OS NEOFREUDIANOS
E O DESENVOLVIMENTO
      HUMANO


     Profª. Drª. Andréa Forgiarini Cechin
     Universidade Federal de Santa Maria

                     afcechin@gmail.com
Os maiores pontos de discordância entre partidários da 
  corrente neofreudiana e de Freud são os seguintes:

No  ponto  de  vista  freudiano,  o  ego  está  eternamente  condicionado  às 
exigências  do  id.  Na  perspectiva  neofreudiana  o  ego  aparece  com 
liberdade maior, podendo realizar suas funções sem a dependência extrema 
do id.


A psicanálise ortodoxa enfatiza que as forças biológicas têm grande influência 
sobre  a  personalidade,  enquanto  que  os  neofreudianos  não  atribuem  tanto 
ênfase  aos  aspectos  biológicos  mas,  outrossim,  destacam  a  influências 
dos aspectos sociais e culturais.



Para os nofreudianos, o desenvolvimento da personalidade é determinado 
muito  mais  por  forças  psicossociais  do  que  por  forças  psicossexuais  e 
minimizam a importância do complexo de Édipo. 
Segundo SCHULTZ & SCHULTZ (1996), a mudança no espírito intelectual 
    do início do século, pode ter influenciado a contestação das idéias 
 freudianas por muitos de seus seguidores. Estes autores afirmam que:




         À  medida  que  os  antropólogos  publicavam  seus  estudos  sobre 
         diferentes culturas, ia ficando claro que alguns sintomas neuróticos 
         e tabus presentes nas hipóteses freudianas não eram, ao contrário 
         do  que  ele  pensara,  universais.  Por  exemplo,  não  existem  tabus 
         contra o incesto em todas as sociedades. Além disso, sociólogos e 
         psicólogos  sociais  tinham  descoverto  que  grande  parte  do 
         comportamento  humano  parecia  vir  antes  do  condicionamento 
         social  do  que  de  quaisquer  tentativas  de  satisfazer  necessidades 
         biológicas. (p. 366)
CARL JUNG (1875 – 1961) 


NATUREZA DA LIBIDO ­

Ao  contrário  de  Freud  que  a  define  em  termos 
predominantemente  sexuais,  Jung  a  considera 
uma energia vital generalizada – da qual o sexo é 
apenas  uma  parte  –  que  o  indivíduo  emprega 
num momento particular. 




Rejeita a idéia do complexo de Édipo proposta por Freud, por acreditar que 
o apego da criança à mãe tem a ver com uma necessidade de dependência 
com todas as satisfações associadas à função materna de prover alimento.
Para  Freud,  as  pessoas  são  vítimas  dos  eventos  sofridos  na  infância, 
enquanto que para Jung, o ser humano é moldado tanto por suas metas, 
anseios  e  aspirações  em  relação  ao  futuro  como  pelos  eventos  do 
passado.




Jung  acreditava  que  a  fase  mais  importante  não  era  a  infância,   como 
afirmava Freud, mas a meia­idade, época em que ele próprio teve uma crise 
de identidade.




Jung enfatizava mais  o  inconsciente  do  que  Freud. Preocupava­se mais 
em  mergulhar  na  mente  inconsciente,  incluindo­lhe,  inclusive,  uma  nova 
dimensão,   o  inconsciente  coletivo.  Este  último  refere­se  às  experiências 
herdadas dos seres humanos como espécie e dos seus ancestrais.
ANNA FREUD (1895 – 1982) 


Colaborou  de  forma  substancial  com  a  revisão  da 
posição  teórica  ortodoxa  do  pai,  ampliando  o  papel 
do ego em seu funcionamento independente do id.



Desenvolveu e esclareceu as concepções freudianas 
sobre  o  uso  dos  mecanismos  de  defesa  para 
proteger o ego da ansiedade. 




   Anna sublinha que tais mecanismos decorrem de um considerável 
     grau de ansiedade, podendo (se elaborados adequadamente) 
      serem considerados normais, até certo ponto, dependendo, 
              sobretudo, da sua freqüência e intensidade.
Coube ainda a Anna Freud o mérito de estudar e 
interpretar       os   efeitos,    geralmente 
desfavoráveis,  de  um  ambiente  capaz  de 
alterar  o  fluxo  de  normalidade  do 
desenvolvimento,  tal  como  o  ambiente  de 
conflito bélico. 




Anna  Freud  estuda  a  intensa  relação  emocional  que  se  desenvolve  entre  o 
bebê  e  a  mãe,  mais  em  termos  cognitivos  e  afetivos  do  que  em  termos 
exclusivamente sexuais.



Anna  desenvolveu  sua  teoria  através  da  observação  direta  de  bebês  e  não 
pedindo  que  adultos  reconstruíssem  suas  primeiras  experiências  infantis, 
como Freud fazia.
ALFRED ADLER (1870 – 1937) 


  Adler  desenvolveu  seu  sistema  de  psicologia 
  individual ao longo de linhas sociais. Sua teoria 
  defende  que  a  personalidade  só  pode  ser 
  compreendida        se     investigarmos      os 
  relacionamentos  sociais   e as atitudes  que  a 
  pessoa tem para com os outros. 



  Ao  contrário  de  Freud,  que  atribui  muitos  comportamentos  à  desejos 
  inconscientes,  Adler  acentua  a  importância  dos  determinantes 
  conscientes  do  comportamento.  Para  ele,  os  seres  humanos  têm 
  consciência de suas motivações.
Enquanto  para  Freud  o  comportamento  humano  é  determinado  por 
experiências  passadas,  para  Adler  são  as  expectativas  em  relação  ao 
futuro que mais influenciam. 



Adler  discorda  de  Freud  de  que  o  sexo  é  o  impulso  dominante  do 
comportamento.  Segundo  ele,  o  comportamento  humano é  determinado  por 
um  sentimento  generalizado  de  inferioridade  que  o  impele  a  lutar  por 
superioridade e perfeição. 



                   O conceito de poder criativo pode ser considerado como 
                   a  base  para  toda  a  teoria  adleriana:Esse  poder  criativo 
                   representa  um  princípio  ativo  da  existência  humana 
                   comparável à noção de alma. 
KAREN HORNEY (1885 – 1952) 


 Uma  das  primeiras  feministas,  foi  treinada  na 
 psicanálise freudiana em Berlim e descreveu sua obra 
 como  uma  modificação  e  extensão  do  sistema  de 
 Freud e não como um esforço m superá­lo.



  A  teoria  de  Horney  discorda  de  Freud  quanto  ao 
  fato  de  a  personalidade  depender  de  forças 
  biológicas imutáveis. 




      Ela nega a posição destacada dos fatores sexuais, contesta 
        a validade da teoria edipiana e descarta os conceitos de 
           libido e da estrutura freudiana da personalidade. 
Se  opõe  veementemente  à  idéia  de  Freud  de  que  a  mulher  é  motivada  pela 
inveja do pênis e afirmou que os homens é que são motivados pela inveja do 
útero,  afirmando que eles invejam a capacidade feminina de gerar filhos. 




Em  lugar  dos  instintos  freudianos  como  as  principais  forças  motivadoras  do 
comportamento,  Horney  acredita  que  a  força  propulsora  do  comportamento 
humano  é  essa  necessidade  de  segurança,  de  proteção  e  de  libertação  do 
medo que o bebê impotente busca no mundo exterior (ansiedade básica).




Contesta a idéia de fases ou estágios propostos por Freud por acreditar que 
nada no desenvolvimento pode ser visto como universal, e que, pelo contrário, 
tudo depende de fatores culturais, sociais e ambientais.
ERIK ERIKSON 
                (1902 – 1994) 

Erik Erikson foi treinado em psicanálise por Anna Freud. 



Ampliou  a  questão  dos  estágios  do  desenvolvimento,  afirmou  que  a 
personalidade continua a se desenvolver ao longo da vida e reconheceu 
o impacto de forças sociais, históricas e culturais sobre a personalidade.




Erikson  preocupou­se,  principalmente,  com  o  modelo  social  do 
desenvolvimento do ego ao longo da vida humana. 
A identidade é um processo, em constante mudança e desenvolvimento, que 
é  determinado  pelo  histórico  do  indivíduo  e  intimamente  relacionado  às 
mudanças sociais. 




Erikson  estabelece  que,  a  partir  da  fase  neo­natal,  cada  indivíduo  coloca­se 
entre dois extremos, numa crise psicossocial, e se sua questão de equilíbrio 
entre  os  extremos  não  for  resolvida  satisfatoriamente,  todo  fluxo  do 
desenvolvimento posterior poderá estar comprometido de alguma forma. 




Concebe  o  desenvolvimento  psicológico  e  social  do  indivíduo  em  oito 
etapas, do nascimento à velhice, cada uma delas relacionadas a um evento 
importante da vida.
CRISES PSICOSSOCIAIS           MODALIDADE                     EVENTO

     Confiança X                Oral­sensorial               alimentação
 desconfiança básica          (0 aos 18 meses)

Autonomia X vergonha e        Locomotora­genital        Controle esfincteriano
       dúvida                (18 meses – 3 anos)

   Iniciativa X culpa         Locomotora­genital             Locomoção
                                 (3 – 6 anos)
    Produtividade X                Latência                    Escola
     inferioridade              (6 – 12 anos)
 Identidade X confusão          Adolescência           Relacionamento entre os 
        de papéis                                               pares

Intimidade X isolamento         Adulto jovem           Relacionamento de amor

    Geratividade X        Adulto médio ou maturidade    Progenitura e criação
     estagnação
 Integridade do ego X              Velhice             Reflexão e aceitação da 
      desespero                                                 vida
1.   Oral­sensorial:  confiança  básica  x  desconfiança 
     básica:

    sentimento  de  confiança  (em  si  e  nos  outros):  condição 
     fundamental a uma personalidade sadia; 

    tudo  gira  em  torno  da  boca.  Papel  da  mãe:  acolher  e 
     alimentar;

    primeira modalidade de aprendizagem: obter; 

    como  a  criança  demonstra  confiança:  qualidade  da 
     alimentação,  sono  e  evacuação.  Indicador  social:  aceitação 
     do afastamento materno. 
2. Muscular­anal: autonomia x vergonha e duvida: 

 criança começa a lutar pela sua independência;


 energia voltada para auto­afirmação: entendimento e vontade próprios; 


 centro das atividades: processos de eliminação 


 aumento da coordenação motora;


 período de teimosia e luta pela autonomia: dificuldade dos pais ⇒ limites;


 desenvolvimento da dúvida e da vergonha; 
 sentimento de autonomia 
 
 pais e professores: proibir somente o que realmente importa e, ao fazê­lo, 
  ser sempre claros, consistentes, firmes e autenticamente amorosos.
 3. Locomotora­genital: iniciativa x culpa: 

 criança  manifesta  grande  imaginação:  fantasia  e 
  realidade se confundem/diferenças sexuais;

 seleção de metas e a perseveração em alcançá­las; 

 treinamento  dos  diversos  papéis:  observa,  imita  e 
  cria. Identifica­se com o genitor do mesmo sexo e 

 culpa: em decorrência das fantasias edípicas. 
4. Latência: produtividade x inferioridade

 diminui a fantasia: envolvimento em tarefas reais. Apropriado 
  para aprendizagens importantes como ler, escrever e calcular. 
  Passa a produzir: torna­se um trabalhador; 


 começo da experiência escolar e do sentido de “indústria”: 
  precisa se ajustar ao mundo das ferramentas, integrar­se no 
  sistema produtivo e 


 dificuldades: sentimento de inadequação e inferioridade e 
  possibilidade de desenvolver uma obsessão pelo trabalho. 
5. Puberdade e adolescência: identidade x confusão de 
   papéis:

 transformações  fisiológicas  importantes:  reajustamento  entre 
  o ser e o parecer;

 conquista da identidade;

 surgimento  dos  ídolos:  modelos  de  identificação  que  se 
  alternam, necessidade do grupo, Identidade grupal; 

 amor:  tentativa  de  chegar  a  uma  definição  de  identidade, 
  protegendo­se  da  confusão  a  partir  da  projeção  da  própria 
  imagem em outra pessoa e 

 período  entre  a  moral  aprendida  na  infância  e  a  ética 
  desenvolvida pelo adulto. 
6. Idade adulta jovem: intimidade x isolamento:

 condições  de  estabelecer  intimidade  com  o  outro  e 
  fundir sua identidade na identidade do companheiro e 

 dificuldades:  medo  de  perder  o  próprio  eu.  Excesso  de 
  competitividade.
7. Idade adulta: geratividade x estagnação

• preocupação  com  cuidado  dos  filhos  e  educação: 
  transmitir a eles o legado da cultura.

• geratividade:  preocupação  relativa  a  firmar  e  guiar  a 
  nova geração. 
8. Velhice: integridade do Ego x desesperança:

• integridade ⇒ indivíduo revê experiências anteriores. 
  Balanço da vida e aceitação. Sentimento de 
  responsabilidade pelos próprios atos. Sabedoria e

• dificuldades na integração

Neo

  • 1.
    OS NEOFREUDIANOS E ODESENVOLVIMENTO HUMANO Profª. Drª. Andréa Forgiarini Cechin Universidade Federal de Santa Maria afcechin@gmail.com
  • 2.
    Os maiores pontos de discordância entre partidários da  corrente neofreudiana e de Freud são os seguintes: No ponto  de  vista  freudiano,  o  ego  está  eternamente  condicionado  às  exigências  do  id.  Na  perspectiva  neofreudiana  o  ego  aparece  com  liberdade maior, podendo realizar suas funções sem a dependência extrema  do id. A psicanálise ortodoxa enfatiza que as forças biológicas têm grande influência  sobre  a  personalidade,  enquanto  que  os  neofreudianos  não  atribuem  tanto  ênfase  aos  aspectos  biológicos  mas,  outrossim,  destacam  a  influências  dos aspectos sociais e culturais. Para os nofreudianos, o desenvolvimento da personalidade é determinado  muito  mais  por  forças  psicossociais  do  que  por  forças  psicossexuais  e  minimizam a importância do complexo de Édipo. 
  • 3.
    Segundo SCHULTZ & SCHULTZ (1996), a mudança no espírito intelectual  do início do século, pode ter influenciado a contestação das idéias  freudianas por muitos de seus seguidores. Estes autores afirmam que: À  medida  que  os  antropólogos  publicavam  seus  estudos  sobre  diferentes culturas, ia ficando claro que alguns sintomas neuróticos  e tabus presentes nas hipóteses freudianas não eram, ao contrário  do  que  ele  pensara,  universais.  Por  exemplo,  não  existem  tabus  contra o incesto em todas as sociedades. Além disso, sociólogos e  psicólogos  sociais  tinham  descoverto  que  grande  parte  do  comportamento  humano  parecia  vir  antes  do  condicionamento  social  do  que  de  quaisquer  tentativas  de  satisfazer  necessidades  biológicas. (p. 366)
  • 4.
    CARL JUNG (1875 – 1961)  NATUREZA DA LIBIDO ­ Ao  contrário  de Freud  que  a  define  em  termos  predominantemente  sexuais,  Jung  a  considera  uma energia vital generalizada – da qual o sexo é  apenas  uma  parte  –  que  o  indivíduo  emprega  num momento particular.  Rejeita a idéia do complexo de Édipo proposta por Freud, por acreditar que  o apego da criança à mãe tem a ver com uma necessidade de dependência  com todas as satisfações associadas à função materna de prover alimento.
  • 5.
    Para  Freud,  as pessoas  são  vítimas  dos  eventos  sofridos  na  infância,  enquanto que para Jung, o ser humano é moldado tanto por suas metas,  anseios  e  aspirações  em  relação  ao  futuro  como  pelos  eventos  do  passado. Jung  acreditava  que  a  fase  mais  importante  não  era  a  infância,   como  afirmava Freud, mas a meia­idade, época em que ele próprio teve uma crise  de identidade. Jung enfatizava mais  o  inconsciente  do  que  Freud. Preocupava­se mais  em  mergulhar  na  mente  inconsciente,  incluindo­lhe,  inclusive,  uma  nova  dimensão,   o  inconsciente  coletivo.  Este  último  refere­se  às  experiências  herdadas dos seres humanos como espécie e dos seus ancestrais.
  • 6.
    ANNA FREUD (1895 – 1982)  Colaborou  de  forma substancial  com  a  revisão  da  posição  teórica  ortodoxa  do  pai,  ampliando  o  papel  do ego em seu funcionamento independente do id. Desenvolveu e esclareceu as concepções freudianas  sobre  o  uso  dos  mecanismos  de  defesa  para  proteger o ego da ansiedade.  Anna sublinha que tais mecanismos decorrem de um considerável  grau de ansiedade, podendo (se elaborados adequadamente)  serem considerados normais, até certo ponto, dependendo,  sobretudo, da sua freqüência e intensidade.
  • 7.
    Coube ainda a Anna Freud o mérito de estudar e  interpretar  os  efeitos,  geralmente  desfavoráveis,  de  um  ambiente  capaz  de  alterar  o  fluxo  de  normalidade  do  desenvolvimento,  tal  como  o  ambiente  de  conflito bélico.  Anna  Freud  estuda  a  intensa  relação  emocional  que  se  desenvolve  entre  o  bebê  e  a  mãe,  mais  em  termos  cognitivos  e  afetivos  do  que  em  termos  exclusivamente sexuais. Anna  desenvolveu  sua  teoria  através  da  observação  direta  de  bebês  e  não  pedindo  que  adultos  reconstruíssem  suas  primeiras  experiências  infantis,  como Freud fazia.
  • 8.
    ALFRED ADLER (1870 – 1937)  Adler desenvolveu  seu  sistema  de  psicologia  individual ao longo de linhas sociais. Sua teoria  defende  que  a  personalidade  só  pode  ser  compreendida  se  investigarmos  os  relacionamentos  sociais   e as atitudes  que  a  pessoa tem para com os outros.  Ao  contrário  de  Freud,  que  atribui  muitos  comportamentos  à  desejos  inconscientes,  Adler  acentua  a  importância  dos  determinantes  conscientes  do  comportamento.  Para  ele,  os  seres  humanos  têm  consciência de suas motivações.
  • 9.
    Enquanto  para  Freud o  comportamento  humano  é  determinado  por  experiências  passadas,  para  Adler  são  as  expectativas  em  relação  ao  futuro que mais influenciam.  Adler  discorda  de  Freud  de  que  o  sexo  é  o  impulso  dominante  do  comportamento.  Segundo  ele,  o  comportamento  humano é  determinado  por  um  sentimento  generalizado  de  inferioridade  que  o  impele  a  lutar  por  superioridade e perfeição.  O conceito de poder criativo pode ser considerado como  a  base  para  toda  a  teoria  adleriana:Esse  poder  criativo  representa  um  princípio  ativo  da  existência  humana  comparável à noção de alma. 
  • 10.
    KAREN HORNEY (1885 – 1952)  Uma  das primeiras  feministas,  foi  treinada  na  psicanálise freudiana em Berlim e descreveu sua obra  como  uma  modificação  e  extensão  do  sistema  de  Freud e não como um esforço m superá­lo. A  teoria  de  Horney  discorda  de  Freud  quanto  ao  fato  de  a  personalidade  depender  de  forças  biológicas imutáveis.  Ela nega a posição destacada dos fatores sexuais, contesta  a validade da teoria edipiana e descarta os conceitos de  libido e da estrutura freudiana da personalidade. 
  • 11.
    Se  opõe  veementemente à  idéia  de  Freud  de  que  a  mulher  é  motivada  pela  inveja do pênis e afirmou que os homens é que são motivados pela inveja do  útero,  afirmando que eles invejam a capacidade feminina de gerar filhos.  Em  lugar  dos  instintos  freudianos  como  as  principais  forças  motivadoras  do  comportamento,  Horney  acredita  que  a  força  propulsora  do  comportamento  humano  é  essa  necessidade  de  segurança,  de  proteção  e  de  libertação  do  medo que o bebê impotente busca no mundo exterior (ansiedade básica). Contesta a idéia de fases ou estágios propostos por Freud por acreditar que  nada no desenvolvimento pode ser visto como universal, e que, pelo contrário,  tudo depende de fatores culturais, sociais e ambientais.
  • 12.
    ERIK ERIKSON  (1902 – 1994)  Erik Erikson foi treinado em psicanálise por Anna Freud.  Ampliou  a  questão  dos  estágios  do  desenvolvimento,  afirmou  que  a  personalidade continua a se desenvolver ao longo da vida e reconheceu  o impacto de forças sociais, históricas e culturais sobre a personalidade. Erikson  preocupou­se,  principalmente,  com  o  modelo  social  do  desenvolvimento do ego ao longo da vida humana. 
  • 13.
    A identidade é um processo, em constante mudança e desenvolvimento, que  é  determinado  pelo histórico  do  indivíduo  e  intimamente  relacionado  às  mudanças sociais.  Erikson  estabelece  que,  a  partir  da  fase  neo­natal,  cada  indivíduo  coloca­se  entre dois extremos, numa crise psicossocial, e se sua questão de equilíbrio  entre  os  extremos  não  for  resolvida  satisfatoriamente,  todo  fluxo  do  desenvolvimento posterior poderá estar comprometido de alguma forma.  Concebe  o  desenvolvimento  psicológico  e  social  do  indivíduo  em  oito  etapas, do nascimento à velhice, cada uma delas relacionadas a um evento  importante da vida.
  • 14.
    CRISES PSICOSSOCIAIS MODALIDADE EVENTO Confiança X  Oral­sensorial alimentação desconfiança básica (0 aos 18 meses) Autonomia X vergonha e  Locomotora­genital Controle esfincteriano dúvida (18 meses – 3 anos) Iniciativa X culpa Locomotora­genital Locomoção (3 – 6 anos) Produtividade X  Latência Escola inferioridade (6 – 12 anos) Identidade X confusão  Adolescência Relacionamento entre os  de papéis pares Intimidade X isolamento Adulto jovem Relacionamento de amor Geratividade X  Adulto médio ou maturidade Progenitura e criação estagnação Integridade do ego X  Velhice Reflexão e aceitação da  desespero vida
  • 15.
    1. Oral­sensorial:  confiança  básica  x  desconfiança  básica:  sentimento  de  confiança  (em  si  e  nos  outros):  condição  fundamental a uma personalidade sadia;   tudo  gira  em  torno  da  boca.  Papel  da  mãe:  acolher  e  alimentar;  primeira modalidade de aprendizagem: obter;   como  a  criança  demonstra  confiança:  qualidade  da  alimentação,  sono  e  evacuação.  Indicador  social:  aceitação  do afastamento materno. 
  • 16.
    2. Muscular­anal: autonomia x vergonha e duvida:   criança começa a lutar pela sua independência;  energia voltada para auto­afirmação: entendimento e vontade próprios;  centro das atividades: processos de eliminação   aumento da coordenação motora;  período de teimosia e luta pela autonomia: dificuldade dos pais ⇒ limites;  desenvolvimento da dúvida e da vergonha;   sentimento de autonomia     pais e professores: proibir somente o que realmente importa e, ao fazê­lo,  ser sempre claros, consistentes, firmes e autenticamente amorosos.
  • 17.
     3. Locomotora­genital: iniciativa x culpa:   criança manifesta  grande  imaginação:  fantasia  e  realidade se confundem/diferenças sexuais;  seleção de metas e a perseveração em alcançá­las;   treinamento  dos  diversos  papéis:  observa,  imita  e  cria. Identifica­se com o genitor do mesmo sexo e   culpa: em decorrência das fantasias edípicas. 
  • 18.
    4. Latência: produtividade x inferioridade  diminui a fantasia: envolvimento em tarefas reais. Apropriado  para aprendizagens importantes como ler, escrever e calcular.  Passa a produzir: torna­se um trabalhador;   começo da experiência escolar e do sentido de “indústria”:  precisa se ajustar ao mundo das ferramentas, integrar­se no  sistema produtivo e   dificuldades: sentimento de inadequação e inferioridade e  possibilidade de desenvolver uma obsessão pelo trabalho. 
  • 19.
    5. Puberdade e adolescência: identidade x confusão de  papéis:  transformações  fisiológicas  importantes:  reajustamento  entre  o ser e o parecer;  conquista da identidade;  surgimento  dos  ídolos:  modelos  de  identificação  que  se  alternam, necessidade do grupo, Identidade grupal;   amor:  tentativa  de  chegar  a  uma  definição  de  identidade,  protegendo­se  da  confusão  a  partir  da  projeção  da  própria  imagem em outra pessoa e   período  entre  a  moral  aprendida  na  infância  e  a  ética  desenvolvida pelo adulto. 
  • 20.
    6. Idade adulta jovem: intimidade x isolamento:  condições  de estabelecer  intimidade  com  o  outro  e  fundir sua identidade na identidade do companheiro e   dificuldades:  medo  de  perder  o  próprio  eu.  Excesso  de  competitividade.
  • 21.
    7. Idade adulta: geratividade x estagnação • preocupação  com cuidado  dos  filhos  e  educação:  transmitir a eles o legado da cultura. • geratividade:  preocupação  relativa  a  firmar  e  guiar  a  nova geração. 
  • 22.
    8. Velhice: integridade do Ego x desesperança: • integridade ⇒ indivíduo revê experiências anteriores.  Balanço da vida e aceitação. Sentimento de  responsabilidade pelos próprios atos. Sabedoria e • dificuldades na integração