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FUNDAMENTO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA




       Elaboração: Samuel Brauer




     Educação a Distância – UNICEUMA   2
Objetivos de Aprendizagem


      Objetivo geral: ao final desta capacitação, os participantes
      deverão demonstrar competências para:


Mediar processos de aprendizagem na modalidade educacional à
distância, ofertados no ambiente virtual de aprendizagem Moodle.


Objetivos específicos:


      Módulo Moodle (4 horas)


1. Definir sistemas de gerenciamento de aprendizagem (LMS);
2. Acessar o Moodle
3. Alterar senha
4. Preencher Perfil
5. Abrir Fórum
6. Abrir Chat
7. Enviar Mensagens
8. Receber Mensagens
9. Inserir Conteúdos no Moodle
10.Criar um rótulo
11.Inserir imagem no Moodle
12.Inserir um vídeo/áudio
13.Gerar tarefas
14.Gerar Questionários
15.Gerar enquetes
16.Abrir Wiki
17.Monitorar participação do aluno
18.Atribuir notas e feedbacks




                      Educação a Distância – UNICEUMA                3
Módulo Didático-Pedagógico em EAD (4 horas)


   1. Classificar as competências necessárias ao tutor;
   2. Identificar as principais características da atividade de tutoria;
   3. Identificar os pré-requisitos necessários à atividade de tutoria;
   4. Identificar as diferenças entre os papéis do professor e do tutor;
   5. Identificar as funções das ferramentas tecnológicas (fórum, chat e
        wiki), do ponto de vista didático, utilizadas para a tutoria;
   6. Conceituar Aprendizagem Colaborativa;
   7. Identificar as principais potencialidades e características de
        Aprendizagem Colaborativa;
   8. Identificar as principais características da avaliação de aprendizagem
        na EaD;
   9. Identificar as principais características do texto on line;
   10.Identificar as principais diferenças entre um texto convencional e um
        hipertexto;
   11.Definir interação e interatividade;
   12.Utilizar, corretamente, figuras e gráficos na instrução on line;
   13.Discriminar as principais características da instrução on line;




BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA


Ausubel, D P et al. 1980. Psicologia Educacional. Rio de Janeiro, Ed
Interamericano
Belloni, Maria Luiza (1999). Educação a Distância. Campinas: Autores
   Associados.
Bruner, J.S. Uma Nova Teoria da Aprendizagem. Rio de Janeiro: Ed. Bloch,
1976.
Emerenciano, M. S.; Wichert, J. Scarpini, M. L.1998. Concepção integrada.
Universa: Brasília, (Eixo Temático I, UEA 4, Curso de Pós-Graduação Lato
Sensu em Educação a Distância)
Freire, P. Conscientização - teoria e prática da libertação. 3ª ed. São Paulo:
Moraes, 1980.



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Furtado, E., Lincoln F. Furtado V. Raimir H. 2001, Um sistema de
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de Informática na Educação. UFSC. Vol. 8 Abril.
Gonzáles, M. 2005. Fundamentos da Tutoria em Educação a Distância. São
Paulo, Editora Avercamp.
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   An International Journal, 1 (1).
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   Esfera.
Moore, M.G. & Kearsley, G. Distance Education. (1996). A Systems View.
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Moran, J.M. (1994). Interferências dos meios de comunicação no nosso
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   2, jul./dez. URL: http://www.eca.usp.br/eca.prof/moran.
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   a Distância, nos. 4/5, dezembro/93-abril/94. Brasília: INED.
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   estudantes online. Artmed.
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   Educacionais: um manual para o usuário . Brasília: Edunb.
Pinheiro, M.A.(2002). Estratégias para Design Instrucional de Cursos pela
   Internet: Um Estudo de Caso. Dissertação de Mestrado, Universidade
   Federal de Santa Catarina –SC.
Rosenberg, M. J. (2002). E-Learning – Estratégias para a Transmissão do
   Conhecimento na Era Digital. São Paulo: Makron Books.


                         Educação a Distância – UNICEUMA                      5
Preti, O. (1996). Educação à distância: inícios e indícios de um percurso.
   Cuiabá: NEAD/IE – UFMt.
Souza, A.M.M., Depresbiteris.L., Machado, O.T.M.M. 2004. A mediação
como princípio educacional: bases teóricas das abordagens de Reuven
Feuerstein. Senac SP
Tripathi, A. K. (1997) Comentário realizado na lista de discussão: DEOS-
   L@lists.psu.em. (em 12.11.1997).
Vygostky, L.S. (1988) A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins
Fontes.




                       Educação a Distância – UNICEUMA                  6
1. Introdução
      Um primeiro passo para o profissional que deseja atuar como tutor
em cursos da modalidade a distância é o de se tornar, caso ainda não o
tenha feito, um aluno virtual. É mais provável que quem já passou pela
experiência de estudar a distância possa apresentar maiores chances de
entender como sentem outras pessoas que estão vivenciando uma situação
mais ou menos semelhante à sua.
      Ribeiro e Neves (2006) afirmam que o processo de tutoria demanda
que o docente desenvolva ações que, embora tenham o mesmo objetivo da
educação presencial, isto é, de facilitar a aprendizagem do aluno, solicitem
uma atuação diferente no papel daquela de uma sala de aula, entre quatro
paredes com uma determinada turma, olho no olho. O que há de diferente
no papel do professor a distância, como será observado ao longo deste
curso, é que, por meio de uma orientação pedagógica de interação
mediatizada, com canais de comunicação, o professor-tutor se comunica
com alunos e instituição.
      Com o exposto, as autoras argumentam que, não importa o quanto
de experiência e conhecimento teórico os profissionais já tenham, o fato é
que todos, sem exceção, necessitam passar por um processo de formação e
de familiarização na modalidade à distância, não apenas inicial, como este,
mas permanente.
      Este curso se divide em dois blocos: em um primeiro momento serão
apresentadas algumas teorias de aprendizagem com abordagens sócio-
construtivistas e suas percepções para a modalidade à distância; na
segunda parte, mais prática, serão determinados os principais pré-
requisitos e competências técnicas da tutoria, seguidos de uma série de
considerações e dicas sobre o exercício da tutoria em si, com considerações
sobre comunicação, linguagem escrita, motivação, gerenciamento de
tempo, feedback, evasão e avaliação.
      Espera-se que o leitor atento possa apreender todos os conceitos
apresentados, bem como discutir com colegas e instrutor todas as
considerações práticas abordadas.




                      Educação a Distância – UNICEUMA                     7
2. O que é Educação a Distância?
      Segundo Moran (1994), educação a distância é o processo de ensino-
aprendizagem, mediado por tecnologias, no qual professores e alunos estão
separados espacial e/ou temporalmente. Apesar de não estarem juntos, de
maneira     presencial,   eles    podem     estar   conectados,     interligados   por
tecnologias, principalmente as telemáticas, que se referem ao conjunto de
tecnologias da informação e da comunicação resultante da junção entre os
recursos das telecomunicações (telefonia, satélite, cabo, fibras óticas, etc) e
da informática (computadores, periféricos, softwares e sistemas de redes),
como a Internet. Mas também podem ser utilizados o correio, o rádio, a
televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e tecnologias semelhantes.
      Na expressão "ensino a distância", a ênfase é dada ao papel do
professor (como alguém que ensina a distância). Já na expressão
“aprendizagem à distância” o foco está no aluno. Assim, opta-se pela
palavra     “educação”    que    é   mais   abrangente,    embora     nenhuma      das
expressões seja perfeitamente adequada.
      Hoje,     temos     a      educação    presencial,   semipresencial      (parte
presencial/parte virtual ou à distância) e educação à distância (ou virtual).
A presencial é a dos cursos regulares, em qualquer nível, nos quais
professores e alunos se encontram sempre num local físico, chamado sala
de aula. É o ensino convencional. A semipresencial acontece uma parte na
sala de aula e outra parte a distância, através de tecnologias. A educação a
distância    pode   ter   ou     não   momentos      presenciais,    mas    acontece
fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no
espaço e/ou no tempo, podendo estar juntos através de tecnologias de
comunicação.
      Outro conceito importante é o de educação contínua ou continuada,
que se dá no processo de formação constante, de aprender sempre, de
aprender em serviço, juntando teoria e prática, refletindo sobre a própria
experiência, ampliando-a com novas informações e relações.
      A educação a distância pode ser feita nos mesmos níveis que o ensino
regular, no ensino fundamental, médio, superior e na pós-graduação.
Entretanto, a EAD é mais adequada para a educação de adultos,
principalmente para aqueles que já têm experiência consolidada de


                          Educação a Distância – UNICEUMA                           8
aprendizagem individual e de pesquisa, como acontece no ensino de pós-
graduação e também no de graduação.
      Há modelos exclusivos de instituições de educação à distância, que só
oferecem programas nessa modalidade, como a Open University da
Inglaterra ou a Universidade Nacional a Distância da Espanha. A maior
parte das instituições que oferece cursos à distância, também o faz no
ensino presencial. Esse é o modelo atual predominante no Brasil.
      A seguir, as principais definições de EAD, suas diferenças e alguns do
pressupostos para a mesma.


3. Distinção de Definições de EAD
      Uma das definições mais citadas de educação a distância é a de
Keegan (1980): “o ensino a distância é o tipo de método de instrução em
que as condutas docentes acontecem à parte das discentes, de tal maneira
que a comunicação entre o professor e o aluno se possa realizar mediante
textos impressos, por meios eletrônicos, mecânicos ou por outras técnicas”.
      Para Peters (apud Belloni, 1999), Educação/Ensino a Distância é um
método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes, através
da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, pelo uso
extensivo de meios de comunicação, especialmente para o propósito de
reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível
instruir um grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto
esses materiais durarem. É uma forma industrializada de ensinar e
aprender (Nunes, 1992).
      Holmberg (1980) afirma que o termo "educação à distância" esconde-
se sob várias formas de estudo, nos vários níveis que não estão sob a
contínua e imediata supervisão de tutores presentes com seus alunos nas
salas de leitura ou no mesmo local. A educação a distância se beneficia do
planejamento, direção e instrução da organização do ensino.
      Para Preti (1996) a Educação a Distância é um sistema tecnológico de
comunicação bidirecional que pode ser massivo e que substitui a interação
pessoal na sala de aula entre professor e aluno como meio preferencial de
ensino pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e o




                      Educação a Distância – UNICEUMA                      9
apoio de uma organização e tutoria que propiciam uma aprendizagem
independente e flexível.
       Segundo      Landim      (1997),      educação      a   distância      pressupõe     a
combinação de tecnologias convencionais e modernas que possibilitam o
estudo individual ou em grupo, nos locais de trabalho ou fora, por meio de
métodos de orientação e tutoria à distância, contando com atividades
presenciais específicas, como reuniões do grupo para estudo e avaliação.
       Moore e Kearsley (1996) afirmam que a EAD, para ter uma definição
clara, deve possuir seis elementos essenciais:
      Separação entre estudante e professor;
      Influência     de    uma       organização     educacional,    especialmente        no
       planejamento e preparação dos materiais instrucionais;
      Uso de meios técnicos
      Providências para comunicação em duas vias;
      Possibilidade de seminários (presenciais) ocasionais.
      Participação na forma mais industrial de Educação.


       Preti (1996) destaca os seguintes elementos da EAD:
      A distância física professor-aluno: a presença física do professor ou
       do tutor, isto é do interlocutor, da pessoa com quem o estudante vai
       dialogar não é necessária e indispensável para que se dê a
       aprendizagem. Ela se dá de outra maneira, "virtualmente";
      De    estudo        individualizado      e    independente:         reconhece-se     a
       capacidade do estudante de construir seu caminho, seu conhecimento
       por ele mesmo, de se tornar autodidata, ator e autor de suas práticas
       e reflexões;
      Um processo de ensino-aprendizagem mediatizado: a EAD deve
       oferecer     suportes      e    estruturar    um   sistema     que     viabilizem    e
       incentivem      a     autonomia       dos     estudantes      nos     processos     de
       aprendizagem.
      O uso de tecnologias: os recursos técnicos de comunicação, que hoje
       têm   alcançado         um      avanço       espetacular   (correio,     rádio,     TV
       audiocassete, hipermídia interativa, Internet), permitem romper com
       as barreiras das distâncias, das dificuldades de acesso à educação e


                            Educação a Distância – UNICEUMA                                10
dos problemas de aprendizagem por parte dos alunos que estudam
       individualmente,      mas     não    isolados       e     sozinhos.     Oferecem
       possibilidades   de      se   estimular     e    motivar    o   estudante,    de
       armazenamento e divulgação de dados, de acesso às informações
       mais distantes e com uma rapidez incrível.
      a comunicação bidirecional: o estudante não é mero receptor de
       informações,     de   mensagens;          apesar    da     distância,   busca-se
       estabelecer relações dialogais, criativas, críticas e participativas.
      Tripathi (1997) selecionou três critérios básicos para definir Educação
       a Distância:
      Separação entre o professor e os alunos durante a maior parte do
       processo instrucional;
      O uso de mídias instrucionais para unir professor e alunos;
      A viabilidade de comunicação em duas vias entre professor e alunos.


4. Breve História da Educação a Distância
       Na sua história, a EAD teve diferentes estágios ou gerações. A
primeira geração caracterizou-se pelo estudo por correspondência, cujo
meio de comunicação era o material impresso, geralmente um guia de
estudos com exercícios escritos e outras tarefas enviados pelo correio.
Muitos dos cursos à distância espalhados pelo mundo ainda são conduzidos
por correspondência.
       A segunda geração da EAD iniciou-se nos anos 1970, com a criação
das primeiras Universidades Abertas. As Universidades Abertas utilizaram
uma visão sistêmica na implementação do projeto de educação à distância.
Usaram recursos de instrução por correspondência e transmissão de
material gravado através de rádio e televisão e envio de videotapes. Os
recursos   utilizados   pelas    Universidades         Abertas    representaram     uma
transição para o surgimento da terceira geração de EAD. Aos materiais dos
cursos, transmitidos por TV ou enviados no formato de videotape, somou-se
a interação através de telefone, satélite, cabo ou ISDN (Integrated Services
Digital Network).
       A partir da década de 1990 emerge a terceira geração de EAD,
baseada    em   redes de     computadores, recursos              para conferências    e


                        Educação a Distância – UNICEUMA                              11
multimídia. A EAD entrou em um terceiro momento histórico que permite a
universalização   do     aprendizado       como   conseqüência     dos   avanços
tecnológicos. As novas tecnologias de informação e comunicação são
recursos que podem ser interligados a vários campos da educação.
      Hoje já se considera uma quarta geração de EAD, caracterizada pelo
uso de banda larga de comunicação, que permite estabelecer e manter a
interação dos participantes de uma comunidade de aprendizagem com mais
qualidade e rapidez.
      Em     função    das   tecnologias   adotadas   para   a   transmissão   da
informação, a evolução do ensino a distância pode ser dividida em três
fases ou gerações: textual, analógica e digital.
4.1. Geração textual (1890 a 1960)
      A EAD tem suas origens no final do século XIX com a criação, em
diferentes países, de instituições que ofereciam cursos por correspondência.
Tratava-se, fundamentalmente, de atingir um setor da população que não
tinha outra forma de acesso à educação por razões geográficas, por falta de
escolas próximas, ou por outras impossibilidades. Nesse primeiro momento
da EAD, realizava-se o ensino por correspondência com escassa ou
nenhuma interatividade entre as partes. Entre os países que mais a
impulsionaram estão a União Soviética, a Alemanha, a Grécia, a Inglaterra,
os Estados Unidos, seguidos da Austrália e da América Latina. Era basEADa
numa atitude isolada de auto-aprendizado apoiado apenas por materiais
impressos.


4.2. Geração analógica (1960 a 1980)
      A segunda geração apareceu após a criação da Universidade Aberta
(Open University) do Reino Unido em 1969, ocasião em que se começava a
compreender a universidade aberta como um sistema educativo. Era o
tempo da democratização do saber. Fundamentava-se na idéia de se
oferecer uma segunda oportunidade a grandes setores da população adulta,
que não tinham tido acesso à educação quando estavam em idade escolar.
A grande marca dessa segunda geração foi um novo modelo de EAD, não
mais centrado apenas no envio de materiais impressos por correspondência,
mas combinando-o com reuniões, encontros presenciais, sessões periódicas


                        Educação a Distância – UNICEUMA                        12
de tutorias e emissões radiofônicas. Além disso, o modelo proposto era
respaldado por uma instituição pública que expedia a titulação oficial.
       O surgimento da Open University influenciou muitos outros países,
que adaptaram o modelo institucional e pedagógico dessa instituição. Desse
modo, apareceram outras Universidades e Centros em países como
Alemanha, Paquistão, Israel, Canadá, Austrália, Costa Rica, Venezuela,
Japão, Índia, Irlanda, França e Espanha. As universidades abertas nesses
países também se basearam no modelo de auto-aprendizado com tutoria e
suporte de áudio e vídeo.


4.3. Geração digital
       A   terceira    geração     traz   novos      paradigmas       para   a   educação.
Caracteriza-se pela inserção das novas tecnologias de informação e
comunicação basEADas em redes de computadores. O baixo custo e o alto
grau de interatividade dos computadores ligados em redes possibilitam
diferentes formas de distribuição e acesso às informações, imprimindo um
novo ritmo à educação. É cada vez mais comum a utilização de recursos
interativos - como correio eletrônico, bate-papo e videoconferência – para
promover encontros virtuais entre os professores e os alunos.
       Essas novas tecnologias possibilitam ao indivíduo acesso a uma
educação    global,    em    que    a     inovação    e   a    descoberta    são    etapas
fundamentais do processo de aprendizagem.


5. EAD no Brasil
       A história da EAD no Brasil iniciou-se em 1923, quando Edgard
Roquette Pinto fundou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (posteriormente
Rádio MEC) e deu início a programas de EAD por radiodifusão.
       Em 1941 foi fundado o Instituto Universal Brasileiro (IUB). O Instituto
foi   um   dos   pioneiros    na    EAD     em    nosso       país,   oferecendo    cursos
profissionalizantes.
       De todas as iniciativas realizadas, é o IUB que possui uma
organização de educação a distância modular, que há mais de 50 anos
desempenha um relevante papel na aplicação e modernização desse
método de ensino. Atualmente possui cerca de 160 mil alunos matriculados,


                         Educação a Distância – UNICEUMA                               13
aprimorando ou atualizando uma profissão e complementando assim sua
formação cultural. O Instituto ainda oferece cursos oficiais supletivos de
ensino fundamental e médio (antigo 1º e 2º graus).
      Com relação aos cursos de ensino superior, Maia (2002) acredita que,
apesar da grande maioria dos cursos desenvolvidos até o momento estarem
voltados para a formação de professores, licenciatura e especializações em
EAD   e     em   Educação     Mediada    pelas   Tecnologias   de   Informação    e
Comunicação (TICs), a tendência para os próximos anos é a implantação e
desenvolvimento de cursos de graduação e seqüenciais nas diferentes áreas
do saber, como administração, economia, comunicações, turismo e outros.
      A seguir, no Quadro 4, são apresentados endereços de associações,
consórcios e redes ligadas à área de EAD no Brasil:


Quadro 4. Endereços de associações, consórcios e redes ligadas à área de
EAD no Brasil.
Associações                             Endereço
ABED - Associação Brasileira de http://www.abed.org.br
Educação a Distância
ABT - Associação Brasileira de http://www.abt-br.org.br/
Tecnologia Educacional
SEED – Secretaria de Educação http://www.mec.gov.br/seed
a Distância
Instituto   UVB      -   Universidade http://www.iuvb.edu.br/
Virtual Brasileira
UniRede – Universidade Virtual http://www.unirede.br/
Pública do Brasil
SOCINFO – Programa Sociedade http://www.socinfo.org.br
da Informação
IPAE - Instituto de Pesquisas http://www.ipae.com.br
Avançadas em Educação




                           Educação a Distância – UNICEUMA                       14
6. Teorias de Aprendizagem – Uma Síntese relevante para
percepções da Educação a Distância

       Rosa   (2005)    afirma   que,   atualmente,   pode-se   caracterizar    a
tendência da educação brasileira como construtivista, com ênfase na idéia
interacionista de Vygotsky (1989) ou Paulo Freire (1983). Esta abordagem
vê o aluno como construtor de seu conhecimento, mas inserido numa dada
sociedade, numa dada cultura que determina esse conhecimento. Não é a
consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência,
segundo Marx e Engels (1984), inspiradores da obra vigotskiniana e
freiriana. Assim, o ser que aprende - ou que constrói o conhecimento -
transforma a realidade, e o faz pela ação e reflexão; não há apropriação
rigorosa e definitiva entre o ser vivo e o seu meio, mas as relações são de
transformação mútua. Diz Paulo Freire (1983, p.39):


"Entendemos que, para o homem, o mundo é uma realidade objetiva, independente
dele, possível de ser conhecida. É fundamental, contudo, partirmos de que o
homem, ser de relações e não só de contatos, não apenas está no mundo, mas
com o mundo. Estar com o mundo resulta de sua abertura à realidade, que o faz
ser o ente de relações que é."


       Se o ser humano pode conhecer e transformar o mundo em que vive,
a escola pode instrumentalizá-lo para isto. A escola é um espaço cultural de
conhecimento, local de crescimento de alunos e professores, uma instituição
que existe num contexto histórico de uma determinada sociedade. O
professor, agente social, tem o papel de problematizador dessa realidade,
ajudando o aluno a passar das formas mais primitivas da consciência para
uma consciência crítica. O professor cria situações para desmistificar a
cultura dominante, valorizando a linguagem e a cultura do aluno; o aluno,
por sua vez, analisa o conteúdo criticamente e produz cultura. A avaliação,
faz-se da prática e dos participantes do processo (alunos e professores).
       A seguir, serão explicitados alguns conceitos importantes das
principais teorias de aprendizagem centradas em abordagens sócio-
construtivistas e que, portanto, são relevantes para o desenvolvimento da
Educação à distância.


                        Educação a Distância – UNICEUMA                        15
6.1. Jean Piaget e a teoria da Equilibração

      Segundo Piaget, a construção do conhecimento ocorre quando
acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que, provocando o
desequilíbrio, resultam em assimilação ,ou acomodação e assimilação
dessas ações e, assim, em construção de esquemas ou conhecimento. Em
outras palavras, uma vez que a criança não consegue assimilar o estímulo,
ela tenta fazer uma acomodação e após, uma assimilação o equilíbrio é
então alcançado.

6.1.1. Esquema
      Autores sugerem que imaginemos um arquivo de dados na nossa
cabeça. Os esquemas são análogos às fichas deste arquivo, ou seja, são as
estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente
organizam o meio. São estruturas que se modificam com o desenvolvimento
mental e que se tornam cada vez mais refinadas a medida em que a criança
torna-se mais apta a generalizar os estímulos.
      Por este motivo, os esquemas cognitivos do adulto são derivados dos
esquemas sensório-motores da criança e os processos responsáveis por
essas mudanças nas estruturas cognitivas são assimilação e acomodação.
6.1.2. Assimilação:
      É o processo cognitivo de colocar (classificar) novos eventos em
esquemas existentes. É a incorporação de elementos do meio externo
(objeto, acontecimento,...) a um esquema ou estrutura do sujeito.
Em outras palavras, é o processo pelo qual o indivíduo, cognitivamente,
capta o ambiente e o organiza possibilitando assim, a ampliação de seus
esquemas.
Na assimilação o indivíduo usa as estruturas que já possui.
6.1.3. Acomodação:
   É a modificação de um esquema ou de uma estrutura em função das
particularidades do objeto a ser assimilado. A acomodação pode ser de duas
formas, visto que se pode ter duas alternativas:




                      Educação a Distância – UNICEUMA                   16
    Criar um novo esquema no qual se possa encaixar o novo estímulo,
        ou;
       Modificar um já existente de modo que o estímulo possa ser incluído
        nele.
   Após ter havido a acomodação, a criança tenta novamente encaixar o
estímulo no esquema e aí ocorre a assimilação. Por isso, a acomodação não
é determinada pelo objeto e sim pela atividade do sujeito sobre este, para
tentar assimila-lo. O balanço entre assimilação e acomodação é chamado de
adaptação.
6.1.4. Equilibração:
        É o processo da passagem de uma situação de menor equilíbrio para
uma de maior equilíbrio. Uma fonte de desequilíbrio ocorre quando se
espera que uma situação ocorra de determinada maneira, e esta não
acontece.


6.2. Jerome Bruner e a Aprendizagem por Descoberta
        Bruner (1976) preocupa-se em induzir uma participação ativa do
aluno no processo de aprendizagem, contemplando a "Aprendizagem por
Descoberta". Seu enfoque é a exploração de alternativas e o currículo em
espiral. O conceito de exploração de alternativas pressupõe que o ambiente
ou conteúdo de ensino deve proporcionar alternativas para que o aluno
possa    inferir   relações   e   estabelecer   similaridades   entre   as   idéias
apresentadas, favorecendo a descoberta de princípios ou relações. Por sua
vez o currículo em espiral permite que o aluno veja o mesmo tópico em
diferentes níveis de profundidade e modos de representação.
Para Bruner, o desenvolvimento intelectual depende da maturação para
representação e da integração. A maturação para representação depende
do nível de amadurecimento do aluno e varia com o crescimento, através de
refinamentos constantes, sendo dividida em três modos de representação
do mundo: enativo, icônico e simbólico. Através desses três modos de
representação, os indivíduos passam por três estágios de processamento e
representação de informações: manuseio e ação, organização perceptiva e
imagens e utilização de símbolos. A integração é a capacidade do sujeito




                         Educação a Distância – UNICEUMA                        17
transcender o momentâneo, desenvolvendo meios de ligar passado-
presente-futuro.
         Um dos pontos chave para o desenvolvimento intelectual são os
ambientes abertos, onde a capacidade de representação e integração são
estimuladas, através de técnicas provenientes da exposição ao ambiente
especializado de uma dada cultura.
         O modelo de aprendizagem pela descoberta de Bruner, estabelece
que se deve usar uma abordagem voltada para a solução de problemas
ao ensinar novos conceitos. As mais importantes contribuições deste
modelo para a EAD são especificar experiências de aprendizagem pelas
quais os estudantes têm de passar; relacionar um volume de conhecimento
ao nível dos estudantes; escalonar as informações de maneira que elas
possam ser facilmente compreendidas.
         Bruner enfatiza a aprendizagem por descoberta, no qual se preocupa
em       induzir   uma   participação   ativa   do   aprendiz   no   processo   de
aprendizagem. Para o aluno aprender deve haver situações de desafio que a
levem a resolver problemas.


         Enativa (movimento, respostas motoras)
         Icônica (percepção do ambiente e formação de modelos).
         Simbólica (ordena e organiza as imagens com historicidade).


         Bruner (1976) acredita que a solução de muitas questões depende de
uma situação ambiental que se apresente como um desafio à inteligência do
aprendiz, levando-o a resolver problemas, promovendo a transferência da
aprendizagem. Aplicação dos conhecimentos adquiridos a uma nova
situação.
         Bruner distingue dois tipos de motivação: motivação intrínseca e
motivação extrínseca. O professor deve sempre estimular os alunos para a
descoberta, desafiando-os sempre. Para ele, aprendizagem é também
motivação, onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser
aprendido. Ele realça a importância da motivação e da compreensão no
processo de aprendizagem. A formação de conceitos globais, a construção




                          Educação a Distância – UNICEUMA                       18
de generalizações coerentes e a explicitação da estrutura funcionam como
facilitadores da aprendizagem.
   Bruner     apresenta       4   princípios   explicativos    do   processo      de
ensino/aprendizagem:


      Motivação (reforços e motivação intrínseca);
      Estrutura (modo de apresentação, economia e poder da informação);
      Seqüência (apresentação motora a que se segue a icônica e por fim a
       simbólica);
      Reforço (feedback da ação).


   Em resumo, a, teoria de Bruner inclui a participação ativa do aluno no
processo de aprendizagem, a aprendizagem por descoberta, a exploração
de alternativas, o currículo em espiral e a aprendizagem segundo as fases
internas do desenvolvimento.



6.3. Paul Ausubel e a Aprendizagem Significativa


       A teoria da aprendizagem significativa tem exercido uma enorme
influência na educação e se baseia em um modelo construtivista dos
processos cognitivos humanos. Em particular, a teoria da assimilação
descreve como o estudante adquire conceitos, e como se organiza sua
estrutura cognitiva. A premissa fundamental de Ausubel é ilusoriamente
simples:
       "O aprendizado significativo acontece quando uma informação nova é
adquirida mediante um esforço deliberado por parte do aprendiz em ligar a
informação nova com conceitos ou proposições relevantes preexistentes em
sua estrutura cognitiva. (Ausubel et al., 1978, p. 159)”.
       Para   Ausubel,    o   principal   no   processo   de   ensino   é   que    a
aprendizagem seja significativa. Isto é, o material a ser aprendido precisa
fazer algum sentido para o aluno. Isto acontece quando a nova informação
“ancora-se” nos conceitos relevantes já existentes na estrutura cognitiva do
aprendiz.



                         Educação a Distância – UNICEUMA                          19
Neste processo a nova informação interage com uma estrutura de
conhecimento específica, que Ausubel chama de conceito “subsunçor”. Esta
é uma palavra que tenta traduzir a inglesa “subsumer”.
       Quando o material a ser aprendido não consegue ligar-se a algo já
conhecido, ocorre o que Ausubel chamou de aprendizagem mecânica (“rote
learning”). Ou seja, isto ocorre quando as novas informações são
aprendidas sem interagirem com conceitos relevantes existentes na
estrutura cognitiva. Assim, a pessoa decora formulas, leis, macetes para
provas e esquece logo após a avaliação.
       Para    haver     aprendizagem     significativa   é   preciso   haver   duas
condições:
      O aluno precisa ter uma disposição para aprender: se o indivíduo
       quiser memorizar o material arbitrariamente e literalmente, então a
       aprendizagem será mecânica;
      O material a ser aprendido tem que ser potencialmente significativo,
       ou seja ele tem que ser logicamente e psicologicamente significativo:
       o significado lógico depende somente da natureza do material, e o
       significado psicológico é uma experiência que cada indivíduo tem.
       Cada aprendiz faz uma filtragem dos materiais que têm significado ou
       não para si próprio.
   Para Ausubel é importante a aprendizagem de conteúdo verbal com
sentido, aquisição e retenção de conhecimentos de maneira "significativa".
O resultado é tão eficaz quanto a aprendizagem por "descoberta", mais
efetivos por economizarem tempo do aprendiz e serem mais tecnicamente
organizados. Este autor se preocupa mais no processo de instrução com a
apresentação de conteúdo com sentido, do que com os processos cognitivos
do aprendiz. A programação de matérias deve ser feita por meio de uma
série hierárquica (em ordem crescente de inclusão), com cada organizador
avançado precedendo sua correspondente unidade.
   Para Ausubel, a aprendizagem não necessita necessariamente da
motivação. Ela ocorre por si só. Para ele, quando se aprende algo, há uma
satisfação    inicial,   que   estimula   que   o   ato   pedagógico    continue   se
desenvolvendo. O aspecto cognitivo é a sua maior preocupação. A
motivação para ele é crescente no momento em que o aluno conhece os


                          Educação a Distância – UNICEUMA                          20
objetivos do ensino, que devem ser claros e relacionados com o imediato.
Para ele, motivação é a própria aprendizagem.


6.4. Lev Semyonovitch Vigotsky e o Interacionismo
       Vygotsky baseia sua teoria do interacionismo em uma visão de
desenvolvimento apoiada na concepção de um organismo ativo, onde o
pensamento é construído gradativamente em um ambiente histórico e, em
essência, social. A interação social possui um papel fundamental no
desenvolvimento cognitivo e toda função no desenvolvimento cultural de
um sujeito aparece primeiro no nível social, entre pessoas, e depois no nível
individual, dentro dele próprio.
       Segundo Vygotsky (1988) , a interação social é origem e motor da
aprendizagem e do desenvolvimento intelectual. Todas as funções no
desenvolvimento do ser humano aparecem primeiro no nível social
(interpessoal), depois, no nível individual (intrapessoal). A aprendizagem
humana pressupõe uma natureza social específica e um processo através do
qual as pessoas penetram na vida intelectual daquelas que as cercam.
       Portanto, uma atualização destas noções nos possibilita pensar o
novo estilo de pedagogia, que favorece a aprendizagem coletiva em rede
(nível social ou interpessoal) e,     ao mesmo tempo as aprendizagens
personalizadas (nível individual ou intrapessoal).
   Vygotsky identifica três estágios de desenvolvimento na criança e que
podem ser estendidos a qualquer aprendiz:
      Nível de desenvolvimento real - determinado pela capacidade do
       indivíduo solucionar independentemente as atividades que lhe são
       propostas;
      Nível de desenvolvimento potencial - determinado através da solução
       de atividades realizadas sob a orientação de uma outra pessoa mais
       capaz ou cooperação com colegas mais capazes;
      Zona de desenvolvimento proximal - considerada como um nível
       intermediário entre o nível de desenvolvimento real e o nível de
       desenvolvimento potencial.
       A "zona de desenvolvimento proximal" é potencializada através da
interação social, ou seja, as habilidades podem ser desenvolvidas com a


                       Educação a Distância – UNICEUMA                    21
colaboração entre pares. Já o nível de desenvolvimento real é considerado
como as funções mentais do indivíduo que já estão estabelecidas,
decorrentes das etapas de desenvolvimento inteiramente cumpridas pelo
sujeito.
         A aplicação da abordagem de Vygotsky na prática educacional requer
que o professor reconheça a idéia da "zona de desenvolvimento proximal" e
estimule       o    trabalho     colaborativo,    de     forma       a    potencializar     o
desenvolvimento cognitivo dos alunos. Os ambientes colaborativos de
aprendizagem, apoiados             em computadores e          tecnologias         associadas,
valorizam este tipo de abordagem, criando um espaço de trabalho conjunto.
         Um outro conceito relacionado à concepção de VYGOTSKY (1988)
refere-se à necessidade da intervenção do professor/tutor para apoiar o
aluno na realização de uma tarefa complexa que ele, por si só, seria incapaz
de realizar, e foi desenvolvido por BRUNER (1976). Este conceito. indica
como       o   professor/tutor     implementa     processos      de      suporte     que   se
estabelecem através da comunicação e que funcionam como apoio ou
andaimação.         O   controle    da   tarefa   é    transferido       gradualmente      do
professor/tutor (o apoio / andaime) para o aluno. Segundo tais princípios, a
concepção e uso de ambientes interativos de aprendizagem deverão
apresentar diferentes graus de complexidade, de forma a possibilitar a cada
sujeito,       em   cada   momento,       atuações     que   estão        nesta    zona    de
desenvolvimento proximal, com variados recursos de andaimação. Estes
recursos são gradativamente retirados de acordo com o desenvolvimento do
aluno.


6.5. Paulo Freire e sua Teoria Dialógica
         A preocupação de Freire resultava na construção de uma nova
sociedade, em que ensinar não é transmitir conhecimentos, mas sim é a
consciência do “inacabamento”, a capacidade está em intervir sobre os
nossos próprios condicionamentos, pois somos seres únicos; se morrermos,
o mundo será diferente. Exige bom senso e apreensão da realidade, este é
o resultado de ensinar.
         Para Paulo Freire é necessário romper com a forma depositária de
transmissão, transferência de valores e conhecimentos, onde a relação


                           Educação a Distância – UNICEUMA                                 22
existente entre professor e aluno é de um sujeito narrador, detentor do
saber absoluto e pacientes ouvintes.


       O mesmo autor ressalta ainda, a importância de contextualização
dos temas ao cotidiano e valores dos alunos:
“Somente na comunicação tem sentido a vida humana. Que o pensar do
educador somente ganha autenticidade na autenticidade do pensar dos
educandos, ambos mediatizados pela realidade, na intercomunicação. Por
isto, o pensar daquele não pode ser um pensar para estes nem a estes
imposto”.(Freire, 1983, p. 75)
       A sua metodologia é conceber o aluno como aquele que se descobre
como sujeito do processo histórico, onde o "universo vocabular" e as
"palavras   geradoras", partem do sensível, do imediato, do dado, do
empírico para o concreto. A dialética presente no seu pensamento constrói
uma metodologia que parte do empírico para o abstrato, do particular para
o contextualizado.
       A leitura da palavra escrita deve, pois, mediatizar a leitura do mundo;
esta passagem se constrói entre educador e educandos através do diálogo.
E o diálogo é o princípio ativo da cooperação. Não existe, pois, uma ação
isolada por parte do sujeito que ensina (ou melhor, que orienta a
aprendizagem). Os sujeitos do ato educativo convivem numa relação
absolutamente horizontal, onde quem ensina, aprende e quem aprende
também ensina.
       Para Freire, a educação problematizadora deveria romper com os
esquemas verticais característicos da educação bancária (enciclopedista) ,
aspecto que só seria possível com a superação da contradição entre
educador e educandos. Assim, não existiria educador do educando, nem
educando do educador, mas educador-educando e educando-educador.
Nela destaca-se a "Teoria Dialógica" de Paulo Freire, que concebe quatro
características:


      Colaboração;
      União;
      Organização.


                       Educação a Distância – UNICEUMA                     23
   Síntese cultural.


   O saber, para Freire, tem um papel emancipador, pois a teoria e a
prática relacionam-se com o conhecimento e seus interesses. A mensagem
de Paulo Freire é uma pedagogia que dignifica o outro. Forma a consciência,
sem violentá-lo, sem humilhá-lo. O respeito dialético é fundamental (ter
respeito e indicar outro caminho), salto da consciência ingênua para
consciência crítica. O método consiste em fazer da pergunta um jogo: pega
a pergunta, trabalha a pergunta e volta a pergunta para o aluno, pois só
conhecemos aquilo que é significativo para nós.


6.6. Reuven Feuerstein e a teoria da Modificabilidade Cognitiva
Estrutural


       Para Feuerstein, a modificabilidade é uma condição essencial para a
adaptação do ser humano. Trata-se de uma capacidade de reagir
ativamente aos estímulos, elaborando ações conscientes e com significado.
       Outra   condição    fundamental   para   Feuerstein,   é   a   de   que    a
modificabilidade seja estrutural. Entende-se por estrutura um todo formado
de partes que se relacionam. A modificação de uma parte implica,
necessariamente, a mudança do todo. O termo estrutural propõe uma
relação dinâmica constante da pessoa com seu ambiente sociocultural.
O autor considera a estrutura psicológica como “um sistema composto por
vários elementos interconectados que se afetam mutuamente”. Todos esses
elementos representam vários subsistemas de natureza dinâmica que se
estabelecem sobre as bases inicialmente inexistentes e desdobram-se,
principalmente, em função da interação do organismo com os estímulos
ambientais. Caracterizam-se por sua permeabilidade e por sua tendência a
interagir mutuamente e a influir uns sobre os outros.
       Assim a modificabilidade cognitiva só pode ser considerada estrutural,
se reunir algumas condições: relação estreita entre o todo e a parte,
tendência a constituir-se num processo de mudança (transformação),
autoperpetuação e natureza auto-reguladora do processo de mudança.




                       Educação a Distância – UNICEUMA                           24
Autoperpetuação: corresponde à retenção, conservação expansão
de novos elementos adquiridos;
       Autoregulação: refere-se á transferência e capacidade de adaptação
das aquisições recentes, que se tornam disponíveis para o indivíduo em
situações novas;
       Assim, a MCE situa-se em um quadro cultural de necessidades do ser
humano, que se produzem dentro e fora dele, por relações históricas
(presente, passado e futuro). Essas necessidades asseguram a identidade
(constituição do sujeito) diante de uma realidade em movimento. O termo
identidade é empregado referindo-se ao ser humano em suas dimensões
social e cultural.
6.6.1. A Experiência da Aprendizagem Mediada (EAM)
       A EAM é parte da teoria de Modificabilidade Cognitiva Estrutural de
Feuerstein, que encontra-se diretamente relacionada com a qualidade da
mediação e com os processos cognitivos e afetivos de uma pessoa.
       Segundo Feuerstein, pela mediação, atingimos os dois maiores
fenômenos do ser humano: modificabilidade e diversidade. Para explicar o
primeiro    conceito,   o   autor    recorre   a   um    importante     conceito:
autoplasticidade.


       Autoplasticidade: mecanismo de defesa definido como a propensão
do organismo para modificar-se e sobreviver às pressões internas e
externas;    Desenvolvimento    de     pré-requisitos   cognitivos    afetivos    e
motivacionais para uma adaptação mais criativa e produtiva. Consiste no
repertório de comportamentos e técnicas utilizado para neutralizar as fontes
de perigo ela mudança do ambiente e na flexibilidade para usar a
experiência passada para antecipar, facilitar e projetar eventos futuros.
       A mediação é um fenômeno que surgiu com o começo da
humanidade, no momento em que o homem tomou consciência da morte e,
com ela, do desejo de prolongar sua existência, por meio das futuras
gerações. O fundamento da mediação é, portanto, transmitir a um mundo
de significados, ou seja, a cultura, entendida aqui não como classificação de
raças e etnias, mas como o conjunto de características que um povo tem
em comum.


                        Educação a Distância – UNICEUMA                          25
A teoria Behaviorista não levava em consideração conceitos como
reflexão, raciocínio e processos internos da mente. Para essa teoria, se os
estímulos   externos    estivessem   bem      selecionados    e    organizados,      a
aprendizagem teria de ocorrer.


Modelo de representação Behaviorista




                                 SR
      Muitos estudiosos não concordavam com a abordagem behaviorista,
entre eles Piaget. A perspectiva estruturalista piagetiana marcou a
psicologia e a educação contemporâneas, equacionou a aquisição do
conhecimento em processos psicológicos integrados e hierarquizados e
demonstrou que o essencial da inteligência não é a medida do seu produto,
mas sim a estruturação ativa e dinâmica da cognição. Todas essas idéias
influenciaram Feuerstein, que partiu da análise do esquema proposto por
Piaget para explicar o ato de aprender e foi além. Criou outro esquema, por
considerar que o esquema piagetiano era insuficiente para expressar as
idéias da aprendizagem mediada.
      Para Piaget, o ato de aprender é expresso no esquema S-O-R, em
que o S são os estímulos, O é o organismo aprendiz e R, a resposta. Pelo
modelo piagetiano, o desenvolvimento da inteligência parte de uma
inteligência prática ,ou sensório-motora para uma inteligência cognitiva, por
meio do pensamento (abstrato, ou operatório concreto, e depois formal),
que compreende e resolve os problemas ou raciocínios lógicos.


Modelo de representação Cognitivista



                           SOR
      Feuerstein denominou o esquema piagetiano de aprendizagem
diretiva. O organismo (O), ou aprendiz, interage diretamente com os
estímulos(S)   e   dá   uma    resposta(R).    Nesse   tipo       de   interação,    a



                        Educação a Distância – UNICEUMA                             26
aprendizagem é incidental.não sendo suficiente para assegurar uma
aprendizagem efetiva, induzida. Foi nessa perspectiva que ele introduziu, no
esquema de Piaget, o elemento humano (H).
Para esse autor, a mediação é um ato de interação entre um mediador e
um mediado. No esquema proposto por ele, o mediador (H) aparece em
dois momentos: primeiramente entre o estímulo(S) e o organismo (O) e
depois entre o organismo (O) e a resposta(R). O H representa não só o
mediador, mas também o processo de transmissão que ele realiza. Por esse
esquema, o desenvolvimento cognitivo do mediado não resulta somente do
processo de maturação do organismo, nem de um processo de interação
independente e autônomo com o mundo dos objetos: é o resultado
combinado da exposição direta ao mundo de experiência de aprendizagem
mediada.


Modelo de representação da teoria de Modificabilidade Cognitiva
Estrutural (MCE)




                 SH  O H  R


      A situação mediada consiste numa interação interpessoal que possui
características estruturais especiais. Em vez de relações causais com
diversos componentes fragmentados do meio ambiente, na experiência de
aprendizagem mediada existe um mediador, desempenhando o papel
educacional de atuar sobre o estímulo. O mediador seleciona, assinala,
organiza e planeja o aparecimento do estímulo, de acordo com a situação
estabelecida por ele e com a meta de interação desejada. Pela mediação, o
mediado adquire os pré-requisitos cognitivos necessários para aprender,
beneficiar-se da experiência e conseguir modificar-se. Dessa maneira, a



                      Educação a Distância – UNICEUMA                    27
aprendizagem mediada caracteriza-se como um processo intencional e
planejado.

      Nesse tipo de aprendizagem, os processos de desenvolvimento e de
aprendizagem compreendem, necessariamente, a presença do “outro” como
representante da cultura e mediador de sua apropriação. É o caminho pelo
qual os estímulos são transformados pelo mediador, guiado por suas
intenções, intuições, emoções e cultura. O mediados seleciona os estímulos
mais apropriados, filtra-os, elabora esquemas, amplia alguns e ignora
outros.
      A experiência de aprendizagem mediada representa um modo de
olhar a qualidade da interação, não estando especificamente relacionada a
uma conteúdo. Pode ser desenvolvida em diferentes ambientes, diferentes
culturas, com diferentes pessoas. As diferenças individuais, nas funções
cognitivas, provêm da influência do ambiente e decorrem da qualidade e da
quantidade de mediação que a pessoa recebe. Quanto mais apropriada for a
mediação ,mais efetiva a modificabilidade de quem aprende.
      A mediação promove a interação do indivíduo com seu meio. Para
aprofundar a análise dessa interação, Feuerstein recorre ao conceito de
distância, da perspectiva da separação entre pessoa e objeto de interesse
ou de necessidade. Essa distância pode ser compreendida pelas relações
que foram se modificando ao longo dos tempos.
      Para Feuerstein, a distância pela qual o ser humano opera o mundo
determina a natureza do processo de interação. Quanto maior for a
distância entre o ser humano e o objeto, maior será a complexidade das
relações, uma vez que as distâncias exigem processos mentais que se
manifestam como substitutos do objeto, tais como índices, signos e
símbolos, de modo que esse objeto possa ser decodificado. O conceito de
distância envolve, entre outras, as dimensões de tempo e espaço, próprias
dos processos mentais.
      Feuerstein diz que, na aprendizagem do educando, a distância
também adquire um papel importante. O professor que oferece ao aluno
objetos imediatos de conhecimento, não estimulará a produção de
processos mentais que permitem a construção de metas de alcance, de



                     Educação a Distância – UNICEUMA                   28
hipóteses, de tomada de decisões. A distância entre o aluno e o que deve
conhecer é quase zero. Pensamentos mais complexos não podem ser
desenvolvidos pela simples exposição da pessoa aos estímulos básicos, aos
conteúdos ou às informações. É necessário ir além, ensinando processos de
pensar. A ausência desse processos resulta em aprendizagem passiva e
pouco significativa, na qual o educando age como mero reprodutor da
informação.


Critérios para a mediação


      Feuerstein definiu critérios para uma mediação efetiva. Alguns desses
critérios são universais, não podem faltar no processo de mediação:


             Intencionalidade e Reciprocidade:
             Transcendência:
             Significado:


Intencionalidade e Reciprocidade
      São conceitos indissociáveis. O mediador isola e interpreta os
estímulos (intencionalidade) e os apresenta de maneira que resulte na
resposta (reciprocidade) do mediado.
      A Intencionalidade expressa a determinação do mediador de chegar
ao mediado e ajudá-lo a compreender o que está sendo aprendido. O
mediador, deliberadamente interage com o mediado, selecionando e
interpretando estímulos específicos, meios e situações, para facilitar a
transmissão cultural e torná-la apropriada pra cada mediado, adequando-a
às suas necessidades.
      A Intencionalidade não deve ser um atributo exclusivo do mediador.
Deve ser compartilhada com o mediado, na busca de um processo
interativo.   Não   há    necessariamente   uma    consciência   imediata   da
intencionalidade por parte do mediado; essa consciência vai ser formando
ao longo do processo de aprendizagem.
      O que fundamenta o conceito de Reciprocidade é que o processo de
aprendizagem deve ser intencional, não incidental, e as intenções devem


                         Educação a Distância – UNICEUMA                    29
ser compartilhadas entre mediador e mediado. Como o próprio termo
indica, envolve permuta, troca. O mediador deve estar aberto às respostas
do mediado, preparar os melhores materiais, provocar o interesse e a
motivação sobre conteúdos diversos, investir tempo na verificação do
aprendizado ,mostrar satisfação com as transformações do mediado. Este
por sua vez, mostra reciprocidade quando fornece indicações de que está
cooperando, sente-se envolvido no processo de aprendizagem e se esforça
para modificar-se. Enfim, este é um caminho que explicita uma relação
implícita e faz com que a aprendizagem se torne mais consciente.
Dimensões cognitiva e afetiva da aprendizagem
      Feuerstein qualificou a modificabilidade como cognitiva, mas não
ignorou   os     aspectos    afetivos,   emocionais     e       motivacionais   do
comportamento      humano.    Reconhecendo       a   estreita    interdependência
existente entre os fatores cognitivos e afetivos e a ligação inseparável
desses dois fatores para a determinação do comportamento humano, ele
considera a cognição como condição-chave para o sucesso da adaptação e,
portanto, como ponto de partida mais eficaz para a intervenção.
      Para ele, as dimensões cognitiva e afetiva são duas faces de uma
mesma     meda    transparente:   a   primeira   corresponde       aos   elementos
estruturais que explicam como uma pessoa aprende; a segunda expressa o
fator energético do ato de aprender. Olhando-se de qualquer um dos lados,
as duas dimensões estão presentes.
      A ênfase na mediação para o desenvolvimento dos processos
cognitivos baseia-se em vários argumentos. Um deles é que o domínio
cognitivo, estruturado de modo claro e metódico, presta-se mais fácil e
diretamente à análise sistemática e à pesquisa. Portanto, uma intervenção
cognitiva pode se relacionar de maneira sistemática e hierárquica com as
operações mentais, as funções cognitivas e as estratégias, bem como com
as diferentes categorias de raciocínio. Outro argumento é que trabalhar os
componentes emocionais do comportamento a “partir do exterior” pode
provocar resistência por parte da pessoa, especialmente no caso de crianças
ou adolescentes, que poderiam sentir-se ameaçados, recusando-se a
participar do processo de aprendizagem. A intervenção, voltada inicialmente
e de forma clara para os processos cognitivos “neutros”, proporciona


                       Educação a Distância – UNICEUMA                          30
maiores e melhores oportunidades de tornar-se uma motivação aceita
expressamente.
      Apesar da ênfase cognitiva, Feuerstein reforça que não devemos
esquecer os aspectos motivacionais afetivos, que desempenham também
um papel fundamental para se obter sucesso em qualquer adaptação.
Observa-se, freqüentemente, que, uma vez equipadas com as ferramentas
cognitivas e com os pré-requisitos necessários à análise consciente de seus
comportamentos, atitudes, sentimentos e emoções, as pessoas acabam
manifestando uma “abertura da mente”, às vezes inesperada, e uma
disposição surpreendente para tratar voluntariamente dos fatores afetivos e
de outros, não-intelectivos, implícitos em suas dificuldades. Apesar de
valorizar as duas dimensões e considerar que elas são profundamente
integradas, Feuerstein considera a dimensão cognitiva preponderante na
adaptação da pessoa ao seu meio.
Transcendência
      Para o atendimento a este critério o mediador busca ir além do “aqui
e agora” da situação em que a interação ocorre, procurando atingir
objetivos e necessidades mais longínquos e duradouros. O objetivo é
promover a aquisição de princípios, conceitos ou estratégias que possam
ser generalizados para outras situações, permitindo ao mediado superar
uma visão episódica da realidade.
      Assim, a transcendência inclui:
             Selecionar uma variedade de conteúdos instrucionais, de
              acordo     com    os   objetivos   de   desenvolvimento   cognitivo
              transcendente;
             Perguntar “por que” e “como”, preferencialmente a “o que”;
             Tornar clara a relação entre a aprendizagem atual e as
              anteriores;
             Discutir   os    resultados   da   aprendizagem   e   relacionar    a
              experiência da aprendizagem com os objetivos transcendentes.


Significado
      A significação dos conteúdos é um meio imprescindível para penetrar
no sistema de necessidades do mediado. Trata-se de um processo de longa


                         Educação a Distância – UNICEUMA                         31
prática   social.   Sem    o    poder    persuasivo    de    legitimamente           provocar
significados,   o   processo      de    humanização        não     seria    possível.     Sem
significações, a transmissão cultural de uma geração para outra não seria
viável.
      O significado diz respeito ao valor, à energia atribuída à atividade,
aos objetos e aos eventos, tornando-os relevantes para o mundo. Por esse
critério, o mediador não assume atitude neutra. Demonstra interesse e
envolvimento emocional, compartilha experiências próprias, explicita o
motivo para a realização da atividade, verifica se o estímulo apresentado
está sensibilizando o mediado.
      O que aprendemos da exposição direta a objetos e acontecimentos
está rigorosamente determinado pela noção prévia sobre esses elementos e
por   nossa     capacidade       de    relacioná-los   com       nossas     aprendizagens
anteriores. Por outro lado, nossos conceitos podem se modificar, entretanto
é pouco provável que isso ocorra sem uma intervenção de mediação.


7. Os sistemas para EaD


7.1. Sistemas de administração de aprendizado (LMS)
      Um LMS (Learning Management System) ou Sistema de Gestão de
Aprendizagem tem como principais objetivos centralizar e simplificar a
administração e gestão dos programas de e-learning numa organização. De
forma sumária, este sistema cobre todo o processo formativo a distância,
possuindo interface de alunos, instrutores, de administradores e parte
administrativa,     como       inscrições,   relatórios,    etc.    O      sistema      auxilia
colaboradores ou alunos a planificarem os seus processos de aprendizagem,
bem como permite que os mesmos colaborem entre si através da troca de
informações e conhecimentos.             No caso dos administradores, o sistema
auxilia a análise, a disponibilização das informações, o “rastreamento” de
dados e a geração de relatórios sobre o progresso dos participantes. Os
LMS's possuem recursos que permitem a rápida e simples criação de
conteúdos formativos.




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7.2.   Sistemas   de     administração        de   conteúdo   de     aprendizado
(LCMS's)
       Um Learning Content Management System (LCMS) combina os
recursos de administração e gestão de um tradicional LMS com as
funcionalidades de criação e personalização de conteúdos. Nele é possível
encontrar bibliotecas repletas de objetos de aprendizagem que podem ser
utilizados independentemente ou em conjunto como parte de cursos mais
completos.O (LCMS) permite a criação, armazenamento, avaliação e
fornecimento personalizado de conteúdos de aprendizagem sob a forma de
objetos de aprendizagem (Learning Objects). O resultado obtido poderá ser
fornecido através da Web, CD-ROM’s, ou através de materiais impressos. O
mesmo objeto pode ser utilizado várias vezes e com as finalidades que se
bem entender. A integridade do conteúdo é preservada independentemente
da plataforma utilizada. Assim, um LCMS categoriza, localiza e administra
objetos de aprendizagem (slides, testes, videoclipes, ilustrações, módulos
de cursos) e os organiza para a entrega em infinitas combinações.


8. Aprendizagem Colaborativa
       Dillenbourg (1992) define aprendizagem colaborativa como um
conjunto de métodos e técnicas de aprendizagem para utilização em grupos
estruturados,   assim     como    de    estratégias   de   desenvolvimento     de
competências mistas (aprendizagem e desenvolvimento pessoal e social),
onde cada membro do grupo é responsável, quer pela sua aprendizagem
quer pela aprendizagem dos restantes elementos. (Minerva, 2000)
Minerva (2000) em Pinheiro (2003) coloca alguns elementos básicos da
aprendizagem colaborativa:
Interdependência do grupo: Os alunos, como um grupo, têm um
objetivo a perseguir e devem trabalhar eficazmente em conjunto para o
alcançar.    Primeiro,    os   alunos   são    responsáveis   pela   sua   própria
aprendizagem; segundo, por facilitar a aprendizagem de todos os membros
do grupo; terceiro, por facilitar a aprendizagem de alunos de outros grupos.
Todos os alunos interagem e todos contribuem para o êxito da atividade.
Interação: Um dos objetivos da aprendizagem colaborativa é o de
melhorar a competência dos alunos para trabalhar em equipe. Cada


                         Educação a Distância – UNICEUMA                       33
membro do grupo deve assumir integralmente a sua tarefa e disponibilizar
espaço e tempo para partilhar com o grupo e, por sua vez, receber as suas
contribuições. A vivência do grupo deve permitir o desenvolvimento de
competências    pessoais      e,   de   igual     modo,   o    desenvolvimento      de
competência de grupo como: participação, coordenação, acompanhamento,
avaliação.     Periodicamente       deve    ser    realizada   uma      avaliação   da
funcionalidade do grupo, a fim de se conhecer o seu processo de
desenvolvimento.
Pensamento divergente: Não deve haver nenhum elemento do grupo que
se posicione ostensivamente como líder ou como elemento mais “esperto”,
mas uma tomada de consciência de que todos podem pôr em comum as
suas perspectivas, competências e base de conhecimentos. As atividades
devem ser elaboradas de modo que exijam colaboração em vez de
competição   (tarefas     complexas     e   com     necessidade    de    pensamento
divergente e criativo).
Avaliação: Os métodos para a avaliação independente são baseados em
jogos de perguntas, exercícios, observações da interação do grupo e
heteroavaliação.
      O processo de interação na aprendizagem colaborativa é muito
dinâmico pois as pessoas estão ao mesmo tempo construindo e registrando
suas idéias com a permissão dos demais participantes, o que lembra uma
conversação em tempo real (bate-papo). Porém, esta conversa quando
apoiada por ambientes computacionais torna-se um pouco mais estruturada
até por estar sendo documentada (registrada).


9. Comunidades Virtuais de Aprendizagem
      Souza (2000) nos coloca que uma comunidade virtual pode ser
definida como uma comunidade de pessoas compartilhando interesses em
comum, idéias e relacionamentos, através da Internet, ou outras redes que
propiciem a colaboração. As comunidades virtuais podem ser diferenciadas
de outros grupos de discussão pela qualidade dos laços de relacionamento
entre os participantes. Comunidades virtuais são formadas a partir do uso
contínuo dos ambientes de comunicação mediada por computador (CMC).




                          Educação a Distância – UNICEUMA                           34
Rojas (1995) EM Pinheiro (2003) coloca os benefícios de participar de
um grupo de discussões em ambientes de comunicação mediada por
computadores, que são as sementes das comunidades virtuais:
      Ter contato com novas idéias, lançamentos e eventos no campo de
       estudo;
      Ter a chance de obter rapidamente respostas de qualidade;
      Ter acesso a materiais de qualidade ou links para estes materiais;
      Aprender sobre o meio em si;
      Adquirir o sentimento de fazer parte de uma comunidade de
       interesse;
      Ter a oportunidade de expressar idéias e sentimentos;
      Ter   a   oportunidade    de   intensificar   contatos   com   pessoas
       compartilhando interesses similares.


10. Meios/Veículos para EaD
       Todo curso na modalidade a distância é realizado com a mediação do
processo entre o professor e aluno dando-se através de alguma mídia, seja
ela de caráter síncrono ou assíncrono, com um grau maior ou menor de
interatividade e de interação.
       A seguir os principais meios/mídias a serem utilizados nos cursos do
Senac DF.


10.1. Meio Impresso
       Embora muitos modelos de EAD se voltem para o uso de mídias
digitais o material impresso continua como a mídia mais usada e de maior
custo benefício nos programas de educação a distância.
       Willis (1996) nos coloca que o material impresso é fundamental na
educação a distância. Os primeiros cursos a distância foram oferecidos por
correspondência e através de material impresso, auxiliando também no
desenvolvimento dos meios de entrega do material.
       As vantagens do material impresso segundo o autor, é o fato de ele
poder ser usado em qualquer lugar, ser pedagogicamente claro, fácil de
usar, de se referenciar, mas por ser um meio unidirecional, o material
impresso possui suas limitações: a falta de interação é a grande


                       Educação a Distância – UNICEUMA                      35
desvantagem do impresso. Por não possuir movimento ele provê ao aluno
uma visão limitada da realidade.
O mesmo autor nos mostra algumas formas do material impresso:
      Livro Texto – É o recurso básico e fundamental para a entrega de
       conteúdo da maioria dos cursos a distância.
      Guia de Estudo – Usado para reforçar pontos vistos durante a aula,
       inclui exercícios, leituras relacionadas e recursos adicionais para os
       estudantes.
      Livros de Exercícios – Contém uma visão geral do conteúdo, o
       conteúdo a ser estudado, exemplos e modelos aplicados, exercícios
       com respostas e mecanismos de interação.
      Programa do Curso – Fornece as metas e objetivos do curso,
       descrição de tarefas, leituras necessárias, critérios de avaliação e
       material a ser ensinado dia a dia. O programa deve ser o mais
       completo possível para que não gere dúvidas nos alunos e consiga
       guiá-los na falta de contato face a face com o professor.
      Estudo de Caso – São utilizados para expandir os limites do material
       impresso,     trazendo   casos   reais   contextualizados   em   assuntos
       familiares aos alunos.


10.2. Vídeo
       O vídeo em Educação a Distância torna-se um complemento muito
importante para o material impresso; muitos assuntos abordados em papel
podem ser melhor explicados através de imagens em movimento. Algumas
ferramentas da Internet nos dias de hoje permitem ao aluno assistir a
vídeos com uma qualidade razoável de imagem, potencializando ainda mais
o seu uso na Internet.
       Sua popularidade se deve em grande parte ao fato dos equipamentos
necessários para seu uso (televisão e vídeo) serem de fácil utilização; em
razão de ser gravado e entregue 31 em uma fita, torna possível ser
assistido várias vezes, podendo ser pausado, rebobinado e guardado para
utilizações futuras.
A facilidade de uso do vídeo por parte dos alunos dá aos projetistas do
curso a possibilidade de integrar o vídeo com outros materiais do curso. Os


                         Educação a Distância – UNICEUMA                     36
estudantes podem passar do vídeo para o material impresso e novamente
para o vídeo. Algo que foi lido pode ser melhor entendido ao ser visualizado
em um vídeo. A seguir, algumas aplicações do vídeo em aspectos
motivacionais ou comportamentais para alunos a distância:
      Amenizar o isolamento do aluno;
      Mostrar mudanças de atitude ou opinião;
      Criar uma empatia por pessoas ou procedimentos;
      Encorajar e inspirar persistência;
      Entreter, envolver e divertir;


10.3. Computador
       O computador ao lado da Internet pode ser considerado a grande
mídia potencializadora de EAD, já que a maioria das mídias usadas em EAD
podem ser reproduzidas nos microcomputadores. A grande capacidade de
armazenamento, a possibilidade de reprodução de vídeos, som, imagens,
material impresso e da própria Internet tornam esta mídia uma das mais
completas para a educação a distância. Willis (1996) divide as aplicações
por computador para Educação a Distância em 4 grandes categorias:
CAI – Computer Assisted Instruction – usa o computador como uma
máquina pedagógica auto-suficiente, apresentando lições discretas para
atingir objetivos educacionais específicos. Existem inúmeras modalidades de
CAI, incluindo instrução e prática, tutoriais, simulação, jogos e solução de
problemas.
CMI – usa armazenagem e recuperação de dados para organizar a
instrução e acompanhar o progresso e os trabalhos dos alunos. A instrução
não é necessariamente apresentada pelo computador, apesar de CMI
freqüentemente ser combinada com o CAI.
CMC – Computer Mediated Communication – descreve as aplicações via
computador que facilitam a comunicação. Como exemplo podemos citar
Email, computer conferencing e eletronic bolletim boards.
Computer Based Multimídia – Hypercard, hypermidia - são uma
geração   ainda   em    desenvolvimento,    de   ferramentas   sofisticadas    e
poderosas que têm chamado a atenção de educadores a distância. O




                       Educação a Distância – UNICEUMA                        37
objetivo é integrar várias tecnologias, tais como, voz, vídeo e computadores
em uma única interface facilmente acessível


10.4. CD- ROM
      O material didático com recursos multimídia é gravado em CD-ROM.
Pode ser tratado como um site de Internet. Portanto, e possível desenvolvê-
lo com ferramentas para interatividade e integração multimídia. Dispõe de
grande capacidade de armazenamento e rápido acesso às informações, o
que é uma vantagem em relação a um site. Além disso, pode ser
largamente distribuído, pois a mídia (CD) é barata.


10.5. Internet
      Scheer (1999) em Pinheiro (2003) coloca que a internet é uma rede
mundial de computadores interligada no mundo inteiro; estimativas revelam
que no ano de 1999 já havia mais de 200 milhões de usuários no planeta.
O surgimento da World Wide WEB ou WWW ou simplesmente WEB, abre um
novo cenário para Educação a Distância. Ela intensifica o uso da Internet, a
rede global de computadores. Trata-se do uso de browsers ou softwares
ditos de navegação pela Internet com interface gráfica e janelas. Ferraz at
al. (2000) coloca que a aplicação da Internet, especialmente a WEB para
fins de educação a distância, é um dos campos de maior pesquisa
atualmente por parte de educadores. Inúmeros fatores dão crédito para
este entusiasmo, respaldados pela rápida expansão da rede, e a inerente
distribuição de documentos.      O mesmo autor ainda nos coloca outras
vantagens que contribuem para a Internet como meio para a educação a
distância:
Facilidade de Acesso – são vários os provedores de acesso à Internet,
sem contar com a forte tendência de que todo o computador esteja
conectado “full time” à Internet num futuro não muito distante;
Diminuição de custos com educação – a utilização de cursos de longa
distância requer investimentos bem mais modestos do que no ensino
presencial tradicional, como instalações físicas, etc;




                       Educação a Distância – UNICEUMA                   38
Possibilidade de customização do processo de aprendizado – Os
alunos podem estudar em horários de sua preferência, em casa, com uma
carga de trabalho diferente e adequada a cada um;
Aumentar a capacidade de interação entre professores tutores e
alunos – Através da utilização do correio eletrônico, das listas de discussão
e   grupos   de   notícias,   o   processo   de   troca   de   informação   entre
instrutor/aluno acontece de uma maneira mais efetiva do que nas formas
mais antigas de ensino a distância, onde praticamente não havia interação;
Interesse por parte de desenvolvedores de software – No começo,
apenas instituições acadêmicas vinham realizando pesquisas sobre a
utilização da WEB para educação a distância. Agora, empresas que
desenvolvem software já vêem na educação a distância pela WEB, uma
grande possibilidade para a venda de produtos relacionados com a área;
Tecnologia Adequada – Embora a WEB não tenha sido inicialmente
projetada para aplicações de educação a distância, o uso das tecnologias
atualmente presentes na rede já possibilita a realização de aulas a
distância;
As correções e atualizações são bem mais simples – Diferente de um
livro, que para ser alterado precisa de um processo demorado de editoração
e revisão, as alterações na WEB são realizadas de forma digital, rápida e
eficaz; é possível utilizarem-se diversos meios de comunicação, tais como
texto, imagens, comunicação entre professores, professores e alunos, e
entre alunos.
Feedback ao aluno – O aluno tem mais facilidade de verificar como está
seu rendimento, fazer comparações e verificar no que pode melhorar.
O nível de desenvolvimento em relação à hipermídia na Internet, hoje,
permite a geração de aplicações instrucionais (coursewares), típicas
aplicações multimídia de treinamento, ambiente com interface de imagens
visuais ricas e diferentes, que possam intensificar a compreensão de
conceitos    complexos    com     mecanismos      adequados    ao   processo   de
ensino/aprendizagem.




                         Educação a Distância – UNICEUMA                       39
10.6. Lista de Discussão/ Fóruns
      Gonçalez (2005), coloca que a utilização de listas de discussão
facilitam bastante a comunicação, que se dá vai difusão (broadcast), uma
mensagem      postada      é   encaminhada   para   um    determinado   grupo
pertencente à lista.
      Fóruns podem devem ser gerenciados, de acordo com os objetivos
instrucionais a serem contemplados pelo tutor. Para tanto, tal ferramenta
pode ser utilizada para:
   1. Postagem de notícias sobre o curso, substituindo o “painel/mural de
      notícias”. Neste caso, apenas tutores e coordenação pedagógica
      postam mensagens, aos alunos cabe apenas a visualização;
   2. Postagem de feedbacks de atividades de grupo. Neste caso, apenas o
      grupo a receber o feedback será inserido na lista;
   3. Para debates sobre textos lidos, vídeos, áudios, etc. Neste caso os
      tutores restringem as postagens dos alunos ao “comando” ou
      “postagem inicial” feitos pelo tutor, permitindo apenas respostas ou
      ainda, podem permitir a criação de novos tópicos de discussão,
      dentro do assunto tratado.


10.7. Bate-Papo/Chat


      “É um serviço de comunicação síncrona bastante popular. Permite a
troca de mensagens escritas; pode ser implementado através de um
programa específico ou ser integrado em páginas Web.
      “Tais ferramentas promovem discussões interativas entre duas ou
mais pessoas simultaneamente, disponibilizam uma ou mais “salas” (canais)
para discussão de assuntos distintos e permitem que se enviem mensagens
para todos os usuários conectados num canal ou apenas para um usuário,
privativamente. Existem sites que oferecem salas de bate-papo aos
usuários.”


10.8. Newsgroups
      É um serviço parecido com listas de discussão, com algumas
diferenças:


                        Educação a Distância – UNICEUMA                   40
   As mensagens não são enviadas para caixas postais. Em vez disso,
       ficam armazenadas em um servidor especial;
      As mensagens são armazenadas hierarquicamente, de acordo com as
       linhas de discussão, o que facilita o registro e o acompanhamento dos
       vários assuntos.
      Exige um software especial para acessar o servidor de news e ler as
       mensagens. Esse software integra os principais navegadores Web.


10.9. Correio Eletrônico/E-mail
       É a forma de comunicação mais usada na Internet. Permite a troca de
mensagens escritas e o envio de arquivos anexados às mensagens, em
qualquer formato (áudio, imagem, filme, textos, etc).
       O usuário dispõe de uma caixa postal eletrônica exclusiva, na qual
são armazenadas as mensagens recebidas. Além de fácil de usar, o e-mail é
bastante confiável e amplamente acessível a qualquer usuário de Internet.
       Por se uma forma de comunicação assíncrona, permite que as
mensagens recebidas sejam analisadas com cuidado antes de serem
respondidas, proporcionando um tipo de interação mais ponderado entre
tutores e alunos.




11. A tutoria em Educação a Distância


11.1. Professor, Tutor e Educador


       Emerenciano (1998) afirma que a relação no processo de tutoria tem
tríplice aspectos: professor, educador e tutor. O professor se projeta
quando colabora com o estudante para acordar a crítica e a criatividade,
quando são colocadas no plano de julgamento e aproveitamento do já
vivenciado.
       O educador assume seu papel, quando o foco principal são os valores
que induzem à autonomia. Desta visão, os dois papéis se concretizam no
processo de tutoria. Em outras palavras, tratando-se de construção do
saber, a tutoria é marcada pelo trabalho de estruturar os componentes de


                      Educação a Distância – UNICEUMA                    41
estudo, orientar, estimular e provocar o participante a construir o seu
próprio saber, partindo do princípio de que não há resposta feita, a cada um
compete “criar” um pronunciamento marcadamente pessoal.
      Segundo a autora, na tutoria há uma dimensão de busca que
perpassa a aprendizagem e caracteriza-se como uma presença. A presença
é representada como um campo em que podem conviver passado e futuro,
subsidiando projeções a serem vividas autonomamente.

      A tutoria caracteriza-se por seu caráter solidário e interativo,
possibilitando o relacionamento da pessoa como um ser existente e
vivenciado como eu, tu, nós e outros, do que decorre em conjunto de
dificuldades, inclusive para colocar-se “entre” outros, como uma presença
que se põe intencionalmente.
      O tutor é sempre alguém que possui duas características essenciais:
domínio do conteúdo técnico-científico e, ao mesmo tempo, habilidade para
estimular a busca de resposta pelo participante.
      É importante esclarecer que o termo “tutor” tem sido utilizado de
forma indiscriminada. Muitas vezes o termo é utilizado de forma natural
sem uma ressignificação. O movimento de ressignificação deve superar a
idéia do tutor como aquele que ampara, protege, defende, dirige ou que
tutela alguém. Na nossa ressignificação, trabalhar como tutor significa ser
professor e educador. Ambos expressando-se no sistema de tutoria a
distância.
      A orientação educativa no processo de tutoria considera como
relevante as necessidades dos participantes e o contexto educativo do
mesmo. Daí, o conceito de tutor vai alargando-se e mesclando-se com os
conceitos de professor e educador.
      A tutoria é exercida em momentos diferenciados, podendo ocorrer
diretamente ou a distância. Destaca-se que em qualquer dos dois
momentos – diretamente ou a distância – o contato com o aluno não
consiste em um “jogo” de perguntas e respostas, consiste em discutir e
indicar bibliografia que amplia o raio de visão do educando, para que seja
possível desenvolver respostas críticas e criativas, consideradas como




                      Educação a Distância – UNICEUMA                    42
momentos para ampliação básica do “saber”, voltadas para oportunizar a
análise de possibilidades de aplicação prática do saber conquistado.
         No processo de orientação a distância o atendimento realiza-se a
partir da necessidade do aluno, que busca situar-se no contexto da
aprendizagem. Neste caso, recursos tecnológicos são os intermediários do
diálogo do tutor com o participante. O tutor deve contribuir com
informações adequadas para o processo de construção do conhecimento do
aluno.
         Evidentemente, o tutor deve ter domínio do conhecimento em
processo, além da habilidade de problematizar e indicar fontes de consulta.
Pode-se dizer que o tutor é um especialista, tanto no que concerne ao
conteúdo do trabalhado na Unidade, como nos procedimentos a adotar para
estimular a construção de respostas pessoais.
         É essencial que o tutor esteja plenamente consciente do seu papel:
não basta dominar o “conteúdo trabalhado”, é essencial saber “para que” e
“o significado do proposto”.


12. O Projeto de Tutoria
   Gonzalez (2005) afirma que o termo tutor vem sendo utilizado de modo
   indiscriminado e que os conceitos de professor, tutor, monitor e
   facilitador merecem análise, pois se complementam, ao mesmo tempo
   em que se diferenciam quanto às propostas educacionais e didático-
   pedagógicas. Adiante, todos esses conceitos serão apresentados e todas
   as sobreposições serão discutidas e avaliadas.


12.1. Valores, Capacidades, Atitudes e Disposição no Trabalho de
Tutoria
         Atuar no terreno da educação é trabalhar com valores e, por isto,
admitimos a necessidade de uma reflexão sobre os valores significativos
que norteiam o trabalho de tutoria em cursos a distância.
         As relações que se estabelecem entre os valores - transcendental,
ético, moral, liberdade - são claramente destacadas na educação brasileira.
Educar é valorizar o homem e a mulher, como princípio norteador de toda
proposta educativa.


                        Educação a Distância – UNICEUMA                 43
Ao admitir o princípio de valorização do homem e da mulher, tem-se
que pensar de onde ele provém e o que o torna significativo.                      Parece
evidente        que   sua   origem    se   encontra    nas   dimensões    no   “ser   de
transcendência”        e,   ao   mesmo     tempo,      biopsicossocial.   Essas     duas
dimensões devem ser valorizadas em favor de todas as possibilidades de
realização.       O educador não é aquele que simplesmente forma, mas ao
formar está se formando e ao mesmo tempo re-forma cotidianamente o seu
processo        de    formação.      Diante   disto,     para   a   concretização     do
acompanhamento aos alunos, consideramos quatro aspectos fundamentais
do tutor:
Capacidades
                Domínio dos conhecimentos básicos da informática;
                Capacidade de expressão;
                Competência para a análise e resolução dos problemas;
                Conhecimentos (teóricos e práticos);
                Capacidade para buscar e interpretar informações;
Valores
                Responsabilidade social;
                Solidariedade;
                Espírito de Cooperação;
                Tolerância;
                Identidade Cultural;
Atitudes
                Promoção da educação de outros;
                Defesa da causa da justiça social;
                Proteção do meio ambiente;
                Defesa dos direitos humanos e dos valores humanistas;
                Apoio à paz e à solidariedade;
Disposição
         Para tomar decisão;
                Para continuar aprendendo;
                 Estes aspectos nos permitem verificar se a práxis corresponde
aos valores priorizados, conhecimentos, capacidades e atitudes projetadas,.




                            Educação a Distância – UNICEUMA                           44
13. O aluno virtual
      Segundo Pallof e Pratt (2004), estudos mostram que o aluno virtual
de sucesso tem a mente aberta e compartilha detalhes sobre sua vida,
trabalho e outras experiências educacionais. Isso é bastante importante
quando pedimos aos alunos online para que ingressem em comunidades de
aprendizagem a fim de que utilizem determinado material do curso. Os
alunos virtuais são capazes de usar suas experiências no processo de
aprendizagem e também de aplicar sua aprendizagem de maneira contínua
a suas experiências de vida.


13.1. Características do aluno virtual de sucesso e passos para
tornar seu aluno bem sucedido:
   A. Não se sente prejudicado pela ausência de sinais auditivos ou visuais
      no processo de comunicação. Pode até se sentir mais livre pela
      ausência desses sinais, ficando à vontade quando se expressam e
      contribuem para a discussão, em grande parte, através de textos;
   B. Tem automotivação e autodisciplina. Com a liberdade e flexibilidade
      do ambiente online vem a responsabilidade. Os sinais de problema do
      aluno online são diferentes, mas igualmente óbvios. Indicadores
      importantes e que não devem passar despercebidos são: mudanças
      no nível de participação, dificuldades em começar o curso; inflamar-
      se com outros alunos ou com professor pela expressão inadequada
      de emoções, especialmente raiva e frustração e dominar a discussão
      de maneira inadequada.
   C. O bom aluno virtual deseja dedicar quantidade significativa do seu
      tempo semanal a seus estudos e não vê o curso como “a maneira
      mais leve e fácil de obter créditos ou um diploma”.
   D. Trabalha em conjunto com seus colegas para atingir seus objetivos
      de aprendizagem e os objetivos estabelecidos pelo curso.
   E. Pensa criticamente, tendo a consciência de que o professor é um
      mediador, um facilitador do processo de aprendizagem online e que
      ele é o próprio responsável pelo processo.
   F. Acredita que a aprendizagem de alta qualidade pode acontecer em
      qualquer lugar e a qualquer momento.


                      Educação a Distância – UNICEUMA                    45
Estratégias Motivacionais
      A   partir   dos    valores,   conhecimentos,    capacidades,   atitudes    e
disposição, o tutor, ao se formar, inicia o processo de formação dos seus
respectivos alunos na direção da construção da autonomia, criando a todo
momento as possibilidades de construção do conhecimento.
      Destaca-se nesta fase, a necessidade de se implementar estratégias
motivacionais em relação à aprendizagem dos alunos, centrando nos
seguintes referenciais:
             Valorizar as iniciativas dos alunos;
             Devolver as sistematizações da aprendizagem no tempo
              estabelecido;
             Indicar leituras complementares;
             Estimular o posicionamento dos alunos;
             Utilizar o senso de humor quando conveniente e articulado ao
              conteúdo da aprendizagem do aluno;
             Auxiliar nas interpretações de algum conteúdo;
             Propiciar que o aluno procure outros alunos;
             Criar um clima propício para que se problematize o estudado;
             Apresentar, na medida do possível, de questões existenciais
              que estimular a reciprocidade entre os alunos e tutores;
             Utilizar uma linguagem conversacional, sendo clara, coerente e
              bem articulada;
             Contextualizar, quando pertinente, a questão que está sendo
              abordada,     relacionando   a   algum   fato   ou   acontecimento
              recente;


Comunicação
      Comunicar implica busca de entendimento, de compreensão. Verifica-
  se pela transmissão efetiva de sentimentos e idéias. Envolve uma
  dinâmica em que seus elementos essenciais, quais sejam, fonte,
  receptor, mensagem, código e canal, interagem para sua realização. Esta
  dinâmica dada a necessidade efetiva de compreensão da mensagem,




                         Educação a Distância – UNICEUMA                         46
precisa considerar aspectos contextuais e ambientais traduzidos nos
  parâmetros de ruídos e entropias, e as redundâncias a eles associados.

     A comunicação ocorre numa dimensão espacial e temporal. Do ponto
  de vista da dimensão espacial, a comunicação pode se dar entre
  membros localizados em um mesmo ambiente físico, ou em locais
  distintos. Neste texto, estamos interessados pelo segundo caso, que
  caracteriza   o   processo   não   presencial.    Neste   caso,   o   suporte    a
  mecanismos de controle sobre atividades e conteúdos, tais como
  restrições de acesso específicas sobre uma informação compartilhada em
  dado momento ou a especificação de um protocolo de conversação, e um
  processo de negociação que antecederia a cooperação propriamente dita
  e que delimitaria o papel de cada agente segundo normas consensuais,
  tentam resolver as dificuldades impostas pela limitação de canais viáveis
  disponíveis. Equilibrar o uso deste tipo de mecanismo com estes
  objetivos finais é o grande desafio proposto pelos que são incumbidos
  dessa tarefa. Considerando a dimensão temporal, a comunicação pode
  ocorrer de forma assíncrona ou síncrona. Na comunicação assíncrona não
  é necessário que os participantes estejam conectados simultaneamente.
  Neste caso, o objetivo da mensagem não exige uma resolução imediata,
  sendo que cada interação é gerenciada e armazenada pelo sistema. Por
  sua vez, na comunicação síncrona, os eventos ocorrem de maneira
  absolutamente     seqüencial,   com    cada      evento   levando     um   tempo
  essencialmente nulo para se completar. Sob o ponto de vista de um
  observador externo, o sistema é constituído de eventos discretos e
  nenhum dos quais pode se sobrepor a um outro.



Co-realização e Compartilhamento
     A cooperação muitas vezes envolve o desenvolvimento de algum
produto ou objeto. Durante o trabalho, este objeto é compartilhado e
manipulado pelos membros do grupo, o que caracteriza a co-realização e o
compartilhamento. Define-se compartilhamento como a possibilidade que
membros de um grupo de trabalho possuem de ter acesso comum e
dividido a informações, objetivos ou idéias. Quando um grupo compartilha



                       Educação a Distância – UNICEUMA                            47
um objeto e passa a efetuar ações sobre ele, corre o risco de utilizá-lo de
forma indevida, uma vez que várias ações podem estar sendo realizadas
simultaneamente. Aqui acentua-se a necessidade de algum tipo de controle,
segundo os objetivos gerais da tarefa. Se houver a necessidade de um
planejamento antecedente à realização dos trabalhos, algum tipo de
intervenção deverá reger a participação de cada um dos membros do grupo
em função das diretrizes gerais daquele planejamento.


A escrita na Educação a Distância
         Segundo Laaser (1997), há uma certa diferença entre escrever em
geral e escrever para programas de educação a distância. Sobre o primeiro,
o autor defende a distinção entre redação criativa e redação social. A
redação criativa é expressiva. É a reconstrução significativa da realidade em
canções e contos (pág. 63). A redação social é expositiva. É passar às
pessoas as novas informações, ensinar-lhes novas técnicas e atitudes,
necessárias à participação na vida social, política e econômica da nação. A
redação expositiva pode ser “criativa” também, mas a sua missão social é
suprema.
         A redação para EAD é essencialmente didática, mas com uma forte
obrigação no sentido de comunicar-se com os leitores, e com uma missão
social    muito   clara.    Uma    vez   que   o   estudante   a   distância   está
freqüentemente sozinho, é muito importante manter uma comunicação com
ele.
         Laaser afirma que existem dois tipos diferentes de redação para EAD.
Um envolve “guias de estudo” para livros-textos ou outro tipo de material
de leitura. O propósito desses guias de estudo é ajudar o leitor de um livro-
texto padrão (e-book) a dominar a matéria apresentada no mesmo.
Separados do livro-texto, esses guias de estudo não são de muito uso
instrucional. O outro tipo de redação para educação a distância envolve o
desenvolvimento de materiais “auto-suficientes”.
         Para que os materiais para educação a distância adquiram um caráter
de     “conversação   didática”,    as   seguintes   características   devem    ser
incorporadas a eles:




                           Educação a Distância – UNICEUMA                      48
   Materiais   para    EAD   devem    ser   estruturados   como   “instrução
       programada sem moldura”
      Materiais para EAD devem ser livremente permeados por uma
       variedade de mecanismos motivacionais e instrucionais


Instrução Programada sem Moldura
       Instrução programada sem moldura quer dizer que o material é
escrito de uma maneira didática ,os conceitos e argumentos são claros e a
estrutura da unidade é explicada ao aluno. O material é apresentado em
pequenos    passos    e    existem   oportunidades    de    obter   respostas    e
proporcionar reforço.


Mecanismos Motivacionais Instrucionais nos Textos
       Textos para educação a distância devem ser criados de modo a serem
interativos. Isso exige mais do que o esforço propiciado pela conferência
dos resultados em um livro-texto. Precisamos de uma variedade de
mecanismos motivacionais e instrucionais.


O Uso da Abordagem Indutiva
       Quando se usa o método dedutivo se escreve do geral para o
específico, ou do todo para as partes, de um princípio para suas aplicações,
ou do abstrato para o concreto.
       A abordagem indutiva pode ser mais fácil de entender. Usando as
experiências concretas dos alunos, pode-se escrever antes sobre o mais
específico, dando exemplos reais. Primeiro escreve-se sobre o que é familiar
aos alunos, e então se demonstra os princípios que fundamentam tais fatos.
Utilizando-se de observações dos próprios alunos, extrai-se conclusões.


Controle da carga de conceitos
       Controlar a carga de conceitos é uma maneira de auxiliar os alunos
na aprendizagem. A diminuição do tom professoral, catedrático aumenta a
probabilidade da geração de diálogos mais produtivos.




                          Educação a Distância – UNICEUMA                       49
Densidade de Informação
       Educação a distância é uma conversação didática com os alunos. Para
tanto, a compreensão deve ser imediata. Evidências apontam que, em cada
mensagem, 80% do que se apresenta já deve ser conhecido, e apenas 20%
deve ser, de fato, ensinado, dialogado, debatido. Conseqüentemente, novos
conceitos e palavras devem ser introduzidos cuidadosamente. Para tanto, é
necessário explicar tais conceitos e termos novos, especialmente em se
tratando de terminologia técnica. Sugestões: disponibilizar um glossário de
termos técnicos para a unidade ou curso; fazer com que todos os conceitos
se tornem concretos por meio de exemplos específicos.


Concisão e Relevância da Informação
       Segundo Laaser é importante distinguir o que deve ser aprendido do
que é bom ou agradável aprender. Para tanto, o tutor deve evitar rodeios
ou fugir do ponto central da questão. Deve tornar seu texto relevante,
utilizando exemplos extraídos das experiências vividas dos alunos.


Estímulo adicional
       Uma conversação didática significa interação entre tutor e alunos,
entre alunos e o texto. Portanto, um bom texto deve ser estimulante e levar
à reflexão, adicionando questões e atividades para pensar, fazer e discutir.


Escolha do estilo apropriado
       Não existe um melhor estilo de escrita. O melhor é o estilo próprio.
Entretanto, é importante se ter em mente que, ao escrever para EAD, um
texto tenha incorporado todas as características estilísticas de um bom
ensino face a face. Segue algumas sugestões.
      Ser amigável e incentivador;
      Criar e estimular diálogos;
      Levantar     discussões,      pedindo   considerações,    críticas      e
       complementações;
      Usar estilo pessoal, referindo-se ao aluno como “você” e a si mesmo
       como “eu”;




                       Educação a Distância – UNICEUMA                      50
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Fundamentos de-educacao-a-distancia

  • 1. FUNDAMENTO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Elaboração: Samuel Brauer Educação a Distância – UNICEUMA 2
  • 2. Objetivos de Aprendizagem Objetivo geral: ao final desta capacitação, os participantes deverão demonstrar competências para: Mediar processos de aprendizagem na modalidade educacional à distância, ofertados no ambiente virtual de aprendizagem Moodle. Objetivos específicos: Módulo Moodle (4 horas) 1. Definir sistemas de gerenciamento de aprendizagem (LMS); 2. Acessar o Moodle 3. Alterar senha 4. Preencher Perfil 5. Abrir Fórum 6. Abrir Chat 7. Enviar Mensagens 8. Receber Mensagens 9. Inserir Conteúdos no Moodle 10.Criar um rótulo 11.Inserir imagem no Moodle 12.Inserir um vídeo/áudio 13.Gerar tarefas 14.Gerar Questionários 15.Gerar enquetes 16.Abrir Wiki 17.Monitorar participação do aluno 18.Atribuir notas e feedbacks Educação a Distância – UNICEUMA 3
  • 3. Módulo Didático-Pedagógico em EAD (4 horas) 1. Classificar as competências necessárias ao tutor; 2. Identificar as principais características da atividade de tutoria; 3. Identificar os pré-requisitos necessários à atividade de tutoria; 4. Identificar as diferenças entre os papéis do professor e do tutor; 5. Identificar as funções das ferramentas tecnológicas (fórum, chat e wiki), do ponto de vista didático, utilizadas para a tutoria; 6. Conceituar Aprendizagem Colaborativa; 7. Identificar as principais potencialidades e características de Aprendizagem Colaborativa; 8. Identificar as principais características da avaliação de aprendizagem na EaD; 9. Identificar as principais características do texto on line; 10.Identificar as principais diferenças entre um texto convencional e um hipertexto; 11.Definir interação e interatividade; 12.Utilizar, corretamente, figuras e gráficos na instrução on line; 13.Discriminar as principais características da instrução on line; BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA Ausubel, D P et al. 1980. Psicologia Educacional. Rio de Janeiro, Ed Interamericano Belloni, Maria Luiza (1999). Educação a Distância. Campinas: Autores Associados. Bruner, J.S. Uma Nova Teoria da Aprendizagem. Rio de Janeiro: Ed. Bloch, 1976. Emerenciano, M. S.; Wichert, J. Scarpini, M. L.1998. Concepção integrada. Universa: Brasília, (Eixo Temático I, UEA 4, Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Educação a Distância) Freire, P. Conscientização - teoria e prática da libertação. 3ª ed. São Paulo: Moraes, 1980. Educação a Distância – UNICEUMA 4
  • 4. Furtado, E., Lincoln F. Furtado V. Raimir H. 2001, Um sistema de aprendizagem Colaborativa de Didática utilizando Cenários. Revista Brasileira de Informática na Educação. UFSC. Vol. 8 Abril. Gonzáles, M. 2005. Fundamentos da Tutoria em Educação a Distância. São Paulo, Editora Avercamp. Holmberg, B. (1980). Educación a distancia: situación y perspectivas. Buenos Aires (Argentina): Editorial Kapelusz. Keegan, D. (1980). "On defining distance education". Distance Education – An International Journal, 1 (1). Keegan, D. (1996). Foundations of distance education. Routledge Studies in Distance Education. 3. ed. Laaser (org.) (1997). Manual de criação e elaboração de materiais para educação à distância. Editora Universidade de Brasília, Brasília. Landim, C. M. M. P. F. (1997). Educação à distância: algumas considerações. Rio de Janeiro. Maia, C. (2002). Guia Brasileiro de educação a distância. 2002/2003, Ed. Esfera. Moore, M.G. & Kearsley, G. Distance Education. (1996). A Systems View. Belmont, Wadsworth Publishing Company. Moran, J.M. (1994). Interferências dos meios de comunicação no nosso conhecimento. Revista Brasileira de Comunicação, São Paulo, v. 17, n. 2, jul./dez. URL: http://www.eca.usp.br/eca.prof/moran. Nunes, I. B. (1992). Noções de Educação a Distância. Revista de Educação a Distância, nos. 4/5, dezembro/93-abril/94. Brasília: INED. Palloff, M. R. Pratt. K. 2004. O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes online. Artmed. Peters, O. (2003). Didática do Ensino a Distância. Rio Grande do Sul. Unisinos. Rodrigues Júnior., J.F. (1997). A Taxonomia de Objetivos Educacionais: um manual para o usuário . Brasília: Edunb. Pinheiro, M.A.(2002). Estratégias para Design Instrucional de Cursos pela Internet: Um Estudo de Caso. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina –SC. Rosenberg, M. J. (2002). E-Learning – Estratégias para a Transmissão do Conhecimento na Era Digital. São Paulo: Makron Books. Educação a Distância – UNICEUMA 5
  • 5. Preti, O. (1996). Educação à distância: inícios e indícios de um percurso. Cuiabá: NEAD/IE – UFMt. Souza, A.M.M., Depresbiteris.L., Machado, O.T.M.M. 2004. A mediação como princípio educacional: bases teóricas das abordagens de Reuven Feuerstein. Senac SP Tripathi, A. K. (1997) Comentário realizado na lista de discussão: DEOS- L@lists.psu.em. (em 12.11.1997). Vygostky, L.S. (1988) A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes. Educação a Distância – UNICEUMA 6
  • 6. 1. Introdução Um primeiro passo para o profissional que deseja atuar como tutor em cursos da modalidade a distância é o de se tornar, caso ainda não o tenha feito, um aluno virtual. É mais provável que quem já passou pela experiência de estudar a distância possa apresentar maiores chances de entender como sentem outras pessoas que estão vivenciando uma situação mais ou menos semelhante à sua. Ribeiro e Neves (2006) afirmam que o processo de tutoria demanda que o docente desenvolva ações que, embora tenham o mesmo objetivo da educação presencial, isto é, de facilitar a aprendizagem do aluno, solicitem uma atuação diferente no papel daquela de uma sala de aula, entre quatro paredes com uma determinada turma, olho no olho. O que há de diferente no papel do professor a distância, como será observado ao longo deste curso, é que, por meio de uma orientação pedagógica de interação mediatizada, com canais de comunicação, o professor-tutor se comunica com alunos e instituição. Com o exposto, as autoras argumentam que, não importa o quanto de experiência e conhecimento teórico os profissionais já tenham, o fato é que todos, sem exceção, necessitam passar por um processo de formação e de familiarização na modalidade à distância, não apenas inicial, como este, mas permanente. Este curso se divide em dois blocos: em um primeiro momento serão apresentadas algumas teorias de aprendizagem com abordagens sócio- construtivistas e suas percepções para a modalidade à distância; na segunda parte, mais prática, serão determinados os principais pré- requisitos e competências técnicas da tutoria, seguidos de uma série de considerações e dicas sobre o exercício da tutoria em si, com considerações sobre comunicação, linguagem escrita, motivação, gerenciamento de tempo, feedback, evasão e avaliação. Espera-se que o leitor atento possa apreender todos os conceitos apresentados, bem como discutir com colegas e instrutor todas as considerações práticas abordadas. Educação a Distância – UNICEUMA 7
  • 7. 2. O que é Educação a Distância? Segundo Moran (1994), educação a distância é o processo de ensino- aprendizagem, mediado por tecnologias, no qual professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. Apesar de não estarem juntos, de maneira presencial, eles podem estar conectados, interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, que se referem ao conjunto de tecnologias da informação e da comunicação resultante da junção entre os recursos das telecomunicações (telefonia, satélite, cabo, fibras óticas, etc) e da informática (computadores, periféricos, softwares e sistemas de redes), como a Internet. Mas também podem ser utilizados o correio, o rádio, a televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e tecnologias semelhantes. Na expressão "ensino a distância", a ênfase é dada ao papel do professor (como alguém que ensina a distância). Já na expressão “aprendizagem à distância” o foco está no aluno. Assim, opta-se pela palavra “educação” que é mais abrangente, embora nenhuma das expressões seja perfeitamente adequada. Hoje, temos a educação presencial, semipresencial (parte presencial/parte virtual ou à distância) e educação à distância (ou virtual). A presencial é a dos cursos regulares, em qualquer nível, nos quais professores e alunos se encontram sempre num local físico, chamado sala de aula. É o ensino convencional. A semipresencial acontece uma parte na sala de aula e outra parte a distância, através de tecnologias. A educação a distância pode ter ou não momentos presenciais, mas acontece fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no espaço e/ou no tempo, podendo estar juntos através de tecnologias de comunicação. Outro conceito importante é o de educação contínua ou continuada, que se dá no processo de formação constante, de aprender sempre, de aprender em serviço, juntando teoria e prática, refletindo sobre a própria experiência, ampliando-a com novas informações e relações. A educação a distância pode ser feita nos mesmos níveis que o ensino regular, no ensino fundamental, médio, superior e na pós-graduação. Entretanto, a EAD é mais adequada para a educação de adultos, principalmente para aqueles que já têm experiência consolidada de Educação a Distância – UNICEUMA 8
  • 8. aprendizagem individual e de pesquisa, como acontece no ensino de pós- graduação e também no de graduação. Há modelos exclusivos de instituições de educação à distância, que só oferecem programas nessa modalidade, como a Open University da Inglaterra ou a Universidade Nacional a Distância da Espanha. A maior parte das instituições que oferece cursos à distância, também o faz no ensino presencial. Esse é o modelo atual predominante no Brasil. A seguir, as principais definições de EAD, suas diferenças e alguns do pressupostos para a mesma. 3. Distinção de Definições de EAD Uma das definições mais citadas de educação a distância é a de Keegan (1980): “o ensino a distância é o tipo de método de instrução em que as condutas docentes acontecem à parte das discentes, de tal maneira que a comunicação entre o professor e o aluno se possa realizar mediante textos impressos, por meios eletrônicos, mecânicos ou por outras técnicas”. Para Peters (apud Belloni, 1999), Educação/Ensino a Distância é um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes, através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, pelo uso extensivo de meios de comunicação, especialmente para o propósito de reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto esses materiais durarem. É uma forma industrializada de ensinar e aprender (Nunes, 1992). Holmberg (1980) afirma que o termo "educação à distância" esconde- se sob várias formas de estudo, nos vários níveis que não estão sob a contínua e imediata supervisão de tutores presentes com seus alunos nas salas de leitura ou no mesmo local. A educação a distância se beneficia do planejamento, direção e instrução da organização do ensino. Para Preti (1996) a Educação a Distância é um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal na sala de aula entre professor e aluno como meio preferencial de ensino pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e o Educação a Distância – UNICEUMA 9
  • 9. apoio de uma organização e tutoria que propiciam uma aprendizagem independente e flexível. Segundo Landim (1997), educação a distância pressupõe a combinação de tecnologias convencionais e modernas que possibilitam o estudo individual ou em grupo, nos locais de trabalho ou fora, por meio de métodos de orientação e tutoria à distância, contando com atividades presenciais específicas, como reuniões do grupo para estudo e avaliação. Moore e Kearsley (1996) afirmam que a EAD, para ter uma definição clara, deve possuir seis elementos essenciais:  Separação entre estudante e professor;  Influência de uma organização educacional, especialmente no planejamento e preparação dos materiais instrucionais;  Uso de meios técnicos  Providências para comunicação em duas vias;  Possibilidade de seminários (presenciais) ocasionais.  Participação na forma mais industrial de Educação. Preti (1996) destaca os seguintes elementos da EAD:  A distância física professor-aluno: a presença física do professor ou do tutor, isto é do interlocutor, da pessoa com quem o estudante vai dialogar não é necessária e indispensável para que se dê a aprendizagem. Ela se dá de outra maneira, "virtualmente";  De estudo individualizado e independente: reconhece-se a capacidade do estudante de construir seu caminho, seu conhecimento por ele mesmo, de se tornar autodidata, ator e autor de suas práticas e reflexões;  Um processo de ensino-aprendizagem mediatizado: a EAD deve oferecer suportes e estruturar um sistema que viabilizem e incentivem a autonomia dos estudantes nos processos de aprendizagem.  O uso de tecnologias: os recursos técnicos de comunicação, que hoje têm alcançado um avanço espetacular (correio, rádio, TV audiocassete, hipermídia interativa, Internet), permitem romper com as barreiras das distâncias, das dificuldades de acesso à educação e Educação a Distância – UNICEUMA 10
  • 10. dos problemas de aprendizagem por parte dos alunos que estudam individualmente, mas não isolados e sozinhos. Oferecem possibilidades de se estimular e motivar o estudante, de armazenamento e divulgação de dados, de acesso às informações mais distantes e com uma rapidez incrível.  a comunicação bidirecional: o estudante não é mero receptor de informações, de mensagens; apesar da distância, busca-se estabelecer relações dialogais, criativas, críticas e participativas.  Tripathi (1997) selecionou três critérios básicos para definir Educação a Distância:  Separação entre o professor e os alunos durante a maior parte do processo instrucional;  O uso de mídias instrucionais para unir professor e alunos;  A viabilidade de comunicação em duas vias entre professor e alunos. 4. Breve História da Educação a Distância Na sua história, a EAD teve diferentes estágios ou gerações. A primeira geração caracterizou-se pelo estudo por correspondência, cujo meio de comunicação era o material impresso, geralmente um guia de estudos com exercícios escritos e outras tarefas enviados pelo correio. Muitos dos cursos à distância espalhados pelo mundo ainda são conduzidos por correspondência. A segunda geração da EAD iniciou-se nos anos 1970, com a criação das primeiras Universidades Abertas. As Universidades Abertas utilizaram uma visão sistêmica na implementação do projeto de educação à distância. Usaram recursos de instrução por correspondência e transmissão de material gravado através de rádio e televisão e envio de videotapes. Os recursos utilizados pelas Universidades Abertas representaram uma transição para o surgimento da terceira geração de EAD. Aos materiais dos cursos, transmitidos por TV ou enviados no formato de videotape, somou-se a interação através de telefone, satélite, cabo ou ISDN (Integrated Services Digital Network). A partir da década de 1990 emerge a terceira geração de EAD, baseada em redes de computadores, recursos para conferências e Educação a Distância – UNICEUMA 11
  • 11. multimídia. A EAD entrou em um terceiro momento histórico que permite a universalização do aprendizado como conseqüência dos avanços tecnológicos. As novas tecnologias de informação e comunicação são recursos que podem ser interligados a vários campos da educação. Hoje já se considera uma quarta geração de EAD, caracterizada pelo uso de banda larga de comunicação, que permite estabelecer e manter a interação dos participantes de uma comunidade de aprendizagem com mais qualidade e rapidez. Em função das tecnologias adotadas para a transmissão da informação, a evolução do ensino a distância pode ser dividida em três fases ou gerações: textual, analógica e digital. 4.1. Geração textual (1890 a 1960) A EAD tem suas origens no final do século XIX com a criação, em diferentes países, de instituições que ofereciam cursos por correspondência. Tratava-se, fundamentalmente, de atingir um setor da população que não tinha outra forma de acesso à educação por razões geográficas, por falta de escolas próximas, ou por outras impossibilidades. Nesse primeiro momento da EAD, realizava-se o ensino por correspondência com escassa ou nenhuma interatividade entre as partes. Entre os países que mais a impulsionaram estão a União Soviética, a Alemanha, a Grécia, a Inglaterra, os Estados Unidos, seguidos da Austrália e da América Latina. Era basEADa numa atitude isolada de auto-aprendizado apoiado apenas por materiais impressos. 4.2. Geração analógica (1960 a 1980) A segunda geração apareceu após a criação da Universidade Aberta (Open University) do Reino Unido em 1969, ocasião em que se começava a compreender a universidade aberta como um sistema educativo. Era o tempo da democratização do saber. Fundamentava-se na idéia de se oferecer uma segunda oportunidade a grandes setores da população adulta, que não tinham tido acesso à educação quando estavam em idade escolar. A grande marca dessa segunda geração foi um novo modelo de EAD, não mais centrado apenas no envio de materiais impressos por correspondência, mas combinando-o com reuniões, encontros presenciais, sessões periódicas Educação a Distância – UNICEUMA 12
  • 12. de tutorias e emissões radiofônicas. Além disso, o modelo proposto era respaldado por uma instituição pública que expedia a titulação oficial. O surgimento da Open University influenciou muitos outros países, que adaptaram o modelo institucional e pedagógico dessa instituição. Desse modo, apareceram outras Universidades e Centros em países como Alemanha, Paquistão, Israel, Canadá, Austrália, Costa Rica, Venezuela, Japão, Índia, Irlanda, França e Espanha. As universidades abertas nesses países também se basearam no modelo de auto-aprendizado com tutoria e suporte de áudio e vídeo. 4.3. Geração digital A terceira geração traz novos paradigmas para a educação. Caracteriza-se pela inserção das novas tecnologias de informação e comunicação basEADas em redes de computadores. O baixo custo e o alto grau de interatividade dos computadores ligados em redes possibilitam diferentes formas de distribuição e acesso às informações, imprimindo um novo ritmo à educação. É cada vez mais comum a utilização de recursos interativos - como correio eletrônico, bate-papo e videoconferência – para promover encontros virtuais entre os professores e os alunos. Essas novas tecnologias possibilitam ao indivíduo acesso a uma educação global, em que a inovação e a descoberta são etapas fundamentais do processo de aprendizagem. 5. EAD no Brasil A história da EAD no Brasil iniciou-se em 1923, quando Edgard Roquette Pinto fundou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (posteriormente Rádio MEC) e deu início a programas de EAD por radiodifusão. Em 1941 foi fundado o Instituto Universal Brasileiro (IUB). O Instituto foi um dos pioneiros na EAD em nosso país, oferecendo cursos profissionalizantes. De todas as iniciativas realizadas, é o IUB que possui uma organização de educação a distância modular, que há mais de 50 anos desempenha um relevante papel na aplicação e modernização desse método de ensino. Atualmente possui cerca de 160 mil alunos matriculados, Educação a Distância – UNICEUMA 13
  • 13. aprimorando ou atualizando uma profissão e complementando assim sua formação cultural. O Instituto ainda oferece cursos oficiais supletivos de ensino fundamental e médio (antigo 1º e 2º graus). Com relação aos cursos de ensino superior, Maia (2002) acredita que, apesar da grande maioria dos cursos desenvolvidos até o momento estarem voltados para a formação de professores, licenciatura e especializações em EAD e em Educação Mediada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), a tendência para os próximos anos é a implantação e desenvolvimento de cursos de graduação e seqüenciais nas diferentes áreas do saber, como administração, economia, comunicações, turismo e outros. A seguir, no Quadro 4, são apresentados endereços de associações, consórcios e redes ligadas à área de EAD no Brasil: Quadro 4. Endereços de associações, consórcios e redes ligadas à área de EAD no Brasil. Associações Endereço ABED - Associação Brasileira de http://www.abed.org.br Educação a Distância ABT - Associação Brasileira de http://www.abt-br.org.br/ Tecnologia Educacional SEED – Secretaria de Educação http://www.mec.gov.br/seed a Distância Instituto UVB - Universidade http://www.iuvb.edu.br/ Virtual Brasileira UniRede – Universidade Virtual http://www.unirede.br/ Pública do Brasil SOCINFO – Programa Sociedade http://www.socinfo.org.br da Informação IPAE - Instituto de Pesquisas http://www.ipae.com.br Avançadas em Educação Educação a Distância – UNICEUMA 14
  • 14. 6. Teorias de Aprendizagem – Uma Síntese relevante para percepções da Educação a Distância Rosa (2005) afirma que, atualmente, pode-se caracterizar a tendência da educação brasileira como construtivista, com ênfase na idéia interacionista de Vygotsky (1989) ou Paulo Freire (1983). Esta abordagem vê o aluno como construtor de seu conhecimento, mas inserido numa dada sociedade, numa dada cultura que determina esse conhecimento. Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência, segundo Marx e Engels (1984), inspiradores da obra vigotskiniana e freiriana. Assim, o ser que aprende - ou que constrói o conhecimento - transforma a realidade, e o faz pela ação e reflexão; não há apropriação rigorosa e definitiva entre o ser vivo e o seu meio, mas as relações são de transformação mútua. Diz Paulo Freire (1983, p.39): "Entendemos que, para o homem, o mundo é uma realidade objetiva, independente dele, possível de ser conhecida. É fundamental, contudo, partirmos de que o homem, ser de relações e não só de contatos, não apenas está no mundo, mas com o mundo. Estar com o mundo resulta de sua abertura à realidade, que o faz ser o ente de relações que é." Se o ser humano pode conhecer e transformar o mundo em que vive, a escola pode instrumentalizá-lo para isto. A escola é um espaço cultural de conhecimento, local de crescimento de alunos e professores, uma instituição que existe num contexto histórico de uma determinada sociedade. O professor, agente social, tem o papel de problematizador dessa realidade, ajudando o aluno a passar das formas mais primitivas da consciência para uma consciência crítica. O professor cria situações para desmistificar a cultura dominante, valorizando a linguagem e a cultura do aluno; o aluno, por sua vez, analisa o conteúdo criticamente e produz cultura. A avaliação, faz-se da prática e dos participantes do processo (alunos e professores). A seguir, serão explicitados alguns conceitos importantes das principais teorias de aprendizagem centradas em abordagens sócio- construtivistas e que, portanto, são relevantes para o desenvolvimento da Educação à distância. Educação a Distância – UNICEUMA 15
  • 15. 6.1. Jean Piaget e a teoria da Equilibração Segundo Piaget, a construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ,ou acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em construção de esquemas ou conhecimento. Em outras palavras, uma vez que a criança não consegue assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma acomodação e após, uma assimilação o equilíbrio é então alcançado. 6.1.1. Esquema Autores sugerem que imaginemos um arquivo de dados na nossa cabeça. Os esquemas são análogos às fichas deste arquivo, ou seja, são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente organizam o meio. São estruturas que se modificam com o desenvolvimento mental e que se tornam cada vez mais refinadas a medida em que a criança torna-se mais apta a generalizar os estímulos. Por este motivo, os esquemas cognitivos do adulto são derivados dos esquemas sensório-motores da criança e os processos responsáveis por essas mudanças nas estruturas cognitivas são assimilação e acomodação. 6.1.2. Assimilação: É o processo cognitivo de colocar (classificar) novos eventos em esquemas existentes. É a incorporação de elementos do meio externo (objeto, acontecimento,...) a um esquema ou estrutura do sujeito. Em outras palavras, é o processo pelo qual o indivíduo, cognitivamente, capta o ambiente e o organiza possibilitando assim, a ampliação de seus esquemas. Na assimilação o indivíduo usa as estruturas que já possui. 6.1.3. Acomodação: É a modificação de um esquema ou de uma estrutura em função das particularidades do objeto a ser assimilado. A acomodação pode ser de duas formas, visto que se pode ter duas alternativas: Educação a Distância – UNICEUMA 16
  • 16. Criar um novo esquema no qual se possa encaixar o novo estímulo, ou;  Modificar um já existente de modo que o estímulo possa ser incluído nele. Após ter havido a acomodação, a criança tenta novamente encaixar o estímulo no esquema e aí ocorre a assimilação. Por isso, a acomodação não é determinada pelo objeto e sim pela atividade do sujeito sobre este, para tentar assimila-lo. O balanço entre assimilação e acomodação é chamado de adaptação. 6.1.4. Equilibração: É o processo da passagem de uma situação de menor equilíbrio para uma de maior equilíbrio. Uma fonte de desequilíbrio ocorre quando se espera que uma situação ocorra de determinada maneira, e esta não acontece. 6.2. Jerome Bruner e a Aprendizagem por Descoberta Bruner (1976) preocupa-se em induzir uma participação ativa do aluno no processo de aprendizagem, contemplando a "Aprendizagem por Descoberta". Seu enfoque é a exploração de alternativas e o currículo em espiral. O conceito de exploração de alternativas pressupõe que o ambiente ou conteúdo de ensino deve proporcionar alternativas para que o aluno possa inferir relações e estabelecer similaridades entre as idéias apresentadas, favorecendo a descoberta de princípios ou relações. Por sua vez o currículo em espiral permite que o aluno veja o mesmo tópico em diferentes níveis de profundidade e modos de representação. Para Bruner, o desenvolvimento intelectual depende da maturação para representação e da integração. A maturação para representação depende do nível de amadurecimento do aluno e varia com o crescimento, através de refinamentos constantes, sendo dividida em três modos de representação do mundo: enativo, icônico e simbólico. Através desses três modos de representação, os indivíduos passam por três estágios de processamento e representação de informações: manuseio e ação, organização perceptiva e imagens e utilização de símbolos. A integração é a capacidade do sujeito Educação a Distância – UNICEUMA 17
  • 17. transcender o momentâneo, desenvolvendo meios de ligar passado- presente-futuro. Um dos pontos chave para o desenvolvimento intelectual são os ambientes abertos, onde a capacidade de representação e integração são estimuladas, através de técnicas provenientes da exposição ao ambiente especializado de uma dada cultura. O modelo de aprendizagem pela descoberta de Bruner, estabelece que se deve usar uma abordagem voltada para a solução de problemas ao ensinar novos conceitos. As mais importantes contribuições deste modelo para a EAD são especificar experiências de aprendizagem pelas quais os estudantes têm de passar; relacionar um volume de conhecimento ao nível dos estudantes; escalonar as informações de maneira que elas possam ser facilmente compreendidas. Bruner enfatiza a aprendizagem por descoberta, no qual se preocupa em induzir uma participação ativa do aprendiz no processo de aprendizagem. Para o aluno aprender deve haver situações de desafio que a levem a resolver problemas.  Enativa (movimento, respostas motoras)  Icônica (percepção do ambiente e formação de modelos).  Simbólica (ordena e organiza as imagens com historicidade). Bruner (1976) acredita que a solução de muitas questões depende de uma situação ambiental que se apresente como um desafio à inteligência do aprendiz, levando-o a resolver problemas, promovendo a transferência da aprendizagem. Aplicação dos conhecimentos adquiridos a uma nova situação. Bruner distingue dois tipos de motivação: motivação intrínseca e motivação extrínseca. O professor deve sempre estimular os alunos para a descoberta, desafiando-os sempre. Para ele, aprendizagem é também motivação, onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. Ele realça a importância da motivação e da compreensão no processo de aprendizagem. A formação de conceitos globais, a construção Educação a Distância – UNICEUMA 18
  • 18. de generalizações coerentes e a explicitação da estrutura funcionam como facilitadores da aprendizagem. Bruner apresenta 4 princípios explicativos do processo de ensino/aprendizagem:  Motivação (reforços e motivação intrínseca);  Estrutura (modo de apresentação, economia e poder da informação);  Seqüência (apresentação motora a que se segue a icônica e por fim a simbólica);  Reforço (feedback da ação). Em resumo, a, teoria de Bruner inclui a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem, a aprendizagem por descoberta, a exploração de alternativas, o currículo em espiral e a aprendizagem segundo as fases internas do desenvolvimento. 6.3. Paul Ausubel e a Aprendizagem Significativa A teoria da aprendizagem significativa tem exercido uma enorme influência na educação e se baseia em um modelo construtivista dos processos cognitivos humanos. Em particular, a teoria da assimilação descreve como o estudante adquire conceitos, e como se organiza sua estrutura cognitiva. A premissa fundamental de Ausubel é ilusoriamente simples: "O aprendizado significativo acontece quando uma informação nova é adquirida mediante um esforço deliberado por parte do aprendiz em ligar a informação nova com conceitos ou proposições relevantes preexistentes em sua estrutura cognitiva. (Ausubel et al., 1978, p. 159)”. Para Ausubel, o principal no processo de ensino é que a aprendizagem seja significativa. Isto é, o material a ser aprendido precisa fazer algum sentido para o aluno. Isto acontece quando a nova informação “ancora-se” nos conceitos relevantes já existentes na estrutura cognitiva do aprendiz. Educação a Distância – UNICEUMA 19
  • 19. Neste processo a nova informação interage com uma estrutura de conhecimento específica, que Ausubel chama de conceito “subsunçor”. Esta é uma palavra que tenta traduzir a inglesa “subsumer”. Quando o material a ser aprendido não consegue ligar-se a algo já conhecido, ocorre o que Ausubel chamou de aprendizagem mecânica (“rote learning”). Ou seja, isto ocorre quando as novas informações são aprendidas sem interagirem com conceitos relevantes existentes na estrutura cognitiva. Assim, a pessoa decora formulas, leis, macetes para provas e esquece logo após a avaliação. Para haver aprendizagem significativa é preciso haver duas condições:  O aluno precisa ter uma disposição para aprender: se o indivíduo quiser memorizar o material arbitrariamente e literalmente, então a aprendizagem será mecânica;  O material a ser aprendido tem que ser potencialmente significativo, ou seja ele tem que ser logicamente e psicologicamente significativo: o significado lógico depende somente da natureza do material, e o significado psicológico é uma experiência que cada indivíduo tem. Cada aprendiz faz uma filtragem dos materiais que têm significado ou não para si próprio. Para Ausubel é importante a aprendizagem de conteúdo verbal com sentido, aquisição e retenção de conhecimentos de maneira "significativa". O resultado é tão eficaz quanto a aprendizagem por "descoberta", mais efetivos por economizarem tempo do aprendiz e serem mais tecnicamente organizados. Este autor se preocupa mais no processo de instrução com a apresentação de conteúdo com sentido, do que com os processos cognitivos do aprendiz. A programação de matérias deve ser feita por meio de uma série hierárquica (em ordem crescente de inclusão), com cada organizador avançado precedendo sua correspondente unidade. Para Ausubel, a aprendizagem não necessita necessariamente da motivação. Ela ocorre por si só. Para ele, quando se aprende algo, há uma satisfação inicial, que estimula que o ato pedagógico continue se desenvolvendo. O aspecto cognitivo é a sua maior preocupação. A motivação para ele é crescente no momento em que o aluno conhece os Educação a Distância – UNICEUMA 20
  • 20. objetivos do ensino, que devem ser claros e relacionados com o imediato. Para ele, motivação é a própria aprendizagem. 6.4. Lev Semyonovitch Vigotsky e o Interacionismo Vygotsky baseia sua teoria do interacionismo em uma visão de desenvolvimento apoiada na concepção de um organismo ativo, onde o pensamento é construído gradativamente em um ambiente histórico e, em essência, social. A interação social possui um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e toda função no desenvolvimento cultural de um sujeito aparece primeiro no nível social, entre pessoas, e depois no nível individual, dentro dele próprio. Segundo Vygotsky (1988) , a interação social é origem e motor da aprendizagem e do desenvolvimento intelectual. Todas as funções no desenvolvimento do ser humano aparecem primeiro no nível social (interpessoal), depois, no nível individual (intrapessoal). A aprendizagem humana pressupõe uma natureza social específica e um processo através do qual as pessoas penetram na vida intelectual daquelas que as cercam. Portanto, uma atualização destas noções nos possibilita pensar o novo estilo de pedagogia, que favorece a aprendizagem coletiva em rede (nível social ou interpessoal) e, ao mesmo tempo as aprendizagens personalizadas (nível individual ou intrapessoal). Vygotsky identifica três estágios de desenvolvimento na criança e que podem ser estendidos a qualquer aprendiz:  Nível de desenvolvimento real - determinado pela capacidade do indivíduo solucionar independentemente as atividades que lhe são propostas;  Nível de desenvolvimento potencial - determinado através da solução de atividades realizadas sob a orientação de uma outra pessoa mais capaz ou cooperação com colegas mais capazes;  Zona de desenvolvimento proximal - considerada como um nível intermediário entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. A "zona de desenvolvimento proximal" é potencializada através da interação social, ou seja, as habilidades podem ser desenvolvidas com a Educação a Distância – UNICEUMA 21
  • 21. colaboração entre pares. Já o nível de desenvolvimento real é considerado como as funções mentais do indivíduo que já estão estabelecidas, decorrentes das etapas de desenvolvimento inteiramente cumpridas pelo sujeito. A aplicação da abordagem de Vygotsky na prática educacional requer que o professor reconheça a idéia da "zona de desenvolvimento proximal" e estimule o trabalho colaborativo, de forma a potencializar o desenvolvimento cognitivo dos alunos. Os ambientes colaborativos de aprendizagem, apoiados em computadores e tecnologias associadas, valorizam este tipo de abordagem, criando um espaço de trabalho conjunto. Um outro conceito relacionado à concepção de VYGOTSKY (1988) refere-se à necessidade da intervenção do professor/tutor para apoiar o aluno na realização de uma tarefa complexa que ele, por si só, seria incapaz de realizar, e foi desenvolvido por BRUNER (1976). Este conceito. indica como o professor/tutor implementa processos de suporte que se estabelecem através da comunicação e que funcionam como apoio ou andaimação. O controle da tarefa é transferido gradualmente do professor/tutor (o apoio / andaime) para o aluno. Segundo tais princípios, a concepção e uso de ambientes interativos de aprendizagem deverão apresentar diferentes graus de complexidade, de forma a possibilitar a cada sujeito, em cada momento, atuações que estão nesta zona de desenvolvimento proximal, com variados recursos de andaimação. Estes recursos são gradativamente retirados de acordo com o desenvolvimento do aluno. 6.5. Paulo Freire e sua Teoria Dialógica A preocupação de Freire resultava na construção de uma nova sociedade, em que ensinar não é transmitir conhecimentos, mas sim é a consciência do “inacabamento”, a capacidade está em intervir sobre os nossos próprios condicionamentos, pois somos seres únicos; se morrermos, o mundo será diferente. Exige bom senso e apreensão da realidade, este é o resultado de ensinar. Para Paulo Freire é necessário romper com a forma depositária de transmissão, transferência de valores e conhecimentos, onde a relação Educação a Distância – UNICEUMA 22
  • 22. existente entre professor e aluno é de um sujeito narrador, detentor do saber absoluto e pacientes ouvintes. O mesmo autor ressalta ainda, a importância de contextualização dos temas ao cotidiano e valores dos alunos: “Somente na comunicação tem sentido a vida humana. Que o pensar do educador somente ganha autenticidade na autenticidade do pensar dos educandos, ambos mediatizados pela realidade, na intercomunicação. Por isto, o pensar daquele não pode ser um pensar para estes nem a estes imposto”.(Freire, 1983, p. 75) A sua metodologia é conceber o aluno como aquele que se descobre como sujeito do processo histórico, onde o "universo vocabular" e as "palavras geradoras", partem do sensível, do imediato, do dado, do empírico para o concreto. A dialética presente no seu pensamento constrói uma metodologia que parte do empírico para o abstrato, do particular para o contextualizado. A leitura da palavra escrita deve, pois, mediatizar a leitura do mundo; esta passagem se constrói entre educador e educandos através do diálogo. E o diálogo é o princípio ativo da cooperação. Não existe, pois, uma ação isolada por parte do sujeito que ensina (ou melhor, que orienta a aprendizagem). Os sujeitos do ato educativo convivem numa relação absolutamente horizontal, onde quem ensina, aprende e quem aprende também ensina. Para Freire, a educação problematizadora deveria romper com os esquemas verticais característicos da educação bancária (enciclopedista) , aspecto que só seria possível com a superação da contradição entre educador e educandos. Assim, não existiria educador do educando, nem educando do educador, mas educador-educando e educando-educador. Nela destaca-se a "Teoria Dialógica" de Paulo Freire, que concebe quatro características:  Colaboração;  União;  Organização. Educação a Distância – UNICEUMA 23
  • 23. Síntese cultural. O saber, para Freire, tem um papel emancipador, pois a teoria e a prática relacionam-se com o conhecimento e seus interesses. A mensagem de Paulo Freire é uma pedagogia que dignifica o outro. Forma a consciência, sem violentá-lo, sem humilhá-lo. O respeito dialético é fundamental (ter respeito e indicar outro caminho), salto da consciência ingênua para consciência crítica. O método consiste em fazer da pergunta um jogo: pega a pergunta, trabalha a pergunta e volta a pergunta para o aluno, pois só conhecemos aquilo que é significativo para nós. 6.6. Reuven Feuerstein e a teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural Para Feuerstein, a modificabilidade é uma condição essencial para a adaptação do ser humano. Trata-se de uma capacidade de reagir ativamente aos estímulos, elaborando ações conscientes e com significado. Outra condição fundamental para Feuerstein, é a de que a modificabilidade seja estrutural. Entende-se por estrutura um todo formado de partes que se relacionam. A modificação de uma parte implica, necessariamente, a mudança do todo. O termo estrutural propõe uma relação dinâmica constante da pessoa com seu ambiente sociocultural. O autor considera a estrutura psicológica como “um sistema composto por vários elementos interconectados que se afetam mutuamente”. Todos esses elementos representam vários subsistemas de natureza dinâmica que se estabelecem sobre as bases inicialmente inexistentes e desdobram-se, principalmente, em função da interação do organismo com os estímulos ambientais. Caracterizam-se por sua permeabilidade e por sua tendência a interagir mutuamente e a influir uns sobre os outros. Assim a modificabilidade cognitiva só pode ser considerada estrutural, se reunir algumas condições: relação estreita entre o todo e a parte, tendência a constituir-se num processo de mudança (transformação), autoperpetuação e natureza auto-reguladora do processo de mudança. Educação a Distância – UNICEUMA 24
  • 24. Autoperpetuação: corresponde à retenção, conservação expansão de novos elementos adquiridos; Autoregulação: refere-se á transferência e capacidade de adaptação das aquisições recentes, que se tornam disponíveis para o indivíduo em situações novas; Assim, a MCE situa-se em um quadro cultural de necessidades do ser humano, que se produzem dentro e fora dele, por relações históricas (presente, passado e futuro). Essas necessidades asseguram a identidade (constituição do sujeito) diante de uma realidade em movimento. O termo identidade é empregado referindo-se ao ser humano em suas dimensões social e cultural. 6.6.1. A Experiência da Aprendizagem Mediada (EAM) A EAM é parte da teoria de Modificabilidade Cognitiva Estrutural de Feuerstein, que encontra-se diretamente relacionada com a qualidade da mediação e com os processos cognitivos e afetivos de uma pessoa. Segundo Feuerstein, pela mediação, atingimos os dois maiores fenômenos do ser humano: modificabilidade e diversidade. Para explicar o primeiro conceito, o autor recorre a um importante conceito: autoplasticidade. Autoplasticidade: mecanismo de defesa definido como a propensão do organismo para modificar-se e sobreviver às pressões internas e externas; Desenvolvimento de pré-requisitos cognitivos afetivos e motivacionais para uma adaptação mais criativa e produtiva. Consiste no repertório de comportamentos e técnicas utilizado para neutralizar as fontes de perigo ela mudança do ambiente e na flexibilidade para usar a experiência passada para antecipar, facilitar e projetar eventos futuros. A mediação é um fenômeno que surgiu com o começo da humanidade, no momento em que o homem tomou consciência da morte e, com ela, do desejo de prolongar sua existência, por meio das futuras gerações. O fundamento da mediação é, portanto, transmitir a um mundo de significados, ou seja, a cultura, entendida aqui não como classificação de raças e etnias, mas como o conjunto de características que um povo tem em comum. Educação a Distância – UNICEUMA 25
  • 25. A teoria Behaviorista não levava em consideração conceitos como reflexão, raciocínio e processos internos da mente. Para essa teoria, se os estímulos externos estivessem bem selecionados e organizados, a aprendizagem teria de ocorrer. Modelo de representação Behaviorista SR Muitos estudiosos não concordavam com a abordagem behaviorista, entre eles Piaget. A perspectiva estruturalista piagetiana marcou a psicologia e a educação contemporâneas, equacionou a aquisição do conhecimento em processos psicológicos integrados e hierarquizados e demonstrou que o essencial da inteligência não é a medida do seu produto, mas sim a estruturação ativa e dinâmica da cognição. Todas essas idéias influenciaram Feuerstein, que partiu da análise do esquema proposto por Piaget para explicar o ato de aprender e foi além. Criou outro esquema, por considerar que o esquema piagetiano era insuficiente para expressar as idéias da aprendizagem mediada. Para Piaget, o ato de aprender é expresso no esquema S-O-R, em que o S são os estímulos, O é o organismo aprendiz e R, a resposta. Pelo modelo piagetiano, o desenvolvimento da inteligência parte de uma inteligência prática ,ou sensório-motora para uma inteligência cognitiva, por meio do pensamento (abstrato, ou operatório concreto, e depois formal), que compreende e resolve os problemas ou raciocínios lógicos. Modelo de representação Cognitivista SOR Feuerstein denominou o esquema piagetiano de aprendizagem diretiva. O organismo (O), ou aprendiz, interage diretamente com os estímulos(S) e dá uma resposta(R). Nesse tipo de interação, a Educação a Distância – UNICEUMA 26
  • 26. aprendizagem é incidental.não sendo suficiente para assegurar uma aprendizagem efetiva, induzida. Foi nessa perspectiva que ele introduziu, no esquema de Piaget, o elemento humano (H). Para esse autor, a mediação é um ato de interação entre um mediador e um mediado. No esquema proposto por ele, o mediador (H) aparece em dois momentos: primeiramente entre o estímulo(S) e o organismo (O) e depois entre o organismo (O) e a resposta(R). O H representa não só o mediador, mas também o processo de transmissão que ele realiza. Por esse esquema, o desenvolvimento cognitivo do mediado não resulta somente do processo de maturação do organismo, nem de um processo de interação independente e autônomo com o mundo dos objetos: é o resultado combinado da exposição direta ao mundo de experiência de aprendizagem mediada. Modelo de representação da teoria de Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE) SH  O H  R A situação mediada consiste numa interação interpessoal que possui características estruturais especiais. Em vez de relações causais com diversos componentes fragmentados do meio ambiente, na experiência de aprendizagem mediada existe um mediador, desempenhando o papel educacional de atuar sobre o estímulo. O mediador seleciona, assinala, organiza e planeja o aparecimento do estímulo, de acordo com a situação estabelecida por ele e com a meta de interação desejada. Pela mediação, o mediado adquire os pré-requisitos cognitivos necessários para aprender, beneficiar-se da experiência e conseguir modificar-se. Dessa maneira, a Educação a Distância – UNICEUMA 27
  • 27. aprendizagem mediada caracteriza-se como um processo intencional e planejado. Nesse tipo de aprendizagem, os processos de desenvolvimento e de aprendizagem compreendem, necessariamente, a presença do “outro” como representante da cultura e mediador de sua apropriação. É o caminho pelo qual os estímulos são transformados pelo mediador, guiado por suas intenções, intuições, emoções e cultura. O mediados seleciona os estímulos mais apropriados, filtra-os, elabora esquemas, amplia alguns e ignora outros. A experiência de aprendizagem mediada representa um modo de olhar a qualidade da interação, não estando especificamente relacionada a uma conteúdo. Pode ser desenvolvida em diferentes ambientes, diferentes culturas, com diferentes pessoas. As diferenças individuais, nas funções cognitivas, provêm da influência do ambiente e decorrem da qualidade e da quantidade de mediação que a pessoa recebe. Quanto mais apropriada for a mediação ,mais efetiva a modificabilidade de quem aprende. A mediação promove a interação do indivíduo com seu meio. Para aprofundar a análise dessa interação, Feuerstein recorre ao conceito de distância, da perspectiva da separação entre pessoa e objeto de interesse ou de necessidade. Essa distância pode ser compreendida pelas relações que foram se modificando ao longo dos tempos. Para Feuerstein, a distância pela qual o ser humano opera o mundo determina a natureza do processo de interação. Quanto maior for a distância entre o ser humano e o objeto, maior será a complexidade das relações, uma vez que as distâncias exigem processos mentais que se manifestam como substitutos do objeto, tais como índices, signos e símbolos, de modo que esse objeto possa ser decodificado. O conceito de distância envolve, entre outras, as dimensões de tempo e espaço, próprias dos processos mentais. Feuerstein diz que, na aprendizagem do educando, a distância também adquire um papel importante. O professor que oferece ao aluno objetos imediatos de conhecimento, não estimulará a produção de processos mentais que permitem a construção de metas de alcance, de Educação a Distância – UNICEUMA 28
  • 28. hipóteses, de tomada de decisões. A distância entre o aluno e o que deve conhecer é quase zero. Pensamentos mais complexos não podem ser desenvolvidos pela simples exposição da pessoa aos estímulos básicos, aos conteúdos ou às informações. É necessário ir além, ensinando processos de pensar. A ausência desse processos resulta em aprendizagem passiva e pouco significativa, na qual o educando age como mero reprodutor da informação. Critérios para a mediação Feuerstein definiu critérios para uma mediação efetiva. Alguns desses critérios são universais, não podem faltar no processo de mediação:  Intencionalidade e Reciprocidade:  Transcendência:  Significado: Intencionalidade e Reciprocidade São conceitos indissociáveis. O mediador isola e interpreta os estímulos (intencionalidade) e os apresenta de maneira que resulte na resposta (reciprocidade) do mediado. A Intencionalidade expressa a determinação do mediador de chegar ao mediado e ajudá-lo a compreender o que está sendo aprendido. O mediador, deliberadamente interage com o mediado, selecionando e interpretando estímulos específicos, meios e situações, para facilitar a transmissão cultural e torná-la apropriada pra cada mediado, adequando-a às suas necessidades. A Intencionalidade não deve ser um atributo exclusivo do mediador. Deve ser compartilhada com o mediado, na busca de um processo interativo. Não há necessariamente uma consciência imediata da intencionalidade por parte do mediado; essa consciência vai ser formando ao longo do processo de aprendizagem. O que fundamenta o conceito de Reciprocidade é que o processo de aprendizagem deve ser intencional, não incidental, e as intenções devem Educação a Distância – UNICEUMA 29
  • 29. ser compartilhadas entre mediador e mediado. Como o próprio termo indica, envolve permuta, troca. O mediador deve estar aberto às respostas do mediado, preparar os melhores materiais, provocar o interesse e a motivação sobre conteúdos diversos, investir tempo na verificação do aprendizado ,mostrar satisfação com as transformações do mediado. Este por sua vez, mostra reciprocidade quando fornece indicações de que está cooperando, sente-se envolvido no processo de aprendizagem e se esforça para modificar-se. Enfim, este é um caminho que explicita uma relação implícita e faz com que a aprendizagem se torne mais consciente. Dimensões cognitiva e afetiva da aprendizagem Feuerstein qualificou a modificabilidade como cognitiva, mas não ignorou os aspectos afetivos, emocionais e motivacionais do comportamento humano. Reconhecendo a estreita interdependência existente entre os fatores cognitivos e afetivos e a ligação inseparável desses dois fatores para a determinação do comportamento humano, ele considera a cognição como condição-chave para o sucesso da adaptação e, portanto, como ponto de partida mais eficaz para a intervenção. Para ele, as dimensões cognitiva e afetiva são duas faces de uma mesma meda transparente: a primeira corresponde aos elementos estruturais que explicam como uma pessoa aprende; a segunda expressa o fator energético do ato de aprender. Olhando-se de qualquer um dos lados, as duas dimensões estão presentes. A ênfase na mediação para o desenvolvimento dos processos cognitivos baseia-se em vários argumentos. Um deles é que o domínio cognitivo, estruturado de modo claro e metódico, presta-se mais fácil e diretamente à análise sistemática e à pesquisa. Portanto, uma intervenção cognitiva pode se relacionar de maneira sistemática e hierárquica com as operações mentais, as funções cognitivas e as estratégias, bem como com as diferentes categorias de raciocínio. Outro argumento é que trabalhar os componentes emocionais do comportamento a “partir do exterior” pode provocar resistência por parte da pessoa, especialmente no caso de crianças ou adolescentes, que poderiam sentir-se ameaçados, recusando-se a participar do processo de aprendizagem. A intervenção, voltada inicialmente e de forma clara para os processos cognitivos “neutros”, proporciona Educação a Distância – UNICEUMA 30
  • 30. maiores e melhores oportunidades de tornar-se uma motivação aceita expressamente. Apesar da ênfase cognitiva, Feuerstein reforça que não devemos esquecer os aspectos motivacionais afetivos, que desempenham também um papel fundamental para se obter sucesso em qualquer adaptação. Observa-se, freqüentemente, que, uma vez equipadas com as ferramentas cognitivas e com os pré-requisitos necessários à análise consciente de seus comportamentos, atitudes, sentimentos e emoções, as pessoas acabam manifestando uma “abertura da mente”, às vezes inesperada, e uma disposição surpreendente para tratar voluntariamente dos fatores afetivos e de outros, não-intelectivos, implícitos em suas dificuldades. Apesar de valorizar as duas dimensões e considerar que elas são profundamente integradas, Feuerstein considera a dimensão cognitiva preponderante na adaptação da pessoa ao seu meio. Transcendência Para o atendimento a este critério o mediador busca ir além do “aqui e agora” da situação em que a interação ocorre, procurando atingir objetivos e necessidades mais longínquos e duradouros. O objetivo é promover a aquisição de princípios, conceitos ou estratégias que possam ser generalizados para outras situações, permitindo ao mediado superar uma visão episódica da realidade. Assim, a transcendência inclui:  Selecionar uma variedade de conteúdos instrucionais, de acordo com os objetivos de desenvolvimento cognitivo transcendente;  Perguntar “por que” e “como”, preferencialmente a “o que”;  Tornar clara a relação entre a aprendizagem atual e as anteriores;  Discutir os resultados da aprendizagem e relacionar a experiência da aprendizagem com os objetivos transcendentes. Significado A significação dos conteúdos é um meio imprescindível para penetrar no sistema de necessidades do mediado. Trata-se de um processo de longa Educação a Distância – UNICEUMA 31
  • 31. prática social. Sem o poder persuasivo de legitimamente provocar significados, o processo de humanização não seria possível. Sem significações, a transmissão cultural de uma geração para outra não seria viável. O significado diz respeito ao valor, à energia atribuída à atividade, aos objetos e aos eventos, tornando-os relevantes para o mundo. Por esse critério, o mediador não assume atitude neutra. Demonstra interesse e envolvimento emocional, compartilha experiências próprias, explicita o motivo para a realização da atividade, verifica se o estímulo apresentado está sensibilizando o mediado. O que aprendemos da exposição direta a objetos e acontecimentos está rigorosamente determinado pela noção prévia sobre esses elementos e por nossa capacidade de relacioná-los com nossas aprendizagens anteriores. Por outro lado, nossos conceitos podem se modificar, entretanto é pouco provável que isso ocorra sem uma intervenção de mediação. 7. Os sistemas para EaD 7.1. Sistemas de administração de aprendizado (LMS) Um LMS (Learning Management System) ou Sistema de Gestão de Aprendizagem tem como principais objetivos centralizar e simplificar a administração e gestão dos programas de e-learning numa organização. De forma sumária, este sistema cobre todo o processo formativo a distância, possuindo interface de alunos, instrutores, de administradores e parte administrativa, como inscrições, relatórios, etc. O sistema auxilia colaboradores ou alunos a planificarem os seus processos de aprendizagem, bem como permite que os mesmos colaborem entre si através da troca de informações e conhecimentos. No caso dos administradores, o sistema auxilia a análise, a disponibilização das informações, o “rastreamento” de dados e a geração de relatórios sobre o progresso dos participantes. Os LMS's possuem recursos que permitem a rápida e simples criação de conteúdos formativos. Educação a Distância – UNICEUMA 32
  • 32. 7.2. Sistemas de administração de conteúdo de aprendizado (LCMS's) Um Learning Content Management System (LCMS) combina os recursos de administração e gestão de um tradicional LMS com as funcionalidades de criação e personalização de conteúdos. Nele é possível encontrar bibliotecas repletas de objetos de aprendizagem que podem ser utilizados independentemente ou em conjunto como parte de cursos mais completos.O (LCMS) permite a criação, armazenamento, avaliação e fornecimento personalizado de conteúdos de aprendizagem sob a forma de objetos de aprendizagem (Learning Objects). O resultado obtido poderá ser fornecido através da Web, CD-ROM’s, ou através de materiais impressos. O mesmo objeto pode ser utilizado várias vezes e com as finalidades que se bem entender. A integridade do conteúdo é preservada independentemente da plataforma utilizada. Assim, um LCMS categoriza, localiza e administra objetos de aprendizagem (slides, testes, videoclipes, ilustrações, módulos de cursos) e os organiza para a entrega em infinitas combinações. 8. Aprendizagem Colaborativa Dillenbourg (1992) define aprendizagem colaborativa como um conjunto de métodos e técnicas de aprendizagem para utilização em grupos estruturados, assim como de estratégias de desenvolvimento de competências mistas (aprendizagem e desenvolvimento pessoal e social), onde cada membro do grupo é responsável, quer pela sua aprendizagem quer pela aprendizagem dos restantes elementos. (Minerva, 2000) Minerva (2000) em Pinheiro (2003) coloca alguns elementos básicos da aprendizagem colaborativa: Interdependência do grupo: Os alunos, como um grupo, têm um objetivo a perseguir e devem trabalhar eficazmente em conjunto para o alcançar. Primeiro, os alunos são responsáveis pela sua própria aprendizagem; segundo, por facilitar a aprendizagem de todos os membros do grupo; terceiro, por facilitar a aprendizagem de alunos de outros grupos. Todos os alunos interagem e todos contribuem para o êxito da atividade. Interação: Um dos objetivos da aprendizagem colaborativa é o de melhorar a competência dos alunos para trabalhar em equipe. Cada Educação a Distância – UNICEUMA 33
  • 33. membro do grupo deve assumir integralmente a sua tarefa e disponibilizar espaço e tempo para partilhar com o grupo e, por sua vez, receber as suas contribuições. A vivência do grupo deve permitir o desenvolvimento de competências pessoais e, de igual modo, o desenvolvimento de competência de grupo como: participação, coordenação, acompanhamento, avaliação. Periodicamente deve ser realizada uma avaliação da funcionalidade do grupo, a fim de se conhecer o seu processo de desenvolvimento. Pensamento divergente: Não deve haver nenhum elemento do grupo que se posicione ostensivamente como líder ou como elemento mais “esperto”, mas uma tomada de consciência de que todos podem pôr em comum as suas perspectivas, competências e base de conhecimentos. As atividades devem ser elaboradas de modo que exijam colaboração em vez de competição (tarefas complexas e com necessidade de pensamento divergente e criativo). Avaliação: Os métodos para a avaliação independente são baseados em jogos de perguntas, exercícios, observações da interação do grupo e heteroavaliação. O processo de interação na aprendizagem colaborativa é muito dinâmico pois as pessoas estão ao mesmo tempo construindo e registrando suas idéias com a permissão dos demais participantes, o que lembra uma conversação em tempo real (bate-papo). Porém, esta conversa quando apoiada por ambientes computacionais torna-se um pouco mais estruturada até por estar sendo documentada (registrada). 9. Comunidades Virtuais de Aprendizagem Souza (2000) nos coloca que uma comunidade virtual pode ser definida como uma comunidade de pessoas compartilhando interesses em comum, idéias e relacionamentos, através da Internet, ou outras redes que propiciem a colaboração. As comunidades virtuais podem ser diferenciadas de outros grupos de discussão pela qualidade dos laços de relacionamento entre os participantes. Comunidades virtuais são formadas a partir do uso contínuo dos ambientes de comunicação mediada por computador (CMC). Educação a Distância – UNICEUMA 34
  • 34. Rojas (1995) EM Pinheiro (2003) coloca os benefícios de participar de um grupo de discussões em ambientes de comunicação mediada por computadores, que são as sementes das comunidades virtuais:  Ter contato com novas idéias, lançamentos e eventos no campo de estudo;  Ter a chance de obter rapidamente respostas de qualidade;  Ter acesso a materiais de qualidade ou links para estes materiais;  Aprender sobre o meio em si;  Adquirir o sentimento de fazer parte de uma comunidade de interesse;  Ter a oportunidade de expressar idéias e sentimentos;  Ter a oportunidade de intensificar contatos com pessoas compartilhando interesses similares. 10. Meios/Veículos para EaD Todo curso na modalidade a distância é realizado com a mediação do processo entre o professor e aluno dando-se através de alguma mídia, seja ela de caráter síncrono ou assíncrono, com um grau maior ou menor de interatividade e de interação. A seguir os principais meios/mídias a serem utilizados nos cursos do Senac DF. 10.1. Meio Impresso Embora muitos modelos de EAD se voltem para o uso de mídias digitais o material impresso continua como a mídia mais usada e de maior custo benefício nos programas de educação a distância. Willis (1996) nos coloca que o material impresso é fundamental na educação a distância. Os primeiros cursos a distância foram oferecidos por correspondência e através de material impresso, auxiliando também no desenvolvimento dos meios de entrega do material. As vantagens do material impresso segundo o autor, é o fato de ele poder ser usado em qualquer lugar, ser pedagogicamente claro, fácil de usar, de se referenciar, mas por ser um meio unidirecional, o material impresso possui suas limitações: a falta de interação é a grande Educação a Distância – UNICEUMA 35
  • 35. desvantagem do impresso. Por não possuir movimento ele provê ao aluno uma visão limitada da realidade. O mesmo autor nos mostra algumas formas do material impresso:  Livro Texto – É o recurso básico e fundamental para a entrega de conteúdo da maioria dos cursos a distância.  Guia de Estudo – Usado para reforçar pontos vistos durante a aula, inclui exercícios, leituras relacionadas e recursos adicionais para os estudantes.  Livros de Exercícios – Contém uma visão geral do conteúdo, o conteúdo a ser estudado, exemplos e modelos aplicados, exercícios com respostas e mecanismos de interação.  Programa do Curso – Fornece as metas e objetivos do curso, descrição de tarefas, leituras necessárias, critérios de avaliação e material a ser ensinado dia a dia. O programa deve ser o mais completo possível para que não gere dúvidas nos alunos e consiga guiá-los na falta de contato face a face com o professor.  Estudo de Caso – São utilizados para expandir os limites do material impresso, trazendo casos reais contextualizados em assuntos familiares aos alunos. 10.2. Vídeo O vídeo em Educação a Distância torna-se um complemento muito importante para o material impresso; muitos assuntos abordados em papel podem ser melhor explicados através de imagens em movimento. Algumas ferramentas da Internet nos dias de hoje permitem ao aluno assistir a vídeos com uma qualidade razoável de imagem, potencializando ainda mais o seu uso na Internet. Sua popularidade se deve em grande parte ao fato dos equipamentos necessários para seu uso (televisão e vídeo) serem de fácil utilização; em razão de ser gravado e entregue 31 em uma fita, torna possível ser assistido várias vezes, podendo ser pausado, rebobinado e guardado para utilizações futuras. A facilidade de uso do vídeo por parte dos alunos dá aos projetistas do curso a possibilidade de integrar o vídeo com outros materiais do curso. Os Educação a Distância – UNICEUMA 36
  • 36. estudantes podem passar do vídeo para o material impresso e novamente para o vídeo. Algo que foi lido pode ser melhor entendido ao ser visualizado em um vídeo. A seguir, algumas aplicações do vídeo em aspectos motivacionais ou comportamentais para alunos a distância:  Amenizar o isolamento do aluno;  Mostrar mudanças de atitude ou opinião;  Criar uma empatia por pessoas ou procedimentos;  Encorajar e inspirar persistência;  Entreter, envolver e divertir; 10.3. Computador O computador ao lado da Internet pode ser considerado a grande mídia potencializadora de EAD, já que a maioria das mídias usadas em EAD podem ser reproduzidas nos microcomputadores. A grande capacidade de armazenamento, a possibilidade de reprodução de vídeos, som, imagens, material impresso e da própria Internet tornam esta mídia uma das mais completas para a educação a distância. Willis (1996) divide as aplicações por computador para Educação a Distância em 4 grandes categorias: CAI – Computer Assisted Instruction – usa o computador como uma máquina pedagógica auto-suficiente, apresentando lições discretas para atingir objetivos educacionais específicos. Existem inúmeras modalidades de CAI, incluindo instrução e prática, tutoriais, simulação, jogos e solução de problemas. CMI – usa armazenagem e recuperação de dados para organizar a instrução e acompanhar o progresso e os trabalhos dos alunos. A instrução não é necessariamente apresentada pelo computador, apesar de CMI freqüentemente ser combinada com o CAI. CMC – Computer Mediated Communication – descreve as aplicações via computador que facilitam a comunicação. Como exemplo podemos citar Email, computer conferencing e eletronic bolletim boards. Computer Based Multimídia – Hypercard, hypermidia - são uma geração ainda em desenvolvimento, de ferramentas sofisticadas e poderosas que têm chamado a atenção de educadores a distância. O Educação a Distância – UNICEUMA 37
  • 37. objetivo é integrar várias tecnologias, tais como, voz, vídeo e computadores em uma única interface facilmente acessível 10.4. CD- ROM O material didático com recursos multimídia é gravado em CD-ROM. Pode ser tratado como um site de Internet. Portanto, e possível desenvolvê- lo com ferramentas para interatividade e integração multimídia. Dispõe de grande capacidade de armazenamento e rápido acesso às informações, o que é uma vantagem em relação a um site. Além disso, pode ser largamente distribuído, pois a mídia (CD) é barata. 10.5. Internet Scheer (1999) em Pinheiro (2003) coloca que a internet é uma rede mundial de computadores interligada no mundo inteiro; estimativas revelam que no ano de 1999 já havia mais de 200 milhões de usuários no planeta. O surgimento da World Wide WEB ou WWW ou simplesmente WEB, abre um novo cenário para Educação a Distância. Ela intensifica o uso da Internet, a rede global de computadores. Trata-se do uso de browsers ou softwares ditos de navegação pela Internet com interface gráfica e janelas. Ferraz at al. (2000) coloca que a aplicação da Internet, especialmente a WEB para fins de educação a distância, é um dos campos de maior pesquisa atualmente por parte de educadores. Inúmeros fatores dão crédito para este entusiasmo, respaldados pela rápida expansão da rede, e a inerente distribuição de documentos. O mesmo autor ainda nos coloca outras vantagens que contribuem para a Internet como meio para a educação a distância: Facilidade de Acesso – são vários os provedores de acesso à Internet, sem contar com a forte tendência de que todo o computador esteja conectado “full time” à Internet num futuro não muito distante; Diminuição de custos com educação – a utilização de cursos de longa distância requer investimentos bem mais modestos do que no ensino presencial tradicional, como instalações físicas, etc; Educação a Distância – UNICEUMA 38
  • 38. Possibilidade de customização do processo de aprendizado – Os alunos podem estudar em horários de sua preferência, em casa, com uma carga de trabalho diferente e adequada a cada um; Aumentar a capacidade de interação entre professores tutores e alunos – Através da utilização do correio eletrônico, das listas de discussão e grupos de notícias, o processo de troca de informação entre instrutor/aluno acontece de uma maneira mais efetiva do que nas formas mais antigas de ensino a distância, onde praticamente não havia interação; Interesse por parte de desenvolvedores de software – No começo, apenas instituições acadêmicas vinham realizando pesquisas sobre a utilização da WEB para educação a distância. Agora, empresas que desenvolvem software já vêem na educação a distância pela WEB, uma grande possibilidade para a venda de produtos relacionados com a área; Tecnologia Adequada – Embora a WEB não tenha sido inicialmente projetada para aplicações de educação a distância, o uso das tecnologias atualmente presentes na rede já possibilita a realização de aulas a distância; As correções e atualizações são bem mais simples – Diferente de um livro, que para ser alterado precisa de um processo demorado de editoração e revisão, as alterações na WEB são realizadas de forma digital, rápida e eficaz; é possível utilizarem-se diversos meios de comunicação, tais como texto, imagens, comunicação entre professores, professores e alunos, e entre alunos. Feedback ao aluno – O aluno tem mais facilidade de verificar como está seu rendimento, fazer comparações e verificar no que pode melhorar. O nível de desenvolvimento em relação à hipermídia na Internet, hoje, permite a geração de aplicações instrucionais (coursewares), típicas aplicações multimídia de treinamento, ambiente com interface de imagens visuais ricas e diferentes, que possam intensificar a compreensão de conceitos complexos com mecanismos adequados ao processo de ensino/aprendizagem. Educação a Distância – UNICEUMA 39
  • 39. 10.6. Lista de Discussão/ Fóruns Gonçalez (2005), coloca que a utilização de listas de discussão facilitam bastante a comunicação, que se dá vai difusão (broadcast), uma mensagem postada é encaminhada para um determinado grupo pertencente à lista. Fóruns podem devem ser gerenciados, de acordo com os objetivos instrucionais a serem contemplados pelo tutor. Para tanto, tal ferramenta pode ser utilizada para: 1. Postagem de notícias sobre o curso, substituindo o “painel/mural de notícias”. Neste caso, apenas tutores e coordenação pedagógica postam mensagens, aos alunos cabe apenas a visualização; 2. Postagem de feedbacks de atividades de grupo. Neste caso, apenas o grupo a receber o feedback será inserido na lista; 3. Para debates sobre textos lidos, vídeos, áudios, etc. Neste caso os tutores restringem as postagens dos alunos ao “comando” ou “postagem inicial” feitos pelo tutor, permitindo apenas respostas ou ainda, podem permitir a criação de novos tópicos de discussão, dentro do assunto tratado. 10.7. Bate-Papo/Chat “É um serviço de comunicação síncrona bastante popular. Permite a troca de mensagens escritas; pode ser implementado através de um programa específico ou ser integrado em páginas Web. “Tais ferramentas promovem discussões interativas entre duas ou mais pessoas simultaneamente, disponibilizam uma ou mais “salas” (canais) para discussão de assuntos distintos e permitem que se enviem mensagens para todos os usuários conectados num canal ou apenas para um usuário, privativamente. Existem sites que oferecem salas de bate-papo aos usuários.” 10.8. Newsgroups É um serviço parecido com listas de discussão, com algumas diferenças: Educação a Distância – UNICEUMA 40
  • 40. As mensagens não são enviadas para caixas postais. Em vez disso, ficam armazenadas em um servidor especial;  As mensagens são armazenadas hierarquicamente, de acordo com as linhas de discussão, o que facilita o registro e o acompanhamento dos vários assuntos.  Exige um software especial para acessar o servidor de news e ler as mensagens. Esse software integra os principais navegadores Web. 10.9. Correio Eletrônico/E-mail É a forma de comunicação mais usada na Internet. Permite a troca de mensagens escritas e o envio de arquivos anexados às mensagens, em qualquer formato (áudio, imagem, filme, textos, etc). O usuário dispõe de uma caixa postal eletrônica exclusiva, na qual são armazenadas as mensagens recebidas. Além de fácil de usar, o e-mail é bastante confiável e amplamente acessível a qualquer usuário de Internet. Por se uma forma de comunicação assíncrona, permite que as mensagens recebidas sejam analisadas com cuidado antes de serem respondidas, proporcionando um tipo de interação mais ponderado entre tutores e alunos. 11. A tutoria em Educação a Distância 11.1. Professor, Tutor e Educador Emerenciano (1998) afirma que a relação no processo de tutoria tem tríplice aspectos: professor, educador e tutor. O professor se projeta quando colabora com o estudante para acordar a crítica e a criatividade, quando são colocadas no plano de julgamento e aproveitamento do já vivenciado. O educador assume seu papel, quando o foco principal são os valores que induzem à autonomia. Desta visão, os dois papéis se concretizam no processo de tutoria. Em outras palavras, tratando-se de construção do saber, a tutoria é marcada pelo trabalho de estruturar os componentes de Educação a Distância – UNICEUMA 41
  • 41. estudo, orientar, estimular e provocar o participante a construir o seu próprio saber, partindo do princípio de que não há resposta feita, a cada um compete “criar” um pronunciamento marcadamente pessoal. Segundo a autora, na tutoria há uma dimensão de busca que perpassa a aprendizagem e caracteriza-se como uma presença. A presença é representada como um campo em que podem conviver passado e futuro, subsidiando projeções a serem vividas autonomamente. A tutoria caracteriza-se por seu caráter solidário e interativo, possibilitando o relacionamento da pessoa como um ser existente e vivenciado como eu, tu, nós e outros, do que decorre em conjunto de dificuldades, inclusive para colocar-se “entre” outros, como uma presença que se põe intencionalmente. O tutor é sempre alguém que possui duas características essenciais: domínio do conteúdo técnico-científico e, ao mesmo tempo, habilidade para estimular a busca de resposta pelo participante. É importante esclarecer que o termo “tutor” tem sido utilizado de forma indiscriminada. Muitas vezes o termo é utilizado de forma natural sem uma ressignificação. O movimento de ressignificação deve superar a idéia do tutor como aquele que ampara, protege, defende, dirige ou que tutela alguém. Na nossa ressignificação, trabalhar como tutor significa ser professor e educador. Ambos expressando-se no sistema de tutoria a distância. A orientação educativa no processo de tutoria considera como relevante as necessidades dos participantes e o contexto educativo do mesmo. Daí, o conceito de tutor vai alargando-se e mesclando-se com os conceitos de professor e educador. A tutoria é exercida em momentos diferenciados, podendo ocorrer diretamente ou a distância. Destaca-se que em qualquer dos dois momentos – diretamente ou a distância – o contato com o aluno não consiste em um “jogo” de perguntas e respostas, consiste em discutir e indicar bibliografia que amplia o raio de visão do educando, para que seja possível desenvolver respostas críticas e criativas, consideradas como Educação a Distância – UNICEUMA 42
  • 42. momentos para ampliação básica do “saber”, voltadas para oportunizar a análise de possibilidades de aplicação prática do saber conquistado. No processo de orientação a distância o atendimento realiza-se a partir da necessidade do aluno, que busca situar-se no contexto da aprendizagem. Neste caso, recursos tecnológicos são os intermediários do diálogo do tutor com o participante. O tutor deve contribuir com informações adequadas para o processo de construção do conhecimento do aluno. Evidentemente, o tutor deve ter domínio do conhecimento em processo, além da habilidade de problematizar e indicar fontes de consulta. Pode-se dizer que o tutor é um especialista, tanto no que concerne ao conteúdo do trabalhado na Unidade, como nos procedimentos a adotar para estimular a construção de respostas pessoais. É essencial que o tutor esteja plenamente consciente do seu papel: não basta dominar o “conteúdo trabalhado”, é essencial saber “para que” e “o significado do proposto”. 12. O Projeto de Tutoria Gonzalez (2005) afirma que o termo tutor vem sendo utilizado de modo indiscriminado e que os conceitos de professor, tutor, monitor e facilitador merecem análise, pois se complementam, ao mesmo tempo em que se diferenciam quanto às propostas educacionais e didático- pedagógicas. Adiante, todos esses conceitos serão apresentados e todas as sobreposições serão discutidas e avaliadas. 12.1. Valores, Capacidades, Atitudes e Disposição no Trabalho de Tutoria Atuar no terreno da educação é trabalhar com valores e, por isto, admitimos a necessidade de uma reflexão sobre os valores significativos que norteiam o trabalho de tutoria em cursos a distância. As relações que se estabelecem entre os valores - transcendental, ético, moral, liberdade - são claramente destacadas na educação brasileira. Educar é valorizar o homem e a mulher, como princípio norteador de toda proposta educativa. Educação a Distância – UNICEUMA 43
  • 43. Ao admitir o princípio de valorização do homem e da mulher, tem-se que pensar de onde ele provém e o que o torna significativo. Parece evidente que sua origem se encontra nas dimensões no “ser de transcendência” e, ao mesmo tempo, biopsicossocial. Essas duas dimensões devem ser valorizadas em favor de todas as possibilidades de realização. O educador não é aquele que simplesmente forma, mas ao formar está se formando e ao mesmo tempo re-forma cotidianamente o seu processo de formação. Diante disto, para a concretização do acompanhamento aos alunos, consideramos quatro aspectos fundamentais do tutor: Capacidades  Domínio dos conhecimentos básicos da informática;  Capacidade de expressão;  Competência para a análise e resolução dos problemas;  Conhecimentos (teóricos e práticos);  Capacidade para buscar e interpretar informações; Valores  Responsabilidade social;  Solidariedade;  Espírito de Cooperação;  Tolerância;  Identidade Cultural; Atitudes  Promoção da educação de outros;  Defesa da causa da justiça social;  Proteção do meio ambiente;  Defesa dos direitos humanos e dos valores humanistas;  Apoio à paz e à solidariedade; Disposição  Para tomar decisão;  Para continuar aprendendo; Estes aspectos nos permitem verificar se a práxis corresponde aos valores priorizados, conhecimentos, capacidades e atitudes projetadas,. Educação a Distância – UNICEUMA 44
  • 44. 13. O aluno virtual Segundo Pallof e Pratt (2004), estudos mostram que o aluno virtual de sucesso tem a mente aberta e compartilha detalhes sobre sua vida, trabalho e outras experiências educacionais. Isso é bastante importante quando pedimos aos alunos online para que ingressem em comunidades de aprendizagem a fim de que utilizem determinado material do curso. Os alunos virtuais são capazes de usar suas experiências no processo de aprendizagem e também de aplicar sua aprendizagem de maneira contínua a suas experiências de vida. 13.1. Características do aluno virtual de sucesso e passos para tornar seu aluno bem sucedido: A. Não se sente prejudicado pela ausência de sinais auditivos ou visuais no processo de comunicação. Pode até se sentir mais livre pela ausência desses sinais, ficando à vontade quando se expressam e contribuem para a discussão, em grande parte, através de textos; B. Tem automotivação e autodisciplina. Com a liberdade e flexibilidade do ambiente online vem a responsabilidade. Os sinais de problema do aluno online são diferentes, mas igualmente óbvios. Indicadores importantes e que não devem passar despercebidos são: mudanças no nível de participação, dificuldades em começar o curso; inflamar- se com outros alunos ou com professor pela expressão inadequada de emoções, especialmente raiva e frustração e dominar a discussão de maneira inadequada. C. O bom aluno virtual deseja dedicar quantidade significativa do seu tempo semanal a seus estudos e não vê o curso como “a maneira mais leve e fácil de obter créditos ou um diploma”. D. Trabalha em conjunto com seus colegas para atingir seus objetivos de aprendizagem e os objetivos estabelecidos pelo curso. E. Pensa criticamente, tendo a consciência de que o professor é um mediador, um facilitador do processo de aprendizagem online e que ele é o próprio responsável pelo processo. F. Acredita que a aprendizagem de alta qualidade pode acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento. Educação a Distância – UNICEUMA 45
  • 45. Estratégias Motivacionais A partir dos valores, conhecimentos, capacidades, atitudes e disposição, o tutor, ao se formar, inicia o processo de formação dos seus respectivos alunos na direção da construção da autonomia, criando a todo momento as possibilidades de construção do conhecimento. Destaca-se nesta fase, a necessidade de se implementar estratégias motivacionais em relação à aprendizagem dos alunos, centrando nos seguintes referenciais:  Valorizar as iniciativas dos alunos;  Devolver as sistematizações da aprendizagem no tempo estabelecido;  Indicar leituras complementares;  Estimular o posicionamento dos alunos;  Utilizar o senso de humor quando conveniente e articulado ao conteúdo da aprendizagem do aluno;  Auxiliar nas interpretações de algum conteúdo;  Propiciar que o aluno procure outros alunos;  Criar um clima propício para que se problematize o estudado;  Apresentar, na medida do possível, de questões existenciais que estimular a reciprocidade entre os alunos e tutores;  Utilizar uma linguagem conversacional, sendo clara, coerente e bem articulada;  Contextualizar, quando pertinente, a questão que está sendo abordada, relacionando a algum fato ou acontecimento recente; Comunicação Comunicar implica busca de entendimento, de compreensão. Verifica- se pela transmissão efetiva de sentimentos e idéias. Envolve uma dinâmica em que seus elementos essenciais, quais sejam, fonte, receptor, mensagem, código e canal, interagem para sua realização. Esta dinâmica dada a necessidade efetiva de compreensão da mensagem, Educação a Distância – UNICEUMA 46
  • 46. precisa considerar aspectos contextuais e ambientais traduzidos nos parâmetros de ruídos e entropias, e as redundâncias a eles associados. A comunicação ocorre numa dimensão espacial e temporal. Do ponto de vista da dimensão espacial, a comunicação pode se dar entre membros localizados em um mesmo ambiente físico, ou em locais distintos. Neste texto, estamos interessados pelo segundo caso, que caracteriza o processo não presencial. Neste caso, o suporte a mecanismos de controle sobre atividades e conteúdos, tais como restrições de acesso específicas sobre uma informação compartilhada em dado momento ou a especificação de um protocolo de conversação, e um processo de negociação que antecederia a cooperação propriamente dita e que delimitaria o papel de cada agente segundo normas consensuais, tentam resolver as dificuldades impostas pela limitação de canais viáveis disponíveis. Equilibrar o uso deste tipo de mecanismo com estes objetivos finais é o grande desafio proposto pelos que são incumbidos dessa tarefa. Considerando a dimensão temporal, a comunicação pode ocorrer de forma assíncrona ou síncrona. Na comunicação assíncrona não é necessário que os participantes estejam conectados simultaneamente. Neste caso, o objetivo da mensagem não exige uma resolução imediata, sendo que cada interação é gerenciada e armazenada pelo sistema. Por sua vez, na comunicação síncrona, os eventos ocorrem de maneira absolutamente seqüencial, com cada evento levando um tempo essencialmente nulo para se completar. Sob o ponto de vista de um observador externo, o sistema é constituído de eventos discretos e nenhum dos quais pode se sobrepor a um outro. Co-realização e Compartilhamento A cooperação muitas vezes envolve o desenvolvimento de algum produto ou objeto. Durante o trabalho, este objeto é compartilhado e manipulado pelos membros do grupo, o que caracteriza a co-realização e o compartilhamento. Define-se compartilhamento como a possibilidade que membros de um grupo de trabalho possuem de ter acesso comum e dividido a informações, objetivos ou idéias. Quando um grupo compartilha Educação a Distância – UNICEUMA 47
  • 47. um objeto e passa a efetuar ações sobre ele, corre o risco de utilizá-lo de forma indevida, uma vez que várias ações podem estar sendo realizadas simultaneamente. Aqui acentua-se a necessidade de algum tipo de controle, segundo os objetivos gerais da tarefa. Se houver a necessidade de um planejamento antecedente à realização dos trabalhos, algum tipo de intervenção deverá reger a participação de cada um dos membros do grupo em função das diretrizes gerais daquele planejamento. A escrita na Educação a Distância Segundo Laaser (1997), há uma certa diferença entre escrever em geral e escrever para programas de educação a distância. Sobre o primeiro, o autor defende a distinção entre redação criativa e redação social. A redação criativa é expressiva. É a reconstrução significativa da realidade em canções e contos (pág. 63). A redação social é expositiva. É passar às pessoas as novas informações, ensinar-lhes novas técnicas e atitudes, necessárias à participação na vida social, política e econômica da nação. A redação expositiva pode ser “criativa” também, mas a sua missão social é suprema. A redação para EAD é essencialmente didática, mas com uma forte obrigação no sentido de comunicar-se com os leitores, e com uma missão social muito clara. Uma vez que o estudante a distância está freqüentemente sozinho, é muito importante manter uma comunicação com ele. Laaser afirma que existem dois tipos diferentes de redação para EAD. Um envolve “guias de estudo” para livros-textos ou outro tipo de material de leitura. O propósito desses guias de estudo é ajudar o leitor de um livro- texto padrão (e-book) a dominar a matéria apresentada no mesmo. Separados do livro-texto, esses guias de estudo não são de muito uso instrucional. O outro tipo de redação para educação a distância envolve o desenvolvimento de materiais “auto-suficientes”. Para que os materiais para educação a distância adquiram um caráter de “conversação didática”, as seguintes características devem ser incorporadas a eles: Educação a Distância – UNICEUMA 48
  • 48. Materiais para EAD devem ser estruturados como “instrução programada sem moldura”  Materiais para EAD devem ser livremente permeados por uma variedade de mecanismos motivacionais e instrucionais Instrução Programada sem Moldura Instrução programada sem moldura quer dizer que o material é escrito de uma maneira didática ,os conceitos e argumentos são claros e a estrutura da unidade é explicada ao aluno. O material é apresentado em pequenos passos e existem oportunidades de obter respostas e proporcionar reforço. Mecanismos Motivacionais Instrucionais nos Textos Textos para educação a distância devem ser criados de modo a serem interativos. Isso exige mais do que o esforço propiciado pela conferência dos resultados em um livro-texto. Precisamos de uma variedade de mecanismos motivacionais e instrucionais. O Uso da Abordagem Indutiva Quando se usa o método dedutivo se escreve do geral para o específico, ou do todo para as partes, de um princípio para suas aplicações, ou do abstrato para o concreto. A abordagem indutiva pode ser mais fácil de entender. Usando as experiências concretas dos alunos, pode-se escrever antes sobre o mais específico, dando exemplos reais. Primeiro escreve-se sobre o que é familiar aos alunos, e então se demonstra os princípios que fundamentam tais fatos. Utilizando-se de observações dos próprios alunos, extrai-se conclusões. Controle da carga de conceitos Controlar a carga de conceitos é uma maneira de auxiliar os alunos na aprendizagem. A diminuição do tom professoral, catedrático aumenta a probabilidade da geração de diálogos mais produtivos. Educação a Distância – UNICEUMA 49
  • 49. Densidade de Informação Educação a distância é uma conversação didática com os alunos. Para tanto, a compreensão deve ser imediata. Evidências apontam que, em cada mensagem, 80% do que se apresenta já deve ser conhecido, e apenas 20% deve ser, de fato, ensinado, dialogado, debatido. Conseqüentemente, novos conceitos e palavras devem ser introduzidos cuidadosamente. Para tanto, é necessário explicar tais conceitos e termos novos, especialmente em se tratando de terminologia técnica. Sugestões: disponibilizar um glossário de termos técnicos para a unidade ou curso; fazer com que todos os conceitos se tornem concretos por meio de exemplos específicos. Concisão e Relevância da Informação Segundo Laaser é importante distinguir o que deve ser aprendido do que é bom ou agradável aprender. Para tanto, o tutor deve evitar rodeios ou fugir do ponto central da questão. Deve tornar seu texto relevante, utilizando exemplos extraídos das experiências vividas dos alunos. Estímulo adicional Uma conversação didática significa interação entre tutor e alunos, entre alunos e o texto. Portanto, um bom texto deve ser estimulante e levar à reflexão, adicionando questões e atividades para pensar, fazer e discutir. Escolha do estilo apropriado Não existe um melhor estilo de escrita. O melhor é o estilo próprio. Entretanto, é importante se ter em mente que, ao escrever para EAD, um texto tenha incorporado todas as características estilísticas de um bom ensino face a face. Segue algumas sugestões.  Ser amigável e incentivador;  Criar e estimular diálogos;  Levantar discussões, pedindo considerações, críticas e complementações;  Usar estilo pessoal, referindo-se ao aluno como “você” e a si mesmo como “eu”; Educação a Distância – UNICEUMA 50