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O Patriarcado
comoAgência de
Controle
Ana Arantes
Coletivo
Marias & Amélias
de Mulheres Analistas do
Comportamento
2Ana Arantes
AGÊNCIAS DE CONTROLE
(Skinner, 1953)
 indivíduos dentro do grupo
controlam e dispõem reforçadores
 manipulação de estímulos com o
fim de se controlar comportamento
 práticas realizadas pelas agências
têm como função estabelecer
obediência (controle) e autocontrole
sobre os outros membros do grupo
3Ana Arantes
“O grupo exerce um controle ético sobre
cada um de seus membros através,
principalmente, de seu poder de reforçar
ou punir. O poder deriva do número e da
importância de outras pessoas na vida de
cada membro. Geralmente o grupo não é
bem organizado, nem seus procedimentos
são consistentemente mantidos. Dentro
do grupo, entretanto, certas agências de
controle manipulam conjuntos
particulares de variáveis. Essas agências
são geralmente mais bem organizadas que
o grupo como um todo, e frequentemente
operam com maior sucesso.”
(Skinner, 1953)
4Ana Arantes
 controlar o comportamento dos
indivíduos permitindo que eles
terminem, evitem ou escapem de
estímulos aversivos; ou por ser a
única/principal fonte provedora de
reforçadores
COERÇÃO
(Sidman, 1989)
5Ana Arantes
COERÇÃO
(Sidman, 1989)
 Controle do
comportamento por:
1. punição ou ameaça de punição
2. reforço negativo (retirada de
estimulação aversiva)
3. controle de (poder sobre)
reforçadores positivos
6Ana Arantes
 estabelecem os valores reforçadores
dos estímulos, elas "ditam" o que é bom,
correto, bonito, moral, etc, ensinando a
comunidade o que vai ser reforçador
para seus membros
 ensinam as pessoas a se
comportarem de determinadas maneiras
através de um conjunto de regras que a
gente chama de "ideologia"
 conjunto de regras que estabelecem
determinadas práticas sociais como
"naturais" a um determinado contexto
social
AGÊNCIAS
CONTROLADORAS
7Ana Arantes
"Em geral, as práticas realizadas pela
agência têm como função estabelecer
obediência e autocontrole em seus
controlados, ou seja, um repertório
suficiente e bem estabelecido de tal
modo que, mesmo na ausência do
agente controlador, eles se
comportem de acordo com a agência.
Ou seja, a agência garante seu próprio
futuro por meio do estabelecimento
de autocontrole dos controlados."
(Bezerra, 2003)
8Ana Arantes
 para evitar contracontrole os
sistemas de dominação usam
estratégias de "naturalização" do
status quo
 estabelecem práticas sociais que
permitem que os controlados
evitem punição ao se comportarem
de determinadas maneiras que são
reforçadas diferencialmente e
adquirem status de "hábito",
"costume", "regra social",
"natureza"...
9Ana Arantes
"Quando o grupo nos ensina
o que pode ser dito e o que
não pode, também nos
ensina o que pode ser
pensado e o que não pode."
(Todorov, 2014)
10Ana Arantes
“E à mulher disse: multiplicarei
grandemente a tua dor, e a tua
conceição; com dor darás à luz filhos; e
o teu desejo será para o teu marido, e ele
te dominará.”
(Gênesis, 3:16)
“O melhor movimento feminino ainda é o
dos quadris.”
(Millôr Fernandes)
“As muito feias que me perdoem, mas
beleza é fundamental.”
(Vinicius de Moraes)
11Ana Arantes
“A mulher moderna ─ dita independente, que
nem de pai para seus filhos precisa mais, a
não ser dos espermatozóides ─ assim só o é
porque se frustrou como mulher. Tanto isto é
verdade ─ respeitosamente ─ que aquela que
encontrar o homem de sua vida, aquele que a
satisfaça como ser e principalmente como ser
sensual, tenderá a abrir mão de tudo (ou de
muito), no sentido dessa 'igualdade' que
hipocritamente se está a lhe conferir. A
mulher quer ser amada. Só isso. Nada mais.”
(Juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, 2007)
12Ana Arantes
Patriarcado =
agência de controle
 objetivo: manter a prática social
de dominação masculina
 ideologia (regra) que mantém
essa prática é o machismo
(supremacia masculina)
13
“(...) patriarcado diz respeito a uma forma
de organização e de dominação sociais
calcada na exploração dos homens sobre
as mulheres. Constitui-se num conceito
que permite visualizar que a dominação
não está presente somente na esfera
familiar, tampouco apenas no âmbito
trabalhista, ou na mídia ou na política. O
patriarcalismo compõe a dinâmica social
como um todo, estando inclusive,
inculcado no inconsciente de homens e
mulheres individualmente e no coletivo
enquanto categorias sociais.”
(Saffioti, 2011)
Ana Arantes
14Ana Arantes
 machismo/supremacia
masculina = desumanização da
mulher pelo estabelecimento do
padrão masculino de humanidade
 o homem é a medida de
todas as coisas
 o homem foi feito à
imagem e semelhança de
deus
15Ana Arantes
 podemos nos referir a esse
sistema de práticas sociais e
estabelecimento arbitrário de
reforçadores como um "construto
social", mas do ponto de vista
feminista é útil salientar o termo
"dominação masculina"
 ressalta que o controle é exercido
pelo patriarcado e aumenta a
probabilidade de contracontrole por
sair do sistema de regras / ideologia
imposto por ele
16Ana Arantes
CONTRACONTROLE
(Skinner, 1974)
 estabelecer contingências para
controlar o comportamento do
“controlador”
 respostas de fuga/esquiva das
contingências dentro da agência de
controle
17Ana Arantes
"O contracontrole ocorre quando os
controlados escapam ao controlador,
pondo-se fora do seu alcance, se for
uma pessoa; deserdando de um
governo; apostasiando de uma
religião; demitindo-se ou mandriando -
ou então atacam a fim de enfraquecer
ou destruir o poder controlador, como
numa revolução, numa reforma, numa
greve ou num protesto estudantil. Em
outras palavras, eles se opõem ao
controle com contracontrole"
(Skinner, 1974)
18Ana Arantes
“A dominação só pode ser
enxergada de uma
posição que envolve a
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(Thompson, 2001)
19Ana Arantes
1. autoconhecimento = saber por que
fazemos o que fazemos (quais os
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nossos comportamentos)
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2. discriminar as regras (“ideologias”)
que controlam nosso comportamento e
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para opressão da mulher e para a
dominação masculina
20Ana Arantes
3. “(...) muitas das respostas verbais que
descrevem aspectos do ambiente,
topograficamente semelhantes às
respostas de tatear, seriam, na verdade,
respostas intraverbais emitidas sob
controle discriminativo das respostas de
outros membros da comunidade verbal.”
(Guerin, 1992)
4. reconhecer e combater a arbitrariedade
da atribuição de valor reforçador a
estímulos feita pela agência controladora
(estabelecer valor reforçador a estímulos
que não possam ser usados para oprimir
e/ou violentar)
21Ana Arantes
Ilustração: "Woman in Orange" de America Martin
Referências:
Bezerra, M.S.L. (2003). Questões preliminares sobre política em B. F.
Skinner. Trabalho final desenvolvido na disciplina de Pesquisa
em Fundamentos da Psicologia. Universidade Federal de São
Carlos. Não publicado.
Guerin, B. (1992). Behavior analysis and the social construction of
knowledge. American Psychologist, 47(11), 1423-1432.
Saffioti, H. (2011). Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Editora
Fundação Perseu Abramo.
Sidman, M. (1989). Coerção e suas implicações. Campinas: Livro Pleno.
Skinner, B.F. (1953). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo:
Martins Fontes.
Skinner, B.F. (1974). About Behaviorism. New York: Alfred A. Knopf.
Thompson, D. (2001). Radical Feminism Today. Londres: SAGE
Publications.
Todorov, J.C. (2014). Controle e contra controle em contingências
sociais. Blog João Cláudio Todorov. Publicado em 20 de
agosto de 2014. Disponível em: http://jctodorov.blogspot
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O Patriarcado como Agência de Controle

  • 1. O Patriarcado comoAgência de Controle Ana Arantes Coletivo Marias & Amélias de Mulheres Analistas do Comportamento
  • 2. 2Ana Arantes AGÊNCIAS DE CONTROLE (Skinner, 1953)  indivíduos dentro do grupo controlam e dispõem reforçadores  manipulação de estímulos com o fim de se controlar comportamento  práticas realizadas pelas agências têm como função estabelecer obediência (controle) e autocontrole sobre os outros membros do grupo
  • 3. 3Ana Arantes “O grupo exerce um controle ético sobre cada um de seus membros através, principalmente, de seu poder de reforçar ou punir. O poder deriva do número e da importância de outras pessoas na vida de cada membro. Geralmente o grupo não é bem organizado, nem seus procedimentos são consistentemente mantidos. Dentro do grupo, entretanto, certas agências de controle manipulam conjuntos particulares de variáveis. Essas agências são geralmente mais bem organizadas que o grupo como um todo, e frequentemente operam com maior sucesso.” (Skinner, 1953)
  • 4. 4Ana Arantes  controlar o comportamento dos indivíduos permitindo que eles terminem, evitem ou escapem de estímulos aversivos; ou por ser a única/principal fonte provedora de reforçadores COERÇÃO (Sidman, 1989)
  • 5. 5Ana Arantes COERÇÃO (Sidman, 1989)  Controle do comportamento por: 1. punição ou ameaça de punição 2. reforço negativo (retirada de estimulação aversiva) 3. controle de (poder sobre) reforçadores positivos
  • 6. 6Ana Arantes  estabelecem os valores reforçadores dos estímulos, elas "ditam" o que é bom, correto, bonito, moral, etc, ensinando a comunidade o que vai ser reforçador para seus membros  ensinam as pessoas a se comportarem de determinadas maneiras através de um conjunto de regras que a gente chama de "ideologia"  conjunto de regras que estabelecem determinadas práticas sociais como "naturais" a um determinado contexto social AGÊNCIAS CONTROLADORAS
  • 7. 7Ana Arantes "Em geral, as práticas realizadas pela agência têm como função estabelecer obediência e autocontrole em seus controlados, ou seja, um repertório suficiente e bem estabelecido de tal modo que, mesmo na ausência do agente controlador, eles se comportem de acordo com a agência. Ou seja, a agência garante seu próprio futuro por meio do estabelecimento de autocontrole dos controlados." (Bezerra, 2003)
  • 8. 8Ana Arantes  para evitar contracontrole os sistemas de dominação usam estratégias de "naturalização" do status quo  estabelecem práticas sociais que permitem que os controlados evitem punição ao se comportarem de determinadas maneiras que são reforçadas diferencialmente e adquirem status de "hábito", "costume", "regra social", "natureza"...
  • 9. 9Ana Arantes "Quando o grupo nos ensina o que pode ser dito e o que não pode, também nos ensina o que pode ser pensado e o que não pode." (Todorov, 2014)
  • 10. 10Ana Arantes “E à mulher disse: multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” (Gênesis, 3:16) “O melhor movimento feminino ainda é o dos quadris.” (Millôr Fernandes) “As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.” (Vinicius de Moraes)
  • 11. 11Ana Arantes “A mulher moderna ─ dita independente, que nem de pai para seus filhos precisa mais, a não ser dos espermatozóides ─ assim só o é porque se frustrou como mulher. Tanto isto é verdade ─ respeitosamente ─ que aquela que encontrar o homem de sua vida, aquele que a satisfaça como ser e principalmente como ser sensual, tenderá a abrir mão de tudo (ou de muito), no sentido dessa 'igualdade' que hipocritamente se está a lhe conferir. A mulher quer ser amada. Só isso. Nada mais.” (Juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, 2007)
  • 12. 12Ana Arantes Patriarcado = agência de controle  objetivo: manter a prática social de dominação masculina  ideologia (regra) que mantém essa prática é o machismo (supremacia masculina)
  • 13. 13 “(...) patriarcado diz respeito a uma forma de organização e de dominação sociais calcada na exploração dos homens sobre as mulheres. Constitui-se num conceito que permite visualizar que a dominação não está presente somente na esfera familiar, tampouco apenas no âmbito trabalhista, ou na mídia ou na política. O patriarcalismo compõe a dinâmica social como um todo, estando inclusive, inculcado no inconsciente de homens e mulheres individualmente e no coletivo enquanto categorias sociais.” (Saffioti, 2011) Ana Arantes
  • 14. 14Ana Arantes  machismo/supremacia masculina = desumanização da mulher pelo estabelecimento do padrão masculino de humanidade  o homem é a medida de todas as coisas  o homem foi feito à imagem e semelhança de deus
  • 15. 15Ana Arantes  podemos nos referir a esse sistema de práticas sociais e estabelecimento arbitrário de reforçadores como um "construto social", mas do ponto de vista feminista é útil salientar o termo "dominação masculina"  ressalta que o controle é exercido pelo patriarcado e aumenta a probabilidade de contracontrole por sair do sistema de regras / ideologia imposto por ele
  • 16. 16Ana Arantes CONTRACONTROLE (Skinner, 1974)  estabelecer contingências para controlar o comportamento do “controlador”  respostas de fuga/esquiva das contingências dentro da agência de controle
  • 17. 17Ana Arantes "O contracontrole ocorre quando os controlados escapam ao controlador, pondo-se fora do seu alcance, se for uma pessoa; deserdando de um governo; apostasiando de uma religião; demitindo-se ou mandriando - ou então atacam a fim de enfraquecer ou destruir o poder controlador, como numa revolução, numa reforma, numa greve ou num protesto estudantil. Em outras palavras, eles se opõem ao controle com contracontrole" (Skinner, 1974)
  • 18. 18Ana Arantes “A dominação só pode ser enxergada de uma posição que envolve a disposição para ver.” (Thompson, 2001)
  • 19. 19Ana Arantes 1. autoconhecimento = saber por que fazemos o que fazemos (quais os verdadeiros determinantes / causas dos nossos comportamentos) “VER” 2. discriminar as regras (“ideologias”) que controlam nosso comportamento e reconhecer as ideologias que são usadas para opressão da mulher e para a dominação masculina
  • 20. 20Ana Arantes 3. “(...) muitas das respostas verbais que descrevem aspectos do ambiente, topograficamente semelhantes às respostas de tatear, seriam, na verdade, respostas intraverbais emitidas sob controle discriminativo das respostas de outros membros da comunidade verbal.” (Guerin, 1992) 4. reconhecer e combater a arbitrariedade da atribuição de valor reforçador a estímulos feita pela agência controladora (estabelecer valor reforçador a estímulos que não possam ser usados para oprimir e/ou violentar)
  • 21. 21Ana Arantes Ilustração: "Woman in Orange" de America Martin Referências: Bezerra, M.S.L. (2003). Questões preliminares sobre política em B. F. Skinner. Trabalho final desenvolvido na disciplina de Pesquisa em Fundamentos da Psicologia. Universidade Federal de São Carlos. Não publicado. Guerin, B. (1992). Behavior analysis and the social construction of knowledge. American Psychologist, 47(11), 1423-1432. Saffioti, H. (2011). Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo. Sidman, M. (1989). Coerção e suas implicações. Campinas: Livro Pleno. Skinner, B.F. (1953). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes. Skinner, B.F. (1974). About Behaviorism. New York: Alfred A. Knopf. Thompson, D. (2001). Radical Feminism Today. Londres: SAGE Publications. Todorov, J.C. (2014). Controle e contra controle em contingências sociais. Blog João Cláudio Todorov. Publicado em 20 de agosto de 2014. Disponível em: http://jctodorov.blogspot .com.br/2014/08/controle-e-contra-controle-em.html