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29
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
A ESCOLA E SUA CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO DE SUJEITOS: UM OLHAR
A PARTIR DA NOVA CONCEPÇÃO DE CURRÍCULOa
Pierre André Garcia Piresb
A concepção de escola
Hoje, a busca incessante pelo conhecimento passou a ser mais que um
diferencial na formação dos sujeitos. Estar em constante aprendizado passou a ser
requisito básico para qualquer pessoa que queira manter um alto nível de empregabi-
lidade e intelectualidade na sociedade, em um mercado que exige atualização a todo
instante. A escola deve fazer questão de contribuir nessa evolução, não preparando
apenas os cidadãos para a vida, pois ela é a própria vida, um local de vivência da ci-
dadania, (ALARCÃO, 2001).
A filosofia unificadora da escola deve ser a de estabelecer políticas co-
erentes a serem aplicadas no estudo de situações reais e específicas, capazes de
colaborar para a melhoria das condições de vida das comunidades abrangidas pela
sua ação. Atuar de forma isolada é parte do passado: hoje suas ações se tornam re-
almente efetivas se atuar de forma coletiva junto à sua comunidade.
A realidade mudou bastante nos últimos anos, exigindo cada vez mais
que a escola acompanhe essas mudanças. Hoje não podemos ter em seu meio um
ensino fragmentado, dissociado da realidade, mas sim um comprometimento que pre-
pare seus atores para enfrentarem o processo de globalização:
Atualmente, encontramos nos discursos veiculados pela mídia e pelas
políticas governamentais um forte apelo à escolarização como saída
para os graves problemas enfrentados no país. Embora não seja correto
imaginar que a escolarização possa resolver todos os problemas,
temos que concordar que seu papel vai muito além e apenas instruir
as novas gerações. (SILVA, 2002 p. 58)
Desta forma, a escola deve preocupar-se, possibilitando condições para
que a sociedade que a abriga ingresse em seu meio, assumindo assim seu compro-
misso como local de transmissão de saber e construção do conhecimento.
São muitas as demandas da sociedade, levando em consideração os di-
ferentes aspectos referentes à mobilidade social, desenvolvimento econômico e ren-
da per capta, e se percebe que o percentual de famílias carentes é muito significativo.
A população de baixos recursos socioeconômicos, para superação de suas carências
sociais, busca na educação uma força aliada que permita realizar uma real integração
e reconhecimento social, porém não podemos esquecer que esse objetivo será atingi-
do se a escola proporcionar momentos de reflexões sobre a realidade dos sujeitos.
O papel da escola neste mundo que se transforma, deve estar equili-
30
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
brado entre uma função sistêmica de preparar cidadãos tanto para desenvolver suas
qualidades como para a vida em sociedade. Ao mesmo tempo, deve exercitar sua
função crítica ao estudar os principais problemas que interferem em sua localidade,
devendo apontar soluções. Sendo assim:
Atualmente, o mundo no seu conjunto evolui tão rapidamente que
os professores, como, aliás, os membros das outras profissões,
devem começar a admitir que a sua formação inicial não lhes basta
para o resto da vida: precisam se atualizar e aperfeiçoar os seus
conhecimentos e técnicas, ao longo de toda a vida, O equilíbrio entre a
competência na disciplina ensinada e a competência pedagógica deve
ser cuidadosamente respeitada. (DELORS, 2001, p. 161)
Para isso, deve a escola desenvolver características como o pluralismo
de idéias, a liberdade e a autonomia didático-pedagógica e, de outro lado, ampliar a
capacidade de resposta às necessidades da comunidade, buscando maior pertinên-
cia social e fazendo com que essa comece a participar das decisões em seu meio.
Para que este novo papel seja desempenhado com sucesso, torna-se
necessário que a escola reveja posições e estabeleça atitudes mais enfáticas e positi-
vas em relação ao seu meio. O futuro precisa ser construído através de um processo
que exige um pensar e um repensar contínuo e ações integradas na consecução dos
objetivos, mas esse processo deve se dar de forma integrada, coletiva, envolvendo
todos os interessados de forma direta. Sobre a integração na escola:
Uma escola sem pessoas seria um edifício sem vida. Quem a torna
viva são as pessoas: os alunos, os professores, os funcionários e os
pais que, não estando lá permanentemente, com ela interagem. As
pessoas são o sentido da sua existência. Para elas existem os espaços,
com elas se vive o tempo. As pessoas socializam-se no contexto que
elas próprias criam e recriam. É o recurso sem o qual todos os outros
recursos seriam desperdícios. Têm o poder da palavra através da qual
se exprimem, confrontam os seus pontos de vista, aprofundam os seus
pensamentos, revelam os seus sentimentos, verbalizam iniciativas,
assumem responsabilidades e organizam-se. As relações das pessoas
entre si e de si próprias com o seu trabalho e com a sua escola são
a pedra de toque para a vivência de um clima de escola em busca de
uma educação melhor a cada dia. (ALARCÂO, 2001, p. 20)
A prática da escola, através de uma relação mais direta com a sociedade,
deve possibilitar a intervenção e a transformação da realidade social, permitindo assim per-
ceber e investigar problemas, para então desenvolver ações que conduzam à conquista do
desenvolvimento humano da sociedade, priorizando atividades na área da educação que,
como conseqüência, proporcionam a construção de novos conhecimentos, a reconstrução
de um novo pensamento e a participação social voltados para as necessidades sociais
mais emergentes de seu meio. A interação entre escola e comunidade está sendo um es-
paço crescente como elemento para a construção/resgate da cidadania.
A escola tem buscado incessantemente esse equilíbrio e procurado ver
a sua comunidade não apenas como consumidor de seus serviços, mas como sujeitos
que podem ser parceiros e que tem muito a contribuir para a formação de um sujeito
31
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
crítico, na proporção dessas mudanças que se fazem necessárias para o desenvol-
vimento humano e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Mais do que
formar cidadãos adaptados ao novo mundo que se avizinha, é preciso propor alterna-
tivas de desenvolvimento para esse mundo.
A educação crítica leva a uma vida digna e justa, isto é, prepara-se para
a vida, através da busca de resoluções de problemas do dia a dia, da troca de expe-
riências, construindo e reconstruindo novos conhecimentos através dessa interativi-
dade.
Em uma escola participativa e democrática como a que se pretende,
a iniciativa é acolhida venha ela de onde vier, porque a abertura às
idéias do outro, a descentralização do poder e o envolvimento de todos
no trabalho em conjunto são reconhecidos como um imperativo e uma
riqueza. (ALARCÂO, 2001, p. 20)
A escola dever estar vinculada à realidade de seus alunos estabelecen-
do a relação entre teoria e prática, de formas flexíveis, inovadoras e críticas. Além
dessa relação, a escola deve ter a práxis em seu meio, ou seja, momentos de ação-
reflexão-ação, onde seus profissionais devem estar em constante processo de atuali-
zação acompanhando a demanda que hoje a sociedade exige.
Assim, defendemos a proposta de que a formação continuada deve se
darcombasenarealidadedaprópriaescola,emsuasreaisnecessidades
e seu projeto pedagógico. Não se pode pensar a perspectiva de uma
nova escola sem colocar como meta primordial a formação continuada.
Para tanto, é necessário que a escola se constitua num espaço de
crescimento do professor. (SILVA, 2002, p. 15)
O Papel Social da Escola
Ensinar é uma especificidade humana como nos deixou bem claro Paulo
Freire em suas obras, mais especificamente no livro A Pedagogia do Oprimido. Sen-
do uma especificidade humana, entende-se que ensinar deve ser um ato de paixão,
amor, dedicação, competência e comprometimento.
Atualmente há uma grande preocupação para que a educação chegue
para todos, e proporcione condições para que os indivíduos atuem como sujeitos na
sociedade. Com isso se percebe que a educação deve preparar os indivíduos para as
transformações que estão ocorrendo nessa sociedade.
A importância da educação como uma das alavancas que possa con-
tribuir para a formação de um sujeito mais participativo nas tomadas de decisões da
sociedadeé destacado com algo importante para o espaço educacional.
32
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
Torna-se indispensável, dentro desta perspectiva educativa, que todos,
educadores ou não, reconheçam a educação como um projeto social
importante. Por isto, a educação precisa ser cada vez mais considerada
como um dos componentes que podem contribuir de forma significativa
com a formação de sujeitos responsáveis com determinadas funções
na sociedade. Assim sendo, fundamenta-se, então, a necessidade
de participação de todos os envolvidos no processo educacional,
nas decisões que arrolam a continuidade e o aprimoramento desse
processo, a fim de que se efetive um maior envolvimento com o destino
da educação e sua própria prática cotidiana. (MINASI, 1997, p. 35)
Percebo a preocupação em proporcionar uma mudança que leve para o
meio escolar condições para que os indivíduos possam agir em seu meio e se torna-
rem mais atuantes na sociedade, através de uma forma mais crítica e menos aliena-
dora, passando a serem sujeitos conscientes de suas ações.
A minha convicção é de que, se quisermos mudar a escola, devemos
assumí-la como organismo vivo, dinâmico, capaz de atuar em situação,
de interagir e desenvolver-se ecologicamente e de aprender a construir
conhecimento sobre si própria nesse processo. Considerando a escola
como um organismo vivo inserido em um ambiente próprio, tenho
pensado a escola como uma organização em desenvolvimento e em
aprendizagem que, à semelhança dos seres humanos, aprende e
desenvolve-se em interação. (ALARCÃO, 2001, p. 27)
A educação dessa forma deve ocorrer em função do conhecimento de
nós mesmos em relação ao mundo, e deste em relação a nós. Não deve haver edu-
cação sem a construção do conhecimento, e conhecer algo significa estar no mundo,
e estando no mundo agir sobre ele. A escola para cumprir esse papel e construir no-
vos valores e atitudes diferentes, deve ter suas ações voltadas para a construção e
socialização de conhecimentos mostrando novas possibilidades de leitura de si e do
mundo.
As escolas, independentemente, do tipo social de pessoas que as fre-
qüentam, pois a sociedade se apresenta em diferentes classes sociais, devem ter
objetivos básicos. Mas percebo que estão diferentes umas das outras, pois, encontra-
mos escola pública e privada e cada uma tem sua história, sua identidade e suas pe-
culiaridades, mas seus objetivos devem ser os mesmos, adequando sempre o ensino
à sua realidade.
O principal objetivo da educação deve ser o de identificar os aspectos
desejáveis e comuns a todas as escolas, responsáveis em criar um indivíduo para a
sociedade capaz de ser sujeito da mesma. A escola deve ser um local de promoção e
integração de todos os participantes, numa construção/resgate da cidadania.
A escola precisa estruturar-se de maneira viva, dinâmica, estimulando
os alunos a se manifestarem nas mais diferentes formas, ao mesmo tempo deve fa-
vorecer a ação autônoma dos seus atores e comunidade e sua participação, sempre
que possível, em instâncias diversas da gestão escolar. A escola não pode negar sua
33
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
postura de acolhimento à comunidade, pode questionar, mas não manifestar precon-
ceito em relação às manifestações culturais dessa.
Não deve também, a escola, ser apenas um local de transmissão do
saber e da construção de conhecimento e não deve seguir somente os programas ofi-
cias que lhe impõem, deve adaptar-se para trabalhar a realidade de sua comunidade.
Na escola não se adquirem apenas conhecimentos, mas aprende-se nela também
uma série de valores e de normas de comportamentos. Quando se aborda a palavra
comportamento, deduz-se que a escola deve fornecer recursos e instrumentos aos
alunos para que esses possam reagir ao seu meio e construir pouco a pouco as no-
ções próprias ao seu desenvolvimento intelectual e sua cidadania.
Um novo olhar sobre currículo na escola
O currículo na contemporaneidade deve ser visto como algo vivo dentro
da instituição, capaz de propor mudanças significativas em todo o seu âmbito. Per-
cebe-se que a trajetória de sua concepção/aplicação está diretamente ligada a uma
reprodução de conhecimento e saberes onde, o processo de alienação encontra-se
presente dessa forma, impossibilitando ações reais de transformação na sociedade.
Hoje esses saberes devem ser socialmente construídos, ou seja, “currículo passa
então a significar o conjunto de experiências a serem vividas pelo aluno”, (SANTOS e
MOREIRA, 1995 p. 48).
Visto anteriormente para somente organizar o que seria transmitido aos
alunos com a ideologia de um determinado grupo social, tornava-se como poder des-
se grupo que se preocupava em formar indivíduos em séries para atuarem de maneira
mecânica, na atualidade, sua interpretação se faz necessária para uma sociedade em
transformação e transição. Santos (s/d) em seu texto História das disciplinas escola-
res: outras perspectivas de análise, apresentado no VII ENDIPE destaca:
Noprocessodeseleçãodosconteúdoscurricularesdiferentesjustificativas
são invocadas.Argumenta-se, por exemplo, que o conhecimento escolar
deve ser uma preparação para a vida adulta, ou que este deva propiciar
o ajustamento social ou ser, ainda, instrumento para a resolução dos
problemas práticos da vida. (SANTOS, s/d, p. 163)
Ainda se ressalta:
O currículo escolar é apresentado como um conjunto de portas de
entrada para o mundo adulto, ainda que as relações entre as definições
escolares e não escolares, a saber, e da capacidade sejam na melhor
das hipóteses tênues. É predominantemente um mundo ordenado por
matérias- mesmo quando assume a forma de estudos integrados.
(YOUNG, 2000, p.47)
Percebo sua trajetória como algo significativo não só para o âmbito ins-
titucional, mas, de certa forma e diretamente importante para a sociedade. Hoje ao
pensarmos em currículo nossa preocupação deve estar em transformar a realidade,
dessa forma tornando-se como instrumento de tomada de decisões onde as preo-
34
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
cupações com todos os segmentos do âmbito institucional devam estar presentes:
administrativo, pedagógico e estrutural.
O currículo é vida, movimento, transformação, coletividade, mundializa-
ção e deve estar preocupado com a formação de um sujeito, não mais indivíduo,
que seja capaz de atuar e influenciar no meio assim como, estar preparado para ser
influenciado por ele dessa forma, desafiar o sujeito em sua construção de conheci-
mento. O currículo deve ser visto como transformador para o homem, a instituição e a
sociedade de maneira a contribuir para a melhoria dessa, de forma a percebê-la como
em constante processo de mudança. Dessa forma não podemos mais olhar o currícu-
lo com a mesma inocência de antes, pois agora tem significados.
O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder.
O currículo é trajetória, viagem, percurso. O currículo é autobiografia,
nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja a identidade. O
currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de
identidade. (SILVA, 1999, p. 150)
A visão de homem deve estar fundamentada na concepção de um ser
inacabado, inconcluso, que realiza um processo de busca constante pela humaniza-
ção, acreditando que a educação deve ser um dos meios para viabilizar essa meta.
O exercício de sua cidadania como um sujeito critico, comprometido com a resolução
dos problemas da sua realidade, também deve ser destacada.
Um ideal de sociedade participativa, democrática e justa, fundamenta-
se, entre outras coisas, num homem que busca a coletividade, bem como a partici-
pação rumo à cidadania, onde os direitos sejam respeitados, para que haja justiça ao
humilde e não seja negada essa cidadania. Esse homem que busca a coletividade
percebe que através dela poderá atuar de forma mais efetiva, pois estará lutando
pelos mesmos ideais que outros em seu meio. A busca dessa coletividade irá propor-
cionar ao homem momentos para o diálogo onde as trocas de experiências, os relatos
de sua vivência irão apontar caminhos para soluções que o inquietam.
Nessa sociedade idealizada espera-se que o homem seja um cidadão
sujeito de sua história, aquele que a faz e participa dela, e não um mero objeto mani-
pulado pela mesma e, dessa forma, possa transformar a realidade social local e global
a favor de uma vida mais justa para si e os outros. Esse homem deve ser capaz de
criar e não apenas reproduzir conceitos prontos, sem nunca esquecer seus sonhos,
para tornar sua realidade melhor. A instituição deve fazer questão de contribuir nessa
evolução, não preparando apenas os cidadãos para a vida, pois ela é a própria vida,
um local de vivência da cidadania.
A realidade mudou bastante nos últimos anos, exigindo cada vez mais
que a instituição acompanhe essas mudanças. Hoje não podemos ter em seu meio
um ensino fragmentado, dissociado da realidade, mas sim um comprometimento que
prepare seus atores para enfrentarem o processo de globalização/mundialização.
35
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
Nesse contexto o olhar sobre o currículo não pode ser mais de forma ingênua como
dito anteriormente, pois se torna instrumento de tomada de decisão podendo estar a
favor da libertação ou da alienação dos sujeitos.
Desta forma, a instituição deve preocupar-se, possibilitando condições
para que a sociedade que a abriga ingresse em seu meio, assumindo assim seu com-
promisso como local de transmissão de saber e construção do conhecimento deve
contribuir para uma formação generalista onde o pensamento crítico e criativo possa
ser desenvolvido em seus alunos, possibilitando-lhes momentos de autonomia.
O papel da instituição neste mundo que se transforma, deve estar equi-
librado entre uma função sistêmica de preparar cidadãos tanto para desenvolver suas
qualidades como para a vida em sociedade. Ao mesmo tempo, deve exercitar sua
função crítica ao estudar os principais problemas que interferem em sua localidade,
devendo apontar soluções. Para isso, deve desenvolver características como o plu-
ralismo de idéias, a liberdade e a autonomia didático-pedagógica e, de outro lado,
ampliar a capacidade de resposta às necessidades da comunidade, buscando maior
pertinência social e fazendo com que essa comece a participar das decisões em seu
meio ou seja vivencie um currículo aberto.
Para que este novo papel seja desempenhado com sucesso, torna-se
necessário que reveja posições e estabeleça atitudes mais enfáticas e positivas em
relação ao seu meio. O futuro precisa ser construído através de um processo que
exige um pensar e um repensar contínuo e ações integradas na consecução dos obje-
tivos, mas esse processo deve se dar de forma integrada, coletiva, envolvendo todos
os interessados de forma direta, um novo olhar sobre o currículo deve estar presente:
um currículo vivo, flexível e reflexivo, construído coletivamente, como citado anterior-
mente, visto como identidade da instituição acompanhando o desenvolvimento local e
pensado a partir do contexto da realidade da instituição.
A prática da instituição, através de uma relação mais direta com a socie-
dade, deve possibilitar a intervenção e a transformação da realidade social, permitin-
do assim perceber e investigar problemas, para então desenvolver ações que condu-
zam à conquista do desenvolvimento humano da sociedade, priorizando atividades
na área da educação que, como conseqüência, proporcionam a construção de novos
conhecimentos, a reconstrução de um novo pensamento e a participação social volta-
dos para as necessidades sociais mais emergentes de seu meio.
A nova proposta para a educação deve estar embasada numa perspec-
tiva que rompa os paradigmas tradicionais de ensino e que, a integração se faça
presente onde todos, participem da elaboração de propostas que levem para a escola
autonomia de trabalhar a sua realidade, sendo assim o currículo visto como inclusão
social de todos os envolvidos.
Essa precisa estruturar-se de maneira viva, dinâmica, estimulando os
alunos a se manifestarem nas mais diferentes formas, ao mesmo tempo deve favo-
recer a ação autônoma dos seus atores e comunidade e sua participação, sempre
36
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
que possível, em instâncias diversas da gestão escolar, não pode negar sua postura
de acolhimento à comunidade, pode questionar, mas não manifestar preconceito em
relação às manifestações culturais dessa.
FORQUIN (1993) e SILVA & MOREIRA (2005) nos remetem a trajetória
do currículo de forma a pensar na ideologia da classe dominante onde, as propostas
em diferentes contextos eram criadas para atender a essa classe, estando claro o
porque das formas de sua organização: perpetuar as relações de poder existentes.
O currículo não é elemento neutro como descrito pelos autores, pois traz
sempre consigo alguma forma específica de pensar em determinados contextos onde
está sendo discutido. Ele em determinado momento histórico serviu para repensar a
reestruturação da escola para que através dessa, fosse facilitadora para uma nova
sociedade que estava surgindo e dessa forma, preparar os jovens para que se ade-
quassem a esse novo modelo. Sendo assim coube a escola inculcar novos valores,
hábitos e condutas a esse grupo pensadas a partir da classe que estava no poder.
Não podemos deixar de destacar que o currículo serve para libertar ou
alienar (como citado anteriormente) e era visto no passado para cumprir determinadas
tarefas que a escola se propunha, tais como ter o controle e eficiência social atrelada
à classe dominante, embora hoje deva ser visto como o próprio cotidiano sendo assim
construtor de identidades.
Diferentes autores o discutem no decorrer dos tempos e percebe-se,
que cada um lhe atribui significado diferente: alguns como um momento inovador
e outros como um instrumento para que se perpetuassem às práticas já existentes,
dominantes, e a escola como o principal lugar onde essas práticas existiriam, pois, “a
forma como os conhecimentos são selecionados e trabalhados nas escolas refletem
relações de poder e interesses de controle social presentes na sociedade”, (SANTOS,
2001, p.2).
A partir da década de 70 um novo pensar sobre as concepções de cur-
rículo começam a aparecer, pois, era o momento de se reconceituar o campo. Sen-
do assim diferentes propostas e defensores surgem. A necessidade de se repensar
em uma proposta de currículo começa a parecer nesse contexto e a discussão em
torno do currículo começa a ser realizada: entender em função de quem o currículo
trabalha, e com isso repensar uma nova proposta que viesse ser a favor da classe
dominada/oprimida sendo assim, “Já se pode falar agora em uma tradição crítica do
currículo guiada por questões sociológicas, políticas e epistemológicas”, (MOREIRA
e SILVA, 2005, p.7).
Coube assim, pensar de que forma poderia se reestruturar o currículo
formal, o currículo em ação e o currículo oculto como construtores de conhecimento.
A Sociologia da Educação se destaca como principal forma de estudar as diferentes
interfaces do currículo dando origem à Nova Sociologia da Educação:
37
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
[...] onde busca questionar o modo como a sociedade seleciona,
classifica, distribui, transmite e avalia os saberes destinados as ao
ensino reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela
qual ai se encontra assegurado o controle social dos comportamentos
individuais. (FORQUIN, 1993, p. 85) apud (BERNSTEIN, p.47)
Podemos perceber que o currículo não pode ser analisado fora de sua
contextualização histórica, pois o momento é importante para caracterizá-lo. Nesse
contexto percebe-se a relação entre currículo, ideologia, cultura e poder conforme
análise crítica e sociológica do currículo, (MOREIRA e SILVA, 2005).
Essa relação se faz presente, pois ao pensarmos em currículo estamos
agindo de forma a atribuí-lo a uma ideologia própria de quem o pensa e dessa forma
o direcionando para determinado grupo, “a ideologia nessa perspectiva esta relacio-
nada às divisões que organizam a sociedade e às relações de poder que sustentam
essas divisões”, (SILVA e MOREIRA, 2005).
Ao relacionarmos com a cultura, em uma visão mais tradicional, sempre
irá trazer para o contexto onde se encontra a cultura de determinada sociedade que
geralmente é a que se encontra no poder e, acordo com a classe social a que serve
irá transmitir essa cultura, mas na visão crítica é vista mais “como um campo e terreno
de luta” (SILVA e MOREIRA, 2005).
Quando se destaca a relação com o poder entende-se que sempre uma
classe estará subordinada a outra e essa irá se submeter à classe que detém o po-
der, ele é visto para reforçar as relações de poder já existentes, dessa forma, “como
campo cultural. Como campo de construção e produção de significações e sentido,
torna-se, assim, um terreno central dessa luta de transformação das relações de po-
der” (SILVA e MOREIRA, 2005).
Considerações finais
O presente trabalho buscou descrever a formação de um novo sujeito
através do repensar do papel da escola em seu aspecto social. Vive-se um momento
transitório na sociedade e cabe a escola rever/repensar o seu papel enquanto insti-
tuição formadora de sujeitos que sejam capazes de intervir/transformar essa socieda-
de.
Esse novo olhar para a instituição, chamada escola, deve se dar de ma-
neira coletiva onde seus atores sejam capazes de (re) pensá-la de forma coletiva.
Uma nova concepção de currículo deve ser discutida, concepção essa, a partir da
identidade da escola, de sua cultura, sua representação, sua subjetividade, de forma
que englobe todo o contexto escolar: comunidade externa e interna.
(Endnotes)
1
Parte integrante da disciplina do doutorado em Educação da UFMG intitulada: Sociologia dos Saberes
Docentes sobre a orientação dos professores Julio Emilio Diniz Pereira e Lucíola C. Paixão dos Santos,
como aluno de disciplina isolada.
38
“Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares”
2
Professor Adjunto I da Universidade Vale do Rio Doce- UNIVALE, em Governador Valadares/MG.
Mestre em Educação Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande- FURG. Integrante do GPEC-
Grupo de Pesquisa e Extensão em Educação e Cultura. Professor Convidado da Universidade Castelo
Branco nos cursos de Pós- Graduação em Gestão Educacional, Psicopedagogia e Docência do Ensino
Superior. pierrepiress@hotmail.com, pierrepires@univale.br.
Referências
ALARCÃO, Isabel. Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed,
2001.
DELORS, Jacques (org.). Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez,
2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.
MINASI, Luis Fernando. Participação cidadã e escola pública: a importância da
APM. Campinas: 1997. Dissertação (Mestrado em Educação) - Campinas, SP.
SILVA, Moacyr da. A formação do professor centrada na escola: uma introdução.
São Paulo: EDUC, 2002.
FORQUIN, Jean-Claude. Escola e cultura: as bases sociais e epistemológicas do
conhecimento escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
SANTOS, Lucíola Licínio de Castro Paixão. Dilemas e controvérsias no campo do
Currículo. s.l., FAE/UFMG, 2001.
SANTOS, Lucíola Licínio de Castro Paixão. História das disciplinas escolares: ou-
tras perspectivas de análise. Anais do VII EDIPE-Encontro Nacional de Didática e
Prática de Ensino. UFG, V.II, s/d.
SANTOS, Lucíola Licínio de Castro Paixão & MOREIRA, Antonio Flávio. Currículo:
questões de seleção e de organização do conhecimento. São Paulo, 1995. Idéias-
FDE (Fundação de Desenvolvimento da Educação).
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução crítica do cur-
rículo. Belo Horizonte: Autentica, 1999.
YOUNG, Michael F.O.O currículo do futuro: da nova sociologia da educação a uma
teoria crítica do aprendizado. Papirus, Campinas: SP, 2000.
SILVA, Tomaz Tadeu da & MOREIRA, Antonio Flávio. Currículo, cultura e socieda-
de. São Paulo: Cortez, 2005.

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  • 1. 29 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” A ESCOLA E SUA CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO DE SUJEITOS: UM OLHAR A PARTIR DA NOVA CONCEPÇÃO DE CURRÍCULOa Pierre André Garcia Piresb A concepção de escola Hoje, a busca incessante pelo conhecimento passou a ser mais que um diferencial na formação dos sujeitos. Estar em constante aprendizado passou a ser requisito básico para qualquer pessoa que queira manter um alto nível de empregabi- lidade e intelectualidade na sociedade, em um mercado que exige atualização a todo instante. A escola deve fazer questão de contribuir nessa evolução, não preparando apenas os cidadãos para a vida, pois ela é a própria vida, um local de vivência da ci- dadania, (ALARCÃO, 2001). A filosofia unificadora da escola deve ser a de estabelecer políticas co- erentes a serem aplicadas no estudo de situações reais e específicas, capazes de colaborar para a melhoria das condições de vida das comunidades abrangidas pela sua ação. Atuar de forma isolada é parte do passado: hoje suas ações se tornam re- almente efetivas se atuar de forma coletiva junto à sua comunidade. A realidade mudou bastante nos últimos anos, exigindo cada vez mais que a escola acompanhe essas mudanças. Hoje não podemos ter em seu meio um ensino fragmentado, dissociado da realidade, mas sim um comprometimento que pre- pare seus atores para enfrentarem o processo de globalização: Atualmente, encontramos nos discursos veiculados pela mídia e pelas políticas governamentais um forte apelo à escolarização como saída para os graves problemas enfrentados no país. Embora não seja correto imaginar que a escolarização possa resolver todos os problemas, temos que concordar que seu papel vai muito além e apenas instruir as novas gerações. (SILVA, 2002 p. 58) Desta forma, a escola deve preocupar-se, possibilitando condições para que a sociedade que a abriga ingresse em seu meio, assumindo assim seu compro- misso como local de transmissão de saber e construção do conhecimento. São muitas as demandas da sociedade, levando em consideração os di- ferentes aspectos referentes à mobilidade social, desenvolvimento econômico e ren- da per capta, e se percebe que o percentual de famílias carentes é muito significativo. A população de baixos recursos socioeconômicos, para superação de suas carências sociais, busca na educação uma força aliada que permita realizar uma real integração e reconhecimento social, porém não podemos esquecer que esse objetivo será atingi- do se a escola proporcionar momentos de reflexões sobre a realidade dos sujeitos. O papel da escola neste mundo que se transforma, deve estar equili-
  • 2. 30 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” brado entre uma função sistêmica de preparar cidadãos tanto para desenvolver suas qualidades como para a vida em sociedade. Ao mesmo tempo, deve exercitar sua função crítica ao estudar os principais problemas que interferem em sua localidade, devendo apontar soluções. Sendo assim: Atualmente, o mundo no seu conjunto evolui tão rapidamente que os professores, como, aliás, os membros das outras profissões, devem começar a admitir que a sua formação inicial não lhes basta para o resto da vida: precisam se atualizar e aperfeiçoar os seus conhecimentos e técnicas, ao longo de toda a vida, O equilíbrio entre a competência na disciplina ensinada e a competência pedagógica deve ser cuidadosamente respeitada. (DELORS, 2001, p. 161) Para isso, deve a escola desenvolver características como o pluralismo de idéias, a liberdade e a autonomia didático-pedagógica e, de outro lado, ampliar a capacidade de resposta às necessidades da comunidade, buscando maior pertinên- cia social e fazendo com que essa comece a participar das decisões em seu meio. Para que este novo papel seja desempenhado com sucesso, torna-se necessário que a escola reveja posições e estabeleça atitudes mais enfáticas e positi- vas em relação ao seu meio. O futuro precisa ser construído através de um processo que exige um pensar e um repensar contínuo e ações integradas na consecução dos objetivos, mas esse processo deve se dar de forma integrada, coletiva, envolvendo todos os interessados de forma direta. Sobre a integração na escola: Uma escola sem pessoas seria um edifício sem vida. Quem a torna viva são as pessoas: os alunos, os professores, os funcionários e os pais que, não estando lá permanentemente, com ela interagem. As pessoas são o sentido da sua existência. Para elas existem os espaços, com elas se vive o tempo. As pessoas socializam-se no contexto que elas próprias criam e recriam. É o recurso sem o qual todos os outros recursos seriam desperdícios. Têm o poder da palavra através da qual se exprimem, confrontam os seus pontos de vista, aprofundam os seus pensamentos, revelam os seus sentimentos, verbalizam iniciativas, assumem responsabilidades e organizam-se. As relações das pessoas entre si e de si próprias com o seu trabalho e com a sua escola são a pedra de toque para a vivência de um clima de escola em busca de uma educação melhor a cada dia. (ALARCÂO, 2001, p. 20) A prática da escola, através de uma relação mais direta com a sociedade, deve possibilitar a intervenção e a transformação da realidade social, permitindo assim per- ceber e investigar problemas, para então desenvolver ações que conduzam à conquista do desenvolvimento humano da sociedade, priorizando atividades na área da educação que, como conseqüência, proporcionam a construção de novos conhecimentos, a reconstrução de um novo pensamento e a participação social voltados para as necessidades sociais mais emergentes de seu meio. A interação entre escola e comunidade está sendo um es- paço crescente como elemento para a construção/resgate da cidadania. A escola tem buscado incessantemente esse equilíbrio e procurado ver a sua comunidade não apenas como consumidor de seus serviços, mas como sujeitos que podem ser parceiros e que tem muito a contribuir para a formação de um sujeito
  • 3. 31 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” crítico, na proporção dessas mudanças que se fazem necessárias para o desenvol- vimento humano e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Mais do que formar cidadãos adaptados ao novo mundo que se avizinha, é preciso propor alterna- tivas de desenvolvimento para esse mundo. A educação crítica leva a uma vida digna e justa, isto é, prepara-se para a vida, através da busca de resoluções de problemas do dia a dia, da troca de expe- riências, construindo e reconstruindo novos conhecimentos através dessa interativi- dade. Em uma escola participativa e democrática como a que se pretende, a iniciativa é acolhida venha ela de onde vier, porque a abertura às idéias do outro, a descentralização do poder e o envolvimento de todos no trabalho em conjunto são reconhecidos como um imperativo e uma riqueza. (ALARCÂO, 2001, p. 20) A escola dever estar vinculada à realidade de seus alunos estabelecen- do a relação entre teoria e prática, de formas flexíveis, inovadoras e críticas. Além dessa relação, a escola deve ter a práxis em seu meio, ou seja, momentos de ação- reflexão-ação, onde seus profissionais devem estar em constante processo de atuali- zação acompanhando a demanda que hoje a sociedade exige. Assim, defendemos a proposta de que a formação continuada deve se darcombasenarealidadedaprópriaescola,emsuasreaisnecessidades e seu projeto pedagógico. Não se pode pensar a perspectiva de uma nova escola sem colocar como meta primordial a formação continuada. Para tanto, é necessário que a escola se constitua num espaço de crescimento do professor. (SILVA, 2002, p. 15) O Papel Social da Escola Ensinar é uma especificidade humana como nos deixou bem claro Paulo Freire em suas obras, mais especificamente no livro A Pedagogia do Oprimido. Sen- do uma especificidade humana, entende-se que ensinar deve ser um ato de paixão, amor, dedicação, competência e comprometimento. Atualmente há uma grande preocupação para que a educação chegue para todos, e proporcione condições para que os indivíduos atuem como sujeitos na sociedade. Com isso se percebe que a educação deve preparar os indivíduos para as transformações que estão ocorrendo nessa sociedade. A importância da educação como uma das alavancas que possa con- tribuir para a formação de um sujeito mais participativo nas tomadas de decisões da sociedadeé destacado com algo importante para o espaço educacional.
  • 4. 32 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” Torna-se indispensável, dentro desta perspectiva educativa, que todos, educadores ou não, reconheçam a educação como um projeto social importante. Por isto, a educação precisa ser cada vez mais considerada como um dos componentes que podem contribuir de forma significativa com a formação de sujeitos responsáveis com determinadas funções na sociedade. Assim sendo, fundamenta-se, então, a necessidade de participação de todos os envolvidos no processo educacional, nas decisões que arrolam a continuidade e o aprimoramento desse processo, a fim de que se efetive um maior envolvimento com o destino da educação e sua própria prática cotidiana. (MINASI, 1997, p. 35) Percebo a preocupação em proporcionar uma mudança que leve para o meio escolar condições para que os indivíduos possam agir em seu meio e se torna- rem mais atuantes na sociedade, através de uma forma mais crítica e menos aliena- dora, passando a serem sujeitos conscientes de suas ações. A minha convicção é de que, se quisermos mudar a escola, devemos assumí-la como organismo vivo, dinâmico, capaz de atuar em situação, de interagir e desenvolver-se ecologicamente e de aprender a construir conhecimento sobre si própria nesse processo. Considerando a escola como um organismo vivo inserido em um ambiente próprio, tenho pensado a escola como uma organização em desenvolvimento e em aprendizagem que, à semelhança dos seres humanos, aprende e desenvolve-se em interação. (ALARCÃO, 2001, p. 27) A educação dessa forma deve ocorrer em função do conhecimento de nós mesmos em relação ao mundo, e deste em relação a nós. Não deve haver edu- cação sem a construção do conhecimento, e conhecer algo significa estar no mundo, e estando no mundo agir sobre ele. A escola para cumprir esse papel e construir no- vos valores e atitudes diferentes, deve ter suas ações voltadas para a construção e socialização de conhecimentos mostrando novas possibilidades de leitura de si e do mundo. As escolas, independentemente, do tipo social de pessoas que as fre- qüentam, pois a sociedade se apresenta em diferentes classes sociais, devem ter objetivos básicos. Mas percebo que estão diferentes umas das outras, pois, encontra- mos escola pública e privada e cada uma tem sua história, sua identidade e suas pe- culiaridades, mas seus objetivos devem ser os mesmos, adequando sempre o ensino à sua realidade. O principal objetivo da educação deve ser o de identificar os aspectos desejáveis e comuns a todas as escolas, responsáveis em criar um indivíduo para a sociedade capaz de ser sujeito da mesma. A escola deve ser um local de promoção e integração de todos os participantes, numa construção/resgate da cidadania. A escola precisa estruturar-se de maneira viva, dinâmica, estimulando os alunos a se manifestarem nas mais diferentes formas, ao mesmo tempo deve fa- vorecer a ação autônoma dos seus atores e comunidade e sua participação, sempre que possível, em instâncias diversas da gestão escolar. A escola não pode negar sua
  • 5. 33 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” postura de acolhimento à comunidade, pode questionar, mas não manifestar precon- ceito em relação às manifestações culturais dessa. Não deve também, a escola, ser apenas um local de transmissão do saber e da construção de conhecimento e não deve seguir somente os programas ofi- cias que lhe impõem, deve adaptar-se para trabalhar a realidade de sua comunidade. Na escola não se adquirem apenas conhecimentos, mas aprende-se nela também uma série de valores e de normas de comportamentos. Quando se aborda a palavra comportamento, deduz-se que a escola deve fornecer recursos e instrumentos aos alunos para que esses possam reagir ao seu meio e construir pouco a pouco as no- ções próprias ao seu desenvolvimento intelectual e sua cidadania. Um novo olhar sobre currículo na escola O currículo na contemporaneidade deve ser visto como algo vivo dentro da instituição, capaz de propor mudanças significativas em todo o seu âmbito. Per- cebe-se que a trajetória de sua concepção/aplicação está diretamente ligada a uma reprodução de conhecimento e saberes onde, o processo de alienação encontra-se presente dessa forma, impossibilitando ações reais de transformação na sociedade. Hoje esses saberes devem ser socialmente construídos, ou seja, “currículo passa então a significar o conjunto de experiências a serem vividas pelo aluno”, (SANTOS e MOREIRA, 1995 p. 48). Visto anteriormente para somente organizar o que seria transmitido aos alunos com a ideologia de um determinado grupo social, tornava-se como poder des- se grupo que se preocupava em formar indivíduos em séries para atuarem de maneira mecânica, na atualidade, sua interpretação se faz necessária para uma sociedade em transformação e transição. Santos (s/d) em seu texto História das disciplinas escola- res: outras perspectivas de análise, apresentado no VII ENDIPE destaca: Noprocessodeseleçãodosconteúdoscurricularesdiferentesjustificativas são invocadas.Argumenta-se, por exemplo, que o conhecimento escolar deve ser uma preparação para a vida adulta, ou que este deva propiciar o ajustamento social ou ser, ainda, instrumento para a resolução dos problemas práticos da vida. (SANTOS, s/d, p. 163) Ainda se ressalta: O currículo escolar é apresentado como um conjunto de portas de entrada para o mundo adulto, ainda que as relações entre as definições escolares e não escolares, a saber, e da capacidade sejam na melhor das hipóteses tênues. É predominantemente um mundo ordenado por matérias- mesmo quando assume a forma de estudos integrados. (YOUNG, 2000, p.47) Percebo sua trajetória como algo significativo não só para o âmbito ins- titucional, mas, de certa forma e diretamente importante para a sociedade. Hoje ao pensarmos em currículo nossa preocupação deve estar em transformar a realidade, dessa forma tornando-se como instrumento de tomada de decisões onde as preo-
  • 6. 34 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” cupações com todos os segmentos do âmbito institucional devam estar presentes: administrativo, pedagógico e estrutural. O currículo é vida, movimento, transformação, coletividade, mundializa- ção e deve estar preocupado com a formação de um sujeito, não mais indivíduo, que seja capaz de atuar e influenciar no meio assim como, estar preparado para ser influenciado por ele dessa forma, desafiar o sujeito em sua construção de conheci- mento. O currículo deve ser visto como transformador para o homem, a instituição e a sociedade de maneira a contribuir para a melhoria dessa, de forma a percebê-la como em constante processo de mudança. Dessa forma não podemos mais olhar o currícu- lo com a mesma inocência de antes, pois agora tem significados. O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem, percurso. O currículo é autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja a identidade. O currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade. (SILVA, 1999, p. 150) A visão de homem deve estar fundamentada na concepção de um ser inacabado, inconcluso, que realiza um processo de busca constante pela humaniza- ção, acreditando que a educação deve ser um dos meios para viabilizar essa meta. O exercício de sua cidadania como um sujeito critico, comprometido com a resolução dos problemas da sua realidade, também deve ser destacada. Um ideal de sociedade participativa, democrática e justa, fundamenta- se, entre outras coisas, num homem que busca a coletividade, bem como a partici- pação rumo à cidadania, onde os direitos sejam respeitados, para que haja justiça ao humilde e não seja negada essa cidadania. Esse homem que busca a coletividade percebe que através dela poderá atuar de forma mais efetiva, pois estará lutando pelos mesmos ideais que outros em seu meio. A busca dessa coletividade irá propor- cionar ao homem momentos para o diálogo onde as trocas de experiências, os relatos de sua vivência irão apontar caminhos para soluções que o inquietam. Nessa sociedade idealizada espera-se que o homem seja um cidadão sujeito de sua história, aquele que a faz e participa dela, e não um mero objeto mani- pulado pela mesma e, dessa forma, possa transformar a realidade social local e global a favor de uma vida mais justa para si e os outros. Esse homem deve ser capaz de criar e não apenas reproduzir conceitos prontos, sem nunca esquecer seus sonhos, para tornar sua realidade melhor. A instituição deve fazer questão de contribuir nessa evolução, não preparando apenas os cidadãos para a vida, pois ela é a própria vida, um local de vivência da cidadania. A realidade mudou bastante nos últimos anos, exigindo cada vez mais que a instituição acompanhe essas mudanças. Hoje não podemos ter em seu meio um ensino fragmentado, dissociado da realidade, mas sim um comprometimento que prepare seus atores para enfrentarem o processo de globalização/mundialização.
  • 7. 35 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” Nesse contexto o olhar sobre o currículo não pode ser mais de forma ingênua como dito anteriormente, pois se torna instrumento de tomada de decisão podendo estar a favor da libertação ou da alienação dos sujeitos. Desta forma, a instituição deve preocupar-se, possibilitando condições para que a sociedade que a abriga ingresse em seu meio, assumindo assim seu com- promisso como local de transmissão de saber e construção do conhecimento deve contribuir para uma formação generalista onde o pensamento crítico e criativo possa ser desenvolvido em seus alunos, possibilitando-lhes momentos de autonomia. O papel da instituição neste mundo que se transforma, deve estar equi- librado entre uma função sistêmica de preparar cidadãos tanto para desenvolver suas qualidades como para a vida em sociedade. Ao mesmo tempo, deve exercitar sua função crítica ao estudar os principais problemas que interferem em sua localidade, devendo apontar soluções. Para isso, deve desenvolver características como o plu- ralismo de idéias, a liberdade e a autonomia didático-pedagógica e, de outro lado, ampliar a capacidade de resposta às necessidades da comunidade, buscando maior pertinência social e fazendo com que essa comece a participar das decisões em seu meio ou seja vivencie um currículo aberto. Para que este novo papel seja desempenhado com sucesso, torna-se necessário que reveja posições e estabeleça atitudes mais enfáticas e positivas em relação ao seu meio. O futuro precisa ser construído através de um processo que exige um pensar e um repensar contínuo e ações integradas na consecução dos obje- tivos, mas esse processo deve se dar de forma integrada, coletiva, envolvendo todos os interessados de forma direta, um novo olhar sobre o currículo deve estar presente: um currículo vivo, flexível e reflexivo, construído coletivamente, como citado anterior- mente, visto como identidade da instituição acompanhando o desenvolvimento local e pensado a partir do contexto da realidade da instituição. A prática da instituição, através de uma relação mais direta com a socie- dade, deve possibilitar a intervenção e a transformação da realidade social, permitin- do assim perceber e investigar problemas, para então desenvolver ações que condu- zam à conquista do desenvolvimento humano da sociedade, priorizando atividades na área da educação que, como conseqüência, proporcionam a construção de novos conhecimentos, a reconstrução de um novo pensamento e a participação social volta- dos para as necessidades sociais mais emergentes de seu meio. A nova proposta para a educação deve estar embasada numa perspec- tiva que rompa os paradigmas tradicionais de ensino e que, a integração se faça presente onde todos, participem da elaboração de propostas que levem para a escola autonomia de trabalhar a sua realidade, sendo assim o currículo visto como inclusão social de todos os envolvidos. Essa precisa estruturar-se de maneira viva, dinâmica, estimulando os alunos a se manifestarem nas mais diferentes formas, ao mesmo tempo deve favo- recer a ação autônoma dos seus atores e comunidade e sua participação, sempre
  • 8. 36 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” que possível, em instâncias diversas da gestão escolar, não pode negar sua postura de acolhimento à comunidade, pode questionar, mas não manifestar preconceito em relação às manifestações culturais dessa. FORQUIN (1993) e SILVA & MOREIRA (2005) nos remetem a trajetória do currículo de forma a pensar na ideologia da classe dominante onde, as propostas em diferentes contextos eram criadas para atender a essa classe, estando claro o porque das formas de sua organização: perpetuar as relações de poder existentes. O currículo não é elemento neutro como descrito pelos autores, pois traz sempre consigo alguma forma específica de pensar em determinados contextos onde está sendo discutido. Ele em determinado momento histórico serviu para repensar a reestruturação da escola para que através dessa, fosse facilitadora para uma nova sociedade que estava surgindo e dessa forma, preparar os jovens para que se ade- quassem a esse novo modelo. Sendo assim coube a escola inculcar novos valores, hábitos e condutas a esse grupo pensadas a partir da classe que estava no poder. Não podemos deixar de destacar que o currículo serve para libertar ou alienar (como citado anteriormente) e era visto no passado para cumprir determinadas tarefas que a escola se propunha, tais como ter o controle e eficiência social atrelada à classe dominante, embora hoje deva ser visto como o próprio cotidiano sendo assim construtor de identidades. Diferentes autores o discutem no decorrer dos tempos e percebe-se, que cada um lhe atribui significado diferente: alguns como um momento inovador e outros como um instrumento para que se perpetuassem às práticas já existentes, dominantes, e a escola como o principal lugar onde essas práticas existiriam, pois, “a forma como os conhecimentos são selecionados e trabalhados nas escolas refletem relações de poder e interesses de controle social presentes na sociedade”, (SANTOS, 2001, p.2). A partir da década de 70 um novo pensar sobre as concepções de cur- rículo começam a aparecer, pois, era o momento de se reconceituar o campo. Sen- do assim diferentes propostas e defensores surgem. A necessidade de se repensar em uma proposta de currículo começa a parecer nesse contexto e a discussão em torno do currículo começa a ser realizada: entender em função de quem o currículo trabalha, e com isso repensar uma nova proposta que viesse ser a favor da classe dominada/oprimida sendo assim, “Já se pode falar agora em uma tradição crítica do currículo guiada por questões sociológicas, políticas e epistemológicas”, (MOREIRA e SILVA, 2005, p.7). Coube assim, pensar de que forma poderia se reestruturar o currículo formal, o currículo em ação e o currículo oculto como construtores de conhecimento. A Sociologia da Educação se destaca como principal forma de estudar as diferentes interfaces do currículo dando origem à Nova Sociologia da Educação:
  • 9. 37 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” [...] onde busca questionar o modo como a sociedade seleciona, classifica, distribui, transmite e avalia os saberes destinados as ao ensino reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela qual ai se encontra assegurado o controle social dos comportamentos individuais. (FORQUIN, 1993, p. 85) apud (BERNSTEIN, p.47) Podemos perceber que o currículo não pode ser analisado fora de sua contextualização histórica, pois o momento é importante para caracterizá-lo. Nesse contexto percebe-se a relação entre currículo, ideologia, cultura e poder conforme análise crítica e sociológica do currículo, (MOREIRA e SILVA, 2005). Essa relação se faz presente, pois ao pensarmos em currículo estamos agindo de forma a atribuí-lo a uma ideologia própria de quem o pensa e dessa forma o direcionando para determinado grupo, “a ideologia nessa perspectiva esta relacio- nada às divisões que organizam a sociedade e às relações de poder que sustentam essas divisões”, (SILVA e MOREIRA, 2005). Ao relacionarmos com a cultura, em uma visão mais tradicional, sempre irá trazer para o contexto onde se encontra a cultura de determinada sociedade que geralmente é a que se encontra no poder e, acordo com a classe social a que serve irá transmitir essa cultura, mas na visão crítica é vista mais “como um campo e terreno de luta” (SILVA e MOREIRA, 2005). Quando se destaca a relação com o poder entende-se que sempre uma classe estará subordinada a outra e essa irá se submeter à classe que detém o po- der, ele é visto para reforçar as relações de poder já existentes, dessa forma, “como campo cultural. Como campo de construção e produção de significações e sentido, torna-se, assim, um terreno central dessa luta de transformação das relações de po- der” (SILVA e MOREIRA, 2005). Considerações finais O presente trabalho buscou descrever a formação de um novo sujeito através do repensar do papel da escola em seu aspecto social. Vive-se um momento transitório na sociedade e cabe a escola rever/repensar o seu papel enquanto insti- tuição formadora de sujeitos que sejam capazes de intervir/transformar essa socieda- de. Esse novo olhar para a instituição, chamada escola, deve se dar de ma- neira coletiva onde seus atores sejam capazes de (re) pensá-la de forma coletiva. Uma nova concepção de currículo deve ser discutida, concepção essa, a partir da identidade da escola, de sua cultura, sua representação, sua subjetividade, de forma que englobe todo o contexto escolar: comunidade externa e interna. (Endnotes) 1 Parte integrante da disciplina do doutorado em Educação da UFMG intitulada: Sociologia dos Saberes Docentes sobre a orientação dos professores Julio Emilio Diniz Pereira e Lucíola C. Paixão dos Santos, como aluno de disciplina isolada.
  • 10. 38 “Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares” 2 Professor Adjunto I da Universidade Vale do Rio Doce- UNIVALE, em Governador Valadares/MG. Mestre em Educação Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande- FURG. Integrante do GPEC- Grupo de Pesquisa e Extensão em Educação e Cultura. Professor Convidado da Universidade Castelo Branco nos cursos de Pós- Graduação em Gestão Educacional, Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior. pierrepiress@hotmail.com, pierrepires@univale.br. Referências ALARCÃO, Isabel. Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed, 2001. DELORS, Jacques (org.). Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 2001. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987. MINASI, Luis Fernando. Participação cidadã e escola pública: a importância da APM. Campinas: 1997. Dissertação (Mestrado em Educação) - Campinas, SP. SILVA, Moacyr da. A formação do professor centrada na escola: uma introdução. São Paulo: EDUC, 2002. FORQUIN, Jean-Claude. Escola e cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. SANTOS, Lucíola Licínio de Castro Paixão. Dilemas e controvérsias no campo do Currículo. s.l., FAE/UFMG, 2001. SANTOS, Lucíola Licínio de Castro Paixão. História das disciplinas escolares: ou- tras perspectivas de análise. Anais do VII EDIPE-Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. UFG, V.II, s/d. SANTOS, Lucíola Licínio de Castro Paixão & MOREIRA, Antonio Flávio. Currículo: questões de seleção e de organização do conhecimento. São Paulo, 1995. Idéias- FDE (Fundação de Desenvolvimento da Educação). SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução crítica do cur- rículo. Belo Horizonte: Autentica, 1999. YOUNG, Michael F.O.O currículo do futuro: da nova sociologia da educação a uma teoria crítica do aprendizado. Papirus, Campinas: SP, 2000. SILVA, Tomaz Tadeu da & MOREIRA, Antonio Flávio. Currículo, cultura e socieda- de. São Paulo: Cortez, 2005.