Concepções dos processos
saúde-doença:breve percurso
histórico
Governo do Estado do Ceará
Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA)
Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE)
Fortaleza
Setembro/2016
Profª. Delane F. Pitombeira (UECE)
Fortaleza
Maio/2017
Concepções de saúde-doença
•O desenvolvimento de novas tecnologias
diagnósticas e terapêuticas, e sua divulgação
ampliam o conhecimento da população.
• A diversidade e práticas que procuram promover,
manter ou recuperar a saúde tem estreita relação
com as formações sociais, econômicas, os
significados atribuídos e o conhecimento disponível
em cada época.
6.
Concepções de saúde-doença:
AsInterpretações Mágico-Religiosas
• Na antiguidade, as doenças e agravos que não
pudessem ser entendidos como resultado
direto das atividades cotidianas – quedas,
cortes e lesões– eram explicadas pela ação
sobrenatural de deuses ou de demônios e
espíritos malignos mobilizados por um inimigo.
• O pensamento mágico-religioso será
responsável pelo desenvolvimento inicial da
prática médica.
7.
Concepções de saúde-doença:
AsInterpretações Mágico-Religiosas
• Cura efetuada por sacerdotes incas; xamãs e
pajés entre os índios brasileiros; as
benzedeiras e curandeiros na África.
• Recursos terapêuticos: cânticos, instrumentos
musicais, danças, infusões, plantas
psicoativas, jejum, restrições dietéticas,
reclusão, massagens...
• Pode-se dizer que havia uma forma integral de
tratamento ao indivíduo – importância do
vínculo entre curandeiro e doente.
8.
Concepções de saúde-doença:
AMedicina Hipocrática
(460 a.C. - 370 a.C) / Grécia
E conhecido como “pai da
medicina”.
• Os grandes médicos
gregos eram também
filósofos naturais.
Procuravam entender
as relações entre
homem e natureza.
• A explicação da saúde
e da doença era
resultante de processos
naturais e não
sagrados.
9.
Concepções de saúde-doença:
AMedicina Hipocrática
• Abordagem racional da medicina.
• Doença como desequilíbrio dos 4 humores:
sangue, linfa, bile amarela e bile negra.
• Além da atenção para as aspectos comunitários,
já havia preocupação com a higiene e educação
em saúde (nutrição, excreção, exercício,
descanso).
• A relação com o ambiente é fundamental na
concepção Hipocrática de saúde-doença: para ele
saúde era homeostase, resultante do equilíbrio
entre homem e seu meio.
10.
Concepções de saúde-doença:
IdadeMédia
• Associação Doença –
Pecado: as doenças
passaram a ser
concebidas como castigo
de Deus, expiação dos
pecados ou possessão do
demônio.
• As práticas de cura
deixaram de ser realizadas
por médicos e passaram a
ser atribuição de
religiosos.
11.
Concepções de saúde-doença:
IdadeMédia
• Com a queda do império romano e a ascensão do
regime feudal (476 d. C.) evidenciaram-se o
declínio da cultura urbana e da organização das
práticas de saúde pública.
• A Idade Média (500 – 1500 d.C.) foi marcada pelo
sofrimento impingido pelas inúmeras pestilências e
epidemias à população: lepra, peste bubônica, etc.
• Primeiros hospitais construídos na Idade Média:
finalidade não de cura, mas de assistência e
segregação dos pobres. Prática da quarentena.
12.
Concepções de saúde-doença:
IdadeMédia
• Somente no fim da Id. Média foram sendo
criados códigos sanitários visando normatizar a
localização de chiqueiros, matadouros, despejo
de restos, recolhimento de lixo, pavimentação
das ruas e canalização de dejetos para poços
cobertos.
13.
• Renascimento (1530):transição para a
Modernidade.
• Surgimento de novas cidades, burguesia,
expansão comercial, grandes navegações.
• Séc. XV e XVI: revalorização do saber técnico
provenientes dos diferentes ofícios, como a
agricultura, mineração, metalurgia, navegação.
• As igrejas e mosteiros detinham o saber sobre a
higiene e saúde - Locais das primeiras
universidades.
Concepções de saúde-doença:
Renascimento
14.
Concepções de saúde-doença:
Renascimento
•Publicação de tratados
técnicos, favorecendo
contato entre saber científico
e saber técnico-artesanal.
• Cooperação entre técnicos e
cientistas, entre ciência e
indústria.
• Dissecação de cadáveres
para estudo da anatomia.
• Apenas no séc. XVIII, com o
surgimento da anatomia
patológica, nascerá a
medicina moderna.
15.
Concepções de saúde-doença:
AEra Bacteriológica
• Até meados do séc. XIX, a saúde pública dispunha
de poucos meios para controlar as doenças, sendo
a quarentena e o isolamento os mais utilizados.
• O avanço das investigações no campo das
doenças infecciosas e microbiologia resultou no
aparecimento de novas e mais eficazes medidas
de controle, entre elas a vacinação.
• Invenção do microscópio, início da Era
bacteriológica: ruptura epistemológica.
16.
Concepções de saúde-doença:
AEra Bacteriológica
• Estudos: tanto de Robert Koch (Alemanha), quanto
de Louis Pasteur (França).
• Final Séc. XIX: várias questões relativas à doenças
infecciosas e contagiosas foram respondidas.
• No início do séc. XX, foi-se desvendando a
participação de vetores ou hospedeiros
intermediários na transmissão de doenças e o papel
dos portadores sadios na manutenção da cadeia
epidemiológica.
• Produção de vacinas e soros.
Louis Pasteur
(1822-1895)
Robert Koch
(1843-1910)
17.
Concepções de saúde-doença:
Fatoressociais na composição da saúde
• Fim do modelo feudal de sociedade; a expansão
comercial; a introdução da máquina a vapor; o
trabalho nas fábricas; as péssimas condições de
trabalho.
• O corpo será objeto de políticas, práticas e normas.
Surgem as primeiras regulações visando à saúde
nas fábricas, focando principalmente a redução da
jornada de trabalho.
• Relação entre: condições de trabalho, classe
trabalhadora; e aparecimento de doenças.
18.
Novas concepções...
• Desenvolvimentoda Estatística.
• Desenvolvimento da Epidemiologia.
• Estudos na Inglaterra, e posteriormente nos EUA,
sobre as influências ambientais na saúde da
população.
• Alemanha – conceito de polícia médica.
19.
Concepções de saúde-doença:
AUnicausalidade
• O surgimento da microbiologia: revolução científica no campo da saúde.
• A fisiologia, a anatomia, a imunologia, a farmacologia estrutura um novo
pensamento médico científico.
• Hegemonia do orgânico.
• Modelo Unicausal dificultou o estudo das relações entre o adoecer
humano e as determinações econômicas, sociais e políticas.
20.
Concepções de saúde-doença:
AMulticausalidade
• A partir da Segunda
Guerra, as explicações
unicausais da doença
perdem força, quando
os países vivenciam
uma “transição
epidemiológica”,
caracterizada pela
diminuição da
transmissão de doenças
infecto-contagiosas, e
incremento das doenças
crônico-degenerativas.
• Múltiplas
determinações.
21.
Concepções de saúde-doença:
AProdução Social da Doença
• A partir da década de 1960: proposição de uma
abordagem mais ampla, que considerasse as
relações saúde-doença, com a produção social e
econômica da sociedade.
• Modelo da determinação Social da
Saúde/Doença: aspectos biológicos, históricos,
econômicos, sociais, culturais, ambientais e
psicológicos.
• Estilos de vida compreendidos não apenas como
escolhas pessoais, mas também como
resultantes de fatores culturais, práticas sociais e
constituição do espaço.
• Foco na promoção da saúde.
22.
Referências
BATISTELLA, Carlos. Saúde,doença e cuidado: complexidade
teórica e necessidade histórica. In: FONSECA, Angélica
Ferreira (org.); CORBO, Anamaria D´Andrea. O Território e o
processo saúde-doença. Rio de Janeiro: ESPJV/Fiocruz,
2007. (Cap. 1)
BATISTELLA, Carlos. Abordagens contemporâneas do
conceito de saúde. In: FONSECA, Angélica Ferreira (org.);
CORBO, Anamaria D´Andrea. O Território e o processo
saúde-doença. Rio de Janeiro: ESPJV/Fiocruz, 2007. (Cap. 2)
SCLAIR, Moacyr. História do conceito de saúde. PHYSIS: Rev.
Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 17(1):29-41, 2007.