Os sete saberes necessários
à Educação do Futuro
Os sete saberes necessários
à Educação do Futuro


Morin (2004) apresenta idéias que podem
contribuir para o educador redefinir a sua
posição nas instituições de ensino nas
relações com os estudantes, o currículo,
as disciplinas e a avaliação.
Sete são os saberes
que precisam ser ensinados...

1.   Considerar erros e ilusões constantes nas concepções;
2.   Construir o conhecimento pertinente;
3.   Reaprender a nossa própria condição humana;
4.   Reconhecer nossa identidade terrena;
5.   Enfrentar as incertezas constantes no conhecimento
     científico;
6.   Ensinar a compreensão por meio do diálogo e do
     entendimento;
7.   Discutir e exercitar a ética.
O erro e a ilusão...

A ciência se acostumou a afastar o erro de suas
concepções, contudo é preciso considerar o
erro e a ilusão constantes nas concepções para
que o conhecimento avance.
O erro e a ilusão...

Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão.
[...]
A educação deve mostrar que não há conhecimento que
não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela
ilusão.
[...]
O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo
externo. Todas as percepções são ao mesmo tempo,
traduções e reconstruções cerebrais com base em
estímulos ou sinais captados e codificados pelos sentidos.
                                           (MORIN, 2004, p.19-20)
O erro e a ilusão...

[...]
O desenvolvimento do conhecimento científico é poderoso
meio de detecção dos erros e de luta contra as ilusões.
Entretanto, os paradigmas que controlam a ciência podem
desenvolver ilusões, e nenhuma teoria científica está imune
para sempre contra o erro. Além disso o conhecimento
científico não pode tratar sozinho dos problemas
epistemológicos, filosóficos e éticos.


                                            (MORIN, 2004, p.19-20)
Conhecimento pertinente

Morin (2004) defende que não é preciso aniquilar a
idéia da disciplina, mas rearticular a idéia da
disciplina em outros contextos.
Conhecimento pertinente

Para que o conhecimento seja pertinente a
educação deve tornar o contexto, o global, o
multidimensional e o complexo evidentes.

Há ciências que já praticam o conhecimento
pertinente, como a Ecologia que junta áreas
variadas do conhecimento.

Portanto, o conhecimento pertinente é uma idéia
contra a fragmentação.
Condição humana

Precisamos aprender que temos
multidimensionalidades, além de seres culturais
somos, também, naturais, físicos, psíquicos, míticos
e imaginários.

É necessário reconhecer a nossa própria condição
humana de dualidade, expressa na idéia de
sapiensdemens.
Condição humana

Conhecer o humano é situá-lo no universo [...].

Devemos reconhecer nosso duplo enraizamento no
cosmos físico e na esfera viva e, ao mesmo tempo,
nosso desenraizamento propriamente humano.

Estamos simultaneamente dentro e fora da
natureza.

                                         (MORIN, 2004, p.47-48)
Condição humana

[...]
Somos originários do cosmos, da natureza, da vida,
mas, devido à própria humanidade, à nossa cultura,
à nossa mente, à nossa consciência, tornamo-nos
estranhos a este cosmos, que nos parece
secretamente íntimo.
[...]
O humano é um ser a um só tempo plenamente
biológico e plenamente cultural, que traz em si a
unidualidade originária.
                                       (MORIN, 2004, p.51-52)
Condição humana

[...] O homem somente se realiza plenamente como
ser humano pela cultura e na cultura. Não há cultura
sem cérebro humano (aparelho biológico dotado de
competências para agir, perceber, saber, aprender),
mas não há mente (mind), isto é, capacidade de
consciência e pensamento, sem cultura.




                                         (MORIN, 2004, p.52)
Condição humana

O ser humano é a um só tempo físico, biológico,
psíquico, cultural, social e histórico. Esta unidade
complexa da natureza humana é totalmente
desintegrada na educação por meio das disciplinas,
tendo se tornado impossível aprender o que significa
ser humano. É preciso restaurá-la, de modo que
cada um, onde quer que se encontre, tome
conhecimento e consciência, ao mesmo tempo de
sua identidade complexa e de sua identidade
comum a todos os outros seres humanos.
                                         (MORIN, 2004, p.15)
Identidade terrena


A Terra é a nossa pátria. A idéia da identidade
terrena está ligada a idéia da sustentabilidade.
Precisamos ensinar que a Terra é um pequeno
planeta que precisa ser sustentado a qualquer
custo.
Identidade terrena


Construir um planeta sustentável significa construir
um planeta viável para as futuras gerações. Se nós
não conseguirmos manter um planeta sustentável o
planeta pode apresentar sinais de irritabilidade,
como já é possível constatar.
Enfrentar as incertezas


A ciência cartesiana construiu a idéia de que tudo
que é científico pertence ao reino da certeza.
Enfrentar as incertezas

Em 1927 Werner Heisenberg construiu o princípio
da incerteza, ganhando um Prêmio Nobel. O
princípio da incerteza afirma que um determinado
elemento atômico pode se comportar
simultaneamente como onda e partícula.

Nós humanos, também somos partículas e ondas;
somos partículas enquanto seres individualizados e
somos ondas como seres portadores de muitas
multiplicidades.
Enfrentar as incertezas

Temos que ensinar o princípio da incerteza, no qual
o conhecimento científico, nunca é um produtor
absoluto de certezas. Ao contrário, tudo aquilo que
foi criado pelo homem é crivado pela idéia da
incerteza.

A incerteza pode comandar o avanço do saber e da
cultura. Esta idéia precisa ser incorporada no ensino
da física, da química, história, geografia, línguas,
filosofia...
Ensinar a compreensão

A compreensão deve ser o meio e o fim da
comunicação humana. A comunicação humana deve
ser voltada para a compreensão.

Nossas instituições de ensino são caracterizadas
pela incompreensão: disciplinas que brigam com as
outras, departamentos que não se entendem com
ou outros, áreas do conhecimento que não se falam
com as outras.
Ensinar a compreensão

É preciso introduzir o ensino da compreensão nas
unidades de ensino em qualquer nível que elas
exerçam.

A idéia da compreensão pode ser estendida ao
planeta que precisa de mais compreensão. O que
caracteriza hoje nosso planeta, enquanto terra pátria
é a incompreensão políticas, ideológicas,
econômicas.
Ética do gênero humano

A ética é uma palavra de entendimento complexo.
Poderíamos resumir o significado da ética com a
seguinte expressão: não desejar para os outros,
aquilo que você não deseja para você.
Ética do gênero humano

A antropoética é a ética do gênero humano. O
ensino da antropoética precisa ser reintroduzido nas
escolas.

A antropoética está ancorada em três elementos: o
indivíduo, a sociedade e a espécie.

Precisamos construir uma antropoética para religar
indivíduo, sociedade e espécie.
O propósito dos Sete Saberes

Como aplicar os sete saberes na reforma da
educação é um problema a ser discutido e decidido
coletivamente nas instituições de ensino.

Os sete saberes podem contribuir para juntar as
disciplinas. Na prática se propõe uma redefinição
dos currículos que integrem os saberes e propiciem
a formação e a ações de um novo tipo de professor.
O propósito dos Sete Saberes


O pensamento complexo não é contra a disciplina,
mas abre outros campos para a disciplina. Sua
introdução no ensino pode nos levar possivelmente
para rumos inovadores na construção do
conhecimento.
O propósito dos Sete Saberes
1.   Revisar currículos;
2.   Integrar as disciplinas e religar os saberes;
3.   Reorganizar o pensamento;
4.   Abrir outros campos de saberes;
5.   Recusar a separação entre razão e emoção,
     ciência e arte, ciência e mito;
6.   Estimular o diálogo entre diferentes,
     reconhecendo que pode haver relações de tensão
     entre opostos (singular e universal, local e global,
     sujeito e objeto).
Referências

CARVALHO, Edgard de Assis. Morin. São Paulo: Atta -
Mídia e Educação, 2006. (Coleção Grandes Educadores).
Vídeo, 55min.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação
do futuro. 9.ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO,
2004.




                               Slides organizados por Sandra Freitas, em
                            2010, para atender o Curso – Prática Docente
                                no Ensino Superior, realizado pela UFPA.

Os sete saberes: Edgar Morin (síntese)

  • 1.
    Os sete saberesnecessários à Educação do Futuro
  • 2.
    Os sete saberesnecessários à Educação do Futuro Morin (2004) apresenta idéias que podem contribuir para o educador redefinir a sua posição nas instituições de ensino nas relações com os estudantes, o currículo, as disciplinas e a avaliação.
  • 3.
    Sete são ossaberes que precisam ser ensinados... 1. Considerar erros e ilusões constantes nas concepções; 2. Construir o conhecimento pertinente; 3. Reaprender a nossa própria condição humana; 4. Reconhecer nossa identidade terrena; 5. Enfrentar as incertezas constantes no conhecimento científico; 6. Ensinar a compreensão por meio do diálogo e do entendimento; 7. Discutir e exercitar a ética.
  • 4.
    O erro ea ilusão... A ciência se acostumou a afastar o erro de suas concepções, contudo é preciso considerar o erro e a ilusão constantes nas concepções para que o conhecimento avance.
  • 5.
    O erro ea ilusão... Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. [...] A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão. [...] O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. Todas as percepções são ao mesmo tempo, traduções e reconstruções cerebrais com base em estímulos ou sinais captados e codificados pelos sentidos. (MORIN, 2004, p.19-20)
  • 6.
    O erro ea ilusão... [...] O desenvolvimento do conhecimento científico é poderoso meio de detecção dos erros e de luta contra as ilusões. Entretanto, os paradigmas que controlam a ciência podem desenvolver ilusões, e nenhuma teoria científica está imune para sempre contra o erro. Além disso o conhecimento científico não pode tratar sozinho dos problemas epistemológicos, filosóficos e éticos. (MORIN, 2004, p.19-20)
  • 7.
    Conhecimento pertinente Morin (2004)defende que não é preciso aniquilar a idéia da disciplina, mas rearticular a idéia da disciplina em outros contextos.
  • 8.
    Conhecimento pertinente Para queo conhecimento seja pertinente a educação deve tornar o contexto, o global, o multidimensional e o complexo evidentes. Há ciências que já praticam o conhecimento pertinente, como a Ecologia que junta áreas variadas do conhecimento. Portanto, o conhecimento pertinente é uma idéia contra a fragmentação.
  • 9.
    Condição humana Precisamos aprenderque temos multidimensionalidades, além de seres culturais somos, também, naturais, físicos, psíquicos, míticos e imaginários. É necessário reconhecer a nossa própria condição humana de dualidade, expressa na idéia de sapiensdemens.
  • 10.
    Condição humana Conhecer ohumano é situá-lo no universo [...]. Devemos reconhecer nosso duplo enraizamento no cosmos físico e na esfera viva e, ao mesmo tempo, nosso desenraizamento propriamente humano. Estamos simultaneamente dentro e fora da natureza. (MORIN, 2004, p.47-48)
  • 11.
    Condição humana [...] Somos origináriosdo cosmos, da natureza, da vida, mas, devido à própria humanidade, à nossa cultura, à nossa mente, à nossa consciência, tornamo-nos estranhos a este cosmos, que nos parece secretamente íntimo. [...] O humano é um ser a um só tempo plenamente biológico e plenamente cultural, que traz em si a unidualidade originária. (MORIN, 2004, p.51-52)
  • 12.
    Condição humana [...] Ohomem somente se realiza plenamente como ser humano pela cultura e na cultura. Não há cultura sem cérebro humano (aparelho biológico dotado de competências para agir, perceber, saber, aprender), mas não há mente (mind), isto é, capacidade de consciência e pensamento, sem cultura. (MORIN, 2004, p.52)
  • 13.
    Condição humana O serhumano é a um só tempo físico, biológico, psíquico, cultural, social e histórico. Esta unidade complexa da natureza humana é totalmente desintegrada na educação por meio das disciplinas, tendo se tornado impossível aprender o que significa ser humano. É preciso restaurá-la, de modo que cada um, onde quer que se encontre, tome conhecimento e consciência, ao mesmo tempo de sua identidade complexa e de sua identidade comum a todos os outros seres humanos. (MORIN, 2004, p.15)
  • 14.
    Identidade terrena A Terraé a nossa pátria. A idéia da identidade terrena está ligada a idéia da sustentabilidade. Precisamos ensinar que a Terra é um pequeno planeta que precisa ser sustentado a qualquer custo.
  • 15.
    Identidade terrena Construir umplaneta sustentável significa construir um planeta viável para as futuras gerações. Se nós não conseguirmos manter um planeta sustentável o planeta pode apresentar sinais de irritabilidade, como já é possível constatar.
  • 16.
    Enfrentar as incertezas Aciência cartesiana construiu a idéia de que tudo que é científico pertence ao reino da certeza.
  • 17.
    Enfrentar as incertezas Em1927 Werner Heisenberg construiu o princípio da incerteza, ganhando um Prêmio Nobel. O princípio da incerteza afirma que um determinado elemento atômico pode se comportar simultaneamente como onda e partícula. Nós humanos, também somos partículas e ondas; somos partículas enquanto seres individualizados e somos ondas como seres portadores de muitas multiplicidades.
  • 18.
    Enfrentar as incertezas Temosque ensinar o princípio da incerteza, no qual o conhecimento científico, nunca é um produtor absoluto de certezas. Ao contrário, tudo aquilo que foi criado pelo homem é crivado pela idéia da incerteza. A incerteza pode comandar o avanço do saber e da cultura. Esta idéia precisa ser incorporada no ensino da física, da química, história, geografia, línguas, filosofia...
  • 19.
    Ensinar a compreensão Acompreensão deve ser o meio e o fim da comunicação humana. A comunicação humana deve ser voltada para a compreensão. Nossas instituições de ensino são caracterizadas pela incompreensão: disciplinas que brigam com as outras, departamentos que não se entendem com ou outros, áreas do conhecimento que não se falam com as outras.
  • 20.
    Ensinar a compreensão Épreciso introduzir o ensino da compreensão nas unidades de ensino em qualquer nível que elas exerçam. A idéia da compreensão pode ser estendida ao planeta que precisa de mais compreensão. O que caracteriza hoje nosso planeta, enquanto terra pátria é a incompreensão políticas, ideológicas, econômicas.
  • 21.
    Ética do gênerohumano A ética é uma palavra de entendimento complexo. Poderíamos resumir o significado da ética com a seguinte expressão: não desejar para os outros, aquilo que você não deseja para você.
  • 22.
    Ética do gênerohumano A antropoética é a ética do gênero humano. O ensino da antropoética precisa ser reintroduzido nas escolas. A antropoética está ancorada em três elementos: o indivíduo, a sociedade e a espécie. Precisamos construir uma antropoética para religar indivíduo, sociedade e espécie.
  • 23.
    O propósito dosSete Saberes Como aplicar os sete saberes na reforma da educação é um problema a ser discutido e decidido coletivamente nas instituições de ensino. Os sete saberes podem contribuir para juntar as disciplinas. Na prática se propõe uma redefinição dos currículos que integrem os saberes e propiciem a formação e a ações de um novo tipo de professor.
  • 24.
    O propósito dosSete Saberes O pensamento complexo não é contra a disciplina, mas abre outros campos para a disciplina. Sua introdução no ensino pode nos levar possivelmente para rumos inovadores na construção do conhecimento.
  • 25.
    O propósito dosSete Saberes 1. Revisar currículos; 2. Integrar as disciplinas e religar os saberes; 3. Reorganizar o pensamento; 4. Abrir outros campos de saberes; 5. Recusar a separação entre razão e emoção, ciência e arte, ciência e mito; 6. Estimular o diálogo entre diferentes, reconhecendo que pode haver relações de tensão entre opostos (singular e universal, local e global, sujeito e objeto).
  • 26.
    Referências CARVALHO, Edgard deAssis. Morin. São Paulo: Atta - Mídia e Educação, 2006. (Coleção Grandes Educadores). Vídeo, 55min. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 9.ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2004. Slides organizados por Sandra Freitas, em 2010, para atender o Curso – Prática Docente no Ensino Superior, realizado pela UFPA.