SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 13
Baixar para ler offline
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
A Importância de Atividades Psicomotoras no
Processo de Ensino e Aprendizagem
Thaís de Pádua dos santos 1
Juliana de Alcântara Silveira Rubio 2
Resumo
Este artigo expõe a aquisição da construção do
conhecimento por meio do lúdico e atividades
psicomotoras, auxiliando no desenvolvimento
cognitivo, psicomotor, social e moral do
paciente, proporcionado uma intervenção
psicopedagógica com o objetivo de auxiliar nas
dificuldades presentes no processo de
aprendizagem do educando.
Palavras chave: lúdico, prática psicopedagógica, psicomotricidade, processo de ensino
e aprendizagem.
1. Introdução
Este artigo objetiva mostrar a importância dos jogos e atividades psicomotoras
para o desenvolvimento intelectual, psicomotor, social e afetivo da criança.
Visando desenvolver a pesquisa que investiga jogos e brincadeiras como auxilio
no processo de ensino e aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento do infante
e ajudando nas dificuldades que apresentam durante esse processo.
Essa junção entre o processo de aprendizagem e a prática psicomotora por meio
de jogos e brincadeiras, coloca em prática as funções intelectuais, quem têm como meta
auxiliar nas dificuldades de ensino e aprendizagem do aluno.
A educação psicomotora contribui para o processo de aprendizagem do
educando, propiciando um enriquecimento cognitivo, preparando-o para diversas
habilidades através de atividades de movimento.
1
Aluna do curso de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional da FAC-São Roque.
2
Mestre em Educação pela UNESP. Professora Orientadora.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
2. A função da escola no cotidiano dos jogos.
As atividades psicomotoras são importantes, pois ajudam no desenvolvimento
global da criança, enriquecendo seu intelectual e auxiliando no desenvolvimento
físico-motor da criança. Por meio da educação psicomotora observem-se os avanços
que a criança adquire incluindo a atenção, o equilíbrio e coordenação, além da
construção do conhecimento adquirido nos momentos dos jogos e brincadeiras.
Na medida em que a escola centra seu trabalho em atividades que limitam a
motricidade do educando, praticamente imobilizando-o em uma sala de aula e
permitindo sua movimentação mais ampla apenas nos horários de recreio e em aulas
especificas como Educação Física, assume que seu papel fundamental é o
desenvolvimento intelectual.
Muitas vezes o contexto escolar segue o currículo pedagógico. E este não é
elaborado pensando-se na mudança que ocorre quando os alunos estão no período de
passagem da educação infantil para o ensino fundamental.
Quando uma criança ingressa no ensino fundamental, um novo mundo lhe estará
sendo apresentado: o universo da produção e decodificação de letras, palavras e textos.
E para que esse processo possa ser de fácil vivência, é necessário que o seu sistema
motor seja conhecido por meio de experiências.
Dominar o processo de leitura e escrita requer habilidade na
motricidade do ouvir, do falar, do realizar com as mãos- e por que não dizer
com o corpo todo? – a transposição de fonemas em grafemas, de significantes
em significados (PATERNOST, 1998).
As ações pedagógicas tornam-se contrárias à vivência lúdica devido às
características inerentes, como a criatividade, a sensibilidade à disponibilidade, e até
mesmo a alegria, o prazer e o divertimento, porém muitas escolas, ou melhor, muitos
educadores confundem essas características com indisciplina.
O lúdico visto de uma forma crítica e pedagógica pode ensinar muito para os
educandos, mas isso só acontece quando ele é tratado como um instrumento de educar.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
Com indagações sobre o lúdico, qual seria realmente o papel do jogo na escola?
Será que o currículo deve ser seguido criteriosamente ou deve ser repensado para cada
série de acordo com as necessidades das crianças e não da escola?
Pensando que na Educação Infantil, o lúdico é vivenciado a todo o momento,
tanto na hora do ensino e aprendizagem como na hora reservada somente para o brincar,
e no Ensino Fundamental, o ensino e aprendizagem são trabalhados somente através de
atividades escritas, pode-se perceber que não há um processo de adaptação para essas
crianças.
Podem surgir algumas dificuldades, tanto no aspecto cognitivo quanto no
emocional. A criança necessita de incentivos adequados às diferentes situações, de
atividades que ofereçam o brincar e a aprendizagem em conjunto, respeitando assim
suas características individuais.
Todos os jogos incentivam as funções motoras e devem ser oferecidos à criança
em forma de brincadeira e, quando bem orientados, formam uma fonte inesgotável de
prazer.
As escolas devem pensar que as atividades lúdicas enriquecem os planos de aula
oferecendo à criança uma melhora na sua aprendizagem e no seu desenvolvimento
psicomotor.
Deve-se pensar também que as mudanças no âmbito escolar demoram a
acontecer, pois necessitam de documentação como, por exemplo, planejamentos,
projetos político-pedagógicos entre outros, que levam tempo para ser elaborados. O que
também pode gerar dificuldades na geração das mudanças é que nem todas as pessoas,
como por exemplo, os alunos, professores, coordenação e direção são letradas ou
capacitadas para fazer as mudanças corretamente, interligando o brincar dirigido com o
pedagógico.
Pode-se dizer que há uma grande diferença entre a teoria e a prática; no caso da
inclusão do lúdico no âmbito escolar, não é preciso vir necessariamente, primeiro a
teoria, para que depois venha a prática.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
Segundo ZABALA (1998. p. 89), ”os objetivos educacionais e os conteúdos aos
quais se referem, influem, e inclusive às vezes determinam, o tipo de participação dos
protagonistas da situação didática.”
O conceito sobre o jogo e a criança é dado dependendo da cultura de cada
pessoa. Em geral, o jogo é entendido como uma atividade que envolve o lúdico, com
características de tempo, espaço e regras, sendo ela uma situação imaginária ou não.
3. O professor, o brincar e o processo de ensino e aprendizagem
O professor tem papel fundamental na sala de aula, pois seus alunos dependem
dele para que possa haver o processo de ensino e aprendizagem. Pode-se definir o
professor como um alicerce da escola, pois a coordenação, a direção, os funcionários em
geral e os alunos dependem do professor; alguns dependem mais, outros menos, mas ele
sempre é requisitado.
O professor, ao assumir uma sala de aula, sabe que terá que planejar as aulas,
porém, também é importante que ele saiba que nem sempre o planejamento é seguido à
risca, e que durante o ano letivo poderão ocorrer situações que o levem a buscar outros
métodos para que sua aula seja produtiva e prazerosa.
“O sentido real, verdadeiro, funcional da educação lúdica estará
garantido se o educador estiver preparado para realizá -lo. Nada será feito se
ele não tiver um profundo conhecimento sobre os fundamentos essenciais da
educação lúdica, condições suficientes para socializar o conhecimento e
predisposição para levar isso adiante.” (ALMEIDA, 2000)
O professor precisa ver seus alunos num coletivo, mas considerar o aluno
individualmente. Cada aluno tem o seu tempo, seu jeito de aprender e seu
amadurecimento cognitivo. É necessário que o professor planeje as aulas, buscando em
seus alunos interesse para aprender.
Este trabalho pode envolver as famílias, pois, de nada adianta o professor ser um
pesquisador, se em casa as famílias não mostrarem para as crianças a importância de
cada novo aprendizado.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
O professor, ao dar aula, visa o processo de ensino-aprendizagem do aluno, com
base no planejamento anual ou bimestral. Esse processo de ensino aprendizagem pode
ser visto de várias formas, pois, cada pessoa tem pressupostos e o cognitivo diferentes.
Ensinar um conteúdo, utilizando apenas uma estratégia para a sala de aula com vários
alunos pode ser complexo, porque o que um aprende de uma forma, o outro pode
aprender de um modo diferente.
Segundo ALMEIDA (2000. p. 83), a proposta é possibilitar ao aluno raciocinar e
pensar em tudo que aprende, encontrando respostas para os porquês e soluções
inteligentes para solucionar os problemas relativos à escola e a sua vida.
A capacidade de pensar do indivíduo depende dos estímulos recebidos. Para que
as crianças se desenvolvam, analisem e pensem, passando pelos erros e buscando
alternativas até encontrar o acerto. O erro deve ser visto como processo de
aprendizagem, porque através dele, o aluno buscará o acerto, e com o estimulo do
professor essa busca será mais prazerosa e produtiva.
No entanto, o desenvolvimento de propostas diferentes, pode auxiliar no
processo de ensino e aprendizagem, pois os alunos estarão mais motivados e terão mais
vontade e curiosidade para aprender. O professor, ao trazer o jogo para fazer parte do
processo pedagógico, fará com que as vivências dos alunos sejam diferentes.
Dentro desse contexto pedagógico, o professor, enquanto mediador deve refletir
sobre que conhecimentos seu aluno vai obter utilizando determinados tipos de jogos.
O brincar nas séries iniciais é algo que está muito presente, por resquícios da
educação infantil, ou talvez por um brincar natural das crianças.
Deve-se lembrar de que, na educação infantil, é destinado um tempo maior para
a brincadeira, pois o foco é mais no lúdico e no faz- de- conta; ao entrar no ensino
fundamental, é como se a criança fosse trazida para a realidade, onde o brincar está
presente apenas no recreio e a ludicidade quase não existe.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
O brincar auxilia a criança a desenvolver variadas formas de raciocínio,
possibilitando o despertar da imaginação e da criatividade, sociabilizando-a com o
meio.
Segundo Vygotsky, o lúdico influencia enormemente o desenvolvimento da
criança. É através do jogo que a criança é estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança
e desenvolve sua linguagem e seu pensamento.
O brincar dirigido tem o propósito de propiciar aos alunos um conhecimento que
normalmente ele teria dentro da sala de aula, muitas vezes sentado em fileiras, sem
nenhum contato com os amigos, o que é muito diferente da educação infantil, onde o
contato com o outro está presente a todo o momento.
Ao dirigir esse brincar, o professor poderá ensinar a matéria que seria dada
normalmente, porém, os alunos aprenderiam com mais facilidade, pois o lúdico ainda
está muito presente, visto que essas crianças acabaram de sair da educação infantil, e
ainda trazem alguns pressupostos no seu cognitivo.
Provocar desafios que aceleram a aquisição dos conhecimentos, lembrando-se de
procurar saber dos conhecimentos prévios dos alunos, deve ser o foco da ação do
professor.
Os pressupostos trazidos pelos alunos são de extrema importância para que o
processo de ensino e aprendizagem seja significativo. Pode-se remeter ao método Paulo
Freire, no qual foram utilizadas palavras retiradas das vivências dos alunos para
alfabetizá- los; a partir daí, surgia o interesse dos alunos para escrever sobre o que eles
vivenciavam todos os dias. Daí parte a ideia de que o professor deve conhecer o
cotidiano dos seus alunos, para poder trabalhar em sala de aula temas que deles façam
parte.
3.1 A perspectiva do professor com o brincar
O professor, ao lecionar em uma sala de aula, tem várias expectativas sobre os
alunos e sobre o que eles poderão aprender ou não. Daí pode surgir dúvidas sobre o que,
e qual método seria o melhor para ensinar.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
Piaget reforça a importância do professor na sala de aula, pois ele auxilia no
desenvolvimento cognitivo, emocional e motor dos seus alunos, fazendo com que eles
pensem por si só, desenvolvam ideias e resolvam situações-problema.
Pode-se dizer que o papel do professor é fundamental na sala de aula, pois ele
influencia a criança e será um modelo que ela poderá imitar.
O professor pode ser considerado um líder, pois ele media e interfere na
aquisição do conhecimento dos alunos, tendo a função de descobrir suas dificuldades
individuais.
Existe uma diversidade de pessoas na sala de aula; cada aluno tem uma vivência
diferente, o que pode ou não interferir no processo de ensino e aprendizagem, cabendo
assim ao professor mediar a aula para que esse processo seja acessível para todos os
alunos.
Dentre as estratégias que o professor deve seguir raramente o brincar está
presente, o que acaba tornando seu trabalho mais difícil. Existem barreiras impostas ora
pelo próprio professor, que talvez não esteja tão preparado, ora pela direção ou
coordenação que deve seguir seus projetos e planejamentos, com a justificativa da falta
de tempo.
As escolas, no começo do ano, já exigem o calendário e o planejamento do ano
letivo; sendo assim, o professor não tem tempo de conhecer as dificuldades e facilidades
de seus alunos, para que possa planejar suas aulas e que ajudem no processo de ensino e
aprendizagem.
Surge daí uma grande dificuldade em conseguir arranjar tempo durante as aulas
para que as brincadeiras sejam inseridas; porém, é possível encaixá-las dentro de
algumas sequências didáticas.
O brincar pode ser incluído em algumas situações através dos jogos. Estes
podem ser criados pelos alunos, gerando um maior prazer em aprender, já que eles
mesmos criaram o instrumento.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
Pode-se dizer que as atividades que envolvem o lúdico enriquecem os planos de
aula, oferecendo à criança melhora na sua aprendizagem e no seu desenvolvimento
psicomotor.
Portanto, as atividades lúdicas deveriam ser incluídas nas séries iniciais, pois o
professor poderá trabalhar com a interdisciplinaridade, e assim promover o
desenvolvimento psicomotor e cognitivo, trazendo assim a socialização das crianças,
que trabalharão ou não em grupos.
Brincadeira e aprendizagem são consideradas ações com alvos bastante
diferentes e não podem viver no mesmo espaço e tempo. O professor é quem cria
oportunidades para que o brincar aconteça, sem atrapalhar as aulas.
3.2 O brincar, a escola e os alunos
O brincar hoje está ausente de uma proposta pedagógica que incorpore o lúdico
como linha do trabalho das escolas. A escola deve oferecer o conhecimento para seus
alunos, porém não pode esquecer que ele deve ser agradável, proporcionando desafios,
regras e controle da situação.
“As informações podem ser adquiridas por diversos meios e formas
passando assim a ser fundamenta a não valorização apenas de aquisição de
conhecimento, mas sim o desenvolvimento cognitivo e motriz dos alunos”.
(DOWBOR, 1996)
A escola simplesmente esqueceu a brincadeira. Na sala de aula, ela é
considerada uma perda de tempo, pois não há nada de pedagógico; porém, o jogo e o
brincar podem se transformar em algo positivo, se houver a cooperação do professor e
da coordenação.
Segundo Piaget, o conhecer implica na relação sujeito-objeto, o que relaciona o
conhecimento ao jogo, já que para conhecer é preciso atuar ou jogar.
Pode-se dizer que, as crianças do mundo contemporâneo pensam no brincar
somente através dos brinquedos, o que leva ao consumismo prematuro e à perda do
significado do brincar, que é divertir e acaba servindo apenas como forma de
competição, ou seja, para mostrar quem tem mais que o outro.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
Relacionar o brincar, as escolas e os alunos, não parece difícil; numa primeira
impressão, parece que estão unidos, porém, o brincar dirigido necessita de planejamento
para que não fique vago, e para que os alunos entendam que brincando eles também
aprendem.
O brincar leva os alunos a um momento lúdico, no qual eles irão aprender como
se estivessem na sala de aula; o professor, porém, não vai passar todo o tempo da aula
com o brincar dirigido por meio de jogos, mas poderá trazer para os alunos através do
brincar, alguns pressupostos do que irão aprender; sendo assim, ficará mais fácil e
prazeroso aprender algo de que já se tem ideia.
Os alunos precisam conhecer previamente o assunto a ser tratado, ou através da
roda de conversa ou de pressupostos trazidos de casa; só assim, eles sentirão que a
atividade proposta terá sentido, já que cada palavra ou frase aprendida tem um
significado na vida da criança.
O professor pode realizar atividades que promovam debates entre as crianças,
debates estes que podem ser por dúvidas ou relativos a algo novo, que instigue as
crianças a querer saber mais.
3.3 Instituindo o brincar
Ao iniciar um trabalho com séries iniciais, percebe-se que as barreiras estão
muito presentes, pois, além da questão pedagógica diferente da educação infantil, há
também a questão do horário. A ação do professor no ensino fundamental não conduz
ao brincar, e sim ao ler e escrever.
Sendo a escola geradora do conhecimento, seria necessário romper barreiras e
inserir o jogo e o brincar na sala de aula, trazendo o lúdico para mais perto dos alunos e
incentivando a imaginação, o aprendizado, o contato com as regras e a curiosidade em
saber mais e mais.
Descobrindo o sentido das próprias palavras, pode-se associar o lúdico à escola,
pois o lúdico quer dizer “ludus” que significa jogo, divertimento e, por extensão, escola,
aula. Esse significado é encontrado em várias línguas, porém a definição é a mesma.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
Segundo MARCELLINO (1995, pág. 107), no livro Pedagogia da Animação, “...
o lúdico não se trata de procurar a institucionalização, pois algumas propostas atuais
pregam a recuperação do lúdico pela escola.”
Os jogos pedagogicamente educativos dão ênfase ao aprendizado, pois
provocam na criança alguns conhecimentos e expressões necessárias; assim, elas
poderão relacionar o aprendizado de sala de aula com alguns aprendizados ocorridos
sem propósito pedagógico. O brincar ou o jogo são vistos como lazer, ou seja, algo que
as crianças só podem fazer em um momento em que não estejam na escola, ou, se
estiver no momento do intervalo.
Instituir o brincar na escola não significa que toda a parte pedagógica será
prejudicada ou substituída por ele, mas sim que ele será um auxílio para que ela ocorra
com mais estímulos e maior prazer. Considerando como exemplo algo que os alunos
têm dificuldade de assimilar, não conseguindo aprender através das estratégias
pedagógicas comuns, verifica-se que o jogo pode trazer a curiosidade e a vontade de
aprender.
“... é justamente quando o prazer está ausente que a ameaça se torna
necessária, uma vez que... é só do prazer que surge a disciplina e a vontade
de aprender.” (ALVES, Rubens, 1984 p.106 apud MARCELLINO, Nelson,
1995)
O jogo como objeto educativo pode trazer várias vantagens para as crianças nas
séries iniciais como, por exemplo, estimular o pensamento espontâneo, a percepção de
tempo e espaço, o lado afetivo, social e motor, além do lado cognitivo, que é o mais
influenciado; sendo assim, o jogo poderá ser útil para a formação social do ser, que
aprenderá a respeitar o outro, a obedecer às regras e a ter responsabilidade, o que é
necessário para que as crianças convivam com o meio.
O jogo une a vontade e o prazer durante as atividades. A utilização dos meios
lúdicos mostra a escola como um ambiente atraente e estimulador para a criança.
Os jogos mais conhecidos pelos alunos podem ser modificados para que se
tornem pedagógicos; consequentemente, os alunos sentirão vontade de brincar com os
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
jogos que eles já conhecem e se sentirão mais independentes, aprendendo com mais
prazer.
No processo de alfabetização e letramento das crianças, os jogos que contém
letras e números, podem ser de grande valia, pois aumentarão os estímulos e unirão o
lúdico à aprendizagem pedagógica.
Na matemática, os jogos podem proporcionar aos alunos a vivência das
situações do cotidiano, nas quais é preciso usar os números e fazer contas simples,
fazendo com que eles formem conceitos novos sobre o mundo.
Os números, na hora de jogar, estimulam o raciocínio rápido, fazendo com que
as crianças se organizem e resolvam situações-problema com mais facilidade.
O jogo auxilia no processo de ensino e aprendizagem da matemática, do
português, ciências etc., desenvolvendo a psicomotricidade, ou seja, habilidades
motoras, que acabam por desenvolver também o emocional e o intelectual; ao contrário
do que possa parecer, as habilidades motoras das crianças não se relacionam apenas à
lateralidade e noções de espaço e tempo, mas também à formação global da criança.
4. A intervenção psicopedagógica com atividades psicomotoras
A educação psicomotora proporciona à criança benefícios no seu
desenvolvimento através do corpo em movimento. Por meio de atividades
psicomotoras desenvolve as capacidades sensoriais, preceptivas e motoras,
propiciando a criança melhor coordenação.
As atividades psicomotoras também auxiliam no processo de ensino e
aprendizagem, pois o desenvolvimento físico-motor e cognitivo caminha juntos.
Devemos considerar as formas diferenciadas de expressão corporal do individuo,
entretanto, observar as conquistas de habilidades motoras de cada faixa etária.
Nos momentos lúdicos da criança, podemos observar esses avanços através dos
jogos e brincadeiras propostas no âmbito escolar. É nessas ocasiões que a
aprendizagem torna-se significativa na vida do educando.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
De acordo com Meur & Stoes (1984): O intelecto se constrói a partir da
atividade física. As atividades motoras não podem ser separadas de atividades
intelectuais, pois essas junções (intelectual/psicomotor) fazem parte do processo de
desenvolvimento do individuo.
A psicomotricidade que estuda a ciência do homem através dos movimentos do
corpo ajuda-nos entender esse processo de desenvolvimento por meio de atividades
motoras , levando em consideração os aspectos intelectuais, psicomotor e afetivo
para a formação do individuo.
Segundo Molinari e Sens (2002) afirmam que a educação psicomotora nas séries
iniciais ajudam prevenir futuros problemas de dificuldade escolar, como por
exemplo, a falta de concentração, desordem no reconhecimento de palavras,
confusão de letras e silabas relacionadas a alfabetização.
A educação psicomotora é de grande importância para o desenvolvimento do
infante, pois ajuda a criança a ter consciência do seu corpo. Onde a presença de
jogos e brincadeiras no contexto escolar proporciona o desenvolvendo de sua
lateralidade, coordenação e atenção.
Alfabetizar a linguagem do corpo e só então caminhar para as aprendizagens
triviais que mais não são que investimentos perceptivo-motor ligados por
coordenadas espaços- temporais e correlacionadas por melodias rítmicas de
integração e resposta. (FONSECA,1996, p.142).
Sendo assim, as atividades psicomotoras, incluindo os jogos e brincadeiras,
trabalha os movimentos do individuo, colocando em prática as funções intelectuais.
Portanto, tratando-se de movimento percebemos a importância que leva o individuo
a ter um desenvolvimento global.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Paulo Nunes. Educação lúdica-técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo,
Edições Loyola: 2000,11ª Ed.
Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014
DEMEUR,A. & STAES,L. Psicomotricidade: educação e reeducação. Rio de
janeiro: Manole, 1984.
DOWBOR, L. Educação, tecnologia e desenvolvimento. In: BRUNO, L. Educação e
trabalho no capitalismo contemporâneo. São Paulo: Atlas, 1996.
FONSECA,V. Psicomotricidade.2.ed.São Paulo:Martins Fontes,1985.
MARCELLINO, N. C. Estudos do lazer uma introdução. Campinas: Autores
Associados, 1995.
MOLINARI,Ãngela Maria de Paz; SENS, Solange mari. A educação física e sua
relação com a psicomotricidade. Revista PEC, Curitiba, V.3, n 1, pg.85-93, Jul.2002-
Jul.2003.
PATERNOST, V. Do Motor ao cognitivo no processo de escolarização. I Concresso
Latino- Americano p. 660, 1998
PIAGET, Jean. A construção do real na criança. São Paulo: Ática, 2003, 3ªed. p. 105.
VIGOTSKI, L.S. A formação social da mente. São Paulo, Martins Fontes: 2007, 7º ed.
ZABALA, Antoni. A prática educativa. São Paulo: Artmed, 1998.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Influência da família no ensino aprendizagem 3 2015
Influência da família no ensino aprendizagem 3  2015Influência da família no ensino aprendizagem 3  2015
Influência da família no ensino aprendizagem 3 2015cefaprodematupa
 
3592 9657-1-pb o ludico na educação simone helen drumons ischkanian
3592 9657-1-pb o ludico na educação simone helen drumons ischkanian3592 9657-1-pb o ludico na educação simone helen drumons ischkanian
3592 9657-1-pb o ludico na educação simone helen drumons ischkanianSimoneHelenDrumond
 
A importância da ludicidade na construção da aprendizagem em sala de aula.
A importância da ludicidade na construção da aprendizagem em sala de aula.A importância da ludicidade na construção da aprendizagem em sala de aula.
A importância da ludicidade na construção da aprendizagem em sala de aula.Vilar Vasconcelos
 
Projeto estágio séries iniciais set-2014
Projeto estágio séries iniciais  set-2014Projeto estágio séries iniciais  set-2014
Projeto estágio séries iniciais set-2014Solange Coutinho
 
As contribuicoes do_gestor_escolar_na_formacao_de_sua_equipe_e_no_ensino_apre...
As contribuicoes do_gestor_escolar_na_formacao_de_sua_equipe_e_no_ensino_apre...As contribuicoes do_gestor_escolar_na_formacao_de_sua_equipe_e_no_ensino_apre...
As contribuicoes do_gestor_escolar_na_formacao_de_sua_equipe_e_no_ensino_apre...AFONSO ABREU ABREU
 
C1 1.3-jogos e brincadeiras como ferramentas no processo
C1 1.3-jogos e brincadeiras como ferramentas no processoC1 1.3-jogos e brincadeiras como ferramentas no processo
C1 1.3-jogos e brincadeiras como ferramentas no processoLiliane Barros
 
Otpei 2 projeto ludico simone helen drumond
Otpei 2  projeto ludico simone helen drumondOtpei 2  projeto ludico simone helen drumond
Otpei 2 projeto ludico simone helen drumondSimoneHelenDrumond
 
Desenvolvimento da Psicomotricidade na Infância: Olhar sensível na prática ...
Desenvolvimento da Psicomotricidade na Infância:   Olhar sensível na prática ...Desenvolvimento da Psicomotricidade na Infância:   Olhar sensível na prática ...
Desenvolvimento da Psicomotricidade na Infância: Olhar sensível na prática ...Claudinéia Barbosa
 
O brincar e a criação
O brincar e a criaçãoO brincar e a criação
O brincar e a criaçãoMaria Bersch
 

Mais procurados (20)

Care marcia
Care marciaCare marcia
Care marcia
 
Aline eliane
Aline elianeAline eliane
Aline eliane
 
Kelly
KellyKelly
Kelly
 
Influência da família no ensino aprendizagem 3 2015
Influência da família no ensino aprendizagem 3  2015Influência da família no ensino aprendizagem 3  2015
Influência da família no ensino aprendizagem 3 2015
 
Eva edilaine erika
Eva edilaine erikaEva edilaine erika
Eva edilaine erika
 
3592 9657-1-pb o ludico na educação simone helen drumons ischkanian
3592 9657-1-pb o ludico na educação simone helen drumons ischkanian3592 9657-1-pb o ludico na educação simone helen drumons ischkanian
3592 9657-1-pb o ludico na educação simone helen drumons ischkanian
 
A importância da ludicidade na construção da aprendizagem em sala de aula.
A importância da ludicidade na construção da aprendizagem em sala de aula.A importância da ludicidade na construção da aprendizagem em sala de aula.
A importância da ludicidade na construção da aprendizagem em sala de aula.
 
Jucilene priscila
Jucilene priscilaJucilene priscila
Jucilene priscila
 
Artigo7
Artigo7Artigo7
Artigo7
 
Analu nilcelia
Analu nilceliaAnalu nilcelia
Analu nilcelia
 
Coordenacão pedagógica
Coordenacão pedagógicaCoordenacão pedagógica
Coordenacão pedagógica
 
Projeto estágio séries iniciais set-2014
Projeto estágio séries iniciais  set-2014Projeto estágio séries iniciais  set-2014
Projeto estágio séries iniciais set-2014
 
As contribuicoes do_gestor_escolar_na_formacao_de_sua_equipe_e_no_ensino_apre...
As contribuicoes do_gestor_escolar_na_formacao_de_sua_equipe_e_no_ensino_apre...As contribuicoes do_gestor_escolar_na_formacao_de_sua_equipe_e_no_ensino_apre...
As contribuicoes do_gestor_escolar_na_formacao_de_sua_equipe_e_no_ensino_apre...
 
Artigo6
Artigo6Artigo6
Artigo6
 
C1 1.3-jogos e brincadeiras como ferramentas no processo
C1 1.3-jogos e brincadeiras como ferramentas no processoC1 1.3-jogos e brincadeiras como ferramentas no processo
C1 1.3-jogos e brincadeiras como ferramentas no processo
 
Otpei 2 projeto ludico simone helen drumond
Otpei 2  projeto ludico simone helen drumondOtpei 2  projeto ludico simone helen drumond
Otpei 2 projeto ludico simone helen drumond
 
Edna isabel erika
Edna isabel erikaEdna isabel erika
Edna isabel erika
 
Monografia Érica Pedagogia 2009
Monografia Érica Pedagogia 2009Monografia Érica Pedagogia 2009
Monografia Érica Pedagogia 2009
 
Desenvolvimento da Psicomotricidade na Infância: Olhar sensível na prática ...
Desenvolvimento da Psicomotricidade na Infância:   Olhar sensível na prática ...Desenvolvimento da Psicomotricidade na Infância:   Olhar sensível na prática ...
Desenvolvimento da Psicomotricidade na Infância: Olhar sensível na prática ...
 
O brincar e a criação
O brincar e a criaçãoO brincar e a criação
O brincar e a criação
 

Semelhante a Apostilha para estudo de seminario

8134267 a-brincadeira-e-o-jogo-na-educacao-infantil
8134267 a-brincadeira-e-o-jogo-na-educacao-infantil8134267 a-brincadeira-e-o-jogo-na-educacao-infantil
8134267 a-brincadeira-e-o-jogo-na-educacao-infantilpaulocosta
 
Combinando jogo e escola promovendo aprendizagem efetiva
Combinando jogo e escola promovendo aprendizagem efetivaCombinando jogo e escola promovendo aprendizagem efetiva
Combinando jogo e escola promovendo aprendizagem efetivaAlanWillianLeonioSil
 
Unidade 4 parte 1, 2 e 3
Unidade 4   parte 1, 2 e 3Unidade 4   parte 1, 2 e 3
Unidade 4 parte 1, 2 e 3Bete Feliciano
 
Relatorio estagio educação infantil
Relatorio estagio educação infantil Relatorio estagio educação infantil
Relatorio estagio educação infantil filicianunes
 
FERNANDA PRE PROJETO.docx
FERNANDA PRE PROJETO.docxFERNANDA PRE PROJETO.docx
FERNANDA PRE PROJETO.docxJosiane Campos
 
Unidade 04 ano 01 PNAIC-AM
Unidade 04 ano 01 PNAIC-AMUnidade 04 ano 01 PNAIC-AM
Unidade 04 ano 01 PNAIC-AMIone Dolzane
 
2013_unicentro_edespecial_pdp_marcia_giacomini_guero.pdf
2013_unicentro_edespecial_pdp_marcia_giacomini_guero.pdf2013_unicentro_edespecial_pdp_marcia_giacomini_guero.pdf
2013_unicentro_edespecial_pdp_marcia_giacomini_guero.pdfssuser55d44a
 
O jogo como recurso de aprendizagem (2010)
O jogo como recurso de aprendizagem (2010)O jogo como recurso de aprendizagem (2010)
O jogo como recurso de aprendizagem (2010)oficinadeaprendizagemace
 
Artigo de matemática pesquisa
Artigo de matemática pesquisaArtigo de matemática pesquisa
Artigo de matemática pesquisaMarco Lívio
 
Projeto pibid ieeoa 1ºsem2014
Projeto pibid ieeoa 1ºsem2014 Projeto pibid ieeoa 1ºsem2014
Projeto pibid ieeoa 1ºsem2014 Kleriton Franklin
 
Monografia de Deiseluce de Oliveira Ramos
Monografia de Deiseluce de Oliveira RamosMonografia de Deiseluce de Oliveira Ramos
Monografia de Deiseluce de Oliveira RamosUNEB
 
Trabalho metodol matematica: brincando de mercadinho
Trabalho metodol matematica: brincando de mercadinhoTrabalho metodol matematica: brincando de mercadinho
Trabalho metodol matematica: brincando de mercadinhoJomari
 
1 Artigo Letícia Chaval.docx
1 Artigo Letícia Chaval.docx1 Artigo Letícia Chaval.docx
1 Artigo Letícia Chaval.docxana gomes
 
SLIDE DANIEL lllllllllllllllllllllllllll
SLIDE DANIEL lllllllllllllllllllllllllllSLIDE DANIEL lllllllllllllllllllllllllll
SLIDE DANIEL llllllllllllllllllllllllllllaisefernandes2
 

Semelhante a Apostilha para estudo de seminario (20)

8134267 a-brincadeira-e-o-jogo-na-educacao-infantil
8134267 a-brincadeira-e-o-jogo-na-educacao-infantil8134267 a-brincadeira-e-o-jogo-na-educacao-infantil
8134267 a-brincadeira-e-o-jogo-na-educacao-infantil
 
Combinando jogo e escola promovendo aprendizagem efetiva
Combinando jogo e escola promovendo aprendizagem efetivaCombinando jogo e escola promovendo aprendizagem efetiva
Combinando jogo e escola promovendo aprendizagem efetiva
 
Unidade 4 parte 1, 2 e 3
Unidade 4   parte 1, 2 e 3Unidade 4   parte 1, 2 e 3
Unidade 4 parte 1, 2 e 3
 
Relatorio estagio educação infantil
Relatorio estagio educação infantil Relatorio estagio educação infantil
Relatorio estagio educação infantil
 
FERNANDA PRE PROJETO.docx
FERNANDA PRE PROJETO.docxFERNANDA PRE PROJETO.docx
FERNANDA PRE PROJETO.docx
 
Unidade 04 ano 01 PNAIC-AM
Unidade 04 ano 01 PNAIC-AMUnidade 04 ano 01 PNAIC-AM
Unidade 04 ano 01 PNAIC-AM
 
2013_unicentro_edespecial_pdp_marcia_giacomini_guero.pdf
2013_unicentro_edespecial_pdp_marcia_giacomini_guero.pdf2013_unicentro_edespecial_pdp_marcia_giacomini_guero.pdf
2013_unicentro_edespecial_pdp_marcia_giacomini_guero.pdf
 
O jogo como recurso de aprendizagem (2010)
O jogo como recurso de aprendizagem (2010)O jogo como recurso de aprendizagem (2010)
O jogo como recurso de aprendizagem (2010)
 
Artigo de matemática pesquisa
Artigo de matemática pesquisaArtigo de matemática pesquisa
Artigo de matemática pesquisa
 
Projeto pibid ieeoa 1ºsem2014
Projeto pibid ieeoa 1ºsem2014 Projeto pibid ieeoa 1ºsem2014
Projeto pibid ieeoa 1ºsem2014
 
Andressa jessica erika
Andressa jessica erikaAndressa jessica erika
Andressa jessica erika
 
Monografia de Deiseluce de Oliveira Ramos
Monografia de Deiseluce de Oliveira RamosMonografia de Deiseluce de Oliveira Ramos
Monografia de Deiseluce de Oliveira Ramos
 
Joziel Bezerra de Souza
Joziel  Bezerra  de  SouzaJoziel  Bezerra  de  Souza
Joziel Bezerra de Souza
 
Trabalho metodol matematica: brincando de mercadinho
Trabalho metodol matematica: brincando de mercadinhoTrabalho metodol matematica: brincando de mercadinho
Trabalho metodol matematica: brincando de mercadinho
 
1 Artigo Letícia Chaval.docx
1 Artigo Letícia Chaval.docx1 Artigo Letícia Chaval.docx
1 Artigo Letícia Chaval.docx
 
SLIDE DANIEL lllllllllllllllllllllllllll
SLIDE DANIEL lllllllllllllllllllllllllllSLIDE DANIEL lllllllllllllllllllllllllll
SLIDE DANIEL lllllllllllllllllllllllllll
 
Elizangela kenia erika
Elizangela kenia erikaElizangela kenia erika
Elizangela kenia erika
 
Projeto pibid 1º semestre
Projeto pibid 1º semestreProjeto pibid 1º semestre
Projeto pibid 1º semestre
 
LÚDICO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
LÚDICO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOSLÚDICO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
LÚDICO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
 
Thaynara e vanuza
Thaynara e vanuzaThaynara e vanuza
Thaynara e vanuza
 

Último

A Arte de Escrever Poemas - Dia das Mães
A Arte de Escrever Poemas - Dia das MãesA Arte de Escrever Poemas - Dia das Mães
A Arte de Escrever Poemas - Dia das MãesMary Alvarenga
 
AULA SOBRE AMERICA LATINA E ANGLO SAXONICA.pptx
AULA SOBRE AMERICA LATINA E ANGLO SAXONICA.pptxAULA SOBRE AMERICA LATINA E ANGLO SAXONICA.pptx
AULA SOBRE AMERICA LATINA E ANGLO SAXONICA.pptxLaurindo6
 
CRÔNICAS DE UMA TURMA - TURMA DE 9ºANO - EASB
CRÔNICAS DE UMA TURMA - TURMA DE 9ºANO - EASBCRÔNICAS DE UMA TURMA - TURMA DE 9ºANO - EASB
CRÔNICAS DE UMA TURMA - TURMA DE 9ºANO - EASBAline Santana
 
ATIVIDADE AVALIATIVA VOZES VERBAIS 7º ano.pptx
ATIVIDADE AVALIATIVA VOZES VERBAIS 7º ano.pptxATIVIDADE AVALIATIVA VOZES VERBAIS 7º ano.pptx
ATIVIDADE AVALIATIVA VOZES VERBAIS 7º ano.pptxOsnilReis1
 
E agora?! Já não avalio as atitudes e valores?
E agora?! Já não avalio as atitudes e valores?E agora?! Já não avalio as atitudes e valores?
E agora?! Já não avalio as atitudes e valores?Rosalina Simão Nunes
 
[Bloco 7] Recomposição das Aprendizagens.pptx
[Bloco 7] Recomposição das Aprendizagens.pptx[Bloco 7] Recomposição das Aprendizagens.pptx
[Bloco 7] Recomposição das Aprendizagens.pptxLinoReisLino
 
Pedologia- Geografia - Geologia - aula_01.pptx
Pedologia- Geografia - Geologia - aula_01.pptxPedologia- Geografia - Geologia - aula_01.pptx
Pedologia- Geografia - Geologia - aula_01.pptxleandropereira983288
 
UFCD_10392_Intervenção em populações de risco_índice .pdf
UFCD_10392_Intervenção em populações de risco_índice .pdfUFCD_10392_Intervenção em populações de risco_índice .pdf
UFCD_10392_Intervenção em populações de risco_índice .pdfManuais Formação
 
Slide língua portuguesa português 8 ano.pptx
Slide língua portuguesa português 8 ano.pptxSlide língua portuguesa português 8 ano.pptx
Slide língua portuguesa português 8 ano.pptxssuserf54fa01
 
trabalho wanda rocha ditadura
trabalho wanda rocha ditaduratrabalho wanda rocha ditadura
trabalho wanda rocha ditaduraAdryan Luiz
 
Manual da CPSA_1_Agir com Autonomia para envio
Manual da CPSA_1_Agir com Autonomia para envioManual da CPSA_1_Agir com Autonomia para envio
Manual da CPSA_1_Agir com Autonomia para envioManuais Formação
 
Literatura Brasileira - escolas literárias.ppt
Literatura Brasileira - escolas literárias.pptLiteratura Brasileira - escolas literárias.ppt
Literatura Brasileira - escolas literárias.pptMaiteFerreira4
 
Nova BNCC Atualizada para novas pesquisas
Nova BNCC Atualizada para novas pesquisasNova BNCC Atualizada para novas pesquisas
Nova BNCC Atualizada para novas pesquisasraveccavp
 
Slides Lição 4, Betel, Ordenança quanto à contribuição financeira, 2Tr24.pptx
Slides Lição 4, Betel, Ordenança quanto à contribuição financeira, 2Tr24.pptxSlides Lição 4, Betel, Ordenança quanto à contribuição financeira, 2Tr24.pptx
Slides Lição 4, Betel, Ordenança quanto à contribuição financeira, 2Tr24.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
Bullying - Atividade com caça- palavras
Bullying   - Atividade com  caça- palavrasBullying   - Atividade com  caça- palavras
Bullying - Atividade com caça- palavrasMary Alvarenga
 
Slides Lição 03, Central Gospel, O Arrebatamento, 1Tr24.pptx
Slides Lição 03, Central Gospel, O Arrebatamento, 1Tr24.pptxSlides Lição 03, Central Gospel, O Arrebatamento, 1Tr24.pptx
Slides Lição 03, Central Gospel, O Arrebatamento, 1Tr24.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
activIDADES CUENTO lobo esta CUENTO CUARTO GRADO
activIDADES CUENTO  lobo esta  CUENTO CUARTO GRADOactivIDADES CUENTO  lobo esta  CUENTO CUARTO GRADO
activIDADES CUENTO lobo esta CUENTO CUARTO GRADOcarolinacespedes23
 

Último (20)

A Arte de Escrever Poemas - Dia das Mães
A Arte de Escrever Poemas - Dia das MãesA Arte de Escrever Poemas - Dia das Mães
A Arte de Escrever Poemas - Dia das Mães
 
AULA SOBRE AMERICA LATINA E ANGLO SAXONICA.pptx
AULA SOBRE AMERICA LATINA E ANGLO SAXONICA.pptxAULA SOBRE AMERICA LATINA E ANGLO SAXONICA.pptx
AULA SOBRE AMERICA LATINA E ANGLO SAXONICA.pptx
 
CRÔNICAS DE UMA TURMA - TURMA DE 9ºANO - EASB
CRÔNICAS DE UMA TURMA - TURMA DE 9ºANO - EASBCRÔNICAS DE UMA TURMA - TURMA DE 9ºANO - EASB
CRÔNICAS DE UMA TURMA - TURMA DE 9ºANO - EASB
 
ATIVIDADE AVALIATIVA VOZES VERBAIS 7º ano.pptx
ATIVIDADE AVALIATIVA VOZES VERBAIS 7º ano.pptxATIVIDADE AVALIATIVA VOZES VERBAIS 7º ano.pptx
ATIVIDADE AVALIATIVA VOZES VERBAIS 7º ano.pptx
 
E agora?! Já não avalio as atitudes e valores?
E agora?! Já não avalio as atitudes e valores?E agora?! Já não avalio as atitudes e valores?
E agora?! Já não avalio as atitudes e valores?
 
[Bloco 7] Recomposição das Aprendizagens.pptx
[Bloco 7] Recomposição das Aprendizagens.pptx[Bloco 7] Recomposição das Aprendizagens.pptx
[Bloco 7] Recomposição das Aprendizagens.pptx
 
Em tempo de Quaresma .
Em tempo de Quaresma                            .Em tempo de Quaresma                            .
Em tempo de Quaresma .
 
Pedologia- Geografia - Geologia - aula_01.pptx
Pedologia- Geografia - Geologia - aula_01.pptxPedologia- Geografia - Geologia - aula_01.pptx
Pedologia- Geografia - Geologia - aula_01.pptx
 
UFCD_10392_Intervenção em populações de risco_índice .pdf
UFCD_10392_Intervenção em populações de risco_índice .pdfUFCD_10392_Intervenção em populações de risco_índice .pdf
UFCD_10392_Intervenção em populações de risco_índice .pdf
 
Slide língua portuguesa português 8 ano.pptx
Slide língua portuguesa português 8 ano.pptxSlide língua portuguesa português 8 ano.pptx
Slide língua portuguesa português 8 ano.pptx
 
XI OLIMPÍADAS DA LÍNGUA PORTUGUESA -
XI OLIMPÍADAS DA LÍNGUA PORTUGUESA      -XI OLIMPÍADAS DA LÍNGUA PORTUGUESA      -
XI OLIMPÍADAS DA LÍNGUA PORTUGUESA -
 
trabalho wanda rocha ditadura
trabalho wanda rocha ditaduratrabalho wanda rocha ditadura
trabalho wanda rocha ditadura
 
Manual da CPSA_1_Agir com Autonomia para envio
Manual da CPSA_1_Agir com Autonomia para envioManual da CPSA_1_Agir com Autonomia para envio
Manual da CPSA_1_Agir com Autonomia para envio
 
Literatura Brasileira - escolas literárias.ppt
Literatura Brasileira - escolas literárias.pptLiteratura Brasileira - escolas literárias.ppt
Literatura Brasileira - escolas literárias.ppt
 
Nova BNCC Atualizada para novas pesquisas
Nova BNCC Atualizada para novas pesquisasNova BNCC Atualizada para novas pesquisas
Nova BNCC Atualizada para novas pesquisas
 
Slides Lição 4, Betel, Ordenança quanto à contribuição financeira, 2Tr24.pptx
Slides Lição 4, Betel, Ordenança quanto à contribuição financeira, 2Tr24.pptxSlides Lição 4, Betel, Ordenança quanto à contribuição financeira, 2Tr24.pptx
Slides Lição 4, Betel, Ordenança quanto à contribuição financeira, 2Tr24.pptx
 
Bullying - Atividade com caça- palavras
Bullying   - Atividade com  caça- palavrasBullying   - Atividade com  caça- palavras
Bullying - Atividade com caça- palavras
 
Slides Lição 03, Central Gospel, O Arrebatamento, 1Tr24.pptx
Slides Lição 03, Central Gospel, O Arrebatamento, 1Tr24.pptxSlides Lição 03, Central Gospel, O Arrebatamento, 1Tr24.pptx
Slides Lição 03, Central Gospel, O Arrebatamento, 1Tr24.pptx
 
CINEMATICA DE LOS MATERIALES Y PARTICULA
CINEMATICA DE LOS MATERIALES Y PARTICULACINEMATICA DE LOS MATERIALES Y PARTICULA
CINEMATICA DE LOS MATERIALES Y PARTICULA
 
activIDADES CUENTO lobo esta CUENTO CUARTO GRADO
activIDADES CUENTO  lobo esta  CUENTO CUARTO GRADOactivIDADES CUENTO  lobo esta  CUENTO CUARTO GRADO
activIDADES CUENTO lobo esta CUENTO CUARTO GRADO
 

Apostilha para estudo de seminario

  • 1. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 A Importância de Atividades Psicomotoras no Processo de Ensino e Aprendizagem Thaís de Pádua dos santos 1 Juliana de Alcântara Silveira Rubio 2 Resumo Este artigo expõe a aquisição da construção do conhecimento por meio do lúdico e atividades psicomotoras, auxiliando no desenvolvimento cognitivo, psicomotor, social e moral do paciente, proporcionado uma intervenção psicopedagógica com o objetivo de auxiliar nas dificuldades presentes no processo de aprendizagem do educando. Palavras chave: lúdico, prática psicopedagógica, psicomotricidade, processo de ensino e aprendizagem. 1. Introdução Este artigo objetiva mostrar a importância dos jogos e atividades psicomotoras para o desenvolvimento intelectual, psicomotor, social e afetivo da criança. Visando desenvolver a pesquisa que investiga jogos e brincadeiras como auxilio no processo de ensino e aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento do infante e ajudando nas dificuldades que apresentam durante esse processo. Essa junção entre o processo de aprendizagem e a prática psicomotora por meio de jogos e brincadeiras, coloca em prática as funções intelectuais, quem têm como meta auxiliar nas dificuldades de ensino e aprendizagem do aluno. A educação psicomotora contribui para o processo de aprendizagem do educando, propiciando um enriquecimento cognitivo, preparando-o para diversas habilidades através de atividades de movimento. 1 Aluna do curso de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional da FAC-São Roque. 2 Mestre em Educação pela UNESP. Professora Orientadora.
  • 2. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 2. A função da escola no cotidiano dos jogos. As atividades psicomotoras são importantes, pois ajudam no desenvolvimento global da criança, enriquecendo seu intelectual e auxiliando no desenvolvimento físico-motor da criança. Por meio da educação psicomotora observem-se os avanços que a criança adquire incluindo a atenção, o equilíbrio e coordenação, além da construção do conhecimento adquirido nos momentos dos jogos e brincadeiras. Na medida em que a escola centra seu trabalho em atividades que limitam a motricidade do educando, praticamente imobilizando-o em uma sala de aula e permitindo sua movimentação mais ampla apenas nos horários de recreio e em aulas especificas como Educação Física, assume que seu papel fundamental é o desenvolvimento intelectual. Muitas vezes o contexto escolar segue o currículo pedagógico. E este não é elaborado pensando-se na mudança que ocorre quando os alunos estão no período de passagem da educação infantil para o ensino fundamental. Quando uma criança ingressa no ensino fundamental, um novo mundo lhe estará sendo apresentado: o universo da produção e decodificação de letras, palavras e textos. E para que esse processo possa ser de fácil vivência, é necessário que o seu sistema motor seja conhecido por meio de experiências. Dominar o processo de leitura e escrita requer habilidade na motricidade do ouvir, do falar, do realizar com as mãos- e por que não dizer com o corpo todo? – a transposição de fonemas em grafemas, de significantes em significados (PATERNOST, 1998). As ações pedagógicas tornam-se contrárias à vivência lúdica devido às características inerentes, como a criatividade, a sensibilidade à disponibilidade, e até mesmo a alegria, o prazer e o divertimento, porém muitas escolas, ou melhor, muitos educadores confundem essas características com indisciplina. O lúdico visto de uma forma crítica e pedagógica pode ensinar muito para os educandos, mas isso só acontece quando ele é tratado como um instrumento de educar.
  • 3. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 Com indagações sobre o lúdico, qual seria realmente o papel do jogo na escola? Será que o currículo deve ser seguido criteriosamente ou deve ser repensado para cada série de acordo com as necessidades das crianças e não da escola? Pensando que na Educação Infantil, o lúdico é vivenciado a todo o momento, tanto na hora do ensino e aprendizagem como na hora reservada somente para o brincar, e no Ensino Fundamental, o ensino e aprendizagem são trabalhados somente através de atividades escritas, pode-se perceber que não há um processo de adaptação para essas crianças. Podem surgir algumas dificuldades, tanto no aspecto cognitivo quanto no emocional. A criança necessita de incentivos adequados às diferentes situações, de atividades que ofereçam o brincar e a aprendizagem em conjunto, respeitando assim suas características individuais. Todos os jogos incentivam as funções motoras e devem ser oferecidos à criança em forma de brincadeira e, quando bem orientados, formam uma fonte inesgotável de prazer. As escolas devem pensar que as atividades lúdicas enriquecem os planos de aula oferecendo à criança uma melhora na sua aprendizagem e no seu desenvolvimento psicomotor. Deve-se pensar também que as mudanças no âmbito escolar demoram a acontecer, pois necessitam de documentação como, por exemplo, planejamentos, projetos político-pedagógicos entre outros, que levam tempo para ser elaborados. O que também pode gerar dificuldades na geração das mudanças é que nem todas as pessoas, como por exemplo, os alunos, professores, coordenação e direção são letradas ou capacitadas para fazer as mudanças corretamente, interligando o brincar dirigido com o pedagógico. Pode-se dizer que há uma grande diferença entre a teoria e a prática; no caso da inclusão do lúdico no âmbito escolar, não é preciso vir necessariamente, primeiro a teoria, para que depois venha a prática.
  • 4. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 Segundo ZABALA (1998. p. 89), ”os objetivos educacionais e os conteúdos aos quais se referem, influem, e inclusive às vezes determinam, o tipo de participação dos protagonistas da situação didática.” O conceito sobre o jogo e a criança é dado dependendo da cultura de cada pessoa. Em geral, o jogo é entendido como uma atividade que envolve o lúdico, com características de tempo, espaço e regras, sendo ela uma situação imaginária ou não. 3. O professor, o brincar e o processo de ensino e aprendizagem O professor tem papel fundamental na sala de aula, pois seus alunos dependem dele para que possa haver o processo de ensino e aprendizagem. Pode-se definir o professor como um alicerce da escola, pois a coordenação, a direção, os funcionários em geral e os alunos dependem do professor; alguns dependem mais, outros menos, mas ele sempre é requisitado. O professor, ao assumir uma sala de aula, sabe que terá que planejar as aulas, porém, também é importante que ele saiba que nem sempre o planejamento é seguido à risca, e que durante o ano letivo poderão ocorrer situações que o levem a buscar outros métodos para que sua aula seja produtiva e prazerosa. “O sentido real, verdadeiro, funcional da educação lúdica estará garantido se o educador estiver preparado para realizá -lo. Nada será feito se ele não tiver um profundo conhecimento sobre os fundamentos essenciais da educação lúdica, condições suficientes para socializar o conhecimento e predisposição para levar isso adiante.” (ALMEIDA, 2000) O professor precisa ver seus alunos num coletivo, mas considerar o aluno individualmente. Cada aluno tem o seu tempo, seu jeito de aprender e seu amadurecimento cognitivo. É necessário que o professor planeje as aulas, buscando em seus alunos interesse para aprender. Este trabalho pode envolver as famílias, pois, de nada adianta o professor ser um pesquisador, se em casa as famílias não mostrarem para as crianças a importância de cada novo aprendizado.
  • 5. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 O professor, ao dar aula, visa o processo de ensino-aprendizagem do aluno, com base no planejamento anual ou bimestral. Esse processo de ensino aprendizagem pode ser visto de várias formas, pois, cada pessoa tem pressupostos e o cognitivo diferentes. Ensinar um conteúdo, utilizando apenas uma estratégia para a sala de aula com vários alunos pode ser complexo, porque o que um aprende de uma forma, o outro pode aprender de um modo diferente. Segundo ALMEIDA (2000. p. 83), a proposta é possibilitar ao aluno raciocinar e pensar em tudo que aprende, encontrando respostas para os porquês e soluções inteligentes para solucionar os problemas relativos à escola e a sua vida. A capacidade de pensar do indivíduo depende dos estímulos recebidos. Para que as crianças se desenvolvam, analisem e pensem, passando pelos erros e buscando alternativas até encontrar o acerto. O erro deve ser visto como processo de aprendizagem, porque através dele, o aluno buscará o acerto, e com o estimulo do professor essa busca será mais prazerosa e produtiva. No entanto, o desenvolvimento de propostas diferentes, pode auxiliar no processo de ensino e aprendizagem, pois os alunos estarão mais motivados e terão mais vontade e curiosidade para aprender. O professor, ao trazer o jogo para fazer parte do processo pedagógico, fará com que as vivências dos alunos sejam diferentes. Dentro desse contexto pedagógico, o professor, enquanto mediador deve refletir sobre que conhecimentos seu aluno vai obter utilizando determinados tipos de jogos. O brincar nas séries iniciais é algo que está muito presente, por resquícios da educação infantil, ou talvez por um brincar natural das crianças. Deve-se lembrar de que, na educação infantil, é destinado um tempo maior para a brincadeira, pois o foco é mais no lúdico e no faz- de- conta; ao entrar no ensino fundamental, é como se a criança fosse trazida para a realidade, onde o brincar está presente apenas no recreio e a ludicidade quase não existe.
  • 6. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 O brincar auxilia a criança a desenvolver variadas formas de raciocínio, possibilitando o despertar da imaginação e da criatividade, sociabilizando-a com o meio. Segundo Vygotsky, o lúdico influencia enormemente o desenvolvimento da criança. É através do jogo que a criança é estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança e desenvolve sua linguagem e seu pensamento. O brincar dirigido tem o propósito de propiciar aos alunos um conhecimento que normalmente ele teria dentro da sala de aula, muitas vezes sentado em fileiras, sem nenhum contato com os amigos, o que é muito diferente da educação infantil, onde o contato com o outro está presente a todo o momento. Ao dirigir esse brincar, o professor poderá ensinar a matéria que seria dada normalmente, porém, os alunos aprenderiam com mais facilidade, pois o lúdico ainda está muito presente, visto que essas crianças acabaram de sair da educação infantil, e ainda trazem alguns pressupostos no seu cognitivo. Provocar desafios que aceleram a aquisição dos conhecimentos, lembrando-se de procurar saber dos conhecimentos prévios dos alunos, deve ser o foco da ação do professor. Os pressupostos trazidos pelos alunos são de extrema importância para que o processo de ensino e aprendizagem seja significativo. Pode-se remeter ao método Paulo Freire, no qual foram utilizadas palavras retiradas das vivências dos alunos para alfabetizá- los; a partir daí, surgia o interesse dos alunos para escrever sobre o que eles vivenciavam todos os dias. Daí parte a ideia de que o professor deve conhecer o cotidiano dos seus alunos, para poder trabalhar em sala de aula temas que deles façam parte. 3.1 A perspectiva do professor com o brincar O professor, ao lecionar em uma sala de aula, tem várias expectativas sobre os alunos e sobre o que eles poderão aprender ou não. Daí pode surgir dúvidas sobre o que, e qual método seria o melhor para ensinar.
  • 7. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 Piaget reforça a importância do professor na sala de aula, pois ele auxilia no desenvolvimento cognitivo, emocional e motor dos seus alunos, fazendo com que eles pensem por si só, desenvolvam ideias e resolvam situações-problema. Pode-se dizer que o papel do professor é fundamental na sala de aula, pois ele influencia a criança e será um modelo que ela poderá imitar. O professor pode ser considerado um líder, pois ele media e interfere na aquisição do conhecimento dos alunos, tendo a função de descobrir suas dificuldades individuais. Existe uma diversidade de pessoas na sala de aula; cada aluno tem uma vivência diferente, o que pode ou não interferir no processo de ensino e aprendizagem, cabendo assim ao professor mediar a aula para que esse processo seja acessível para todos os alunos. Dentre as estratégias que o professor deve seguir raramente o brincar está presente, o que acaba tornando seu trabalho mais difícil. Existem barreiras impostas ora pelo próprio professor, que talvez não esteja tão preparado, ora pela direção ou coordenação que deve seguir seus projetos e planejamentos, com a justificativa da falta de tempo. As escolas, no começo do ano, já exigem o calendário e o planejamento do ano letivo; sendo assim, o professor não tem tempo de conhecer as dificuldades e facilidades de seus alunos, para que possa planejar suas aulas e que ajudem no processo de ensino e aprendizagem. Surge daí uma grande dificuldade em conseguir arranjar tempo durante as aulas para que as brincadeiras sejam inseridas; porém, é possível encaixá-las dentro de algumas sequências didáticas. O brincar pode ser incluído em algumas situações através dos jogos. Estes podem ser criados pelos alunos, gerando um maior prazer em aprender, já que eles mesmos criaram o instrumento.
  • 8. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 Pode-se dizer que as atividades que envolvem o lúdico enriquecem os planos de aula, oferecendo à criança melhora na sua aprendizagem e no seu desenvolvimento psicomotor. Portanto, as atividades lúdicas deveriam ser incluídas nas séries iniciais, pois o professor poderá trabalhar com a interdisciplinaridade, e assim promover o desenvolvimento psicomotor e cognitivo, trazendo assim a socialização das crianças, que trabalharão ou não em grupos. Brincadeira e aprendizagem são consideradas ações com alvos bastante diferentes e não podem viver no mesmo espaço e tempo. O professor é quem cria oportunidades para que o brincar aconteça, sem atrapalhar as aulas. 3.2 O brincar, a escola e os alunos O brincar hoje está ausente de uma proposta pedagógica que incorpore o lúdico como linha do trabalho das escolas. A escola deve oferecer o conhecimento para seus alunos, porém não pode esquecer que ele deve ser agradável, proporcionando desafios, regras e controle da situação. “As informações podem ser adquiridas por diversos meios e formas passando assim a ser fundamenta a não valorização apenas de aquisição de conhecimento, mas sim o desenvolvimento cognitivo e motriz dos alunos”. (DOWBOR, 1996) A escola simplesmente esqueceu a brincadeira. Na sala de aula, ela é considerada uma perda de tempo, pois não há nada de pedagógico; porém, o jogo e o brincar podem se transformar em algo positivo, se houver a cooperação do professor e da coordenação. Segundo Piaget, o conhecer implica na relação sujeito-objeto, o que relaciona o conhecimento ao jogo, já que para conhecer é preciso atuar ou jogar. Pode-se dizer que, as crianças do mundo contemporâneo pensam no brincar somente através dos brinquedos, o que leva ao consumismo prematuro e à perda do significado do brincar, que é divertir e acaba servindo apenas como forma de competição, ou seja, para mostrar quem tem mais que o outro.
  • 9. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 Relacionar o brincar, as escolas e os alunos, não parece difícil; numa primeira impressão, parece que estão unidos, porém, o brincar dirigido necessita de planejamento para que não fique vago, e para que os alunos entendam que brincando eles também aprendem. O brincar leva os alunos a um momento lúdico, no qual eles irão aprender como se estivessem na sala de aula; o professor, porém, não vai passar todo o tempo da aula com o brincar dirigido por meio de jogos, mas poderá trazer para os alunos através do brincar, alguns pressupostos do que irão aprender; sendo assim, ficará mais fácil e prazeroso aprender algo de que já se tem ideia. Os alunos precisam conhecer previamente o assunto a ser tratado, ou através da roda de conversa ou de pressupostos trazidos de casa; só assim, eles sentirão que a atividade proposta terá sentido, já que cada palavra ou frase aprendida tem um significado na vida da criança. O professor pode realizar atividades que promovam debates entre as crianças, debates estes que podem ser por dúvidas ou relativos a algo novo, que instigue as crianças a querer saber mais. 3.3 Instituindo o brincar Ao iniciar um trabalho com séries iniciais, percebe-se que as barreiras estão muito presentes, pois, além da questão pedagógica diferente da educação infantil, há também a questão do horário. A ação do professor no ensino fundamental não conduz ao brincar, e sim ao ler e escrever. Sendo a escola geradora do conhecimento, seria necessário romper barreiras e inserir o jogo e o brincar na sala de aula, trazendo o lúdico para mais perto dos alunos e incentivando a imaginação, o aprendizado, o contato com as regras e a curiosidade em saber mais e mais. Descobrindo o sentido das próprias palavras, pode-se associar o lúdico à escola, pois o lúdico quer dizer “ludus” que significa jogo, divertimento e, por extensão, escola, aula. Esse significado é encontrado em várias línguas, porém a definição é a mesma.
  • 10. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 Segundo MARCELLINO (1995, pág. 107), no livro Pedagogia da Animação, “... o lúdico não se trata de procurar a institucionalização, pois algumas propostas atuais pregam a recuperação do lúdico pela escola.” Os jogos pedagogicamente educativos dão ênfase ao aprendizado, pois provocam na criança alguns conhecimentos e expressões necessárias; assim, elas poderão relacionar o aprendizado de sala de aula com alguns aprendizados ocorridos sem propósito pedagógico. O brincar ou o jogo são vistos como lazer, ou seja, algo que as crianças só podem fazer em um momento em que não estejam na escola, ou, se estiver no momento do intervalo. Instituir o brincar na escola não significa que toda a parte pedagógica será prejudicada ou substituída por ele, mas sim que ele será um auxílio para que ela ocorra com mais estímulos e maior prazer. Considerando como exemplo algo que os alunos têm dificuldade de assimilar, não conseguindo aprender através das estratégias pedagógicas comuns, verifica-se que o jogo pode trazer a curiosidade e a vontade de aprender. “... é justamente quando o prazer está ausente que a ameaça se torna necessária, uma vez que... é só do prazer que surge a disciplina e a vontade de aprender.” (ALVES, Rubens, 1984 p.106 apud MARCELLINO, Nelson, 1995) O jogo como objeto educativo pode trazer várias vantagens para as crianças nas séries iniciais como, por exemplo, estimular o pensamento espontâneo, a percepção de tempo e espaço, o lado afetivo, social e motor, além do lado cognitivo, que é o mais influenciado; sendo assim, o jogo poderá ser útil para a formação social do ser, que aprenderá a respeitar o outro, a obedecer às regras e a ter responsabilidade, o que é necessário para que as crianças convivam com o meio. O jogo une a vontade e o prazer durante as atividades. A utilização dos meios lúdicos mostra a escola como um ambiente atraente e estimulador para a criança. Os jogos mais conhecidos pelos alunos podem ser modificados para que se tornem pedagógicos; consequentemente, os alunos sentirão vontade de brincar com os
  • 11. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 jogos que eles já conhecem e se sentirão mais independentes, aprendendo com mais prazer. No processo de alfabetização e letramento das crianças, os jogos que contém letras e números, podem ser de grande valia, pois aumentarão os estímulos e unirão o lúdico à aprendizagem pedagógica. Na matemática, os jogos podem proporcionar aos alunos a vivência das situações do cotidiano, nas quais é preciso usar os números e fazer contas simples, fazendo com que eles formem conceitos novos sobre o mundo. Os números, na hora de jogar, estimulam o raciocínio rápido, fazendo com que as crianças se organizem e resolvam situações-problema com mais facilidade. O jogo auxilia no processo de ensino e aprendizagem da matemática, do português, ciências etc., desenvolvendo a psicomotricidade, ou seja, habilidades motoras, que acabam por desenvolver também o emocional e o intelectual; ao contrário do que possa parecer, as habilidades motoras das crianças não se relacionam apenas à lateralidade e noções de espaço e tempo, mas também à formação global da criança. 4. A intervenção psicopedagógica com atividades psicomotoras A educação psicomotora proporciona à criança benefícios no seu desenvolvimento através do corpo em movimento. Por meio de atividades psicomotoras desenvolve as capacidades sensoriais, preceptivas e motoras, propiciando a criança melhor coordenação. As atividades psicomotoras também auxiliam no processo de ensino e aprendizagem, pois o desenvolvimento físico-motor e cognitivo caminha juntos. Devemos considerar as formas diferenciadas de expressão corporal do individuo, entretanto, observar as conquistas de habilidades motoras de cada faixa etária. Nos momentos lúdicos da criança, podemos observar esses avanços através dos jogos e brincadeiras propostas no âmbito escolar. É nessas ocasiões que a aprendizagem torna-se significativa na vida do educando.
  • 12. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 De acordo com Meur & Stoes (1984): O intelecto se constrói a partir da atividade física. As atividades motoras não podem ser separadas de atividades intelectuais, pois essas junções (intelectual/psicomotor) fazem parte do processo de desenvolvimento do individuo. A psicomotricidade que estuda a ciência do homem através dos movimentos do corpo ajuda-nos entender esse processo de desenvolvimento por meio de atividades motoras , levando em consideração os aspectos intelectuais, psicomotor e afetivo para a formação do individuo. Segundo Molinari e Sens (2002) afirmam que a educação psicomotora nas séries iniciais ajudam prevenir futuros problemas de dificuldade escolar, como por exemplo, a falta de concentração, desordem no reconhecimento de palavras, confusão de letras e silabas relacionadas a alfabetização. A educação psicomotora é de grande importância para o desenvolvimento do infante, pois ajuda a criança a ter consciência do seu corpo. Onde a presença de jogos e brincadeiras no contexto escolar proporciona o desenvolvendo de sua lateralidade, coordenação e atenção. Alfabetizar a linguagem do corpo e só então caminhar para as aprendizagens triviais que mais não são que investimentos perceptivo-motor ligados por coordenadas espaços- temporais e correlacionadas por melodias rítmicas de integração e resposta. (FONSECA,1996, p.142). Sendo assim, as atividades psicomotoras, incluindo os jogos e brincadeiras, trabalha os movimentos do individuo, colocando em prática as funções intelectuais. Portanto, tratando-se de movimento percebemos a importância que leva o individuo a ter um desenvolvimento global. Referências Bibliográficas ALMEIDA, Paulo Nunes. Educação lúdica-técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo, Edições Loyola: 2000,11ª Ed.
  • 13. Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 5 – nº 1 - 2014 DEMEUR,A. & STAES,L. Psicomotricidade: educação e reeducação. Rio de janeiro: Manole, 1984. DOWBOR, L. Educação, tecnologia e desenvolvimento. In: BRUNO, L. Educação e trabalho no capitalismo contemporâneo. São Paulo: Atlas, 1996. FONSECA,V. Psicomotricidade.2.ed.São Paulo:Martins Fontes,1985. MARCELLINO, N. C. Estudos do lazer uma introdução. Campinas: Autores Associados, 1995. MOLINARI,Ãngela Maria de Paz; SENS, Solange mari. A educação física e sua relação com a psicomotricidade. Revista PEC, Curitiba, V.3, n 1, pg.85-93, Jul.2002- Jul.2003. PATERNOST, V. Do Motor ao cognitivo no processo de escolarização. I Concresso Latino- Americano p. 660, 1998 PIAGET, Jean. A construção do real na criança. São Paulo: Ática, 2003, 3ªed. p. 105. VIGOTSKI, L.S. A formação social da mente. São Paulo, Martins Fontes: 2007, 7º ed. ZABALA, Antoni. A prática educativa. São Paulo: Artmed, 1998.