrência parnasiana. </li></li></ul><li>O PARNASIANISMO BRASILEIRO<br /><ul><li>O parnasianismo surgiu na França, assim como o Realismo e o Naturalismo, e sua poética só vingou por muito tempo no Brasil.
  118. 118. Quarenta anos depois de seu surgimento no Brasil, o Parnasianismo se tornou o principal alvo dos integrantes do movimento modernista por acharem que os poetas faziam uma arte desvinculada realidade nacional.
  119. 119. Mas, apesar de cultuarem as propostas básicas do Parnasianismo francês, os poetas brasileiros fizeram uma poesia de nítida influência romântica, principalmente, quanto aos temas abordados.
  120. 120. Formalmente, o Parnasianismo brasileiro se manteve preso ao “culto da forma”, mas tematicamente abordou o amor platônico, o nativismo, o patriotismo ufanista e o indianismo idealizado. </li></li></ul><li>ANTOLOGIA PARNASIANA<br />
  121. 121. ANOITECER<br />Esbraseia o Ocidente na agonia<br />O sol... Aves em bandos destacados, <br />Por céus de oiro e de púrpura raiados,<br />Fogem...Fecha-se a pálpebra do dia...<br /> <br />Delineiam-se, além da serrania<br />Os vértices de chama aureolados,<br />E em tudo, em torno, esbatem derramados<br />Uns tons suaves de melancolia..<br /> <br />Um mundo de vapores no ar flutua...<br />Como uma informe nódoa, avulta e cresce<br />A sombra à proporção que a luz recua...<br /> <br />A natureza apática esmaece...<br />Pouco a pouco, entre as árvores, a lua<br />Surge trêmula, trêmula... Anoitece.<br /> Raimundo Correia <br />
  122. 122. MAL SECRETO<br />Se a cólera que espuma, a dor que mora<br />N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,<br />Tudo o que punge, tudo o que devora<br />O coração, no rosto se estampasse;<br /> <br />Se se pudesse, o espírito que chora,<br />Ver através da máscara da face,<br />Quanta gente, talvez, que inveja agora<br />Nos causa, então piedade nos causasse!<br /> <br />Quanta gente que ri, talvez, consigo<br />Guarda um atroz, recôndito inimigo,<br />Como invisível chaga cancerosa!<br /> <br />Quanta gente que ri, talvez existe,<br />Cuja ventura única consiste<br />Em parecer aos outros venturosa!<br /> Raimundo Correia <br />
  123. 123. A ESTÁTUA<br />Às mãos o escopro, olhando o mármor: “Quero<br />O estatuário disse – uma por uma<br />As perfeições que têm as formas de Hero<br />Talhar em pedra que o ideal resuma.”<br /> <br />E rasga o Paros. Graça toda a esmero,<br />A fronte se arredonda em nívea espuma;<br />Eis ressalta o nariz de talho austero,<br />Alça-se o colo, o seio se avoluma;<br /> <br />Alargam-se as espáduas; veia a veia<br />Mostram-se os braços... Cede a pedra ainda<br />A um golpe, e o ventre nítido se arqueia;<br /> <br />A curva, enfim, das pernas se acentua...<br />E ei-la, acabada, a estátua heroica e linda,<br />Cópia divina da beleza nua.<br /> Alberto Oliveira <br />
  124. 124. SIMBOLISMO<br />a poética da música <br />
  125. 125. CONTEXTO HISTÓRICO<br /><ul><li>O contexto histórico do Simbolismo é o mesmo do Realismo, Naturalismo e Parnasianismo, ou seja, segunda metade do século XIX.
  126. 126. Ao contrário dos estilos literários contemporâneos, o Simbolismo nega o materialismo, o cientificismo e o racionalismo burguês, na poesia.
  127. 127. Do ponto de vista ideológico, o Simbolismo também, nega o racionalismo e o materialismo burguês, por conseguinte, é uma estética antiburguesa.
  128. 128. O Simbolismo retoma o subjetivismo romântico, mas de uma maneira diferente, aprofundando radicalmente a subjetividade do EU. </li></li></ul><li>O SUBJETIVISMO ROMÂNTICO<br /><ul><li>O subjetivismo romântico é racionalizado, ou seja, é compreensível para o leitor e a expressão do artista é inteligível.
  129. 129. A expressão do romântico ocorre em níveis, na maior parte das vezes, da consciência, portanto, numa linguagem mais compreensível.
  130. 130. O EU ou a personagem romântica revela-se saudosista, entediado, solitário, triste e, às vezes mórbido, o que o leva ao desejo de morrer.
  131. 131. A literatura romântica explora as camadas subjetivas do Eu e das personagens em sua recusa ao mundo material. </li></li></ul><li>O SUBJETIVISMO SIMBOLISTA<br /><ul><li>O subjetivismo simbolista é mais profundo, ou seja, explora os níveis de inconsciência do Eu, enquanto que o romântico se situa num nível de consciência.
  132. 132. Assim, a linguagem simbolista se situa num nível irracional, sem lógica, o que resulta numa expressão ininteligível, inefável.
  133. 133. O sonho, o misticismo, o delírio, a loucura e a música sãos os principais níveis de expressão do Eu simbolista em sua recusa ao mundo material e racional.
  134. 134. A linguagem simbolista explora elementos sonoros, abstratos e um vocabulário acentuadamente místico e, no mais das vezes, faz uso de termos oriundos da psicologia e da psicanálise. </li></li></ul><li>SIMBOLISMO E PARNASIANISMO<br /><ul><li>O Simbolismo nega o conceito racional de poesia parnasiana, ou seja, a objetividade e a impassibilidade e resgata profundamente a interioridade do artista.
  135. 135. Enquanto os parnasianos eliminam quase que totalmente a expressão do Eu, em busca da objetividade absoluta, o Simbolismo manifesta-se ao contrário, ou seja, o EU passa a ser o centro da expressão.
  136. 136. Do ponto de vista formal, contudo, a poesia parnasiana mantém a preferência pela simetria, pelo soneto, pelas rimas clássicas e pelo decassílabo e, em alguns momentos, mantém a estrutura dissertativa do soneto.
  137. 137. Enquanto os parnasianos fazem uma poesia de tipologia textual descritiva e dissertativa, o Simbolismo enfatizam a expressão do Eu e a dissertação. </li></li></ul><li>CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS DO SIMBOLISMO<br /><ul><li>DECADENTISMO</li></ul> Os simbolistas influenciados pelo misticismo advindo do grande intercâmbio com as artes, pensamento e religiões orientais - procuram refletir em suas produções a atmosfera presente nas viagens a que se dedicavam. Marcadamente individualista e místico, foi, com desdém, apelidado de "decadentismo”.<br /><ul><li>SUBJETIVISMO.</li></ul> A valorização do “eu” e da “irrealidade”, negada pelos parnasianos, volta a ter importância. Reaproxima-se da estética romântica, porém, mais do que voltar-se para o coração, os simbolistas procuram o mais profundo do "eu" e buscam o inconsciente, o sonho, o místico.<br />
  138. 138. <ul><li>MISTICISMO E ESPIRITUALIDADE.</li></ul> A fuga da realidade leva o poeta simbolista ao mundo espiritual. É uma viagem ao mundo invisível e impalpável do ser humano, ou seja, a abordagem de assuntos místicos, espirituais e ocultos. <br /><ul><li>TRANSCENDENTALISMO.</li></ul> A busca do auge do espírito leva o poeta simbolista a abandonar a vida material e a valorizar os aspectos espirituais até o extremo.<br /><ul><li>A BUSCA DA ESSÊNCIA DAS COISAS E DO SER.</li></ul> O simbolista procura obsessivamente a essência das coisas, e, por isso, busca o invisível, o que está por trás da aparência, daí sua recorrência ao “branco”, ou a tudo que lembre brancura. <br />
  139. 139. <ul><li>SUGESTÃO.</li></ul> Um dos princípios básicos dos simbolistas era sugerir através das palavras sem nomear objetivamente os elementos da realidade, daí a ênfase no imaginário e na fantasia. Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso. <br /><ul><li>FUGA DA REALIDADE.</li></ul> Assim como os românticos, os simbolistas se evadem da realidade, mergulhando num do mundo de imaginação, de fantasia e de sonhos. Essa fuga, entretanto, se dá para um mundo “etéreo”, “sideral”, “inefável”, cujo o ponto final será o infinito. <br />
  140. 140. <ul><li>A MORTE</li></ul> A morte para o simbolista é também uma fuga, mas ao contrário do romântico, o simbolista não quer morrer, mas sabe que a morte será o auge da vida espiritual, e, por isso, ela é maravilhosa, sem dor e sem sofrimento. <br /><ul><li>RECUSA AO MUNDO MATERIAL.</li></ul> O mundo material para os simbolistas tem a mesma conotação dos românticos. É opressor, cruel e violento, não permitindo ao ser sua autorrealização. A fuga se dá pelo misticismo e pelo transcendentalismo.<br /><ul><li>MUSICALIDADE</li></ul> A musicalidade é uma das características mais destacadas da estética simbolista, visto que é uma arte, segundo os simbolistas, capaz de se aproximar da essência do espírito.<br />
  141. 141. TEORIA DAS CORRESPONDÊNCIAS<br /> Os simbolistas propõem um processo cósmico de aproximação entre as realidades físicas e as metafísicas, entre os seres, as cores, os perfumes e o pensamento ou a emoção, que se expressa através da Sinestesia, um tipo de metáfora, que consiste na transferência (ou "cruzamento") de percepção de um sentido para outro, ou seja, a fusão, num só ato de percepção, de dois sentidos ou mais. Essas correspondências entre os campos sensorial e espiritual envolvem obrigatoriamente a sinestesia. <br />
  142. 142. AS CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM SIMBOLISTA:<br /><ul><li>Linguagem vaga, fluida, que prefere sugerir a nomear. Utilização de substantivos abstratos, efêmeros, vagos e imprecisos;
  143. 143. Presença abundante de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias, paronomásias, sinestesias;
  144. 144. Subjetivismo e teorias que voltam-se ao mundo interior;
  145. 145. Antimaterialismo, antirracionalismo em oposição ao positivismo;
  146. 146. Misticismo, religiosidade, valorização do espiritual para se chegar à paz interior;
  147. 147. Pessimismo, dor de existir; </li></li></ul><li><ul><li>Desejo de transcendência, de integração cósmica, deixando a matéria e libertando o espírito;
  148. 148. Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela morte, assim como momentos de transição como o amanhecer e o crepúsculo;
  149. 149. Interesse pela exploração das zonas desconhecidas da mente humana (o inconsciente e o subconsciente) e pela loucura. </li></ul> Observação: Na concepção Simbolista o louco era um ser completamente livre por não obedecer às regras. Teoricamente o poeta simbolista é o ser feliz. <br />
  150. 150. O SIMBOLISMO NO BRASIL<br /> Cronologicamente, o Simbolismo durou no Brasil de 1893 a 1902. Depois da Semana de Arte Moderna (1922), alguns poetas, Cecília Meireles entre eles, passaram a praticar um simbolismo tardio, também conhecido como Neossimbolismo.<br />As primeiras obras do Simbolismo brasileiro foram: <br /> a) Missal (prosa poética, 1893), de Cruz e Sousa.<br /> b) Broqueis (poesias, 1893), de Cruz e Sousa.<br /> A primeira manifestação simbolista brasileira deu-se no Rio de Janeiro, quando um grupo de jovens, insatisfeitos com a objetividade e com o materialismo apregoados pelo Realismo-Naturalismo-Parnasianismo, começou a divulgar as ideias estético-literárias vindas da França, ficando conhecidos como decadentistas.<br />
  151. 151. PRINCIPAIS LINHAS BÁSICAS<br /><ul><li>Poesia humanístico-social – Linha adotada por Cruz e Sousa e continuada por Augusto dos Anjos. Preocupava-se com os problemas transcendentais do ser humano.
  152. 152. Poesia místico-religiosa – Linha adotada por Alphonsus de Guimarães. Preocupava-se com os temas religiosos, afastando-se da linha esotérica adotada na Europa.
  153. 153. Poesia intimista-crepuscular – Linha adotada por pré-modernistas ou modernistas como Olegário Mariano, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto, Manuel Bandeira. Preocupava-se com temas cotidianos, sentimentos melancólicos e gosto pela penumbra.</li></li></ul><li>ANTOLOGIA POÉTICA SIMBOLISTA<br />
  154. 154. SIDERAÇÕES <br />Para as Estrelas de cristais gelados <br />As ânsias e os desejos vão subindo, <br />Galgando azuis e siderais noivados <br />De nuvens brancas a amplidão vestindo... <br /> <br />Num cortejo de cânticos alados <br />Os arcanjos, as cítaras ferindo, <br />Passam, das vestes nos troféus prateados, <br />As asas de ouro finamente abrindo... <br /> <br />Dos etéreos turíbulos de neve <br />Claro incenso aromal, límpido e leve, <br />Ondas nevoentas de Visões levanta... <br /> <br />E as ânsias e os desejos infinitos <br />Vão com os arcanjos formulando ritos <br />Da Eternidade que nos Astros canta... <br /> Cruz e Souza<br />
  155. 155. CAVADOR DO INFINITOCom a lâmpada do Sonho desce aflito E sobe aos mundos mais imponderáveis, Vai abafando as queixas implacáveis, Da alma o profundo e soluçado grito. Ânsias, Desejos, tudo a fogo, escrito Sente, em redor, nos astros inefáveis. Cava nas fundas eras insondáveis O cavador do trágico Infinito. E quanto mais pelo Infinito cava mais o Infinito se transforma em lava E o cavador se perde nas distâncias... Alto levanta a lâmpada do Sonho. E como seu vulto pálido e tristonho Cava os abismos das eternas ânsias! Cruz e Souza<br />
  156. 156. SONETO XHirta e branca... Repousa a sua áurea cabeça Numa almofada de cetim bordada em lírios. Ei-la morta afinal como quem adormeçaAqui para sofrer Além novos martírios.De mãos postas, num sonho ausente, a sombra espessaDo seu corpo escurece a luz dos quatro círios:Ela faz-me pensar numa ancestral CondessaDa Idade Média, morta em sagrados delírios.Os poentes sepulcrais do extremo desengano Vão enchendo de luto as paredes vazias, E velam para sempre o seu olhar humano.Expira, ao longe, o vento, e o luar, longinquamente, Alveja, embalsamando as brancas agoniasNa sonolenta paz desta Câmara-ardente... Alphonsus de Guimaraens<br />
  157. 157. O QUE SE OBSERVAR <br /><ul><li>O Romantismo é o primeiro momento estético, na Literatura brasileira, a criar uma consciência cultural nacionalista.
  158. 158. O índio, a natureza, a pátria, a cultura e os costumes regionais serão os grandes elementos de afirmação nacional do Romantismo.
  159. 159. A idealização e o ufanismo serão, entretanto as duas posturas estéticas do Romantismo perante a realidade brasileira, social e humana.
  160. 160. O Realismo brasileira apresenta as características básicas da estética, entretanto, Machado de Assis vai extrapolar a objetividade e o racionalismo do movimento, criando posturas temáticas e estilísticas que serão precursoras do Modernismo.
  161. 161. O Naturalismo, entretanto, vai reduplicar a ideologia cientificista da estética de origem europeia, mas com Aluísio Azevedo, em alguns momentos, vai apontar para uma abordagem da realidade social e humana do Rio de Janeiro do século XIX. </li></li></ul><li><ul><li>O Parnasianismo, no Brasil, será uma estética de muito prestígio e reduplicará entre nós a ideologia estética da “arte pela arte”.
  162. 162. Movimento essencialmente poético, o Parnasianismo voltar-se-á quase que exclusivamente para criação de uma poética alienada da realidade social ao enfatizar o plano estético da poesia.
  163. 163. Os parnasianos, contudo, retomarão alguns temas do Romantismo como a idealização e o nacionalismo ufanista em que se destaca Olavo Bilac, que vai se tornar o principal alvo dos modernistas.
  164. 164. O Simbolismo, embora seja uma grande estética poética, passará, no Brasil, sem grande repercussão, mas seus adeptos farão uma poesia de grande alcance humano, numa perspectiva filosófica e espiritual. </li>

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