MARKETING
       Prof. Ms. Marcus Saldanha da Gama Guedes Nogueira 1*




* Docente Marcus Saldanha da Gama Guedes Nogueira é Bacharel em Marketing pelo Centro
Universitário da Cidade (1999) e Licenciado em Letras com habilitação em Língua Inglesa pela
Universidade Braz Cubas (2011). Possui especialização em Administração Industrial pela EMBRAER /
INPG (2001) Especialização MBA Executivo em Gestão Empresarial pelo INPG (2005) e é Mestre em
Semiótica, Tecnologia da Informação e Educação pela Universidade Braz Cubas (2007). Com experiência
de mais de 10 anos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte exercendo cargos de
Gerência de Marketing. Atualmente é Empresário e Analista de Mercado. Seguindo a carreira acadêmica
atua no momento como Professor da Universidade Braz Cubas em Mogi das Cruzes-SP e como Professor
da Unisuz em Suzano-SP.
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO                                                           7


INTRODUÇÃO                                                             9


UNIDADE I


DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE
PRODUTOS E SERVIÇOS                                                   11
   1.1  ORIGEM DO MARKETING                                           12

      1.1.1  A ERA DA PRODUÇÃO                                        14

      1.1.2  A ERA DE VENDAS - ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO               15

      1.1.3  A ERA DO MARKETING                                       17

      1.1.4  A ERA DO RELACIONAMENTO                                  19

   1.2  CONCEITO DE MARKETING                                         20

      1.2.1  CARACTERÍSTICAS DO MARKETING DE NEANDERTAL               22

   1.3  SEGMENTAÇÃO DE MERCADO                                        26

   1.4  NÍVEL DE SEGMENTAÇÃO DE MERCADO                               28

      1.4.1  MARKETING DE MASSA                                       28

      1.4.2  MARKETING DE SEGMENTO                                    28

      1.4.3  MARKETING DE NICHO                                       29

      1.4.4  MARKETING LOCAL                                          29

      1.4.5  MARKETING INDIVIDUAL                                     29

      1.4.5.1  VANTAGENS DA SEGMENTAÇÃO E DO MARKETING DIRECIONADO    30

      1.4.5.2  PROCEDIMENTO PARA SEGMENTAÇÃO DE MERCADO               31

      1.4.5.3  BASES PARA SEGMENTAÇÃO DO MERCADO                      32

      1.4.5.3.1  SEGMENTAÇÃO GEOGRÁFICA                               33

      1.4.5.3.2  SEGMENTAÇÃO DEMOGRÁFICA                              33


                                                           3          SUMÁRIO   3
1.4.5.3.3  SEGMENTAÇÃO PSICOGRÁFICA OU SOCIOECONÔMICA       33

                 1.4.5.3.4  SEGMENTAÇÃO COMPORTAMENTAL                       34

                 1.4.5.3.5  SEGMENTAÇÃO POR MULTIATRIBUTOS                   34

                 1.4.5.3.6  SEGMENTAÇÃO BASEADA EM COMPORTAMENTO DE COMPRA   34

                 1.4.5.3.7  SEGMENTAÇÃO DOS MERCADOS INTERNACIONAIS          34

                 1.4.5.3.8  SEGMENTAÇÃO DE INTERMERCADO                      35

                 1.4.5.4  REQUISITOS PARA UMA SEGMENTAÇÃO EFICAZ             35

                 1.4.5.5  COLETA DE DADOS PARA A SEGMENTAÇÃO                 36

                 1.4.5.5.1  FONTES INTERNAS DE DADOS                         36

                 1.4.5.5.2  FONTES EXTERNAS DE DADOS                         36

              1.5  ESCOLHA DE MERCADOS-ALVO (TARGET MARKET)                  36

                 1.5.1  COBERTURA ESPECIALIZADA DO MERCADO                   38

                 1.5.2  COBERTURA AMPLA DE MERCADO                           39

              1.6  DIFERENCIAÇÃO E POSICIONAMENTO DA OFERTA                  40

                 1.6.1  ESTRATÉGIAS DE POSICIONAMENTO                        41

                 1.6.2 DIFERENCIAÇÃO                                         42

              1.7  MUNDO DAS MARCAS - CASE GUARANÁ ANTARCTICA                44

       UNIDADE II


       MARKETING MIX                                                         57
              2.1  MIX OU COMPOSTO DE MARKETING                              58

                 2.1.1 PRODUTO                                               58

                 2.1.1.1  DECISÕES SOBRE O COMPOSTO DE PRODUTOS              61

                 2.1.2 PREÇO                                                 62

                 2.1.3  PONTO DE VENDA                                       65

                 2.1.3.1  TIPOS DE CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO                    66

                 2.1.4 PROMOÇÃO                                              67

              2.2  MARKETING DE SERVIÇOS                                     69

              2.3  MUNDO DAS MARCAS - CASE OMO                               73


4   SUMÁRIO
UNIDADE III


AMBIENTE DE MARKETING                             83
   3.1  AMBIENTE DE MARKETING                     84

      3.1.1  O MICROAMBIENTE                      85

      3.1.1.1  A EMPRESA                          86

      3.1.1.2  OS FORNECEDORES                    86

      3.1.1.3  OS INTERMEDIÁRIOS                  86

      3.1.1.4  OS CLIENTES                        87

      3.1.1.5  OS CONCORRENTES                    88

      3.1.1.6  OS PÚBLICOS                        88

      3.1.2 MACROAMBIENTE                         89

      3.1.3  AMBIENTE DEMOGRÁFICO                 89

      3.1.3.1  AMBIENTE ECONÔMICO                 90

      3.1.3.2  AMBIENTE NATURAL                   90

      3.1.3.3  AMBIENTE TECNOLÓGICO               91

      3.1.3.4  AMBIENTE POLÍTICO                  91

      3.1.3.5  AMBIENTE CULTURAL                  92

   3.2  MUNDO DAS MARCAS - CASE KOPENHAGEN        93


UNIDADE IV


TENDÊNCIAS DE MARKETING                          107
   4.1  TENDÊNCIAS DE 2011                       107

   4.2  MARKETING 3.0                            110

      4.2.1  UM MUNDO MELHOR                     113

   4.3  MUNDO DAS MARCAS - CASE HAVAIANAS        114


REFERÊNCIAS                                      129




                                              5   SUMÁRIO   5
APRESENTAÇÃO

          Olá, eu sou o professor Marcus Saldanha da Gama Guedes Nogueira. Possuo
graduação em Marketing pelo Centro Universitário da Cidade (1999), Especialização
em Administração Industrial pela EMBRAER / INPG (2001) Especialização MBA Executivo
em Gestão Empresarial pelo INPG (2005) e sou Mestre em Semiótica, Tecnologias de
Informação e Educação pela Universidade Braz Cubas (2007). Tenho experiência de
mais de 10 anos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte exercendo
cargos de Gerência de Marketing. Atualmente sou empresário, analista de mercado e
professor universitário.


          A proposta da matéria é abordar conceitos e técnicas de marketing fazendo
um paralelo entre prática e teoria. Além dessa apostila, iremos estudar temas e
conceitos centrais do marketing por meio de nossas teleaulas, em que o aluno assistirá
a explanação do professor acerca da disciplina com muita interatividade, dinamismo
e atividades rápidas como o tradicional quizz, um teste alternativo com limite de
tempo visando o conhecimento do aluno sobre o bloco que acabou de encerrar e de
exercícios e fóruns em mídias como a nossa plataforma on line, em que a presença
virtual do aluno é importantíssima e outras mídias como o podcast, programa de
rádio visando temas da atualidade e tira dúvidas dos alunos. Em todas essas mídias a
participação do aluno é indispensável, pois é o conjunto dessas atividades que constrói
todo o conhecimento final da disciplina.


          O estudo do mercado surgiu da necessidade dos industriais de administrar a
nova realidade vinda da Revolução Industrial que causou uma transformação de um
mercado de vendedores para um mercado de compradores. Neste estágio o marketing
ainda é inseparável da economia e da administração clássica, pois inicialmente sua
preocupação era puramente de logística e produtividade, para a maximização dos
lucros.


          Até 80 anos atrás os consumidores não tinham qualquer poder de barganha
e a concorrência era praticamente inexistente. Essa realidade manteve-se inalterada
até o fim da Segunda Guerra Mundial quando então, reagindo ao crescimento da



                                                                 7           APRESENTAÇÃO   7
concorrência, administradores começaram a teorizar sobre como atrair e lidar com
       seus consumidores. Surgiu então a necessidade de buscar o foco no consumidor e
       não apenas nas vendas.


             A apostila é dividida em quatro unidades. O primeiro aborda as origens do
       marketing. Faremos uma viagem pelas eras da produção, vendas, marketing e
       relacionamento. Nele você poderá saber como começou o conceito da disciplina e
       estudar os diferentes tipos de segmentação de mercado. Iremos discutir a importância
       da diferenciação e como a nossa empresa deve se posicionar no acirrado mercado
       cotidiano. Estudaremos a história do Guaraná Antarctica procurando aprender com
       estratégias de mercado reais usadas por grandes profissionais.


             No segundo capítulo iremos discorrer sobre o marketing mix. O conjunto de
       ferramentas indispensável às atividades de marketing. Dentro de cada P, estudaremos
       as estratégias trabalhadas nas organizações. Produto, preço, ponto de venda e
       promoção se tornaram um símbolo do conceito de marketing mix. Entraremos nos
       conceitos e estratégias de marketing de serviços e aprenderemos na história da marca
       Omo como cada um desses Ps se torna fundamental para se lançar um produto novo.


             O terceiro capítulo trabalhará o conceito do ambiente de marketing. Estudaremos
       o que significa micro e macroambiente de marketing, assim como funcionam suas
       variáveis controláveis, semi controláveis e incontroláveis. Na história da Kopenhagen,
       aprenderemos que é fundamental investir em novos conceitos, tecnologias e
       principalmente no consumidor dentro de diversos nichos, para poder ter resultados
       satisfatórios e atender as demandas de um mercado mutante e globalizado.


             No quarto capítulo estudaremos as novas tendências do marketing. As passagens
       do marketing 1.0, para o marketing 2.0 e agora para o conceito do marketing 3.0. Na
       história da marca Havaianas, você irá ter uma aula prática do que uma marca precisa
       para poder se manter atual.


             Desejo a todos um bom estudo, e lembro que estarei à disposição de todos na
       plataforma para poder esclarecer qualquer dúvida pertinente a matéria.



                                                                                 Boa sorte!



8   APRESENTAÇÃO
INTRODUÇÃO

      No atual contexto econômico em que o mundo se encontra a competitividade

entre as empresas se acirra a cada dia. Em decorrência deste fato, passou-se a existir

uma preocupação maior com a gestão de serviços e a comunicação com o mercado.

O marketing tem papel fundamental nessa questão. Por incrível que pareça, muitas

empresas hoje no Brasil não sabem ainda o real significado da palavra marketing.

      Podemos definir marketing através de sua própria nomenclatura em inglês.

Começamos com o verbo to mark que significa marcar. Logo, continuamos com mar-

ket que quer dizer mercado e então colocamos uma ação na palavra ao acrescentar

as letras ing, como assim manda a língua inglesa. Logo temos a seguinte frase: ação

de marcar o mercado.




                                 MARK – ET – ING


                  Marcar – Mercado – Ação de marcar mercado




      Para Las Casas (2004) é por aí que podemos entender essa disciplina tão im-

portante nos dias atuais. Por volta de 1954 quando se pretendia introduzir o curso em
instituição de ensino superior o marketing foi traduzido como mercadologia, ou seja,

estudo de mercado. Porém, como vimos o termo em inglês significa ação no mercado,

contendo uma conotação de forma dinâmica e não apenas estudo de mercado como

a palavra foi traduzida.

      Segundo Kotler e Armstrong (2007) algumas pessoas ainda fazem confusão

com o termo ao relacioná-lo com propaganda e vendas. Marketing não é propaganda,

embora a propaganda seja uma ferramenta valiosa do mix de marketing. Marketing



                                                                9             INTRODUÇÃO   9
também não é vendas. Grande parte de todo o processo decisório e implantação do

        planejamento de marketing está ligada intrinsecamente com venda de produtos e

        serviços. Entretanto, o marketing está direcionado nas necessidades do comprador e

        as vendas nas necessidades do vendedor. A venda está preocupada com a necessidade

        de o vendedor transformar o seu produto em dinheiro. O marketing está interessado

        na ideia de satisfazer às necessidades do consumidor por meio de um produto que

        contém um conjunto de valores e o diferencie da concorrência. É com a preocupação

        e o foco nas necessidades do consumidor que o marketing baseia-se em nortear os

        rumos das empresas vislumbrando um futuro relacionamento com o consumidor.

              De acordo com Boone e Kurtz (2009) atualmente, a exposição de todos os in-

        divíduos ao marketing tem sido intensa e acontece a quase todo o momento. É fácil

        constatar isso cotidianamente. Ao caminharmos pelas ruas vemos cartazes, placas,

        letreiros e etc. Em casa, no carro ou no trabalho, escutamos rádio, assistimos tele-

        visão, falamos com nossos amigos e parentes por meio do celular e nos conectamos

        a internet. Nos escritórios e consultórios, pessoas recebem visitas de representantes e

        consultores, solicitam fornecedores e realizam negócios, acordos e parcerias. Tudo isto

        é alguma parte do marketing.
              Na verdade, nós fazemos marketing o tempo todo. O ser humano quer ser bem

        visto pela sociedade. Todos nós passamos uma imagem para o outro. O nosso corpo

        e as nossas atitudes também são veículos que passam mensagens para sociedade.

        Fazemos marketing quando nos vestimos, quando falamos, por meio dos lugares que
        freqüentamos, com os amigos que temos, com a nossa família e até quando estamos

        namorando. Nós somos o produto mais valioso do composto de marketing.




10   INTRODUÇÃO
1   UNIDADE I


DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA
DA DIFERENCIAÇÃO DE
PRODUTOS E SERVIÇOS

                OB J ETIVOS D A UN ID A D E

                •	 Estudar o real significado da palavra marketing e a importância da
                    sua aplicação no mercado;

                •	 Estimular o senso crítico do aluno acerca da prática e teoria do
                    marketing;

                •	 Entender a diferença entre marketing e vendas;

                •	 Descrever os critérios necessários para uma segmentação eficaz;

                •	 Identificar os passos do processo de segmentação de mercado;

                •	 Resumir os tipos de estratégias de posicionamento.



          	     HAB ILIDADE S E C O MP E T Ê N C IA S
                •	 Capacidade de entender os conceitos básicos do marketing e da
                    gerência de produtos;

                •	 Reflexão crítica sobre o conceito de marketing e sua prática empresarial.	




                                                                 11
                UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS     11
1.1    ORIGEM DO MARKETING


               Para Kotler e Armstrong (2007) o marketing se confunde com a história do
        comércio no mundo. O comércio entre os povos, ou na forma de troca de mercadorias
        (escambo) ou envolvendo produtos valiosos, teve início praticamente ao mesmo tempo
        em que a própria sociedade ia se formando. No começo o objetivo era satisfazer a
        necessidade de sobrevivência sendo totalmente baseado em uma relação de troca.
        Trocava-se uma pele curtida por dois porcos, escravos por animais, vasos por armas,
        e assim por diante. O que se tinha sobrando, trocava-se pelo que faltava. As trocas
        também se davam somente no nível familiar e não havia uma organização formal para
        sua efetivação. Com a formação das vilas e povoados começaram a surgir pequenas
        feiras. Uma forma mais formal de comércio, mas que ainda era personalizada pelos
        próprios produtores que iam trocar as mercadorias que produziam. Uma característica
        deste período é que ainda não se precisava de vendedores.




                                               O escambo




12   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
Com a evolução da sociedade apareceram as chamadas Grandes Civilizações
como: Egípcia, Grega e Romana. Além disso, surgiram grandes cidades que
necessitavam aumentar sua estrutura, típica de uma grande metrópole, como lojas,
armazéns, padarias, etc. Outras necessidades mais sofisticadas também começaram a
fazer parte da conjuntura econômica da época, requeridas pelas classes dominantes em
cada cultura, como os Faraós, suas famílias e sacerdotes, os Imperadores, Senadores e
senhores do poder. Toda uma classe de ricas famílias, celebridades, políticos e figuras
importantes se manifestavam em busca de mais serviços e produtos que atendessem
suas necessidades. Iniciou-se então um forte intercâmbio de mercadorias entre as
várias partes do velho mundo e a Ásia, especialmente o Egito.


      Todas as mercadorias eram transportadas por caravanas ou por povos
navegadores como os Fenícios. Podemos considerar estes como os primeiros
vendedores de fato, comprando e vendendo mercadorias de um lado para o outro.


       Para Boone e Kurtz (2009) com o surgimento do dinheiro e o avanço da
tecnologia o estudo do mercado tornou-se realidade para as empresas que pretendiam
conservar seus consumidores. O mundo dos negócios, cada vez mais desenvolvido,
gerou a necessidade de melhor conceituar o marketing, explicando sua origem.


      O conceito de marketing teve sua evolução dividida em quatro fases:


      •	 Era da produção (demanda maior que a oferta);

      •	 Era das vendas (dando os primeiros sinais de excesso de oferta, os produtos
          acumulavam-se em estoques);

      •	 Era do marketing (a partir de 1950 quando os empresários perceberam que
          a venda a qualquer custo não era uma forma correta, teriam que conquistar
          o cliente); e

      •	 Era do relacionamento.


      Essa evolução do conceito da disciplina foi fundamental para avaliar os benefícios
e a importância que o marketing exerceu e ainda exerce nas empresas que aplicam o
conceito da maneira correta.



                                                                     13
                    UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   13
1.1.1    A ERA DA PRODUÇÃO



                 Para Boone e Kurtz (2009), as atividades na era da produção até então
        consideradas como “vendas” eram praticamente neutras, pois a grande questão para
        as empresas estava na produção e não na venda. Isso durou de 1600 a 1899, cujo
        foco fundamental era a produção de mercadorias ou serviços em escala crescente que
        possibilitasse redução de custos, apoiada em fabricação seriada e padronizada.


                 Uma vez que os meios modernos de produção de massa começaram a se
        desenvolver, ao longo da Revolução Industrial do século XIX, na época em que o
        essencial dos bens e dos serviços produzidos pelas empresas era de primeira necessidade
        (alimentação, vestuário, utensílios), percebia-se que era mais difícil fabricá-los do que
        encontrar compradores. Desta forma, mais do que simples métodos de venda, os
        administradores das empresas se interessam em primeiro lugar, pela melhoria das
        técnicas de produção, depois pela aquisição dos meios financeiros e econômicos
        necessários para manter as ferramentas produtivas e aperfeiçoar os métodos de
        organização do trabalho. Assim, os grandes diretores de empresa, especialmente no
        século XIX, foram grandes inventores, técnicos, grandes financeiros e organizadores.


                 Segundo Boone e Kurtz (2009), nessa época a empresa era vista pelos seus
        diretores como um agente de produção, rodeada em primeiro lugar de fornecedores
        de capitais e de matérias-primas, e em segundo lugar de concorrentes e, por fim,
        de clientes potenciais que, aos olhos dos seus dirigentes giravam à volta da própria
        empresa.


                 Nesta era, o marketing no seu real sentido de hoje, era considerado uma
        atividade sem importância, menor e pouco relevante, em que o engenheiro ou o
        homem das finanças estava muito acima do gestor comercial. Além disso, a procura
        era maior que a oferta e os consumidores estavam ávidos por produtos e serviços.




14   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
1.1.2    A ERA DE VENDAS - ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO



“Propaganda e vendas criativas ultrapassarão a resistência do consumidor e
                            irão convencê-lo a comprar”




                        Dinheiro e necessidade de consumo



         A necessidade dos industriais de administrar a nova realidade oriunda da
Revolução Industrial do século XVIII, que causou uma transformação de um mercado
de vendedores para um mercado de compradores fez com que a era de vendas deixasse
a sua marca na história do marketing. Nesse ponto os consumidores ainda não tinham
qualquer poder de barganha e a concorrência era praticamente inexistente.


         Para Boone e Kurtz (2009) conforme as técnicas de produção nos Estados
Unidos e na Europa tornaram-se mais sofisticadas, a produção cresceu desde a década
de 1920 até o começo da década de 1950. Como resultado, fabricantes começaram



                                                                     15
                    UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   15
a aumentar sua ênfase em forças de vendas efetivas para encontrarem consumidores
        para a sua produção. Nessa era, empresas tentaram igualar sua produção com o
        número potencial de consumidores que iriam querer. Empresas com uma orientação
        para vendas presumem que consumidores resistirão a comprar serviços não essenciais
        e a tarefa da propaganda e venda pessoal é convencê-los a fazê-lo.


               Apesar dos departamentos de marketing terem começado a sair das sombras
        da produção, das finanças e da engenharia durante a era de vendas, a tendência
        era ficarem em posições subordinadas. Muitos executivos de marketing já tinham
        nessa época seus gerentes de vendas. Mas, vender como já vimos não significa fazer
        marketing. O professor de marketing Theodore Levitt, destaca a real diferença entre
        um assunto e outro.


               Segundo Levitt (2008) “o primeiro negócio de qualquer negócio é continuar
        no negócio. Para tanto, é preciso gerar e manter consumidores”. Disse Levitt sobre a
        distinção entre vendas e marketing, pedra fundamental de sua tese:


                                      A diferença entre marketing e vendas é mais do que semântica,
                                      Vendas têm seu foco nas necessidades do vendedor, marketing nas
                                      do comprador. Vendas preocupam-se com a necessidade do vendedor
                                      de converter seu produto em dinheiro; marketing preocupa-se com a
                                      ideia de satisfazer as necessidades do consumidor com o produto.



               De acordo com Boone e Kurtz (2009) a venda constitui apenas um dos muitos
        componentes do marketing. No mundo dos negócios, venda pessoal refere-se à
        comunicação de informações para persuadir um prospect (cliente em potencial) a
        comprar algo. Esse algo pode ser um bem, um serviço, uma ideia ou outra coisa que
        atenda suas necessidades individuais.


               O marketeiro, como assim chamamos o profissional de marketing, de uma
        forma rápida, é a pessoa responsável pelas pesquisas sobre um produto ou serviço,
        estuda o mercado alvo, estabelece o preço baseado em diversos fatores do negócio,
        coloca marca nos produtos e serviços, desenvolve e analisa campanhas além de
        ajudar o pessoal de vendas a entender a proposição única de valor para cada produto
        ou serviço. Este conceito nos remete ao caráter estratégico do marketing, que é a
        inteligência da atividade comercial.


16   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
1.1.3    A ERA DO MARKETING



                                   A partir de 1950
         “O consumidor domina. Encontre uma necessidade e a satisfaça”




                           O alvo - símbolo do marketing



         Segundo Boone e Kurtz (2009) a realidade da era de vendas manteve-se
inalterada até fins da Segunda Guerra Mundial quando, então reagindo ao crescimento
da concorrência, mercadólogos começaram a teorizar sobre como atrair e lidar com
seus consumidores.


         Os primeiros estudos nos anos 40 sobre o marketing vieram com trabalhos
como o de Walter Scott, sobre a aplicação da psicologia na propaganda e o de William
J. Reilly sobre as Leis de Gravitação do Varejo. O ponto crucial era se as teorias de
mercado podiam ou não se desenvolver. Alguns autores como Roland Vaile e outros
afirmavam que nunca seria possível desenvolver uma teoria mercadológica genuína,
pois achavam o marketing extremamente subjetivo.




                                                                     17
                    UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   17
Outros autores como Bartels começavam a admitir que existia uma
        potencialidade para a teoria mercadológica se tornar uma ciência. Em 1954, pelas
        mãos de Peter Drucker, o pai da administração polêmica, ao lançar seu livro “A
        Prática da Administração”, o marketing é colocado como uma força poderosa a ser
        considerada pelos administradores.


               Segundo Kotler e Armstrong (2007) em 1960 com Theodore Levitt, professor
        da Harvard Business School, se iniciou um processo de transformações. Assim como
        vimos ao diferenciar marketing de vendas, Levitt, em seu artigo na revista Harvard
        Business Review intitulado “Miopia de Marketing”, revelou uma série de erros de
        percepções, mostrando a importância da satisfação dos clientes e modificou para
        sempre o mundo dos negócios. O vender a qualquer custo deu lugar à satisfação
        garantida. Logo após este período houve um renascimento de poderosas marcas
        como: Coca-Cola, Sears, Marlboro, etc..


               Depois desse fato começaram a borbulhar artigos científicos sobre o marketing.
        As estratégias eficientes foram separadas dos “achismos” e viu-se a necessidade de
        um estudo sério do mercado. Em 1967, Philip Kotler, considerado até hoje o pai do
        marketing, lança a primeira edição de seu livro “Administração de Marketing”, onde
        se consolidou as bases daquilo que até hoje forma a concepção do marketing.




                                                P RO F E SSO R SA L D A NHA F A LA ...



                                           No dia 8 de Maio é comemorado o aniversário do
                                                       profissional de marketing!!!




18   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
Para Kotler e Armstrong (2007) cada vez mais o marketing se tornava presente
na sociedade. Na década de 1970 surgiram departamentos e diretorias de marketing
em todas as grandes empresas americanas. Não se tratava mais de uma boa ideia,
mas de uma necessidade de sobrevivência diante de um mercado competitivo. Nesta
época se multiplicam os supermercados, shoppings centers e franchises.


         Na década de 80 surgiram mais autores que usavam as técnicas mercadológicas
como tema de literatura que logo caíram no anonimato e outros como Al Ries por
definir o conceito de posicionamento, Jay Conrad Levinson por conceituar o marketing
de guerrilha e Masaaki Imai pai do Kaizen que ganharam reconhecimento no mundo
dos negócios e reputação por suas ideias e abordagens originais.




1.1.4    A ERA DO RELACIONAMENTO



         Para Kotler (2005), na década de 90 o avanço da tecnologia trouxe um forte
impacto no mundo do marketing. Um dos pontos fundamentais para que isso
acontecesse foi o comércio eletrônico, que fez uma revolução na logística, distribuição
e formas de pagamento dos produtos e serviços. Uma ferramenta chamada CRM
(Customer Relationship Management) e os serviços de atendimento ao consumidor,
entre outras inovações, tornaram possível uma gestão de relacionamento com os
consumidores em larga escala. E como se isso não fosse o suficiente a Internet chegou
como uma nova via de comunicação. A realidade do marketing já se fazia presente
e estudiosos do mercado começaram a afunilar os conceitos da disciplina. Com isso
surgiram o maximarketing de Stan Rapp, o maketing 1 to 1, da Peppers  Rogers
Group, o aftermarketing de Terry G. Vavra e o marketing direto de Bob Stone.


         Outro fato marcante do período foi o fortalecimento do conceito de marketing
societal, que vem fazendo com que cada vez mais empresas se preocupem com o
bem-estar da sociedade. A satisfação do consumidor e a opinião pública passaram
a estar diretamente ligadas à participação das organizações em causas sociais e a
responsabilidade social transformou-se numa vantagem competitiva fundamental
diante dos consumidores.


                                                                      19
                     UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   19
Segundo Kotler e Armstrong (2007) com a virada do milênio, novos fatos
        foram se sucedendo e fez com que a atividade de marketing ganhasse adeptos de
        todas as áreas responsáveis pelo consumo de bens e serviços. A segmentação da
        televisão a cabo, a popularidade da telefonia celular e a democratização dos meios
        de comunicação especialmente via Internet agilizaram a comunicação global fazendo
        com que surgisse uma infinidade de pesquisas e publicações sobre web marketing e
        comércio eletrônico. Isso revolucionou tanto a logística como a oferta de produtos
        e o cliente passou a ter informações sobre as organizações além de um poder de
        barganha nunca antes visto. Era de se esperar que isso influenciasse a maneira com
        a qual os consumidores interagiam com as empresas e entre si. A mídia espontânea,
        conseguida por esforços de assessoria de imprensa, relações públicas e marketing
        social, começam a tomar o espaço da propaganda tradicional. Assim se fizeram
        presentes o marketing de permissão, de Seth Godin, a conceitualização do marketing
        boca-a-boca por George Silverman e a explosão do buzz marketing e do marketing
        viral, por autores como Russell Goldsmith e Mark Hughes.




        1.2    CONCEITO DE MARKETING


               Quando falamos do conceito de marketing, não estamos falando de uma
        simples definição, mas de vários enfoques que, no seu conjunto criam uma visão
        ampla sobre as funções do marketing moderno no universo da empresa, produto e
        mercado.


               Como vimos na introdução, se formos desmembrar a palavra marketing nós
        temos:


                                            MARK – ET – ING


                           Marcar – Mercado – Ação de marcar mercado




20   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
De acordo com McKenna, (1998), marketing é uma atividade que deve ser
praticada desde o recepcionista à gerência sênior, desde o faxineiro até o dono ou CEO
da empresa. O marketing é de responsabilidade da empresa como um todo. McKenna
também acrescenta que o verdadeiro objetivo do marketing é ganhar o mercado a
longo prazo tornando o relacionamento com o consumidor um elo importantíssimo
para toda e qualquer organização.


      Segundo Drucker (1997) marketing é a única função e somente essa, a função
da empresa. Ele também se posiciona no sentido de que o objetivo do marketing
é tornar a venda supérflua. Dessa forma, o marketing deve compreender tão bem
as necessidades do cliente, que o produto, ou serviço, se ajusta às necessidades do
consumidor e se vende por si mesmo.


      Para Kotler (2005) o marketing apresenta duas visões. Uma com uma abordagem
social e outra com uma abordagem gerencial.


      A abordagem social define marketing como um processo em que indivíduos ou
grupos obtêm aquilo que querem e atendem suas necessidades por meio da criação,
oferta e troca de produtos além de serviços livremente com outras pessoas.


      Na abordagem gerencial, ele começa com uma descrição genérica, como a
arte de vender produtos e mais tarde define gerenciamento de marketing como a
arte e a ciência de aplicar os conceitos fundamentais de comercialização, escolhendo
o mercado alvo e visando obter, manter e aumentar o número dos clientes por meio
da criação, entrega e transmissão aos próprios consumidores, de um valor superior na
prestação de serviços integrados.


      Atualmente, os conceitos relacionados ao marketing e principalmente as
suas aplicações estão tendo uma evolução rápida, gerando em seu progresso um
marketing de alta qualidade, de primeira, segunda, terceira e quarta geração,
incluindo estratégias novas como: marketing de guerrilha, maxi-marketing, marketing
de serviços, marketing de relacionamento, marketing viral, o marketing de nichos, e
assim por diante.



                                                                     21
                    UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   21
Dentro do marketing, Philip Kotler é sinônimo de qualidade. Na literatura
        mercadológica são poucas às vezes em que um autor vira sinônimo da sua especialidade
        com tamanha dimensão. Philip Kotler foi eleito o primeiro líder no ensino de marketing
        pela Associação Americana de Marketing. Suas pesquisas mantêm o foco em marketing
        estratégico, internacional, de empresas, social, para organizações culturais, hotelaria,
        turismo e marketing de lugares, marketing e desenvolvimento econômico.


                 Para Kotler e Armstrong (2007) é importante frisar características que não
        correspondem as atividades de marketing para que enfim possamos entender o
        conceito da disciplina. Kotler classifica de marketing de neandertal, em alusão aos
        homens das cavernas, alguns conceitos que estão ultrapassados e são usados ainda
        insistentemente por algumas organizações que não tem noção do que a disciplina
        representa.




        1.2.1    CARACTERÍSTICAS DO MARKETING DE NEANDERTAL



                 •	 Equiparar marketing a vendas;

                 •	 Equiparar marketing a publicidade e propaganda;

                 •	 Enfatizar a conquista de clientes e não a manutenção dos mesmos;

                 •	 Tentar lucrar em cada transação em vez de lucrar gerenciando o valor do
                    tempo de vida de um cliente;

                 •	 Elevar preços com base em markup (porcentagem do custo ou preço de
                    um produto acrescentado ao custo para obter o preço de venda) em vez de
                    determinar preços por metas;

                 •	 Planejar cada ferramenta de comunicação separadamente em vez de
                    integrá-las;

                 •	 Vender o produto em vez de tentar compreender e atender às reais
                    necessidades dos clientes.




22   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
De acordo com Kotler e Armstrong (2007) as empresas inteligentes estão
valorizando seu conhecimento a respeito dos hábitos de compra do cliente e as
tecnologias de conexão com o mesmo, além da compreensão dos seus fatores
demográficos, econômicos, culturais, naturais e políticos. O novo conceito de
marketing consiste em convidar o cliente a participar do projeto do produto. O cliente
dirá à empresa o que ele quer e anunciará o produto e serviço da organização para
outros possíveis clientes. As novas empresas estão prontas para tornar seus produtos,
serviços e condições mais flexíveis, fazendo uso de meios de comunicação mais
direcionados, integrando suas atividades de marketing para transmitir uma mensagem
mais coerente e sustentável para os consumidores.


      A essência do marketing atual é a apresentação da evolução do tradicional
conceito de marketing, fazendo uso dos 4 P’s, que veremos no próximo capítulo, à
uma nova abordagem, que amplia o mix de marketing e a visão dos administradores.


      O novo mix de marketing, segundo os autores é composto por:


      •	 Sensibilidade ao consumidor – Postura do empregado, atendimento ao
          cliente e resposta aos clientes;

      •	 Produto – Qualidade, confiabilidade e características do produto;

      •	 Conveniência do consumidor – Disponibilidade para o consumidor,
          conveniência do consumidor e vendas;

      •	 Serviço – Serviços pós-venda e conveniência do consumidor na obtenção
          de serviços;

      •	 Preço – Preços cobrados, condições da composição de preços e ofertas de
          preço;

      •	 Praça – Facilidade de acesso ao produtor, unidades de produção, termos de
          composição de preços e disponibilidade para o consumidor; e

      •	 Promoção – Propaganda, publicidade, vendas, serviços de pré-venda e
          ofertas de preço.



                                                                    23
                   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   23
A partir dessa nova abordagem se expande a visão acerca do que representa
        um planejamento de marketing. Atualmente, ele precisa envolver praticamente todo
        mundo dentro da organização. O foco é o cliente e é preciso a união de todos para
        que ele não tenha problemas com a empresa.


               De acordo com a HSM Management (2011), McKenna, considerado a máxima
        autoridade do novo marketing, o futuro da disciplina, determina cinco regras básicas
        de uma nova maneira de agir. O autor considera todas as mudanças pelas quais o
        mundo passou nos últimos seis anos e suas consequências diretas nos hábitos dos
        consumidores.


               O avanço da tecnologia modificou os mercados e refutou leis há muito
        utilizadas para reger as atividades de marketing. As regras de condução dos negócios
        também são reformuladas por ela, mudando a maneira de pensar e agir das pessoas
        na condição de produtoras e consumidoras.


               Segundo a HSM Management (2011) McKenna, aponta as novas regras abaixo:


               •	 A subestrutura digital muda tudo - o novo paradigma tecnológico
                   provoca mudanças em toda a cadeia produtiva. A estrutura digital auxilia a
                   comunicação voltada para os negócios, mas seu maior diferencial é o acesso
                   sem precedentes, que possibilita tanto do sistema aos clientes como no
                   sentido inverso. A consequência é o aumento da comunicação interativa, o
                   que leva à desmassificação dos mercados, à fragmentação do público e ao
                   aumento da individualidade;

               •	 A fidelidade à marca desaparece – a revolução digital estimulou a
                   infidelidade às marcas. Possibilitou uma vasta rede de distribuição capaz de
                   gerir uma imensa variedade de produtos. Logo a escolha e o preço têm um
                   valor maior que a marca e existe uma constante espera por novidade;

               •	 Redefine-se o conceito de imagem – a imagem vai originar-se menos dos
                   meios de comunicação estáticos e mais das experiências interativas com os
                   consumidores, que devem ser constantemente renovadas. Em consequência
                   disso, a presença substitui a consciência da marca. A Internet força todos os
                   negócios a tornarem-se serviços;


24   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
•	 O cliente torna-se seu próprio “marketeiro” - Estamos num mercado em
          que os clientes mudam mais depressa do que aqueles que estão tentando
          conquistá-los. Está surgindo um novo tipo de cliente e um novo tipo de
          relacionamento com o mesmo totalmente baseado no acesso, na interface,
          nos serviços incorporados e nos sistemas inteligentes de informações que
          operam por trás de tudo. Logo, é cada vez mais importante entender as
          atitudes do consumidor; e


       •	 O marketing será centrado na tecnologia da informação – são
          abundantes os indícios de convergência entre empresas de software e
          agências de publicidade. O marketing deve mudar seu foco na imagem para
          o foco na tecnologia da informação.


       Dessa forma, o novo conceito de marketing vai transformar-se em um processo
de aprendizado contínuo por meio do qual a organização ganha conhecimento ao
interagir com os seus consumidores e o mercado, e dessa maneira consegue estabelecer
relacionamentos a longo prazo com os clientes.


       Todos esses focos, interpretações, teorias e práticas de marketing, podem ser
considerados como complementares ou extensões e em contínua e dinâmica evolução
e aplicação, assim como o mercado.


       Em um caso específico, por exemplo, podemos usar o marketing de serviços
para se chegar a excelência no atendimento e criar um maior índice de fidelidade, mas
também podemos utilizar o marketing de nichos para o posicionamento da marca e
aplicar uma derivação do marketing de rede para criar uma estrutura de canais de
distribuição.


       O fato é que atualmente temos uma “sopa de letras” e diversas expressões
técnicas para lidar com novas estratégias, tecnologias e metodologias. Podemos
citar entre elas o CRM - customer relationship management (gerenciamento do
relacionamento de cliente), o marketing one-to-one (um-para-um), lateral marketing,
marketing de rede, inbound e outbound marketing, e por aí a fora.



                                                                    25
                   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   25
Para Kotler (2005) com tantos conceitos de marketing, metodologias e
        estratégias envolvidas, suas definições terminam sendo levadas a um conceito simples
        e que, aplicado com foco no posicionamento da marca e no seu público alvo, nada
        mais será que o uso do bom senso, intuição, experiência e conhecimento, de acordo
        com o produto, mercado, momento e ambiente.




        1.3    SEGMENTAÇÃO DE MERCADO


               	
               Segundo Kotler e Keller (2005) quando pretendemos atingir um mercado
        específico, necessitamos antes de tudo, traçar uma definição do que vêm a ser este
        mercado específico. Para isso existem alguns critérios básicos como:


               •	 Deve existir alguém com necessidade que seja satisfeita com a compra do
                   produto;

               •	 A pessoa deve ter o poder aquisitivo para comprar o produto; e

               •	 Condições para efetuar a compra.


               Segmentar um mercado quer dizer, escolher um grupo de consumidores, com
        necessidades iguais ou parecidas, para o qual a organização poderá fazer uma oferta
        mercadológica. Dentro desse processo de segmentação é necessário que os fatores
        que afetam as decisões de compras dos consumidores sejam identificados. Dessa
        forma, o segmento deve ser identificável, mensurável, acessível, rentável e estável.


                Para Hawkins e Mathersbaugh (2007) como é muito difícil para uma empresa
        satisfazer todos os consumidores de um dado mercado, ou pelo menos, da mesma
        maneira, um único composto raramente é adequado para atender às necessidades e
        desejos de todo o mercado de um produto. Visando aperfeiçoar resultados e atender
        aos consumidores com primazia as organizações vem buscando segmentar seus
        mercados desenvolvendo produtos e serviços cada vez mais customizados. Essa é uma
        estratégia eficiente num mundo competitivo. Mas antes de definir o composto que irá
        satisfazer as necessidades e desejos dos consumidores é preciso entendê-los.


26   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
Assim, antes mesmo que uma empresa possa efetivamente comercializar os
produtos delas com os consumidores, ela deve entender plenamente o que você quer
e de uma maneira geral necessita daquele determinado produto. Contudo, o que se
deseja de um produto não é o mesmo para todos em um mercado, portanto, existem
diferenças reais entre as preferências de produtos.


      Segundo Churchill  Peter (2000), segmentação de mercado é quando se
divide um mercado em grupos de compradores potenciais que tenham semelhantes
desejos, percepções de valores ou comportamentos de compra. Levando em conta
esse conceito, podemos dizer que os mercados se diferem de várias formas como:
quanto aos desejos, recursos, localidades, atitudes de compra e práticas de compra.


      Os mercados podem ser segmentados de várias formas, pois quando uma
organização segmenta o mercado, torna-se mais fácil satisfazer suas necessidades, já
que o composto de marketing será desenvolvido a partir das necessidades específicas
daquele grupo. Mas quando se trata de desenvolver um composto que seja dirigido
visando grandes mercados, que são formados por consumidores com diferentes
necessidades, o trabalho fica bem mais difícil. Por este motivo que a segmentação do
mercado facilita a empresa a desenvolver e comercializar produtos que se aproximem
mais à satisfação dos desejos e necessidades de seus consumidores.


      De acordo com Kotler e Armstrong (2007) através da segmentação a empresa
poderá fazer melhores trabalhos frente à concorrência, dedicando-se a fatias de
mercado que tenham melhores condições de atender. Para isso, é preciso estimar o
tamanho atual do mercado, identificar os concorrentes e suas respectivas participações
e o potencial de crescimento do mercado em questão.


      Posteriormente, é necessário separar os consumidores em grupos, de tal
maneira que a necessidade genérica a ser atendida tenha interesses específicos, que
são semelhantes para os que pertencem ao mesmo grupo e diferentes dos demais
grupos. Pode-se fazer essa divisão segundo critérios: geográficos, demográficos,
psicográficos ou comportamentais. Os segmentos resultantes desta divisão devem ser
avaliados segundo o tamanho, potencial de crescimento e atratividade, em relação
aos objetivos e recursos disponíveis que a empresa tem.



                                                                    27
                   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   27
1.4    NÍVEL DE SEGMENTAÇÃO DE MERCADO


                 Conforme Kotler e Armstrong (2005) a segmentação é um esforço que visa o
        aumento de precisão de alvo de uma empresa. Assim, as organizações podem adotar
        cinco níveis:


                 •	 Marketing de massa;

                 •	 Marketing de segmento;

                 •	 Marketing de nicho;

                 •	 Marketing local; e

                 •	 Marketing individual


                 Saber definir segmentos específicos dentro do mercado para se direcionar com
        compostos de marketing customizados é de suma importância para as empresas, pois
        desta maneira a corporação ganhará vantagem competitiva frente à concorrência.




        1.4.1    MARKETING DE MASSA


                 De acordo com Weinstein (1995) a empresa se preocupa com a produção,
        distribuição e promoção de massa de um produto para todos os compradores. A
        vantagem do marketing de massa é que cria maior potencial de mercado, custos
        menores e automaticamente margens maiores.




        1.4.2    MARKETING DE SEGMENTO


                 Conforme Kotler (1998), um segmento de mercado é formado por um grande
        grupo de compradores identificáveis em um mercado. As pessoas se diferenciam em
        suas necessidades, desejos, poder de compra, localizações geográficas, atitudes e
        hábitos de compra. Sendo assim as empresas estão procurando isolar alguns segmentos



28   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
amplos que formam um mercado e personalizar seus produtos. O marketing de
segmento não é tão preciso quanto o marketing individual, mas é muito mais preciso
que o marketing de massa, pois é mais específico que o mesmo.




1.4.3    MARKETING DE NICHO


         Nicho de mercado para Kotler (2005) é o processo de direcionar-se para um
segmento de mercado relativamente pequeno com um composto de marketing
especializado. Trata-se de um grupo mais restrito de compradores com necessidades
especiais. As empresas identificam nichos dividindo um segmento em vários
subsegmentos.


         Os nichos de mercado são bem menores, pois as empresas dessa forma passam a
conhecer bem melhor as necessidades de seus consumidores se tornando especialistas
em determinado assunto. O segmento de mercado atrai vários concorrentes, já o
nicho atrai um ou alguns concorrentes.




1.4.4    MARKETING LOCAL


         Esse tipo de marketing para Weinstein (1995) é voltado para as características
regionais e locais dos consumidores e trabalham com programas e produtos preparados
sob medidas, conforme a necessidade e desejos de grupos de comunidades e
consumidores locais.




1.4.5    MARKETING INDIVIDUAL


         Acontece segundo Kotler e Armstrong (2007) quando as empresas fazem um
direcionamento a consumidores individuais, visando customizar e personalizar os
esforços para cada um deles. Este é o segmento mais subdividido que se possa ter.
Também é conhecido como marketing one by one ou marketing um-a-um.



                                                                      29
                     UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   29
Dentro do marketing individual, pode-se também trabalhar o conceito do
        automarketing, que é uma forma de marketing individual, em que o consumidor
        assume mais responsabilidade para determinar que produtos e marcas comprarem.
        Pode – se citar como exemplo a compra pela internet, onde o consumidor escolhe
        quais itens quer no seu carro ou que tipo de decoração ele quer fazer na sua casa.


               O consumidor desenha o carro que quer e escolhe a decoração que melhor
        satisfaz a sua vontade naquele tempo. Assim, assume mais responsabilidade pelo
        processo de decisão de marketing. Este tipo de estratégia está crescendo, pois em uma
        sociedade sem tempo e a crescente popularidade de opções de compras interativas,
        feitas em casa, como aquelas via internet, estão levando a uma maior personalização
        ou customização nos mercados.




        1.4.5.1    VANTAGENS DA SEGMENTAÇÃO E DO MARKETING
        DIRECIONADO



               Para Kotler e Keller (2006) a segmentação e o direcionamento de mercado
        apresentam algumas vantagens como:


               •	 A identificação do mercado permite que a empresa saiba quem analisar nos
                   seus esforços para entender melhor os consumidores;

               •	 Uma análise e uma compreensão detalhada do mercado permite que a
                   empresa desenvolva e implemente um composto de marketing detalhado
                   para as necessidades específicas do mercado;

               •	 A identificação do mercado permite que uma empresa avalie o mercado
                   potencial para os seus produtos;

               •	 Conhecer o mercado permite às empresas identificar os produtos concorrentes
                   no seu mercado específico e desenvolver posições competitivas;

               •	 Direcionar-se a segmentos de mercado com um composto de marketing
                   customizado para necessidades específicas do mercado aumenta a



30   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
probabilidade de efetividade de vendas e eficiência de custo na conquista
           de mercado;

       •	 Definir e analisar um mercado permite que uma empresa posicione os seus
           produtos baseado nas necessidades e preferências avaliadas; e

       •	 Definir um mercado permite que uma empresa identifique oportunidades.




1.4.5.2    PROCEDIMENTO PARA SEGMENTAÇÃO DE MERCADO



       Segundo Kotler e Armstrong (2007) os procedimentos para uma boa
segmentação de mercado são:


       1.	 Levantamento: entrevistas informais e grupos de foco a fim de obter
           informações sobre as motivações, atitudes e comportamento dos
           consumidores. Em seguida é elaborado um questionário para colher dados
           sobre:

       •	 Atributos do produto e graus de importância;

       •	 Consciência e avaliação de marca;

       •	 Padrões de utilização do produto;

       •	 Atitudes em relação à categoria do produto; e

       •	 Aspectos demográficos, psicográficos e hábitos de mídia dos correspondentes.


       2.	 Análise: aplicação de análise fatorial para extrair variáveis altamente
           correlacionadas, e em seguida, análise por conglomerado, para criar
           segmentos     altamente    diferenciados,   internamente      homogêneos       e
           externamente heterogêneos.


       3.	 Desenvolvimento de perfil: cada segmento é detalhado em suas atitudes,
           comportamentos, fatores demográficos, psicográficos e hábitos de mídia,
           associando a cada segmento um nome significativo.



                                                                     31
                    UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   31
1.4.5.3    BASES PARA SEGMENTAÇÃO DO MERCADO



               Para De Angelo e Felisone (2007) é trabalho dos profissionais de marketing
        encontrar o melhor método de segmentar o mercado e a forma de visualizar a
        estrutura do mesmo. As maneiras como os executivos segmentarão cada mercado,
        vão depender do tipo de produto comercializado e das exigências de cada tipo de
        mercado. Incontáveis maneiras para segmentar um determinado mercado podem der
        utilizadas, sobretudo se a empresa pensa em combinar diversas formas de segmentação
        com o objetivo de achar seu público alvo.

               Formas de segmentação do mercado:


             MODALIDADES                                          CRITÉRIOS

                                  Extensão Do Mercado Potencial, Concentração Geográfica, Transporte
               Geográfica
                                  E Acesso, Polarização, Bairros E Ruas, Tráfego, Centros De Compras

              Demográfica         Idade, Sexo, Domicílio, Família, Ciclo De Vida (Jovem, Adulto, Idoso)

                                  Classe De Renda, Instrução, Cupação, Status, Migração, Mobilidade
            Socioeconômica
                                  Social

                                  Frequencia De Compra, Local De Compra, Lealdade A Marcas, Heavy 
          Padrões de consumo
                                  Light Users, Curva Abc

               Benefícios         Satisfação Sensual, Prestígo Socal, Emulação-Preço Favorável, Qualidade/

               procurados         Durabilidade, Redução De Custos, Atendimento/Serviços

                                  Expectativas De Vida, Uso Do Tempo, Interesses Predominantes,

             Estilos de vida      Partcipação Em Eventos E Agrupamentos Sociais, Uso Do Dinheiro,

                                  Amizades E Relações Pessoais.

             Personalidade        Bases Culturais, Atividades E Valores, Liderança, Agentes De Mudança

                                  Setor De Atvidade, Tamanho Das Empresas, Atuação Dos Concorrentes,
             Caracterização
                                  Acessibilidade, Aplicações, Unidade De Decisão De Compra, Demanda
               econômica
                                  Derivada


                                             Fonte: Lima e Richars, 1991




32   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
1.4.5.3.1    SEGMENTAÇÃO GEOGRÁFICA


       Segundo Kotler e Keller (2006) requer uma divisão do mercado em diferentes
unidades geográficas, como países, estados, regiões, cidades ou bairros. A segmentação
divide um mercado global em grupos homogêneos. As empresas podem optar por
atuar em um ou mais mercados geográficos. Na segmentação geográfica, as diferenças
regionais são consideradas.

       As regiões geográficas podem ser usadas para segmentar mercados para
esforços de marketing especializados. Geralmente a segmentação geográfica é usada
em conjunto com outros descritores de segmentação.




1.4.5.3.2    SEGMENTAÇÃO DEMOGRÁFICA


       Para Kotler e Keller (2006) consiste em divisão do mercado em diferentes grupos,
com base em variáveis demográficas. São as bases mais populares para segmentação
dos grupos de consumo, pois as necessidades e desejos variam conforme as mudanças
demográficas. Estas são as mais fáceis de serem avaliadas. A maioria das empresas
segmenta o mercado combinando duas ou mais variáveis demográficas, por exemplo,
sexo e idade.




1.4.5.3.3    SEGMENTAÇÃO PSICOGRÁFICA OU SOCIOECONÔMICA


       De acordo com De Angelo e Dias Fontes (2007) segmenta o mercado pelos perfis
do estilo de vida dos diferentes consumidores como a classe social, a personalidade,
as atitudes e a percepção.

       A segmentação psicográfica produz uma descrição muito mais rica de
um mercado-alvo potencial do que seria possível de outro modo. Essas bases de
segmentação permitem que o profissional de marketing entenda verdadeiramente
o funcionamento interno de consumidores potenciais antes de desenvolver um
composto de marketing dirigido para eles.


                                                                    33
                   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   33
1.4.5.3.4    SEGMENTAÇÃO COMPORTAMENTAL


               É o melhor ponto de partida para segmentar o mercado. Para Kotler e Keller
        (2006) são segmentos tomando como ponto de partida seu conhecimento, atitude,
        uso ou resposta para um determinado produto. Estão entre estas variáveis: influência
        na compra, hábitos de compra, intenção de compra.




        1.4.5.3.5    SEGMENTAÇÃO POR MULTIATRIBUTOS


               Existe também esse tipo de segmentação de mercado, que para De Angelo e Dias
        Fontes (2007) parte do princípio de conglomerados geográficos, que proporcionam
        informações mais ricas sobre os consumidores.




        1.4.5.3.6    SEGMENTAÇÃO BASEADA EM COMPORTAMENTO DE
        COMPRA


               Os profissionais de marketing segundo Kotler e Keller (2006) podem
        segmentar o mercado de acordo com o comportamento de compra do consumidor.
        O comportamento de compra pode ser: prudente, impulsivo, pessimista, tradicional e
        confiante. A segmentação baseada no comportamento dos consumidores geralmente
        centra-se em alguma combinação de freqüência de uso, situação de lealdade e
        situação de usuário.




        1.4.5.3.7    SEGMENTAÇÃO DOS MERCADOS INTERNACIONAIS


               Para Kotler e Armstrong (2007) podem ser segmentados através de uma única
        variável ou de uma combinação delas.




34   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
•	 Segmentação por localização geográfica, através de regiões;

       •	 Segmentação com bases em fatores econômicos, através de nível de renda;

       •	 Segmentação com base em fatores políticos e legais, através de estabilidade
             do governo, receptividade; e

       •	 Segmentação cultural.




1.4.5.3.8    SEGMENTAÇÃO DE INTERMERCADO


       São consumidores com hábitos semelhantes, mas em regiões diferentes.




1.4.5.4    REQUISITOS PARA UMA SEGMENTAÇÃO EFICAZ



           De acordo com De Angelo e Dias Fontes (2007) depois de identificado os
segmentos de mercado potenciais, deveria ser feita uma análise dos mesmos. Existem
diversas formas de segmentação, mas nem todas são efetivas. Para serem úteis, os
segmentos precisam ser:


       •	 Mensuráveis – tende ser possível medir o tamanho, poder de compra e
             outras características dos segmentos. As preferências de diferenças para os
             produtos devem ser identificáveis e capazes de ser mensuráveis;

       •	 Substanciais - os segmentos são suficientemente grandes e/ou lucrativos;

       •	 Acessíveis - os segmentos podem ser atingidos e servidos com programas
             direcionados;

       •	 Diferenciáveis - os segmentos são conceitualmente distintos e respondem
             diferentemente a diversos programas e elementos de marketing-mix. Devem
             existir diferenças claras nas preferências do consumidor pelo produto; e

       •	 Acionáveis - programas eficazes podem ser formulados para atrair e servir
             os segmentos.


                                                                       35
                      UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   35
1.4.5.5    COLETA DE DADOS PARA A SEGMENTAÇÃO



                   Segundo Mattar (2008) os dados para segmentar mercado podem ser obtidos
        de fontes internas e externas.




        1.4.5.5.1    FONTES INTERNAS DE DADOS



               Constitui-se de informações sobre clientes existentes e potenciais. Essa base
        de dados de clientes pode ser muito valiosa. Os dados internos estão imediatamente
        disponíveis para as empresas e podem ser extremamente valiosos no desenvolvimento
        de compostos de marketing customizados.




        1.4.5.5.2    FONTES EXTERNAS DE DADOS



                   São as informações que são coletadas de empresas privadas e públicas que
        publicam dados valiosos para as empresas que querem segmentar seus mercados.




        1.5    ESCOLHA DE MERCADOS-ALVO (TARGET MARKET)


               De acordo com Keller e Machado (2006) o processo de selecionar, segmentar,
        analisar e esboçar um perfil de um mercado potencial para melhor atingi-lo com um
        composto de marketing customizado é o processo de seleção do mercado alvo. O
        processo é composto por oito tarefas que são inter-relacionadas.




36   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
Abaixo seguem as oito tarefas:


      1.	 Identifique o mercado total;

      2.	 Determine a necessidade de segmentação;

      3.	 Determine as bases da segmentação;

      4.	 Trace o perfil de cada segmento selecionado;

      5.	 Avalie a lucratividade potencial de cada segmento e selecione segmentos
          para se direcionar;

      6.	 Selecione a estratégia de posicionamento;

      7.	 Desenvolva e programe um composto de marketing adequado; e

      8.	 Monitore, Avalie e Controle.


      Embora mostrado em sequência, na prática a ordem das tarefas varia, com
algumas delas ocorrendo simultaneamente ou em ordem diferente.


      Os alvos são escolhidos por meio da segmentação total do mercado com base
em uma determinada característica. Vale ressaltar que o processo de seleção de
mercado é contínuo, isto porque os mercados são dinâmicos.


      •	 Análise de informações disponíveis sobre o mercado: database, pesquisas,
          dados secundários;

      •	 Hipóteses para segmentação: que fatores determinam com mais clareza os
          diferentes grupos de consumidores;

      •	 Avaliação dos segmentos: mensuráveis, acessíveis; em relação às
          características da empresa, em relação à concorrência;

      •	 Escolha de mercados-alvo.


      Uma vez identificadas as oportunidades de mercado-segmento, a empresa deve
avaliar e decidir quantos e quais atender.




                                                                    37
                   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   37
Para Kotler (2005) a avaliação dos diversos segmentos de mercado envolve
        2 critérios básicos:


                 •	 Atratividade do segmento - tamanho, taxa de crescimento, lucratividade,
                    economias de escala, risco, etc. A empresa deve estar voltada para segmentos
                    que valham a pena. Devem ser avaliados os vários fatores estruturais
                    importantes que afetam a lucratividade; e


                 •	 Objetivos da empresa e recursos disponíveis - compatibilidade entre
                    o investimento necessário para atingir o segmento e as competências,
                    recursos e objetivos (curto, médio e longo prazo) organizacionais.


                 Aqui estão ligados os objetivos da empresa quanto ao mercado, se o mercado
        for atrativo, mas for contra os objetivos da empresa, este segmento está descartado.
        A empresa só deve entrar em um segmento em que possa oferecer um valor superior
        e ter vantagens sobre seus concorrentes, caso contrário está fadada ao fracasso.


                 Para De Angelo e Dias Fontes (2007) mesmo que os segmentos atendam
        os critérios acima citados, a empresa deve entrar apenas naquele(s) em que possa
        oferecer valor superior. Após avaliar os diversos segmentos, a empresa precisa decidir
        quais e quantos atenderá, ou seja, quais serão os segmentos-alvo.




        1.5.1    COBERTURA ESPECIALIZADA DO MERCADO



                 Para Kotler e Keller (2006) a cobertura especializada do mercado esta ligada a
        especialização do ramo de atividade que a empresa oferece.


                 •	 Especialização em segmento único - a organização focaliza seus esforços
                    em um produto para um segmento do mercado. Através do marketing
                    concentrado (em vez de perseguir uma pequena participação em um grande
                    mercado, a empresa se concentra em perseguir uma grande participação em
                    alguns poucos submercados) a empresa conhece melhor as necessidades do
                    segmento e fortalece sua posição neste segmento.



38   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
Esse tipo de especialização é comumente usado por empresas de pequeno porte.
Caso a empresa, em virtude de seu porte ou capacidade de atendimento, opte por um
segmento muito pequeno, tal estratégia é denominada marketing de nicho, a qual é
particularmente adotada nos casos em que a empresa deseja atuar em segmentos mal
ou não atendidos pelos concorrentes.

         Geralmente, a empresa conhece tão bem as necessidades destes nichos que seus
clientes tendem a pagar um preço premium. Tais estratégias envolvem grandes riscos,
na medida em que o segmento pode sofrer alterações repentinas de comportamento
de compra, ou mesmo a ameaça de entrada de concorrentes no segmento. Por estas
razões, muitas empresas preferem atuar em mais de um segmento.


         •	 Especialização seletiva - nesse tipo de especialização cada segmento
            escolhido é independente, cada qual gerando resultados específicos não-
            sinérgicos. Tal estratégia resulta na diversificação do risco, uma vez que
            caso um dos segmentos torne-se desinteressante, a empresa mantém seus
            resultados nos demais segmentos.

         •	 Especialização por produto - a organização se concentra em fazer e vender
            um produto específico para diversos segmentos. O risco desta escolha é a
            obsolescência do produto por novas invenções tecnológicas.

         •	 Especialização por mercado - aqui a empresa põe o foco em atender
            diversas necessidades de um grupo de clientes em particular. A principal
            vantagem é conquistar uma reputação forte junto a estes clientes, tornando-
            se o principal fornecedor para futuras necessidades destes clientes. O risco
            encontra-se na possibilidade de mudanças no poder de compra desses
            clientes. Daí a razão para o acompanhamento constante das mudanças de
            hábitos dos consumidores.




1.5.2    COBERTURA AMPLA DE MERCADO


         Segundo Kotler e Keller (2006) a empresa procura atender todos os grupos de
clientes com todos os produtos que viessem a necessitar. Tal estratégia é viável apenas
para grandes empresas e a cobertura ampla do mercado pode ser obtida de duas formas:


                                                                      39
                     UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   39
•	 Marketing não-diferenciado - a companhia ignora as particularidades
                   de cada segmento de mercado, desenvolvendo um produto e um plano
                   de marketing direcionado ao maior número possível de compradores,
                   envolvendo distribuição e propaganda de massa. Essa estratégia pede custos
                   menores de produção, estoque, transporte, pesquisa e propaganda, mas os
                   riscos envolvidos são intensa competição resultante baseada em preço e
                   insatisfação nos segmentos de mercado menores.


               O difícil nesse caso é criar um produto que satisfaça as necessidades de todos
        os consumidores. Este tipo de segmento atrai muitos concorrentes que oferecem
        produtos especializados a segmentos menores, cuja satisfação é maior, portanto a
        lucratividade passa a ser menor.


               •	 Marketing diferenciado - a organização passa a desenvolver produtos
                   e programas de marketing específicos para cada segmento do mercado
                   total. Marketing diferenciado normalmente gera mais vendas, mas também
                   custos, tais como: custos de modificação do produto, custos de produção,
                   custos administrativos, estoque e promoção.


               As empresas que praticam esse tipo de marketing esperam uma posição mais
        forte em cada segmento de mercado escolhido, bem como criam a expectativa de
        uma maior fidelização dos consumidores.




        1.6    DIFERENCIAÇÃO E POSICIONAMENTO DA OFERTA


               Para Oliveira (2007) uma vez que a empresa tenha definido seu mercado-alvo, é
        preciso posicionar o seu produto ou serviço nesse mercado. Fazer um posicionamento
        de produto significa conseguir que um produto ocupe um lugar claro, distinto e
        desejável, em relação aos produtos concorrentes na mente dos consumidores. Para
        Kotler (2005), posicionamento é o ato de desenvolver a oferta e a imagem da empresa,
        de maneira que ocupem uma posição competitiva distinta e significativa nas mentes
        dos consumidores. A estratégia de posicionamento do produto é fundamental para
        desenvolver o composto de marketing adequado.


40   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
Na estratégia de posicionamento pressupõe-se que se identifiquem possíveis
vantagens competitivas sobre as quais se deve construir a posição da empresa e da
marca, a diferenciação, que pode ser obtida no produto físico (atributos, desempenho,
design, estilo, etc...), nos serviços agregados, no atendimento ao cliente, ou mesmo
uma marca ou imagem da empresa.


         Para Gonçalves, Gonçalves Filho e Reis (2006) o posicionamento da oferta é
composto por um complexo grupo de percepções, impressões e sentimentos. Os
profissionais de Marketing devem planejar a posição da oferta de forma que dê o
maior lucro possível.


         Contudo, é importante identificar as diferenças que sejam realmente importantes
para o consumidor, para quem resultem em benefícios percebidos, difíceis de serem
copiadas pelos concorrentes, compatíveis com o poder de compra dos consumidores,
e lucrativas para a empresa.


         Ainda segundo Gonçalves, Gonçalves Filho e Reis (2006) é perfeitamente possível
posicionar um produto com base em um ou diversos fatores de diferenciação, mas o
posicionamento baseado em muitos fatores de diferenciação pode gerar confusão ou
descrença para o consumidor.




1.6.1    ESTRATÉGIAS DE POSICIONAMENTO



         Para Kotler e Armstrong (2007) por mais especializado que seja o produto, as
empresas devem converter um produto indiferenciado em uma oferta diferenciada.
Os profissionais podem posicionar a oferta de várias maneiras:


         •	 Atributos específicos do produto, por exemplo, desempenho;

         •	 Benefícios do produto, por exemplo, reduz as cáries, faz emagrecer;

         •	 Ocasiões de uso dos produtos, por exemplo, cerveja bock que é cerveja de
            inverno;



                                                                        41
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•	 Classes de usuários, produtos de crianças que são posicionados para o uso
                    de adultos;

                 •	 Contra os concorrentes, comparação de uma empresa com outra direta ou
                    indiretamente;

                 •	 Em contraste aos concorrentes, na contramão dos concorrentes;

                 •	 Classes de produtos, como o bicarbonato de sódio que foi usado para
                    desodorante de geladeiras;

                 •	 Preço/qualidade, enfatiza o valor derivado do produto seja em termos de
                    qualidade ou de preço; e

                 •	 Símbolo: as empresas utilizam um símbolo ou ícone para posicionar o seu
                    produto nas mentes dos consumidores. Ao longo do tempo, o símbolo
                    torna-se um sinônimo da empresa ou do produto.


                 Assim, segundo Mintzberg (2006) é utilizada uma combinação de
        posicionamentos para alcançar os objetivos da empresa. As tarefas de
        posicionamento são:


                 •	 Vantagens competitivas;

                 •	 Seleção das vantagens competitivas; e

                 •	 Comunicação da posição escolhida.


                 A estratégia escolhida não é tão importante, nesse ponto o objetivo é enfatizar as
        vantagens singulares do produto e diferenciá-lo dos produtos e serviços concorrentes.




        1.6.2    DIFERENCIAÇÃO



                 A principal vantagem competitiva de uma empresa para Mintzberg (2006) é a
        criação de valor para o consumidor, seja qual for essa vantagem. O posicionamento
        começa com a diferenciação da oferta entregue aos consumidores.



42   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
Diferenciar um produto ou serviço quer dizer torná-lo único, com características
próprias, que o tornem diferente dos produtos da concorrência. A seguir seguem
algumas formas de diferenciação:


      •	 Diferenciação por produto: atualmente, a diferenciação nos produtos
         esta ficando cada vez menos perceptível aos olhos dos consumidores, pois
         os produtos cada vez mais estão ficando comoditizados e especializados.
         Para Las Casas (1999) a solução está sendo a diferenciação nos serviços
         prestados. Mas mesmo assim existem empresas que por meio de esforços
         de marketing estão conseguindo diferenciar seus produtos físicos. Os
         produtos podem ser diferenciados de várias formas: design, características
         padronizadas ou opcionais, desempenho, estilo, consistência, durabilidade,
         confiabilidade, entre outros diferenciais.


      •	 Diferenciação nos serviços: nos dias de hoje, os serviços prestados
         segundo Las Casas (1999) é que estão fazendo a diferença nos produtos.
         Pode ser através de um serviço de atendimento ao consumidor eficaz, uma
         entrega rápida, conveniência, instalação, por imagem da empresa ou da
         marca. Um serviço que está fazendo a diferença é o de treinamento ao
         cliente.


      •	 Diferenciação através de pessoas: conforme Kotler (2005), a diferenciação
         pode estar nas pessoas que colaboram para alcançar os objetivos. Assim,
         as empresas investem em diferenciação na maneira rápida e cordial que
         os seus colaboradores atentem. Para criar diferenciação por pessoas, as
         organizações estão investimento cada vez mais em treinamento.


      •	 Diferenciação através de canal: uma das vantagens competitivas de uma
         empresa pode estar em seus canais de distribuição. Quando se fala de canal
         de distribuição quer dizer toda a cadeira genérica de valor.


      •	 Diferenciação através de imagem: Nesse caso, quando os concorrentes
         apresentam uma oferta parecida a empresa difere através da sua reputação
         e tradição da marca ou da própria empresa.




                                                                     43
                    UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   43
Segundo Mintzberg (2006) para que uma estratégia de diferenciação seja
        eficiente e eficaz é importante que a empresa considere os desejos e necessidades
        dos consumidores. Os atributos diferenciadores só terão valor se os consumidores
        perceberem e aprovarem as mudanças. Nesse caso é fundamental enfatizar a qualidade
        percebida do produto ou serviço.



                                          SEM P R E A LE RT A !




               Para completar o aprendizado, é importante prestar atenção nas teleaulas e
                                         acessar a plataforma!!!




          MUNDO DAS MARCAS - CASE GUARANÁ
        1.7 

        ANTARCTICA


               Que a Coca-Cola é a marca mais conhecida quando se trata de refrigerante
        ninguém tem dúvida. Principalmente aqui no Brasil, existe outro refrigerante,
        tipicamente tupiniquim, que caiu no gosto do consumidor e conquistou uma posição
        de destaque. GUARANÁ ANTARCTICA é uma marca autêntica, de sabor único e original
        do Brasil. O refrigerante natural produzido com base no fruto de guaraná ganhou
        espaço na vida e nos lares dos brasileiros além de conquistar paladares estrangeiros
        de vários países.



44   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
A HISTÓRIA



      O produto foi lançado no mercado brasileiro no mês de abril de 1921 pela
Companhia Antarctica Paulista com o nome de GUARANÁ CHAMPAGNE ANTARCTICA.
O novo refrigerante só foi lançado no mercado quando os técnicos da empresa,
liderados pelo químico industrial e professor de farmácia Pedro Baptista de Andrade,
conseguiram eliminar a adstringência e o amargor natural da fruta. Além do agradável
sabor, uma de suas principais características era ser um refrigerante natural. Em um
inteligente lance de marketing, a empresa apresentou uma bebida com características
espumantes, o que contribuiu para associá-la ao champanhe, bebida com bastante
prestígio junto aos consumidores na época.


      Desde aquela época, a Antarctica já comprava o fruto do guaraná diretamente
de fornecedores da região de Maués (Amazonas) para produzir o extrato na sua
unidade industrial localizada na cidade de São Paulo. A famosa versão Caçulinha
do GUARANÁ ANTARCTICA foi lançada em 1949, em garrafinha de vidro de 185
mililitros, embalagem até então inédita no Brasil. As embalagens pequenas e de fácil
transporte, eram perfeitas para o lanche das crianças e passeios com toda a família.


      Com o sucesso do produto e o aumento do consumo, a empresa percebeu
no final da década de 40, a necessidade de estabelecer um escritório na região do
Amazonas, com o objetivo de facilitar o comércio do fruto, realizado diretamente em
Maués. O extrato do guaraná, porém, continuou sendo produzido em São Paulo até
1962, quando entrou em atividade uma unidade industrial para extração do guaraná
na cidade de Maués. Mas foi no início da década de 70, com a preocupação de
garantir a qualidade da matéria-prima, que se traduz na própria qualidade do produto
final, que a empresa passou a produzir parte dos frutos para produção do GUARANÁ
ANTARCTICA.


      O início do plantio, em 1971, na Fazenda Santa Helena permitiu à empresa
aprofundar os estudos sobre a cultura do guaraná e repassar a tecnologia e os
conhecimentos desenvolvidos no local para os demais fornecedores. Assim, a
Antarctica garantiria a melhor qualidade e preços menores das sementes compradas
de terceiros. No final da década de 80 o refrigerante ganhou sua versão dietética. No


                                                                    45
                   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   45
ano de 1996 foram lançadas as primeiras franquias de engarrafadores fora do Brasil
        para a distribuição do GUARANÁ ANTARCTICA em Portugal, no Japão, na China e
        nos Estados Unidos. Era o início da internacionalização da marca. Em 2002, já sob
        propriedade da AmBev, ocorreu reformulação do nome da marca que passou a se
        chamar GUARANÁ ANTARCTICA.


               No campo do marketing a marca é uma das mais agressivas do mercado,
        investindo milhões de reais em ações, como aconteceu em 2001, quando fechou
        um acordo milionário para ser patrocinadora oficial da CBF por 18 anos, tanto para a
        seleção de futebol masculina quanto feminina, iniciando assim um amplo processo de
        globalização. Em 2007, quando o GUARANÁ ANTARCTICA promoveu o GAS Festival
        (GUARANÁ ANTARCTICA STREET FESTIVAL), com shows de bandas conhecidas e
        emergentes e apresentações de grandes nomes dos esportes radicais. Ou ainda em
        2008, quando a cantora Claudia Leitte, assinou um contrato de três anos, tornando-
        se garota-propaganda da marca até 2011.




46   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
O CULTIVO



      O GUARANÁ ANTARCTICA é fabricado com o extrato da própria fruta (100%
da região amazônica), o que conserva suas características principais. As matérias-
primas aromáticas que compõem o buquê – basicamente óleos essenciais naturais,
acrescidos de outros compostos de extratos aromáticos extraídos de frutas cítricas –
são elaboradas na própria empresa. A Fazenda Santa Helena, localizada na Amazônia,
é considerada um grande laboratório. O trabalho realizado na área é pioneiro. O
guaraná, antes cultivado de forma extrativista pelos agricultores da região, passou a
ser estudado. Os primeiros pés do fruto foram plantados como a uva, com armações
de madeira e arame, com base na observação de que a planta, no meio da floresta,
se agarra e escala as árvores. Mais tarde, verificou-se que o guaraná só tem este
comportamento devido à sua necessidade de sol, que faz com que suba nas árvores
para superar a sombra formada por elas. A experiência demonstrou que, em ambiente
aberto, o guaraná cresce naturalmente, sem necessidade de se agarrar como as
videiras. Na fazenda da Antarctica, até hoje se estuda qual o melhor tipo de solo, de
combate a pragas, de culturas paralelas, etc. Foi também no local que se descobriu a
importância do ecossistema original na reprodução do fruto. Por não ser hermafrodita
o guaraná depende de agentes externos para reproduzir-se. É por essa razão que os
430 hectares de área cultivada da Fazenda Santa Helena estão distribuídos em 34
quadras dentro da mata nativa, promovendo o equilíbrio ecológico. A área total da
fazenda é de 1.070 hectares.




                                                                    47
                   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   47
PROPAGANDAS QUE FIZERAM HISTÓRIA



               O GUARANÁ ANTARCTICA sempre teve uma presença marcante no mercado
        publicitário com peças impressas e comerciais de televisão inesquecíveis. Quanto aos
        ouvidos, dificilmente alguém não conheça os jingles do GUARANÁ ANTARCTICA.
        Tudo começou no início da década de 90 quando era preciso mudar o posicionamento
        do produto e da marca, criando uma campanha publicitária que ganhasse a simpatia
        do consumidor.


               Associando o produto com momentos bons da vida criou-se o que podemos
        chamar de “Lovemark”. Em 1991 o publicitário Nizan Guanaes criou dois jingles
        geniais partindo da idéia de utilizar a música, uma forma poderosa de comunicação,
        para atribuir ao GUARANÁ ANTARCTICA o mérito pelos bons momentos causados
        por outros produtos. E esses produtos eram: a pipoca e a pizza. Existem jingles que
        marcam gerações e com certeza este caso é um grande exemplo. O resultado você
        confere abaixo:


        Pipoca e Guaraná 				                         Pizza e Guaraná


        Pipoca na panela começa a arrebentar 	        Eu não vejo a hora de te encontrar

        Pipoca com sal – que sede que dá! 	           Te ver mais uma vez e saborear

        Pipoca e Guaraná, que programa legal! 	 Meia mussarela, meia aliche ou calabresa

        Só eu e você e sem piruá romana, 		           quatro-queijos, marguerita e portuguesa

        Eu quero ver pipoca pular - 			               Como é bom te ver! Você chegou na hora H

        pipoca com guaraná				                        Adoro pizza com Guaraná.

        Eu quero ver pipoca pular, pular

        Soy loca por pipoca e Guaraná.




48   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
OS SLOGANS



•	 Energia que contagia. (2009)


•	 É o que é. (2007)


•	 Zero de açúcar, tudo de sabor. (2007, GUARANÁ ANTARCTICA ZERO)


•	 O Guaraná que gela a goela. (2007, GUARANÁ ANTARCTICA ICE)


•	 Guaraná Antarctica e você. Ninguém Faz Igual. (2005)


•	 A pedida natural. (2003)


•	 Seja o que for, seja original. (2002)


•	 Tudo pede Guaraná Antarctica. (1999)


•	 O único que conseguiu imitar o sabor do Guaraná Antarctica. (1995, linha
   Diet)


•	 Este é o sabor. (1991)


•	 O Original do Brasil.


•	 Guaraná Antarctica, o pique total. (1985)


•	 Todo mundo tem sede de natureza. (1977)

•	 Seja você mesmo, beba Guaraná Antarctica. (1974)

•	 Viva mais com Guaraná Antarctica. (1972)




                                                              49
             UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS   49
DADOS CORPORATIVOS



               •	 Origem: Brasil


               •	 Lançamento: 1921


               •	 Criador: Companhia Antarctica Paulista


               •	 Sede mundial: São Paulo, Brasil


               •	 Proprietário da marca: Ambev


               •	 Capital aberto: Não


               •	 Presidente: João Castro Neves


               •	 Faturamento: Não divulgado


               •	 Lucro: Não divulgado


               •	 Presença global: + 20 países


               •	 Presença no Brasil: Sim


               •	 Segmento: Refrigerantes


               •	 Principais produtos: Refrigerante a base de guaraná


               •	 Ícones: A embalagem caçulinha


               •	 Slogan: Energia que contagia.

               •	 Website: www.guaranaantarctica.com




50   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
A MARCA NO MUNDO


        O produto é extremamente conhecido no exterior, principalmente no Japão,
onde lidera um ranking de dez diferentes marcas, além de ser encontrado em mais de
20 países na América do Norte e Europa. No Brasil é líder absoluto em seu segmento
com 37% de participação de mercado, presente em mais de 1 milhão de pontos
de venda e estando entre os 15 refrigerantes mais consumidos do mundo com um
volume anual superior a 820 milhões de litros. Hoje em dia o GUARANÁ ANTARCTICA
é fabricado no Brasil, Portugal e Japão. Atualmente o refrigerante é comercializado
em embalagens PET de 600 ml, 1 litro, 1,5 litros, 2 litros, 2,5 litros e 3,3 litros; garrafa
de vidro de 290 ml e lata de 350 ml.



        VOCÊ SABIA?


        De 1921 até hoje, a composição do GUARANÁ ANTARCTICA manteve-se
imutável nas suas características sensoriais, de sabor, aroma e corpo. Evoluiu, porém,
na tecnologia do processamento, embalagem e visual. Hoje, só existem duas pessoas
que manipulam o extrato do GUARANÁ ANTARCTICA, fórmula secreta que nenhuma
concorrente conseguiu jamais copiar à risca.




                                           ARE Y O U R EA D Y ? SO , L ET ’S G O !!!


                                                 EX E RCÍ CI O S D O SA LD A NHA




  * As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Veja, Exame,

Época Negócios e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing), e Wikipedia (informações

                                   devidamente checadas). Última atualização em 10/2/2011.

             Website: http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/06/guaran-antarctica-original-do-brasil.html




                                                                             51
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RESPOSTAS COMENTADAS


        1.	 d)
        2.	 a)
        3.	 c)
        4.	 d)
        5.	 b)
        6.	 d)
        7.	 a)
        8.	 c)
        9.	 b)
        10.	 a)




56   UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
2   UNIDADE II


MARKETING MIX

                 OB J ETIVOS DA UN ID A D E

                 •	 Definir o conjunto de ferramentas que formam o composto de
                    marketing;

                 •	 Discutir estratégias sobre cada ferramenta de marketing mix;

                 •	 Estimular o senso crítico do aluno acerca da prática e teoria do
                    marketing;

                 •	 Descrever as diversas formas de aplicação do composto de marketing;




          	      HAB ILIDADE S E C O MP E T Ê N C IA S

                 •	 Capacidade de entender o funcionamento de uma gerência de linha
                    de produtos;

                 •	 Reflexão crítica sobre práticas e estratégias empresariais relacionadas
                    ao mix de marketing. 2.1 Mix ou composto de Marketing




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2.1    MIX OU COMPOSTO DE MARKETING


                 Segundo Las Casas (2004) o marketing é baseado em 4 pilares. O autor
        americano Jerome McCarty, simplificou esses 4 pilares usando uma forma mnemônica
        (auxiliar de memória) conhecida como 4 P´s que são representados pelo: produto, preço,
        ponto de venda e promoção. Mais precisamente e seguindo essa ordem em língua
        inglesa nós temos: product, price, place e promotion. Para ações bem desenvolvidas
        de marketing esse composto deve estar em constante evolução, cuja meta é ter um
        plano internamente coerente ás ações de marketing e mutuamente sustentador das
        mesmas.


                 Esse mix de marketing será intensamente usado pelos estrategistas, pois eles
        constituem variáveis controláveis dentro do cenário mercadológico. Isso quer dizer
        que cada um dos P´s pode ser alterado pelo administrador. Dentro de um plano de
        marketing se o estrategista mexer com um dos P´s, ele deve automaticamente repensar
        todos os outros 3, pois de alguma forma um P afeta os outros. A seguir vamos ver
        as características de cada elemento do composto de marketing com a definição e o
        conceito de produtos e serviços, desenvolvimento de linhas de produtos, relação do
        mercado com a qualidade dos processos, fixação de preços para produtos e serviços
        além de estudar canais de distribuição para o mercado.




        2.1.1    PRODUTO



                 Para Kotler e Keller (2006) é sem dúvida a parte mais importante do mix de
        marketing. Um produto é algo que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer
        a um desejo ou a uma necessidade. Os produtos oferecidos podem ser bens físicos
        (automóveis e livros), serviços (cortes de cabelo, shows), pessoas (Ronaldinho Gaúcho,
        Gisele Bündchen), locais (Rio de Janeiro, São Paulo), organizações (empresas públicas
        e privadas) e ideias (planejamento familiar e financeiro).


                 Os produtos podem ser classificados quanto a sua durabilidade e tangibilidade
        e quanto a produtos de consumo.



58   UNIDADE II - MARKETING MIX
Em relação à durabilidade e tangibilidade os produtos são classificados em 3
grupos.


      •	 Bens não duráveis: São bens tangíveis que, normalmente, são consumidos
          após um ou alguns usos. Podemos incluir bens como: cervejas, sabonetes e
          refrigerantes. Uma vez que esses bens são consumidos de uma forma rápida
          e frequente, podemos usar estratégias de torná-los disponíveis em vários
          locais, cobrar apenas uma margem pequena de lucro (markup) e divulgá-los
          de forma intensa, induzindo a experimentação e a preferência.

      •	 Bens duráveis: São bens tangíveis que, normalmente, sobrevivem a muitos
          usos. Entre eles destacamos carros, refrigeradores e vestuário. Geralmente,
          requerem mais venda pessoal e serviços exigindo uma margem de lucro
          maior e mais garantias do vendedor.

      •	 Serviços: Os serviços são intangíveis, inseparáveis, variáveis e perecíveis.
          Incluímos entre eles cortes de cabelo, academias e universidades.
          Normalmente pedem mais controle de qualidade, credibilidade do
          fornecedor e adaptabilidade.


      Devido à demasiada importância que o setor de serviços exerce hoje deixei para
fazer abordagem desse assunto no final do composto de marketing, embora como
vimos os serviços se constituem por si só como um produto.


      De acordo com Kotler e Keller (2006) em relação a bens de consumo os produtos
são classificados como:


      Produtos de Conveniência: são bens que o consumidor geralmente compra com
frequência, de imediato e com esforço mínimo. Podemos citar como exemplo jornais,
sabões e chicletes. Os produtos de conveniência são aqueles em que o consumidor
não tem a mínima intenção de disponibilizar muito tempo no esforço de compra. Os
produtos de conveniência se classificam em bens de consumo geral, de impulso e
de emergência. Os bens de conveniência gerais acontecem quando um consumidor
rotineiramente compra uma lata de refrigerante, um creme dental e biscoitos. Os
bens de conveniência por impulso são comprados sem qualquer planejamento ou
esforço de procura. Geralmente, são amplamente expostos. Assim, chocolates,


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revistas, chicletes e lâminas de barbear são colocados próximos aos caixas porque
        os consumidores podem não ter ideia de comprá-los antes de vê-los. Os bens de
        conveniência de emergência são adquiridos quando surge uma necessidade urgente.
        Um exemplo disso são os guarda-chuvas quando despenca um temporal repentino.


               •	 Produtos de Escolha: são os que o consumidor, no processo de seleção e
                   compra, compara, caracteristicamente, baseado em adequação, qualidade,
                   preço e estilo. Exemplos incluem móveis, vestuário, carros e eletrodomésticos.
                   Esses produtos com valor unitário alto e diferenças de preços justificam todo
                   o trabalho de pesquisas de preços e negociações do consumidor. Nesse
                   item é importante o administrador conhecer bem o seu produto e fazer um
                   excelente atendimento procurando sempre mostrar o seu diferencial para
                   que o consumidor opte por ele.

               •	 Produtos de Especialidade: são bens com características e identificação
                   de marcas exclusivas, para um grupo significativo de consumidores que
                   está habitualmente disposto a fazer um esforço especial para adquirir
                   determinado bem. Esse exemplo inclui marcas de renome no mercado
                   que comercializam produtos de artigos de luxo como: carros, viagens e
                   vestuário. Nota-se que os exemplos assemelham-se com os produtos de
                   escolha. A diferença não está só no preço. Muitos produtos com preços altos
                   estão nessa classificação, mas não é somente esse fator que determinará a
                   diferença, sendo que alguns de menor valor poderão ter a preferência do
                   consumidor que não aceitará um produto substituto. A distribuição pode
                   ser feita em lugares exclusivos uma vez que o consumidor está disposto a
                   fazer qualquer sacrifício pela aquisição do bem.

               •	 Produtos Industriais: são bens adquiridos pelas organizações. Incluímos
                   matérias-primas, máquinas, equipamentos e serviços. Nesses casos
                   geralmente as compras racionais obedecem aos padrões estabelecidos pelos
                   setores de atividade e características dos negócios. O padrão de qualidade
                   e a eficiência no atendimento são critérios fundamentais para o sucesso
                   do negócio. Esses padrões de qualidade deverão ser respeitados pelos
                   fornecedores. Além do próprio padrão de qualidade do produto tangível
                   a qualidade do atendimento, o prazo de entrega e a garantia são fortes
                   fatores de decisão de compra.




60   UNIDADE II - MARKETING MIX
2.1.1.1    DECISÕES SOBRE O COMPOSTO DE PRODUTOS



       De acordo com Kotler e Armstrong (2007) as decisões de estratégia de produtos
integram o chamado composto de produtos, entendido como o conjunto de decisões
estratégicas de marketing referentes às linhas de produtos da empresa. As decisões de
composto de produtos são apresentadas em quatro dimensões: amplitude, extensão,
profundidade e consistência.


       A estratégia de amplitude do produto refere-se ao número de linhas de produtos
da empresa. Por exemplo, quais linhas de produtos estão associadas em uma empresa
alimentícia. Elas podem estar relacionadas a linhas como: leite, massas, biscoitos,
cereais, derivados de tomate e margarinas.


       A extensão de linha refere-se ao número de itens de produto em cada linha. Por
exemplo, uma linha de leites pode ter até sete itens de produto como: leite integral,
semidesnatado, desnatado, fortificado, light, com lactose reduzida e com vitaminas.


       A profundidade esta relacionada ao número de versões que o produto apresenta.
Por exemplo, um biscoito, com três tamanhos de embalagem (50 gramas, 100 gramas
e 200 gramas) e cinco sabores (baunilha, morango, chocolate, laranja e canela), terá
profundidade de 15.


       E a consistência do composto de produtos esta ligada ao nível de semelhança
entre as linhas e os produtos quanto à matéria-prima, ao processo de produção, aos
canais de distribuição, ao padrão de qualidade e à imagem de marca.


       O gerente de marketing para Keller e Machado (2006) deve levar em
consideração todas as variáveis acima relacionadas para estabelecer a melhor
estratégia de marketing. O estudo dessas variáveis ajudará o gestor a planejar a criação
de uma nova linha de produtos ou serviços. Serão necessárias pesquisas e projeções
orçamentárias envolvendo todas as áreas operacionais da empresa. É extremamente
importante saber o valor do investimento necessário para lançar uma nova linha de
produtos ou serviços, antes de decidir pela nova linha.




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2.1.2    PREÇO



                 Em relação ao preço, a princípio convém fazer algumas considerações a respeito
        de sua definição e, posteriormente, mostrar qual o seu papel na determinação do
        composto de marketing. O preço pode ser conceituado como a expressão monetária
        do valor de um bem, ou ainda, o preço é o valor que o consumidor está disposto a
        pagar no ato da compra de um bem.


                 Para Las Casas (2004) qualquer empresa, grande ou pequena, precisa ter em
        mente que o preço não pode ser determinado de forma aleatória. Desse modo, é
        imprescindível que se façam também alguns comentários sobre as várias maneiras que
        o mesmo pode ser calculado. Esse cálculo irá depender muito da estratégia que será
        perseguida num determinado momento. Custos têm também sua relevância quando
        da determinação do preço do produto. Atualmente, porém, já não goza mais de tanto
        prestígio como em épocas anteriores.


                 Historicamente e ainda hoje, o preço significa a interação entre compradores
        e vendedores num determinado momento e sob determinadas condições. Se os
        vendedores pedem um preço além do que os compradores estão dispostos a pagar,
        estes por sua vez, evidenciam quanto realmente pagariam por tal produto, finalmente
        chegando a um consenso de um preço ideal para ele. Embora, no passado a habilidade
        em barganhar tenha sido um ponto forte na definição de preços, hoje os preços são
        definidos em sua maioria de forma igual para todos os compradores, principalmente
        quando se vive em épocas de moeda estabilizada. Saber trabalhar bem o preço de
        seus produtos não é tarefa fácil para os donos de empresas.


                 Segundo Kotler e Armstrong (2007) a decisão quanto ao preço, como as
        decisões quanto ao produto afetam diretamente o marketing mix ao sugerir um
        canal de distribuição ou uma estratégia de propaganda. Existem alguns objetivos de
        formação de estratégias de preços que podem ser utilizadas pelas empresas.




62   UNIDADE II - MARKETING MIX
Geralmente os mais comuns são:


      •	 Retorno no Investimento: razão básica de vender o produto. Se uma empresa
          investiu cerca de R$ 1.000.000,00 no processo de fabricação e venda essa
          mesma empresa espera que esse investimento retorne aos seus cofres com
          a venda do produto gerando fluxo de caixa.

      •	 Objetivos de Concorrência: os administradores se preocupam com os preços
          operacionados por seus concorrentes e se posicionam acima, igual ou abaixo
          deles.

      •	 Preços Promocionais: estratégia bastante usada na área de varejo. Esse
          objetivo visa melhorar situações específicas como falta de caixa e combate
          a concorrência.

      •	 Fatia de Mercado: objetivo usado quando uma empresa pretende aumentar
          a sua fatia no mercado. A empresa pode usar uma política de preço que a
          permita atingir seu objetivo reduzindo seus preços temporariamente.


      Continuando com Kotler e Armstrong (2007) para se determinar o preço de
um produto ou serviço devemos seguir alguns passos que nos nortearão dentro do
processo estratégico de fixação de preços. O primeiro passo é a determinação da
demanda. A demanda é analisada desde os segmentos quantitativos, psicológicos e
demográficos até a sua elasticidade que se refere ao grau de variação nas quantidades
vendidas de produtos em decorrência de alterações de preço.


      A demanda pode ser elástica e inelástica. A demanda elástica acontece quando
alguma alteração no preço do produto vai aumentar ou diminuir em proporção maior
a quantidade de venda do produto. Assim o aumento no preço diminui a quantidade
e uma redução no preço aumenta a quantidade vendida. A demanda é inelástica
quando o aumento ou redução dos preços não afeta as quantidades consumidas.


      O segundo passo é a determinação dos custos. Todos os custos envolvidos no
processo devem ser conhecidos. O custo total de um produto é a soma dos custos
fixos e dos custos variáveis. Os administradores usam um cálculo chamado de break
even point ou ponto de equilíbrio para determinar a quantidade de produtos que deve



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ser vendida a certo preço para empatar com os custos totais. Desta forma, o ponto
        de encontro desses valores é o ponto de equilíbrio. Quando acontece a ruptura desse
        ponto de equilíbrio a empresa começa lucrar.


               O terceiro passo é a análise do preço da concorrência. Essa estratégia é usada
        muitas vezes com o objetivo de acompanhar a concorrência de perto.


               A determinação da política de preços é o quarto passo. A política de preços
        pode ser dividida em preços costumeiros, preços de linha, preços psicológicos,
        preços únicos e negociados. Os preços costumeiros são aqueles que o consumidor
        está acostumado a pagar. Produtos como chocolates e refrigerantes estão dentro de
        determinada faixa de preço. Dificilmente os consumidores aceitarão pagar algo fora
        dessa faixa. Os preços de linha são aqueles em que a empresa oferece várias linhas
        de produto com diferentes faixas de preço. Por exemplo, uma loja pode oferecer uma
        linha de vestuário que custa de R$ 50,00 a R$100,00 e outra linha mais especial que
        custa de R$200,00 a R$500,00. Os preços psicológicos são preços quebrados que
        o comerciante usa com a intenção de alavancar psicologicamente a compra. Preços
        psicológicos são aquelas famosas ofertas que encontramos no varejo como R$ 9,99
        ou R$ 4,95. Os preços únicos e negociados são aqueles em que o administrador define
        qual produto terá o seu preço fixado sem abrir mão de nenhuma negociação e qual
        produto poderá ser negociado com o cliente. É claro que isso pode variar de cliente
        para cliente.


               Ainda em Kotler e Armstrong (2007) o quinto passo é a seleção do método para
        determinar os preços. Para o estabelecimento desse passo devem ser considerados
        os objetivos e as políticas de preço a serem seguidos pela empresa. Os 3 tipos de
        métodos são: custo total-plus, mark up e preço geográfico. O método de custo total-
        plus é aquele em que todas as despesas para execução de determinado projeto são
        reembolsadas ao vendedor e um percentual é adicionado ao valor como pagamento
        pelos serviços prestados. Outro método utilizado é o de mark up, onde um percentual
        é adicionado aos custos para chegar ao preço final. Presumimos que o preço de um
        produto seja de R$ 1.000,00. Se, por acaso, o administrador estipular um retorno de
        10%, seu preço de venda será de R$ 1.100,00. O preço geográfico está relacionado
        com o transporte da mercadoria. É comum os comerciantes adicionarem os preços



64   UNIDADE II - MARKETING MIX
da logística aos produtos. Assim, pedágios e aumento de combustíveis inflacionam o
consumo de mercadorias. Além dessas estratégias de fixação de preços é importante
que o administrador também siga uma política de descontos visando um dos princípios
fundamentais do cliente que é a sua satisfação.


         Os administradores podem trabalhar com descontos por quantidades e
descontos à vista. Os descontos por quantidades podem ser concedidos, quando o
consumidor realiza uma grande quantidade de compras de vários produtos diferentes.
Os descontos à vista podem ser concedidos quando o consumidor realiza a compra de
um ou mais itens de alto valor e decidem pagar na hora.




2.1.3    PONTO DE VENDA



         Para Kotler e Keller (2006) ter apenas um bom produto e um preço adequado
não é o suficiente para garantir as vendas. Precisamos ter um ponto de venda atrativo
onde o consumidor possa desfrutar de vantagens competitivas. Quando falamos de
ponto de venda não nos referimos apenas ao espaço físico em si, mas também aos
canais de distribuição, ou como a mercadoria chega até o ponto de venda.




                                     P R O F E SSO R SA L D A NH A F A LA ...



                                 O drops HALLS é muito utilizado no mundo para
                                alívio nasal e irritação da garganta. No Hemisfério
                               Norte o produto é utilizado como medicamento para
                                 aliviar a tosse em países como Estados Unidos e
                                                     Canadá.




                                                               65
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2.1.3.1    TIPOS DE CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO



               •	 Fabricante - consumidor: O fabricante é o produtor da mercadoria. Canal
                    direto ao consumidor. Acontece quando o fabricante não usa intermediários.
                    Sua vantagem é ter um controle maior das funções de marketing, conduzindo
                    as vendas como achar melhor.

               •	 Fabricante - varejista - consumidor: Um dos canais mais utilizados pelos
                    fabricantes de produtos de escolha. O fabricante transfere ao varejista parte
                    das funções mercadológicas.

               •	 Fabricante - atacadista - varejista - consumidor: Acontece quando a
                    distribuição visa alcançar um grande número de consumidores. Os atacadistas
                    compram dos consumidores em grandes quantidades e revendem para os
                    varejistas em quantidades menores.


               Existem segundo Kotler e Keller (2006) vários fatores para uma boa escolha de
        um distribuidor. Os fatores dependerão das características próprias de cada segmento e
        dos objetivos e metas de cada indústria. O cruzamento destas informações e sua análise
        criteriosa darão a oportunidade de conhecer melhor a realidade de nossos futuros
        parceiros e traçar um paralelo com nossos objetivos comerciais. Caso o distribuidor não
        esteja preparado para proporcionar o retorno das vendas, merchandising, distribuição
        e coleta de informações de mercados esperados, a parceria poderá trazer resultados
        ruins. O pior deles é o cliente adotar um concorrente.


               Além do estudo para a determinação do canal de distribuição é necessário se
        tomar uma decisão a respeito do tipo de distribuição. Os tipos de distribuição que
        podem ser usados são: intensivo, seletivo e exclusivo.


               Distribuição intensiva: ocorre quando a empresa tem a intenção de dar uma
        cobertura ampla ao mercado. Nesse caso, quanto maior a exposição melhor é para
        a empresa. A empresa tenta vender o produto em tantos pontos quanto possível.
        Normalmente esse tipo de distribuição acontece com produtos de conveniência.



66   UNIDADE II - MARKETING MIX
Distribuição seletiva: o objetivo nesse caso é vender em poucos pontos em cada
mercado. É feita primeiramente uma seleção dos intermediários. Alguns produtos de
escolha, detentores de marca, podem ter esse tipo de distribuição.


         Distribuição exclusiva: os distribuidores são convidados e trabalham com
exclusividade. Os produtos são comercializados apenas em um ponto de cada
mercado. Esse pode ser o caso de produtos de especialidade, em que o consumidor
está disposto a ir até determinado local para adquirir a mercadoria.


         O ponto de venda afeta diretamente a percepção do produto. A escolha da
distribuição é um processo de evolução que acompanha a difusão do produto ao longo
de seu ciclo de vida. Uma estratégia de distribuição pode diferenciar o seu produto
em relação aos demais. Com o avanço das tecnologias o mercado apresentou uma
nova forma de distribuição. A distribuição direta. Isso acontece com os intermediários
virtuais. Hoje podemos comprar um livro ou computador pela internet. Esse tipo de
distribuição já é amplamente usado no cotidiano devido ao crescente número de
pessoas que tem acesso à rede.




2.1.4    PROMOÇÃO



         Para Kotler e Armstrong (2007) a promoção abrange toda a propaganda e os
esforços de venda do plano marketing. Ter uma meta é muito importante na criação
da campanha promocional. É necessário ter conhecimento da missão que se deseja
cumprir antes de começar a esboçar ou gastar orçamento com a promoção.


         A meta máxima da promoção é afetar o comportamento do consumidor. O
objetivo é alavancar as vendas. Produtos diferentes, em diferentes etapas de valor
percebido pelo consumidor, com diferentes níveis de envolvimento e complexidade,
exigem diferentes esforços promocionais para realizarem missões diferentes. Existem
diversas formas de comunicação que podemos utilizar. Veremos algumas delas a
seguir:


                                                                 67
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•	 Propaganda: Anúncios impressos, rádio, televisão, internet, anúncios
                    em embalagens, encartes em embalagens, anúncios em projeções
                    cinematográficas (cinema), catálogos e folhetos, anuários, luminosos,
                    displays, símbolos e logos;

               •	 Promoção de vendas: Concursos, sorteios, loterias, brindes, amostras
                    grátis, feiras, convenções, exposições, demonstrações, cupons, descontos,
                    financiamentos, entretenimento e cartões de fidelização;

               •	    Relações Públicas: Kits para a imprensa, relatórios anuais, doações de
                    caridade, patrocínios, relações com a comunidade, coletivas de imprensa e
                    revista da empresa;

               •	 Venda pessoal: Apresentações de venda, convenções de venda, programas
                    de incentivo, feiras e convenções; e

               •	 Marketing direto: mailing list, compra eletrônica, compra por televisão,
                    telemarketing e newsletters.


               Seja qual for a ferramenta utilizada uma boa forma de chamar a atenção do
        consumidor é trabalhar com a fórmula de AINDA que significa atenção, interesse,
        desejo e ação.


               Primeiramente um anúncio para poder passar uma mensagem deve chamar
        a atenção do consumidor. Depois disso o anúncio deve despertar o interesse do
        consumidor fazendo com que ele preste atenção na mensagem. Posteriormente um
        anúncio deve criar o desejo no consumidor e então estimular a compra que é chamada
        de ação.


                É importante que o planejamento do mix de marketing trabalhe em congruência
        para que a promoção obtenha o resultado esperado. Não existe nenhuma promoção
        por melhor que seja trabalhada que alavancará um mau produto.




68   UNIDADE II - MARKETING MIX
2.2    MARKETING DE SERVIÇOS


       Segundo Kotler e Keller (2006) o setor de serviços é um setor altamente
promissor e que vem crescendo a cada dia. O marketing de serviços está voltado,
basicamente, para o tratamento adequado do consumidor, na interpretação e leitura
adequada de suas necessidades, levando-se em conta os fatores que influenciam em
seu comportamento.


       Serviço é qualquer ato ou desempenho que uma parte possa oferecer a
outra e que seja essencialmente intangível e não resulte na propriedade de nada.
Fundamentalmente, podemos definir Serviços em Marketing como o conjunto de
esforços e ações que aperfeiçoam uma venda com o objetivo de encantar o cliente,
diferenciando a empresa da concorrência. Assim, com a mudança constante do
cenário econômico, torna-se necessário criar novas formas de serviços para conquistar
o cliente e, principalmente, surpreendê-lo.


       A palavra-chave para Kotler e Keller (2006) que norteia todas essas ações é
conveniência, ou seja, o quanto conveniente devemos ser aos nossos clientes atuais
e potenciais. Hoje em dia, o tempo tornou-se moeda forte, visto que as pessoas têm
cada vez menos tempo e, assim, necessitam de novos serviços (mesmo sem saber que
querem...).


       Muitas vezes, torna-se difícil separar Marketing de Produtos de Marketing de
Serviços, visto que quando um consumidor adquire um produto, ele automaticamente
adquire um novo serviço. Costumeiramente, podemos classificar os serviços em duas
categorias básicas: serviços prestados às Pessoas Físicas (consumidor final) e serviços
prestados a Pessoas Jurídicas (empresas). Nenhuma ação de marketing pode ser
desencadeada se não tivermos uma base de conhecimento sobre comportamento do
consumidor.


       As empresas têm a obrigação de conhecer bem seu público-alvo. Sob esse
ponto de vista, as empresas têm que suprir de forma adequada os medos, as angústias
e dúvidas do consumidor, estabelecendo um canal direto de comunicação com ele,
conquistando sua credibilidade.




                                                                 69
                                                                 UNIDADE II   - MARKETING MIX   69
Os serviços segundo Kotler e Keller (2006) são classificados como:


               •	 Bem tangível: A oferta consiste em um bem tangível sem nenhum
                   acompanhamento de serviço como a compra de um creme dental ou sal;


               •	 Bem tangível acompanhado de serviço: A oferta consiste em um bem
                   tangível acompanhado por um ou mais serviços para enriquecer seu apelo
                   de consumo. Podemos citar como exemplo a compra de um carro em uma
                   concessionária. O carro é o bem tangível desejado. A compra pode ser
                   decidida pelo atendimento do vendedor;


               •	 Bem híbrido: A oferta consiste em partes iguais de bens e serviços. Em um
                   restaurante o prato de comida é tão importante quanto o atendimento do
                   garçom;


                Serviço principal acompanhado de bens e serviços secundários: A oferta
        consiste em um serviço principal acompanhado de serviços adicionais. Os passageiros
        de avião têm como principal objetivo seu destino final. Porém, a viagem inclui bens
        tangíveis como alimentos e bebidas, uma revista de bordo, além é claro do próprio
        serviço da companhia aérea; e


               Serviço: a oferta consiste basicamente no serviço. No exemplo podemos incluir
        o trabalho de médicos e advogados.


               Em um cenário em que cada vez mais as empresas disputam pela preferência de
        um mesmo cliente, a qualidade no atendimento se tornou fundamental. Os clientes
        se tornaram mais exigentes e conscientes não só de seus direitos, como também
        dos “mimos” que deverão receber para prestigiar uma empresa com sua preferência.
        Nesse contexto, algumas expectativas dos clientes se tornaram elementares e, em
        qualquer que seja o segmento de mercado, elas estão presentes.


               Os serviços ainda segundo Kotler e Keller (2006) apresentam algumas
        características importantes como:




70   UNIDADE II - MARKETING MIX
•	 Intangibilidade: Os serviços não podem ser vistos, provados, sentidos ou
         cheirados antes de serem comprados. Para reduzir a incerteza de compra
         perante a esse fator as empresas costumam investir em instalações físicas,
         número suficiente de funcionários para atendimento e equipamentos.
         Assim o grande desafio dos administradores é tornar tangível aquilo que é
         teoricamente intangível.

      •	 Inseparabilidade: geralmente os serviços são produzidos e consumidos
         simultaneamente. Se em um show do Roberto Carlos, o mesmo passar mal,
         não poderemos substituir o cantor por outro astro de categoria inferior.
         Ou seja, o show perderá completamente a razão, fazendo com que os
         organizadores tenham que transferi-lo de data.

      •	 Variabilidade: os serviços são altamente variáveis, uma vez que dependem
         de quem os executa e de onde são prestados. Em um restaurante um
         cozinheiro pode fazer um divino prato em um dia e em outro por estar com
         problemas sem querer pode errar em algum tempero fazendo com que o
         prato não tenha o mesmo sabor.

      •	 Perecibilidade: Os serviços não podem ser estocados. Imagine uma viagem
         aérea com 100 lugares. Se houver apenas 1 ou 100 passageiros, o custo
         do vôo será praticamente o mesmo. Na verdade, os lugares que a empresa
         aérea não conseguir negociar ela jamais conseguirá recuperar novamente.
         Um médico não pode fazer amanhã as mesmas consultas que deixou de
         fazer hoje. Um hotel que não conseguir vender suas diárias não irá recuperá-
         las na semana seguinte, isto é, a semana não vendida representará um
         faturamento definitivamente perdido.


      Os administradores devem estar atentos para critérios importantes de
atendimento que podem fazer a diferença como: competência, cortesia, confiabilidade,
agilidade, rapidez e comunicação.


      Outro fator importante dentro do marketing de serviços é a criação de um
SAC, que significa sistema de atendimento ao cliente. O SAC tem a função de filtrar
a informação passada pelo cliente. Assim podemos saber aquilo que o cliente precisa.
Pesquisas mostram que a maioria dos clientes deixa de comprar por uma atitude
negativa do vendedor. Veja abaixo as razões pela qual o consumidor deixa de comprar.



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•	 1% Morrem

               •	 3% Se mudam

               •	 5% Criam relacionamento comercial com outros fornecedores

               •	 9% Motivos de concorrência de preço

               •	 14% Insatisfação com o produto

               •	 68% Devido a uma atitude negativa ou de indiferença por parte do vendedor
                   ou outro funcionário

                                            Fonte: Rockefeller Center




               Para continuar mantendo os clientes nunca devemos deixar que um contato
        com ele fique esquecido. Devemos sempre nos comunicar de forma amigável e pessoal
        e sempre procurando escutar aquilo que ele tem para dizer. Trate o cliente como a
        parte mais importante dos seus negócios, pois é ele que sustenta a sua empresa.



                                          SEM P R E A LE RT A !




               Para completar o aprendizado, é importante prestar atenção nas teleaulas e
                                         acessar a plataforma!!!




72   UNIDADE II - MARKETING MIX
2.3    MUNDO DAS MARCAS - CASE OMO


       Antigamente o ato de lavar roupas era penoso para as donas de casa: preparar
o molho, esfregar, alvejar e quarar eram parte da rotina doméstica e tarefas encaradas
como necessárias, conforme os ensinamentos passados de mãe para filha. Isto até não
surgir o sabão em pó OMO. Brancura, brilho, alto desempenho e qualidade superior
na lavagem levaram OMO à liderança de mercado em boa parte dos países onde está
presente. Afinal, dificilmente uma dona de casa, especialmente a brasileira, não ouviu
ou ao menos comprou o sabão em pó que deixa mais branco.



       A HISTÓRIA


       A marca OMO foi registrada pela primeira vez na Inglaterra no ano de 1908
pela Lever Brothers (empresa que daria origem a Unilever em 1930). O produto era
um amaciante de roupa que, em 1909, daria lugar a um sabão em pó para limpeza de
tecidos brancos. Seu nome era a abreviatura de Old Mother Owl (velha mãe coruja),
representação do zelo materno e da sabedoria. Na primeira embalagem, havia a
ilustração de uma coruja estilizada e a frase “Safe Whitener and Cleaner”. As letras
“o” representavam graficamente seus olhos, enquanto o “m” formava o nariz e o bico
da ave. Em 1954, a Unilever lançou OMO em uma nova versão, detergente em pó.
O sofisticado e novo conceito de detergente em pó, artigo elaborado com matérias-
primas sintéticas capaz de atingir resultados de limpeza muito mais eficientes do que
o tradicional, conquistou as donas de casa inglesas. Rapidamente o produto alcançou
uma alta aceitação entre as mulheres européias, que aderiram à vantajosa praticidade
do detergente em pó.


       No decorrer dos anos a marca OMO foi sendo introduzida em muitos países,
especialmente na Ásia e América Latina, lançando inúmeras variações e desenvolvendo
tecnologias e fórmulas eficazes na lavagem de roupas. No início dos anos 90, OMO
já era um das mais importantes marcas da Unilever, comercializada em 18 países dos
cinco continentes. Em 2007, a marca lançou a campanha global “Toda Criança Tem



                                                                73
                                                                UNIDADE II   - MARKETING MIX   73
Direito de Ser Criança”, tendo como peça principal o filme “Roboboy”, que mostrava
        o menino-robô transformando-se gradualmente em uma criança de verdade conforme
        se sujava, estimulando o ato de brincar, como sugerem as pesquisas realizadas pela
        marca ao redor do mundo. No Brasil, foi a partir deste momento que a marca colocou
        no mercado uma proposta inovadora de produtos, unindo a fórmula consagrada de
        OMO aos principais atributos do amaciante Comfort, ao lançar OMO com um Toque
        de Comfort em duas versões (Aloe Vera e Pétalas de Violeta e Ylang Ylang).



               UM SUCESSO NO BRASIL


               A empresa não mediu esforços para conquistar as exigentes consumidoras
        brasileiras, por tradição, muito envolvidas com a limpeza das roupas da família. A
        estratégia para o lançamento de OMO no país foi cercada de mistério nas chamadas
        de rádio, a principal mídia da época, que inteligentemente aguçavam a curiosidade
        dos ouvintes com um sonoro Oooomooo, sem revelar do que se tratava. Os jornais
        também estamparam em suas páginas a intrigante pergunta: “Mas como? Omo?”. O
        produto foi oficialmente lançado no Brasil em 1957, a princípio apenas nas cidades de
        São Paulo e Rio de Janeiro, sendo o primeiro sabão em pó do mercado nacional. Por
        não fazer sentido na língua portuguesa, a coruja nunca foi utilizada no país. “Onde
        Omo cai a sujeira sai”, com esse slogan os brasileiros foram apresentados ao sabão
        em pó OMO. A maior novidade por aqui era a cor azul do pó, que levou em conta
        o hábito brasileiro de utilizar anil para realçar o branco das roupas. O sofisticado
        conceito de detergente em pó precisava ser explicado para as mulheres brasileiras,
        pouco familiarizadas com as técnicas mais modernas de lavagem.


               A modificação de hábitos tão arraigados exigiu um trabalho intenso das
        equipes de vendas, propaganda e marketing. Na época, a presença da máquina
        de lavar ainda era restrita a um número muito reduzido de domicílios urbanos. A
        maioria das mulheres acreditava mais na força bruta do que na tecnologia para
        cumprir suas rigorosas metas de limpeza. Desde o início, para chamar a atenção nas
        prateleiras dos supermercados, sua embalagem já era grande, de papelão, com letras
        enormes e cores fortes, imitando pequenos cartazes. Durante a primeira metade da



74   UNIDADE II - MARKETING MIX
década de 60, demonstradoras percorreram todo o interior do Brasil em caminhões,
distribuindo amostras de OMO e ensinando as donas de casa a usar o produto, em um
verdadeiro corpo-a-corpo para superar os sabões em barra, alvejantes e anil.


      Ficava por conta dos vendedores persuadirem os comerciantes locais a abastecer
seus estoques com aquele inusitado artigo para lavar roupas. Uma ação eficiente e
criativa foi o chamado “Cine Vesperal”, que consistia em convidar as mulheres para
sessões de cinema e aproveitar a ocasião para fazer ao vivo uma demonstração da
lavagem com OMO e com o sabão em pedra, comparando os resultados finais. No
início dos anos 70, a marca já estava consolidada entre as consumidoras brasileiras.
Disposta a provar sua superioridade, a marca criou a campanha “Teste São Tomé”,
que em 1971 deu apoio ao lançamento de OMO TOTAL. Era ver para crer. E foi com
esse espírito que os comerciais prosseguiram ao longo da década. Em 1975, OMO
começou a explorar o diferencial de um novo componente, o Azul Polar Brilhante,
cujos benefícios podiam ser conferidos no “teste da janela”, apresentado pelo ator
Paulo Goulart. Nesse momento, OMO passou a concentrar esforços para combater
não mais o sabão em pedra, mas as marcas concorrentes de detergente em pó que se
multiplicava em versões populares de preço mais baixo.


      A década de 80 começou com relançamento de OMO com nova fórmula e
embalagem. O diferencial era a fragrância selecionada entre sugestões das maiores
perfumarias do mundo. As campanhas baseadas em depoimentos reais de donas de
casa procuravam destacar que, mesmo com preço mais elevado em relação a outras
marcas, OMO era vantajoso pelo melhor rendimento e desempenho. Nesta época o
produto era um dos mais famosos entre os brasileiros, ganhando diversas linhas e
variantes que atendiam às diferentes necessidades:



      OS SLOGANS


      •	 Omo faz, Omo mostra.

      •	 Melhor que Omo só Omo.

      •	 Só Omo lava mais branco.


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•	 Porque não há aprendizado sem manchas. (2000)

               •	 Sujeira não escolhe cor. (2006)

               •	 Porque se sujar faz bem. (2007)

               •	 Nothing washes more clearly, nothing washes whiter. (1964)

               •	 The strenght, wich goes through the knot. (1974)

               •	 Dirty is Good. (2007)



               A EVOLUÇÃO VISUAL



               O logotipo da marca OMO evoluiu muito com o passar dos anos. A última
        mudança ocorreu há poucos anos atrás, quando ele ganhou um símbolo colorido.



               DADOS CORPORATIVOS



               •	 Origem: Inglaterra

               •	 Lançamento: 1908

               •	 Criador: Unilever

               •	 Sede mundial: Londres, Inglaterra e Roterdã, Holanda

               •	 Proprietário da marca: Unilever NV

               •	 Capital aberto: Não

               •	 Chairman: Michael Treschow

               •	 CEO: Paul Polman

               •	 Faturamento: US$ 3 bilhões (estimado)

               •	 Lucro: Não divulgado

               •	 Presença global: 28 países



76   UNIDADE II - MARKETING MIX
•	 Presença no Brasil: Sim

        •	 Funcionários: 163.000 (Unilever)

        •	 Segmento: Higiene e Limpeza

        •	 Principais produtos: Sabão em pó

        •	 Slogan: Porque se sujar faz bem.

        •	 Website: www.omo.com.br



        A MARCA NO MUNDO


        A marca OMO comercializa seus produtos em mais de 28 países ao redor do
mundo, tendo no Brasil um de seus principais mercados e com forte presença na
Europa (especialmente na Turquia), América Latina e Ásia. É uma das marcas mais
rentáveis e fortes da Unilever, faturando anualmente mais de US$ 3 bilhões.



        VOCÊ SABIA?


        •	 A marca OMO responde por aproximadamente 53% do mercado brasileiro
             de sabão em pó, estando presente em cerca de 50 milhões de domicílios no
             país que consomem mais de 380 milhões de embalagens.


        •	 1.6 milhões de embalagens de OMO por dia: esta é a média de produção
             do detergente em pó líder no Brasil.




 * Fontes: As informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes,

 Newsweek, BusinessWeek e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing), e Wikipedia

                                              (informações devidamente checadas).

               Retirado do link: http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/omo-lava-mais-branco.html




                                                                                                  77
                                                                                                  UNIDADE II      - MARKETING MIX   77
TESTE SEU CONHECIMENTO




78   UNIDADE II - MARKETING MIX
79
UNIDADE II   - MARKETING MIX   79
80   UNIDADE II - MARKETING MIX
81
UNIDADE II   - MARKETING MIX   81
RESPOSTAS COMENTADAS


        1.	 d)
        2.	 a)
        3.	 c)
        4.	 d)
        5.	 b)
        6.	 d)
        7.	 a)
        8.	 c)
        9.	 b)
        10.	 a)




82   UNIDADE II - MARKETING MIX
3   UNIDADE III


AMBIENTE DE MARKETING

                  OB J ETIVOS DA UN ID A D E

                  •	 Explicar o que é um ambiente de marketing;

                  •	 Descrever sobre estratégias e componentes utilizados em um micro e
                     macroambiente de marketing;

                  •	 Entender a diferença entre micro e macroambiente de marketing;

                  •	 Identificar as variáveis controláveis e incontroláveis em um ambiente
                     de marketing.




           	      HAB ILIDADE S E C O MP E T Ê N C IA S

                  •	 Capacidade de entender os conceitos básicos de um ambiente de
                     marketing e sua aplicação prática no mercado;

                  •	 Reflexão crítica sobre as estratégias utilizadas em um micro e um
                     macroambiente de marketing.




                                                                  83
                                                          UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING   83
3.1    AMBIENTE DE MARKETING


               Para Kotler e Armstrong (2007) o ambiente de marketing de uma empresa é
        constituído pelos participantes e pelas forças externas ao marketing que afetam a
        capacidade da administração de marketing em manter bons relacionamentos com
        seus clientes.


               Assim, a empresa para ser bem sucedida em um ambiente de marketing
        deve direcionar e adaptar o seu mix de produtos de acordo com as tendências e
        desenvolvimentos no ambiente em que ela se encontra em consonância com as
        mudanças do mercado e a rapidez das informações.


                Um ambiente de marketing oferece tanto oportunidades quanto ameaças. A
        empresa deve usar instrumentos de pesquisa para observar o ambiente e os fatores
        que podem causar suas mudanças.


                De acordo com Boone e Kurtz (2009) a análise do ambiente de marketing é a
        primeira etapa do planejamento estratégico a ser analisada, porque qualquer alteração
        no ambiente exigirá também a mudança das estratégias institucionais. O objetivo
        da análise ambiental é documentar um cenário de desenvolvimentos ambientais
        significativos que a instituição deve considerar ao traçar o restante do planejamento
        estratégico.


               Os gestores de marketing das empresas são os maiores responsáveis na
        identificação das mudanças significativas do ambiente. Para isso eles devem monitorar
        tendências e pesquisar oportunidades. Embora todo gerente precise observar o
        ambiente externo, os profissionais de marketing precisam realizar um monitoramento
        ambiental sistemático, tornando-se aptos a rever e adaptar as estratégias para poder
        enfrentar novos desafios e oportunidades no mercado.


                Composto de um micro e de um macroambiente de marketing o ambiente
        deve ser estudado como um todo. O microambiente consiste em forças próximas à
        empresa que afetam a capacidade de servir seus clientes como: a própria empresa, os
        fornecedores, as empresas do canal de marketing, os clientes, os concorrentes e os
        públicos.



84   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
O macroambiente consiste em forças sociais maiores que afetam ambientalmente
o microambiente de marketing, que é composto pelas forças: demográficas,
econômicas, naturais, tecnológicas, políticas e culturais.




                                     Fonte: Kotler, 2010




3.1.1    O MICROAMBIENTE



         Segundo Keller e Machado (2006) a missão da gestão de marketing é atrair
clientes, com o intuito de relacionar-se com eles, oferecendo valor e satisfação, para
que os mesmos permaneçam consumindo na sua empresa. No entanto, essa tarefa
não pode ser realizada apenas pelos gerentes de marketing.


         O sucesso de uma empresa depende de outros fatores do microambiente da
empresa como: outros departamentos e filiais, fornecedores, possíveis intermediários
de marketing, clientes, concorrentes e vários públicos que se combinam para construir
o sistema de entrega de valor da empresa que deve ser aprimorado constantemente.


                                                                     85
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3.1.1.1    A EMPRESA



               A gerência de marketing de uma organização deve levar em consideração
        outros grupos da empresa, tais como a administração de topo, os departamentos de
        finanças, pesquisa e desenvolvimento, compras, produção e contabilidade na hora de
        fazer o seu planejamento estratégico. Todos estes grupos formam o ambiente interno
        e uma vez em conjunto, têm um impacto sobre os planos e as ações de marketing.


               Segundo o conceito de marketing, todas essas funções devem pensar muito
        no consumidor e coexistir em harmonia para oferecer valor superior e satisfação ao
        cliente.




        3.1.1.2    OS FORNECEDORES



               Os fornecedores formam um elo importante no sistema geral de entrega de
        valor da empresa ao consumidor. Eles são fundamentais na provisão de recursos
        necessários para a empresa produzir seus bens e serviços, e podem afetar seriamente
        o marketing da organização.


               Os gestores devem controlar os suprimentos, as greves e outras ocorrências que
        podem prejudicar as vendas no curto prazo, logo a satisfação do consumidor á longo
        prazo. O aumento dos custos dos materiais e dos suprimentos pode forçar o aumento
        dos preços, significando um repasse de custos para o cliente, prejudicando o volume
        das vendas da empresa.




        3.1.1.3    OS INTERMEDIÁRIOS



               Os intermediários de marketing têm o objetivo de trabalhar em parceria com a
        empresa e promover, vender além de distribuir seus bens aos compradores finais.


86   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
Podem ser incluídos como intermediários de marketing:


       •	 Revendedores (atacadistas, varejista, agentes);

       •	 Firmas de distribuição física (transportadoras, manuseios, etc);

       •	 Agências de serviços de marketing (agência de propaganda, agência de
            promoção, consultorias de marketing); e

       •	 Intermediários financeiros (bancos, financeiras, seguradores).


       Ao criar um relacionamento positivo com os clientes, as empresas devem
fazer mais do que apenas trabalhar visando seu próprio desempenho. Elas devem de
certa forma se relacionar efetivamente com os fornecedores e os intermediários de
marketing para otimizar o desempenho de todo o sistema.




3.1.1.4    OS CLIENTES



       A empresa deve estudar seus clientes frequentemente, monitorando seus
hábitos e mudanças de atitudes.


       Segundo Kotler e Armstrong (2007) a empresa pode ter cinco tipos de clientes:


       •	 O mercado consumidor (indivíduos e famílias);

       •	 O mercado industrial (compra bens e serviços para processamento ou para
            seus processos de produção);

       •	 O mercado revendedor (compra para revender com lucro);

       •	 O mercado governamental (órgãos do governo que compram bens e serviços
            para outros que deles necessitem); e

       •	 O mercado internacional (compradores estrangeiros, incluindo consumidores,
            produtores, revendedores e governos).




                                                                 87
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3.1.1.5    OS CONCORRENTES



               Os profissionais de marketing não devem apenas visar somente às necessidades
        dos seus consumidores. Eles devem também alcançar vantagens estratégicas, com o
        objetivo de posicionar suas ofertas contra as de seus concorrentes, visando o conceito
        de diferenciação na cabeça dos consumidores.


               Não há estratégia competitiva de marketing que se adapte a todas as empresas.
        Cada empresa deve considerar seu próprio tamanho e a sua posição na indústria
        quando comparados aos seus concorrentes.




        3.1.1.6    OS PÚBLICOS



               O público no ambiente de marketing é qualquer grupo que tenha interesse real,
        potencial ou que cause impacto direta ou indiretamente na capacidade da empresa
        em atingir seus objetivos.


               Kotler e Armstrong (2007) apresentam sete tipos de públicos:


               •	 Público financeiro;

               •	 Público da mídia;

               •	 Público do governo;

               •	 Público de defesa do consumidor;

               •	 Público local;

               •	 Público geral; e

               •	 Público interno.




88   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
A organização pode preparar planos de marketing para seus principais públicos
e para seus mercados clientes. Por exemplo, quando uma empresa deseja uma resposta
específica de um público particular, como boa vontade, comentários favoráveis ou
até doações em forma de tempo ou dinheiro, deve planejar uma oferta que possa
produzir a resposta desejada desse público sob forma de ação de marketing.




                                       P R O F E SSO R SA L D A NH A F A LA ...



                                O primeiro ponto de venda da marca Nike foi em um
                                              porta malas de um carro.




3.1.2    MACROAMBIENTE



         Para Boobe e Kurtz (2007) as empresas e todos os outros atores operam em
um cenário maior de forças, que oferecem oportunidades e ameaças para a empresa,
além de serem gerenciáveis como variáveis incontroláveis.




3.1.3    AMBIENTE DEMOGRÁFICO



         A demografia é o estudo e análise da população humana em termos de tamanho,
densidade, localização, idade, sexo, raça, ocupação e outros dados estatísticos. É de
grande interesse para os profissionais de marketing porque envolve pessoas e são
estas que constituem os mercados.




                                                                  89
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A explosão da população mundial tem grandes implicações nos negócios. Uma
        população crescente significa crescentes necessidades a serem satisfeitas, dependendo
        do poder aquisitivo, pode também significar crescentes oportunidades de mercado.


               Os executivos acompanham as novas tendências e desenvolvimentos dos seus
        mercados nacionais e estrangeiros, assim como as possíveis mudanças de estrutura
        etária e familiar, mudanças na distribuição geográfica da população, características
        educacionais e diversidade populacional.




        3.1.3.1    AMBIENTE ECONÔMICO


               Dependendo tanto do poder de compra como dos consumidores, o ambiente
        econômico consiste em fatores que afetam o poder de compra e os hábitos de gasto
        do consumidor. Os países são muito diferentes quanto aos seus níveis e distribuição
        de renda.


               Alguns países têm economia de subsistência, ou seja, consomem a maior parte
        de seus produtos agrícolas e industriais e oferecem portanto, poucas oportunidades
        de mercado.


               Na outra ponta vêm os países de economia industrial, que constituem mercados
        ricos para muitos tipos de bens. Os profissionais de marketing devem estar sempre
        atentos às principais tendências e hábitos de gasto dos consumidores nos mercados
        mundiais.




        3.1.3.2    AMBIENTE NATURAL



               O ambiente natural está relacionado aos recursos naturais que os gestores de
        marketing usam como subsídios ou que são afetados pelas atividades de marketing.
        As preocupações ambientais cresceram muito nas duas últimas décadas. O ambiente
        natural é o tema mundial de maior importância para as empresas e para o público, se
        tornando um diferencial em muitos casos.


90   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
Os profissionais de marketing devem conscientizar-se de quatro tendências do
ambiente natural:


       •	 Escassez de matéria-prima;

       •	 Aumento do custo de energia;

       •	 Aumento da poluição, e

       •	 Intervenção governamental na administração dos recursos naturais.




3.1.3.3    AMBIENTE TECNOLÓGICO


       Talvez a força mais significativa que atualmente molda nosso destino, o ambiente
tecnológico se apresenta como uma realidade. Toda tecnologia nova substitui uma
tecnologia antiga. Os transistores prejudicaram a indústria de válvulas, a xerografia
afetou o negócio de papel carbono, o automóvel teve impacto nas ferrovias, e os CDs
prejudicaram os discos de vinil. Toda vez que as indústrias velhas lutaram com as novas
tecnologias ou as ignoraram seus negócios declinaram.


       Dessa forma, as novas tecnologias se tornam sinônimos de novos mercados
e oportunidades, portanto os gestores devem observar as seguintes tendências
tecnológicas:

       •	 Rapidez das mudanças tecnológicas;

       •	 Orçamentos elevados para planejamento e desenvolvimento; e

       •	 Concentração em pequenos aprimoramentos.




3.1.3.4    AMBIENTE POLÍTICO


       As estratégias e decisões de marketing são seriamente afetadas e modificadas
pelo desenvolvimento e relacionamento com ambiente político. O ambiente político é
constituído de leis, agências governamentais e grupos de pressão que influenciam e
limitam várias organizações e indivíduos em uma dada sociedade.


                                                                 91
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3.1.3.5    AMBIENTE CULTURAL



               Constituído de instituições e outras forças que afetam os valores básicos, as
        percepções, as preferências e os comportamentos da sociedade o ambiente cultural é
        representado pelos nossos valores e crenças básicos, absorvendo uma visão de mundo
        que define nossos relacionamentos com o mundo e com os outros.


               As seguintes características culturais podem afetar as decisões do marketing:


               •	 Persistência de valores culturais;

               •	 Mudanças dos valores culturais secundários;

               •	 A visão das pessoas sobre si mesmas;

               •	 A visão das pessoas sobre os outros;

               •	 A visão das pessoas sobre as organizações;

               •	 A visão das pessoas sobre a sociedade;

               •	 A visão das pessoas sobre a natureza; e

               •	 A visão das pessoas sobre o universo.


               Apesar de ser um elemento incontrolável, as empresas não devem aceitar
        passivamente esse ambiente. Ele deve ser estudado e acompanhado com freqüência.
        As organizações devem analisar as forças ambientais e elaborar estratégias que
        ajudarão a empresa a evitar as ameaças e a tirar vantagem das oportunidades que o
        ambiente proporciona.




92   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
3.2    MUNDO DAS MARCAS - CASE KOPENHAGEN


       Ela não tem concorrente no Brasil. É única no segmento de chocolates
finos. Os executivos da empresa costumam dizer que os concorrentes são lojas de
presentes, como flores, jóias e roupas. Além de chocolate, a marca vende desejo,
glamour e sofisticação. Ótimos presentes para o ano todo. A KOPENHAGEN oferece
uma variedade de produtos que marcaram época e já seduziram três gerações de
brasileiros, afinal, quem resiste a uma Nhá Benta ou a um punhado de Chumbinhos?
Prestes a completar oito décadas de história, está neste seleto grupo de marcas que
sobreviveram a décadas de transformações econômicas e do comportamento do
consumidor.



A HISTÓRIA



       A história da empresa começou em 1928 com a chegada ao Brasil do casal de
imigrantes Anna e David Kopenhagen, vindo da Letônia. Foi Anna quem trouxe de
lá a receita do marzipã (pequenos pães feitos de amêndoas), até então desconhecida
no Brasil. Anna passava as noites fabricando as barras de marzipã para que David
pudesse sair bem cedo em busca de clientes. No início, os compradores eram somente
europeus. Com muita perseverança, David conquistou clientes para o produto e, em
1929, o casal fundou a primeira loja, localizada na Rua Miguel Couto, no centro
de São Paulo. Bonecos, bichinhos e outras figuras feitas de marzipã eram expostas
delicadamente na vitrine da mais nova delicatessen da cidade. E logo adquiriram uma
fábrica no bairro do Itaim Bibi, com excelentes instalações e tecnologia avançada.
Assim, a empresa passou a produzir também chocolates finos, bombons, balas,
confeitos, biscoitos, além de ovos de Páscoa e panetones.


       Se o nome remetia a um universo que não é o brasileiro, mas de um grupo
lingüístico eslavo, os produtos pelo contrário, tinham apelos bem característicos da
nossa cultura. Nos anos seguintes a marca introduziu no mercado produtos que se
tornariam ícones de muitas gerações como o Nhá Benta, bombons Cherry Brandy,
Língua de Gato, Chumbinho (bolinhas de chocolate com crocante), a lajotinha (uma


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espécie de waffle coberto de chocolate), entre outras delícias. Em 1992 a empresa
        implantou seu sistema de franquias, para garantir a expansão do negócio fora do eixo
        Rio-São Paulo.


               Até as décadas de 80 e 90, a marca ia muito bem e havia se transformado em
        sinônimo de chocolates finos. Os novos concorrentes, a volátil economia brasileira e a
        falta de investimento na empresa deram sinais de enfraquecimento da marca e seus
        produtos não vendiam mais como em outros anos. Em 1996, a história mudou. O
        empresário Celso Moraes, então dono do laboratório Virtus, fabricante dos conhecidos
        Adocyl, Maracugina e Atroveran; compra a empresa, que desde então cresce em um
        ritmo alucinante.


               O que foi feito? Lançamento de novos produtos para atender praticamente
        todos os segmentos, ampliação do foco de atuação buscando novos públicos e forte
        investimento em comunicação para rejuvenescer a marca. As mudanças implementadas
        pela nova gestão, como a transformação visual de todas as lojas (com ambientação
        sofisticada, o objetivo dos pontos de venda era comunicar os produtos e fazer um
        convite mais do que tentador a experimentar as guloseimas da marca), a diversificação
        dos produtos e a implementação dos cafés nas unidades da rede, foram responsáveis
        por quadruplicar o faturamento da empresa. Apesar disso, o contato com a família
        Kopenhagen não foi deixado de lado. Quando um produto está para ser lançado, eles
        sempre dão opinião, pois conhecem o negócio muito bem.


               Uma das primeiras ações foi investir US$ 5 milhões na transferência da fábrica
        do bairro do Itaim Bibi para Tamboré, em Barueri, na Grande São Paulo, tomando
        o cuidado de levar algumas máquinas originais para o novo espaço de 18 mil m2.
        Atualmente na fábrica, uma das mais modernas da América Latina, trabalham cerca
        de mil empregados. Paralelamente, implantou um rígido controle de qualidade e
        contratou uma empresa especializada em franchising para cuidar dos rumos da rede.
        O lançamento de novos produtos passou a ser uma tarefa conjunta de um gourmet
        e do departamento de marketing, que confere as principais tendências do setor no
        mundo. Assim chegaram ao mercado nos últimos tempos a linha infantil Kopenhagen
        da Turminha e os bombons à base de frutas.




94   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
Outra ação importante foi a criação, em 1999, da Kop to Company, a divisão
institucional desenvolvida com o objetivo de preparar brindes personalizados para
empresas. No primeiro ano de atividade a divisão respondeu por 10% do movimento
da empresa e hoje já atinge 20% dos negócios. Em 2003 a KOPENHAGEN se tornou
a única fabricante nacional de chocolates presente nas lojas Duty Free e uma das
primeiras a ganhar as prateleiras das lojas de departamento americanas. O primeiro
carregamento de Nhá Benta de 18 milhões de unidades que, somados a 1 milhão de
caixas de bombons Cherry Brand representavam uma negociação de peso.


      O processo de modernização da marca se intensificou em 2004, com a chegada
da filha do proprietário, Renata Moraes à vice-presidência. Ao seu comando, no ano
seguinte, a empresa abriu 24 novos pontos de venda. A criação do Passaporte da
Turminha, que permite aos consumidores mirins colecionar selos e trocá-los por
presentes, surgiu por intermédio da executiva. A proposta era fidelizar uma nova
geração de consumidores ainda pouco acostumada a se lambuzar com Nhá Benta. Em
três meses de campanha foram cadastrados 20 mil nomes. Renata também comandou
o lançamento da loja virtual em 2007 (disponibilizando toda linha de produto da
marca, exceto bebidas, mousses, e produtos a granel) e o relançamento da linha de
sorvetes da marca recentemente. A primeira experiência com o produto ocorreu em
2001, porém não foi levada adiante por conta do racionamento de energia elétrica
da época, tornando o custo das geladeiras alto demais. Uma outra estratégia da
KOPENHAGEN tem sido a de usar cada vez mais o café como catalisador de público,
afinal ele faz com que o consumidor permaneça mais tempo no ponto de venda.



      A GRANDE ESTRELA


      Um dos grandes sucessos de venda da KOPENHAGEN, a Nhá Benta (uma
primorosa receita de marshmallow sobre um biscoito waffer, sendo tudo coberto por
uma camada de chocolate ao leite) surgiu em 1950 com o nome Pão de Açúcar.
Em 1952, passou a ser chamada de Sinhá Moça, e, em 1954, recebeu o nome de
Nhá Benta. O seu prestígio vem da combinação do verdadeiro marshmallow apoiado
em um wafer crocante e recoberto por uma deliciosa camada de chocolate – tudo
produzido pela KOPENHAGEN. Nos últimos seis anos, a linha ganhou três novos



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sabores: morango, maracujá e chocolate. Atualmente mais de 4.5 milhões de unidade
        de Nhá Bentas, que conta com uma linha de quatro produtos diferentes, são vendidas
        anualmente no Brasil.



               A LOJA CONCEITO


               Procurando expandir sua marca além dos doces que a tornaram famosa, a
        KOPENHAGEN iniciou no fim de 2007, em 22 de outubro, um projeto-piloto, em
        uma loja ampliada, com sobremesas, bebidas e pratos finos. Com investimento de R$
        500 mil (incluindo obra, compra de equipamentos, pesquisa e desenvolvimento de
        produtos), a empresa abriu, no Parque D. Pedro Shopping, em Campinas (São Paulo),
        a KOPENHAGEN GOURMET STATION. Para a empresa, a loja é um campo de provas,
        uma forma de compreender a real força da marca e testar novos produtos. Uma vez
        aceitos, eles podem ser incorporados ao cardápio da rede. O ponto de venda ganhou
        50 metros quadrados adicionais para receber o novo formato. O objetivo da loja é
        tirar o cliente do ambiente de um shopping center e, com isso, fazê-lo viver uma
        experiência de compra diferente.


               De certa maneira, a loja consegue. A fachada da loja é toda envidraçada,
        permitindo a quem passa pelo corredor acompanhar o movimento do lado de dentro.
        O piso de ladrilhos cor de vinho combina com o chão do shopping e reduz a transição
        entre a loja e o corredor. A sensação é de continuidade, não de ruptura. O piso de
        ladrilhos forma um mosaico de um metro de largura e o espaço conta com dois
        grandes banners da KOPENHAGEN, além de mesas cheias de produtos, como cestas
        de bombons. Se o caminho para o coração passa pelo estômago, a loja começa bem.
        Um detalhe interessante é que na entrada, a parede lateral acompanha o piso, com
        ladrilhos cor de vinho que sobem até o teto. Nessa parede, o logotipo da empresa
        aparece destacado na cor dourada. Na segunda seção da loja predomina a cor
        marrom, tornando o ambiente bastante aconchegante. Do lado direito, o caixa. Logo
        após, uma estante circular dispõe os produtos ao alcance das mãos. Logo em seguida,
        mesinhas sem cadeiras oferecem um apoio para quem fez uma pausa rápida para
        tomar um café. Nas duas laterais da loja, estantes de madeira cor de chocolate vão do
        chão ao teto e estão recheadas de produtos, em apresentações convidativas. No lado
        esquerdo, um enorme balcão exibe mais itens da linha de produtos, como Nhá Bentas



96   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
de vários sabores e os bombons e doces sortidos. Para alcançar os itens mais altos, há
escadinhas de metal, semelhantes às das bibliotecas antigas. Mais um item retrô em
uma loja montada com toques de nostalgia.


      O teto da loja é curvo, em cor creme, e ao fundo a parede é adesivada com o tema
de uma estação de trem. Tema que é percebido em vários detalhes, mas, de maneira
mais destacada, na seção final da loja. A área dos fundos possui com uma divisória de
metal, como um corrimão de estação de trem. A decoração apresenta curvas francesas
no teto, emoldurando o local. A iluminação é bastante clara, sugerindo que se está
em um local aberto. A sugestão é reforçada pelas arvorezinhas colocadas nos cantos
do salão e que circundam as nove mesas disponíveis, e pelos espelhos colocados de
forma criativa, como se fossem portas. Os toldos sobre as “portas” ampliam a ilusão.
Uma fonte de pedra na parede dos fundos é um toque tão inusitado quanto o vitral do
teto, que cria um ambiente acolhedor. Se as mesinhas do meio da loja e o balcão de
café dizem “aproveite seu curto tempo”, a área do restaurante convida a permanecer
por horas. Ininterruptamente, um monitor de plasma apresenta a loja, com um vídeo
que termina ao som de um apito de trem. Um toque que dá a cada três minutos a
impressão de que mais uma locomotiva chegou.


      Essa experiência diferente também é levada para o cardápio. Além dos doces
pelos quais a KOPENHAGEN é reconhecida, o local apresenta itens como milk-shake
de Nhá Benta, croissant de mousse de chocolate e waffle com Chumbinho. O cardápio
da loja conceito, idealizado pelo mestre chocolateiro da empresa, Orlando Glingani,
demandou um ano de pesquisas. O mix criado foi pensado não apenas na refeição,
mas também no conceito da marca e do ponto de venda. Por isso, os pratos salgados
e doces (como croque monsieur de cogumelos, wrap de salmão, quiche de alho poró e
crumble de maçã com sorvete) contam com uma apresentação diferenciada. Em cada
detalhe, da cor das paredes ao tipo de madeira usada, passando pela exposição dos
produtos e pela iluminação de cada área, a loja procura evocar uma estação de trem
do início do século passado. Se há 100 anos as estações não serviam apenas como
pontos de transporte, mas também como locais nos quais era possível ter momentos
agradáveis e deixar de lado o dia-a-dia, nada como utilizar esse tema para uma pausa
de indulgência. Seja como uma parada na rotina do trabalho, uma sobremesa após
o almoço ou um refúgio contra o stress de compras intermináveis em um shopping
cheio, a loja apresenta um ambiente confortável que permite, mesmo por instantes,
voltar a um tempo em que a vida parecia não apenas ser mais simples, mas também


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andar mais devagar. Os resultados obtidos com a loja conceito impressionam: aumento
        nas vendas de Café (21%), Chocolate (15%), Salgado (38%), Doce (34%), e Bebida
        (29%). A segunda unidade da loja conceito foi inaugurada em 2008 no Rio de Janeiro.



               A QUALIDADE



               Para garantir e manter qualidade do produto final, a empresa adota como
        parâmetro padrões internacionais de fabricação, que garantem que a empresa
        não seja apenas mais uma loja de doces no mercado, mas uma grife de chocolates
        que estimula um paladar mais requintado. O chocolate ao leite da KOPENHAGEN
        é constituído por pasta ou líquor de cacau, manteiga de cacau (ingrediente mais
        caro da formulação e responsável pela: dureza a temperatura ambiente, rápida e
        completa fusão na boca, brilho e lustro), açúcar, leite em pó integral, lecitina de soja
        (emulsificante/agente de superfície, atua na interface açúcar gordura), vanilina (aroma
        artificial de baunilha). A KOPENHAGEN não utiliza gordura vegetal hidrogenada no
        chocolate puro. Portanto, o chocolate terá uma quantidade ínfima de gordura Trans
        em relação aos outros chocolates do mercado. Além do chocolate KOPENHAGEN ser
        de um sabor e qualidade inigualável ainda é mais saudável.


               Embora a produção seja grande muita coisa ainda é feita artesanalmente. Como
        a empresa confecciona tudo o que é usado (é uma fábrica dentro da outra), depois
        de juntar as matérias-primas (muitas delas são importadas), o chocolate fica dentro
        da conchadeira durante três dias para misturar e amaciar a massa. Em seguida, ele
        segue para ser temperado. Neste processo, o chocolate entra quente e sai frio para
        que ele possa se solidificar A parte artesanal da produção, por exemplo, está impressa
        principalmente na confecção dos bombons e das garrafinhas de licor. Neste último
        caso, cada uma é mergulhada individualmente dentro do chocolate por uma pessoa;
        já os bombons que possuem decoração de chocolate por cima, são feitos um a um.
        Dentro da fábrica, alguns produtos possuem seções exclusivas, como a Nhá Benta
        (o carro-chefe) e o Marzipã. A confecção deste último, aliás, é feita unitariamente,
        quando cada um é medido com um tipo de régua, que garante que todos sejam feitos
        do mesmo tamanho A empresa desembolsa cerca de R$ 1.5 milhões em Pesquisa e
        Desenvolvimento (PD) de produtos anualmente.




98   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
A GRANDE COMEMORAÇÃO



      Em 2008 a KOPENHAGEN preparou um conjunto de ações para comemorar o
aniversário da empresa que deixa a vida das pessoas mais doce há 80 anos. Os temas
magia, fantasia e infância são abordados fortemente em toda a campanha envolvendo
as ações criadas especialmente para a data - Promoção Sonho Mágico, reformulação
da linha de embalagens e da linha infantil Koperaltas, Promoção Baú de Tesouros da
Páscoa, lançamento do Ovo Comemorativo 80 Anos (ovo especial produzido como as
bonecas russas, ou seja, um dentro do outro, sendo cada um de um tipo diferente),
criação de embalagens especiais, produtos novos, reestruturação e alinhamento
dos produtos no PDV, e Livro Institucional, entre outras estratégias. O ponto alto da
festa foi a superprodução musical, no estilo Brodway, chamada Kopenhagen Marca
para Sempre. O evento foi preparado pela marca com o mesmo carinho e qualidade
dedicados à fabricação de seus famosos chocolates. Esse cuidado pode ser notado
desde a entrada da casa de eventos, ambientada com enormes caixas, e que foi palco
da comemoração que recebeu 800 convidados, no domingo, 1º. de junho, no HSBC,
em São Paulo.


      A incrível e apaixonante história de sucesso da empresa foi deliciosamente
contada durante a exibição do espetáculo. A produção foi Idealizada, pela publicitária
Camila Caruso (Agência boOm!), com roteiro de Armando Liguori e direção geral
de Helder Peixoto. Envolveu 25 artistas, entre atores (dentre eles Marcos Mion,
interpretando o Gato – o personagem é uma referência ao produto Língua de Gato - e
Leonardo Miggiorin no papel do garoto Bruno), cantores e bailarinos, dez músicos,
40 profissionais da equipe técnica e mais de 15 profissionais fixos para contar, em
estilo high-tech, uma história que marca a vida de seus consumidores há 80 anos.
Seis cenários, 85 figurinos (criados por Carlos Alberto Gardin, responsável pela
caracterização dos personagens dos programas Castelo Rá-Tim-Bum, Glub-Glub e
Mundo da Lua), sete músicas originalmente compostas pelo cantor Toquinho, nove
vídeos com efeitos em 3D e quatro atrações circenses. Ao todo foram 70 horas de
ensaios para apresentar um resultado requintado ao público convidado.


      Além do fabuloso espetáculo, as lojas de todo o país foram preparadas para
a festa: ambientadas de acordo com as campanhas promocionais, com adesivos nas
vitrines e produtos em novas embalagens, exibem o selo 80 Anos e as embalagens


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antigas que recriam o clima da época da chegada da família Kopenhagen ao Brasil. Outro
         destaque da comemoração é o luxuoso livro “Kopenhagen – Marca para Sempre”,
         editado pela Siciliano, contando a emocionante trajetória da família Kopenhagen,
         que chegou ao Brasil na década de 20 para tornar o Brasil uma terra mais doce, além
         de curiosidades sobre a marca e receitas inéditas do gourmet Orlando Glingani, que
         trabalha há seis anos na empresa.



                DADOS CORPORATIVOS


                •	 Origem: Brasil

                •	 Fundação: 1928

                •	 Fundador: Anna e David Kopenhagen

                •	 Sede mundial: São Paulo, Brasil

                •	 Proprietário da marca: Celso Ricardo de Moraes

                •	 Capital aberto: Não

                •	 Presidente: Celso Ricardo de Moraes

                •	 Vice-Presidente: Renata Moraes

                •	 Faturamento: R$ 160 milhões (estimado)

                •	 Lucro: Não divulgado

                •	 Fábricas: 1

                •	 Lojas: 265

                •	 Presença global: 3 países

                •	 Presença no Brasil: Sim

                •	 Funcionários: 1.400

                •	 Segmento: Chocolates e cafeterias

                •	 Principais produtos: Chocolates e derivados, doces, cafés

                •	 Ícones: Nhá Benta, bombons Cherry Brandy, Língua de Gato, Chumbinho e


100   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
•	 lajotinha

          •	 Slogan: Kopenhagen. Marca para sempre.

          •	 Website: www.kopenhagen.com.br



          A MARCA NO MUNDO


          Atualmente a KOPENHAGEN está presente em mais de 56 cidades, localizadas
em quase todos os estados do país, com uma rede de 265 lojas (sendo 33 unidades
próprias), além de ter presença no mercado internacional, através da exportação de
produtos para os Estados Unidos e México. São mais de 8 milhões clientes atendidos
com ética e respeito. São mais de 300 itens diferentes, sinônimos de tradição, sabor
e qualidade em chocolates e confeitos finos. Cerca de 70% do faturamento da
empresa estão concentrados em São Paulo e Rio de Janeiro.


          VOCÊ SABIA?


          A empresa produz mais de 2.2 mil toneladas de chocolate anualmente e o
período da Páscoa representa cerca de 30% do faturamento anual.




* Fontes: As informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Exame, Veja, Época
Negócios e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding, e Wikipedia (informações devidamente checadas). Última
atualização em 22/5/2010. Retirado do site: http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/kopenhagen-os-mais-finos-

                                                         chocolates.html




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105
UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING   105
RESPOSTAS COMENTADAS


         1.	 e)
         2.	 a)
         3.	 b)
         4.	 e)
         5.	 c)
         6.	 a)
         7.	 b)
         8.	 d)
         9.	 d)
         10.	 b)




106   UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
4   UNIDADE IV


TENDÊNCIAS DE MARKETING

                   OB J ETIVOS DA UN ID A D E

                   •	 Discutir sobre as estratégias atuais de mercado;

                   •	 Entender o avanço do marketing em direção ao consumidor;

                   •	 Fazer as considerações finais sobre o assunto.



             	     HAB ILIDADE S E C O MP E T Ê N C IA S

                   •	 Compreender a importância do marketing nas instituições;

                   •	 Refletir tecnicamente sobre as estratégias de marketing usadas nas
                      corporações.




4.1    TENDÊNCIAS DE 2011


        Para Kotler (2010) as marcas que entenderem e se anteciparem as tendências
de futuro, serão as primeiras a conquistar os consumidores. A Science of the Time,
empresa de tendências, identificou as principais que se vão fazer sentir ainda em
2011.


        Algumas tendências resultam da crise, que acaba por ter forte impacto nos
comportamentos dos consumidores e outras decorrem das novas tecnologias. As
empresas e marcas que as compreenderem e anteciparem terão mais oportunidades
para serem bem sucedidas e ultrapassar a concorrência.


        Essa parte da tecnologia vem ainda do marketing 2.0. O mundo está se
recuperando de uma crise mundial e, novas tendências de marketing podem surgir



                                                         UNIDADE IV 107
                                                                     - TENDÊNCIAS DE MARKETING   107
a cada momento. As empresas deverão aproveitar a oportunidade das redes sociais,
         geotargeting, e-mail marketing, mobile marketing e reputação online, para poder
         expandir seus negócios.


                Segue oito tendências de marketing para 2011, segundo o Franquia Empresa
         (2011) para quem deseja montar um negócio ou para quem deseja aperfeiçoar sua
         estratégia de marketing.


                Construir confiança na marca: quando pensamos em construir uma marca
         através da internet, logo imaginamos que esta deve ter milhares de seguidores no
         Twitter, muitos amigos no Facebook e muitos contatos por e-mail, mas este conceito
         não é válido, principalmente quando se trata de pessoas que não são fiéis à sua
         marca, e em 1 minuto ou dois deixam de segui-la.


                Destaque-se em apenas uma área. Este não é o momento de tentar ganhar
         pra todo lado, e apostar em todo tipo de público. Seja único e indispensável na área
         em que trabalha. Ofereça o melhor serviço, pelo melhor atendimento, como se cada
         trabalho seu fosse personalizado.


                Invista no conteúdo da sua marca: as pessoas buscam por conteúdo na
         internet. Coloque a disposição deste público um conteúdo de qualidade, não faça
         apenas propaganda, ou conte a trajetória da empresa, disponibilize formas de uso,
         pesquisas que favorecem o seu produto e só então ofereça o que a sua empresa tem
         para satisfazê-lo.


                A internet é o tipo de mídia preferido dos consumidores: atualmente
         passamos mais tempo na internet do que em qualquer outro tipo de mídia como a
         mídia televisiva ou rádio. Por esse motivo, todas as atenções estão voltadas para a
         internet no momento.


                Mantenha uma boa reputação na web: está é a importância de se manter
         confiável neste meio de comunicação que é especialmente interativo, ou seja, qualquer
         deslize da empresa poderá manchar a reputação da mesma frente a milhares de
         consumidores. Esta nova ferramenta portanto, vem a exigir mais responsabilidade das
         empresas frente à seus consumidores.




108   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
Acesso fácil: na internet o que se busca, antes de qualquer produto ou
facilidade em fazer compras, é interação. Quando uma empresa disponibiliza esta
possibilidade através de e-mail, site ou blog, ela está fidelizando clientes que sabem
que podem ter acesso rápido e fácil com a empresa que estiver interessada naquele
momento. Como na internet o terreno ainda é instável, essa aproximação com a
empresa faz com que seus clientes se sintam seguros.


       Mobile Marketing: o marketing móvel deverá ser sem dúvida, a aposta mais
provável para quem já está fidelizado com o público da internet. Este ano, o acesso à
internet móvel, vem possibilitar que a empresa esteja em todos os lugares através de
aplicativos móveis. Invista neste mercado e terá a possibilidade de atingir um grande
público. Ter consigo a praticidade de comprar, pesquisar preços e resolver assuntos
rápidos será a intenção do grande número de pessoas que possuirão internet móvel
este ano, por isso muitas empresas já estão investindo em geotargeting.


       O geotargeting é a norma do ano: pequenas empresas poderão ganhar
maior visibilidade regional se investirem em geotargeting. Esta ferramenta permite que
você abranja clientes da sua região por meio de sites de compra coletiva, por exemplo.
Esta é uma tendência que ganha cada vez mais empresas adeptas interessadas em
visibilidade.




                                       P RO F E SSO R SA L D A NHA F A LA ...



                              Cotonete é uma marca da Johnson e Johnson. O real
                                        nome do produto é haste flexível.




                                                       UNIDADE IV 109
                                                                   - TENDÊNCIAS DE MARKETING   109
4.2    MARKETING 3.0


                A nova definição de Marketing proposta por Kotler (2010) retrata diversos fatores
         influenciadores da nova política comportamental e comercial do mundo digitalizado.
         Ele se refere nesta publicação como a era da sociedade criativa, o ser humano tratado
         como um ser pleno, que possui mente, coração e espírito. Esses indivíduos tem a
         necessidade de satisfazer os anseios de transformar o mundo globalizado num mundo
         melhor.


                Para ter uma noção da diferença dos 3 momentos do marketing, Kotler (2010)
         exemplifica a era do Marketing 1.0 como a era da do Marketing centrado no produto,
         a relação do profissional de marketing tinha representatividade única e exclusivamente
         em fazer com que existisse produção para atender a demanda de clientes.


                Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, muitos produtos se tornaram
         commodities e não se existia mais demanda excessiva e para se vender as empresas
         precisaram entrar num novo modelo estratégico de atuação.


                 Esse modelo foi chamado de marketing 2.0, que representa a era da informação.
         Dessa forma, se trabalha neste modelo até os dias atuais, se estuda mercados, criam-se
         nichos e o marketing é responsável por manter acesa a chama dos seus consumidores
         para seus produtos e serviços.


                Na era da sociedade criativa, nos impactamos com o avanço das redes e mídias
         sociais, onde é possível ter a opinião de todos de qualquer parte do planeta. Essa nova
         sociedade acredita mais na opinião dos iguais a elas do que nas magníficas campanhas
         publicitárias, campanhas essas que não são mais atrativas nos meios tradicionais.

                As empresas precisam entrar no novo universo da comunicação digital e
         redescobrir diariamente como impactar o seu consumidor, só que desta vez a persuasão
         dá lugar a compreensão, sendo necessário antes de mais nada compreender como seu
         consumidor lida com a sua marca e como ela é vista perante o mundo globalizado das
         redes sociais.


110   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
Kotler (2010) explica que o novo patamar do marketing, chamado de 3.0, tem
justamente três grandes forças:

      •	 Era da participação;

      •	 Globalização; e

      •	 Sociedade criativa


      O quadro abaixo exemplifica a diferença entre o marketing 1.0, 2.0 e 3.0.




                                    Fonte: Kotler, 2010




      No marketing 3.0 cada vez mais há uma cocriação realizada em parceria com
os stakeholders das organizações.


      O termo inglês stakeholder, está relacionado a uma pessoa, grupo ou entidade
com legítimos interesses nas ações e no desempenho de uma empresa e cujas decisões
possam afetar, direta ou indiretamente, essa ou outra organização.


                                                          UNIDADE IV 111
                                                                      - TENDÊNCIAS DE MARKETING   111
Podem ser incluídos como stakeholders: os funcionários, gestores, proprietários,
         fornecedores, clientes, credores, Estado (enquanto entidade fiscal e reguladora),
         sindicatos, diversas outras pessoas ou entidades que se relacionam com a organização.


                Para Mitchel, Agle e Wood (2011) são várias as formas de classificar os diferentes
         stakeholders. A mais usual é a classificação em internos e externos. Para os autores
         existem sete tipos de stakeholders que são classificados em:

                •	 Stakeholder Adormecido: é aquele que tem poder para impor sua vontade
                   na organização, porém não tem legitimidade ou urgência e assim seu poder
                   fica em desuso, tendo ele pouca ou nenhuma interação com a empresa.
                   Entretanto, a gestão deve conhecer esse tipo de stakeholder para monitorar
                   seu potencial em conseguir um segundo atributo;

                •	 Stakeholder Arbitrário: é aquele que possui legitimidade, mas não tem
                   poder de influenciar a empresa e nem alega urgência. A atenção que deve
                   ser dada a essa parte interessada diz respeito à responsabilidade social
                   corporativa, pois tendem a ser mais receptivos;

                •	 Stakeholder Reivindicador: quando o atributo mais importante na
                   administração do stakeholder for urgência ele é reivindicador. Sem poder e
                   sem legitimidade, não devem atrapalhar tanto a empresa, porém deve ser
                   monitorado quanto ao potencial de obterem um segundo atributo;

                •	 Stakeholder Dominante: aquele que tem sua influência na empresa
                   assegurada pelo poder e pela legitimidade. Espera e recebe muita atenção
                   da empresa;

                •	 Stakeholder Perigoso: quando há poder e urgência, porém não existe
                   a legitimidade, o que existe é um stakeholder coercitivo e possivelmente
                   violento para a organização, o que pode ser um perigo literalmente;

                •	 Stakeholder Dependente: aquele que tem alegações com urgência e
                   legitimidade, porém depende do poder de outro stakeholder para ver suas
                   reivindicações sendo levadas em consideração; e


                •	 Stakeholder Definitivo: quando o stakeholder possui poder e legitimidade
                   ele praticamente já se configura como definitivo. Quando, além disso, ele
                   alega urgência, os gestores devem dar atenção imediata e priorizada a esse.



112   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
E quanto mais você escuta o consumidor, mais ele pode ajudá-lo. Kotler (2010)
menciona um caso da marca Doritos que abriu mão de uma agência de publicidade
para fazer uso da estratégia de Crownd Sourcing, na qual todos os clientes foram
envolvidos e convidados a criar uma campanha. Esta campanha recebeu milhares de
premiações ao redor do mundo, provando que uma multidão pode trazer milhões de
ideias e o seu consumidor pode ser sua melhor publicidade e propaganda.


         De acordo com o acadêmico, o velho pensamento de que o gerenciamento de
produto leva em consideração os 4 P’s (Produto, Preço, Promoção e Praça) deve ter um
incremental: a cocriação.


         Mais do que isso, o marketing 3.0 prevê empresas que realmente pensam no
futuro e estão atentas às preocupações de seus clientes. Um exemplo é a marca de
cosméticos Avon que quer melhorar a pesquisa de câncer de mama e usa isso como
campanha de marketing atraindo os consumidores.


         Cada vez mais as pessoas se preocupam com um mundo melhor para todos.




4.2.1    UM MUNDO MELHOR



         Dessa forma, para Kotler (2010), o Marketing 3.0 tem a função de criar um elo
com o cliente, melhorar a vida dos pobres e criar sustentabilidade para o planeta. O
autor ainda ressalta que estes devem ser os desafios do marketing do futuro.


         Mas para que isto aconteça, Kotler (2010) entende que é preciso provar aos
investidores que “a sustentabilidade vai melhorar a produtividade de custo, a receita
e a empresas serão mais respeitadas”. Por fim, o executivo resume o conceito do
marketing 3.0 sugerindo aos congressistas que “sejam eficientes, lucrativos e
preocupados com os outros”, trabalhando em prol de um mundo melhor.




                                                       UNIDADE IV 113
                                                                   - TENDÊNCIAS DE MARKETING   113
4.3    MUNDO DAS MARCAS - CASE HAVAIANAS


                Elas estão nas prateleiras de lojas de departamentos chiques como Saks Fifth
         Avenue e Bergdorf Goodman, em Nova York, e Galleries Lafayette, em Paris. Ocupam
         espaço em vitrines da badalada Via Spiga, em Milão, dividindo a cena com marcas
         famosas como Dior e Prada. Adornam pés de socialites, artistas, modelos e até
         mesmo do Presidente da República. Ao mesmo tempo são vistas em uma marcha
         do Movimento Sem-Terra sobre Brasília, nos pés de milhares de homens, mulheres e
         crianças. Sem dúvida é a sandália mais democrática que se tem notícia. Estou falando
         das sandálias HAVAIANAS. Calça “do mais pobre ao mais rico” - como disse o escritor
         Jorge Amado. O que começou como um produto popular, que já foi considerado
         “coisa de pobre” no Brasil, virou produto fashion em menos de quatro décadas, e
         hoje enfeita pezinhos milionários, como das atrizes Julia Roberts e Sandra Bullock, e
         os das super modelos Naomi Campbell e Kate Mossvisto. Bonita e gostosa, a sandália
         se transformou em um objeto cult. No exterior, os modelos mais incrementados, feitos
         sob encomenda, chegam a custar US$ 100.



                A HISTÓRIA


                Tudo leva a crer que foi a Zori, típica sandália de dedo feita de palha de arroz
         e usada pelos agricultores japoneses, a real fonte de inspiração para a criação das
         sandálias HAVAIANAS no dia 14 de junho de 1962 pela empresa Alpargatas São
         Paulo. Por essa razão, o solado das HAVAIANAS possui uma textura que reproduz
         grãos de arroz, um dos muitos detalhes que a torna inconfundível. Mas a versão
         nacional trazia um grande diferencial: eram feitas de borracha. Um produto natural,
         totalmente nacional e que, acima de tudo, garantia um calçado durável e confortável.
         Eram as tradicionais branquinhas com tiras laterais, disponíveis em cinco cores (branca,
         preta, azul, vermelha e amarela). Visualmente pobres e baratas. Embora o design das
         sandálias fosse de origem oriental, seu nome foi inspirado no Havaí, o paraíso do
         sol e do mar, onde ricos e famosos americanos passavam suas férias. Esse nome era
         considerado ideal, já que a sandália era adequada para o uso em países de clima
         quente, pois deixava os pés descobertos, evitando o excesso de transpiração.



114   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
A idéia da nova sandália se espalhou feito rastilho de pólvora. Em menos de um
ano, a empresa fabricava mais de mil pares por dia, o que levou ao aparecimento das
imitações, mas “legítimas, só as havaianas” (slogan criado pela agência JW Thompson),
as únicas que “não deformam, não têm cheiro e não soltam as tiras”. As cópias, de
qualidade inferior, eram citadas pelos comerciais da marca como cópias “fajutas”, e
o novo termo acabou parando no Dicionário Aurélio como sinônimo de produto de
má qualidade. Exatamente dois anos depois de seu lançamento, já fazendo sucesso,
a direção da empresa resolveu entrar com pedido de patente de modelo industrial
n.5891, sob o título “Novo modelo de palmilha com forquilha”. O pedido chegou
ao Departamento Nacional da Propriedade Industrial do Ministério da Indústria e do
Comércio no dia 13 de agosto de 1964. Em 1980, já eram vendidos mais de 80
milhões de pares da sandália por ano. As Havaianas eram tão fundamentais na vida do
brasileiro que, nesta década, foram consideradas como um dos itens da cesta básica,
assim como o feijão e o arroz.


      Durante quase trinta anos, o consumidor das tradicionais sandálias, vendidas
com mais frequência em mercados de bairros, se restringia a uma classe menos
favorecida e costumava-se dizer que “Havaianas era chinelo de pobre”. Depois da
forte concorrência dos chinelos de PVC, liderados pelo modelo Rider, da Grendene,
era preciso adotar um novo posicionamento para alavancar as vendas e mudar sua
imagem na mente dos consumidores. O grande toque de Midas foi o lançamento, em
1994, de uma nova versão: HAVAIANAS TOP com cores fortes, ligeiramente mais altas
no calcanhar do que o modelo original e o nome gravado em relevo. O novo modelo,
com tiras e solados monocromáticos, foi inspirado na moda inventada pelos surfistas
brasileiros que viravam as palmilhas de suas (antigas) HAVAIANAS a fim de deixar a
face colorida voltada para cima. O modelo foi posicionado no mercado como um
produto mais caro do que as tradicionais. Impulsionada por maciços investimentos em
campanhas publicitárias protagonizadas por artistas e celebridades, transformou-se
em objeto de desejo. No primeiro ano, foram comercializadas 300 mil unidades das
novas sandálias. Nas revistas, a explosão de cores e as imagens divertidas dos anúncios
traduziam o alto-astral da marca. Em seguida, a distribuição também passou a ser
focada em nichos de mercado. Cada ponto de venda recebia um modelo diferente, de
acordo com seu público alvo. Outra mudança foi na exposição do produto no ponto
de venda. Ao invés das grandes cestas com os pares misturados, criou-se um display
para valorizar o produto, facilitar a escolha e, claro, impulsionar as vendas.




                                                        UNIDADE IV 115
                                                                    - TENDÊNCIAS DE MARKETING   115
A partir do final desta década, HAVAIANAS não parou mais de inventar moda.
         São criadas novas estampas, cores e modelos – até mesmo para os que mal tinham
         aprendido a andar, como as Havaianas Baby; ou a Havaianas Surf, com modelos
         simples de tiras pretas com cores e estampas renovadas com desenhos de manobras,
         paisagens, tribais e grafismos que refletiam o espírito do surfe. A partir do ano 2000, as
         sandálias da marca se tornam mania internacional. Estrangeiros compravam no Brasil
         e levavam para seus países. Rapidamente as HAVAIANAS viraram assunto nas páginas
         das grandes revistas e jornais do mundo, e conquistaram algumas das vitrines mais
         concorridas do planeta. O novo posicionamento também permitiu o desenvolvimento
         de estratégias mais ousadas, como a parceria feita com a joalheria H.Stern para lançar
         seis pares de HAVAIANAS com acabamento em ouro 18K e diamantes. Um deles
         chegou a ser vendido por R$ 52 mil. Isso gerou uma enorme exposição de mídia
         espontânea para a marca. O mesmo ocorreu quando a empresa colocou o logotipo
         de Miró nas sandálias que foram distribuídas em uma festa no consulado espanhol,
         em 2004. Continuando a segmentação de mercado, novas versões e muitas cores
         foram lançadas, além da introdução, em 2005, da HAVAIANAS Socks, uma meia
         que se adaptava ao contorno do dedão do pé, permitindo que ele se encaixasse
         perfeitamente na sandália (primeiro passo da empresa para a expansão da marca para
         outra categoria de mercado). O produto foi introduzido no mercado com o slogan
         “Havaianas Socks, para quem é louco por Havaianas”.


                As novas opções e o posicionamento diferenciado caíram no gosto do povo. E
         de repente, andar de HAVAIANAS por aí não parecia mais coisa de pobre, mas algo
         da moda. E assim as sandálias se tornaram objeto de desejo dos brasileiros. Sucessivos
         ciclos de inovação em estilos e cores, que passaram a ser pesquisados com a ajuda
         de birôs internacionais, romperam com o velho estigma e valorizaram o produto. A
         partir de 2008, a marca iniciou a inauguração de lojas franqueadas das HAVAIANAS,
         onde era possível encontrar todos os produtos da marca em um só lugar, em um
         ambiente colorido e moderno com todo o astral da marca. Ao final deste ano a marca
         já possuía 26 lojas franqueadas, incluindo o conceito de quiosques em grandes centros
         comerciais.


                A expansão da linha de produtos (sandálias, meias e toalhas) teve continuidade
         nesse mesmo ano, quando no mês de novembro a marca lançou oficialmente no



116   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
mercado uma linha de bolsas. Foram, inicialmente, oito modelos em cores, tamanhos e
formatos diferentes. Tinha a Mega, ideal para quem ama levar todo o armário na bolsa;
a Side, inspirada no modelo carteiro; a Tote, espaçosa e com base reforçada; a Zip com
vários zíperes e um compartimento coringa para guardar toalhas ou jaquetas; e a Saco
com alças iguais as das tiras da sandália - ideal para quem gosta de carregar somente
o necessário. Produzidas em 100% algodão possuíam detalhes emborrachados e em
metal e a versão estampada trazia um floral composto por mini sandálias HAVAIANAS.
O charme ficava claro, por conta do chaveirinho em formato da tradicional sandália
colorida. As novas bolsas foram comercializadas inicialmente em apenas 60 pontos de
venda em todo o país e num único local no exterior: a Galeries Lafayette, em Paris.


      Em 2010 a marca lançou sua primeira coleção de calçados casuais, intitulada
Soul Collection, que conta com três modelos feitos de lona e os tradicionais solados
de borracha em seu interior. O relevo das tiras e dos solados são detalhes que também
estão presentes. Além dos modelos de cano baixo e alto, há uma sapatilha e o bom
e velho sapato de lona em uma nova versão, com borracha no lugar da palmilha de
corda. A novidade foi lançada primeiramente na Europa e pouco depois, já estava nas
prateleiras do Espaço Havaianas, em São Paulo. Ainda este ano, no mês de fevereiro,
como parte do plano de consolidação da marca no mercado internacional, a cidade
espanhola de Barcelona foi a primeira a receber um espaço exclusivo da HAVAIANAS.
Pouco depois, a segunda franquia internacional foi inaugurada em Huntington Beach
na Califórnia.



      OS MODELOS



      A linha das sandálias HAVAIANAS cresceu de apenas um modelo até 1994
para mais de 90 modelos nos dias atuais, comercializadas em mais de 65 cores e 500
combinações de estampas. Entre as linhas mais populares da marca destacam-se:




                                                      UNIDADE IV 117
                                                                  - TENDÊNCIAS DE MARKETING   117
GANHANDO O MUNDO



                A revolução da marca começou com a criação do departamento de comércio
         exterior em 2000. Até então, as vendas para o exterior eram dispersas, não havia um
         movimento articulado em direção a esse mercado. A decisão de explorar a marca
         no exterior deu-se pelo fato de ser um produto tipicamente brasileiro, colorido e
         sem concorrência interna ou externa. E uma das primeiras medidas para chegar a
         esses destinos foi reorganizar a rede de distribuidores no mundo todo. Alguns eventos
         contribuíram para o sucesso da marca no exterior, como quando as brasileiríssimas
         sandálias chegaram ao mercado francês em 2001 através de uma amostra sobre a
         América Latina na chique Galeries Lafayette, onde foram vendidos três mil pares. Em
         2003, os tradicionais chinelos de borracha desfilaram nos pés de todas as modelos
         na passarela do estilista Jean-Paul Gaultier. Nada melhor para criar uma boa imagem
         da sandália e aumentar as vendas. Hoje, é possível esbarrar nas ruas com mais de
         um milhão de franceses usando HAVAIANAS. Esse aumento só foi possível porque a
         distribuidora francesa trabalhou o conceito da marca. Além do desfile de Gaultier, em
         2003, a empresa fez parceria com grandes lojas de departamento, como a Galeries
         Lafayette, Printemps e o Bon Marche, que passaram a comercializar as sandálias.

                Outro evento importante para divulgação da marca no exterior ocorreu em
         2003 quando foram distribuídas HAVAIANAS aos indicados ao Oscar. Dois meses
         antes da cerimônia, a empresa desenvolveu um modelo sofisticado, decorado com
         cristais austríacos Swarovski e guardado em caixas especiais com o nome dos atores
         imitando os símbolos estampados na calçada da fama de Hollywood. Paralelamente, a
         fábrica entrou em contato com os agentes das 61 celebridades indicadas ao prêmio -
         entre elas, Jack Nicholson, Nicole Kidman e Renée Zellweger - para saber que número
         calçavam. No dia seguinte à premiação, todos receberam sua sandália. Iniciativas como
         essa ajudaram a empresa a vender 1 milhão de pares de HAVAIANAS aos varejistas
         americanos neste ano. Nos últimos anos, a receita gerada pela exportação do produto
         praticamente quadruplicou. Austrália, Filipinas, Argentina, Estados Unidos, França,
         Itália e Espanha são os maiores mercados da marca no exterior. Em acelerado ritmo de
         expansão internacional, a marca passou a atuar diretamente na Europa em 2008. Em
         apenas uma década, as tradicionais sandálias HAVAIANAS saíram das praias brasileiras
         e foram parar nos pés de celebridades como Angelina Jolie, Brad Pitt, Britney Spears
         e Kate Hudson.



118   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
A LOJA CONCEITO



       A primeira loja-conceito da marca no mundo, batizada de ESPAÇO HAVAIANAS,
foi inaugurada no dia 23 de janeiro de 2009, na badalada Rua Oscar Freire, em São
Paulo. A loja reunia tudo o que os apaixonados por HAVAIANAS sempre sonharam:
linha completa de sandálias, produtos exclusivos para o mercado internacional,
customização e novos produtos. Com 300m² o luxuoso endereço, assinado pelo
arquiteto Isay Weinfeld, é decorado com mosaico de clarabóias no teto e paisagismo
lateral (com palmeiras e pitangueiras), passando a impressão de se estar literalmente
em uma praça, inclusive com barraca de feira, que remete à origem do chinelo.
Além disso, os bancos, de tronco de madeira pequiá e o piso de pedra Goiás tornam
o ambiente bem despojado. O sistema de luz, som (há setenta caixas acústicas
escondidas no jardim e nas prateleiras) e vídeo é acionado por uma rede de sessenta
computadores.


       Os produtos para exportação ficam num contêiner. Amplo e contemporâneo,
o espaço reúne todas as principais linhas da marca em setores, com destaques para
dois: Barraca de Feira, em homenagem à origem popular das HAVAIANAS, expondo
os modelos mais tradicionais como se fossem frutas da estação; e Customização,
com as inúmeras possibilidades de combinações entre solas, tiras e pins. Existe
ainda um corner com as opções infantis, expostas em um display em formato de
quebra-cabeça. O visitante pode encontrar toda a linha das sandálias (são mais de
500 modelos, inclusive, os destinados apenas à exportação), desde a mais simples
até uma customizada com cristais Swarovski, que custa em torno de R$ 250. Além
da recém-lançada coleção de bolsas e também toalhas, chaveiros, pins e meias. O
visitante pode também conhecer a história e evolução da marca em um cubo vidro
(onde repousa o primeiro modelo da sandália criado em 1962), ou nas paredes, onde
frases e informações explicam a trajetória e o desenvolvimento da marca ao longo dos
seus 48 anos de existência. O visitante pode inclusive customizar as sandálias. Há uma
tela no balcão, onde o produto criado é fotografado e assinado, depois é arquivado
na biblioteca virtual.




                                                       UNIDADE IV 119
                                                                   - TENDÊNCIAS DE MARKETING   119
CAMPANHAS QUE FIZERAM HISTÓRIA



                A qualidade do produto, a estratégia de marketing e a campanha publicitária
         baseada em depoimentos de gente famosa usando as tradicionais sandálias, trouxeram
         vida para a marca, ainda que ela dispensasse maiores apresentações. Quem primeiro
         apresentou o produto, por muitos anos, foi o humorista Chico Anysio com o slogan
         “Não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras”. Na década de 90, ele voltou em um
         dos anúncios do lançamento das HAVAIANAS TOP proclamando “Isso é amor antigo”.
         A simbiose entre o produto e o artista foi tão grande que houve tempo em que se
         acreditava ser ele o dono da empresa. Saiu Chico Anysio e entrou Thereza Collor.
         “Todo mundo usa Havaianas” era o tema da campanha, que foi ao ar logo depois
         com o ator Luis Fernando Guimarães. Ele flagrava personalidades como Vera Fisher,
         Malu Mader, Maurício Mattar e o jogador Bebeto usando as sandálias. Na televisão,
         a popularidade de Carolina Ferraz caiu ao tirar suas HAVAIANAS. Cristiana Oliveira ia
         tirando as peças de sua indumentária para descobrir o responsável pelos miligramas
         a mais que a balança quebrada não acusava. Em outro filme uma fã quase descobre
         Fábio Assunção disfarçado na praia através de suas sandálias. Pouco depois, um garoto
         beijava as sandálias de Rodrigo Santoro pensando serem de Luana Piovani; outro
         pedia as HAVAIANAS da Déborah Secco para fazer traves de gol. Marcos Palmeira,
         Raí, Popó, Luma de Oliveira e Reinaldo Gianechini também apareceram nas telinhas
         em divertidas situações relacionadas à marca. Uma coisa é certa: objeto de desejo, as
         HAVAIANAS têm glamour, personalidade e estilo. Básicas, irresistíveis, imprescindíveis,
         elas serão eternas enquanto durarem. Suas famosas campanhas publicitárias impressas
         são cheias de humor, cores e uma linha criativa alegre como podemos observar nas
         imagens abaixo.




120   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
OS SLOGANS



•	 Havaianas, todo mundo usa. (1994)

•	 Legítimas só Havaianas.

•	 Havaianas, As Legítimas. (1970)



DADOS CORPORATIVOS



•	 Origem: Brasil

•	 Lançamento: 14 de junho de 1962

•	 Criador: São Paulo Alpargatas S.A.

•	 Sede mundial: São Paulo, Brasil

•	 Proprietário da marca: São Paulo Alpargatas S.A

•	 Capital aberto: Não

•	 Presidente: Márcio Luiz Simões Utsch

•	 Diretora Divisão de Sandálias: Carla Schmitzberger

•	 Faturamento: R$ 1 bilhão (estimado)

•	 Lucro: Não divulgado

•	 Valor da marca: R$ 355 milhões (2009)

•	 Loja oficial: 2 (franquias + 100)

•	 Produção: 186.9 milhões/pares

•	 Presença global: 63 países

•	 Maiores mercados: Brasil, Estados Unidos, França e Austrália

•	 Segmento: Calçados


                                               UNIDADE IV 121
                                                           - TENDÊNCIAS DE MARKETING   121
•	 Principais produtos: Sandálias

                •	 Ícones: As próprias sandálias

                •	 Slogan: As legítimas.

                •	 Website: http://www.havaianas.com.br/



                O VALOR



                Segundo a consultoria BrandAnalytics/Millward Brown, somente a marca
         HAVAIANAS está avaliada em R$ 355 milhões, ocupando a posição de número 37 no
         ranking das marcas mais valiosas do Brasil



                A MARCA NO MUNDO



                A marca, que possui participação de 80% no mercado brasileiro de chinelos
         de borracha, comercializa aproximadamente 187 milhões de sandálias anualmente,
         das quais mais de 13% para 63 países dos cinco continentes (da França ao Japão, de
         Honduras ao Congo), podendo ser encontrada em mais de 200 mil pontos de venda. A
         marca mantém duas lojas oficiais (ambas localizadas na cidade de São Paulo), além de
         possuir mais de 100 unidades franqueadas, a grande maioria localizada no estado de
         São Paulo. As exportações chegam a 20 milhões de pares (somente nos Estados Unidos
         está presente em 1.700 pontos de vendas). Atualmente a HAVAIANAS é a 4ª marca
         mais lembrada da América Latina, representando quase 50% do faturamento (R$ 2
         bilhões) da Alpargatas São Paulo. A cada três brasileiros, dois em média consomem
         um par de HAVAIANAS por ano. Sua linha de produtos inclui, além dos chinelos de
         borracha, bolsas de lona, toalhas de algodão, chaveiros, pingentes para celulares,
         imãs para geladeira, meias e os novos calçados casuais.




122   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
VOCÊ SABIA?



        •	 Na fábrica de Campina Grande (Paraíba), são produzidos mais de seis pares
              de sandálias HAVAIANAS por segundo. Desde seu lançamento as sandálias
              já venderam 3.5 bilhões de pares.

        •	 No exterior a sandália é chamada de flip flop HAVAIANAS.




   * Fontes: As informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Veja, Exame,

Época Negócios e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing) e Wikipedia (informações

                                                     devidamente checadas).

                                               Última atualização em 30/11/2010

               Retirado do link: http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/havaianas-as-legtimas.html




                                                                                   UNIDADE IV 123
                                                                                               - TENDÊNCIAS DE MARKETING          123
TESTE SEU CONHECIMENTO




124   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
UNIDADE IV 125
            - TENDÊNCIAS DE MARKETING   125
126   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
UNIDADE IV 127
            - TENDÊNCIAS DE MARKETING   127
RESPOSTAS COMENTADAS


         1.	 d)
         2.	 d)
         3.	 a)
         4.	 d)
         5.	 d)
         6.	 c)
         7.	 c)
         8.	 a)
         9.	 e)
         10.	 a)




128   UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
REFERÊNCIAS


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Edición electrónica. Texto completo en www.eumed.net/libros/2006a/mfnb/, 2006.

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                                                             129          REFERÊNCIAS   129
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         WEINSTEIN, A. Segmentação de Mercado. Ed. Atlas, São Paulo, 1995.




130   REFERÊNCIAS
Agradecimento          especial     ao    Mundo         das   Marcas     por     propor     uma
interação prática entre conceitos e teorias através de estudos de casos de
grandes empresas. Links relacionados na íntegra pelo Mundo das Marcas:



Guaraná Antarctica

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/06/guaran-antarctica-original-do-
brasil.html

Omo

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/omo-lava-mais-branco.html

Kopenhagen

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/kopenhagen-os-mais-finos-
chocolates.html

Havaianas

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/havaianas-as-legtimas.html




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Marketing

  • 1.
    MARKETING Prof. Ms. Marcus Saldanha da Gama Guedes Nogueira 1* * Docente Marcus Saldanha da Gama Guedes Nogueira é Bacharel em Marketing pelo Centro Universitário da Cidade (1999) e Licenciado em Letras com habilitação em Língua Inglesa pela Universidade Braz Cubas (2011). Possui especialização em Administração Industrial pela EMBRAER / INPG (2001) Especialização MBA Executivo em Gestão Empresarial pelo INPG (2005) e é Mestre em Semiótica, Tecnologia da Informação e Educação pela Universidade Braz Cubas (2007). Com experiência de mais de 10 anos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte exercendo cargos de Gerência de Marketing. Atualmente é Empresário e Analista de Mercado. Seguindo a carreira acadêmica atua no momento como Professor da Universidade Braz Cubas em Mogi das Cruzes-SP e como Professor da Unisuz em Suzano-SP.
  • 3.
    SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 7 INTRODUÇÃO 9 UNIDADE I DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 11 1.1  ORIGEM DO MARKETING 12 1.1.1  A ERA DA PRODUÇÃO 14 1.1.2  A ERA DE VENDAS - ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO 15 1.1.3  A ERA DO MARKETING 17 1.1.4  A ERA DO RELACIONAMENTO 19 1.2  CONCEITO DE MARKETING 20 1.2.1  CARACTERÍSTICAS DO MARKETING DE NEANDERTAL 22 1.3  SEGMENTAÇÃO DE MERCADO 26 1.4  NÍVEL DE SEGMENTAÇÃO DE MERCADO 28 1.4.1  MARKETING DE MASSA 28 1.4.2  MARKETING DE SEGMENTO 28 1.4.3  MARKETING DE NICHO 29 1.4.4  MARKETING LOCAL 29 1.4.5  MARKETING INDIVIDUAL 29 1.4.5.1  VANTAGENS DA SEGMENTAÇÃO E DO MARKETING DIRECIONADO 30 1.4.5.2  PROCEDIMENTO PARA SEGMENTAÇÃO DE MERCADO 31 1.4.5.3  BASES PARA SEGMENTAÇÃO DO MERCADO 32 1.4.5.3.1  SEGMENTAÇÃO GEOGRÁFICA 33 1.4.5.3.2  SEGMENTAÇÃO DEMOGRÁFICA 33 3 SUMÁRIO 3
  • 4.
    1.4.5.3.3  SEGMENTAÇÃO PSICOGRÁFICAOU SOCIOECONÔMICA 33 1.4.5.3.4  SEGMENTAÇÃO COMPORTAMENTAL 34 1.4.5.3.5  SEGMENTAÇÃO POR MULTIATRIBUTOS 34 1.4.5.3.6  SEGMENTAÇÃO BASEADA EM COMPORTAMENTO DE COMPRA 34 1.4.5.3.7  SEGMENTAÇÃO DOS MERCADOS INTERNACIONAIS 34 1.4.5.3.8  SEGMENTAÇÃO DE INTERMERCADO 35 1.4.5.4  REQUISITOS PARA UMA SEGMENTAÇÃO EFICAZ 35 1.4.5.5  COLETA DE DADOS PARA A SEGMENTAÇÃO 36 1.4.5.5.1  FONTES INTERNAS DE DADOS 36 1.4.5.5.2  FONTES EXTERNAS DE DADOS 36 1.5  ESCOLHA DE MERCADOS-ALVO (TARGET MARKET) 36 1.5.1  COBERTURA ESPECIALIZADA DO MERCADO 38 1.5.2  COBERTURA AMPLA DE MERCADO 39 1.6  DIFERENCIAÇÃO E POSICIONAMENTO DA OFERTA 40 1.6.1  ESTRATÉGIAS DE POSICIONAMENTO 41 1.6.2 DIFERENCIAÇÃO 42 1.7  MUNDO DAS MARCAS - CASE GUARANÁ ANTARCTICA 44 UNIDADE II MARKETING MIX 57 2.1  MIX OU COMPOSTO DE MARKETING 58 2.1.1 PRODUTO 58 2.1.1.1  DECISÕES SOBRE O COMPOSTO DE PRODUTOS 61 2.1.2 PREÇO 62 2.1.3  PONTO DE VENDA 65 2.1.3.1  TIPOS DE CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO 66 2.1.4 PROMOÇÃO 67 2.2  MARKETING DE SERVIÇOS 69 2.3  MUNDO DAS MARCAS - CASE OMO 73 4 SUMÁRIO
  • 5.
    UNIDADE III AMBIENTE DEMARKETING 83 3.1  AMBIENTE DE MARKETING 84 3.1.1  O MICROAMBIENTE 85 3.1.1.1  A EMPRESA 86 3.1.1.2  OS FORNECEDORES 86 3.1.1.3  OS INTERMEDIÁRIOS 86 3.1.1.4  OS CLIENTES 87 3.1.1.5  OS CONCORRENTES 88 3.1.1.6  OS PÚBLICOS 88 3.1.2 MACROAMBIENTE 89 3.1.3  AMBIENTE DEMOGRÁFICO 89 3.1.3.1  AMBIENTE ECONÔMICO 90 3.1.3.2  AMBIENTE NATURAL 90 3.1.3.3  AMBIENTE TECNOLÓGICO 91 3.1.3.4  AMBIENTE POLÍTICO 91 3.1.3.5  AMBIENTE CULTURAL 92 3.2  MUNDO DAS MARCAS - CASE KOPENHAGEN 93 UNIDADE IV TENDÊNCIAS DE MARKETING 107 4.1  TENDÊNCIAS DE 2011 107 4.2  MARKETING 3.0 110 4.2.1  UM MUNDO MELHOR 113 4.3  MUNDO DAS MARCAS - CASE HAVAIANAS 114 REFERÊNCIAS 129 5 SUMÁRIO 5
  • 7.
    APRESENTAÇÃO Olá, eu sou o professor Marcus Saldanha da Gama Guedes Nogueira. Possuo graduação em Marketing pelo Centro Universitário da Cidade (1999), Especialização em Administração Industrial pela EMBRAER / INPG (2001) Especialização MBA Executivo em Gestão Empresarial pelo INPG (2005) e sou Mestre em Semiótica, Tecnologias de Informação e Educação pela Universidade Braz Cubas (2007). Tenho experiência de mais de 10 anos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte exercendo cargos de Gerência de Marketing. Atualmente sou empresário, analista de mercado e professor universitário. A proposta da matéria é abordar conceitos e técnicas de marketing fazendo um paralelo entre prática e teoria. Além dessa apostila, iremos estudar temas e conceitos centrais do marketing por meio de nossas teleaulas, em que o aluno assistirá a explanação do professor acerca da disciplina com muita interatividade, dinamismo e atividades rápidas como o tradicional quizz, um teste alternativo com limite de tempo visando o conhecimento do aluno sobre o bloco que acabou de encerrar e de exercícios e fóruns em mídias como a nossa plataforma on line, em que a presença virtual do aluno é importantíssima e outras mídias como o podcast, programa de rádio visando temas da atualidade e tira dúvidas dos alunos. Em todas essas mídias a participação do aluno é indispensável, pois é o conjunto dessas atividades que constrói todo o conhecimento final da disciplina. O estudo do mercado surgiu da necessidade dos industriais de administrar a nova realidade vinda da Revolução Industrial que causou uma transformação de um mercado de vendedores para um mercado de compradores. Neste estágio o marketing ainda é inseparável da economia e da administração clássica, pois inicialmente sua preocupação era puramente de logística e produtividade, para a maximização dos lucros. Até 80 anos atrás os consumidores não tinham qualquer poder de barganha e a concorrência era praticamente inexistente. Essa realidade manteve-se inalterada até o fim da Segunda Guerra Mundial quando então, reagindo ao crescimento da 7 APRESENTAÇÃO 7
  • 8.
    concorrência, administradores começarama teorizar sobre como atrair e lidar com seus consumidores. Surgiu então a necessidade de buscar o foco no consumidor e não apenas nas vendas. A apostila é dividida em quatro unidades. O primeiro aborda as origens do marketing. Faremos uma viagem pelas eras da produção, vendas, marketing e relacionamento. Nele você poderá saber como começou o conceito da disciplina e estudar os diferentes tipos de segmentação de mercado. Iremos discutir a importância da diferenciação e como a nossa empresa deve se posicionar no acirrado mercado cotidiano. Estudaremos a história do Guaraná Antarctica procurando aprender com estratégias de mercado reais usadas por grandes profissionais. No segundo capítulo iremos discorrer sobre o marketing mix. O conjunto de ferramentas indispensável às atividades de marketing. Dentro de cada P, estudaremos as estratégias trabalhadas nas organizações. Produto, preço, ponto de venda e promoção se tornaram um símbolo do conceito de marketing mix. Entraremos nos conceitos e estratégias de marketing de serviços e aprenderemos na história da marca Omo como cada um desses Ps se torna fundamental para se lançar um produto novo. O terceiro capítulo trabalhará o conceito do ambiente de marketing. Estudaremos o que significa micro e macroambiente de marketing, assim como funcionam suas variáveis controláveis, semi controláveis e incontroláveis. Na história da Kopenhagen, aprenderemos que é fundamental investir em novos conceitos, tecnologias e principalmente no consumidor dentro de diversos nichos, para poder ter resultados satisfatórios e atender as demandas de um mercado mutante e globalizado. No quarto capítulo estudaremos as novas tendências do marketing. As passagens do marketing 1.0, para o marketing 2.0 e agora para o conceito do marketing 3.0. Na história da marca Havaianas, você irá ter uma aula prática do que uma marca precisa para poder se manter atual. Desejo a todos um bom estudo, e lembro que estarei à disposição de todos na plataforma para poder esclarecer qualquer dúvida pertinente a matéria. Boa sorte! 8 APRESENTAÇÃO
  • 9.
    INTRODUÇÃO No atual contexto econômico em que o mundo se encontra a competitividade entre as empresas se acirra a cada dia. Em decorrência deste fato, passou-se a existir uma preocupação maior com a gestão de serviços e a comunicação com o mercado. O marketing tem papel fundamental nessa questão. Por incrível que pareça, muitas empresas hoje no Brasil não sabem ainda o real significado da palavra marketing. Podemos definir marketing através de sua própria nomenclatura em inglês. Começamos com o verbo to mark que significa marcar. Logo, continuamos com mar- ket que quer dizer mercado e então colocamos uma ação na palavra ao acrescentar as letras ing, como assim manda a língua inglesa. Logo temos a seguinte frase: ação de marcar o mercado. MARK – ET – ING Marcar – Mercado – Ação de marcar mercado Para Las Casas (2004) é por aí que podemos entender essa disciplina tão im- portante nos dias atuais. Por volta de 1954 quando se pretendia introduzir o curso em instituição de ensino superior o marketing foi traduzido como mercadologia, ou seja, estudo de mercado. Porém, como vimos o termo em inglês significa ação no mercado, contendo uma conotação de forma dinâmica e não apenas estudo de mercado como a palavra foi traduzida. Segundo Kotler e Armstrong (2007) algumas pessoas ainda fazem confusão com o termo ao relacioná-lo com propaganda e vendas. Marketing não é propaganda, embora a propaganda seja uma ferramenta valiosa do mix de marketing. Marketing 9 INTRODUÇÃO 9
  • 10.
    também não évendas. Grande parte de todo o processo decisório e implantação do planejamento de marketing está ligada intrinsecamente com venda de produtos e serviços. Entretanto, o marketing está direcionado nas necessidades do comprador e as vendas nas necessidades do vendedor. A venda está preocupada com a necessidade de o vendedor transformar o seu produto em dinheiro. O marketing está interessado na ideia de satisfazer às necessidades do consumidor por meio de um produto que contém um conjunto de valores e o diferencie da concorrência. É com a preocupação e o foco nas necessidades do consumidor que o marketing baseia-se em nortear os rumos das empresas vislumbrando um futuro relacionamento com o consumidor. De acordo com Boone e Kurtz (2009) atualmente, a exposição de todos os in- divíduos ao marketing tem sido intensa e acontece a quase todo o momento. É fácil constatar isso cotidianamente. Ao caminharmos pelas ruas vemos cartazes, placas, letreiros e etc. Em casa, no carro ou no trabalho, escutamos rádio, assistimos tele- visão, falamos com nossos amigos e parentes por meio do celular e nos conectamos a internet. Nos escritórios e consultórios, pessoas recebem visitas de representantes e consultores, solicitam fornecedores e realizam negócios, acordos e parcerias. Tudo isto é alguma parte do marketing. Na verdade, nós fazemos marketing o tempo todo. O ser humano quer ser bem visto pela sociedade. Todos nós passamos uma imagem para o outro. O nosso corpo e as nossas atitudes também são veículos que passam mensagens para sociedade. Fazemos marketing quando nos vestimos, quando falamos, por meio dos lugares que freqüentamos, com os amigos que temos, com a nossa família e até quando estamos namorando. Nós somos o produto mais valioso do composto de marketing. 10 INTRODUÇÃO
  • 11.
    1 UNIDADE I DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS OB J ETIVOS D A UN ID A D E • Estudar o real significado da palavra marketing e a importância da sua aplicação no mercado; • Estimular o senso crítico do aluno acerca da prática e teoria do marketing; • Entender a diferença entre marketing e vendas; • Descrever os critérios necessários para uma segmentação eficaz; • Identificar os passos do processo de segmentação de mercado; • Resumir os tipos de estratégias de posicionamento. HAB ILIDADE S E C O MP E T Ê N C IA S • Capacidade de entender os conceitos básicos do marketing e da gerência de produtos; • Reflexão crítica sobre o conceito de marketing e sua prática empresarial. 11 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 11
  • 12.
    1.1  ORIGEM DO MARKETING Para Kotler e Armstrong (2007) o marketing se confunde com a história do comércio no mundo. O comércio entre os povos, ou na forma de troca de mercadorias (escambo) ou envolvendo produtos valiosos, teve início praticamente ao mesmo tempo em que a própria sociedade ia se formando. No começo o objetivo era satisfazer a necessidade de sobrevivência sendo totalmente baseado em uma relação de troca. Trocava-se uma pele curtida por dois porcos, escravos por animais, vasos por armas, e assim por diante. O que se tinha sobrando, trocava-se pelo que faltava. As trocas também se davam somente no nível familiar e não havia uma organização formal para sua efetivação. Com a formação das vilas e povoados começaram a surgir pequenas feiras. Uma forma mais formal de comércio, mas que ainda era personalizada pelos próprios produtores que iam trocar as mercadorias que produziam. Uma característica deste período é que ainda não se precisava de vendedores. O escambo 12 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
  • 13.
    Com a evoluçãoda sociedade apareceram as chamadas Grandes Civilizações como: Egípcia, Grega e Romana. Além disso, surgiram grandes cidades que necessitavam aumentar sua estrutura, típica de uma grande metrópole, como lojas, armazéns, padarias, etc. Outras necessidades mais sofisticadas também começaram a fazer parte da conjuntura econômica da época, requeridas pelas classes dominantes em cada cultura, como os Faraós, suas famílias e sacerdotes, os Imperadores, Senadores e senhores do poder. Toda uma classe de ricas famílias, celebridades, políticos e figuras importantes se manifestavam em busca de mais serviços e produtos que atendessem suas necessidades. Iniciou-se então um forte intercâmbio de mercadorias entre as várias partes do velho mundo e a Ásia, especialmente o Egito. Todas as mercadorias eram transportadas por caravanas ou por povos navegadores como os Fenícios. Podemos considerar estes como os primeiros vendedores de fato, comprando e vendendo mercadorias de um lado para o outro. Para Boone e Kurtz (2009) com o surgimento do dinheiro e o avanço da tecnologia o estudo do mercado tornou-se realidade para as empresas que pretendiam conservar seus consumidores. O mundo dos negócios, cada vez mais desenvolvido, gerou a necessidade de melhor conceituar o marketing, explicando sua origem. O conceito de marketing teve sua evolução dividida em quatro fases: • Era da produção (demanda maior que a oferta); • Era das vendas (dando os primeiros sinais de excesso de oferta, os produtos acumulavam-se em estoques); • Era do marketing (a partir de 1950 quando os empresários perceberam que a venda a qualquer custo não era uma forma correta, teriam que conquistar o cliente); e • Era do relacionamento. Essa evolução do conceito da disciplina foi fundamental para avaliar os benefícios e a importância que o marketing exerceu e ainda exerce nas empresas que aplicam o conceito da maneira correta. 13 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 13
  • 14.
    1.1.1  A ERA DA PRODUÇÃO Para Boone e Kurtz (2009), as atividades na era da produção até então consideradas como “vendas” eram praticamente neutras, pois a grande questão para as empresas estava na produção e não na venda. Isso durou de 1600 a 1899, cujo foco fundamental era a produção de mercadorias ou serviços em escala crescente que possibilitasse redução de custos, apoiada em fabricação seriada e padronizada. Uma vez que os meios modernos de produção de massa começaram a se desenvolver, ao longo da Revolução Industrial do século XIX, na época em que o essencial dos bens e dos serviços produzidos pelas empresas era de primeira necessidade (alimentação, vestuário, utensílios), percebia-se que era mais difícil fabricá-los do que encontrar compradores. Desta forma, mais do que simples métodos de venda, os administradores das empresas se interessam em primeiro lugar, pela melhoria das técnicas de produção, depois pela aquisição dos meios financeiros e econômicos necessários para manter as ferramentas produtivas e aperfeiçoar os métodos de organização do trabalho. Assim, os grandes diretores de empresa, especialmente no século XIX, foram grandes inventores, técnicos, grandes financeiros e organizadores. Segundo Boone e Kurtz (2009), nessa época a empresa era vista pelos seus diretores como um agente de produção, rodeada em primeiro lugar de fornecedores de capitais e de matérias-primas, e em segundo lugar de concorrentes e, por fim, de clientes potenciais que, aos olhos dos seus dirigentes giravam à volta da própria empresa. Nesta era, o marketing no seu real sentido de hoje, era considerado uma atividade sem importância, menor e pouco relevante, em que o engenheiro ou o homem das finanças estava muito acima do gestor comercial. Além disso, a procura era maior que a oferta e os consumidores estavam ávidos por produtos e serviços. 14 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
  • 15.
    1.1.2  A ERA DE VENDAS - ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO “Propaganda e vendas criativas ultrapassarão a resistência do consumidor e irão convencê-lo a comprar” Dinheiro e necessidade de consumo A necessidade dos industriais de administrar a nova realidade oriunda da Revolução Industrial do século XVIII, que causou uma transformação de um mercado de vendedores para um mercado de compradores fez com que a era de vendas deixasse a sua marca na história do marketing. Nesse ponto os consumidores ainda não tinham qualquer poder de barganha e a concorrência era praticamente inexistente. Para Boone e Kurtz (2009) conforme as técnicas de produção nos Estados Unidos e na Europa tornaram-se mais sofisticadas, a produção cresceu desde a década de 1920 até o começo da década de 1950. Como resultado, fabricantes começaram 15 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 15
  • 16.
    a aumentar suaênfase em forças de vendas efetivas para encontrarem consumidores para a sua produção. Nessa era, empresas tentaram igualar sua produção com o número potencial de consumidores que iriam querer. Empresas com uma orientação para vendas presumem que consumidores resistirão a comprar serviços não essenciais e a tarefa da propaganda e venda pessoal é convencê-los a fazê-lo. Apesar dos departamentos de marketing terem começado a sair das sombras da produção, das finanças e da engenharia durante a era de vendas, a tendência era ficarem em posições subordinadas. Muitos executivos de marketing já tinham nessa época seus gerentes de vendas. Mas, vender como já vimos não significa fazer marketing. O professor de marketing Theodore Levitt, destaca a real diferença entre um assunto e outro. Segundo Levitt (2008) “o primeiro negócio de qualquer negócio é continuar no negócio. Para tanto, é preciso gerar e manter consumidores”. Disse Levitt sobre a distinção entre vendas e marketing, pedra fundamental de sua tese: A diferença entre marketing e vendas é mais do que semântica, Vendas têm seu foco nas necessidades do vendedor, marketing nas do comprador. Vendas preocupam-se com a necessidade do vendedor de converter seu produto em dinheiro; marketing preocupa-se com a ideia de satisfazer as necessidades do consumidor com o produto. De acordo com Boone e Kurtz (2009) a venda constitui apenas um dos muitos componentes do marketing. No mundo dos negócios, venda pessoal refere-se à comunicação de informações para persuadir um prospect (cliente em potencial) a comprar algo. Esse algo pode ser um bem, um serviço, uma ideia ou outra coisa que atenda suas necessidades individuais. O marketeiro, como assim chamamos o profissional de marketing, de uma forma rápida, é a pessoa responsável pelas pesquisas sobre um produto ou serviço, estuda o mercado alvo, estabelece o preço baseado em diversos fatores do negócio, coloca marca nos produtos e serviços, desenvolve e analisa campanhas além de ajudar o pessoal de vendas a entender a proposição única de valor para cada produto ou serviço. Este conceito nos remete ao caráter estratégico do marketing, que é a inteligência da atividade comercial. 16 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
  • 17.
    1.1.3  A ERA DO MARKETING A partir de 1950 “O consumidor domina. Encontre uma necessidade e a satisfaça” O alvo - símbolo do marketing Segundo Boone e Kurtz (2009) a realidade da era de vendas manteve-se inalterada até fins da Segunda Guerra Mundial quando, então reagindo ao crescimento da concorrência, mercadólogos começaram a teorizar sobre como atrair e lidar com seus consumidores. Os primeiros estudos nos anos 40 sobre o marketing vieram com trabalhos como o de Walter Scott, sobre a aplicação da psicologia na propaganda e o de William J. Reilly sobre as Leis de Gravitação do Varejo. O ponto crucial era se as teorias de mercado podiam ou não se desenvolver. Alguns autores como Roland Vaile e outros afirmavam que nunca seria possível desenvolver uma teoria mercadológica genuína, pois achavam o marketing extremamente subjetivo. 17 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 17
  • 18.
    Outros autores comoBartels começavam a admitir que existia uma potencialidade para a teoria mercadológica se tornar uma ciência. Em 1954, pelas mãos de Peter Drucker, o pai da administração polêmica, ao lançar seu livro “A Prática da Administração”, o marketing é colocado como uma força poderosa a ser considerada pelos administradores. Segundo Kotler e Armstrong (2007) em 1960 com Theodore Levitt, professor da Harvard Business School, se iniciou um processo de transformações. Assim como vimos ao diferenciar marketing de vendas, Levitt, em seu artigo na revista Harvard Business Review intitulado “Miopia de Marketing”, revelou uma série de erros de percepções, mostrando a importância da satisfação dos clientes e modificou para sempre o mundo dos negócios. O vender a qualquer custo deu lugar à satisfação garantida. Logo após este período houve um renascimento de poderosas marcas como: Coca-Cola, Sears, Marlboro, etc.. Depois desse fato começaram a borbulhar artigos científicos sobre o marketing. As estratégias eficientes foram separadas dos “achismos” e viu-se a necessidade de um estudo sério do mercado. Em 1967, Philip Kotler, considerado até hoje o pai do marketing, lança a primeira edição de seu livro “Administração de Marketing”, onde se consolidou as bases daquilo que até hoje forma a concepção do marketing. P RO F E SSO R SA L D A NHA F A LA ... No dia 8 de Maio é comemorado o aniversário do profissional de marketing!!! 18 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    Para Kotler eArmstrong (2007) cada vez mais o marketing se tornava presente na sociedade. Na década de 1970 surgiram departamentos e diretorias de marketing em todas as grandes empresas americanas. Não se tratava mais de uma boa ideia, mas de uma necessidade de sobrevivência diante de um mercado competitivo. Nesta época se multiplicam os supermercados, shoppings centers e franchises. Na década de 80 surgiram mais autores que usavam as técnicas mercadológicas como tema de literatura que logo caíram no anonimato e outros como Al Ries por definir o conceito de posicionamento, Jay Conrad Levinson por conceituar o marketing de guerrilha e Masaaki Imai pai do Kaizen que ganharam reconhecimento no mundo dos negócios e reputação por suas ideias e abordagens originais. 1.1.4  A ERA DO RELACIONAMENTO Para Kotler (2005), na década de 90 o avanço da tecnologia trouxe um forte impacto no mundo do marketing. Um dos pontos fundamentais para que isso acontecesse foi o comércio eletrônico, que fez uma revolução na logística, distribuição e formas de pagamento dos produtos e serviços. Uma ferramenta chamada CRM (Customer Relationship Management) e os serviços de atendimento ao consumidor, entre outras inovações, tornaram possível uma gestão de relacionamento com os consumidores em larga escala. E como se isso não fosse o suficiente a Internet chegou como uma nova via de comunicação. A realidade do marketing já se fazia presente e estudiosos do mercado começaram a afunilar os conceitos da disciplina. Com isso surgiram o maximarketing de Stan Rapp, o maketing 1 to 1, da Peppers Rogers Group, o aftermarketing de Terry G. Vavra e o marketing direto de Bob Stone. Outro fato marcante do período foi o fortalecimento do conceito de marketing societal, que vem fazendo com que cada vez mais empresas se preocupem com o bem-estar da sociedade. A satisfação do consumidor e a opinião pública passaram a estar diretamente ligadas à participação das organizações em causas sociais e a responsabilidade social transformou-se numa vantagem competitiva fundamental diante dos consumidores. 19 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 19
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    Segundo Kotler eArmstrong (2007) com a virada do milênio, novos fatos foram se sucedendo e fez com que a atividade de marketing ganhasse adeptos de todas as áreas responsáveis pelo consumo de bens e serviços. A segmentação da televisão a cabo, a popularidade da telefonia celular e a democratização dos meios de comunicação especialmente via Internet agilizaram a comunicação global fazendo com que surgisse uma infinidade de pesquisas e publicações sobre web marketing e comércio eletrônico. Isso revolucionou tanto a logística como a oferta de produtos e o cliente passou a ter informações sobre as organizações além de um poder de barganha nunca antes visto. Era de se esperar que isso influenciasse a maneira com a qual os consumidores interagiam com as empresas e entre si. A mídia espontânea, conseguida por esforços de assessoria de imprensa, relações públicas e marketing social, começam a tomar o espaço da propaganda tradicional. Assim se fizeram presentes o marketing de permissão, de Seth Godin, a conceitualização do marketing boca-a-boca por George Silverman e a explosão do buzz marketing e do marketing viral, por autores como Russell Goldsmith e Mark Hughes. 1.2  CONCEITO DE MARKETING Quando falamos do conceito de marketing, não estamos falando de uma simples definição, mas de vários enfoques que, no seu conjunto criam uma visão ampla sobre as funções do marketing moderno no universo da empresa, produto e mercado. Como vimos na introdução, se formos desmembrar a palavra marketing nós temos: MARK – ET – ING Marcar – Mercado – Ação de marcar mercado 20 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    De acordo comMcKenna, (1998), marketing é uma atividade que deve ser praticada desde o recepcionista à gerência sênior, desde o faxineiro até o dono ou CEO da empresa. O marketing é de responsabilidade da empresa como um todo. McKenna também acrescenta que o verdadeiro objetivo do marketing é ganhar o mercado a longo prazo tornando o relacionamento com o consumidor um elo importantíssimo para toda e qualquer organização. Segundo Drucker (1997) marketing é a única função e somente essa, a função da empresa. Ele também se posiciona no sentido de que o objetivo do marketing é tornar a venda supérflua. Dessa forma, o marketing deve compreender tão bem as necessidades do cliente, que o produto, ou serviço, se ajusta às necessidades do consumidor e se vende por si mesmo. Para Kotler (2005) o marketing apresenta duas visões. Uma com uma abordagem social e outra com uma abordagem gerencial. A abordagem social define marketing como um processo em que indivíduos ou grupos obtêm aquilo que querem e atendem suas necessidades por meio da criação, oferta e troca de produtos além de serviços livremente com outras pessoas. Na abordagem gerencial, ele começa com uma descrição genérica, como a arte de vender produtos e mais tarde define gerenciamento de marketing como a arte e a ciência de aplicar os conceitos fundamentais de comercialização, escolhendo o mercado alvo e visando obter, manter e aumentar o número dos clientes por meio da criação, entrega e transmissão aos próprios consumidores, de um valor superior na prestação de serviços integrados. Atualmente, os conceitos relacionados ao marketing e principalmente as suas aplicações estão tendo uma evolução rápida, gerando em seu progresso um marketing de alta qualidade, de primeira, segunda, terceira e quarta geração, incluindo estratégias novas como: marketing de guerrilha, maxi-marketing, marketing de serviços, marketing de relacionamento, marketing viral, o marketing de nichos, e assim por diante. 21 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 21
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    Dentro do marketing,Philip Kotler é sinônimo de qualidade. Na literatura mercadológica são poucas às vezes em que um autor vira sinônimo da sua especialidade com tamanha dimensão. Philip Kotler foi eleito o primeiro líder no ensino de marketing pela Associação Americana de Marketing. Suas pesquisas mantêm o foco em marketing estratégico, internacional, de empresas, social, para organizações culturais, hotelaria, turismo e marketing de lugares, marketing e desenvolvimento econômico. Para Kotler e Armstrong (2007) é importante frisar características que não correspondem as atividades de marketing para que enfim possamos entender o conceito da disciplina. Kotler classifica de marketing de neandertal, em alusão aos homens das cavernas, alguns conceitos que estão ultrapassados e são usados ainda insistentemente por algumas organizações que não tem noção do que a disciplina representa. 1.2.1  CARACTERÍSTICAS DO MARKETING DE NEANDERTAL • Equiparar marketing a vendas; • Equiparar marketing a publicidade e propaganda; • Enfatizar a conquista de clientes e não a manutenção dos mesmos; • Tentar lucrar em cada transação em vez de lucrar gerenciando o valor do tempo de vida de um cliente; • Elevar preços com base em markup (porcentagem do custo ou preço de um produto acrescentado ao custo para obter o preço de venda) em vez de determinar preços por metas; • Planejar cada ferramenta de comunicação separadamente em vez de integrá-las; • Vender o produto em vez de tentar compreender e atender às reais necessidades dos clientes. 22 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    De acordo comKotler e Armstrong (2007) as empresas inteligentes estão valorizando seu conhecimento a respeito dos hábitos de compra do cliente e as tecnologias de conexão com o mesmo, além da compreensão dos seus fatores demográficos, econômicos, culturais, naturais e políticos. O novo conceito de marketing consiste em convidar o cliente a participar do projeto do produto. O cliente dirá à empresa o que ele quer e anunciará o produto e serviço da organização para outros possíveis clientes. As novas empresas estão prontas para tornar seus produtos, serviços e condições mais flexíveis, fazendo uso de meios de comunicação mais direcionados, integrando suas atividades de marketing para transmitir uma mensagem mais coerente e sustentável para os consumidores. A essência do marketing atual é a apresentação da evolução do tradicional conceito de marketing, fazendo uso dos 4 P’s, que veremos no próximo capítulo, à uma nova abordagem, que amplia o mix de marketing e a visão dos administradores. O novo mix de marketing, segundo os autores é composto por: • Sensibilidade ao consumidor – Postura do empregado, atendimento ao cliente e resposta aos clientes; • Produto – Qualidade, confiabilidade e características do produto; • Conveniência do consumidor – Disponibilidade para o consumidor, conveniência do consumidor e vendas; • Serviço – Serviços pós-venda e conveniência do consumidor na obtenção de serviços; • Preço – Preços cobrados, condições da composição de preços e ofertas de preço; • Praça – Facilidade de acesso ao produtor, unidades de produção, termos de composição de preços e disponibilidade para o consumidor; e • Promoção – Propaganda, publicidade, vendas, serviços de pré-venda e ofertas de preço. 23 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 23
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    A partir dessanova abordagem se expande a visão acerca do que representa um planejamento de marketing. Atualmente, ele precisa envolver praticamente todo mundo dentro da organização. O foco é o cliente e é preciso a união de todos para que ele não tenha problemas com a empresa. De acordo com a HSM Management (2011), McKenna, considerado a máxima autoridade do novo marketing, o futuro da disciplina, determina cinco regras básicas de uma nova maneira de agir. O autor considera todas as mudanças pelas quais o mundo passou nos últimos seis anos e suas consequências diretas nos hábitos dos consumidores. O avanço da tecnologia modificou os mercados e refutou leis há muito utilizadas para reger as atividades de marketing. As regras de condução dos negócios também são reformuladas por ela, mudando a maneira de pensar e agir das pessoas na condição de produtoras e consumidoras. Segundo a HSM Management (2011) McKenna, aponta as novas regras abaixo: • A subestrutura digital muda tudo - o novo paradigma tecnológico provoca mudanças em toda a cadeia produtiva. A estrutura digital auxilia a comunicação voltada para os negócios, mas seu maior diferencial é o acesso sem precedentes, que possibilita tanto do sistema aos clientes como no sentido inverso. A consequência é o aumento da comunicação interativa, o que leva à desmassificação dos mercados, à fragmentação do público e ao aumento da individualidade; • A fidelidade à marca desaparece – a revolução digital estimulou a infidelidade às marcas. Possibilitou uma vasta rede de distribuição capaz de gerir uma imensa variedade de produtos. Logo a escolha e o preço têm um valor maior que a marca e existe uma constante espera por novidade; • Redefine-se o conceito de imagem – a imagem vai originar-se menos dos meios de comunicação estáticos e mais das experiências interativas com os consumidores, que devem ser constantemente renovadas. Em consequência disso, a presença substitui a consciência da marca. A Internet força todos os negócios a tornarem-se serviços; 24 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    • O clientetorna-se seu próprio “marketeiro” - Estamos num mercado em que os clientes mudam mais depressa do que aqueles que estão tentando conquistá-los. Está surgindo um novo tipo de cliente e um novo tipo de relacionamento com o mesmo totalmente baseado no acesso, na interface, nos serviços incorporados e nos sistemas inteligentes de informações que operam por trás de tudo. Logo, é cada vez mais importante entender as atitudes do consumidor; e • O marketing será centrado na tecnologia da informação – são abundantes os indícios de convergência entre empresas de software e agências de publicidade. O marketing deve mudar seu foco na imagem para o foco na tecnologia da informação. Dessa forma, o novo conceito de marketing vai transformar-se em um processo de aprendizado contínuo por meio do qual a organização ganha conhecimento ao interagir com os seus consumidores e o mercado, e dessa maneira consegue estabelecer relacionamentos a longo prazo com os clientes. Todos esses focos, interpretações, teorias e práticas de marketing, podem ser considerados como complementares ou extensões e em contínua e dinâmica evolução e aplicação, assim como o mercado. Em um caso específico, por exemplo, podemos usar o marketing de serviços para se chegar a excelência no atendimento e criar um maior índice de fidelidade, mas também podemos utilizar o marketing de nichos para o posicionamento da marca e aplicar uma derivação do marketing de rede para criar uma estrutura de canais de distribuição. O fato é que atualmente temos uma “sopa de letras” e diversas expressões técnicas para lidar com novas estratégias, tecnologias e metodologias. Podemos citar entre elas o CRM - customer relationship management (gerenciamento do relacionamento de cliente), o marketing one-to-one (um-para-um), lateral marketing, marketing de rede, inbound e outbound marketing, e por aí a fora. 25 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 25
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    Para Kotler (2005)com tantos conceitos de marketing, metodologias e estratégias envolvidas, suas definições terminam sendo levadas a um conceito simples e que, aplicado com foco no posicionamento da marca e no seu público alvo, nada mais será que o uso do bom senso, intuição, experiência e conhecimento, de acordo com o produto, mercado, momento e ambiente. 1.3  SEGMENTAÇÃO DE MERCADO Segundo Kotler e Keller (2005) quando pretendemos atingir um mercado específico, necessitamos antes de tudo, traçar uma definição do que vêm a ser este mercado específico. Para isso existem alguns critérios básicos como: • Deve existir alguém com necessidade que seja satisfeita com a compra do produto; • A pessoa deve ter o poder aquisitivo para comprar o produto; e • Condições para efetuar a compra. Segmentar um mercado quer dizer, escolher um grupo de consumidores, com necessidades iguais ou parecidas, para o qual a organização poderá fazer uma oferta mercadológica. Dentro desse processo de segmentação é necessário que os fatores que afetam as decisões de compras dos consumidores sejam identificados. Dessa forma, o segmento deve ser identificável, mensurável, acessível, rentável e estável. Para Hawkins e Mathersbaugh (2007) como é muito difícil para uma empresa satisfazer todos os consumidores de um dado mercado, ou pelo menos, da mesma maneira, um único composto raramente é adequado para atender às necessidades e desejos de todo o mercado de um produto. Visando aperfeiçoar resultados e atender aos consumidores com primazia as organizações vem buscando segmentar seus mercados desenvolvendo produtos e serviços cada vez mais customizados. Essa é uma estratégia eficiente num mundo competitivo. Mas antes de definir o composto que irá satisfazer as necessidades e desejos dos consumidores é preciso entendê-los. 26 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    Assim, antes mesmoque uma empresa possa efetivamente comercializar os produtos delas com os consumidores, ela deve entender plenamente o que você quer e de uma maneira geral necessita daquele determinado produto. Contudo, o que se deseja de um produto não é o mesmo para todos em um mercado, portanto, existem diferenças reais entre as preferências de produtos. Segundo Churchill Peter (2000), segmentação de mercado é quando se divide um mercado em grupos de compradores potenciais que tenham semelhantes desejos, percepções de valores ou comportamentos de compra. Levando em conta esse conceito, podemos dizer que os mercados se diferem de várias formas como: quanto aos desejos, recursos, localidades, atitudes de compra e práticas de compra. Os mercados podem ser segmentados de várias formas, pois quando uma organização segmenta o mercado, torna-se mais fácil satisfazer suas necessidades, já que o composto de marketing será desenvolvido a partir das necessidades específicas daquele grupo. Mas quando se trata de desenvolver um composto que seja dirigido visando grandes mercados, que são formados por consumidores com diferentes necessidades, o trabalho fica bem mais difícil. Por este motivo que a segmentação do mercado facilita a empresa a desenvolver e comercializar produtos que se aproximem mais à satisfação dos desejos e necessidades de seus consumidores. De acordo com Kotler e Armstrong (2007) através da segmentação a empresa poderá fazer melhores trabalhos frente à concorrência, dedicando-se a fatias de mercado que tenham melhores condições de atender. Para isso, é preciso estimar o tamanho atual do mercado, identificar os concorrentes e suas respectivas participações e o potencial de crescimento do mercado em questão. Posteriormente, é necessário separar os consumidores em grupos, de tal maneira que a necessidade genérica a ser atendida tenha interesses específicos, que são semelhantes para os que pertencem ao mesmo grupo e diferentes dos demais grupos. Pode-se fazer essa divisão segundo critérios: geográficos, demográficos, psicográficos ou comportamentais. Os segmentos resultantes desta divisão devem ser avaliados segundo o tamanho, potencial de crescimento e atratividade, em relação aos objetivos e recursos disponíveis que a empresa tem. 27 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 27
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    1.4  NÍVEL DE SEGMENTAÇÃO DE MERCADO Conforme Kotler e Armstrong (2005) a segmentação é um esforço que visa o aumento de precisão de alvo de uma empresa. Assim, as organizações podem adotar cinco níveis: • Marketing de massa; • Marketing de segmento; • Marketing de nicho; • Marketing local; e • Marketing individual Saber definir segmentos específicos dentro do mercado para se direcionar com compostos de marketing customizados é de suma importância para as empresas, pois desta maneira a corporação ganhará vantagem competitiva frente à concorrência. 1.4.1  MARKETING DE MASSA De acordo com Weinstein (1995) a empresa se preocupa com a produção, distribuição e promoção de massa de um produto para todos os compradores. A vantagem do marketing de massa é que cria maior potencial de mercado, custos menores e automaticamente margens maiores. 1.4.2  MARKETING DE SEGMENTO Conforme Kotler (1998), um segmento de mercado é formado por um grande grupo de compradores identificáveis em um mercado. As pessoas se diferenciam em suas necessidades, desejos, poder de compra, localizações geográficas, atitudes e hábitos de compra. Sendo assim as empresas estão procurando isolar alguns segmentos 28 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    amplos que formamum mercado e personalizar seus produtos. O marketing de segmento não é tão preciso quanto o marketing individual, mas é muito mais preciso que o marketing de massa, pois é mais específico que o mesmo. 1.4.3  MARKETING DE NICHO Nicho de mercado para Kotler (2005) é o processo de direcionar-se para um segmento de mercado relativamente pequeno com um composto de marketing especializado. Trata-se de um grupo mais restrito de compradores com necessidades especiais. As empresas identificam nichos dividindo um segmento em vários subsegmentos. Os nichos de mercado são bem menores, pois as empresas dessa forma passam a conhecer bem melhor as necessidades de seus consumidores se tornando especialistas em determinado assunto. O segmento de mercado atrai vários concorrentes, já o nicho atrai um ou alguns concorrentes. 1.4.4  MARKETING LOCAL Esse tipo de marketing para Weinstein (1995) é voltado para as características regionais e locais dos consumidores e trabalham com programas e produtos preparados sob medidas, conforme a necessidade e desejos de grupos de comunidades e consumidores locais. 1.4.5  MARKETING INDIVIDUAL Acontece segundo Kotler e Armstrong (2007) quando as empresas fazem um direcionamento a consumidores individuais, visando customizar e personalizar os esforços para cada um deles. Este é o segmento mais subdividido que se possa ter. Também é conhecido como marketing one by one ou marketing um-a-um. 29 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 29
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    Dentro do marketingindividual, pode-se também trabalhar o conceito do automarketing, que é uma forma de marketing individual, em que o consumidor assume mais responsabilidade para determinar que produtos e marcas comprarem. Pode – se citar como exemplo a compra pela internet, onde o consumidor escolhe quais itens quer no seu carro ou que tipo de decoração ele quer fazer na sua casa. O consumidor desenha o carro que quer e escolhe a decoração que melhor satisfaz a sua vontade naquele tempo. Assim, assume mais responsabilidade pelo processo de decisão de marketing. Este tipo de estratégia está crescendo, pois em uma sociedade sem tempo e a crescente popularidade de opções de compras interativas, feitas em casa, como aquelas via internet, estão levando a uma maior personalização ou customização nos mercados. 1.4.5.1  VANTAGENS DA SEGMENTAÇÃO E DO MARKETING DIRECIONADO Para Kotler e Keller (2006) a segmentação e o direcionamento de mercado apresentam algumas vantagens como: • A identificação do mercado permite que a empresa saiba quem analisar nos seus esforços para entender melhor os consumidores; • Uma análise e uma compreensão detalhada do mercado permite que a empresa desenvolva e implemente um composto de marketing detalhado para as necessidades específicas do mercado; • A identificação do mercado permite que uma empresa avalie o mercado potencial para os seus produtos; • Conhecer o mercado permite às empresas identificar os produtos concorrentes no seu mercado específico e desenvolver posições competitivas; • Direcionar-se a segmentos de mercado com um composto de marketing customizado para necessidades específicas do mercado aumenta a 30 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    probabilidade de efetividadede vendas e eficiência de custo na conquista de mercado; • Definir e analisar um mercado permite que uma empresa posicione os seus produtos baseado nas necessidades e preferências avaliadas; e • Definir um mercado permite que uma empresa identifique oportunidades. 1.4.5.2  PROCEDIMENTO PARA SEGMENTAÇÃO DE MERCADO Segundo Kotler e Armstrong (2007) os procedimentos para uma boa segmentação de mercado são: 1. Levantamento: entrevistas informais e grupos de foco a fim de obter informações sobre as motivações, atitudes e comportamento dos consumidores. Em seguida é elaborado um questionário para colher dados sobre: • Atributos do produto e graus de importância; • Consciência e avaliação de marca; • Padrões de utilização do produto; • Atitudes em relação à categoria do produto; e • Aspectos demográficos, psicográficos e hábitos de mídia dos correspondentes. 2. Análise: aplicação de análise fatorial para extrair variáveis altamente correlacionadas, e em seguida, análise por conglomerado, para criar segmentos altamente diferenciados, internamente homogêneos e externamente heterogêneos. 3. Desenvolvimento de perfil: cada segmento é detalhado em suas atitudes, comportamentos, fatores demográficos, psicográficos e hábitos de mídia, associando a cada segmento um nome significativo. 31 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 31
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    1.4.5.3  BASES PARA SEGMENTAÇÃO DO MERCADO Para De Angelo e Felisone (2007) é trabalho dos profissionais de marketing encontrar o melhor método de segmentar o mercado e a forma de visualizar a estrutura do mesmo. As maneiras como os executivos segmentarão cada mercado, vão depender do tipo de produto comercializado e das exigências de cada tipo de mercado. Incontáveis maneiras para segmentar um determinado mercado podem der utilizadas, sobretudo se a empresa pensa em combinar diversas formas de segmentação com o objetivo de achar seu público alvo. Formas de segmentação do mercado: MODALIDADES CRITÉRIOS Extensão Do Mercado Potencial, Concentração Geográfica, Transporte Geográfica E Acesso, Polarização, Bairros E Ruas, Tráfego, Centros De Compras Demográfica Idade, Sexo, Domicílio, Família, Ciclo De Vida (Jovem, Adulto, Idoso) Classe De Renda, Instrução, Cupação, Status, Migração, Mobilidade Socioeconômica Social Frequencia De Compra, Local De Compra, Lealdade A Marcas, Heavy Padrões de consumo Light Users, Curva Abc Benefícios Satisfação Sensual, Prestígo Socal, Emulação-Preço Favorável, Qualidade/ procurados Durabilidade, Redução De Custos, Atendimento/Serviços Expectativas De Vida, Uso Do Tempo, Interesses Predominantes, Estilos de vida Partcipação Em Eventos E Agrupamentos Sociais, Uso Do Dinheiro, Amizades E Relações Pessoais. Personalidade Bases Culturais, Atividades E Valores, Liderança, Agentes De Mudança Setor De Atvidade, Tamanho Das Empresas, Atuação Dos Concorrentes, Caracterização Acessibilidade, Aplicações, Unidade De Decisão De Compra, Demanda econômica Derivada Fonte: Lima e Richars, 1991 32 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    1.4.5.3.1  SEGMENTAÇÃO GEOGRÁFICA Segundo Kotler e Keller (2006) requer uma divisão do mercado em diferentes unidades geográficas, como países, estados, regiões, cidades ou bairros. A segmentação divide um mercado global em grupos homogêneos. As empresas podem optar por atuar em um ou mais mercados geográficos. Na segmentação geográfica, as diferenças regionais são consideradas. As regiões geográficas podem ser usadas para segmentar mercados para esforços de marketing especializados. Geralmente a segmentação geográfica é usada em conjunto com outros descritores de segmentação. 1.4.5.3.2  SEGMENTAÇÃO DEMOGRÁFICA Para Kotler e Keller (2006) consiste em divisão do mercado em diferentes grupos, com base em variáveis demográficas. São as bases mais populares para segmentação dos grupos de consumo, pois as necessidades e desejos variam conforme as mudanças demográficas. Estas são as mais fáceis de serem avaliadas. A maioria das empresas segmenta o mercado combinando duas ou mais variáveis demográficas, por exemplo, sexo e idade. 1.4.5.3.3  SEGMENTAÇÃO PSICOGRÁFICA OU SOCIOECONÔMICA De acordo com De Angelo e Dias Fontes (2007) segmenta o mercado pelos perfis do estilo de vida dos diferentes consumidores como a classe social, a personalidade, as atitudes e a percepção. A segmentação psicográfica produz uma descrição muito mais rica de um mercado-alvo potencial do que seria possível de outro modo. Essas bases de segmentação permitem que o profissional de marketing entenda verdadeiramente o funcionamento interno de consumidores potenciais antes de desenvolver um composto de marketing dirigido para eles. 33 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 33
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    1.4.5.3.4  SEGMENTAÇÃO COMPORTAMENTAL É o melhor ponto de partida para segmentar o mercado. Para Kotler e Keller (2006) são segmentos tomando como ponto de partida seu conhecimento, atitude, uso ou resposta para um determinado produto. Estão entre estas variáveis: influência na compra, hábitos de compra, intenção de compra. 1.4.5.3.5  SEGMENTAÇÃO POR MULTIATRIBUTOS Existe também esse tipo de segmentação de mercado, que para De Angelo e Dias Fontes (2007) parte do princípio de conglomerados geográficos, que proporcionam informações mais ricas sobre os consumidores. 1.4.5.3.6  SEGMENTAÇÃO BASEADA EM COMPORTAMENTO DE COMPRA Os profissionais de marketing segundo Kotler e Keller (2006) podem segmentar o mercado de acordo com o comportamento de compra do consumidor. O comportamento de compra pode ser: prudente, impulsivo, pessimista, tradicional e confiante. A segmentação baseada no comportamento dos consumidores geralmente centra-se em alguma combinação de freqüência de uso, situação de lealdade e situação de usuário. 1.4.5.3.7  SEGMENTAÇÃO DOS MERCADOS INTERNACIONAIS Para Kotler e Armstrong (2007) podem ser segmentados através de uma única variável ou de uma combinação delas. 34 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    • Segmentação porlocalização geográfica, através de regiões; • Segmentação com bases em fatores econômicos, através de nível de renda; • Segmentação com base em fatores políticos e legais, através de estabilidade do governo, receptividade; e • Segmentação cultural. 1.4.5.3.8  SEGMENTAÇÃO DE INTERMERCADO São consumidores com hábitos semelhantes, mas em regiões diferentes. 1.4.5.4  REQUISITOS PARA UMA SEGMENTAÇÃO EFICAZ De acordo com De Angelo e Dias Fontes (2007) depois de identificado os segmentos de mercado potenciais, deveria ser feita uma análise dos mesmos. Existem diversas formas de segmentação, mas nem todas são efetivas. Para serem úteis, os segmentos precisam ser: • Mensuráveis – tende ser possível medir o tamanho, poder de compra e outras características dos segmentos. As preferências de diferenças para os produtos devem ser identificáveis e capazes de ser mensuráveis; • Substanciais - os segmentos são suficientemente grandes e/ou lucrativos; • Acessíveis - os segmentos podem ser atingidos e servidos com programas direcionados; • Diferenciáveis - os segmentos são conceitualmente distintos e respondem diferentemente a diversos programas e elementos de marketing-mix. Devem existir diferenças claras nas preferências do consumidor pelo produto; e • Acionáveis - programas eficazes podem ser formulados para atrair e servir os segmentos. 35 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 35
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    1.4.5.5  COLETA DE DADOS PARA A SEGMENTAÇÃO Segundo Mattar (2008) os dados para segmentar mercado podem ser obtidos de fontes internas e externas. 1.4.5.5.1  FONTES INTERNAS DE DADOS Constitui-se de informações sobre clientes existentes e potenciais. Essa base de dados de clientes pode ser muito valiosa. Os dados internos estão imediatamente disponíveis para as empresas e podem ser extremamente valiosos no desenvolvimento de compostos de marketing customizados. 1.4.5.5.2  FONTES EXTERNAS DE DADOS São as informações que são coletadas de empresas privadas e públicas que publicam dados valiosos para as empresas que querem segmentar seus mercados. 1.5  ESCOLHA DE MERCADOS-ALVO (TARGET MARKET) De acordo com Keller e Machado (2006) o processo de selecionar, segmentar, analisar e esboçar um perfil de um mercado potencial para melhor atingi-lo com um composto de marketing customizado é o processo de seleção do mercado alvo. O processo é composto por oito tarefas que são inter-relacionadas. 36 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    Abaixo seguem asoito tarefas: 1. Identifique o mercado total; 2. Determine a necessidade de segmentação; 3. Determine as bases da segmentação; 4. Trace o perfil de cada segmento selecionado; 5. Avalie a lucratividade potencial de cada segmento e selecione segmentos para se direcionar; 6. Selecione a estratégia de posicionamento; 7. Desenvolva e programe um composto de marketing adequado; e 8. Monitore, Avalie e Controle. Embora mostrado em sequência, na prática a ordem das tarefas varia, com algumas delas ocorrendo simultaneamente ou em ordem diferente. Os alvos são escolhidos por meio da segmentação total do mercado com base em uma determinada característica. Vale ressaltar que o processo de seleção de mercado é contínuo, isto porque os mercados são dinâmicos. • Análise de informações disponíveis sobre o mercado: database, pesquisas, dados secundários; • Hipóteses para segmentação: que fatores determinam com mais clareza os diferentes grupos de consumidores; • Avaliação dos segmentos: mensuráveis, acessíveis; em relação às características da empresa, em relação à concorrência; • Escolha de mercados-alvo. Uma vez identificadas as oportunidades de mercado-segmento, a empresa deve avaliar e decidir quantos e quais atender. 37 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 37
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    Para Kotler (2005)a avaliação dos diversos segmentos de mercado envolve 2 critérios básicos: • Atratividade do segmento - tamanho, taxa de crescimento, lucratividade, economias de escala, risco, etc. A empresa deve estar voltada para segmentos que valham a pena. Devem ser avaliados os vários fatores estruturais importantes que afetam a lucratividade; e • Objetivos da empresa e recursos disponíveis - compatibilidade entre o investimento necessário para atingir o segmento e as competências, recursos e objetivos (curto, médio e longo prazo) organizacionais. Aqui estão ligados os objetivos da empresa quanto ao mercado, se o mercado for atrativo, mas for contra os objetivos da empresa, este segmento está descartado. A empresa só deve entrar em um segmento em que possa oferecer um valor superior e ter vantagens sobre seus concorrentes, caso contrário está fadada ao fracasso. Para De Angelo e Dias Fontes (2007) mesmo que os segmentos atendam os critérios acima citados, a empresa deve entrar apenas naquele(s) em que possa oferecer valor superior. Após avaliar os diversos segmentos, a empresa precisa decidir quais e quantos atenderá, ou seja, quais serão os segmentos-alvo. 1.5.1  COBERTURA ESPECIALIZADA DO MERCADO Para Kotler e Keller (2006) a cobertura especializada do mercado esta ligada a especialização do ramo de atividade que a empresa oferece. • Especialização em segmento único - a organização focaliza seus esforços em um produto para um segmento do mercado. Através do marketing concentrado (em vez de perseguir uma pequena participação em um grande mercado, a empresa se concentra em perseguir uma grande participação em alguns poucos submercados) a empresa conhece melhor as necessidades do segmento e fortalece sua posição neste segmento. 38 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    Esse tipo deespecialização é comumente usado por empresas de pequeno porte. Caso a empresa, em virtude de seu porte ou capacidade de atendimento, opte por um segmento muito pequeno, tal estratégia é denominada marketing de nicho, a qual é particularmente adotada nos casos em que a empresa deseja atuar em segmentos mal ou não atendidos pelos concorrentes. Geralmente, a empresa conhece tão bem as necessidades destes nichos que seus clientes tendem a pagar um preço premium. Tais estratégias envolvem grandes riscos, na medida em que o segmento pode sofrer alterações repentinas de comportamento de compra, ou mesmo a ameaça de entrada de concorrentes no segmento. Por estas razões, muitas empresas preferem atuar em mais de um segmento. • Especialização seletiva - nesse tipo de especialização cada segmento escolhido é independente, cada qual gerando resultados específicos não- sinérgicos. Tal estratégia resulta na diversificação do risco, uma vez que caso um dos segmentos torne-se desinteressante, a empresa mantém seus resultados nos demais segmentos. • Especialização por produto - a organização se concentra em fazer e vender um produto específico para diversos segmentos. O risco desta escolha é a obsolescência do produto por novas invenções tecnológicas. • Especialização por mercado - aqui a empresa põe o foco em atender diversas necessidades de um grupo de clientes em particular. A principal vantagem é conquistar uma reputação forte junto a estes clientes, tornando- se o principal fornecedor para futuras necessidades destes clientes. O risco encontra-se na possibilidade de mudanças no poder de compra desses clientes. Daí a razão para o acompanhamento constante das mudanças de hábitos dos consumidores. 1.5.2  COBERTURA AMPLA DE MERCADO Segundo Kotler e Keller (2006) a empresa procura atender todos os grupos de clientes com todos os produtos que viessem a necessitar. Tal estratégia é viável apenas para grandes empresas e a cobertura ampla do mercado pode ser obtida de duas formas: 39 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 39
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    • Marketing não-diferenciado- a companhia ignora as particularidades de cada segmento de mercado, desenvolvendo um produto e um plano de marketing direcionado ao maior número possível de compradores, envolvendo distribuição e propaganda de massa. Essa estratégia pede custos menores de produção, estoque, transporte, pesquisa e propaganda, mas os riscos envolvidos são intensa competição resultante baseada em preço e insatisfação nos segmentos de mercado menores. O difícil nesse caso é criar um produto que satisfaça as necessidades de todos os consumidores. Este tipo de segmento atrai muitos concorrentes que oferecem produtos especializados a segmentos menores, cuja satisfação é maior, portanto a lucratividade passa a ser menor. • Marketing diferenciado - a organização passa a desenvolver produtos e programas de marketing específicos para cada segmento do mercado total. Marketing diferenciado normalmente gera mais vendas, mas também custos, tais como: custos de modificação do produto, custos de produção, custos administrativos, estoque e promoção. As empresas que praticam esse tipo de marketing esperam uma posição mais forte em cada segmento de mercado escolhido, bem como criam a expectativa de uma maior fidelização dos consumidores. 1.6  DIFERENCIAÇÃO E POSICIONAMENTO DA OFERTA Para Oliveira (2007) uma vez que a empresa tenha definido seu mercado-alvo, é preciso posicionar o seu produto ou serviço nesse mercado. Fazer um posicionamento de produto significa conseguir que um produto ocupe um lugar claro, distinto e desejável, em relação aos produtos concorrentes na mente dos consumidores. Para Kotler (2005), posicionamento é o ato de desenvolver a oferta e a imagem da empresa, de maneira que ocupem uma posição competitiva distinta e significativa nas mentes dos consumidores. A estratégia de posicionamento do produto é fundamental para desenvolver o composto de marketing adequado. 40 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    Na estratégia deposicionamento pressupõe-se que se identifiquem possíveis vantagens competitivas sobre as quais se deve construir a posição da empresa e da marca, a diferenciação, que pode ser obtida no produto físico (atributos, desempenho, design, estilo, etc...), nos serviços agregados, no atendimento ao cliente, ou mesmo uma marca ou imagem da empresa. Para Gonçalves, Gonçalves Filho e Reis (2006) o posicionamento da oferta é composto por um complexo grupo de percepções, impressões e sentimentos. Os profissionais de Marketing devem planejar a posição da oferta de forma que dê o maior lucro possível. Contudo, é importante identificar as diferenças que sejam realmente importantes para o consumidor, para quem resultem em benefícios percebidos, difíceis de serem copiadas pelos concorrentes, compatíveis com o poder de compra dos consumidores, e lucrativas para a empresa. Ainda segundo Gonçalves, Gonçalves Filho e Reis (2006) é perfeitamente possível posicionar um produto com base em um ou diversos fatores de diferenciação, mas o posicionamento baseado em muitos fatores de diferenciação pode gerar confusão ou descrença para o consumidor. 1.6.1  ESTRATÉGIAS DE POSICIONAMENTO Para Kotler e Armstrong (2007) por mais especializado que seja o produto, as empresas devem converter um produto indiferenciado em uma oferta diferenciada. Os profissionais podem posicionar a oferta de várias maneiras: • Atributos específicos do produto, por exemplo, desempenho; • Benefícios do produto, por exemplo, reduz as cáries, faz emagrecer; • Ocasiões de uso dos produtos, por exemplo, cerveja bock que é cerveja de inverno; 41 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 41
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    • Classes deusuários, produtos de crianças que são posicionados para o uso de adultos; • Contra os concorrentes, comparação de uma empresa com outra direta ou indiretamente; • Em contraste aos concorrentes, na contramão dos concorrentes; • Classes de produtos, como o bicarbonato de sódio que foi usado para desodorante de geladeiras; • Preço/qualidade, enfatiza o valor derivado do produto seja em termos de qualidade ou de preço; e • Símbolo: as empresas utilizam um símbolo ou ícone para posicionar o seu produto nas mentes dos consumidores. Ao longo do tempo, o símbolo torna-se um sinônimo da empresa ou do produto. Assim, segundo Mintzberg (2006) é utilizada uma combinação de posicionamentos para alcançar os objetivos da empresa. As tarefas de posicionamento são: • Vantagens competitivas; • Seleção das vantagens competitivas; e • Comunicação da posição escolhida. A estratégia escolhida não é tão importante, nesse ponto o objetivo é enfatizar as vantagens singulares do produto e diferenciá-lo dos produtos e serviços concorrentes. 1.6.2  DIFERENCIAÇÃO A principal vantagem competitiva de uma empresa para Mintzberg (2006) é a criação de valor para o consumidor, seja qual for essa vantagem. O posicionamento começa com a diferenciação da oferta entregue aos consumidores. 42 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    Diferenciar um produtoou serviço quer dizer torná-lo único, com características próprias, que o tornem diferente dos produtos da concorrência. A seguir seguem algumas formas de diferenciação: • Diferenciação por produto: atualmente, a diferenciação nos produtos esta ficando cada vez menos perceptível aos olhos dos consumidores, pois os produtos cada vez mais estão ficando comoditizados e especializados. Para Las Casas (1999) a solução está sendo a diferenciação nos serviços prestados. Mas mesmo assim existem empresas que por meio de esforços de marketing estão conseguindo diferenciar seus produtos físicos. Os produtos podem ser diferenciados de várias formas: design, características padronizadas ou opcionais, desempenho, estilo, consistência, durabilidade, confiabilidade, entre outros diferenciais. • Diferenciação nos serviços: nos dias de hoje, os serviços prestados segundo Las Casas (1999) é que estão fazendo a diferença nos produtos. Pode ser através de um serviço de atendimento ao consumidor eficaz, uma entrega rápida, conveniência, instalação, por imagem da empresa ou da marca. Um serviço que está fazendo a diferença é o de treinamento ao cliente. • Diferenciação através de pessoas: conforme Kotler (2005), a diferenciação pode estar nas pessoas que colaboram para alcançar os objetivos. Assim, as empresas investem em diferenciação na maneira rápida e cordial que os seus colaboradores atentem. Para criar diferenciação por pessoas, as organizações estão investimento cada vez mais em treinamento. • Diferenciação através de canal: uma das vantagens competitivas de uma empresa pode estar em seus canais de distribuição. Quando se fala de canal de distribuição quer dizer toda a cadeira genérica de valor. • Diferenciação através de imagem: Nesse caso, quando os concorrentes apresentam uma oferta parecida a empresa difere através da sua reputação e tradição da marca ou da própria empresa. 43 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 43
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    Segundo Mintzberg (2006)para que uma estratégia de diferenciação seja eficiente e eficaz é importante que a empresa considere os desejos e necessidades dos consumidores. Os atributos diferenciadores só terão valor se os consumidores perceberem e aprovarem as mudanças. Nesse caso é fundamental enfatizar a qualidade percebida do produto ou serviço. SEM P R E A LE RT A ! Para completar o aprendizado, é importante prestar atenção nas teleaulas e acessar a plataforma!!! MUNDO DAS MARCAS - CASE GUARANÁ 1.7  ANTARCTICA Que a Coca-Cola é a marca mais conhecida quando se trata de refrigerante ninguém tem dúvida. Principalmente aqui no Brasil, existe outro refrigerante, tipicamente tupiniquim, que caiu no gosto do consumidor e conquistou uma posição de destaque. GUARANÁ ANTARCTICA é uma marca autêntica, de sabor único e original do Brasil. O refrigerante natural produzido com base no fruto de guaraná ganhou espaço na vida e nos lares dos brasileiros além de conquistar paladares estrangeiros de vários países. 44 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    A HISTÓRIA O produto foi lançado no mercado brasileiro no mês de abril de 1921 pela Companhia Antarctica Paulista com o nome de GUARANÁ CHAMPAGNE ANTARCTICA. O novo refrigerante só foi lançado no mercado quando os técnicos da empresa, liderados pelo químico industrial e professor de farmácia Pedro Baptista de Andrade, conseguiram eliminar a adstringência e o amargor natural da fruta. Além do agradável sabor, uma de suas principais características era ser um refrigerante natural. Em um inteligente lance de marketing, a empresa apresentou uma bebida com características espumantes, o que contribuiu para associá-la ao champanhe, bebida com bastante prestígio junto aos consumidores na época. Desde aquela época, a Antarctica já comprava o fruto do guaraná diretamente de fornecedores da região de Maués (Amazonas) para produzir o extrato na sua unidade industrial localizada na cidade de São Paulo. A famosa versão Caçulinha do GUARANÁ ANTARCTICA foi lançada em 1949, em garrafinha de vidro de 185 mililitros, embalagem até então inédita no Brasil. As embalagens pequenas e de fácil transporte, eram perfeitas para o lanche das crianças e passeios com toda a família. Com o sucesso do produto e o aumento do consumo, a empresa percebeu no final da década de 40, a necessidade de estabelecer um escritório na região do Amazonas, com o objetivo de facilitar o comércio do fruto, realizado diretamente em Maués. O extrato do guaraná, porém, continuou sendo produzido em São Paulo até 1962, quando entrou em atividade uma unidade industrial para extração do guaraná na cidade de Maués. Mas foi no início da década de 70, com a preocupação de garantir a qualidade da matéria-prima, que se traduz na própria qualidade do produto final, que a empresa passou a produzir parte dos frutos para produção do GUARANÁ ANTARCTICA. O início do plantio, em 1971, na Fazenda Santa Helena permitiu à empresa aprofundar os estudos sobre a cultura do guaraná e repassar a tecnologia e os conhecimentos desenvolvidos no local para os demais fornecedores. Assim, a Antarctica garantiria a melhor qualidade e preços menores das sementes compradas de terceiros. No final da década de 80 o refrigerante ganhou sua versão dietética. No 45 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 45
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    ano de 1996foram lançadas as primeiras franquias de engarrafadores fora do Brasil para a distribuição do GUARANÁ ANTARCTICA em Portugal, no Japão, na China e nos Estados Unidos. Era o início da internacionalização da marca. Em 2002, já sob propriedade da AmBev, ocorreu reformulação do nome da marca que passou a se chamar GUARANÁ ANTARCTICA. No campo do marketing a marca é uma das mais agressivas do mercado, investindo milhões de reais em ações, como aconteceu em 2001, quando fechou um acordo milionário para ser patrocinadora oficial da CBF por 18 anos, tanto para a seleção de futebol masculina quanto feminina, iniciando assim um amplo processo de globalização. Em 2007, quando o GUARANÁ ANTARCTICA promoveu o GAS Festival (GUARANÁ ANTARCTICA STREET FESTIVAL), com shows de bandas conhecidas e emergentes e apresentações de grandes nomes dos esportes radicais. Ou ainda em 2008, quando a cantora Claudia Leitte, assinou um contrato de três anos, tornando- se garota-propaganda da marca até 2011. 46 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    O CULTIVO O GUARANÁ ANTARCTICA é fabricado com o extrato da própria fruta (100% da região amazônica), o que conserva suas características principais. As matérias- primas aromáticas que compõem o buquê – basicamente óleos essenciais naturais, acrescidos de outros compostos de extratos aromáticos extraídos de frutas cítricas – são elaboradas na própria empresa. A Fazenda Santa Helena, localizada na Amazônia, é considerada um grande laboratório. O trabalho realizado na área é pioneiro. O guaraná, antes cultivado de forma extrativista pelos agricultores da região, passou a ser estudado. Os primeiros pés do fruto foram plantados como a uva, com armações de madeira e arame, com base na observação de que a planta, no meio da floresta, se agarra e escala as árvores. Mais tarde, verificou-se que o guaraná só tem este comportamento devido à sua necessidade de sol, que faz com que suba nas árvores para superar a sombra formada por elas. A experiência demonstrou que, em ambiente aberto, o guaraná cresce naturalmente, sem necessidade de se agarrar como as videiras. Na fazenda da Antarctica, até hoje se estuda qual o melhor tipo de solo, de combate a pragas, de culturas paralelas, etc. Foi também no local que se descobriu a importância do ecossistema original na reprodução do fruto. Por não ser hermafrodita o guaraná depende de agentes externos para reproduzir-se. É por essa razão que os 430 hectares de área cultivada da Fazenda Santa Helena estão distribuídos em 34 quadras dentro da mata nativa, promovendo o equilíbrio ecológico. A área total da fazenda é de 1.070 hectares. 47 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 47
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    PROPAGANDAS QUE FIZERAMHISTÓRIA O GUARANÁ ANTARCTICA sempre teve uma presença marcante no mercado publicitário com peças impressas e comerciais de televisão inesquecíveis. Quanto aos ouvidos, dificilmente alguém não conheça os jingles do GUARANÁ ANTARCTICA. Tudo começou no início da década de 90 quando era preciso mudar o posicionamento do produto e da marca, criando uma campanha publicitária que ganhasse a simpatia do consumidor. Associando o produto com momentos bons da vida criou-se o que podemos chamar de “Lovemark”. Em 1991 o publicitário Nizan Guanaes criou dois jingles geniais partindo da idéia de utilizar a música, uma forma poderosa de comunicação, para atribuir ao GUARANÁ ANTARCTICA o mérito pelos bons momentos causados por outros produtos. E esses produtos eram: a pipoca e a pizza. Existem jingles que marcam gerações e com certeza este caso é um grande exemplo. O resultado você confere abaixo: Pipoca e Guaraná Pizza e Guaraná Pipoca na panela começa a arrebentar Eu não vejo a hora de te encontrar Pipoca com sal – que sede que dá! Te ver mais uma vez e saborear Pipoca e Guaraná, que programa legal! Meia mussarela, meia aliche ou calabresa Só eu e você e sem piruá romana, quatro-queijos, marguerita e portuguesa Eu quero ver pipoca pular - Como é bom te ver! Você chegou na hora H pipoca com guaraná Adoro pizza com Guaraná. Eu quero ver pipoca pular, pular Soy loca por pipoca e Guaraná. 48 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    OS SLOGANS • Energiaque contagia. (2009) • É o que é. (2007) • Zero de açúcar, tudo de sabor. (2007, GUARANÁ ANTARCTICA ZERO) • O Guaraná que gela a goela. (2007, GUARANÁ ANTARCTICA ICE) • Guaraná Antarctica e você. Ninguém Faz Igual. (2005) • A pedida natural. (2003) • Seja o que for, seja original. (2002) • Tudo pede Guaraná Antarctica. (1999) • O único que conseguiu imitar o sabor do Guaraná Antarctica. (1995, linha Diet) • Este é o sabor. (1991) • O Original do Brasil. • Guaraná Antarctica, o pique total. (1985) • Todo mundo tem sede de natureza. (1977) • Seja você mesmo, beba Guaraná Antarctica. (1974) • Viva mais com Guaraná Antarctica. (1972) 49 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 49
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    DADOS CORPORATIVOS • Origem: Brasil • Lançamento: 1921 • Criador: Companhia Antarctica Paulista • Sede mundial: São Paulo, Brasil • Proprietário da marca: Ambev • Capital aberto: Não • Presidente: João Castro Neves • Faturamento: Não divulgado • Lucro: Não divulgado • Presença global: + 20 países • Presença no Brasil: Sim • Segmento: Refrigerantes • Principais produtos: Refrigerante a base de guaraná • Ícones: A embalagem caçulinha • Slogan: Energia que contagia. • Website: www.guaranaantarctica.com 50 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    A MARCA NOMUNDO O produto é extremamente conhecido no exterior, principalmente no Japão, onde lidera um ranking de dez diferentes marcas, além de ser encontrado em mais de 20 países na América do Norte e Europa. No Brasil é líder absoluto em seu segmento com 37% de participação de mercado, presente em mais de 1 milhão de pontos de venda e estando entre os 15 refrigerantes mais consumidos do mundo com um volume anual superior a 820 milhões de litros. Hoje em dia o GUARANÁ ANTARCTICA é fabricado no Brasil, Portugal e Japão. Atualmente o refrigerante é comercializado em embalagens PET de 600 ml, 1 litro, 1,5 litros, 2 litros, 2,5 litros e 3,3 litros; garrafa de vidro de 290 ml e lata de 350 ml. VOCÊ SABIA? De 1921 até hoje, a composição do GUARANÁ ANTARCTICA manteve-se imutável nas suas características sensoriais, de sabor, aroma e corpo. Evoluiu, porém, na tecnologia do processamento, embalagem e visual. Hoje, só existem duas pessoas que manipulam o extrato do GUARANÁ ANTARCTICA, fórmula secreta que nenhuma concorrente conseguiu jamais copiar à risca. ARE Y O U R EA D Y ? SO , L ET ’S G O !!! EX E RCÍ CI O S D O SA LD A NHA * As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Veja, Exame, Época Negócios e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing), e Wikipedia (informações devidamente checadas). Última atualização em 10/2/2011. Website: http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/06/guaran-antarctica-original-do-brasil.html 51 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 51
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    TESTE SEU CONHECIMENTO 52 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    RESPOSTAS COMENTADAS 1. d) 2. a) 3. c) 4. d) 5. b) 6. d) 7. a) 8. c) 9. b) 10. a) 56 UNIDADE I - DA ORIGEM À IMPORTÂNCIA DA DIFERENCIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS
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    2 UNIDADE II MARKETING MIX OB J ETIVOS DA UN ID A D E • Definir o conjunto de ferramentas que formam o composto de marketing; • Discutir estratégias sobre cada ferramenta de marketing mix; • Estimular o senso crítico do aluno acerca da prática e teoria do marketing; • Descrever as diversas formas de aplicação do composto de marketing; HAB ILIDADE S E C O MP E T Ê N C IA S • Capacidade de entender o funcionamento de uma gerência de linha de produtos; • Reflexão crítica sobre práticas e estratégias empresariais relacionadas ao mix de marketing. 2.1 Mix ou composto de Marketing 57 UNIDADE II - MARKETING MIX 57
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    2.1  MIX OU COMPOSTO DE MARKETING Segundo Las Casas (2004) o marketing é baseado em 4 pilares. O autor americano Jerome McCarty, simplificou esses 4 pilares usando uma forma mnemônica (auxiliar de memória) conhecida como 4 P´s que são representados pelo: produto, preço, ponto de venda e promoção. Mais precisamente e seguindo essa ordem em língua inglesa nós temos: product, price, place e promotion. Para ações bem desenvolvidas de marketing esse composto deve estar em constante evolução, cuja meta é ter um plano internamente coerente ás ações de marketing e mutuamente sustentador das mesmas. Esse mix de marketing será intensamente usado pelos estrategistas, pois eles constituem variáveis controláveis dentro do cenário mercadológico. Isso quer dizer que cada um dos P´s pode ser alterado pelo administrador. Dentro de um plano de marketing se o estrategista mexer com um dos P´s, ele deve automaticamente repensar todos os outros 3, pois de alguma forma um P afeta os outros. A seguir vamos ver as características de cada elemento do composto de marketing com a definição e o conceito de produtos e serviços, desenvolvimento de linhas de produtos, relação do mercado com a qualidade dos processos, fixação de preços para produtos e serviços além de estudar canais de distribuição para o mercado. 2.1.1  PRODUTO Para Kotler e Keller (2006) é sem dúvida a parte mais importante do mix de marketing. Um produto é algo que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer a um desejo ou a uma necessidade. Os produtos oferecidos podem ser bens físicos (automóveis e livros), serviços (cortes de cabelo, shows), pessoas (Ronaldinho Gaúcho, Gisele Bündchen), locais (Rio de Janeiro, São Paulo), organizações (empresas públicas e privadas) e ideias (planejamento familiar e financeiro). Os produtos podem ser classificados quanto a sua durabilidade e tangibilidade e quanto a produtos de consumo. 58 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    Em relação àdurabilidade e tangibilidade os produtos são classificados em 3 grupos. • Bens não duráveis: São bens tangíveis que, normalmente, são consumidos após um ou alguns usos. Podemos incluir bens como: cervejas, sabonetes e refrigerantes. Uma vez que esses bens são consumidos de uma forma rápida e frequente, podemos usar estratégias de torná-los disponíveis em vários locais, cobrar apenas uma margem pequena de lucro (markup) e divulgá-los de forma intensa, induzindo a experimentação e a preferência. • Bens duráveis: São bens tangíveis que, normalmente, sobrevivem a muitos usos. Entre eles destacamos carros, refrigeradores e vestuário. Geralmente, requerem mais venda pessoal e serviços exigindo uma margem de lucro maior e mais garantias do vendedor. • Serviços: Os serviços são intangíveis, inseparáveis, variáveis e perecíveis. Incluímos entre eles cortes de cabelo, academias e universidades. Normalmente pedem mais controle de qualidade, credibilidade do fornecedor e adaptabilidade. Devido à demasiada importância que o setor de serviços exerce hoje deixei para fazer abordagem desse assunto no final do composto de marketing, embora como vimos os serviços se constituem por si só como um produto. De acordo com Kotler e Keller (2006) em relação a bens de consumo os produtos são classificados como: Produtos de Conveniência: são bens que o consumidor geralmente compra com frequência, de imediato e com esforço mínimo. Podemos citar como exemplo jornais, sabões e chicletes. Os produtos de conveniência são aqueles em que o consumidor não tem a mínima intenção de disponibilizar muito tempo no esforço de compra. Os produtos de conveniência se classificam em bens de consumo geral, de impulso e de emergência. Os bens de conveniência gerais acontecem quando um consumidor rotineiramente compra uma lata de refrigerante, um creme dental e biscoitos. Os bens de conveniência por impulso são comprados sem qualquer planejamento ou esforço de procura. Geralmente, são amplamente expostos. Assim, chocolates, 59 UNIDADE II - MARKETING MIX 59
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    revistas, chicletes elâminas de barbear são colocados próximos aos caixas porque os consumidores podem não ter ideia de comprá-los antes de vê-los. Os bens de conveniência de emergência são adquiridos quando surge uma necessidade urgente. Um exemplo disso são os guarda-chuvas quando despenca um temporal repentino. • Produtos de Escolha: são os que o consumidor, no processo de seleção e compra, compara, caracteristicamente, baseado em adequação, qualidade, preço e estilo. Exemplos incluem móveis, vestuário, carros e eletrodomésticos. Esses produtos com valor unitário alto e diferenças de preços justificam todo o trabalho de pesquisas de preços e negociações do consumidor. Nesse item é importante o administrador conhecer bem o seu produto e fazer um excelente atendimento procurando sempre mostrar o seu diferencial para que o consumidor opte por ele. • Produtos de Especialidade: são bens com características e identificação de marcas exclusivas, para um grupo significativo de consumidores que está habitualmente disposto a fazer um esforço especial para adquirir determinado bem. Esse exemplo inclui marcas de renome no mercado que comercializam produtos de artigos de luxo como: carros, viagens e vestuário. Nota-se que os exemplos assemelham-se com os produtos de escolha. A diferença não está só no preço. Muitos produtos com preços altos estão nessa classificação, mas não é somente esse fator que determinará a diferença, sendo que alguns de menor valor poderão ter a preferência do consumidor que não aceitará um produto substituto. A distribuição pode ser feita em lugares exclusivos uma vez que o consumidor está disposto a fazer qualquer sacrifício pela aquisição do bem. • Produtos Industriais: são bens adquiridos pelas organizações. Incluímos matérias-primas, máquinas, equipamentos e serviços. Nesses casos geralmente as compras racionais obedecem aos padrões estabelecidos pelos setores de atividade e características dos negócios. O padrão de qualidade e a eficiência no atendimento são critérios fundamentais para o sucesso do negócio. Esses padrões de qualidade deverão ser respeitados pelos fornecedores. Além do próprio padrão de qualidade do produto tangível a qualidade do atendimento, o prazo de entrega e a garantia são fortes fatores de decisão de compra. 60 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    2.1.1.1  DECISÕES SOBRE O COMPOSTO DE PRODUTOS De acordo com Kotler e Armstrong (2007) as decisões de estratégia de produtos integram o chamado composto de produtos, entendido como o conjunto de decisões estratégicas de marketing referentes às linhas de produtos da empresa. As decisões de composto de produtos são apresentadas em quatro dimensões: amplitude, extensão, profundidade e consistência. A estratégia de amplitude do produto refere-se ao número de linhas de produtos da empresa. Por exemplo, quais linhas de produtos estão associadas em uma empresa alimentícia. Elas podem estar relacionadas a linhas como: leite, massas, biscoitos, cereais, derivados de tomate e margarinas. A extensão de linha refere-se ao número de itens de produto em cada linha. Por exemplo, uma linha de leites pode ter até sete itens de produto como: leite integral, semidesnatado, desnatado, fortificado, light, com lactose reduzida e com vitaminas. A profundidade esta relacionada ao número de versões que o produto apresenta. Por exemplo, um biscoito, com três tamanhos de embalagem (50 gramas, 100 gramas e 200 gramas) e cinco sabores (baunilha, morango, chocolate, laranja e canela), terá profundidade de 15. E a consistência do composto de produtos esta ligada ao nível de semelhança entre as linhas e os produtos quanto à matéria-prima, ao processo de produção, aos canais de distribuição, ao padrão de qualidade e à imagem de marca. O gerente de marketing para Keller e Machado (2006) deve levar em consideração todas as variáveis acima relacionadas para estabelecer a melhor estratégia de marketing. O estudo dessas variáveis ajudará o gestor a planejar a criação de uma nova linha de produtos ou serviços. Serão necessárias pesquisas e projeções orçamentárias envolvendo todas as áreas operacionais da empresa. É extremamente importante saber o valor do investimento necessário para lançar uma nova linha de produtos ou serviços, antes de decidir pela nova linha. 61 UNIDADE II - MARKETING MIX 61
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    2.1.2  PREÇO Em relação ao preço, a princípio convém fazer algumas considerações a respeito de sua definição e, posteriormente, mostrar qual o seu papel na determinação do composto de marketing. O preço pode ser conceituado como a expressão monetária do valor de um bem, ou ainda, o preço é o valor que o consumidor está disposto a pagar no ato da compra de um bem. Para Las Casas (2004) qualquer empresa, grande ou pequena, precisa ter em mente que o preço não pode ser determinado de forma aleatória. Desse modo, é imprescindível que se façam também alguns comentários sobre as várias maneiras que o mesmo pode ser calculado. Esse cálculo irá depender muito da estratégia que será perseguida num determinado momento. Custos têm também sua relevância quando da determinação do preço do produto. Atualmente, porém, já não goza mais de tanto prestígio como em épocas anteriores. Historicamente e ainda hoje, o preço significa a interação entre compradores e vendedores num determinado momento e sob determinadas condições. Se os vendedores pedem um preço além do que os compradores estão dispostos a pagar, estes por sua vez, evidenciam quanto realmente pagariam por tal produto, finalmente chegando a um consenso de um preço ideal para ele. Embora, no passado a habilidade em barganhar tenha sido um ponto forte na definição de preços, hoje os preços são definidos em sua maioria de forma igual para todos os compradores, principalmente quando se vive em épocas de moeda estabilizada. Saber trabalhar bem o preço de seus produtos não é tarefa fácil para os donos de empresas. Segundo Kotler e Armstrong (2007) a decisão quanto ao preço, como as decisões quanto ao produto afetam diretamente o marketing mix ao sugerir um canal de distribuição ou uma estratégia de propaganda. Existem alguns objetivos de formação de estratégias de preços que podem ser utilizadas pelas empresas. 62 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    Geralmente os maiscomuns são: • Retorno no Investimento: razão básica de vender o produto. Se uma empresa investiu cerca de R$ 1.000.000,00 no processo de fabricação e venda essa mesma empresa espera que esse investimento retorne aos seus cofres com a venda do produto gerando fluxo de caixa. • Objetivos de Concorrência: os administradores se preocupam com os preços operacionados por seus concorrentes e se posicionam acima, igual ou abaixo deles. • Preços Promocionais: estratégia bastante usada na área de varejo. Esse objetivo visa melhorar situações específicas como falta de caixa e combate a concorrência. • Fatia de Mercado: objetivo usado quando uma empresa pretende aumentar a sua fatia no mercado. A empresa pode usar uma política de preço que a permita atingir seu objetivo reduzindo seus preços temporariamente. Continuando com Kotler e Armstrong (2007) para se determinar o preço de um produto ou serviço devemos seguir alguns passos que nos nortearão dentro do processo estratégico de fixação de preços. O primeiro passo é a determinação da demanda. A demanda é analisada desde os segmentos quantitativos, psicológicos e demográficos até a sua elasticidade que se refere ao grau de variação nas quantidades vendidas de produtos em decorrência de alterações de preço. A demanda pode ser elástica e inelástica. A demanda elástica acontece quando alguma alteração no preço do produto vai aumentar ou diminuir em proporção maior a quantidade de venda do produto. Assim o aumento no preço diminui a quantidade e uma redução no preço aumenta a quantidade vendida. A demanda é inelástica quando o aumento ou redução dos preços não afeta as quantidades consumidas. O segundo passo é a determinação dos custos. Todos os custos envolvidos no processo devem ser conhecidos. O custo total de um produto é a soma dos custos fixos e dos custos variáveis. Os administradores usam um cálculo chamado de break even point ou ponto de equilíbrio para determinar a quantidade de produtos que deve 63 UNIDADE II - MARKETING MIX 63
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    ser vendida acerto preço para empatar com os custos totais. Desta forma, o ponto de encontro desses valores é o ponto de equilíbrio. Quando acontece a ruptura desse ponto de equilíbrio a empresa começa lucrar. O terceiro passo é a análise do preço da concorrência. Essa estratégia é usada muitas vezes com o objetivo de acompanhar a concorrência de perto. A determinação da política de preços é o quarto passo. A política de preços pode ser dividida em preços costumeiros, preços de linha, preços psicológicos, preços únicos e negociados. Os preços costumeiros são aqueles que o consumidor está acostumado a pagar. Produtos como chocolates e refrigerantes estão dentro de determinada faixa de preço. Dificilmente os consumidores aceitarão pagar algo fora dessa faixa. Os preços de linha são aqueles em que a empresa oferece várias linhas de produto com diferentes faixas de preço. Por exemplo, uma loja pode oferecer uma linha de vestuário que custa de R$ 50,00 a R$100,00 e outra linha mais especial que custa de R$200,00 a R$500,00. Os preços psicológicos são preços quebrados que o comerciante usa com a intenção de alavancar psicologicamente a compra. Preços psicológicos são aquelas famosas ofertas que encontramos no varejo como R$ 9,99 ou R$ 4,95. Os preços únicos e negociados são aqueles em que o administrador define qual produto terá o seu preço fixado sem abrir mão de nenhuma negociação e qual produto poderá ser negociado com o cliente. É claro que isso pode variar de cliente para cliente. Ainda em Kotler e Armstrong (2007) o quinto passo é a seleção do método para determinar os preços. Para o estabelecimento desse passo devem ser considerados os objetivos e as políticas de preço a serem seguidos pela empresa. Os 3 tipos de métodos são: custo total-plus, mark up e preço geográfico. O método de custo total- plus é aquele em que todas as despesas para execução de determinado projeto são reembolsadas ao vendedor e um percentual é adicionado ao valor como pagamento pelos serviços prestados. Outro método utilizado é o de mark up, onde um percentual é adicionado aos custos para chegar ao preço final. Presumimos que o preço de um produto seja de R$ 1.000,00. Se, por acaso, o administrador estipular um retorno de 10%, seu preço de venda será de R$ 1.100,00. O preço geográfico está relacionado com o transporte da mercadoria. É comum os comerciantes adicionarem os preços 64 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    da logística aosprodutos. Assim, pedágios e aumento de combustíveis inflacionam o consumo de mercadorias. Além dessas estratégias de fixação de preços é importante que o administrador também siga uma política de descontos visando um dos princípios fundamentais do cliente que é a sua satisfação. Os administradores podem trabalhar com descontos por quantidades e descontos à vista. Os descontos por quantidades podem ser concedidos, quando o consumidor realiza uma grande quantidade de compras de vários produtos diferentes. Os descontos à vista podem ser concedidos quando o consumidor realiza a compra de um ou mais itens de alto valor e decidem pagar na hora. 2.1.3  PONTO DE VENDA Para Kotler e Keller (2006) ter apenas um bom produto e um preço adequado não é o suficiente para garantir as vendas. Precisamos ter um ponto de venda atrativo onde o consumidor possa desfrutar de vantagens competitivas. Quando falamos de ponto de venda não nos referimos apenas ao espaço físico em si, mas também aos canais de distribuição, ou como a mercadoria chega até o ponto de venda. P R O F E SSO R SA L D A NH A F A LA ... O drops HALLS é muito utilizado no mundo para alívio nasal e irritação da garganta. No Hemisfério Norte o produto é utilizado como medicamento para aliviar a tosse em países como Estados Unidos e Canadá. 65 UNIDADE II - MARKETING MIX 65
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    2.1.3.1  TIPOS DE CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO • Fabricante - consumidor: O fabricante é o produtor da mercadoria. Canal direto ao consumidor. Acontece quando o fabricante não usa intermediários. Sua vantagem é ter um controle maior das funções de marketing, conduzindo as vendas como achar melhor. • Fabricante - varejista - consumidor: Um dos canais mais utilizados pelos fabricantes de produtos de escolha. O fabricante transfere ao varejista parte das funções mercadológicas. • Fabricante - atacadista - varejista - consumidor: Acontece quando a distribuição visa alcançar um grande número de consumidores. Os atacadistas compram dos consumidores em grandes quantidades e revendem para os varejistas em quantidades menores. Existem segundo Kotler e Keller (2006) vários fatores para uma boa escolha de um distribuidor. Os fatores dependerão das características próprias de cada segmento e dos objetivos e metas de cada indústria. O cruzamento destas informações e sua análise criteriosa darão a oportunidade de conhecer melhor a realidade de nossos futuros parceiros e traçar um paralelo com nossos objetivos comerciais. Caso o distribuidor não esteja preparado para proporcionar o retorno das vendas, merchandising, distribuição e coleta de informações de mercados esperados, a parceria poderá trazer resultados ruins. O pior deles é o cliente adotar um concorrente. Além do estudo para a determinação do canal de distribuição é necessário se tomar uma decisão a respeito do tipo de distribuição. Os tipos de distribuição que podem ser usados são: intensivo, seletivo e exclusivo. Distribuição intensiva: ocorre quando a empresa tem a intenção de dar uma cobertura ampla ao mercado. Nesse caso, quanto maior a exposição melhor é para a empresa. A empresa tenta vender o produto em tantos pontos quanto possível. Normalmente esse tipo de distribuição acontece com produtos de conveniência. 66 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    Distribuição seletiva: oobjetivo nesse caso é vender em poucos pontos em cada mercado. É feita primeiramente uma seleção dos intermediários. Alguns produtos de escolha, detentores de marca, podem ter esse tipo de distribuição. Distribuição exclusiva: os distribuidores são convidados e trabalham com exclusividade. Os produtos são comercializados apenas em um ponto de cada mercado. Esse pode ser o caso de produtos de especialidade, em que o consumidor está disposto a ir até determinado local para adquirir a mercadoria. O ponto de venda afeta diretamente a percepção do produto. A escolha da distribuição é um processo de evolução que acompanha a difusão do produto ao longo de seu ciclo de vida. Uma estratégia de distribuição pode diferenciar o seu produto em relação aos demais. Com o avanço das tecnologias o mercado apresentou uma nova forma de distribuição. A distribuição direta. Isso acontece com os intermediários virtuais. Hoje podemos comprar um livro ou computador pela internet. Esse tipo de distribuição já é amplamente usado no cotidiano devido ao crescente número de pessoas que tem acesso à rede. 2.1.4  PROMOÇÃO Para Kotler e Armstrong (2007) a promoção abrange toda a propaganda e os esforços de venda do plano marketing. Ter uma meta é muito importante na criação da campanha promocional. É necessário ter conhecimento da missão que se deseja cumprir antes de começar a esboçar ou gastar orçamento com a promoção. A meta máxima da promoção é afetar o comportamento do consumidor. O objetivo é alavancar as vendas. Produtos diferentes, em diferentes etapas de valor percebido pelo consumidor, com diferentes níveis de envolvimento e complexidade, exigem diferentes esforços promocionais para realizarem missões diferentes. Existem diversas formas de comunicação que podemos utilizar. Veremos algumas delas a seguir: 67 UNIDADE II - MARKETING MIX 67
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    • Propaganda: Anúnciosimpressos, rádio, televisão, internet, anúncios em embalagens, encartes em embalagens, anúncios em projeções cinematográficas (cinema), catálogos e folhetos, anuários, luminosos, displays, símbolos e logos; • Promoção de vendas: Concursos, sorteios, loterias, brindes, amostras grátis, feiras, convenções, exposições, demonstrações, cupons, descontos, financiamentos, entretenimento e cartões de fidelização; • Relações Públicas: Kits para a imprensa, relatórios anuais, doações de caridade, patrocínios, relações com a comunidade, coletivas de imprensa e revista da empresa; • Venda pessoal: Apresentações de venda, convenções de venda, programas de incentivo, feiras e convenções; e • Marketing direto: mailing list, compra eletrônica, compra por televisão, telemarketing e newsletters. Seja qual for a ferramenta utilizada uma boa forma de chamar a atenção do consumidor é trabalhar com a fórmula de AINDA que significa atenção, interesse, desejo e ação. Primeiramente um anúncio para poder passar uma mensagem deve chamar a atenção do consumidor. Depois disso o anúncio deve despertar o interesse do consumidor fazendo com que ele preste atenção na mensagem. Posteriormente um anúncio deve criar o desejo no consumidor e então estimular a compra que é chamada de ação. É importante que o planejamento do mix de marketing trabalhe em congruência para que a promoção obtenha o resultado esperado. Não existe nenhuma promoção por melhor que seja trabalhada que alavancará um mau produto. 68 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    2.2  MARKETING DE SERVIÇOS Segundo Kotler e Keller (2006) o setor de serviços é um setor altamente promissor e que vem crescendo a cada dia. O marketing de serviços está voltado, basicamente, para o tratamento adequado do consumidor, na interpretação e leitura adequada de suas necessidades, levando-se em conta os fatores que influenciam em seu comportamento. Serviço é qualquer ato ou desempenho que uma parte possa oferecer a outra e que seja essencialmente intangível e não resulte na propriedade de nada. Fundamentalmente, podemos definir Serviços em Marketing como o conjunto de esforços e ações que aperfeiçoam uma venda com o objetivo de encantar o cliente, diferenciando a empresa da concorrência. Assim, com a mudança constante do cenário econômico, torna-se necessário criar novas formas de serviços para conquistar o cliente e, principalmente, surpreendê-lo. A palavra-chave para Kotler e Keller (2006) que norteia todas essas ações é conveniência, ou seja, o quanto conveniente devemos ser aos nossos clientes atuais e potenciais. Hoje em dia, o tempo tornou-se moeda forte, visto que as pessoas têm cada vez menos tempo e, assim, necessitam de novos serviços (mesmo sem saber que querem...). Muitas vezes, torna-se difícil separar Marketing de Produtos de Marketing de Serviços, visto que quando um consumidor adquire um produto, ele automaticamente adquire um novo serviço. Costumeiramente, podemos classificar os serviços em duas categorias básicas: serviços prestados às Pessoas Físicas (consumidor final) e serviços prestados a Pessoas Jurídicas (empresas). Nenhuma ação de marketing pode ser desencadeada se não tivermos uma base de conhecimento sobre comportamento do consumidor. As empresas têm a obrigação de conhecer bem seu público-alvo. Sob esse ponto de vista, as empresas têm que suprir de forma adequada os medos, as angústias e dúvidas do consumidor, estabelecendo um canal direto de comunicação com ele, conquistando sua credibilidade. 69 UNIDADE II - MARKETING MIX 69
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    Os serviços segundoKotler e Keller (2006) são classificados como: • Bem tangível: A oferta consiste em um bem tangível sem nenhum acompanhamento de serviço como a compra de um creme dental ou sal; • Bem tangível acompanhado de serviço: A oferta consiste em um bem tangível acompanhado por um ou mais serviços para enriquecer seu apelo de consumo. Podemos citar como exemplo a compra de um carro em uma concessionária. O carro é o bem tangível desejado. A compra pode ser decidida pelo atendimento do vendedor; • Bem híbrido: A oferta consiste em partes iguais de bens e serviços. Em um restaurante o prato de comida é tão importante quanto o atendimento do garçom; Serviço principal acompanhado de bens e serviços secundários: A oferta consiste em um serviço principal acompanhado de serviços adicionais. Os passageiros de avião têm como principal objetivo seu destino final. Porém, a viagem inclui bens tangíveis como alimentos e bebidas, uma revista de bordo, além é claro do próprio serviço da companhia aérea; e Serviço: a oferta consiste basicamente no serviço. No exemplo podemos incluir o trabalho de médicos e advogados. Em um cenário em que cada vez mais as empresas disputam pela preferência de um mesmo cliente, a qualidade no atendimento se tornou fundamental. Os clientes se tornaram mais exigentes e conscientes não só de seus direitos, como também dos “mimos” que deverão receber para prestigiar uma empresa com sua preferência. Nesse contexto, algumas expectativas dos clientes se tornaram elementares e, em qualquer que seja o segmento de mercado, elas estão presentes. Os serviços ainda segundo Kotler e Keller (2006) apresentam algumas características importantes como: 70 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    • Intangibilidade: Osserviços não podem ser vistos, provados, sentidos ou cheirados antes de serem comprados. Para reduzir a incerteza de compra perante a esse fator as empresas costumam investir em instalações físicas, número suficiente de funcionários para atendimento e equipamentos. Assim o grande desafio dos administradores é tornar tangível aquilo que é teoricamente intangível. • Inseparabilidade: geralmente os serviços são produzidos e consumidos simultaneamente. Se em um show do Roberto Carlos, o mesmo passar mal, não poderemos substituir o cantor por outro astro de categoria inferior. Ou seja, o show perderá completamente a razão, fazendo com que os organizadores tenham que transferi-lo de data. • Variabilidade: os serviços são altamente variáveis, uma vez que dependem de quem os executa e de onde são prestados. Em um restaurante um cozinheiro pode fazer um divino prato em um dia e em outro por estar com problemas sem querer pode errar em algum tempero fazendo com que o prato não tenha o mesmo sabor. • Perecibilidade: Os serviços não podem ser estocados. Imagine uma viagem aérea com 100 lugares. Se houver apenas 1 ou 100 passageiros, o custo do vôo será praticamente o mesmo. Na verdade, os lugares que a empresa aérea não conseguir negociar ela jamais conseguirá recuperar novamente. Um médico não pode fazer amanhã as mesmas consultas que deixou de fazer hoje. Um hotel que não conseguir vender suas diárias não irá recuperá- las na semana seguinte, isto é, a semana não vendida representará um faturamento definitivamente perdido. Os administradores devem estar atentos para critérios importantes de atendimento que podem fazer a diferença como: competência, cortesia, confiabilidade, agilidade, rapidez e comunicação. Outro fator importante dentro do marketing de serviços é a criação de um SAC, que significa sistema de atendimento ao cliente. O SAC tem a função de filtrar a informação passada pelo cliente. Assim podemos saber aquilo que o cliente precisa. Pesquisas mostram que a maioria dos clientes deixa de comprar por uma atitude negativa do vendedor. Veja abaixo as razões pela qual o consumidor deixa de comprar. 71 UNIDADE II - MARKETING MIX 71
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    • 1% Morrem • 3% Se mudam • 5% Criam relacionamento comercial com outros fornecedores • 9% Motivos de concorrência de preço • 14% Insatisfação com o produto • 68% Devido a uma atitude negativa ou de indiferença por parte do vendedor ou outro funcionário Fonte: Rockefeller Center Para continuar mantendo os clientes nunca devemos deixar que um contato com ele fique esquecido. Devemos sempre nos comunicar de forma amigável e pessoal e sempre procurando escutar aquilo que ele tem para dizer. Trate o cliente como a parte mais importante dos seus negócios, pois é ele que sustenta a sua empresa. SEM P R E A LE RT A ! Para completar o aprendizado, é importante prestar atenção nas teleaulas e acessar a plataforma!!! 72 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    2.3  MUNDO DAS MARCAS - CASE OMO Antigamente o ato de lavar roupas era penoso para as donas de casa: preparar o molho, esfregar, alvejar e quarar eram parte da rotina doméstica e tarefas encaradas como necessárias, conforme os ensinamentos passados de mãe para filha. Isto até não surgir o sabão em pó OMO. Brancura, brilho, alto desempenho e qualidade superior na lavagem levaram OMO à liderança de mercado em boa parte dos países onde está presente. Afinal, dificilmente uma dona de casa, especialmente a brasileira, não ouviu ou ao menos comprou o sabão em pó que deixa mais branco. A HISTÓRIA A marca OMO foi registrada pela primeira vez na Inglaterra no ano de 1908 pela Lever Brothers (empresa que daria origem a Unilever em 1930). O produto era um amaciante de roupa que, em 1909, daria lugar a um sabão em pó para limpeza de tecidos brancos. Seu nome era a abreviatura de Old Mother Owl (velha mãe coruja), representação do zelo materno e da sabedoria. Na primeira embalagem, havia a ilustração de uma coruja estilizada e a frase “Safe Whitener and Cleaner”. As letras “o” representavam graficamente seus olhos, enquanto o “m” formava o nariz e o bico da ave. Em 1954, a Unilever lançou OMO em uma nova versão, detergente em pó. O sofisticado e novo conceito de detergente em pó, artigo elaborado com matérias- primas sintéticas capaz de atingir resultados de limpeza muito mais eficientes do que o tradicional, conquistou as donas de casa inglesas. Rapidamente o produto alcançou uma alta aceitação entre as mulheres européias, que aderiram à vantajosa praticidade do detergente em pó. No decorrer dos anos a marca OMO foi sendo introduzida em muitos países, especialmente na Ásia e América Latina, lançando inúmeras variações e desenvolvendo tecnologias e fórmulas eficazes na lavagem de roupas. No início dos anos 90, OMO já era um das mais importantes marcas da Unilever, comercializada em 18 países dos cinco continentes. Em 2007, a marca lançou a campanha global “Toda Criança Tem 73 UNIDADE II - MARKETING MIX 73
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    Direito de SerCriança”, tendo como peça principal o filme “Roboboy”, que mostrava o menino-robô transformando-se gradualmente em uma criança de verdade conforme se sujava, estimulando o ato de brincar, como sugerem as pesquisas realizadas pela marca ao redor do mundo. No Brasil, foi a partir deste momento que a marca colocou no mercado uma proposta inovadora de produtos, unindo a fórmula consagrada de OMO aos principais atributos do amaciante Comfort, ao lançar OMO com um Toque de Comfort em duas versões (Aloe Vera e Pétalas de Violeta e Ylang Ylang). UM SUCESSO NO BRASIL A empresa não mediu esforços para conquistar as exigentes consumidoras brasileiras, por tradição, muito envolvidas com a limpeza das roupas da família. A estratégia para o lançamento de OMO no país foi cercada de mistério nas chamadas de rádio, a principal mídia da época, que inteligentemente aguçavam a curiosidade dos ouvintes com um sonoro Oooomooo, sem revelar do que se tratava. Os jornais também estamparam em suas páginas a intrigante pergunta: “Mas como? Omo?”. O produto foi oficialmente lançado no Brasil em 1957, a princípio apenas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo o primeiro sabão em pó do mercado nacional. Por não fazer sentido na língua portuguesa, a coruja nunca foi utilizada no país. “Onde Omo cai a sujeira sai”, com esse slogan os brasileiros foram apresentados ao sabão em pó OMO. A maior novidade por aqui era a cor azul do pó, que levou em conta o hábito brasileiro de utilizar anil para realçar o branco das roupas. O sofisticado conceito de detergente em pó precisava ser explicado para as mulheres brasileiras, pouco familiarizadas com as técnicas mais modernas de lavagem. A modificação de hábitos tão arraigados exigiu um trabalho intenso das equipes de vendas, propaganda e marketing. Na época, a presença da máquina de lavar ainda era restrita a um número muito reduzido de domicílios urbanos. A maioria das mulheres acreditava mais na força bruta do que na tecnologia para cumprir suas rigorosas metas de limpeza. Desde o início, para chamar a atenção nas prateleiras dos supermercados, sua embalagem já era grande, de papelão, com letras enormes e cores fortes, imitando pequenos cartazes. Durante a primeira metade da 74 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    década de 60,demonstradoras percorreram todo o interior do Brasil em caminhões, distribuindo amostras de OMO e ensinando as donas de casa a usar o produto, em um verdadeiro corpo-a-corpo para superar os sabões em barra, alvejantes e anil. Ficava por conta dos vendedores persuadirem os comerciantes locais a abastecer seus estoques com aquele inusitado artigo para lavar roupas. Uma ação eficiente e criativa foi o chamado “Cine Vesperal”, que consistia em convidar as mulheres para sessões de cinema e aproveitar a ocasião para fazer ao vivo uma demonstração da lavagem com OMO e com o sabão em pedra, comparando os resultados finais. No início dos anos 70, a marca já estava consolidada entre as consumidoras brasileiras. Disposta a provar sua superioridade, a marca criou a campanha “Teste São Tomé”, que em 1971 deu apoio ao lançamento de OMO TOTAL. Era ver para crer. E foi com esse espírito que os comerciais prosseguiram ao longo da década. Em 1975, OMO começou a explorar o diferencial de um novo componente, o Azul Polar Brilhante, cujos benefícios podiam ser conferidos no “teste da janela”, apresentado pelo ator Paulo Goulart. Nesse momento, OMO passou a concentrar esforços para combater não mais o sabão em pedra, mas as marcas concorrentes de detergente em pó que se multiplicava em versões populares de preço mais baixo. A década de 80 começou com relançamento de OMO com nova fórmula e embalagem. O diferencial era a fragrância selecionada entre sugestões das maiores perfumarias do mundo. As campanhas baseadas em depoimentos reais de donas de casa procuravam destacar que, mesmo com preço mais elevado em relação a outras marcas, OMO era vantajoso pelo melhor rendimento e desempenho. Nesta época o produto era um dos mais famosos entre os brasileiros, ganhando diversas linhas e variantes que atendiam às diferentes necessidades: OS SLOGANS • Omo faz, Omo mostra. • Melhor que Omo só Omo. • Só Omo lava mais branco. 75 UNIDADE II - MARKETING MIX 75
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    • Porque nãohá aprendizado sem manchas. (2000) • Sujeira não escolhe cor. (2006) • Porque se sujar faz bem. (2007) • Nothing washes more clearly, nothing washes whiter. (1964) • The strenght, wich goes through the knot. (1974) • Dirty is Good. (2007) A EVOLUÇÃO VISUAL O logotipo da marca OMO evoluiu muito com o passar dos anos. A última mudança ocorreu há poucos anos atrás, quando ele ganhou um símbolo colorido. DADOS CORPORATIVOS • Origem: Inglaterra • Lançamento: 1908 • Criador: Unilever • Sede mundial: Londres, Inglaterra e Roterdã, Holanda • Proprietário da marca: Unilever NV • Capital aberto: Não • Chairman: Michael Treschow • CEO: Paul Polman • Faturamento: US$ 3 bilhões (estimado) • Lucro: Não divulgado • Presença global: 28 países 76 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    • Presença noBrasil: Sim • Funcionários: 163.000 (Unilever) • Segmento: Higiene e Limpeza • Principais produtos: Sabão em pó • Slogan: Porque se sujar faz bem. • Website: www.omo.com.br A MARCA NO MUNDO A marca OMO comercializa seus produtos em mais de 28 países ao redor do mundo, tendo no Brasil um de seus principais mercados e com forte presença na Europa (especialmente na Turquia), América Latina e Ásia. É uma das marcas mais rentáveis e fortes da Unilever, faturando anualmente mais de US$ 3 bilhões. VOCÊ SABIA? • A marca OMO responde por aproximadamente 53% do mercado brasileiro de sabão em pó, estando presente em cerca de 50 milhões de domicílios no país que consomem mais de 380 milhões de embalagens. • 1.6 milhões de embalagens de OMO por dia: esta é a média de produção do detergente em pó líder no Brasil. * Fontes: As informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing), e Wikipedia (informações devidamente checadas). Retirado do link: http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/omo-lava-mais-branco.html 77 UNIDADE II - MARKETING MIX 77
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    TESTE SEU CONHECIMENTO 78 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    RESPOSTAS COMENTADAS 1. d) 2. a) 3. c) 4. d) 5. b) 6. d) 7. a) 8. c) 9. b) 10. a) 82 UNIDADE II - MARKETING MIX
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    3 UNIDADE III AMBIENTE DE MARKETING OB J ETIVOS DA UN ID A D E • Explicar o que é um ambiente de marketing; • Descrever sobre estratégias e componentes utilizados em um micro e macroambiente de marketing; • Entender a diferença entre micro e macroambiente de marketing; • Identificar as variáveis controláveis e incontroláveis em um ambiente de marketing. HAB ILIDADE S E C O MP E T Ê N C IA S • Capacidade de entender os conceitos básicos de um ambiente de marketing e sua aplicação prática no mercado; • Reflexão crítica sobre as estratégias utilizadas em um micro e um macroambiente de marketing. 83 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 83
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    3.1  AMBIENTE DE MARKETING Para Kotler e Armstrong (2007) o ambiente de marketing de uma empresa é constituído pelos participantes e pelas forças externas ao marketing que afetam a capacidade da administração de marketing em manter bons relacionamentos com seus clientes. Assim, a empresa para ser bem sucedida em um ambiente de marketing deve direcionar e adaptar o seu mix de produtos de acordo com as tendências e desenvolvimentos no ambiente em que ela se encontra em consonância com as mudanças do mercado e a rapidez das informações. Um ambiente de marketing oferece tanto oportunidades quanto ameaças. A empresa deve usar instrumentos de pesquisa para observar o ambiente e os fatores que podem causar suas mudanças. De acordo com Boone e Kurtz (2009) a análise do ambiente de marketing é a primeira etapa do planejamento estratégico a ser analisada, porque qualquer alteração no ambiente exigirá também a mudança das estratégias institucionais. O objetivo da análise ambiental é documentar um cenário de desenvolvimentos ambientais significativos que a instituição deve considerar ao traçar o restante do planejamento estratégico. Os gestores de marketing das empresas são os maiores responsáveis na identificação das mudanças significativas do ambiente. Para isso eles devem monitorar tendências e pesquisar oportunidades. Embora todo gerente precise observar o ambiente externo, os profissionais de marketing precisam realizar um monitoramento ambiental sistemático, tornando-se aptos a rever e adaptar as estratégias para poder enfrentar novos desafios e oportunidades no mercado. Composto de um micro e de um macroambiente de marketing o ambiente deve ser estudado como um todo. O microambiente consiste em forças próximas à empresa que afetam a capacidade de servir seus clientes como: a própria empresa, os fornecedores, as empresas do canal de marketing, os clientes, os concorrentes e os públicos. 84 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    O macroambiente consisteem forças sociais maiores que afetam ambientalmente o microambiente de marketing, que é composto pelas forças: demográficas, econômicas, naturais, tecnológicas, políticas e culturais. Fonte: Kotler, 2010 3.1.1  O MICROAMBIENTE Segundo Keller e Machado (2006) a missão da gestão de marketing é atrair clientes, com o intuito de relacionar-se com eles, oferecendo valor e satisfação, para que os mesmos permaneçam consumindo na sua empresa. No entanto, essa tarefa não pode ser realizada apenas pelos gerentes de marketing. O sucesso de uma empresa depende de outros fatores do microambiente da empresa como: outros departamentos e filiais, fornecedores, possíveis intermediários de marketing, clientes, concorrentes e vários públicos que se combinam para construir o sistema de entrega de valor da empresa que deve ser aprimorado constantemente. 85 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 85
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    3.1.1.1  A EMPRESA A gerência de marketing de uma organização deve levar em consideração outros grupos da empresa, tais como a administração de topo, os departamentos de finanças, pesquisa e desenvolvimento, compras, produção e contabilidade na hora de fazer o seu planejamento estratégico. Todos estes grupos formam o ambiente interno e uma vez em conjunto, têm um impacto sobre os planos e as ações de marketing. Segundo o conceito de marketing, todas essas funções devem pensar muito no consumidor e coexistir em harmonia para oferecer valor superior e satisfação ao cliente. 3.1.1.2  OS FORNECEDORES Os fornecedores formam um elo importante no sistema geral de entrega de valor da empresa ao consumidor. Eles são fundamentais na provisão de recursos necessários para a empresa produzir seus bens e serviços, e podem afetar seriamente o marketing da organização. Os gestores devem controlar os suprimentos, as greves e outras ocorrências que podem prejudicar as vendas no curto prazo, logo a satisfação do consumidor á longo prazo. O aumento dos custos dos materiais e dos suprimentos pode forçar o aumento dos preços, significando um repasse de custos para o cliente, prejudicando o volume das vendas da empresa. 3.1.1.3  OS INTERMEDIÁRIOS Os intermediários de marketing têm o objetivo de trabalhar em parceria com a empresa e promover, vender além de distribuir seus bens aos compradores finais. 86 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    Podem ser incluídoscomo intermediários de marketing: • Revendedores (atacadistas, varejista, agentes); • Firmas de distribuição física (transportadoras, manuseios, etc); • Agências de serviços de marketing (agência de propaganda, agência de promoção, consultorias de marketing); e • Intermediários financeiros (bancos, financeiras, seguradores). Ao criar um relacionamento positivo com os clientes, as empresas devem fazer mais do que apenas trabalhar visando seu próprio desempenho. Elas devem de certa forma se relacionar efetivamente com os fornecedores e os intermediários de marketing para otimizar o desempenho de todo o sistema. 3.1.1.4  OS CLIENTES A empresa deve estudar seus clientes frequentemente, monitorando seus hábitos e mudanças de atitudes. Segundo Kotler e Armstrong (2007) a empresa pode ter cinco tipos de clientes: • O mercado consumidor (indivíduos e famílias); • O mercado industrial (compra bens e serviços para processamento ou para seus processos de produção); • O mercado revendedor (compra para revender com lucro); • O mercado governamental (órgãos do governo que compram bens e serviços para outros que deles necessitem); e • O mercado internacional (compradores estrangeiros, incluindo consumidores, produtores, revendedores e governos). 87 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 87
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    3.1.1.5  OS CONCORRENTES Os profissionais de marketing não devem apenas visar somente às necessidades dos seus consumidores. Eles devem também alcançar vantagens estratégicas, com o objetivo de posicionar suas ofertas contra as de seus concorrentes, visando o conceito de diferenciação na cabeça dos consumidores. Não há estratégia competitiva de marketing que se adapte a todas as empresas. Cada empresa deve considerar seu próprio tamanho e a sua posição na indústria quando comparados aos seus concorrentes. 3.1.1.6  OS PÚBLICOS O público no ambiente de marketing é qualquer grupo que tenha interesse real, potencial ou que cause impacto direta ou indiretamente na capacidade da empresa em atingir seus objetivos. Kotler e Armstrong (2007) apresentam sete tipos de públicos: • Público financeiro; • Público da mídia; • Público do governo; • Público de defesa do consumidor; • Público local; • Público geral; e • Público interno. 88 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
  • 89.
    A organização podepreparar planos de marketing para seus principais públicos e para seus mercados clientes. Por exemplo, quando uma empresa deseja uma resposta específica de um público particular, como boa vontade, comentários favoráveis ou até doações em forma de tempo ou dinheiro, deve planejar uma oferta que possa produzir a resposta desejada desse público sob forma de ação de marketing. P R O F E SSO R SA L D A NH A F A LA ... O primeiro ponto de venda da marca Nike foi em um porta malas de um carro. 3.1.2  MACROAMBIENTE Para Boobe e Kurtz (2007) as empresas e todos os outros atores operam em um cenário maior de forças, que oferecem oportunidades e ameaças para a empresa, além de serem gerenciáveis como variáveis incontroláveis. 3.1.3  AMBIENTE DEMOGRÁFICO A demografia é o estudo e análise da população humana em termos de tamanho, densidade, localização, idade, sexo, raça, ocupação e outros dados estatísticos. É de grande interesse para os profissionais de marketing porque envolve pessoas e são estas que constituem os mercados. 89 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 89
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    A explosão dapopulação mundial tem grandes implicações nos negócios. Uma população crescente significa crescentes necessidades a serem satisfeitas, dependendo do poder aquisitivo, pode também significar crescentes oportunidades de mercado. Os executivos acompanham as novas tendências e desenvolvimentos dos seus mercados nacionais e estrangeiros, assim como as possíveis mudanças de estrutura etária e familiar, mudanças na distribuição geográfica da população, características educacionais e diversidade populacional. 3.1.3.1  AMBIENTE ECONÔMICO Dependendo tanto do poder de compra como dos consumidores, o ambiente econômico consiste em fatores que afetam o poder de compra e os hábitos de gasto do consumidor. Os países são muito diferentes quanto aos seus níveis e distribuição de renda. Alguns países têm economia de subsistência, ou seja, consomem a maior parte de seus produtos agrícolas e industriais e oferecem portanto, poucas oportunidades de mercado. Na outra ponta vêm os países de economia industrial, que constituem mercados ricos para muitos tipos de bens. Os profissionais de marketing devem estar sempre atentos às principais tendências e hábitos de gasto dos consumidores nos mercados mundiais. 3.1.3.2  AMBIENTE NATURAL O ambiente natural está relacionado aos recursos naturais que os gestores de marketing usam como subsídios ou que são afetados pelas atividades de marketing. As preocupações ambientais cresceram muito nas duas últimas décadas. O ambiente natural é o tema mundial de maior importância para as empresas e para o público, se tornando um diferencial em muitos casos. 90 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    Os profissionais demarketing devem conscientizar-se de quatro tendências do ambiente natural: • Escassez de matéria-prima; • Aumento do custo de energia; • Aumento da poluição, e • Intervenção governamental na administração dos recursos naturais. 3.1.3.3  AMBIENTE TECNOLÓGICO Talvez a força mais significativa que atualmente molda nosso destino, o ambiente tecnológico se apresenta como uma realidade. Toda tecnologia nova substitui uma tecnologia antiga. Os transistores prejudicaram a indústria de válvulas, a xerografia afetou o negócio de papel carbono, o automóvel teve impacto nas ferrovias, e os CDs prejudicaram os discos de vinil. Toda vez que as indústrias velhas lutaram com as novas tecnologias ou as ignoraram seus negócios declinaram. Dessa forma, as novas tecnologias se tornam sinônimos de novos mercados e oportunidades, portanto os gestores devem observar as seguintes tendências tecnológicas: • Rapidez das mudanças tecnológicas; • Orçamentos elevados para planejamento e desenvolvimento; e • Concentração em pequenos aprimoramentos. 3.1.3.4  AMBIENTE POLÍTICO As estratégias e decisões de marketing são seriamente afetadas e modificadas pelo desenvolvimento e relacionamento com ambiente político. O ambiente político é constituído de leis, agências governamentais e grupos de pressão que influenciam e limitam várias organizações e indivíduos em uma dada sociedade. 91 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 91
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    3.1.3.5  AMBIENTE CULTURAL Constituído de instituições e outras forças que afetam os valores básicos, as percepções, as preferências e os comportamentos da sociedade o ambiente cultural é representado pelos nossos valores e crenças básicos, absorvendo uma visão de mundo que define nossos relacionamentos com o mundo e com os outros. As seguintes características culturais podem afetar as decisões do marketing: • Persistência de valores culturais; • Mudanças dos valores culturais secundários; • A visão das pessoas sobre si mesmas; • A visão das pessoas sobre os outros; • A visão das pessoas sobre as organizações; • A visão das pessoas sobre a sociedade; • A visão das pessoas sobre a natureza; e • A visão das pessoas sobre o universo. Apesar de ser um elemento incontrolável, as empresas não devem aceitar passivamente esse ambiente. Ele deve ser estudado e acompanhado com freqüência. As organizações devem analisar as forças ambientais e elaborar estratégias que ajudarão a empresa a evitar as ameaças e a tirar vantagem das oportunidades que o ambiente proporciona. 92 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    3.2  MUNDO DAS MARCAS - CASE KOPENHAGEN Ela não tem concorrente no Brasil. É única no segmento de chocolates finos. Os executivos da empresa costumam dizer que os concorrentes são lojas de presentes, como flores, jóias e roupas. Além de chocolate, a marca vende desejo, glamour e sofisticação. Ótimos presentes para o ano todo. A KOPENHAGEN oferece uma variedade de produtos que marcaram época e já seduziram três gerações de brasileiros, afinal, quem resiste a uma Nhá Benta ou a um punhado de Chumbinhos? Prestes a completar oito décadas de história, está neste seleto grupo de marcas que sobreviveram a décadas de transformações econômicas e do comportamento do consumidor. A HISTÓRIA A história da empresa começou em 1928 com a chegada ao Brasil do casal de imigrantes Anna e David Kopenhagen, vindo da Letônia. Foi Anna quem trouxe de lá a receita do marzipã (pequenos pães feitos de amêndoas), até então desconhecida no Brasil. Anna passava as noites fabricando as barras de marzipã para que David pudesse sair bem cedo em busca de clientes. No início, os compradores eram somente europeus. Com muita perseverança, David conquistou clientes para o produto e, em 1929, o casal fundou a primeira loja, localizada na Rua Miguel Couto, no centro de São Paulo. Bonecos, bichinhos e outras figuras feitas de marzipã eram expostas delicadamente na vitrine da mais nova delicatessen da cidade. E logo adquiriram uma fábrica no bairro do Itaim Bibi, com excelentes instalações e tecnologia avançada. Assim, a empresa passou a produzir também chocolates finos, bombons, balas, confeitos, biscoitos, além de ovos de Páscoa e panetones. Se o nome remetia a um universo que não é o brasileiro, mas de um grupo lingüístico eslavo, os produtos pelo contrário, tinham apelos bem característicos da nossa cultura. Nos anos seguintes a marca introduziu no mercado produtos que se tornariam ícones de muitas gerações como o Nhá Benta, bombons Cherry Brandy, Língua de Gato, Chumbinho (bolinhas de chocolate com crocante), a lajotinha (uma 93 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 93
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    espécie de wafflecoberto de chocolate), entre outras delícias. Em 1992 a empresa implantou seu sistema de franquias, para garantir a expansão do negócio fora do eixo Rio-São Paulo. Até as décadas de 80 e 90, a marca ia muito bem e havia se transformado em sinônimo de chocolates finos. Os novos concorrentes, a volátil economia brasileira e a falta de investimento na empresa deram sinais de enfraquecimento da marca e seus produtos não vendiam mais como em outros anos. Em 1996, a história mudou. O empresário Celso Moraes, então dono do laboratório Virtus, fabricante dos conhecidos Adocyl, Maracugina e Atroveran; compra a empresa, que desde então cresce em um ritmo alucinante. O que foi feito? Lançamento de novos produtos para atender praticamente todos os segmentos, ampliação do foco de atuação buscando novos públicos e forte investimento em comunicação para rejuvenescer a marca. As mudanças implementadas pela nova gestão, como a transformação visual de todas as lojas (com ambientação sofisticada, o objetivo dos pontos de venda era comunicar os produtos e fazer um convite mais do que tentador a experimentar as guloseimas da marca), a diversificação dos produtos e a implementação dos cafés nas unidades da rede, foram responsáveis por quadruplicar o faturamento da empresa. Apesar disso, o contato com a família Kopenhagen não foi deixado de lado. Quando um produto está para ser lançado, eles sempre dão opinião, pois conhecem o negócio muito bem. Uma das primeiras ações foi investir US$ 5 milhões na transferência da fábrica do bairro do Itaim Bibi para Tamboré, em Barueri, na Grande São Paulo, tomando o cuidado de levar algumas máquinas originais para o novo espaço de 18 mil m2. Atualmente na fábrica, uma das mais modernas da América Latina, trabalham cerca de mil empregados. Paralelamente, implantou um rígido controle de qualidade e contratou uma empresa especializada em franchising para cuidar dos rumos da rede. O lançamento de novos produtos passou a ser uma tarefa conjunta de um gourmet e do departamento de marketing, que confere as principais tendências do setor no mundo. Assim chegaram ao mercado nos últimos tempos a linha infantil Kopenhagen da Turminha e os bombons à base de frutas. 94 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    Outra ação importantefoi a criação, em 1999, da Kop to Company, a divisão institucional desenvolvida com o objetivo de preparar brindes personalizados para empresas. No primeiro ano de atividade a divisão respondeu por 10% do movimento da empresa e hoje já atinge 20% dos negócios. Em 2003 a KOPENHAGEN se tornou a única fabricante nacional de chocolates presente nas lojas Duty Free e uma das primeiras a ganhar as prateleiras das lojas de departamento americanas. O primeiro carregamento de Nhá Benta de 18 milhões de unidades que, somados a 1 milhão de caixas de bombons Cherry Brand representavam uma negociação de peso. O processo de modernização da marca se intensificou em 2004, com a chegada da filha do proprietário, Renata Moraes à vice-presidência. Ao seu comando, no ano seguinte, a empresa abriu 24 novos pontos de venda. A criação do Passaporte da Turminha, que permite aos consumidores mirins colecionar selos e trocá-los por presentes, surgiu por intermédio da executiva. A proposta era fidelizar uma nova geração de consumidores ainda pouco acostumada a se lambuzar com Nhá Benta. Em três meses de campanha foram cadastrados 20 mil nomes. Renata também comandou o lançamento da loja virtual em 2007 (disponibilizando toda linha de produto da marca, exceto bebidas, mousses, e produtos a granel) e o relançamento da linha de sorvetes da marca recentemente. A primeira experiência com o produto ocorreu em 2001, porém não foi levada adiante por conta do racionamento de energia elétrica da época, tornando o custo das geladeiras alto demais. Uma outra estratégia da KOPENHAGEN tem sido a de usar cada vez mais o café como catalisador de público, afinal ele faz com que o consumidor permaneça mais tempo no ponto de venda. A GRANDE ESTRELA Um dos grandes sucessos de venda da KOPENHAGEN, a Nhá Benta (uma primorosa receita de marshmallow sobre um biscoito waffer, sendo tudo coberto por uma camada de chocolate ao leite) surgiu em 1950 com o nome Pão de Açúcar. Em 1952, passou a ser chamada de Sinhá Moça, e, em 1954, recebeu o nome de Nhá Benta. O seu prestígio vem da combinação do verdadeiro marshmallow apoiado em um wafer crocante e recoberto por uma deliciosa camada de chocolate – tudo produzido pela KOPENHAGEN. Nos últimos seis anos, a linha ganhou três novos 95 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 95
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    sabores: morango, maracujáe chocolate. Atualmente mais de 4.5 milhões de unidade de Nhá Bentas, que conta com uma linha de quatro produtos diferentes, são vendidas anualmente no Brasil. A LOJA CONCEITO Procurando expandir sua marca além dos doces que a tornaram famosa, a KOPENHAGEN iniciou no fim de 2007, em 22 de outubro, um projeto-piloto, em uma loja ampliada, com sobremesas, bebidas e pratos finos. Com investimento de R$ 500 mil (incluindo obra, compra de equipamentos, pesquisa e desenvolvimento de produtos), a empresa abriu, no Parque D. Pedro Shopping, em Campinas (São Paulo), a KOPENHAGEN GOURMET STATION. Para a empresa, a loja é um campo de provas, uma forma de compreender a real força da marca e testar novos produtos. Uma vez aceitos, eles podem ser incorporados ao cardápio da rede. O ponto de venda ganhou 50 metros quadrados adicionais para receber o novo formato. O objetivo da loja é tirar o cliente do ambiente de um shopping center e, com isso, fazê-lo viver uma experiência de compra diferente. De certa maneira, a loja consegue. A fachada da loja é toda envidraçada, permitindo a quem passa pelo corredor acompanhar o movimento do lado de dentro. O piso de ladrilhos cor de vinho combina com o chão do shopping e reduz a transição entre a loja e o corredor. A sensação é de continuidade, não de ruptura. O piso de ladrilhos forma um mosaico de um metro de largura e o espaço conta com dois grandes banners da KOPENHAGEN, além de mesas cheias de produtos, como cestas de bombons. Se o caminho para o coração passa pelo estômago, a loja começa bem. Um detalhe interessante é que na entrada, a parede lateral acompanha o piso, com ladrilhos cor de vinho que sobem até o teto. Nessa parede, o logotipo da empresa aparece destacado na cor dourada. Na segunda seção da loja predomina a cor marrom, tornando o ambiente bastante aconchegante. Do lado direito, o caixa. Logo após, uma estante circular dispõe os produtos ao alcance das mãos. Logo em seguida, mesinhas sem cadeiras oferecem um apoio para quem fez uma pausa rápida para tomar um café. Nas duas laterais da loja, estantes de madeira cor de chocolate vão do chão ao teto e estão recheadas de produtos, em apresentações convidativas. No lado esquerdo, um enorme balcão exibe mais itens da linha de produtos, como Nhá Bentas 96 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    de vários saborese os bombons e doces sortidos. Para alcançar os itens mais altos, há escadinhas de metal, semelhantes às das bibliotecas antigas. Mais um item retrô em uma loja montada com toques de nostalgia. O teto da loja é curvo, em cor creme, e ao fundo a parede é adesivada com o tema de uma estação de trem. Tema que é percebido em vários detalhes, mas, de maneira mais destacada, na seção final da loja. A área dos fundos possui com uma divisória de metal, como um corrimão de estação de trem. A decoração apresenta curvas francesas no teto, emoldurando o local. A iluminação é bastante clara, sugerindo que se está em um local aberto. A sugestão é reforçada pelas arvorezinhas colocadas nos cantos do salão e que circundam as nove mesas disponíveis, e pelos espelhos colocados de forma criativa, como se fossem portas. Os toldos sobre as “portas” ampliam a ilusão. Uma fonte de pedra na parede dos fundos é um toque tão inusitado quanto o vitral do teto, que cria um ambiente acolhedor. Se as mesinhas do meio da loja e o balcão de café dizem “aproveite seu curto tempo”, a área do restaurante convida a permanecer por horas. Ininterruptamente, um monitor de plasma apresenta a loja, com um vídeo que termina ao som de um apito de trem. Um toque que dá a cada três minutos a impressão de que mais uma locomotiva chegou. Essa experiência diferente também é levada para o cardápio. Além dos doces pelos quais a KOPENHAGEN é reconhecida, o local apresenta itens como milk-shake de Nhá Benta, croissant de mousse de chocolate e waffle com Chumbinho. O cardápio da loja conceito, idealizado pelo mestre chocolateiro da empresa, Orlando Glingani, demandou um ano de pesquisas. O mix criado foi pensado não apenas na refeição, mas também no conceito da marca e do ponto de venda. Por isso, os pratos salgados e doces (como croque monsieur de cogumelos, wrap de salmão, quiche de alho poró e crumble de maçã com sorvete) contam com uma apresentação diferenciada. Em cada detalhe, da cor das paredes ao tipo de madeira usada, passando pela exposição dos produtos e pela iluminação de cada área, a loja procura evocar uma estação de trem do início do século passado. Se há 100 anos as estações não serviam apenas como pontos de transporte, mas também como locais nos quais era possível ter momentos agradáveis e deixar de lado o dia-a-dia, nada como utilizar esse tema para uma pausa de indulgência. Seja como uma parada na rotina do trabalho, uma sobremesa após o almoço ou um refúgio contra o stress de compras intermináveis em um shopping cheio, a loja apresenta um ambiente confortável que permite, mesmo por instantes, voltar a um tempo em que a vida parecia não apenas ser mais simples, mas também 97 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 97
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    andar mais devagar.Os resultados obtidos com a loja conceito impressionam: aumento nas vendas de Café (21%), Chocolate (15%), Salgado (38%), Doce (34%), e Bebida (29%). A segunda unidade da loja conceito foi inaugurada em 2008 no Rio de Janeiro. A QUALIDADE Para garantir e manter qualidade do produto final, a empresa adota como parâmetro padrões internacionais de fabricação, que garantem que a empresa não seja apenas mais uma loja de doces no mercado, mas uma grife de chocolates que estimula um paladar mais requintado. O chocolate ao leite da KOPENHAGEN é constituído por pasta ou líquor de cacau, manteiga de cacau (ingrediente mais caro da formulação e responsável pela: dureza a temperatura ambiente, rápida e completa fusão na boca, brilho e lustro), açúcar, leite em pó integral, lecitina de soja (emulsificante/agente de superfície, atua na interface açúcar gordura), vanilina (aroma artificial de baunilha). A KOPENHAGEN não utiliza gordura vegetal hidrogenada no chocolate puro. Portanto, o chocolate terá uma quantidade ínfima de gordura Trans em relação aos outros chocolates do mercado. Além do chocolate KOPENHAGEN ser de um sabor e qualidade inigualável ainda é mais saudável. Embora a produção seja grande muita coisa ainda é feita artesanalmente. Como a empresa confecciona tudo o que é usado (é uma fábrica dentro da outra), depois de juntar as matérias-primas (muitas delas são importadas), o chocolate fica dentro da conchadeira durante três dias para misturar e amaciar a massa. Em seguida, ele segue para ser temperado. Neste processo, o chocolate entra quente e sai frio para que ele possa se solidificar A parte artesanal da produção, por exemplo, está impressa principalmente na confecção dos bombons e das garrafinhas de licor. Neste último caso, cada uma é mergulhada individualmente dentro do chocolate por uma pessoa; já os bombons que possuem decoração de chocolate por cima, são feitos um a um. Dentro da fábrica, alguns produtos possuem seções exclusivas, como a Nhá Benta (o carro-chefe) e o Marzipã. A confecção deste último, aliás, é feita unitariamente, quando cada um é medido com um tipo de régua, que garante que todos sejam feitos do mesmo tamanho A empresa desembolsa cerca de R$ 1.5 milhões em Pesquisa e Desenvolvimento (PD) de produtos anualmente. 98 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    A GRANDE COMEMORAÇÃO Em 2008 a KOPENHAGEN preparou um conjunto de ações para comemorar o aniversário da empresa que deixa a vida das pessoas mais doce há 80 anos. Os temas magia, fantasia e infância são abordados fortemente em toda a campanha envolvendo as ações criadas especialmente para a data - Promoção Sonho Mágico, reformulação da linha de embalagens e da linha infantil Koperaltas, Promoção Baú de Tesouros da Páscoa, lançamento do Ovo Comemorativo 80 Anos (ovo especial produzido como as bonecas russas, ou seja, um dentro do outro, sendo cada um de um tipo diferente), criação de embalagens especiais, produtos novos, reestruturação e alinhamento dos produtos no PDV, e Livro Institucional, entre outras estratégias. O ponto alto da festa foi a superprodução musical, no estilo Brodway, chamada Kopenhagen Marca para Sempre. O evento foi preparado pela marca com o mesmo carinho e qualidade dedicados à fabricação de seus famosos chocolates. Esse cuidado pode ser notado desde a entrada da casa de eventos, ambientada com enormes caixas, e que foi palco da comemoração que recebeu 800 convidados, no domingo, 1º. de junho, no HSBC, em São Paulo. A incrível e apaixonante história de sucesso da empresa foi deliciosamente contada durante a exibição do espetáculo. A produção foi Idealizada, pela publicitária Camila Caruso (Agência boOm!), com roteiro de Armando Liguori e direção geral de Helder Peixoto. Envolveu 25 artistas, entre atores (dentre eles Marcos Mion, interpretando o Gato – o personagem é uma referência ao produto Língua de Gato - e Leonardo Miggiorin no papel do garoto Bruno), cantores e bailarinos, dez músicos, 40 profissionais da equipe técnica e mais de 15 profissionais fixos para contar, em estilo high-tech, uma história que marca a vida de seus consumidores há 80 anos. Seis cenários, 85 figurinos (criados por Carlos Alberto Gardin, responsável pela caracterização dos personagens dos programas Castelo Rá-Tim-Bum, Glub-Glub e Mundo da Lua), sete músicas originalmente compostas pelo cantor Toquinho, nove vídeos com efeitos em 3D e quatro atrações circenses. Ao todo foram 70 horas de ensaios para apresentar um resultado requintado ao público convidado. Além do fabuloso espetáculo, as lojas de todo o país foram preparadas para a festa: ambientadas de acordo com as campanhas promocionais, com adesivos nas vitrines e produtos em novas embalagens, exibem o selo 80 Anos e as embalagens 99 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 99
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    antigas que recriamo clima da época da chegada da família Kopenhagen ao Brasil. Outro destaque da comemoração é o luxuoso livro “Kopenhagen – Marca para Sempre”, editado pela Siciliano, contando a emocionante trajetória da família Kopenhagen, que chegou ao Brasil na década de 20 para tornar o Brasil uma terra mais doce, além de curiosidades sobre a marca e receitas inéditas do gourmet Orlando Glingani, que trabalha há seis anos na empresa. DADOS CORPORATIVOS • Origem: Brasil • Fundação: 1928 • Fundador: Anna e David Kopenhagen • Sede mundial: São Paulo, Brasil • Proprietário da marca: Celso Ricardo de Moraes • Capital aberto: Não • Presidente: Celso Ricardo de Moraes • Vice-Presidente: Renata Moraes • Faturamento: R$ 160 milhões (estimado) • Lucro: Não divulgado • Fábricas: 1 • Lojas: 265 • Presença global: 3 países • Presença no Brasil: Sim • Funcionários: 1.400 • Segmento: Chocolates e cafeterias • Principais produtos: Chocolates e derivados, doces, cafés • Ícones: Nhá Benta, bombons Cherry Brandy, Língua de Gato, Chumbinho e 100 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    • lajotinha • Slogan: Kopenhagen. Marca para sempre. • Website: www.kopenhagen.com.br A MARCA NO MUNDO Atualmente a KOPENHAGEN está presente em mais de 56 cidades, localizadas em quase todos os estados do país, com uma rede de 265 lojas (sendo 33 unidades próprias), além de ter presença no mercado internacional, através da exportação de produtos para os Estados Unidos e México. São mais de 8 milhões clientes atendidos com ética e respeito. São mais de 300 itens diferentes, sinônimos de tradição, sabor e qualidade em chocolates e confeitos finos. Cerca de 70% do faturamento da empresa estão concentrados em São Paulo e Rio de Janeiro. VOCÊ SABIA? A empresa produz mais de 2.2 mil toneladas de chocolate anualmente e o período da Páscoa representa cerca de 30% do faturamento anual. * Fontes: As informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Exame, Veja, Época Negócios e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding, e Wikipedia (informações devidamente checadas). Última atualização em 22/5/2010. Retirado do site: http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/kopenhagen-os-mais-finos- chocolates.html 101 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING 101
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    TESTE SEU CONHECIMENTO 102 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    RESPOSTAS COMENTADAS 1. e) 2. a) 3. b) 4. e) 5. c) 6. a) 7. b) 8. d) 9. d) 10. b) 106 UNIDADE III - AMBIENTE DE MARKETING
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    4 UNIDADE IV TENDÊNCIAS DE MARKETING OB J ETIVOS DA UN ID A D E • Discutir sobre as estratégias atuais de mercado; • Entender o avanço do marketing em direção ao consumidor; • Fazer as considerações finais sobre o assunto. HAB ILIDADE S E C O MP E T Ê N C IA S • Compreender a importância do marketing nas instituições; • Refletir tecnicamente sobre as estratégias de marketing usadas nas corporações. 4.1  TENDÊNCIAS DE 2011 Para Kotler (2010) as marcas que entenderem e se anteciparem as tendências de futuro, serão as primeiras a conquistar os consumidores. A Science of the Time, empresa de tendências, identificou as principais que se vão fazer sentir ainda em 2011. Algumas tendências resultam da crise, que acaba por ter forte impacto nos comportamentos dos consumidores e outras decorrem das novas tecnologias. As empresas e marcas que as compreenderem e anteciparem terão mais oportunidades para serem bem sucedidas e ultrapassar a concorrência. Essa parte da tecnologia vem ainda do marketing 2.0. O mundo está se recuperando de uma crise mundial e, novas tendências de marketing podem surgir UNIDADE IV 107 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 107
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    a cada momento.As empresas deverão aproveitar a oportunidade das redes sociais, geotargeting, e-mail marketing, mobile marketing e reputação online, para poder expandir seus negócios. Segue oito tendências de marketing para 2011, segundo o Franquia Empresa (2011) para quem deseja montar um negócio ou para quem deseja aperfeiçoar sua estratégia de marketing. Construir confiança na marca: quando pensamos em construir uma marca através da internet, logo imaginamos que esta deve ter milhares de seguidores no Twitter, muitos amigos no Facebook e muitos contatos por e-mail, mas este conceito não é válido, principalmente quando se trata de pessoas que não são fiéis à sua marca, e em 1 minuto ou dois deixam de segui-la. Destaque-se em apenas uma área. Este não é o momento de tentar ganhar pra todo lado, e apostar em todo tipo de público. Seja único e indispensável na área em que trabalha. Ofereça o melhor serviço, pelo melhor atendimento, como se cada trabalho seu fosse personalizado. Invista no conteúdo da sua marca: as pessoas buscam por conteúdo na internet. Coloque a disposição deste público um conteúdo de qualidade, não faça apenas propaganda, ou conte a trajetória da empresa, disponibilize formas de uso, pesquisas que favorecem o seu produto e só então ofereça o que a sua empresa tem para satisfazê-lo. A internet é o tipo de mídia preferido dos consumidores: atualmente passamos mais tempo na internet do que em qualquer outro tipo de mídia como a mídia televisiva ou rádio. Por esse motivo, todas as atenções estão voltadas para a internet no momento. Mantenha uma boa reputação na web: está é a importância de se manter confiável neste meio de comunicação que é especialmente interativo, ou seja, qualquer deslize da empresa poderá manchar a reputação da mesma frente a milhares de consumidores. Esta nova ferramenta portanto, vem a exigir mais responsabilidade das empresas frente à seus consumidores. 108 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    Acesso fácil: nainternet o que se busca, antes de qualquer produto ou facilidade em fazer compras, é interação. Quando uma empresa disponibiliza esta possibilidade através de e-mail, site ou blog, ela está fidelizando clientes que sabem que podem ter acesso rápido e fácil com a empresa que estiver interessada naquele momento. Como na internet o terreno ainda é instável, essa aproximação com a empresa faz com que seus clientes se sintam seguros. Mobile Marketing: o marketing móvel deverá ser sem dúvida, a aposta mais provável para quem já está fidelizado com o público da internet. Este ano, o acesso à internet móvel, vem possibilitar que a empresa esteja em todos os lugares através de aplicativos móveis. Invista neste mercado e terá a possibilidade de atingir um grande público. Ter consigo a praticidade de comprar, pesquisar preços e resolver assuntos rápidos será a intenção do grande número de pessoas que possuirão internet móvel este ano, por isso muitas empresas já estão investindo em geotargeting. O geotargeting é a norma do ano: pequenas empresas poderão ganhar maior visibilidade regional se investirem em geotargeting. Esta ferramenta permite que você abranja clientes da sua região por meio de sites de compra coletiva, por exemplo. Esta é uma tendência que ganha cada vez mais empresas adeptas interessadas em visibilidade. P RO F E SSO R SA L D A NHA F A LA ... Cotonete é uma marca da Johnson e Johnson. O real nome do produto é haste flexível. UNIDADE IV 109 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 109
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    4.2  MARKETING 3.0 A nova definição de Marketing proposta por Kotler (2010) retrata diversos fatores influenciadores da nova política comportamental e comercial do mundo digitalizado. Ele se refere nesta publicação como a era da sociedade criativa, o ser humano tratado como um ser pleno, que possui mente, coração e espírito. Esses indivíduos tem a necessidade de satisfazer os anseios de transformar o mundo globalizado num mundo melhor. Para ter uma noção da diferença dos 3 momentos do marketing, Kotler (2010) exemplifica a era do Marketing 1.0 como a era da do Marketing centrado no produto, a relação do profissional de marketing tinha representatividade única e exclusivamente em fazer com que existisse produção para atender a demanda de clientes. Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, muitos produtos se tornaram commodities e não se existia mais demanda excessiva e para se vender as empresas precisaram entrar num novo modelo estratégico de atuação. Esse modelo foi chamado de marketing 2.0, que representa a era da informação. Dessa forma, se trabalha neste modelo até os dias atuais, se estuda mercados, criam-se nichos e o marketing é responsável por manter acesa a chama dos seus consumidores para seus produtos e serviços. Na era da sociedade criativa, nos impactamos com o avanço das redes e mídias sociais, onde é possível ter a opinião de todos de qualquer parte do planeta. Essa nova sociedade acredita mais na opinião dos iguais a elas do que nas magníficas campanhas publicitárias, campanhas essas que não são mais atrativas nos meios tradicionais. As empresas precisam entrar no novo universo da comunicação digital e redescobrir diariamente como impactar o seu consumidor, só que desta vez a persuasão dá lugar a compreensão, sendo necessário antes de mais nada compreender como seu consumidor lida com a sua marca e como ela é vista perante o mundo globalizado das redes sociais. 110 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    Kotler (2010) explicaque o novo patamar do marketing, chamado de 3.0, tem justamente três grandes forças: • Era da participação; • Globalização; e • Sociedade criativa O quadro abaixo exemplifica a diferença entre o marketing 1.0, 2.0 e 3.0. Fonte: Kotler, 2010 No marketing 3.0 cada vez mais há uma cocriação realizada em parceria com os stakeholders das organizações. O termo inglês stakeholder, está relacionado a uma pessoa, grupo ou entidade com legítimos interesses nas ações e no desempenho de uma empresa e cujas decisões possam afetar, direta ou indiretamente, essa ou outra organização. UNIDADE IV 111 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 111
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    Podem ser incluídoscomo stakeholders: os funcionários, gestores, proprietários, fornecedores, clientes, credores, Estado (enquanto entidade fiscal e reguladora), sindicatos, diversas outras pessoas ou entidades que se relacionam com a organização. Para Mitchel, Agle e Wood (2011) são várias as formas de classificar os diferentes stakeholders. A mais usual é a classificação em internos e externos. Para os autores existem sete tipos de stakeholders que são classificados em: • Stakeholder Adormecido: é aquele que tem poder para impor sua vontade na organização, porém não tem legitimidade ou urgência e assim seu poder fica em desuso, tendo ele pouca ou nenhuma interação com a empresa. Entretanto, a gestão deve conhecer esse tipo de stakeholder para monitorar seu potencial em conseguir um segundo atributo; • Stakeholder Arbitrário: é aquele que possui legitimidade, mas não tem poder de influenciar a empresa e nem alega urgência. A atenção que deve ser dada a essa parte interessada diz respeito à responsabilidade social corporativa, pois tendem a ser mais receptivos; • Stakeholder Reivindicador: quando o atributo mais importante na administração do stakeholder for urgência ele é reivindicador. Sem poder e sem legitimidade, não devem atrapalhar tanto a empresa, porém deve ser monitorado quanto ao potencial de obterem um segundo atributo; • Stakeholder Dominante: aquele que tem sua influência na empresa assegurada pelo poder e pela legitimidade. Espera e recebe muita atenção da empresa; • Stakeholder Perigoso: quando há poder e urgência, porém não existe a legitimidade, o que existe é um stakeholder coercitivo e possivelmente violento para a organização, o que pode ser um perigo literalmente; • Stakeholder Dependente: aquele que tem alegações com urgência e legitimidade, porém depende do poder de outro stakeholder para ver suas reivindicações sendo levadas em consideração; e • Stakeholder Definitivo: quando o stakeholder possui poder e legitimidade ele praticamente já se configura como definitivo. Quando, além disso, ele alega urgência, os gestores devem dar atenção imediata e priorizada a esse. 112 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    E quanto maisvocê escuta o consumidor, mais ele pode ajudá-lo. Kotler (2010) menciona um caso da marca Doritos que abriu mão de uma agência de publicidade para fazer uso da estratégia de Crownd Sourcing, na qual todos os clientes foram envolvidos e convidados a criar uma campanha. Esta campanha recebeu milhares de premiações ao redor do mundo, provando que uma multidão pode trazer milhões de ideias e o seu consumidor pode ser sua melhor publicidade e propaganda. De acordo com o acadêmico, o velho pensamento de que o gerenciamento de produto leva em consideração os 4 P’s (Produto, Preço, Promoção e Praça) deve ter um incremental: a cocriação. Mais do que isso, o marketing 3.0 prevê empresas que realmente pensam no futuro e estão atentas às preocupações de seus clientes. Um exemplo é a marca de cosméticos Avon que quer melhorar a pesquisa de câncer de mama e usa isso como campanha de marketing atraindo os consumidores. Cada vez mais as pessoas se preocupam com um mundo melhor para todos. 4.2.1  UM MUNDO MELHOR Dessa forma, para Kotler (2010), o Marketing 3.0 tem a função de criar um elo com o cliente, melhorar a vida dos pobres e criar sustentabilidade para o planeta. O autor ainda ressalta que estes devem ser os desafios do marketing do futuro. Mas para que isto aconteça, Kotler (2010) entende que é preciso provar aos investidores que “a sustentabilidade vai melhorar a produtividade de custo, a receita e a empresas serão mais respeitadas”. Por fim, o executivo resume o conceito do marketing 3.0 sugerindo aos congressistas que “sejam eficientes, lucrativos e preocupados com os outros”, trabalhando em prol de um mundo melhor. UNIDADE IV 113 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 113
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    4.3  MUNDO DAS MARCAS - CASE HAVAIANAS Elas estão nas prateleiras de lojas de departamentos chiques como Saks Fifth Avenue e Bergdorf Goodman, em Nova York, e Galleries Lafayette, em Paris. Ocupam espaço em vitrines da badalada Via Spiga, em Milão, dividindo a cena com marcas famosas como Dior e Prada. Adornam pés de socialites, artistas, modelos e até mesmo do Presidente da República. Ao mesmo tempo são vistas em uma marcha do Movimento Sem-Terra sobre Brasília, nos pés de milhares de homens, mulheres e crianças. Sem dúvida é a sandália mais democrática que se tem notícia. Estou falando das sandálias HAVAIANAS. Calça “do mais pobre ao mais rico” - como disse o escritor Jorge Amado. O que começou como um produto popular, que já foi considerado “coisa de pobre” no Brasil, virou produto fashion em menos de quatro décadas, e hoje enfeita pezinhos milionários, como das atrizes Julia Roberts e Sandra Bullock, e os das super modelos Naomi Campbell e Kate Mossvisto. Bonita e gostosa, a sandália se transformou em um objeto cult. No exterior, os modelos mais incrementados, feitos sob encomenda, chegam a custar US$ 100. A HISTÓRIA Tudo leva a crer que foi a Zori, típica sandália de dedo feita de palha de arroz e usada pelos agricultores japoneses, a real fonte de inspiração para a criação das sandálias HAVAIANAS no dia 14 de junho de 1962 pela empresa Alpargatas São Paulo. Por essa razão, o solado das HAVAIANAS possui uma textura que reproduz grãos de arroz, um dos muitos detalhes que a torna inconfundível. Mas a versão nacional trazia um grande diferencial: eram feitas de borracha. Um produto natural, totalmente nacional e que, acima de tudo, garantia um calçado durável e confortável. Eram as tradicionais branquinhas com tiras laterais, disponíveis em cinco cores (branca, preta, azul, vermelha e amarela). Visualmente pobres e baratas. Embora o design das sandálias fosse de origem oriental, seu nome foi inspirado no Havaí, o paraíso do sol e do mar, onde ricos e famosos americanos passavam suas férias. Esse nome era considerado ideal, já que a sandália era adequada para o uso em países de clima quente, pois deixava os pés descobertos, evitando o excesso de transpiração. 114 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    A idéia danova sandália se espalhou feito rastilho de pólvora. Em menos de um ano, a empresa fabricava mais de mil pares por dia, o que levou ao aparecimento das imitações, mas “legítimas, só as havaianas” (slogan criado pela agência JW Thompson), as únicas que “não deformam, não têm cheiro e não soltam as tiras”. As cópias, de qualidade inferior, eram citadas pelos comerciais da marca como cópias “fajutas”, e o novo termo acabou parando no Dicionário Aurélio como sinônimo de produto de má qualidade. Exatamente dois anos depois de seu lançamento, já fazendo sucesso, a direção da empresa resolveu entrar com pedido de patente de modelo industrial n.5891, sob o título “Novo modelo de palmilha com forquilha”. O pedido chegou ao Departamento Nacional da Propriedade Industrial do Ministério da Indústria e do Comércio no dia 13 de agosto de 1964. Em 1980, já eram vendidos mais de 80 milhões de pares da sandália por ano. As Havaianas eram tão fundamentais na vida do brasileiro que, nesta década, foram consideradas como um dos itens da cesta básica, assim como o feijão e o arroz. Durante quase trinta anos, o consumidor das tradicionais sandálias, vendidas com mais frequência em mercados de bairros, se restringia a uma classe menos favorecida e costumava-se dizer que “Havaianas era chinelo de pobre”. Depois da forte concorrência dos chinelos de PVC, liderados pelo modelo Rider, da Grendene, era preciso adotar um novo posicionamento para alavancar as vendas e mudar sua imagem na mente dos consumidores. O grande toque de Midas foi o lançamento, em 1994, de uma nova versão: HAVAIANAS TOP com cores fortes, ligeiramente mais altas no calcanhar do que o modelo original e o nome gravado em relevo. O novo modelo, com tiras e solados monocromáticos, foi inspirado na moda inventada pelos surfistas brasileiros que viravam as palmilhas de suas (antigas) HAVAIANAS a fim de deixar a face colorida voltada para cima. O modelo foi posicionado no mercado como um produto mais caro do que as tradicionais. Impulsionada por maciços investimentos em campanhas publicitárias protagonizadas por artistas e celebridades, transformou-se em objeto de desejo. No primeiro ano, foram comercializadas 300 mil unidades das novas sandálias. Nas revistas, a explosão de cores e as imagens divertidas dos anúncios traduziam o alto-astral da marca. Em seguida, a distribuição também passou a ser focada em nichos de mercado. Cada ponto de venda recebia um modelo diferente, de acordo com seu público alvo. Outra mudança foi na exposição do produto no ponto de venda. Ao invés das grandes cestas com os pares misturados, criou-se um display para valorizar o produto, facilitar a escolha e, claro, impulsionar as vendas. UNIDADE IV 115 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 115
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    A partir dofinal desta década, HAVAIANAS não parou mais de inventar moda. São criadas novas estampas, cores e modelos – até mesmo para os que mal tinham aprendido a andar, como as Havaianas Baby; ou a Havaianas Surf, com modelos simples de tiras pretas com cores e estampas renovadas com desenhos de manobras, paisagens, tribais e grafismos que refletiam o espírito do surfe. A partir do ano 2000, as sandálias da marca se tornam mania internacional. Estrangeiros compravam no Brasil e levavam para seus países. Rapidamente as HAVAIANAS viraram assunto nas páginas das grandes revistas e jornais do mundo, e conquistaram algumas das vitrines mais concorridas do planeta. O novo posicionamento também permitiu o desenvolvimento de estratégias mais ousadas, como a parceria feita com a joalheria H.Stern para lançar seis pares de HAVAIANAS com acabamento em ouro 18K e diamantes. Um deles chegou a ser vendido por R$ 52 mil. Isso gerou uma enorme exposição de mídia espontânea para a marca. O mesmo ocorreu quando a empresa colocou o logotipo de Miró nas sandálias que foram distribuídas em uma festa no consulado espanhol, em 2004. Continuando a segmentação de mercado, novas versões e muitas cores foram lançadas, além da introdução, em 2005, da HAVAIANAS Socks, uma meia que se adaptava ao contorno do dedão do pé, permitindo que ele se encaixasse perfeitamente na sandália (primeiro passo da empresa para a expansão da marca para outra categoria de mercado). O produto foi introduzido no mercado com o slogan “Havaianas Socks, para quem é louco por Havaianas”. As novas opções e o posicionamento diferenciado caíram no gosto do povo. E de repente, andar de HAVAIANAS por aí não parecia mais coisa de pobre, mas algo da moda. E assim as sandálias se tornaram objeto de desejo dos brasileiros. Sucessivos ciclos de inovação em estilos e cores, que passaram a ser pesquisados com a ajuda de birôs internacionais, romperam com o velho estigma e valorizaram o produto. A partir de 2008, a marca iniciou a inauguração de lojas franqueadas das HAVAIANAS, onde era possível encontrar todos os produtos da marca em um só lugar, em um ambiente colorido e moderno com todo o astral da marca. Ao final deste ano a marca já possuía 26 lojas franqueadas, incluindo o conceito de quiosques em grandes centros comerciais. A expansão da linha de produtos (sandálias, meias e toalhas) teve continuidade nesse mesmo ano, quando no mês de novembro a marca lançou oficialmente no 116 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    mercado uma linhade bolsas. Foram, inicialmente, oito modelos em cores, tamanhos e formatos diferentes. Tinha a Mega, ideal para quem ama levar todo o armário na bolsa; a Side, inspirada no modelo carteiro; a Tote, espaçosa e com base reforçada; a Zip com vários zíperes e um compartimento coringa para guardar toalhas ou jaquetas; e a Saco com alças iguais as das tiras da sandália - ideal para quem gosta de carregar somente o necessário. Produzidas em 100% algodão possuíam detalhes emborrachados e em metal e a versão estampada trazia um floral composto por mini sandálias HAVAIANAS. O charme ficava claro, por conta do chaveirinho em formato da tradicional sandália colorida. As novas bolsas foram comercializadas inicialmente em apenas 60 pontos de venda em todo o país e num único local no exterior: a Galeries Lafayette, em Paris. Em 2010 a marca lançou sua primeira coleção de calçados casuais, intitulada Soul Collection, que conta com três modelos feitos de lona e os tradicionais solados de borracha em seu interior. O relevo das tiras e dos solados são detalhes que também estão presentes. Além dos modelos de cano baixo e alto, há uma sapatilha e o bom e velho sapato de lona em uma nova versão, com borracha no lugar da palmilha de corda. A novidade foi lançada primeiramente na Europa e pouco depois, já estava nas prateleiras do Espaço Havaianas, em São Paulo. Ainda este ano, no mês de fevereiro, como parte do plano de consolidação da marca no mercado internacional, a cidade espanhola de Barcelona foi a primeira a receber um espaço exclusivo da HAVAIANAS. Pouco depois, a segunda franquia internacional foi inaugurada em Huntington Beach na Califórnia. OS MODELOS A linha das sandálias HAVAIANAS cresceu de apenas um modelo até 1994 para mais de 90 modelos nos dias atuais, comercializadas em mais de 65 cores e 500 combinações de estampas. Entre as linhas mais populares da marca destacam-se: UNIDADE IV 117 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 117
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    GANHANDO O MUNDO A revolução da marca começou com a criação do departamento de comércio exterior em 2000. Até então, as vendas para o exterior eram dispersas, não havia um movimento articulado em direção a esse mercado. A decisão de explorar a marca no exterior deu-se pelo fato de ser um produto tipicamente brasileiro, colorido e sem concorrência interna ou externa. E uma das primeiras medidas para chegar a esses destinos foi reorganizar a rede de distribuidores no mundo todo. Alguns eventos contribuíram para o sucesso da marca no exterior, como quando as brasileiríssimas sandálias chegaram ao mercado francês em 2001 através de uma amostra sobre a América Latina na chique Galeries Lafayette, onde foram vendidos três mil pares. Em 2003, os tradicionais chinelos de borracha desfilaram nos pés de todas as modelos na passarela do estilista Jean-Paul Gaultier. Nada melhor para criar uma boa imagem da sandália e aumentar as vendas. Hoje, é possível esbarrar nas ruas com mais de um milhão de franceses usando HAVAIANAS. Esse aumento só foi possível porque a distribuidora francesa trabalhou o conceito da marca. Além do desfile de Gaultier, em 2003, a empresa fez parceria com grandes lojas de departamento, como a Galeries Lafayette, Printemps e o Bon Marche, que passaram a comercializar as sandálias. Outro evento importante para divulgação da marca no exterior ocorreu em 2003 quando foram distribuídas HAVAIANAS aos indicados ao Oscar. Dois meses antes da cerimônia, a empresa desenvolveu um modelo sofisticado, decorado com cristais austríacos Swarovski e guardado em caixas especiais com o nome dos atores imitando os símbolos estampados na calçada da fama de Hollywood. Paralelamente, a fábrica entrou em contato com os agentes das 61 celebridades indicadas ao prêmio - entre elas, Jack Nicholson, Nicole Kidman e Renée Zellweger - para saber que número calçavam. No dia seguinte à premiação, todos receberam sua sandália. Iniciativas como essa ajudaram a empresa a vender 1 milhão de pares de HAVAIANAS aos varejistas americanos neste ano. Nos últimos anos, a receita gerada pela exportação do produto praticamente quadruplicou. Austrália, Filipinas, Argentina, Estados Unidos, França, Itália e Espanha são os maiores mercados da marca no exterior. Em acelerado ritmo de expansão internacional, a marca passou a atuar diretamente na Europa em 2008. Em apenas uma década, as tradicionais sandálias HAVAIANAS saíram das praias brasileiras e foram parar nos pés de celebridades como Angelina Jolie, Brad Pitt, Britney Spears e Kate Hudson. 118 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    A LOJA CONCEITO A primeira loja-conceito da marca no mundo, batizada de ESPAÇO HAVAIANAS, foi inaugurada no dia 23 de janeiro de 2009, na badalada Rua Oscar Freire, em São Paulo. A loja reunia tudo o que os apaixonados por HAVAIANAS sempre sonharam: linha completa de sandálias, produtos exclusivos para o mercado internacional, customização e novos produtos. Com 300m² o luxuoso endereço, assinado pelo arquiteto Isay Weinfeld, é decorado com mosaico de clarabóias no teto e paisagismo lateral (com palmeiras e pitangueiras), passando a impressão de se estar literalmente em uma praça, inclusive com barraca de feira, que remete à origem do chinelo. Além disso, os bancos, de tronco de madeira pequiá e o piso de pedra Goiás tornam o ambiente bem despojado. O sistema de luz, som (há setenta caixas acústicas escondidas no jardim e nas prateleiras) e vídeo é acionado por uma rede de sessenta computadores. Os produtos para exportação ficam num contêiner. Amplo e contemporâneo, o espaço reúne todas as principais linhas da marca em setores, com destaques para dois: Barraca de Feira, em homenagem à origem popular das HAVAIANAS, expondo os modelos mais tradicionais como se fossem frutas da estação; e Customização, com as inúmeras possibilidades de combinações entre solas, tiras e pins. Existe ainda um corner com as opções infantis, expostas em um display em formato de quebra-cabeça. O visitante pode encontrar toda a linha das sandálias (são mais de 500 modelos, inclusive, os destinados apenas à exportação), desde a mais simples até uma customizada com cristais Swarovski, que custa em torno de R$ 250. Além da recém-lançada coleção de bolsas e também toalhas, chaveiros, pins e meias. O visitante pode também conhecer a história e evolução da marca em um cubo vidro (onde repousa o primeiro modelo da sandália criado em 1962), ou nas paredes, onde frases e informações explicam a trajetória e o desenvolvimento da marca ao longo dos seus 48 anos de existência. O visitante pode inclusive customizar as sandálias. Há uma tela no balcão, onde o produto criado é fotografado e assinado, depois é arquivado na biblioteca virtual. UNIDADE IV 119 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 119
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    CAMPANHAS QUE FIZERAMHISTÓRIA A qualidade do produto, a estratégia de marketing e a campanha publicitária baseada em depoimentos de gente famosa usando as tradicionais sandálias, trouxeram vida para a marca, ainda que ela dispensasse maiores apresentações. Quem primeiro apresentou o produto, por muitos anos, foi o humorista Chico Anysio com o slogan “Não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras”. Na década de 90, ele voltou em um dos anúncios do lançamento das HAVAIANAS TOP proclamando “Isso é amor antigo”. A simbiose entre o produto e o artista foi tão grande que houve tempo em que se acreditava ser ele o dono da empresa. Saiu Chico Anysio e entrou Thereza Collor. “Todo mundo usa Havaianas” era o tema da campanha, que foi ao ar logo depois com o ator Luis Fernando Guimarães. Ele flagrava personalidades como Vera Fisher, Malu Mader, Maurício Mattar e o jogador Bebeto usando as sandálias. Na televisão, a popularidade de Carolina Ferraz caiu ao tirar suas HAVAIANAS. Cristiana Oliveira ia tirando as peças de sua indumentária para descobrir o responsável pelos miligramas a mais que a balança quebrada não acusava. Em outro filme uma fã quase descobre Fábio Assunção disfarçado na praia através de suas sandálias. Pouco depois, um garoto beijava as sandálias de Rodrigo Santoro pensando serem de Luana Piovani; outro pedia as HAVAIANAS da Déborah Secco para fazer traves de gol. Marcos Palmeira, Raí, Popó, Luma de Oliveira e Reinaldo Gianechini também apareceram nas telinhas em divertidas situações relacionadas à marca. Uma coisa é certa: objeto de desejo, as HAVAIANAS têm glamour, personalidade e estilo. Básicas, irresistíveis, imprescindíveis, elas serão eternas enquanto durarem. Suas famosas campanhas publicitárias impressas são cheias de humor, cores e uma linha criativa alegre como podemos observar nas imagens abaixo. 120 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    OS SLOGANS • Havaianas,todo mundo usa. (1994) • Legítimas só Havaianas. • Havaianas, As Legítimas. (1970) DADOS CORPORATIVOS • Origem: Brasil • Lançamento: 14 de junho de 1962 • Criador: São Paulo Alpargatas S.A. • Sede mundial: São Paulo, Brasil • Proprietário da marca: São Paulo Alpargatas S.A • Capital aberto: Não • Presidente: Márcio Luiz Simões Utsch • Diretora Divisão de Sandálias: Carla Schmitzberger • Faturamento: R$ 1 bilhão (estimado) • Lucro: Não divulgado • Valor da marca: R$ 355 milhões (2009) • Loja oficial: 2 (franquias + 100) • Produção: 186.9 milhões/pares • Presença global: 63 países • Maiores mercados: Brasil, Estados Unidos, França e Austrália • Segmento: Calçados UNIDADE IV 121 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 121
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    • Principais produtos:Sandálias • Ícones: As próprias sandálias • Slogan: As legítimas. • Website: http://www.havaianas.com.br/ O VALOR Segundo a consultoria BrandAnalytics/Millward Brown, somente a marca HAVAIANAS está avaliada em R$ 355 milhões, ocupando a posição de número 37 no ranking das marcas mais valiosas do Brasil A MARCA NO MUNDO A marca, que possui participação de 80% no mercado brasileiro de chinelos de borracha, comercializa aproximadamente 187 milhões de sandálias anualmente, das quais mais de 13% para 63 países dos cinco continentes (da França ao Japão, de Honduras ao Congo), podendo ser encontrada em mais de 200 mil pontos de venda. A marca mantém duas lojas oficiais (ambas localizadas na cidade de São Paulo), além de possuir mais de 100 unidades franqueadas, a grande maioria localizada no estado de São Paulo. As exportações chegam a 20 milhões de pares (somente nos Estados Unidos está presente em 1.700 pontos de vendas). Atualmente a HAVAIANAS é a 4ª marca mais lembrada da América Latina, representando quase 50% do faturamento (R$ 2 bilhões) da Alpargatas São Paulo. A cada três brasileiros, dois em média consomem um par de HAVAIANAS por ano. Sua linha de produtos inclui, além dos chinelos de borracha, bolsas de lona, toalhas de algodão, chaveiros, pingentes para celulares, imãs para geladeira, meias e os novos calçados casuais. 122 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    VOCÊ SABIA? • Na fábrica de Campina Grande (Paraíba), são produzidos mais de seis pares de sandálias HAVAIANAS por segundo. Desde seu lançamento as sandálias já venderam 3.5 bilhões de pares. • No exterior a sandália é chamada de flip flop HAVAIANAS. * Fontes: As informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Veja, Exame, Época Negócios e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing) e Wikipedia (informações devidamente checadas). Última atualização em 30/11/2010 Retirado do link: http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/havaianas-as-legtimas.html UNIDADE IV 123 - TENDÊNCIAS DE MARKETING 123
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    TESTE SEU CONHECIMENTO 124 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    RESPOSTAS COMENTADAS 1. d) 2. d) 3. a) 4. d) 5. d) 6. c) 7. c) 8. a) 9. e) 10. a) 128 UNIDADE IV - TENDÊNCIAS DE MARKETING
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    REFERÊNCIAS BARBOSA, M. F.N. Introdução ao marketing para empresa de pequeno porte. Edición electrónica. Texto completo en www.eumed.net/libros/2006a/mfnb/, 2006. BETA, Agência. Quando a oportunidade se transforma em ameaça. 2010. CHURCHILL, Gilbert ª e Peter, J. Paul. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2000. DANIELS, John e Daniels, Caroline. – Visão Global, São Paulo: Makron, 1996. DE ANGELO, Claudio Felisone, DIAS FONTES, Nuno Manoel. Segmentação de Mercados e Preços. Ed Saint Paul, 2007. DRUCKER, P. F. As fronteiras da administração onde as decisões do amanhã estão sendo determinadas pelo hoje. São Paulo: Pioneira, 1988. DRUCKER, P. F. Administrando em Tempos de Grande Mudança. São Paulo: Pioneira, 1995. GONÇALVES, C. A; GONÇALVES FILHO, C; REIS, M. T. Estratégia Empresarial: o desafio nas organizações. São Paulo: Saraiva, 2006. HAWKINS, Del e MATHERSBAUGH, David. Comportamento do Consumidor: Construindo a Estratégia de Marketing. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. KELLER, Kevin e MACHADO Marcos. Gestão Estratégica de Marcas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006 KOTLER.Philip. Marketing 3.0. São Paulo:Campus, 2010. KOTLER, Philip.Marketing essencial: conceitos, estratégias e casos. 2 ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. KOTLER, Philip e ARMSTRONG Gary. Princípios de Marketing. 12 ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 129 REFERÊNCIAS 129
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    KOTLER, Philip eKELLER, Kevin. Administração de Marketing. 12 ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. LAS CASAS, Alexandre. Marketing: conceitos, exercícios e casos. 6 ed., São Paulo: Atlas,2004. LAS CASAS, Alexandre. Qualidade Total em Serviços. 3 ed., São Paulo: Atlas, 1999. MCKENNA, Regis. Marketing e Relacionamento. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1993. MINTZBERG, H. O Processo da Estratégia. 4° ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. MINTZBERG, H. Safári de Estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2004. MITCHELL, R., AGLE, B. e WOOD, D. (1997). “Toward a theory of stakeholder identification andsalience: defining the principle of who and what really counts”, Academy of ManagementReview, vol. 22, nº 4, pp. 853-858. OLIVEIRA, Sergio Luis. Desmistificando o Marketing. Novatec, 1 ed, 2007. RIBEIRO, Júlio César. Marketing para micro e pequenas empresas: guia básico de sobrevivência. Porto Alegre: Senac, 1998. RICHERS, R. e LIMA, C. Segmentação: opções estratégicas para o mercado brasileiro.São Paulo: Nobel, 1991. ROCHA, Angela e Christensen. Marketing – Teoria e Prática no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Atlas, 1998. ROMERO, R. R. Marketing: para pequenas e médias empresas. São Paulo: Érica, 1998. UNDERHILL, P. Vamos às compras. Editora Campus, 2007. WEINSTEIN, A. Segmentação de Mercado. Ed. Atlas, São Paulo, 1995. 130 REFERÊNCIAS
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    Agradecimento especial ao Mundo das Marcas por propor uma interação prática entre conceitos e teorias através de estudos de casos de grandes empresas. Links relacionados na íntegra pelo Mundo das Marcas: Guaraná Antarctica http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/06/guaran-antarctica-original-do- brasil.html Omo http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/omo-lava-mais-branco.html Kopenhagen http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/kopenhagen-os-mais-finos- chocolates.html Havaianas http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/havaianas-as-legtimas.html Os autores dos textos presentes neste material didático assumem total responsabilidade sobre os conteúdos e originalidade. © Copyright UBC 2012 Proibida a reprodução total e/ou parcial. 131 REFERÊNCIAS 131