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         OPINIÃO




         Por que é tão difícil inovar?
         Uma boa ideia muitas vezes se sobressai pela simplicidade                                                                                                GISELA
                                                                                                                                                                  KASSOY
                                                                                                                                                                  Graduada em


          H    á um tempo foi criado um debate, por meio     ridade da empresa” “não tive tempo para cui-
                                                                                   ,                            var acontece antes e depois da grande ideia: é    Comunicação
                                                                                                                                                                  pela Faap/SP com
               de um grupo no LinkedIn, sobre qual se-       dar disso” etc.) ou atacam (“que ideia maluca!”,   preciso tempo para absorver inputs sobre um
                                                                                                                                                                  especializações
          ria o maior obstáculo à inovação. Em um mês,       “de onde vamos tirar o dinheiro para isso?”).      produto ou serviço, captar as tendências do       na Universidade
          as respostas somaram quase 400. A primeira            Então, aqui vai a primeira dica para quem       mercado, as necessidades dos clientes. E não      de Nova York, no
          coisa que constato, então, tamanha adesão          quer disseminar uma inovação: não deixe seu        apenas tempo. Para alimentar nossas mentes,       Centro de Liderança
          ao tema, é a aceitação quase unânime de que        interlocutor desconfortável, sem entender di-      para que elas gerem as futuras ideias, é preci-   Criativa da Carolina
          inovar é difícil.                                  reito do que se trata, pois aí ele “solta os bi-   so um estado de relaxamento. Nada de culpa        do Norte e na Escola
             Ok, fácil não é. Mas uma inovação não pode      chos” Leve-o a um patamar menos primiti-
                                                                    .                                           por não estar “trabalhando de fato” .             de Gerentes do
          ser tão difícil a ponto de ser evitada, sobretu-   vo, seja pelo lado emocional, apelando para a         É preciso também tempo para formatar e         Massachusetts
                                                                                                                                                                  Institute of
          do quando visualizamos que ela pode valer a        empatia, seja pelo racional, apelando para os      vender ideias realmente inovadoras: tudo o
                                                                                                                                                                  Technology, trabalha
          pena. Aliás, será que uma das dificuldades em      benefícios da inovação em questão. Isto é váli-    que for diferente do esperado irá demandar        na capacitação de
          inovar não é justamente a incapacidade de as-      do para a apresentação de uma inovação para        exposições, explicações e, por que não, pro-      profissionais para a
          segurar o seu sucesso antes de ele acontecer?      chefes e colegas, assim como para o texto que      tótipos. O Google tem uma proposta inte-          geração, avaliação
             Voltemos à discussão do LinkedIn: entre as      um profissional de comunicação irá fazer pa-       ressante para seus profissionais: a chamada       e implementação de
          respostas, quase todas em apenas uma palavra,      ra apresentar um produto inovador.                 estratégia do 70/20/10. Explicando: 70% do        ideias
          16 mencionavam o medo como maior obstá-               Agora, uma coisa é o medo instintivo, ou-       tempo deve ser dedicado aos principais pro-
          culo, e umas 20 tinham o componente medo           tra, completamente diferente, é a dificuldade      dutos da empresa, 20% do tempo aos servi-
                                                                                                                                                                  gisela@giselakassoy.
          embutido, como aversão ao risco, preconcei-        em administrar riscos. Pois é, em se tratando      ços secundários e os 10% restantes são para       com.br
          to, conservadorismo etc. Passividade, inércia,     de inovação, risco zero não existe, mas existem    a inovação. Se 10% for muito, pode-se tentar
          indiferença e similares vieram logo depois, se-    formas de minimizar ou reverter riscos poten-      5% ou 2%. O importante é que algum tempo
          guidos pelas questões mais práticas, como fal-     ciais de uma ideia.                                seja dedicado de fato, por inteiro, ao proces-
          ta de tempo, dinheiro, planejamento ou exces-         Criei uma fórmula bastante simples para         so de inovação.
          so de burocracia.                                  dar uma visão das consequências negativas             Falemos de outro recurso precioso: o vil
             Desprezando as respostas incompreensíveis       que uma ideia pode gerar. Basta listar todos os    metal. Precisamos de dinheiro para projetos,
          ou bizarras, ficamos com uma saraivada de          problemas potenciais e depois analisar como        protótipos, até para convencer pessoas so-
          questões de cunho comportamental até che-          cada um deles pode ser evitado, revertido ou       bre os benefícios de uma inovação. Mas será
          garmos aos obstáculos concretos. E a comu-         compensado. Se a maioria deles não tiver so-       que não dá para ser criativo e reduzir os cus-
          nidade em questão nem é de psicólogos, mas         lução, aí sim, pode-se pensar em desistir, mas     tos de implantação de uma inovação? Afinal,
          sim de profissionais que atuam com inovação!       abandonar uma ideia antes disso pode ser um        uma boa ideia muitas vezes se sobressai pe-
             A questão de o medo ter sido citado em pri-     grande desperdício.                                la simplicidade.
          meiro lugar faz sentido: o novo, por definição,       Passemos então para as questões mais pal-          Enquanto eu escrevia este artigo, mais três
          é desconhecido, e o ser humano é programado        páveis: por exemplo, a falta de tempo. Podería-    pessoas deram seus palpites no LinkedIn so-
          para reagir mal ao que não conhece. Progra-        mos alegar que, no caso de um profissional de      bre as dificuldades para se inovar. Ninguém
          mado mesmo: há uma parte do nosso cérebro,         comunicação, o tempo que ele leva para fazer       inovou na resposta. Até porque, falar sobre
          não à toa chamada de cérebro reptiliano, que       um texto inovador não é muito maior do que         como certas coisas atrapalham nossas vidas
          é igualzinha a dos animais. E o que os animais     um “control c, control v” de seu arquivo men-      é fácil demais.
          fazem diante do desconhecido? Fogem ou ata-        tal. E gerar ideias, por si só, nem sempre toma       Dizem que inovar é difícil. Concordo. Mas
          cam. O que fazem os humanos diante de uma          tempo, pois elas podem surgir fora do trabalho.    nada que umas pitadas de criatividade asso-
          proposta de inovação? Fogem (“isso não é prio-        Na verdade, o tempo que se precisa para ino-    ciadas à determinação não resolvam...




                                                                                                                                                       30 JUL 2012 •



MM 1520 RE CriativInov.indd 53                                                                                                                                                     26/07/2012 17:34:57

Por que é tão difícil inovar?

  • 1.
    53 OPINIÃO Por que é tão difícil inovar? Uma boa ideia muitas vezes se sobressai pela simplicidade GISELA KASSOY Graduada em H á um tempo foi criado um debate, por meio ridade da empresa” “não tive tempo para cui- , var acontece antes e depois da grande ideia: é Comunicação pela Faap/SP com de um grupo no LinkedIn, sobre qual se- dar disso” etc.) ou atacam (“que ideia maluca!”, preciso tempo para absorver inputs sobre um especializações ria o maior obstáculo à inovação. Em um mês, “de onde vamos tirar o dinheiro para isso?”). produto ou serviço, captar as tendências do na Universidade as respostas somaram quase 400. A primeira Então, aqui vai a primeira dica para quem mercado, as necessidades dos clientes. E não de Nova York, no coisa que constato, então, tamanha adesão quer disseminar uma inovação: não deixe seu apenas tempo. Para alimentar nossas mentes, Centro de Liderança ao tema, é a aceitação quase unânime de que interlocutor desconfortável, sem entender di- para que elas gerem as futuras ideias, é preci- Criativa da Carolina inovar é difícil. reito do que se trata, pois aí ele “solta os bi- so um estado de relaxamento. Nada de culpa do Norte e na Escola Ok, fácil não é. Mas uma inovação não pode chos” Leve-o a um patamar menos primiti- . por não estar “trabalhando de fato” . de Gerentes do ser tão difícil a ponto de ser evitada, sobretu- vo, seja pelo lado emocional, apelando para a É preciso também tempo para formatar e Massachusetts Institute of do quando visualizamos que ela pode valer a empatia, seja pelo racional, apelando para os vender ideias realmente inovadoras: tudo o Technology, trabalha pena. Aliás, será que uma das dificuldades em benefícios da inovação em questão. Isto é váli- que for diferente do esperado irá demandar na capacitação de inovar não é justamente a incapacidade de as- do para a apresentação de uma inovação para exposições, explicações e, por que não, pro- profissionais para a segurar o seu sucesso antes de ele acontecer? chefes e colegas, assim como para o texto que tótipos. O Google tem uma proposta inte- geração, avaliação Voltemos à discussão do LinkedIn: entre as um profissional de comunicação irá fazer pa- ressante para seus profissionais: a chamada e implementação de respostas, quase todas em apenas uma palavra, ra apresentar um produto inovador. estratégia do 70/20/10. Explicando: 70% do ideias 16 mencionavam o medo como maior obstá- Agora, uma coisa é o medo instintivo, ou- tempo deve ser dedicado aos principais pro- culo, e umas 20 tinham o componente medo tra, completamente diferente, é a dificuldade dutos da empresa, 20% do tempo aos servi- gisela@giselakassoy. embutido, como aversão ao risco, preconcei- em administrar riscos. Pois é, em se tratando ços secundários e os 10% restantes são para com.br to, conservadorismo etc. Passividade, inércia, de inovação, risco zero não existe, mas existem a inovação. Se 10% for muito, pode-se tentar indiferença e similares vieram logo depois, se- formas de minimizar ou reverter riscos poten- 5% ou 2%. O importante é que algum tempo guidos pelas questões mais práticas, como fal- ciais de uma ideia. seja dedicado de fato, por inteiro, ao proces- ta de tempo, dinheiro, planejamento ou exces- Criei uma fórmula bastante simples para so de inovação. so de burocracia. dar uma visão das consequências negativas Falemos de outro recurso precioso: o vil Desprezando as respostas incompreensíveis que uma ideia pode gerar. Basta listar todos os metal. Precisamos de dinheiro para projetos, ou bizarras, ficamos com uma saraivada de problemas potenciais e depois analisar como protótipos, até para convencer pessoas so- questões de cunho comportamental até che- cada um deles pode ser evitado, revertido ou bre os benefícios de uma inovação. Mas será garmos aos obstáculos concretos. E a comu- compensado. Se a maioria deles não tiver so- que não dá para ser criativo e reduzir os cus- nidade em questão nem é de psicólogos, mas lução, aí sim, pode-se pensar em desistir, mas tos de implantação de uma inovação? Afinal, sim de profissionais que atuam com inovação! abandonar uma ideia antes disso pode ser um uma boa ideia muitas vezes se sobressai pe- A questão de o medo ter sido citado em pri- grande desperdício. la simplicidade. meiro lugar faz sentido: o novo, por definição, Passemos então para as questões mais pal- Enquanto eu escrevia este artigo, mais três é desconhecido, e o ser humano é programado páveis: por exemplo, a falta de tempo. Podería- pessoas deram seus palpites no LinkedIn so- para reagir mal ao que não conhece. Progra- mos alegar que, no caso de um profissional de bre as dificuldades para se inovar. Ninguém mado mesmo: há uma parte do nosso cérebro, comunicação, o tempo que ele leva para fazer inovou na resposta. Até porque, falar sobre não à toa chamada de cérebro reptiliano, que um texto inovador não é muito maior do que como certas coisas atrapalham nossas vidas é igualzinha a dos animais. E o que os animais um “control c, control v” de seu arquivo men- é fácil demais. fazem diante do desconhecido? Fogem ou ata- tal. E gerar ideias, por si só, nem sempre toma Dizem que inovar é difícil. Concordo. Mas cam. O que fazem os humanos diante de uma tempo, pois elas podem surgir fora do trabalho. nada que umas pitadas de criatividade asso- proposta de inovação? Fogem (“isso não é prio- Na verdade, o tempo que se precisa para ino- ciadas à determinação não resolvam... 30 JUL 2012 • MM 1520 RE CriativInov.indd 53 26/07/2012 17:34:57