Obra analisada: Lavoura Arcaica,Raduan Nassar
Raduan Nassar  de origem libanesa, nasceu em 1935 na cidade de Pindorama, interior de São Paulo. Em 1970, Raduan escreve a primeira versão da novela  Um copo de cólera  e os contos  O ventre seco  e  Hoje de madrugada .  Lavoura arcaica , só viria a ser finalizada em 1974, sendo mais tarde publicado em outras línguas.  O livro ganha em 1976, o prêmio Coelho Neto para romance, da Academia Brasileira de Letras, e o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (na categoria de Revelação de Autor) e Menção Honrosa e também Revelação de Autor  da Associação Paulista de Críticos de Arte — APCA. Em 1997 foi publicada a obra  Menina a caminho , a qual reúne seus contos dos anos 60 e 70.
Era a época da crise do campo, da explosão do êxodo rural. A vida rural passava a ter uma visão deteriorada pela sociedade progressista. A ordem do crescimento do país exigia uma vida mais “urbana”,  corrente na década de 70 e focalizando o chamado “fim do mundo imigrante”. Famílias de imigrantes eram dominantes na zona rural dos estados brasileiros, a principal mão-de-obra e ao mesmo tempo os maiores proprietários de terras produtivas durante o auge da atividade.  CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
O núcleo familiar neste romance é o ponto central no qual se dinamiza uma estrutura de base patriarcal e conservadora a exemplo do que ainda são hoje as tradições libanesas.  Considerando o contexto histórico da obra podemos fazer uma leitura da estrutura familiar de “Lavoura Arcaica” como sendo a representação da sociedade atravessada, a época, por um regime ditatorial e excludente.  CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
A narrativa nos é lançada através dos olhos de André, narrador/protagonista da história que nos conta de forma peculiar, sua vida, suas amarguras, seus anseios e dúvidas todas guardadas em segredo pela ética e moral imposta pela família, religião, cultura e tradição. As páginas de Lavoura Arcaica são para serem lidas continuamente; não há parágrafos, poucos senão raros pontos finais. DETALHES DA NARRATIVA
“ As categorias da narrativa literária”, Todorov, Tzetan
Tzvetan Todorov (Sófia, 1939) é um filósofo e linguista búlgaro radicado na França desde 1963. É um dos grandes teóricos do Estruturalismo.  Publicou um número considerável de obras na área de pesquisa linguística e teoria literária.
Categorias da Narrativa Todorov propõe distinguir preliminarmente duas noções: a) sentido  = função de um elemento dentro da obra, sua possibilidade de ligar-se a outros elementos da mesma obra ou com a obra inteira; b) interpretação  = multiplicidade de leituras possíveis, baseadas no olhar do crítico ou do leitor. Não é o mais importante, porque vem de fora da obra.
Categorias da Narrativa Os formalistas russos isolaram, como aspectos da obra literária a noção de: Fábula =  o que efetivamente ocorreu Assunto =  trama. E. Benveniste. (Estruturalista Francês), introduziu os termos  "história" e "discurso"
Tipos principais de paralelismo:   1º) ligado aos fios que relacionam as grandes unidades da obra e possibilitam seu sentido total;  2º) relacionado às formas verbais, os detalhes.
Modelo Homólogico "A narrativa inteira é constituída pelo encadeamento ou encaixamento de narrativas. São micronarrativas compostas por três (por vezes de dois) elementos cuja presença é obrigatória (...) situações essenciais da vida: (...) 'trapaça', 'contrato' e 'proteção'". "A narrativa representa a projeção sintagmática de uma rede de relações paradigmáticas. Descobre-se pois no conjunto da narrativa uma dependência entre certos elementos, e procura-se encontrá-la na sucessão". Modelo Triático
Narrativa como história A história contém frequentemente muitos 'fios' e é apenas a partir de um certo momento que estes fios se reúnem". O autor distingue, sem se afastar da tradição, dois níveis de história: a) Lógica das ações:  Repetições que concernem às ações, personagens ou mesmo detalhes da descrição:  Antíteses ,  que colocam parte idêntica em cada um de dois termos; gradação ,  que evita a monotonia; a lógica de uma informação decorre desse crescendo informacional;  Paralelismo ,  onde pelo menos dois elementos idênticos apresentam dissemelhanças.
"Parece evidente que, na narrativa, a sucessão das ações não é arbitrária, mas obedece a uma certa lógica.  A aparição de um projeto provoca a aparição de um obstáculo, o perigo provoca uma resistência ou uma fuga";
A Narrativa como discurso O  tempo  da narrativa,  onde se exprime a relação entre o tempo da história; O tempo do discurso,  os  aspectos  da narrativa, ou a maneira pela qual a história é percebida pelo narrador; Modos  da narrativa,  Dependem do tipo de discurso utilizado pelo narrador para nos fazer conhecer a história".  Tempo do discurso = linear;  Tempo da história = pluridimensional.
(...) É preciso dar-se conta que existem duas interpretações morais, de caráter realmente diferente: uma interior ao livro (em toda obra de arte imitativa), e outra que os leitores dão em se preocupar com a lógica da obra". (…) "A imagem do narrador não é uma imagem solitária; desde a primeira página, ela é acompanhada do que se pode chamar 'a imagem do leitor'". Nas "infrações", tanto à história quanto ao discurso, aparecem as duas "ordens": a do livro   (ordem da narrativa) e a do contexto social do universo narrado (ordem da vida)..
os personagens e suas relações. "A partir deles é que se organizam os outros elementos da narrativa".  Regras de derivação:  por oposição - a relação que se opõe ao predicado de base "amor" é o "ódio"; a relação que se opõe ao predicado de base "confidência" é a "publicação"; a relação que opõe ao predicado de "ajuda" é a de "oposição") e a que se dá pela passagem da voz ativa para a voz passiva (regra do passivo): "cada ação tem um sujeito e um objeto".
os personagens e suas relações. Todorov propõe então a existência de doze relações possíveis entre os personagens, estabelecidas a partir dos predicados de base e das regras de derivação {(3X2)X2)}. "O Ser e o parecer".  Dois níveis possíveis para uma mesma relação: o da aparência e o da essência, sempre a partir do ponto de vista dos próprios personagens. Fazer parecer que sente amor ou ódio, por exemplo. Esta duplicidade pode se operar por meio da hipocrisia ou da má-fé dos personagens.
O texto  “As Categorias da Narrativa Literária”,  segundo as classificações apresentadas por Salvatore D'Onófrio, enquadra-se nas que estudam o caráter intrínseco das obras literárias, como uma análise de dentro para fora.
HISTÓRIA E DISCURSO (TODOROV) I- Narrativa como história: Os níveis da história: a) Lógica das ações = repetições:  na forma de antíteses, na forma de gradação, que evita a monotonia, de modo que a lógica de uma informação decorre desse crescendo informacional; na forma de paralelismo, provocando comparação, diferenciação. Ao analisar encontramos, por exemplo, a antítese formada pelos  1. Personagens André x Iohána ao tempo a mãe é o ponto de referência que une a arbitrariedade;  2. Ações de Iohána e a Mãe Para a gradação temos os diversos membros de uma família que exibem os mesmos traços de caráter, porém em graus diferentes. André situa-se no nível mais inferior em relação ao irmão Pedro
b) Predicados de Base  Reduzimos a quatro os predicados:  Desejo   Religiosidade   Confidências   Obediência  As relações entre todos os personagens, em toda narrativa, podem sempre ser reduzidas a um pequeno número e esta rede de relações tem um papel fundamental para a estrutura da obra. .
c) Regras de Oposição Cada um dos predicados possui um predicado oposto (noção de negação):  Desejo X penitência  Religiosidade X Pecado  Confidências X Revelações  Obediência X Revolta .
d) Ser e Parecer Embora a narrativa seja sempre contada por personagens alguns deles podem nos revelar o que os outros pensam ou sentem. Noutras vezes o protagonista revela intenções divergentes de sua conduta para com os demais personagens. Pai  - para os filhos, é um homem justo que mantém a união da família sob as leis religiosas porém para André e Lula apenas um tirano, dominador que usa da religião como forma de dominar todos a volta sob seu controle em um mundo paralelo.
(continuação)  Ser e Parecer Ana  – espelho da obediência e submissão. Na tradição oriental as filhas devem obediência e respeito tanto aos irmãos, ainda que mais novos, rebela-se no final ao colocar-se de forma escandalosa em meio a festa deixando claro a marca de sua vergonha ao vestir-se com os objetos "ditos" mundanos de André. André  – jovem atormentado pelos sentimentos incestuosos que tem pela mãe os quais transfere à irmã; Através do furor de adolescente imprimi na casa, na mesa, a negligência o temor, os rituais pervertidos e destituídos de mito e o discurso profanado.
e) Regras de Ação
HISTÓRIA E DISCURSO (TODOROV) I- Narrativa como Discurso: Consideramos a narrativa unicamente enquanto discurso, fala (parole) dirigida pelo narrador ao leitor. a) Tempo da Narrativa: Em Lavoura Arcaica o tempo da história é pluridimensional e possivelmente transcorre,  desde o inicio ao término da narrativa, em pouco mais de 24 horas e está dividido em duas partes:  A Partida e O Retorno.  Já o discurso da narrativa é organizado de forma Linear, no entanto é interrompido de tempos em tempos por flashbacks de memória do narrador ou em seus monólogos internos vai nos expondo aos poucos as razões de sua fuga.
b) Encadeamento, Alternância e Encaixamento:  As páginas de Lavoura Arcaica são para serem lidas continuamente; não há parágrafos, poucos senão raros pontos finais. A princípio pode parecer não haver encadeamento entre os pensamentos do narrador e seu discurso, mas essa ligação está presente no desenvolver da estória. Esse traço da escrita, angustiante para alguns leitores, é o que vai nos levar de encontro à alma de André seu mais profundo e obscuro; nos colocamos empaticamente na angustia de quem já se encontra tanto no fim da linha de seus pensamentos, em meio ao seu impróprio e complexo amor  e sua revolta pelas imposições da religião e da moral presentes na figura do pai.
c) Tempo da Escritura (enunciação), Tempo da Leitura(percepção):  xxxxxxxxx.
c) Tempo da Escritura (enunciação), Tempo da Leitura(percepção): Os aspectos mais ligados ao discurso são os possíveis "olhares" por meio dos quais tomamos conhecimento do que é narrado.  Em Lavoura Arcaica o narrador = personagem (visão "DE FORA") André sabe menos que qualquer outro personagem, não pode nos explicar o que acontece, por exemplo, no íntimo de cada um, possui suas próprias impressões e julgamentos sobre os demais, baseado naquilo que vê, ouve, ou simplesmente percebe, nem sempre essas impressões serão semelhantes ao que percebe o leitor (ser e parecer) ;
Objetividade e Subjetividade na Linguagem: A linguagem se dá das duas formas de forma poeticamente subjetiva através de subterfúgios comparativos: “(...)  haveria também de derramar o orvalho frio sobre os cabelos de Lula, quando ele percorresse o caminho que levava da casa para a capela” Também se dá de forma objetiva “(...)  aturdido, mostrei-lhe a cadeira do canto, mas ele nem se mexeu (...)”
Atividade para sala de aula Observar a obra e o filme e relata as diferenças entre eles. Prestar a atenção no papel das imagens ao longo de todo o filme; atentar para descrições visuais de cenários, personagens e acontecimentos; analisar o papel de todos os personagens na construção da narrativa.  Todos os pontos devem ser considerados e possíveis considerações devem ser anotadas, já que ambos, livro e filme são ricos em detalhes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Lavoura Arcaica – Nassar, Raduan, 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1989 As Categorias da Narrativa Literária – Tzvetan Todorov Forma e sentido do texto literário – D'Onófrio, Salvatore, São Paulo: Ática, 2007
Detalhe da obra de James Barry, “Jupiter and Juno on Mount Ida”.  Galeria de Arte de Sheffield City/South Yorkshire - England

Literatura

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    Obra analisada: LavouraArcaica,Raduan Nassar
  • 2.
    Raduan Nassar de origem libanesa, nasceu em 1935 na cidade de Pindorama, interior de São Paulo. Em 1970, Raduan escreve a primeira versão da novela Um copo de cólera e os contos O ventre seco e Hoje de madrugada . Lavoura arcaica , só viria a ser finalizada em 1974, sendo mais tarde publicado em outras línguas. O livro ganha em 1976, o prêmio Coelho Neto para romance, da Academia Brasileira de Letras, e o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (na categoria de Revelação de Autor) e Menção Honrosa e também Revelação de Autor da Associação Paulista de Críticos de Arte — APCA. Em 1997 foi publicada a obra Menina a caminho , a qual reúne seus contos dos anos 60 e 70.
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    Era a épocada crise do campo, da explosão do êxodo rural. A vida rural passava a ter uma visão deteriorada pela sociedade progressista. A ordem do crescimento do país exigia uma vida mais “urbana”, corrente na década de 70 e focalizando o chamado “fim do mundo imigrante”. Famílias de imigrantes eram dominantes na zona rural dos estados brasileiros, a principal mão-de-obra e ao mesmo tempo os maiores proprietários de terras produtivas durante o auge da atividade. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
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    O núcleo familiarneste romance é o ponto central no qual se dinamiza uma estrutura de base patriarcal e conservadora a exemplo do que ainda são hoje as tradições libanesas. Considerando o contexto histórico da obra podemos fazer uma leitura da estrutura familiar de “Lavoura Arcaica” como sendo a representação da sociedade atravessada, a época, por um regime ditatorial e excludente. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
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    A narrativa nosé lançada através dos olhos de André, narrador/protagonista da história que nos conta de forma peculiar, sua vida, suas amarguras, seus anseios e dúvidas todas guardadas em segredo pela ética e moral imposta pela família, religião, cultura e tradição. As páginas de Lavoura Arcaica são para serem lidas continuamente; não há parágrafos, poucos senão raros pontos finais. DETALHES DA NARRATIVA
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    “ As categoriasda narrativa literária”, Todorov, Tzetan
  • 7.
    Tzvetan Todorov (Sófia,1939) é um filósofo e linguista búlgaro radicado na França desde 1963. É um dos grandes teóricos do Estruturalismo. Publicou um número considerável de obras na área de pesquisa linguística e teoria literária.
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    Categorias da NarrativaTodorov propõe distinguir preliminarmente duas noções: a) sentido = função de um elemento dentro da obra, sua possibilidade de ligar-se a outros elementos da mesma obra ou com a obra inteira; b) interpretação = multiplicidade de leituras possíveis, baseadas no olhar do crítico ou do leitor. Não é o mais importante, porque vem de fora da obra.
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    Categorias da NarrativaOs formalistas russos isolaram, como aspectos da obra literária a noção de: Fábula = o que efetivamente ocorreu Assunto = trama. E. Benveniste. (Estruturalista Francês), introduziu os termos "história" e "discurso"
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    Tipos principais deparalelismo: 1º) ligado aos fios que relacionam as grandes unidades da obra e possibilitam seu sentido total; 2º) relacionado às formas verbais, os detalhes.
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    Modelo Homólogico "Anarrativa inteira é constituída pelo encadeamento ou encaixamento de narrativas. São micronarrativas compostas por três (por vezes de dois) elementos cuja presença é obrigatória (...) situações essenciais da vida: (...) 'trapaça', 'contrato' e 'proteção'". "A narrativa representa a projeção sintagmática de uma rede de relações paradigmáticas. Descobre-se pois no conjunto da narrativa uma dependência entre certos elementos, e procura-se encontrá-la na sucessão". Modelo Triático
  • 12.
    Narrativa como históriaA história contém frequentemente muitos 'fios' e é apenas a partir de um certo momento que estes fios se reúnem". O autor distingue, sem se afastar da tradição, dois níveis de história: a) Lógica das ações: Repetições que concernem às ações, personagens ou mesmo detalhes da descrição: Antíteses , que colocam parte idêntica em cada um de dois termos; gradação , que evita a monotonia; a lógica de uma informação decorre desse crescendo informacional; Paralelismo , onde pelo menos dois elementos idênticos apresentam dissemelhanças.
  • 13.
    "Parece evidente que,na narrativa, a sucessão das ações não é arbitrária, mas obedece a uma certa lógica. A aparição de um projeto provoca a aparição de um obstáculo, o perigo provoca uma resistência ou uma fuga";
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    A Narrativa comodiscurso O tempo da narrativa, onde se exprime a relação entre o tempo da história; O tempo do discurso, os aspectos da narrativa, ou a maneira pela qual a história é percebida pelo narrador; Modos da narrativa, Dependem do tipo de discurso utilizado pelo narrador para nos fazer conhecer a história". Tempo do discurso = linear; Tempo da história = pluridimensional.
  • 15.
    (...) É precisodar-se conta que existem duas interpretações morais, de caráter realmente diferente: uma interior ao livro (em toda obra de arte imitativa), e outra que os leitores dão em se preocupar com a lógica da obra". (…) "A imagem do narrador não é uma imagem solitária; desde a primeira página, ela é acompanhada do que se pode chamar 'a imagem do leitor'". Nas "infrações", tanto à história quanto ao discurso, aparecem as duas "ordens": a do livro  (ordem da narrativa) e a do contexto social do universo narrado (ordem da vida)..
  • 16.
    os personagens esuas relações. "A partir deles é que se organizam os outros elementos da narrativa". Regras de derivação: por oposição - a relação que se opõe ao predicado de base "amor" é o "ódio"; a relação que se opõe ao predicado de base "confidência" é a "publicação"; a relação que opõe ao predicado de "ajuda" é a de "oposição") e a que se dá pela passagem da voz ativa para a voz passiva (regra do passivo): "cada ação tem um sujeito e um objeto".
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    os personagens esuas relações. Todorov propõe então a existência de doze relações possíveis entre os personagens, estabelecidas a partir dos predicados de base e das regras de derivação {(3X2)X2)}. "O Ser e o parecer". Dois níveis possíveis para uma mesma relação: o da aparência e o da essência, sempre a partir do ponto de vista dos próprios personagens. Fazer parecer que sente amor ou ódio, por exemplo. Esta duplicidade pode se operar por meio da hipocrisia ou da má-fé dos personagens.
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    O texto “As Categorias da Narrativa Literária”, segundo as classificações apresentadas por Salvatore D'Onófrio, enquadra-se nas que estudam o caráter intrínseco das obras literárias, como uma análise de dentro para fora.
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    HISTÓRIA E DISCURSO(TODOROV) I- Narrativa como história: Os níveis da história: a) Lógica das ações = repetições:  na forma de antíteses, na forma de gradação, que evita a monotonia, de modo que a lógica de uma informação decorre desse crescendo informacional; na forma de paralelismo, provocando comparação, diferenciação. Ao analisar encontramos, por exemplo, a antítese formada pelos 1. Personagens André x Iohána ao tempo a mãe é o ponto de referência que une a arbitrariedade; 2. Ações de Iohána e a Mãe Para a gradação temos os diversos membros de uma família que exibem os mesmos traços de caráter, porém em graus diferentes. André situa-se no nível mais inferior em relação ao irmão Pedro
  • 20.
    b) Predicados deBase Reduzimos a quatro os predicados:  Desejo  Religiosidade  Confidências  Obediência As relações entre todos os personagens, em toda narrativa, podem sempre ser reduzidas a um pequeno número e esta rede de relações tem um papel fundamental para a estrutura da obra. .
  • 21.
    c) Regras deOposição Cada um dos predicados possui um predicado oposto (noção de negação):  Desejo X penitência  Religiosidade X Pecado  Confidências X Revelações  Obediência X Revolta .
  • 22.
    d) Ser eParecer Embora a narrativa seja sempre contada por personagens alguns deles podem nos revelar o que os outros pensam ou sentem. Noutras vezes o protagonista revela intenções divergentes de sua conduta para com os demais personagens. Pai - para os filhos, é um homem justo que mantém a união da família sob as leis religiosas porém para André e Lula apenas um tirano, dominador que usa da religião como forma de dominar todos a volta sob seu controle em um mundo paralelo.
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    (continuação) Sere Parecer Ana – espelho da obediência e submissão. Na tradição oriental as filhas devem obediência e respeito tanto aos irmãos, ainda que mais novos, rebela-se no final ao colocar-se de forma escandalosa em meio a festa deixando claro a marca de sua vergonha ao vestir-se com os objetos "ditos" mundanos de André. André – jovem atormentado pelos sentimentos incestuosos que tem pela mãe os quais transfere à irmã; Através do furor de adolescente imprimi na casa, na mesa, a negligência o temor, os rituais pervertidos e destituídos de mito e o discurso profanado.
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    HISTÓRIA E DISCURSO(TODOROV) I- Narrativa como Discurso: Consideramos a narrativa unicamente enquanto discurso, fala (parole) dirigida pelo narrador ao leitor. a) Tempo da Narrativa: Em Lavoura Arcaica o tempo da história é pluridimensional e possivelmente transcorre, desde o inicio ao término da narrativa, em pouco mais de 24 horas e está dividido em duas partes: A Partida e O Retorno. Já o discurso da narrativa é organizado de forma Linear, no entanto é interrompido de tempos em tempos por flashbacks de memória do narrador ou em seus monólogos internos vai nos expondo aos poucos as razões de sua fuga.
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    b) Encadeamento, Alternânciae Encaixamento: As páginas de Lavoura Arcaica são para serem lidas continuamente; não há parágrafos, poucos senão raros pontos finais. A princípio pode parecer não haver encadeamento entre os pensamentos do narrador e seu discurso, mas essa ligação está presente no desenvolver da estória. Esse traço da escrita, angustiante para alguns leitores, é o que vai nos levar de encontro à alma de André seu mais profundo e obscuro; nos colocamos empaticamente na angustia de quem já se encontra tanto no fim da linha de seus pensamentos, em meio ao seu impróprio e complexo amor e sua revolta pelas imposições da religião e da moral presentes na figura do pai.
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    c) Tempo daEscritura (enunciação), Tempo da Leitura(percepção): xxxxxxxxx.
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    c) Tempo daEscritura (enunciação), Tempo da Leitura(percepção): Os aspectos mais ligados ao discurso são os possíveis "olhares" por meio dos quais tomamos conhecimento do que é narrado. Em Lavoura Arcaica o narrador = personagem (visão "DE FORA") André sabe menos que qualquer outro personagem, não pode nos explicar o que acontece, por exemplo, no íntimo de cada um, possui suas próprias impressões e julgamentos sobre os demais, baseado naquilo que vê, ouve, ou simplesmente percebe, nem sempre essas impressões serão semelhantes ao que percebe o leitor (ser e parecer) ;
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    Objetividade e Subjetividadena Linguagem: A linguagem se dá das duas formas de forma poeticamente subjetiva através de subterfúgios comparativos: “(...) haveria também de derramar o orvalho frio sobre os cabelos de Lula, quando ele percorresse o caminho que levava da casa para a capela” Também se dá de forma objetiva “(...) aturdido, mostrei-lhe a cadeira do canto, mas ele nem se mexeu (...)”
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    Atividade para salade aula Observar a obra e o filme e relata as diferenças entre eles. Prestar a atenção no papel das imagens ao longo de todo o filme; atentar para descrições visuais de cenários, personagens e acontecimentos; analisar o papel de todos os personagens na construção da narrativa. Todos os pontos devem ser considerados e possíveis considerações devem ser anotadas, já que ambos, livro e filme são ricos em detalhes.
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    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LavouraArcaica – Nassar, Raduan, 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1989 As Categorias da Narrativa Literária – Tzvetan Todorov Forma e sentido do texto literário – D'Onófrio, Salvatore, São Paulo: Ática, 2007
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    Detalhe da obrade James Barry, “Jupiter and Juno on Mount Ida”. Galeria de Arte de Sheffield City/South Yorkshire - England

Notas do Editor

  • #8 O pensamento de Todorov direciona-se, após seus primeiros trabalhos de crítica literária sobre poesia eslava, para a filosofia da linguagem, numa visão estruturalista que a concebe como parte da semiótica (saussuriana), fato que se deve aos seus estudos dirigidos por Roland Barthes.
  • #33 James Barry (11 de outubro de 1741 - 22 de Fevereiro 1806), um dos mais importantes pintores neoclássicos da Irlanda Por causa de sua determinação para criar a arte de acordo com seus próprios princípios e não os de seus patronos, ele também é conhecido como um dos primeiros pintores românticos que trabalham na Grã-Bretanha. Na mitologia romana, Juno é a esposa de Júpiter e rainha dos deuses. Sua equivalente na mitologia grega é Hera.