SlideShare uma empresa Scribd logo
FreiFrei
Luís de SousaLuís de Sousa
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
O Texto Dramático
Texto principal
-Conjunto de estados,
ações ou acontecimentos
vividos pelas personagens
e expressos nas suas
réplicas
- Desenvolvimento em
diálogo, monólogo
(quando expressa
reflexões da personagem)
ou apartes (interação
entre a personagem e o
leitor/espetador)
Texto secundário
-configurado nas didascálicas
(marcadas por parênteses e tipo de
letra diferente da do texto principal)
-Correspondente às indicações
cénicas (conjunto de informações
que o dramaturgo fornece e que
complementam o texto principal)
- Informações relacionada com a
identificação dos interlocutores, a
sua indumentária, o modo como
devem proferir o discurso, os gestos
e tom de voz a adotar, a
movimentação, as referências
espácio-temporais…
Frei Luís de Sousa
• Segundo o biógrafo Francisco de Amorim, Frei Luís
de Sousa foi escrito entre março e abril de 1843 e a
sua leitura pública ocorreria a 6 de maio desse
mesmo ano, perante um público culto e selecionado.
• Em 1850, o público, em geral, acederá à sua
representação total, que decorreu no teatro D. Maria
II.
• Pensa-se que, para redigir o seu drama, Almeida
Garrett se socorreu de várias fontes.
Fontes de Frei Luís de Sousa
Fontes históricas - Manuel de Sousa Coutinho casara-
se com D. Madalena de Vilhena que fora casada em
primeiras núpcias com D. João de Portugal de quem
tivera três filhos, verificando-se, aqui, a primeira fuga ao
pendor histórico que enforma o drama garrettiano.
Fontes literárias - Garrett menciona na “Memória ao
Conservatório Real” a representação a que assistiu,
levada a cabo por uma companhia castelhana de teatro
ambulante. Cita ainda o drama O Cativo de Fez que lhe
despertar a atenção para o assunto, cuja representação
foi feita no Conservatório Real, em 1840, bem como as
insinuações de que foi alvo por ter imitado um assunto
abordado num romance de Ferdinand Denis, publicado
em Paris em 1835, mas que o Garrett desmente.
Fontes de Frei Luís de Sousa
• Fontes pessoais - a atribulada vida amorosa do autor pode
também ter sido usada como inspiradora do drama que
escreveu, especialmente do fim trágico que lhe conferiu. Com
efeito, Almeida Garrett teve um casamento fracassado com
Luísa Midosi, tendo-se envolvido com Adelaide Pastor que lhe
deixara uma filha que, aos olhos da sociedade, era
considerada ilegítima. As palavras finais da personagem
Maria de Noronha poderão, por isso, ilustrar as preocupações
que dominavam o autor relativamente ao futuro da filha.
• Das fontes que poderão estar na base do drama garrettiano,
aquelas que podem considerar-se mais credíveis são, sem
dúvida, aquelas a que o próprio alude no texto que antecede o
drama - as fontes literárias.
Estrutura de Frei Luís de Sousa
Estrutura Externa: divisão em três atos
(associados à mudança de cenário) e subdivisão
de cada um em cenas (correspondente à
entrada e saída de personagens):
Ato I - 12 cenas Ato II - 15 cenas
Ato III - 12 cenas
Estrutura Interna - diz respeito ao
desenrolar da ação ao longo dos atos e cenas.
O espaço em Frei Luís de Sousa
• Ato I - a ação, neste ato, decorre no palácio de Manuel de Sousa
Coutinho, em Almada, onde se situa a “câmara antiga, ornada com todo
o luxo e caprichosa elegância portuguesa dos princípios do século XVII”,
e onde, na cena I, se encontra D. Madalena a ler.
• Ato II - passa-se no palácio onde D. Madalena e D. João de Portugal
viveram, também em Almada, mais particularmente num “salão antigo,
de gosto melancólico e pesado, com grandes retratos de família”, de onde
se destacam o de el-rei D. Sebastião, de Camões e de D. João de Portugal.
• Ato III - este momento da ação desenrola-se na “parte baixa do palácio
de D. João de Portugal…” e na capela da Senhora da Piedade que com ela
comunica.
• O ambiente que caracteriza cada um destes espaços reflete o estado
psicológico das personagens, verificando-se o estreitamento do espaço
dramático à medida que o desenlace se aproxima.
O tempo em Frei Luís de Sousa
Tempo da ação:
Ato I - fim de tarde
Ato II - oito dias depois
Ato III - altas horas da noite
Tempo dramático:
Vem desde o casamento de D. Madalena com D. João de
Portugal (antes de 1578); passa pelos sete anos em que se
procurou saber do paradeiro de D. João; integra os catorze
anos em que D. Madalena esteve casada com Manuel de Sousa,
os oito dias em que viveu no palácio de D. João de Portugal, os
três dias (1 a 3 de agosto) que este levou até chegar à presença
de D. Madalena, até ao dia 4 de agosto - “Hoje”.
Como se pode verificar, também o tempo dramático se vai
estreitando à medida que o fim trágico se aproxima.
As personagens em Frei Luís de Sousa
• Manuel de Sousa Coutinho;
• Maria de Noronha;
• D. João de Portugal;
• Telmo Pais;
• Frei Jorge
• Tal como acontece na tragédia clássica, as personagens
são nobres e reveladoras de grande dignidade. Mesmo
Telmo (um serviçal) nunca perde o aprumo.
• São caracterizadas direta e indiretamente e podem
considerar-se modeladas, uma vez que é o conflito
interior, a profundidade e a sua densidade psicológica
que desencadeiam a tensão dramática.
A linguagem em Frei Luís de
Sousa
• Esta é culta mas há, por vezes, um tom
declamatório, configurado nas inúmeras
exclamações, interrogações e reticências, bem ao
jeito do gosto romântico. Aparece adequada às
circunstâncias e às personagens. Por isso, carrega-
se de inquietação e angústia em D. Madalena;
respeitosa, digna, mas também familiar em Telmo;
elegante, nobre e assumindo, frequentemente, um
tom didático-moralizador em Manuel de Sousa;
confidencial e de tom religioso em Frei Jorge;
austera e dramática no Romeiro.
Características românticas em
Frei Luís de Sousa:
- o assunto é nacional, impregnado do messianismo
necessário à reação contra a dominação espanhola;
- as personagens, sobretudo de D. Madalena, são
verdadeiras heroínas românticas pelo comportamento
emotivo, o recurso à religião consoladora para minimizar
o sofrimento (D. Madalena e Manuel de Sousa ingressam
na vida conventual);
- a sensibilidade cristã percorre toda a obra e o próprio
conflito tem origem na ética cristã;
- a morte de uma personagem em cena é admissível no
romantismo mas não no classicismo;
- a linguagem e o estilo apresentam características
românticas.
Características clássicas em
Frei Luís de Sousa:
- há unidade de ação e os acontecimentos progridem
dramaticamente até ao clímax;
- o pathos (sofrimento) apodera-se das personagens e dos
espetadores de forma progressiva até à catástrofe;
- o desafio (hybris) é visível na ação de incendiar o palácio;
- a fatalidade atua permanentemente bem como o destino;
- os presságios (lançados por Telmo e cuja função se pode
aproximar à do coro da tragédia clássica) estão presentes ;
- dá-se o reconhecimento (agnórise) que origina a catástrofe;
- as personagens são nobres (aristocráticas) e sempre poucas em
cena.
Porém, não obedece à unidade de tempo e de espaço e não é
escrita em verso.
Classificação da obra
• Como se depreende pela leitura da obra e das características
atrás enunciadas, o texto garrettiano poderia ser classificado
de tragédia pelo conteúdo mas drama pela forma, uma vez
que está escrita em prosa. Assim, poderia dizer-se que se trata
de uma tragédia moderna, dado que a matéria não é
fornecida pela mitologia nem pela história grega, mas pela
história nacional bem ao gosto da estética romântica.
Contudo, é o próprio autor quem afirma na “Memória ao
Conservatório Real” que se contenta com a designação de
drama para a sua obra, reconhecendo, todavia, que “se na
forma desmerece da categoria (de tragédia), pela índole há de
ficar pertencendo sempre ao antigo género trágico”.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Os Maias de Eça de Queirós - personagens
Os Maias de Eça de Queirós - personagensOs Maias de Eça de Queirós - personagens
Os Maias de Eça de Queirós - personagens
Lurdes Augusto
 
Uma análise da obra amor de perdição de
Uma análise da obra amor de perdição deUma análise da obra amor de perdição de
Uma análise da obra amor de perdição de
Fernanda Pantoja
 
Maias - corrida no hipodromo
Maias - corrida no hipodromoMaias - corrida no hipodromo
Maias - corrida no hipodromo
Luís
 
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicasFrei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Maria Rodrigues
 
Corrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os MaiasCorrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os Maias
mauro dinis
 
Os Maias - a ação & titulo e subtítulo
Os Maias - a ação & titulo e subtítuloOs Maias - a ação & titulo e subtítulo
Os Maias - a ação & titulo e subtítulo
Daniela Filipa Sousa
 
Frei Luís de Sousa - drama ou tragédia
Frei Luís de Sousa - drama ou tragédiaFrei Luís de Sousa - drama ou tragédia
Frei Luís de Sousa - drama ou tragédia
António Fernandes
 
Resumo de-frei-luis-de-sousa
Resumo de-frei-luis-de-sousaResumo de-frei-luis-de-sousa
Resumo de-frei-luis-de-sousa
jomadeira
 

Mais procurados (20)

Estrutura do Frei_Luis_de_Sousa
Estrutura do Frei_Luis_de_SousaEstrutura do Frei_Luis_de_Sousa
Estrutura do Frei_Luis_de_Sousa
 
Os Maias - Capítulo XVI
Os Maias - Capítulo XVIOs Maias - Capítulo XVI
Os Maias - Capítulo XVI
 
Os maias
Os maiasOs maias
Os maias
 
D. Madalena -Frei Luis de Sousa
D. Madalena -Frei Luis de SousaD. Madalena -Frei Luis de Sousa
D. Madalena -Frei Luis de Sousa
 
Os Maias de Eça de Queirós - personagens
Os Maias de Eça de Queirós - personagensOs Maias de Eça de Queirós - personagens
Os Maias de Eça de Queirós - personagens
 
Uma análise da obra amor de perdição de
Uma análise da obra amor de perdição deUma análise da obra amor de perdição de
Uma análise da obra amor de perdição de
 
Corrida de cavalos2
Corrida de cavalos2Corrida de cavalos2
Corrida de cavalos2
 
Corridas do hipodromo (Cap. X - Os Maias)
Corridas do hipodromo (Cap. X - Os Maias)Corridas do hipodromo (Cap. X - Os Maias)
Corridas do hipodromo (Cap. X - Os Maias)
 
Maias - corrida no hipodromo
Maias - corrida no hipodromoMaias - corrida no hipodromo
Maias - corrida no hipodromo
 
Esquema de Frei Luís de Sousa - Português 11 ano
Esquema de Frei Luís de Sousa - Português 11 anoEsquema de Frei Luís de Sousa - Português 11 ano
Esquema de Frei Luís de Sousa - Português 11 ano
 
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicasFrei Luís de Sousa - Características trágicas
Frei Luís de Sousa - Características trágicas
 
Corrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os MaiasCorrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os Maias
 
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
 
Frei luís de sousa Contextualização
Frei luís de sousa Contextualização Frei luís de sousa Contextualização
Frei luís de sousa Contextualização
 
Os Maias - a ação & titulo e subtítulo
Os Maias - a ação & titulo e subtítuloOs Maias - a ação & titulo e subtítulo
Os Maias - a ação & titulo e subtítulo
 
Frei Luís de Sousa - drama ou tragédia
Frei Luís de Sousa - drama ou tragédiaFrei Luís de Sousa - drama ou tragédia
Frei Luís de Sousa - drama ou tragédia
 
Auto de inês pereira
Auto de inês pereiraAuto de inês pereira
Auto de inês pereira
 
Maias Episódio Corrida no Hipódromo
Maias Episódio Corrida no HipódromoMaias Episódio Corrida no Hipódromo
Maias Episódio Corrida no Hipódromo
 
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida RomânticaTrabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica
 
Resumo de-frei-luis-de-sousa
Resumo de-frei-luis-de-sousaResumo de-frei-luis-de-sousa
Resumo de-frei-luis-de-sousa
 

Semelhante a Frei luis

Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39
Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39
Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39
luisprista
 
Apresentação para décimo primeiro ano de 2015 6, aula 93-94
Apresentação para décimo primeiro ano de 2015 6, aula 93-94Apresentação para décimo primeiro ano de 2015 6, aula 93-94
Apresentação para décimo primeiro ano de 2015 6, aula 93-94
luisprista
 
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
luisprista
 
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
luisprista
 
frei luis_sousa_sintese_unidade
 frei luis_sousa_sintese_unidade frei luis_sousa_sintese_unidade
frei luis_sousa_sintese_unidade
Rita Carvalho
 
A sala das perguntas
A sala das perguntasA sala das perguntas
A sala das perguntas
fortealer
 
Frei luis de sousa
Frei luis de sousaFrei luis de sousa
Frei luis de sousa
Maria da Paz
 
Memórias de um_sargento_de_milícias_-_material
Memórias de um_sargento_de_milícias_-_materialMemórias de um_sargento_de_milícias_-_material
Memórias de um_sargento_de_milícias_-_material
rafabebum
 

Semelhante a Frei luis (20)

O texto dramático
O texto dramáticoO texto dramático
O texto dramático
 
O texto dramático
O texto dramáticoO texto dramático
O texto dramático
 
Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39
Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39
Apresentação para décimo primeiro ano, aula 39
 
Frei Luís de Sousa (Almeida Garrett)
Frei Luís de Sousa (Almeida Garrett) Frei Luís de Sousa (Almeida Garrett)
Frei Luís de Sousa (Almeida Garrett)
 
. O texto dramático
. O texto dramático. O texto dramático
. O texto dramático
 
Apresentação para décimo primeiro ano de 2015 6, aula 93-94
Apresentação para décimo primeiro ano de 2015 6, aula 93-94Apresentação para décimo primeiro ano de 2015 6, aula 93-94
Apresentação para décimo primeiro ano de 2015 6, aula 93-94
 
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
 
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 65-66
 
. A obra e o contexto
. A obra e o contexto. A obra e o contexto
. A obra e o contexto
 
frei luis_sousa_sintese_unidade
 frei luis_sousa_sintese_unidade frei luis_sousa_sintese_unidade
frei luis_sousa_sintese_unidade
 
Enc11 frei luis_sousa_sintese_unidade
Enc11 frei luis_sousa_sintese_unidadeEnc11 frei luis_sousa_sintese_unidade
Enc11 frei luis_sousa_sintese_unidade
 
enc11_frei_luis_sousa_sintese_unidade.pptx.pdf
enc11_frei_luis_sousa_sintese_unidade.pptx.pdfenc11_frei_luis_sousa_sintese_unidade.pptx.pdf
enc11_frei_luis_sousa_sintese_unidade.pptx.pdf
 
Os Maias - análise
Os Maias - análise Os Maias - análise
Os Maias - análise
 
Romantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de SousaRomantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de Sousa
 
Frei Luís de Sousa- Resumo das cenas
Frei Luís de Sousa- Resumo das cenasFrei Luís de Sousa- Resumo das cenas
Frei Luís de Sousa- Resumo das cenas
 
Almeida garett
Almeida garettAlmeida garett
Almeida garett
 
Frei Luis de Sousa- Resumo R.pdf
Frei Luis de Sousa- Resumo R.pdfFrei Luis de Sousa- Resumo R.pdf
Frei Luis de Sousa- Resumo R.pdf
 
A sala das perguntas
A sala das perguntasA sala das perguntas
A sala das perguntas
 
Frei luis de sousa
Frei luis de sousaFrei luis de sousa
Frei luis de sousa
 
Memórias de um_sargento_de_milícias_-_material
Memórias de um_sargento_de_milícias_-_materialMemórias de um_sargento_de_milícias_-_material
Memórias de um_sargento_de_milícias_-_material
 

Mais de ameliapadrao (20)

Espaco social_memorial
 Espaco social_memorial Espaco social_memorial
Espaco social_memorial
 
Exp12cdr ppt tempo_memorial
Exp12cdr ppt tempo_memorialExp12cdr ppt tempo_memorial
Exp12cdr ppt tempo_memorial
 
Exp12cdr ppt felizmente_sintese
Exp12cdr ppt felizmente_sinteseExp12cdr ppt felizmente_sintese
Exp12cdr ppt felizmente_sintese
 
Exp12cdr ppt concecao messianica
Exp12cdr ppt concecao messianicaExp12cdr ppt concecao messianica
Exp12cdr ppt concecao messianica
 
Estrutura mensagem
Estrutura mensagemEstrutura mensagem
Estrutura mensagem
 
Exp12cdr ppt camoes_pessoa
Exp12cdr ppt camoes_pessoaExp12cdr ppt camoes_pessoa
Exp12cdr ppt camoes_pessoa
 
Exp12cdr ppt caeiro
Exp12cdr ppt caeiroExp12cdr ppt caeiro
Exp12cdr ppt caeiro
 
Cesário verde
Cesário verdeCesário verde
Cesário verde
 
Cesário verde
Cesário verdeCesário verde
Cesário verde
 
Processos fonologicos
Processos fonologicosProcessos fonologicos
Processos fonologicos
 
Episodios maias
Episodios maiasEpisodios maias
Episodios maias
 
Frei luis
Frei luisFrei luis
Frei luis
 
Pt9 cdr relativas
Pt9 cdr relativasPt9 cdr relativas
Pt9 cdr relativas
 
P.antónio v.
P.antónio v.P.antónio v.
P.antónio v.
 
Sermodesantoantnioaospeixes
SermodesantoantnioaospeixesSermodesantoantnioaospeixes
Sermodesantoantnioaospeixes
 
Sermão aos peixes cap. i
Sermão aos peixes   cap. iSermão aos peixes   cap. i
Sermão aos peixes cap. i
 
Aspeto modalidade
Aspeto modalidadeAspeto modalidade
Aspeto modalidade
 
funções sintaticas
 funções sintaticas funções sintaticas
funções sintaticas
 
La négation _8_
La négation _8_La négation _8_
La négation _8_
 
9monumentsdeparis
9monumentsdeparis9monumentsdeparis
9monumentsdeparis
 

Último

INTRODUÇÃO A ARQUEOLOGIA BÍBLICA [BIBLIOLOGIA]]
INTRODUÇÃO A ARQUEOLOGIA BÍBLICA [BIBLIOLOGIA]]INTRODUÇÃO A ARQUEOLOGIA BÍBLICA [BIBLIOLOGIA]]
INTRODUÇÃO A ARQUEOLOGIA BÍBLICA [BIBLIOLOGIA]]
ESCRIBA DE CRISTO
 
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdfAS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
ssuserbb4ac2
 

Último (20)

Atividade com a música Xote da Alegria - Falamansa
Atividade com a música Xote  da  Alegria    -   FalamansaAtividade com a música Xote  da  Alegria    -   Falamansa
Atividade com a música Xote da Alegria - Falamansa
 
São Filipe Neri, fundador da a Congregação do Oratório 1515-1595.pptx
São Filipe Neri, fundador da a Congregação do Oratório 1515-1595.pptxSão Filipe Neri, fundador da a Congregação do Oratório 1515-1595.pptx
São Filipe Neri, fundador da a Congregação do Oratório 1515-1595.pptx
 
hereditariedade é variabilidade genetic
hereditariedade é variabilidade  genetichereditariedade é variabilidade  genetic
hereditariedade é variabilidade genetic
 
Os Tempos Verbais em Inglês-tempos -dos-
Os Tempos Verbais em Inglês-tempos -dos-Os Tempos Verbais em Inglês-tempos -dos-
Os Tempos Verbais em Inglês-tempos -dos-
 
Evangelismo e Missões Contemporânea Cristã.pdf
Evangelismo e Missões Contemporânea Cristã.pdfEvangelismo e Missões Contemporânea Cristã.pdf
Evangelismo e Missões Contemporânea Cristã.pdf
 
Apresentação Formação em Prevenção ao Assédio
Apresentação Formação em Prevenção ao AssédioApresentação Formação em Prevenção ao Assédio
Apresentação Formação em Prevenção ao Assédio
 
INTRODUÇÃO A ARQUEOLOGIA BÍBLICA [BIBLIOLOGIA]]
INTRODUÇÃO A ARQUEOLOGIA BÍBLICA [BIBLIOLOGIA]]INTRODUÇÃO A ARQUEOLOGIA BÍBLICA [BIBLIOLOGIA]]
INTRODUÇÃO A ARQUEOLOGIA BÍBLICA [BIBLIOLOGIA]]
 
As Mil Palavras Mais Usadas No Inglês (Robert de Aquino) (Z-Library).pdf
As Mil Palavras Mais Usadas No Inglês (Robert de Aquino) (Z-Library).pdfAs Mil Palavras Mais Usadas No Inglês (Robert de Aquino) (Z-Library).pdf
As Mil Palavras Mais Usadas No Inglês (Robert de Aquino) (Z-Library).pdf
 
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
 
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdfAS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
 
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
 
América Latina: Da Independência à Consolidação dos Estados Nacionais
América Latina: Da Independência à Consolidação dos Estados NacionaisAmérica Latina: Da Independência à Consolidação dos Estados Nacionais
América Latina: Da Independência à Consolidação dos Estados Nacionais
 
Memórias_póstumas_de_Brás_Cubas_ Machado_de_Assis
Memórias_póstumas_de_Brás_Cubas_ Machado_de_AssisMemórias_póstumas_de_Brás_Cubas_ Machado_de_Assis
Memórias_póstumas_de_Brás_Cubas_ Machado_de_Assis
 
Hans Kelsen - Teoria Pura do Direito - Obra completa.pdf
Hans Kelsen - Teoria Pura do Direito - Obra completa.pdfHans Kelsen - Teoria Pura do Direito - Obra completa.pdf
Hans Kelsen - Teoria Pura do Direito - Obra completa.pdf
 
Atividade português 7 ano página 38 a 40
Atividade português 7 ano página 38 a 40Atividade português 7 ano página 38 a 40
Atividade português 7 ano página 38 a 40
 
Produção de poemas - Reciclar é preciso
Produção  de  poemas  -  Reciclar é precisoProdução  de  poemas  -  Reciclar é preciso
Produção de poemas - Reciclar é preciso
 
manual-de-direito-civil-flacc81vio-tartuce-2015-11.pdf
manual-de-direito-civil-flacc81vio-tartuce-2015-11.pdfmanual-de-direito-civil-flacc81vio-tartuce-2015-11.pdf
manual-de-direito-civil-flacc81vio-tartuce-2015-11.pdf
 
Poema - Reciclar é preciso
Poema            -        Reciclar é precisoPoema            -        Reciclar é preciso
Poema - Reciclar é preciso
 
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdf
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdfufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdf
ufcd_9649_Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especificas_índice.pdf
 
ATPCG 27.05 - Recomposição de aprendizagem.pptx
ATPCG 27.05 - Recomposição de aprendizagem.pptxATPCG 27.05 - Recomposição de aprendizagem.pptx
ATPCG 27.05 - Recomposição de aprendizagem.pptx
 

Frei luis

  • 2. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS O Texto Dramático Texto principal -Conjunto de estados, ações ou acontecimentos vividos pelas personagens e expressos nas suas réplicas - Desenvolvimento em diálogo, monólogo (quando expressa reflexões da personagem) ou apartes (interação entre a personagem e o leitor/espetador) Texto secundário -configurado nas didascálicas (marcadas por parênteses e tipo de letra diferente da do texto principal) -Correspondente às indicações cénicas (conjunto de informações que o dramaturgo fornece e que complementam o texto principal) - Informações relacionada com a identificação dos interlocutores, a sua indumentária, o modo como devem proferir o discurso, os gestos e tom de voz a adotar, a movimentação, as referências espácio-temporais…
  • 3. Frei Luís de Sousa • Segundo o biógrafo Francisco de Amorim, Frei Luís de Sousa foi escrito entre março e abril de 1843 e a sua leitura pública ocorreria a 6 de maio desse mesmo ano, perante um público culto e selecionado. • Em 1850, o público, em geral, acederá à sua representação total, que decorreu no teatro D. Maria II. • Pensa-se que, para redigir o seu drama, Almeida Garrett se socorreu de várias fontes.
  • 4. Fontes de Frei Luís de Sousa Fontes históricas - Manuel de Sousa Coutinho casara- se com D. Madalena de Vilhena que fora casada em primeiras núpcias com D. João de Portugal de quem tivera três filhos, verificando-se, aqui, a primeira fuga ao pendor histórico que enforma o drama garrettiano. Fontes literárias - Garrett menciona na “Memória ao Conservatório Real” a representação a que assistiu, levada a cabo por uma companhia castelhana de teatro ambulante. Cita ainda o drama O Cativo de Fez que lhe despertar a atenção para o assunto, cuja representação foi feita no Conservatório Real, em 1840, bem como as insinuações de que foi alvo por ter imitado um assunto abordado num romance de Ferdinand Denis, publicado em Paris em 1835, mas que o Garrett desmente.
  • 5. Fontes de Frei Luís de Sousa • Fontes pessoais - a atribulada vida amorosa do autor pode também ter sido usada como inspiradora do drama que escreveu, especialmente do fim trágico que lhe conferiu. Com efeito, Almeida Garrett teve um casamento fracassado com Luísa Midosi, tendo-se envolvido com Adelaide Pastor que lhe deixara uma filha que, aos olhos da sociedade, era considerada ilegítima. As palavras finais da personagem Maria de Noronha poderão, por isso, ilustrar as preocupações que dominavam o autor relativamente ao futuro da filha. • Das fontes que poderão estar na base do drama garrettiano, aquelas que podem considerar-se mais credíveis são, sem dúvida, aquelas a que o próprio alude no texto que antecede o drama - as fontes literárias.
  • 6. Estrutura de Frei Luís de Sousa Estrutura Externa: divisão em três atos (associados à mudança de cenário) e subdivisão de cada um em cenas (correspondente à entrada e saída de personagens): Ato I - 12 cenas Ato II - 15 cenas Ato III - 12 cenas Estrutura Interna - diz respeito ao desenrolar da ação ao longo dos atos e cenas.
  • 7. O espaço em Frei Luís de Sousa • Ato I - a ação, neste ato, decorre no palácio de Manuel de Sousa Coutinho, em Almada, onde se situa a “câmara antiga, ornada com todo o luxo e caprichosa elegância portuguesa dos princípios do século XVII”, e onde, na cena I, se encontra D. Madalena a ler. • Ato II - passa-se no palácio onde D. Madalena e D. João de Portugal viveram, também em Almada, mais particularmente num “salão antigo, de gosto melancólico e pesado, com grandes retratos de família”, de onde se destacam o de el-rei D. Sebastião, de Camões e de D. João de Portugal. • Ato III - este momento da ação desenrola-se na “parte baixa do palácio de D. João de Portugal…” e na capela da Senhora da Piedade que com ela comunica. • O ambiente que caracteriza cada um destes espaços reflete o estado psicológico das personagens, verificando-se o estreitamento do espaço dramático à medida que o desenlace se aproxima.
  • 8. O tempo em Frei Luís de Sousa Tempo da ação: Ato I - fim de tarde Ato II - oito dias depois Ato III - altas horas da noite Tempo dramático: Vem desde o casamento de D. Madalena com D. João de Portugal (antes de 1578); passa pelos sete anos em que se procurou saber do paradeiro de D. João; integra os catorze anos em que D. Madalena esteve casada com Manuel de Sousa, os oito dias em que viveu no palácio de D. João de Portugal, os três dias (1 a 3 de agosto) que este levou até chegar à presença de D. Madalena, até ao dia 4 de agosto - “Hoje”. Como se pode verificar, também o tempo dramático se vai estreitando à medida que o fim trágico se aproxima.
  • 9. As personagens em Frei Luís de Sousa • Manuel de Sousa Coutinho; • Maria de Noronha; • D. João de Portugal; • Telmo Pais; • Frei Jorge • Tal como acontece na tragédia clássica, as personagens são nobres e reveladoras de grande dignidade. Mesmo Telmo (um serviçal) nunca perde o aprumo. • São caracterizadas direta e indiretamente e podem considerar-se modeladas, uma vez que é o conflito interior, a profundidade e a sua densidade psicológica que desencadeiam a tensão dramática.
  • 10. A linguagem em Frei Luís de Sousa • Esta é culta mas há, por vezes, um tom declamatório, configurado nas inúmeras exclamações, interrogações e reticências, bem ao jeito do gosto romântico. Aparece adequada às circunstâncias e às personagens. Por isso, carrega- se de inquietação e angústia em D. Madalena; respeitosa, digna, mas também familiar em Telmo; elegante, nobre e assumindo, frequentemente, um tom didático-moralizador em Manuel de Sousa; confidencial e de tom religioso em Frei Jorge; austera e dramática no Romeiro.
  • 11. Características românticas em Frei Luís de Sousa: - o assunto é nacional, impregnado do messianismo necessário à reação contra a dominação espanhola; - as personagens, sobretudo de D. Madalena, são verdadeiras heroínas românticas pelo comportamento emotivo, o recurso à religião consoladora para minimizar o sofrimento (D. Madalena e Manuel de Sousa ingressam na vida conventual); - a sensibilidade cristã percorre toda a obra e o próprio conflito tem origem na ética cristã; - a morte de uma personagem em cena é admissível no romantismo mas não no classicismo; - a linguagem e o estilo apresentam características românticas.
  • 12. Características clássicas em Frei Luís de Sousa: - há unidade de ação e os acontecimentos progridem dramaticamente até ao clímax; - o pathos (sofrimento) apodera-se das personagens e dos espetadores de forma progressiva até à catástrofe; - o desafio (hybris) é visível na ação de incendiar o palácio; - a fatalidade atua permanentemente bem como o destino; - os presságios (lançados por Telmo e cuja função se pode aproximar à do coro da tragédia clássica) estão presentes ; - dá-se o reconhecimento (agnórise) que origina a catástrofe; - as personagens são nobres (aristocráticas) e sempre poucas em cena. Porém, não obedece à unidade de tempo e de espaço e não é escrita em verso.
  • 13. Classificação da obra • Como se depreende pela leitura da obra e das características atrás enunciadas, o texto garrettiano poderia ser classificado de tragédia pelo conteúdo mas drama pela forma, uma vez que está escrita em prosa. Assim, poderia dizer-se que se trata de uma tragédia moderna, dado que a matéria não é fornecida pela mitologia nem pela história grega, mas pela história nacional bem ao gosto da estética romântica. Contudo, é o próprio autor quem afirma na “Memória ao Conservatório Real” que se contenta com a designação de drama para a sua obra, reconhecendo, todavia, que “se na forma desmerece da categoria (de tragédia), pela índole há de ficar pertencendo sempre ao antigo género trágico”.