Curso Lacan e a Psicanálise- Aula 15: As subjetivações na contemporaneidade

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Curso Lacan e a Psicanálise- Aula 15: As subjetivações na contemporaneidade

  1. 1. Lacan e a Psicanálise:interlocuções com a contemporaneidade<br /> Tema:<br />As subjetivações na contemporaneidade<br />Coordenação Alexandre Simões<br />ALEXANDRE SIMÕES <br />® Todos os direitos de autor reservados.<br />
  2. 2. O sujeito na cena contemporânea:<br />Uma verificação: <br />cada vez mais, as circunstâncias que engendram as subjetividades na contemporaneidade nos levam a problematizar o alcance de perspectivas mentalistas acerca do psiquismo. <br />
  3. 3. Perspectivas mentalistas acerca do psiquismo:<br />pressupõem um espaço mental interiorizado, individualizado e essencialista. <br />Esse espaço, herdeiro de uma longa tradição moderna que culmina no individualismo e no primado da razão tecnicista, classicamente se pretende desvinculado e autônomo face à complexidade dos fenômenos que problematizam a vinculação do “interior” com o “exterior” (o ex-timo) e suas múltiplas afetações. <br />
  4. 4. Uma hipótese: <br />as subjetivações na atualidade, ao contrário, levam-nos insistentemente a articular domínios coletivos, institucionais, públicos e privados entre si, expondo-nos um panorama (tanto clínico quanto coletivo) que requer uma estética, uma política e uma ética afeitas a essa complexidade.<br />
  5. 5. Este argumento ecoa a noção de estrutura em Jacques Lacan:<br />... máquina original que põe em cena o sujeito<br />
  6. 6. Aqui, devemos extrair devidamente as consequências do recurso à máquina/maquínico para se propor a estrutura<br />Composta por partes;<br />Partes articuláveis e rearranjáveis;<br />Domínio da bricolage;<br />Espaço do heterogêno;<br />Isso anda, isso funciona ...<br />
  7. 7. É imprescindível localizarmos com justeza os dois grandes marcos do itinerário de Lacan:<br />Estes platôs comportam fundamentos,<br />formalizações, modos de transmissão, e orientações bem distintos.<br />Comportam, por conseguinte, clínicas diferentes.<br />
  8. 8. Em sua primeira clínica (que compreende os vinte anos iniciais de seu ensino), como vimos, encontramos Lacan elaborando o “retorno a Freud”. <br />Temos aqui o que pode ser nomeado de clínica estrutural edípica: uma clínica do sujeito, da dialética e modalidades do desejo, da interpelação do Outro.<br />
  9. 9. Esta é a clínica que se apresenta sob a primazia do simbólico: o inconsciente estruturado como uma linguagem e as estruturas clínicas (neurose, psicose e perversão) edificadas em torno do Pai.<br />
  10. 10. Já no que vem sendo comumente designado como a segunda clínica de Lacan,(esboçada nos últimos dez anos de sua vida), encontramos orientadores clínicos face às transformações que nos são promovidas pela globalização e seus aparatos técnicos.<br />
  11. 11. Estabelece-se, neste cenário que nos é atual, uma clínica psicanalíticaalém do Édipo, uma vez que os elementos verticais e hierarquizadoresorientadores da estruturaedípica foram deslocados. <br />Esta clínica, que busca estabelecer operadores para as subjetivações na nossa atualidade, é proposta sob várias designações: <br />clínica borromeana,clínica do gozo, <br />clínica do além do Édipo. <br />
  12. 12. Em meio a um cenário no qual, segundo Lacan, o ‘Outro não existe’, temos a exacerbação da vertente indecifrável dosintoma.<br />É uma clínica na qual a plataforma é a experiência e oencontro com o Real.<br />
  13. 13. Um convite:<br />Em nossa atualidade, reconhecemos potentes problematizações e propostas que podem operacionalizar não bem uma clínica que se proporia como ampliada, contudo, uma clínica transformada, construída e reconstruída em muitos lugares. <br />
  14. 14. Diante de circunstâncias cotidianas que nos são apresentadas pelas anorexias, bulimias, toxicomanias (das mais diversas ordens e não somente subsumidas ao objeto droga), depressões, anomias, atuações e acessos de pânico, psicoses psiquiátricas (sem um lastro estrutural) somos levados, pela perspectiva de uma clínica nômade, a rever os espaços e estatutos do ato clínico. <br />
  15. 15. Por intermédio de uma série de circunstâncias que fazem com que a cena contemporânea e o lugar do sujeito na mesma se tornem cada vez mais complexos e irredutíveis a modelos dicotômicos, causalistas e simplificadores somos levados a perceber a relevância de uma advertência: o psicanalista sempre deve estar atento ao horizonte de seu tempo. <br />É daí que ele extrai elementos imprescindíveis à vivacidade da psicanálise e, por fim, possibilita que a mesma dialogue, ainda, com as circunstâncias clínicas que afetam o nosso tempo. <br />
  16. 16. Psicanálise em extensão ao setting:<br />
  17. 17. Sempre suscita a indagação sobre <br />quais são as condições do (e para) o fazer analítico ?<br />
  18. 18. Advertências que, em parte, justificam a indagação mencionada:<br />Vide Jacques LACAN. Variantes do tratamento-padrão. (1955):<br /> “a psicanálise não é uma terapêutica como as outras”<br /> # “Pois a rubrica variantes não quer dizer nem adaptação do tratamento, com base em critérios empíricos nem, digamos, clínicos, à variedade dos casos, nem uma referência às variáveis pelas quais se diferencia o campo da psicanálise, e sim uma preocupação, inquieta até, com a pureza dos meios e fins...” (Escritos, p. 326)<br /> A tese sobre o ‘fechamento do inconsciente’ <br /> # é neste contexto que, ao comentar a formação (e também o fazer cotidiano) do psicanalista, Lacan salienta suas relações com o não-saber, “sem o que ele nunca será nada além de um robô de analista.” (Escritos, p. 360)<br />
  19. 19. Componentes heterogêneos que concorrem para a produção de subjetividades:<br />Componentes semiológicos significantes (-> educação, família, meio-ambiente, religião, artes, esporte, etc.);<br />Elementos fabricados pela indústria dos mídia, do cinema, da internet, etc.;<br />Dimensões semiológicas a-significantes (-> máquinas informacionais de signos, produzindo e veiculando significações e denotações que escapam às axiomáticas linguísticas);<br />
  20. 20. O que determinará o lugar da psicanálise no cenário social das próximas décadas será sua capacidade de atualizar aquilo que está na origem da sua clínica: a sustentação de um campo de prática que põe qualquer tipo de experiência humana sob o crivo da interrogação. <br />(BEZERRA JÚNIOR. O ocaso da interioridade e suas repercussões sobre a clínica. In: PLASTINO, Carlos Alberto (Org.). Transgressões . 2002, p. 238)<br />
  21. 21. Prosseguiremos com o tema Lacan e a contemporaneidade: confluências<br />Até lá!<br />Acesso a este conteúdo:<br />www.alexandresimoes.com.br<br />ALEXANDRE SIMÕES <br />® Todos os direitos de autor reservados.<br />

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