Oxigenoterapia
Profa. Dra. Fabiana Bolela de Souza
2017
Universidade de São Paulo
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
ERG0343 – Cuidado Integral em Saúde III
Introdução
Os distúrbios do sistema respiratório são comuns, sendo encontrados em todos
os serviços de assistência à saúde;
Para avaliar o sistema respiratório o enfermeiro deve estar habilitado a diferenciar
os achados normais dos anormais que se apresentam no histórico do paciente;
Além disso, é essencial uma compreensão da função respiratória e do significado
dos resultados dos exames diagnósticos anormais.
A função do sistema cardiovascular é levar oxigênio, nutrientes e outras
substâncias para os tecidos e remover a escória produzida pelo metabolismo
celular através do bombeamento cardíaco, do sistema circulatório vascular e da
integração com outros sistemas.
Sistema Cardiovascular
A troca dos gases respiratórios acontece entre o ar ambiente e o sangue
(Hematose). Existem três etapas no processo de oxigenação:
➢ Ventilação;
➢ Perfusão;
➢ Difusão
Sistema Respiratório
É o processo de movimento dos gases para
dentro e para fora dos pulmões. Requer:
- coordenação muscular;
- propriedades elásticas do pulmão;
- propriedades elásticas do tórax;
- inervação intacta (nervo frênico - 4° vértebra
cervical).
Ventilação
Relaciona-se com a capacidade do sistema
cardiovascular de bombear sangue oxigenado
para os tecidos e retornar desoxigenado para
os pulmões.
Perfusão
É o movimento das moléculas de uma
área de alta concentração para outra,
de baixa concentração. A difusão dos
gases respiratórios acontece ao nível
da membrana alvéolo-capilar.
Difusão
Trocas gasosas
Alterações no funcionamento respiratório
Doenças❖ e condições que afetam a ventilação ou o transporte de O2 alteram o
funcionamento respiratório;
❖ 3 alterações primárias:
Hiperventilação
Hipoventilação
Hipóxia
Objetivo❖ da ventilação: produzir tensão de dióxido de carbono arterial normal e
manter tensão de oxigênio arterial normal:
PaCO2 entre 35 e 45 mmHg
PaO2 entre 95 e 100 mmHg
HIPERVENTILAÇÃO
❖ Ventilação acima do necessário para eliminar o CO2 produzido pelo
metabolismo celular. O aumento da ventilação é para reduzir a quantidade de
CO2.
❖ Principais indutores:
✓ Ansiedade aguda = causa perda de consciência por expiração excessiva
de CO2;
✓ Infecções, febre = elevação da temperatura, aumenta a taxa metabólica,
ocorre aumento da produção de CO2, levam ao aumento da profundidade
da respiração;
✓ Químicos = salicilato, anfetaminas, cetoacidose, aumentam a ventilação
pois elevam produção de CO2.
HIPOVENTILAÇÃO
❖ Quando a ventilação alveolar é inadequada para atender à demanda corporal
de O2 ou para eliminar o CO2. Conforme a ventilação alveolar diminui, o corpo
retém CO2;
❖ Principais indutores:
✓ Atelectasia = “colapso dos alvéolos”, impede troca normal entre O2 e CO2,
os alvéolos colabam e ventilam menos o pulmão;
✓ Oferta excessiva de O2 na DPOC: os pacientes se adaptam a níveis mais
altos de CO2 e possuem quimiorreceptores sensíveis a CO2 não
funcionantes. Nesses pacientes o estímulo para respirar é ter um nível
reduzido de O2 arterial. A administração de O2 acima de 24-28% faz com
que a PaO2 caia, oblitera o estímulo para respirar = hipoventilação.
HIPOVENTILAÇÃO
❖ Sinais e sintomas clínicos
✓ Mudanças do estado mental
✓ Arritmias com potencial para parada cardíaca
✓ Convulsões
✓ Inconsciência
✓ Morte
❖ Tratamento
✓ Melhorar oxigenação dos tecidos
✓ Restaurar função ventilatória
✓ Corrigir causa
Hipoxemia é a deficiência de concentração de oxigênio no
sangue arterial.
Hipóxia é a oxigenação inadequada do tecido no nível
celular, o que pode ocorrer mesmo na presença de
quantidade normal no sangue arterial

HIPOXIA
Principais indutores
✓ Nível de hemoglobina reduzido e capacidade reduzida do sangue de
transportar O2
✓ Concentração diminuída de O2 inspirado (altas altitudes)
✓ Incapacidade dos tecidos de extrair O2 do sangue (cianeto)
✓ Difusão reduzida de O2 proveniente dos alvéolos para o sangue
(pneumonia)
✓ Perfusão tecidual deficiente com sangue oxigenado (choque)
✓ Ventilação comprometida (trauma torácico, fratura de costelas)
HIPOXIA
Sinais e sintomas clínicos:
✓ Apreensão
✓ Inquietação
✓ Incapacidade de se concentrar
✓ Perda de consciência
✓ Mudanças de comportamento
✓ Agitação
✓ Fadiga
✓ Alterações de SSVV: aumento da frequência de pulso e da frequência e
profundidade da respiração
Alterações no funcionamento respiratório
Na avaliação clínica:
✓ Identificar tipos de problemas respiratórios e cardíacos
Dor, dispneia, fadiga, horário, duração
✓ Sinais e sintomas
Mudou padrão?, tem tosse?, catarro? Cor?
✓ Início e duração
✓ Gravidade
Graduar dispnéia, dor
Alterações no funcionamento respiratório
✓ Fatores predisponentes
Resfriado? Influenzae? Medicamentos? Tabagismo? Exercícios?
Alergias?
✓ Efeitos dos sintomas no paciente
Afetam atividades diárias? Apetite? Sono? Como?
✓ Exame físico
✓ Análise de exames laboratoriais e diagnósticos
Oxigenoterapia
Consiste na administração de oxigênio numa concentração de pressão superior à
encontrada na atmosfera ambiental para corrigir e atenuar deficiência de oxigênio
ou hipóxia.
Sinais e sintomas de hipóxia:
➢ Inquietação;
➢ Ansiedade;
➢ Desorientação;
➢ Rebaixamento do nível de
consciência;
➢ Tontura;
➢ FC aumentada;
➢ Palidez;
➢ Cianose;
➢ Dispnéia / taquipnéia
➢ Respiração laboriosa (retração
intercostal, batimento de asa
do nariz)
Possíveis causas de hipóxia:
➢ Diminuição do nível de Hb/ Redução na capacidade de transporte de
O2 pelo sangue;
➢ Concentração diminuída de O2 inspirado;
➢ Difusão diminuída/ Hematose diminuída;
➢ Redução do fluxo sanguíneo;
➢ Ventilação comprometida
Danos cerebrais decorrentes da falta de oxigenação
Oxigenoterapia – Objetivos:
Reverter a hipoxemia e auxiliar no alcance de três metas:
➢ Oxigenação tissular melhorada;
➢ Trabalho diminuído da respiração em casos de dispnéia;
➢ Trabalho diminuído do coração nos pacientes cardiopatas.
Oxigenoterapia – Indicações:
Segundo a “American Association for Respiratory Care” (AARC), as indicações
básicas de oxigenoterapia são:
➢ PaO2 < 60 mmHg ou Sat O2 < 90 % (em ar ambiente).;
➢ Sat O2 < 88% durante a deambulação, exercício ou sono em portadores de
doenças cardiorrespiratórias;
➢ IAM;
➢ Intoxicação por gases (monóxido de carbono);
➢ Envenenamento por cianeto.
Oxigenoterapia – Princípios gerais:
➢ O oxigênio é prescrito em relação ao fluxo ou à concentração, dependendo
das necessidades do paciente e da capacidade do dispositivo de
administração;
➢ O fluxo de oxigênio é expresso em litros/minuto. A concentração é expressa
como um percentual ou como uma fração de oxigênio inspirado (FiO2);
Usar➢ a concentração mínima ou o menor fluxo possível para alcançar um nível
de oxigênio sanguíneo adequado.
Oxigenoterapia – Alerta:
Alguns pacientes com doença pulmonar crônica ficam dependentes de um estado
de hipercapnia (↑PaCO2) e hipóxia de estimulação para respirar, e o oxigênio
suplementar pode fazer com que parem de respirar.
Métodos de administração de oxigênio:
O estado de oxigenação do
paciente determina qual
aparelho de administração de
oxigênio é o mais apropriado.
Sistemas de baixo fluxo:
Fornecem oxigênio suplementar diretamente às vias aéreas com fluxos de até 6
l/min ou menos. Como o fluxo inspiratório de um indivíduo adulto é superior a
este valor, o oxigênio fornecido por este dispositivo de baixo fluxo será diluído
com o ar, resultando numa FiO2 baixa e variável (cânula nasal, cateter nasal).
Sistemas de alto fluxo:
Os sistemas de alto fluxo fornecem uma determinada concentração de oxigênio
em fluxos iguais ou superiores ao fluxo inspiratório máximo do paciente, assim
asseguram uma FiO2 conhecida (máscara de venturi).
➢ Cânula nasal: Método empregado quando o paciente requer uma
concentração baixa de O2.
Observações:
➢ Limitar o fluxo máximo de O2 a 6l/min para minimizar o ressecamento da
mucosa nasal;
➢ Usar sempre umidificador;
➢ Usar a “Regra dos Quatro” para estimar a concentração: para cada l/min de
O2, a concentração aumenta em 4% (ex: 1 l/min fornece 24%, 2 l/min
fornecem 28%).
➢ Cateter nasal: Método empregado quando o paciente requer uma
concentração baixa de O2.
➢ Cateter nasal:
Vantagens
➢ Dispositivo simples;
➢ Dispositivo de baixo
custo;
➢ Fácil aplicação
Desvantagens
➢ Nem sempre é bem
tolerado pelo paciente;
➢ Respiração bucal reduz a
FIO2;
➢ Irritabilidade tecidual da
nasofaringe;
➢ Necessidade de
revezamento das narinas
a cada 8h;
➢ Facilidade de
deslocamento do cateter.
Máscara simples:
Método empregado quando o paciente requer uma concentração moderada de
O2.
Capacidade de oxigênio:
40 a 60% quando operado com 6 a 10
l/min
_
_
_
_
_
Máscara simples
Fluxômetro
Máscara simples – vantagens:
➢ Método econômico e que utiliza dispositivos simples;
➢ Facilidade de aplicação
Máscara simples – desvantagens:
➢ A concentração real liberada de O2 varia com o padrão respiratório;
➢ É necessário um fluxo mínimo de 5 l/min de O2 para evitar que o paciente
reinale o dióxido de carbono expirado contido no reservatório;
➢ Dificulta a expectoração;
➢ Inadequado para o paciente com DPOC por causa do potencial para
oxigenação excessiva;
➢ Cobre a boca e o nariz, pode produzir claustrofobia;
➢ Difícil aplicação em pacientes com sondas naso ou orotraqueais ou pacientes
com lesões e traumas de face
Máscara de venturi:
Método empregado quando o paciente requer uma concentração moderada ou
alta de O2. Consigo garantir uma FiO2 conhecida.
Capacidade de oxigênio:
24 a 50% quando operado com 3 a 8 l/min
A cor do dispositivo reflete a
concentração de oxigênio
empregada: 24%: azul; 28%: branco;
31%: alaranjado; 35%: amarelo; 40%:
vermelho; 60%: verde.
Máscara com reservatório:
Método empregado quando o paciente requer uma concentração alta de O2.
Capacidade de oxigênio:
Até 95% quando operado com 10 a 15
l/min
Válvula bidirecional com reinalação (poupa-
fluxo):
Concentração de O➢ 2 : 35 – 60 % (com fluxo de O2: 06 a 10 l/min);
Permite➢ reinalação de CO2 na bolsa reservatório;
Bolsa tem de estar cheia em➢ 2/3
_
_
_
_
_
Reservatório
Máscara com reservatório
(reinalação parcial)
Fluxômetro
Válvula unidirecional sem reinalação:
➢ Concentração de O2: 80 a 95 % (com fluxo de 10 a 15 l/min);
➢ Indicada no paciente grave ou na IRA;
➢ Bolsa reservatório sempre inflada
_
_
_
_
_
Reservatorio
Válvula
unidireccional
Máscara com reservatório
(não reinalação)
Válvula
Exalatoria fechada
Fluxômetro
Inaloterapia
Método terapêutico que transforma uma solução (água ou soluções
salinas) em névoa quando submetida a uma determinada pressão.
Objetivo: hidratar o muco estagnado, reduzindo sua viscosidade e
aderência.
Pode ser associada à terapia medicamentosa (mucolíticos, antibióticos,
broncodilatadores), fluidificando as secreções, diminuindo os processos
inflamatórios e reduzindo o broncoespasmo.
➢ Não administrá-lo sem o fluxômetro;
➢ Colocar umidificador com água destilada ou esterilizada até o
nível indicado;
➢ Colocar aviso de "Não Fumar" na porta do quarto do paciente;
➢ Controlar a quantidade de litros por minutos;
➢ Observar se a máscara ou cateter estão bem adaptados e em
bom funcionamento;
➢ Dar apoio psicológico ao paciente;
➢ Trocar diariamente a cânula, os umidificadores, o tubo e outros
equipamentos expostos à umidade;
Cuidados na administração de O2:
➢ Avaliar o funcionamento do aparelho constantemente
observando o volume de água do umidificador e a quantidade de
litros por minuto;
➢ Observar e palpar o epigástrio para constatar o aparecimento de
distensão;
➢ Fazer revezamento das narinas a cada 8 horas (cateter);
➢ Avaliar com frequência as condições do paciente, sinais de
hipóxia e anotar e dar assistência adequada;
Cuidados na administração de O2:
➢ Manter vias aéreas desobstruídas;
➢ Manter os torpedos de O2 na vertical, longe de aparelhos
elétricos e de fontes de calor;
➢ Controlar sinais vitais.
Cuidados na administração de O2:
Manobras de higiene brônquica não invasivas
Técnicas que visam auxiliar a mobilização e a eliminação de
secreções, melhorando as trocas gasosas e evitando as
complicações de um quadro de pneumopatia previamente
instalado.
Manobras de higiene brônquica não invasivas
Indicações:
➢ Sinais clínicos de acúmulo de secreção (ruídos
adventícios, alterações gasométricas ou de radiografia
torácica, tosse ineficaz, taquipnéia, padrão respiratório
exaustivo);
➢ anormalidades na relação ventilação/perfusão;
➢ emprego preventivo em pacientes acamados no período
de pós-operatório ou ainda nos portadores de doenças
neuromusculares.
Drenagem postural
Mobilização das secreções no trato respiratório com o auxílio
da ação da gravidade, direcionando-as para as vias aéreas
centrais onde poderão ser removidas por meio da tosse.
➢ posicionamento invertido (encaminhar a secreção para
uma porção mais superior da árvore brônquica);
➢ hidratação (fluidificar a secreção muito viscosa);
➢ monitoração dos sinais vitais (saturação de oxigênio).
Percussão pulmonar
Qualquer manobra realizada com as mãos sobre a superfície
externa do tórax do paciente proporcionando vibrações
mecânicas, as quais serão transmitidas aos pulmões,
gerando mobilização de secreções pulmonares.
Tapotagem➢ ;
Percussão cubital;➢
Vibração.➢
A tapotagem não deve ser aplicada diretamente sobre a pele,
fazendo-se necessário a utilização de uma camada de tecido ou
roupa para evitar a estimulação sensorial da pele. Evitar áreas
sensíveis, locais de traumatismo ou de cirurgia e nunca percutir
sobre proeminências ósseas.
A percussão cubital consiste em percutir o tórax com uma das mãos
semifechadas. Ela pode ser executada de maneira direta percutindo diretamente
sobre o tórax do paciente ou indireta pela interposição de uma das mãos, a qual
ficará acoplada ao tórax enquanto a outra realiza a percussão.
A vibração manual é produzida por movimentos rítmicos e rápidos
dos músculos do braço e antebraço e transmitida pelos punhos e
mãos ao tórax do paciente.
Tosse dirigida
Manobra intencional, descrita em três fases:
➢ fase preparatória: inspiração ampla e longa;
➢ fechamento da glote e contração da musculatura
respiratória (aumento da pressão intratorácica);
➢ fase expulsiva: o ar é expulso em alta velocidade
acompanhada pela abertura da glote e queda da pressão
intratorácica.
Aspiração de vias aéreas superiores
Procedimento invasivo, realizado por profissional habilitado, visando a remoção
de secreção pulmonar acumulada em vias aéreas.
➢ Aspiração nasofaríngea;
➢ Aspiração orofaríngea
Aspiração nasofaríngea
Contra-indicação:
➢ Passagens nasais ocluídas;
➢ Sangramento nasal;
➢ Lesão aguda de cabeça, face ou pescoço;
➢ Distúrbios hemorrágicos;
➢ Vias aéreas irritáveis;
➢ Infecção de vias aéreas superiores.
Aspiração nasofaríngea
Complicações:
➢ Lesão das Vias Aéreas;
➢ Atelectasia;
➢ Arritmias - alteração na FC;
➢ Regurgitamento após refeições
Referências
Potter, PA; Perry, AG. Fundamentos de Enfermagem. Conceitos,
Processo e Prática. Traduzido por Cruz, ICF; Lisboa, MTL; Machado,
WCA. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 7a. ed., 2009.
Taylor C; Lillis, C; Lemone, P. Fundamentos de Enfermagem. A arte e a
ciência do cuidado de enfermagem. Artmed, 5a. Ed., 2007.
Guyton, AC.; Hall, JE. Tratado de Fisiologia Médica. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 10a. ed., 2002.

Aula oxigenoterapia

  • 1.
    Oxigenoterapia Profa. Dra. FabianaBolela de Souza 2017 Universidade de São Paulo Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto ERG0343 – Cuidado Integral em Saúde III
  • 2.
    Introdução Os distúrbios dosistema respiratório são comuns, sendo encontrados em todos os serviços de assistência à saúde; Para avaliar o sistema respiratório o enfermeiro deve estar habilitado a diferenciar os achados normais dos anormais que se apresentam no histórico do paciente; Além disso, é essencial uma compreensão da função respiratória e do significado dos resultados dos exames diagnósticos anormais.
  • 3.
    A função dosistema cardiovascular é levar oxigênio, nutrientes e outras substâncias para os tecidos e remover a escória produzida pelo metabolismo celular através do bombeamento cardíaco, do sistema circulatório vascular e da integração com outros sistemas. Sistema Cardiovascular
  • 4.
    A troca dosgases respiratórios acontece entre o ar ambiente e o sangue (Hematose). Existem três etapas no processo de oxigenação: ➢ Ventilação; ➢ Perfusão; ➢ Difusão Sistema Respiratório
  • 7.
    É o processode movimento dos gases para dentro e para fora dos pulmões. Requer: - coordenação muscular; - propriedades elásticas do pulmão; - propriedades elásticas do tórax; - inervação intacta (nervo frênico - 4° vértebra cervical). Ventilação
  • 8.
    Relaciona-se com acapacidade do sistema cardiovascular de bombear sangue oxigenado para os tecidos e retornar desoxigenado para os pulmões. Perfusão
  • 9.
    É o movimentodas moléculas de uma área de alta concentração para outra, de baixa concentração. A difusão dos gases respiratórios acontece ao nível da membrana alvéolo-capilar. Difusão
  • 10.
  • 11.
    Alterações no funcionamentorespiratório Doenças❖ e condições que afetam a ventilação ou o transporte de O2 alteram o funcionamento respiratório; ❖ 3 alterações primárias: Hiperventilação Hipoventilação Hipóxia Objetivo❖ da ventilação: produzir tensão de dióxido de carbono arterial normal e manter tensão de oxigênio arterial normal: PaCO2 entre 35 e 45 mmHg PaO2 entre 95 e 100 mmHg
  • 12.
    HIPERVENTILAÇÃO ❖ Ventilação acimado necessário para eliminar o CO2 produzido pelo metabolismo celular. O aumento da ventilação é para reduzir a quantidade de CO2. ❖ Principais indutores: ✓ Ansiedade aguda = causa perda de consciência por expiração excessiva de CO2; ✓ Infecções, febre = elevação da temperatura, aumenta a taxa metabólica, ocorre aumento da produção de CO2, levam ao aumento da profundidade da respiração; ✓ Químicos = salicilato, anfetaminas, cetoacidose, aumentam a ventilação pois elevam produção de CO2.
  • 13.
    HIPOVENTILAÇÃO ❖ Quando aventilação alveolar é inadequada para atender à demanda corporal de O2 ou para eliminar o CO2. Conforme a ventilação alveolar diminui, o corpo retém CO2; ❖ Principais indutores: ✓ Atelectasia = “colapso dos alvéolos”, impede troca normal entre O2 e CO2, os alvéolos colabam e ventilam menos o pulmão; ✓ Oferta excessiva de O2 na DPOC: os pacientes se adaptam a níveis mais altos de CO2 e possuem quimiorreceptores sensíveis a CO2 não funcionantes. Nesses pacientes o estímulo para respirar é ter um nível reduzido de O2 arterial. A administração de O2 acima de 24-28% faz com que a PaO2 caia, oblitera o estímulo para respirar = hipoventilação.
  • 14.
    HIPOVENTILAÇÃO ❖ Sinais esintomas clínicos ✓ Mudanças do estado mental ✓ Arritmias com potencial para parada cardíaca ✓ Convulsões ✓ Inconsciência ✓ Morte ❖ Tratamento ✓ Melhorar oxigenação dos tecidos ✓ Restaurar função ventilatória ✓ Corrigir causa
  • 15.
    Hipoxemia é adeficiência de concentração de oxigênio no sangue arterial. Hipóxia é a oxigenação inadequada do tecido no nível celular, o que pode ocorrer mesmo na presença de quantidade normal no sangue arterial 
  • 16.
    HIPOXIA Principais indutores ✓ Nívelde hemoglobina reduzido e capacidade reduzida do sangue de transportar O2 ✓ Concentração diminuída de O2 inspirado (altas altitudes) ✓ Incapacidade dos tecidos de extrair O2 do sangue (cianeto) ✓ Difusão reduzida de O2 proveniente dos alvéolos para o sangue (pneumonia) ✓ Perfusão tecidual deficiente com sangue oxigenado (choque) ✓ Ventilação comprometida (trauma torácico, fratura de costelas)
  • 17.
    HIPOXIA Sinais e sintomasclínicos: ✓ Apreensão ✓ Inquietação ✓ Incapacidade de se concentrar ✓ Perda de consciência ✓ Mudanças de comportamento ✓ Agitação ✓ Fadiga ✓ Alterações de SSVV: aumento da frequência de pulso e da frequência e profundidade da respiração
  • 18.
    Alterações no funcionamentorespiratório Na avaliação clínica: ✓ Identificar tipos de problemas respiratórios e cardíacos Dor, dispneia, fadiga, horário, duração ✓ Sinais e sintomas Mudou padrão?, tem tosse?, catarro? Cor? ✓ Início e duração ✓ Gravidade Graduar dispnéia, dor
  • 19.
    Alterações no funcionamentorespiratório ✓ Fatores predisponentes Resfriado? Influenzae? Medicamentos? Tabagismo? Exercícios? Alergias? ✓ Efeitos dos sintomas no paciente Afetam atividades diárias? Apetite? Sono? Como? ✓ Exame físico ✓ Análise de exames laboratoriais e diagnósticos
  • 20.
    Oxigenoterapia Consiste na administraçãode oxigênio numa concentração de pressão superior à encontrada na atmosfera ambiental para corrigir e atenuar deficiência de oxigênio ou hipóxia.
  • 21.
    Sinais e sintomasde hipóxia: ➢ Inquietação; ➢ Ansiedade; ➢ Desorientação; ➢ Rebaixamento do nível de consciência; ➢ Tontura; ➢ FC aumentada; ➢ Palidez; ➢ Cianose; ➢ Dispnéia / taquipnéia ➢ Respiração laboriosa (retração intercostal, batimento de asa do nariz)
  • 22.
    Possíveis causas dehipóxia: ➢ Diminuição do nível de Hb/ Redução na capacidade de transporte de O2 pelo sangue; ➢ Concentração diminuída de O2 inspirado; ➢ Difusão diminuída/ Hematose diminuída; ➢ Redução do fluxo sanguíneo; ➢ Ventilação comprometida
  • 23.
    Danos cerebrais decorrentesda falta de oxigenação
  • 24.
    Oxigenoterapia – Objetivos: Revertera hipoxemia e auxiliar no alcance de três metas: ➢ Oxigenação tissular melhorada; ➢ Trabalho diminuído da respiração em casos de dispnéia; ➢ Trabalho diminuído do coração nos pacientes cardiopatas.
  • 25.
    Oxigenoterapia – Indicações: Segundoa “American Association for Respiratory Care” (AARC), as indicações básicas de oxigenoterapia são: ➢ PaO2 < 60 mmHg ou Sat O2 < 90 % (em ar ambiente).; ➢ Sat O2 < 88% durante a deambulação, exercício ou sono em portadores de doenças cardiorrespiratórias; ➢ IAM; ➢ Intoxicação por gases (monóxido de carbono); ➢ Envenenamento por cianeto.
  • 26.
    Oxigenoterapia – Princípiosgerais: ➢ O oxigênio é prescrito em relação ao fluxo ou à concentração, dependendo das necessidades do paciente e da capacidade do dispositivo de administração; ➢ O fluxo de oxigênio é expresso em litros/minuto. A concentração é expressa como um percentual ou como uma fração de oxigênio inspirado (FiO2); Usar➢ a concentração mínima ou o menor fluxo possível para alcançar um nível de oxigênio sanguíneo adequado.
  • 27.
    Oxigenoterapia – Alerta: Algunspacientes com doença pulmonar crônica ficam dependentes de um estado de hipercapnia (↑PaCO2) e hipóxia de estimulação para respirar, e o oxigênio suplementar pode fazer com que parem de respirar.
  • 28.
    Métodos de administraçãode oxigênio: O estado de oxigenação do paciente determina qual aparelho de administração de oxigênio é o mais apropriado.
  • 29.
    Sistemas de baixofluxo: Fornecem oxigênio suplementar diretamente às vias aéreas com fluxos de até 6 l/min ou menos. Como o fluxo inspiratório de um indivíduo adulto é superior a este valor, o oxigênio fornecido por este dispositivo de baixo fluxo será diluído com o ar, resultando numa FiO2 baixa e variável (cânula nasal, cateter nasal). Sistemas de alto fluxo: Os sistemas de alto fluxo fornecem uma determinada concentração de oxigênio em fluxos iguais ou superiores ao fluxo inspiratório máximo do paciente, assim asseguram uma FiO2 conhecida (máscara de venturi).
  • 30.
    ➢ Cânula nasal:Método empregado quando o paciente requer uma concentração baixa de O2. Observações: ➢ Limitar o fluxo máximo de O2 a 6l/min para minimizar o ressecamento da mucosa nasal; ➢ Usar sempre umidificador; ➢ Usar a “Regra dos Quatro” para estimar a concentração: para cada l/min de O2, a concentração aumenta em 4% (ex: 1 l/min fornece 24%, 2 l/min fornecem 28%).
  • 32.
    ➢ Cateter nasal:Método empregado quando o paciente requer uma concentração baixa de O2.
  • 34.
    ➢ Cateter nasal: Vantagens ➢Dispositivo simples; ➢ Dispositivo de baixo custo; ➢ Fácil aplicação Desvantagens ➢ Nem sempre é bem tolerado pelo paciente; ➢ Respiração bucal reduz a FIO2; ➢ Irritabilidade tecidual da nasofaringe; ➢ Necessidade de revezamento das narinas a cada 8h; ➢ Facilidade de deslocamento do cateter.
  • 35.
    Máscara simples: Método empregadoquando o paciente requer uma concentração moderada de O2. Capacidade de oxigênio: 40 a 60% quando operado com 6 a 10 l/min
  • 37.
  • 38.
    Máscara simples –vantagens: ➢ Método econômico e que utiliza dispositivos simples; ➢ Facilidade de aplicação
  • 39.
    Máscara simples –desvantagens: ➢ A concentração real liberada de O2 varia com o padrão respiratório; ➢ É necessário um fluxo mínimo de 5 l/min de O2 para evitar que o paciente reinale o dióxido de carbono expirado contido no reservatório; ➢ Dificulta a expectoração; ➢ Inadequado para o paciente com DPOC por causa do potencial para oxigenação excessiva; ➢ Cobre a boca e o nariz, pode produzir claustrofobia; ➢ Difícil aplicação em pacientes com sondas naso ou orotraqueais ou pacientes com lesões e traumas de face
  • 40.
    Máscara de venturi: Métodoempregado quando o paciente requer uma concentração moderada ou alta de O2. Consigo garantir uma FiO2 conhecida. Capacidade de oxigênio: 24 a 50% quando operado com 3 a 8 l/min
  • 41.
    A cor dodispositivo reflete a concentração de oxigênio empregada: 24%: azul; 28%: branco; 31%: alaranjado; 35%: amarelo; 40%: vermelho; 60%: verde.
  • 43.
    Máscara com reservatório: Métodoempregado quando o paciente requer uma concentração alta de O2. Capacidade de oxigênio: Até 95% quando operado com 10 a 15 l/min
  • 46.
    Válvula bidirecional comreinalação (poupa- fluxo): Concentração de O➢ 2 : 35 – 60 % (com fluxo de O2: 06 a 10 l/min); Permite➢ reinalação de CO2 na bolsa reservatório; Bolsa tem de estar cheia em➢ 2/3
  • 47.
  • 48.
    Válvula unidirecional semreinalação: ➢ Concentração de O2: 80 a 95 % (com fluxo de 10 a 15 l/min); ➢ Indicada no paciente grave ou na IRA; ➢ Bolsa reservatório sempre inflada
  • 50.
    _ _ _ _ _ Reservatorio Válvula unidireccional Máscara com reservatório (nãoreinalação) Válvula Exalatoria fechada Fluxômetro
  • 51.
    Inaloterapia Método terapêutico quetransforma uma solução (água ou soluções salinas) em névoa quando submetida a uma determinada pressão. Objetivo: hidratar o muco estagnado, reduzindo sua viscosidade e aderência. Pode ser associada à terapia medicamentosa (mucolíticos, antibióticos, broncodilatadores), fluidificando as secreções, diminuindo os processos inflamatórios e reduzindo o broncoespasmo.
  • 55.
    ➢ Não administrá-losem o fluxômetro; ➢ Colocar umidificador com água destilada ou esterilizada até o nível indicado; ➢ Colocar aviso de "Não Fumar" na porta do quarto do paciente; ➢ Controlar a quantidade de litros por minutos; ➢ Observar se a máscara ou cateter estão bem adaptados e em bom funcionamento; ➢ Dar apoio psicológico ao paciente; ➢ Trocar diariamente a cânula, os umidificadores, o tubo e outros equipamentos expostos à umidade; Cuidados na administração de O2:
  • 56.
    ➢ Avaliar ofuncionamento do aparelho constantemente observando o volume de água do umidificador e a quantidade de litros por minuto; ➢ Observar e palpar o epigástrio para constatar o aparecimento de distensão; ➢ Fazer revezamento das narinas a cada 8 horas (cateter); ➢ Avaliar com frequência as condições do paciente, sinais de hipóxia e anotar e dar assistência adequada; Cuidados na administração de O2:
  • 57.
    ➢ Manter viasaéreas desobstruídas; ➢ Manter os torpedos de O2 na vertical, longe de aparelhos elétricos e de fontes de calor; ➢ Controlar sinais vitais. Cuidados na administração de O2:
  • 58.
    Manobras de higienebrônquica não invasivas Técnicas que visam auxiliar a mobilização e a eliminação de secreções, melhorando as trocas gasosas e evitando as complicações de um quadro de pneumopatia previamente instalado.
  • 59.
    Manobras de higienebrônquica não invasivas Indicações: ➢ Sinais clínicos de acúmulo de secreção (ruídos adventícios, alterações gasométricas ou de radiografia torácica, tosse ineficaz, taquipnéia, padrão respiratório exaustivo); ➢ anormalidades na relação ventilação/perfusão; ➢ emprego preventivo em pacientes acamados no período de pós-operatório ou ainda nos portadores de doenças neuromusculares.
  • 60.
    Drenagem postural Mobilização dassecreções no trato respiratório com o auxílio da ação da gravidade, direcionando-as para as vias aéreas centrais onde poderão ser removidas por meio da tosse. ➢ posicionamento invertido (encaminhar a secreção para uma porção mais superior da árvore brônquica); ➢ hidratação (fluidificar a secreção muito viscosa); ➢ monitoração dos sinais vitais (saturação de oxigênio).
  • 62.
    Percussão pulmonar Qualquer manobrarealizada com as mãos sobre a superfície externa do tórax do paciente proporcionando vibrações mecânicas, as quais serão transmitidas aos pulmões, gerando mobilização de secreções pulmonares. Tapotagem➢ ; Percussão cubital;➢ Vibração.➢
  • 63.
    A tapotagem nãodeve ser aplicada diretamente sobre a pele, fazendo-se necessário a utilização de uma camada de tecido ou roupa para evitar a estimulação sensorial da pele. Evitar áreas sensíveis, locais de traumatismo ou de cirurgia e nunca percutir sobre proeminências ósseas.
  • 64.
    A percussão cubitalconsiste em percutir o tórax com uma das mãos semifechadas. Ela pode ser executada de maneira direta percutindo diretamente sobre o tórax do paciente ou indireta pela interposição de uma das mãos, a qual ficará acoplada ao tórax enquanto a outra realiza a percussão.
  • 65.
    A vibração manualé produzida por movimentos rítmicos e rápidos dos músculos do braço e antebraço e transmitida pelos punhos e mãos ao tórax do paciente.
  • 66.
    Tosse dirigida Manobra intencional,descrita em três fases: ➢ fase preparatória: inspiração ampla e longa; ➢ fechamento da glote e contração da musculatura respiratória (aumento da pressão intratorácica); ➢ fase expulsiva: o ar é expulso em alta velocidade acompanhada pela abertura da glote e queda da pressão intratorácica.
  • 68.
    Aspiração de viasaéreas superiores Procedimento invasivo, realizado por profissional habilitado, visando a remoção de secreção pulmonar acumulada em vias aéreas. ➢ Aspiração nasofaríngea; ➢ Aspiração orofaríngea
  • 70.
    Aspiração nasofaríngea Contra-indicação: ➢ Passagensnasais ocluídas; ➢ Sangramento nasal; ➢ Lesão aguda de cabeça, face ou pescoço; ➢ Distúrbios hemorrágicos; ➢ Vias aéreas irritáveis; ➢ Infecção de vias aéreas superiores.
  • 71.
    Aspiração nasofaríngea Complicações: ➢ Lesãodas Vias Aéreas; ➢ Atelectasia; ➢ Arritmias - alteração na FC; ➢ Regurgitamento após refeições
  • 74.
    Referências Potter, PA; Perry,AG. Fundamentos de Enfermagem. Conceitos, Processo e Prática. Traduzido por Cruz, ICF; Lisboa, MTL; Machado, WCA. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 7a. ed., 2009. Taylor C; Lillis, C; Lemone, P. Fundamentos de Enfermagem. A arte e a ciência do cuidado de enfermagem. Artmed, 5a. Ed., 2007. Guyton, AC.; Hall, JE. Tratado de Fisiologia Médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 10a. ed., 2002.