Fobias Alexandre Rivero
Mecanismos das Fobias
CYRO MASCI  “ Até a década de 50, imperava a teoria psicanalítica das neuroses. Em poucas palavras, um sintoma psíquico era considerado como a ponta de um iceberg. De nada adiantaria retirar essa ponta que o gelo iria subir, e os sintomas iriam reaparecer. O tratamento portanto consistia em destruir (ou melhor, reestruturar) todo o iceberg, o que somente seria possível com anos de análise. O resultado prático sempre ficou bem abaixo das expectativas.
Na década de 50 surgem os primeiros trabalhos do psiquiatra sul africano Joseph Wolpe, que inicia seu processo de inibição recíproca, posteriormente denominado dessensibilização sistemática, baseado em trabalhos da década de 20 de Watson. Em síntese, esse grande médico começou a tratar pacientes com fobias associando uma sensação de prazer e relaxamento a situações imaginárias ou reais de medo e evitação. Como o relaxamento é incompatível com o medo, a fobia tende a desaparecer em pouco tempo.
De modo geral, o tratamento das fobias está baseado na quebra do link entre as sensações de desprazer e às situações ou objetos que desencadeiam as crises. Assim, se um elevador gera um reflexo de medo, é possível quebrar esse aprendizado desfazendo o ciclo vicioso.  Isso é obtido de diversas maneiras. A mais conhecida é a dessensibilização sistemática. O paciente é primeiramente treinado em técnicas de relaxamento profundo. Em seguida, o terapeuta instiga-o a aproximar-se, de maneira gradual e sistemática, do objeto ou situação que lhe provoca medo, culminando numa dessensibilização.
Após o treinamento em relaxamento, o paciente é convidado a escrever todos os seus medos, já que em geral são vários, atribuindo uma hierarquia do maior para o menor medo. Inicia-se então, o processo pelo menor medo. Vou usar como exemplo um elevador. Assim que o paciente é colocado em relaxamento profundo, o terapeuta convida o paciente a imaginar que está na rua, em frente a um prédio com elevador. A qualquer momento o paciente pode indicar com a mão se está muito ansioso, o que pode interromper o processo, ou levar o terapeuta a aprofundar o relaxamento.
Se o paciente tolerar bem a idéia, o terapeuta segue em frente, convidando o paciente a imaginar que está entrando no prédio e agora parando em frente ao elevador. Tolerado esse passo, o terapeuta sugere que o paciente imagine estar entrando no elevador, mas a porta não se fecha. E assim por diante, até que o paciente tolere imaginar que está num elevador cheio de gente, num andar alto, e que o mesmo pare momentaneamente. Tão logo essa fobia seja tratada, a próxima da lista recomeça o processo, até que todas as fobias sejam abordadas.”
Fobias A fobia é um medo irracional de uma situação, atividade ou objeto específico. A fobia obriga a pessoa a evitar o alvo do seu medo porque associados ao medo surgem outros sintomas, como:  Ansiedade  Batimento cardíaco acelerado  Ondas de calor ou de frio  Engasgo, sensação de sufocamento  Tremores  Tontura, desmaio  Necessidade de fugir da situação  Ataque de pânico  As crianças podem expressar a sua ansiedade através de:  Choro  Ficar muito agarrada às pessoas  Chilique  Ficar parada ("congelar-se") em um local
Tipos de Fobias Fobias específicas:  também chamadas de fobias simples. O medo irracional é um objeto/situação específico, como cobra, cachorro, locais fechados ou altura.  Na maioria das vezes, as fobias simples se desenvolvem durante a infância e geralmente desaparecem com o tempo. As que continuam na idade adulta raramente desaparecem sem tratamento. Fobias:  Altura acrofobia, Aranha aracnofobia, Trovão asterofobia, Relâmpago/Raio ceraunofobia, Lugares fechados claustrofobia, Sujeira/ germes misofobia, Cobras ofidiofobia, Escuridão nictofobia, Fogo pirofobia, Estrangeiros/estranhos xenofobia, Animais zoofobia.
Fobias sociais: medo irracional de ficar constrangido ou de ser humilhado em público. Exemplos de situações que podem levar a isto incluem:  Falar em público (é a fobia social mais comum)  Medo de palco  Comer em público  Conversar com colegas de trabalho  Convidar alguém para sair
Tratamento O tratamento das fobias depende do tipo da fobia e do quanto esse medo afasta a pessoa de sua vida normal. Os métodos de tratamento incluem:  Terapia comportamental:  um dos tipos é chamado de terapia de exposição. Esse tipo expõe a pessoa à situação ou objeto temido de uma das duas maneiras:
Exposição gradual é chamada "dessensibilização sistemática". Um terapeuta trabalha com a pessoa através de passos graduais. Primeiro a pessoa aprende métodos de relaxamento para lidar com as respostas físicas da sua fobia. Depois, imagina a fonte da sua fobia. Posteriormente, a pessoa olha fotos do seu objeto de medo ou figuras que representem a situação temida. E, finalmente, é gradativamente exposta ao objeto ou situação temida.
Exposição direta também conhecida como "inundação". A pessoa é exposta ao objeto/situação temido de uma vez (na presença de um terapeuta). A pessoa permanece na situação até que a sua ansiedade esteja visivelmente menor do que no nível anterior. As sessões se repetem até a pessoa conseguir lidar sozinha com a situação fóbica.
Outros tratamentos Reestruturação Cognitiva Meditação
Medicamentos os tipos de medicamentos utilizados incluem certos antidepressivos, ansiolíticos, tranquilizantes e beta-bloqueadores. Esses medicamentos reduzem os sintomas de pânico que aparecem com a situação temida, quando sem o medicamento ela poderia ter medo demais para poder sequer ficar diante da situação.

Fobias

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    CYRO MASCI “ Até a década de 50, imperava a teoria psicanalítica das neuroses. Em poucas palavras, um sintoma psíquico era considerado como a ponta de um iceberg. De nada adiantaria retirar essa ponta que o gelo iria subir, e os sintomas iriam reaparecer. O tratamento portanto consistia em destruir (ou melhor, reestruturar) todo o iceberg, o que somente seria possível com anos de análise. O resultado prático sempre ficou bem abaixo das expectativas.
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    Na década de50 surgem os primeiros trabalhos do psiquiatra sul africano Joseph Wolpe, que inicia seu processo de inibição recíproca, posteriormente denominado dessensibilização sistemática, baseado em trabalhos da década de 20 de Watson. Em síntese, esse grande médico começou a tratar pacientes com fobias associando uma sensação de prazer e relaxamento a situações imaginárias ou reais de medo e evitação. Como o relaxamento é incompatível com o medo, a fobia tende a desaparecer em pouco tempo.
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    De modo geral,o tratamento das fobias está baseado na quebra do link entre as sensações de desprazer e às situações ou objetos que desencadeiam as crises. Assim, se um elevador gera um reflexo de medo, é possível quebrar esse aprendizado desfazendo o ciclo vicioso. Isso é obtido de diversas maneiras. A mais conhecida é a dessensibilização sistemática. O paciente é primeiramente treinado em técnicas de relaxamento profundo. Em seguida, o terapeuta instiga-o a aproximar-se, de maneira gradual e sistemática, do objeto ou situação que lhe provoca medo, culminando numa dessensibilização.
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    Após o treinamentoem relaxamento, o paciente é convidado a escrever todos os seus medos, já que em geral são vários, atribuindo uma hierarquia do maior para o menor medo. Inicia-se então, o processo pelo menor medo. Vou usar como exemplo um elevador. Assim que o paciente é colocado em relaxamento profundo, o terapeuta convida o paciente a imaginar que está na rua, em frente a um prédio com elevador. A qualquer momento o paciente pode indicar com a mão se está muito ansioso, o que pode interromper o processo, ou levar o terapeuta a aprofundar o relaxamento.
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    Se o pacientetolerar bem a idéia, o terapeuta segue em frente, convidando o paciente a imaginar que está entrando no prédio e agora parando em frente ao elevador. Tolerado esse passo, o terapeuta sugere que o paciente imagine estar entrando no elevador, mas a porta não se fecha. E assim por diante, até que o paciente tolere imaginar que está num elevador cheio de gente, num andar alto, e que o mesmo pare momentaneamente. Tão logo essa fobia seja tratada, a próxima da lista recomeça o processo, até que todas as fobias sejam abordadas.”
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    Fobias A fobiaé um medo irracional de uma situação, atividade ou objeto específico. A fobia obriga a pessoa a evitar o alvo do seu medo porque associados ao medo surgem outros sintomas, como: Ansiedade Batimento cardíaco acelerado Ondas de calor ou de frio Engasgo, sensação de sufocamento Tremores Tontura, desmaio Necessidade de fugir da situação Ataque de pânico As crianças podem expressar a sua ansiedade através de: Choro Ficar muito agarrada às pessoas Chilique Ficar parada ("congelar-se") em um local
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    Tipos de FobiasFobias específicas: também chamadas de fobias simples. O medo irracional é um objeto/situação específico, como cobra, cachorro, locais fechados ou altura. Na maioria das vezes, as fobias simples se desenvolvem durante a infância e geralmente desaparecem com o tempo. As que continuam na idade adulta raramente desaparecem sem tratamento. Fobias: Altura acrofobia, Aranha aracnofobia, Trovão asterofobia, Relâmpago/Raio ceraunofobia, Lugares fechados claustrofobia, Sujeira/ germes misofobia, Cobras ofidiofobia, Escuridão nictofobia, Fogo pirofobia, Estrangeiros/estranhos xenofobia, Animais zoofobia.
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    Fobias sociais: medoirracional de ficar constrangido ou de ser humilhado em público. Exemplos de situações que podem levar a isto incluem: Falar em público (é a fobia social mais comum) Medo de palco Comer em público Conversar com colegas de trabalho Convidar alguém para sair
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    Tratamento O tratamentodas fobias depende do tipo da fobia e do quanto esse medo afasta a pessoa de sua vida normal. Os métodos de tratamento incluem: Terapia comportamental: um dos tipos é chamado de terapia de exposição. Esse tipo expõe a pessoa à situação ou objeto temido de uma das duas maneiras:
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    Exposição gradual échamada "dessensibilização sistemática". Um terapeuta trabalha com a pessoa através de passos graduais. Primeiro a pessoa aprende métodos de relaxamento para lidar com as respostas físicas da sua fobia. Depois, imagina a fonte da sua fobia. Posteriormente, a pessoa olha fotos do seu objeto de medo ou figuras que representem a situação temida. E, finalmente, é gradativamente exposta ao objeto ou situação temida.
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    Exposição direta tambémconhecida como "inundação". A pessoa é exposta ao objeto/situação temido de uma vez (na presença de um terapeuta). A pessoa permanece na situação até que a sua ansiedade esteja visivelmente menor do que no nível anterior. As sessões se repetem até a pessoa conseguir lidar sozinha com a situação fóbica.
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    Medicamentos os tiposde medicamentos utilizados incluem certos antidepressivos, ansiolíticos, tranquilizantes e beta-bloqueadores. Esses medicamentos reduzem os sintomas de pânico que aparecem com a situação temida, quando sem o medicamento ela poderia ter medo demais para poder sequer ficar diante da situação.