Depressão Na Mulher
Depressão
• Uma síndrome clínica, com repercussões
  sérias no funcionamento social e relacional
  dos pacientes.
• Apresenta uma série de alterações do
  funcionamento do organismo.
• É a segunda doença a causar maior impacto
  e prejuízo na sociedade em nível mundial.
Depressão
• Linguagem comum = estado afetivo normal,
  sintoma, síndrome ou doenças.
• Sintoma de várias quadros clínicos médicos ou
  psiquiátricos.
• Síndrome: inclui aspectos não somente das
  alterações do humor como cognitivas,
  neurovegetativas e psicomotoras.
• Doença: classificada de várias formas desde a
  antiguidade.
DIAGNÓSTICO
• Alterações do Sono.         • Humor depressivo
• Apetite                     • Redução da
• Interesse sexual.             capacidade de
                                experimentar prazer.
•   Retraimento social        • Fadiga.
•   Crises de choro           • Diminuição da
•   Comportamentos suicidas     capacidade de pensar,
•   Retardo ou agitação         tomar decisões,
    psicomotora.                concentrar-se.
DIAGNÓSTICO
• Depressões com características
  melancólicas.
• Psicóticas.
• Catatônicas.
• Crônicas (distimia).
• Atípica.
• Sazonal.
DIAGNÓSTICO
• Limites
• Tristeza e alegria
• Transtornos de Personalidade

• Conceito de Psicopatologia
Depressão
• Pode ter várias       • Pode ter várias formas:
  evoluções:               – Maior, recorrente,
• cronicidade, breve,        bipolar, psicótica,
                             puerperal, distimia.
  episódica
                        • Vários graus de
                          gravidade:
                           – Leve, moderada,
                             severa, suicídio.
Depressão
• Cada quadro vai determinar a conduta:
  – Tipos de tratamento;
     • Medicações (antidepressivos, estabilizadores do
       humor, antipsicóticos, ansiolíticos).
     • Psicoterapia (cognitiva-comportamental,
       interpessoal, psicodinâmica, aconselhamento, breves
       ou longas). Individuais, grupais, casal ou familiar.
  – Tempo de tratamento;
     • Fase aguda, continuação ou profilaxia
       (manutenção).
Depressão é uma doença grave
     diferente de tristeza
Critérios Diagnósticos
  Critérios B                          Critérios C
• Durar pelo menos 2            • Perda de confiança ou
  semanas                         auto-estima;
• Humor deprimido presente      • Sentimentos irracionais de
  a maior parte do dia, quase     reprovação ou culpa
                                  excessiva;
  todos os dias,
                                • Pensamentos recorrentes
• Perda de interesse ou           de morte ou suicídio;
  prazer                        • Diminuição da capacidade
• Energia diminuída ou            de pensar ou concentrar-
  fatigabilidade                  se, indecisão ou vacilação;
                                • Alteração psicomotora;
                                • Alt. Do sono;
                                • Alt. Apetite.
Gravidade

• Leve:                           • Recorrente:
   – 2 crit. B + 4 crit. C.         – Pelo menos 2 episódios
• Moderada:                           depressivos, sem
   – 2 crit. B + 6 crit. C.           episódio de euforia.
• Grave:                          • Crônico:
   – 3 crit. B + 8 crit. C.
                                    – Sintomas persistem na
• Psicótica:                          mesma intensidade por
   – = Grave +.
                                      mais de 2 anos.
   – Delírios e/ou alucinações;
   – Estupor depressivo.
Depressão e Sexo
• Mulher tem 2 vezes mais chances de ter
  depressão1-5
• Diferença se mantém na vida reprodutiva,
  desaparecendo na menopausa.4


                                 1. Weissman e Klerman 1977
                                 2. Kessler et al. 1994
                                 3. Ernst & Angst, 1992
                                 4. Wolk e Weissman, 1995
                                 5. Regier et al. 1984
Prevalências
• Nos últimos 30 dias: 1,6% homens; 2,9%
  mulheres. (ECA, 1993)
• Ao longo da vida: 12,7% e 21,3% (NCS,
  1994).
• Os fatores ambientais parecem estar mais
  relacionado a esta diferença que os
  biológicos. (Paykel, 1991)
Fatores de Risco
• Entre as mulheres, associações entre transt.
  Mentais e emprego, estado civil e paridade
  são altamente complexas e variam de
  acordo com a transformação específica dos
  papeis sociais ocupados. (Weich, 1997)
Fatores de Risco
• Emprego depende do contexto, que mudou com a
  entrada da mulher no mercado de trabalho.

• Mulheres casadas com filhos pequenos e com
  jornada integral de trabalho maior risco ao
  desenvolvimento transt. Mentais do que casadas
  desempregadas, ou casadas empregadas sem
  filhos. (Rosenfield, 1989; Arber, 1991)
Ciclo Reprodutivo da Mulher
• Tem sido relacionado há vários séculos com
  alterações do comportamento. (Conklin,
  1989, Ussher, 1992)
• Hipocrátes: relacionava a “retenção do
  fluxo menstrual”, o surgimento de delírios,
  alucinações e ideação suicida. Descrição
  das “Doenças das Virgens” Gold, 1994)
Ciclo Reprodutivo da Mulher
• Período Perimenopausa também era visto
  como de risco, “onde as mulheres poderiam
  ver o mundo em chamas, de cabeça para
  baixo”, devido a congestão cerebral e
  retenção de material venoso (Merson, 1876;
  Farham, 1897; Schmidt & Rubinow, 1991)
Ciclo Reprodutivo da Mulher
• No século passado surgem propostas
  nosológicas:
• Melancolia Climatérica por Maudsley há
  mais de um século.
• E a “indescritível tensão pré-
  menstrual”(Robert Frank, 1931)
Ciclo Reprodutivo da Mulher
• Estes construtos seriam em parte produto da
  cultura.
• Valores que colocam a chegada da
  menstruação trazendo problemas.
• Proibição da mulher menstruada de
  contacto com alimentos, ou considerada
  como Nidá (impura) em certas religiões
  judaico-cristãs. (Soares, 1993)
Ciclo Reprodutivo da Mulher
• Nas últimas décadas as fases reprodutivas
  passam a ser vistas como fatores “geradores
  de estresse” ou de maior vulnerabilidade
  para certos transtornos mentais.
• Quadros puerperais.
• Pré-menstruais.
• Climatério.
Hormônios Femininos e Depressão
• Diferença sugere um papel do eixo
  hipotálamo-hipofisário-gonadal na
  patofisiologia da depressão na mulher.




                                           1. Young, 2000
• Os níveis de estradiol plasmático durante a
  fase folicular estão reduzidos de forma
  moderada porém estatisticamente
  significativa nas mulheres com depressão. 1.

• Níveis de LH estão aumentados1.




                                         1. Young, 2000
Esta alteração hormonal pode
afetar uma série de sistemas
cerebrais influenciados pelo
         estradiol
Múltiplos efeitos do Estradiol no SNC
• Modulação da barreira        • Regulação dos canais de
  hemato-encefálica.             eletrólitos das membranas.
• Aumento seletivo do fluxo    • Diminuição do limiar
  sangüíneo cerebral.            convulsivo e aumento da
• Aumento do suporte de          excitabilidade.
  glicose e oxigênio aos
  neurônios.                   • Estimulação do
• Modulação do sinal de          crescimento dendrítico e
  transdução intraneuronal.      da sinaptogênese.
• Conectividade e circuitos.   • Impacto na expressão
• homeostase.                    gênica.
                               • Neuroproteção.
Funções neuropsicológicas do
          estradiol
        • Regulação do:

          – Humor,
          – Comportamento e
          – Cognição.
• Embora tenha ação de aumento da função
  cognitiva1,2 , a ação antidepressiva ainda não
  está definida.

• Parece ter uma ação adjuntiva e
  potencializadora dos antidepressivos.


                                1. Halbreich, 1997
                                2. Sherwin, 1997
• Contudo, não há uma relação entre déficit
  de estradiol e depressão, ao contrário.
• Na menopausa a depressão é menos
     freqüente.
   • Não existe aumento durante a
     gravidez.
   • Baixo estradiol não está relacionado a
     disforia sintomas associados.

– A principal característica da idade fértil é a
  ciclicidade.
• O aumento cíclico e a queda abrupta dos
  hormônios femininos durante a vida fértil,
  está potencializado na gestação e no
  conseqüente puerpério.



• O puerpério assim como o período pré-
  menstrual luteal tardio, são períodos com
  freqüentes estados disfóricos.
• Ciclicidade pode levar a um fator de
  desestabilização do SNC.

• Esta desestabilização da ciclicidade pode
  contrabalançar a maior parte dos efeitos
  protetores e homeostáticos do estradiol.
• Um pequeno número de mulheres
  desenvolve sintomas disfóricos.

• Um número menor desenvolve depressões
  relacionadas aos hormônios.
• Estas parecem ser um subgrupo de mulheres
  vulneráveis a ação hormonal.

• Parece existir uma vulnerabilidade genética.
• Vulnerabilidade genética e dinâmica e
  parece estar relacionada a fatores
  ambientais, processos psicológicos,
  hormonais e outros fatores biológicos.
• Algumas mulheres tem uma maior
  vulnerabilidade genética aos eventos
  ambientais e hormonais.
Fatores de risco e vulnerabilidade
• Como exemplo sabemos que os traumas
  precoces (na infância) estão altamente
  relacionados ao desenvolvimento de
  alterações do eixo HPA, que diminuem a
  capacidade de reação ao estresse.
Fatores de risco e vulnerabilidade
• A violência sexual e outras formas de
  abuso, são muitos mais freqüentes nas
  mulheres e muitas vezes perpetrado pelo
  próprio pai ou outro familiar.
• Muitas vezes a vulnerabilidade ao
  desenvolvimento das alterações do eixo
  HPA está também relacionada a transmissão
  genética.
Fatores de risco e vulnerabilidade
• Estas meninas são muitas vezes inibidas a se
  queixar ou denunciar as violências, por questões
  culturais.
• Entre as seqüelas psicológicas está a procura por
  relacionamentos que repete a relação incestuosa.
• As vítimas de violência na infância se colocam em
  situações estressantes durante a vida adulta muitos
  mais freqüentemente.
Fatores de risco e vulnerabilidade
• Ao sofrer eventos estressantes durante a
  vida, tendo uma má reação ao estresse tem
  grande chance de entrar em quadro
  psiquiátrico
Fatores de risco e vulnerabilidade
• As condições de vida das mulheres em
  nossa sociedade ocidental, a sobrecarrega,
  pois assume papéis de produção e sustento
  do lar, assim como mantém os papéis de
  cuidar dos filhos e da casa.
• O conflito vivido por estas por não
  conseguir desempenhar a contento a dupla
  jornada e um fator de estresse intenso.
Fatores de risco e vulnerabilidade
• A questão sócio-cultural é evidente na
  questão da prevalência de transtornos
  puerperais em sociedades como a Chinesa
  rural e sociedade cosmopolita.
• Os níveis estrogênicos podem estar baixos
  nas mulheres deprimidas, provavelmente
  por interações entre os sistemas HPA e
  hipofisário-gonadal.1




                                   1. Young et al. 2000
• Uma transição normal para a menopausa não
  aumenta o risco de depressão1 (estudo longitudinal de
  Harvard).


• Porém é uma fase de risco de aumento de
  vulnerabilidade, principalmente para mulheres
  com história de depressão.2,3.

• Uma menarca precoce e uma perimenopausa
  precoce aumenta o risco em 2 a 3 vezes de ter
  depressão4.
                                            1. Avis et al. 1994
                                            2. Burt et al. 1998
                                            3. Harlow et al. 2003
                                            4. Harlow et al. 1999
Tratamento
• Depressão leve:
   – Melhor resposta com psicoterapia

• Depressão moderada e grave:
   – Uso de antidepressivos

• Depressão psicótica:
   – Antidepressivos associados a antipsicóticos
   – Eletroconvulsoterapia
Tratamento
• Episódio:
  – Objetivo: remissão dois sintomas (escore de < 8
    na escala de Hamilton para depressão) 2-3
    meses;

  – Uma vez remitido, fase de continuação com a
    mesma dose de antidepressivo por 6-9 meses.
Tratamento
• Todos os antidepressivos tem a mesma eficácia,
  aparentemente os de ação dupla são mais eficazes
  (mirtazapina, venlafaxina, minalcipram);
• Prescreve-se os AD de acordo com o perfil de
  efeitos colaterais que se adaptam melhor a cada
  caso.
   – Depressão inibida: ISRS, venlafaxina, bupropriona,
   – Depressão agitada com insônia, sem apetite:
     Nortriptilina, mirtazapina, imipramina.
   – Depressão com hiperfagia: fluoxetina.
Tratamento
•   Remissão:
•   Início da ação em 10-14 dias,
•   Efeito total em 4-6 semanas.
•   Remissão parcial:
•   Aumentar a dose do AD;
•   Trocar o AD por um de outra classe;
•   Usar potencialização do AD.
Tratamento
• Depressão recorrente:
• Chances de ter outro episódio depressivo:
      • Após o primeiro: 50%;
      • Após o segundo: 60-70%;
      • Após o terceiro 90-100%.


• Implica na decisão de quando entrar com a
  profilaxia.
   – Uso de AD continuamente na dose total ou 2/3 da que
     conseguiu a remissão.
Tratamento Psicoterápico
• Casos leves, ou casos onde os fatores
  psicológicos desencadeantes ou
  mantenedores são muito relevantes.
  – Terapia interpessoal, terapia cognitiva-
    comportamental.
  – Terapias longas de personalidade.
• Terapias de manutenção.
FIM
Eficácia da Reposição Hormonal
• Três estudos em mulheres perimenopausadas não
  mostraram resultados superiores ao placebo.
   – Coope J 1981.
   – Campbell S. et al. 1977.
   – Pearce J et al. 1977.


• Dois ensaios clínicos controlados randomizados
  duplo-cegos usando adesivos de 17β estradiol1,2, e
  uma série de casos usando estradiol sublingual3,
  sugerem uma melhora do humor na depressão pós
  menopausa e síndrome pré-menstrual severa.
                                  1. Gregoire et al. 1996, 2. Smith et al. 1995
                                  2. Ahokas et al. 1999
• Novaes et al. (2001, 1998) encontraram 30
  mulheres em fase de perimenopausa, em um
  grupo de 101 pacientes de uma clínica
  ginecológica com quadros depressivos.

• População clínica é diferente dos achados
  populacionais (comunidade).
Eficácia Do Estradiol No Tratamento De
Mulheres perimenopausadas. (Novaes et
               al. 2001)
• Mulheres de 40-55       • 50 pacientes entraram no
  anos;                     estudo, randomizadas em
                            2 grupos.
• Ciclos irregulares ou
                          • Receberam 100 µg de 17β
  amenorréia há 12          Estradiol transdérmico ou
  meses;                    placebo (forma idêntica),
• FSH sérico > 25;          por 12 semanas.
                          • 4 semanas após esta fase
• Presença de quadro
                            reavaliadas.
  depressivo.
Resultados
• Ambos grupos tinham 21 (84%) com episódio
  depressivo moderado-grave.
• Os sintomas depressivos no grupo que recebem
  hormônio eram significantemente menores (8,6 +
  5,02 vs. 16,84 + 5,12 t=5,28,p<.001).
• Remissão foi encontrada no grupo com droga ativa
  em 17 (68%) vs. 5 (20%) no placebo.
Resultados
• Após a descontinuação do tratamento:
  – O grupo da droga ativa teve um aumento
    significativo dos sintomas (p<.01).
  – Após 16 semanas o grupo da droga ativa ainda
    tinham menos sintomas que o início.
• Estudou encontrou que o estradiol é um
  efetivo AD para mulheres
  perimenopausadas.

Depressao na mulher

  • 1.
  • 2.
    Depressão • Uma síndromeclínica, com repercussões sérias no funcionamento social e relacional dos pacientes. • Apresenta uma série de alterações do funcionamento do organismo. • É a segunda doença a causar maior impacto e prejuízo na sociedade em nível mundial.
  • 3.
    Depressão • Linguagem comum= estado afetivo normal, sintoma, síndrome ou doenças. • Sintoma de várias quadros clínicos médicos ou psiquiátricos. • Síndrome: inclui aspectos não somente das alterações do humor como cognitivas, neurovegetativas e psicomotoras. • Doença: classificada de várias formas desde a antiguidade.
  • 4.
    DIAGNÓSTICO • Alterações doSono. • Humor depressivo • Apetite • Redução da • Interesse sexual. capacidade de experimentar prazer. • Retraimento social • Fadiga. • Crises de choro • Diminuição da • Comportamentos suicidas capacidade de pensar, • Retardo ou agitação tomar decisões, psicomotora. concentrar-se.
  • 5.
    DIAGNÓSTICO • Depressões comcaracterísticas melancólicas. • Psicóticas. • Catatônicas. • Crônicas (distimia). • Atípica. • Sazonal.
  • 6.
    DIAGNÓSTICO • Limites • Tristezae alegria • Transtornos de Personalidade • Conceito de Psicopatologia
  • 7.
    Depressão • Pode tervárias • Pode ter várias formas: evoluções: – Maior, recorrente, • cronicidade, breve, bipolar, psicótica, puerperal, distimia. episódica • Vários graus de gravidade: – Leve, moderada, severa, suicídio.
  • 8.
    Depressão • Cada quadrovai determinar a conduta: – Tipos de tratamento; • Medicações (antidepressivos, estabilizadores do humor, antipsicóticos, ansiolíticos). • Psicoterapia (cognitiva-comportamental, interpessoal, psicodinâmica, aconselhamento, breves ou longas). Individuais, grupais, casal ou familiar. – Tempo de tratamento; • Fase aguda, continuação ou profilaxia (manutenção).
  • 9.
    Depressão é umadoença grave diferente de tristeza
  • 10.
    Critérios Diagnósticos Critérios B Critérios C • Durar pelo menos 2 • Perda de confiança ou semanas auto-estima; • Humor deprimido presente • Sentimentos irracionais de a maior parte do dia, quase reprovação ou culpa excessiva; todos os dias, • Pensamentos recorrentes • Perda de interesse ou de morte ou suicídio; prazer • Diminuição da capacidade • Energia diminuída ou de pensar ou concentrar- fatigabilidade se, indecisão ou vacilação; • Alteração psicomotora; • Alt. Do sono; • Alt. Apetite.
  • 11.
    Gravidade • Leve: • Recorrente: – 2 crit. B + 4 crit. C. – Pelo menos 2 episódios • Moderada: depressivos, sem – 2 crit. B + 6 crit. C. episódio de euforia. • Grave: • Crônico: – 3 crit. B + 8 crit. C. – Sintomas persistem na • Psicótica: mesma intensidade por – = Grave +. mais de 2 anos. – Delírios e/ou alucinações; – Estupor depressivo.
  • 12.
    Depressão e Sexo •Mulher tem 2 vezes mais chances de ter depressão1-5 • Diferença se mantém na vida reprodutiva, desaparecendo na menopausa.4 1. Weissman e Klerman 1977 2. Kessler et al. 1994 3. Ernst & Angst, 1992 4. Wolk e Weissman, 1995 5. Regier et al. 1984
  • 13.
    Prevalências • Nos últimos30 dias: 1,6% homens; 2,9% mulheres. (ECA, 1993) • Ao longo da vida: 12,7% e 21,3% (NCS, 1994). • Os fatores ambientais parecem estar mais relacionado a esta diferença que os biológicos. (Paykel, 1991)
  • 14.
    Fatores de Risco •Entre as mulheres, associações entre transt. Mentais e emprego, estado civil e paridade são altamente complexas e variam de acordo com a transformação específica dos papeis sociais ocupados. (Weich, 1997)
  • 15.
    Fatores de Risco •Emprego depende do contexto, que mudou com a entrada da mulher no mercado de trabalho. • Mulheres casadas com filhos pequenos e com jornada integral de trabalho maior risco ao desenvolvimento transt. Mentais do que casadas desempregadas, ou casadas empregadas sem filhos. (Rosenfield, 1989; Arber, 1991)
  • 16.
    Ciclo Reprodutivo daMulher • Tem sido relacionado há vários séculos com alterações do comportamento. (Conklin, 1989, Ussher, 1992) • Hipocrátes: relacionava a “retenção do fluxo menstrual”, o surgimento de delírios, alucinações e ideação suicida. Descrição das “Doenças das Virgens” Gold, 1994)
  • 17.
    Ciclo Reprodutivo daMulher • Período Perimenopausa também era visto como de risco, “onde as mulheres poderiam ver o mundo em chamas, de cabeça para baixo”, devido a congestão cerebral e retenção de material venoso (Merson, 1876; Farham, 1897; Schmidt & Rubinow, 1991)
  • 18.
    Ciclo Reprodutivo daMulher • No século passado surgem propostas nosológicas: • Melancolia Climatérica por Maudsley há mais de um século. • E a “indescritível tensão pré- menstrual”(Robert Frank, 1931)
  • 19.
    Ciclo Reprodutivo daMulher • Estes construtos seriam em parte produto da cultura. • Valores que colocam a chegada da menstruação trazendo problemas. • Proibição da mulher menstruada de contacto com alimentos, ou considerada como Nidá (impura) em certas religiões judaico-cristãs. (Soares, 1993)
  • 20.
    Ciclo Reprodutivo daMulher • Nas últimas décadas as fases reprodutivas passam a ser vistas como fatores “geradores de estresse” ou de maior vulnerabilidade para certos transtornos mentais. • Quadros puerperais. • Pré-menstruais. • Climatério.
  • 21.
  • 22.
    • Diferença sugereum papel do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal na patofisiologia da depressão na mulher. 1. Young, 2000
  • 23.
    • Os níveisde estradiol plasmático durante a fase folicular estão reduzidos de forma moderada porém estatisticamente significativa nas mulheres com depressão. 1. • Níveis de LH estão aumentados1. 1. Young, 2000
  • 24.
    Esta alteração hormonalpode afetar uma série de sistemas cerebrais influenciados pelo estradiol
  • 25.
    Múltiplos efeitos doEstradiol no SNC • Modulação da barreira • Regulação dos canais de hemato-encefálica. eletrólitos das membranas. • Aumento seletivo do fluxo • Diminuição do limiar sangüíneo cerebral. convulsivo e aumento da • Aumento do suporte de excitabilidade. glicose e oxigênio aos neurônios. • Estimulação do • Modulação do sinal de crescimento dendrítico e transdução intraneuronal. da sinaptogênese. • Conectividade e circuitos. • Impacto na expressão • homeostase. gênica. • Neuroproteção.
  • 26.
    Funções neuropsicológicas do estradiol • Regulação do: – Humor, – Comportamento e – Cognição.
  • 27.
    • Embora tenhaação de aumento da função cognitiva1,2 , a ação antidepressiva ainda não está definida. • Parece ter uma ação adjuntiva e potencializadora dos antidepressivos. 1. Halbreich, 1997 2. Sherwin, 1997
  • 28.
    • Contudo, nãohá uma relação entre déficit de estradiol e depressão, ao contrário.
  • 29.
    • Na menopausaa depressão é menos freqüente. • Não existe aumento durante a gravidez. • Baixo estradiol não está relacionado a disforia sintomas associados. – A principal característica da idade fértil é a ciclicidade.
  • 30.
    • O aumentocíclico e a queda abrupta dos hormônios femininos durante a vida fértil, está potencializado na gestação e no conseqüente puerpério. • O puerpério assim como o período pré- menstrual luteal tardio, são períodos com freqüentes estados disfóricos.
  • 31.
    • Ciclicidade podelevar a um fator de desestabilização do SNC. • Esta desestabilização da ciclicidade pode contrabalançar a maior parte dos efeitos protetores e homeostáticos do estradiol.
  • 32.
    • Um pequenonúmero de mulheres desenvolve sintomas disfóricos. • Um número menor desenvolve depressões relacionadas aos hormônios.
  • 33.
    • Estas parecemser um subgrupo de mulheres vulneráveis a ação hormonal. • Parece existir uma vulnerabilidade genética.
  • 34.
    • Vulnerabilidade genéticae dinâmica e parece estar relacionada a fatores ambientais, processos psicológicos, hormonais e outros fatores biológicos.
  • 35.
    • Algumas mulherestem uma maior vulnerabilidade genética aos eventos ambientais e hormonais.
  • 36.
    Fatores de riscoe vulnerabilidade • Como exemplo sabemos que os traumas precoces (na infância) estão altamente relacionados ao desenvolvimento de alterações do eixo HPA, que diminuem a capacidade de reação ao estresse.
  • 37.
    Fatores de riscoe vulnerabilidade • A violência sexual e outras formas de abuso, são muitos mais freqüentes nas mulheres e muitas vezes perpetrado pelo próprio pai ou outro familiar. • Muitas vezes a vulnerabilidade ao desenvolvimento das alterações do eixo HPA está também relacionada a transmissão genética.
  • 38.
    Fatores de riscoe vulnerabilidade • Estas meninas são muitas vezes inibidas a se queixar ou denunciar as violências, por questões culturais. • Entre as seqüelas psicológicas está a procura por relacionamentos que repete a relação incestuosa. • As vítimas de violência na infância se colocam em situações estressantes durante a vida adulta muitos mais freqüentemente.
  • 39.
    Fatores de riscoe vulnerabilidade • Ao sofrer eventos estressantes durante a vida, tendo uma má reação ao estresse tem grande chance de entrar em quadro psiquiátrico
  • 40.
    Fatores de riscoe vulnerabilidade • As condições de vida das mulheres em nossa sociedade ocidental, a sobrecarrega, pois assume papéis de produção e sustento do lar, assim como mantém os papéis de cuidar dos filhos e da casa. • O conflito vivido por estas por não conseguir desempenhar a contento a dupla jornada e um fator de estresse intenso.
  • 41.
    Fatores de riscoe vulnerabilidade • A questão sócio-cultural é evidente na questão da prevalência de transtornos puerperais em sociedades como a Chinesa rural e sociedade cosmopolita.
  • 42.
    • Os níveisestrogênicos podem estar baixos nas mulheres deprimidas, provavelmente por interações entre os sistemas HPA e hipofisário-gonadal.1 1. Young et al. 2000
  • 43.
    • Uma transiçãonormal para a menopausa não aumenta o risco de depressão1 (estudo longitudinal de Harvard). • Porém é uma fase de risco de aumento de vulnerabilidade, principalmente para mulheres com história de depressão.2,3. • Uma menarca precoce e uma perimenopausa precoce aumenta o risco em 2 a 3 vezes de ter depressão4. 1. Avis et al. 1994 2. Burt et al. 1998 3. Harlow et al. 2003 4. Harlow et al. 1999
  • 44.
    Tratamento • Depressão leve: – Melhor resposta com psicoterapia • Depressão moderada e grave: – Uso de antidepressivos • Depressão psicótica: – Antidepressivos associados a antipsicóticos – Eletroconvulsoterapia
  • 45.
    Tratamento • Episódio: – Objetivo: remissão dois sintomas (escore de < 8 na escala de Hamilton para depressão) 2-3 meses; – Uma vez remitido, fase de continuação com a mesma dose de antidepressivo por 6-9 meses.
  • 46.
    Tratamento • Todos osantidepressivos tem a mesma eficácia, aparentemente os de ação dupla são mais eficazes (mirtazapina, venlafaxina, minalcipram); • Prescreve-se os AD de acordo com o perfil de efeitos colaterais que se adaptam melhor a cada caso. – Depressão inibida: ISRS, venlafaxina, bupropriona, – Depressão agitada com insônia, sem apetite: Nortriptilina, mirtazapina, imipramina. – Depressão com hiperfagia: fluoxetina.
  • 47.
    Tratamento • Remissão: • Início da ação em 10-14 dias, • Efeito total em 4-6 semanas. • Remissão parcial: • Aumentar a dose do AD; • Trocar o AD por um de outra classe; • Usar potencialização do AD.
  • 48.
    Tratamento • Depressão recorrente: •Chances de ter outro episódio depressivo: • Após o primeiro: 50%; • Após o segundo: 60-70%; • Após o terceiro 90-100%. • Implica na decisão de quando entrar com a profilaxia. – Uso de AD continuamente na dose total ou 2/3 da que conseguiu a remissão.
  • 49.
    Tratamento Psicoterápico • Casosleves, ou casos onde os fatores psicológicos desencadeantes ou mantenedores são muito relevantes. – Terapia interpessoal, terapia cognitiva- comportamental. – Terapias longas de personalidade. • Terapias de manutenção.
  • 50.
  • 52.
    Eficácia da ReposiçãoHormonal • Três estudos em mulheres perimenopausadas não mostraram resultados superiores ao placebo. – Coope J 1981. – Campbell S. et al. 1977. – Pearce J et al. 1977. • Dois ensaios clínicos controlados randomizados duplo-cegos usando adesivos de 17β estradiol1,2, e uma série de casos usando estradiol sublingual3, sugerem uma melhora do humor na depressão pós menopausa e síndrome pré-menstrual severa. 1. Gregoire et al. 1996, 2. Smith et al. 1995 2. Ahokas et al. 1999
  • 53.
    • Novaes etal. (2001, 1998) encontraram 30 mulheres em fase de perimenopausa, em um grupo de 101 pacientes de uma clínica ginecológica com quadros depressivos. • População clínica é diferente dos achados populacionais (comunidade).
  • 54.
    Eficácia Do EstradiolNo Tratamento De Mulheres perimenopausadas. (Novaes et al. 2001) • Mulheres de 40-55 • 50 pacientes entraram no anos; estudo, randomizadas em 2 grupos. • Ciclos irregulares ou • Receberam 100 µg de 17β amenorréia há 12 Estradiol transdérmico ou meses; placebo (forma idêntica), • FSH sérico > 25; por 12 semanas. • 4 semanas após esta fase • Presença de quadro reavaliadas. depressivo.
  • 55.
    Resultados • Ambos grupostinham 21 (84%) com episódio depressivo moderado-grave. • Os sintomas depressivos no grupo que recebem hormônio eram significantemente menores (8,6 + 5,02 vs. 16,84 + 5,12 t=5,28,p<.001). • Remissão foi encontrada no grupo com droga ativa em 17 (68%) vs. 5 (20%) no placebo.
  • 56.
    Resultados • Após adescontinuação do tratamento: – O grupo da droga ativa teve um aumento significativo dos sintomas (p<.01). – Após 16 semanas o grupo da droga ativa ainda tinham menos sintomas que o início. • Estudou encontrou que o estradiol é um efetivo AD para mulheres perimenopausadas.