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                                               Jornal de Fato
                                 Sábado, 10 de outubro de 2009

                                              www.defato.com
                                           telefone (84)3315-8900




       GEOGRAFIA
       O professor Avelino
       com ‘Projeções
       Cartográficas’

       HISTÓRIA
       O professor Bruno
       Balbino descreve
       ‘Imperialismo’

        GEOGRAFIA
        O professor Blênio
        Marcos define
        ‘Fontes de Energia’




                 2

                              CIANOMAGENTAAMARELOPRETO
2    Jornal de Fato
     Sábado, 10 de outubro de 2009                                                                                       vestibular


                                        TÔ NA ÁREA        Prof. Sávio Marcelus

                               ENEM                                          considerada a padroeira dos
                                                                             professores.
                                                                                                                novos números, o Brasil man-
                                                                                                                teve a posição e permaneceu no
          O Ministério da Educação e Cultura (MEC) vai apli-                                                    grupo dos países com alto de-
       car o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM-2009)                         SALÁRIO                         senvolvimento humano. Já, a
       nos dias 5 e 6 de dezembro. O anúncio foi feito pelo                  Segundo pesquisa patrocinada       China foi o país que registrou
       ministro da Educação, Fernando Haddad, depois de                      pela Organização das Nações        o maior aumento, subindo se-
       reunião com o ministro da Justiça, Tarso Genro, que ofe-              Unidas para Educação e Cul-        te posições, seguida pela Co-
       receu apoio da Polícia Federal e da Força Nacional de                 tura (UNESCO), metade dos          lômbia e pelo Peru, que me-
       Segurança para aplicação das provas. A nova data, além                professores do Brasil ganha        lhoraram cinco posições no
       de provocar o adiamento de vestibulares em pelo me-                   menos de R$ 720,00, com sa-        ranking.
       nos seis universidades federais e seis estaduais, tam-                lários baixos e formação defi-
       bém vai adiar a realização de dois grandes concursos                  ciente. Essa é a realidade de          BOLSA EMPRESA
       públicos federais: IBGE e Receita Federal.                            2.803.761 brasileiros. O que       É um programa adotado por
                                                                             chama mais atenção é a situa-      empresas que visam a investir
                                                                             ção do Nordeste. A realidade       na capacitação dos funcioná-
                                                                             salarial é pior ainda, pois se-    rios. A companhia financia os
       NOVAS DATAS                     tários de Educação (CONSED),          gundo a pesquisa esse índice       estudos do contratado através
    As instituições de ensino su-      pois a entidade vai apresentar        salarial é de R$ 420,00. Falta     de bolsas parciais ou integrais,
    perior que vão utilizar o Exa-     um pedido formal às institui-         vontade política, e que só po-     permitindo o crescimento pro-
    me Nacional do Ensino Médio        ções federais que vão utilizar o      derá vir da melhor forma pos-      fissional do empregado e qua-
    como forma de selecionar no-       Enem como forma de seleção            sível através da articulação da    lificação de mão-de-obra para
    vos alunos estão dispostas a fa-   de novos alunos para que man-         União, dos Estados e dos Mu-       a empresa.
    zer mudanças em seus calen-        tenham a adesão ao exame na-          nicípios. Sem essa articulação,
    dários desde que não haja atra-    cional, mesmo com atraso da           com certeza, teremos ainda             REGRAS PARA A BOLSA
    so no início das aulas em 2010.    prova. Com uma nota de apoio          muitos problemas.                  Como a iniciativa de custear a
    O adiamento do Enem prova-         ao Ministério da Educação e                                              graduação do funcionário par-
    velmente vai coincidir com ves-    Cultura, manifestando apoio               RANKING                        te da empresa, cada grupo em-
    tibulares de universidades fe-     ao Enem e lamentando os acon-         De acordo com pesquisa pu-         presarial possui as próprias re-
    derais. Com isso, o MEC apre-      tecimentos e defendendo a to-         blicada pela Organização das       gras de seleção. A dica para
    sentou um levantamento com         tal apuração dos fatos.               Nações Unidas (ONU), e que         quem quer se candidatar a es-
    as datas de todas as seleções do                                         relata o Índice de Desenvolvi-     se tipo de bolsa é investir num
    país. Devido à data do novo           DIA DO PROFESSOR                   mento Humano (IDH), a No-          curso relacionado a sua área
    exame ser de responsabilidade      A criação da data se deu em           ruega é o país onde a vida das     de atuação na companhia pa-
    do Ministério da Educação e        virtude de D. Pedro I, no ano         pessoas é melhor. Já, o Brasil     ra compensar a qualificação re-
    Cultura, as universidades terão    de 1827, ter decretado que to-        ficou em 75ª posição no ran-       cebida.
    apenas de se adequar. Qualquer     da vila, cidade ou lugarejo do        king de 182 países avaliados pe-
    mudança do processo seletivo       Brasil criasse as primeiras esco-     lo IDH, com a inclusão de An-         QUANTIDADE DE BOLSAS
    será de plena responsabilida-      las primárias do país, que fo-        dorra e Liechtenstein pela pri-    A quantidade de bolsas ofere-
    de de todas as universidades,      ram chamadas de "Escolas de           meira vez e a volta do Afega-      cidas varia conforme a compa-
    que poderão, inclusive, deixar     Primeiras Letras". Comemora-          nistão, que havia saído do ín-     nhia. Tudo depende do acor-
    de utilizar as notas do Enem,      do mundialmente no dia                dice em 1996. O IDH brasi-         do feito entre patrões e empre-
    como é o caso da Universida-       05/10, no Brasil o feriado foi        leiro subiu levemente, de 0,808    gados. Para requerer o benefí-
    de do Estado do RN (UERN).         instituído nacionalmente por          para 0, 813. Mas, mesmo assim,     cio, consulte o setor de recur-
                                       meio do decreto 52.682/63, as-        o país, que no ano passado ocu-    sos humanos ou de treinamen-
        DEFESA                         sinado pelo então presidente          pava a 70ª posição no ranking      to do grupo em que você tra-
    O MEC deve contar com o to-        da República João Goulart, em         do Pnud, após uma revisão do       balha para ficar por dentro das
    tal apoio dos representantes do    1963, e tendo como base reli-         índice, passou a ser o 75º (com    condições para concorrer a es-
    Conselho Nacional de Secre-        giosa Santa Tereza d'Ávilla,          IDH de 0,808). Agora, com os       se tipo de bolsa.



                           EDIÇÃO ESPECIAL DO JORNAL DE FATO • NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE




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                                                                           EDITOR GERAL                          DIAGRAMAÇÃO
                                                                              William Robson                        Telêmaco Sandino
                                                                           COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA                IMPRESSÃO
                                                                              Sávio Marcellus                       Gráfica de Fato

SANTOS EDITORA DE JORNAIS LTDA • Redação e oficinas: Avenida Rio Branco, 2203, Centro, Mossoró-RN - CEP: 59.611-400
vestibular                                                                                                                 Jornal de Fato
                                                                                                          Sábado, 10 de outubro de 2009       3

     LÍNGUA PORTUGUESA
   PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

    Projeção cartográfica é a re-                                     Marcos Garcia
presentação de uma superfície
esférica (a Terra) num plano (o
mapa), ou seja, trata-se de um
"sistema plano de meridianos e
paralelos sobre os quais pode ser
desenhado um mapa" (Erwin
Raisz. Cartografia geral. P. 58).

    O grande problema da car-
tografia consiste em ter de repre-
sentar uma superfície esférica
num plano, pois, como é sabi-
do, a esfera é um sólido não- de-
senvolvível, isto é, não-achatáv-
el ou não planificável. Assim,
sempre que achatarmos uma es-
fera, necessariamente ela sofre-
                                                AVELINO
rá alterações ou deformações.                     SOUZA
     Experimente, por exemplo,
cortar uma laranja ao meio e              Professor colaborador
depois pressionar (achatar) uma
dessas partes sobre uma super-
fície plana. Isso quer dizer que
todas as projeções apresentam        nas ou azimutais.                         A projeção cônica resulta            A projeção azimutal resul-
deformações, que podem ser em                                             da projeção do globo terrestre so-    ta da projeção da superfície ter-
relação às distâncias, às áreas ou       A projeção cilíndrica resul-     bre um cone, que posteriormen-        restre sobre um plano a partir
aos ângulos. Assim, cabe ao car-     ta da projeção dos paralelos e me-   te é planificado. Esse tipo de pro-   de um determinado ponto (pon-
tógrafo escolher o tipo de pro-      ridianos sobre um cilindro en-       jeção:                                to de vista). De acordo com Er-
jeção que melhor atenda aos ob-      volvente, que é posteriormente                                             win Raisz (famoso cartógrafo
jetivos do mapa.                     desenvolvido (planificado). Esse                                           americano), as projeções azimu-
                                     tipo de projeção:                                                          tais são de três tipos: polar, equa-
    Obs: A melhor forma                                                                                         torial e oblíqua. Elas são utiliza-
    de representar a                                                                                            das para confeccionar mapas es-
    Terra é através                                                                                             peciais, principalmente os náu-
    do Globo Terrestre                                                                                          ticos e aeronáuticos, isso porque
    Os tipos de propriedades                                                                                    é do tipo Eqüidistante, fato que
geométricas que caracterizam as                                                                                 facilita o cálculo com precisão
projeções cartográficas, em suas                                                                                das distâncias entre os diversos
relações entre a esfera (Terra) e                                                                               pontos da Terra.
um plano, que é o mapa, são:
    a) Conformes - conservam as
formas, porém distorcem as
áreas. Ex: Mercator
    b) Equivalentes - conservam
as áreas, mas distorcem as for-
mas. Ex: Peters                            apresenta os paralelos re-            apresenta paralelos circu-
    c) Equidistantes - conservam     tos e horizontais e os meridia-      lares e meridianos radiais, isto é,
as distâncias, mas distorcem for-    nos retos e verticais;               retas que se originam de um úni-
mas e áreas                                acarreta um crescimento        co ponto;
                                     (deformação) exagerado das re-              é usado principalmente pa-
   A maior parte das projeções       giões de elevadas latitudes;         ra a representação de países ou re-
hoje existentes deriva dos três            é o mais utilizado para a      giões de latitudes intermediárias,       Vejamos, a seguir, alguns dos
tipos ou métodos originais, a        representação total da Terra (ma-    embora possa ser utilizado para
saber: cilíndricas, cônicas e pla-   pas-múndi).                          outras latitudes.                                          CONTINUA...
4    Jornal de Fato
     Sábado, 10 de outubro de 2009                                                                                  vestibular
mais conhecidos tipos de projeção cartográfica.

    Projeção de Mercator
    Nesta projeção os meridianos e os paralelos são linhas retas que
se cortam em ângulos retos. Publicada pela primeira vez no auge
das grandes navegações, a projeção de Mercator valoriza as áreas de
média e de baixa latitude, dando a elas um tamanho maior do que
o real Nela as regiões polares aparecem muito exageradas. Essa pro-
jeção é do tipo cilíndrica, conforme e eurocêntrica




                                                                            Projeção Cilíndrica Equivalente de Peters

                                                                             Projeção de Mollweide
                                                                             Nesta projeção os paralelos são linhas retas e os meridianos, li-
                                                                         nhas curvas. Sua área é
                                                                         proporcional à da
                                                                         esfera terrestre,
                                                                         tendo a for-
                                                                         ma elíptica.
                                                                             As zonas
                                                                         centrais
                                                                         apresent am
   Projeções de Mercator, cilíndrica e conforme                          grande exatidão,
                                                                         tanto em área como
    Projeção de Peters                                                   em configuração, mas as ex-
    Outra projeção muito utilizada para planisférios é a de Arno Pe-     tremidades apresentam grandes distorções.
ters, que data de 1973. Essa projeção valoriza as áreas pobres da Ter-
ra, fazendo com elas apareçam em suas proporções reais. Sua base            Vale salientar que destacamos aqui, apenas alguns tipos de
é cilíndrica equivalente, e determina uma distribuição dos parale-       projeções cartográficas, pelo menos as mais usadas e também co-
los com intervalos decrescentes desde o Equador até os pólos, co-        bradas nos vestibulares, porém existem diversos outros tipos de
mo podemos observar no mapa a seguir.                                    projeções.



  Exercícios

      01                                                                    02 (Ufscar)
      Todo mapa é confeccionado num determinado sistema de
   projeção. Observe o mapa a seguir e assinale o tipo de proje-
   ção em que foi desenhado.




                                                                            Durante os anos 1970, esse mapa era visto como uma rea-
       a) Cônica                                                         ção simbólica dos países subdesenvolvidos - o Sul geoeconô-
       b) Cilíndrica                                                     mico - contra a cartografia tradicional, em especial a projeção
       c) Policônica
       d) Circular                                                                                                           CONTINUA...
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                                                                                                     Sábado, 10 de outubro de 2009       5
   de Mercator, que mostra o norte "acima" do sul e a Europa no            e) As projeções cartográficas permitem que, na constru-
   centro. Mas essa idéia logo foi abandonada por falta de con-        ção dos mapas temáticos, os meridianos e os paralelos terres-
   sistência.                                                          tres sejam transformados de uma realidade tridimensional
       Analise as seguintes afirmativas sobre essa questão:            para uma realidade bidimensional.

       I. A projeção de Peters mostra a proporção exata de cada
   área sem distorcer os seus formatos.                                   04
       II. O impacto político-ideológico de se colocar o sul "aci-        Observe as representações do continente africano, realiza-
   ma" do norte é diminuído ou anulado pelo fato de que a              das por meio das projeções de Mercator e de Peters.
   imensa maioria dos países está no hemisfério norte, sendo o
   sul mais oceânico.
       III. Tanto faz colocar o norte ou o sul na parte de cima do
   mapa, pois a posição mais correta para analisar um mapa é na
   horizontal, estando ele sobre uma mesa.
       IV. A projeção de Peters é melhor para a navegação do que
   a de Mercator.

      As afirmativas corretas são:

      a) I e II.
      b) II e III.
      c) III e IV.
      d) I e IV.

                                                                          Adaptado de Oswald Freyer - Eimbeke, p.40)
      03
     Os conhecimentos sobre projeções cartográficas e uso de              Assinale a alternativa correta:
   mapas possibilitam afirmar:
                                                                           a) Na projeção de Peters, as distâncias entre os paralelos
       a) A projeção azimutal fornece uma visão eurocêntrica do        crescem à medida em que se afastam do Equador, gerando um
   mundo e, por isso, ela não é mais utilizada.                        aumento exagerado das áreas localizadas próximas aos pólos.
       b) As distorções da representação, nas projeções cilíndri-          b) A projeção de Mercator não se presta para a compara-
   cas, são maiores no Equador e menores nos pólos.                    ção de superfícies ou para medir distâncias, uma vez que foi
       c) A projeção de Peters é a única que não pretende privile-     criada para atender às necessidades de navegação do século XVI.
   giar nenhum continente, porque ela reproduz rigorosamente               c) Tanto a projeção de Mercator como a de Peters falseiam
   a realidade.                                                        a superfície dos continentes, seja pela deformação latitudinal
       d) A projeção cônica só pode ser utilizada para represen-       (Mercator) ou pela deformação longitudinal (Peters).
   tar grandes regiões, porque as distorções são pequenas entre            d) Por situar a África no centro, a projeção de Peters tor-
   os trópicos, não representando, portanto, a realidade das           na a África maior do que de fato ela é, se comparada aos de-
   áreas mapeadas.                                                     mais continentes.




     LÍNGUA PORTUGUESA
   A INVENÇÃO DO ORIENTALISMO: O ORIENTE COMO ESPELHO DO OCIDENTE

   Muitas vezes acreditamos        os pares, de comer, de cheirar,     tra? Por que selecionamos chei-      tier é desnaturalizar algo tido
que as palavras, as coisas, as     de sentir e de se identificar co-   ros e odores?Por que somos cha-      como naturalizado, dado, de-
ideias, os sentimentos, os hábi-   mo nordestino, brasileiro, po-      mados de nordestinos? Por que        sencarnado, fixo, ou seja, mos-
tos e os costumes são elemen-      tiguar, mossoroense, é algo na-     somos sul-americanos? Por que        trar através do conhecimento
tos naturalizados e que desde      tural e, portanto, a-histórico.     somos Ocidentais e outros são        histórico que o mundo e tudo
sempre existiram como um a         Dificilmente nos indagamos          Orientais?                           aquilo que está inserido nele,
priori. Geralmente somos leva-     por que comemos assim e não             Esse conjunto de indagações      desde as vestimentas, passando
dos a pensar que a nossa ma-       assado? Por que nos vestimos        chega para nós historiadores co-
neira de amar, de relacionar com   de uma maneira e não de ou-         mo objeto de estudo. Nosso mé-                         CONTINUA...
CIANOMAGENTAAMARELOPRETO



6    Jornal de Fato
     Sábado, 10 de outubro de 2009                                                                               vestibular
pelos hábitos gastronômicos
                                                                  Marcos Garcia
até as identidades locais, regio-
nais e nacionais, é, na verda-
de, uma construção política,
econômica, cultural, e, abso-
lutamente, histórica. Nesse sen-
tido, queremos esboçar breve-
mente nesse texto uma histó-
ria dos conceitos, isto é, de co-
mo uma determinada ideia for-
mulada pelo discurso e, portan-
to, transformado em conheci-
mento se constituiu como uma
dada maneira de ver e de dizer
sobre o Ocidente, o Oriente e
o Orientalismo, conceitos es-
tes que foram 'inventados' e lo-
calizados historicamente.                     BRUNO
    Partiremos daqui!
    O Oriente é um conceito,
                                             BALBINO
uma construção discursiva,              Professor colaborador
uma ideia, elaborada pelo pen-
samento europeu desde a Ida-
de Média, mas que ganhou for-
ça com o Imperialismo fran-
cês e inglês no século XIX. O       mo tempo em que escamoteou        não para por aí. O referido ter-    ma de dominação típica do im-
que a Europa chama de Orien-        as diferenças locais através de   mo possui várias definições:        perialismo europeu do século
te era a região colonial adja-      um movimento de homogenei-        uma delas se expressa numa for-     XIX.
cente ao seu mundo, rica em         zação. Dessa representação do     ma de pensamento ou de uma              Foi no século XIX que sur-
civilizações que os europeus        Oriente surgiu o conceito de      tradição na qual se baseiam es-     giram os termos "orientalismo"
consideravam seu próprio pas-       "orientalismo".                   critores e artistas, sobretudo da   e "orientalistas" para designar
sado. Era a região hoje identi-         O Orientalismo nasceu co-     Europa, agrupados num com-          os estudiosos que traduziam os
ficada como Oriente Médio,          mo campo de estudo que en-        plexo de determinadas ideias        textos orientais para o Inglês.
o Egito e o mundo árabe. Essa       globa um conjunto de conhe-       que se acreditam constituir o       A prática de tradução nesse mo-
vastíssima área, imaginada geo-     cimentos e de disciplinas espe-   Oriente. E por último, o orien-     mento da história européia era
graficamente, permitiu a gene-      cializadas em estudar o Orien-    talismo é uma forma de nego-
ralização dessa região, ao mes-     te. Entretanto, seu significado   ciar com o Oriente, uma for-                          CONTINUA...
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                                                                                           Sábado, 10 de outubro de 2009      7
motivada pela noção de que a
conquista colonial necessitava
de um conhecimento do povo
conquistado. Desta forma, a re-
lação entre o Oriente e Ociden-
te, via o pensamento calcado
no orientalismo, passou a ser
de dominação. O Ocidente
criou uma visão distorcida do
Oriente como o Outro, numa
tentativa de diferenciação que
servia os interesses do colonia-
lismo permeando graus varia-
dos de uma complexa hegemo-
nia do primeiro em detrimen-
to ao segundo. A construção do
Oriente pela Europa, se deu pri-
meiro como ideia e depois co-
mo realidade política baseada
na conquista e na colonização.
Era preciso reunir um conjun-
to de saberes acadêmicos sobre
o Oriente para que possibilitas-
se -através do saber- uma for-
ma de colonização.
    É válido destacar também
que a invenção do conceito
Oriente não serviu somente co-
                  CONTINUA...      O Concerto da Concubina do Grão-Turco, Carle Vanloo, 1737




                                                                                CIANOMAGENTAAMARELOPRETO
8     Jornal de Fato
      Sábado, 10 de outubro de 2009                                                                                   vestibular
mo uma tentativa de impor uma
certa autoridade no jogo do po-
der entre as duas espacialida-
des (Oriente e Ocidente). A cul-
tura européia ganhou força e
identidade comparando-se com
o Oriente como uma espécie de
identidade substituta e até mes-
mo subterrânea, clandestina.
Dessa maneira, para que exista
um Ocidente, mesmo que na
imaginação de seus integrantes,
é preciso que exista também um
Oriente.
    As duas entidades geográfi-
cas imaginadas apóiam-se atra-
vés de um espelho que reflete
uma à outra. O Ocidente pro-
duziu um conjunto de imagens
estereotipadas para representar
o que considerava ser a cultura
ocidental- ou seja, a cultura do
Oriente Médio e do mundo ára-
be. O Oriente era entendido co-
mo sensual com seus haréns, des-
pótico, violento e primitivo.
Nesse sentido, o orientalismo do
século XIX foi responsável por
construir obras eruditas sobre
costumes árabes e egípcios e tam-
bém por produzir uma enxur-
rada de literatura popular na
França, Inglaterra e Alemanha
sobre os estereótipos orientais.
    No início do século XX, a des-
coberta da tumba de Tutanca-
mon no Egito, por exemplo, fas-      Oriente x Ocidente
cinou o público europeu e gerou
uma onda orientalista na mo-
da e nos móveis. Várias versões      Estes conceitos produzem efei-      de um jogo de espelho como o         portante destacar que o Orien-
d'As mil e uma noites foram pu-      tos de dizibilidade e visibilida-   benevolente, o fiel, o cristão, o    te nunca foi passivo a essa cons-
blicadas nesse período. Tal su-      de que se constituem como uma       promotor da paz.                     trução e até hoje resiste à domi-
cesso se deveu à popularização       nova maneira de olhar para o            Em breves palavras, concluí-     nação cultural do Ocidente.
do discurso orientalista que en-     Oriente através do signo dos ata-   mos que: o Oriente é uma inven-      Dessa maneira, podemos per-
fatizava o Oriente como sen-         ques terroristas e do radicalis-    ção do Ocidente e, portanto,         ceber que a invenção dos espa-
sual e mágico. O fascínio e a        mo religioso. Nesse sentido, apa-   não existe como civilização nem      ços perpassa por relações de po-
sensualidade caracterizaram no       rece uma reorganização da geo-      mesmo como região. Ambos são         der que tentam homogeneizar
início do século XX imagens e        grafia imaginária, de um lado,      construções Históricas. O            representar o Outro. Como nos
discursos sobre um espaço exó-       o Ocidente representado pelos       Oriente é um conjunto de ideias,     mostra o crítico literário pales-
tico e Outro. Entretanto, os sen-    EUA, apresentados como cora-        visões, imagens, textos, tipos hu-   tino Edwar Said a representação
tidos criados para o Oriente fo-     josos e defensores dos valores      manos, representações domina-        do Oriente é obra do Ocidente
ram sendo, ao longo do tempo,        humanos e democráticos e do         do por preconceitos, construí-       e que o orientalismo é exterior
resignificados através de uma        outro, o mundo oriental, ten-       dos pelo Ocidente como forma         e afastado do Oriente dependen-
nova conjuntura política e eco-      do como representante o mun-        de se identificar como superior.     do mais do Ocidente que do pró-
nômica pautada em outros ní-         do islâmico. Assim, as imagens      Ao considerar o Oriente primi-       prio mundo oriental. As manei-
veis de Imperialismo e de novas      do exótico, do sensual e do ma-     tivo, violento, despótico, o Oci-    ras de representar o Outro, isto
formas de negociar - sobretudo,      ravilhoso, dantes criadas pelo      dente, ao mesmo tempo, está se       é, o Oriente, tornam-o visível,
com o aparecimento de novos          período oitocentista, foram sen-    considerando avançado, demo-         claro e "lá" no discurso sobre ele.
agentes como os EUA - com o          do cambiados por novos este-        crático, esclarecido. O Ociden-      É no discurso sobre o outro que
mundo oriental.                      reótipos alçadas por novas con-     te se constrói a partir da Euro-     se tenta legitimar e apontar as
    Atualmente, as formas que        dições geopolíticas. O Oriente      pa, e mais tarde pelos EUA, co-      suas próprias diferenças, em su-
se estabelecem no diálogo en-        passa a ser o inimigo, o infiel,    mo um discurso que identifica        ma, apresentar o Oriente como
tre Ocidente e Oriente se con-       o radical, o não-cristão, o fun-    o Oriente como o Outro, co-          o outro e o "lá" para se identi-
tornam pelas expressões do ter-      damentalista. Em posição opos-      mo a oposição, como o que o          ficar a partir dele a diferença
rorismo e do fundamentalismo.        ta o Ocidente se define através     Ocidente não deveria ser. É im-      do mundo ocidental.
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     LÍNGUA PORTUGUESA
   FONTES DE ENERGIA DO BRASIL

    Energia é a capacidade de
                                                                     Marcos Garcia
produzir trabalho. Na história,
a descoberta de novas fontes
energéticas e o aumento do con-
sumo de energia sempre acom-
panharam a ampliação da ca-
pacidade produtiva das socie-
dades.
    O aumento do consumo e a
diversificação das fontes respon-
deram às mudanças das neces-
sidades sociais. O homem pri-
mitivo limitava o seu consumo
energético às necessidades pos-
tas pelo preparo dos alimentos.
Mais tarde, necessidades vincu-
ladas ao conforto doméstico e
à produção agrícola ou indus-
                                                BLÊNIO
trial, passaram a predominar. Há               MARCOS
quase dois séculos as necessida-
des energéticas foram ampliadas          Professor colaborador
pela evolução das técnicas de
produção e de transportes. O ho-
mem do século XIX consumia
quase quarenta vezes a energia      carboneto formado pela decom-        derópolis, Araranguá e Urussan-     brás empresa estatal monopolis-
despendida pelo homem primi-        posição de restos vegetais que so-   ga. O carvão extraído é do tipo     ta, em 1953.
tivo. O homem atual consome         freram um lento processo de so-      hulha, de baixa qualidade com           Contudo, até o início de 1970,
mais de três vezes a energia des-   lidificação. Milhões de anos fo-     grande concentração de cinzas e     os maiores investimentos da Pe-
pendida no tempo da revolu-         ram necessários para que ele fos-    enxofre. O transporte é feito pe-   trobras concentravam-se em seu
ção industrial. Essa explosão do    se constiuído. A transformação       la estrada de ferro Dona Teresa     parque de refino. As reservas do
consumo energético é um fenô-       da matéria vegetal em carvão só      Cristina até o porto de Imbitu-     Recôncavo Baiano e da bacia se-
meno característico dos países      se completa em ambientes propí-      ba, em Santa Catarina, e de lá      dimentar do Nordeste já eram co-
desenvovidos.                       cios. É necessário que haja pou-     vai para o porto de Angra dos       nhecidas e exploradas, mas o pre-
    Atualmente, os recursos         ca oxigenação, pois isso dificul-    Reis, onde é misturado ao carvão    ço do petróleo no mercado in-
energéticos mais utilizados no      ta a ação de bactérias aeróbias,     importado e posteriormente uti-     terncaional era baixo demais pa-
mundo são o carvão mineral, o       impedindo a decomposição to-         lizado nas siderúrgicas concen-     ra justificar grandes investimen-
petróleo, a água e o átomo; jun-    tal dos vegetais. Nos ambientes      tradas no Sudeste.                  tos em pesquisa e prospecção do
tos eles correspondem a mais        tropicais, a vegetação é mais exu-       Petróleo: é um hidrocarbone-    óleo no Brasil.
de 90% da oferta mundial de         berante, porém a maior quanti-       to que se apresenta sob a forma         A extração de petróleo no sub-
energia. A utilização de qualquer   dade de oxigênio disponível faz      fluída, formado por restos vege-    solo dos oceanos é uma ativida-
um deles acarreta danos ambien-     com que a ação bacteriana de-        tais e animais em ambientes ma-     de cara e exposta a muitos ris-
tais: o petróleo e o carvão, além   componha os restos vegetais an-      rinhos. Os restos dos animais e     cos. Mesmo assim, atualmente
de extremamente poluentes,          tes da sua carbonização. As maio-    vegetais microscópicos (plânc-      70% do petróleo extraídono Bra-
contribuem para o aquecimen-        res reservas carboníferas do glo-    ton) que vivem na superfície, são   sil provém da plataforma conti-
to do planeta; as usinas hidrelé-   bo estão localizadas nas zonas       depositados junto com lama e        nental. O grande destaque é o
tricas exigem a inundação de vas-   temeperadas.                         areia no fundo do mar. Essa fon-    estado do Rio de Janeiro, onde
tas áreas, o que pode ser bastan-       No Brasil, o carvão é encon-     te passou a ser encarada como       se localizamas dezoito platafor-
te grave em regiões florestadas;    trado na bacia sedimentar do Pa-     fator estratégico durante o Esta-   mas da Bacia de Campos.
a energia nuclear, além do risco    raná, destacando-se nela as se-      do Novo (1937-1945). O naciona-         Atualmente, no contexto da
de acidentes, gera resíduos com     guintes localidades: vale do Rio     lismo industrialista de Getúlio     abertura da economia brasilei-
grande poder de contaminação.       Cinzas no Paraná, vale do Jacuí      Vargas foi responsável pela cria-   ra, o monopólio da Petrobras foi
                                    no Rio Grande do Sul e princi-       ção do Conselho Nacional do Pe-     rompido. A Agência Nacional
   O potencial                      palmente vale do Tubarão em          tróleo (CNP), em 1938. Mais         do Petróleo (ANP), estabeleci-
   energético do Brasil             Santa Catarina, nos municípios       tarde, no pós-guerra, também se-
                                                                                                                                 CONTINUA...
   Carvão Mineral: é um hidro-      de Crisciúma, Lauro Muller, Si-      ria Vargas, o criador da Petro-
10     Jornal de Fato
       Sábado, 10 de outubro de 2009                                                                                   vestibular
da em 1998, concedeu áreas de        não se resolveu o que fazer com      cidade para as regiões Sudeste e     mento da produção de álcool
prospecção para empresas trans-      o material radiativo, estocado       Sul. Nela estão instalados cerca     de cana-de-açúcar, o Proálcool
nacionais. Assim, um sistema         em depósitos "provisórios".          de 70% do potencial gerador na-      previa a concessão de uma série
misto - estatal e privado - pas-                                          cional. O Sudeste conta ainda        de benefícios financeiros aos
sou a vigorar no setor petrolífe-        A Energia Hidréletrica           com a hidrelétrica de Três Ma-       plantadores de cana e aos pro-
ro do país.                              A capacidade instalada do        rias, na Bacia do São Francisco      prietários de usinas, principal-
                                     Brasil para a produção de ele-       e as usinas de Salto Grande e        mente os da região Sudeste. ao
    As Usinas Nucleares              tricidade é de aproximadamen-        Mascarenhas no Rio Doce. Em          mesmo tempo, as indústrias au-
    A história das usinas termo-     te 58.140 MW, e as usinas hidre-     meados da década de 1970, abriu-     tomobilísticas foram incentiva-
nucleares no Brasil começou em       létricas são responsáveis por        se mais uma onde de investimen-      das a passar a produzir carros
1969, quando o governo com-          mais de 90% desse total. O al-       tos no setor elétrico, desta vez     movidos a álcool e, aos usuá-
prou da empresa norte-ameri-         to potencial hidrelétrico brasi-     destinados à construção de hi-       rios desses automóveis, foram
cana Westinghouse a usina de         leiro é determinado pela conjun-     drelétricas de grande porte em       concedidos benefícios fiscais.
Angra I, com capacidade de 600       ção de dois fatores: o volume        regiões distantes dos mercados           O auge do Proálcool ocorreu
MW, alimentada por urânio en-        de águas e o relevo. As elevadas     urbano-industriais. Em 1975 foi      em 1986, quando o consumo de
riquecido. Como o acordo de          médias pluviométricas, decor-        assinado um tratado associando       álcool combustível ultrapassou
venda não previa a transferência     rentes do predomínio de climas       o Brasil ao Paraguai na constru-     o de gasolina automotiva. Entre-
a tecnologia de enriquecimento,      equatoriais e tropicais no terri-    ção de Itaipu, uma das maiores       tanto, a redução dos preços in-
o Brasil precisava importar dos      tório, e a disposição dos diviso-    usinas hidrelétricas do mundo.       ternacionais do petróleo colo-
países desenvolvidos o urânio a      res de águas que delimitam as            Na região Nordeste, a cons-      cou limites para a substituição
ser consumido na usina.              principais bacias hidrográficas      trução de usinas hidrelétricas na    da gasolina, acabando por arras-
    Em 1975, o general Ernesto       brasileiras têm como resultado       Bacia do São Francisco integrou      tar o próprio Proálcool para uma
Geisel assinou um acordo com         a existência de muitos rios cau-     o plano de desenvolvimento re-       crise. A Guerra do Golfo, em
a Alemanha para a construção         dalosos e planálticos no país.       gional implantado pelo gover-        1991, e a subsequente diminui-
de reatores nucleares que gera-      Nas bacias do Amazonas, Tocan-       no federal na década de 1960. as-    ção da influência da Opep rea-
riam 10.400 MW em 1990 e             tins e Paraná encontra-se a maior    sim nasceram as usinas do siste-     cenderam o debate em torno do
75.000 MW no ano 2000. o cus-        parte do potencial hidrelétrico      ma Centrais Hidrelétricas do São     futuro do combustível automo-
to dos reatores atingiria trinta     nacional.                            Francisco (Chesf), completado        bilístico no Brasil.
bilhões de dólares, cerca de d-                                           nas décadas de 1980 e 1990 pelas         Os críticos do Proálcool ten-
uas vezes o preço de Itaipu, cu-         Distribuição geográfica          usinas de Itaparica e Xingó.         dem a insistir no elevado custo
ja capacidade ultrapassa os              do potencial instalado                                                econômico dos subsídios, defen-
12.000 MW. O acordo Nuclear              A concentração espacial da           O Programa Nacional              dendo uma atitude liberal em
Basil-Alemanha jamais chegaria       indústria no Brasil reflete-se na        do Álcool - Proálcool            relação à questão energética, que
a ser completado. Dos oitos rea-     concentração espacial da deman-          O Proálcool foi lançado em       deveria se regulada pelas leis de
tores previstos, apenas dois - An-   da energética. A região Sudeste,     1975, no contexto da primeira        mercado. Alguns deles também
gra II e III, iniciariam a fase de   pólo industrial do país, é respon-   crise do petróleo, deveria contri-   enxergam no programa uma in-
construção. Além da energia, as      sável por cerca de 50% do con-       buir para aliviar a conta de im-     fluência negativa para o setor
usinas geram também uma              sumo total da eletricidade. As re-   portações do país e reduzir a de-    agrícola, já que a lucratividade
imensa quantidade de resíduos        giões Sul e Nordeste ocupam, res-    pendência em relação ao petró-       artificial do cultivo de cana-de-
radioativos. Esse é um dos prin-     pectivamente, o segundo e ter-       leo. O programa tinha como me-       açúcar para as usinas alcoolei-
cipais alvos da crítica dos am-      ceiro lugares.                       ta a substituição paulatina da ga-   ras estaria desviando terras ap-
bientalistas com relação às usi-         A Bacia do Paraná é a prin-      solina pelo álcool nos carros de     tas para a produção de alimen-
nas nucleares brasileiras: ainda     cipal fornecedora de hidreletri-     passeio. Para incentivar o au-       tos e matérias-primas industriais.


  Exercícios

       01                                         é realizada basicamente em poços ter-          energia e sua utilização no Brasil permi-
       O petróleo é um recurso básico para        restres, sendo que a maior parte está lo-      tem afirmar:
   a moderna sociedade industrial. Assi-          calizada na bacia sedimentar amazôni-
   nale o que for correto sobre as caracte-       ca.                                                a) As mais modernas fontes de ener-
   rísticas desse recurso natural.                    d) O petróleo é a matéria-prima bá-        gia, utilizadas amplamente no Brasil, são
                                                  sica para inúmeros tipos de indústrias         a maremotriz e a solar.
       a) Os inúmeros derivados do petró-         químicas, como de plásticos, de asfalto            b) O carvão vegetal produzido na re-
   leo produzidos pela indústria petroquí-        e de borracha sintética.                       gião Nordeste possui alto teor de com-
   mica são biodegradáveis, ou seja, não tra-         e) As maiores reservas mundiais de         bustão e é utilizado nas indústrias side-
   zem problemas para o ambiente.                 petróleo conhecidas na atualidade lo-          rúrgicas da região.
       b) Como se trata de uma riqueza na-        calizam-se na América Central, particu-            c) O petróleo foi elemento básico na
   tural renovável, o petróleo jamais se es-      larmente, em Cuba.                             produção de energia no Brasil, todavia
   gotará.                                                                                       foi plenamente substituído pelo álcool.
       c) No Brasil, a extração do petróleo           02
                                                      Os conhecimentos sobre fontes de                                         CONTINUA...
vestibular                                                                                                         Jornal de Fato
                                                                                                 Sábado, 10 de outubro de 2009      11
     d) A utilização de lenha como fon-         05                                             e) As entidades ambientalistas in-
 te de energia foi totalmente substituí-         Um problema ainda não resolvido           ternacionais argumentam que as termoe-
 da pelo gás vindo da Bolívia.               da geração nuclear de eletricidade é a        létricas, que utilizam carvão vegetal, cau-
     e) No Brasil, mais de 85% da ener-      destinação dos rejeitos radiativos, o cha-    sam menos impactos ambientais à Flo-
 gia elétrica consumida são geradas nas      mado "lixo atômico". Os rejeitos mais         resta Amazônica do que as hidroelétri-
 usinas hidrelétricas.                       ativos ficam por um período em pisci-         cas.
                                             nas de aço inoxidável nas próprias usi-
    03                                       nas antes de ser, como os demais rejei-          07
    Algumas fontes de energia, com o         tos, acondicionados em tambores que              O Brasil apresenta elevado potencial
 petróleo e o carvão mineral são consi-      são dispostos em áreas cercadas ou en-        hidrelétrico determinado pela interação
 deradas não renováveis. Isso preocu-        cerrados em depósitos subterrâneos se-        entre regime pluvial e relevo. Sobre as
 pa, e tem levado alguns países a adota-     cos, como antigas minas de sal. A com-        usinas hidrelétricas instaladas no terri-
 rem medidas no sentido de:                  plexidade do problema do lixo atômi-          tório brasileiro, pode-se afirmar que
                                             co, comparativamente a outros lixos
     a) parar de usar essas fontes, prote-   com substâncias tóxicas, se deve ao fa-           I. localizam-se em áreas com gran-
 lando assim seu esgotamento.                to de                                         de volume de águas f luviais, inf luen-
     b) investir mais em fontes de ener-                                                   ciado pelo clima e com predomínio de
 gia renováveis, visando a diminuir a de-        a) emitir radiações nocivas, por mi-      relevo do tipo planalto.
 pendência em relação aos recursos não       lhares de anos, em um processo que                II. concentram-se em função da de-
 renováveis.                                 não tem como ser interrompido artifi-         manda urbano-industrial, da viabilida-
     c) proibir o consumo desse tipo de      cialmente.                                    de econômica e das políticas públicas
 energia como combustível, reservado o           b) acumular-se em quantidades bem         que definem o modelo energético.
 seu uso apenas como matéria prima.          maiores do que o lixo industrial conven-          III. ocasionam impactos que provo-
     d) limitar a comercialização desses     cional, faltando assim locais para reu-       cam a perda de solos agricultáveis e a
 recursos, encarecendo o preço dos pro-      nir tanto material.                           remoção das populações ribeirinhas.
 dutos deles derivados.                          c) ser constituído de materiais or-
     e) substituí-las totalmente por ou-     gânicos que podem contaminar mui-                Está correto o que se afirma em:
 tras fontes de energia.                     tas espécies vivas, incluindo os próprios
                                             seres humanos.                                   a) I, apenas.
    04                                           d) exalar continuamente gases ve-            b) I e II, apenas.
    Atualmente, um dos objetivos da Pe-      nenosos, que tornariam o ar irrespirá-           c) I e III, apenas.
 trobrás é aumentar, até 2010, a partici-    vel por milhares de anos.                        d) II e III, apenas.
 pação do gás natural dos atuais 7,5%            e) emitir radiações e gases que po-          e) I, II e III.
 para 12%.                                   dem destruir a camada de ozônio e agra-
    Sobre esse combustível, é correto        var o efeito estufa.                             08
 afirmar que                                                                                   As crises de petróleo dos anos 70 le-
                                                06                                         varam o Brasil a ampliar sua produção
     a) a descoberta de reservas no Re-          Assinale a alternativa que aponta,        interna e a estimular a busca de fontes
 côncavo Baiano deve tornar o país au-       corretamente, uma dificuldade para o          alternativas de energia, como o álcool,
 to-suficiente e beneficiar os setores au-   aproveitamento dos rios da Bacia Ama-         na tentativa de substituir parcialmente
 tomotivo e residencial, principais con-     zônica, no que se refere à geração de ener-   o consumo do petróleo.
 sumidores de gás.                           gia elétrica.                                     NÃO é conseqüência e/ou ref lexo
     b) novos acordos com a Venezuela                                                      ambiental do uso do álcool como fon-
 e com o Equador devem ampliar a ofer-           a) A baixa declividade ao longo de        te alternativa:
 ta de gás natural e propiciar a instala-    seus cursos, que, ao serem represados,
 ção de novas usinas termelétricas.          causam grande impacto com o alaga-                a) O álcool substitui a gasolina, mas
     c) a instabilidade política do nos-     mento de grandes áreas florestadas.           não o óleo diesel, que é a base do trans-
 so maior fornecedor preocupa princi-            b) A navegação, uma das principais        porte de carga e dos equipamentos agrí-
 palmente o setor industrial que con-        formas de deslocamento na região ama-         colas no País.
 some cerca de metade do gás ofereci-        zônica, é limitada em represas utiliza-           b) A substituição de lavouras de pro-
 do.                                         das para geração de energia elétrica.         dução de alimentos pela monocultura
     d) a Bolívia, nossa principal forne-        c) A economia da região amazôni-          canavieira favoreceu a concentração da
 cedora de gás natural, tem subsidiado       ca, baseada no extrativismo mineral,          propriedade da terra.
 a construção de novos gasodutos com         vegetal, na pecuária extensiva e ainda a          c) A utilização de queimadas nos
 o objetivo de aumentar o consumo bra-       ausência de indústrias, não gera gran-        canaviais facilita o corte, mas favorece
 sileiro do combustível.                     de consumo de energia elétrica.               a mineralização do solo, afetando a pro-
     e) as usinas térmicas brasileiras,          d) O clima Equatorial, predominan-        dutividade.
 abastecidas com o gás boliviano, tra-       te na região amazônica, apresenta uma             d) As empresas usineiras, por inte-
 balham com capacidade máxima e con-         estação seca no inverno, que reduz a          resse de proteção ambiental, impedem,
 somem pouco mais da metade do com-          vazão dos rios e inviabiliza a produção       como padrão de comportamento, que
 bustível importado.                         de energia elétrica.                          o vinhoto se torne agente de poluição.
CIANOMAGENTAAMARELOPRETO

Dfato vestibular fasciculo 2

  • 1.
    vestibular Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 www.defato.com telefone (84)3315-8900 GEOGRAFIA O professor Avelino com ‘Projeções Cartográficas’ HISTÓRIA O professor Bruno Balbino descreve ‘Imperialismo’ GEOGRAFIA O professor Blênio Marcos define ‘Fontes de Energia’ 2 CIANOMAGENTAAMARELOPRETO
  • 2.
    2 Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 vestibular TÔ NA ÁREA Prof. Sávio Marcelus ENEM considerada a padroeira dos professores. novos números, o Brasil man- teve a posição e permaneceu no O Ministério da Educação e Cultura (MEC) vai apli- grupo dos países com alto de- car o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM-2009) SALÁRIO senvolvimento humano. Já, a nos dias 5 e 6 de dezembro. O anúncio foi feito pelo Segundo pesquisa patrocinada China foi o país que registrou ministro da Educação, Fernando Haddad, depois de pela Organização das Nações o maior aumento, subindo se- reunião com o ministro da Justiça, Tarso Genro, que ofe- Unidas para Educação e Cul- te posições, seguida pela Co- receu apoio da Polícia Federal e da Força Nacional de tura (UNESCO), metade dos lômbia e pelo Peru, que me- Segurança para aplicação das provas. A nova data, além professores do Brasil ganha lhoraram cinco posições no de provocar o adiamento de vestibulares em pelo me- menos de R$ 720,00, com sa- ranking. nos seis universidades federais e seis estaduais, tam- lários baixos e formação defi- bém vai adiar a realização de dois grandes concursos ciente. Essa é a realidade de BOLSA EMPRESA públicos federais: IBGE e Receita Federal. 2.803.761 brasileiros. O que É um programa adotado por chama mais atenção é a situa- empresas que visam a investir ção do Nordeste. A realidade na capacitação dos funcioná- salarial é pior ainda, pois se- rios. A companhia financia os NOVAS DATAS tários de Educação (CONSED), gundo a pesquisa esse índice estudos do contratado através As instituições de ensino su- pois a entidade vai apresentar salarial é de R$ 420,00. Falta de bolsas parciais ou integrais, perior que vão utilizar o Exa- um pedido formal às institui- vontade política, e que só po- permitindo o crescimento pro- me Nacional do Ensino Médio ções federais que vão utilizar o derá vir da melhor forma pos- fissional do empregado e qua- como forma de selecionar no- Enem como forma de seleção sível através da articulação da lificação de mão-de-obra para vos alunos estão dispostas a fa- de novos alunos para que man- União, dos Estados e dos Mu- a empresa. zer mudanças em seus calen- tenham a adesão ao exame na- nicípios. Sem essa articulação, dários desde que não haja atra- cional, mesmo com atraso da com certeza, teremos ainda REGRAS PARA A BOLSA so no início das aulas em 2010. prova. Com uma nota de apoio muitos problemas. Como a iniciativa de custear a O adiamento do Enem prova- ao Ministério da Educação e graduação do funcionário par- velmente vai coincidir com ves- Cultura, manifestando apoio RANKING te da empresa, cada grupo em- tibulares de universidades fe- ao Enem e lamentando os acon- De acordo com pesquisa pu- presarial possui as próprias re- derais. Com isso, o MEC apre- tecimentos e defendendo a to- blicada pela Organização das gras de seleção. A dica para sentou um levantamento com tal apuração dos fatos. Nações Unidas (ONU), e que quem quer se candidatar a es- as datas de todas as seleções do relata o Índice de Desenvolvi- se tipo de bolsa é investir num país. Devido à data do novo DIA DO PROFESSOR mento Humano (IDH), a No- curso relacionado a sua área exame ser de responsabilidade A criação da data se deu em ruega é o país onde a vida das de atuação na companhia pa- do Ministério da Educação e virtude de D. Pedro I, no ano pessoas é melhor. Já, o Brasil ra compensar a qualificação re- Cultura, as universidades terão de 1827, ter decretado que to- ficou em 75ª posição no ran- cebida. apenas de se adequar. Qualquer da vila, cidade ou lugarejo do king de 182 países avaliados pe- mudança do processo seletivo Brasil criasse as primeiras esco- lo IDH, com a inclusão de An- QUANTIDADE DE BOLSAS será de plena responsabilida- las primárias do país, que fo- dorra e Liechtenstein pela pri- A quantidade de bolsas ofere- de de todas as universidades, ram chamadas de "Escolas de meira vez e a volta do Afega- cidas varia conforme a compa- que poderão, inclusive, deixar Primeiras Letras". Comemora- nistão, que havia saído do ín- nhia. Tudo depende do acor- de utilizar as notas do Enem, do mundialmente no dia dice em 1996. O IDH brasi- do feito entre patrões e empre- como é o caso da Universida- 05/10, no Brasil o feriado foi leiro subiu levemente, de 0,808 gados. Para requerer o benefí- de do Estado do RN (UERN). instituído nacionalmente por para 0, 813. Mas, mesmo assim, cio, consulte o setor de recur- meio do decreto 52.682/63, as- o país, que no ano passado ocu- sos humanos ou de treinamen- DEFESA sinado pelo então presidente pava a 70ª posição no ranking to do grupo em que você tra- O MEC deve contar com o to- da República João Goulart, em do Pnud, após uma revisão do balha para ficar por dentro das tal apoio dos representantes do 1963, e tendo como base reli- índice, passou a ser o 75º (com condições para concorrer a es- Conselho Nacional de Secre- giosa Santa Tereza d'Ávilla, IDH de 0,808). Agora, com os se tipo de bolsa. EDIÇÃO ESPECIAL DO JORNAL DE FATO • NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE vestibular EDITOR GERAL DIAGRAMAÇÃO William Robson Telêmaco Sandino COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA IMPRESSÃO Sávio Marcellus Gráfica de Fato SANTOS EDITORA DE JORNAIS LTDA • Redação e oficinas: Avenida Rio Branco, 2203, Centro, Mossoró-RN - CEP: 59.611-400
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    vestibular Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 3 LÍNGUA PORTUGUESA PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS Projeção cartográfica é a re- Marcos Garcia presentação de uma superfície esférica (a Terra) num plano (o mapa), ou seja, trata-se de um "sistema plano de meridianos e paralelos sobre os quais pode ser desenhado um mapa" (Erwin Raisz. Cartografia geral. P. 58). O grande problema da car- tografia consiste em ter de repre- sentar uma superfície esférica num plano, pois, como é sabi- do, a esfera é um sólido não- de- senvolvível, isto é, não-achatáv- el ou não planificável. Assim, sempre que achatarmos uma es- fera, necessariamente ela sofre- AVELINO rá alterações ou deformações. SOUZA Experimente, por exemplo, cortar uma laranja ao meio e Professor colaborador depois pressionar (achatar) uma dessas partes sobre uma super- fície plana. Isso quer dizer que todas as projeções apresentam nas ou azimutais. A projeção cônica resulta A projeção azimutal resul- deformações, que podem ser em da projeção do globo terrestre so- ta da projeção da superfície ter- relação às distâncias, às áreas ou A projeção cilíndrica resul- bre um cone, que posteriormen- restre sobre um plano a partir aos ângulos. Assim, cabe ao car- ta da projeção dos paralelos e me- te é planificado. Esse tipo de pro- de um determinado ponto (pon- tógrafo escolher o tipo de pro- ridianos sobre um cilindro en- jeção: to de vista). De acordo com Er- jeção que melhor atenda aos ob- volvente, que é posteriormente win Raisz (famoso cartógrafo jetivos do mapa. desenvolvido (planificado). Esse americano), as projeções azimu- tipo de projeção: tais são de três tipos: polar, equa- Obs: A melhor forma torial e oblíqua. Elas são utiliza- de representar a das para confeccionar mapas es- Terra é através peciais, principalmente os náu- do Globo Terrestre ticos e aeronáuticos, isso porque Os tipos de propriedades é do tipo Eqüidistante, fato que geométricas que caracterizam as facilita o cálculo com precisão projeções cartográficas, em suas das distâncias entre os diversos relações entre a esfera (Terra) e pontos da Terra. um plano, que é o mapa, são: a) Conformes - conservam as formas, porém distorcem as áreas. Ex: Mercator b) Equivalentes - conservam as áreas, mas distorcem as for- mas. Ex: Peters apresenta os paralelos re- apresenta paralelos circu- c) Equidistantes - conservam tos e horizontais e os meridia- lares e meridianos radiais, isto é, as distâncias, mas distorcem for- nos retos e verticais; retas que se originam de um úni- mas e áreas acarreta um crescimento co ponto; (deformação) exagerado das re- é usado principalmente pa- A maior parte das projeções giões de elevadas latitudes; ra a representação de países ou re- hoje existentes deriva dos três é o mais utilizado para a giões de latitudes intermediárias, Vejamos, a seguir, alguns dos tipos ou métodos originais, a representação total da Terra (ma- embora possa ser utilizado para saber: cilíndricas, cônicas e pla- pas-múndi). outras latitudes. CONTINUA...
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    4 Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 vestibular mais conhecidos tipos de projeção cartográfica. Projeção de Mercator Nesta projeção os meridianos e os paralelos são linhas retas que se cortam em ângulos retos. Publicada pela primeira vez no auge das grandes navegações, a projeção de Mercator valoriza as áreas de média e de baixa latitude, dando a elas um tamanho maior do que o real Nela as regiões polares aparecem muito exageradas. Essa pro- jeção é do tipo cilíndrica, conforme e eurocêntrica Projeção Cilíndrica Equivalente de Peters Projeção de Mollweide Nesta projeção os paralelos são linhas retas e os meridianos, li- nhas curvas. Sua área é proporcional à da esfera terrestre, tendo a for- ma elíptica. As zonas centrais apresent am Projeções de Mercator, cilíndrica e conforme grande exatidão, tanto em área como Projeção de Peters em configuração, mas as ex- Outra projeção muito utilizada para planisférios é a de Arno Pe- tremidades apresentam grandes distorções. ters, que data de 1973. Essa projeção valoriza as áreas pobres da Ter- ra, fazendo com elas apareçam em suas proporções reais. Sua base Vale salientar que destacamos aqui, apenas alguns tipos de é cilíndrica equivalente, e determina uma distribuição dos parale- projeções cartográficas, pelo menos as mais usadas e também co- los com intervalos decrescentes desde o Equador até os pólos, co- bradas nos vestibulares, porém existem diversos outros tipos de mo podemos observar no mapa a seguir. projeções. Exercícios 01 02 (Ufscar) Todo mapa é confeccionado num determinado sistema de projeção. Observe o mapa a seguir e assinale o tipo de proje- ção em que foi desenhado. Durante os anos 1970, esse mapa era visto como uma rea- a) Cônica ção simbólica dos países subdesenvolvidos - o Sul geoeconô- b) Cilíndrica mico - contra a cartografia tradicional, em especial a projeção c) Policônica d) Circular CONTINUA...
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    vestibular Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 5 de Mercator, que mostra o norte "acima" do sul e a Europa no e) As projeções cartográficas permitem que, na constru- centro. Mas essa idéia logo foi abandonada por falta de con- ção dos mapas temáticos, os meridianos e os paralelos terres- sistência. tres sejam transformados de uma realidade tridimensional Analise as seguintes afirmativas sobre essa questão: para uma realidade bidimensional. I. A projeção de Peters mostra a proporção exata de cada área sem distorcer os seus formatos. 04 II. O impacto político-ideológico de se colocar o sul "aci- Observe as representações do continente africano, realiza- ma" do norte é diminuído ou anulado pelo fato de que a das por meio das projeções de Mercator e de Peters. imensa maioria dos países está no hemisfério norte, sendo o sul mais oceânico. III. Tanto faz colocar o norte ou o sul na parte de cima do mapa, pois a posição mais correta para analisar um mapa é na horizontal, estando ele sobre uma mesa. IV. A projeção de Peters é melhor para a navegação do que a de Mercator. As afirmativas corretas são: a) I e II. b) II e III. c) III e IV. d) I e IV. Adaptado de Oswald Freyer - Eimbeke, p.40) 03 Os conhecimentos sobre projeções cartográficas e uso de Assinale a alternativa correta: mapas possibilitam afirmar: a) Na projeção de Peters, as distâncias entre os paralelos a) A projeção azimutal fornece uma visão eurocêntrica do crescem à medida em que se afastam do Equador, gerando um mundo e, por isso, ela não é mais utilizada. aumento exagerado das áreas localizadas próximas aos pólos. b) As distorções da representação, nas projeções cilíndri- b) A projeção de Mercator não se presta para a compara- cas, são maiores no Equador e menores nos pólos. ção de superfícies ou para medir distâncias, uma vez que foi c) A projeção de Peters é a única que não pretende privile- criada para atender às necessidades de navegação do século XVI. giar nenhum continente, porque ela reproduz rigorosamente c) Tanto a projeção de Mercator como a de Peters falseiam a realidade. a superfície dos continentes, seja pela deformação latitudinal d) A projeção cônica só pode ser utilizada para represen- (Mercator) ou pela deformação longitudinal (Peters). tar grandes regiões, porque as distorções são pequenas entre d) Por situar a África no centro, a projeção de Peters tor- os trópicos, não representando, portanto, a realidade das na a África maior do que de fato ela é, se comparada aos de- áreas mapeadas. mais continentes. LÍNGUA PORTUGUESA A INVENÇÃO DO ORIENTALISMO: O ORIENTE COMO ESPELHO DO OCIDENTE Muitas vezes acreditamos os pares, de comer, de cheirar, tra? Por que selecionamos chei- tier é desnaturalizar algo tido que as palavras, as coisas, as de sentir e de se identificar co- ros e odores?Por que somos cha- como naturalizado, dado, de- ideias, os sentimentos, os hábi- mo nordestino, brasileiro, po- mados de nordestinos? Por que sencarnado, fixo, ou seja, mos- tos e os costumes são elemen- tiguar, mossoroense, é algo na- somos sul-americanos? Por que trar através do conhecimento tos naturalizados e que desde tural e, portanto, a-histórico. somos Ocidentais e outros são histórico que o mundo e tudo sempre existiram como um a Dificilmente nos indagamos Orientais? aquilo que está inserido nele, priori. Geralmente somos leva- por que comemos assim e não Esse conjunto de indagações desde as vestimentas, passando dos a pensar que a nossa ma- assado? Por que nos vestimos chega para nós historiadores co- neira de amar, de relacionar com de uma maneira e não de ou- mo objeto de estudo. Nosso mé- CONTINUA...
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    CIANOMAGENTAAMARELOPRETO 6 Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 vestibular pelos hábitos gastronômicos Marcos Garcia até as identidades locais, regio- nais e nacionais, é, na verda- de, uma construção política, econômica, cultural, e, abso- lutamente, histórica. Nesse sen- tido, queremos esboçar breve- mente nesse texto uma histó- ria dos conceitos, isto é, de co- mo uma determinada ideia for- mulada pelo discurso e, portan- to, transformado em conheci- mento se constituiu como uma dada maneira de ver e de dizer sobre o Ocidente, o Oriente e o Orientalismo, conceitos es- tes que foram 'inventados' e lo- calizados historicamente. BRUNO Partiremos daqui! O Oriente é um conceito, BALBINO uma construção discursiva, Professor colaborador uma ideia, elaborada pelo pen- samento europeu desde a Ida- de Média, mas que ganhou for- ça com o Imperialismo fran- cês e inglês no século XIX. O mo tempo em que escamoteou não para por aí. O referido ter- ma de dominação típica do im- que a Europa chama de Orien- as diferenças locais através de mo possui várias definições: perialismo europeu do século te era a região colonial adja- um movimento de homogenei- uma delas se expressa numa for- XIX. cente ao seu mundo, rica em zação. Dessa representação do ma de pensamento ou de uma Foi no século XIX que sur- civilizações que os europeus Oriente surgiu o conceito de tradição na qual se baseiam es- giram os termos "orientalismo" consideravam seu próprio pas- "orientalismo". critores e artistas, sobretudo da e "orientalistas" para designar sado. Era a região hoje identi- O Orientalismo nasceu co- Europa, agrupados num com- os estudiosos que traduziam os ficada como Oriente Médio, mo campo de estudo que en- plexo de determinadas ideias textos orientais para o Inglês. o Egito e o mundo árabe. Essa globa um conjunto de conhe- que se acreditam constituir o A prática de tradução nesse mo- vastíssima área, imaginada geo- cimentos e de disciplinas espe- Oriente. E por último, o orien- mento da história européia era graficamente, permitiu a gene- cializadas em estudar o Orien- talismo é uma forma de nego- ralização dessa região, ao mes- te. Entretanto, seu significado ciar com o Oriente, uma for- CONTINUA...
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    vestibular Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 7 motivada pela noção de que a conquista colonial necessitava de um conhecimento do povo conquistado. Desta forma, a re- lação entre o Oriente e Ociden- te, via o pensamento calcado no orientalismo, passou a ser de dominação. O Ocidente criou uma visão distorcida do Oriente como o Outro, numa tentativa de diferenciação que servia os interesses do colonia- lismo permeando graus varia- dos de uma complexa hegemo- nia do primeiro em detrimen- to ao segundo. A construção do Oriente pela Europa, se deu pri- meiro como ideia e depois co- mo realidade política baseada na conquista e na colonização. Era preciso reunir um conjun- to de saberes acadêmicos sobre o Oriente para que possibilitas- se -através do saber- uma for- ma de colonização. É válido destacar também que a invenção do conceito Oriente não serviu somente co- CONTINUA... O Concerto da Concubina do Grão-Turco, Carle Vanloo, 1737 CIANOMAGENTAAMARELOPRETO
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    8 Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 vestibular mo uma tentativa de impor uma certa autoridade no jogo do po- der entre as duas espacialida- des (Oriente e Ocidente). A cul- tura européia ganhou força e identidade comparando-se com o Oriente como uma espécie de identidade substituta e até mes- mo subterrânea, clandestina. Dessa maneira, para que exista um Ocidente, mesmo que na imaginação de seus integrantes, é preciso que exista também um Oriente. As duas entidades geográfi- cas imaginadas apóiam-se atra- vés de um espelho que reflete uma à outra. O Ocidente pro- duziu um conjunto de imagens estereotipadas para representar o que considerava ser a cultura ocidental- ou seja, a cultura do Oriente Médio e do mundo ára- be. O Oriente era entendido co- mo sensual com seus haréns, des- pótico, violento e primitivo. Nesse sentido, o orientalismo do século XIX foi responsável por construir obras eruditas sobre costumes árabes e egípcios e tam- bém por produzir uma enxur- rada de literatura popular na França, Inglaterra e Alemanha sobre os estereótipos orientais. No início do século XX, a des- coberta da tumba de Tutanca- mon no Egito, por exemplo, fas- Oriente x Ocidente cinou o público europeu e gerou uma onda orientalista na mo- da e nos móveis. Várias versões Estes conceitos produzem efei- de um jogo de espelho como o portante destacar que o Orien- d'As mil e uma noites foram pu- tos de dizibilidade e visibilida- benevolente, o fiel, o cristão, o te nunca foi passivo a essa cons- blicadas nesse período. Tal su- de que se constituem como uma promotor da paz. trução e até hoje resiste à domi- cesso se deveu à popularização nova maneira de olhar para o Em breves palavras, concluí- nação cultural do Ocidente. do discurso orientalista que en- Oriente através do signo dos ata- mos que: o Oriente é uma inven- Dessa maneira, podemos per- fatizava o Oriente como sen- ques terroristas e do radicalis- ção do Ocidente e, portanto, ceber que a invenção dos espa- sual e mágico. O fascínio e a mo religioso. Nesse sentido, apa- não existe como civilização nem ços perpassa por relações de po- sensualidade caracterizaram no rece uma reorganização da geo- mesmo como região. Ambos são der que tentam homogeneizar início do século XX imagens e grafia imaginária, de um lado, construções Históricas. O representar o Outro. Como nos discursos sobre um espaço exó- o Ocidente representado pelos Oriente é um conjunto de ideias, mostra o crítico literário pales- tico e Outro. Entretanto, os sen- EUA, apresentados como cora- visões, imagens, textos, tipos hu- tino Edwar Said a representação tidos criados para o Oriente fo- josos e defensores dos valores manos, representações domina- do Oriente é obra do Ocidente ram sendo, ao longo do tempo, humanos e democráticos e do do por preconceitos, construí- e que o orientalismo é exterior resignificados através de uma outro, o mundo oriental, ten- dos pelo Ocidente como forma e afastado do Oriente dependen- nova conjuntura política e eco- do como representante o mun- de se identificar como superior. do mais do Ocidente que do pró- nômica pautada em outros ní- do islâmico. Assim, as imagens Ao considerar o Oriente primi- prio mundo oriental. As manei- veis de Imperialismo e de novas do exótico, do sensual e do ma- tivo, violento, despótico, o Oci- ras de representar o Outro, isto formas de negociar - sobretudo, ravilhoso, dantes criadas pelo dente, ao mesmo tempo, está se é, o Oriente, tornam-o visível, com o aparecimento de novos período oitocentista, foram sen- considerando avançado, demo- claro e "lá" no discurso sobre ele. agentes como os EUA - com o do cambiados por novos este- crático, esclarecido. O Ociden- É no discurso sobre o outro que mundo oriental. reótipos alçadas por novas con- te se constrói a partir da Euro- se tenta legitimar e apontar as Atualmente, as formas que dições geopolíticas. O Oriente pa, e mais tarde pelos EUA, co- suas próprias diferenças, em su- se estabelecem no diálogo en- passa a ser o inimigo, o infiel, mo um discurso que identifica ma, apresentar o Oriente como tre Ocidente e Oriente se con- o radical, o não-cristão, o fun- o Oriente como o Outro, co- o outro e o "lá" para se identi- tornam pelas expressões do ter- damentalista. Em posição opos- mo a oposição, como o que o ficar a partir dele a diferença rorismo e do fundamentalismo. ta o Ocidente se define através Ocidente não deveria ser. É im- do mundo ocidental.
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    vestibular Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 9 LÍNGUA PORTUGUESA FONTES DE ENERGIA DO BRASIL Energia é a capacidade de Marcos Garcia produzir trabalho. Na história, a descoberta de novas fontes energéticas e o aumento do con- sumo de energia sempre acom- panharam a ampliação da ca- pacidade produtiva das socie- dades. O aumento do consumo e a diversificação das fontes respon- deram às mudanças das neces- sidades sociais. O homem pri- mitivo limitava o seu consumo energético às necessidades pos- tas pelo preparo dos alimentos. Mais tarde, necessidades vincu- ladas ao conforto doméstico e à produção agrícola ou indus- BLÊNIO trial, passaram a predominar. Há MARCOS quase dois séculos as necessida- des energéticas foram ampliadas Professor colaborador pela evolução das técnicas de produção e de transportes. O ho- mem do século XIX consumia quase quarenta vezes a energia carboneto formado pela decom- derópolis, Araranguá e Urussan- brás empresa estatal monopolis- despendida pelo homem primi- posição de restos vegetais que so- ga. O carvão extraído é do tipo ta, em 1953. tivo. O homem atual consome freram um lento processo de so- hulha, de baixa qualidade com Contudo, até o início de 1970, mais de três vezes a energia des- lidificação. Milhões de anos fo- grande concentração de cinzas e os maiores investimentos da Pe- pendida no tempo da revolu- ram necessários para que ele fos- enxofre. O transporte é feito pe- trobras concentravam-se em seu ção industrial. Essa explosão do se constiuído. A transformação la estrada de ferro Dona Teresa parque de refino. As reservas do consumo energético é um fenô- da matéria vegetal em carvão só Cristina até o porto de Imbitu- Recôncavo Baiano e da bacia se- meno característico dos países se completa em ambientes propí- ba, em Santa Catarina, e de lá dimentar do Nordeste já eram co- desenvovidos. cios. É necessário que haja pou- vai para o porto de Angra dos nhecidas e exploradas, mas o pre- Atualmente, os recursos ca oxigenação, pois isso dificul- Reis, onde é misturado ao carvão ço do petróleo no mercado in- energéticos mais utilizados no ta a ação de bactérias aeróbias, importado e posteriormente uti- terncaional era baixo demais pa- mundo são o carvão mineral, o impedindo a decomposição to- lizado nas siderúrgicas concen- ra justificar grandes investimen- petróleo, a água e o átomo; jun- tal dos vegetais. Nos ambientes tradas no Sudeste. tos em pesquisa e prospecção do tos eles correspondem a mais tropicais, a vegetação é mais exu- Petróleo: é um hidrocarbone- óleo no Brasil. de 90% da oferta mundial de berante, porém a maior quanti- to que se apresenta sob a forma A extração de petróleo no sub- energia. A utilização de qualquer dade de oxigênio disponível faz fluída, formado por restos vege- solo dos oceanos é uma ativida- um deles acarreta danos ambien- com que a ação bacteriana de- tais e animais em ambientes ma- de cara e exposta a muitos ris- tais: o petróleo e o carvão, além componha os restos vegetais an- rinhos. Os restos dos animais e cos. Mesmo assim, atualmente de extremamente poluentes, tes da sua carbonização. As maio- vegetais microscópicos (plânc- 70% do petróleo extraídono Bra- contribuem para o aquecimen- res reservas carboníferas do glo- ton) que vivem na superfície, são sil provém da plataforma conti- to do planeta; as usinas hidrelé- bo estão localizadas nas zonas depositados junto com lama e nental. O grande destaque é o tricas exigem a inundação de vas- temeperadas. areia no fundo do mar. Essa fon- estado do Rio de Janeiro, onde tas áreas, o que pode ser bastan- No Brasil, o carvão é encon- te passou a ser encarada como se localizamas dezoito platafor- te grave em regiões florestadas; trado na bacia sedimentar do Pa- fator estratégico durante o Esta- mas da Bacia de Campos. a energia nuclear, além do risco raná, destacando-se nela as se- do Novo (1937-1945). O naciona- Atualmente, no contexto da de acidentes, gera resíduos com guintes localidades: vale do Rio lismo industrialista de Getúlio abertura da economia brasilei- grande poder de contaminação. Cinzas no Paraná, vale do Jacuí Vargas foi responsável pela cria- ra, o monopólio da Petrobras foi no Rio Grande do Sul e princi- ção do Conselho Nacional do Pe- rompido. A Agência Nacional O potencial palmente vale do Tubarão em tróleo (CNP), em 1938. Mais do Petróleo (ANP), estabeleci- energético do Brasil Santa Catarina, nos municípios tarde, no pós-guerra, também se- CONTINUA... Carvão Mineral: é um hidro- de Crisciúma, Lauro Muller, Si- ria Vargas, o criador da Petro-
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    10 Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 vestibular da em 1998, concedeu áreas de não se resolveu o que fazer com cidade para as regiões Sudeste e mento da produção de álcool prospecção para empresas trans- o material radiativo, estocado Sul. Nela estão instalados cerca de cana-de-açúcar, o Proálcool nacionais. Assim, um sistema em depósitos "provisórios". de 70% do potencial gerador na- previa a concessão de uma série misto - estatal e privado - pas- cional. O Sudeste conta ainda de benefícios financeiros aos sou a vigorar no setor petrolífe- A Energia Hidréletrica com a hidrelétrica de Três Ma- plantadores de cana e aos pro- ro do país. A capacidade instalada do rias, na Bacia do São Francisco prietários de usinas, principal- Brasil para a produção de ele- e as usinas de Salto Grande e mente os da região Sudeste. ao As Usinas Nucleares tricidade é de aproximadamen- Mascarenhas no Rio Doce. Em mesmo tempo, as indústrias au- A história das usinas termo- te 58.140 MW, e as usinas hidre- meados da década de 1970, abriu- tomobilísticas foram incentiva- nucleares no Brasil começou em létricas são responsáveis por se mais uma onde de investimen- das a passar a produzir carros 1969, quando o governo com- mais de 90% desse total. O al- tos no setor elétrico, desta vez movidos a álcool e, aos usuá- prou da empresa norte-ameri- to potencial hidrelétrico brasi- destinados à construção de hi- rios desses automóveis, foram cana Westinghouse a usina de leiro é determinado pela conjun- drelétricas de grande porte em concedidos benefícios fiscais. Angra I, com capacidade de 600 ção de dois fatores: o volume regiões distantes dos mercados O auge do Proálcool ocorreu MW, alimentada por urânio en- de águas e o relevo. As elevadas urbano-industriais. Em 1975 foi em 1986, quando o consumo de riquecido. Como o acordo de médias pluviométricas, decor- assinado um tratado associando álcool combustível ultrapassou venda não previa a transferência rentes do predomínio de climas o Brasil ao Paraguai na constru- o de gasolina automotiva. Entre- a tecnologia de enriquecimento, equatoriais e tropicais no terri- ção de Itaipu, uma das maiores tanto, a redução dos preços in- o Brasil precisava importar dos tório, e a disposição dos diviso- usinas hidrelétricas do mundo. ternacionais do petróleo colo- países desenvolvidos o urânio a res de águas que delimitam as Na região Nordeste, a cons- cou limites para a substituição ser consumido na usina. principais bacias hidrográficas trução de usinas hidrelétricas na da gasolina, acabando por arras- Em 1975, o general Ernesto brasileiras têm como resultado Bacia do São Francisco integrou tar o próprio Proálcool para uma Geisel assinou um acordo com a existência de muitos rios cau- o plano de desenvolvimento re- crise. A Guerra do Golfo, em a Alemanha para a construção dalosos e planálticos no país. gional implantado pelo gover- 1991, e a subsequente diminui- de reatores nucleares que gera- Nas bacias do Amazonas, Tocan- no federal na década de 1960. as- ção da influência da Opep rea- riam 10.400 MW em 1990 e tins e Paraná encontra-se a maior sim nasceram as usinas do siste- cenderam o debate em torno do 75.000 MW no ano 2000. o cus- parte do potencial hidrelétrico ma Centrais Hidrelétricas do São futuro do combustível automo- to dos reatores atingiria trinta nacional. Francisco (Chesf), completado bilístico no Brasil. bilhões de dólares, cerca de d- nas décadas de 1980 e 1990 pelas Os críticos do Proálcool ten- uas vezes o preço de Itaipu, cu- Distribuição geográfica usinas de Itaparica e Xingó. dem a insistir no elevado custo ja capacidade ultrapassa os do potencial instalado econômico dos subsídios, defen- 12.000 MW. O acordo Nuclear A concentração espacial da O Programa Nacional dendo uma atitude liberal em Basil-Alemanha jamais chegaria indústria no Brasil reflete-se na do Álcool - Proálcool relação à questão energética, que a ser completado. Dos oitos rea- concentração espacial da deman- O Proálcool foi lançado em deveria se regulada pelas leis de tores previstos, apenas dois - An- da energética. A região Sudeste, 1975, no contexto da primeira mercado. Alguns deles também gra II e III, iniciariam a fase de pólo industrial do país, é respon- crise do petróleo, deveria contri- enxergam no programa uma in- construção. Além da energia, as sável por cerca de 50% do con- buir para aliviar a conta de im- fluência negativa para o setor usinas geram também uma sumo total da eletricidade. As re- portações do país e reduzir a de- agrícola, já que a lucratividade imensa quantidade de resíduos giões Sul e Nordeste ocupam, res- pendência em relação ao petró- artificial do cultivo de cana-de- radioativos. Esse é um dos prin- pectivamente, o segundo e ter- leo. O programa tinha como me- açúcar para as usinas alcoolei- cipais alvos da crítica dos am- ceiro lugares. ta a substituição paulatina da ga- ras estaria desviando terras ap- bientalistas com relação às usi- A Bacia do Paraná é a prin- solina pelo álcool nos carros de tas para a produção de alimen- nas nucleares brasileiras: ainda cipal fornecedora de hidreletri- passeio. Para incentivar o au- tos e matérias-primas industriais. Exercícios 01 é realizada basicamente em poços ter- energia e sua utilização no Brasil permi- O petróleo é um recurso básico para restres, sendo que a maior parte está lo- tem afirmar: a moderna sociedade industrial. Assi- calizada na bacia sedimentar amazôni- nale o que for correto sobre as caracte- ca. a) As mais modernas fontes de ener- rísticas desse recurso natural. d) O petróleo é a matéria-prima bá- gia, utilizadas amplamente no Brasil, são sica para inúmeros tipos de indústrias a maremotriz e a solar. a) Os inúmeros derivados do petró- químicas, como de plásticos, de asfalto b) O carvão vegetal produzido na re- leo produzidos pela indústria petroquí- e de borracha sintética. gião Nordeste possui alto teor de com- mica são biodegradáveis, ou seja, não tra- e) As maiores reservas mundiais de bustão e é utilizado nas indústrias side- zem problemas para o ambiente. petróleo conhecidas na atualidade lo- rúrgicas da região. b) Como se trata de uma riqueza na- calizam-se na América Central, particu- c) O petróleo foi elemento básico na tural renovável, o petróleo jamais se es- larmente, em Cuba. produção de energia no Brasil, todavia gotará. foi plenamente substituído pelo álcool. c) No Brasil, a extração do petróleo 02 Os conhecimentos sobre fontes de CONTINUA...
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    vestibular Jornal de Fato Sábado, 10 de outubro de 2009 11 d) A utilização de lenha como fon- 05 e) As entidades ambientalistas in- te de energia foi totalmente substituí- Um problema ainda não resolvido ternacionais argumentam que as termoe- da pelo gás vindo da Bolívia. da geração nuclear de eletricidade é a létricas, que utilizam carvão vegetal, cau- e) No Brasil, mais de 85% da ener- destinação dos rejeitos radiativos, o cha- sam menos impactos ambientais à Flo- gia elétrica consumida são geradas nas mado "lixo atômico". Os rejeitos mais resta Amazônica do que as hidroelétri- usinas hidrelétricas. ativos ficam por um período em pisci- cas. nas de aço inoxidável nas próprias usi- 03 nas antes de ser, como os demais rejei- 07 Algumas fontes de energia, com o tos, acondicionados em tambores que O Brasil apresenta elevado potencial petróleo e o carvão mineral são consi- são dispostos em áreas cercadas ou en- hidrelétrico determinado pela interação deradas não renováveis. Isso preocu- cerrados em depósitos subterrâneos se- entre regime pluvial e relevo. Sobre as pa, e tem levado alguns países a adota- cos, como antigas minas de sal. A com- usinas hidrelétricas instaladas no terri- rem medidas no sentido de: plexidade do problema do lixo atômi- tório brasileiro, pode-se afirmar que co, comparativamente a outros lixos a) parar de usar essas fontes, prote- com substâncias tóxicas, se deve ao fa- I. localizam-se em áreas com gran- lando assim seu esgotamento. to de de volume de águas f luviais, inf luen- b) investir mais em fontes de ener- ciado pelo clima e com predomínio de gia renováveis, visando a diminuir a de- a) emitir radiações nocivas, por mi- relevo do tipo planalto. pendência em relação aos recursos não lhares de anos, em um processo que II. concentram-se em função da de- renováveis. não tem como ser interrompido artifi- manda urbano-industrial, da viabilida- c) proibir o consumo desse tipo de cialmente. de econômica e das políticas públicas energia como combustível, reservado o b) acumular-se em quantidades bem que definem o modelo energético. seu uso apenas como matéria prima. maiores do que o lixo industrial conven- III. ocasionam impactos que provo- d) limitar a comercialização desses cional, faltando assim locais para reu- cam a perda de solos agricultáveis e a recursos, encarecendo o preço dos pro- nir tanto material. remoção das populações ribeirinhas. dutos deles derivados. c) ser constituído de materiais or- e) substituí-las totalmente por ou- gânicos que podem contaminar mui- Está correto o que se afirma em: tras fontes de energia. tas espécies vivas, incluindo os próprios seres humanos. a) I, apenas. 04 d) exalar continuamente gases ve- b) I e II, apenas. Atualmente, um dos objetivos da Pe- nenosos, que tornariam o ar irrespirá- c) I e III, apenas. trobrás é aumentar, até 2010, a partici- vel por milhares de anos. d) II e III, apenas. pação do gás natural dos atuais 7,5% e) emitir radiações e gases que po- e) I, II e III. para 12%. dem destruir a camada de ozônio e agra- Sobre esse combustível, é correto var o efeito estufa. 08 afirmar que As crises de petróleo dos anos 70 le- 06 varam o Brasil a ampliar sua produção a) a descoberta de reservas no Re- Assinale a alternativa que aponta, interna e a estimular a busca de fontes côncavo Baiano deve tornar o país au- corretamente, uma dificuldade para o alternativas de energia, como o álcool, to-suficiente e beneficiar os setores au- aproveitamento dos rios da Bacia Ama- na tentativa de substituir parcialmente tomotivo e residencial, principais con- zônica, no que se refere à geração de ener- o consumo do petróleo. sumidores de gás. gia elétrica. NÃO é conseqüência e/ou ref lexo b) novos acordos com a Venezuela ambiental do uso do álcool como fon- e com o Equador devem ampliar a ofer- a) A baixa declividade ao longo de te alternativa: ta de gás natural e propiciar a instala- seus cursos, que, ao serem represados, ção de novas usinas termelétricas. causam grande impacto com o alaga- a) O álcool substitui a gasolina, mas c) a instabilidade política do nos- mento de grandes áreas florestadas. não o óleo diesel, que é a base do trans- so maior fornecedor preocupa princi- b) A navegação, uma das principais porte de carga e dos equipamentos agrí- palmente o setor industrial que con- formas de deslocamento na região ama- colas no País. some cerca de metade do gás ofereci- zônica, é limitada em represas utiliza- b) A substituição de lavouras de pro- do. das para geração de energia elétrica. dução de alimentos pela monocultura d) a Bolívia, nossa principal forne- c) A economia da região amazôni- canavieira favoreceu a concentração da cedora de gás natural, tem subsidiado ca, baseada no extrativismo mineral, propriedade da terra. a construção de novos gasodutos com vegetal, na pecuária extensiva e ainda a c) A utilização de queimadas nos o objetivo de aumentar o consumo bra- ausência de indústrias, não gera gran- canaviais facilita o corte, mas favorece sileiro do combustível. de consumo de energia elétrica. a mineralização do solo, afetando a pro- e) as usinas térmicas brasileiras, d) O clima Equatorial, predominan- dutividade. abastecidas com o gás boliviano, tra- te na região amazônica, apresenta uma d) As empresas usineiras, por inte- balham com capacidade máxima e con- estação seca no inverno, que reduz a resse de proteção ambiental, impedem, somem pouco mais da metade do com- vazão dos rios e inviabiliza a produção como padrão de comportamento, que bustível importado. de energia elétrica. o vinhoto se torne agente de poluição.
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