Caminhão Leia Caxias:
Sua importância na prática da leitura
Daniela Mendes Vieira Alves (Implementadora de Leitura da Secr...
do Rio de Janeiro, perdendo somente para a capital, de acordo com pesquisas da
Fundação CIDE.
A arrancada no desenvolvimen...
Ramos (1987, p.298-299), pondera sobre o professor não-leitor e destaca
alguns pontos:
O professor, que nem sempre é um le...
objetos e bichos de pelúcia, que estão relacionados com as histórias que serão contadas
pelas dinamizadoras durante a visi...
de leitura para desenvolverem práticas leitoras. De acordo com os Parâmetros
Curriculares Nacionais para tornar os alunos ...
Sendo assim, é proporcionado ao aluno uma variedade de leituras e
possibilidades de se sentir agente do ato de ler para qu...
Desta forma potencializamos a ideia de que cantinhos de leitura, salas de
leituras e bibliotecas não devem ser espaços fri...
Figura 1 Caminhão Leia Caxias.
Figura 2 Lendo um livro de imagens.
Figura 3 Contando, cantando e brincando com as palavras.
Figura 4 Os alunos como participantes das histórias lidas ou cont...
Figura 5 Contações despertando emoções.
Figura 6 Promovendo leitura.
Figura 7 Promovendo leitura.
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Caminhão Leia Caxias

327 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
327
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
63
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Caminhão Leia Caxias

  1. 1. Caminhão Leia Caxias: Sua importância na prática da leitura Daniela Mendes Vieira Alves (Implementadora de Leitura da Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias) Renata de Araujo Tomé Alves (Implementadora de Leitura da Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias) Fátima Regina dos Santos França Alves (Implementadora de Leitura da Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias) Resumo: O presente trabalho tem por objetivo analisar o projeto Caminhão Leia Caxias, que é um projeto da prefeitura municipal de Duque de Caxias, município da baixada fluminense, tendo por objetivo incentivar e promover a leitura dos alunos da Rede Municipal de Ensino, atendendo o interesse dos alunos do Ensino Fundamental ao Ensino Regular Noturno. Este trabalho é desenvolvido a partir de uma prática metodológica sendo divido em três momentos fundamentais: a promoção de leitura, que é realizado pelas dinamizadoras de leitura lotadas nas escolas, o momento da contação e acesso ao acervo do Caminhão, e as atividades que são promovidas pela escola através de subsídios e formações oferecidos pela Divisão de Leitura da Secretaria Municipal de Educação. Diante disso, procuramos através do trabalho apresentar características, potencialidades e estratégias do projeto, de modo a compreender a importância dele no contexto de Caxias e no que tange a prática da leitura. Palavras-chave: biblioteca volante; sala de leitura; acervo; estratégias e projeto. O presente trabalho tem por objetivo analisar o projeto Caminhão Leia Caxias, que se trata de uma biblioteca volante, sendo um projeto da prefeitura municipal de Duque de Caxias, município situado na Baixada Fluminense, que abriga atualmente quase um milhão de habitantes em seus 465 km2 . Seus limites estendem-se, atualmente, aos municípios de Petrópolis, Magé, Rio de Janeiro, São João de Meriti e Nova Iguaçu. O município é dividido em quatro distritos: 1º- Duque de Caxias, 2º- Campos Elíseos, 3º- Imbariê, 4º- Xerém. A região onde está inserido o município, desde o período da ocupação europeia, teve sua história estreitamente relacionada à da cidade do Rio de Janeiro. Situando-se às margens da Baía da Guanabara, teve seu desenvolvimento ligado à extensa rede hidrográfica que a cortava. Localizado estrategicamente junto às principais rodovias do país, Presidente Dutra, Washington Luís, Avenida Brasil, Linhas Vermelha e Amarela, o município de Duque de Caxias ocupa o segundo lugar no ranking de arrecadação de ICMS do estado
  2. 2. do Rio de Janeiro, perdendo somente para a capital, de acordo com pesquisas da Fundação CIDE. A arrancada no desenvolvimento econômico do município teve início com a implantação da Refinaria de Duque de Caxias na década de 60. A empresa atraiu também outros gigantes do setor de petróleo: Shell, Texaco, Mobil, Petroflex. Os principais segmentos industriais no município são químico/petroquímico, metalúrgico/gás, plástico, mobiliário, têxtil/vestuário. Atualmente, empresas de vários segmentos estão se instalado em Duque de Caxias, como por exemplo: Jornal O Globo, Carrefour, Casas Bahia, aproveitando a privilegiada posição do município, segundo dados do IBGE. Importante frisar que, além de demonstrar que o município é um dos primeiros colocados em qualidade, tem potencial para, na prática da gestão pública, auxiliar nas ações de planejamento visando à melhoria das condições sociais. No entanto, as pesquisas que medem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), índices direcionados às análises educacionais, de renda e de longevidade de uma população, indicam que o município é o 52º do Estado. Atualmente Duque de Caxias possui 173 unidades de ensino, atendendo a um público de cerca de 83.000 alunos matriculados na rede pública municipal. Um caminhão baú de porte médio, nomeado como “Caminhão Leia Caxias” (fig.1) foi adquirido pela Secretaria Municipal de Educação (SME) no ano de 2001, e equipado com prateleiras cujo acervo de livros de obras variadas de literatura que atendem e despertam o interesse dos alunos da rede municipal de ensino. O Caminhão Leia Caxias está vinculado à Divisão de Leitura da Secretaria Municipal de Educação (D.L.) que é constituída por nove dinamizadoras, um motorista, uma assistente administrativa e por uma chefe. As dinamizadoras são professoras da rede municipal elaboram projetos junto com a chefe com o objetivo de promover o gosto pela leitura e propor um embasamento teórico para a prática dos profissionais envolvidos lotados nas Unidades Escolares (U.E.). Os dinamizadores são professores da rede municipal de ensino, estão lotados em uma das 173 escolas da rede e são indicados pelos gestores das U.E.. Esses professores devem ter como características: ser um leitor fluente, promover a leitura entre os alunos e a toda comunidade escolar, além de motivar a escola a ler e buscar novos livros e autores.
  3. 3. Ramos (1987, p.298-299), pondera sobre o professor não-leitor e destaca alguns pontos: O professor, que nem sempre é um leitor, não pode perceber- se como alguém que cria condições necessárias ao estabelecimento da relação leitor- leitura-obra. (...) somente o professor leitor-fruidor, aquele que se concede o direito de entregar-se à leitura-prazer-emoção, pode fazer frente às propostas de massificação da leitura apresentadas pela indústria editorial... O Leia Caxias é uma biblioteca volante colocada à disposição das Unidades Escolares (U.E.) do município de Duque de Caxias permitindo o acesso aos livros e a leitura aos alunos, professores e toda a comunidade escolar. Através da promoção da leitura literária, de grande importância para a formação dos alunos e de toda comunidade escolar enquanto cidadãos, pretende-se formar uma comunidade leitora. Soares (1988, p.25) adverte, “ao povo permite-se que aprenda a ler, não se lhe permite que se torne leitor”. Portanto, o Caminhão Leia Caxias tem como objetivo proporcionar momentos onde os alunos leiam e o educador dê continuidade em sua rotina na sala de aula a esses momentos, estimulando-os e motivando-os para formar novos leitores. Atualmente, a biblioteca volante mantém cerca de setecentos e trinta livros organizados em categorias e cores, disposto no espaço de modo que favoreça o acesso dos leitores com autonomia. O Leia Caxias atende desde a Educação Infantil, Ensino Fundamental até o Ensino Regular Noturno. As visitas são previamente agendadas pela Divisão de Leitura da SME que seleciona as escolas que serão atendidas ao longo do ano letivo. A visita da biblioteca itinerante é um dia diferente na rotina da escola, onde acontecem outras atividades de promoção de leitura. Ficando disponível para a U.E. no período de 8h às 17h, quando a visita destina-se à Educação Infantil, ao ensino fundamental e de 18h às 22h quando é para os alunos do ensino regular noturno. São atendidos grupos de quinze a vinte alunos. Cada grupo ouve histórias contadas por dinamizadoras de leitura. Em seguida é apresentado o acervo aos educandos, permitindo manuseio e leitura das obras (fig.2). O ambiente é aconchegante, os educandos e educadores encontram um espaço cercado de livros, um tapete onde podem ficar confortáveis para ouvir e ler histórias. O caminhão é equipado com ar condicionado, proporcionando um clima mais agradável, uma cortina tornando o espaço mais reservado e assim aprazível por si só e convidativo. Também há
  4. 4. objetos e bichos de pelúcia, que estão relacionados com as histórias que serão contadas pelas dinamizadoras durante a visita, no intuito de ampliar o campo da imaginação. Os alunos têm ainda a oportunidade de contar suas histórias, cantar e brincar com as palavras (fig. 3). Com os jovens e adultos, tem-se a possibilidade de compartilhar recontos e resgate de memória de histórias e contações vivenciadas em sua infância: “A criança reelabora e reorganiza seu mundo externo pela brincadeira, pelo encantamento, pela capacidade alçar voos imaginários. Pura maravilha.” (Anna Claudia Ramos, 2006, p.47). Percebemos que através das visitas da biblioteca volante os alunos despertam o prazer de ler, reproduzem ações do dinamizador de maneira lúdica e significativa. Segundo relatos de dinamizadoras os alunos apresentam maior interesse em buscar novas leituras e livros, ampliando seu imaginário para novas produções orais e escritas. Constatamos que, além do professor, a comunidade escolar como um todo se entende como parte do processo e como agente motivador de incentivo à leitura. Consequentemente esse profissional busca novos conhecimentos e fundamentações para nortear seu fazer pedagógico. Os alunos ao ouvirem as contações não são meros ouvintes, mas coparticipantes das histórias lidas ou contadas, interagindo e tornando-se atores das mesmas (fig.4) como explica Ramos: O potencial criador não é outra coisa senão esta disponibilidade interior, esta plena entrega de si e a presença total naquilo que se faz. Ela vem acompanhada do senso do maravilhoso, da eterna surpresa com as coisas que se renovam no cotidiano, ante cada manhã que ainda não existiu e que não existirá mais de modo igual, ante cada forma que, ao ser criada, começa a dialogar conosco. É nossa sensibilidade viva vibrante. (Anna Claudia Ramos, 2006, p.51). No ano de 2012 a Equipe de Leitura da SME, elegeu como temática para o projeto do ano letivo: “Desvelando Caminhos Por Um Brasil Literário: Ontem, Hoje e Sempre” que será desenvolvido em três etapas nomeadas de passos. Serão abordados no primeiro passo os Contos Populares, no segundo passo serão adotados autores que contam suas histórias, história de quem faz história, como: Ana Maria Machado, Bartolomeu Campos de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Lygia Bojunga, Manoel de Barros, Nelson Rodrigues, Roseana Murray, sendo de livre escolha das escolas quais autores deverão ser apresentados aos alunos. O terceiro passo será apresentar as novas mídias e sua inserção no campo da literatura. A Divisão de Leitura promove capacitações, encontros de formação destinados aos professores dinamizadores
  5. 5. de leitura para desenvolverem práticas leitoras. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para tornar os alunos leitores a escola e as dinamizadoras, terão que motivar internamente seus alunos, para tanto se faz necessários ações que promovam o gosto pela leitura. A escola deve ter como objetivo formar alunos leitores que se entende como: "aquele que, lendo um texto, é capaz de discutir ideias, expor interpretações individuais e partilhar das experiências geradas pela incursão nos textos, em suma, alcançar o adentramento crítico da leitura feita." (UCHÔA, 1991:76). Segundo Leonor Werneck (2010), para estimular a leitura, é necessário que o professor perceba que ela é um processo amplo e exige a participação do leitor. Considera que a participação do aluno na leitura começa antes mesmo do contato com o texto. No caso da adoção dos chamados livros paradidáticos, prática frequente em muitas escolas, é sempre o professor que escolhe a obra a ser lida e raramente os alunos são ouvidos; em vez disso, o aluno poderia analisar a capa, o título, o tema de vários livros e indicar sua preferência. As visitações do Caminhão Leia Caxias estão inseridas na proposta do projeto, sendo assim, o incentivo a leitura tem inicio no trabalho desenvolvido pela Divisão de Leitura (D.L.), oferecendo formações que acontecem trimestralmente, empréstimo de livros para os dinamizadores, denominado “Sacolas Literárias”, visitação das dinamizadoras da D.L. da SME às escolas auxiliando o desenvolvimento do trabalho. Os profissionais envolvidos sugerem livros e textos para leitura e embasamento do fazer pedagógico do professor dinamizador e promoção da leitura. Fica aos cuidados do dinamizador promover o gosto pela leitura em seus encontros semanais. Dedicam doze horas em sala de aula e oito horas destinadas ao planejamento e organização de suas ações. Dentre as ações sugeridas pela Divisão de Leitura estão: rodas de leitura, leitura compartilhada, sarau literário, encontro literário, mediação, contação de histórias, concursos literários, passeios culturais e empréstimos dos livros do acervo da Sala de Leitura da U.E. O empréstimo promove a formação leitora das crianças em suas casas, irradiando para a família. Além disso, também é necessário promover leitura para o corpo docente em Rodas de Leituras e Grupo de Estudos."As atividades com textos literários na escola vão inserindo a criança na esfera social letrada da literatura, o que representa o conhecimento de novos modos de compreender a realidade, de organizá-la, abrindo-lhe as portas para conteúdos de um novo campo do saber".(Cecília M. A. Goulart, 2005,p.46).
  6. 6. Sendo assim, é proporcionado ao aluno uma variedade de leituras e possibilidades de se sentir agente do ato de ler para que essa não seja apenas uma atividade a mais no currículo escolar. Uma das atribuições da escola é estimular o aluno a ler nas entrelinhas e fazer sua leitura observando que nenhum texto é totalmente neutro. Ana Maria (MACHADO, 2004B, P.105), em seu livro IIhas no tempo, algumas leituras, afirma que: [...] ao ser lido, um livro deixa de ser apenas do autor que o escreveu e passa a ser também propriedade do leitor, é apropriado por quem o lê, começa a fazer parte do imaginário de outra pessoa, de sua memória, de sua bagagem cultural pessoal. Ao serem publicados (dados ao público) e lidos, os livros deixam de pertencer exclusivamente ao autor e são reapropriados pelos outros. Neste sentido verificamos que todos os estudantes que passam pelo Caminhão saem com um novo olhar e sentindo–se estimulados a descobrir novas leituras. Agradecem a visita, relatam o prazer de estarem ali compartilhando o momento, perguntam quando terá uma nova visita e demonstram toda a alegria e encantamento que o livro e a leitura proporcionou naquele dia. Além do encontro com a leitura literária, os visitantes expõem suas preferências de leituras, compartilham opiniões sobre contos, narrativas, textos poéticos, periódicos (jornais e revistas) e filmes assistidos. Constatamos que através da ida do Caminhão às escolas, a leitura e o livro têm rompido barreiras e superado obstáculos, despertando emoções, sentimentos e permitindo uma reflexão aos leitores sobre a importância da leitura para uma vida mais digna e com cidadania (fig.5). Encontramos alunos dramatizando histórias, recitando poesias, cantando músicas, citando autores e títulos de obras que já leram. Mostrando seus talentos e o que a escola tem desenvolvido através de seus projetos internos. Desse modo a visita da biblioteca volante, “Caminhão Leia Caxias”, torna-se um espaço privilegiado, em que se dá o encontro do leitor com as diversas formas de registro do conhecimento e o estabelecimento do diálogo entre indivíduos que compartilham informações, impressões e experiências. Cabe ainda destacar que a visita às unidades escolares fortalece a responsabilidade social da escola, não se restringindo aos usuários diretos, mas a rede da qual esses usuários participam e com a qual interagem.
  7. 7. Desta forma potencializamos a ideia de que cantinhos de leitura, salas de leituras e bibliotecas não devem ser espaços frios e silenciosos, mas territórios de convívio, que permitam a troca, a interlocução. Onde a ambiência convide e, não, empurre o leitor para fora. Um espaço de leitura que seja referência entre os alunos, seus familiares e os profissionais da Escola. Através dessas vivências consideramos que o ato de promover ações de incentivo a leitura e o acesso ao livro (fig.6 e fig.7), tem diminuído desigualdades, garantindo direitos e aproximando educadores e educandos sobre a importância do ato de ler em toda a comunidade escolar que está inserida no município de Duque de Caxias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS RAMOS, Ana Claudia. Nos bastidores do imaginário: criação e literatura infantil e juvenil . São Paulo: DCL, 2006. PRIETO, Benita (org.) Contadores de histórias: um exercício de muitas vozes. Rio de Janeiro: s/d, 2011. GENS, Rosa et al (org.) Literatura infantil e juvenil na prática docente . Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 2010. BERENBLUM, Andréa. Por uma política de formação de leitores. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2009. PAIVA, Aparecida et al (org.) Literatura e letramento: espaços, suportes e interfaces– O jogo do livro. Belo Horizonte: Autêntica / CEALE/FaE/UFMG, 2005.
  8. 8. Figura 1 Caminhão Leia Caxias. Figura 2 Lendo um livro de imagens.
  9. 9. Figura 3 Contando, cantando e brincando com as palavras. Figura 4 Os alunos como participantes das histórias lidas ou contados.
  10. 10. Figura 5 Contações despertando emoções. Figura 6 Promovendo leitura.
  11. 11. Figura 7 Promovendo leitura.

×