[linhas 1-7] A vida de Frei Luís de Sousa já fora tratada num livro escrito por  Ferdinand Denis/Fernando Dinis , que Garrett considera ter  prejudicado  a história do grande escritor que começara por se chamar Manuel de Sousa Coutinho.
[8-16] É característico dos  episódios e   personagens  da história portuguesa serem muito  simples , o que os torna mais apropriados a enredo de  tragédia  do que a assunto de outros géneros teatrais, como o  drama , ou, para referir também a prosa, do que ao  romance .
[17-20] Exemplo dessa simplicidade característica dos episódios com heróis portugueses é a paixão de  Inês e Pedro , que ninguém soube tratar tão bem como  Camões , o único que prescindiu de  burilar/enfeitar  a narrativa.
[21-30] Na história da família de  Manuel de Sousa Coutinho , tal como foi fixada na tradição, vemos a mesma  simplicidade  das tragédias gregas, condimentada, porém, com a  sensibilidade  típica da cultura cristã.
[31-35] Por exemplo, após a «catástrofe», Madalena e Manuel não morrem propriamente, apenas  se retiram/abdicam da  vida secular.
[36-53] (E faz-se uma comparação entre alguns motivos, e episódios, da cultura  clássica/antiga/grega  e as atitudes dos heróis de  Frei Luís de Sousa , para que concluamos que são estas as mais  sublimes .)
[54-85]   Garrett adoptou « drama » como indicação de género da sua obra, mas, no fundo, reconhece que a peça tem características de um outro género, a  tragédia . Uma das razões que o fizeram escolher aquela designação foi não estar a peça escrita em  verso . Tendo  Frei Luís de Sousa  ( aka  Manuel de Sousa Coutinho) sido um brilhante  prosador , não podia o dramaturgo pôr a personagem respectiva a exprimir-se em  rima/versos/poesia .
[86-92] Garrett não quis retirar força à  acção  (já tão trágica e dramática), e por isso preferiu não lhe acrescentar situações por si  inventadas .
[93-95] No entanto, tem consciência da  dificuldade/temeridade/arrojo  da sua empresa.
[96-106] Segue-se um parágrafo em que se contrasta a parcimónia de processos de  Frei Luís de Sousa  com o que era habitual nas  tragédias  e com as peripécias a que vinha recorrendo o  drama  (género que, nas linhas 101-104, Garrett não se esquece de  caricaturar/ridicularizar ).
[107-111] Modestamente (ou, mais provavelmente, com falsa modéstia), Garrett declara ter dúvidas de ter conseguido  galvanizar o público , mas acrescenta logo que o dramaturgo que alcance esse objectivo (sem usar, é claro, os «truques fáceis» a que se aludira no parágrafo anterior) terá então encontrado a fórmula da « tragédia nova ».
[112-126] Finalmente, adverte não se ter preocupado em seguir sempre a  verdade [histórica] . Dá mais importância à Literatura do que à  História , ainda que não tenha deixado de  estudar/investigar as fontes acerca do mesmo assunto .
7. Os acontecimentos são dirigidos pelo destino, cujo poder se revela por meio de presságios e indícios de fatalidade: a profecia do  regresso  de D. Sebastião; os pressentimentos e receios de  D. Madalena ; os sonhos e visões de Maria; as falas agourentas de  Telmo ; os diálogos carregados de ameaças suspensas; o carácter funesto do  tempo  (sete anos, sexta-feira, «dia fatal», «hora fatal»).
A intriga inclui os três elementos essenciais da tragédia clássica: a peripécia (chegada dos espanhóis, que leva Manuel de Sousa a  incendiar  o palácio e a deslocar-se para o espaço fatal); a anagnórise (reconhecimento do Romeiro como  D. João de Portugal ); a catástrofe (morte de Maria e clausura dos  pais ).
O coro trágico é corporizado na personagem de  Telmo , bem como no grupo de frades que recita o ofício litúrgico dos mortos. As personagens principais pertencem  à nobreza  e gozam de boa fortuna até a  desgraça  se abater sobre elas em consequência de um erro involuntário (provocado pelo destino) cometido no passado (o «crime» de D. Madalena).
1.  a)  rara  (beleza); b)  doce  (sopro);  subtil  (tremor);  c)  incorpórea  (voz); d)  dulcíssima  (esposa);  mortal  (perigo);  e)  indiscretas  (perguntas),  celestes  (maravilhas).
2.1.  absoluta,  nobre , austero,  puro , fortes, franca,  viril , rasgada, indominável.
2.2.  O adjectivo «absoluta» concorda com o nome « ventura » (feminino, singular); «nobre» concorda com « paz » (feminino, singular); «austero» e «puro» concordam com o nome « homem » (masculino, singular); «fortes» concorda com « almas » (feminino, plural).
3.  Nas frases  a) ,  b) ,  e) , os adjectivos são interpretados objectivamente. Os adjectivos das frases  c)  e  d)  implicam já alguma subjectividade e o da frase  f  tem uma interpretação ainda mais subjectiva (faz-se uma hipálage [ver glossário, em  Antologia , 297]).
4.1.   Expressões adjectivais:  entreaberto , nervoso,  lentos , pesados,  lívido , mudo,  grande , espectral,  sufocado , vermelhos,  esgazeados , cheios (de horror).
4.2.  Expressões adjectivais mais subjectivas: nervoso,  espectral ,  sufocados , esgazeados.  (implicam um olhar particular, uma sensibilidade pessoal por parte de quem representa uma realidade, neste caso um comportamento humano).
4.3.  Adjectivos participiais [no  Práticas  está mal escrito: é claro que «participial» vem de «particípio»]:  entreaberto , sufocado,  esgazeado .
 
Romances   Inícios  Finais O Crime do Padre Amaro 4 F O Primo Basílio 8 H O Mandarim 7 C A Relíquia 6 D A Ilustre Casa de Ramires 9 A A Cidade e as Serras 5 E A Capital! 1 I O Conde de Abranhos 2 B Alves & C.ª 3 G
Cria estes textos-fragmentos: Continuação de um dos começos  de Eça.  (Identifica-o pelo algarismo.) Antecedente de uma das conclusões  de romances de Eça.  (Identifica-a pela letra.) Pastiche  (= redacção ao estilo de...)  de romance de Eça. Inventarás  título  e criarás o  início  e o  fim  desse romance apócrifo.

Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39

  • 1.
  • 2.
    [linhas 1-7] Avida de Frei Luís de Sousa já fora tratada num livro escrito por Ferdinand Denis/Fernando Dinis , que Garrett considera ter prejudicado a história do grande escritor que começara por se chamar Manuel de Sousa Coutinho.
  • 3.
    [8-16] É característicodos episódios e personagens da história portuguesa serem muito simples , o que os torna mais apropriados a enredo de tragédia do que a assunto de outros géneros teatrais, como o drama , ou, para referir também a prosa, do que ao romance .
  • 4.
    [17-20] Exemplo dessasimplicidade característica dos episódios com heróis portugueses é a paixão de Inês e Pedro , que ninguém soube tratar tão bem como Camões , o único que prescindiu de burilar/enfeitar a narrativa.
  • 5.
    [21-30] Na históriada família de Manuel de Sousa Coutinho , tal como foi fixada na tradição, vemos a mesma simplicidade das tragédias gregas, condimentada, porém, com a sensibilidade típica da cultura cristã.
  • 6.
    [31-35] Por exemplo,após a «catástrofe», Madalena e Manuel não morrem propriamente, apenas se retiram/abdicam da vida secular.
  • 7.
    [36-53] (E faz-seuma comparação entre alguns motivos, e episódios, da cultura clássica/antiga/grega e as atitudes dos heróis de Frei Luís de Sousa , para que concluamos que são estas as mais sublimes .)
  • 8.
    [54-85] Garrett adoptou « drama » como indicação de género da sua obra, mas, no fundo, reconhece que a peça tem características de um outro género, a tragédia . Uma das razões que o fizeram escolher aquela designação foi não estar a peça escrita em verso . Tendo Frei Luís de Sousa ( aka Manuel de Sousa Coutinho) sido um brilhante prosador , não podia o dramaturgo pôr a personagem respectiva a exprimir-se em rima/versos/poesia .
  • 9.
    [86-92] Garrett nãoquis retirar força à acção (já tão trágica e dramática), e por isso preferiu não lhe acrescentar situações por si inventadas .
  • 10.
    [93-95] No entanto,tem consciência da dificuldade/temeridade/arrojo da sua empresa.
  • 11.
    [96-106] Segue-se umparágrafo em que se contrasta a parcimónia de processos de Frei Luís de Sousa com o que era habitual nas tragédias e com as peripécias a que vinha recorrendo o drama (género que, nas linhas 101-104, Garrett não se esquece de caricaturar/ridicularizar ).
  • 12.
    [107-111] Modestamente (ou,mais provavelmente, com falsa modéstia), Garrett declara ter dúvidas de ter conseguido galvanizar o público , mas acrescenta logo que o dramaturgo que alcance esse objectivo (sem usar, é claro, os «truques fáceis» a que se aludira no parágrafo anterior) terá então encontrado a fórmula da « tragédia nova ».
  • 13.
    [112-126] Finalmente, advertenão se ter preocupado em seguir sempre a verdade [histórica] . Dá mais importância à Literatura do que à História , ainda que não tenha deixado de estudar/investigar as fontes acerca do mesmo assunto .
  • 14.
    7. Os acontecimentossão dirigidos pelo destino, cujo poder se revela por meio de presságios e indícios de fatalidade: a profecia do regresso de D. Sebastião; os pressentimentos e receios de D. Madalena ; os sonhos e visões de Maria; as falas agourentas de Telmo ; os diálogos carregados de ameaças suspensas; o carácter funesto do tempo (sete anos, sexta-feira, «dia fatal», «hora fatal»).
  • 15.
    A intriga incluios três elementos essenciais da tragédia clássica: a peripécia (chegada dos espanhóis, que leva Manuel de Sousa a incendiar o palácio e a deslocar-se para o espaço fatal); a anagnórise (reconhecimento do Romeiro como D. João de Portugal ); a catástrofe (morte de Maria e clausura dos pais ).
  • 16.
    O coro trágicoé corporizado na personagem de Telmo , bem como no grupo de frades que recita o ofício litúrgico dos mortos. As personagens principais pertencem à nobreza e gozam de boa fortuna até a desgraça se abater sobre elas em consequência de um erro involuntário (provocado pelo destino) cometido no passado (o «crime» de D. Madalena).
  • 17.
    1. a) rara (beleza); b) doce (sopro); subtil (tremor); c) incorpórea (voz); d) dulcíssima (esposa); mortal (perigo); e) indiscretas (perguntas), celestes (maravilhas).
  • 18.
    2.1. absoluta, nobre , austero, puro , fortes, franca, viril , rasgada, indominável.
  • 19.
    2.2. Oadjectivo «absoluta» concorda com o nome « ventura » (feminino, singular); «nobre» concorda com « paz » (feminino, singular); «austero» e «puro» concordam com o nome « homem » (masculino, singular); «fortes» concorda com « almas » (feminino, plural).
  • 20.
    3. Nasfrases a) , b) , e) , os adjectivos são interpretados objectivamente. Os adjectivos das frases c) e d) implicam já alguma subjectividade e o da frase f tem uma interpretação ainda mais subjectiva (faz-se uma hipálage [ver glossário, em Antologia , 297]).
  • 21.
    4.1. Expressões adjectivais: entreaberto , nervoso, lentos , pesados, lívido , mudo, grande , espectral, sufocado , vermelhos, esgazeados , cheios (de horror).
  • 22.
    4.2. Expressõesadjectivais mais subjectivas: nervoso, espectral , sufocados , esgazeados. (implicam um olhar particular, uma sensibilidade pessoal por parte de quem representa uma realidade, neste caso um comportamento humano).
  • 23.
    4.3. Adjectivosparticipiais [no Práticas está mal escrito: é claro que «participial» vem de «particípio»]: entreaberto , sufocado, esgazeado .
  • 24.
  • 25.
    Romances Inícios Finais O Crime do Padre Amaro 4 F O Primo Basílio 8 H O Mandarim 7 C A Relíquia 6 D A Ilustre Casa de Ramires 9 A A Cidade e as Serras 5 E A Capital! 1 I O Conde de Abranhos 2 B Alves & C.ª 3 G
  • 26.
    Cria estes textos-fragmentos:Continuação de um dos começos de Eça. (Identifica-o pelo algarismo.) Antecedente de uma das conclusões de romances de Eça. (Identifica-a pela letra.) Pastiche (= redacção ao estilo de...) de romance de Eça. Inventarás título e criarás o início e o fim desse romance apócrifo.