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ANAIS DO I FÓRUM INTERNACIONAL
NOVAS ABORDAGENS EM SAÚDE MENTAL
INFANTOJUVENIL
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RESUMO DOS TRABALHOS
I FÓRUM INTERNACIONAL NOVAS
ABORDAGENS EM SAÚDE MENTAL
SÃO PAULO/SP
2018
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COMISSÃO CIENTÍFICA:
 Profa. Dra Cristina Ventura (UFRJ)
 Profa. Dra Silvana Maciel Carneiro (UFPB)
 Profa. Dra Deivisson Viana (UFPR)
 Profa. Dra Maria Tavares (UFRJ)
 Prof. Dr Octavio Domont (UFRJ)
 Profa. Dra Rossana Sade (UNESP)
 Profa. Dra Nazareth Silva (UNB)
 Prof Dr Paul Baker (Inglaterra)
 Profa Dra Erotildes Leal (UFRJ)
 Profa Dra Nuria Malajovich (UFRJ)
Prefixo Editorial: 54365
Número ISBN: 978-85-54365-01-1
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RESUMOS
APRESENTAÇÃO ORAL
Prefixo Editorial: 54365
Número ISBN: 978-85-54365-01-1
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REVISTANDO O ADOLESCENTE: SUAS CURIOSIDADES
Autor: Caroline Daronco Campos
Resumo: Introdução: Os adolescentes, em geral, têm muito interesse pelos
programas que envolvem o tema “sexo e drogas” apresentado pelas redes
de TV. Objetivo: Desenvolver nos pacientes a importância de gostar do
próprio corpo e se valorizar como ser humano, para estarem preparados nas
suas escolhas, especialmente perante assuntos como sexo e drogas.
Metodologia: Para concretizar o objetivo foi desenvolvido o projeto que
teve como estratégia a produção de uma revista com textos informativos e
materiais diferentes, visto que possibilitou a sistematização e socialização
dos conhecimentos dos adolescentes sobre o assunto estudado. No projeto,
com participação dos jovens e a ajuda dos profissionais, foram trabalhados
diferentes tipos de textos, imagens e outras fontes de pesquisa para
obtenção de informações sobre a literatura do tema. Foram solicitados, aos
adolescentes, sugestões de materiais para desenvolver o tema, como por
exemplo: vídeos, livros, pesquisas, coleções, além de outros materiais. Na
sequência foi realizada a socialização da pesquisa na roda de leitura,
conversa e discussão. A abordagem colocou em relevância o tema “Abuso
de Álcool e outras drogas”, com explicação sobre o dano dos efeitos no
organismo e “Sexualidade e prevenção de DST/HIV/AIDS”. Foram
realizadas visitas ao Serviço de Atendimento Especializado em
DST/HIV/AIDS-SAE da Secretaria Municipal de Saúde de Cruz Alta e
foram selecionados aqueles sujeitos que demonstraram maior entrosamento
com o projeto, para que pudessem atuar como agentes multiplicadores do
mesmo, os quais receberam um kit de materiais para divulgar, na escola,
sua participação no Projeto. O projeto foi concretizado no ano de 2016 e
teve duração de quatro meses. Resultados: Foi realizada uma tarde com
exposição dos materiais produzidos durante o projeto em cada ESF e da
revista com textos informativos e materiais diversos sobre o adolescente.
Nesse sentido, a escolha deste projeto criou um contexto de estudo e
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pesquisa muito envolvente para eles, o que contribuiu para que se
esforçassem e se dedicassem em todas as etapas e também na construção
do produto final, uma revista informativa de circulação nas Estratégias de
saúde da família. Nenhum setor da saúde ou educação, é capaz de,
separadamente, realizar ações necessárias para o desenvolvimento saudável
e responsável dos adolescentes e jovens. Muitas das intervenções voltadas
para a melhoria da saúde dessa população têm fracassado por possuírem
um foco estreito e isolado, resultando, quase sempre, na redução de sua
eficácia e eficiência. Alianças e parcerias são essenciais para a criação das
condições de proteção do bem-estar a esse público. Considerações Finais:
Este projeto foi de grande valia para os participantes, os quais puderam se
engajar no processo, tornando-se possuidores do saber referente ao tema.
Mostrou-se necessário dar continuidade ao trabalho, incluindo o jovem na
produção do material, conhecendo os profissionais que atuam nas ESFs e
no programa do SAE. Conclui-se, portanto, que o êxito das ações de
educação sexual, não depende somente da implantação de políticas e
projetos de prevenção e promoção à saúde, sendo essencial desenvolver
ações no meio familiar do adolescente e com o próprio adolescente, para
enfrentar com segurança, as situações de vulnerabilidades relacionadas ao
universo das atividades sexuais, além de pensar em estratégias de
orientação sexual, que dialoguem com as realidades de vida dos educandos
e educadores, atentando para as limitações de ambos.
Palavras-chave: Doenças sexualmente transmissíveis. Gravidez na
adolescência. Família, álcool e outras drogas.
7
LUDOTERAPIA: UMA EXPERIÊNCIA EM NASF E CAPSi
Autor: Caroline Daronco Campos
Resumo: Introdução: A ludoterapia é um ramo da psicologia que se
concretizar com técnica psicoterápica de abordagem infantil baseada no
fato de que brincar, é um meio natural de auto expressão da criança e pode
ser feita individualmente ou em grupo. Objetivo: Oportunizar à criança,
através da brincadeira, a possibilidade de libertar os seus sentimentos e
problemas, destacando-se que na ludoterapia a criança tem o brinquedo e a
brincadeira para exprimir os seus sentimentos. Metodologia: O grupo de
DOTEAPIA foi formado por crianças de 4quatro a 8oito anos, pacientes do
CAPSi EM ME E e das Estratégias de Saúde da Família ESFs, da
Secretaria Municipal de Saúde do Município de Cruz Alta-S, no ano de
2016. Auto estima, cuidado consigo mesmo e valorização pessoal, foram os
pontos abordados pelos profissionais. Resultados: A partir do que foi
trabalhado no decorrer do projeto, pode-se observar a melhora significativa
no processo de autonomia, na autoestima e na capacidade de cada criança
sentir-se interessada, aceita e segura. Também foi possível perceber a
evolução emocional dos pacientes, mostrando a relevância e visando a
importância do processo do brincar na recuperação de crianças. A demanda
se direcionava para infantes que apresentavam problemas mentais, ouviam
vozes, bem como para alunos com problemas de aprendizagem e
dificuldades emocionais. Tomando como parâmetro a questão abordada,
procurou-se destacar a finalidade de vivenciar o seu brincar de maneira
livre, mostrando sua liberdade de expressão, o que só é possível em um
ambiente seguro e acolhedor, amenizando, desse modo, sua dor mediante a
situação que ela está passando. Sendo assim, através da brincadeira mais
especificamente, com utilização do brinquedo, pode-se aplicar
procedimentos de psicoterapia revelando que por meio da ação do brincar
ocorre a possibilidade de a criança libertar seus sentimentos e problemas,
verificando-se que na ludoterapia a criança tem o brinquedo e a brincadeira
para exprimir os seus sentimentos. Considerações finais: Com base no que
foi desenvolvido no projeto, percebeu-se a significativa melhora de
crianças que frequentam esses grupos de ludoterapia, notando-se como elas
se expressam e demonstram seus medos, angústias e fantasias. Por isso,
destaca-se a ludoterapia como estratégia utilizada pelo psicoterapeuta
quanto à forma de terapia destinada a crianças que usam o brincar como
forma de ajudar as crianças de menor idade a resolver situações ou
dificuldades.
8
Palavras-chave: Ludoterapia infantil criança; cuidado psicossocial;
problema mental infantil; vozes.
A CONTRIBUIÇÃO DO MATRICIAMENTO PARA OS
ATENDIMENTOS DE PORTADORES DE TRANSTORNOS MENTAIS
NA ATENÇÃO BÁSICA
Autores: Carlos César Barbosa, Flávia Cristina Paulino, Rosilene de
Oliveira Faria
Resumo: Objetivo: Avaliar a funcionalidade e a contribuição do
matriciamento para as equipes da atenção básica nos atendimentos dos
pacientes com transtornos mentais. Método: Trata-se de um estudo de
natureza quantitativa e qualitativa, o artigo configura-se uma análise da
vivência dos enfermeiros quanto ao acolhimento, atendimento e
acompanhamento de pacientes da Saúde Mental nas ESF’s da cidade de
Poços de Caldas – MG, com a participação de 41 profissionais, para a
coleta de dados utilizou-se um questionário composto de questões 08
questões objetivas e 02 questões dissertativas referente a rotina de trabalho
destes profissionais para atendimentos à pacientes da saúde mental.
Resultados: As narrativas foram analisadas com base na leitura dos
questionários respondidos pelos sujeitos pesquisados e, foram dialogadas
com os referenciais teóricos nos quais a pesquisa se fundamentou. Assim,
buscou-se compreender como eles configuram o apoio matricial mediante
suas rotinas de trabalho e como pode interferir como ferramenta optativa de
melhoria de qualidade do atendimento. Enquanto a pesquisa engloba uma
dimensão coletiva, o resultado avaliado, por sua vez, difere por ser
singularmente, ou seja, de pessoa a pessoa em circunstâncias distintas.
Pode se observar três problemáticas no tratamento e acompanhamento do
paciente portador de transtorno mental, a dificuldade dos profissionais da
atenção primária em acompanhar o usuário, a falha na comunicação entre a
equipe de referência e a equipe de matriciadores causando assim a
ineficácia do matriciamento. As dificuldades dos profissionais da atenção
básica se dão pelo motivo desses profissionais não estarem devidamente
capacitados para acompanhar esses usuários que necessitam de uma
atenção especial, a falha na comunicação aparece quando as reuniões de
apoio matricial têm intervalos superiores para um efetivo retorno entre as
equipes e a ineficácia do matriciamento vem como resultado dos dois itens
citados anteriormente. Considerações Finais: A história da saúde mental
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passou por vários períodos e a maior dificuldade ainda presente nos dias de
hoje é a desconstrução do serviço centralizado, nesse sentido a
sistematização e gerenciamento do cuidado é responsabilidade de todos e o
apoio matricial vem como uma ferramenta alternativa de trabalho para
melhorias na qualidade do atendimento e acompanhamento de pacientes
portadores de transtornos mentais na atenção básica, porém deve se ter o
apoio incondicional da equipe de matriciadores e equipe de referência para
se obter uma efetividade no processo de trabalho.
Palavras-chave: Matriciamento; Enfermeiro; Equipe de matriciadores;
Saúde Mental; Atenção Básica.
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A IMPORTÂNCIA DO ACOLHER NA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO
Autor: Adriana Maximina Volsi
Resumo: Pretende-se, neste trabalho, evidenciar a importância de se
promover uma escuta diferenciada a um grupo de adolescentes de uma
Escola Estadual com manifestação de ideação suicida e tentativas suicidas
frustradas. Este estudo irá sinalizar a possibilidade de se realizar um
trabalho singular, onde se é negligenciado comportamentos de baixa
tolerância à frustração e baixa autoestima provocados por inúmeros fatores
externos, com o objetivo de valorizar e de se olhar para os aspectos
positivos da escola, adolescência, desejos e sonhos. Trata-se de um grupo
de alunos na faixa etária de 14 a 17 anos, cujo trabalho foi conduzido pela
técnica da psicoterapia de grupo com tempo determinado, em espaço da
própria escola, no Estado de São Paulo. O processo foi planejado para
ocorrer quinzenalmente, o que rendeu 8 encontros. Todos os alunos
participaram a partir de convites-indicação da escola e colegas, cujo aceite
e participação foi espontânea. A maioria alegava sentimentos de
inferioridade, desrespeito no convívio familiar, abusos psicológicos,
carência afetiva, ausência de conversas em casa, ambivalência,
impulsividade, característico da idade, e uma boa dose de desesperança no
futuro. A metodologia utilizada foi estabelecer uma roda de conversa com
um contrato de sigilo, respeito e não julgamento, enfatizado a cada
encontro. Outro recurso foi nomear líderes para cuidar de uma ata, do
tempo, de uma lista de e-mails e também de um grupo no Whatsapp, com a
participação da coordenadora pedagógica, já que esta era muito querida.
Esse grupo seria utilizado para troca de informações, pertencimento
enquanto grupo e acolhimento em casos de urgência. Pôde-se notar logo
nos primeiros encontros, que os efeitos terapêuticos, foram inúmeros. Os
espaços promovidos para conseguirem falar voluntariamente sobre seus
incômodos, dores, traumas e sonhos, foram fundamentais. A escuta, o
olhar, e o acolher da dor de cada aluno, foi essencial para o sucesso do
processo. Ao acolher o sofrimento e legitimá-lo dentro do grupo, notou-se
um alivio imediato e que teve um significado ímpar para cada um. A troca
foi de extrema relevância. Foram muitos os casos onde a dor parecia uma
aorta arrebentada cujo sangue não estancava nunca. Sentimentos como
tristeza, depressão, mutilações, ideação suicida tomavam conta de todo
espaço e foi necessário navegar por águas turvas, onde a única certeza era
minha oferta de que eu poderia ajudá-los desde que eles aceitassem ficar
11
comigo nesse barco o tempo todo. Consegui com isso ganhar certo tempo,
mas em muitos momentos tive dúvidas, pois eram poucos os encontros e
ainda quinzenais. Dessa forma buscava reforçar ainda mais a cada
encontro, o propósito de evidenciar sempre os méritos de cada um e a
possibilidade de se fazer um futuro diferente do que haviam vivido. Era
ofertado o estar presente ajudando-os virar a página e começar uma nova
história. O último encontro foi carregado de emoção. Resolvemos fazer
uma faxina, literalmente, nos conteúdos mal elaborados. Utilizei para tanto
a música e a revista como recurso terapêutico. O objetivo era de transferir
suas emoções e sentimentos, ao som da música alta que preenchesse o
espaço e os ajudassem a se recolherem, para o ato de rasgar a revista
fazendo uma analogia com suas dores. O fato de o processo ser breve e o
tipo de contrato realizado com o grupo contribuíram para que cada um
pudesse resgatar suas qualidades e méritos na construção de si mesmos.
Palavras-chave: adolescentes, grupo, psicoterapia, acolhimento, suicídio.
12
MEDICALIZAÇÃO DE ADOLESCENTES EM PROCESSO
PSICOTERÁPICO: A RELAÇÃO ENTRE PSICOFÁRMACOS E
ADOLESCENTES EM PSICOTERAPIA.
Autores: Giovani de Quadros Piano e Letícia Beatriz Hunsche
Resumo: O presente resumo diz respeito a uma pesquisa em Psicologia que
visou analisar a relação entre o uso de psicofármacos e o processo de
psicoterapia na adolescência. Para tal fim, realizou-se uma investigação
nos prontuários de um serviço-escola entre os anos de 1988 a 2010, no
Vale do Rio Pardo-RS. Analisamos 321 prontuários de adolescentes entre
as idades de 12 a 18 anos, os quais eram assistidos pelo serviço de
psicoterapia. Posteriormente, transportamos os dados para o programa 17.0
SPSS Statistics e utilizamos análise de frequência e cruzamentos de tabelas.
Obtivemos, como dados significativos, que há um processo crescente de
medicalização dos adolescentes atendidos. Os meninos apresentaram maior
índice de medicalização. O motivo pelo qual os adolescentes procuraram
atendimento psicoterápico é, na sua maioria, devido a conflitos na
adolescência, sendo que a ansiedade e a agressividade estão entre as
principais queixas, seguidas do transtorno de déficit de atenção e
hiperatividade e depressão.
Palavras-chave: Adolescência, medicalização, psicoterapia.
13
“Brinkando com o corpo” - Técnicas de psicoterapia corporal com crianças
e adolescentes.”
Autor: Brasilda Rocha
Resumo: Nosso objetivo é abordar os conceitos teóricos e práticos da
terapia corporal com crianças e adolescentes, visando concretizar posturas
teóricas e condutas práticas em procedimentos terapêuticos. Pretendemos
tomar o conceito do brinquedo sob o ponto de vista operativo, integrando
seus aspectos pedagógico e terapêutico, pois este objeto corresponde
sempre a uma necessidade da criança, no momento em que ela o utiliza.
Consideramos o ato do brincar como forma de a criança adquirir novos
conceitos, ampliar sua capacidade de criar e de observar, para que assim ela
possa conquistar o sentimento de alegria e saúde mental no
desenvolvimento das várias fases de sua vida adulta. Nosso objetivo
científico é a comparação destas características com o brinquedo,
determinando a fase da evolução psíquica em que a criança se encontra.
Com estes dados, podemos fazer a proposta operativa (uma evolução mais
rápida e precisa) que leva ao processo terapêutico e, em termos profiláticos,
atinge o desenvolvimento da personalidade da criança com maior eficácia.
Através de uma pesquisa feita no decorrer de muitos anos de estudo e de
trabalho clínico, identificamos a energia que diferentes brinquedos e
brincadeiras contêm, e seus respectivos significados para a criança,
procurando desta maneira descobrir e localizar esta energia em seu
corpo. O brincar reflete o corpo da criança e pode evoluir a partir das ações
que dependem de influência e estímulo externos. Este brincar só terá
significado quando seu simbolismo estiver inserido na realidade externa. O
brinquedo traz sua energia própria de saúde, sendo por isto capaz de
proporcionar este equilíbrio energético, facilitando a relação com o
organismo. O psicoterapeuta ou educador pode levar a criança a aprender
de que maneira explorar o brinquedo e seu significado no desenvolvimento
de sua personalidade. O brinquedo simboliza o corpo, e é utilizado como
uma interpretação e/ou intervenção no processo psíquico e corporal para
localizar a tensão corporal da criança. Nesta proposta, tratamos o brincar
integrado ao processo natural energético, reequilibrando a carga e a
descarga de tensões. O terapeuta ou educador tem o papel de facilitador, no
sentido de promover esta transfusão de energia através do brincar. Nosso
objetivo final deve ser a estruturação e a reconstrução de defesas
necessárias para um desenvolvimento adequado, para que a criança utilize
seu potencial afetivo.
14
ADAPTAÇÃO E INCLUSÃO DE CRIANÇAS EM ESCOLA REGULAR
Autores: Michele Joia e Elaine Romero
Resumo: Nossa proposta analisa e aplica adaptações para a inclusão de
crianças com necessidades especiais em escola particular regular. Desde
a implementação do projeto, até a aplicação do mesmo com equipe escolar,
apoio psicopedagógico e psicológico, recebimento do aluno e vínculo com
a família. Ampliando o leque de adaptações curriculares e pedagógicas. Na
realidade de nossas escolas atuais, não comporta mais o olhar dividido
sobre a turma, é necessário que o professor integre para incluir. As salas de
aula recebem de 10 a 20 % de seu total, alunos com determinada
dificuldade. Para que esta inclusão real aconteça é importante que toda a
estrutura escolar esteja preparada para recebê-los e que estas crianças se
tornem parte do todo. No processo de montagem deste projeto a direção,
secretaria e inspetores recebam os treinamentos iniciais, para entendimento
desta nova abordagem. A este espaço damos o nome de SOP, Serviço de
Orientação Psicopedagógica. Onde todos os alunos da escola recebem
apoio, sejam regulares ou incluídos. Oferecendo também, atendimento aos
responsáveis e utilização da sala de estimulação cognitiva em contra-turno.
Ao final, a equipe pedagógica é treinada, visto que, nossa formação
não nos prepara para a prática pedagógica Inclusiva.
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CORPO E MOVIMENTO: O ENTRELAÇAR ENTRE ARTE E SAÚDE
MENTAL
Autores: Ana Márcia Antunes; Henrique Costa Brojato; James Kava;
Rudinei Nicola; Vanessa Tauscheck
Resumo: O Centro Social Marista Propulsão (CSM Propulsão) é um
dispositivo que atua na (re)inserção de adolescentes que estão ou estiveram
em tratamento pelo uso abusivo de álcool e/ou outras drogas. Dentre as
atividades ofertadas pelo dispositivo, encontra-se a oficina de teatro, que
acontece semanalmente e configura-se como um espaço de sensibilização e
expressão corporal, de criação e transfiguração dos conteúdos que
perpassam a realidade do público atendido. O presente trabalho expõe a
possiblidade de relatos dos jovens a partir do meu encontro experiência
com os mesmos no discorrer da oficina, Corpo e Movimento. O objetivo
dessa proposta é perceber o que causa impacto na vida de cada jovem, seus
lugares de fragilidades e interesses. Ser considerado os saberes subjetivos,
a inserção consigo mesmo: o que incomoda, o que faz os olhos brilharem, o
que pode tocar ou não o coração. Tem-se observado enquanto elementos
desse processo criativo a expectativa de transitar pelo território, seja ele
enquanto corpo/memória, enquanto corpo/lembrança, possibilita a
alteridade/presença na composição desejo/sonho da história de vida de cada
um, contribuindo para a construção das singularidades coletivas. E a
partir daí tentar possíveis diálogos, como forma de linguagem, a visão
aciona o corpo todo, a sua racionalidade, sensibilidade, sensação,
inconsciente, está tudo conjugado. Acredito que os jovens atendidos
pelo CSM Propulsão têm pouca oportunidade na vida diária/ordinária de
fazer esse exercício, muitas vezes por uma educação que não se pauta por
esse princípio. Assim, utiliza-se como metodologia jogos de linguagem,
que criam possibilidades de se relacionar, elaborando as relações que vão
ficando truncados no discorrer da vida. O trabalho é desenvolvido a partir
de jogos teatrais, exercícios físicos, exercícios de relaxamento e respiração,
exercícios de adormecimento e do acordar dos sentidos, do canto, do
batuque e da dança, para uma imersão em pontos simbólicos: experiência
de contágio e afeto sensível nas atmosferas da vida e que segue nos corpos
em relação, oferecendo estímulos para um descondicionamento das lógicas
individuais de ação e de movimento. Exercícios que visam a desordem da
autoimagem, a quebra do sentido e da orientação cotidiana de movimento,
presença e estética ressignificada à realidade cotidiana. Processo que pode
ou não se desenvolver em uma mostra de cenas performáticas, pequenos
vídeos, ou ainda a partir de depoimentos/narrativas que se transformam em
“pretextos”. Tendo como resposta a esses estímulos propostos na oficina,
textos são criados pelos jovens sobre o próprio trajeto, letras de música
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composta por eles, poemas que estão sendo recolhidos para uma
futura mostra, seja ela cenas teatrais ou um livreto. Considero que a
construção de histórias que se relacionam com a vida de outros jovens, um
fio de relatos de dor, solidão, algo que traga qualquer identificação seja
uma possível estratégia para se trabalhar o encontro das artes com a saúde
mental infanto-juvenil. Jovens que um dia chegam de cabeça baixa,
lançando o olhar agora em horizonte, abrindo-se em voz/poema, em canto,
em memória lembrada. Descrever esse encontro é lembrar o quanto esses
“meninos margem” que aqui embarcam em sonhos/Propulsão são capazes
de voo.
Palavras-chave: Teatro, saúde mental, álcool e outras drogas, redução de
danos.
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A ATENÇÃO À CRISE NOS CENTROS DE ATENÇÃO
PSICOSSOCIAL INFANTOJUVENIS
Autores: Beatriz Rocha Moura e Thelma Simões Matsukura
Resumo: Considerando a atenção à crise como um dos principais objetivos
do serviço CAPS, identifica-se a necessidade da compreensão desse
cuidado à população infantojuvenil. Nessa perspectiva, este estudo
objetivou compreender sobre a atenção à crise de crianças e adolescentes
vinculados aos CAPSij, sob a ótica dos familiares e gestores dos serviços.
Objetivou também, identificar quais estratégias de cuidado de atenção às
situações de crise são oferecidas pelas equipes dos CAPSij, além de
compreender as demandas e o cotidiano das famílias e adolescentes que
vivenciaram situações de crise. Trata-se de um estudo qualitativo, de
caráter exploratório, no qual se utilizou para a coleta de dados um
questionário aos gestores e um roteiro de entrevista semiestruturada aos
familiares. Participaram do estudo seis gestores e doze familiares de
crianças ou adolescentes vinculados a seis CAPSij de uma determinada
região da cidade de São Paulo. Os resultados indicam que a maioria dos
adolescentes focalizados no presente estudo apresentam vivência de
diversas crises e internações, com uma rotina restrita a casa, ao CAPSij e a
escola, para aqueles que a frequentam, além de uma significativa limitação
nas relações sociais. Em relação à escola, os resultados revelaram a
desvinculação de quatro adolescentes deste espaço, além de evidenciar uma
realidade de sofrimento e exclusão aos que se encontravam inseridos. Este
estudo também apresentou uma vivência familiar marcada por intenso
sofrimento, ao lidarem a todo tempo com um fenômeno incompreensível e
imprevisível que é o das crises. Observa-se que o sofrimento se estende a
todos os membros da família, trazendo importantes impactos em seu
cotidiano. Em relação às concepções de crise apresentadas pelas equipes,
observa-se uma tendência a uma concepção psicossocial, que busca ampliar
a compreensão da crise, reconhecendo a indissociabilidade entre suas
dimensões singulares e coletivas. Porém, aspectos da concepção médica
psiquiátrica ainda se fazem muito presentes no discurso equipes,
relacionando a crise à agudização sintomatológica. Discute-se que a
coexistência de concepções tão conflitantes informa sobre o processo de
transição paradigmática em que se encontram os serviços. Dentre as
principais estratégias de cuidado ofertadas pelos CAPSij nas situações de
crise estão o acolhimento imediato ao usuário, acolhimento diurno,
encaminhamentos para rede, acolhimento à família, intensificação do
projeto terapêutico singular e avaliação e intervenção da equipe, sendo as
ações territoriais pouco indicadas. O trabalho em equipe foi a principal
potencialidade identificada pelos CAPSij, já as dificuldades referem-se ao
insuficiente investimento do Poder Público nos serviços e na rede. Os
18
resultados apontam que os CAPSij têm se apresentado como um importante
apoio às famílias, porém, também revelam lacunas que limitam um cuidado
efetivo, como o horário de funcionamento dos CAPSij II e a ausência de
uma retaguarda hospitalar na RAPS para crianças e adolescentes. Já em
relação aos pontos de urgência e emergência, como o SAMU e os Prontos-
Socorros, as famílias informam uma realidade de desassistência e
negligência desses serviços nas situações de crise de crianças e
adolescentes. Dentre os principais equipamentos acionados pelas equipes
estão o CAPSij III e os Hospitais Gerais. O CAPSij III, com funcionamento
24 horas, é apresentado neste estudo como uma potente estratégia para o
acolhimento à crise de crianças e adolescentes, possibilitando intervenções
mais humanizadas e evitando internações. Aponta-se a necessidade de
maior atenção às famílias e envolvimento em ações territoriais como
estratégias fundamentais para o cuidado às situações de crise. Ressalta-se a
demanda pela ampliação dos CAPSij III e por investimentos nos CAPSij II
e em todos os pontos da RAPS, a fim de garantir melhorias na atenção à
crise de crianças e adolescentes, sendo de extrema urgência a
problematização dessas questões nas políticas públicas de saúde mental a
essa população.
19
Contribuições do rap quilombola para a saúde mental jovem
Autor: Renata Câmara Spinelli
“Não vem que não tem,
Não, não vem que não tem,
Você é você ou você não é ninguém”
Grupo Realidade Negra
Resumo: A intenção deste artigo é apresentar algumas reflexões provindas
de pesquisa de campo realizada com os jovens rappers do Grupo Realidade
Negra2
do Quilombo do Campinho da Independência, em Paraty-
RJ, como contribuições para ações práticas no âmbito da saúde mental com
jovens. Nas canções de seu CD “É prus guerreiro a missão”, muitas
dirigidas aos jovens de sua comunidade quilombola, acabam por revelar em
seu modo local o compartilhamento da produção artística como lastro
fundamental. Eles propõem que o rap seja um veículo de ampliação de
consciência, de reflexão moral, ética, religiosa e, principalmente, de
formação de crianças e jovens. A adolescência, movida pelas
transformações da puberdade, revela-se na necessidade do abandono da
infância e arremesso ao devir obscuro. Podemos fazer uma leitura do
período como um “espaço transicional” (tal qual Winnicott propõe para a
infância) para o mundo que acreditam estar criando, no qual experimentam
certa “soltura”. A criatividade, para Winnicott, constitui o objetivo
principal da análise e, assim, a base fundamental para a construção gradual
da autonomia cuja autoconfiança dependeria dos recursos criativos
desenvolvidos desde os primórdios da relação mãe-bebê. Em sua obra
“Brincar e a Realidade”, Winnicott (2000) esclarece a importância dos
primórdios da vida imaginativa e da experiência cultural. Para o jovem,
impõe-se a ele também a criação de um novo mundo. Ferrari (1996)
escreve que a juventude compõe um arco – categoria que pode
abranger desde idades iniciais da puberdade até a adolescência estendida.
Além disso, compreende que o período compõe-se de um segundo
desafio edípico – um novo momento de enfrentamento da angústia para a
decisão de se apropriar do tempo da vida, do qual deverá ser “senhor”. O
jovem, por sua vez, encontra-se em momento de defesas em
transformação, de mais fácil acesso ao inconsciente, portanto frágil e, ao
mesmo tempo, criativo. O mundo contemporâneo tem sido marcado pelo
esgarçamento das relações, impondo-se ao jovem que inaugure algo
completamente novo como condição de se recriar nesse mundo. Em tal
período, especialmente, o jovem encontra-se altamente conectado às artes,
à música, à cultura em geral, o que podemos entender como uma conexão
diferenciada ao real - o que se revela em sua produção
20
grupal. Compreendemos a vivência de produção artístico-musical no
período jovem como um modo de realizar uma sutura estética com
características rituais e míticas para o período jovem. Jeammet
(2006) escreve que a ausência de ritos configura as relações expressas pelos
jovens nos dias de hoje, cuja “ausência de confronto arrisca deixá-lo com
um sentimento de profunda solidão e desvalorização (JEAMMET, 2006, p.
35). Desta forma, a criação se constituiria um rito, e a angústia
compartilhada com outros em circunstâncias iguais faz com que a
vivência grupal se constitua um alívio ansiolítico para
o conjunto. Realizam, assim, uma estética de ritual de passagem para dar
suporte ao seu momento jovem de “reedição edípica” (FERRARI, 1996) ou
“desorganização temporária” (JEAMMET, 2006), o que teria a
função, então, de sustentação durante a inevitável metamorfose no período
de transição de sua subjetividade. Assim, ainda que observemos a
expectativa geral de atendimentos individuais, entendemos a experiência de
rodas de conversa temáticas para jovens como a oportunidade de
produção e vivência artística – do rap, de poesia, de construção de um
texto, de música, dança - parece revelar-se importante espaço terapêutico.
Ela cria um novo setting analítico para o jovem que, diante de seu grupo, se
faz e refaz, reordena seus afetos, enxerga-se no olhar do outro e cria seu
futuro a partir das mediações grupais.
21
A não-verbalização no plantão psicológico
Autor: Helena Rubini Nogueira
Resumo: Este trabalho traduz um relato de experiência da prática de
plantão psicológico realizado dentro da clínica de psicologia de uma
universidade pública do interior de São Paulo. O atendimento escolhido
refere-se aos quatro acolhimentos que foram realizados dentro do campus
(três em sala e um no gramado atrás de uma das centrais de aula). O caso
da adolescente H. será então tomado como elucidação de uma situação
bastante recorrente embora pouco discutida quando falamos sobre o plantão
psicológico: quando a queixa é trazida de forma sucinta e nada mais é
verbalizado embora tudo esteja sendo sentido. Aqui, partiu-se da filosofia
da diferença enquanto modo de entendimento crítico e sensível da pessoa
que veio à procura de acompanhamento. A usuária fez uso da comunicação
verbal voluntária apenas por quatro vezes durante quatro sessões que
tiveram durações variadas conforme a necessidade que a dupla sentiu. Em
ordem cronológica respectiva a cada encontro: 25, 70, 45, 60 minutos. As
falas tratavam do enunciado de queixa “Vim porque sinto que minha
depressão está voltando”; da descrição simples e direta a respeito de como
se sentia no seu cotidiano “Sozinha, minha família está na minha cidade e
meus amigos daqui são na verdade colegas”; da preocupação com a pessoa
por quem nutria sentimentos amorosos “Ele é a única pessoa que me
entende, é igualzinho a mim. Tenho medo que ele desista... entende?”; da
sensação de um início de preenchimento no vazio de afetos que se formou
“Me sinto alinhada”. A angústia sentida por H., antes de ser tomada no
sentido patológico, foi sentida no encontro entre usuária e terapeuta: foram
realizadas dinâmicas que englobavam o movimentar do corpo, junto de
elementos como água, bacia e cobertor. O espaço da sala passou de
cadeiras apontadas frente uma a outra ao mesmo local, porém com os
móveis todos arrastados e, finalmente, a um dos silenciosos campos de
grama da universidade. Os dias marcados foram ajustados de acordo com o
querer envolvido: por mensagem direta entre a dupla e o fechamento foi,
inclusive, realizado em um sábado. A usuária conseguiu expressar seus
afetos não mais apenas pela comunicação verbal, não mais pelo choro, mas
através de seu corpo que, antes rígido, sem cor e delineamento começou a
formar-se ou, a ser percebido, ainda que timidamente, enquanto matéria
que caminha paralela aos pensamentos e afetos. O objetivo do plantão de
ser um primeiro acolhimento foi cumprido. A posteriori, a adolescente fora
encaminhada a um profissional da cidade que ficou assim responsável pela
continuidade de seu acompanhamento psicoterápico.
22
“Fora da caixa” - o discurso midiático sobre a “criança trans”
Autor: Eugênia Rodrigues
Resumo: Ao longo dos últimos anos, temos visto na mídia local e
internacional numerosas notícias sobre “crianças transgênero”. O objetivo
central desta pesquisa foi verificar se, seguindo regras básicas do
jornalismo, estariam sendo levadas ao público todas as informações acerca
do tema para que o público pudesse considerar seus múltiplos aspectos e
embasar sua opinião. No primeiro capítulo, realizamos uma análise
histórica de como surgiu e se estabeleceu a categoria “transgênero”, a partir
de teorias e técnicas de repressão à homossexualidade e a outros
“comportamentos desviantes” e perpassando interesses médico-
farmacêuticos. Em seguida, analisamos vinte matérias jornalísticas
publicadas sobre o tema entre os anos de 2013 e 2017 em diferentes
veículos do Brasil a partir de uma perspectiva feminista, verificando se, em
tais discursos, estereótipos de gênero como roupas e brinquedos eram
reforçados ou rechaçados. Finalmente, utilizando autores ligados à Escola
de Frankfurt, situamos a notícia enquanto um produto da indústria cultural,
sujeito a uma alta carga de padronização e ingerência do capital carregado
de ideologia.
Palavras-chave: notícia. mídia. jornalismo. infância. criança. gênero.
sexualidade. feminismo.
23
Associação de Usuários e Familiares: Protagonismo e Subjetividade na
Rede de Atenção Psicossocial do município de Resende
Autores: Camilla do Espírito Santo Silva; Alana de Paula Machado e
Ângela dos Santos Monteiro
Resumo: Percebe a importância de uma Associação de Usuários na
organização de serviços na rede de atenção psicossocial (RAPS) e seu
papel fundamental e estratégico no qual desempenha no processo da
Reforma Psiquiátrica, já que, desconstrói alguns estigmas e rótulos. Suas
ações potencializam significativamente com a não exclusão social do
sujeito com transtorno mental e que faz uso prejudicial de álcool e outras
drogas podendo ser atuante à formulação das políticas públicas para o
campo da Saúde Mental e o acompanhamento da gestão dos serviços,
articulada com outras entidades, serviços e sociedade civil no território. O
aprofundamento do paradigma comunitário é central para que estas novas
estruturas não reproduzam os modelos segregacionistas e totalizadores,
típicos da era asilar. A Associação de Saúde Mental do município de
Resende foi composta em 1999, por iniciativa da equipe de saúde mental e
de alguns familiares, que perceberam uma necessidade de maior articulação
entre a sociedade civil e o governo, referente às questões de saúde mental,
sobretudo diante do contexto político daquela época. As ações da
Associação no período de 1999 a 2009 foram caracterizadas por
reivindicações junto ao Governo Municipal e ao Conselho de Saúde,
contando com alguns períodos de vacância. A partir do ano de 2009, houve
uma desarticulação, culminado a inatividade da Associação. A partir da II
Chamada para seleção de projetos de fortalecimento do Protagonismo de
Usuários e Familiares da Rede de Atenção Psicossocial, surge o projeto
“Atitude em foco” com a proposta de uma nova Associação composta
somente por usuários e familiares. Desta forma, em 2015 foi realizada uma
assembleia convocando a sociedade civil para a discussão, aprovação do
novo estatuto e eleger uma nova Diretoria. Participaram usuários,
familiares, sociedade e trabalhadores da RAPS surgindo a Associação de
Usuários e Familiares da Rede de Atenção Psicossocial do município de
Resende. Atualmente a Associação de Usuários e Familiares da RAPS tem
representatividade no Conselho Municipal de Saúde, aonde o Presidente da
Associação faz parte da Diretoria do Conselho e participou como Delegado
na Conferência Estadual de Saúdem em 2015. A Associação promove
diversas ações que contribuem para a autonomia e empoderamento dos
usuários, da rede e do território. Reúne quinzenalmente em espaços
escolhidos na comunidade pelos próprios membros reafirmando o
protagonismo, divulga a Associação através de material próprio
apresentado por eles, o que tende a sensibilizar novos membros e ampliar o
24
conhecimento da sociedade. Estes espaços democráticos de escuta e debate
no território contribuem para aproximar os profissionais da rede com
os usuários e familiares, o que facilita, fortalece o acesso, aumenta e
promove a garantia de direitos através de ações intersetoriais. Neste
momento o maior desafio é garantir a continuidade das ações e mobilização
da associação fortalecendo o empoderamento e a militância como uma
entidade atuante nas políticas públicas de forma eficaz e potente.
25
O ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL
INFANTOJUVENIL: UMA REVISÃO SISTEMATIZADA
Autores: Andréia Ferreira Bretanha; Cândida Garcia Sinott Silveira
Rodrigues; Valéria Christello Coimbra
Resumo: Introdução: As políticas de saúde mental resultam de um longo
processo de redemocratização do país, mas somente em 2005 foram
instituídas estratégias de atenção integral à saúde mental de crianças e
adolescentes com o objetivo de contribuir com a prevenção de
psicopatologias, promoção da saúde e identificação de casos. No Brasil, os
indicadores apontam que 10 a 20 % de crianças sofrem com algum tipo de
transtorno mental. Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo
realizar uma investigação sistematizada a respeito do acesso aos serviços
de saúde mental por parte de crianças e adolescentes, elaborando um
mapeamento do que vem sendo produzido acerca deste terceiro tópico.
26
INSTITUIÇÕES DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL
INFANTOJUVENIL E FABRICAÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS DE
CUIDADO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE PELOTAS/RS
Autores: Naiana Alves Oliveira; Lilian Rocha Gomes Tavares; Daniela
Habekost Cardoso; Maria Stella Weikamp Martinelli; Lucia Lessa Horta
Gicelma Fossati Kaster
Resumo: O campo da saúde mental no Brasil, desde 1970 vem se
consolidando e enfrentando significativas transformações, especialmente
por dar visibilidade a fabricação de saberes que operam para além da
prática clínica. Essas transformações vêm minimizando e buscando
substituições para práticas de exclusão e segregação, anteriormente
incorporadas como modo de (des)cuidado, e vem compondo-se por outros
dispositivos que possibilitam novos modos de cuidado. No que se refere à
saúde mental infantojuvenil sabe-se que os transtornos mentais que afetam
crianças e adolescentes, especialmente nos primeiros anos de vida, se não
tratadas, podem ocasionar impactos severos na idade adulta, impedindo, de
algum modo, a convivência social dessas pessoas, seja escola, no convívio
familiar, podendo refletir, mais tarde, em problemas relacionados ao
trabalho e diferentes espaços sociais do qual farão parte. No país, o cuidado
dispensado a criança e ao adolescente atravessaram anos da história em
meio a um ideário de proteção que redundou na construção de um modelo
de assistencialismo com forte tendência à institucionalização, e em uma
concepção segmentada, segregadora e não integradora dessa população. No
mesmo tempo em que propagava a importância da assistência a crianças e
ao adolescentes, engendrou-se um conjunto de medidas, calcadas na lógica
higienista e de inspiração normativo jurídica que expandiu a oferta de
instituições fechadas para o cuidado de crianças e adolescentes sob a tutela
da filantropia. Na busca para tais transformações, os Centros de Atenção
Psicossocial infantojuvenil (CAPSi) compõem um serviço de atenção diária
em saúde mental, ordenado pela lógica da inclusão, de base territorial,
ampliada, 1 pois a criança e o adolescente são vistos na sua integralidade.
Os CAPSi, além de colocarem-se como um espaço de suporte a esses
usuários, atuam na preservação de seu lugar na família e na manutenção
dos seus vínculos sociais. Constituem-se de um serviço substitutivo de
assistência em saúde mental, utilizando-se de práticas de cuidado
interdisciplinares, atendendo a demanda do Sistema Único de Saúde, com
características regionalizadas e hierarquizadas, destinado a crianças e
adolescentes com transtornos psíquicos e comprometimentos neurológicos
graves, perda de autonomia, limitações para a vida escolar e/ou situação de
vulnerabilidade. 1 Assim, desenvolve atividades de promoção, prevenção,
assistência social e à saúde de crianças e adolescentes, excluídos das redes
comuns de socialização, através do trabalho de uma equipe
27
multidisciplinar, com múltiplas abordagens terapêuticas, pedagógicas e de
reabilitação. Auxilia, ainda, na promoção da cidadania, ao mesmo tempo
que busca auxiliar familiares nesse processo, além de estabelecer trabalho
em rede de forma articulada com outros setores, tais como, educação,
justiça social e judiciário, dentre outros. Assim, entende-se que o cuidado
em saúde mental significa promover o acolhimento desses sujeitos,
localizá-los no seu sofrimento, respeitando suas subjetividades, 2 interagir
com o mesmo no seu dia-a-dia, possibilitando alternativas de expressão da
sua produção psíquica, o que é fundamental na construção do processo de
viver saudável. Portanto, tem-se que os CAPSi atendem a demanda do
cuidado em saúde mental através de processos de trabalhos consolidados 3
principalmente no que se refere as demandas sociais, como a escola,
buscando otimizar o significado desse espaço para suas vidas estimulando
autonomia, inclusão social, aproximando o sujeito com a atenção primária
em saúde. Compreender as condições de adoecimento em saúde mental
requer do profissional de saúde vislumbrar práticas de cuidado que incluam
os usuários enquanto atores sociais, que refletem sobre o seu processo de
saúde. Acredita-se que os usuários, instrumentalizados com esses saberes,
contribuem no processo de reabilitação psicossocial, construindo, assim,
mudança social enquanto indivíduos inseridos na comunidade.
28
A REPRESENTAÇÃO DE VÍNCULOS POR MEIO DE UMA
ESTRATÉGIA LÚDICA: O MAPA DOS CINCO CAMPOS
Autores: Clarissa de Souza Cardoso; Valéria Cristina Christello Coimbra ;
Luciane Prado Kantorsky; Viviane Ribeiro Pereira; Naiana Alves Oliveira.
Resumo: Introdução: Um dos principais desafios para pesquisadores
que trabalham com crianças é a busca por estratégias
lúdicas que promovam a participação efetiva deste público. O Mapa dos
Cincos Campos (MCC) é um instrumento lúdico que possibilita avaliar a
rede de apoio social e afetiva a partir de cinco campos: família, amigos,
parentes, escola e contatos formais (SIQUEIRA, BETTS, DELL’AGLIO,
2006). Objetivo: relatar a experiência sobre a utilização do MCC como
possibilidade de expressão oral da criança sobre aspectos próprios de suas
relações. Metodologia: Este trabalho é parte integrante de uma dissertação
de mestrado, a coleta de dados foi realizada de abril a julho de 2016, para a
pesquisa substituímos os contatos formais pelo Centro de Atenção
Psicossocial infantojuvenil (CAPSi), participaram cinco crianças
vinculadas a um CAPSi. A pesquisa obteve parecer favorável do Comitê de
ética em Pesquisa em Enfermagem sob o nº 1.485.272. Confeccionou-se o
MCC em feltro, os círculos com tinta de tecido e os bonecos em EVA,
estes representaram crianças, familiares, amigos, profissionais, professores,
colegas da escola e também outras pessoas. Os bonecos foram colocados
conforme a vontade e afinidade com o campo. Utilizou-se diário de campo
para registro, o que possibilitou um acompanhamento mais sistemático, em
uma sala individual oferecida pelo serviço. O círculo central correspondeu
a cada criança participante; os círculos adjacentes mediram a qualidade do
vínculo, quanto mais próximo do círculo central, maior foi à percepção de
proximidade do participante com a pessoa que foi representada. Os dois
primeiros círculos corresponderam àquelas relações mais próximas de
maior vínculo; o terceiro e quarto círculos corresponderam às relações mais
distantes de menor vínculo; e o círculo mais afastado, localizado na
periferia do mapa, corresponderam aos vínculos insatisfatórios. Os dados
obtidos descreveram o grau de satisfação e/ou insatisfação, conflitos e
rompimentos nas relações e também histórias sobre as pessoas
representadas (SIQUEIRA, BETTS
E DELL’AGLIO, 2009). Resultados: As crianças explicitaram maior
envolvimento com familiares, vizinhos/amigos e parentes. No campo
29
família considerou-se: mãe, pai, irmãos, irmãs e avós maternos e paternos.
As famílias são identificadas como principal fonte de apoio para resolução
de conflitos e problemas, mesmo com tantos condicionantes sociais, de
educação, demográficos e econômicos observados durante a realização da
pesquisa. No campo, parentes consideraram-se tios maternos/paternos e
primos/primas, apresentando no máximo seis parentes e apresentando
vínculos satisfatórios. Os campos escola e CAPSi revelaram um pequeno
número de contatos; em relação a escola percebemos que a maioria delas
indicaram no máximo cinco pessoas com as quais poderiam contar
em situações consideradas problemas, a figura da professora aparece como
principal fonte de apoio e todas citaram no máximo dois colegas. O
campo CAPSi revelou-se um espaço em que os participantes realizam
menos trocas afetivas e sociais em relação aos demais campos, permitindo
uma reflexão sobre a necessidade de articulação e resgate dos vínculos
afetivos (HOPPE, RAMOS, 2012;TSZESNIOSKI et aL., 2015). A
capacidade para desenvolverem trocas afetivas fora da família, na escola e
nos demais espaços que fazem parte de suas trajetórias, influencia no
desenvolvimento das redes de apoio sociais e afetivas, na promoção da
autonomia e resiliência. As crianças que se sentem parte de um contexto
fora da família disponibilizarão de mais recursos para enfrentar situações-
problema, a partir do momento em há possibilidade de utilizarem a rede
social e afetiva como referência para suas escolhas e decisões (HOPPE,
RAMOS, 2012). Esta estratégia teórico-metodológica possibilita
aos diferentes serviços: problematizar e retomar relações afetivas; a busca
da promoção do desenvolvimento das relações afetivas e sociais, em
complementação à ação das famílias; a necessidade de estratégias
de articulação entre os serviços para que promovam experiências
promotoras das capacidades e habilidades das crianças.
30
UNIVERSIDADE E CCA A SERVIÇO DA SAUDE MENTAL DE
CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM VULNERABILIDADE SOCIAL
Autora: Ana Laura Schliemann
Resumo: O objetivo desse resumo é relatar a experiência do atendimento
em grupo dos estagiários do Núcleo em Saúde do quarto ano do curso de
Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. A parceria foi firmada a três
anos entre o curso de psicologia e um Centro da Criança e do Adolescente
Nossa Senhora do Carmo localizado no Bela Vista – SP/Capital. O
convenio foi estabelecido com intuito de atender as necessidades de estágio
obrigatório dos alunos do quarto ano que tem que realizar atendimentos em
grupo em atenção de saúde primária. Os grupos psicoeducativos estão
focados na prevenção e promoção a saúde, com crianças e adolescentes
com objetivo de desenvolver habilidades e competências emocionais. O
CCA atende a população de 6 a 14 anos no contraturno escolar. Esses
jovens são divididos em módulos que atuam sobre as relações
interpessoais, as demandas e potencialidades dos participantes, através de
atividades lúdicas, culturais e esportivas. Esses módulos são constituídos
por idade e/ou condição de aprendizagem e os temas trabalhados respeitam
essa condição. O grupo de acadêmicos em cada semestre, via de regra, é
composto por 4 duplas que atendem por doze semanas e que recebem
supervisão na Universidade. Cada atendimento tem em média 01h20
minutos e são realizadas atividades expressivas que favoreçam o
diagnostico e a elaboração das demandas emocionais com cada módulo. Os
temas já trabalhados foram: relações grupais, sexualidade, afetividade e
autoestima. A sessão é dividida em acolhimento, aquecimento,
atividade psicoeducativa com o tema base, e fechamento em roda de
conversa ou produção de material. A parceria tem identificado crianças e
adolescentes com problemas psiquiátricos, cognitivos e emocionais ligados
ao desenvolvimento deles ou as condições de violência e miséria que atinge
essa população. Durante o período dos trabalhos observou-se que as
condições psíquicas nem sempre são preservadas e os jovens tem
dificuldade em lidar com a frustração e com questões de família; existe
uma resistência ao novo e uma dificuldade de interagir no começo de cada
grupo pela falta de confiança no outro, dificuldades com o próprio corpo e
com a identificação de sentimentos e emoções expressas na
comunicação não-verbal; presença de transtorno desafiador opositor; entre
outros. Entendemos que há uma combinação entre uma predisposição
neurobiológica associada também a fatores de risco psicológico e do
ambiente social da criança, como por exemplo, o ambiente familiar. Nesse
sentido, são elencados alguns fatores de risco que estabelecem uma
31
possível relação com o transtorno, sendo eles: relacionamento negativo
com os pais; pais negligentes ou ausentes; comportamento agressivo dos
pais; vivências de vulnerabilidade social; ambiente social desregrado;
instabilidade familiar; abuso físico, sexual e/ou psicológico; disciplina
inconsistente; dificuldade ou inabilidade em construir relações sociais;
vivência em comunidade com alto índice de criminalidade e/ou situações
de miséria. Quando necessário são feitos os encaminhamentos e
atendimentos de usuários e seus familiares, bem como treinamentos para os
profissionais contratados. Avaliou-se que o trabalho tem favorecido aos
acadêmicos um encontro com as diversidades de culturas e vivencias,
facilitando sua aprendizagem na atuação com essa população de forma
integrada. Do lado dos atendidos eles estão tendo um espaço aberto e
seguro para reflexão de sua vida.
Palavras-chave: adolescência; saúde mental; saúde; grupo; psicologia.
32
Cães terapeutas e crianças em vulnerabilidade
Autores: Viviane Ribeiro Pereira; Marcia de Oliveira Nobre; Fernanda
Dagmar Martins Krug; Thalia Loureiro Lummertz; Marta Solange
Streicher Janelli da Silva; Valéria Cristina Crhistello
Resumo: Introdução: Vulnerabilidade social deve ser compreendida como
conjunto de fatores que leva o indivíduo a essa condição, dentre os quais
podemos citar falta de acesso à informação, educação, cultura, acesso
restrito aos serviços de saúde e baixas condições socioeconômicas. Essa
situações refletem na qualidade de vida das famílias, levando muitas vezes
ao rompimento de vínculos afetivos (GOMES: PEREIRA, 2005).
Entende-se que a criança proveniente destes contextos, muitas vezes
expostas a violências, o abandono, a negligência, a falta de carinho, afeto e
proteção, pode vir a apresentar dificuldades de relacionamento interpessoal,
problemas emocionais e comportamentais, o que dificulta sua comunicação
e sua interação com colegas, professores e familiares e trazendo prejuízos
significativos a sua saúde física e psíquica (PEREIRA, 2017). Neste
contexto, atividades com cães terapeutas, pode beneficiar essas crianças,
pois eles são considerados “catalizadores Sociais” promovem a interação
social, além de estimular afeto, que muitas vezes encontra-se embotado
nesse público (SAVALLI; ADES, 2016). Objetivo: Refletir sobre a
importância da interação lúdica com cães de terapia na escola para
promoção do bem estar e melhora das condições emocionais de crianças
em vulnerabilidade social. Material e Método: O presente trabalho é
oriundo da dissertação de Mestrado intitulada: Intervenções Assistidas por
Animais com crianças em contextos de vulnerabilidade social: utilizando o
método Photovoice (PEREIRA, 2017). Obteve aprovação do Comitê de
Ética em Pesquisa da Faculdade de Enfermagem (FEN) sob o Nº
1.558.671. Foi desenvolvida com a utilização de cães terapeutas do Projeto
Pet Terapia- (Faculdade de Veterinária – UFPel). Para coleta de dados
foram distribuídas máquinas fotográficas digitais a cada uma das crianças
participantes do estudo, no total de 5 crianças entre 6 e 9 anos de idade, a
partir da indicação da escola. O objetivo do estudo era compreender as
contribuições das intervenções assistidas por animais na percepção da
criança, utilizando fotografia feitas por elas. Resultados: Para narrar suas
percepções sobre a interação lúdica com os cães, as crianças fizeram suas
escolhas fotográficas de acordo com que consideravam ser importante nas
atividades. A maioria aponta o cão como um “amigo” importante nas
brincadeiras, falam do “amor e do afeto pelo cão”. Percebeu-se que
afetividade estabelecida entre eles proporcionou alívio da ansiedade
causada pelas condições de vida dessas crianças. O amor é um fator
protetivo destas situações. As crianças não perderam a capacidade de amar
em meio às condições adversas que vivenciam. Conclusões: Incluir um
33
cão de terapia em atividades escolares pode ser um instrumento importante
e inovador para cuidado em saúde mental da criança em vulnerabilidade
social, visto que o cão é para elas um amigo fiel e confiável, isto facilita a
expressão de sentimentos e a promoção do bem estar dessas crianças.
34
Potencialidades do Método Photovoice
Autores: Viviane Ribeiro Pereira; Clarissa de Souza Cardoso; Naiana Alves
Oliveira; Ana Cláudia Garcia Vieira; Marcia de Oliveira Nobre; Valéria
Cristina Christello Coimbra
Resumo: Introdução: O Photovoice, método inovador de pesquisa ação-
participativa, que possibilita reflexão e discussão de vivências, através de
uma técnica fotográfica específica, transformando participantes do estudo
em agentes de mudança social e local (MEIRINHO, 2016). Um aspecto
importante desse método é que ele permite o “empoderamento” do sujeito,
ou seja, oportuniza que ele participe ativamente na geração de dados,
através da captação de imagens que retratem suas vivências. Este método
permite aos participantes tirar suas próprias fotos, para posteriormente
analisar e refletir sobre elas em grupo. É uma metodologia fundamentada
na Teoria da educação crítica de Paulo Freire, nos princípios da Teoria
Feminista e na fotografia documental (HERGENRATHER, 2009; WANG,
BURRIS, PING 1996). A aplicação dessa abordagem metodológica foi
oportuna, pois contemplou crianças imersas em contextos desfavoráveis,
expostas a situações de vulnerabilidade social. Considera-se que diversos
fatores podem levar as crianças a esta condição, dentre as quais destacam-
se: carências afetivas, perdas na infância extrema pobreza, violência intra-
familiar e fatores genéticos que podem desencadear quadros depressivos e
risco de suicídios na adolescência e vida adulta (ZAVASKI, 2009).
Entende-se, portanto, que o conceito de vulnerabilidade social está atrelado
a processos de exclusão, discriminação e enfraquecimento de grupos
sociais, interferindo na capacidade de reação destes frente ao problema
enfrentado. Objetivo: Relatar a experiência da aplicação do método
photovoice com crianças inseridas em contextos de vulnerabilidade social e
as potencialidades do uso desta abordagem nas pesquisas com crianças em
sofrimento psíquico. Material e Método: Utilizou-se máquinas fotográficas
a cada criança participante do estudo 5 crianças entre 6 e 9 anos de idade.
Foi realizada oficina de capacitação para explicar o desenvolvimento das
atividades. A orientação era fotografar o que considerassem importante e
significativo nas Intervenções Assitida por Animais na escola. As
atividades foram organizadas em dois encontros semanais- O primeiro
encontro da semana eram realizadas as atividades lúdicas com os cães
terapeutas e o registro fotográfico, por um período de 40 minutos. O
segundo encontro semanal era o momento da escolha das fotos, sem a
presença dos cães, em grupo. As fotos eram projetadas em Notebook e
impressas, as crianças escolhiam as mais significativas para elas,
indentificando suas percepções quanto as atividades propostas. Estas
reuniões tinham duração de 60 minutos. Ao final foi realizado o varal
35
fotográfico para expor todas as fotos produzidas. Resultados: O
Photovoice como ferramenta de intervenção possibilitou compreender
ações, gestos e múltiplas linguagens da criança e sua percepção do mundo,
dentre elas o entusiasmo por estarem desempenhando algo importante na
escola e na comunidade, refletindo de forma positiva sobre o
comportamento e aprendizado, verificado pela observação, registros em
diário de campo, bem como pelos relatos de professores e diretora da
escola (PEREIRA et al, 2016). O photovoice foi uma abordagem
inovadora de pesquisa, pois permitiu dar “voz” a essas crianças que por
vezes são pouco ouvidas e percebidas na comunidade.
36
Por uma escuta da Adolescência: Uma experiência com grupo de
Adolescentes em um Caps Infanto Juvenil
Autores: Bruna Ghiorzi, Sheila Chaves de Souza, Cristiane Inácio Menca,
Vanessa Bettiol de Oliveira
Resumo: Muitos são os motivos pelos quais os adolescentes são
encaminhados aos serviços de saúde mental. Isolamento social, exposição à
violência, conflitos familiares, uso de substâncias, auto-mutilações,
tentativa de suicídio, entre outras razões, são enumeradas como sinais de
alerta de que algo pode não estar bem. Quando chegam ao Caps Infanto
Juvenil, muitos pais ou responsáveis alegam não saber em que momento
tais comportamentos iniciaram, questionam a tentativa de chamar a atenção
ou procuram atribuir a um adoecimento externo, uma espécie de transtorno,
como uma contaminação que surge sem aviso e que pode desaparecer da
mesma forma. Durante o momento de acolhida e ao longo de sucessivos
atendimentos em espaço protegido, entre os pares, vamos percebendo que a
demanda da escuta está lá, presente há muito tempo, mas, por vezes, sem
condições de endereçamento ou sem discurso possível. Ao ofertarmos o
Grupo de Adolescentes possibilitamos a construção de um discurso a
respeito do sofrimento e o que se faz ouvir insistentemente por esses jovens
é a falta de oportunidade de contato, escuta e diálogo com aqueles adultos
que estão mais próximos. Ao acompanharmos a trajetória do grupo,
percebemos que também em relação ao cuidado e a manutenção do
tratamento, muitas vezes esses adolescentes são deixados sozinhos com a
responsabilidade de se “curarem” e restabelecerem suas atividades, de
preferência conversando apenas com os profissionais de saúde, reforçando
que a casa e a escola não podem se constituir em espaço de escuta. O
objetivo desse trabalho é refletir sobre as possibilidades de intervenção e
escuta dessa Adolescência que chega em nosso serviço de atenção
psicossocial e sobre como podemos ampliar os cuidados para além do
Caps. Para isso será utilizada a experiência ao longo de dois anos
acompanhando um grupo de adolescente de 14 a 18 anos em atendimento
no Caps Infanto Juvenil de Viamão, Rio Grande do Sul.
*CAPS – Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil.
37
Autonomia e território: o adolescente no espaço da cidade - Um relato de
experiência sobre o Grupo de Autonomia do CAPS Infantojuvenil Aquarela
de Viamão/RS
Autores: Bruna Bayer, Bruna Ghiorzi, Cristiane Inácio, Sheila Chaves,
Valessa Harkovtzeff, Vanessa Bettiol
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo compartilhar e
problematizar questões como autonomia, apropriação do território pelo
sujeito, processos de alta em final de tratamento no CAPS Infantojuvenil,
entre outros aspectos que perpassam as questões da adolescência. O grupo
de autonomia se propõe a criar espaços de discussão em torno de questões e
tensões que se colocam na adolescência, tendo em vista uma nova relação
com os espaços sociais e o envolvimento com os fluxos da cidade e do
território em que circulam,propondo o protagonismo destes
sujeitos.Através de um espaço de fala e de experiências compartilhadas,
visamos criar um espaço em que estes jovens possam expressar sua
opinião, imaginar sua inserção na comunidade e na cidade em que vivem,
compartilhando o que pensam e o que sentem com outros jovens marcados
por experiências culturais semelhantes, incluindo nessa discussão, as
dificuldades de relação e os impasses que eles experimentam com as
instituições que os representam: a escola, a família, a justiça, etc. São
combinadas visitas a lugares que se constituem como potencializadores
dessa autonomia desejada, buscando novos olhares e novos lugares na
cidade e no território. Através do acompanhamento terapêutico em grupo,
eles passam a reconhecer espaços com potencial para cursos, trabalho,
cultura, lazer e cuidado de si. Com isto, o grupo traz consigo a retomada de
compreensão de uma Pedagogia da Cidade que se constitui enquanto
possibilidade de reconhecimento e acesso a dispositivos que contribuem
para a produção de saúde, cuidado, autonomia e protagonismo na inter-
relação com a cidade e seus fluxos compartilhando sobre uma Educação
na/da Cidade. Além disso, o grupo é um espaço facilitador para que se
realize o processo de alta do usuário, questão essa que sempre suscita
discussões sobre o cuidado continuado e as possibilidades de que o
adolescente possa se vincular em outros espaços que digam de uma
inserção social e de uma construção ativa para que essa posição seja
sustentada.
38
Assistência à crianças e adolescentes negros em serviços de saúde mental:
Revisão Integrativa de Literatura
Autor: Laís Mariana da Fonseca
Resumo: As iniciativas na assistência a crianças e adolescentes que sofrem
com transtorno mental grave são poucas e localizadas. Romper com a
desinformação técnico-política, promover a intersetorialidade e
particularizar o atendimento ao público infanto-juvenil, antes pautado na
assistência aos adultos ou deficientes, representa o desafio que se coloca
ante as novas formas de lidar com a assistência em saúde mental,
principalmente quando se fala de práticas profissionais (Guerra, 2003). O
peso do estigma, do preconceito de um transtorno mental e o impacto do
processo de adoecimento da criança ou adolescente na família, podem
potencializar a situação de vulnerabilidade da criança ou adolescente
negro com transtorno mental (Scholz; Silveira; Silveira, 2014). O termo
estigma refere-se a problemas de conhecimento (ignorância), atitudes
(preconceito) e comportamento (discriminação) (Thornicroft G, Rose D,
Kassam A, Sartorius N, 2007) sendo que esse estigma associado a um
transtorno mental, pode ter uma influência potencial ser potencializado.
Dessa forma é necessária maior compreensão de como identificar barreiras
potenciais para melhorar o acesso oportuno ao suporte básico de atenção
(Gronholm, PC, et al, 2017). A existência de desafios específicos
envolvidos no atendimento à saúde mental infantil e juvenil indica que
apenas o conhecimento consubstanciado das particularidades dos diferentes
contextos, das ações concretas realizadas pela atenção especializada, e da
distribuição de serviços nos diferentes setores pelo território nacional
podem guiar a construção de uma política pública que proporcione efetiva
melhoria do atendimento e do cuidado à infância e adolescência (Couto,
MCV, Duarte, CS, Delgado, PGG, 2008). A RAPS é a Rede de Atenção
Psicossocial no Sistema Único de Saúde (SUS) e propõe a ampliação e
articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e
outras drogas. A RAPS vem como suporte a política de saúde mental,
prioriza a desinstitucionalização de pessoas com transtornos mentais ou por
uso de substâncias psicoativas, vem além de fortalecer ainda mais o
atendimento, priorizando ações de base comunitária e territorial visando a
diminuição de internações (Silvério, XXXXX 2017). Guerra (2005)
destaca outro ponto, como um dos desafios na assistência em saúde mental
infanto-juvenil, traçar o diálogo entre diferentes saberes que perpassam as
crianças e os jovens, uma vez que estão diluídos por diferentes áreas, como
pedagogia, psicologia e medicina, priorizando a construção e a
reconstrução de projetos de vida. De acordo com Guerra (2005, p. 141):
39
[...] pensar em proposta no âmbito das políticas públicas para assistência a
crianças e adolescentes com transtornos graves implica, no mínimo, em
reescrever a história da assistência a partir de novos princípios éticos e
políticos Guerra (2005). Portanto, analisar indicadores de
crianças/adolescentes atendidas nos serviços de saúde mental é
imprescindível, com destaque para o quesito raça/cor, ancorando-se nas
pesquisas apresentadas, para uma ação de enfrentamento das iniquidades,
segregação racial e sofrimento psíquico. Levando em consideração os
desafios de crianças e dos adolescentes atendidos nos serviços de saúde
mental, aliando-se a raça/cor, há uma montante de vulnerabilidades. Assim
surge a questão norteadora deste estudo: Assistência à
crianças/adolescentes negros em serviços de saúde mental.
40
A saúde mental infantojuvenil na Atenção Básica
Autores: Amanda Dourado S.A. Fernandes e Thelma Simões Matsukura
Resumo: No Brasil o Ministério da Saúde tem investido em políticas da
Atenção Básica (AB), de forma que isso tem refletido nas ultimas décadas
em um expressivo aumento de estudos no campo da saúde mental neste
nível de atenção a saúde. Porém, especificamente para infância e
adolescência, os estudos, em grande maioria, se remetem ao CAPSij como
principal dispositivo de cuidado, e os poucos voltados para AB, apontam
para a falta de reconhecimento e/ou valorização pelos profissionais,
dificuldades na organização dos sistemas regionais e incapacidade técnica
de intervenção. Nesta direção, verifica-se que muitas fragilidades e limites
ainda permeiam este campo, necessitando de mais investimentos no âmbito
da pesquisa. Tendo em vista este panorama, o presente trabalho apresenta
resultados advindos de um estudo de doutorado em finalização,
desenvolvido em duas Etapas: A Etapa 1 objetivou compreender sobre as
práticas de cuidado em saúde mental infantojuvenil na AB, sob a ótica dos
gestores. Participaram desta Etapa 53 Unidades de Saúde, distribuídas em
sete municípios do Estado de São Paulo. Os dados foram coletados durante
um ano e meio, via rede mundial de computadores por meio de três
instrumentos online. Quanto à análise, os dados quantitativos foram
tratados por meio de planilhas do programa Excel®. Para as questões
abertas, procedeu-se a análise categorial, proposta por Bardin. Os
resultados obtidos foram categorizados a partir de seis eixos, os quais
evidenciaram para fragilidades no reconhecimento de crianças e
adolescentes em sofrimento psíquico no território. Além disso, a maioria
dos participantes relatam pouca afinidade com o campo, e as ofertas de
cuidado existentes que envolvem a infância e adolescência não são
reconhecidas como estratégias de cuidado importantes para a saúde mental
infantojuvenil. Outro dado importante é que as crianças e adolescentes com
demandas de saúde mental chegam a AB por meio da escola, porém há
grandes dificuldades de parceria e trabalho em rede. Nesta perspectiva,
identificou-se também uma compreensão dos profissionais de que para a
efetivação do cuidado a essa população na AB é necessário profissionais
especializados e, uma lógica de funcionamento voltada ao encaminhamento
para o CAPSij. Aspectos positivos foram encontrados- agentes
comunitários foram reconhecidos como importantes atores no processo de
cuidado e os grupos como potente recurso. A Etapa 2 encontra-se em
andamento e trata-se de uma pesquisa etnografia que visa identificar e
problematizar as concepções e práticas de saúde mental infantojuvenis no
território a partir da Estratégia de Saúde da Família. Nesta direção a
pesquisadora entrou em campo (em uma Unidade de Saúde da Família)
41
permanecendo de três a quatro períodos semanalmente. Conforme
combinado em reunião de equipe, inicialmente a pesquisadora realizou uma
observação participante, acompanhando as atividades desenvolvidas,
possibilitando a compreensão da realidade existente, mapeando as ações e o
território. Posteriormente a pesquisadora começou a delimitar suas
inserções no campo, em ações especificas para infância e adolescência.
Após esses procedimentos e, a partir da demanda da equipe, deu-se início a
uma intervenção. A intervenção iniciou-se com a aplicação de um
formulário visando compreender as demandas e expectativas da equipe.
Posteriormente, organizado esses dados, as ações começaram as ser
planejadas, sendo que estas envolvem ações no território e com a rede, e
abarcam a identificação de casos de saúde mental no território,
possibilidade de intervenção na AB e articulação da rede intersetorial.
Pretende-se também realizar atividades formativas com a equipe a fim de
instrumentalizar e potencializar as ações práticas já definidas. No final da
pesquisa será aplicado um instrumento a fim de avaliar a intervenção.
Espera-se que estes dados possam contribuir para a compreensão do
campo, assim como oferecer elementos para maiores debates, reflexões e
investimento nas esferas políticas e de assistência a essa população.
42
A interdisciplinaridade articulada a alimentação a partir da Oficina de
culinária no CAPSi em Campos dos Goytacazes (RJ)
Autor: Kamyla Souza
Resumo: O Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil do munícipio
de Campos dos Goytacazes faz parte da Rede de Saúde Mental da cidade a
doze anos, o qual atende a demanda de crianças e adolescentes que têm
transtornos graves e/ou persistentes, além de prejuízos sociais diante de
algum sofrimento psíquico. Assim, o dispositivo possui uma equipe
interdisciplinar com assistentes sociais, psicólogos, técnicos de
enfermagem, enfermeiros, fonoaudiólogo e médicos psiquiatra. A oficina
de culinária deu-se a partir do desenvolvimento da oficina de artesanato, a
qual os usuários confeccionaram latas individuais e personalizadas. Com
isso, os técnicos junto aos usuários pensaram em preencher as latas com
biscoitos natalinos feitos pelas crianças e sua referência familiar.
Observou-se nesse primeiro momento como a relação entre usuários e
familiares funcionava e o quanto as crianças afirmaram gostar de preparar e
comer os biscoitos que elas fizeram. A partir disso o dispositivo junto aos
técnicos da oficina de artesanato e estagiárias iniciou a oficina de culinária
com o grupo da oficina de artesanato, tornando ambas quinzenalmente.
Inicialmente alguns usuários foram inseridos na culinária para contribuição
no seu projeto terapêutico. O grupo de usuários da oficina de culinária é
formado por crianças e adolescentes com idade entre cinco a dezesseis
anos, visando a socialização e/ou facilitação na relação dos vínculos de
referência e desejo de participar, uma vez que a criança identificou a
oficina como atividade terapêutica. Desse modo, notou-se a importância da
articulação entre a culinária e a presença da família nesse momento. Os
efeitos terapêuticos que a oficina propiciou foram fundamentais para
avaliar segmentos das relações familiares, como aproximação,
distanciamento, conflitos, comunicação entre a criança e a sua referência
familiar, buscando realizar intervenções pertinentes diante da realidade dos
usuários e família. É importante destacar que a oficina é coordenada por
dois técnicos de enfermagem, uma enfermeira e duas estagiárias de
psicologia, tendo as estagiárias supervisões com as psicólogas de referência
no dispositivo. Notou-se nesse campo de estágio, especificamente na
oficina de culinária, a importância do trabalho interdisciplinar da
Psicologia com a Enfermagem. A escuta e as intervenções diante das
relações na dinâmica da oficina, em conjunto com as
enfermeiras, proporcionou vivenciar a articulação entre saberes no que se
refere ao cuidado dos usuários. Quando se tem como estratégia em um
dispositivo realizar oficinas que demandam materiais é necessário buscar
meios para obtenção. Diante da crise financeira que o munícipio enfrenta, o
43
repasse de material ou verba seria inviável, de modo que haveria
dificuldade em concretizar a oficina. Priorizou-se, portanto, o material,
optando por receitas que exigissem subsídios que os técnicos oficineiros e
estagiárias tivessem em sua própria residência ou com preço mais
acessível. Apesar dessa minimização de custos a continuidade do
trabalho ficou insustentável, de modo que se buscou como alternativa
mantê-lo por meio da venda dos alimentos produzidos, e junto com a
equipe técnica organizamos o bazar do CAPSi direcionando os lucros das
vendas para a manutenção das oficinas existentes no dispositivo. Desde o
início notamos que a oficina seria uma importante ferramenta para a
potencialização dos usuários ali inseridos, com o passar o do tempo surgiu
a necessidade de ampliar os saberes presentes nesse momento, pois
percebemos que seria muito relevante para os usuários e suas famílias ter
profissionais das áreas de nutrição e medicina para ampliar os olhares
acerca de uma melhor qualidade de vida através de uma alimentação
saudável pois entendemos que a alimentação é um importante modo de
cuidado.
Palavras-chave: saúde mental; CAPSi; oficina de culinária.
44
Saúde Mental, Adolescência Periférica e Insistência na Vida: tentativas e
caminhos coletivos do Projeto “Tipo Assim!”
Autoras: Júlia Monteiro Schenkel, Andressa Ercolani Duarte, Jheine
Boardmann, Magale de Camargo Machado
Resumo: Ao buscar acolher e dar visibilidade às demandas de saúde dos
adolescentes que vivem nos territórios marginalizados do Município de
Novo Hamburgo, o Projeto “T.I.P.O Assim!”, vinculado ao Centro
de Atenção Psicossocial Infantojuvenil e a Secretaria Municipal de Saúde,
vem desenvolvendo grupos de adolescentes em quatro bairros do
município. Buscaremos relatar e refletir sobre efeitos e aprendizagens das
intervenções de uma equipe interdisciplinar de saúde mental que se somou
às redes de proteção e cuidado infantojuvenil para inventar um modo de
acessar adolescentes que pareciam escorregar para fora das políticas
públicas. O projeto nasceu a partir desse desejo de acessar os jovens que
não conseguiam se vincular ao CAPSi seja por considerarem o mesmo um
espaço vinculado prioritariamente à infância, por o associarem à loucura e
seus estigmas ou simplesmente por não se identificarem. Logo, insistências
adolescentes são necessárias para costurar e afirmar o trabalho em saúde
mental com a adolescência periférica, reconhecendo as especificidades da
atuação em territórios pouco investidos pelo Estado e fortemente
atravessados pela presença do tráfico de drogas. Carregando na sigla de seu
nome os significantes Território, Intersetorialidade, Protagonismo Juvenil e
Ocupação de Espaços, fomos nos inserindo nos bairros abrindo espaços
coletivos para a adolescência. A entrada nos territórios se deu com o
mapeamento da circulação e presença dos jovens, bem como dos serviços e
redes parceiras. Ao circular pelos bairros com eles e escutar de suas
caminhadas, fomos nos afetando e nos surpreendendo com suas estratégias
de vida. Ao tomar os grupos como dispositivos para uma promoção de
saúde que passa pela produção de subjetividade e resistência às linhas de
força que teimam em circunscrever a juventude periférica como perigosa,
fomos aprendendo com eles que fazer saúde do adolescente na periferia é
insistir na vida. Estar em um projeto que não é uma política pública
instituída nos permitiu trilhar caminhos singulares, apostando num cuidado
em saúde mental desde a perspectiva da redução de danos, o trabalho é
construído nos territórios com os adolescentes, conhecendo o seu bairro e
sua história, afirmando vida, autonomia e, priorizando a criação de
múltiplas tentativas com os jovens. A ideia de tentativa, seguindo a
experiência de Fenand Deligny está presente em sua aposta no agir e na
experimentação do comum criando espaços para traçados e tramas das
crianças autistas que acompanhava, desenhando e sobrepondo mapas com
os percursos que as crianças faziam e refaziam. Uma tentativa é entendida
45
como forma de se posicionar inovando trajetos e criando desvios. Se
Deligny traçava mapas para buscar ver o agir das crianças autistas, assim
também nós traçamos mapas de como os adolescentes desviam de um
percurso socialmente instituído de caminhos normativos, para criação de
percursos singulares. Assim, construímos rimas, poesias passinhos de funk
e até mesmo de uma tenda para sentir na pele, explorar diferentes sensações
e descobrir novos fazeres e prazeres na vida. Traçarmos espaços,
percorremos praças, saímos e voltamos, atravessamos pinguelas, visitamos
suas casas, promovemos encontros, circulações e desvios! Movimentos que
nos levam a pensar que falar em saúde do adolescente é extremamente
vago e não chega no ponto nevrálgico que acomete a vida dos jovens de
periferia. Fazer saúde nesses territórios exige uma insistência que não
costumamos encontrar nos serviços. Se os jovens não procuram os
serviços, a recíproca é verdadeira, pois parece que a rede segue tentando
formatar o adolescente para se encaixar em suas ofertas de cuidado, quando
ela é que deveria se transformar para acompanhar as tentativas
adolescentes. Construir os caminhos não a partir de um a priori instituído
por uma política já prevista, mas sim a partir da produção de desejo dos e
com os adolescentes.
46
Bulimia Nervosa em adolescentes do sexo masculino: um estudo de caso
Autora: Lis Marina Lopes Lazzarini
Resumo: Os distúrbios alimentares (TA) acometem cada vez mais jovens
se tornando foco de atenção social e um problema de saúde pública. Entre
os TA, a Bulimia Nervosa (BN) com suas primeiras manifestações na
adolescência e com incidência predominantemente no sexo feminino, tem
sido observada com aumento diagnóstico em adolescentes do sexo
masculino. A BN pode ser definida pela alternância de períodos de
restrição alimentar com episódios de ingestões alimentares copiosas,
seguidos de vômitos auto induzidos e pelo uso de laxantes e/ou diuréticos.
Os intensos sentimentos negativos tais como frustração, tristeza, ansiedade,
tédio, culpa e solidão acompanham o ciclo compulsivo vivenciado pelos
adolescentes com BN. A sensação de total falta de controle sobre o próprio
comportamento é um componente subjetivo presente e acompanhado da
preocupação excessiva com o peso e forma corporal. A etiologia da BN
baseia-se no modelo multifatorial com componentes biológicos, sociais e
psicológicos que se inter-relacionam. Considerando o público adolescente e
a insatisfação corporal como sintoma de primeira ordem no
desencadeamento dos transtornos alimentares algumas considerações são
relevantes: a imagem mental que o indivíduo faz de seu corpo envolvido
pelas sensações e experiências imediatas compõe sua imagem corporal
como espécie de “retrato mental” que a pessoa faz de sua aparência física e
das atitudes e sentimentos em relação à imagem, sendo o resultado de
diversas experiências acumuladas durante a vida, mediadas pelo sistema
nervoso central 1; a adolescência enquanto período do desenvolvimento
marcado por transformações biológicas, sociais e psíquicas geradoras de
inquietudes e sofrimento com a adoção de comportamentos e movimentos
em busca de constituição da própria identidade e as possíveis mudanças no
padrão de comportamento masculino na cultura atual, sua identidade e as
relações com a imagem corporal. Através da apresentação do estudo de
caso em profundidade sobre um adolescente do sexo masculino de
dezesseis anos de idade, portador de Bulimia Nervosa há dois anos,
objetivamos apresentar dados clínicos e ampliar a discussão acerca dos
casos de BN entre jovens do sexo masculino.
47
ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO: MAIS UM INTEGRANTE PARA
NOVAS ESTRATÉGIAS DE APOIO PARA SAÚDE MENTAL
Autor: Cristina Bonilha Branco
Resumo: Apresento no presente trabalho recortes de um Acompanhamento
Terapêutico, iniciado há 11 anos. Neste, me coloquei verdadeiramente
disponível para um contato único, intenso e rico. A técnica e manejo da
terapeuta modificaram-se ao longo do tempo, de acordo com as
necessidades da paciente para que a relação transferencial se
desenvolvesse. As intervenções não aconteceram somente pela palavra,
mas também com objetos do mundo e da cultura, construindo uma
experiência existencial. Apoiada na psicanálise, o holding e continência
(Winnnicott 1990) oferecidos pela terapeuta foram fundamentais para ter
uma escuta cuidadosa. A terapeuta precisava estar ciente das necessidades e
angústias da paciente bem como da sua singular forma de comunicação.
Para tanto, se guiou pela transferência (Roudinesco, E. e Plon, M. 1997) e
contratranferência (Zaslavavsky, J e Santos, M. 2006). A primeira mostra
como o paciente se relaciona com o mundo e a segunda deixa o terapeuta
alerta frente a reações em si mesmo devidas ao envolvimento entre os dois,
a fim de que estes não atrapalhem o percurso, pelo contrário, ajude a chegar
no objetivo do processo, na melhora da paciente. Ao se sentir reconhecida
por outro ser humano pode reencontrar-se.Criar este ambiente propício ao
desenvolvimento psíquico, mental e físico implicou em reconhecer o
setting ambulante (casa, parque, escola, rua, carro, restaurantes,
faculdade...) bem como em desenvolver uma rede de sustentação. Safra
(2006) relembra que Winnicott, com o conceito de Placement, verificou a
importância de novos ambientes para tratar de crianças. Ali postulou quatro
fundamentos para a saúde mental: a experiência da descoberta do corpo
para abrigar a própria psique: personalização; a experiência de poder amar
e odiar a mesma pessoa e concern; a experiência de não destruir o ambiente
e assim distinguir fato e fantasia. Penso que a rede criada para os pacientes
psicóticos deva ter como base estes fundamentos. Não necessariamente
retirando-os totalmente de seu ambiente, mas criando espaços onde estas
experiências aconteçam sistematicamente. Este caso clínico retrata o
desenvolvimento pessoal da paciente, tendo uma rede de apoio com
diversos profissionais de lugares diferentes em vez de estar em uma única
instituição. Z tinha 13 anos quando sua mãe contratou-me como tutora para
acompanhá-la nos estudos. Iniciamos os atendimentos neste formato até se
apresentarem os sintomas psicóticos. A cisão interna foi revelada em surto:
espíritos, vontades canibalescas, persecutoriedade, tudo explodiu. Sabemos
que esta fase, a adolescência, é uma fase de vulnerabilidade para
transtornos mentais. Alternativamente à internação, sugerida pelo
48
psiquiatra que atendia Z na época, iniciamos um projeto terapêutico aliando
diversos atendimentos: acompanhante terapêutico com psicóloga, psicóloga
individual em consultório, acompanhante terapêutico com educadora física,
atividades corporais, outro psiquiatra e cursos que fossem possíveis
conforme a evolução da paciente. O percurso destes anos pôde ser dividido
em fases: formação da rede de profissionais que nos deu liberdade de ação
na busca de atividades compatíveis com o Z; processo de diferenciação
entre ela e sua mãe e consequentemente do mundo; desenvolvimento da
percepção do outro e então a descoberta da reciprocidade e por último, o
desenvolvimento de sua autonomia. Ela passou desde surtos no período
escolar até se graduar com louvor na faculdade de Comunicação das Artes
do Corpo, na PUC -SP em 2016. Hoje Z tem 24 anos. A cada ano um novo
projeto é elaborado. Estes são pensados por ela, equipe que a atende e sua
família. Assim ela amplia suas interações sociais bem como sua capacidade
de produzir, objetivando ingressar no mundo profissional. A transição para
a fase adulta exige amadurecimento e ganho de autonomia. Atualmente ela
tem um corpo que abriga uma psique e se relaciona com o outro. Agora
precisa desenvolver sua independência.
49
Crianças Autistas Sabem Pular? A Persistência do Atraso Motor em
Crianças Portadoras de Transtorno do Espectro do Autismo.
Autores: Thomé JM, Dutra AM, Porto MA, Ramalho M, Lima MO.
Resumo: Objetivo: O estudo correlaciona atraso motor entre indivíduos
portadores de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ao nível do déficit
persistente de comunicação que o caracteriza. Método: Para tanto, 14
crianças diagnosticadas com TEA de acordo com o Diagnostic and
Statistical Manual of Mental Disorders V (DSM-V) participaram deste
estudo clínico observacional, transversal e não controlado, que usou a
Escala de Desenvolvimento Motor (EDM) para avaliar o equilíbrio postural
estático e motricidade global dos participantes distribuídos de acordo com a
Autism Classification System of Function: Social Communication
(ACSF:SC) para qualificação do déficit comunicacional. Resultado: A
bateria de testes que explora a motricidade global da amostra aponta que os
escores obtidos neste quesito não variam de acordo com a idade
cronológica, ou seja, o desenvolvimento motor não progride à medida que
o indivíduo envelhece. De mesma maneira, os testes que exploram o
equilíbrio em indivíduos portadores de TEA mostram que os escores
referentes a este tópico também não acompanham a idade cronológica.
Ademais, observa-se que as aquisições motoras permanecem estáveis
dentro de um patamar que varia 3,5±1,3 ano, enquanto o desenvolvimento
do equilíbrio permanece equivalente ao de uma criança de 2,5±1,1 ano,
independentemente da idade cronológica na data da avaliação (Gráfico 1).
Logo, observa-se que o déficit de motricidade global relativo à idade
cronológica aumenta à medida que o indivíduo envelhece (r=0,873). O
mesmo comportamento é encontrado em relação ao déficit de equilíbrio
(r=0,925). Assim, a idade relativa a motricidade global tende a permanecer
estável com o passar dos anos entre indivíduos portadores de TEA.
Conclusão: Os déficits sobre a motricidade motora global e equilíbrio
estático do indivíduo TEA são robustos e persistentes, sofrendo pouca ou
nenhuma alteração com o passar dos anos e independem da grande
heterogeneidade fenotípica característica do espectro. Discussão: A
relevância dos resultados obtidos sugere que os déficits encontrados podem
compor os critérios diagnósticos para autismo, mesmo dentre as expressões
mais tênues e de difícil caracterização do transtorno. A intervenção
fisioterapêutica pode identificar e quantificar o comprometimento motor do
indivíduo, oferecendo tratamento precoce para atenuar os déficits
encontrados, impedindo sua evolução para disfunções articulares,
deformidades e movimentos compensatórios, contribuindo
significativamente para a melhoria de qualidade de vida do paciente.
50
CORPO E MOVIMENTO: O ENTRELAÇAR ENTRE ARTE E SAÚDE
MENTAL
Autores: Ana Márcia Antunes; Henrique Costa Brojato; James Kava;
Rudinei Nicola; Vanessa Tauscheck
Resumo: O Centro Social Marista Propulsão (CSM Propulsão) é um
dispositivo que atua na (re)inserção de adolescentes que estão ou estiveram
em tratamento pelo uso abusivo de álcool e/ou outras drogas. Dentre as
atividades ofertadas pelo dispositivo, encontra-se a oficina de teatro, que
acontece semanalmente e configura-se como um espaço de sensibilização e
expressão corporal, de criação e transfiguração dos conteúdos que
perpassam a realidade do público atendido. O presente trabalho expõe a
possiblidade de relatos dos jovens a partir do meu encontro experiência
com os mesmos no discorrer da oficina, Corpo e Movimento. O objetivo
dessa proposta é perceber o que causa impacto na vida de cada jovem, seus
lugares de fragilidades e interesses. Ser considerado os saberes subjetivos,
a inserção consigo mesmo: o que incomoda, o que faz os olhos brilharem, o
que pode tocar ou não o coração. Tem-se observado enquanto elementos
desse processo criativo a expectativa de transitar pelo território, seja ele
enquanto corpo/memória, enquanto corpo/lembrança, possibilita a
alteridade/presença na composição desejo/sonho da história de vida de cada
um, contribuindo para a construção das singularidades coletivas. E a
partir daí tentar possíveis diálogos, como forma de linguagem, a visão
aciona o corpo todo, a sua racionalidade, sensibilidade, sensação,
inconsciente, está tudo conjugado. Acredito que os jovens atendidos
pelo CSM Propulsão têm pouca oportunidade na vida diária/ordinária de
fazer esse exercício, muitas vezes por uma educação que não se pauta por
esse princípio. Assim, utiliza-se como metodologia jogos de linguagem,
que criam possibilidades de se relacionar, elaborando as relações que vão
ficando truncados no discorrer da vida. O trabalho é desenvolvido a partir
de jogos teatrais, exercícios físicos, exercícios de relaxamento e respiração,
exercícios de adormecimento e do acordar dos sentidos, do canto, do
batuque e da dança, para uma imersão em pontos simbólicos: experiência
de contágio e afeto sensível nas atmosferas da vida e que segue nos corpos
em relação, oferecendo estímulos para um descondicionamento das lógicas
individuais de ação e de movimento. Exercícios que visam a desordem da
autoimagem, a quebra do sentido e da orientação cotidiana de movimento,
51
presença e estética ressignificada à realidade cotidiana. Processo que pode
ou
52
Reflexões sobre a Medicalização na Escola
Autores: Marta Solange Streicher Janelli da Silva; Luciane
Prado Kantorski; Valéria Christello Coimbra; Viviane Ribeiro Pereira;
Amanda Fernadez; Larissa Zimmermann
Resumo: Este trabalho é fruto de uma pesquisa de doutorado que ainda se
encontra em construção, a qual busca contribuir sobre as reflexões que
constitui o fenômeno de medicalização da educação. O interesse em
pesquisar a vida escolar de crianças medicalizadas está relacionado à minha
trajetória profissional, pois enquanto psicóloga e professora do curso de
Psicologia da UFPel, em espaços de supervisão de alunos que realizavam
estágios em algumas escolas do município de Pelotas e em instituição de
saúde (CAPS – Centro de Atenção Psicossocial). Nessa época, percebi o
consumo cada vez mais abusivo de medicamentos que prometem resolver,
mas que na realidade maquiam problemas sociais. Tal estudo é importante
ao aproximar-se da discussão em campos de saber como saúde mental e
educação, possibilitando a trazer questionamentos de saberes históricos e
culturais instituídos pela escola, os quais ajudariam na problematização
mais aprofundada sobre o tema. Sabe-se que os modelos de educação
vigentes revelam estar atravessados pelos saberes médicos e higienistas,
quando lançam mão de técnicas disciplinares, como o exame, a
classificação, a exigência de atividades e a observação constante dos
sujeitos. Essas avaliações são uma forma visível de controle da escola, na
qual os efeitos desse equipamento disciplinar é a medicalização da
educação. Assim, a medicalização, que vem se revelando em diversos
espaços sociais, como instituições de saúde, educação entre outros induz à
necessidade de compreender o que vem a ser a medicalização dos
comportamentos considerados inadequados e o porquê do aumento
significativo da prescrição de medicamentos utilizados na psiquiatria, para
combater sofrimentos que surgem no cotidiano e, ainda, suas implicações
para a sociedade atual, na qual as crianças enquanto alunos/as têm sido as
maiores vítimas dessa lógica de tratamento. O espaço escolar, pesquisado
neste trabalho, tem denunciado um número expressivo de crianças com
diagnósticos variados, endossados pelo discurso médico, as quais estão
sendo submetidas, muitas vezes, ao resultado de situações advindas da
trajetória e encontros da vida contemporânea (tristeza, cansaço, agitação,
dificuldades de aprendizagem, etc.) bem como a conceitos como depressão,
bipolaridade, transtorno obsessivo compulsivo, TDAH entre outros. Essa
denúncia tem atraído o interesse de profissionais de saúde e educação, de
familiares bem como de profissionais do campo acadêmico, desvendando
as facetas desse processo. Essa problemática vem, de forma crescente,
afetando o cotidiano dos sujeitos, e cada vez mais, tem assumido um
53
caráter político e ideológico importante na sociedade de classes em que
vivemos neste século XXI. Nesse sentido, o modelo contemporâneo de
educação, por meio de políticas governamentais e metas de ensino, de
metodologias, da estrutura das escolas, dos meios de avaliação, dos
conceitos sobre educação e formação social refletem ideologias baseadas
por um controle disciplinar. Portanto, a pesquisa ganha relevância, também,
pela contribuição que trará para esse campo de estudos na área da
psicologia e educação, propondo a busca de caminhos para o enfrentamento
de um problema de tamanha complexidade como a medicalização na vida
escolar e, por fim, contribuir para a produção de novos saberes bem como
promover situações que estimulem novas pesquisas.
54
A Saúde Mental de Crianças e Adolescentes em Situação de Acolhimento
Institucional
Autoras: Katy Lopes Duarte; Luna Rodrigues.
Resumo: Apesar de a infância ser uma etapa do desenvolvimento
altamente valorizada na sociedade contemporânea, esse conceito nem
sempre existiu. Segundo Àries (1981), até o final do século XVI crianças e
adolescentes eram tratados como “adultos em miniatura”. Somente no
início do século XIX, a criança vai assumindo identidade, voz e estatuto
legal (Silva, 2011). As crianças passam a ser reconhecidas como sujeitos e
o olhar e a forma de cuidá-las começam a se modificar. Diante dessa nova
dinâmica social, o Estado passa a se interessar pelas crianças, a fim de
proporcionar o seu melhor desenvolvimento. Nos últimos anos, cresceram
as práticas de atenção voltadas para crianças e adolescentes,
regulamentando o acesso à rede intersetorial. Encontra-se previsto no
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assim como na Constituição
Federal (CF), que saúde e acolhimento institucional são direitos da criança
e do adolescente e deveres do Estado. Contudo, nem sempre os direitos se
operacionalizam de forma eficaz. O presente trabalho tem como objetivo
discutir a relação entre o processo de institucionalização e a saúde mental
de crianças e adolescentes e identificar as práticas de cuidado que lhes são
oferecidas. O estudo adotou como recurso metodológico a revisão
integrativa da literatura utilizando a abordagem qualitativa. Para o
levantamento buscou-se artigos em periódicos nacionais, publicados no
período de 2007 a 2016, nas bases de dados Eletronic Library Online
(SCIELO) e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). A partir da análise
qualitativa dos 32 artigos selecionados encontramos os seguintes
resultados: 59,38% das pesquisas apresentavam discussões voltadas para o
crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes, parte dessas
apresentando resultados que apontam para o impacto negativo da
institucionalização para o desenvolvimento de funções cognitivas; 46,88%
dos estudos capturados ressaltaram aspectos que são compreendidos pelos
profissionais e pelos adolescentes como positivos ou negativos sobre o
processo de institucionalização; 65,63% dos artigos analisados destacam a
importância da formação e capacitação dos profissionais que trabalham nas
instituições, além do elevado número de crianças por cuidador, o que
dificulta um cuidado individualizado. Consideramos a necessidade de mais
investigações sobre a correlação aqui proposta, visto que apesar de se
entender a instituição de acolhimento como parte da rede de atenção, é
apontada a desarticulação entre os diversos dispositivos, assim como a
ausência de referencias aos serviços de saúde mental.
55
Palavras-chave: acolhimento institucional; saúde mental; rede intersetorial
Anais  Fórum Saúde Mental Infantojuveni
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  • 1. 1 ANAIS DO I FÓRUM INTERNACIONAL NOVAS ABORDAGENS EM SAÚDE MENTAL INFANTOJUVENIL
  • 2. 2 RESUMO DOS TRABALHOS I FÓRUM INTERNACIONAL NOVAS ABORDAGENS EM SAÚDE MENTAL SÃO PAULO/SP 2018
  • 3. 3 COMISSÃO CIENTÍFICA:  Profa. Dra Cristina Ventura (UFRJ)  Profa. Dra Silvana Maciel Carneiro (UFPB)  Profa. Dra Deivisson Viana (UFPR)  Profa. Dra Maria Tavares (UFRJ)  Prof. Dr Octavio Domont (UFRJ)  Profa. Dra Rossana Sade (UNESP)  Profa. Dra Nazareth Silva (UNB)  Prof Dr Paul Baker (Inglaterra)  Profa Dra Erotildes Leal (UFRJ)  Profa Dra Nuria Malajovich (UFRJ) Prefixo Editorial: 54365 Número ISBN: 978-85-54365-01-1
  • 4. 4 RESUMOS APRESENTAÇÃO ORAL Prefixo Editorial: 54365 Número ISBN: 978-85-54365-01-1
  • 5. 5 REVISTANDO O ADOLESCENTE: SUAS CURIOSIDADES Autor: Caroline Daronco Campos Resumo: Introdução: Os adolescentes, em geral, têm muito interesse pelos programas que envolvem o tema “sexo e drogas” apresentado pelas redes de TV. Objetivo: Desenvolver nos pacientes a importância de gostar do próprio corpo e se valorizar como ser humano, para estarem preparados nas suas escolhas, especialmente perante assuntos como sexo e drogas. Metodologia: Para concretizar o objetivo foi desenvolvido o projeto que teve como estratégia a produção de uma revista com textos informativos e materiais diferentes, visto que possibilitou a sistematização e socialização dos conhecimentos dos adolescentes sobre o assunto estudado. No projeto, com participação dos jovens e a ajuda dos profissionais, foram trabalhados diferentes tipos de textos, imagens e outras fontes de pesquisa para obtenção de informações sobre a literatura do tema. Foram solicitados, aos adolescentes, sugestões de materiais para desenvolver o tema, como por exemplo: vídeos, livros, pesquisas, coleções, além de outros materiais. Na sequência foi realizada a socialização da pesquisa na roda de leitura, conversa e discussão. A abordagem colocou em relevância o tema “Abuso de Álcool e outras drogas”, com explicação sobre o dano dos efeitos no organismo e “Sexualidade e prevenção de DST/HIV/AIDS”. Foram realizadas visitas ao Serviço de Atendimento Especializado em DST/HIV/AIDS-SAE da Secretaria Municipal de Saúde de Cruz Alta e foram selecionados aqueles sujeitos que demonstraram maior entrosamento com o projeto, para que pudessem atuar como agentes multiplicadores do mesmo, os quais receberam um kit de materiais para divulgar, na escola, sua participação no Projeto. O projeto foi concretizado no ano de 2016 e teve duração de quatro meses. Resultados: Foi realizada uma tarde com exposição dos materiais produzidos durante o projeto em cada ESF e da revista com textos informativos e materiais diversos sobre o adolescente. Nesse sentido, a escolha deste projeto criou um contexto de estudo e
  • 6. 6 pesquisa muito envolvente para eles, o que contribuiu para que se esforçassem e se dedicassem em todas as etapas e também na construção do produto final, uma revista informativa de circulação nas Estratégias de saúde da família. Nenhum setor da saúde ou educação, é capaz de, separadamente, realizar ações necessárias para o desenvolvimento saudável e responsável dos adolescentes e jovens. Muitas das intervenções voltadas para a melhoria da saúde dessa população têm fracassado por possuírem um foco estreito e isolado, resultando, quase sempre, na redução de sua eficácia e eficiência. Alianças e parcerias são essenciais para a criação das condições de proteção do bem-estar a esse público. Considerações Finais: Este projeto foi de grande valia para os participantes, os quais puderam se engajar no processo, tornando-se possuidores do saber referente ao tema. Mostrou-se necessário dar continuidade ao trabalho, incluindo o jovem na produção do material, conhecendo os profissionais que atuam nas ESFs e no programa do SAE. Conclui-se, portanto, que o êxito das ações de educação sexual, não depende somente da implantação de políticas e projetos de prevenção e promoção à saúde, sendo essencial desenvolver ações no meio familiar do adolescente e com o próprio adolescente, para enfrentar com segurança, as situações de vulnerabilidades relacionadas ao universo das atividades sexuais, além de pensar em estratégias de orientação sexual, que dialoguem com as realidades de vida dos educandos e educadores, atentando para as limitações de ambos. Palavras-chave: Doenças sexualmente transmissíveis. Gravidez na adolescência. Família, álcool e outras drogas.
  • 7. 7 LUDOTERAPIA: UMA EXPERIÊNCIA EM NASF E CAPSi Autor: Caroline Daronco Campos Resumo: Introdução: A ludoterapia é um ramo da psicologia que se concretizar com técnica psicoterápica de abordagem infantil baseada no fato de que brincar, é um meio natural de auto expressão da criança e pode ser feita individualmente ou em grupo. Objetivo: Oportunizar à criança, através da brincadeira, a possibilidade de libertar os seus sentimentos e problemas, destacando-se que na ludoterapia a criança tem o brinquedo e a brincadeira para exprimir os seus sentimentos. Metodologia: O grupo de DOTEAPIA foi formado por crianças de 4quatro a 8oito anos, pacientes do CAPSi EM ME E e das Estratégias de Saúde da Família ESFs, da Secretaria Municipal de Saúde do Município de Cruz Alta-S, no ano de 2016. Auto estima, cuidado consigo mesmo e valorização pessoal, foram os pontos abordados pelos profissionais. Resultados: A partir do que foi trabalhado no decorrer do projeto, pode-se observar a melhora significativa no processo de autonomia, na autoestima e na capacidade de cada criança sentir-se interessada, aceita e segura. Também foi possível perceber a evolução emocional dos pacientes, mostrando a relevância e visando a importância do processo do brincar na recuperação de crianças. A demanda se direcionava para infantes que apresentavam problemas mentais, ouviam vozes, bem como para alunos com problemas de aprendizagem e dificuldades emocionais. Tomando como parâmetro a questão abordada, procurou-se destacar a finalidade de vivenciar o seu brincar de maneira livre, mostrando sua liberdade de expressão, o que só é possível em um ambiente seguro e acolhedor, amenizando, desse modo, sua dor mediante a situação que ela está passando. Sendo assim, através da brincadeira mais especificamente, com utilização do brinquedo, pode-se aplicar procedimentos de psicoterapia revelando que por meio da ação do brincar ocorre a possibilidade de a criança libertar seus sentimentos e problemas, verificando-se que na ludoterapia a criança tem o brinquedo e a brincadeira para exprimir os seus sentimentos. Considerações finais: Com base no que foi desenvolvido no projeto, percebeu-se a significativa melhora de crianças que frequentam esses grupos de ludoterapia, notando-se como elas se expressam e demonstram seus medos, angústias e fantasias. Por isso, destaca-se a ludoterapia como estratégia utilizada pelo psicoterapeuta quanto à forma de terapia destinada a crianças que usam o brincar como forma de ajudar as crianças de menor idade a resolver situações ou dificuldades.
  • 8. 8 Palavras-chave: Ludoterapia infantil criança; cuidado psicossocial; problema mental infantil; vozes. A CONTRIBUIÇÃO DO MATRICIAMENTO PARA OS ATENDIMENTOS DE PORTADORES DE TRANSTORNOS MENTAIS NA ATENÇÃO BÁSICA Autores: Carlos César Barbosa, Flávia Cristina Paulino, Rosilene de Oliveira Faria Resumo: Objetivo: Avaliar a funcionalidade e a contribuição do matriciamento para as equipes da atenção básica nos atendimentos dos pacientes com transtornos mentais. Método: Trata-se de um estudo de natureza quantitativa e qualitativa, o artigo configura-se uma análise da vivência dos enfermeiros quanto ao acolhimento, atendimento e acompanhamento de pacientes da Saúde Mental nas ESF’s da cidade de Poços de Caldas – MG, com a participação de 41 profissionais, para a coleta de dados utilizou-se um questionário composto de questões 08 questões objetivas e 02 questões dissertativas referente a rotina de trabalho destes profissionais para atendimentos à pacientes da saúde mental. Resultados: As narrativas foram analisadas com base na leitura dos questionários respondidos pelos sujeitos pesquisados e, foram dialogadas com os referenciais teóricos nos quais a pesquisa se fundamentou. Assim, buscou-se compreender como eles configuram o apoio matricial mediante suas rotinas de trabalho e como pode interferir como ferramenta optativa de melhoria de qualidade do atendimento. Enquanto a pesquisa engloba uma dimensão coletiva, o resultado avaliado, por sua vez, difere por ser singularmente, ou seja, de pessoa a pessoa em circunstâncias distintas. Pode se observar três problemáticas no tratamento e acompanhamento do paciente portador de transtorno mental, a dificuldade dos profissionais da atenção primária em acompanhar o usuário, a falha na comunicação entre a equipe de referência e a equipe de matriciadores causando assim a ineficácia do matriciamento. As dificuldades dos profissionais da atenção básica se dão pelo motivo desses profissionais não estarem devidamente capacitados para acompanhar esses usuários que necessitam de uma atenção especial, a falha na comunicação aparece quando as reuniões de apoio matricial têm intervalos superiores para um efetivo retorno entre as equipes e a ineficácia do matriciamento vem como resultado dos dois itens citados anteriormente. Considerações Finais: A história da saúde mental
  • 9. 9 passou por vários períodos e a maior dificuldade ainda presente nos dias de hoje é a desconstrução do serviço centralizado, nesse sentido a sistematização e gerenciamento do cuidado é responsabilidade de todos e o apoio matricial vem como uma ferramenta alternativa de trabalho para melhorias na qualidade do atendimento e acompanhamento de pacientes portadores de transtornos mentais na atenção básica, porém deve se ter o apoio incondicional da equipe de matriciadores e equipe de referência para se obter uma efetividade no processo de trabalho. Palavras-chave: Matriciamento; Enfermeiro; Equipe de matriciadores; Saúde Mental; Atenção Básica.
  • 10. 10 A IMPORTÂNCIA DO ACOLHER NA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO Autor: Adriana Maximina Volsi Resumo: Pretende-se, neste trabalho, evidenciar a importância de se promover uma escuta diferenciada a um grupo de adolescentes de uma Escola Estadual com manifestação de ideação suicida e tentativas suicidas frustradas. Este estudo irá sinalizar a possibilidade de se realizar um trabalho singular, onde se é negligenciado comportamentos de baixa tolerância à frustração e baixa autoestima provocados por inúmeros fatores externos, com o objetivo de valorizar e de se olhar para os aspectos positivos da escola, adolescência, desejos e sonhos. Trata-se de um grupo de alunos na faixa etária de 14 a 17 anos, cujo trabalho foi conduzido pela técnica da psicoterapia de grupo com tempo determinado, em espaço da própria escola, no Estado de São Paulo. O processo foi planejado para ocorrer quinzenalmente, o que rendeu 8 encontros. Todos os alunos participaram a partir de convites-indicação da escola e colegas, cujo aceite e participação foi espontânea. A maioria alegava sentimentos de inferioridade, desrespeito no convívio familiar, abusos psicológicos, carência afetiva, ausência de conversas em casa, ambivalência, impulsividade, característico da idade, e uma boa dose de desesperança no futuro. A metodologia utilizada foi estabelecer uma roda de conversa com um contrato de sigilo, respeito e não julgamento, enfatizado a cada encontro. Outro recurso foi nomear líderes para cuidar de uma ata, do tempo, de uma lista de e-mails e também de um grupo no Whatsapp, com a participação da coordenadora pedagógica, já que esta era muito querida. Esse grupo seria utilizado para troca de informações, pertencimento enquanto grupo e acolhimento em casos de urgência. Pôde-se notar logo nos primeiros encontros, que os efeitos terapêuticos, foram inúmeros. Os espaços promovidos para conseguirem falar voluntariamente sobre seus incômodos, dores, traumas e sonhos, foram fundamentais. A escuta, o olhar, e o acolher da dor de cada aluno, foi essencial para o sucesso do processo. Ao acolher o sofrimento e legitimá-lo dentro do grupo, notou-se um alivio imediato e que teve um significado ímpar para cada um. A troca foi de extrema relevância. Foram muitos os casos onde a dor parecia uma aorta arrebentada cujo sangue não estancava nunca. Sentimentos como tristeza, depressão, mutilações, ideação suicida tomavam conta de todo espaço e foi necessário navegar por águas turvas, onde a única certeza era minha oferta de que eu poderia ajudá-los desde que eles aceitassem ficar
  • 11. 11 comigo nesse barco o tempo todo. Consegui com isso ganhar certo tempo, mas em muitos momentos tive dúvidas, pois eram poucos os encontros e ainda quinzenais. Dessa forma buscava reforçar ainda mais a cada encontro, o propósito de evidenciar sempre os méritos de cada um e a possibilidade de se fazer um futuro diferente do que haviam vivido. Era ofertado o estar presente ajudando-os virar a página e começar uma nova história. O último encontro foi carregado de emoção. Resolvemos fazer uma faxina, literalmente, nos conteúdos mal elaborados. Utilizei para tanto a música e a revista como recurso terapêutico. O objetivo era de transferir suas emoções e sentimentos, ao som da música alta que preenchesse o espaço e os ajudassem a se recolherem, para o ato de rasgar a revista fazendo uma analogia com suas dores. O fato de o processo ser breve e o tipo de contrato realizado com o grupo contribuíram para que cada um pudesse resgatar suas qualidades e méritos na construção de si mesmos. Palavras-chave: adolescentes, grupo, psicoterapia, acolhimento, suicídio.
  • 12. 12 MEDICALIZAÇÃO DE ADOLESCENTES EM PROCESSO PSICOTERÁPICO: A RELAÇÃO ENTRE PSICOFÁRMACOS E ADOLESCENTES EM PSICOTERAPIA. Autores: Giovani de Quadros Piano e Letícia Beatriz Hunsche Resumo: O presente resumo diz respeito a uma pesquisa em Psicologia que visou analisar a relação entre o uso de psicofármacos e o processo de psicoterapia na adolescência. Para tal fim, realizou-se uma investigação nos prontuários de um serviço-escola entre os anos de 1988 a 2010, no Vale do Rio Pardo-RS. Analisamos 321 prontuários de adolescentes entre as idades de 12 a 18 anos, os quais eram assistidos pelo serviço de psicoterapia. Posteriormente, transportamos os dados para o programa 17.0 SPSS Statistics e utilizamos análise de frequência e cruzamentos de tabelas. Obtivemos, como dados significativos, que há um processo crescente de medicalização dos adolescentes atendidos. Os meninos apresentaram maior índice de medicalização. O motivo pelo qual os adolescentes procuraram atendimento psicoterápico é, na sua maioria, devido a conflitos na adolescência, sendo que a ansiedade e a agressividade estão entre as principais queixas, seguidas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e depressão. Palavras-chave: Adolescência, medicalização, psicoterapia.
  • 13. 13 “Brinkando com o corpo” - Técnicas de psicoterapia corporal com crianças e adolescentes.” Autor: Brasilda Rocha Resumo: Nosso objetivo é abordar os conceitos teóricos e práticos da terapia corporal com crianças e adolescentes, visando concretizar posturas teóricas e condutas práticas em procedimentos terapêuticos. Pretendemos tomar o conceito do brinquedo sob o ponto de vista operativo, integrando seus aspectos pedagógico e terapêutico, pois este objeto corresponde sempre a uma necessidade da criança, no momento em que ela o utiliza. Consideramos o ato do brincar como forma de a criança adquirir novos conceitos, ampliar sua capacidade de criar e de observar, para que assim ela possa conquistar o sentimento de alegria e saúde mental no desenvolvimento das várias fases de sua vida adulta. Nosso objetivo científico é a comparação destas características com o brinquedo, determinando a fase da evolução psíquica em que a criança se encontra. Com estes dados, podemos fazer a proposta operativa (uma evolução mais rápida e precisa) que leva ao processo terapêutico e, em termos profiláticos, atinge o desenvolvimento da personalidade da criança com maior eficácia. Através de uma pesquisa feita no decorrer de muitos anos de estudo e de trabalho clínico, identificamos a energia que diferentes brinquedos e brincadeiras contêm, e seus respectivos significados para a criança, procurando desta maneira descobrir e localizar esta energia em seu corpo. O brincar reflete o corpo da criança e pode evoluir a partir das ações que dependem de influência e estímulo externos. Este brincar só terá significado quando seu simbolismo estiver inserido na realidade externa. O brinquedo traz sua energia própria de saúde, sendo por isto capaz de proporcionar este equilíbrio energético, facilitando a relação com o organismo. O psicoterapeuta ou educador pode levar a criança a aprender de que maneira explorar o brinquedo e seu significado no desenvolvimento de sua personalidade. O brinquedo simboliza o corpo, e é utilizado como uma interpretação e/ou intervenção no processo psíquico e corporal para localizar a tensão corporal da criança. Nesta proposta, tratamos o brincar integrado ao processo natural energético, reequilibrando a carga e a descarga de tensões. O terapeuta ou educador tem o papel de facilitador, no sentido de promover esta transfusão de energia através do brincar. Nosso objetivo final deve ser a estruturação e a reconstrução de defesas necessárias para um desenvolvimento adequado, para que a criança utilize seu potencial afetivo.
  • 14. 14 ADAPTAÇÃO E INCLUSÃO DE CRIANÇAS EM ESCOLA REGULAR Autores: Michele Joia e Elaine Romero Resumo: Nossa proposta analisa e aplica adaptações para a inclusão de crianças com necessidades especiais em escola particular regular. Desde a implementação do projeto, até a aplicação do mesmo com equipe escolar, apoio psicopedagógico e psicológico, recebimento do aluno e vínculo com a família. Ampliando o leque de adaptações curriculares e pedagógicas. Na realidade de nossas escolas atuais, não comporta mais o olhar dividido sobre a turma, é necessário que o professor integre para incluir. As salas de aula recebem de 10 a 20 % de seu total, alunos com determinada dificuldade. Para que esta inclusão real aconteça é importante que toda a estrutura escolar esteja preparada para recebê-los e que estas crianças se tornem parte do todo. No processo de montagem deste projeto a direção, secretaria e inspetores recebam os treinamentos iniciais, para entendimento desta nova abordagem. A este espaço damos o nome de SOP, Serviço de Orientação Psicopedagógica. Onde todos os alunos da escola recebem apoio, sejam regulares ou incluídos. Oferecendo também, atendimento aos responsáveis e utilização da sala de estimulação cognitiva em contra-turno. Ao final, a equipe pedagógica é treinada, visto que, nossa formação não nos prepara para a prática pedagógica Inclusiva.
  • 15. 15 CORPO E MOVIMENTO: O ENTRELAÇAR ENTRE ARTE E SAÚDE MENTAL Autores: Ana Márcia Antunes; Henrique Costa Brojato; James Kava; Rudinei Nicola; Vanessa Tauscheck Resumo: O Centro Social Marista Propulsão (CSM Propulsão) é um dispositivo que atua na (re)inserção de adolescentes que estão ou estiveram em tratamento pelo uso abusivo de álcool e/ou outras drogas. Dentre as atividades ofertadas pelo dispositivo, encontra-se a oficina de teatro, que acontece semanalmente e configura-se como um espaço de sensibilização e expressão corporal, de criação e transfiguração dos conteúdos que perpassam a realidade do público atendido. O presente trabalho expõe a possiblidade de relatos dos jovens a partir do meu encontro experiência com os mesmos no discorrer da oficina, Corpo e Movimento. O objetivo dessa proposta é perceber o que causa impacto na vida de cada jovem, seus lugares de fragilidades e interesses. Ser considerado os saberes subjetivos, a inserção consigo mesmo: o que incomoda, o que faz os olhos brilharem, o que pode tocar ou não o coração. Tem-se observado enquanto elementos desse processo criativo a expectativa de transitar pelo território, seja ele enquanto corpo/memória, enquanto corpo/lembrança, possibilita a alteridade/presença na composição desejo/sonho da história de vida de cada um, contribuindo para a construção das singularidades coletivas. E a partir daí tentar possíveis diálogos, como forma de linguagem, a visão aciona o corpo todo, a sua racionalidade, sensibilidade, sensação, inconsciente, está tudo conjugado. Acredito que os jovens atendidos pelo CSM Propulsão têm pouca oportunidade na vida diária/ordinária de fazer esse exercício, muitas vezes por uma educação que não se pauta por esse princípio. Assim, utiliza-se como metodologia jogos de linguagem, que criam possibilidades de se relacionar, elaborando as relações que vão ficando truncados no discorrer da vida. O trabalho é desenvolvido a partir de jogos teatrais, exercícios físicos, exercícios de relaxamento e respiração, exercícios de adormecimento e do acordar dos sentidos, do canto, do batuque e da dança, para uma imersão em pontos simbólicos: experiência de contágio e afeto sensível nas atmosferas da vida e que segue nos corpos em relação, oferecendo estímulos para um descondicionamento das lógicas individuais de ação e de movimento. Exercícios que visam a desordem da autoimagem, a quebra do sentido e da orientação cotidiana de movimento, presença e estética ressignificada à realidade cotidiana. Processo que pode ou não se desenvolver em uma mostra de cenas performáticas, pequenos vídeos, ou ainda a partir de depoimentos/narrativas que se transformam em “pretextos”. Tendo como resposta a esses estímulos propostos na oficina, textos são criados pelos jovens sobre o próprio trajeto, letras de música
  • 16. 16 composta por eles, poemas que estão sendo recolhidos para uma futura mostra, seja ela cenas teatrais ou um livreto. Considero que a construção de histórias que se relacionam com a vida de outros jovens, um fio de relatos de dor, solidão, algo que traga qualquer identificação seja uma possível estratégia para se trabalhar o encontro das artes com a saúde mental infanto-juvenil. Jovens que um dia chegam de cabeça baixa, lançando o olhar agora em horizonte, abrindo-se em voz/poema, em canto, em memória lembrada. Descrever esse encontro é lembrar o quanto esses “meninos margem” que aqui embarcam em sonhos/Propulsão são capazes de voo. Palavras-chave: Teatro, saúde mental, álcool e outras drogas, redução de danos.
  • 17. 17 A ATENÇÃO À CRISE NOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL INFANTOJUVENIS Autores: Beatriz Rocha Moura e Thelma Simões Matsukura Resumo: Considerando a atenção à crise como um dos principais objetivos do serviço CAPS, identifica-se a necessidade da compreensão desse cuidado à população infantojuvenil. Nessa perspectiva, este estudo objetivou compreender sobre a atenção à crise de crianças e adolescentes vinculados aos CAPSij, sob a ótica dos familiares e gestores dos serviços. Objetivou também, identificar quais estratégias de cuidado de atenção às situações de crise são oferecidas pelas equipes dos CAPSij, além de compreender as demandas e o cotidiano das famílias e adolescentes que vivenciaram situações de crise. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter exploratório, no qual se utilizou para a coleta de dados um questionário aos gestores e um roteiro de entrevista semiestruturada aos familiares. Participaram do estudo seis gestores e doze familiares de crianças ou adolescentes vinculados a seis CAPSij de uma determinada região da cidade de São Paulo. Os resultados indicam que a maioria dos adolescentes focalizados no presente estudo apresentam vivência de diversas crises e internações, com uma rotina restrita a casa, ao CAPSij e a escola, para aqueles que a frequentam, além de uma significativa limitação nas relações sociais. Em relação à escola, os resultados revelaram a desvinculação de quatro adolescentes deste espaço, além de evidenciar uma realidade de sofrimento e exclusão aos que se encontravam inseridos. Este estudo também apresentou uma vivência familiar marcada por intenso sofrimento, ao lidarem a todo tempo com um fenômeno incompreensível e imprevisível que é o das crises. Observa-se que o sofrimento se estende a todos os membros da família, trazendo importantes impactos em seu cotidiano. Em relação às concepções de crise apresentadas pelas equipes, observa-se uma tendência a uma concepção psicossocial, que busca ampliar a compreensão da crise, reconhecendo a indissociabilidade entre suas dimensões singulares e coletivas. Porém, aspectos da concepção médica psiquiátrica ainda se fazem muito presentes no discurso equipes, relacionando a crise à agudização sintomatológica. Discute-se que a coexistência de concepções tão conflitantes informa sobre o processo de transição paradigmática em que se encontram os serviços. Dentre as principais estratégias de cuidado ofertadas pelos CAPSij nas situações de crise estão o acolhimento imediato ao usuário, acolhimento diurno, encaminhamentos para rede, acolhimento à família, intensificação do projeto terapêutico singular e avaliação e intervenção da equipe, sendo as ações territoriais pouco indicadas. O trabalho em equipe foi a principal potencialidade identificada pelos CAPSij, já as dificuldades referem-se ao insuficiente investimento do Poder Público nos serviços e na rede. Os
  • 18. 18 resultados apontam que os CAPSij têm se apresentado como um importante apoio às famílias, porém, também revelam lacunas que limitam um cuidado efetivo, como o horário de funcionamento dos CAPSij II e a ausência de uma retaguarda hospitalar na RAPS para crianças e adolescentes. Já em relação aos pontos de urgência e emergência, como o SAMU e os Prontos- Socorros, as famílias informam uma realidade de desassistência e negligência desses serviços nas situações de crise de crianças e adolescentes. Dentre os principais equipamentos acionados pelas equipes estão o CAPSij III e os Hospitais Gerais. O CAPSij III, com funcionamento 24 horas, é apresentado neste estudo como uma potente estratégia para o acolhimento à crise de crianças e adolescentes, possibilitando intervenções mais humanizadas e evitando internações. Aponta-se a necessidade de maior atenção às famílias e envolvimento em ações territoriais como estratégias fundamentais para o cuidado às situações de crise. Ressalta-se a demanda pela ampliação dos CAPSij III e por investimentos nos CAPSij II e em todos os pontos da RAPS, a fim de garantir melhorias na atenção à crise de crianças e adolescentes, sendo de extrema urgência a problematização dessas questões nas políticas públicas de saúde mental a essa população.
  • 19. 19 Contribuições do rap quilombola para a saúde mental jovem Autor: Renata Câmara Spinelli “Não vem que não tem, Não, não vem que não tem, Você é você ou você não é ninguém” Grupo Realidade Negra Resumo: A intenção deste artigo é apresentar algumas reflexões provindas de pesquisa de campo realizada com os jovens rappers do Grupo Realidade Negra2 do Quilombo do Campinho da Independência, em Paraty- RJ, como contribuições para ações práticas no âmbito da saúde mental com jovens. Nas canções de seu CD “É prus guerreiro a missão”, muitas dirigidas aos jovens de sua comunidade quilombola, acabam por revelar em seu modo local o compartilhamento da produção artística como lastro fundamental. Eles propõem que o rap seja um veículo de ampliação de consciência, de reflexão moral, ética, religiosa e, principalmente, de formação de crianças e jovens. A adolescência, movida pelas transformações da puberdade, revela-se na necessidade do abandono da infância e arremesso ao devir obscuro. Podemos fazer uma leitura do período como um “espaço transicional” (tal qual Winnicott propõe para a infância) para o mundo que acreditam estar criando, no qual experimentam certa “soltura”. A criatividade, para Winnicott, constitui o objetivo principal da análise e, assim, a base fundamental para a construção gradual da autonomia cuja autoconfiança dependeria dos recursos criativos desenvolvidos desde os primórdios da relação mãe-bebê. Em sua obra “Brincar e a Realidade”, Winnicott (2000) esclarece a importância dos primórdios da vida imaginativa e da experiência cultural. Para o jovem, impõe-se a ele também a criação de um novo mundo. Ferrari (1996) escreve que a juventude compõe um arco – categoria que pode abranger desde idades iniciais da puberdade até a adolescência estendida. Além disso, compreende que o período compõe-se de um segundo desafio edípico – um novo momento de enfrentamento da angústia para a decisão de se apropriar do tempo da vida, do qual deverá ser “senhor”. O jovem, por sua vez, encontra-se em momento de defesas em transformação, de mais fácil acesso ao inconsciente, portanto frágil e, ao mesmo tempo, criativo. O mundo contemporâneo tem sido marcado pelo esgarçamento das relações, impondo-se ao jovem que inaugure algo completamente novo como condição de se recriar nesse mundo. Em tal período, especialmente, o jovem encontra-se altamente conectado às artes, à música, à cultura em geral, o que podemos entender como uma conexão diferenciada ao real - o que se revela em sua produção
  • 20. 20 grupal. Compreendemos a vivência de produção artístico-musical no período jovem como um modo de realizar uma sutura estética com características rituais e míticas para o período jovem. Jeammet (2006) escreve que a ausência de ritos configura as relações expressas pelos jovens nos dias de hoje, cuja “ausência de confronto arrisca deixá-lo com um sentimento de profunda solidão e desvalorização (JEAMMET, 2006, p. 35). Desta forma, a criação se constituiria um rito, e a angústia compartilhada com outros em circunstâncias iguais faz com que a vivência grupal se constitua um alívio ansiolítico para o conjunto. Realizam, assim, uma estética de ritual de passagem para dar suporte ao seu momento jovem de “reedição edípica” (FERRARI, 1996) ou “desorganização temporária” (JEAMMET, 2006), o que teria a função, então, de sustentação durante a inevitável metamorfose no período de transição de sua subjetividade. Assim, ainda que observemos a expectativa geral de atendimentos individuais, entendemos a experiência de rodas de conversa temáticas para jovens como a oportunidade de produção e vivência artística – do rap, de poesia, de construção de um texto, de música, dança - parece revelar-se importante espaço terapêutico. Ela cria um novo setting analítico para o jovem que, diante de seu grupo, se faz e refaz, reordena seus afetos, enxerga-se no olhar do outro e cria seu futuro a partir das mediações grupais.
  • 21. 21 A não-verbalização no plantão psicológico Autor: Helena Rubini Nogueira Resumo: Este trabalho traduz um relato de experiência da prática de plantão psicológico realizado dentro da clínica de psicologia de uma universidade pública do interior de São Paulo. O atendimento escolhido refere-se aos quatro acolhimentos que foram realizados dentro do campus (três em sala e um no gramado atrás de uma das centrais de aula). O caso da adolescente H. será então tomado como elucidação de uma situação bastante recorrente embora pouco discutida quando falamos sobre o plantão psicológico: quando a queixa é trazida de forma sucinta e nada mais é verbalizado embora tudo esteja sendo sentido. Aqui, partiu-se da filosofia da diferença enquanto modo de entendimento crítico e sensível da pessoa que veio à procura de acompanhamento. A usuária fez uso da comunicação verbal voluntária apenas por quatro vezes durante quatro sessões que tiveram durações variadas conforme a necessidade que a dupla sentiu. Em ordem cronológica respectiva a cada encontro: 25, 70, 45, 60 minutos. As falas tratavam do enunciado de queixa “Vim porque sinto que minha depressão está voltando”; da descrição simples e direta a respeito de como se sentia no seu cotidiano “Sozinha, minha família está na minha cidade e meus amigos daqui são na verdade colegas”; da preocupação com a pessoa por quem nutria sentimentos amorosos “Ele é a única pessoa que me entende, é igualzinho a mim. Tenho medo que ele desista... entende?”; da sensação de um início de preenchimento no vazio de afetos que se formou “Me sinto alinhada”. A angústia sentida por H., antes de ser tomada no sentido patológico, foi sentida no encontro entre usuária e terapeuta: foram realizadas dinâmicas que englobavam o movimentar do corpo, junto de elementos como água, bacia e cobertor. O espaço da sala passou de cadeiras apontadas frente uma a outra ao mesmo local, porém com os móveis todos arrastados e, finalmente, a um dos silenciosos campos de grama da universidade. Os dias marcados foram ajustados de acordo com o querer envolvido: por mensagem direta entre a dupla e o fechamento foi, inclusive, realizado em um sábado. A usuária conseguiu expressar seus afetos não mais apenas pela comunicação verbal, não mais pelo choro, mas através de seu corpo que, antes rígido, sem cor e delineamento começou a formar-se ou, a ser percebido, ainda que timidamente, enquanto matéria que caminha paralela aos pensamentos e afetos. O objetivo do plantão de ser um primeiro acolhimento foi cumprido. A posteriori, a adolescente fora encaminhada a um profissional da cidade que ficou assim responsável pela continuidade de seu acompanhamento psicoterápico.
  • 22. 22 “Fora da caixa” - o discurso midiático sobre a “criança trans” Autor: Eugênia Rodrigues Resumo: Ao longo dos últimos anos, temos visto na mídia local e internacional numerosas notícias sobre “crianças transgênero”. O objetivo central desta pesquisa foi verificar se, seguindo regras básicas do jornalismo, estariam sendo levadas ao público todas as informações acerca do tema para que o público pudesse considerar seus múltiplos aspectos e embasar sua opinião. No primeiro capítulo, realizamos uma análise histórica de como surgiu e se estabeleceu a categoria “transgênero”, a partir de teorias e técnicas de repressão à homossexualidade e a outros “comportamentos desviantes” e perpassando interesses médico- farmacêuticos. Em seguida, analisamos vinte matérias jornalísticas publicadas sobre o tema entre os anos de 2013 e 2017 em diferentes veículos do Brasil a partir de uma perspectiva feminista, verificando se, em tais discursos, estereótipos de gênero como roupas e brinquedos eram reforçados ou rechaçados. Finalmente, utilizando autores ligados à Escola de Frankfurt, situamos a notícia enquanto um produto da indústria cultural, sujeito a uma alta carga de padronização e ingerência do capital carregado de ideologia. Palavras-chave: notícia. mídia. jornalismo. infância. criança. gênero. sexualidade. feminismo.
  • 23. 23 Associação de Usuários e Familiares: Protagonismo e Subjetividade na Rede de Atenção Psicossocial do município de Resende Autores: Camilla do Espírito Santo Silva; Alana de Paula Machado e Ângela dos Santos Monteiro Resumo: Percebe a importância de uma Associação de Usuários na organização de serviços na rede de atenção psicossocial (RAPS) e seu papel fundamental e estratégico no qual desempenha no processo da Reforma Psiquiátrica, já que, desconstrói alguns estigmas e rótulos. Suas ações potencializam significativamente com a não exclusão social do sujeito com transtorno mental e que faz uso prejudicial de álcool e outras drogas podendo ser atuante à formulação das políticas públicas para o campo da Saúde Mental e o acompanhamento da gestão dos serviços, articulada com outras entidades, serviços e sociedade civil no território. O aprofundamento do paradigma comunitário é central para que estas novas estruturas não reproduzam os modelos segregacionistas e totalizadores, típicos da era asilar. A Associação de Saúde Mental do município de Resende foi composta em 1999, por iniciativa da equipe de saúde mental e de alguns familiares, que perceberam uma necessidade de maior articulação entre a sociedade civil e o governo, referente às questões de saúde mental, sobretudo diante do contexto político daquela época. As ações da Associação no período de 1999 a 2009 foram caracterizadas por reivindicações junto ao Governo Municipal e ao Conselho de Saúde, contando com alguns períodos de vacância. A partir do ano de 2009, houve uma desarticulação, culminado a inatividade da Associação. A partir da II Chamada para seleção de projetos de fortalecimento do Protagonismo de Usuários e Familiares da Rede de Atenção Psicossocial, surge o projeto “Atitude em foco” com a proposta de uma nova Associação composta somente por usuários e familiares. Desta forma, em 2015 foi realizada uma assembleia convocando a sociedade civil para a discussão, aprovação do novo estatuto e eleger uma nova Diretoria. Participaram usuários, familiares, sociedade e trabalhadores da RAPS surgindo a Associação de Usuários e Familiares da Rede de Atenção Psicossocial do município de Resende. Atualmente a Associação de Usuários e Familiares da RAPS tem representatividade no Conselho Municipal de Saúde, aonde o Presidente da Associação faz parte da Diretoria do Conselho e participou como Delegado na Conferência Estadual de Saúdem em 2015. A Associação promove diversas ações que contribuem para a autonomia e empoderamento dos usuários, da rede e do território. Reúne quinzenalmente em espaços escolhidos na comunidade pelos próprios membros reafirmando o protagonismo, divulga a Associação através de material próprio apresentado por eles, o que tende a sensibilizar novos membros e ampliar o
  • 24. 24 conhecimento da sociedade. Estes espaços democráticos de escuta e debate no território contribuem para aproximar os profissionais da rede com os usuários e familiares, o que facilita, fortalece o acesso, aumenta e promove a garantia de direitos através de ações intersetoriais. Neste momento o maior desafio é garantir a continuidade das ações e mobilização da associação fortalecendo o empoderamento e a militância como uma entidade atuante nas políticas públicas de forma eficaz e potente.
  • 25. 25 O ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL INFANTOJUVENIL: UMA REVISÃO SISTEMATIZADA Autores: Andréia Ferreira Bretanha; Cândida Garcia Sinott Silveira Rodrigues; Valéria Christello Coimbra Resumo: Introdução: As políticas de saúde mental resultam de um longo processo de redemocratização do país, mas somente em 2005 foram instituídas estratégias de atenção integral à saúde mental de crianças e adolescentes com o objetivo de contribuir com a prevenção de psicopatologias, promoção da saúde e identificação de casos. No Brasil, os indicadores apontam que 10 a 20 % de crianças sofrem com algum tipo de transtorno mental. Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo realizar uma investigação sistematizada a respeito do acesso aos serviços de saúde mental por parte de crianças e adolescentes, elaborando um mapeamento do que vem sendo produzido acerca deste terceiro tópico.
  • 26. 26 INSTITUIÇÕES DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL INFANTOJUVENIL E FABRICAÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS DE CUIDADO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE PELOTAS/RS Autores: Naiana Alves Oliveira; Lilian Rocha Gomes Tavares; Daniela Habekost Cardoso; Maria Stella Weikamp Martinelli; Lucia Lessa Horta Gicelma Fossati Kaster Resumo: O campo da saúde mental no Brasil, desde 1970 vem se consolidando e enfrentando significativas transformações, especialmente por dar visibilidade a fabricação de saberes que operam para além da prática clínica. Essas transformações vêm minimizando e buscando substituições para práticas de exclusão e segregação, anteriormente incorporadas como modo de (des)cuidado, e vem compondo-se por outros dispositivos que possibilitam novos modos de cuidado. No que se refere à saúde mental infantojuvenil sabe-se que os transtornos mentais que afetam crianças e adolescentes, especialmente nos primeiros anos de vida, se não tratadas, podem ocasionar impactos severos na idade adulta, impedindo, de algum modo, a convivência social dessas pessoas, seja escola, no convívio familiar, podendo refletir, mais tarde, em problemas relacionados ao trabalho e diferentes espaços sociais do qual farão parte. No país, o cuidado dispensado a criança e ao adolescente atravessaram anos da história em meio a um ideário de proteção que redundou na construção de um modelo de assistencialismo com forte tendência à institucionalização, e em uma concepção segmentada, segregadora e não integradora dessa população. No mesmo tempo em que propagava a importância da assistência a crianças e ao adolescentes, engendrou-se um conjunto de medidas, calcadas na lógica higienista e de inspiração normativo jurídica que expandiu a oferta de instituições fechadas para o cuidado de crianças e adolescentes sob a tutela da filantropia. Na busca para tais transformações, os Centros de Atenção Psicossocial infantojuvenil (CAPSi) compõem um serviço de atenção diária em saúde mental, ordenado pela lógica da inclusão, de base territorial, ampliada, 1 pois a criança e o adolescente são vistos na sua integralidade. Os CAPSi, além de colocarem-se como um espaço de suporte a esses usuários, atuam na preservação de seu lugar na família e na manutenção dos seus vínculos sociais. Constituem-se de um serviço substitutivo de assistência em saúde mental, utilizando-se de práticas de cuidado interdisciplinares, atendendo a demanda do Sistema Único de Saúde, com características regionalizadas e hierarquizadas, destinado a crianças e adolescentes com transtornos psíquicos e comprometimentos neurológicos graves, perda de autonomia, limitações para a vida escolar e/ou situação de vulnerabilidade. 1 Assim, desenvolve atividades de promoção, prevenção, assistência social e à saúde de crianças e adolescentes, excluídos das redes comuns de socialização, através do trabalho de uma equipe
  • 27. 27 multidisciplinar, com múltiplas abordagens terapêuticas, pedagógicas e de reabilitação. Auxilia, ainda, na promoção da cidadania, ao mesmo tempo que busca auxiliar familiares nesse processo, além de estabelecer trabalho em rede de forma articulada com outros setores, tais como, educação, justiça social e judiciário, dentre outros. Assim, entende-se que o cuidado em saúde mental significa promover o acolhimento desses sujeitos, localizá-los no seu sofrimento, respeitando suas subjetividades, 2 interagir com o mesmo no seu dia-a-dia, possibilitando alternativas de expressão da sua produção psíquica, o que é fundamental na construção do processo de viver saudável. Portanto, tem-se que os CAPSi atendem a demanda do cuidado em saúde mental através de processos de trabalhos consolidados 3 principalmente no que se refere as demandas sociais, como a escola, buscando otimizar o significado desse espaço para suas vidas estimulando autonomia, inclusão social, aproximando o sujeito com a atenção primária em saúde. Compreender as condições de adoecimento em saúde mental requer do profissional de saúde vislumbrar práticas de cuidado que incluam os usuários enquanto atores sociais, que refletem sobre o seu processo de saúde. Acredita-se que os usuários, instrumentalizados com esses saberes, contribuem no processo de reabilitação psicossocial, construindo, assim, mudança social enquanto indivíduos inseridos na comunidade.
  • 28. 28 A REPRESENTAÇÃO DE VÍNCULOS POR MEIO DE UMA ESTRATÉGIA LÚDICA: O MAPA DOS CINCO CAMPOS Autores: Clarissa de Souza Cardoso; Valéria Cristina Christello Coimbra ; Luciane Prado Kantorsky; Viviane Ribeiro Pereira; Naiana Alves Oliveira. Resumo: Introdução: Um dos principais desafios para pesquisadores que trabalham com crianças é a busca por estratégias lúdicas que promovam a participação efetiva deste público. O Mapa dos Cincos Campos (MCC) é um instrumento lúdico que possibilita avaliar a rede de apoio social e afetiva a partir de cinco campos: família, amigos, parentes, escola e contatos formais (SIQUEIRA, BETTS, DELL’AGLIO, 2006). Objetivo: relatar a experiência sobre a utilização do MCC como possibilidade de expressão oral da criança sobre aspectos próprios de suas relações. Metodologia: Este trabalho é parte integrante de uma dissertação de mestrado, a coleta de dados foi realizada de abril a julho de 2016, para a pesquisa substituímos os contatos formais pelo Centro de Atenção Psicossocial infantojuvenil (CAPSi), participaram cinco crianças vinculadas a um CAPSi. A pesquisa obteve parecer favorável do Comitê de ética em Pesquisa em Enfermagem sob o nº 1.485.272. Confeccionou-se o MCC em feltro, os círculos com tinta de tecido e os bonecos em EVA, estes representaram crianças, familiares, amigos, profissionais, professores, colegas da escola e também outras pessoas. Os bonecos foram colocados conforme a vontade e afinidade com o campo. Utilizou-se diário de campo para registro, o que possibilitou um acompanhamento mais sistemático, em uma sala individual oferecida pelo serviço. O círculo central correspondeu a cada criança participante; os círculos adjacentes mediram a qualidade do vínculo, quanto mais próximo do círculo central, maior foi à percepção de proximidade do participante com a pessoa que foi representada. Os dois primeiros círculos corresponderam àquelas relações mais próximas de maior vínculo; o terceiro e quarto círculos corresponderam às relações mais distantes de menor vínculo; e o círculo mais afastado, localizado na periferia do mapa, corresponderam aos vínculos insatisfatórios. Os dados obtidos descreveram o grau de satisfação e/ou insatisfação, conflitos e rompimentos nas relações e também histórias sobre as pessoas representadas (SIQUEIRA, BETTS E DELL’AGLIO, 2009). Resultados: As crianças explicitaram maior envolvimento com familiares, vizinhos/amigos e parentes. No campo
  • 29. 29 família considerou-se: mãe, pai, irmãos, irmãs e avós maternos e paternos. As famílias são identificadas como principal fonte de apoio para resolução de conflitos e problemas, mesmo com tantos condicionantes sociais, de educação, demográficos e econômicos observados durante a realização da pesquisa. No campo, parentes consideraram-se tios maternos/paternos e primos/primas, apresentando no máximo seis parentes e apresentando vínculos satisfatórios. Os campos escola e CAPSi revelaram um pequeno número de contatos; em relação a escola percebemos que a maioria delas indicaram no máximo cinco pessoas com as quais poderiam contar em situações consideradas problemas, a figura da professora aparece como principal fonte de apoio e todas citaram no máximo dois colegas. O campo CAPSi revelou-se um espaço em que os participantes realizam menos trocas afetivas e sociais em relação aos demais campos, permitindo uma reflexão sobre a necessidade de articulação e resgate dos vínculos afetivos (HOPPE, RAMOS, 2012;TSZESNIOSKI et aL., 2015). A capacidade para desenvolverem trocas afetivas fora da família, na escola e nos demais espaços que fazem parte de suas trajetórias, influencia no desenvolvimento das redes de apoio sociais e afetivas, na promoção da autonomia e resiliência. As crianças que se sentem parte de um contexto fora da família disponibilizarão de mais recursos para enfrentar situações- problema, a partir do momento em há possibilidade de utilizarem a rede social e afetiva como referência para suas escolhas e decisões (HOPPE, RAMOS, 2012). Esta estratégia teórico-metodológica possibilita aos diferentes serviços: problematizar e retomar relações afetivas; a busca da promoção do desenvolvimento das relações afetivas e sociais, em complementação à ação das famílias; a necessidade de estratégias de articulação entre os serviços para que promovam experiências promotoras das capacidades e habilidades das crianças.
  • 30. 30 UNIVERSIDADE E CCA A SERVIÇO DA SAUDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM VULNERABILIDADE SOCIAL Autora: Ana Laura Schliemann Resumo: O objetivo desse resumo é relatar a experiência do atendimento em grupo dos estagiários do Núcleo em Saúde do quarto ano do curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. A parceria foi firmada a três anos entre o curso de psicologia e um Centro da Criança e do Adolescente Nossa Senhora do Carmo localizado no Bela Vista – SP/Capital. O convenio foi estabelecido com intuito de atender as necessidades de estágio obrigatório dos alunos do quarto ano que tem que realizar atendimentos em grupo em atenção de saúde primária. Os grupos psicoeducativos estão focados na prevenção e promoção a saúde, com crianças e adolescentes com objetivo de desenvolver habilidades e competências emocionais. O CCA atende a população de 6 a 14 anos no contraturno escolar. Esses jovens são divididos em módulos que atuam sobre as relações interpessoais, as demandas e potencialidades dos participantes, através de atividades lúdicas, culturais e esportivas. Esses módulos são constituídos por idade e/ou condição de aprendizagem e os temas trabalhados respeitam essa condição. O grupo de acadêmicos em cada semestre, via de regra, é composto por 4 duplas que atendem por doze semanas e que recebem supervisão na Universidade. Cada atendimento tem em média 01h20 minutos e são realizadas atividades expressivas que favoreçam o diagnostico e a elaboração das demandas emocionais com cada módulo. Os temas já trabalhados foram: relações grupais, sexualidade, afetividade e autoestima. A sessão é dividida em acolhimento, aquecimento, atividade psicoeducativa com o tema base, e fechamento em roda de conversa ou produção de material. A parceria tem identificado crianças e adolescentes com problemas psiquiátricos, cognitivos e emocionais ligados ao desenvolvimento deles ou as condições de violência e miséria que atinge essa população. Durante o período dos trabalhos observou-se que as condições psíquicas nem sempre são preservadas e os jovens tem dificuldade em lidar com a frustração e com questões de família; existe uma resistência ao novo e uma dificuldade de interagir no começo de cada grupo pela falta de confiança no outro, dificuldades com o próprio corpo e com a identificação de sentimentos e emoções expressas na comunicação não-verbal; presença de transtorno desafiador opositor; entre outros. Entendemos que há uma combinação entre uma predisposição neurobiológica associada também a fatores de risco psicológico e do ambiente social da criança, como por exemplo, o ambiente familiar. Nesse sentido, são elencados alguns fatores de risco que estabelecem uma
  • 31. 31 possível relação com o transtorno, sendo eles: relacionamento negativo com os pais; pais negligentes ou ausentes; comportamento agressivo dos pais; vivências de vulnerabilidade social; ambiente social desregrado; instabilidade familiar; abuso físico, sexual e/ou psicológico; disciplina inconsistente; dificuldade ou inabilidade em construir relações sociais; vivência em comunidade com alto índice de criminalidade e/ou situações de miséria. Quando necessário são feitos os encaminhamentos e atendimentos de usuários e seus familiares, bem como treinamentos para os profissionais contratados. Avaliou-se que o trabalho tem favorecido aos acadêmicos um encontro com as diversidades de culturas e vivencias, facilitando sua aprendizagem na atuação com essa população de forma integrada. Do lado dos atendidos eles estão tendo um espaço aberto e seguro para reflexão de sua vida. Palavras-chave: adolescência; saúde mental; saúde; grupo; psicologia.
  • 32. 32 Cães terapeutas e crianças em vulnerabilidade Autores: Viviane Ribeiro Pereira; Marcia de Oliveira Nobre; Fernanda Dagmar Martins Krug; Thalia Loureiro Lummertz; Marta Solange Streicher Janelli da Silva; Valéria Cristina Crhistello Resumo: Introdução: Vulnerabilidade social deve ser compreendida como conjunto de fatores que leva o indivíduo a essa condição, dentre os quais podemos citar falta de acesso à informação, educação, cultura, acesso restrito aos serviços de saúde e baixas condições socioeconômicas. Essa situações refletem na qualidade de vida das famílias, levando muitas vezes ao rompimento de vínculos afetivos (GOMES: PEREIRA, 2005). Entende-se que a criança proveniente destes contextos, muitas vezes expostas a violências, o abandono, a negligência, a falta de carinho, afeto e proteção, pode vir a apresentar dificuldades de relacionamento interpessoal, problemas emocionais e comportamentais, o que dificulta sua comunicação e sua interação com colegas, professores e familiares e trazendo prejuízos significativos a sua saúde física e psíquica (PEREIRA, 2017). Neste contexto, atividades com cães terapeutas, pode beneficiar essas crianças, pois eles são considerados “catalizadores Sociais” promovem a interação social, além de estimular afeto, que muitas vezes encontra-se embotado nesse público (SAVALLI; ADES, 2016). Objetivo: Refletir sobre a importância da interação lúdica com cães de terapia na escola para promoção do bem estar e melhora das condições emocionais de crianças em vulnerabilidade social. Material e Método: O presente trabalho é oriundo da dissertação de Mestrado intitulada: Intervenções Assistidas por Animais com crianças em contextos de vulnerabilidade social: utilizando o método Photovoice (PEREIRA, 2017). Obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Enfermagem (FEN) sob o Nº 1.558.671. Foi desenvolvida com a utilização de cães terapeutas do Projeto Pet Terapia- (Faculdade de Veterinária – UFPel). Para coleta de dados foram distribuídas máquinas fotográficas digitais a cada uma das crianças participantes do estudo, no total de 5 crianças entre 6 e 9 anos de idade, a partir da indicação da escola. O objetivo do estudo era compreender as contribuições das intervenções assistidas por animais na percepção da criança, utilizando fotografia feitas por elas. Resultados: Para narrar suas percepções sobre a interação lúdica com os cães, as crianças fizeram suas escolhas fotográficas de acordo com que consideravam ser importante nas atividades. A maioria aponta o cão como um “amigo” importante nas brincadeiras, falam do “amor e do afeto pelo cão”. Percebeu-se que afetividade estabelecida entre eles proporcionou alívio da ansiedade causada pelas condições de vida dessas crianças. O amor é um fator protetivo destas situações. As crianças não perderam a capacidade de amar em meio às condições adversas que vivenciam. Conclusões: Incluir um
  • 33. 33 cão de terapia em atividades escolares pode ser um instrumento importante e inovador para cuidado em saúde mental da criança em vulnerabilidade social, visto que o cão é para elas um amigo fiel e confiável, isto facilita a expressão de sentimentos e a promoção do bem estar dessas crianças.
  • 34. 34 Potencialidades do Método Photovoice Autores: Viviane Ribeiro Pereira; Clarissa de Souza Cardoso; Naiana Alves Oliveira; Ana Cláudia Garcia Vieira; Marcia de Oliveira Nobre; Valéria Cristina Christello Coimbra Resumo: Introdução: O Photovoice, método inovador de pesquisa ação- participativa, que possibilita reflexão e discussão de vivências, através de uma técnica fotográfica específica, transformando participantes do estudo em agentes de mudança social e local (MEIRINHO, 2016). Um aspecto importante desse método é que ele permite o “empoderamento” do sujeito, ou seja, oportuniza que ele participe ativamente na geração de dados, através da captação de imagens que retratem suas vivências. Este método permite aos participantes tirar suas próprias fotos, para posteriormente analisar e refletir sobre elas em grupo. É uma metodologia fundamentada na Teoria da educação crítica de Paulo Freire, nos princípios da Teoria Feminista e na fotografia documental (HERGENRATHER, 2009; WANG, BURRIS, PING 1996). A aplicação dessa abordagem metodológica foi oportuna, pois contemplou crianças imersas em contextos desfavoráveis, expostas a situações de vulnerabilidade social. Considera-se que diversos fatores podem levar as crianças a esta condição, dentre as quais destacam- se: carências afetivas, perdas na infância extrema pobreza, violência intra- familiar e fatores genéticos que podem desencadear quadros depressivos e risco de suicídios na adolescência e vida adulta (ZAVASKI, 2009). Entende-se, portanto, que o conceito de vulnerabilidade social está atrelado a processos de exclusão, discriminação e enfraquecimento de grupos sociais, interferindo na capacidade de reação destes frente ao problema enfrentado. Objetivo: Relatar a experiência da aplicação do método photovoice com crianças inseridas em contextos de vulnerabilidade social e as potencialidades do uso desta abordagem nas pesquisas com crianças em sofrimento psíquico. Material e Método: Utilizou-se máquinas fotográficas a cada criança participante do estudo 5 crianças entre 6 e 9 anos de idade. Foi realizada oficina de capacitação para explicar o desenvolvimento das atividades. A orientação era fotografar o que considerassem importante e significativo nas Intervenções Assitida por Animais na escola. As atividades foram organizadas em dois encontros semanais- O primeiro encontro da semana eram realizadas as atividades lúdicas com os cães terapeutas e o registro fotográfico, por um período de 40 minutos. O segundo encontro semanal era o momento da escolha das fotos, sem a presença dos cães, em grupo. As fotos eram projetadas em Notebook e impressas, as crianças escolhiam as mais significativas para elas, indentificando suas percepções quanto as atividades propostas. Estas reuniões tinham duração de 60 minutos. Ao final foi realizado o varal
  • 35. 35 fotográfico para expor todas as fotos produzidas. Resultados: O Photovoice como ferramenta de intervenção possibilitou compreender ações, gestos e múltiplas linguagens da criança e sua percepção do mundo, dentre elas o entusiasmo por estarem desempenhando algo importante na escola e na comunidade, refletindo de forma positiva sobre o comportamento e aprendizado, verificado pela observação, registros em diário de campo, bem como pelos relatos de professores e diretora da escola (PEREIRA et al, 2016). O photovoice foi uma abordagem inovadora de pesquisa, pois permitiu dar “voz” a essas crianças que por vezes são pouco ouvidas e percebidas na comunidade.
  • 36. 36 Por uma escuta da Adolescência: Uma experiência com grupo de Adolescentes em um Caps Infanto Juvenil Autores: Bruna Ghiorzi, Sheila Chaves de Souza, Cristiane Inácio Menca, Vanessa Bettiol de Oliveira Resumo: Muitos são os motivos pelos quais os adolescentes são encaminhados aos serviços de saúde mental. Isolamento social, exposição à violência, conflitos familiares, uso de substâncias, auto-mutilações, tentativa de suicídio, entre outras razões, são enumeradas como sinais de alerta de que algo pode não estar bem. Quando chegam ao Caps Infanto Juvenil, muitos pais ou responsáveis alegam não saber em que momento tais comportamentos iniciaram, questionam a tentativa de chamar a atenção ou procuram atribuir a um adoecimento externo, uma espécie de transtorno, como uma contaminação que surge sem aviso e que pode desaparecer da mesma forma. Durante o momento de acolhida e ao longo de sucessivos atendimentos em espaço protegido, entre os pares, vamos percebendo que a demanda da escuta está lá, presente há muito tempo, mas, por vezes, sem condições de endereçamento ou sem discurso possível. Ao ofertarmos o Grupo de Adolescentes possibilitamos a construção de um discurso a respeito do sofrimento e o que se faz ouvir insistentemente por esses jovens é a falta de oportunidade de contato, escuta e diálogo com aqueles adultos que estão mais próximos. Ao acompanharmos a trajetória do grupo, percebemos que também em relação ao cuidado e a manutenção do tratamento, muitas vezes esses adolescentes são deixados sozinhos com a responsabilidade de se “curarem” e restabelecerem suas atividades, de preferência conversando apenas com os profissionais de saúde, reforçando que a casa e a escola não podem se constituir em espaço de escuta. O objetivo desse trabalho é refletir sobre as possibilidades de intervenção e escuta dessa Adolescência que chega em nosso serviço de atenção psicossocial e sobre como podemos ampliar os cuidados para além do Caps. Para isso será utilizada a experiência ao longo de dois anos acompanhando um grupo de adolescente de 14 a 18 anos em atendimento no Caps Infanto Juvenil de Viamão, Rio Grande do Sul. *CAPS – Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil.
  • 37. 37 Autonomia e território: o adolescente no espaço da cidade - Um relato de experiência sobre o Grupo de Autonomia do CAPS Infantojuvenil Aquarela de Viamão/RS Autores: Bruna Bayer, Bruna Ghiorzi, Cristiane Inácio, Sheila Chaves, Valessa Harkovtzeff, Vanessa Bettiol Resumo: O presente trabalho tem como objetivo compartilhar e problematizar questões como autonomia, apropriação do território pelo sujeito, processos de alta em final de tratamento no CAPS Infantojuvenil, entre outros aspectos que perpassam as questões da adolescência. O grupo de autonomia se propõe a criar espaços de discussão em torno de questões e tensões que se colocam na adolescência, tendo em vista uma nova relação com os espaços sociais e o envolvimento com os fluxos da cidade e do território em que circulam,propondo o protagonismo destes sujeitos.Através de um espaço de fala e de experiências compartilhadas, visamos criar um espaço em que estes jovens possam expressar sua opinião, imaginar sua inserção na comunidade e na cidade em que vivem, compartilhando o que pensam e o que sentem com outros jovens marcados por experiências culturais semelhantes, incluindo nessa discussão, as dificuldades de relação e os impasses que eles experimentam com as instituições que os representam: a escola, a família, a justiça, etc. São combinadas visitas a lugares que se constituem como potencializadores dessa autonomia desejada, buscando novos olhares e novos lugares na cidade e no território. Através do acompanhamento terapêutico em grupo, eles passam a reconhecer espaços com potencial para cursos, trabalho, cultura, lazer e cuidado de si. Com isto, o grupo traz consigo a retomada de compreensão de uma Pedagogia da Cidade que se constitui enquanto possibilidade de reconhecimento e acesso a dispositivos que contribuem para a produção de saúde, cuidado, autonomia e protagonismo na inter- relação com a cidade e seus fluxos compartilhando sobre uma Educação na/da Cidade. Além disso, o grupo é um espaço facilitador para que se realize o processo de alta do usuário, questão essa que sempre suscita discussões sobre o cuidado continuado e as possibilidades de que o adolescente possa se vincular em outros espaços que digam de uma inserção social e de uma construção ativa para que essa posição seja sustentada.
  • 38. 38 Assistência à crianças e adolescentes negros em serviços de saúde mental: Revisão Integrativa de Literatura Autor: Laís Mariana da Fonseca Resumo: As iniciativas na assistência a crianças e adolescentes que sofrem com transtorno mental grave são poucas e localizadas. Romper com a desinformação técnico-política, promover a intersetorialidade e particularizar o atendimento ao público infanto-juvenil, antes pautado na assistência aos adultos ou deficientes, representa o desafio que se coloca ante as novas formas de lidar com a assistência em saúde mental, principalmente quando se fala de práticas profissionais (Guerra, 2003). O peso do estigma, do preconceito de um transtorno mental e o impacto do processo de adoecimento da criança ou adolescente na família, podem potencializar a situação de vulnerabilidade da criança ou adolescente negro com transtorno mental (Scholz; Silveira; Silveira, 2014). O termo estigma refere-se a problemas de conhecimento (ignorância), atitudes (preconceito) e comportamento (discriminação) (Thornicroft G, Rose D, Kassam A, Sartorius N, 2007) sendo que esse estigma associado a um transtorno mental, pode ter uma influência potencial ser potencializado. Dessa forma é necessária maior compreensão de como identificar barreiras potenciais para melhorar o acesso oportuno ao suporte básico de atenção (Gronholm, PC, et al, 2017). A existência de desafios específicos envolvidos no atendimento à saúde mental infantil e juvenil indica que apenas o conhecimento consubstanciado das particularidades dos diferentes contextos, das ações concretas realizadas pela atenção especializada, e da distribuição de serviços nos diferentes setores pelo território nacional podem guiar a construção de uma política pública que proporcione efetiva melhoria do atendimento e do cuidado à infância e adolescência (Couto, MCV, Duarte, CS, Delgado, PGG, 2008). A RAPS é a Rede de Atenção Psicossocial no Sistema Único de Saúde (SUS) e propõe a ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. A RAPS vem como suporte a política de saúde mental, prioriza a desinstitucionalização de pessoas com transtornos mentais ou por uso de substâncias psicoativas, vem além de fortalecer ainda mais o atendimento, priorizando ações de base comunitária e territorial visando a diminuição de internações (Silvério, XXXXX 2017). Guerra (2005) destaca outro ponto, como um dos desafios na assistência em saúde mental infanto-juvenil, traçar o diálogo entre diferentes saberes que perpassam as crianças e os jovens, uma vez que estão diluídos por diferentes áreas, como pedagogia, psicologia e medicina, priorizando a construção e a reconstrução de projetos de vida. De acordo com Guerra (2005, p. 141):
  • 39. 39 [...] pensar em proposta no âmbito das políticas públicas para assistência a crianças e adolescentes com transtornos graves implica, no mínimo, em reescrever a história da assistência a partir de novos princípios éticos e políticos Guerra (2005). Portanto, analisar indicadores de crianças/adolescentes atendidas nos serviços de saúde mental é imprescindível, com destaque para o quesito raça/cor, ancorando-se nas pesquisas apresentadas, para uma ação de enfrentamento das iniquidades, segregação racial e sofrimento psíquico. Levando em consideração os desafios de crianças e dos adolescentes atendidos nos serviços de saúde mental, aliando-se a raça/cor, há uma montante de vulnerabilidades. Assim surge a questão norteadora deste estudo: Assistência à crianças/adolescentes negros em serviços de saúde mental.
  • 40. 40 A saúde mental infantojuvenil na Atenção Básica Autores: Amanda Dourado S.A. Fernandes e Thelma Simões Matsukura Resumo: No Brasil o Ministério da Saúde tem investido em políticas da Atenção Básica (AB), de forma que isso tem refletido nas ultimas décadas em um expressivo aumento de estudos no campo da saúde mental neste nível de atenção a saúde. Porém, especificamente para infância e adolescência, os estudos, em grande maioria, se remetem ao CAPSij como principal dispositivo de cuidado, e os poucos voltados para AB, apontam para a falta de reconhecimento e/ou valorização pelos profissionais, dificuldades na organização dos sistemas regionais e incapacidade técnica de intervenção. Nesta direção, verifica-se que muitas fragilidades e limites ainda permeiam este campo, necessitando de mais investimentos no âmbito da pesquisa. Tendo em vista este panorama, o presente trabalho apresenta resultados advindos de um estudo de doutorado em finalização, desenvolvido em duas Etapas: A Etapa 1 objetivou compreender sobre as práticas de cuidado em saúde mental infantojuvenil na AB, sob a ótica dos gestores. Participaram desta Etapa 53 Unidades de Saúde, distribuídas em sete municípios do Estado de São Paulo. Os dados foram coletados durante um ano e meio, via rede mundial de computadores por meio de três instrumentos online. Quanto à análise, os dados quantitativos foram tratados por meio de planilhas do programa Excel®. Para as questões abertas, procedeu-se a análise categorial, proposta por Bardin. Os resultados obtidos foram categorizados a partir de seis eixos, os quais evidenciaram para fragilidades no reconhecimento de crianças e adolescentes em sofrimento psíquico no território. Além disso, a maioria dos participantes relatam pouca afinidade com o campo, e as ofertas de cuidado existentes que envolvem a infância e adolescência não são reconhecidas como estratégias de cuidado importantes para a saúde mental infantojuvenil. Outro dado importante é que as crianças e adolescentes com demandas de saúde mental chegam a AB por meio da escola, porém há grandes dificuldades de parceria e trabalho em rede. Nesta perspectiva, identificou-se também uma compreensão dos profissionais de que para a efetivação do cuidado a essa população na AB é necessário profissionais especializados e, uma lógica de funcionamento voltada ao encaminhamento para o CAPSij. Aspectos positivos foram encontrados- agentes comunitários foram reconhecidos como importantes atores no processo de cuidado e os grupos como potente recurso. A Etapa 2 encontra-se em andamento e trata-se de uma pesquisa etnografia que visa identificar e problematizar as concepções e práticas de saúde mental infantojuvenis no território a partir da Estratégia de Saúde da Família. Nesta direção a pesquisadora entrou em campo (em uma Unidade de Saúde da Família)
  • 41. 41 permanecendo de três a quatro períodos semanalmente. Conforme combinado em reunião de equipe, inicialmente a pesquisadora realizou uma observação participante, acompanhando as atividades desenvolvidas, possibilitando a compreensão da realidade existente, mapeando as ações e o território. Posteriormente a pesquisadora começou a delimitar suas inserções no campo, em ações especificas para infância e adolescência. Após esses procedimentos e, a partir da demanda da equipe, deu-se início a uma intervenção. A intervenção iniciou-se com a aplicação de um formulário visando compreender as demandas e expectativas da equipe. Posteriormente, organizado esses dados, as ações começaram as ser planejadas, sendo que estas envolvem ações no território e com a rede, e abarcam a identificação de casos de saúde mental no território, possibilidade de intervenção na AB e articulação da rede intersetorial. Pretende-se também realizar atividades formativas com a equipe a fim de instrumentalizar e potencializar as ações práticas já definidas. No final da pesquisa será aplicado um instrumento a fim de avaliar a intervenção. Espera-se que estes dados possam contribuir para a compreensão do campo, assim como oferecer elementos para maiores debates, reflexões e investimento nas esferas políticas e de assistência a essa população.
  • 42. 42 A interdisciplinaridade articulada a alimentação a partir da Oficina de culinária no CAPSi em Campos dos Goytacazes (RJ) Autor: Kamyla Souza Resumo: O Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil do munícipio de Campos dos Goytacazes faz parte da Rede de Saúde Mental da cidade a doze anos, o qual atende a demanda de crianças e adolescentes que têm transtornos graves e/ou persistentes, além de prejuízos sociais diante de algum sofrimento psíquico. Assim, o dispositivo possui uma equipe interdisciplinar com assistentes sociais, psicólogos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, fonoaudiólogo e médicos psiquiatra. A oficina de culinária deu-se a partir do desenvolvimento da oficina de artesanato, a qual os usuários confeccionaram latas individuais e personalizadas. Com isso, os técnicos junto aos usuários pensaram em preencher as latas com biscoitos natalinos feitos pelas crianças e sua referência familiar. Observou-se nesse primeiro momento como a relação entre usuários e familiares funcionava e o quanto as crianças afirmaram gostar de preparar e comer os biscoitos que elas fizeram. A partir disso o dispositivo junto aos técnicos da oficina de artesanato e estagiárias iniciou a oficina de culinária com o grupo da oficina de artesanato, tornando ambas quinzenalmente. Inicialmente alguns usuários foram inseridos na culinária para contribuição no seu projeto terapêutico. O grupo de usuários da oficina de culinária é formado por crianças e adolescentes com idade entre cinco a dezesseis anos, visando a socialização e/ou facilitação na relação dos vínculos de referência e desejo de participar, uma vez que a criança identificou a oficina como atividade terapêutica. Desse modo, notou-se a importância da articulação entre a culinária e a presença da família nesse momento. Os efeitos terapêuticos que a oficina propiciou foram fundamentais para avaliar segmentos das relações familiares, como aproximação, distanciamento, conflitos, comunicação entre a criança e a sua referência familiar, buscando realizar intervenções pertinentes diante da realidade dos usuários e família. É importante destacar que a oficina é coordenada por dois técnicos de enfermagem, uma enfermeira e duas estagiárias de psicologia, tendo as estagiárias supervisões com as psicólogas de referência no dispositivo. Notou-se nesse campo de estágio, especificamente na oficina de culinária, a importância do trabalho interdisciplinar da Psicologia com a Enfermagem. A escuta e as intervenções diante das relações na dinâmica da oficina, em conjunto com as enfermeiras, proporcionou vivenciar a articulação entre saberes no que se refere ao cuidado dos usuários. Quando se tem como estratégia em um dispositivo realizar oficinas que demandam materiais é necessário buscar meios para obtenção. Diante da crise financeira que o munícipio enfrenta, o
  • 43. 43 repasse de material ou verba seria inviável, de modo que haveria dificuldade em concretizar a oficina. Priorizou-se, portanto, o material, optando por receitas que exigissem subsídios que os técnicos oficineiros e estagiárias tivessem em sua própria residência ou com preço mais acessível. Apesar dessa minimização de custos a continuidade do trabalho ficou insustentável, de modo que se buscou como alternativa mantê-lo por meio da venda dos alimentos produzidos, e junto com a equipe técnica organizamos o bazar do CAPSi direcionando os lucros das vendas para a manutenção das oficinas existentes no dispositivo. Desde o início notamos que a oficina seria uma importante ferramenta para a potencialização dos usuários ali inseridos, com o passar o do tempo surgiu a necessidade de ampliar os saberes presentes nesse momento, pois percebemos que seria muito relevante para os usuários e suas famílias ter profissionais das áreas de nutrição e medicina para ampliar os olhares acerca de uma melhor qualidade de vida através de uma alimentação saudável pois entendemos que a alimentação é um importante modo de cuidado. Palavras-chave: saúde mental; CAPSi; oficina de culinária.
  • 44. 44 Saúde Mental, Adolescência Periférica e Insistência na Vida: tentativas e caminhos coletivos do Projeto “Tipo Assim!” Autoras: Júlia Monteiro Schenkel, Andressa Ercolani Duarte, Jheine Boardmann, Magale de Camargo Machado Resumo: Ao buscar acolher e dar visibilidade às demandas de saúde dos adolescentes que vivem nos territórios marginalizados do Município de Novo Hamburgo, o Projeto “T.I.P.O Assim!”, vinculado ao Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil e a Secretaria Municipal de Saúde, vem desenvolvendo grupos de adolescentes em quatro bairros do município. Buscaremos relatar e refletir sobre efeitos e aprendizagens das intervenções de uma equipe interdisciplinar de saúde mental que se somou às redes de proteção e cuidado infantojuvenil para inventar um modo de acessar adolescentes que pareciam escorregar para fora das políticas públicas. O projeto nasceu a partir desse desejo de acessar os jovens que não conseguiam se vincular ao CAPSi seja por considerarem o mesmo um espaço vinculado prioritariamente à infância, por o associarem à loucura e seus estigmas ou simplesmente por não se identificarem. Logo, insistências adolescentes são necessárias para costurar e afirmar o trabalho em saúde mental com a adolescência periférica, reconhecendo as especificidades da atuação em territórios pouco investidos pelo Estado e fortemente atravessados pela presença do tráfico de drogas. Carregando na sigla de seu nome os significantes Território, Intersetorialidade, Protagonismo Juvenil e Ocupação de Espaços, fomos nos inserindo nos bairros abrindo espaços coletivos para a adolescência. A entrada nos territórios se deu com o mapeamento da circulação e presença dos jovens, bem como dos serviços e redes parceiras. Ao circular pelos bairros com eles e escutar de suas caminhadas, fomos nos afetando e nos surpreendendo com suas estratégias de vida. Ao tomar os grupos como dispositivos para uma promoção de saúde que passa pela produção de subjetividade e resistência às linhas de força que teimam em circunscrever a juventude periférica como perigosa, fomos aprendendo com eles que fazer saúde do adolescente na periferia é insistir na vida. Estar em um projeto que não é uma política pública instituída nos permitiu trilhar caminhos singulares, apostando num cuidado em saúde mental desde a perspectiva da redução de danos, o trabalho é construído nos territórios com os adolescentes, conhecendo o seu bairro e sua história, afirmando vida, autonomia e, priorizando a criação de múltiplas tentativas com os jovens. A ideia de tentativa, seguindo a experiência de Fenand Deligny está presente em sua aposta no agir e na experimentação do comum criando espaços para traçados e tramas das crianças autistas que acompanhava, desenhando e sobrepondo mapas com os percursos que as crianças faziam e refaziam. Uma tentativa é entendida
  • 45. 45 como forma de se posicionar inovando trajetos e criando desvios. Se Deligny traçava mapas para buscar ver o agir das crianças autistas, assim também nós traçamos mapas de como os adolescentes desviam de um percurso socialmente instituído de caminhos normativos, para criação de percursos singulares. Assim, construímos rimas, poesias passinhos de funk e até mesmo de uma tenda para sentir na pele, explorar diferentes sensações e descobrir novos fazeres e prazeres na vida. Traçarmos espaços, percorremos praças, saímos e voltamos, atravessamos pinguelas, visitamos suas casas, promovemos encontros, circulações e desvios! Movimentos que nos levam a pensar que falar em saúde do adolescente é extremamente vago e não chega no ponto nevrálgico que acomete a vida dos jovens de periferia. Fazer saúde nesses territórios exige uma insistência que não costumamos encontrar nos serviços. Se os jovens não procuram os serviços, a recíproca é verdadeira, pois parece que a rede segue tentando formatar o adolescente para se encaixar em suas ofertas de cuidado, quando ela é que deveria se transformar para acompanhar as tentativas adolescentes. Construir os caminhos não a partir de um a priori instituído por uma política já prevista, mas sim a partir da produção de desejo dos e com os adolescentes.
  • 46. 46 Bulimia Nervosa em adolescentes do sexo masculino: um estudo de caso Autora: Lis Marina Lopes Lazzarini Resumo: Os distúrbios alimentares (TA) acometem cada vez mais jovens se tornando foco de atenção social e um problema de saúde pública. Entre os TA, a Bulimia Nervosa (BN) com suas primeiras manifestações na adolescência e com incidência predominantemente no sexo feminino, tem sido observada com aumento diagnóstico em adolescentes do sexo masculino. A BN pode ser definida pela alternância de períodos de restrição alimentar com episódios de ingestões alimentares copiosas, seguidos de vômitos auto induzidos e pelo uso de laxantes e/ou diuréticos. Os intensos sentimentos negativos tais como frustração, tristeza, ansiedade, tédio, culpa e solidão acompanham o ciclo compulsivo vivenciado pelos adolescentes com BN. A sensação de total falta de controle sobre o próprio comportamento é um componente subjetivo presente e acompanhado da preocupação excessiva com o peso e forma corporal. A etiologia da BN baseia-se no modelo multifatorial com componentes biológicos, sociais e psicológicos que se inter-relacionam. Considerando o público adolescente e a insatisfação corporal como sintoma de primeira ordem no desencadeamento dos transtornos alimentares algumas considerações são relevantes: a imagem mental que o indivíduo faz de seu corpo envolvido pelas sensações e experiências imediatas compõe sua imagem corporal como espécie de “retrato mental” que a pessoa faz de sua aparência física e das atitudes e sentimentos em relação à imagem, sendo o resultado de diversas experiências acumuladas durante a vida, mediadas pelo sistema nervoso central 1; a adolescência enquanto período do desenvolvimento marcado por transformações biológicas, sociais e psíquicas geradoras de inquietudes e sofrimento com a adoção de comportamentos e movimentos em busca de constituição da própria identidade e as possíveis mudanças no padrão de comportamento masculino na cultura atual, sua identidade e as relações com a imagem corporal. Através da apresentação do estudo de caso em profundidade sobre um adolescente do sexo masculino de dezesseis anos de idade, portador de Bulimia Nervosa há dois anos, objetivamos apresentar dados clínicos e ampliar a discussão acerca dos casos de BN entre jovens do sexo masculino.
  • 47. 47 ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO: MAIS UM INTEGRANTE PARA NOVAS ESTRATÉGIAS DE APOIO PARA SAÚDE MENTAL Autor: Cristina Bonilha Branco Resumo: Apresento no presente trabalho recortes de um Acompanhamento Terapêutico, iniciado há 11 anos. Neste, me coloquei verdadeiramente disponível para um contato único, intenso e rico. A técnica e manejo da terapeuta modificaram-se ao longo do tempo, de acordo com as necessidades da paciente para que a relação transferencial se desenvolvesse. As intervenções não aconteceram somente pela palavra, mas também com objetos do mundo e da cultura, construindo uma experiência existencial. Apoiada na psicanálise, o holding e continência (Winnnicott 1990) oferecidos pela terapeuta foram fundamentais para ter uma escuta cuidadosa. A terapeuta precisava estar ciente das necessidades e angústias da paciente bem como da sua singular forma de comunicação. Para tanto, se guiou pela transferência (Roudinesco, E. e Plon, M. 1997) e contratranferência (Zaslavavsky, J e Santos, M. 2006). A primeira mostra como o paciente se relaciona com o mundo e a segunda deixa o terapeuta alerta frente a reações em si mesmo devidas ao envolvimento entre os dois, a fim de que estes não atrapalhem o percurso, pelo contrário, ajude a chegar no objetivo do processo, na melhora da paciente. Ao se sentir reconhecida por outro ser humano pode reencontrar-se.Criar este ambiente propício ao desenvolvimento psíquico, mental e físico implicou em reconhecer o setting ambulante (casa, parque, escola, rua, carro, restaurantes, faculdade...) bem como em desenvolver uma rede de sustentação. Safra (2006) relembra que Winnicott, com o conceito de Placement, verificou a importância de novos ambientes para tratar de crianças. Ali postulou quatro fundamentos para a saúde mental: a experiência da descoberta do corpo para abrigar a própria psique: personalização; a experiência de poder amar e odiar a mesma pessoa e concern; a experiência de não destruir o ambiente e assim distinguir fato e fantasia. Penso que a rede criada para os pacientes psicóticos deva ter como base estes fundamentos. Não necessariamente retirando-os totalmente de seu ambiente, mas criando espaços onde estas experiências aconteçam sistematicamente. Este caso clínico retrata o desenvolvimento pessoal da paciente, tendo uma rede de apoio com diversos profissionais de lugares diferentes em vez de estar em uma única instituição. Z tinha 13 anos quando sua mãe contratou-me como tutora para acompanhá-la nos estudos. Iniciamos os atendimentos neste formato até se apresentarem os sintomas psicóticos. A cisão interna foi revelada em surto: espíritos, vontades canibalescas, persecutoriedade, tudo explodiu. Sabemos que esta fase, a adolescência, é uma fase de vulnerabilidade para transtornos mentais. Alternativamente à internação, sugerida pelo
  • 48. 48 psiquiatra que atendia Z na época, iniciamos um projeto terapêutico aliando diversos atendimentos: acompanhante terapêutico com psicóloga, psicóloga individual em consultório, acompanhante terapêutico com educadora física, atividades corporais, outro psiquiatra e cursos que fossem possíveis conforme a evolução da paciente. O percurso destes anos pôde ser dividido em fases: formação da rede de profissionais que nos deu liberdade de ação na busca de atividades compatíveis com o Z; processo de diferenciação entre ela e sua mãe e consequentemente do mundo; desenvolvimento da percepção do outro e então a descoberta da reciprocidade e por último, o desenvolvimento de sua autonomia. Ela passou desde surtos no período escolar até se graduar com louvor na faculdade de Comunicação das Artes do Corpo, na PUC -SP em 2016. Hoje Z tem 24 anos. A cada ano um novo projeto é elaborado. Estes são pensados por ela, equipe que a atende e sua família. Assim ela amplia suas interações sociais bem como sua capacidade de produzir, objetivando ingressar no mundo profissional. A transição para a fase adulta exige amadurecimento e ganho de autonomia. Atualmente ela tem um corpo que abriga uma psique e se relaciona com o outro. Agora precisa desenvolver sua independência.
  • 49. 49 Crianças Autistas Sabem Pular? A Persistência do Atraso Motor em Crianças Portadoras de Transtorno do Espectro do Autismo. Autores: Thomé JM, Dutra AM, Porto MA, Ramalho M, Lima MO. Resumo: Objetivo: O estudo correlaciona atraso motor entre indivíduos portadores de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ao nível do déficit persistente de comunicação que o caracteriza. Método: Para tanto, 14 crianças diagnosticadas com TEA de acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders V (DSM-V) participaram deste estudo clínico observacional, transversal e não controlado, que usou a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM) para avaliar o equilíbrio postural estático e motricidade global dos participantes distribuídos de acordo com a Autism Classification System of Function: Social Communication (ACSF:SC) para qualificação do déficit comunicacional. Resultado: A bateria de testes que explora a motricidade global da amostra aponta que os escores obtidos neste quesito não variam de acordo com a idade cronológica, ou seja, o desenvolvimento motor não progride à medida que o indivíduo envelhece. De mesma maneira, os testes que exploram o equilíbrio em indivíduos portadores de TEA mostram que os escores referentes a este tópico também não acompanham a idade cronológica. Ademais, observa-se que as aquisições motoras permanecem estáveis dentro de um patamar que varia 3,5±1,3 ano, enquanto o desenvolvimento do equilíbrio permanece equivalente ao de uma criança de 2,5±1,1 ano, independentemente da idade cronológica na data da avaliação (Gráfico 1). Logo, observa-se que o déficit de motricidade global relativo à idade cronológica aumenta à medida que o indivíduo envelhece (r=0,873). O mesmo comportamento é encontrado em relação ao déficit de equilíbrio (r=0,925). Assim, a idade relativa a motricidade global tende a permanecer estável com o passar dos anos entre indivíduos portadores de TEA. Conclusão: Os déficits sobre a motricidade motora global e equilíbrio estático do indivíduo TEA são robustos e persistentes, sofrendo pouca ou nenhuma alteração com o passar dos anos e independem da grande heterogeneidade fenotípica característica do espectro. Discussão: A relevância dos resultados obtidos sugere que os déficits encontrados podem compor os critérios diagnósticos para autismo, mesmo dentre as expressões mais tênues e de difícil caracterização do transtorno. A intervenção fisioterapêutica pode identificar e quantificar o comprometimento motor do indivíduo, oferecendo tratamento precoce para atenuar os déficits encontrados, impedindo sua evolução para disfunções articulares, deformidades e movimentos compensatórios, contribuindo significativamente para a melhoria de qualidade de vida do paciente.
  • 50. 50 CORPO E MOVIMENTO: O ENTRELAÇAR ENTRE ARTE E SAÚDE MENTAL Autores: Ana Márcia Antunes; Henrique Costa Brojato; James Kava; Rudinei Nicola; Vanessa Tauscheck Resumo: O Centro Social Marista Propulsão (CSM Propulsão) é um dispositivo que atua na (re)inserção de adolescentes que estão ou estiveram em tratamento pelo uso abusivo de álcool e/ou outras drogas. Dentre as atividades ofertadas pelo dispositivo, encontra-se a oficina de teatro, que acontece semanalmente e configura-se como um espaço de sensibilização e expressão corporal, de criação e transfiguração dos conteúdos que perpassam a realidade do público atendido. O presente trabalho expõe a possiblidade de relatos dos jovens a partir do meu encontro experiência com os mesmos no discorrer da oficina, Corpo e Movimento. O objetivo dessa proposta é perceber o que causa impacto na vida de cada jovem, seus lugares de fragilidades e interesses. Ser considerado os saberes subjetivos, a inserção consigo mesmo: o que incomoda, o que faz os olhos brilharem, o que pode tocar ou não o coração. Tem-se observado enquanto elementos desse processo criativo a expectativa de transitar pelo território, seja ele enquanto corpo/memória, enquanto corpo/lembrança, possibilita a alteridade/presença na composição desejo/sonho da história de vida de cada um, contribuindo para a construção das singularidades coletivas. E a partir daí tentar possíveis diálogos, como forma de linguagem, a visão aciona o corpo todo, a sua racionalidade, sensibilidade, sensação, inconsciente, está tudo conjugado. Acredito que os jovens atendidos pelo CSM Propulsão têm pouca oportunidade na vida diária/ordinária de fazer esse exercício, muitas vezes por uma educação que não se pauta por esse princípio. Assim, utiliza-se como metodologia jogos de linguagem, que criam possibilidades de se relacionar, elaborando as relações que vão ficando truncados no discorrer da vida. O trabalho é desenvolvido a partir de jogos teatrais, exercícios físicos, exercícios de relaxamento e respiração, exercícios de adormecimento e do acordar dos sentidos, do canto, do batuque e da dança, para uma imersão em pontos simbólicos: experiência de contágio e afeto sensível nas atmosferas da vida e que segue nos corpos em relação, oferecendo estímulos para um descondicionamento das lógicas individuais de ação e de movimento. Exercícios que visam a desordem da autoimagem, a quebra do sentido e da orientação cotidiana de movimento,
  • 51. 51 presença e estética ressignificada à realidade cotidiana. Processo que pode ou
  • 52. 52 Reflexões sobre a Medicalização na Escola Autores: Marta Solange Streicher Janelli da Silva; Luciane Prado Kantorski; Valéria Christello Coimbra; Viviane Ribeiro Pereira; Amanda Fernadez; Larissa Zimmermann Resumo: Este trabalho é fruto de uma pesquisa de doutorado que ainda se encontra em construção, a qual busca contribuir sobre as reflexões que constitui o fenômeno de medicalização da educação. O interesse em pesquisar a vida escolar de crianças medicalizadas está relacionado à minha trajetória profissional, pois enquanto psicóloga e professora do curso de Psicologia da UFPel, em espaços de supervisão de alunos que realizavam estágios em algumas escolas do município de Pelotas e em instituição de saúde (CAPS – Centro de Atenção Psicossocial). Nessa época, percebi o consumo cada vez mais abusivo de medicamentos que prometem resolver, mas que na realidade maquiam problemas sociais. Tal estudo é importante ao aproximar-se da discussão em campos de saber como saúde mental e educação, possibilitando a trazer questionamentos de saberes históricos e culturais instituídos pela escola, os quais ajudariam na problematização mais aprofundada sobre o tema. Sabe-se que os modelos de educação vigentes revelam estar atravessados pelos saberes médicos e higienistas, quando lançam mão de técnicas disciplinares, como o exame, a classificação, a exigência de atividades e a observação constante dos sujeitos. Essas avaliações são uma forma visível de controle da escola, na qual os efeitos desse equipamento disciplinar é a medicalização da educação. Assim, a medicalização, que vem se revelando em diversos espaços sociais, como instituições de saúde, educação entre outros induz à necessidade de compreender o que vem a ser a medicalização dos comportamentos considerados inadequados e o porquê do aumento significativo da prescrição de medicamentos utilizados na psiquiatria, para combater sofrimentos que surgem no cotidiano e, ainda, suas implicações para a sociedade atual, na qual as crianças enquanto alunos/as têm sido as maiores vítimas dessa lógica de tratamento. O espaço escolar, pesquisado neste trabalho, tem denunciado um número expressivo de crianças com diagnósticos variados, endossados pelo discurso médico, as quais estão sendo submetidas, muitas vezes, ao resultado de situações advindas da trajetória e encontros da vida contemporânea (tristeza, cansaço, agitação, dificuldades de aprendizagem, etc.) bem como a conceitos como depressão, bipolaridade, transtorno obsessivo compulsivo, TDAH entre outros. Essa denúncia tem atraído o interesse de profissionais de saúde e educação, de familiares bem como de profissionais do campo acadêmico, desvendando as facetas desse processo. Essa problemática vem, de forma crescente, afetando o cotidiano dos sujeitos, e cada vez mais, tem assumido um
  • 53. 53 caráter político e ideológico importante na sociedade de classes em que vivemos neste século XXI. Nesse sentido, o modelo contemporâneo de educação, por meio de políticas governamentais e metas de ensino, de metodologias, da estrutura das escolas, dos meios de avaliação, dos conceitos sobre educação e formação social refletem ideologias baseadas por um controle disciplinar. Portanto, a pesquisa ganha relevância, também, pela contribuição que trará para esse campo de estudos na área da psicologia e educação, propondo a busca de caminhos para o enfrentamento de um problema de tamanha complexidade como a medicalização na vida escolar e, por fim, contribuir para a produção de novos saberes bem como promover situações que estimulem novas pesquisas.
  • 54. 54 A Saúde Mental de Crianças e Adolescentes em Situação de Acolhimento Institucional Autoras: Katy Lopes Duarte; Luna Rodrigues. Resumo: Apesar de a infância ser uma etapa do desenvolvimento altamente valorizada na sociedade contemporânea, esse conceito nem sempre existiu. Segundo Àries (1981), até o final do século XVI crianças e adolescentes eram tratados como “adultos em miniatura”. Somente no início do século XIX, a criança vai assumindo identidade, voz e estatuto legal (Silva, 2011). As crianças passam a ser reconhecidas como sujeitos e o olhar e a forma de cuidá-las começam a se modificar. Diante dessa nova dinâmica social, o Estado passa a se interessar pelas crianças, a fim de proporcionar o seu melhor desenvolvimento. Nos últimos anos, cresceram as práticas de atenção voltadas para crianças e adolescentes, regulamentando o acesso à rede intersetorial. Encontra-se previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assim como na Constituição Federal (CF), que saúde e acolhimento institucional são direitos da criança e do adolescente e deveres do Estado. Contudo, nem sempre os direitos se operacionalizam de forma eficaz. O presente trabalho tem como objetivo discutir a relação entre o processo de institucionalização e a saúde mental de crianças e adolescentes e identificar as práticas de cuidado que lhes são oferecidas. O estudo adotou como recurso metodológico a revisão integrativa da literatura utilizando a abordagem qualitativa. Para o levantamento buscou-se artigos em periódicos nacionais, publicados no período de 2007 a 2016, nas bases de dados Eletronic Library Online (SCIELO) e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). A partir da análise qualitativa dos 32 artigos selecionados encontramos os seguintes resultados: 59,38% das pesquisas apresentavam discussões voltadas para o crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes, parte dessas apresentando resultados que apontam para o impacto negativo da institucionalização para o desenvolvimento de funções cognitivas; 46,88% dos estudos capturados ressaltaram aspectos que são compreendidos pelos profissionais e pelos adolescentes como positivos ou negativos sobre o processo de institucionalização; 65,63% dos artigos analisados destacam a importância da formação e capacitação dos profissionais que trabalham nas instituições, além do elevado número de crianças por cuidador, o que dificulta um cuidado individualizado. Consideramos a necessidade de mais investigações sobre a correlação aqui proposta, visto que apesar de se entender a instituição de acolhimento como parte da rede de atenção, é apontada a desarticulação entre os diversos dispositivos, assim como a ausência de referencias aos serviços de saúde mental.
  • 55. 55 Palavras-chave: acolhimento institucional; saúde mental; rede intersetorial