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Dom Casmurro Machado de Assis
Há um medonho abismo, onde baqueia A impulsos das paixões a Humanidade; Impera ali terrível divindade, Que de torvos ministros se rodeia: Rubro facho a Discórdia ali meneia, Que a mil cenas de horror dá claridade; Com seus sócios, Traição, Mordacidade, Range os dentes a Inveja escura e feia: Vê-se a Morte cruel no punho alçando O ferro de sang ü ento ervado gume, E a toda a natureza ameaçando: Vê-se arder, fumegar sulfúreo lume... Que estrondo! Que pavor! Que abismo infando!... Mortais, não é o inferno, é o Ciúme!
Romântica  -  Fase Preparatória Ressurreição  (1872) A Mão e a Luva  (1874) Helena  (1876) Iaia Garcia  (1878) Realista  -  Fase da Maturidade Memórias Póstumas de Brás Cubas  (1881) Quincas Borba  (1891) Dom Casmurrro  (1899) Esaú e Jacó  (1904) Memorial de Aires  (1908) 1881
Primeira Fase linear lógica do tempo foco narrativo em terceira pessoa tônica: composição do quadro  delineamento psicológico conflitos / paixões / história / enredo desvendar (expectativa) imaginação Segunda Fase não linear lógica do autor foco narrativo em primeira ou terceira pessoa personagem aprofundamento psicológico análise do comportamento homem analisar observar
Características Gerais linguagem simples, enxuta Personagens sem problemas econômicos - ociosos - disponíveis análise da burguesia endinheirada com fumos de nobreza espaço: Rio de Janeiro - universal  e brasileiro tempo: século XIX – sociedade patriarcalista: o favor, o compadrio, as influências método: análise/observação da realidade física,  psicológica - comportamental
O VERME Existe uma flor que encerra Celeste orvalho e perfume. Plantou-a em fecunda terra Mão benéfica de um nume. Um verme asqueroso e feio, Gerado em lodo mortal, Busca esta flor virginal E vai dormir-lhe no seio. Morde, sangra, rasga e mima, Suga-lhe a vida e o alento; A flor o cálix inclina; As folhas, leva-as o vento. Depois, nem resta o perfume Nos ares da solidão... Esta flor é o coração, Aquele verme o ciúme.  (Machado de Assis,  Falenas , 1870)
O TÍTULO “ Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que lhes dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo.  Dom  veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores: alguns nem tanto”.
Narrador que adota a tática da dissimulação, tentando “suavizar” a sua imagem diante do leitor CASMURRO :  adj . 1. diz-se de indivíduo teimoso, obstinado, CABEÇUDO.  2. Indivíduo fechado em si mesmo, ensimesmado, sorumbático. ( Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa , p. 644).
O livro “ nada se emenda bem nos livros confusos, mas tudo se pode meter nos livros omissos. Eu, quando leio alguma coisa desta outra casta, não me aflijo nunca. O que faço, chegando ao fim, é cerrar os olhos e evocar todas as coisas que não achei nele. Quantas idéias finas me acodem então! Que de reflexões profundas! Os rios, as montanhas, as igrejas que não li nas folhas lidas, todos me aparecem agora com as suas águas, suas árvores, os seus altares (...) É que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas”. (Capítulo LIX) Processo de ACUSAÇÃO do qual o leitor é JUIZ- a conclusão, o VEREDITO fica a cargo do LEITOR  Texto leva ao subtexto
“ Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Matacavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e a economia da outra, que desapareceu. (...) O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que eu fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente.” (...)
Narrador aparentemente fracassado (não consegue recuperar a alegria de outro tempo):  “mas falta eu mesmo, e esta lacuna é tudo”. “Entretanto, vida diferente não quer dizer vida pior; é outra coisa. Em verdade, pouco apareço e menos falo. Distrações raras. (...) como bem e não durmo mal”. Narrador apresenta sua condição de classe: burguês do século XIX; elite carioca (“Dom”).
INFÂNCIA Bentinho: 15 anos; nov. 1857 denúncia de José Dias: namoricos com Capitu (“a gente do Pádua”) “ Ia entrar na sala de visitas quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atrás da porta”.  ameaça do Seminário; arte do fingimento, da perspicácia
A FAMÍLIA OLIGÁRQUICA “ José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às idéias; não as havendo, servia a prolongar as frases (...) Era o nosso agregado desde muitos anos; meu pai ainda estava na antiga fazenda de Itaguaí, e eu acabava de nascer. Um dia apareceu ali vendendo-se por médico homeopata. (...) Tinha o dom de se fazer aceito e necessário; dava-se por falta dele, como pessoa da família. (...) as cortesias que fizesse vinham antes do cálculo que da índole”.
“ Tio Cosme vivia com minha mãe, desde que ela enviuvou. Já então era viúvo, como prima Justina; era a casa dos três viúvos. (...) Formado para as serenas funções do capitalismo, tio Cosme não enriquecia no foro: ia comendo”. “ Minha mãe era boa criatura. Quando lhe morreu o marido, Pedro de Albuquerque Santiago, contava trinta e um anos de idade (...) Vendeu a fazendola e os escravos, comprou alguns que pôs ao ganho ou alugou, uma dúzia de prédios, certo número de apólices, e deixou-se estar na casa de Matacavalos, onde vivera os dois últimos anos de casada. (...) Aqui estão o retrato de ambos. São como fotografias instantâneas da felicidade”.
Enredo: romance sobre grupo de pessoas que agem de acordo com a lógica de suas condições sociais e familiares José Dias: parasita da oligarquia Dona Glória: mãe egoísta/ superprotetora (“uma santa”); Não trabalha para viver; vive “de renda”. Migra CAMPO p/ Cidade- confusão entre dois mundos – Brasil urbano x rural/ modernidade x velhos hábitos Prima Justina  família em que o PODER PATRIARCAL é distribuído entre seus componentes; aliança entre a MULHER (chefe de família) e o seu SUBORDINADO Pádua (pai de Capitu): funcionário público que ganhou na loteria; anseia pelo casamento entre sua filha e Bento (outra loteria). CAPITU :  apaixonada/ quer ascender socialmente/ agregada, “adotada” por Dona Glória/ situação  AMBÍGUA  - o indivíduo moderno.
A ÓPERA “ Mas é tempo de tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e fresca, sossegada como a nossa casa e o trecho da rua em que morávamos. Verdadeiramente foi o princípio de minha vida.(...) Agora é que eu ia começar a minha ópera”. EXPLICAÇÃO DE MARCOLINI - “A vida é uma ópera e uma grande ópera. Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de grande futuro, que aprendeu no conservatório do Céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera, do qual abrira
mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio de sua eternidade. Satanás levou o manuscrito para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros,- e acaso para reconciliar-se com o céu- compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno. (...) Até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu que a ópera fosse executada, mas fora do Céu. Criou-se um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos”.
“ - Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor. “ Foi talvez um mal esta recusa. Dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. (...) Tudo é música, meu amigo”.
“ Que é demasiada metafísica para um só  tenor, não há dúvida; mas a perda da voz explica tudo, e há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados. Eu, leitor amigo, aceito a teoria do meu velho Marcolini, não só pela verossimilhança, QUE É MUITA VEZ TODA A VERDADE, mas porque minha vida se casa bem à definição”.
EXPLICAÇÃO PARA A VIDA: Deus - livro,  FORMA ;  Satã - música,  CONTEÚDO mundo = “sistema de erros”  (Natureza, das  Memórias Póstumas de Brás Cubas ) Bento deixa claro que escreve do jeito que QUISER; relativista - representante típico do século XIX - satisfaz-se com a sua própria versão da verdade. Boas ações = más ações (Humanitismo) “ - Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que  roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos; nós roemos”. (Cap. XVII, “Os Vermes”).
PESSIMISMO: VIDA = MORTE ; verme rói livros e corpos;  INDIFERENÇA ; o resultado é sempre o mesmo, e a vida pode se fazer através da morte, da destruição (“Sou tua mãe e tua inimiga”). O MAL faz parte do BEM, a MORTE faz parte da VIDA (Bento morre e dá lugar a Dom Casmurro).
O Namoro Inscrição no muro- confirmação- chegada de Pádua- Capitu apaga os nomes e finge brincar “ E séria, fitou em mim os olhos, convidando-me ao jogo. O susto é naturalmente sério; eu ainda estava sob a ação da entrada de Pádua, e não fui capaz de rir, por mais que devesse fazê-lo, para legitimar a resposta de Capitu. Esta, cansada de esperar, desviou o rosto, dizendo que eu não ria daquela vez por estar ao pé do pai. E nem assim ri. Há coisas que só se aprendem mais tarde; é mister nascer com elas para fazê-las cedo. E melhor é naturalmente cedo que artificialmente tarde” Astúcia e “máscara” de Capitu x honestidade de Bentinho Referência ao Casmurro: aprendeu a arte da dissimulação (encontro com o Poeta).
O  BEIJO
O PLANO DE CAPITU “ -Se eu fosse rica, você fugia, metia-se no paquete e ia para a Europa”. “ Como vês, Capitu, aos quatorze anos, tinha já idéias atrevidas, muito menos que outras que lhe vieram depois; mas eram só atrevidas em si, na prática faziam-se hábeis, sinuosas, surdas, e alcançavam o fim proposto, não aos saltos, mas aos saltinhos”. “ - Ele (José Dias) gosta muito de você. Não lhe fale acanhado. Tudo é que você não tenha medo, mostre que há de vir a ser dono da casa, mostre que quer e que pode. (..) ele, tendo de servir a você, falará com muito mais calor que outra pessoa. (..) diga-lhe que está pronto a estudar leis em São Paulo. (Capitu) repetiu os termos propostos, e insistia em que pedisse com boa cara, mas assim como quem pede um copo de água à pessoa que tem obrigação de o trazer. Conto estas minúcias para que melhor se entenda aquela manhã de minha amiga; logo virá a tarde, e da manhã e da tarde se fará o primeiro dia, como no Gênesis, onde se fizeram sucessivamente sete. ”
A RELIGIOSIDADE “ -Prometo rezar mil padres-nossos e mil ave-marias, se José Dias arranjar que eu não vá para o seminário. “ A soma era enorme. A razão é que eu andava carregado de promessas não cumpridas. A última foi de duzentos padres-nossos e duzentas ave-marias, se não chovesse certa tarde de passeio a Santa Teresa. Não choveu, mas eu não rezei as orações. (...) - Mil, mil, repeti comigo. (...) Mil, mil, mil (...) Era muito duro subir uma ladeira de joelhos; devia feri-los por força. A Terra Santa ficava muito longe. As missas eram numerosas, podiam emprenhar-me outra vez a alma”... Bentinho é relativista: cultua um Deus particular- é a INTENÇÃO que importa, não a AÇÃO Caso com Capitu = “missa nova” Cristianismo de Bentinho = Humanitismo de Quincas Borba forma de justificar as suas ações sem alterá-las, justificar a SUA VISÃO DA VIDA (verossimilhança= verdade).  Dona Glória: uso da religião como forma de “guardar” o filho para si
PROCISSÃO: Bentinho, José Dias e Pádua “ Pela minha parte, quis ceder-lhe a vara; lembrou-me que ele costumava acompanhar o Santíssimo Sacramento aos moribundos, levando uma tocha, mas que a última vez conseguira uma vara do pálio. A distinção especial do pálio vinha de cobrir o vigário e o sacramento; para tocha qualquer pessoa servia. Foi ele mesmo quem contou e me explicou isto, cheio de uma glória pia e risonha. Assim fica entendido o alvoroço com que entrara na igreja; era a segunda vez do pálio, tanto que cuidou logo de ir pedi-lo. E nada! Tornava à tocha comum, outra vez a interinidade interrompida; o administrador regressava ao antigo cargo... Quis ceder-lhe a vara; o agregado tolheu-me esse ato de generosidade, e pediu ao sacristão que nos pusesse, a ele e a mim, com as duas varas de frente, rompendo a
marcha do pálio. (...) Quando me vi com uma das varas, passando pelos fiéis, que se ajoelhavam, fiquei comovido. Pádua roía a tocha amargamente. É uma metáfora, não acho outra forma mais viva de dizer a dor e a humilhação de meu vizinho. De resto, não pude mirá-lo por muito tempo, nem ao agregado, que, paralelamente a mim, erguia a cabeça com o ar de ser ele próprio o Deus dos exércitos. (...) Pádua, ao contrário, ia mais humilhado. Apesar de substituído por mim, não acabava de se consolar da tocha, e apenas mostrava a compostura do ato. (Os outros) não iam garridos, mas também não iam tristes. Via-se que caminhavam com honra”.
a existência de camadas mais pobres no II Império a religião como modo de obter o “status” social  “ Em caminho, encontramos o Imperador, que vinha da Escola de Medicina. (...) Quando tornei ao meu lugar, trazia uma idéia fantástica, a idéia de ir ter com o Imperador, contar-lhe tudo e pedir intervenção. (...) Vi então o Imperador escutando-me, refletindo e acabando por dizer que sim, que iria falar a minha mãe; eu beijava-lhe a mão, com lágrimas. (...) – A Medicina,- por que lhe não manda ensinar medicina? RELIGIÃO x PROGRESSO  (fé x ciência): ambíguo é também o país – Conciliação (1853 a 1871)- Liberal/ Conservador O romance começa com Bentinho aos 15 anos de idade (a Maioridade de D. Pedro II)
CAPITULO XXI - OLHOS DE RESSACA “ Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles,  olhos de cigana oblíqua e dissimulada . Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. (...) Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. (...) Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos perdemos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve”.
confirmação das suspeitas de José Dias: Capitu é traiçoeira como o mar/ pode enganá-lo “ Ficando só, refleti algum tempo, e tive uma fantasia. Já conheceis as minhas fantasias. Contei-vos a da visita imperial; disse-vos a desta casa do Engenho Novo, reproduzindo a de Matacavalos.... A imaginação foi companheira de toda minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma  vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo. (....) A minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe dava um potro, que saía logo a cavalo de Alexandre, mas deixemos metáforas atrevidas e impróprias dos meus quinze anos. (..)  a Fantasia daquela hora foi confessar à minha mãe os meus amores para lhe dizer que não tinha vocação eclesiástica”.  (capítulo XL, “uma Égua”).  Confusão entre  VERDADE E  FICÇÃO
Juramento: Bentinho e Capitu juram se casar, “haja o que houver”- Seminário- separação “ Meses depois fui para o seminário de S. José. (...) Nem durou muito a nossa despedida, foi o mais que pôde, em casa dela, na sala de visitas, antes do acender das velas; aí é que nos despedimos de uma vez. Juramos novamente que havíamos de nos casar um com outro, e não foi só o aperto de mão que selou o contrato, como no quintal, foi a conjunção de nossas bocas amorosas. (...) OH, minha doce companheira da meninice, eu era puro, e puro entrei na aula de s. José, a buscar de aparência a investidura sacerdotal, e antes dela a vocação. Mas a vocação eras tu, a investidura eras tu”. “ (Pádua) tinha os olhos úmidos deveras; levava a cara dos desenganados, como quem empregou em um só bilhete todas as suas economias de esperanças, e vê sair branco o maldito número, - um número tão bonito!  “.(...) Na rua, José Dias insistiu nas esperanças:  - Agüente por um ano; até lá tudo estará arranjado”.
UM SONETO Bentinho constrói o seu “Panegírico de Santa Mônica”: “ e porque eu tive também o meu panegírico, contarei a história de um soneto que nunca fiz; era no tempo do seminário, e o primeiro verso é o que ides ler:  Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!”  Quem era a flor? Capitu, naturalmente; mas podia ser a virtude, a poesia, a religião, qualquer outro conceito a que coubesse a metáfora da flor, e flor do céu. (...) Assim foi que me determinei a compor o último verso do soneto, e depois de muito suar, saiu este:  Perde-se a vida, ganha-se a batalha! (...)  Então tornava ao meu soneto, e novamente repetia o primeiro verso e esperava o segundo; o segundo não vinha, nem o terceiro, nem quarto; não vinha nenhum. Cansado de esperar, lembrou-me alterar o sentido do último verso, com
simples transposição de duas palavras, assim:  Ganha-se a vida, perde-se a batalha!   (...)  Trabalhei em vão, busquei, catei, esperei, não vieram os versos. Pelo tempo adiante escrevi algumas páginas em prosa, e agora estou compondo esta narração, não achando maior dificuldade que escrever, bem ou mal. Pois, senhores, nada me consola daquele soneto que eu não fiz. (...) dou esses dois versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe uma idéia e encher o centro que falta”.
Incapacidade de Bentinho de relacionar o primeiro verso ao último porque a essência de sua alma se perdeu Poema= casa de Matacavalos =  IMPOSSIBILIDADE A Natureza também faz de Santiago uma flor, mas ela murcha e morre
Encontro com Escobar- Dissimulação ante D. Glória “ Os olhos de Escobar eram dulcíssimos; assim os definiu José Dias, depois que ele saiu, e mantenho esta palavra, apesar dos quarenta anos que traz em cima de si. “ Era isto mesmo: deveríamos dissimular para matar qualquer suspeita, e ao mesmo tempo gozar toda liberdade anterior, e construir tranqüilos nosso futuro. “ - Você tem razão, Capitu, concluí eu; vamos enganar toda esta gente. -Não é? Disse ela com ingenuidade”. Capitu é naturalmente dissimulada, e Bentinho aprende com ela a arte de fingir
Dona Glória adoece “ Quanto mais andava àquela Rua dos Barbonos, mais me aterrava a idéia de chegar à casa, de entrar, de ouvir os prantos, de ver um corpo defunto... Oh! Eu não podia expor aqui o que senti naqueles terríveis minutos(...) Ia só andando, aceitando o pior, e foi então que a Esperança, para combater o Terror, me segredou ao coração, não estas palavras, mas uma idéia que poderia ser traduzida por elas: “Mamãe defunta, acaba o seminário”. (...) Leitor, foi um relâmpago. (...) Foi uma sugestão de luxúria e de egoísmo”. (...) Então, levado de meu remorso, pedi a Deus que me perdoasse e salvasse a vida de minha mãe, e eu lhe rezaria dois mil padres-nossos. Eram mais dois mil, onde iam os antigos?  Não paguei uns nem outros, mas saindo de almas cândidas e verdadeiras tais promessas são como a moeda fiduciária- ainda que o devedor não as pague, vale a soma que dizem”. Bentinho= pecado + virtude
Capítulo LXXIII- rapaz a cavalo- ciúme  “ Montava um belo cavalo alazão, firme na sela, rédea na mão esquerda, a direita à cinta, botas de verniz, figura e posturas esbeltas: a cara não me era desconhecida (...) olhou para Capitu, e Capitu para ele. (...) Corri ao meu quarto, e entrei atrás de mim. Eu falava-me, eu perseguia-me, eu atirava-me à cama, e rolava comigo, e chorava, e abafava os soluços com a ponta do lençol. (...) Capitu ria alto. A vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoço, enterrá-las bem, até ver-lhe sair a vida com o sangue”. INSINUAÇÃO DE TRAIÇÃO Existência/ DUELO entre 2 Bentinhos: o amável e virtuoso x o cínico e vingativo=  AMBIGÜIDADE
MORTE DE MANDUCA- REFLEXÕES- DÚVIDAS “ Não éramos amigos, nem nos conhecíamos muito. (...) A doença ia-lhe comendo partes das carnes, os dedos queriam apertar-se. (...) Da segunda vez que o vi ali, como falássemos da guerra da Criméia, que então ardia e andava nos jornais, Manduca disse que os aliados haviam de vencer, e eu respondi que não”. “ Manduca enterrou-se sem mim (...). Mas o tempo apagou depressa todas essas saudades e ressurreições. Nem foi só ele; duas pessoas vieram ajudá-lo, Capitu, cuja imagem dormiu comigo na mesma noite, e outra que direi no capítulo que vem. O resto do capítulo é só para pedir que, se alguém tiver de ler o meu livro com alguma atenção mais da que lhe exigir o preço do exemplar, não deixe de concluir que o Diabo não é tão feio como se pinta (...) a natureza é tão divina que aos mais nojentos ou mais aflitos
acena com uma flor. E talvez saia assim a flor mais bela; o meu jardineiro afirma que as violetas, para terem um cheiro superior, hão mister de estrume de porco. Não examinarei, mas deve ser verdade”. MANDUCA - LEPROSO= BOA ALMA , “a flor da lama” CAPITU- A FLOR “CÂNDIDA E PURA ”- imprestável
CONVERSA COM ESCOBAR - estreitamento de laços “ Quando eu lhe disse que não me lembrava nada da roça, tão pequenino viera, contou-me duas ou três reminiscências dos seus três anos de idade, ainda agora frescas. E não contávamos voltar à roça? -Não, agora não voltamos mais. Olhe, aquele preto que ali vai passando, é de lá. Tomás! -Nhonhô! Estávamos na horta da minha casa, e o preto andava em serviço; chegou-se a nós e esperou. - É casado, disse eu para Escobar. Maria onde está? - Está socando milho, sim senhor. - Você ainda se lembra da roça, Tomás? - Alembra, sim, senhor.
- Bem, vá-se embora. Mostrei outro, mais outro, e ainda outro, este Pedro, aquele José, aquele outro Damião... - Todas as letras do alfabeto, interrompeu Escobar. Com efeito, eram diferentes letras, e só então reparei nisto; apontei ainda outros escravos, alguns com os mesmos nomes, distinguindo-se por um apelido, ou da pessoa, como João Fulo, Maria Gorda, ou da nação, como Pedro Bengüela, Antônio Moçambique... - E estão todos aqui em casa? perguntou ele. -Não, alguns andam ganhando na rua, outros estão alugados. Não era possível ter todos em casa. Nem são todos os da roça; a maior parte ficou lá”.
SOCIEDADE ESCRAVOCRATA DO II IMPERIO  - realidade social terrível TRANSIÇÃO BRASIL RURAL-URBANO:  MUNDO MODERNO x MUNDO ARCAICO – CONCILIAÇÃO (1853-1871)   - Dissimulação das verdadeiras diferenças e conflitos sociais
BENTINHO x ESCOBAR “ Nem ele sabia só elogiar e pensar, sabia também calcular depressa e bem. (...) Não se imagina a facilidade com que ele somava ou multiplicava de cor. A divisão, que sempre foi uma das operações difíceis para mim, era para ele como nada. (...) –Há letras inúteis e letras dispensáveis, dizia ele. Que serviço diverso prestam o  d  e o  t ? Têm quase o mesmo som. (...) São trapalhices gráficas. “ Criado na ortografia de meus pais, custava-me a ouvir tais blasfêmias, mas não ousava refutá-lo”... ESCOBAR= homem de negócios; o capitalista, prático, limitado pelo mundo “matemático” BENTINHO= o homem tradicional, que vê com dificuldade as mudanças e não se insere com facilidade no mundo “matemático”, pragmático  de Escobar (e de Capitu)
Substituto para o Seminário (plano de Escobar) “ Sua mãe fez promessa a Deus de lhe dar um sacerdote, não é? Pois bem, dê-lhe um sacerdote, que não seja você. Ela pode muito bem tomar a si algum mocinho órfão, fazê-lo ordenar à sua custa, está dando um padre ao altar, sem que você... E saímos juntos. Vou melhorar o meu latim e saio; nem dou teologia. O próprio latim não é preciso; para que no comércio?
Saída do seminário (17 anos)- Bacharel em Direito (22 anos)- morte de Dona Fortunata- Escobar casa-se com Sancha - BENTINHO COM CAPITU “ Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer em outra parte; casemo-nos. Quando chegamos ao alto da Tijuca, onde era o nosso ninho de noivos, o céu recolheu a chuva e acendeu as estrelas, não só as conhecidas, mas ainda as que só serão descobertas daqui a muitos séculos”... Eu era advogado de umas casas ricas, e os processos vinham chegando. Escobar contribuíra muito para as minhas estréias no foro. Interveio com um advogado célebre para que me admitisse à sua banca, e arranjou-me algumas procurações, tudo espontaneamente”.
Escobar ajuda Capitu na economia de “dez libras esterlinas”- ciúme de Bentinho “ Dez minutos. Os meus ciúmes eram intensos, mas curtos; com pouco derrubaria tudo, mas com o mesmo pouco ou menos reconstruiria o céu, a terra e as estrelas. A verdade é que eu fiquei mais amigo de Capitu, se era possível, ela ainda mais meiga, o ar mais brando, as noites mais claras, e Deus mais Deus. (...) Escobar também se fez mais pegado ao coração. As nossas visitas foram-se tornando mais próximas, e as nossas conversações mais íntimas”. CIÚME-  estreitamento de laços- a vigília do marido doentio- identificação de Capitu com o cálculo, com o pragmático (ESCOBAR)
“ -Imita prima Justina, imita José Dias; já lhe achei até um jeito dos pés de Escobar e dos olhos”.... Os dois pequenos passavam os dias ora no Flamengo, ora na Glória Ezequiel- sádico/ curioso como a mãe Escobar e Sancha  Capituzinha Bentinho e Capitu  Ezequiel
Aproximação Bentinho e Sancha - morte de Escobar (1871) - CAPÍTULO CXXIII - OLHOS DE RESSACA Escobar: mar de “ressaca”- afogamento “ Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse também tragar o nadador da manhã”.
artifício narrativo: Capítulo XXXII- OLHOS DE RESSACA (Capitu- Bentinho) Capítulo CXXIII- OLHOS DE RESSACA (Capitu- Escobar) Narrador tenta cooptar o leitor através da armação do texto
Acentuam-se as semelhanças- aumentam as brigas com Capitu “ Escobar vinha assim surgindo da sepultura, do seminário e do Flamengo para se sentar comigo à mesa, receber-me na escada, beijar-me no gabinete de manhã, ou pedir-me à noite a benção do costume. Todas essas ações eram repulsivas; eu tolerava-as e praticava-as, para não me descobrir a mim mesmo e ao mundo. Mas o que pudesse dissimular ao mundo, não podia fazê-lo a mim, que vivia mais perto de mim que ninguém”.  “ Eu, a falar a verdade, sentia agora uma aversão que mal podia disfarçar, tanto a ela como aos outros”...
Capítulo CXXV- OTELO “ Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente  Otelo , que não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. (...) O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público. – E era inocente, vinha eu dizendo rua abaixo; que faria o público, se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu?  Intertextualidade:  a tragédia de Shakespeare adaptada aos “subúrbios” - Desdêmona é inocente, mas punida
(OTELO- DESDÊMONA- IAGO) “ Ezequiel abriu a boca. Cheguei-lhe a xícara, tão trêmulo que quase a entornei, mas disposto a fazê-la cair pela goela abaixo (...) Mas não sei que senti que me fez recuar. Pus a xícara em cima da mesa, e dei por mim beijar doidamente a cabeça do menino.  -”Papai ! Papai! -“Não, não, eu não sou teu pai!”
O PROCESSO “ Tinha-se sentado numa cadeira ao pé da mesa. Podia estar um tanto confusa; o porte não era de acusada. Pedi-lhe uma vez que não teimasse. -”Não Bentinho, ou conte o resto, para que eu me defenda, se você acha que tenho defesa, ou peço-lhe já a nossa separação: não posso mais! “ -A separação é coisa decidida, redargüi pegando-lhe na proposta. Era melhor que a fizéssemos por meias palavras ou em silêncio; cada um iria com a sua ferida. Uma vez, porém, que a senhora insiste, aqui vai o que lhe posso dizer, e é tudo”.
Separação-Vingança “ Pois não, senhor, tinha perdido o gosto á morte. A morte era uma solução; eu acabava de achar outra, tanto melhor quanto não era definitiva, e deixava a porta aberta à reparação, se devesse havê-la. Não disse  perdão , mas reparação, isto é,  justiça” . - linguagem de tribunal -processo de acusação: o veredito já está dado pelo narrador  - leitor é parte do júri que acusa Capitu
Partida para a Suíça- retorno de Bento ao Brasil- morte de Dona Glória e José Dias- morte de Capitu e Prima Justina “ Ao entrar na sala, dei com um rapaz, de costas, mirando o busto de Massisina, pintado na parede. (...) Não me mexi; era nem mais nem menos o meu antigo e jovem companheiro do seminário de s. José, um pouco mais baixo, menos cheio de corpo e, salvo as cores, que eram vivas, o mesmo rosto de meu amigo. Era o próprio, o exato, o verdadeiro Escobar (...) e o meu colega do seminário ia ressurgindo cada vez mais do cemitério”.
Ezequiel: viagem ao Egito- morte na Palestina “ Falava da Antigüidade com amor, contava o Egito e seus milhares de séculos, sem se perder nos algarismos; tinha a cabeça aritmética do pai”... “ Onze meses depois, Ezequiel morreu de uma febre tifóide, e foi enterrado nas imediações de Jerusalém. (...) Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro”.
Casmurrice “ O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. 1:  Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti . Mas creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca. E bem, qualquer que seja a solução, uma cousa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me. A terra lhes seja leve! Vamos à  História dos Subúrbios.
Romance de processo e acusação: Bento, advogado, de posição social privilegiada, cria as  suas versões  do mundo e das pessoas e condenam as duas personagens que mais ameaçam  o “seu” mundo: CAPITU / ESCOBAR sua capacidade de amar estava sujeita à morte (a morte é parte da vida):  “o último superlativo de José Dias fez da morte um pedaço da vida”.  Destino= produtor/ dramaturgo
Bento é ditador e vítima Narrativa é forma de cooptar o leitor e transformar a realidade numa teia  Identificação do leitor com Bento: o real é o que parece real - modernidade do texto
romance aceitável e subversivo alegoria do II Reinado no Brasil do século XIX;  Dom Casmurro  : a história do Império- classe dominantes que agem em nome da manutenção de seus próprios privilégios, mudando toda a realidade “ Instinto de Nacionalidade”- Machado de Assis -  “sentimento íntimo” das questões de seu tempo .

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Dom Casmurro - Machado de Assis

  • 2. Há um medonho abismo, onde baqueia A impulsos das paixões a Humanidade; Impera ali terrível divindade, Que de torvos ministros se rodeia: Rubro facho a Discórdia ali meneia, Que a mil cenas de horror dá claridade; Com seus sócios, Traição, Mordacidade, Range os dentes a Inveja escura e feia: Vê-se a Morte cruel no punho alçando O ferro de sang ü ento ervado gume, E a toda a natureza ameaçando: Vê-se arder, fumegar sulfúreo lume... Que estrondo! Que pavor! Que abismo infando!... Mortais, não é o inferno, é o Ciúme!
  • 3. Romântica - Fase Preparatória Ressurreição (1872) A Mão e a Luva (1874) Helena (1876) Iaia Garcia (1878) Realista - Fase da Maturidade Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) Quincas Borba (1891) Dom Casmurrro (1899) Esaú e Jacó (1904) Memorial de Aires (1908) 1881
  • 4. Primeira Fase linear lógica do tempo foco narrativo em terceira pessoa tônica: composição do quadro delineamento psicológico conflitos / paixões / história / enredo desvendar (expectativa) imaginação Segunda Fase não linear lógica do autor foco narrativo em primeira ou terceira pessoa personagem aprofundamento psicológico análise do comportamento homem analisar observar
  • 5. Características Gerais linguagem simples, enxuta Personagens sem problemas econômicos - ociosos - disponíveis análise da burguesia endinheirada com fumos de nobreza espaço: Rio de Janeiro - universal e brasileiro tempo: século XIX – sociedade patriarcalista: o favor, o compadrio, as influências método: análise/observação da realidade física, psicológica - comportamental
  • 6. O VERME Existe uma flor que encerra Celeste orvalho e perfume. Plantou-a em fecunda terra Mão benéfica de um nume. Um verme asqueroso e feio, Gerado em lodo mortal, Busca esta flor virginal E vai dormir-lhe no seio. Morde, sangra, rasga e mima, Suga-lhe a vida e o alento; A flor o cálix inclina; As folhas, leva-as o vento. Depois, nem resta o perfume Nos ares da solidão... Esta flor é o coração, Aquele verme o ciúme. (Machado de Assis, Falenas , 1870)
  • 7. O TÍTULO “ Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que lhes dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores: alguns nem tanto”.
  • 8. Narrador que adota a tática da dissimulação, tentando “suavizar” a sua imagem diante do leitor CASMURRO : adj . 1. diz-se de indivíduo teimoso, obstinado, CABEÇUDO. 2. Indivíduo fechado em si mesmo, ensimesmado, sorumbático. ( Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa , p. 644).
  • 9. O livro “ nada se emenda bem nos livros confusos, mas tudo se pode meter nos livros omissos. Eu, quando leio alguma coisa desta outra casta, não me aflijo nunca. O que faço, chegando ao fim, é cerrar os olhos e evocar todas as coisas que não achei nele. Quantas idéias finas me acodem então! Que de reflexões profundas! Os rios, as montanhas, as igrejas que não li nas folhas lidas, todos me aparecem agora com as suas águas, suas árvores, os seus altares (...) É que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas”. (Capítulo LIX) Processo de ACUSAÇÃO do qual o leitor é JUIZ- a conclusão, o VEREDITO fica a cargo do LEITOR Texto leva ao subtexto
  • 10. “ Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Matacavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e a economia da outra, que desapareceu. (...) O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que eu fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente.” (...)
  • 11. Narrador aparentemente fracassado (não consegue recuperar a alegria de outro tempo): “mas falta eu mesmo, e esta lacuna é tudo”. “Entretanto, vida diferente não quer dizer vida pior; é outra coisa. Em verdade, pouco apareço e menos falo. Distrações raras. (...) como bem e não durmo mal”. Narrador apresenta sua condição de classe: burguês do século XIX; elite carioca (“Dom”).
  • 12. INFÂNCIA Bentinho: 15 anos; nov. 1857 denúncia de José Dias: namoricos com Capitu (“a gente do Pádua”) “ Ia entrar na sala de visitas quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atrás da porta”. ameaça do Seminário; arte do fingimento, da perspicácia
  • 13. A FAMÍLIA OLIGÁRQUICA “ José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às idéias; não as havendo, servia a prolongar as frases (...) Era o nosso agregado desde muitos anos; meu pai ainda estava na antiga fazenda de Itaguaí, e eu acabava de nascer. Um dia apareceu ali vendendo-se por médico homeopata. (...) Tinha o dom de se fazer aceito e necessário; dava-se por falta dele, como pessoa da família. (...) as cortesias que fizesse vinham antes do cálculo que da índole”.
  • 14. “ Tio Cosme vivia com minha mãe, desde que ela enviuvou. Já então era viúvo, como prima Justina; era a casa dos três viúvos. (...) Formado para as serenas funções do capitalismo, tio Cosme não enriquecia no foro: ia comendo”. “ Minha mãe era boa criatura. Quando lhe morreu o marido, Pedro de Albuquerque Santiago, contava trinta e um anos de idade (...) Vendeu a fazendola e os escravos, comprou alguns que pôs ao ganho ou alugou, uma dúzia de prédios, certo número de apólices, e deixou-se estar na casa de Matacavalos, onde vivera os dois últimos anos de casada. (...) Aqui estão o retrato de ambos. São como fotografias instantâneas da felicidade”.
  • 15. Enredo: romance sobre grupo de pessoas que agem de acordo com a lógica de suas condições sociais e familiares José Dias: parasita da oligarquia Dona Glória: mãe egoísta/ superprotetora (“uma santa”); Não trabalha para viver; vive “de renda”. Migra CAMPO p/ Cidade- confusão entre dois mundos – Brasil urbano x rural/ modernidade x velhos hábitos Prima Justina família em que o PODER PATRIARCAL é distribuído entre seus componentes; aliança entre a MULHER (chefe de família) e o seu SUBORDINADO Pádua (pai de Capitu): funcionário público que ganhou na loteria; anseia pelo casamento entre sua filha e Bento (outra loteria). CAPITU : apaixonada/ quer ascender socialmente/ agregada, “adotada” por Dona Glória/ situação AMBÍGUA - o indivíduo moderno.
  • 16. A ÓPERA “ Mas é tempo de tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e fresca, sossegada como a nossa casa e o trecho da rua em que morávamos. Verdadeiramente foi o princípio de minha vida.(...) Agora é que eu ia começar a minha ópera”. EXPLICAÇÃO DE MARCOLINI - “A vida é uma ópera e uma grande ópera. Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de grande futuro, que aprendeu no conservatório do Céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera, do qual abrira
  • 17. mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio de sua eternidade. Satanás levou o manuscrito para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros,- e acaso para reconciliar-se com o céu- compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno. (...) Até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu que a ópera fosse executada, mas fora do Céu. Criou-se um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos”.
  • 18. “ - Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor. “ Foi talvez um mal esta recusa. Dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. (...) Tudo é música, meu amigo”.
  • 19. “ Que é demasiada metafísica para um só tenor, não há dúvida; mas a perda da voz explica tudo, e há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados. Eu, leitor amigo, aceito a teoria do meu velho Marcolini, não só pela verossimilhança, QUE É MUITA VEZ TODA A VERDADE, mas porque minha vida se casa bem à definição”.
  • 20. EXPLICAÇÃO PARA A VIDA: Deus - livro, FORMA ; Satã - música, CONTEÚDO mundo = “sistema de erros” (Natureza, das Memórias Póstumas de Brás Cubas ) Bento deixa claro que escreve do jeito que QUISER; relativista - representante típico do século XIX - satisfaz-se com a sua própria versão da verdade. Boas ações = más ações (Humanitismo) “ - Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos; nós roemos”. (Cap. XVII, “Os Vermes”).
  • 21. PESSIMISMO: VIDA = MORTE ; verme rói livros e corpos; INDIFERENÇA ; o resultado é sempre o mesmo, e a vida pode se fazer através da morte, da destruição (“Sou tua mãe e tua inimiga”). O MAL faz parte do BEM, a MORTE faz parte da VIDA (Bento morre e dá lugar a Dom Casmurro).
  • 22. O Namoro Inscrição no muro- confirmação- chegada de Pádua- Capitu apaga os nomes e finge brincar “ E séria, fitou em mim os olhos, convidando-me ao jogo. O susto é naturalmente sério; eu ainda estava sob a ação da entrada de Pádua, e não fui capaz de rir, por mais que devesse fazê-lo, para legitimar a resposta de Capitu. Esta, cansada de esperar, desviou o rosto, dizendo que eu não ria daquela vez por estar ao pé do pai. E nem assim ri. Há coisas que só se aprendem mais tarde; é mister nascer com elas para fazê-las cedo. E melhor é naturalmente cedo que artificialmente tarde” Astúcia e “máscara” de Capitu x honestidade de Bentinho Referência ao Casmurro: aprendeu a arte da dissimulação (encontro com o Poeta).
  • 24. O PLANO DE CAPITU “ -Se eu fosse rica, você fugia, metia-se no paquete e ia para a Europa”. “ Como vês, Capitu, aos quatorze anos, tinha já idéias atrevidas, muito menos que outras que lhe vieram depois; mas eram só atrevidas em si, na prática faziam-se hábeis, sinuosas, surdas, e alcançavam o fim proposto, não aos saltos, mas aos saltinhos”. “ - Ele (José Dias) gosta muito de você. Não lhe fale acanhado. Tudo é que você não tenha medo, mostre que há de vir a ser dono da casa, mostre que quer e que pode. (..) ele, tendo de servir a você, falará com muito mais calor que outra pessoa. (..) diga-lhe que está pronto a estudar leis em São Paulo. (Capitu) repetiu os termos propostos, e insistia em que pedisse com boa cara, mas assim como quem pede um copo de água à pessoa que tem obrigação de o trazer. Conto estas minúcias para que melhor se entenda aquela manhã de minha amiga; logo virá a tarde, e da manhã e da tarde se fará o primeiro dia, como no Gênesis, onde se fizeram sucessivamente sete. ”
  • 25. A RELIGIOSIDADE “ -Prometo rezar mil padres-nossos e mil ave-marias, se José Dias arranjar que eu não vá para o seminário. “ A soma era enorme. A razão é que eu andava carregado de promessas não cumpridas. A última foi de duzentos padres-nossos e duzentas ave-marias, se não chovesse certa tarde de passeio a Santa Teresa. Não choveu, mas eu não rezei as orações. (...) - Mil, mil, repeti comigo. (...) Mil, mil, mil (...) Era muito duro subir uma ladeira de joelhos; devia feri-los por força. A Terra Santa ficava muito longe. As missas eram numerosas, podiam emprenhar-me outra vez a alma”... Bentinho é relativista: cultua um Deus particular- é a INTENÇÃO que importa, não a AÇÃO Caso com Capitu = “missa nova” Cristianismo de Bentinho = Humanitismo de Quincas Borba forma de justificar as suas ações sem alterá-las, justificar a SUA VISÃO DA VIDA (verossimilhança= verdade). Dona Glória: uso da religião como forma de “guardar” o filho para si
  • 26. PROCISSÃO: Bentinho, José Dias e Pádua “ Pela minha parte, quis ceder-lhe a vara; lembrou-me que ele costumava acompanhar o Santíssimo Sacramento aos moribundos, levando uma tocha, mas que a última vez conseguira uma vara do pálio. A distinção especial do pálio vinha de cobrir o vigário e o sacramento; para tocha qualquer pessoa servia. Foi ele mesmo quem contou e me explicou isto, cheio de uma glória pia e risonha. Assim fica entendido o alvoroço com que entrara na igreja; era a segunda vez do pálio, tanto que cuidou logo de ir pedi-lo. E nada! Tornava à tocha comum, outra vez a interinidade interrompida; o administrador regressava ao antigo cargo... Quis ceder-lhe a vara; o agregado tolheu-me esse ato de generosidade, e pediu ao sacristão que nos pusesse, a ele e a mim, com as duas varas de frente, rompendo a
  • 27. marcha do pálio. (...) Quando me vi com uma das varas, passando pelos fiéis, que se ajoelhavam, fiquei comovido. Pádua roía a tocha amargamente. É uma metáfora, não acho outra forma mais viva de dizer a dor e a humilhação de meu vizinho. De resto, não pude mirá-lo por muito tempo, nem ao agregado, que, paralelamente a mim, erguia a cabeça com o ar de ser ele próprio o Deus dos exércitos. (...) Pádua, ao contrário, ia mais humilhado. Apesar de substituído por mim, não acabava de se consolar da tocha, e apenas mostrava a compostura do ato. (Os outros) não iam garridos, mas também não iam tristes. Via-se que caminhavam com honra”.
  • 28. a existência de camadas mais pobres no II Império a religião como modo de obter o “status” social “ Em caminho, encontramos o Imperador, que vinha da Escola de Medicina. (...) Quando tornei ao meu lugar, trazia uma idéia fantástica, a idéia de ir ter com o Imperador, contar-lhe tudo e pedir intervenção. (...) Vi então o Imperador escutando-me, refletindo e acabando por dizer que sim, que iria falar a minha mãe; eu beijava-lhe a mão, com lágrimas. (...) – A Medicina,- por que lhe não manda ensinar medicina? RELIGIÃO x PROGRESSO (fé x ciência): ambíguo é também o país – Conciliação (1853 a 1871)- Liberal/ Conservador O romance começa com Bentinho aos 15 anos de idade (a Maioridade de D. Pedro II)
  • 29. CAPITULO XXI - OLHOS DE RESSACA “ Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, olhos de cigana oblíqua e dissimulada . Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. (...) Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. (...) Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos perdemos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve”.
  • 30. confirmação das suspeitas de José Dias: Capitu é traiçoeira como o mar/ pode enganá-lo “ Ficando só, refleti algum tempo, e tive uma fantasia. Já conheceis as minhas fantasias. Contei-vos a da visita imperial; disse-vos a desta casa do Engenho Novo, reproduzindo a de Matacavalos.... A imaginação foi companheira de toda minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo. (....) A minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe dava um potro, que saía logo a cavalo de Alexandre, mas deixemos metáforas atrevidas e impróprias dos meus quinze anos. (..) a Fantasia daquela hora foi confessar à minha mãe os meus amores para lhe dizer que não tinha vocação eclesiástica”. (capítulo XL, “uma Égua”). Confusão entre VERDADE E FICÇÃO
  • 31. Juramento: Bentinho e Capitu juram se casar, “haja o que houver”- Seminário- separação “ Meses depois fui para o seminário de S. José. (...) Nem durou muito a nossa despedida, foi o mais que pôde, em casa dela, na sala de visitas, antes do acender das velas; aí é que nos despedimos de uma vez. Juramos novamente que havíamos de nos casar um com outro, e não foi só o aperto de mão que selou o contrato, como no quintal, foi a conjunção de nossas bocas amorosas. (...) OH, minha doce companheira da meninice, eu era puro, e puro entrei na aula de s. José, a buscar de aparência a investidura sacerdotal, e antes dela a vocação. Mas a vocação eras tu, a investidura eras tu”. “ (Pádua) tinha os olhos úmidos deveras; levava a cara dos desenganados, como quem empregou em um só bilhete todas as suas economias de esperanças, e vê sair branco o maldito número, - um número tão bonito! “.(...) Na rua, José Dias insistiu nas esperanças: - Agüente por um ano; até lá tudo estará arranjado”.
  • 32. UM SONETO Bentinho constrói o seu “Panegírico de Santa Mônica”: “ e porque eu tive também o meu panegírico, contarei a história de um soneto que nunca fiz; era no tempo do seminário, e o primeiro verso é o que ides ler: Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!” Quem era a flor? Capitu, naturalmente; mas podia ser a virtude, a poesia, a religião, qualquer outro conceito a que coubesse a metáfora da flor, e flor do céu. (...) Assim foi que me determinei a compor o último verso do soneto, e depois de muito suar, saiu este: Perde-se a vida, ganha-se a batalha! (...) Então tornava ao meu soneto, e novamente repetia o primeiro verso e esperava o segundo; o segundo não vinha, nem o terceiro, nem quarto; não vinha nenhum. Cansado de esperar, lembrou-me alterar o sentido do último verso, com
  • 33. simples transposição de duas palavras, assim: Ganha-se a vida, perde-se a batalha! (...) Trabalhei em vão, busquei, catei, esperei, não vieram os versos. Pelo tempo adiante escrevi algumas páginas em prosa, e agora estou compondo esta narração, não achando maior dificuldade que escrever, bem ou mal. Pois, senhores, nada me consola daquele soneto que eu não fiz. (...) dou esses dois versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe uma idéia e encher o centro que falta”.
  • 34. Incapacidade de Bentinho de relacionar o primeiro verso ao último porque a essência de sua alma se perdeu Poema= casa de Matacavalos = IMPOSSIBILIDADE A Natureza também faz de Santiago uma flor, mas ela murcha e morre
  • 35. Encontro com Escobar- Dissimulação ante D. Glória “ Os olhos de Escobar eram dulcíssimos; assim os definiu José Dias, depois que ele saiu, e mantenho esta palavra, apesar dos quarenta anos que traz em cima de si. “ Era isto mesmo: deveríamos dissimular para matar qualquer suspeita, e ao mesmo tempo gozar toda liberdade anterior, e construir tranqüilos nosso futuro. “ - Você tem razão, Capitu, concluí eu; vamos enganar toda esta gente. -Não é? Disse ela com ingenuidade”. Capitu é naturalmente dissimulada, e Bentinho aprende com ela a arte de fingir
  • 36. Dona Glória adoece “ Quanto mais andava àquela Rua dos Barbonos, mais me aterrava a idéia de chegar à casa, de entrar, de ouvir os prantos, de ver um corpo defunto... Oh! Eu não podia expor aqui o que senti naqueles terríveis minutos(...) Ia só andando, aceitando o pior, e foi então que a Esperança, para combater o Terror, me segredou ao coração, não estas palavras, mas uma idéia que poderia ser traduzida por elas: “Mamãe defunta, acaba o seminário”. (...) Leitor, foi um relâmpago. (...) Foi uma sugestão de luxúria e de egoísmo”. (...) Então, levado de meu remorso, pedi a Deus que me perdoasse e salvasse a vida de minha mãe, e eu lhe rezaria dois mil padres-nossos. Eram mais dois mil, onde iam os antigos? Não paguei uns nem outros, mas saindo de almas cândidas e verdadeiras tais promessas são como a moeda fiduciária- ainda que o devedor não as pague, vale a soma que dizem”. Bentinho= pecado + virtude
  • 37. Capítulo LXXIII- rapaz a cavalo- ciúme “ Montava um belo cavalo alazão, firme na sela, rédea na mão esquerda, a direita à cinta, botas de verniz, figura e posturas esbeltas: a cara não me era desconhecida (...) olhou para Capitu, e Capitu para ele. (...) Corri ao meu quarto, e entrei atrás de mim. Eu falava-me, eu perseguia-me, eu atirava-me à cama, e rolava comigo, e chorava, e abafava os soluços com a ponta do lençol. (...) Capitu ria alto. A vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoço, enterrá-las bem, até ver-lhe sair a vida com o sangue”. INSINUAÇÃO DE TRAIÇÃO Existência/ DUELO entre 2 Bentinhos: o amável e virtuoso x o cínico e vingativo= AMBIGÜIDADE
  • 38. MORTE DE MANDUCA- REFLEXÕES- DÚVIDAS “ Não éramos amigos, nem nos conhecíamos muito. (...) A doença ia-lhe comendo partes das carnes, os dedos queriam apertar-se. (...) Da segunda vez que o vi ali, como falássemos da guerra da Criméia, que então ardia e andava nos jornais, Manduca disse que os aliados haviam de vencer, e eu respondi que não”. “ Manduca enterrou-se sem mim (...). Mas o tempo apagou depressa todas essas saudades e ressurreições. Nem foi só ele; duas pessoas vieram ajudá-lo, Capitu, cuja imagem dormiu comigo na mesma noite, e outra que direi no capítulo que vem. O resto do capítulo é só para pedir que, se alguém tiver de ler o meu livro com alguma atenção mais da que lhe exigir o preço do exemplar, não deixe de concluir que o Diabo não é tão feio como se pinta (...) a natureza é tão divina que aos mais nojentos ou mais aflitos
  • 39. acena com uma flor. E talvez saia assim a flor mais bela; o meu jardineiro afirma que as violetas, para terem um cheiro superior, hão mister de estrume de porco. Não examinarei, mas deve ser verdade”. MANDUCA - LEPROSO= BOA ALMA , “a flor da lama” CAPITU- A FLOR “CÂNDIDA E PURA ”- imprestável
  • 40. CONVERSA COM ESCOBAR - estreitamento de laços “ Quando eu lhe disse que não me lembrava nada da roça, tão pequenino viera, contou-me duas ou três reminiscências dos seus três anos de idade, ainda agora frescas. E não contávamos voltar à roça? -Não, agora não voltamos mais. Olhe, aquele preto que ali vai passando, é de lá. Tomás! -Nhonhô! Estávamos na horta da minha casa, e o preto andava em serviço; chegou-se a nós e esperou. - É casado, disse eu para Escobar. Maria onde está? - Está socando milho, sim senhor. - Você ainda se lembra da roça, Tomás? - Alembra, sim, senhor.
  • 41. - Bem, vá-se embora. Mostrei outro, mais outro, e ainda outro, este Pedro, aquele José, aquele outro Damião... - Todas as letras do alfabeto, interrompeu Escobar. Com efeito, eram diferentes letras, e só então reparei nisto; apontei ainda outros escravos, alguns com os mesmos nomes, distinguindo-se por um apelido, ou da pessoa, como João Fulo, Maria Gorda, ou da nação, como Pedro Bengüela, Antônio Moçambique... - E estão todos aqui em casa? perguntou ele. -Não, alguns andam ganhando na rua, outros estão alugados. Não era possível ter todos em casa. Nem são todos os da roça; a maior parte ficou lá”.
  • 42. SOCIEDADE ESCRAVOCRATA DO II IMPERIO - realidade social terrível TRANSIÇÃO BRASIL RURAL-URBANO: MUNDO MODERNO x MUNDO ARCAICO – CONCILIAÇÃO (1853-1871) - Dissimulação das verdadeiras diferenças e conflitos sociais
  • 43. BENTINHO x ESCOBAR “ Nem ele sabia só elogiar e pensar, sabia também calcular depressa e bem. (...) Não se imagina a facilidade com que ele somava ou multiplicava de cor. A divisão, que sempre foi uma das operações difíceis para mim, era para ele como nada. (...) –Há letras inúteis e letras dispensáveis, dizia ele. Que serviço diverso prestam o d e o t ? Têm quase o mesmo som. (...) São trapalhices gráficas. “ Criado na ortografia de meus pais, custava-me a ouvir tais blasfêmias, mas não ousava refutá-lo”... ESCOBAR= homem de negócios; o capitalista, prático, limitado pelo mundo “matemático” BENTINHO= o homem tradicional, que vê com dificuldade as mudanças e não se insere com facilidade no mundo “matemático”, pragmático de Escobar (e de Capitu)
  • 44. Substituto para o Seminário (plano de Escobar) “ Sua mãe fez promessa a Deus de lhe dar um sacerdote, não é? Pois bem, dê-lhe um sacerdote, que não seja você. Ela pode muito bem tomar a si algum mocinho órfão, fazê-lo ordenar à sua custa, está dando um padre ao altar, sem que você... E saímos juntos. Vou melhorar o meu latim e saio; nem dou teologia. O próprio latim não é preciso; para que no comércio?
  • 45. Saída do seminário (17 anos)- Bacharel em Direito (22 anos)- morte de Dona Fortunata- Escobar casa-se com Sancha - BENTINHO COM CAPITU “ Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer em outra parte; casemo-nos. Quando chegamos ao alto da Tijuca, onde era o nosso ninho de noivos, o céu recolheu a chuva e acendeu as estrelas, não só as conhecidas, mas ainda as que só serão descobertas daqui a muitos séculos”... Eu era advogado de umas casas ricas, e os processos vinham chegando. Escobar contribuíra muito para as minhas estréias no foro. Interveio com um advogado célebre para que me admitisse à sua banca, e arranjou-me algumas procurações, tudo espontaneamente”.
  • 46. Escobar ajuda Capitu na economia de “dez libras esterlinas”- ciúme de Bentinho “ Dez minutos. Os meus ciúmes eram intensos, mas curtos; com pouco derrubaria tudo, mas com o mesmo pouco ou menos reconstruiria o céu, a terra e as estrelas. A verdade é que eu fiquei mais amigo de Capitu, se era possível, ela ainda mais meiga, o ar mais brando, as noites mais claras, e Deus mais Deus. (...) Escobar também se fez mais pegado ao coração. As nossas visitas foram-se tornando mais próximas, e as nossas conversações mais íntimas”. CIÚME- estreitamento de laços- a vigília do marido doentio- identificação de Capitu com o cálculo, com o pragmático (ESCOBAR)
  • 47. “ -Imita prima Justina, imita José Dias; já lhe achei até um jeito dos pés de Escobar e dos olhos”.... Os dois pequenos passavam os dias ora no Flamengo, ora na Glória Ezequiel- sádico/ curioso como a mãe Escobar e Sancha  Capituzinha Bentinho e Capitu  Ezequiel
  • 48. Aproximação Bentinho e Sancha - morte de Escobar (1871) - CAPÍTULO CXXIII - OLHOS DE RESSACA Escobar: mar de “ressaca”- afogamento “ Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
  • 49. As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse também tragar o nadador da manhã”.
  • 50. artifício narrativo: Capítulo XXXII- OLHOS DE RESSACA (Capitu- Bentinho) Capítulo CXXIII- OLHOS DE RESSACA (Capitu- Escobar) Narrador tenta cooptar o leitor através da armação do texto
  • 51. Acentuam-se as semelhanças- aumentam as brigas com Capitu “ Escobar vinha assim surgindo da sepultura, do seminário e do Flamengo para se sentar comigo à mesa, receber-me na escada, beijar-me no gabinete de manhã, ou pedir-me à noite a benção do costume. Todas essas ações eram repulsivas; eu tolerava-as e praticava-as, para não me descobrir a mim mesmo e ao mundo. Mas o que pudesse dissimular ao mundo, não podia fazê-lo a mim, que vivia mais perto de mim que ninguém”. “ Eu, a falar a verdade, sentia agora uma aversão que mal podia disfarçar, tanto a ela como aos outros”...
  • 52. Capítulo CXXV- OTELO “ Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo , que não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. (...) O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público. – E era inocente, vinha eu dizendo rua abaixo; que faria o público, se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu? Intertextualidade: a tragédia de Shakespeare adaptada aos “subúrbios” - Desdêmona é inocente, mas punida
  • 53. (OTELO- DESDÊMONA- IAGO) “ Ezequiel abriu a boca. Cheguei-lhe a xícara, tão trêmulo que quase a entornei, mas disposto a fazê-la cair pela goela abaixo (...) Mas não sei que senti que me fez recuar. Pus a xícara em cima da mesa, e dei por mim beijar doidamente a cabeça do menino. -”Papai ! Papai! -“Não, não, eu não sou teu pai!”
  • 54. O PROCESSO “ Tinha-se sentado numa cadeira ao pé da mesa. Podia estar um tanto confusa; o porte não era de acusada. Pedi-lhe uma vez que não teimasse. -”Não Bentinho, ou conte o resto, para que eu me defenda, se você acha que tenho defesa, ou peço-lhe já a nossa separação: não posso mais! “ -A separação é coisa decidida, redargüi pegando-lhe na proposta. Era melhor que a fizéssemos por meias palavras ou em silêncio; cada um iria com a sua ferida. Uma vez, porém, que a senhora insiste, aqui vai o que lhe posso dizer, e é tudo”.
  • 55. Separação-Vingança “ Pois não, senhor, tinha perdido o gosto á morte. A morte era uma solução; eu acabava de achar outra, tanto melhor quanto não era definitiva, e deixava a porta aberta à reparação, se devesse havê-la. Não disse perdão , mas reparação, isto é, justiça” . - linguagem de tribunal -processo de acusação: o veredito já está dado pelo narrador - leitor é parte do júri que acusa Capitu
  • 56. Partida para a Suíça- retorno de Bento ao Brasil- morte de Dona Glória e José Dias- morte de Capitu e Prima Justina “ Ao entrar na sala, dei com um rapaz, de costas, mirando o busto de Massisina, pintado na parede. (...) Não me mexi; era nem mais nem menos o meu antigo e jovem companheiro do seminário de s. José, um pouco mais baixo, menos cheio de corpo e, salvo as cores, que eram vivas, o mesmo rosto de meu amigo. Era o próprio, o exato, o verdadeiro Escobar (...) e o meu colega do seminário ia ressurgindo cada vez mais do cemitério”.
  • 57. Ezequiel: viagem ao Egito- morte na Palestina “ Falava da Antigüidade com amor, contava o Egito e seus milhares de séculos, sem se perder nos algarismos; tinha a cabeça aritmética do pai”... “ Onze meses depois, Ezequiel morreu de uma febre tifóide, e foi enterrado nas imediações de Jerusalém. (...) Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro”.
  • 58. Casmurrice “ O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. 1: Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti . Mas creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca. E bem, qualquer que seja a solução, uma cousa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me. A terra lhes seja leve! Vamos à História dos Subúrbios.
  • 59. Romance de processo e acusação: Bento, advogado, de posição social privilegiada, cria as suas versões do mundo e das pessoas e condenam as duas personagens que mais ameaçam o “seu” mundo: CAPITU / ESCOBAR sua capacidade de amar estava sujeita à morte (a morte é parte da vida): “o último superlativo de José Dias fez da morte um pedaço da vida”. Destino= produtor/ dramaturgo
  • 60. Bento é ditador e vítima Narrativa é forma de cooptar o leitor e transformar a realidade numa teia Identificação do leitor com Bento: o real é o que parece real - modernidade do texto
  • 61. romance aceitável e subversivo alegoria do II Reinado no Brasil do século XIX; Dom Casmurro : a história do Império- classe dominantes que agem em nome da manutenção de seus próprios privilégios, mudando toda a realidade “ Instinto de Nacionalidade”- Machado de Assis - “sentimento íntimo” das questões de seu tempo .