Lírica de Camões
Corrente clássica/ renascentista
Temas: amor platónico/ideal de Beleza e Perfeição/ saudade/ destino/ beleza suprema/
mudança/ desconcerto do mundo/ elogio dos heróis/ ensinamentos morais, sociais e
filosóficos/sensualidade/ experiência de vida
Camões retratou a mulher nos mesmos moldes de Petrarca: longos cabelos de “ouro”,
ondulados, pele branca e delicada, olhos claros. Ela é a Beleza, a Perfeição intocável e
inatingível. Camões cantou um Amor ideal incompatível com a vida terrena.
Verso: decassílabo (10 sílabas métricas) ou hexassílabo (menos frequente)
Estrofes: Soneto (2 quadras e 2 tercetos)/ Canções/ sextina/ (...)
Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.
Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se de uma outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.
Ela só viu lágrimas em fio,
Que de uns e de outro olhos derivadas
Se acrescentaram em grande e largo rio.
Ela viu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.
Corrente tradicional
Temas: saudade/sofrimento amoroso/ beleza da mulher/ contacto com a natureza/ donzela
que vai à fonte/ ambiente Pastoril/ ambiente de cortesão eas suas futilidades/ o humor
Verso: redondilha menor e maior (5 e 7 sílabas métricas respetivamente)
Organizados em motes e voltas (o “problema” e o “desenvolvimento” respetivamente)
Estrofes: Cantiga/ endecha/ trovas
MOTE
Descalça vai pera a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.
VOLTAS
Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de camalote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa, e não segura.
Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entraçado,
Fita de cor encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa, e não segura
Camões reflete sobre a sua própria vida, tens manifestações de perplexidade, consaço,
frustação, tristeza e revolta. O poeta apresenta-se como um ser “diferente”, perseguido pela
má sorte e por um destino cruel.

Lírica de Camões

  • 1.
    Lírica de Camões Correnteclássica/ renascentista Temas: amor platónico/ideal de Beleza e Perfeição/ saudade/ destino/ beleza suprema/ mudança/ desconcerto do mundo/ elogio dos heróis/ ensinamentos morais, sociais e filosóficos/sensualidade/ experiência de vida Camões retratou a mulher nos mesmos moldes de Petrarca: longos cabelos de “ouro”, ondulados, pele branca e delicada, olhos claros. Ela é a Beleza, a Perfeição intocável e inatingível. Camões cantou um Amor ideal incompatível com a vida terrena. Verso: decassílabo (10 sílabas métricas) ou hexassílabo (menos frequente) Estrofes: Soneto (2 quadras e 2 tercetos)/ Canções/ sextina/ (...) Aquela triste e leda madrugada, Cheia toda de mágoa e de piedade, Enquanto houver no mundo saudade Quero que seja sempre celebrada. Ela só, quando amena e marchetada Saía, dando ao mundo claridade, Viu apartar-se de uma outra vontade, Que nunca poderá ver-se apartada. Ela só viu lágrimas em fio, Que de uns e de outro olhos derivadas Se acrescentaram em grande e largo rio. Ela viu as palavras magoadas Que puderam tornar o fogo frio, E dar descanso às almas condenadas.
  • 2.
    Corrente tradicional Temas: saudade/sofrimentoamoroso/ beleza da mulher/ contacto com a natureza/ donzela que vai à fonte/ ambiente Pastoril/ ambiente de cortesão eas suas futilidades/ o humor Verso: redondilha menor e maior (5 e 7 sílabas métricas respetivamente) Organizados em motes e voltas (o “problema” e o “desenvolvimento” respetivamente) Estrofes: Cantiga/ endecha/ trovas MOTE Descalça vai pera a fonte Lianor pela verdura; Vai fermosa, e não segura. VOLTAS Leva na cabeça o pote, O testo nas mãos de prata, Cinta de fina escarlata, Sainho de camalote; Traz a vasquinha de cote, Mais branca que a neve pura. Vai fermosa, e não segura. Descobre a touca a garganta, Cabelos de ouro entraçado, Fita de cor encarnado, Tão linda que o mundo espanta. Chove nela graça tanta, Que dá graça à fermosura. Vai fermosa, e não segura Camões reflete sobre a sua própria vida, tens manifestações de perplexidade, consaço, frustação, tristeza e revolta. O poeta apresenta-se como um ser “diferente”, perseguido pela má sorte e por um destino cruel.