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A literatura infantil no meio digital
Camila Ramos de Almeida, camila.ra@gmail.com, UNISINOS, estudante do curso de Letras, BR
Inês Elisandra da Cruz, cruz@bage.unisinos.br, UNISINOS, estudante do curso de Letras, BR
Raquel Gressler, frrg@terra.com.br, UNISINOS, estudante do curso de Pedagogia, BR
Eliane Schlemmer Grings, elianes@unisinos.br , UNISINOS, professora do curso de Pedagogia, BR
RESUMO
Esse artigo apresenta os resultados de um Projeto de Aprendizagem desenvolvido na disciplina de Educação e
Multimeios do curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS, o qual teve início a
partir das seguintes problemáticas: como se apresentam os sites de literatura infantil e se os mesmos despertam
interesse em seu público alvo. O texto sugere uma reflexão sobre a literatura infantil no mundo digital.
Primeiramente, foram feitas algumas considerações quanto à literatura infantil. Após, analisou-se, então, as
possibilidades de contribuição das Tecnologias Digitais (TDs) para a literatura destinada às crianças. A
informática é algo que desperta o fascínio nas crianças, e, dessa forma, possibilita uma outra forma de
literatura. Sendo assim, esse mundo digital poderia despertar o interesse do público infanto-juvenil para a
literatura, já que estes não têm o hábito de ler. Diante dessa alternativa de inovar a literatura infantil, nos
propomos a pesquisar as páginas da web que são destinadas aos pequenos e observar a qualidade de suas
narrativas e o seu nível de interatividade. Após, páginas foram classificadas em boas e ruins. Além do valor
literário das narrativas também foi observado o seu grau de interatividade. Conclui-se então, que a pouca ou
nula interatividade nessas páginas, a partir dessa constatação, que a tecnologia deve estimular a criatividade
da criança e, dessa forma, despertar o interesse deste público. Um site ideal deve conseguir unir fantasia e
interatividade, pois, assim, vai explorar a imaginação da criança e formar leitores emancipados e críticos.
ABSTRACT
This article shows the results of a Learning Project, developed during the Pedagogy Curse of the University
Vale do Rio dos Sinos, Education and Multimedia subject. It started based on the following question: how the
children’s literature sites are shown and if they can attract the attention of their target public. The text suggests
a reflection about the children’s literature in the digital world. First of all, some considerations about the
children’s literature where performed. Later on, the possibilities of the Digital Technologies (DTs) contribution
for the literature directed to children was analyzed. The it (Information Technology) is something that sparks the
children’s fascination, and therefore the it allows the arise of another literature form. Consequently, this digital
world can spark the teens interest for literature, despite their lack of reading habits. Considering this alternative
to innovate the children’s literature, we began to navigate children’s web pages, observing the quality of their
narrative and their interactivity level. Then, the web pages where classified in two categories: bad or good.
Beyond the narratives content value, their interactivity level was analyzed as well. Then we conclude that there
are few or even null interactivity in these pages. From this evidence, we believe that the IT should stimulate the
children’s creativity and consequently trigger the interest of this people. The ideal site must unite fantasy and
interactivity, stimulating the children’s imagination and creating emancipated and critical readers.
PALAVRAS-CHAVE: literatura infantil, intencionalidade, interatividade, mundo digital e criança.
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho foi resultado de um processo de aprendizagem construído na disciplina
Educação e Multimeios em que participam tanto alunos do curso de Letras quanto do curso de
Pedagogia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.
Primeiramente, o projeto teve por objetivo esclarecer algumas dúvidas referentes ao
uso da tecnologia digital na literatura infanto-juvenil. Após, nos propomos a verificar se os
sites disponíveis na internet possuíam interatividade e histórias que desenvolvessem o
imaginário das crianças.
Constatamos que as páginas sobre literatura infanto-juvenil existentes no mercado
poderiam ser mais elaboradas, ou seja, deveriam explorar mais o encanto que exercem sobre o
usuário infanto-juvenil. Sendo assim, a leitura que é um meio importante para auxiliar no
desenvolvimento da criatividade, da imaginação e da emancipação do leitor infantil, poderá se
tornar mais atrativa através de bons sites, despertando, dessa forma, o interesse do público
infantil.
Para a elaboração do projeto, foram realizadas uma pesquisa bibliográfica, e também,
uma pesquisa de campo, onde foi analisada a reação dos usuários infantis quando acessavam
as páginas sobre literatura.
A partir disso, foi organizado uma proposta de atividade interativa que atendessem as
expectativas do leitor infantil.
O site desenvolvido na disciplina Educação e Multimeios pode ser encontrado no
endereço: http://ava.unisinos.br/arquivos/site/trab1180/SITE FINAL/index.htm
2. A Literatura Infantil
A literatura infantil desde sua origem, foi utilizada como um instrumento educacional,
um reforço para fixar os costumes da sociedade em cada época. Por isso até hoje é
questionado, se a literatura infantil deve ser um instrumento de educação ou de divertimento.
Este segmento da literatura constitui-se como gênero durante o século XVII, época em
que algumas mudanças que ocorreram na estrutura da sociedade desencadearam repercussões
no âmbito artístico e social. O aparecimento da Literatura Infantil tem características próprias,
pois decorre da ascensão da família burguesa em contrapartida do enfraquecimento das
grandes propriedades e da aristocracia fundiária, do novo "status" concedido à infância na
sociedade e da reorganização da escola, que torna-se obrigatória e aberta para todas as classes
sociais. Sua emergência deveu-se, antes de tudo, à sua associação com a Pedagogia, já que as
histórias, prioritariamente, nesse período, eram elaboradas para se converterem em
instrumento dela e também, como divulgadoras de valores morais propagados pela sociedade
da época.
Percebe-se, assim, que desde a sua origem, a literatura infantil é assombrada por uma
intencionalidade que se modifica de acordo com a época e os valores da sociedade vigente. E
até hoje, conforme reitera Coelho, são encontrados livros endereçados às crianças, que
pretendem transmitir algum valor, dizendo-lhes o que é certo e errado, são as obras
classificadas, atualmente, como pedagógicas. Nesse sentido, a Literatura Infantil e,
principalmente, os contos de fadas passaram a influenciar a formação da criança. O
maniqueísmo que divide as personagens em boas e más, belas ou feias, poderosas ou fracas
tende a facilitar à criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou do
convívio social.
Da mesma forma que a concepção do que é a infância tem se modificado ao longo dos
tempos, o conceito de literatura infantil também se altera e hoje, tomando-se como base a
concepção apresentada por Nelly Novaes Coelho em sua obra, Literatura Infantil: teoria,
análise, didática na qual enfatiza ser a literatura Infantil antes de tudo arte: fenômeno de
criatividade que representa o Mundo, o Homem, a Vida, através da palavra. Funde os sonhos
e a vida prática; o imaginário e o real; os ideais e sua possível/impossível realização, pode-
se perceber que mesmo sendo destinada a um público em desenvolvimento, como o infantil,
essa modalidade artística deve priorizar a criação de livros que despertem a criticidade, a
imaginação e a emancipação do leitor infantil, ao invés de obras que se preocupem apenas em
transmitir algum ensinamento ou mesmo conteúdo didático.
Mas apesar da crescente expansão editorial que a literatura infantil vem passando,
principalmente no Brasil, desde o início da década de 70, a educação vem enfrentando um
grave problema: a falta de interesse pela leitura por parte do publico infantil. Muito disso se
deve ao fato de se ter uma grande quantidade de livros que embora aproveitem-se da parte
gráfica possuem temáticas pouco atraentes aos nossos jovens leitores ou ainda, obras que
recaiam ao velho problema da moralidade.
Em pesquisas sobre o déficit de leitura entre os jovens e crianças foi constatado que a
culpa pela falta de interesse se divide entre a escola, que utiliza-se de livros com a finalidade
de transmitir conhecimentos e a família que cada vez menos dispensa tempo para a leitura em
casa, não fornecendo assim, o exemplo necessário para a criação do hábito da leitura nos
pequenos.
Na contramão desta realidade aparece a informática que vem crescendo rapidamente,
que desperta o interesse das crianças e possibilita a oferta de uma outra visão de literatura,
através de sites que são disponibilizados na internet contendo inúmeras histórias infantis.
Sendo o mundo digital uma grande atração para os jovens e as crianças devido a sua
amplitude de recursos áudio- visuais, poderia estar na web o remédio para despertar o
interesse do público infanto- juvenil para a leitura. Visto que o meio onde ocorra o contato
com as obras pouco importa, desde que o hábito da leitura seja criado.
3. O Mundo Digital
Esse ambiente novo e que desperta tanto interesse no público mais jovem quanto
insegurança no público mais adulto, tornou-se a esperança dos educadores para atrair os
jovens e as crianças à leitura. Os inúmeros recursos e a possibilidade de uma interação entre a
narrativa e o leitor são os fatores que mais animam os estudiosos em relação à literatura
infantil no meio digital.
Diante dessa possibilidade de inovação e, porque não dizer de transformação da
literatura infantil, nos propomos a pesquisar as páginas que são ofertadas às crianças e
observar o seu nível de interatividade e também, a qualidade de suas narrativas.
A primeira dificuldade em que esbarramos foi a quase nula literatura a respeito de
narrativas infantis no meio digital, o que nos obrigou a recorrer aos critérios de narrativas
infantis para livros das escritoras Nelly Novaes Coelho, Regina Zilberman, entre outros, para
este meio, sofrendo algumas alterações. Esse fato já indica a necessidade de estudos mais
aprofundados e elaborações teóricas que nos ajudem a compreender como melhor a narrativa
infantil num meio digital pode contribuir no desenvolvimento infanto-juvenil e
conseqüentemente, como melhor as TDs podem ser utilizadas para auxiliar no
desenvolvimento do hábito da leitura, nos ajudando a entender, a partir da escuta e da
observação das crianças e adolescentes na utilização desses novos meios, quais são as
inovações e transformações que esse meios podem possibilitar.
Sabendo da importância dos clássicos infantis para a formação da personalidade da
criança que interpretará a simbologia presente nesses contos infantis de acordo com as suas
vivências, conforme comprovou o psicólogo Bruno Bettelheim. E também, do grande valor
dado para a utilização de uma linguagem familiar a ela, da presença de personagens infantis
na trama e principalmente, que o livro apresente uma narrativa que vise a sua autonomia e
não, que tenha uma visão de utilitarismo, procuramos baseando-se nestes critérios e ainda, no
nível de recursos disponibilizados nestas histórias, analisar diversos sites expostos no mundo
digital.
Foram observadas aproximadamente dez narrativas, as quais foram classificadas em
boas ou ruins, de acordo com os seguintes critérios: a interatividade proporcionada ao leitor;
se existe um bom aproveitamento dos recursos tecnológicos (como som, figuras...); a
intencionalidade presente na obra; se a narrativa visa despertar a criticidade, a imaginação e a
emancipação do leitor infantil; sua adequação ao público alvo e a presença de ilustrações que
estimulem o raciocínio da criança e evite estereótipos. Procurou-se observar além do valor
literário das histórias, o seu grau de interatividade, já que este fator torna-se de grande
importância pelo meio em que as estórias estão inseridas.
As narrativas pertencentes ao grupo classificadas como boas, foram as que de alguma
forma atenderam aos critérios estabelecidos, principalmente quanto à narrativa apresentada.
Estes contos apresentam-se com muitas cores, possuem ilustrações que se movimentam e
geralmente reproduzem os grandes clássicos infantis, que tanto contribuem para o
desenvolvimento da personalidade e da criatividade da criança. Nestes ambientes virtuais, os
pequenos conseguem permanecer por algum tempo “navegando” e, por conseqüência, lendo
os textos oferecidos, o que já pode ser considerado um grande passo em busca do hábito da
leitura.
O maior problema apresentado por esse grupo de estórias foi a pouca interatividade
que elas disponibilizam aos leitores, limitando-os a meros receptores das estórias produzidas.
O único trabalho que a criança possui é o de rolar a página ou clicar para a seguinte.
Utilizando as mesmas propriedades do livro no espaço físico, evidenciando, dessa forma a
necessidade de uma maior compreensão e exploração das possibilidades que podem ser
aplicadas a partir da utilização de um novo meio: o digital. Em apenas um caso dos
observados, a interação disponibilizada na estória vai além destes recursos. No site
www.contandohistoria.com.br encontra-se o recurso auditivo, que aumenta o público a ser
atingido, já que os pequenos que ainda não sabem ler também podem navegar neste site, e
ainda, contém explicações sobre expressões que possam ser desconhecidas pelo jovem leitor.
Mas a maior parte das narrativas analisadas foram classificadas como ruins por
apresentarem-se pouco atrativas ao leitor infantil, seja pelo falta de tecnologia e/ou
interatividade, seja pelo cunho moralizante e/ou pedagogizante que elas apresentaram. Alguns
destes sites foram descobertos por indicação de Universidades, o que torna o assunto
preocupante, visto terem sido encontrados erros de português nas narrativas disponibilizadas
por estas páginas.
Mas, além da quase nula utilização dos recursos disponibilizados pelo meio e de erros
de ordem textual e gramatical, o maior problema apresentado por estes sites são os contos que
neles se encontram. São narrativas desinteressantes criadas por autores desconhecidos e que
buscam sempre mostrar ao leitor infantil o que é correto de se fazer; como ir à escola, se
alimentar corretamente e não mentir para os pais. Estes ensinamentos acontecem sempre após
uma infração da criança, que no final da história acaba arrependida do que havia feito.
O que constatou-se nesta breve análise realizada com os sites de literatura infantil no
mundo digital foi que a alteração de meio em nada favoreceu a criação do hábito da leitura, já
que as narrativas disponibilizadas possuem em sua maioria um viés pedagogizante,
moralizante e em nada capazes de formar leitores emancipados e os inúmeros recursos
disponibilizados por este meio não são explorados de forma adequada pelos criadores das
páginas de narrativas infantis.
Depois de analisarmos vários sites destinados à literatura infantil podemos perceber
que há pouca ou nula interatividade nessas páginas. Diante disso, constatamos que eles devem
explorar mais os recursos atuais disponibilizados pelas TDs, com a finalidade de estimular a
criatividade do leitor criança, e assim, despertar o interesse deste público alvo tão atraído por
novidades e desafios para este tipo de páginas.
Sendo assim, acreditamos que um site ideal de literatura infantil deva englobar
interatividade e fantasia de forma a explorar o imaginário e formar leitores emancipados e
críticos. Pensamos que este site deva abordar temas instigantes, como os clássicos infantis,
que unem a boa leitura com contos que auxiliam no desenvolvimento da personalidade da
criança, pois o leitor pode se identificar com a obra e com as situações vivenciadas pelos
personagens.
Da mesma forma que possibilitaria ao usuário a participação na criação dessas
histórias, ou seja, o leitor poderia escolher o personagem, o ambiente, e também, opinaria
sobre a própria narrativa, construindo-a de acordo com a sua realidade, sua vivência. Embora
já existam algumas propostas de sites que proporcionam uma maior interação entre o leitor e a
tecnologia digital eles não são considerados ideais do ponto de vista da exploração e
utilização das possibilidades e potencialidades que esse novo meio oferece, visto que ainda
não conseguem abranger totalmente as idéias que foram propostas neste estudo.
4. Metodologia
Este projeto foi realizado ao longo do segundo semestre do ano letivo de 2004, durante
a disciplina de Educação e Multimeios ofertada pelo curso de Pedagogia da Unisinos
(Universidade do Vale do Rio dos Sinos).
O projeto foi dividido em duas etapas: a primeira tratou de sua elaboração, contando
com o acompanhamento da professora, e na segunda, houve uma apresentação e apreciação
do mesmo por parte de todos os grupos.
Para a elaboração do projeto foram realizadas pesquisas bibliográficas, pesquisas de
sites, bem como entrevistas com crianças usuárias ou não destas páginas de literatura infantil.
A partir das pesquisas e das entrevistas procuramos problematizar os sites pesquisados
levando em conta o conhecimento teórico sobre literatura infantil, o conteúdo dos mesmos e
as expectativas dos usuários a que eles se destinam.
Por final realizamos uma análise dos sites nos posicionando quanto aos mesmos,
quanto a sua forma, objetivos e composição no geral. A partir daí criamos uma proposta de
como acreditamos que deva ser uma página de literatura infantil.
5. Resultados
A entrevista foi realizada por amostragem com cinco crianças entre oito e nove anos
da idade e três crianças com idades entre quatro e cinco.
Foram disponibilizados alguns sites de literatura infantil em que as crianças podiam
navegar e explorar livremente. Conforme as crianças iam explorando as perguntas iam sendo
feitas, tais como: Você gosta de entrar neste tipo de site?; O que você mais gostou nele?; O
que você não gostou?; O que poderia ser diferente? Etc.
As crianças maiores exploravam todo o site primeiro, como geralmente existem jogos,
eram para eles que elas se dirigiam. Quando solicitado que elas navegassem ou explorassem
as histórias elas o faziam, mas sem muito interesse. Logo pediam para retornar aos jogos.
Perguntávamos então, o porquê delas preferirem os jogos às narrativas e a resposta era
imediata: “Por que são mais legais e divertidos”. “Ler a gente lê nos livros”. “É muito chato
ficar lendo história no computador”.
Esses relatos nos levam a refletir e a nos questionar se o fato de transpormos
características e propriedades de um meio já conhecido (livro físico) para um novo meio
(digital) não acaba por anular o poder inovador e/ou transformador que poderia surgir a partir
de novas propostas condizentes com as novas possibilidades e potencialidades oriundas do
meio digital.
As meninas demonstraram um pouco mais de interesse nas narrativas do que os
meninos, visto que se encantam com os desenhos e logo querem imprimí-los enquanto que os
meninos precisam se sentir desafiados, motivados para se interessarem.
Já com as crianças menores a reação diante dos sites foi outra. Primeiramente queriam
mexer em tudo ao mesmo tempo, descobrir a página. Mas conforme as páginas eram
apresentadas elas iam se interessando. As crianças gostaram mais das histórias que tinham
movimento ou, as em que podiam interagir de alguma forma. Porém, logo solicitavam para
“jogar joguinhos”, mostrando a mesma impaciência dos maiores em relação ao pouco uso de
recursos por parte destas estórias no meio digital.
6. Considerações Finais
Através da pesquisa realizada, pode-se concluir que os sites analisados não apresentam
uma interatividade que realmente atraia as crianças para a literatura através do meio digital.
Percebemos com isso, que as crianças quando acessam este tipo de página desejam ser
desafiadas, muito mais do que realizar atividades óbvias e previsíveis. As crianças menores,
com idade inferior a cinco anos, interessam-se mais, pois encantam-se com o colorido e as
figuras oferecidas.
Durante a realização da pesquisa foram encontrados sites com erros de português e
com narrativas de viés pedagogizantes. Mas também foram encontradas, páginas que
apresentavam interatividade e uma excelente apresentação, porém, na sua maioria as histórias
mostravam-se extremamente moralizantes. Então, podemos afirmar que não encontramos um
site que considerássemos ideal e que respondesse às nossas expectativas. Acreditamos, então,
que as páginas que trabalham com literatura infanto-juvenil deveriam apresentar maior
interatividade, mais desafios e melhor elaboração no geral.
Outro ponto importante e que precisa ser destacado é a falta de literatura a respeito,
nos obrigando a utilizar em proporções, a teoria encontrada sobre literatura infanto-juvenil
destinada aos livros, e por isso, não podendo ser aplicada em sua íntegra ao meio digital.
Contudo, cabe a nós educadores modificar esta realidade de defasagem de leitura,
proporcionando a criança narrativas em livros ou na web que sejam capazes de formar leitores
criativos e emancipados. Afinal, um não substitui o outro, mas sim, cada um seduz a sua
forma de expressar a arte.
7. Referências Bibliográficas
AGUIAR, Vera Teixeira (Coord.). Era uma vez... na escola: formando educadores
para formar leitores. Belo Horizonte: Formato, 2001.
BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1996.
COELHO, Nelly Novaes. O conto de fadas. São Paulo: Ática, 1991 (Princípios)
______. Literatura Infantil- teoria- análise- didática. São Paulo: Ática, 1997
(Fundamentos, 87)
______. Panorama histórico da literatura infantil e juvenil. São Paulo: Ática, 1991.
(Fundamentos, 88)
CUNHA, Maria Antonieta A. Literatura Infantil Teoria e Prática. São Paulo: Ática, 1993.
JARDIM, Mara Ferreira. Critérios para análise e seleção de textos de literatura infantil. In:
SARAIVA, Juracy (Coord.). Literatura e alfabetização: do plano do choro ao plano da
ação. Porto Alegre: Artmed, 2001. p. 75-85.
PALO, Maria José; OLIVEIRA, Maria Rosa D. Literatura infantil- voz de criança. São
Paulo: Ática, 1992. (Princípios 86)
WERNECK, Regina Yolanda. "O problema da ilustração no livro infantil". In: KHÉDE,
Sônia S. (org) Literatura infanto-juvenil - um gênero polêmico. Petrópolis: Vozes, 1983.
ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1981.
ZILBERMAN, Regina; MAGALHÃES, Ligia Cademartori. Literatura infantil:
autoritarismo e emancipação. São Paulo: Ática, 1987. (Ensaios, 82)

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Literatura

  • 1. A literatura infantil no meio digital Camila Ramos de Almeida, camila.ra@gmail.com, UNISINOS, estudante do curso de Letras, BR Inês Elisandra da Cruz, cruz@bage.unisinos.br, UNISINOS, estudante do curso de Letras, BR Raquel Gressler, frrg@terra.com.br, UNISINOS, estudante do curso de Pedagogia, BR Eliane Schlemmer Grings, elianes@unisinos.br , UNISINOS, professora do curso de Pedagogia, BR RESUMO Esse artigo apresenta os resultados de um Projeto de Aprendizagem desenvolvido na disciplina de Educação e Multimeios do curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS, o qual teve início a partir das seguintes problemáticas: como se apresentam os sites de literatura infantil e se os mesmos despertam interesse em seu público alvo. O texto sugere uma reflexão sobre a literatura infantil no mundo digital. Primeiramente, foram feitas algumas considerações quanto à literatura infantil. Após, analisou-se, então, as possibilidades de contribuição das Tecnologias Digitais (TDs) para a literatura destinada às crianças. A informática é algo que desperta o fascínio nas crianças, e, dessa forma, possibilita uma outra forma de literatura. Sendo assim, esse mundo digital poderia despertar o interesse do público infanto-juvenil para a literatura, já que estes não têm o hábito de ler. Diante dessa alternativa de inovar a literatura infantil, nos propomos a pesquisar as páginas da web que são destinadas aos pequenos e observar a qualidade de suas narrativas e o seu nível de interatividade. Após, páginas foram classificadas em boas e ruins. Além do valor literário das narrativas também foi observado o seu grau de interatividade. Conclui-se então, que a pouca ou nula interatividade nessas páginas, a partir dessa constatação, que a tecnologia deve estimular a criatividade da criança e, dessa forma, despertar o interesse deste público. Um site ideal deve conseguir unir fantasia e interatividade, pois, assim, vai explorar a imaginação da criança e formar leitores emancipados e críticos. ABSTRACT This article shows the results of a Learning Project, developed during the Pedagogy Curse of the University Vale do Rio dos Sinos, Education and Multimedia subject. It started based on the following question: how the children’s literature sites are shown and if they can attract the attention of their target public. The text suggests a reflection about the children’s literature in the digital world. First of all, some considerations about the children’s literature where performed. Later on, the possibilities of the Digital Technologies (DTs) contribution for the literature directed to children was analyzed. The it (Information Technology) is something that sparks the children’s fascination, and therefore the it allows the arise of another literature form. Consequently, this digital world can spark the teens interest for literature, despite their lack of reading habits. Considering this alternative to innovate the children’s literature, we began to navigate children’s web pages, observing the quality of their narrative and their interactivity level. Then, the web pages where classified in two categories: bad or good. Beyond the narratives content value, their interactivity level was analyzed as well. Then we conclude that there are few or even null interactivity in these pages. From this evidence, we believe that the IT should stimulate the children’s creativity and consequently trigger the interest of this people. The ideal site must unite fantasy and interactivity, stimulating the children’s imagination and creating emancipated and critical readers. PALAVRAS-CHAVE: literatura infantil, intencionalidade, interatividade, mundo digital e criança. 1. INTRODUÇÃO Este trabalho foi resultado de um processo de aprendizagem construído na disciplina Educação e Multimeios em que participam tanto alunos do curso de Letras quanto do curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Primeiramente, o projeto teve por objetivo esclarecer algumas dúvidas referentes ao uso da tecnologia digital na literatura infanto-juvenil. Após, nos propomos a verificar se os
  • 2. sites disponíveis na internet possuíam interatividade e histórias que desenvolvessem o imaginário das crianças. Constatamos que as páginas sobre literatura infanto-juvenil existentes no mercado poderiam ser mais elaboradas, ou seja, deveriam explorar mais o encanto que exercem sobre o usuário infanto-juvenil. Sendo assim, a leitura que é um meio importante para auxiliar no desenvolvimento da criatividade, da imaginação e da emancipação do leitor infantil, poderá se tornar mais atrativa através de bons sites, despertando, dessa forma, o interesse do público infantil. Para a elaboração do projeto, foram realizadas uma pesquisa bibliográfica, e também, uma pesquisa de campo, onde foi analisada a reação dos usuários infantis quando acessavam as páginas sobre literatura. A partir disso, foi organizado uma proposta de atividade interativa que atendessem as expectativas do leitor infantil. O site desenvolvido na disciplina Educação e Multimeios pode ser encontrado no endereço: http://ava.unisinos.br/arquivos/site/trab1180/SITE FINAL/index.htm 2. A Literatura Infantil A literatura infantil desde sua origem, foi utilizada como um instrumento educacional, um reforço para fixar os costumes da sociedade em cada época. Por isso até hoje é questionado, se a literatura infantil deve ser um instrumento de educação ou de divertimento. Este segmento da literatura constitui-se como gênero durante o século XVII, época em que algumas mudanças que ocorreram na estrutura da sociedade desencadearam repercussões no âmbito artístico e social. O aparecimento da Literatura Infantil tem características próprias, pois decorre da ascensão da família burguesa em contrapartida do enfraquecimento das grandes propriedades e da aristocracia fundiária, do novo "status" concedido à infância na sociedade e da reorganização da escola, que torna-se obrigatória e aberta para todas as classes sociais. Sua emergência deveu-se, antes de tudo, à sua associação com a Pedagogia, já que as histórias, prioritariamente, nesse período, eram elaboradas para se converterem em instrumento dela e também, como divulgadoras de valores morais propagados pela sociedade da época. Percebe-se, assim, que desde a sua origem, a literatura infantil é assombrada por uma intencionalidade que se modifica de acordo com a época e os valores da sociedade vigente. E até hoje, conforme reitera Coelho, são encontrados livros endereçados às crianças, que pretendem transmitir algum valor, dizendo-lhes o que é certo e errado, são as obras classificadas, atualmente, como pedagógicas. Nesse sentido, a Literatura Infantil e, principalmente, os contos de fadas passaram a influenciar a formação da criança. O maniqueísmo que divide as personagens em boas e más, belas ou feias, poderosas ou fracas tende a facilitar à criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou do convívio social. Da mesma forma que a concepção do que é a infância tem se modificado ao longo dos tempos, o conceito de literatura infantil também se altera e hoje, tomando-se como base a concepção apresentada por Nelly Novaes Coelho em sua obra, Literatura Infantil: teoria, análise, didática na qual enfatiza ser a literatura Infantil antes de tudo arte: fenômeno de criatividade que representa o Mundo, o Homem, a Vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática; o imaginário e o real; os ideais e sua possível/impossível realização, pode- se perceber que mesmo sendo destinada a um público em desenvolvimento, como o infantil, essa modalidade artística deve priorizar a criação de livros que despertem a criticidade, a
  • 3. imaginação e a emancipação do leitor infantil, ao invés de obras que se preocupem apenas em transmitir algum ensinamento ou mesmo conteúdo didático. Mas apesar da crescente expansão editorial que a literatura infantil vem passando, principalmente no Brasil, desde o início da década de 70, a educação vem enfrentando um grave problema: a falta de interesse pela leitura por parte do publico infantil. Muito disso se deve ao fato de se ter uma grande quantidade de livros que embora aproveitem-se da parte gráfica possuem temáticas pouco atraentes aos nossos jovens leitores ou ainda, obras que recaiam ao velho problema da moralidade. Em pesquisas sobre o déficit de leitura entre os jovens e crianças foi constatado que a culpa pela falta de interesse se divide entre a escola, que utiliza-se de livros com a finalidade de transmitir conhecimentos e a família que cada vez menos dispensa tempo para a leitura em casa, não fornecendo assim, o exemplo necessário para a criação do hábito da leitura nos pequenos. Na contramão desta realidade aparece a informática que vem crescendo rapidamente, que desperta o interesse das crianças e possibilita a oferta de uma outra visão de literatura, através de sites que são disponibilizados na internet contendo inúmeras histórias infantis. Sendo o mundo digital uma grande atração para os jovens e as crianças devido a sua amplitude de recursos áudio- visuais, poderia estar na web o remédio para despertar o interesse do público infanto- juvenil para a leitura. Visto que o meio onde ocorra o contato com as obras pouco importa, desde que o hábito da leitura seja criado. 3. O Mundo Digital Esse ambiente novo e que desperta tanto interesse no público mais jovem quanto insegurança no público mais adulto, tornou-se a esperança dos educadores para atrair os jovens e as crianças à leitura. Os inúmeros recursos e a possibilidade de uma interação entre a narrativa e o leitor são os fatores que mais animam os estudiosos em relação à literatura infantil no meio digital. Diante dessa possibilidade de inovação e, porque não dizer de transformação da literatura infantil, nos propomos a pesquisar as páginas que são ofertadas às crianças e observar o seu nível de interatividade e também, a qualidade de suas narrativas. A primeira dificuldade em que esbarramos foi a quase nula literatura a respeito de narrativas infantis no meio digital, o que nos obrigou a recorrer aos critérios de narrativas infantis para livros das escritoras Nelly Novaes Coelho, Regina Zilberman, entre outros, para este meio, sofrendo algumas alterações. Esse fato já indica a necessidade de estudos mais aprofundados e elaborações teóricas que nos ajudem a compreender como melhor a narrativa infantil num meio digital pode contribuir no desenvolvimento infanto-juvenil e conseqüentemente, como melhor as TDs podem ser utilizadas para auxiliar no desenvolvimento do hábito da leitura, nos ajudando a entender, a partir da escuta e da observação das crianças e adolescentes na utilização desses novos meios, quais são as inovações e transformações que esse meios podem possibilitar. Sabendo da importância dos clássicos infantis para a formação da personalidade da criança que interpretará a simbologia presente nesses contos infantis de acordo com as suas vivências, conforme comprovou o psicólogo Bruno Bettelheim. E também, do grande valor dado para a utilização de uma linguagem familiar a ela, da presença de personagens infantis na trama e principalmente, que o livro apresente uma narrativa que vise a sua autonomia e não, que tenha uma visão de utilitarismo, procuramos baseando-se nestes critérios e ainda, no nível de recursos disponibilizados nestas histórias, analisar diversos sites expostos no mundo digital.
  • 4. Foram observadas aproximadamente dez narrativas, as quais foram classificadas em boas ou ruins, de acordo com os seguintes critérios: a interatividade proporcionada ao leitor; se existe um bom aproveitamento dos recursos tecnológicos (como som, figuras...); a intencionalidade presente na obra; se a narrativa visa despertar a criticidade, a imaginação e a emancipação do leitor infantil; sua adequação ao público alvo e a presença de ilustrações que estimulem o raciocínio da criança e evite estereótipos. Procurou-se observar além do valor literário das histórias, o seu grau de interatividade, já que este fator torna-se de grande importância pelo meio em que as estórias estão inseridas. As narrativas pertencentes ao grupo classificadas como boas, foram as que de alguma forma atenderam aos critérios estabelecidos, principalmente quanto à narrativa apresentada. Estes contos apresentam-se com muitas cores, possuem ilustrações que se movimentam e geralmente reproduzem os grandes clássicos infantis, que tanto contribuem para o desenvolvimento da personalidade e da criatividade da criança. Nestes ambientes virtuais, os pequenos conseguem permanecer por algum tempo “navegando” e, por conseqüência, lendo os textos oferecidos, o que já pode ser considerado um grande passo em busca do hábito da leitura. O maior problema apresentado por esse grupo de estórias foi a pouca interatividade que elas disponibilizam aos leitores, limitando-os a meros receptores das estórias produzidas. O único trabalho que a criança possui é o de rolar a página ou clicar para a seguinte. Utilizando as mesmas propriedades do livro no espaço físico, evidenciando, dessa forma a necessidade de uma maior compreensão e exploração das possibilidades que podem ser aplicadas a partir da utilização de um novo meio: o digital. Em apenas um caso dos observados, a interação disponibilizada na estória vai além destes recursos. No site www.contandohistoria.com.br encontra-se o recurso auditivo, que aumenta o público a ser atingido, já que os pequenos que ainda não sabem ler também podem navegar neste site, e ainda, contém explicações sobre expressões que possam ser desconhecidas pelo jovem leitor. Mas a maior parte das narrativas analisadas foram classificadas como ruins por apresentarem-se pouco atrativas ao leitor infantil, seja pelo falta de tecnologia e/ou interatividade, seja pelo cunho moralizante e/ou pedagogizante que elas apresentaram. Alguns destes sites foram descobertos por indicação de Universidades, o que torna o assunto preocupante, visto terem sido encontrados erros de português nas narrativas disponibilizadas por estas páginas. Mas, além da quase nula utilização dos recursos disponibilizados pelo meio e de erros de ordem textual e gramatical, o maior problema apresentado por estes sites são os contos que neles se encontram. São narrativas desinteressantes criadas por autores desconhecidos e que buscam sempre mostrar ao leitor infantil o que é correto de se fazer; como ir à escola, se alimentar corretamente e não mentir para os pais. Estes ensinamentos acontecem sempre após uma infração da criança, que no final da história acaba arrependida do que havia feito. O que constatou-se nesta breve análise realizada com os sites de literatura infantil no mundo digital foi que a alteração de meio em nada favoreceu a criação do hábito da leitura, já que as narrativas disponibilizadas possuem em sua maioria um viés pedagogizante, moralizante e em nada capazes de formar leitores emancipados e os inúmeros recursos disponibilizados por este meio não são explorados de forma adequada pelos criadores das páginas de narrativas infantis. Depois de analisarmos vários sites destinados à literatura infantil podemos perceber que há pouca ou nula interatividade nessas páginas. Diante disso, constatamos que eles devem explorar mais os recursos atuais disponibilizados pelas TDs, com a finalidade de estimular a criatividade do leitor criança, e assim, despertar o interesse deste público alvo tão atraído por novidades e desafios para este tipo de páginas.
  • 5. Sendo assim, acreditamos que um site ideal de literatura infantil deva englobar interatividade e fantasia de forma a explorar o imaginário e formar leitores emancipados e críticos. Pensamos que este site deva abordar temas instigantes, como os clássicos infantis, que unem a boa leitura com contos que auxiliam no desenvolvimento da personalidade da criança, pois o leitor pode se identificar com a obra e com as situações vivenciadas pelos personagens. Da mesma forma que possibilitaria ao usuário a participação na criação dessas histórias, ou seja, o leitor poderia escolher o personagem, o ambiente, e também, opinaria sobre a própria narrativa, construindo-a de acordo com a sua realidade, sua vivência. Embora já existam algumas propostas de sites que proporcionam uma maior interação entre o leitor e a tecnologia digital eles não são considerados ideais do ponto de vista da exploração e utilização das possibilidades e potencialidades que esse novo meio oferece, visto que ainda não conseguem abranger totalmente as idéias que foram propostas neste estudo. 4. Metodologia Este projeto foi realizado ao longo do segundo semestre do ano letivo de 2004, durante a disciplina de Educação e Multimeios ofertada pelo curso de Pedagogia da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos). O projeto foi dividido em duas etapas: a primeira tratou de sua elaboração, contando com o acompanhamento da professora, e na segunda, houve uma apresentação e apreciação do mesmo por parte de todos os grupos. Para a elaboração do projeto foram realizadas pesquisas bibliográficas, pesquisas de sites, bem como entrevistas com crianças usuárias ou não destas páginas de literatura infantil. A partir das pesquisas e das entrevistas procuramos problematizar os sites pesquisados levando em conta o conhecimento teórico sobre literatura infantil, o conteúdo dos mesmos e as expectativas dos usuários a que eles se destinam. Por final realizamos uma análise dos sites nos posicionando quanto aos mesmos, quanto a sua forma, objetivos e composição no geral. A partir daí criamos uma proposta de como acreditamos que deva ser uma página de literatura infantil. 5. Resultados A entrevista foi realizada por amostragem com cinco crianças entre oito e nove anos da idade e três crianças com idades entre quatro e cinco. Foram disponibilizados alguns sites de literatura infantil em que as crianças podiam navegar e explorar livremente. Conforme as crianças iam explorando as perguntas iam sendo feitas, tais como: Você gosta de entrar neste tipo de site?; O que você mais gostou nele?; O que você não gostou?; O que poderia ser diferente? Etc. As crianças maiores exploravam todo o site primeiro, como geralmente existem jogos, eram para eles que elas se dirigiam. Quando solicitado que elas navegassem ou explorassem as histórias elas o faziam, mas sem muito interesse. Logo pediam para retornar aos jogos. Perguntávamos então, o porquê delas preferirem os jogos às narrativas e a resposta era imediata: “Por que são mais legais e divertidos”. “Ler a gente lê nos livros”. “É muito chato ficar lendo história no computador”. Esses relatos nos levam a refletir e a nos questionar se o fato de transpormos características e propriedades de um meio já conhecido (livro físico) para um novo meio (digital) não acaba por anular o poder inovador e/ou transformador que poderia surgir a partir
  • 6. de novas propostas condizentes com as novas possibilidades e potencialidades oriundas do meio digital. As meninas demonstraram um pouco mais de interesse nas narrativas do que os meninos, visto que se encantam com os desenhos e logo querem imprimí-los enquanto que os meninos precisam se sentir desafiados, motivados para se interessarem. Já com as crianças menores a reação diante dos sites foi outra. Primeiramente queriam mexer em tudo ao mesmo tempo, descobrir a página. Mas conforme as páginas eram apresentadas elas iam se interessando. As crianças gostaram mais das histórias que tinham movimento ou, as em que podiam interagir de alguma forma. Porém, logo solicitavam para “jogar joguinhos”, mostrando a mesma impaciência dos maiores em relação ao pouco uso de recursos por parte destas estórias no meio digital. 6. Considerações Finais Através da pesquisa realizada, pode-se concluir que os sites analisados não apresentam uma interatividade que realmente atraia as crianças para a literatura através do meio digital. Percebemos com isso, que as crianças quando acessam este tipo de página desejam ser desafiadas, muito mais do que realizar atividades óbvias e previsíveis. As crianças menores, com idade inferior a cinco anos, interessam-se mais, pois encantam-se com o colorido e as figuras oferecidas. Durante a realização da pesquisa foram encontrados sites com erros de português e com narrativas de viés pedagogizantes. Mas também foram encontradas, páginas que apresentavam interatividade e uma excelente apresentação, porém, na sua maioria as histórias mostravam-se extremamente moralizantes. Então, podemos afirmar que não encontramos um site que considerássemos ideal e que respondesse às nossas expectativas. Acreditamos, então, que as páginas que trabalham com literatura infanto-juvenil deveriam apresentar maior interatividade, mais desafios e melhor elaboração no geral. Outro ponto importante e que precisa ser destacado é a falta de literatura a respeito, nos obrigando a utilizar em proporções, a teoria encontrada sobre literatura infanto-juvenil destinada aos livros, e por isso, não podendo ser aplicada em sua íntegra ao meio digital. Contudo, cabe a nós educadores modificar esta realidade de defasagem de leitura, proporcionando a criança narrativas em livros ou na web que sejam capazes de formar leitores criativos e emancipados. Afinal, um não substitui o outro, mas sim, cada um seduz a sua forma de expressar a arte. 7. Referências Bibliográficas AGUIAR, Vera Teixeira (Coord.). Era uma vez... na escola: formando educadores para formar leitores. Belo Horizonte: Formato, 2001. BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. COELHO, Nelly Novaes. O conto de fadas. São Paulo: Ática, 1991 (Princípios) ______. Literatura Infantil- teoria- análise- didática. São Paulo: Ática, 1997 (Fundamentos, 87) ______. Panorama histórico da literatura infantil e juvenil. São Paulo: Ática, 1991. (Fundamentos, 88)
  • 7. CUNHA, Maria Antonieta A. Literatura Infantil Teoria e Prática. São Paulo: Ática, 1993. JARDIM, Mara Ferreira. Critérios para análise e seleção de textos de literatura infantil. In: SARAIVA, Juracy (Coord.). Literatura e alfabetização: do plano do choro ao plano da ação. Porto Alegre: Artmed, 2001. p. 75-85. PALO, Maria José; OLIVEIRA, Maria Rosa D. Literatura infantil- voz de criança. São Paulo: Ática, 1992. (Princípios 86) WERNECK, Regina Yolanda. "O problema da ilustração no livro infantil". In: KHÉDE, Sônia S. (org) Literatura infanto-juvenil - um gênero polêmico. Petrópolis: Vozes, 1983. ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1981. ZILBERMAN, Regina; MAGALHÃES, Ligia Cademartori. Literatura infantil: autoritarismo e emancipação. São Paulo: Ática, 1987. (Ensaios, 82)