Enquanto decorria a colonização dos arquipélagos atlânticos, o Infante D. Henrique
prosseguiu com as viagens de exploração da costa ocidental africana, procurando
alcançar o acesso direto ao ouro africano e acabar com o comércio intermediário
dos muçulmanos.
Infante D. Henrique - Vitral no edifício do Turismo, junto à Mata
dos Sete Montes, Tomar.
O Infante D. Henrique
A costa ocidental africana já era conhecida até ao Cabo Bojador…
… para sul, ficava o
“mar tenebroso”, o
“fim do mundo”.
Mar Português
Ó mar salgado, quanto do teu
sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas
mães choraram,
Quantos filhos em vão
rezaram!
Quantas noivas ficaram por
casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar para além
do Bojador
Foi com uma barca que Gil Eanes dobrou o
Bojador (1434). Era uma embarcação
robusta, capaz de aguentar embates em
rochas e passar por águas pouco
profundas, mas era lenta e pouco
manobrável. Usava a chamada vela
redonda, um pano que, embora em
formato quase quadrado, com a ação do
vento inchava, ganhando uma forma
arredondada.
Nunca ultrapassado, o Cabo Bojador era
o grande obstáculo para a descoberta do
litoral africano. Navegando junto à costa,
era difícil vencer os baixios e as correntes
traiçoeiras.
A passagem do Cabo Bojador (1434)
veio demonstrar que era possível
continuar a navegar ao longo da costa
africana.
Cabo sim, Cabo não
Para lá do cabo não, limite da criação,
Fica o mar das trevas, onde não foi mouro nem cristão.
Vou rumar ao turbilhão de brumas e macaréus,
Passá-lo é minha missão, já me encomendei aos céus.
Para lá do cabo não… vou e voltarei ou não.
A sul passei muitas léguas com o deserto a par,
Anotei ventos e águas, na carta de marear.
Até que surgiu outro cabo, bramindo como um trovão.
De treva cem vezes pior, que a treva do cabo não.
Para lá do Bojador… vou e voltarei ou não.
Era um mar caldo de enxofre, que rugia furibundo.
Tragando barcas e homens, até ao limbo do mundo.
Estava guardado para mim, ir buscar toda a coragem .
Conter a bordo o motim e pôr de pé a marinhagem.
Para lá do Bojador… vou e voltarei ou não.
Passei a ponta medonha e o mar era só água e sal.
Mas na costa mais areia e de vivalma nem sinal.
Cabotamos mais abaixo, ao correr da areia e do tempo.
Rumo à estrela do sul, para lá do Cabo Branco.
Para lá do Cabo Branco… vou e voltarei ou não.
Um dia já tão cansado de cabo não, cabo sim .
Vi um belo Cabo Verde que ao deserto punha fim.
Com gente da cor mais negra sem temor nenhum a Deus,
E vi rios de água doce e o verde ia até aos céus.
Para lá do Cabo Verde… vou e voltarei ou não .
Carlos Tê / Rui Veloso
As viagens prosseguiram… e desde a conquista de Ceuta que o Infante D. Henrique
assumira a direção da expansão ultramarina. Até à sua morte (1460) chegou-se a
expansão ao longo da costa africana avançou até à Serra Leoa.
A partir de 1469, as viagens marítimas
ficaram a cargo de um particular, Fernão
Gomes, que arrendou o comércio à coroa.
Além do pagamento da renda, ficava
obrigado a descobrir cem léguas de costa
por ano. Quando o contrato terminou
(1474), a costa ocidental era conhecida
até ao Cabo de Sta Catarina, mais as ilhas
de S. Tomé e Príncipe e Fernando Pó.
Após a morte do Infante D. Afonso V, decidiu dar um novo rumo à expansão:
conquistar cidades no Norte de África: Alcácer Ceguer, Arzila e Tânger.
D. Afonso V
Retrato de Dom Afonso V
Cópia de uma iluminura de Dário de Jörg von Bringen
(Biblioteca de Landes, Estugarda, Alemanha)
Museu Nacional de Arte Antiga
Em 1475, o príncipe D. João, filho de D. Afonso V, assume a direção da expansão e,
quando sobe ao trono define como objetivos:
D. João II
Fortalecer o domínio português no Atlântico;
Fazer a exploração da costa africana;
Procurar a passagem do Atlântico para o
Índico, com vista a atingir a Índia.
Durante o seu reinado, Bartolomeu Dias passa
o Cabo das Tormentas, mas a viagem marítima
até à Índia, concretizar-se-á no reinado de D.
Manuel I.
As imagens incluídas neste trabalho foram obtidas na Internet, através de pesquisa
no Google.

Descoberta e exploração da costa ocidental africana

  • 2.
    Enquanto decorria acolonização dos arquipélagos atlânticos, o Infante D. Henrique prosseguiu com as viagens de exploração da costa ocidental africana, procurando alcançar o acesso direto ao ouro africano e acabar com o comércio intermediário dos muçulmanos. Infante D. Henrique - Vitral no edifício do Turismo, junto à Mata dos Sete Montes, Tomar. O Infante D. Henrique
  • 3.
    A costa ocidentalafricana já era conhecida até ao Cabo Bojador… … para sul, ficava o “mar tenebroso”, o “fim do mundo”.
  • 6.
    Mar Português Ó marsalgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar para além do Bojador
  • 7.
    Foi com umabarca que Gil Eanes dobrou o Bojador (1434). Era uma embarcação robusta, capaz de aguentar embates em rochas e passar por águas pouco profundas, mas era lenta e pouco manobrável. Usava a chamada vela redonda, um pano que, embora em formato quase quadrado, com a ação do vento inchava, ganhando uma forma arredondada. Nunca ultrapassado, o Cabo Bojador era o grande obstáculo para a descoberta do litoral africano. Navegando junto à costa, era difícil vencer os baixios e as correntes traiçoeiras. A passagem do Cabo Bojador (1434) veio demonstrar que era possível continuar a navegar ao longo da costa africana.
  • 8.
    Cabo sim, Cabonão Para lá do cabo não, limite da criação, Fica o mar das trevas, onde não foi mouro nem cristão. Vou rumar ao turbilhão de brumas e macaréus, Passá-lo é minha missão, já me encomendei aos céus. Para lá do cabo não… vou e voltarei ou não. A sul passei muitas léguas com o deserto a par, Anotei ventos e águas, na carta de marear. Até que surgiu outro cabo, bramindo como um trovão. De treva cem vezes pior, que a treva do cabo não. Para lá do Bojador… vou e voltarei ou não. Era um mar caldo de enxofre, que rugia furibundo. Tragando barcas e homens, até ao limbo do mundo. Estava guardado para mim, ir buscar toda a coragem . Conter a bordo o motim e pôr de pé a marinhagem. Para lá do Bojador… vou e voltarei ou não. Passei a ponta medonha e o mar era só água e sal. Mas na costa mais areia e de vivalma nem sinal. Cabotamos mais abaixo, ao correr da areia e do tempo. Rumo à estrela do sul, para lá do Cabo Branco. Para lá do Cabo Branco… vou e voltarei ou não. Um dia já tão cansado de cabo não, cabo sim . Vi um belo Cabo Verde que ao deserto punha fim. Com gente da cor mais negra sem temor nenhum a Deus, E vi rios de água doce e o verde ia até aos céus. Para lá do Cabo Verde… vou e voltarei ou não . Carlos Tê / Rui Veloso
  • 9.
    As viagens prosseguiram…e desde a conquista de Ceuta que o Infante D. Henrique assumira a direção da expansão ultramarina. Até à sua morte (1460) chegou-se a expansão ao longo da costa africana avançou até à Serra Leoa.
  • 10.
    A partir de1469, as viagens marítimas ficaram a cargo de um particular, Fernão Gomes, que arrendou o comércio à coroa. Além do pagamento da renda, ficava obrigado a descobrir cem léguas de costa por ano. Quando o contrato terminou (1474), a costa ocidental era conhecida até ao Cabo de Sta Catarina, mais as ilhas de S. Tomé e Príncipe e Fernando Pó. Após a morte do Infante D. Afonso V, decidiu dar um novo rumo à expansão: conquistar cidades no Norte de África: Alcácer Ceguer, Arzila e Tânger. D. Afonso V Retrato de Dom Afonso V Cópia de uma iluminura de Dário de Jörg von Bringen (Biblioteca de Landes, Estugarda, Alemanha) Museu Nacional de Arte Antiga
  • 11.
    Em 1475, opríncipe D. João, filho de D. Afonso V, assume a direção da expansão e, quando sobe ao trono define como objetivos: D. João II Fortalecer o domínio português no Atlântico; Fazer a exploração da costa africana; Procurar a passagem do Atlântico para o Índico, com vista a atingir a Índia. Durante o seu reinado, Bartolomeu Dias passa o Cabo das Tormentas, mas a viagem marítima até à Índia, concretizar-se-á no reinado de D. Manuel I.
  • 12.
    As imagens incluídasneste trabalho foram obtidas na Internet, através de pesquisa no Google.