Os Sentidos do trabalho e suas
implicações na formação dos
indivíduos inseridos nas organizações
contemporâneas
1
Contexto:
- Contexto de intensas transformações no mundo do
trabalho, ou seja, formas inovadoras de organização
do trabalho, desaparecimento dos empregos
permanentes, etc;
- Historicamente e politicamente a humanidade se
estrutura frente ao conceito de trabalho;
2
-Correlação entre trabalho e realização
humana, pois o trabalho é a ação
transformadora do homem sobre a natureza;
-As transformações do mundo do trabalho são
paradoxais e dicotômicas, exemplos na atualidade:
a) Usufrui-se dos benefícios da era globalizada e
informacional dando possibilidades a um trabalho
criativo;
b) Escraviza-se absorto no frisson de estar sempre
atualizado quanto as TIs, esquecendo-se de viver.
- Na contemporaneidade a criação de cada
concepção do trabalho associa-se à interesses
políticos, econômicos e sociais;
3
- Por meio do trabalho o homem se relaciona
com a prática social, com a sociedade e
consigo mesmo;
- Questões da atualidades relacionam-se cada vez
mais as transformações do mundo do trabalho e as
formas de conceber o trabalho;
-Redefine-se o lugar do trabalho na vida da
sociedade e do indivíduo, como geri-lo e seus
sentidos;
- As relações do trabalho sob uma perspectiva
produtora de significados provoca uma redefinição
do projeto pessoal/profissional;
4
Concepções do trabalho ao longo da
história;
- Desde as primeiras atividades de coleta e caça,
passando pelas atividades agrícolas e as revoluções
industriais e tecnológicas o trabalho é a condição da
existência humana;
- O trabalho é a necessidade natural e eterna de
mediar o metabolismo que se dá entre o indivíduo e
a natureza e, portanto a vida humana;
- O trabalho humano difere-se porque figura-se na
mente a sua construção antes de transformar-se em
realidade;
5
- O trabalho é a força que criou a espécie
humana e a força pela qual a humanidade
criou o mundo;
- O trabalho é o ato de transmitir significado à
natureza – é uma relação dupla de transformação;
- Pelo trabalho o ser humano constrói sua
identidade e dá sentido a sua vida;
- É no trabalho que pereniza-se o gesto do
trabalhador assim, a ação humana imortaliza-se,
permitindo ao homem permanecer apesar de si;
- No trabalho o homem se auto-produz, desenvolve
habilidades e imaginação;
6
- O trabalho contém a possibilidade de
obtenção de prazer, de realização de
transforma-se e ser transformado;
- O trabalho também contém a possibilidade de
gerar desprazer, sofrimento e alienação;
A vida no Feudo e seus modos de produção:
- Trabalho no feudo – caracterizado pela auto-
suficiência do mesmo;
- Vínculo pessoal: vassalo/suserano, senhor/servo;
-Vida legitimada pela tradição, sem possibilidade
de mobilidade;
7
- O servo era dono dos instrumentos
utilizados na sua produção e era quem
controlava o próprio trabalho;
- Desenvolvimento das cidades e do comércio
provoca alterações significativas na sociedade;
- No trabalho de mestres e aprendizes estabelece-se
a relação de dependência e obrigação, mas o
trabalho não se constitui em algo fragmentado;
- Período das profissões, mas não das
espacializações;
- O Trabalho Artesanal se desenvolve e propicia a
ideia de industrialização;
8
- No trabalho do artesão ainda havia o
conhecimento completo de todo o processo
de produção e do valor correspondente ao
trabalho;
- Na industrialização, o trabalho passa a ser
fragmentado, seriado e específico;
- Há a perda da noção de homem completo;
- Queda na autonomia da criação e na
administração da vida produtiva do próprio homem;
- Produção de bens: valor de uso/valor de troca;
9
- Crescimento das cidades, desenvolvimento
do comércio, divisão cidades x campo;
- Nova estrutura social: organiza-se a sociedade
capitalista;
- Desaparecimento do artesão que detinha as
ferramentas e autonomia no uso do tempo;
- Origina-se o trabalhador que se submete ao
império do capital;
- A Idade Média reflete um movimento de
transição que oscila entre exaltar o trabalho e tomá-
lo como punição e/ou instrumento de exploração;
10
- A consolidação do livre contrato + regime
de trabalho assalariado traz a necessidade de
persuadir o empregado à trabalhar;
- Consolidação da concepção de trabalho
denominado capitalista tradicional, que exalta o
trabalho dando-lhe centralidade;
- Período da economia de mercado concorrencial;
-Valor do trabalho pautado pela instrumentalidade e
sucesso econômico;
- Trabalho: planejado, separado por especialidades
e gerentes;
11
O trabalho na economia de mercado
- O início da Indústria moderna se correlaciona:
a) Existência do capital acumulado;
b) Existência de uma classe trabalhadora;
- Contexto de 2 tipos de homens livres:
a)O trabalhador livre assalariado, que vive do seu
trabalho;
b)O burguês/capitalista proprietário dos meios de
produção;
Forças Produtivas + Base Técnica Industrial +
Ciência + Produtividade + Maquinaria;
12
- Glorificação do trabalho e crença que a
produção em massa gera avanço qualitativo
da sociedade;
- Visa o trabalho como produtor da condição
humana, expressivo e fornecedor de recompensas;
- Trabalho como mercadoria alienante, exploradora
e humilhante uma das característica do capitalismo;
- Separação entre o produto do trabalho e o próprio
trabalho, entre as condições objetivas do trabalho e
a força subjetiva do trabalhador;
- Criação da empresa Fordista/Taylorista;
13
- O trabalho apresenta-se como:
(i) Provedor de contatos interpessoais;
(ii) Mercadoria vinculada ao consumo e provedor
de salários, benefícios e redes de proteção;
(iii) Garantia de estabilidade de emprego;
(iv) Desprovido de conteúdo, parcelado, monótono,
mecânico e repetitivo;
- A superação deste modelo decorre do gigantismo
organizacional, crescimento da flexibilidade e
agilidade, globalização de mercado e novas
tecnologias;
14
- Na Terceira Rev. Industrial com avanço da
informática e a comunicação por satélite
pode-se coordenar grande número de
fornecedores/trabalhadores sem integrá-los;
-Atualmente vivemos um sentimento de um mundo
imprevisível e surpreendente com a revolução
digital/sociedade em rede;
- Perspectiva de um novo trabalhador, aberto ao
novo, as novas tecnologias a flexibilidade, ao
mercado e a globalização;
- O trabalho neste contexto acompanha o desenrolar
da vida e constitui o modo de ser e fazer humano;
15
Sobre novas formas de organização do
trabalho
- Cenário atual marcado pelo desemprego e/ou
emprego precário;
- As novas tecnologias exigem do trabalhador
envolvimento com o conteúdo do próprio trabalho,
viabilizando a utilização de técnicas de organização
do trabalho;
- Os trabalhadores do “núcleo moderno” têm suas
tarefas enriquecidas no conteúdo, porém com mais
exploração na forma de ampliação da mais valia;
-Diminuição do trabalho monótono e embrutecido;
16
- Tentativa de aumentar a capacidade de
administração, busca da inovação e inserção
dos funcionários;
-Modificações substanciais nas relações de trabalho,
no sentido de um modelo mais democrático e
participativo do trabalhador ;
- Porem, são mudanças que ainda salvaguardam o
status quo e preservam a ordem estabelecida e o
modo de produção;
- Indivíduo são menos “tutelado” no processo
produtivo, com um agir mais autônomo;
- Organização virtual da era informacional;
17
- Os trabalhadores têm o desafio agora estar
preparado para o acesso real a informação;
- Há uma busca cada vez maior pela parceria com os
funcionários;
- “Pseudo participação” usada como ferramenta de
gestão;
- Inovação – reside nas características do indivíduo;
- Transformação do trabalhador, por meio da
participação de objeto à sujeito ;
- Sujeito dotado de livre arbítrio, capaz de inventar e
engajar-se em um trabalho coletivo/evolutivo;
18
- Necessidade de espaços facilitadores de
desenvolvimento do homem para formá-lo;
-As inovações na organização do trabalho e a
velocidade de mudanças submetem o trabalhador à
condições estressantes, o que requer atitudes de
compensação ( atividades de lazer);
-Necessidade de maior tempo livre para desenvolver
seu potencial e/ou realizar atividades que antes eram
tomadas pelo trabalho; (Ócio criativo) ;
- Ócio criativo – desenvolver-se nas potencialidades
pessoais;
19
- Fim da idolatria do trabalho – equilíbrio
entre trabalho e outros aspectos da vida;
- Premissa de uma simultaneidade entre: trabalho
+ estudo+ lazer+ acréscimo de tempo livre;
- Redistribuição do trabalho, da riqueza, do saber e
do poder;
- Educação dos indivíduos voltada para
introspecção, convívio, amizade a atividades
lúdicas;
- Alteração dos valores relativos ao trabalho;
-Busca pela autonomia;, participação,
experiências;
20
Referencia Bibliográfica:
MORIN, Estelle M.. Os sentidos do trabalho.
Rev. adm. empres., São Paulo , v. 41, n. 3, Sept.
2001 . Available from
<http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0034-
75902001000300002&lng=en&nrm=iso>. access
on 21 Jan. 2014.
http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75902001000300002
.

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  • 1.
    Os Sentidos dotrabalho e suas implicações na formação dos indivíduos inseridos nas organizações contemporâneas 1 Contexto: - Contexto de intensas transformações no mundo do trabalho, ou seja, formas inovadoras de organização do trabalho, desaparecimento dos empregos permanentes, etc; - Historicamente e politicamente a humanidade se estrutura frente ao conceito de trabalho;
  • 2.
    2 -Correlação entre trabalhoe realização humana, pois o trabalho é a ação transformadora do homem sobre a natureza; -As transformações do mundo do trabalho são paradoxais e dicotômicas, exemplos na atualidade: a) Usufrui-se dos benefícios da era globalizada e informacional dando possibilidades a um trabalho criativo; b) Escraviza-se absorto no frisson de estar sempre atualizado quanto as TIs, esquecendo-se de viver. - Na contemporaneidade a criação de cada concepção do trabalho associa-se à interesses políticos, econômicos e sociais;
  • 3.
    3 - Por meiodo trabalho o homem se relaciona com a prática social, com a sociedade e consigo mesmo; - Questões da atualidades relacionam-se cada vez mais as transformações do mundo do trabalho e as formas de conceber o trabalho; -Redefine-se o lugar do trabalho na vida da sociedade e do indivíduo, como geri-lo e seus sentidos; - As relações do trabalho sob uma perspectiva produtora de significados provoca uma redefinição do projeto pessoal/profissional;
  • 4.
    4 Concepções do trabalhoao longo da história; - Desde as primeiras atividades de coleta e caça, passando pelas atividades agrícolas e as revoluções industriais e tecnológicas o trabalho é a condição da existência humana; - O trabalho é a necessidade natural e eterna de mediar o metabolismo que se dá entre o indivíduo e a natureza e, portanto a vida humana; - O trabalho humano difere-se porque figura-se na mente a sua construção antes de transformar-se em realidade;
  • 5.
    5 - O trabalhoé a força que criou a espécie humana e a força pela qual a humanidade criou o mundo; - O trabalho é o ato de transmitir significado à natureza – é uma relação dupla de transformação; - Pelo trabalho o ser humano constrói sua identidade e dá sentido a sua vida; - É no trabalho que pereniza-se o gesto do trabalhador assim, a ação humana imortaliza-se, permitindo ao homem permanecer apesar de si; - No trabalho o homem se auto-produz, desenvolve habilidades e imaginação;
  • 6.
    6 - O trabalhocontém a possibilidade de obtenção de prazer, de realização de transforma-se e ser transformado; - O trabalho também contém a possibilidade de gerar desprazer, sofrimento e alienação; A vida no Feudo e seus modos de produção: - Trabalho no feudo – caracterizado pela auto- suficiência do mesmo; - Vínculo pessoal: vassalo/suserano, senhor/servo; -Vida legitimada pela tradição, sem possibilidade de mobilidade;
  • 7.
    7 - O servoera dono dos instrumentos utilizados na sua produção e era quem controlava o próprio trabalho; - Desenvolvimento das cidades e do comércio provoca alterações significativas na sociedade; - No trabalho de mestres e aprendizes estabelece-se a relação de dependência e obrigação, mas o trabalho não se constitui em algo fragmentado; - Período das profissões, mas não das espacializações; - O Trabalho Artesanal se desenvolve e propicia a ideia de industrialização;
  • 8.
    8 - No trabalhodo artesão ainda havia o conhecimento completo de todo o processo de produção e do valor correspondente ao trabalho; - Na industrialização, o trabalho passa a ser fragmentado, seriado e específico; - Há a perda da noção de homem completo; - Queda na autonomia da criação e na administração da vida produtiva do próprio homem; - Produção de bens: valor de uso/valor de troca;
  • 9.
    9 - Crescimento dascidades, desenvolvimento do comércio, divisão cidades x campo; - Nova estrutura social: organiza-se a sociedade capitalista; - Desaparecimento do artesão que detinha as ferramentas e autonomia no uso do tempo; - Origina-se o trabalhador que se submete ao império do capital; - A Idade Média reflete um movimento de transição que oscila entre exaltar o trabalho e tomá- lo como punição e/ou instrumento de exploração;
  • 10.
    10 - A consolidaçãodo livre contrato + regime de trabalho assalariado traz a necessidade de persuadir o empregado à trabalhar; - Consolidação da concepção de trabalho denominado capitalista tradicional, que exalta o trabalho dando-lhe centralidade; - Período da economia de mercado concorrencial; -Valor do trabalho pautado pela instrumentalidade e sucesso econômico; - Trabalho: planejado, separado por especialidades e gerentes;
  • 11.
    11 O trabalho naeconomia de mercado - O início da Indústria moderna se correlaciona: a) Existência do capital acumulado; b) Existência de uma classe trabalhadora; - Contexto de 2 tipos de homens livres: a)O trabalhador livre assalariado, que vive do seu trabalho; b)O burguês/capitalista proprietário dos meios de produção; Forças Produtivas + Base Técnica Industrial + Ciência + Produtividade + Maquinaria;
  • 12.
    12 - Glorificação dotrabalho e crença que a produção em massa gera avanço qualitativo da sociedade; - Visa o trabalho como produtor da condição humana, expressivo e fornecedor de recompensas; - Trabalho como mercadoria alienante, exploradora e humilhante uma das característica do capitalismo; - Separação entre o produto do trabalho e o próprio trabalho, entre as condições objetivas do trabalho e a força subjetiva do trabalhador; - Criação da empresa Fordista/Taylorista;
  • 13.
    13 - O trabalhoapresenta-se como: (i) Provedor de contatos interpessoais; (ii) Mercadoria vinculada ao consumo e provedor de salários, benefícios e redes de proteção; (iii) Garantia de estabilidade de emprego; (iv) Desprovido de conteúdo, parcelado, monótono, mecânico e repetitivo; - A superação deste modelo decorre do gigantismo organizacional, crescimento da flexibilidade e agilidade, globalização de mercado e novas tecnologias;
  • 14.
    14 - Na TerceiraRev. Industrial com avanço da informática e a comunicação por satélite pode-se coordenar grande número de fornecedores/trabalhadores sem integrá-los; -Atualmente vivemos um sentimento de um mundo imprevisível e surpreendente com a revolução digital/sociedade em rede; - Perspectiva de um novo trabalhador, aberto ao novo, as novas tecnologias a flexibilidade, ao mercado e a globalização; - O trabalho neste contexto acompanha o desenrolar da vida e constitui o modo de ser e fazer humano;
  • 15.
    15 Sobre novas formasde organização do trabalho - Cenário atual marcado pelo desemprego e/ou emprego precário; - As novas tecnologias exigem do trabalhador envolvimento com o conteúdo do próprio trabalho, viabilizando a utilização de técnicas de organização do trabalho; - Os trabalhadores do “núcleo moderno” têm suas tarefas enriquecidas no conteúdo, porém com mais exploração na forma de ampliação da mais valia; -Diminuição do trabalho monótono e embrutecido;
  • 16.
    16 - Tentativa deaumentar a capacidade de administração, busca da inovação e inserção dos funcionários; -Modificações substanciais nas relações de trabalho, no sentido de um modelo mais democrático e participativo do trabalhador ; - Porem, são mudanças que ainda salvaguardam o status quo e preservam a ordem estabelecida e o modo de produção; - Indivíduo são menos “tutelado” no processo produtivo, com um agir mais autônomo; - Organização virtual da era informacional;
  • 17.
    17 - Os trabalhadorestêm o desafio agora estar preparado para o acesso real a informação; - Há uma busca cada vez maior pela parceria com os funcionários; - “Pseudo participação” usada como ferramenta de gestão; - Inovação – reside nas características do indivíduo; - Transformação do trabalhador, por meio da participação de objeto à sujeito ; - Sujeito dotado de livre arbítrio, capaz de inventar e engajar-se em um trabalho coletivo/evolutivo;
  • 18.
    18 - Necessidade deespaços facilitadores de desenvolvimento do homem para formá-lo; -As inovações na organização do trabalho e a velocidade de mudanças submetem o trabalhador à condições estressantes, o que requer atitudes de compensação ( atividades de lazer); -Necessidade de maior tempo livre para desenvolver seu potencial e/ou realizar atividades que antes eram tomadas pelo trabalho; (Ócio criativo) ; - Ócio criativo – desenvolver-se nas potencialidades pessoais;
  • 19.
    19 - Fim daidolatria do trabalho – equilíbrio entre trabalho e outros aspectos da vida; - Premissa de uma simultaneidade entre: trabalho + estudo+ lazer+ acréscimo de tempo livre; - Redistribuição do trabalho, da riqueza, do saber e do poder; - Educação dos indivíduos voltada para introspecção, convívio, amizade a atividades lúdicas; - Alteração dos valores relativos ao trabalho; -Busca pela autonomia;, participação, experiências;
  • 20.
    20 Referencia Bibliográfica: MORIN, EstelleM.. Os sentidos do trabalho. Rev. adm. empres., São Paulo , v. 41, n. 3, Sept. 2001 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0034- 75902001000300002&lng=en&nrm=iso>. access on 21 Jan. 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75902001000300002 .