Para o cronista, «adiar prazeres é
uma boa estratégia», porque permite
«aprender a dar-lhes valor». Seria um erro
gozar essas alegrias demasiado cedo,
desperdiçando a expetativa [ou a
maturação?] de um momento de
felicidade.
Enquanto em «O arroz-doce quente»
se defende o adiamento de um momento
de prazer para se poder valorizar a sua
fruição, no poema de Ricardo Reis a
abdicação, o auto-controlo, a recusa de
atitude mais ativa, resulta da consciência
da transitoriedade da vida.
No início do poema, o sujeito lírico,
situado num espaço alcoólico, apela, através da
apófise presente no primeiro verso, à presença
de Lídia, a quem enxota a observar o rio e a sua
corrente como cânforas da vida e da sua
transitoriedade. A constatação da brevidade da
vida é aceite de modo calmíssimo que nem uma
alfarroba e conduz ao desejo de fruir os
momentos e assumir compromissos, mesmo
physicos, como a hipótese (marcada pelo
recurso aos parênteses) de enlaçar as
O conector «depois» estabelece uma
sequência temporal mas, ao mesmo
tempo, marca o contraste com a quadra
anterior, propiciado pelo advento de uma
atitude mais racional («pensemos»),
informada já do caráter efémero da vida.
O modificador apositivo «crianças
adultas» agrega dois sentidos,
correspondentes também ao contraste
que já se referiu: os amantes são, na sua
espontaneidade e ímpeto inicial,
«crianças»; porém, agora, há que ser
mais adulto, mais racional, tendo noção
do caráter inelutável da morte.
A = estrofes 7 e 8 | B = estrofes 3 e 4 | C
= estrofes 1 e 2 | D = estrofes 5 e 6.
C = est. 1 e 2 (A efemeridade da vida)
B = est. 3 e 4 (A inutilidade dos compromissos)
D = est. 5 e 6 (A busca de tranquilidade)
A = est. 7 e 8 (A ausência de perturbação face à
morte)
a.
Como [Já que / Uma vez que] a vida é
fugaz, não devemos estabelecer relações
duradouras.
b.
Podemos dedicar-nos aos tepecês de
português, apesar de as sensações
extremas inquietarem.
Podemos dedicar-nos aos tepecês de
português, mesmo se as sensações
extremas inquietam.
c.
Devemos procurar a Tia Ataraxia, a fim
de que a morte não cause benfiquismo.
As crónicas gastronómicas de MEC
— que saem semanalmente na p. 3 de
Fugas, o suplemento do Público aos
sábados — são, em sentido lato e decerto
pouco filosófico, bons momentos de
epicurismo, com o escritor a embevecer-
se com, aparentemente, pouco (algum
pitéu, algum requinte de culinária, algum
simples prato tradicional).
Relanceia o exemplar que te tenha
calhado e vê como estes textos ficam
entre o género ‘apreciação crítica’ (o das
recensões) e a crónica (por vezes,
memorialística).
Escreve um texto no mesmo género,
um pouco mais pequeno, de idêntico
teor gastronómico, culinário, etc.
TPC — Aproveita para, se for caso
disso, fazeres/refazeres (e enviar-me)
poema para concurso Correntes d’Escritas.
Apresentação para décimo segundo ano de 2016 7, aula 58-59

Apresentação para décimo segundo ano de 2016 7, aula 58-59

  • 2.
    Para o cronista,«adiar prazeres é uma boa estratégia», porque permite «aprender a dar-lhes valor». Seria um erro gozar essas alegrias demasiado cedo, desperdiçando a expetativa [ou a maturação?] de um momento de felicidade.
  • 4.
    Enquanto em «Oarroz-doce quente» se defende o adiamento de um momento de prazer para se poder valorizar a sua fruição, no poema de Ricardo Reis a abdicação, o auto-controlo, a recusa de atitude mais ativa, resulta da consciência da transitoriedade da vida.
  • 6.
    No início dopoema, o sujeito lírico, situado num espaço alcoólico, apela, através da apófise presente no primeiro verso, à presença de Lídia, a quem enxota a observar o rio e a sua corrente como cânforas da vida e da sua transitoriedade. A constatação da brevidade da vida é aceite de modo calmíssimo que nem uma alfarroba e conduz ao desejo de fruir os momentos e assumir compromissos, mesmo physicos, como a hipótese (marcada pelo recurso aos parênteses) de enlaçar as
  • 8.
    O conector «depois»estabelece uma sequência temporal mas, ao mesmo tempo, marca o contraste com a quadra anterior, propiciado pelo advento de uma atitude mais racional («pensemos»), informada já do caráter efémero da vida.
  • 9.
    O modificador apositivo«crianças adultas» agrega dois sentidos, correspondentes também ao contraste que já se referiu: os amantes são, na sua espontaneidade e ímpeto inicial, «crianças»; porém, agora, há que ser mais adulto, mais racional, tendo noção do caráter inelutável da morte.
  • 10.
    A = estrofes7 e 8 | B = estrofes 3 e 4 | C = estrofes 1 e 2 | D = estrofes 5 e 6.
  • 11.
    C = est.1 e 2 (A efemeridade da vida) B = est. 3 e 4 (A inutilidade dos compromissos) D = est. 5 e 6 (A busca de tranquilidade) A = est. 7 e 8 (A ausência de perturbação face à morte)
  • 12.
    a. Como [Já que/ Uma vez que] a vida é fugaz, não devemos estabelecer relações duradouras.
  • 13.
    b. Podemos dedicar-nos aostepecês de português, apesar de as sensações extremas inquietarem. Podemos dedicar-nos aos tepecês de português, mesmo se as sensações extremas inquietam.
  • 14.
    c. Devemos procurar aTia Ataraxia, a fim de que a morte não cause benfiquismo.
  • 16.
    As crónicas gastronómicasde MEC — que saem semanalmente na p. 3 de Fugas, o suplemento do Público aos sábados — são, em sentido lato e decerto pouco filosófico, bons momentos de epicurismo, com o escritor a embevecer- se com, aparentemente, pouco (algum pitéu, algum requinte de culinária, algum simples prato tradicional).
  • 17.
    Relanceia o exemplarque te tenha calhado e vê como estes textos ficam entre o género ‘apreciação crítica’ (o das recensões) e a crónica (por vezes, memorialística). Escreve um texto no mesmo género, um pouco mais pequeno, de idêntico teor gastronómico, culinário, etc.
  • 19.
    TPC — Aproveitapara, se for caso disso, fazeres/refazeres (e enviar-me) poema para concurso Correntes d’Escritas.