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Leitura Caxias: duas décadas de histórias para contar - Hellenice ferreira

  1. 1. 1 LEITURA CAXIAS: DUAS DÉCADAS DE HISTÓRIAS PARA CONTAR Hellenice de Souza Ferreira (Chefe da Equipe de Leitura da Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias/RJ) No final de 1991, a Universidade Federal Fluminense, com o objetivo de ressignificar o oferecimento da leitura nas redes públicas de ensino, lançou o Programa de Alfabetização e Leitura - PROALE. Presente no evento de lançamento a Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias, cidade localizada na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, passou a receber orientações para o desenvolvimento do Programa em suas Unidades de Ensino. Neste mesmo período, recebeu da Universidade um acervo literário com duzentos e quarenta e quatro títulos de literatura infantojuvenil para que pudesse dinamizar em suas escolas. Quarenta e três delas atenderam ao convite feito pela Secretaria para integrar o Programa e, na Divisão de Ensino Fundamental (hoje Divisão de Ensino Infantojuvenil) foi selecionado um grupo de profissionais para dinamizá-lo. No início do ano seguinte, intensificando esta proposta através da atuação dos profissionais envolvidos, a Secretaria contribuiu para o nascimento de uma equipe especificamente voltada para pensar propostas de estímulo e acesso à leitura. E é por este motivo, que 1992 tornou-se o marco de criação do trabalho de incentivo à leitura no âmbito da Rede Municipal de Ensino, ou seja, ano de nascimento da Equipe de Leitura. Certamente os pioneiros, que não eram tantos (o que, aliás, só faz multiplicar o valor de suas ações), são os profissionais mais indicados para conduzir esta pesquisa. No entanto, diante da dificuldade encontrada para reuni-los em torno desta tarefa, a atual Equipe de Leitura, inicia, através desta comunicação, o resgate destas memórias com o objetivo de homenagear estes professores que semearam o caminho até aqui. E é por este motivo também que o relato será sucinto e se restringirá a descrição de apenas algumas atividades/ações, sem citação de nomes, sobretudo para que nenhum deles seja esquecido. Todavia, com objetivo de resgatar e documentar as ações desta Equipe do modo mais completo possível, a pesquisa será ampliada e registrada
  2. 2. 2 através de documentário homônimo, cuja filmagem terá início ainda este ano. Pois bem, a partir do momento em que o grupo de professores passou a atuar em espaço próprio, sob a denominação de Equipe, sua identidade foi se construindo mais rapidamente e com maior solidez. Sempre preocupados em aproximar os pequenos leitores das obras literárias, o grupo começou a pensar atividades em que a mediação e a contação de histórias pudessem reunir os alunos em torno do ato de ler. Participaram de uma oficina para preparação de contadores de histórias - orientada por Benita Prieto, que batizou o grupo formado com o nome de “Mira Mirá” (único grupo de contadores de histórias formados por funcionário lotados na SME para atuação nas escolas) - e intensificaram as saídas da sede da Secretaria Municipal de Educação em direção às Unidades Escolares, com o intuito de contar histórias para o corpo discente. Como o grupo era pequeno, poucas as Unidades Escolares eram atendidas mensalmente, mas nunca com menor vigor e intenção de conquistar, seduzir os alunos através dos textos ofertados oralmente. Nem sempre a ação era compreendida como um presente para os alunos e a escola. Tampouco eram percebidos com clareza os objetivos do trabalho. No entanto o grupo prosseguiu com as intervenções, buscando pensar outras e mais eficazes ações para convencer e seduzir, sobretudo, o corpo docente. Em contrapartida algumas escolas trouxeram excelentes contribuições. Numa das Unidades Escolares em que o trabalho de leitura corria com excelência, professores passaram a se reunir para compartilhar leituras, enquanto aguardavam a chegada de seus alunos. Baseado nesta experiência é que surgiu, na Rede Municipal de Ensino, o Clube de Leitura, momentos de leitura pelo prazer da leitura propostos para professores. Atualmente temos relatos de escolas onde eles ocorrem com a presença de todos os funcionários da escola, mensalmente, de modo ininterrupto desde que foi proposto, em meados da década de noventa. Por volta do ano de 1996, Duque de Caxias, que abriga a sede da Refinaria de Petróleo - REDUC - passou a receber também, em suas escolas municipais, visitas sistemáticas de uma biblioteca itinerante e encontros de formação para promotores de leitura, dinamizado pelo Programa de Incentivo à
  3. 3. 3 Leitura da Petrobrás (Leia Brasil). Paralelo a isso, o grupo de trabalho que, embora não fosse mais o inicial, permanecia fortalecendo os objetivos de formar leitores de literatura, ainda que não o mencionasse deste modo, recebe apoio do governo municipal e começa a destinar um professor para cada escola com a função de dinamizador de leituras. Este profissional deveria ser um professor das séries iniciais, para que, com sua carga horária maior, pudesse verticalizar seu horário e melhor conhecer/atender toda escola. A escolha desse profissional caberia ao diretor da escola que deveria identificar além das características imprescindíveis a um promotor de leituras, as de um líder integrador, capaz de formar elos entre leitores e leituras em toda escola. O dinamizador de leitura tem, desde então, sua carga horária dividida em prática educativa (uma hora por semana em cada turma), onde seu objeto de trabalho será o livro e a leitura com todas as suas possibilidades, momentos para organização e dinamização dos clubes de leitura, horário para planejamento na Unidade Escolar, e para empréstimo do acervo da escola aos alunos, professores e funcionários. Embora não tenha documento comprobatório, relatos indicam que no mesmo período surgiu a função de dinamizador de biblioteca. A este professor caberia a função de catalogar, manter organizado e oportunizar a rotatividade do acervo contido na escola, contribuindo com o dinamizador de leitura na realização desta tarefa. Estes profissionais, sobretudo o dinamizador de leitura, assistiam não apenas às formações oferecidas pelo Programa Leia Brasil, como também recebiam apoio e formações regulares oferecidas pela Equipe de Leitura. Em 2001, a Equipe de Leitura, que contava com sete integrantes (cinco professores implementadores, um que respondia pela chefia e um funcionário administrativo) recebe um caminhão baú de pequeno porte para dar prosseguimento às visitas que desde o início faziam às Unidades Escolares dinamizando leituras e contando histórias. Isto porque se no início desta Equipe, o grupo saia por conta própria ou em uma Kombi inapropriada, para percorrer as escolas municipais, logo que possível traçou um projeto que justificasse a aquisição de um veículo que
  4. 4. 4 funcionasse como sala de leitura itinerante. E se o único registro escrito que temos hoje data de 1999, depoimentos revelam que era um desejo bem mais antigo. No documento arquivado na atual sala da Equipe observamos que se trata de um projeto bastante simples, mas notadamente eficaz, onde o veículo- biblioteca estaria sempre acompanhado de um contador de histórias pronto a ler, ler, orientar leituras e emprestar as obras contidas no interior do veículo para a comunidade escolar. Esta experiência tinha sido oportunizada à algumas escolas através do Caminhão Leia Brasil, da Petrobrás, mas a partir daquela aquisição, todas as escolas municipais poderiam ser beneficiadas! Homenageando o Programa de Leitura da Petrobrás, o caminhão é batizado como “Leia Caxias”, e é inaugurado na Praça Roberto Silveira (onde estava situada a sede da Prefeitura), no dia 18 de abril, dia nacional do livro infantil. Por esta época, a Equipe norteava suas atividades seguindo o projeto “As mil e uma faces da leitura” e a cada ano, era elaborado um subprojeto para nortear o ano letivo vigente, com a participação dos professores dinamizadores. À época da inauguração da “Leia Caxias”, a Equipe encaminhava o subprojeto “Pirlimpimpim: o Sítio é aqui!” que, naturalmente, homenageava Monteiro Lobato. Atualmente, todo ano um autor é homenageado com o objetivo de ser apresentado aos alunos durante o período letivo, para além das atividades propostas, de modo a ter sua obra e nome reconhecidos. A intensidade e maturidade das tarefas desenvolvidas pelo grupo estavam tão consolidadas que em abril de 2002, dez anos após o início desta caminhada, foi criada documentalmente a Equipe de Leitura da Secretaria Municipal de Educação, que prosseguiu ampliando suas ações, a saber: A Biblioteca Volante Leia Caxias (como hoje é nomeada) passou a atender as Unidades Escolas que faziam solicitação de visita através de ofício à Coordenadoria de Ensino. Durante as visitas, a escola poderia tomar emprestados 40 livros que ficavam sob a responsabilidade do dinamizador de leitura, para utilização no período de quinze dias;
  5. 5. 5 As formações oferecidas pela Equipe aconteciam bimestralmente, algumas vezes com a participação de escritores e/ou pesquisadores convidados; Formações externas (Casa da Leitura, Paço Imperial, PUC-Rio, etc) eram oferecidas aos professores dinamizadores de leitura e de biblioteca, transportados por carros oficiais da Secretaria (ônibus ou micro ônibus); Cursos para formação de Contadores de Histórias passaram a acontecer com regularidade, a partir deste período; O número de dinamizadores por Unidade Escolar foi ampliado. Escolas com vinte turmas em diante poderiam ter mais de um profissional promotor de leituras. Os subprojetos passaram a ter formato de projetos anuais subdivididos em bimestres. Para falar sobre cada tópico a Equipe de Leitura, que já realizava encontros bimestrais com seu grupo de professores dinamizadores passou a contar com a presença de profissionais como Fernando Lébeis, Lúcia Fidalgo, Celso Sisto, Emanuel Santos, José Mauro Brant, dentre outros. Numa parceria entre as Secretaria de Educação e de Cultura, a Equipe de Leitura atuou por diversas vezes na Biblioteca Pública Governador Leonel de Moura Brizola, situada no centro da cidade, promovendo rodas de leitura para os alunos da Rede Municipal. Pelo período de dois anos, aproximadamente, dois implementadores da Equipe atuaram diretamente na Biblioteca, dinamizando o acervo e editando um informativo com sugestões de leitura, pesquisas, jogos e passatempos para crianças e jovens. Ainda em 2002, surgiu no seio desta Equipe a Casa de Iniciação às Artes - CIART - projeto cujo objetivo precípuo era (e ainda é) oportunizar ao aluno contato sistemático com variadas linguagens artísticas, através de cursos que aconteciam numa escola pólo. Hoje inúmeras escolas já oferecem esses cursos nos contra turnos. Os alunos não precisam sequer deixar suas escolas para vivenciar experiências artísticas de qualidade. A partir de 2011, a CIART possui seu próprio espaço e coordenação, e vem ampliando o atendimento geometricamente, de modo que em bem pouco tempo deverá estar presente em todas as Unidades Escolares, como a própria Equipe de Leitura.
  6. 6. 6 Atualmente a Equipe é chamada de Divisão de Leitura, está ligada ao Departamento de Educação Básica e atende a toda Rede Municipal. Vem contribuindo ativamente para a construção do Plano Municipal do Livro e Leitura, convocando seus dinamizadores de leitura e de biblioteca a tomarem parte desta discussão. E vem propondo a estes profissionais que conversem com o corpo docente, discente, a comunidade escolar e local sobre a construção deste documento. Os encontros foram poucos, a própria discussão ainda é incipiente, embora a cidade de Duque de Caxias seja a segunda, após a capital do estado, a ter iniciado o processo, mas a Equipe vem se preocupando em multiplicar as informações, o que é fundamental para a boa escrita de qualquer PMLL. Os encontros de formação apresentam formatos variados (oficinas, mesas redondas, palestras) e hoje são realizados trimestralmente, porque foi feita a opção por projetos trimestrais, qualificando o atendimento e proporcionando espaço para que o profissional integre todas as ações de leitura aos variados projetos que a Unidade Escolar possa desenvolver ao longo do ano. A Biblioteca Volante Leia Caxias, visita quatro escolas por semana, atendendo das creches ao EJA e está presente em todas as atividades que envolvem ações extracurriculares, como ações sociais em bairros; formação de jovens e adultos mediadores; ações do governo municipal que tenham participação direta em bairros; ou seja, a Biblioteca vem sendo disponibilizada cada vez mais para os munícipes e não apenas alunos, ampliando seu objetivo inicial e deixando clara a necessidade de ampliação deste tipo de frota. Até o final deste ano letivo todas as Creches Municipais e todas as Unidades Escolares que atendem o segmento EJA, vão ter recebido visita do Leia Caxias, ação inaugurada este ano, mas que se pretende permanente. Além disso, hoje nossos alunos também vêm se tornando dinamizadores de leitura. Em parceria com o Projeto Comunidade Educadora (formado pela ONG Care do Brasil e o Colégio Estadual Guadalajara) desde 2009 que nossos jovens estão passando por formação e acompanhamento sistemático para que atuem em suas escolas como mediadores de leitura. Embora esta ação já fosse desenvolvida em algumas escolas, por
  7. 7. 7 iniciativa dos dinamizadores e/ou escolas, a partir desta parceria, esta atividade passou a ser intensificada e até o final deste ano, todas as Unidades Escolares estarão incluídas no Projeto Jovens e Adultos Mediadores de Leitura (os alunos do EJA foram inseridos a partir de uma reunião realizado dia 05 de maio deste ano e sua formação foi realizada pelos jovens alunos mediadores, ou seja, nossos alunos são Formadores). Este Projeto vem possibilitando ao aluno a oportunidade de desenvolver o trabalho de promoção de leituras em sua escola e alguns estão indo bem além. Estão mediando leituras em suas comunidades. Como exemplo citamos a Escola Municipal Parque Capivari que, tendo começado este trabalho antes mesmo da proposta da Secretaria, hoje conduz semanalmente um grupo de alunos para mediar leituras para os idosos moradores de um lar de acolhida, próximo à Unidade Escolar, de quem, em contrapartida eles ouvem histórias populares e de vida. Durante estes vinte anos, foram realizados seminários, feiras de livro, trabalhos em praças, uma bienal do livro, etc. Mas em 2010 o seminário Ciranda da Palavra deixou como fruto uma roda bimestral de leituras, nomeada Cirandeiros da Palavra, onde não apenas o corpo docente atendido pela Equipe participa, mas professores de variadas Redes de ensino e quaisquer outros leitores interessados, munícipes ou não. A Equipe de Leitura da Secretaria Municipal de Educação e os trabalhos de promoção de leitura, dinamizados pelos professores em suas Unidades Escolares, têm sido objeto de pesquisas para mestrados e doutorados e, o presente relato, com tom propositalmente memorial, visa iniciar a documentação destas histórias, mas, principalmente, como dissemos no início agradecer e homenagear os que iniciaram o caminho com vigor e persistência quando a leitura não era como é hoje, recebedora de tantos olhares. Ampliando suas ações, hoje a Equipe de Leitura, através dos professores dinamizadores de leitura e de biblioteca, intensifica e estreita sua relação com as comunidades em que as Unidades Escolares estão inseridas, contribuindo para que a leitura seja meta e condição sine qua non para o desenvolvimento de todos os munícipes. A preocupação não é apenas a de que o aluno se torne leitor, mas que tenha o desejo de multiplicar com parentes
  8. 8. 8 e amigos este ato que tanto o agrada. Assim, contribuindo para a multiplicação de leitores em seu entorno, esses alunos, desejosos de qualificar suas leituras e estimular que os outros também o façam vão modificar o panorama de leitura na cidade. Porque além do interesse na quantidade de leitores, importa a Equipe a qualidade das leituras. Duque de Caxias está muito longe da meta ideal de número de leitores e qualidade/quantidade de leituras, como tantas outras cidades brasileiras. Nosso quantitativo de livrarias e bibliotecas é irrisório. No entanto podemos assegurar que o trabalho desenvolvido no âmbito da Rede Municipal de Ensino, através da atuação da Equipe de Leitura e seus pares nas escolas – dinamizadores de leitura e de biblioteca – contribuíram e contribuem muito para a melhoria deste panorama. Sem a intensa atuação de todos os profissionais envolvidos nesta tarefa durante estes vinte anos teríamos muito menos para contar. E é como aplauso para os que começaram e incentivo para todos nós, que encerro lembrando as palavras do educador eleito Patrono da Educação Brasileira “Não sou objeto da história, mas seu sujeito igualmente” (FREIRE, 1986).

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