FACULDADE DA AMAZÔNIA CULTURA E TRANSFORMAÇÃO Prof. Esp. João Carlos S. Balbi
Da natureza da cultura ou da natureza à cultura LARAIA, Roque de Barros.  Cultura: um conceito antropológico- Primeira parte: da natureza   da   cultura   ou da natureza à cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 1986. •  Dilema: “conciliação da unidade biológica e a grande diversidade cultural da espécie humana”.
Da natureza da cultura ou da natureza à cultura •  Etnocentrismo, costume de tomar os seus padrões como referência: •  Heródoto (484-424 a.C.): –  ao comentar a linhagem feminina que caracteriza o sistema social dos lícios:“Eles têm um costume singular pelo qual diferem de todas as nações do mundo”. – “ Se oferecêssemos aos homens a escolha de todos os costumes do mundo, aqueles que lhes parecessem melhor, eles examinariam a totalidade e acabariam preferindo os seus próprios costumes, tão convencidos de que estão de estes são melhores do que todos os outros”. •  Montaigne (1533-1572): – “ na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra”.
Determinismo biológico •  Teorias que atribuem capacidades específicas inatas a “raças” ou a outros grupos humanos. •  Felix Keesing: “não existe correlação significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos comportamentos culturais. Qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado”.
Determinismo biológico •  1950 (pós nazismo) – Declaração da Unesco: – Os dados científicos de que dispomos atualmente não confirmam a teoria segundo a qual as diferenças genéticas hereditárias constituiriam um fator de importância primordial entre as causas das diferenças que se manifestam entre as culturas e as obras das civilizações dos diversos povos ou grupos étnicos. Eles nos informa, pelo contrário, que essas diferenças se explicam antes de tudo pela história cultural de cada grupo. •  Dimorfismo sexual explica diferenças anatômicas e fisiológicas mas não diferenças de comportamento entre pessoas de sexos diferentes.
Determinismo geográfico •  Tentativas de explicar as diferenças de comportamento entre os homens a partir das variações dos ambientes físicos: –  Ibn Khaldun, filósofo árabe do séc. XIV: habitantes dos climas quentes – natureza passional; habitantes dos climas frios – falta vivacidade. –  Jean Bodin, filósofo francês do séc. XVI: líquido dominante da vida dos povos do norte: fleuma  fiéis, leais aos governantes, cruéis e pouco interessados sexualmente; povos do sul: bílis negra  maliciosos, engenhosos, abertos, orientados para as ciências, mas mal adaptados para a vida política. –  Geógrafos do final do séc. XIX – Huntington, 1915: relação entre a latitude e os centros de civilização, sendo o clima fator importante na dinâmica do processo.
Determinismo geográfico • A partir de 1920, antropólogos como Boas, Wissler, Kroeber, entre outros, refutaram esse tipo de determinismo e demonstraram que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais. E mais: que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico. • Exemplos: –  lapões e esquimós (calota polar norte da Europa e da América) –  índios Pueblo e Navajo, do sudoeste americano –  xinguanos e kayabi, habitantes do Parque Nacional do Xingu
Antecedentes históricos do conceito de cultura •  John Locke (1632-1704):  Ensaio acerca do entendimento humano  –  Refutou as idéias correntes na época de princípios ou verdades inatas impressos hereditariamente. –  A mente humana não é mais do que uma caixa vazia por ocasião do nascimento, dotada apenas da capacidade ilimitada de obter conhecimento, através da  endoculturação . •  Jacques Turgot (1727-1781):  Plano para dois discursos sobre história universal –  Possuidor de um tesouro de signos que tem a faculdade de multiplicar infinitamente, o homem é capaz de assegurar a retenção de suas idéias eruditas, comunicá-las para outros homens e transmiti-las para os seus descendentes como uma herança sempre crescente. •  Jean Jacques Rousseau (1712-1778):  Discurso sobre a origem e o estabelecimento da desigualdade entre os homens –  Papel da educação
Antecedentes históricos do conceito de cultura •  Final do séc. XVIII e princípio do XIX: –  Termo germânico  Kultur  􀃆 aspectos espirituais de uma comunidade –  Termo francês  Civilization  􀃆 realizações materiais de um povo •  Edward Tylor (1832- 1917) sintetizou-os no vocábulo inglês  Culture : – “ todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. –  Abrange todas as possibilidades de realização humana e –  Marca fortemente o caráter de aprendizado da cultura, em oposição à idéia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos.
Desenvolvimento do conceito de cultura •  Kroeber (1950): “a maior realização da Antropologia na primeira metade do séc. XX foi a ampliação e a clarificação do conceito de cultura”. •  Geertz (1973): “diminuir a amplitude do conceito e transformá-lo num instrumento mais especializado e mais poderoso teoricamente”.
O desenvolvimento do conceito de cultura •  Tylor:  Primitive Culture  (1871) –  Primeira definição de cultura do ponto de vista antropológico. –  Demonstração de que cultura pode ser objeto de estudo sistemático. –  Crítica aos relatos dos viajantes e cronistas coloniais, questionando sua veracidade. –  Diversidade cultural versus igualdade humana: diversidade explicada como resultado da desigualdade de estágios existentes no processo de evolução  escala de civilização  evolucionismo unilinear  etnocentrismo
O desenvolvimento do conceito de cultura •  Stocking (1968) critica Tylor por “deixar de lado toda a questão do relativismo cultural e tornar impossível o moderno conceito de cultura”. •  Franz Boas (1858-1949) critica o evolucionismo e atribui à antropologia a execução de duas tarefas: –  Reconstrução da história de povos ou regiões particulares –  Comparação da vida social de diferentes povos cujo desenvolvimento segue as mesmas leis •  Propõe, ainda, a substituição do método comparativo puro pela comparação dos resultados obtidos através dos estudos históricos das culturas simples e da compreensão dos efeitos das condições psicológicas e dos meios ambientes (investigações históricas): “cada cultura segue os seus próprios caminhos em funções dos diferentes eventos históricos que enfrentou”  abordagem multilinear .
O desenvolvimento do conceito de cultura •  Alfred Kroeber (1876-1960):  O Superorgânico: –  Graças à cultura a humanidade distanciou-se do mundo animal; –  O homem passou a ser considerado um ser que está acima de suas limitações orgânicas. –  Os comportamentos humanos não são biologicamente determinados. A sua herança genética nada tem a ver com as suas ações e pensamentos, pois todos os seus atos dependem inteiramente de um processo de aprendizado. –  Compara adaptação milenar de alguns répteis para poderem voar com os meios dos humanos voarem, exteriores a seus corpos; compara as alterações que permitiram à baleia viver na água à aquisição humana da faculdade de navegar  superando o orgânico, o homem libertou-se da natureza.
O desenvolvimento do conceito de cultura (Alfred Kroeber) •  Na evolução animal, para cada nova característica adquirida ocorria a perda de uma anterior. •  Ao adquirir cultura, o homem perdeu a propriedade animal, geneticamente determinada, de repetir os atos de seus antepassados. •  Exemplo: –  Cachorrinho recém-nascido criado com uma ninhada de gatinhos por uma gata. –  A linguagem canina constitui parte da natureza do cachorro, nele contida sem treino ou cultura, fazendo parte de seu organismo como dentes, pés, movimentos ou instintos
O desenvolvimento do conceito de cultura (Alfred Kroeber) •  Contradição entre noção de cultura e pensamento leigo: – “ Tenho a física no sangue”. – “ Meu filho tem muito jeito para a música, pois herdou essa qualidade de seu avô”. –  Criminalista italiano Cesare Lombroso (1835-1909) correlacionava aparência física com tendência para comportamentos criminosos. –  Risco de discriminações raciais e sociais.
O desenvolvimento do conceito de cultura (Alfred Kroeber) •  O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. •  Não basta a natureza criar indivíduos altamente inteligentes. É necessário que coloque ao seu alcance o material que permita exercer sua criatividade de maneira revolucionária. •  Exemplos: –  Albert Einstein (1879-1955) –  Santos Dumont (1873-1932)
O desenvolvimento do conceito de cultura (Alfred Kroeber) •  Invenções simultâneas –  Diante de um mesmo material cultural, dois cientistas agindo independentemente chegavam a um mesmo resultado – Mesmo que exista a separação da diversidade cultural, para alguns tipos de problemas existem determinadas limitações de alternativas que possibilitam que invenções iguais ocorram em culturas diferentes.
Contribuição de Kroeber para ampliação do conceito de cultura 1. A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações. 2. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou. –  A criança ao nascer busca o seio materno e instintivamente faz com a boca o movimento de sucção. –  Movida por instintos conseguirá produzir sons, embora tenda a imitar os emitidos pelos adultos que o rodeiam. –  Muito cedo o que fizer não será mais determinado por instintos, mas sim pela imitação dos padrões culturais da sociedade em que vive. –  Instinto de conservação ( kamikase  japoneses) –  Instinto materno (mulheres Tapirapé, tribo Tupi) –  Instinto filial (esquimós)
Contribuição de Kroeber para ampliação do conceito de cultura 3. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Ao invés de modificar para isto o seu aparato biológico, o homem modifica o seu equipamento superorgânico. 4. Em decorrência disso, o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu  habitat . 5. Adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes geneticamente determinadas.
Contribuição de Kroeber para ampliação do conceito de cultura 6. É o processo de aprendizagem (socialização ou edoculturação) que determina o seu comportamento  a sua capacidade artística ou profissional. 7. Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor, construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural, e criar um novo objeto ou uma nova técnica. 8. A cultura é um processo acumulativo, resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores.
Contribuição de Kroeber para ampliação do conceito de cultura •  Comparação entre o homem e o chimpanzé: –  Muito semelhantes no primeiro ano de vida –  Distanciamento a partir do momento que a criança começa a aprender a falar. –  Através da comunicação oral a criança vai recebendo informações sobre todo o conhecimento acumulado pela cultura em que vive (processo acumulativo). •  A comunicação é um processo cultural. •  A linguagem humana é um produto da cultura, mas não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral.
A origem da cultura •  Modificação do cérebro humano •  Bipedismo •  Kenneth P. Oakley: habilidade manual, possibilitada pela posição ereta, proporcionou maiores estímulos ao cérebro  desenvolvimento da inteligência humana. •  Cultura: resultado de um cérebro mais volumoso e complexo
A origem da cultura •  Claude Lévi-Strauss: cultura surgiu no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a primeira norma (proibição do incesto). •  Leslie White: passagem do estado animal para o humano deu-se quando o cérebro foi capaz de gerar símbolos. –  O comportamento humano é o comportamento simbólico. – “ Todos os símbolos devem ter uma forma física, pois do contrário não podem penetrar em nossa experiência, mas o seu significado não pode ser percebido pelos sentidos”. –  Para perceber o significado de um símbolo é necessário conhecer a cultura que o criou. •  O conhecimento científico atual está convencido de que o salto da natureza para a cultura foi contínuo e incrivelmente lento.
Teorias modernas sobre cultura •  Roger Keessing:  Theories of Culture –  Teorias neo-evolucionistas (cultura como sistema adaptativo) •  Culturas são sistemas (de padrões de comportamento socialmente transmitidos) que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. •  Mudança cultural é primariamente um processo de adaptação equivalente à seleção natural. •  A tecnologia, a economia de subsistência e os elementos da organização social diretamente ligada à produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura. •  Os componentes ideológicos dos sistemas culturais podem ter conseqüências adaptativas no controle da população, da subsistência, da manutenção do ecossistema, etc. –  Teorias idealistas •  Cultura como sistema cognitivo •  Cultura como sistemas estruturais •  Cultura como sistemas simbólicos (Clifford Geertz e David Schneider)

Cap 6 cultura e transformação

  • 1.
    FACULDADE DA AMAZÔNIACULTURA E TRANSFORMAÇÃO Prof. Esp. João Carlos S. Balbi
  • 2.
    Da natureza dacultura ou da natureza à cultura LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico- Primeira parte: da natureza da cultura ou da natureza à cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 1986. • Dilema: “conciliação da unidade biológica e a grande diversidade cultural da espécie humana”.
  • 3.
    Da natureza dacultura ou da natureza à cultura • Etnocentrismo, costume de tomar os seus padrões como referência: • Heródoto (484-424 a.C.): – ao comentar a linhagem feminina que caracteriza o sistema social dos lícios:“Eles têm um costume singular pelo qual diferem de todas as nações do mundo”. – “ Se oferecêssemos aos homens a escolha de todos os costumes do mundo, aqueles que lhes parecessem melhor, eles examinariam a totalidade e acabariam preferindo os seus próprios costumes, tão convencidos de que estão de estes são melhores do que todos os outros”. • Montaigne (1533-1572): – “ na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra”.
  • 4.
    Determinismo biológico • Teorias que atribuem capacidades específicas inatas a “raças” ou a outros grupos humanos. • Felix Keesing: “não existe correlação significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos comportamentos culturais. Qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado”.
  • 5.
    Determinismo biológico • 1950 (pós nazismo) – Declaração da Unesco: – Os dados científicos de que dispomos atualmente não confirmam a teoria segundo a qual as diferenças genéticas hereditárias constituiriam um fator de importância primordial entre as causas das diferenças que se manifestam entre as culturas e as obras das civilizações dos diversos povos ou grupos étnicos. Eles nos informa, pelo contrário, que essas diferenças se explicam antes de tudo pela história cultural de cada grupo. • Dimorfismo sexual explica diferenças anatômicas e fisiológicas mas não diferenças de comportamento entre pessoas de sexos diferentes.
  • 6.
    Determinismo geográfico • Tentativas de explicar as diferenças de comportamento entre os homens a partir das variações dos ambientes físicos: – Ibn Khaldun, filósofo árabe do séc. XIV: habitantes dos climas quentes – natureza passional; habitantes dos climas frios – falta vivacidade. – Jean Bodin, filósofo francês do séc. XVI: líquido dominante da vida dos povos do norte: fleuma fiéis, leais aos governantes, cruéis e pouco interessados sexualmente; povos do sul: bílis negra maliciosos, engenhosos, abertos, orientados para as ciências, mas mal adaptados para a vida política. – Geógrafos do final do séc. XIX – Huntington, 1915: relação entre a latitude e os centros de civilização, sendo o clima fator importante na dinâmica do processo.
  • 7.
    Determinismo geográfico •A partir de 1920, antropólogos como Boas, Wissler, Kroeber, entre outros, refutaram esse tipo de determinismo e demonstraram que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais. E mais: que é possível e comum existir uma grande diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico. • Exemplos: – lapões e esquimós (calota polar norte da Europa e da América) – índios Pueblo e Navajo, do sudoeste americano – xinguanos e kayabi, habitantes do Parque Nacional do Xingu
  • 8.
    Antecedentes históricos doconceito de cultura • John Locke (1632-1704): Ensaio acerca do entendimento humano – Refutou as idéias correntes na época de princípios ou verdades inatas impressos hereditariamente. – A mente humana não é mais do que uma caixa vazia por ocasião do nascimento, dotada apenas da capacidade ilimitada de obter conhecimento, através da endoculturação . • Jacques Turgot (1727-1781): Plano para dois discursos sobre história universal – Possuidor de um tesouro de signos que tem a faculdade de multiplicar infinitamente, o homem é capaz de assegurar a retenção de suas idéias eruditas, comunicá-las para outros homens e transmiti-las para os seus descendentes como uma herança sempre crescente. • Jean Jacques Rousseau (1712-1778): Discurso sobre a origem e o estabelecimento da desigualdade entre os homens – Papel da educação
  • 9.
    Antecedentes históricos doconceito de cultura • Final do séc. XVIII e princípio do XIX: – Termo germânico Kultur 􀃆 aspectos espirituais de uma comunidade – Termo francês Civilization 􀃆 realizações materiais de um povo • Edward Tylor (1832- 1917) sintetizou-os no vocábulo inglês Culture : – “ todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. – Abrange todas as possibilidades de realização humana e – Marca fortemente o caráter de aprendizado da cultura, em oposição à idéia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos.
  • 10.
    Desenvolvimento do conceitode cultura • Kroeber (1950): “a maior realização da Antropologia na primeira metade do séc. XX foi a ampliação e a clarificação do conceito de cultura”. • Geertz (1973): “diminuir a amplitude do conceito e transformá-lo num instrumento mais especializado e mais poderoso teoricamente”.
  • 11.
    O desenvolvimento doconceito de cultura • Tylor: Primitive Culture (1871) – Primeira definição de cultura do ponto de vista antropológico. – Demonstração de que cultura pode ser objeto de estudo sistemático. – Crítica aos relatos dos viajantes e cronistas coloniais, questionando sua veracidade. – Diversidade cultural versus igualdade humana: diversidade explicada como resultado da desigualdade de estágios existentes no processo de evolução escala de civilização evolucionismo unilinear etnocentrismo
  • 12.
    O desenvolvimento doconceito de cultura • Stocking (1968) critica Tylor por “deixar de lado toda a questão do relativismo cultural e tornar impossível o moderno conceito de cultura”. • Franz Boas (1858-1949) critica o evolucionismo e atribui à antropologia a execução de duas tarefas: – Reconstrução da história de povos ou regiões particulares – Comparação da vida social de diferentes povos cujo desenvolvimento segue as mesmas leis • Propõe, ainda, a substituição do método comparativo puro pela comparação dos resultados obtidos através dos estudos históricos das culturas simples e da compreensão dos efeitos das condições psicológicas e dos meios ambientes (investigações históricas): “cada cultura segue os seus próprios caminhos em funções dos diferentes eventos históricos que enfrentou” abordagem multilinear .
  • 13.
    O desenvolvimento doconceito de cultura • Alfred Kroeber (1876-1960): O Superorgânico: – Graças à cultura a humanidade distanciou-se do mundo animal; – O homem passou a ser considerado um ser que está acima de suas limitações orgânicas. – Os comportamentos humanos não são biologicamente determinados. A sua herança genética nada tem a ver com as suas ações e pensamentos, pois todos os seus atos dependem inteiramente de um processo de aprendizado. – Compara adaptação milenar de alguns répteis para poderem voar com os meios dos humanos voarem, exteriores a seus corpos; compara as alterações que permitiram à baleia viver na água à aquisição humana da faculdade de navegar superando o orgânico, o homem libertou-se da natureza.
  • 14.
    O desenvolvimento doconceito de cultura (Alfred Kroeber) • Na evolução animal, para cada nova característica adquirida ocorria a perda de uma anterior. • Ao adquirir cultura, o homem perdeu a propriedade animal, geneticamente determinada, de repetir os atos de seus antepassados. • Exemplo: – Cachorrinho recém-nascido criado com uma ninhada de gatinhos por uma gata. – A linguagem canina constitui parte da natureza do cachorro, nele contida sem treino ou cultura, fazendo parte de seu organismo como dentes, pés, movimentos ou instintos
  • 15.
    O desenvolvimento doconceito de cultura (Alfred Kroeber) • Contradição entre noção de cultura e pensamento leigo: – “ Tenho a física no sangue”. – “ Meu filho tem muito jeito para a música, pois herdou essa qualidade de seu avô”. – Criminalista italiano Cesare Lombroso (1835-1909) correlacionava aparência física com tendência para comportamentos criminosos. – Risco de discriminações raciais e sociais.
  • 16.
    O desenvolvimento doconceito de cultura (Alfred Kroeber) • O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. • Não basta a natureza criar indivíduos altamente inteligentes. É necessário que coloque ao seu alcance o material que permita exercer sua criatividade de maneira revolucionária. • Exemplos: – Albert Einstein (1879-1955) – Santos Dumont (1873-1932)
  • 17.
    O desenvolvimento doconceito de cultura (Alfred Kroeber) • Invenções simultâneas – Diante de um mesmo material cultural, dois cientistas agindo independentemente chegavam a um mesmo resultado – Mesmo que exista a separação da diversidade cultural, para alguns tipos de problemas existem determinadas limitações de alternativas que possibilitam que invenções iguais ocorram em culturas diferentes.
  • 18.
    Contribuição de Kroeberpara ampliação do conceito de cultura 1. A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações. 2. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou. – A criança ao nascer busca o seio materno e instintivamente faz com a boca o movimento de sucção. – Movida por instintos conseguirá produzir sons, embora tenda a imitar os emitidos pelos adultos que o rodeiam. – Muito cedo o que fizer não será mais determinado por instintos, mas sim pela imitação dos padrões culturais da sociedade em que vive. – Instinto de conservação ( kamikase japoneses) – Instinto materno (mulheres Tapirapé, tribo Tupi) – Instinto filial (esquimós)
  • 19.
    Contribuição de Kroeberpara ampliação do conceito de cultura 3. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Ao invés de modificar para isto o seu aparato biológico, o homem modifica o seu equipamento superorgânico. 4. Em decorrência disso, o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu habitat . 5. Adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes geneticamente determinadas.
  • 20.
    Contribuição de Kroeberpara ampliação do conceito de cultura 6. É o processo de aprendizagem (socialização ou edoculturação) que determina o seu comportamento a sua capacidade artística ou profissional. 7. Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor, construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural, e criar um novo objeto ou uma nova técnica. 8. A cultura é um processo acumulativo, resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores.
  • 21.
    Contribuição de Kroeberpara ampliação do conceito de cultura • Comparação entre o homem e o chimpanzé: – Muito semelhantes no primeiro ano de vida – Distanciamento a partir do momento que a criança começa a aprender a falar. – Através da comunicação oral a criança vai recebendo informações sobre todo o conhecimento acumulado pela cultura em que vive (processo acumulativo). • A comunicação é um processo cultural. • A linguagem humana é um produto da cultura, mas não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral.
  • 22.
    A origem dacultura • Modificação do cérebro humano • Bipedismo • Kenneth P. Oakley: habilidade manual, possibilitada pela posição ereta, proporcionou maiores estímulos ao cérebro desenvolvimento da inteligência humana. • Cultura: resultado de um cérebro mais volumoso e complexo
  • 23.
    A origem dacultura • Claude Lévi-Strauss: cultura surgiu no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a primeira norma (proibição do incesto). • Leslie White: passagem do estado animal para o humano deu-se quando o cérebro foi capaz de gerar símbolos. – O comportamento humano é o comportamento simbólico. – “ Todos os símbolos devem ter uma forma física, pois do contrário não podem penetrar em nossa experiência, mas o seu significado não pode ser percebido pelos sentidos”. – Para perceber o significado de um símbolo é necessário conhecer a cultura que o criou. • O conhecimento científico atual está convencido de que o salto da natureza para a cultura foi contínuo e incrivelmente lento.
  • 24.
    Teorias modernas sobrecultura • Roger Keessing: Theories of Culture – Teorias neo-evolucionistas (cultura como sistema adaptativo) • Culturas são sistemas (de padrões de comportamento socialmente transmitidos) que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. • Mudança cultural é primariamente um processo de adaptação equivalente à seleção natural. • A tecnologia, a economia de subsistência e os elementos da organização social diretamente ligada à produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura. • Os componentes ideológicos dos sistemas culturais podem ter conseqüências adaptativas no controle da população, da subsistência, da manutenção do ecossistema, etc. – Teorias idealistas • Cultura como sistema cognitivo • Cultura como sistemas estruturais • Cultura como sistemas simbólicos (Clifford Geertz e David Schneider)