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ARTE, VIDA E FORMAÇÃO HUMANA: CONCEITOS INSTIGANTES EM LEV
VYGOSTSKY
Locimar Massalai1
PENSANDO A INTRODUÇÃO
Tive como intenção primeira ao escrever este texto, ler Vygostsky por ele mesmo.
Instigado pela exigência da produção de um texto, fiquei imaginando o que poderia escrever
que pudesse aprofundar meus conhecimentos sobre a Psicologia Histórico-Cultural, tanto a
partir das instigações da 2Experiência Missionária na Universidade Estadual de Maringá,
como também pela necessidade de aprofundar as bases teóricas que necessito para responder
os questionamentos que recebo enquanto pedagogo na escola onde atuo. Questionamentos
feitos pelas professoras em suas práticas pedagógicas às voltas com o ensino da arte e em
contrapartida, de minha defesa da necessidade de que este componente curricular seja
ensinado de forma mais consistente, que não aquela das velhas práticas de desenhos livres,
artesanatos e confecção de cestos de lixo para a escola. Toda esta necessidade de
aprofundamento teve seu ápice com as provocações do Mestrado em Psicologia que comecei
a fazer em agosto de 2011.
A arte, deste que me conheço por gente exerce sobre mim papel de produção de
significados que me ajudaram compreender as situações da vida e fazer frente aos seus
desafios. Tenho necessidade de aprofundar as teorias que dão sustentação a minha vida e, por
conseguinte à minha prática educativa.
E falando em aprofundar a teoria, a leitura de Moraes (2001) provocou-me ainda mais
a buscar e aprofundar as bases teóricas que podem dar uma sustentação mais sólida para meu
fazer pedagógico permeado pelo discurso de que “basta saber fazer e a teoria é considerada
perda de tempo ou especulação metafísica e, quando não, restrita a uma oratória persuasiva e
fragmentária, presa à sua própria estrutura discursiva”. (MORAES, 2001, p. 10).
1 Atua como Orientador Educacional em Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio. Mestrando do
Programa de Pós-graduação de Psicologia da Universidade Federal de Rondônia. E-mail:
locimassalai@gmail.com
2 Atividade de intercâmbio de estudos pelo PROCAD entre os mestrados acadêmicos de Psicologia da
Universidade Federal de Rondônia e Universidade Estadual de Maringá.
Este movimento por leituras mais densas me fez lembrar a minha formação inicial, dos
3dropes sobre os autores clássicos que sustentavam um discurso fragmentado sobre Piaget,
Freud, Makarenko e 4Vygotsky que somente de longe ouvíamos falar a partir dos livros
“Formação Social da Mente e Pensamento e Linguagem” que me pareciam na época, leituras
absurdamente herméticas e somente para iniciados.
Comungo com Barroco (2011, p. 192), quando afirma que,
Os escritos vygostskianos apresentam-se provocativos ao subsidiarem um
olhar mais cuidadoso da prática social do século xxi, sob avanço da filosofia
pós-estruturalista e sob a ideologia pós-moderna. Sem as mediações da
história, reconhecer que esse autor estivesse na defesa da superação da
sociedade de classes sociais antagônicas soa tão estranho que autor e obra
podem ser simplesmente negados, ou ser apropriados de modo parcial.
Uma provocação nuclear me acompanhou durante todo o tempo de costuras, cortes e
recortes deste texto: qual a importância da teoria de Vygostsky sobre a arte para a formação
de professores de arte ou pedagogos? Como democratizar o acesso e socializar a riqueza do
pensamento deste autor?
A leitura do livro que foi base para este texto, foi feita a partir da tradução espanhola
“Psicología del arte” em função de que não consegui encontrar a tradução brasileira. Se de
nada valer, teremos neste texto, a história de um leitor às voltas com a leitura primeira de uma
obra completa de Vygostsky em sua totalidade, e não de alguém escrevendo sobre ele. Este
exercício de apropriação de suas ideias valeu o esforço de arrumar um tempo entre a escola e
a casa, quando tive que compensar minha ausência dela trabalhando os três períodos,
justamente porque ousei querer aprofundar.
OBJETIVO DO TEXTO
Entrar em contato direto com o texto de Vygostsky, Psicologia da arte e, a partir do
capítulo 10 da referida obra, apresentar suas ideias quando discute a relação entre arte e vida.
3 O livro “História da Educação” de Maria Lúcia de Arruda Aranha, logo após a discussão de umassunto, trazia
um “dropes” que era um pequeno texto em destaque dentro de uma caixinha, geralmente sobre um teórico
clássico da filosofia, sociologia ou psicologia.
4 Dentre as várias formas de escrever o nome deste autor, optei por aquela que vem grafada no livro Psicologia
da arte.
Quais relações que estabelece e como ele as defende? Qual sua importância para a escola e a
formação da humana dos que nela convivem cotidianamente?
METODOLOGIA
O método da pesquisa utilizado foi o teórico-bibliográfico amparado pelo princípio
epistemológico da dialética que desafia nosso olhar de tal forma que a realidade via
formulação de conceitos, não seja apreendida de forma imediata e superficial, mas
aprofundada e desvelada pelas suas contradições. Como afirma Duarte (1999, p.22),
Não se podem criar novas ideias a partir do nada, é preciso trabalhar a partir
das ideias existentes. Isto não é necessariamente negativo, ao contrário, é
uma característica humana muito importante, a de poder partir da atividade
das gerações passadas. mas por outro lado isso também pode cercear a
criação do novo, oprimir o pensamento como um pesadelo. e pode também
se usado pelos homens para legitimar suas atitudes e camuflar o significado
objetivo que elas têm no contexto de sua realização. não há como fugir ao
risco, é preciso ter consciência de sua existência e estar alerta para perceber
quando a erudição ao invés de enriquecer o pensamento, passa a imobilizá-
lo.
No caso deste artigo, fazer a revisão bibliográfica de alguns conceitos estudados por
Vygostsky sobre a arte possibilitou entender como trabalhou com esta temática que ele
mesmo chamou de “la más especulativa y místicamente imprecisa de todas las áreas de la
psicologia”. (VYGOTSKY, 2008, p.25).
A OBRA E SEU CONTEXTO
Gostaria de começar apontando a relevância destas discussões aproveitando as
palavras que Leontiev (2008), fala na introdução do livro Psicologia da arte. Começa sua
introdução dizendo que o livro “foi escrito por um grande especialista Lev Semenovich
Vygostsky (1896-1934), fundador de um ramo original da psicologia soviética baseada na
natureza sócio-histórico da consciência humana”. (LEONTIEV, p. 13)5.
Barroco (2007), tecendo um comentário sobre o livro Psicologia da Arte diz que
5 Algumas citações de Leontiev e Vygostky do livro Psicologia da arte foram traduzidas por mim, a partir da
tradução espanhola, publicada pela editora Paidós, em 2008, portanto carrega as limitações de um tradutor
amador às voltas com a tentativa de ler, interpretar e traduzir uma obra em idioma diferente. Em alguns
momentos, preferi não traduzir com receio de não conseguir ser fiel às ideias do autor.
embora nele Vigotski ainda nao tivera demonstrado a sistematização dos
principais conceitos que fundamentavam a Teoria ou a Psicologia Histórico-
Cultural, ‘ofereceu uma análise objetivo-materialista das emoções humanas
que surgem ao ler a obra’, com escreveu Leontiev (1997, p. 424).
Vygotsky escreve e participa ativamente de uma época de intensa efervescência
cultural e juntamente com outros artistas, escritores quer construir uma nova sociedade
socialistas soviética, sacudida a partir da Revolução de Outubro de 1917 que buscava formar
o homem socialista e a arte, na formação deste novo homem tinha o papel de “revelar o
homem contemporâneo; não o burguês, mas o homem cultural, o homem desenvolvido, o
homem socialista; mas isso nao constituía tarefa fácil, corriqueira, banal; antes deveria ser
fruto de uma outra árvore”. (BARROCO, 2007, p. 39). Outra árvore seria este novo olhar
sobre as Artes, apontando valores coletivos, “homens e familias do povo, com dignidade, (...)
com perspectivas de futuro, desfrutando da ciência e do conhecimento”, (BARROCO, 2007,
40).
Leontiev também situa “Psicologia da arte” em seu contexto quando afirma que
[...] Hará unos cuarentas anõs, en el momento em que la psicologia soviética
empezava a ver la luz. Todavia se estaba librando la batalha en contra de la
psicología fuertemente idealista por aquel entonces pujante en el principal
centro soviético de Moscú, dirigido por G.I. Chelpanov.
O próprio Vygostsky no prólogo do livro fala da seriedade de suas investigações e
estudos afirma que seus anos de “investigación en Rúsia se han caracterizado por la búsqueda,
tanto en los estudios artísticos como en psicologia, de un camino que nos permitiera escapar
de los precarios límites del subjetivismo”. (VYGOTSKY, 2008, p. 21).
Para Leontiev, o grande significado das discussões feitas no livro Psicologia da arte
vão além das interrogações sobre as formas clássicas da literatura. Como uma obra
excepcional, seu maior mérito é o de questionar o que faz uma criação ser artística e o que a
transforma em uma obra de arte. E finaliza chamando atenção do leitor para alguns cuidados
na leitura da obra. Diz num primeiro momento que o livro “es una obra creativa que exige de
su lector un esfuerzo y una actitud también de índole creativa”. (LEONTIEV, 2008, p. 19).
Em seguida adverte e apresenta o livro, como produção histórica do conhecimento
que tem a validez e o caráter de temporalidade pois
Muchas cosas en el libro de Vygotsky ya se han visto superadas. Pero
ninguna obra científica cabe esperar una verdad en última instancia absoluta,
ni soluciones de validez eterna; no se las pidamos, pues, al libro de
Vygostsky. Su importancia reside en otro lugar: los textos de Vygostsky
conservan intacta su urgencia científica; continúan publicándose y atrayendo
la atención de los lectores. (LEONTIEV, 2008, p. 20).
DISCUTINDO A RELAÇÃO ENTRE ARTE E VIDA
Vygostsky começa o capítulo dizendo que é preciso aprofundar algumas questões
quando se quer estabelecer esta relação entre arte e vida: qual o significado da arte? Que
relações existem entre a experiência estética e as demais formas do comportamento humano?
Como explicar o papel e a importância da arte para o comportamento humano? Feitas as
perguntas, afirma que existem muitas respostas para estas perguntas, como muitas são as
formas de avaliar a importância da arte para a vida das pessoas.
Esta profusão de respostas levava a um subjetivismo na visão sobre arte e vida.
Barroco et al. (2011, p. 8), apontam que em Psicologia da Arte
Fica evidente que para Vigotski a estética e a psicologia necessitam de
reorientação metodológica para abordarem seus objetos de forma
cientificamente consistente. Assim, a estética necessita de pressupostos da
psicologia e esta não responde, com os métodos que se fez até o início do
século XX, a demanda da arte. Nesta perspectiva, enfatiza a necessidade de
superar o subjetivismo recorrente nas teorias psicológicas analisadas, como
também a compreensão fragmentada de indivíduo e sociedade. Coloca ainda
a carência de análise psicossocial como empecilho para o avanço da estética
e da psicologia. A superação de tais pontos na psicologia seria dada pela
orientação no método materialista histórico dialético, que entende o homem
formado na relação com as condições históricas, fruto da ação dos homens
na produção da vida. Este princípio contém também a unidade dialética entre
indivíduo e sociedade, de forma que o psiquismo é entendido como
determinado pela sociedade.
E o próprio Vygostsky (2008, p. 293), propõe que “se queremos descobrir qual é a
relação entre a arte e a vida, se queremos resolver o problema da arte em termos de psicologia
aplicada, devemos adotar uma teoria geral válida para resolver estas questões”.
No momento histórico em que Vygotsky escreve a obra, a psicologia que embasava
tinha um cunho idealista e se preocupava com o criador e o espectador das obras de arte.
Vygostsky critica uma visão sobre a arte como boa ou ruim dependendo da forma
como contagia e envolve o espectador, aquilo que chama de “contagiosidade”. E afirma que
“em si a arte não é boa nem ruim; é uma linguagem do sentimento que devemos apreciar em
função daquilo que ela expressa”. Condena também os críticos de arte que valorizavam uma
obra de artística segundo sua obviedade.
Vygostsky (2008, p. 295), argumenta que para “entender a arte é preciso acrescentar
algo a mais do que a simples capacidade de se contagiar”; a arte precisa provocar o que chama
de “estremecimento”. E vai trabalhando o pensamento no sentido de criticar esta visão do
contágio e que se a arte fosse vista apenas sob esta perspectiva, teria um “triste e ingrato
papel”.
De uma forma belíssima faz uma comparação entre da visão da arte cujo objetivo é
apenas contagiar, com o milagre dos pães e peixes multiplicados no milagre dos pães e dos
peixes relatado nos quatro evangelhos canônicos: em Mateus, 14:13-21, Marcos, 6: 31-44,
Lucas, 9:10-17 e João, 6:5-15. E comenta: “Este milagre é apenas quantitativo. Milhares de
pessoas se alimentaram e ficaram saciadas, porém apenas comeram pão e peixe. Por acaso
nao era esta sua dieta cotidiana”? (VYGOSTSKY, 2008, p. 297).
Em seguida, fala que o verdadeiro milagre da arte, traçando uma comparação com
outro milagre dos evangelhos, o da água transformada em vinho, nas Bodas de Caná, é o da
transubstanciação, algo que transcende os sentimentos cotidianos. Para justificar este
posicionamento argumenta que “um grande pensador disse em certa ocasiao que a arte
guarda, em relação a uva e o vinho a mesma relação. Ele quis dizer com esta comparação que
a arte toma seu material da vida, porém em troca oferece algo que seu material nao continha.
(VYGOSTSKY, 2008, p. 297). A arte tem a capacidade, segundo ele, de transformar uma
emoção individual em emoção social.
Segundo Toassa, (2009, p. 99), Vygostsky
Nega as teorias que reduzem a arte à sensação ou à emoção comum. Admite,
ainda, a existência de emoções desencadeadas por fatos que não dependem
meramente do estímulo perceptual – diferindo, neste ponto, das emoções
animais. Temos, aí, um antecedente histórico para sua dura crítica às
psicologias que adotavam o binômio estímulo-reação como paradigma de
pesquisa da psicologia humana.
Dando sequência às suas discussões acerca da relação entre arte e vida, Vygostsky cita
Plekanov para dizer que a arte é antes de tudo, uma antítese da vida, liberando um aspecto de
nossa psique que nao encontra expressão na existência cotidiana.
Penso eu que é nesta antítise, nesta capacidade que a arte tem de mostrar que existe
um outro mundo possível, de que esta vida que temos, às vezes dura, cruel, e dentro das
condições históricas dadas, de miséria e pobreza, reside sua dimensão catártica quando afirma
que a arte liberta e processa impulsos extremamente complexos do organismo humano,
sistematizando e organizando aquilo que chama que chama de sentimento social e assim dar
alívio e vasão a tensão da vida cotidiana. Pondera que arte “parece ser um meio psicológico
para criar um equilíbrio com o meio ambiente em pontos críticos em nosso comportamento.
[...] Efetivamente a arte introduz ordem e harmonia na ‘casa psíquica’ de nossos
sentimentos”.
Vygostky (2008), traz em seguida à explicação do que chama de enconomia das
emoções provocada pelo efeito da experiência artística, a necessidade de compreendermos o
significado social da arte. Fala que a arte é o social em nosso interior e que este social existe
também quando existe apenas uma pessoa com suas experiências e sofrimentos pessoais. E
esta experiência de cada pessoa com a arte leva consigo um sentimento social que é
materializado e projetado fora dela e que através dos objetos artísticos se transforma em
ferramentas sociais. “A arte es la técnica social de la emoción, una herramienta de la
sociedad que lleva aspectos más íntimos y personales de nuestro ser al círculo de la vida
social”. (VYGOSTSKY, 2008, p. 304).
Ele explica a citação feita acima, dizendo que a emoção se torna pessoal quando cada
um de nós faz a experiência com uma obra de arte e que esta experiência se torna pessoal sem
deixar de ser social.
E um último ponto que gostaríamos de apontar como significativo nesta relação entre
arte e vida em Vygostsky é a discussão sobre a importância educativa da arte e a arte nas
escolas. O autor afirma que “a arte sempre foi considerada como um meio de educação, isto é,
como um programa de longo alcance para modificar nosso comportamento e nosso
organismo”. (p.309). Apresenta a crítica como força fundamental e mediadora que abre
caminho entre a arte e a sociedade e a partir do ponto de vista da psicologia, organiza os
efeitos da arte, oferecendo uma direção educativa para o espectador. Esclarece que a crítica da
arte não é para interpretar ou explicar uma obra de arte, nem tampouco preparar o leitor para a
percepção de uma obra artística, mas “ser uma força organizadora que entra em ação quando a
arte ja tenha conseguido sua vitória sobre a psique humana, e que agora vai em busca de
ímpeto e direção para sua ação”. (VYGOSTSKY, 2008, p. 310). Ou que a explicação de uma
obra de arte nao venha destruir a emoção, que não venha destruir o que chama de
“estremecimento” diante de uma poesia, por exemplo.
Interessante apontar que desde o princípio, Vygostsky chama atenção para o perigo de
se utilizar a arte para moralizar, o que vemos muito na escola, ou seja, a arte sendo utilizada
de forma a dicotomizar o lado bom e o a lado ruim da pessoa humana ou a luz e a sombra,
como se somente fossemos ou luz ou sombra radicalmente assim separados. Diz que é tarefa
dos criticos de arte “conservar o efeito da arte como arte e evitar que o leitor ou espectador
desperdice as forças despertadas pela arte substituindo seus poderosos impulsos por preceitos
morais”. (VYGOSTSKY, 2008, p. 310).
Em seguida, Vygostsky discute o problema da arte nas escolas a partir de
posicionamentos de outros autores que dizem que literatura e poesia nao se podem ensinar na
escola. Se posiciona dizendo que futuros estudos e investigações poderão provar que o ato de
criar uma obra artística não é algo dado, místico, divino, mas um ato real, concreto, como
outros do nosso corpo, porém mais complexo. Defende que o ato de criar é consciente e
subconsciente, e aponta o papel mediador da educação ou dos professores quando afirma que
Não se pode ensinar a criar. Isto nao significa, contudo, que o educador não
possa cooperar no processo de criação. Penetramos no subconsciente através
do consciente. Podemos organizar os processos conscientes de forma tal que
venham gerar processos subconscientes. É um equívoco acreditar que os
processos subconscientes posteriores não dependem da direção que nos dão
os aspectos conscientes. (VYGOTSKY, 2008, p. 313).
Ou seja, o ato de criar não é apenas algo dado e pronto. Depende também das
provocações do meio onde a pessoa está inserida.
O autor finaliza o capítulo trazendo uma provocação que é extremamente atual para a
escola e consequentemente para a educação: “qual vai ser o papel da arte no futuro”?
Argumenta dizendo que “a investigação psicológica mostra que a arte é o centro supremo dos
processos individuais biológicos e sociais, um método para encontrar o equilíbrio entre o
homem e seu mundo nas etapas mais importantes e críticas de sua existência”.
(VYGOSTSKY, 2008, p. 317).
Passados tantos anos, este argumento continua sendo não só importante como
necessário se consideramos todos os desafios por quais passamos cujo desafio de
humanizarmos é hercúleo todavia. Então a arte teria neste contexto, não apenas um papel de
ornamento. E diz que na formação do homem novo, a arte vai ter um papel decisivo. Mas não
é qualquer arte: “sem uma arte nova, não poderá haver um homem novo”. (VIGOTSKY,
2008, p. 317). Também eu enquanto educador não duvido do papel da arte, mas duvido que
seja qualquer arte que venha ajudar no processo de humanização.
CONCLUSÃO
Penso que poderia resumir toda minha experiência de vida às voltas com a arte com o
refrão da música dos Titãs: “A gente não quer só comida a gente quer comida diversão e
arte”6. Cresci às sombras de mangueiras, cacaueiros, castanheiras e seringais em um lote rural
fruto dos povoamentos provocados pelo governo federal em tempos de regime militar em
Rondônia, quando era ainda o Território Federal de Rondônia e o velho rádio da marca
“Semp” marcou minha infância com suas novelas e músicas. Isso tudo, nos idos de 1970. E na
ausência de outras possibilidades, a músicas e as novelas radiofônicas, conforme Barroco
(2011), ao serem apropriadas por mim, reproduziram as características humanas que
encarnavam e possibilitaram a transformação do meu mundo psicológico e me faziam viajar
para outro mundo, menos sofrido, por exemplo.
Confesso que foi de minha parte, um ato de coragem correr o risco de ler Vygostsky
por ele mesmo e por aqueles que ele cita em uma obra sua, uma de suas primeiras obras e
ainda por cima um assunto que me é muito caro: a arte e seus processos criadores.
Além do livro “Psicologia da arte”, li muitos outros escritos sobre a temática da arte
em Vygostsky com todas as suas variações. Então não me arvoro em acreditar que trago algo
novo no meu escrito. O novo talvez seja meu arranjo, meu jeito de contar o que entendi e
isto eu penso que valeu a pena: o exercício de , em primeiro lugar ler uma obra em outra
língua e depois interpretá-la. Saiu o possível: entender a seriedade de um autor que pesquisa,
que lê e que reflete a partir do seu tempo e que sonha com novo homem a partir de uma
6 Trecho retirado da música “Comida” dos Titãs. Disponível em: <http://letras.mus.br/titas/91453/>. Acesso em
9 de setembro de 2012.
referencia teórica que desmistifica tanto o papel como o processo de criação da arte. Por ora,
dou-me por satisfeito!
REFERÊNCIAS
ARANHA, M. L. A. História da Educação e da Pedagogia Geral e Brasil. 3ª Ed. São
Paulo: Moderna, 2006.
BARROCO, S. M.S. Psicologia Educacional e Arte: uma leitura histórico-cultural da figura
humana. Maringá: Eduem, 2007.
BARROCO, S. M. S. Pedagogia Histórico-Crítica, Psicologia Histórico-Cultural e
Educação Especial: em defesa do desenvolvimento da pessoa com e sem deficiência. In:
MARSIGLIA, A. C. G. (Org.). Pedagogia Histórico-Crítica: 30 anos. São Paulo: Autores
Associados, 2011. p. 169-196.
BARROCO, S. M. S.; CRUZ, M.G; SUPERTI, T. Psicologia da arte: pressupostos teóricos e
metodológicos. In: X Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional, 7,. 2011,
Anais do X Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional, Curitiba, 2011, p. 1-13.
DUARTE, N. A individualidade para si. Contribuições a uma teoria histórico-social da
formação do indivíduo. 2ª Ed. São Paulo: Autores Associados, 1999.
MORAES, M. C. M. Recuo da teoria: dilemas na pesquisa em educação. Revista Portuguesa
de Educação, 2001, vol. 14, n. 001, Universidade do Minho, Braga, Portugal, pp. 7-25.
LEONTIEV, A. N. Introdução. In: VYGOTSKY, L. S. Psicología Del Arte. Buenos Aires:
Paidós, 2008.
TOASSA, G. Emoções e vivências em Vigotski: investigação para uma perspectiva
histórico-cultural. Tese de doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São
Paulo, 2009.
VYGOTSKY, L. S. Psicología Del Arte. Buenos Aires: Paidós, 2008.

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  • 1. ARTE, VIDA E FORMAÇÃO HUMANA: CONCEITOS INSTIGANTES EM LEV VYGOSTSKY Locimar Massalai1 PENSANDO A INTRODUÇÃO Tive como intenção primeira ao escrever este texto, ler Vygostsky por ele mesmo. Instigado pela exigência da produção de um texto, fiquei imaginando o que poderia escrever que pudesse aprofundar meus conhecimentos sobre a Psicologia Histórico-Cultural, tanto a partir das instigações da 2Experiência Missionária na Universidade Estadual de Maringá, como também pela necessidade de aprofundar as bases teóricas que necessito para responder os questionamentos que recebo enquanto pedagogo na escola onde atuo. Questionamentos feitos pelas professoras em suas práticas pedagógicas às voltas com o ensino da arte e em contrapartida, de minha defesa da necessidade de que este componente curricular seja ensinado de forma mais consistente, que não aquela das velhas práticas de desenhos livres, artesanatos e confecção de cestos de lixo para a escola. Toda esta necessidade de aprofundamento teve seu ápice com as provocações do Mestrado em Psicologia que comecei a fazer em agosto de 2011. A arte, deste que me conheço por gente exerce sobre mim papel de produção de significados que me ajudaram compreender as situações da vida e fazer frente aos seus desafios. Tenho necessidade de aprofundar as teorias que dão sustentação a minha vida e, por conseguinte à minha prática educativa. E falando em aprofundar a teoria, a leitura de Moraes (2001) provocou-me ainda mais a buscar e aprofundar as bases teóricas que podem dar uma sustentação mais sólida para meu fazer pedagógico permeado pelo discurso de que “basta saber fazer e a teoria é considerada perda de tempo ou especulação metafísica e, quando não, restrita a uma oratória persuasiva e fragmentária, presa à sua própria estrutura discursiva”. (MORAES, 2001, p. 10). 1 Atua como Orientador Educacional em Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio. Mestrando do Programa de Pós-graduação de Psicologia da Universidade Federal de Rondônia. E-mail: locimassalai@gmail.com 2 Atividade de intercâmbio de estudos pelo PROCAD entre os mestrados acadêmicos de Psicologia da Universidade Federal de Rondônia e Universidade Estadual de Maringá.
  • 2. Este movimento por leituras mais densas me fez lembrar a minha formação inicial, dos 3dropes sobre os autores clássicos que sustentavam um discurso fragmentado sobre Piaget, Freud, Makarenko e 4Vygotsky que somente de longe ouvíamos falar a partir dos livros “Formação Social da Mente e Pensamento e Linguagem” que me pareciam na época, leituras absurdamente herméticas e somente para iniciados. Comungo com Barroco (2011, p. 192), quando afirma que, Os escritos vygostskianos apresentam-se provocativos ao subsidiarem um olhar mais cuidadoso da prática social do século xxi, sob avanço da filosofia pós-estruturalista e sob a ideologia pós-moderna. Sem as mediações da história, reconhecer que esse autor estivesse na defesa da superação da sociedade de classes sociais antagônicas soa tão estranho que autor e obra podem ser simplesmente negados, ou ser apropriados de modo parcial. Uma provocação nuclear me acompanhou durante todo o tempo de costuras, cortes e recortes deste texto: qual a importância da teoria de Vygostsky sobre a arte para a formação de professores de arte ou pedagogos? Como democratizar o acesso e socializar a riqueza do pensamento deste autor? A leitura do livro que foi base para este texto, foi feita a partir da tradução espanhola “Psicología del arte” em função de que não consegui encontrar a tradução brasileira. Se de nada valer, teremos neste texto, a história de um leitor às voltas com a leitura primeira de uma obra completa de Vygostsky em sua totalidade, e não de alguém escrevendo sobre ele. Este exercício de apropriação de suas ideias valeu o esforço de arrumar um tempo entre a escola e a casa, quando tive que compensar minha ausência dela trabalhando os três períodos, justamente porque ousei querer aprofundar. OBJETIVO DO TEXTO Entrar em contato direto com o texto de Vygostsky, Psicologia da arte e, a partir do capítulo 10 da referida obra, apresentar suas ideias quando discute a relação entre arte e vida. 3 O livro “História da Educação” de Maria Lúcia de Arruda Aranha, logo após a discussão de umassunto, trazia um “dropes” que era um pequeno texto em destaque dentro de uma caixinha, geralmente sobre um teórico clássico da filosofia, sociologia ou psicologia. 4 Dentre as várias formas de escrever o nome deste autor, optei por aquela que vem grafada no livro Psicologia da arte.
  • 3. Quais relações que estabelece e como ele as defende? Qual sua importância para a escola e a formação da humana dos que nela convivem cotidianamente? METODOLOGIA O método da pesquisa utilizado foi o teórico-bibliográfico amparado pelo princípio epistemológico da dialética que desafia nosso olhar de tal forma que a realidade via formulação de conceitos, não seja apreendida de forma imediata e superficial, mas aprofundada e desvelada pelas suas contradições. Como afirma Duarte (1999, p.22), Não se podem criar novas ideias a partir do nada, é preciso trabalhar a partir das ideias existentes. Isto não é necessariamente negativo, ao contrário, é uma característica humana muito importante, a de poder partir da atividade das gerações passadas. mas por outro lado isso também pode cercear a criação do novo, oprimir o pensamento como um pesadelo. e pode também se usado pelos homens para legitimar suas atitudes e camuflar o significado objetivo que elas têm no contexto de sua realização. não há como fugir ao risco, é preciso ter consciência de sua existência e estar alerta para perceber quando a erudição ao invés de enriquecer o pensamento, passa a imobilizá- lo. No caso deste artigo, fazer a revisão bibliográfica de alguns conceitos estudados por Vygostsky sobre a arte possibilitou entender como trabalhou com esta temática que ele mesmo chamou de “la más especulativa y místicamente imprecisa de todas las áreas de la psicologia”. (VYGOTSKY, 2008, p.25). A OBRA E SEU CONTEXTO Gostaria de começar apontando a relevância destas discussões aproveitando as palavras que Leontiev (2008), fala na introdução do livro Psicologia da arte. Começa sua introdução dizendo que o livro “foi escrito por um grande especialista Lev Semenovich Vygostsky (1896-1934), fundador de um ramo original da psicologia soviética baseada na natureza sócio-histórico da consciência humana”. (LEONTIEV, p. 13)5. Barroco (2007), tecendo um comentário sobre o livro Psicologia da Arte diz que 5 Algumas citações de Leontiev e Vygostky do livro Psicologia da arte foram traduzidas por mim, a partir da tradução espanhola, publicada pela editora Paidós, em 2008, portanto carrega as limitações de um tradutor amador às voltas com a tentativa de ler, interpretar e traduzir uma obra em idioma diferente. Em alguns momentos, preferi não traduzir com receio de não conseguir ser fiel às ideias do autor.
  • 4. embora nele Vigotski ainda nao tivera demonstrado a sistematização dos principais conceitos que fundamentavam a Teoria ou a Psicologia Histórico- Cultural, ‘ofereceu uma análise objetivo-materialista das emoções humanas que surgem ao ler a obra’, com escreveu Leontiev (1997, p. 424). Vygotsky escreve e participa ativamente de uma época de intensa efervescência cultural e juntamente com outros artistas, escritores quer construir uma nova sociedade socialistas soviética, sacudida a partir da Revolução de Outubro de 1917 que buscava formar o homem socialista e a arte, na formação deste novo homem tinha o papel de “revelar o homem contemporâneo; não o burguês, mas o homem cultural, o homem desenvolvido, o homem socialista; mas isso nao constituía tarefa fácil, corriqueira, banal; antes deveria ser fruto de uma outra árvore”. (BARROCO, 2007, p. 39). Outra árvore seria este novo olhar sobre as Artes, apontando valores coletivos, “homens e familias do povo, com dignidade, (...) com perspectivas de futuro, desfrutando da ciência e do conhecimento”, (BARROCO, 2007, 40). Leontiev também situa “Psicologia da arte” em seu contexto quando afirma que [...] Hará unos cuarentas anõs, en el momento em que la psicologia soviética empezava a ver la luz. Todavia se estaba librando la batalha en contra de la psicología fuertemente idealista por aquel entonces pujante en el principal centro soviético de Moscú, dirigido por G.I. Chelpanov. O próprio Vygostsky no prólogo do livro fala da seriedade de suas investigações e estudos afirma que seus anos de “investigación en Rúsia se han caracterizado por la búsqueda, tanto en los estudios artísticos como en psicologia, de un camino que nos permitiera escapar de los precarios límites del subjetivismo”. (VYGOTSKY, 2008, p. 21). Para Leontiev, o grande significado das discussões feitas no livro Psicologia da arte vão além das interrogações sobre as formas clássicas da literatura. Como uma obra excepcional, seu maior mérito é o de questionar o que faz uma criação ser artística e o que a transforma em uma obra de arte. E finaliza chamando atenção do leitor para alguns cuidados na leitura da obra. Diz num primeiro momento que o livro “es una obra creativa que exige de su lector un esfuerzo y una actitud también de índole creativa”. (LEONTIEV, 2008, p. 19). Em seguida adverte e apresenta o livro, como produção histórica do conhecimento que tem a validez e o caráter de temporalidade pois
  • 5. Muchas cosas en el libro de Vygotsky ya se han visto superadas. Pero ninguna obra científica cabe esperar una verdad en última instancia absoluta, ni soluciones de validez eterna; no se las pidamos, pues, al libro de Vygostsky. Su importancia reside en otro lugar: los textos de Vygostsky conservan intacta su urgencia científica; continúan publicándose y atrayendo la atención de los lectores. (LEONTIEV, 2008, p. 20). DISCUTINDO A RELAÇÃO ENTRE ARTE E VIDA Vygostsky começa o capítulo dizendo que é preciso aprofundar algumas questões quando se quer estabelecer esta relação entre arte e vida: qual o significado da arte? Que relações existem entre a experiência estética e as demais formas do comportamento humano? Como explicar o papel e a importância da arte para o comportamento humano? Feitas as perguntas, afirma que existem muitas respostas para estas perguntas, como muitas são as formas de avaliar a importância da arte para a vida das pessoas. Esta profusão de respostas levava a um subjetivismo na visão sobre arte e vida. Barroco et al. (2011, p. 8), apontam que em Psicologia da Arte Fica evidente que para Vigotski a estética e a psicologia necessitam de reorientação metodológica para abordarem seus objetos de forma cientificamente consistente. Assim, a estética necessita de pressupostos da psicologia e esta não responde, com os métodos que se fez até o início do século XX, a demanda da arte. Nesta perspectiva, enfatiza a necessidade de superar o subjetivismo recorrente nas teorias psicológicas analisadas, como também a compreensão fragmentada de indivíduo e sociedade. Coloca ainda a carência de análise psicossocial como empecilho para o avanço da estética e da psicologia. A superação de tais pontos na psicologia seria dada pela orientação no método materialista histórico dialético, que entende o homem formado na relação com as condições históricas, fruto da ação dos homens na produção da vida. Este princípio contém também a unidade dialética entre indivíduo e sociedade, de forma que o psiquismo é entendido como determinado pela sociedade. E o próprio Vygostsky (2008, p. 293), propõe que “se queremos descobrir qual é a relação entre a arte e a vida, se queremos resolver o problema da arte em termos de psicologia aplicada, devemos adotar uma teoria geral válida para resolver estas questões”. No momento histórico em que Vygotsky escreve a obra, a psicologia que embasava tinha um cunho idealista e se preocupava com o criador e o espectador das obras de arte.
  • 6. Vygostsky critica uma visão sobre a arte como boa ou ruim dependendo da forma como contagia e envolve o espectador, aquilo que chama de “contagiosidade”. E afirma que “em si a arte não é boa nem ruim; é uma linguagem do sentimento que devemos apreciar em função daquilo que ela expressa”. Condena também os críticos de arte que valorizavam uma obra de artística segundo sua obviedade. Vygostsky (2008, p. 295), argumenta que para “entender a arte é preciso acrescentar algo a mais do que a simples capacidade de se contagiar”; a arte precisa provocar o que chama de “estremecimento”. E vai trabalhando o pensamento no sentido de criticar esta visão do contágio e que se a arte fosse vista apenas sob esta perspectiva, teria um “triste e ingrato papel”. De uma forma belíssima faz uma comparação entre da visão da arte cujo objetivo é apenas contagiar, com o milagre dos pães e peixes multiplicados no milagre dos pães e dos peixes relatado nos quatro evangelhos canônicos: em Mateus, 14:13-21, Marcos, 6: 31-44, Lucas, 9:10-17 e João, 6:5-15. E comenta: “Este milagre é apenas quantitativo. Milhares de pessoas se alimentaram e ficaram saciadas, porém apenas comeram pão e peixe. Por acaso nao era esta sua dieta cotidiana”? (VYGOSTSKY, 2008, p. 297). Em seguida, fala que o verdadeiro milagre da arte, traçando uma comparação com outro milagre dos evangelhos, o da água transformada em vinho, nas Bodas de Caná, é o da transubstanciação, algo que transcende os sentimentos cotidianos. Para justificar este posicionamento argumenta que “um grande pensador disse em certa ocasiao que a arte guarda, em relação a uva e o vinho a mesma relação. Ele quis dizer com esta comparação que a arte toma seu material da vida, porém em troca oferece algo que seu material nao continha. (VYGOSTSKY, 2008, p. 297). A arte tem a capacidade, segundo ele, de transformar uma emoção individual em emoção social. Segundo Toassa, (2009, p. 99), Vygostsky Nega as teorias que reduzem a arte à sensação ou à emoção comum. Admite, ainda, a existência de emoções desencadeadas por fatos que não dependem meramente do estímulo perceptual – diferindo, neste ponto, das emoções animais. Temos, aí, um antecedente histórico para sua dura crítica às psicologias que adotavam o binômio estímulo-reação como paradigma de pesquisa da psicologia humana.
  • 7. Dando sequência às suas discussões acerca da relação entre arte e vida, Vygostsky cita Plekanov para dizer que a arte é antes de tudo, uma antítese da vida, liberando um aspecto de nossa psique que nao encontra expressão na existência cotidiana. Penso eu que é nesta antítise, nesta capacidade que a arte tem de mostrar que existe um outro mundo possível, de que esta vida que temos, às vezes dura, cruel, e dentro das condições históricas dadas, de miséria e pobreza, reside sua dimensão catártica quando afirma que a arte liberta e processa impulsos extremamente complexos do organismo humano, sistematizando e organizando aquilo que chama que chama de sentimento social e assim dar alívio e vasão a tensão da vida cotidiana. Pondera que arte “parece ser um meio psicológico para criar um equilíbrio com o meio ambiente em pontos críticos em nosso comportamento. [...] Efetivamente a arte introduz ordem e harmonia na ‘casa psíquica’ de nossos sentimentos”. Vygostky (2008), traz em seguida à explicação do que chama de enconomia das emoções provocada pelo efeito da experiência artística, a necessidade de compreendermos o significado social da arte. Fala que a arte é o social em nosso interior e que este social existe também quando existe apenas uma pessoa com suas experiências e sofrimentos pessoais. E esta experiência de cada pessoa com a arte leva consigo um sentimento social que é materializado e projetado fora dela e que através dos objetos artísticos se transforma em ferramentas sociais. “A arte es la técnica social de la emoción, una herramienta de la sociedad que lleva aspectos más íntimos y personales de nuestro ser al círculo de la vida social”. (VYGOSTSKY, 2008, p. 304). Ele explica a citação feita acima, dizendo que a emoção se torna pessoal quando cada um de nós faz a experiência com uma obra de arte e que esta experiência se torna pessoal sem deixar de ser social. E um último ponto que gostaríamos de apontar como significativo nesta relação entre arte e vida em Vygostsky é a discussão sobre a importância educativa da arte e a arte nas escolas. O autor afirma que “a arte sempre foi considerada como um meio de educação, isto é, como um programa de longo alcance para modificar nosso comportamento e nosso organismo”. (p.309). Apresenta a crítica como força fundamental e mediadora que abre caminho entre a arte e a sociedade e a partir do ponto de vista da psicologia, organiza os efeitos da arte, oferecendo uma direção educativa para o espectador. Esclarece que a crítica da arte não é para interpretar ou explicar uma obra de arte, nem tampouco preparar o leitor para a
  • 8. percepção de uma obra artística, mas “ser uma força organizadora que entra em ação quando a arte ja tenha conseguido sua vitória sobre a psique humana, e que agora vai em busca de ímpeto e direção para sua ação”. (VYGOSTSKY, 2008, p. 310). Ou que a explicação de uma obra de arte nao venha destruir a emoção, que não venha destruir o que chama de “estremecimento” diante de uma poesia, por exemplo. Interessante apontar que desde o princípio, Vygostsky chama atenção para o perigo de se utilizar a arte para moralizar, o que vemos muito na escola, ou seja, a arte sendo utilizada de forma a dicotomizar o lado bom e o a lado ruim da pessoa humana ou a luz e a sombra, como se somente fossemos ou luz ou sombra radicalmente assim separados. Diz que é tarefa dos criticos de arte “conservar o efeito da arte como arte e evitar que o leitor ou espectador desperdice as forças despertadas pela arte substituindo seus poderosos impulsos por preceitos morais”. (VYGOSTSKY, 2008, p. 310). Em seguida, Vygostsky discute o problema da arte nas escolas a partir de posicionamentos de outros autores que dizem que literatura e poesia nao se podem ensinar na escola. Se posiciona dizendo que futuros estudos e investigações poderão provar que o ato de criar uma obra artística não é algo dado, místico, divino, mas um ato real, concreto, como outros do nosso corpo, porém mais complexo. Defende que o ato de criar é consciente e subconsciente, e aponta o papel mediador da educação ou dos professores quando afirma que Não se pode ensinar a criar. Isto nao significa, contudo, que o educador não possa cooperar no processo de criação. Penetramos no subconsciente através do consciente. Podemos organizar os processos conscientes de forma tal que venham gerar processos subconscientes. É um equívoco acreditar que os processos subconscientes posteriores não dependem da direção que nos dão os aspectos conscientes. (VYGOTSKY, 2008, p. 313). Ou seja, o ato de criar não é apenas algo dado e pronto. Depende também das provocações do meio onde a pessoa está inserida. O autor finaliza o capítulo trazendo uma provocação que é extremamente atual para a escola e consequentemente para a educação: “qual vai ser o papel da arte no futuro”? Argumenta dizendo que “a investigação psicológica mostra que a arte é o centro supremo dos processos individuais biológicos e sociais, um método para encontrar o equilíbrio entre o homem e seu mundo nas etapas mais importantes e críticas de sua existência”. (VYGOSTSKY, 2008, p. 317).
  • 9. Passados tantos anos, este argumento continua sendo não só importante como necessário se consideramos todos os desafios por quais passamos cujo desafio de humanizarmos é hercúleo todavia. Então a arte teria neste contexto, não apenas um papel de ornamento. E diz que na formação do homem novo, a arte vai ter um papel decisivo. Mas não é qualquer arte: “sem uma arte nova, não poderá haver um homem novo”. (VIGOTSKY, 2008, p. 317). Também eu enquanto educador não duvido do papel da arte, mas duvido que seja qualquer arte que venha ajudar no processo de humanização. CONCLUSÃO Penso que poderia resumir toda minha experiência de vida às voltas com a arte com o refrão da música dos Titãs: “A gente não quer só comida a gente quer comida diversão e arte”6. Cresci às sombras de mangueiras, cacaueiros, castanheiras e seringais em um lote rural fruto dos povoamentos provocados pelo governo federal em tempos de regime militar em Rondônia, quando era ainda o Território Federal de Rondônia e o velho rádio da marca “Semp” marcou minha infância com suas novelas e músicas. Isso tudo, nos idos de 1970. E na ausência de outras possibilidades, a músicas e as novelas radiofônicas, conforme Barroco (2011), ao serem apropriadas por mim, reproduziram as características humanas que encarnavam e possibilitaram a transformação do meu mundo psicológico e me faziam viajar para outro mundo, menos sofrido, por exemplo. Confesso que foi de minha parte, um ato de coragem correr o risco de ler Vygostsky por ele mesmo e por aqueles que ele cita em uma obra sua, uma de suas primeiras obras e ainda por cima um assunto que me é muito caro: a arte e seus processos criadores. Além do livro “Psicologia da arte”, li muitos outros escritos sobre a temática da arte em Vygostsky com todas as suas variações. Então não me arvoro em acreditar que trago algo novo no meu escrito. O novo talvez seja meu arranjo, meu jeito de contar o que entendi e isto eu penso que valeu a pena: o exercício de , em primeiro lugar ler uma obra em outra língua e depois interpretá-la. Saiu o possível: entender a seriedade de um autor que pesquisa, que lê e que reflete a partir do seu tempo e que sonha com novo homem a partir de uma 6 Trecho retirado da música “Comida” dos Titãs. Disponível em: <http://letras.mus.br/titas/91453/>. Acesso em 9 de setembro de 2012.
  • 10. referencia teórica que desmistifica tanto o papel como o processo de criação da arte. Por ora, dou-me por satisfeito! REFERÊNCIAS ARANHA, M. L. A. História da Educação e da Pedagogia Geral e Brasil. 3ª Ed. São Paulo: Moderna, 2006. BARROCO, S. M.S. Psicologia Educacional e Arte: uma leitura histórico-cultural da figura humana. Maringá: Eduem, 2007. BARROCO, S. M. S. Pedagogia Histórico-Crítica, Psicologia Histórico-Cultural e Educação Especial: em defesa do desenvolvimento da pessoa com e sem deficiência. In: MARSIGLIA, A. C. G. (Org.). Pedagogia Histórico-Crítica: 30 anos. São Paulo: Autores Associados, 2011. p. 169-196. BARROCO, S. M. S.; CRUZ, M.G; SUPERTI, T. Psicologia da arte: pressupostos teóricos e metodológicos. In: X Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional, 7,. 2011, Anais do X Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional, Curitiba, 2011, p. 1-13. DUARTE, N. A individualidade para si. Contribuições a uma teoria histórico-social da formação do indivíduo. 2ª Ed. São Paulo: Autores Associados, 1999. MORAES, M. C. M. Recuo da teoria: dilemas na pesquisa em educação. Revista Portuguesa de Educação, 2001, vol. 14, n. 001, Universidade do Minho, Braga, Portugal, pp. 7-25. LEONTIEV, A. N. Introdução. In: VYGOTSKY, L. S. Psicología Del Arte. Buenos Aires: Paidós, 2008. TOASSA, G. Emoções e vivências em Vigotski: investigação para uma perspectiva histórico-cultural. Tese de doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009. VYGOTSKY, L. S. Psicología Del Arte. Buenos Aires: Paidós, 2008.