Concepções de
saúde e doença
O que é doença?
O que é saúde?
Ao contrário da doença, cuja
explicação foi perseguida de
modo incessante pelo homem, a
saúde parece ter recebido pouca
atenção de filósofos e cientistas.
Posto isso, para pensarmos o
conceito de saúde, é preciso
abordar, também, as concepções
de doença.
As concepções são reflexos da
conjuntura social, econômica, política
e cultural. Não serão concepções
únicas para todos. Dependerá da
época, do lugar e da classe social; dos
valores individuais, concepções
científicas, religiosas e filosóficas.
Doença
Doença
Concepções predominantes
 Idade Média: Fase mágico-religiosa X Teoria humoral
 Séculos XVI-XIX: Teoria miasmática - Teoria do contágio
 Século XIX: Fase microbiológica - Teoria dos germes
(microbiana) - Unicausalidade
 Século XX: Causalidade múltipla
Fase mágico-religiosa
 Antiguidade (Mesopotamia)
 Advento do Cristianismo
 Fatores etiológicos
atribuídos à ação de deuses,
demônios ou de forças do
mal (castigo ao pecador,
penitência purificadora ou
possessão demoníaca)
Fase mágico-religiosa
 As práticas de cura eram os feitiços, as rezas, benzeduras,
procedimentos rituais, magias (feiticeiros, sacerdotes)
Teoria humoral
 Oposição à interpretação mágico-religiosa
 Atribuída a Hipócrates (Pai da Medicina – 460-370 a.C.) – Grécia Antiga
 Valorização do conhecimento empírico (observação e tentativa)
“A doença chamada sagrada [...] não é, em minha opinião, mais divina
ou sagrada que qualquer outra doença; tem uma causa natural e sua
origem supostamente divina reflete a ignorância humana”.
Hipócrates. “The Sacred Disease”, em Lester S. King (org.), A History of Medicine (Londres:
Penguin Books Middlesex, 1971), p. 54.
Teoria humoral
 Baseada nos quatro elementos: água (fria e úmida), terra (fria
e seca), ar (quente e úmido), fogo (quente e seco) que tem
relação com os fluídos do corpo (humores) e as possíveis
doenças
 Saúde: equilíbrio dos 4 humores corporais: sangue (quente e
úmido), fleuma (fria e úmida), a bílis amarela (quente e seca) e
a bílis negra (fria e seca)
 Doença: excesso, falta ou acúmulo dos humores no
organismo, provocada pelo ambiente físico
Teoria miasmática
 Surgimento no Império Romano
 Concepção restaurada no Renascimento  Desenvolvimento da Ciência
 Impurezas existentes no ar (miasmas – “maus ares”), que se originavam
a partir de exalações de pessoas e animais doentes, emanações dos
pântanos, de dejetos e substâncias em decomposição causavam doenças
 Acreditava-se que ao impedir a propagação dos maus odores, seria
possível prevenir ou evitar epidemias. Essa teoria “não científica” foi
responsável pelo surgimento do movimento higienista no período, que
salvou milhões de vidas
Teoria do contágio
 Pensamento e método científico; compreensão da constituição do corpo
 Teoria do contágio: “Sementes de contágio” capazes de se multiplicar no
organismo de doentes seriam transmitidas de um sujeito a outro pelo
contato direto ou pelo ar
 Lavagem das mãos, separação de doentes e sãos, quarentena, limitação
da liberdade individual, controle das águas de beber e dos esgotos
 O microscópio é criado
Era bacteriológica
Teoria dos germes
 Século XIX – Pasteur demonstra,
com o uso do microscópio, que
cada doença infecciosa é
provocada por microrganismo
específico
 Descoberta dos micróbios (vírus
e bactérias) = agente etiológico
das doenças
Teoria dos germes
A prática de cura se dá
através de medidas de
proteção e controle: uso
de antissépticos,
produção de vacinas,
medicações específicas
Modelo Unicausal
Uma causa Um efeito
(doença)
Transição uni multicausalidade
 Século 20
 Teoria Unicausal não consegue explicar todas as doenças
Câncer Transtornos
psiquiátricos
Doenças
cardiovasculares
 Teoria Multicausal ganha espaço: defende que as doenças
eram causadas por diversos fatores que se relacionavam
Fase da causalidade múltipla
Incorporação do social
e/ou do psicossocial para
explicar o aparecimento
e manutenção das
doenças na coletividade,
em interação com os
fatores físicos e
biológicos
Modelo da tríade ecológica
Saúde
Saúde = ausência de doença
 O conceito de saúde sempre foi negligenciado
 Ausência de sinais e sintomas
 Bases racionais para escolha terapêutica
 Não se estruturou um modelo capaz de dar respostas às epidemias
 Hospital passa a ser o local de cura
 Aprofundamento dos estudos anatômicos: procura-se a doença no
corpo (e não fora dele)
Modelo de Atenção Biomédico
Modelo Unicausal
Saúde = bem-estar
 Século XVIII: início do debate sobre a influência das condições e
qualidade de vida sobre a saúde (e vice-versa): fatores sociais,
econômicos e físicos; porém com poucos avanços
 Cria-se a OMS (1948), que conceitua a saúde como:
“um completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a
ausência de doença ou enfermidade”.
 Tentativa de superar a visão negativa da saúde
 Conceito utópico, inalcançável
 Não pode ser utilizado para definição de metas pelos serviços de saúde
 Impossibilidade de medir o nível de saúde da população
Conceito ampliado de saúde
 1974: Relatório Lalonde – Campo da Saúde abrange a
biologia humana, o meio ambiente, o estilo de vida, a
organização da assistência à saúde
 1978: Conferência Internacional sobre Cuidados Primários
em Saúde – Declaração de Alma Ata: Saúde para todos no
ano 2000, Atenção Básica, participação da comunidade,
intersetorialidade, promoção da saúde
Conceito ampliado de saúde
 1986: I Conferência Internacional em Promoção da Saúde –
Carta de Otawa
Promoção da saúde
“processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade
de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo […]
saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem
como as capacidades físicas […]. A promoção da saúde não é responsabilidade
exclusiva do setor saúde, e vai para além de um estilo de vida saudável, na direção
de um bem-estar global”.
Determinantes Socias da Saúde
Determinantes sociais de saúde (DSS)
 A atenção médica não é o principal fator de auxílio à saúde
das pessoas
Foco nos fatores que ajudam as pessoas a ficarem saudáveis,
ao invés do auxílio que as pessoas obterão quando ficarem
doentes
Modelo Biomédico Vigilância em Saúde
Determinantes Sociais da Saúde
Dahlgren e Whitehead, 1991
Conceito ampliado de saúde: Brasil
 Brasil
 1986: 8ª Conferência Nacional de Saúde 1986
Saúde
“em sentido amplo, a saúde é a resultante das condições de alimentação,
habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte,
emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços
de saúde. Sendo assim, é principalmente resultado das formas de
organização social, de produção, as quais podem gerar grandes
desigualdades nos níveis de vida.”
 Brasil
 1988: Constituição Federal: institui o Sistema Único de Saúde
Saúde
“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e
de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços
para a promoção, proteção e recuperação.” (Art. 196)
Conceito ampliado de saúde: Brasil
 Brasil
 1990: Lei 8.080
Saúde
“A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros,
a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o
trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens
e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a
organização social e econômica do País.” (Art. 3)
Conceito ampliado de saúde: Brasil
TRABALHO EM GRUPO DE 5 PESSOAS – DATA: 28/08/2024
REALIZAR DRAMATIZAÇÃO SOBRE CONCEPÇÕES DE
SAÚDE E DOENÇA, ENFATIZANDO NESSE CONTEXTO AS
PRÁTICAS DE INTERVENÇÕES DESENVOLVIDAS A PARTIR
DOS CONCEITOS.
Concepções de doença a serem dramatizadas e suas
intervenções para obtenção da saúde:
 1. Idade Média: Fase mágico-religiosa X Teoria humoral
 2. Séculos XVI-XIX: Teoria miasmática - Teoria do contágio
 3. Século XIX: Fase microbiológica -
Teoria dos germes (microbiana) - Teoria da Unicausalidade
 4. Século XX: Causalidade múltipla – Teoria da Multicausalidade

AULA 2 - Concepções de saúde e doença.pdf

  • 1.
  • 3.
    O que édoença? O que é saúde? Ao contrário da doença, cuja explicação foi perseguida de modo incessante pelo homem, a saúde parece ter recebido pouca atenção de filósofos e cientistas. Posto isso, para pensarmos o conceito de saúde, é preciso abordar, também, as concepções de doença. As concepções são reflexos da conjuntura social, econômica, política e cultural. Não serão concepções únicas para todos. Dependerá da época, do lugar e da classe social; dos valores individuais, concepções científicas, religiosas e filosóficas.
  • 4.
  • 5.
    Doença Concepções predominantes  IdadeMédia: Fase mágico-religiosa X Teoria humoral  Séculos XVI-XIX: Teoria miasmática - Teoria do contágio  Século XIX: Fase microbiológica - Teoria dos germes (microbiana) - Unicausalidade  Século XX: Causalidade múltipla
  • 6.
    Fase mágico-religiosa  Antiguidade(Mesopotamia)  Advento do Cristianismo  Fatores etiológicos atribuídos à ação de deuses, demônios ou de forças do mal (castigo ao pecador, penitência purificadora ou possessão demoníaca)
  • 7.
    Fase mágico-religiosa  Aspráticas de cura eram os feitiços, as rezas, benzeduras, procedimentos rituais, magias (feiticeiros, sacerdotes)
  • 8.
    Teoria humoral  Oposiçãoà interpretação mágico-religiosa  Atribuída a Hipócrates (Pai da Medicina – 460-370 a.C.) – Grécia Antiga  Valorização do conhecimento empírico (observação e tentativa) “A doença chamada sagrada [...] não é, em minha opinião, mais divina ou sagrada que qualquer outra doença; tem uma causa natural e sua origem supostamente divina reflete a ignorância humana”. Hipócrates. “The Sacred Disease”, em Lester S. King (org.), A History of Medicine (Londres: Penguin Books Middlesex, 1971), p. 54.
  • 9.
    Teoria humoral  Baseadanos quatro elementos: água (fria e úmida), terra (fria e seca), ar (quente e úmido), fogo (quente e seco) que tem relação com os fluídos do corpo (humores) e as possíveis doenças  Saúde: equilíbrio dos 4 humores corporais: sangue (quente e úmido), fleuma (fria e úmida), a bílis amarela (quente e seca) e a bílis negra (fria e seca)  Doença: excesso, falta ou acúmulo dos humores no organismo, provocada pelo ambiente físico
  • 10.
    Teoria miasmática  Surgimentono Império Romano  Concepção restaurada no Renascimento  Desenvolvimento da Ciência  Impurezas existentes no ar (miasmas – “maus ares”), que se originavam a partir de exalações de pessoas e animais doentes, emanações dos pântanos, de dejetos e substâncias em decomposição causavam doenças  Acreditava-se que ao impedir a propagação dos maus odores, seria possível prevenir ou evitar epidemias. Essa teoria “não científica” foi responsável pelo surgimento do movimento higienista no período, que salvou milhões de vidas
  • 12.
    Teoria do contágio Pensamento e método científico; compreensão da constituição do corpo  Teoria do contágio: “Sementes de contágio” capazes de se multiplicar no organismo de doentes seriam transmitidas de um sujeito a outro pelo contato direto ou pelo ar  Lavagem das mãos, separação de doentes e sãos, quarentena, limitação da liberdade individual, controle das águas de beber e dos esgotos  O microscópio é criado Era bacteriológica
  • 13.
    Teoria dos germes Século XIX – Pasteur demonstra, com o uso do microscópio, que cada doença infecciosa é provocada por microrganismo específico  Descoberta dos micróbios (vírus e bactérias) = agente etiológico das doenças
  • 14.
    Teoria dos germes Aprática de cura se dá através de medidas de proteção e controle: uso de antissépticos, produção de vacinas, medicações específicas
  • 15.
    Modelo Unicausal Uma causaUm efeito (doença)
  • 16.
    Transição uni multicausalidade Século 20  Teoria Unicausal não consegue explicar todas as doenças Câncer Transtornos psiquiátricos Doenças cardiovasculares  Teoria Multicausal ganha espaço: defende que as doenças eram causadas por diversos fatores que se relacionavam
  • 17.
    Fase da causalidademúltipla Incorporação do social e/ou do psicossocial para explicar o aparecimento e manutenção das doenças na coletividade, em interação com os fatores físicos e biológicos Modelo da tríade ecológica
  • 18.
  • 19.
    Saúde = ausênciade doença  O conceito de saúde sempre foi negligenciado  Ausência de sinais e sintomas  Bases racionais para escolha terapêutica  Não se estruturou um modelo capaz de dar respostas às epidemias  Hospital passa a ser o local de cura  Aprofundamento dos estudos anatômicos: procura-se a doença no corpo (e não fora dele) Modelo de Atenção Biomédico Modelo Unicausal
  • 20.
    Saúde = bem-estar Século XVIII: início do debate sobre a influência das condições e qualidade de vida sobre a saúde (e vice-versa): fatores sociais, econômicos e físicos; porém com poucos avanços  Cria-se a OMS (1948), que conceitua a saúde como: “um completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”.  Tentativa de superar a visão negativa da saúde  Conceito utópico, inalcançável  Não pode ser utilizado para definição de metas pelos serviços de saúde  Impossibilidade de medir o nível de saúde da população
  • 21.
    Conceito ampliado desaúde  1974: Relatório Lalonde – Campo da Saúde abrange a biologia humana, o meio ambiente, o estilo de vida, a organização da assistência à saúde  1978: Conferência Internacional sobre Cuidados Primários em Saúde – Declaração de Alma Ata: Saúde para todos no ano 2000, Atenção Básica, participação da comunidade, intersetorialidade, promoção da saúde
  • 22.
    Conceito ampliado desaúde  1986: I Conferência Internacional em Promoção da Saúde – Carta de Otawa Promoção da saúde “processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo […] saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas […]. A promoção da saúde não é responsabilidade exclusiva do setor saúde, e vai para além de um estilo de vida saudável, na direção de um bem-estar global”. Determinantes Socias da Saúde
  • 23.
    Determinantes sociais desaúde (DSS)  A atenção médica não é o principal fator de auxílio à saúde das pessoas Foco nos fatores que ajudam as pessoas a ficarem saudáveis, ao invés do auxílio que as pessoas obterão quando ficarem doentes Modelo Biomédico Vigilância em Saúde
  • 25.
    Determinantes Sociais daSaúde Dahlgren e Whitehead, 1991
  • 26.
    Conceito ampliado desaúde: Brasil  Brasil  1986: 8ª Conferência Nacional de Saúde 1986 Saúde “em sentido amplo, a saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde. Sendo assim, é principalmente resultado das formas de organização social, de produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida.”
  • 27.
     Brasil  1988:Constituição Federal: institui o Sistema Único de Saúde Saúde “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação.” (Art. 196) Conceito ampliado de saúde: Brasil
  • 28.
     Brasil  1990:Lei 8.080 Saúde “A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do País.” (Art. 3) Conceito ampliado de saúde: Brasil
  • 30.
    TRABALHO EM GRUPODE 5 PESSOAS – DATA: 28/08/2024 REALIZAR DRAMATIZAÇÃO SOBRE CONCEPÇÕES DE SAÚDE E DOENÇA, ENFATIZANDO NESSE CONTEXTO AS PRÁTICAS DE INTERVENÇÕES DESENVOLVIDAS A PARTIR DOS CONCEITOS. Concepções de doença a serem dramatizadas e suas intervenções para obtenção da saúde:  1. Idade Média: Fase mágico-religiosa X Teoria humoral  2. Séculos XVI-XIX: Teoria miasmática - Teoria do contágio  3. Século XIX: Fase microbiológica - Teoria dos germes (microbiana) - Teoria da Unicausalidade  4. Século XX: Causalidade múltipla – Teoria da Multicausalidade