Teremos, nós, o dever de ajudar aqueles que vivem na pobreza absoluta?<br />Inês Mota, 10º1B, n.º 14<br />Abril de 2010<br />A pobreza absoluta é definida como a ausência de rendimento suficiente em dinheiro ou em espécie para satisfazer as necessidades básicas da vida, como por exemplo, aquelas pessoas que nem dinheiro ou bens têm para poder comer devidamente como uma pessoa necessita normalmente de comer.<br />Pretendo, assim, depois de analisar e explicar devidamente todos os argumentos contra ou a favor, mostrar se é nosso dever ou não ajudar parte das pessoas que vivem na pobreza absoluta, contribuindo com alguns dos nossos bens ou dinheiro.<br />Todos devemos saber que é moralmente correcto ajudar quem vive na pobreza absoluta, mas teremos ou não o dever de o fazer?<br />Peter Singer é um filósofos utilitarista e afirma que temos o dever de o fazer, pois se podermos fazer que um mal não aconteça sem sacrificarmos nada de importância moral comparável devemos fazê-lo. E visto que a pobreza absoluta é um mal e que sem sacrificarmos nada de importância moral comparável podemos impedir que exista alguma dessa pobreza temos, então, a obrigação de ajudar, pois se não ajudarmos estaremos a fazer nada ou quase nada para salvar a vida dos outros, portanto encontrar-nos-emos ao mesmo nível de quem mata directamente.<br />Por conseguinte existem os deontologistas que são aqueles que defendem que há uma diferença moralmente relevante entre actos e omissões. Defendem então, que há diferença entre tentar matar uma pessoa directamente (por envenenamento, por exemplo) ou não ajudar para que essa mesma pessoa saia da pobreza absoluta, mesmo tendo estas resultados iguais. A diferença é que quem tenta matar uma pessoa directamente, por envenenamento, como já foi dado como exemplo anteriormente, age de maneira intencional e quebra um direito, o direito à vida; enquanto que quem não ajuda para impedir que haja pobreza absoluta não está a quebrar nenhum direito e muita das vezes não o faz de forma intencional, porque nem sequer chega a pensar em fazê-lo.<br />Os deontologistas defendem também que não somos responsáveis pela morte de ninguém que vive na pobreza absoluta, pois nunca poderemos ser responsáveis de algo que não causámos e que também é injusto sermos condenados por usufruirmos do rendimento que recebemos em vez de o doarmos sendo isto fruto do nosso trabalho.<br />Segundo o meu ponto de vista, quem está correcto são os deontologistas concordando com todos os argumentos atrás mencionados e julgando os utilitaristas pelo facto de defenderem que devemos abdicar do nosso bem-estar para ajudar os que vivem na pobreza, ficando, assim, satisfeitos, apenas, com as necessidades básicas da vida.<br />Ao maximizarmos imparcialmente o bem-estar, teremos de fazer árduos sacrifícios pessoais, pois significa que teremos de abdicar de parte de compromissos e “sonhos” que fazem que a vida tenha valor para nós próprios. E isto poderá levar-nos a todos (todas as classes sociais) à pobreza absoluta.<br />Uma das objecções factuais é de Garret Hardin que defende esta ideia propondo a “ética do bote salva-vidas” que consiste num naufrágio em que as pessoas que se encontram nos botes salva-vidas tentarem salvar a vida das outras que se encontram a naufragar, mas assim matando-se também a si próprio porque o bote nunca irá aguentar o peso de tantas pessoas, naufragando, assim, novamente. Se isso acontecesse neste caso, da pobreza absoluta, a economia mundial seria prejudicada e a evolução humana estagnaria.<br />Pesando então vantagens e desvantagens, não me parece que valha a pena abdicar dos nossos bens pessoais para ajudar os pobres, pois assim estaremos a prejudicar a evolução humana em global e não estaríamos a contribuir nada ou quase nada para maximizar o bem-estar de todos.<br />Concluímos, então, que ajudar quem vive na pobreza absoluta é moralmente correcto, mas se não o fizermos não estaremos a cometer nenhum crime, pois não estamos a violar nenhum direito nem somos responsáveis pelo sucedido porque não fomos nós que o causamos.<br />
Ensaio pobreza

Ensaio pobreza

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    Teremos, nós, odever de ajudar aqueles que vivem na pobreza absoluta?<br />Inês Mota, 10º1B, n.º 14<br />Abril de 2010<br />A pobreza absoluta é definida como a ausência de rendimento suficiente em dinheiro ou em espécie para satisfazer as necessidades básicas da vida, como por exemplo, aquelas pessoas que nem dinheiro ou bens têm para poder comer devidamente como uma pessoa necessita normalmente de comer.<br />Pretendo, assim, depois de analisar e explicar devidamente todos os argumentos contra ou a favor, mostrar se é nosso dever ou não ajudar parte das pessoas que vivem na pobreza absoluta, contribuindo com alguns dos nossos bens ou dinheiro.<br />Todos devemos saber que é moralmente correcto ajudar quem vive na pobreza absoluta, mas teremos ou não o dever de o fazer?<br />Peter Singer é um filósofos utilitarista e afirma que temos o dever de o fazer, pois se podermos fazer que um mal não aconteça sem sacrificarmos nada de importância moral comparável devemos fazê-lo. E visto que a pobreza absoluta é um mal e que sem sacrificarmos nada de importância moral comparável podemos impedir que exista alguma dessa pobreza temos, então, a obrigação de ajudar, pois se não ajudarmos estaremos a fazer nada ou quase nada para salvar a vida dos outros, portanto encontrar-nos-emos ao mesmo nível de quem mata directamente.<br />Por conseguinte existem os deontologistas que são aqueles que defendem que há uma diferença moralmente relevante entre actos e omissões. Defendem então, que há diferença entre tentar matar uma pessoa directamente (por envenenamento, por exemplo) ou não ajudar para que essa mesma pessoa saia da pobreza absoluta, mesmo tendo estas resultados iguais. A diferença é que quem tenta matar uma pessoa directamente, por envenenamento, como já foi dado como exemplo anteriormente, age de maneira intencional e quebra um direito, o direito à vida; enquanto que quem não ajuda para impedir que haja pobreza absoluta não está a quebrar nenhum direito e muita das vezes não o faz de forma intencional, porque nem sequer chega a pensar em fazê-lo.<br />Os deontologistas defendem também que não somos responsáveis pela morte de ninguém que vive na pobreza absoluta, pois nunca poderemos ser responsáveis de algo que não causámos e que também é injusto sermos condenados por usufruirmos do rendimento que recebemos em vez de o doarmos sendo isto fruto do nosso trabalho.<br />Segundo o meu ponto de vista, quem está correcto são os deontologistas concordando com todos os argumentos atrás mencionados e julgando os utilitaristas pelo facto de defenderem que devemos abdicar do nosso bem-estar para ajudar os que vivem na pobreza, ficando, assim, satisfeitos, apenas, com as necessidades básicas da vida.<br />Ao maximizarmos imparcialmente o bem-estar, teremos de fazer árduos sacrifícios pessoais, pois significa que teremos de abdicar de parte de compromissos e “sonhos” que fazem que a vida tenha valor para nós próprios. E isto poderá levar-nos a todos (todas as classes sociais) à pobreza absoluta.<br />Uma das objecções factuais é de Garret Hardin que defende esta ideia propondo a “ética do bote salva-vidas” que consiste num naufrágio em que as pessoas que se encontram nos botes salva-vidas tentarem salvar a vida das outras que se encontram a naufragar, mas assim matando-se também a si próprio porque o bote nunca irá aguentar o peso de tantas pessoas, naufragando, assim, novamente. Se isso acontecesse neste caso, da pobreza absoluta, a economia mundial seria prejudicada e a evolução humana estagnaria.<br />Pesando então vantagens e desvantagens, não me parece que valha a pena abdicar dos nossos bens pessoais para ajudar os pobres, pois assim estaremos a prejudicar a evolução humana em global e não estaríamos a contribuir nada ou quase nada para maximizar o bem-estar de todos.<br />Concluímos, então, que ajudar quem vive na pobreza absoluta é moralmente correcto, mas se não o fizermos não estaremos a cometer nenhum crime, pois não estamos a violar nenhum direito nem somos responsáveis pelo sucedido porque não fomos nós que o causamos.<br />