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O Comércio à
Escala
Mundial
Percurso da viagem de circum-navegação iniciada por Fernão de
Magalhães e concluída por Sebastião Elcano
Planisfério de Baptista Aguesa (c. 1543)
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As rotas comerciais na Idade Média
Até ao início do séc. XVI, as cidades italianas (Génova e Veneza) foram importantes centros de
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“Os portugueses criaram uma economia à escala do globo.”
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As viagens marítimas dos portugueses e espanhóis permitiram a descoberta de novos territórios e
puseram em contacto povos que até então se desconheciam. Desses contactos resultou a abertura de
importantes rotas do comércio intercontinental.
As rotas do comércio intercontinental
As novas rotas do comércio intercontinental
Rotas atlânticas: Faziam a ligação entre Lisboa, África e Brasil; entre Cádis (Sevilha) e os territórios
espanhóis da América Central e do Sul;
Rota do Cabo: punha a Europa em contacto com o Oriente através da ligação Lisboa – Goa
(contornando o continente africano);
Rotas do Extremo Oriente: Ligavam
Goa a várias ilhas do sudeste asiático, à
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Rota de Manila: estabelecia a ligação entre Manila
(Filipinas) e Acapulco (México) através do Oceano
Pacífico;
http://ireneses.files.wordpress.com/2012/05/16th_century_portuguese_spanish_trade_routes.png
”Entre as especiarias, a pimenta desempenhou sempre
um papel preponderante porque, ao invés das outras,
dá lugar a um comércio de massas... a pimenta, só por
si, excede em quantidade todas as outras especiarias
consideradas conjuntamente.”
Vitorino Magalhães Godinho, Os descobrimentos
e a Economia Mundial, Lisboa, 1983
Gravura dos finais do séc. XVI representando alguns dos novos
produtos que os portugueses encontraram no Oriente: ananás,
caju e manga.
Principais produtos do comércio intercontinental
(séc. XVI)
As novas rotas proporcionaram a circulação de
produtos e permitiram um intercâmbio de
plantas e culturas agrícolas entre os continentes.
A viagem das plantas
In Atlas de Botanica, Antonio Xavier Pereira Coutinho, Companhia Nacional Editora, 1808
PLANTAS ORIGINÁRIAS DO CONTINENTE AMERICANO: MILHO/ANANÁS/FEIJÃO
PLANTAS ORIGINÁRIAS DO CONTINENTE AMERICANO: BATATA / TABACO
In COMPÊNDIO DE BOTÂNICA PARA O 2º CICLO LICEAL, SEOMARA DA COSTA PRIMO, PÁGS. 97 e 179
In Atlas de Botanica, Antonio Xavier Pereira Coutinho,
Companhia Nacional Editora, 1808
PLANTAS ORIGINÁRIAS DO CONTINENTE ASIÁTICO
 Coqueiro
 Cana de açúcar
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 Arroz
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”Esperavam-se as notícias de Portugal sobre a
chegada das suas caravelas, e aguardava-se
uma tal notícia com medo e apreensão [...].
Na feira alemã de Veneza, há muito poucos
negócios. E isto porque os Alemães não
querem comprar a altos preços correntes [...]
dado a pequena quantidade de especiarias
que se encontram em Veneza. [...] E, na
verdade, havia muito menos trocas do que se
poderia ter previsto. E isto provinha do facto
de os alemães não comprarem de imediato o
que necessitavam; porque não sabiam que
especiarias seriam trazidas pelas caravelas
portuguesas.”
Diário de um mercador veneziano, 1508, em
Les Mémoires de l´Europe, Paris, 1972
As rotas do comércio com
Antuérpia
Com a abertura das novas rotas comerciais, Lisboa e Sevilha tornaram-se importantes centros
económicos: Lisboa recebia o ouro africano, as especiarias orientais e o açúcar da Madeira e S. Tomé;
Sevilha recebia a prata e o ouro da América.
Antuérpia (Flandres) era o centro distribuidor desses
produtos para a Europa e era onde os países ibéricos se
abasteciam dos produtos que consumiam ou
transportavam para o Oriente e para a América
Para organizar o comércio colonial foram criados dois organismos :
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Organização do comércio intercontinental
O COMÉRCIO À ESCALA MUNDIAL
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Mundialização da economia
Novas rotas do comércio intercontinental
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Rotas Atlânticas
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Rota do Cabo Rota de Manila
nomeadamente:
através das quais circulavam
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deram início à
Lisboa Sevilha Antuérpia
Política de transporte Redistribuição dos produtos
originando
para
como
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A
Rota do Extremo Oriente
- Especiarias
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- Porcelanas
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- Batata, Tomate
- Milho maís
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praticavam uma onde era feita a
abriu
Os hábitos alimentares europeus alteraram-se com a generalização do uso de especiarias, açúcar,
com a introdução do feijão, do tomate e de outros alimentos.
O consumo de tabaco, do café e do chá passaram a fazer parte dos hábitos europeus.
Nova moda: Os tecidos (algodão e seda) transformaram o modo de vestir dos mais ricos que
também tinham acesso a objetos de luxo: porcelanas, móveis, perfumes, etc.
Os europeus, particularmente os portugueses, tinham muitos escravos que desempenhavam
trabalhos muito diversificados.
Repercussões da circulação de produtos no quotidiano europeu
A entrada de metais preciosos provocou um aumento da cunhagem e da circulação da moeda,
bem como uma acentuada subida de preços.
Alterações no quotidiano:
Não me temo de Castela
donde inda guerra não soa;
mas temo-me de Lisboa,
que, ao cheiro desta canela,
o Reino nos despovoa.
Sá de Miranda
A população começa a sentir-se atraída pelo Oriente e ambiciona lá viver;
A expansão Ibérica possibilitou o intercâmbio de culturas e a miscigenação. O contato
entre europeus, africanos, ameríndios e orientais permitiu uma troca de
conhecimentos, hábitos, costumes, língua, religiões... Todos estes povos beneficiaram
do processo de aculturação.
A MULTICULTURALIDADE NOS SÉCULOS XV E XVI
Durante a formação dos Impérios
Peninsulares verificaram-se
intercâmbios e interinfluências entre
dominadores e dominados. Tratou-se
de um período de um forte encontro
de culturas.
A evangelização de populações indígenas em África
Entre Portugueses e Africanos
desenvolveram-se interinfluências
culturais. No domínio religioso,
fizeram-se muitas conversões de
populações indígenas ao Cristianismo.
Também desenvolveram a transmissão
da língua portuguesa para essas
populações.
No que diz respeito ao Oriente, onde existiam civilizações mais desenvolvidas, os Portugueses
receberam mais influências culturais, nos domínios da literatura, das ciências, das artes decorativas
e até dos hábitos alimentares.
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civilização japonesa, Lisboa, 1970
Os Portugueses tentaram a evangelizar populações asiáticas sobretudo através de missionários
jesuítas. Para além disso, desenvolveram uma política de promoção de casamentos entre
Portugueses e Indianas. Daí, poder-se afirmar que houve uma miscigenação de culturas.
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(pormenor de biombo japonês do
século XVI)
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A aculturação: Processo através do qual um grupo contacta com uma cultura diferente e começa
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O intercâmbio: Troca de experiências, valores, objetos e costumes entre diferentes culturas.
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O comercio à escala mundial

  • 2. Percurso da viagem de circum-navegação iniciada por Fernão de Magalhães e concluída por Sebastião Elcano Planisfério de Baptista Aguesa (c. 1543) Fernão de Magalhães Sebastião Elcano
  • 3. As rotas comerciais na Idade Média Até ao início do séc. XVI, as cidades italianas (Génova e Veneza) foram importantes centros de comércio. Eram elas que abasteciam a Europa de especiarias e mercadorias orientais que os muçulmanos iam buscar à Índia pela Rota do Levante.
  • 4. Grandes viagens dos descobrimentos nos sécs. XV e XVI
  • 5. “Os portugueses criaram uma economia à escala do globo.” Jacques le Goff As viagens marítimas dos portugueses e espanhóis permitiram a descoberta de novos territórios e puseram em contacto povos que até então se desconheciam. Desses contactos resultou a abertura de importantes rotas do comércio intercontinental. As rotas do comércio intercontinental
  • 6. As novas rotas do comércio intercontinental Rotas atlânticas: Faziam a ligação entre Lisboa, África e Brasil; entre Cádis (Sevilha) e os territórios espanhóis da América Central e do Sul; Rota do Cabo: punha a Europa em contacto com o Oriente através da ligação Lisboa – Goa (contornando o continente africano); Rotas do Extremo Oriente: Ligavam Goa a várias ilhas do sudeste asiático, à China e ao Japão; Rota de Manila: estabelecia a ligação entre Manila (Filipinas) e Acapulco (México) através do Oceano Pacífico; http://ireneses.files.wordpress.com/2012/05/16th_century_portuguese_spanish_trade_routes.png
  • 7. ”Entre as especiarias, a pimenta desempenhou sempre um papel preponderante porque, ao invés das outras, dá lugar a um comércio de massas... a pimenta, só por si, excede em quantidade todas as outras especiarias consideradas conjuntamente.” Vitorino Magalhães Godinho, Os descobrimentos e a Economia Mundial, Lisboa, 1983 Gravura dos finais do séc. XVI representando alguns dos novos produtos que os portugueses encontraram no Oriente: ananás, caju e manga. Principais produtos do comércio intercontinental (séc. XVI) As novas rotas proporcionaram a circulação de produtos e permitiram um intercâmbio de plantas e culturas agrícolas entre os continentes.
  • 8. A viagem das plantas
  • 9. In Atlas de Botanica, Antonio Xavier Pereira Coutinho, Companhia Nacional Editora, 1808 PLANTAS ORIGINÁRIAS DO CONTINENTE AMERICANO: MILHO/ANANÁS/FEIJÃO
  • 10. PLANTAS ORIGINÁRIAS DO CONTINENTE AMERICANO: BATATA / TABACO In COMPÊNDIO DE BOTÂNICA PARA O 2º CICLO LICEAL, SEOMARA DA COSTA PRIMO, PÁGS. 97 e 179
  • 11. In Atlas de Botanica, Antonio Xavier Pereira Coutinho, Companhia Nacional Editora, 1808 PLANTAS ORIGINÁRIAS DO CONTINENTE ASIÁTICO  Coqueiro  Cana de açúcar  Especiarias  Chá  Arroz  Algodão  Café
  • 12. ”Esperavam-se as notícias de Portugal sobre a chegada das suas caravelas, e aguardava-se uma tal notícia com medo e apreensão [...]. Na feira alemã de Veneza, há muito poucos negócios. E isto porque os Alemães não querem comprar a altos preços correntes [...] dado a pequena quantidade de especiarias que se encontram em Veneza. [...] E, na verdade, havia muito menos trocas do que se poderia ter previsto. E isto provinha do facto de os alemães não comprarem de imediato o que necessitavam; porque não sabiam que especiarias seriam trazidas pelas caravelas portuguesas.” Diário de um mercador veneziano, 1508, em Les Mémoires de l´Europe, Paris, 1972 As rotas do comércio com Antuérpia Com a abertura das novas rotas comerciais, Lisboa e Sevilha tornaram-se importantes centros económicos: Lisboa recebia o ouro africano, as especiarias orientais e o açúcar da Madeira e S. Tomé; Sevilha recebia a prata e o ouro da América. Antuérpia (Flandres) era o centro distribuidor desses produtos para a Europa e era onde os países ibéricos se abasteciam dos produtos que consumiam ou transportavam para o Oriente e para a América
  • 13. Para organizar o comércio colonial foram criados dois organismos : Casa da Índia Casa de Contratación de Índias Lisboa Sevilha Organização do comércio intercontinental
  • 14. O COMÉRCIO À ESCALA MUNDIAL Expansão ibérica Mundialização da economia Novas rotas do comércio intercontinental América Rotas Atlânticas Importantes centros económicos Produtos Rota do Cabo Rota de Manila nomeadamente: através das quais circulavam África Ásia deram início à Lisboa Sevilha Antuérpia Política de transporte Redistribuição dos produtos originando para como - Ouro - Escravos - Marfim -Malagueta A Rota do Extremo Oriente - Especiarias - Tecidos de luxo - Porcelanas - Pedras preciosas - Perfumes - Metais preciosos - Batata, Tomate - Milho maís - Frutos tropicais -Tabaco praticavam uma onde era feita a abriu
  • 15. Os hábitos alimentares europeus alteraram-se com a generalização do uso de especiarias, açúcar, com a introdução do feijão, do tomate e de outros alimentos. O consumo de tabaco, do café e do chá passaram a fazer parte dos hábitos europeus. Nova moda: Os tecidos (algodão e seda) transformaram o modo de vestir dos mais ricos que também tinham acesso a objetos de luxo: porcelanas, móveis, perfumes, etc. Os europeus, particularmente os portugueses, tinham muitos escravos que desempenhavam trabalhos muito diversificados. Repercussões da circulação de produtos no quotidiano europeu A entrada de metais preciosos provocou um aumento da cunhagem e da circulação da moeda, bem como uma acentuada subida de preços. Alterações no quotidiano:
  • 16.
  • 17. Não me temo de Castela donde inda guerra não soa; mas temo-me de Lisboa, que, ao cheiro desta canela, o Reino nos despovoa. Sá de Miranda A população começa a sentir-se atraída pelo Oriente e ambiciona lá viver; A expansão Ibérica possibilitou o intercâmbio de culturas e a miscigenação. O contato entre europeus, africanos, ameríndios e orientais permitiu uma troca de conhecimentos, hábitos, costumes, língua, religiões... Todos estes povos beneficiaram do processo de aculturação.
  • 18. A MULTICULTURALIDADE NOS SÉCULOS XV E XVI Durante a formação dos Impérios Peninsulares verificaram-se intercâmbios e interinfluências entre dominadores e dominados. Tratou-se de um período de um forte encontro de culturas. A evangelização de populações indígenas em África Entre Portugueses e Africanos desenvolveram-se interinfluências culturais. No domínio religioso, fizeram-se muitas conversões de populações indígenas ao Cristianismo. Também desenvolveram a transmissão da língua portuguesa para essas populações.
  • 19. No que diz respeito ao Oriente, onde existiam civilizações mais desenvolvidas, os Portugueses receberam mais influências culturais, nos domínios da literatura, das ciências, das artes decorativas e até dos hábitos alimentares. A. Martins Janeira, O impacto português sobre a civilização japonesa, Lisboa, 1970
  • 20. Os Portugueses tentaram a evangelizar populações asiáticas sobretudo através de missionários jesuítas. Para além disso, desenvolveram uma política de promoção de casamentos entre Portugueses e Indianas. Daí, poder-se afirmar que houve uma miscigenação de culturas. Missionários jesuítas no Japão (pormenor de biombo japonês do século XVI) Jovens indianas conversando com fidalgo português (desenho colorido do século XVI)
  • 21. A aculturação: Processo através do qual um grupo contacta com uma cultura diferente e começa a adquirir os hábitos e costumes dos outros. A assimilação: Apropriação de costumes e hábitos de outros. O intercâmbio: Troca de experiências, valores, objetos e costumes entre diferentes culturas. A expansão ultramarina tornou possível: Com a expansão ultramarina o comercio passou a realizar-se à escala mundial e tornou possível a construção de sociedades multiculturais. A miscigenação: Mistura de raças e culturas.