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Artificialização de áreas verdes correio popular

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Carlos Alberto Gomes Henriques foi
engenheiro-agrônomo e membro da
Sociedade Protetora da Diversidade das
Espécies (Proesp) e José Hamilton de
Aguirre Junior é engenheiro florestal, mestre
em arborização urbana CORREIO POPULAR
Campinas, terça-feira , 6 de setembro de 2011

Publicada em: Meio ambiente
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Artificialização de áreas verdes correio popular

  1. 1. ARITA DAMASCENO PETTENÁ aritapettena@hotmail.com CARLOS ALBERTO GOMES HENRIQUES E JOSÉ HAMILTON DE AGUIRRE JUNIOR Heróis somos todos nós Desde as nossas mais antigas origens, o contato com a natu- reza e vegetação são intrínse- cos à vida humana. O ho- mem sempre precisou das ár- vores! Na antiguidade já havia a preocupação em garantir a presença da natureza no meio urbano. O paisagismo e a jardinagem receberam inú- meras contribuições do Extre- mo Oriente e das outras civili- zações ao longo da história, aproveitando a beleza da na- tureza na melhoria da paisa- gem das cidades para o bem- estar do ser humano. No ajardinamento público, a árvore é o elemento princi- pal no planejamento das áreas verdes, por ser definido- ra estrutural da paisagem, bem como de todos os seus estratos, sob os quais serão in- seridas outras espécies vege- tais. Os benefícios das árvores em áreas urbanas são chama- dos serviços ambientais. O dia 22 de setembro é a data dedicada às árvores e Campinas não tem muito o que comemorar. Nos últimos dois anos, as áreas verdes arborizadas têm sofrido um processo contí- nuo de intervenção com a re- vitalização de várias praças, como bosque na Via Norte- Sul, entorno da Lagoa do Ta- quaral, toda extensão do cor- redor verde da Via Aquidabã, Praça Imprensa Fluminense, Praça Perseu Leite de Barros, entre outras, que passaram por extrações e podas de árvo- res absurdas e tecnicamente equivocadas, que mutilaram, fragilizaram, tornaram-nas es- teticamente feias, tecnicamen- te desequilibradas e de risco, com visível prejuízo à paisa- gem e à beleza cênica da cida- de. Alguns locais que eram verdadeiros santuários, com boa diversidade de árvores de grande porte, tiveram suas ár- vores mutiladas. Na revitalização das praças pela Prefeitura de Campinas se prioriza o plantio generali- zado de grama, e apenas é considerado o aspecto orna- mental, embora este também equivocado em detrimento do aspecto ambiental das áreas verdes de Campinas. Com essa prática as áreas ver- des sofrem um processo de ar- tificialização, pois muitas des- sas áreas possuíam caracterís- ticas cênicas e ambientais pró- ximas das encontradas em ambientes naturais. Os proje- tos implantados pelo Departa- mento de Parques e Jardins da Prefeitura de Campinas não conciliam nem priorizam o ambiente preservado com árvores íntegras com a paisa- gem a ser implantada e, por- tanto, houve negligência com a importância das árvores e ainda falhas graves no projeto e na escolha das espécies ve- getais herbáceas e arbustivas implantadas. O resultado mais visível é a perda da bele- za da paisagem urbana pro- porcionada pelo aspecto orna- mental das árvores. Essas intervenções erráti- cas foram formalmente de- nunciadas para a Câmara Mu- nicipal e para o Ministério Pú- blico (apoiados pelo diretor regional da Sociedade Brasilei- ra de Arborização Urbana, inúmeros técnicos, ONGs, en- tidades ambientalistas e repre- sentantes da sociedade civil) onde se apresentou o proble- ma da "desarborização" em curso pela Prefeitura de Cam- pinas. O Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comde- ma), na reunião de agosto de 2010, repudiou as más práti- cas com a arborização e exi- giu o respeito à lei municipal de arborização (Lei 11.571/03). Após toda pressão da socie- dade civil, a Prefeitura admi- tiu seus erros e no início des- te ano constituiu a Comissão Técnica Consultiva para asses- sorar nos trabalhos do DPJ, porém o órgão municipal não tem ouvido as recomenda- ções técnicas dos integrantes da Comissão e mudado sua postura no manejo da arbori- zação das áreas verdes. Somos a favor do manejo e das boas técnicas agronômi- co-florestais-biológicas na ar- borização, na vegetação em geral e nos programas de revi- talização de áreas verdes, os quais aplaudimos, se feitos da maneira correta. As árvores demoram décadas para sua formação e o uso desorienta- do da motosserra pela pró- pria Prefeitura de Campinas destrói em minutos patrimô- nio inestimável. Campinas hoje perde seu patrimônio verde quando, no século 20, foi referência nacio- nal no assunto. A terceira maior cidade do Estado e po- lo científico nacional tem obri- gação de ser exemplo e refe- rência nesse quesito a todo o país. Seu desenvolvimento acelerado agravará proble- mas com o meio ambiente. Campinas precisará cada vez mais de árvores urbanas e ne- cessita respeitá-las. Em meio a tantos conflitos e confrontos, o Brasil vive cons- tantemente em tempo de cam- panha. E haja estrutura para aguentar!... E no país da impunidade e da sonegação consentida, nun- ca se viu tanta medalha distri- buída, tantos títulos outorga- dos, tantas homenagens a pseu- do heróis, que nunca fizeram nada, mas detêm em suas mãos o poder catalisador de conquista de adeptos porque sabem manipular como nin- guém as ingênuas almas no afã de caçar votos e depois tirar proveito da situação. Diante do quadro contrista- dor do qual participamos dia- riamente na luta contra a vio- lência, contra nossos direitos ameaçados por uma falida pre- vidência, sobra-nos uma res- posta a ser dada por nós mes- mos, como cidadãos e como criaturas feitas à imagem e se- melhança do Senhor: “Quem são, afinal, em meio a toda essa celeuma, os heróis do Brasil de hoje?” E a resposta é uma só: Heróis são nossos servidores que, trabalhando oito horas diá- rias, muitas vezes sob o chicote de frustradas direções ou de exi- gentíssimos chefes, ganham aviltantes salários, sem direito, muitas vezes, à cesta básica, ao transporte e até mesmo, em al- gumas repartições, a uma míse- ra xícara de café. Heróis são nossos educado- res que, ministrando aulas em classes superlotadas e se loco- movendo para duas ou mais unidades escolares, sofrem perdas brutais a cada mês, víti- mas que vêm sendo de gover- nadores insensíveis, mentiro- sos e demagogos. Heróis são nossos irmãos da raça negra, muitos deles com curso superior, realizan- do serviços os mais humildes e referendados pela hipocrisia de um país que se apregoa sem preconceito de raça, de credo e de cor. Heróis são nossos operá- rios que, madrugando sob um céu em abandono, comem ar- roz com arroz enquanto os grandes se banqueteiam em restaurantes para executivos. Heróis são nossos jovens que, sonhando universidades e realização profissional, só veem diante de si portas fecha- das pelas escorchantes mensa- lidades e o absurdo requisito de uma experiência que nun- ca vivenciaram. Heróis são nossos petizes que, vivendo um pseudotem- po “criança-esperança”, rece- bem, a cada instante, a bofeta- da da ineficiência e da insensa- tez dos que governam esta na- ção no que tange à saúde, à se- gurança e à educação. Heróis são nossos aposenta- dos que, trazendo, nos cabe- los brancos, o registro de anos de trabalho e de dedicação, vêm sendo despojados de suas mais lídimas aspirações, entre elas a isonomia salarial a que têm direito, enquanto nos- sos maiorais do poder Legisla- tivo e Judiciário nadam em al- tíssimos hollerites e gratifica- ções e vergonhosas mordo- mias. Heróis são nossos chefes de família que, muitas vezes, sem teto que seja seu, não con- seguem, na conta das muitas juras e dos juros muito altos, repartir o mísero salário com o aluguel que os abriga das in- tempéries e o pão que mata a fome de uma mesa sem car- ne... sem frutas... sem igua- rias... Heróis somos todos nós que, sem mais sonhos para so- nhar, sem mais vislumbres de esperanças num tempo onde tudo se vai privatizando, até mesmo nossos momentos de quimera, ainda somos agredi- dos pelos meios de comunica- ção com o desfile de grotescas personagens, prometendo mundos e fundos a incautos eleitores. E muitos desses can- didatos já esqueceram que usaram do poder durante anos sem nunca terem feito nada, absolutamente nada pe- los que, paulatinamente, vêm denunciando a corrupção que lá por cima rola e a miséria ins- talada cá embaixo. Corruptos e vilões e caboti- nos seremos todos nós se, en- golindo todas essas mentiras e promessas e repetidos filmes, tornarmos a votar nesses am- biciosos senhores que, entran- do alguns notadamente po- bres, se transformaram numa das maiores riquezas do país, sem que até hoje se descobris- se a fonte mágica de suas for- tunas. Artificialização de áreas verdes O repórter e o gráfico ÁRVORES Opinião MUDANÇAS manuelcarlos dalcio I I Carlos Alberto Gomes Henriques é engenheiro-agrônomo e membro da Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (Proesp) e José Hamilton de Aguirre Junior é engenheiro florestal, mestre em arborização urbana O Correio Popular come- morou no último domingo 84 anos de existência. Ho- menageou seu fundador, Ál- varo Ribeiro, contou um pouco de sua história e de como enfrentou bravamen- te temporais políticos como a Revolução Constituciona- lista e o Golpe de Estado de 1930. Não sou tão velho assim e não testemunhei essa par- te da história do jornal, mas quero escrever um pouco sobre sua história mais re- cente. Nas últimas duas dé- cadas o Correio Popular cresceu mais do que nos 64 anos anteriores, sendo o car- ro-chefe do Grupo RAC e tornando-se o jornal de maior circulação do Interior do Estado mais pujante da federação. Em todos os seus 84 anos de existência, não deixou de circular um dia sequer e ad- quiriu uma interatividade com seus leitores que pou- cos jornais no mundo conse- guem. É curioso verificar como o jornal, por sua indepen- dência e credibilidade, aca- ba pautando outras mídias e o próprio poder público. Não é raro sintonizarmos uma estação de rádio e ou- virmos um jornal ancorado nas notícias publicadas pelo Correio, como também é muito comum o poder pú- blico correr atrás do prejuí- zo depois de matérias sobre suas mazelas estampadas no jornal. Dessa forma consegue ser fiel ao propósito que nor- teou sua fundação: “ser um fiscal vigilante do poder pú- blico, em defesa da coletivi- dade”. A construção e o cresci- mento do jornal devem ser creditados aos seus dirigen- tes, mas eles sabem perfeita- mente que existem duas fi- guras essenciais para tudo isso. Na realidade, a credibi- lidade de um veículo de co- municação nasce na compe- tência de seus repórteres, e a qualidade da impressão somente é possível quando ancorada nas mãos de seus gráficos. Sem o bom e competen- te repórter e sem o gráfico dedicado nada disso é possí- vel, razão pela qual essas duas figuras devem ser ho- menageadas nesse aniversá- rio. Os políticos, de uma for- ma geral, não sobrevivem sem a imprensa, mas odeiam quando ela se mos- tra independente. Na sema- na passada, no Congresso do PT foi aprovado um tex- to que mostra mais uma ten- tativa do partido em criar re- gras para amordaçar a im- prensa. Garanto que nessas regras que pretendem pro- por não vão escrever uma li- nha sequer sobre a aplica- ção técnica de suas verbas publicitárias, acabando de vez por todas com o uso de seu poder econômico para calar a mídia. Dizem eles que o domí- nio midiático por certos gru- pos econômicos tolhe a de- mocracia, silencia vozes, marginaliza multidões, en- fim, cria um clima de impo- sição de uma única versão para o Brasil. Tenho certeza de que o petista que escreveu isso es- tava se olhando no espelho! Jornais independentes como o Correio Popular in- comodam essa gente que confunde o público com o privado. Neste momento em que deveriam estar pen- sando seriamente em uma reforma política, estão pre- tendendo criar uma morda- ça para evitar que a farra com o dinheiro público não seja mais denunciada. Parabéns, Correio Popu- lar, por sua independência. Parabéns repórter e para- béns gráfico, porque são vo- cês que garantem a existên- cia de um grande jornal. I I Arita Damasceno Pettená é presidente da Academia de Letras Ciências e Artes das Forças Armadas “Nossa intenção é realizar um diagnóstico e apontar alternativas” Vereador Arly de Lara Romeo, sobre a criação da CPI da Saúde na Câmara de Campinas. A2 CORREIO POPULAR Campinas, terça-feira , 6 de setembro de 2011 Editor: Rui Motta rui@rac.com.br - Editora-assistente: Ana Carolina Martins carol@rac.com.br - Correio do Leitor leitor@rac.com.br I I Manuel Carlos Cardoso é advogado e professor cardoso@rac.com.br opinião@rac.com.br

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