O Homem, Deus e o Universo
5 - A NATUREZA DO
ETERNO NÃO-MANIFESTO
O Homem, Deus e o Universo
IntroduçãoAo tratar da
natureza da
Realidade
Eterna Não-
Manifesta, por
conveniência de
compreensão, a
dividimos em
três aspectos:
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Tentamos entender como esses três aspectos da
Realidade diferem entre si, considerando-os
separadamente.
Mas, para não perder a visão da unidade do
Eterno Não-Manifesto, é desejável considerar
esses Três Aspectos em conjunto.
Antes de tratarmos da natureza do Eterno Não-
Manifesto, como um todo, recapitulemos os
fatos essenciais de cada um de Seus Aspectos.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
O ABSOLUTO
É a Realidade Suprema, Parabrahman da
filosofia hindú, no qual aquilo que encontra
expressão no universo manifesto e que também
está presente potencialmente no Não-Manifesto
existe em estado perfeitamente harmonizado,
equilibrado e integrado num estado que parece
vazio e cheio ao mesmo tempo. Até mesmo os
produtos das diferenciações primordial e
secundária que formam a outra parte dos
componentes do Eterno-Não-Manifesto estão
tão perfeitamente harmonizadas que nada pode
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
O ABSOLUTO
ser distinguido nessa Realidade Suprema,
chamada assim de Nirvishesha (sem qualquer
distinção ou propriedade). Apesar de sua
natureza de vazio perfeito e de sua natureza
aparentemente impenetrável, o Absoluto é a
causa suprema e sem causa do Não-Manifesto e
também do universo manifesto.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
O ABSOLUTO
O conceito do Absoluto como Realidade
Suprema Auto-suficiente e Autodeterminada,
em que todos os processos de manifestação,
dissolução etc, têm lugar automaticamente
como resultado de um Ritmo Cósmico
fundamental, requer a existência de um Ponto
através do qual esse eterno Ritmo Cósmico se
manifeste e se projete periodicamente um
universo manifesto.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
O ABSOLUTO
Esse Ponto corresponde ao número 1, colocado
entre o 0, representando o estado de vazio do
Absoluto, e o 2, representando a dualidade
primordial do Shiva-Shakti Tattva. O Ponto é
assim veículo do Absoluto oposto do Espaço
infinito sem limites. O Ponto é a porta entre o
Absoluto como um vazio e os restantes estados
Não-Manifesto e manifesto.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
SHIVA-SHAKTI TATTVA
Princípio Positivo-Negativo ou Pai-Mãe, produto
da diferenciação primordial da Realidade
Suprema e da dualidade primordial cujos
resultados dividem, por assim dizer, o conjunto
da Realidade manifesta e não-manifesta em
duas contra-partes opostas que, por sua ação e
reação e compensação de opostos, configura a
textura do universo. Este Princípio é a própria
essência e fundamento do universo.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
SHIVA-SHAKTI TATTVA
Neste princípio dual é que estão os mistérios e
relacionamentos de consciência e poder, de
vontade e ação, de atração e repulsa, de amor e
bem-aventurança. Desse princípio dual se
originam todos os múltiplos e universais
fenômenos da vida, da mente e da consciência
em todos os níveis.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
MAHESHVARA-MAHESHVARÎ TATTVA
O Princípio-Mente com sua característica
essencial do relacionamento sujeito-objeto. Este
Princípio-Mente, raiz dos fenômenos mentais
em todos os níveis, encontra expressão na
Ideação Cósmica do Logos-Não-Manifesto no
nível mais elevado e reflete-se, em seguida, nos
fenômenos mentais de todos os graus de
sutileza, nos diversos reinos da manifestação.
Embora esse tattva seja também dual e polar,
essa dualidade e polaridade são de um tipo
diferente e resultam em fenômenos de natureza
diferente.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Assim como a Consciência integrada de Shiva é a
raiz da mente funcionando através da relação
sujeito-objeto, o Poder integrado de Shakti é a
raiz de toda manifestação de energia que tem
lugar através de Prakriti em seu tríplice aspecto.
Os dois componentes polares da diferenciação
primária devem ser necessariamente afetados
de igual modo na diferenciação secundária,
ainda que os produtos nos dois polos sejam
diferentes.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
A consciência se diferencia em Sat-Cit-Ânanda, a
raiz da mente e o Poder se diferencia em Tamas-
Rajas-Sattva, a raiz da Matéria ou Mûlaprakriti.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Prakriti designa uma realidade num nível
inferior ao de Shakti. Prakriti é o correlato do
Princípio Mente enquanto Shakti, seu oposto
polar, é correlato do princípio Consciência.
Prakriti é o estado compensado dos gunas
enquanto que Shakti é o Poder Consciente,
oposto polar da Consciência pura na qual o
Poder está em potencial.
Quando a Consciência pura integrada desce à
manifestação, aparece como fenômeno mental.
Quando o Poder integrado desce à
manifestação, aparece como Prakriti com sua
expressão nas gunas.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Quando a mente ou Citta funde-se na
Consciência integrada do Purusha, ao atingir
kaivalia, o papel das gunas está terminado e
Prakriti une-se ao poder potencial.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Falamos dos três aspectos do Eterno-Não-
Manifesto que constituem de fato uma
unicidade e que se salientam cada vez mais
à medida que descem à manifestação
aparecendo na forma do Tríplice Logos, da
Tríplice Mônada, da Tríplice
Individualidade e da Tríplice
Personalidade, reflexos nos diversos níveis
da triplicidade oculta e sutil presente no
Não-Manifesto em seu lado de Consciência
ou Realidade subjetiva.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Do lado do poder, ou Realidade objetiva,
verificamos também a mesma triplicidade
refletida repetidamente nos planos inferiores.
Nos mundos divinos temos Âdi, Anupadaka e
Átmico Superior. Nos mundos espirituais temos
Átmico Inferior, Búdhico e Mental Superior e nos
mundos temporais temos Mental Inferior, Astral
e Físico.
Os dois aspectos do Não-Manifesto, um atinente
à unicidade e o outro à sua triplicidade, podem
ser representados simultaneamente, até certo
ponto pela cruz como na figura a seguir.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Com relação à figura anterior , devem ser
observados:
a) A dupla polaridade nasce do ponto de
intersecção representando o Absoluto em seu
aspecto do Um.
b) A representação das diferenciações primária e
secundária por linhas não significa qualquer
separação no espaço. O Não-Manifesto está
acima do espaço assim como suas polarizações
ou diferenciações que funcionam e são
originárias de num ponto. A representação das
diferenciações por linhas retas oculta uma
verdade extremamente sutil.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
c) Não só está a polaridade acima do espaço e
funcionando em torno de um ponto mas
também temos que concebê-la como resultante
de uma redistribuição interna num só e mesmo
Princípio que produz contraste ou potencial sem
a introdução de qualquer coisa do exterior
afetando o conjunto e a autosuficiência do
Princípio.
d) O princípio mencionado no item ‘c’ pode
esclarecer um tanto a natureza das polaridades
ou os contrastes produzidos nas diferenciações
primária e secundária da Realidade Suprema.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Shiva Tattva pode ser considerado como
possuindo mais da Realidade, ou como
Realidade com potencial mais elevado,
enquanto Shakti Tattva pode ser considerado
como possuindo menos da Realidade ou
Realidade com potencial menos elevado. A luz
contém trevas e as trevas contém luz
potencialmente. É uma questão de relatividade.
Não pode haver luz absoluta ou trevas absolutas
exceto como limites ideais. O Princípio que
contém mais da Realidade, por assim dizer, e
que mostra os atributos da consciência subjetiva
e positiva será chamado Shiva, enquanto o
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
princípio que contém relativamente menos da
Realidade e que mostra os atributos de
objetividade e poder negativo é chamado Shakti
na Filosofia hindu. No Shiva Tattva o Poder é
considerado inerente, mas presente em estado
inativo. Do mesmo modo no Shakti Tattva a
consciência é inerente, presente no substrato.
Ambas contêm um e outro mas em graus
relativos. Este fato da realidade relativa constitui
a polaridade do Shiva-Shakti-Tattva.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
e) No caso de Maheshvara-Maheshvarî Tattva a
polaridade é de classe diferente e resulta no
aparecimento da relação sujeito-objeto que é a
base do Princípio da Mente. Nesse caso a
palavra polaridade talvez não seja apropriada, já
que tal palavra é associada aos fenômenos que
envolvem forças diferentes. O contraste sujeito-
objeto não envolve forças de espécies diferentes
mas há apenas a redistribuição interna de
conteúdos por assim dizer. Com isso, se torna
admissível o uso da palavra “polaridade”.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Maheshvara-Maheshvarî Tattva ou princípio da
Mente Cósmica mencionado como Logos
Cósmico Não-Manifesto, é a sede da Ideação
Cósmica. Nessas regiões obscuras e
incompreensíveis os sucessivos universos
manifestos, em eterna sucessão, tomam forma
como resultado da ação mental do Logos
Cósmico. E embora falemos em ação “mental” e
”ideação”, de fato a atividade é mais espiritual
em sua natureza que a mais elevada
espiritualidade que possamos conceber. O
reflexo de tais atividades no reino da
manifestação dá origem aos fenômenos que
consideramos mentais.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
O Não manifesto é um estado integrado, onde
todas as diferenciações estão em estado
potencial, apesar de nenhum estar
verdadeiramente presente. E podem surgir
desse estado assim que sejam preenchidas as
condições necessárias. Os inumeráveis universos
que emergem da mente do Logos Cósmico não
estão presentes nela na forma que aparecerão
no tempo e no espaço ou mesmo em sua forma
espiritual. Suposto que isto importe em negar,
mesmo ao Logos Cósmico, a liberdade de criar,
surge a questão: “Qual é a fonte suprema do
universo?” Seguramente não é o Absoluto.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
O conceito de estado integrado nos habilitará a
compreender não apenas como o Grande
Criador é livre para criar os universos, mas
também que deve ter a possibilidade de criar
séries sem fim de universos devido ao estado
integrado de sua Consciência.
Deus não pode ser limitado por suas criações,
como aconteceria se todos os Seus planos
obedecessem previamente a uma forma.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Os universos saem do Não-Manifesto como
resultado da livre Atividade Divina Criadora
embora os Logoi, operando nas regiões
inferiores da manifestação, tenham de trabalhar
de acordo como Grande Plano resultante desta
atividade. Mas isso não quer dizer que os Logoi
Solares tenham sua atividade criadora limitada.
Não é assim. Eles são facetas da Realidade que
chamamos Logos Cósmico.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Vemos assim que as diferenciações primária e
secundária da Realidade Suprema acarretam
apenas uma diferenciação parcial e as
Realidades que resultam dessas diferenciações
são ainda estados integrados do Absoluto.
Quando tem lugar a manifestação, a Consciência
pura integrada se diferencia em estados de
mente de vários graus de sutileza e o Poder
integrado potencial se diferencia em poderes
específicos, cada um deles relacionado ao seu
próprio nível de mente e função de consciência,
como mostra a simbologia dos Devís e Devatâs
do hinduísmo.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Desse modo temos Citta (mente) no estado
manifesto, em vez de Citi (consciência). Citta e
Prakriti pertencem ao reino da manifestação e
são estados diferenciados
Cumpre notar que as diferenciações primária e
secundária aparecem quase como dois aspectos
do mesmo processo. O elemento da Consciência
na diferenciação primária torna-se perceptor ou
aquele que vê (dristâ) ou a base dos fenômenos
subjetivos da manifestação. O elemento do
poder provê os objetos da percepção e torna-se
a base dos fenômenos objetivos (drishyam).
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Aquele que vê funciona através da mente ou
Citta e o que é visto funciona através de Prakriti
ou a raiz da chamada “matéria”.
Neste sentido a diferenciação secundária é
apenas uma extensão da primária. Tal o motivo
porque no pensamento filosófico hindu Shiva-
Shakti Tattva e Maheshvara-Maheshvarî Tattva
são considerados quase como sinônimos. Não há
uma linha nítida de demarcação entre eles assim
como não há entre os diferentes níveis da
Realidade em sua involução, “Na verdade, tudo
é Brahman”.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Em sua involução, a Realidade é envolvida
parcialmente na consciência, mas um de seus
aspectos não é afetado. Em seguida, a
Consciência torna-se parcialmente Mente, mas
ainda um de seus aspectos não é afetado. No
terceiro estágio, a Mente torna-se parcialmente
na chamada Matéria, mas ainda com um de seus
aspectos não afetados. Ao final, temos os quatro
níveis da Realidade presentes e funcionando
simultaneamente, o inferior coexistindo e
sustentado pelo superior como substrato deste.
Tal processo está representado na figura a
seguir.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
Vemos que a matéria flutua e funciona no mar
da Mente, a Mente no mar da Consciência e esta
no Vazio ou Pleno da Realidade Suprema. Vemos
também que só há uma Realidade Suprema de
onde tudo se deriva, em todos os níveis de
manifestação.
Todo o universo Manifesto e Não-Manifesto
literalmente se origina, flutua e funciona no
Absoluto. Os universos manifestos vêm e vão a
partir do Não-Manifesto que jamais é afetado no
processo, jamais aparece no campo da
manifestação ou toma parte em suas atividades
e processos.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
No caso da individualidade do homem, Âtmâ é o
Não-Manifesto, que permanece oculto e opera
através de Buddhi e Manas.
Mahesha no Logos ou Ishvara é o Não-Manifesto
e funciona através de Vishnu e Brahman.
O Absoluto no Eternom Não-Manifesto é o
Supremo Não-Manifesto e opera através de
Shiva-Shakti Tattva e Maheshvara-Maheshvarî
Tattva.
O Homem, Deus e o Universo
Introdução
FIM

O Homem, Deus e o Universo - Cap V

  • 1.
    O Homem, Deuse o Universo 5 - A NATUREZA DO ETERNO NÃO-MANIFESTO
  • 2.
    O Homem, Deuse o Universo IntroduçãoAo tratar da natureza da Realidade Eterna Não- Manifesta, por conveniência de compreensão, a dividimos em três aspectos:
  • 3.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Tentamos entender como esses três aspectos da Realidade diferem entre si, considerando-os separadamente. Mas, para não perder a visão da unidade do Eterno Não-Manifesto, é desejável considerar esses Três Aspectos em conjunto. Antes de tratarmos da natureza do Eterno Não- Manifesto, como um todo, recapitulemos os fatos essenciais de cada um de Seus Aspectos.
  • 4.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução O ABSOLUTO É a Realidade Suprema, Parabrahman da filosofia hindú, no qual aquilo que encontra expressão no universo manifesto e que também está presente potencialmente no Não-Manifesto existe em estado perfeitamente harmonizado, equilibrado e integrado num estado que parece vazio e cheio ao mesmo tempo. Até mesmo os produtos das diferenciações primordial e secundária que formam a outra parte dos componentes do Eterno-Não-Manifesto estão tão perfeitamente harmonizadas que nada pode
  • 5.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução O ABSOLUTO ser distinguido nessa Realidade Suprema, chamada assim de Nirvishesha (sem qualquer distinção ou propriedade). Apesar de sua natureza de vazio perfeito e de sua natureza aparentemente impenetrável, o Absoluto é a causa suprema e sem causa do Não-Manifesto e também do universo manifesto.
  • 6.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução O ABSOLUTO O conceito do Absoluto como Realidade Suprema Auto-suficiente e Autodeterminada, em que todos os processos de manifestação, dissolução etc, têm lugar automaticamente como resultado de um Ritmo Cósmico fundamental, requer a existência de um Ponto através do qual esse eterno Ritmo Cósmico se manifeste e se projete periodicamente um universo manifesto.
  • 7.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução O ABSOLUTO Esse Ponto corresponde ao número 1, colocado entre o 0, representando o estado de vazio do Absoluto, e o 2, representando a dualidade primordial do Shiva-Shakti Tattva. O Ponto é assim veículo do Absoluto oposto do Espaço infinito sem limites. O Ponto é a porta entre o Absoluto como um vazio e os restantes estados Não-Manifesto e manifesto.
  • 8.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução SHIVA-SHAKTI TATTVA Princípio Positivo-Negativo ou Pai-Mãe, produto da diferenciação primordial da Realidade Suprema e da dualidade primordial cujos resultados dividem, por assim dizer, o conjunto da Realidade manifesta e não-manifesta em duas contra-partes opostas que, por sua ação e reação e compensação de opostos, configura a textura do universo. Este Princípio é a própria essência e fundamento do universo.
  • 9.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução SHIVA-SHAKTI TATTVA Neste princípio dual é que estão os mistérios e relacionamentos de consciência e poder, de vontade e ação, de atração e repulsa, de amor e bem-aventurança. Desse princípio dual se originam todos os múltiplos e universais fenômenos da vida, da mente e da consciência em todos os níveis.
  • 10.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução MAHESHVARA-MAHESHVARÎ TATTVA O Princípio-Mente com sua característica essencial do relacionamento sujeito-objeto. Este Princípio-Mente, raiz dos fenômenos mentais em todos os níveis, encontra expressão na Ideação Cósmica do Logos-Não-Manifesto no nível mais elevado e reflete-se, em seguida, nos fenômenos mentais de todos os graus de sutileza, nos diversos reinos da manifestação. Embora esse tattva seja também dual e polar, essa dualidade e polaridade são de um tipo diferente e resultam em fenômenos de natureza diferente.
  • 11.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Assim como a Consciência integrada de Shiva é a raiz da mente funcionando através da relação sujeito-objeto, o Poder integrado de Shakti é a raiz de toda manifestação de energia que tem lugar através de Prakriti em seu tríplice aspecto. Os dois componentes polares da diferenciação primária devem ser necessariamente afetados de igual modo na diferenciação secundária, ainda que os produtos nos dois polos sejam diferentes.
  • 12.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução A consciência se diferencia em Sat-Cit-Ânanda, a raiz da mente e o Poder se diferencia em Tamas- Rajas-Sattva, a raiz da Matéria ou Mûlaprakriti.
  • 13.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Prakriti designa uma realidade num nível inferior ao de Shakti. Prakriti é o correlato do Princípio Mente enquanto Shakti, seu oposto polar, é correlato do princípio Consciência. Prakriti é o estado compensado dos gunas enquanto que Shakti é o Poder Consciente, oposto polar da Consciência pura na qual o Poder está em potencial. Quando a Consciência pura integrada desce à manifestação, aparece como fenômeno mental. Quando o Poder integrado desce à manifestação, aparece como Prakriti com sua expressão nas gunas.
  • 14.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Quando a mente ou Citta funde-se na Consciência integrada do Purusha, ao atingir kaivalia, o papel das gunas está terminado e Prakriti une-se ao poder potencial.
  • 15.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Falamos dos três aspectos do Eterno-Não- Manifesto que constituem de fato uma unicidade e que se salientam cada vez mais à medida que descem à manifestação aparecendo na forma do Tríplice Logos, da Tríplice Mônada, da Tríplice Individualidade e da Tríplice Personalidade, reflexos nos diversos níveis da triplicidade oculta e sutil presente no Não-Manifesto em seu lado de Consciência ou Realidade subjetiva.
  • 16.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Do lado do poder, ou Realidade objetiva, verificamos também a mesma triplicidade refletida repetidamente nos planos inferiores. Nos mundos divinos temos Âdi, Anupadaka e Átmico Superior. Nos mundos espirituais temos Átmico Inferior, Búdhico e Mental Superior e nos mundos temporais temos Mental Inferior, Astral e Físico. Os dois aspectos do Não-Manifesto, um atinente à unicidade e o outro à sua triplicidade, podem ser representados simultaneamente, até certo ponto pela cruz como na figura a seguir.
  • 17.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução
  • 18.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Com relação à figura anterior , devem ser observados: a) A dupla polaridade nasce do ponto de intersecção representando o Absoluto em seu aspecto do Um. b) A representação das diferenciações primária e secundária por linhas não significa qualquer separação no espaço. O Não-Manifesto está acima do espaço assim como suas polarizações ou diferenciações que funcionam e são originárias de num ponto. A representação das diferenciações por linhas retas oculta uma verdade extremamente sutil.
  • 19.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução c) Não só está a polaridade acima do espaço e funcionando em torno de um ponto mas também temos que concebê-la como resultante de uma redistribuição interna num só e mesmo Princípio que produz contraste ou potencial sem a introdução de qualquer coisa do exterior afetando o conjunto e a autosuficiência do Princípio. d) O princípio mencionado no item ‘c’ pode esclarecer um tanto a natureza das polaridades ou os contrastes produzidos nas diferenciações primária e secundária da Realidade Suprema.
  • 20.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Shiva Tattva pode ser considerado como possuindo mais da Realidade, ou como Realidade com potencial mais elevado, enquanto Shakti Tattva pode ser considerado como possuindo menos da Realidade ou Realidade com potencial menos elevado. A luz contém trevas e as trevas contém luz potencialmente. É uma questão de relatividade. Não pode haver luz absoluta ou trevas absolutas exceto como limites ideais. O Princípio que contém mais da Realidade, por assim dizer, e que mostra os atributos da consciência subjetiva e positiva será chamado Shiva, enquanto o
  • 21.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução princípio que contém relativamente menos da Realidade e que mostra os atributos de objetividade e poder negativo é chamado Shakti na Filosofia hindu. No Shiva Tattva o Poder é considerado inerente, mas presente em estado inativo. Do mesmo modo no Shakti Tattva a consciência é inerente, presente no substrato. Ambas contêm um e outro mas em graus relativos. Este fato da realidade relativa constitui a polaridade do Shiva-Shakti-Tattva.
  • 22.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução e) No caso de Maheshvara-Maheshvarî Tattva a polaridade é de classe diferente e resulta no aparecimento da relação sujeito-objeto que é a base do Princípio da Mente. Nesse caso a palavra polaridade talvez não seja apropriada, já que tal palavra é associada aos fenômenos que envolvem forças diferentes. O contraste sujeito- objeto não envolve forças de espécies diferentes mas há apenas a redistribuição interna de conteúdos por assim dizer. Com isso, se torna admissível o uso da palavra “polaridade”.
  • 23.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Maheshvara-Maheshvarî Tattva ou princípio da Mente Cósmica mencionado como Logos Cósmico Não-Manifesto, é a sede da Ideação Cósmica. Nessas regiões obscuras e incompreensíveis os sucessivos universos manifestos, em eterna sucessão, tomam forma como resultado da ação mental do Logos Cósmico. E embora falemos em ação “mental” e ”ideação”, de fato a atividade é mais espiritual em sua natureza que a mais elevada espiritualidade que possamos conceber. O reflexo de tais atividades no reino da manifestação dá origem aos fenômenos que consideramos mentais.
  • 24.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução O Não manifesto é um estado integrado, onde todas as diferenciações estão em estado potencial, apesar de nenhum estar verdadeiramente presente. E podem surgir desse estado assim que sejam preenchidas as condições necessárias. Os inumeráveis universos que emergem da mente do Logos Cósmico não estão presentes nela na forma que aparecerão no tempo e no espaço ou mesmo em sua forma espiritual. Suposto que isto importe em negar, mesmo ao Logos Cósmico, a liberdade de criar, surge a questão: “Qual é a fonte suprema do universo?” Seguramente não é o Absoluto.
  • 25.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução O conceito de estado integrado nos habilitará a compreender não apenas como o Grande Criador é livre para criar os universos, mas também que deve ter a possibilidade de criar séries sem fim de universos devido ao estado integrado de sua Consciência. Deus não pode ser limitado por suas criações, como aconteceria se todos os Seus planos obedecessem previamente a uma forma.
  • 26.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Os universos saem do Não-Manifesto como resultado da livre Atividade Divina Criadora embora os Logoi, operando nas regiões inferiores da manifestação, tenham de trabalhar de acordo como Grande Plano resultante desta atividade. Mas isso não quer dizer que os Logoi Solares tenham sua atividade criadora limitada. Não é assim. Eles são facetas da Realidade que chamamos Logos Cósmico.
  • 27.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Vemos assim que as diferenciações primária e secundária da Realidade Suprema acarretam apenas uma diferenciação parcial e as Realidades que resultam dessas diferenciações são ainda estados integrados do Absoluto. Quando tem lugar a manifestação, a Consciência pura integrada se diferencia em estados de mente de vários graus de sutileza e o Poder integrado potencial se diferencia em poderes específicos, cada um deles relacionado ao seu próprio nível de mente e função de consciência, como mostra a simbologia dos Devís e Devatâs do hinduísmo.
  • 28.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Desse modo temos Citta (mente) no estado manifesto, em vez de Citi (consciência). Citta e Prakriti pertencem ao reino da manifestação e são estados diferenciados Cumpre notar que as diferenciações primária e secundária aparecem quase como dois aspectos do mesmo processo. O elemento da Consciência na diferenciação primária torna-se perceptor ou aquele que vê (dristâ) ou a base dos fenômenos subjetivos da manifestação. O elemento do poder provê os objetos da percepção e torna-se a base dos fenômenos objetivos (drishyam).
  • 29.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Aquele que vê funciona através da mente ou Citta e o que é visto funciona através de Prakriti ou a raiz da chamada “matéria”. Neste sentido a diferenciação secundária é apenas uma extensão da primária. Tal o motivo porque no pensamento filosófico hindu Shiva- Shakti Tattva e Maheshvara-Maheshvarî Tattva são considerados quase como sinônimos. Não há uma linha nítida de demarcação entre eles assim como não há entre os diferentes níveis da Realidade em sua involução, “Na verdade, tudo é Brahman”.
  • 30.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Em sua involução, a Realidade é envolvida parcialmente na consciência, mas um de seus aspectos não é afetado. Em seguida, a Consciência torna-se parcialmente Mente, mas ainda um de seus aspectos não é afetado. No terceiro estágio, a Mente torna-se parcialmente na chamada Matéria, mas ainda com um de seus aspectos não afetados. Ao final, temos os quatro níveis da Realidade presentes e funcionando simultaneamente, o inferior coexistindo e sustentado pelo superior como substrato deste. Tal processo está representado na figura a seguir.
  • 31.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução
  • 32.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução Vemos que a matéria flutua e funciona no mar da Mente, a Mente no mar da Consciência e esta no Vazio ou Pleno da Realidade Suprema. Vemos também que só há uma Realidade Suprema de onde tudo se deriva, em todos os níveis de manifestação. Todo o universo Manifesto e Não-Manifesto literalmente se origina, flutua e funciona no Absoluto. Os universos manifestos vêm e vão a partir do Não-Manifesto que jamais é afetado no processo, jamais aparece no campo da manifestação ou toma parte em suas atividades e processos.
  • 33.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução No caso da individualidade do homem, Âtmâ é o Não-Manifesto, que permanece oculto e opera através de Buddhi e Manas. Mahesha no Logos ou Ishvara é o Não-Manifesto e funciona através de Vishnu e Brahman. O Absoluto no Eternom Não-Manifesto é o Supremo Não-Manifesto e opera através de Shiva-Shakti Tattva e Maheshvara-Maheshvarî Tattva.
  • 34.
    O Homem, Deuse o Universo Introdução FIM