FICHA RESUMO DO TEXTO
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência- UFPel
Área: Subprojeto das Ciências Sociais
Nome do Bolsista: Giliane de Oliveira
Referência Bibliográfica: Alfredo José da Veiga Neto
Titulo do texto: Currículo, Disciplina e Interdisciplinaridade.
O texto inicialmente aborda a discussão da interdisciplinaridade, destacando-se
o Movimento Interdisciplinar, que teve início nos últimos vinte anos. Esse
movimento apresentou algumas dificuldades relacionadas à falta de profissionais
que pensassem interdisciplinarmente. A questão é o que havia de errado com o
currículo que era bem delimitado, onde cada um sabia o que ensinar? O autor
denomina que a culpa do currículo ser organizado em disciplinas é da Ciência.
Passaram a atribuir o conhecimento cientifico como responsável por boa parte
dos males da modernidade. É na fragmentação do objeto a conhecer que esta
situada o núcleo de onde se irradiam os males dos problemas científicos
(Discurso do Método de Descartes). E para conhecermos alguma coisa
cientificamente deveríamos fracionar o todo em suas menores partes para se
chegar ao entendimento humano e a compreensão dos elementos morais que
cerca o uso do conhecimento cientifico na ciência. O autor afirma que em vez de
vermos a fonte dos problemas na fragmentação e atribuir à ciência os maus
usos que dela fazem que já seja problemática, a fonte deveria ser procurada na
separação cartesiana entre a res extensa e a res cogitans. No momento que
aconteceu essa separação, fundamentou o nosso afastamento com o mundo.
Então, retornando ao currículo clássico, GUSDORF traz um remédio para
corrigir a ciência, a partir de Descartes: A Desfragmentação, isto é, a fusão dos
conhecimentos que deveriam ser implantadas como mudanças curriculares. A
seguir o autor traz o tema a Interdisciplinaridade como Terapêutica. Gusdorf
identifica quatro níveis progressivos que vão da multidisciplinaridade, passam
pela pluri e interdisciplinaridade e chegam à transdisciplinaridade. No primeiro
nível as especialidades encontram-se isoladas, um bom exemplo é currículos
compostos por matérias disciplinas. No segundo nível pluridisciplinaridade as
disciplinas trocariam conhecimentos, experiências, sem criar conhecimento fora
delas. No terceiro nível o interdisciplinar haveria uma maior integração entre as
diferentes matérias e teríamos um novo nível de conhecimento (existiria uma
relação de reciprocidade). O último nível aconteceria uma fusão disciplinar, tudo
de misturaria e seria difícil identificar os limites entre as antigas disciplinas.
Quanto mais promovêssemos o saber transdisciplinar mais estaríamos
contribuindo para a aliança perdida e evitar os males que a ciência causa no
mundo natural e social. A seguir o autor questiona, o que aconteceu com o
movimento interdisciplinar? Veiga-Neto resume porque o currículo inter ou
transciplinar não deu certo, primeiro porque o conhecimento disciplinar esta
enraizado em nós e não pode ser extinto por atos de vontade (...), segundo lugar
se há alguma doença no conhecimento cientifico ele não esta na fragmentação
do objeto, como procurou mostrar anteriormente se existe alguma doença ela
esta separação entre a res cogitans e a res extensa, ou seja, no nosso
afastamento, enquanto pensantes, do resto do mundo. Essa dupla dimensão
pode aprofundar a crise dos maus usos da ciência (...). A escola HOSKIN (1990)
denominou nexo entre poder e saber. E as disciplinas podem ser compreendidas
através de dois conjuntos, um aponta para aspectos das normas, conduta, do
corpo. O outro conjunto, para aspectos do conhecimento, da epistemologia.
Enfim, o desejável é sempre buscar formas de convívio disciplinas e entre os
seus praticantes, isto sempre esteve presente no movimento interdisciplinar.
Como já vimos essa aproximação já tem um nome: a pluridisciplinaridade
implica a aceitação da legitimidade das disciplinas. A busca de currículos
escolares mais pluridisciplinarizados pode ser vista como a busca de uma
prática do diálogo entre as diferenças.
Análise crítica do texto:
O texto permitiu um novo olhar e apesar de não ser extenso proporciona uma
leitura densa, rica em informações sendo necessário em alguns trechos um
conhecimento sociológico abrangente. Vencida essa etapa a leitura se torna
agradável. O autor traz o conceito de interdisciplinaridade apresentando o
desenvolvimento do movimento interdisciplinar e suas dificuldades ao longo de
vinte anos para tentar se realizar. Outro fator significativo e saudável que Veiga-
Neto propõe é que as dificuldades, as tensões, existirão na tentativa de produzir
uma nova abordagem pedagógica. Portanto, não basta apenas desejar mudar o
currículo escolar, é preciso disposição e comunicação entre as disciplinas para
transformar o cenário do ensino atual.

Fichamento - Giliane

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    FICHA RESUMO DOTEXTO Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência- UFPel Área: Subprojeto das Ciências Sociais Nome do Bolsista: Giliane de Oliveira Referência Bibliográfica: Alfredo José da Veiga Neto Titulo do texto: Currículo, Disciplina e Interdisciplinaridade. O texto inicialmente aborda a discussão da interdisciplinaridade, destacando-se o Movimento Interdisciplinar, que teve início nos últimos vinte anos. Esse movimento apresentou algumas dificuldades relacionadas à falta de profissionais que pensassem interdisciplinarmente. A questão é o que havia de errado com o currículo que era bem delimitado, onde cada um sabia o que ensinar? O autor denomina que a culpa do currículo ser organizado em disciplinas é da Ciência. Passaram a atribuir o conhecimento cientifico como responsável por boa parte dos males da modernidade. É na fragmentação do objeto a conhecer que esta situada o núcleo de onde se irradiam os males dos problemas científicos (Discurso do Método de Descartes). E para conhecermos alguma coisa cientificamente deveríamos fracionar o todo em suas menores partes para se chegar ao entendimento humano e a compreensão dos elementos morais que cerca o uso do conhecimento cientifico na ciência. O autor afirma que em vez de vermos a fonte dos problemas na fragmentação e atribuir à ciência os maus usos que dela fazem que já seja problemática, a fonte deveria ser procurada na separação cartesiana entre a res extensa e a res cogitans. No momento que aconteceu essa separação, fundamentou o nosso afastamento com o mundo. Então, retornando ao currículo clássico, GUSDORF traz um remédio para corrigir a ciência, a partir de Descartes: A Desfragmentação, isto é, a fusão dos conhecimentos que deveriam ser implantadas como mudanças curriculares. A seguir o autor traz o tema a Interdisciplinaridade como Terapêutica. Gusdorf identifica quatro níveis progressivos que vão da multidisciplinaridade, passam pela pluri e interdisciplinaridade e chegam à transdisciplinaridade. No primeiro nível as especialidades encontram-se isoladas, um bom exemplo é currículos compostos por matérias disciplinas. No segundo nível pluridisciplinaridade as disciplinas trocariam conhecimentos, experiências, sem criar conhecimento fora
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    delas. No terceironível o interdisciplinar haveria uma maior integração entre as diferentes matérias e teríamos um novo nível de conhecimento (existiria uma relação de reciprocidade). O último nível aconteceria uma fusão disciplinar, tudo de misturaria e seria difícil identificar os limites entre as antigas disciplinas. Quanto mais promovêssemos o saber transdisciplinar mais estaríamos contribuindo para a aliança perdida e evitar os males que a ciência causa no mundo natural e social. A seguir o autor questiona, o que aconteceu com o movimento interdisciplinar? Veiga-Neto resume porque o currículo inter ou transciplinar não deu certo, primeiro porque o conhecimento disciplinar esta enraizado em nós e não pode ser extinto por atos de vontade (...), segundo lugar se há alguma doença no conhecimento cientifico ele não esta na fragmentação do objeto, como procurou mostrar anteriormente se existe alguma doença ela esta separação entre a res cogitans e a res extensa, ou seja, no nosso afastamento, enquanto pensantes, do resto do mundo. Essa dupla dimensão pode aprofundar a crise dos maus usos da ciência (...). A escola HOSKIN (1990) denominou nexo entre poder e saber. E as disciplinas podem ser compreendidas através de dois conjuntos, um aponta para aspectos das normas, conduta, do corpo. O outro conjunto, para aspectos do conhecimento, da epistemologia. Enfim, o desejável é sempre buscar formas de convívio disciplinas e entre os seus praticantes, isto sempre esteve presente no movimento interdisciplinar. Como já vimos essa aproximação já tem um nome: a pluridisciplinaridade implica a aceitação da legitimidade das disciplinas. A busca de currículos escolares mais pluridisciplinarizados pode ser vista como a busca de uma prática do diálogo entre as diferenças. Análise crítica do texto: O texto permitiu um novo olhar e apesar de não ser extenso proporciona uma leitura densa, rica em informações sendo necessário em alguns trechos um conhecimento sociológico abrangente. Vencida essa etapa a leitura se torna agradável. O autor traz o conceito de interdisciplinaridade apresentando o desenvolvimento do movimento interdisciplinar e suas dificuldades ao longo de vinte anos para tentar se realizar. Outro fator significativo e saudável que Veiga- Neto propõe é que as dificuldades, as tensões, existirão na tentativa de produzir
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    uma nova abordagempedagógica. Portanto, não basta apenas desejar mudar o currículo escolar, é preciso disposição e comunicação entre as disciplinas para transformar o cenário do ensino atual.