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A Missão de Pedro
Edivaldo Arnaldo
Maria Costa
Pedro
Missão
Espírito Santo
Discurso
Pentecostes
Pagãos
Resumo
Organização
Prólogo;
A atividade de Pedro em Lida e Jope;
A atividade de Pedro em Cesareia;
A ação de Deus;
O encontro e o discurso entre Pedro e Cornélio;
Em Jerusalém, Pedro justifica a sua conduta;
Introdução:
“Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e
sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, e a Samaria, até
os confins da terra” (cf. At 1, 8).
Pentecostes foi celebrada no início, pelos cristãos simplesmente como fim
de uma Páscoa de cinquenta dias; tomava-se o mistério pascal em sua
plenitude.
O Espírito anima seus discípulos para anunciá-lo; é guia do testemunho
deles até no detalhe de suas empreitadas e itinerários.
São Lucas vai falar sobre outras vindas do Espírito Santo, vários
Pentecostes: em Jerusalém (At 2; 4, 25-31), na Samaria (At 8, 14-17), e a que
dá início a atividade missionária de Cornélio (At 10, 44).
Prólogo:
O evangelista Lucas organiza um itinerário geográfico progressivo,
as curas realizadas por Pedro, representam um dos motivos que levou
a Cornélio chamar o apóstolo em Jope, desejando conhecer melhor a
pessoa de Jesus. Toda a unidade literária pode ser representada com o
seguinte esquema:
Pedro e Eneias (At 9, 32-35)
Pedro e Tabita (At 9, 36-42)
Transição (At 9, 43)
Pedro e Cornélio (At 10, 1-48b)
Pedro em Jerusalém (At 11, 1-18)
A atividade de Pedro em Lida e Jope (At 9, 32-42)
No relato encontram-se elementos interessantes referentes à missão:
Pedro atua na mesma área de Felipe, nas cidades da costa do Mediterrâneo
entre Azoto e Cesareia (At 8, 40);
Devido a proximidade da Igreja em Jerusalém é possível supor que vários
missionários trabalhassem nessa região (At 9, 32), como também fora dela
(At 9, 31);
Lucas apresenta destaque na missão de Pedro entre os “eleitos”, os judeu-
cristãos da Palestina (vv. 32.41); dois personagens são beneficiados por
Pedro: um homem e uma mulher:
Eneias e Tabita
O paralítico de Lida (At 9, 32-35)
Diferente da cura do coxo (At 3, 3), em Lida, Eneias não faz nada para
chamar a atenção de Pedro, é Pedro que percebe a situação e age de forma
totalmente gratuita, dizendo ao coxo: “Eneias, Jesus Cristo te restitui a saúde;
levanta-te e arruma a tua cama” (At 9, 34);
A cura se torna o sinal da irrupção do Reino de Deus (Lc 11, 20), da vitória
sobre Satanás (At 10, 38), do senhorio do Ressuscitado sobre o mal que
atormenta o ser humano.
A ressurreição de Tabita (At 9, 36-42)
Há uma continuidade entre a atuação do Mestre e a do discípulo. A mulher
que vem a falecer é “uma discípula” (mathêtria, v. 36a), era uma benfeitora da
comunidade, “praticante de boas obras e doadora de fartas esmolas” (At 9, 36);
frisa-se que ela “caiu doente e morreu” (At 9, 38a). O corpo dela é lavado
seguindo a tradição hebraica, é colocado na sala superior à espera do enterro, que
normalmente acontecia no mesmo dia. Os discípulos mandam chamar Pedro, que
se encontra em Lida, o qual parte imediatamente.
Lucas com muita sobriedade, destaca que Pedro, sozinho e de joelhos ora
pedindo a Deus intervir nessa situação (Lc 22, 41). A simples ordem: “Tabita,
levanta-te”, faz com que a mulher abra os olhos e se sente na cama. Levada pela
a mão de Pedro (At 9, 41a), é apresentada viva aos demais que se regozijam pelo
acontecido.
Vale ressaltar que, nesse ponto dos Atos, Lucas quer mostrar no gesto
operado por Pedro a promessa da salvação definitiva trazida por Cristo.
Por meio desses dois episódios, Lucas prepara a passagem mais importante
da microunidade literária: o encontro de Pedro e Cornélio que iremos
aprofundar.
A atividade de Pedro em Cesareia: a conversão de Cornélio (At 10, 1—11, 18)
Cornélio, como “temente a Deus”, é o primeiro pagão convertido ao judaísmo
que vem fazer parte da comunidade cristã, sem ainda ter recebido a circuncisão. É
um acontecimento básico abrindo novos horizontes à missão historicamente pode-se
duvidar que Cornélio seja verdadeiramente o primeiro pagão a ser aceito na Igreja;
esse primado é dado ao eunuco que vai adorar em Jerusalém.
Lucas organiza de forma progressiva as várias conversões à fé cristã: os
primeiros são os judeu-ortodoxos, seguido dos helenistas e os judeu heterodoxos; na
figura dos samaritanos convertidos por Felipe. Seguem-se os “tementes a Deus” –
pagãos –.
Pedro compreende, então, que uma atitude fechada em relação aos pagãos vai
“obstaculizar” a obra de Deus (kôlyein, At 11, 17). Diante de uma inesperada
manifestação do Espírito Santo, decide batizar os primeiros incircuncisos,
consciente de que está é a vontade de Deus.
A organização do relato
Toda a narrativa em Atos 10, 1—11, 18 pode ser considerada uma unidade
literária:
Visão de Cornélio em Cesareia (At 10, 1-8);
Visão de Pedro em Jope (At 10, 9-16);
O envio dos mensageiros por parte do centurião romano (At 10, 23b-29);
Apresentação de Cornélio da visão recebida (At 10, 30-33);
O discurso de Pedro (At 10, 34-43);
A descida do Espírito Santo (At 10, 44-48);
Todo o episódio dura 4 dias (At 10, 30).
A ação de Deus
Lucas frisa que a acolhida na Igreja do primeiro incircunciso é
determinada pela vontade de Deus. Pedro manifesta, em particular, no seu
discurso a consciência de que tudo o que ele está vivendo é regido por Deus; o
Espírito Santo desce sobre os incircuncisos durante o discurso de Pedro,
mostrando explicitamente sua vontade (At 10, 23.33; 11,14).
A dúplice visão
Cornélio “fixa” com atenção a visão que vem do céu (atenísas); o anjo lhe
ordena mandar buscar Pedro, que se encontra em Jope na casa de Simão, o curtidor,
perto do mar, indicando com exatidão a sua localização (vv. 6.17.32). Também
Pedro recebe a visão, está rezando no terraço da casa onde está hospedado. A
dificuldade de dizer com exatidão o que de fato aconteceu é indicada pelo advérbio
“como” (cf. At 2, 2-3). Pedro fica perplexo e hesitante diante da visão. Serão os
acontecimentos futuros que irão esclarecer o sentido do que ocorreu; em primeiro
lugar a intervenção do Espírito.
Com efeito, é o próprio Espírito e não Simão, o curtidor, quem avisa Pedro da
chegada dos mensageiros de Cornélio (v. 19), convidando-o a andar com eles
“sem hesitação, porque fui eu quem os enviei” (v. 20). O Espírito que atua na
vida de Pedro e acompanha seus esforços de interpretar o que aconteceu, faz
com que ele descubra gradativamente a vontade divina.
O encontro e o discurso entre Pedro e Cornélio: (At 10, 34-43)
Não se trata simplesmente do encontro de dois personagens, mas de duas
comunidades embora pequenas: o judeu-cristão e a dos incircuncisos que Pedro
qualifica como pessoas “de outra raça” (v. 28). À luz do desenvolvimento dos
acontecimentos, Pedro pode compreender o sentido da visão de Jope e sua
referência aos pagãos e declara: “Deus não faz acepção de pessoas” (v. 34),
destacando que também os pagãos são chamados à conversão e a fazer parte da
Igreja (cf. At 11, 18).
Outro elemento característico do discurso é o destaque dado ao valor universal da
atuação de Jesus, declara-se que Jesus é “o Senhor de todos” (v. 36) e por meio dele
“a Boa Nova da Paz” dirigida aos filhos de Israel, é destinada a se espalhar entre os
povos, afirmando que “todo aquele que nele crer” recebe “a remissão dos pecados”
(v. 43).
A descida do Espírito Santo (At 10, 44-48)
A vinda do Espírito Santo é repentina e inesperada; interrompe o discurso de
Pedro, mostrando assim, de forma inequívoca, a vontade de Deus (v. 44). Depois da
efusão, salienta que os tementes a Deus recebera o Espírito Santo “assim como nós”
(v. 47). Por isso, pode-se dizer que em Cesareia acontece um novo Pentecostes, o
Pentecostes dos pagãos.
Em Jerusalém, Pedro justifica sua conduta
A notícia da justificação de Pedro perante as autoridades de Jerusalém é
historicamente plausível e manifesta a vigilância com que os chefes da Igreja
acompanhavam as várias etapas da difusão do evangelho; no relato, dá-se muito
destaque à visão de Pedro, fazendo menção à visão de Cornélio; o Espírito desce
sobre os incircuncisos “apenas Pedro começou a falar” (v. 15), realça-se, desta
forma, que a manifestação da vontade de Deus ocorre logo ao começo do evento.
Pedro, na sua função de representante da Igreja, e não outro apóstolo, é o
primeiro a aceitar um pagão na comunidade, Lucas quer apresentar a Igreja que vive
em harmonia, obediente a seu chefe, consciente da sua constituição hierárquica.
Considerações Finais
Sendo assim, São Lucas nos expressa uma Igreja viva e atuante, na força do
Espírito Santo, e apresenta em todo o momento que Deus caminha com o seu povo,
curando e oferecendo a vida nova em Jesus Cristo. Uma Igreja com uma cabeça
visível – Pedro – que não age por si só, mas em comunhão com os demais irmãos,
garantindo assim a solidez das ações da Igreja.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CASALEGNO, Alberto. Ler os Atos dos Apóstolos. Estudo da Teologia Lucana da Missão. São Paulo:
Edições Loyola, 2005;
JERUSALÉM, Bíblia de. Português. São Paulo: Paulus, 2019;
SAGRADA, Bíblia. Português. Edição Ave Maria. Português. São Paulo: Ave Maria, 2009;
PASTORAL, Nova Bíblia. Português. São Paulo: Paulus, 2014;
CONGAR, Yves. Revelação e Experiência do Espírito. São Paulo: Edições Paulinas, 2ª ed, 2005
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  • 1. A Missão de Pedro Edivaldo Arnaldo Maria Costa
  • 3. Organização Prólogo; A atividade de Pedro em Lida e Jope; A atividade de Pedro em Cesareia; A ação de Deus; O encontro e o discurso entre Pedro e Cornélio; Em Jerusalém, Pedro justifica a sua conduta;
  • 4. Introdução: “Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, e a Samaria, até os confins da terra” (cf. At 1, 8). Pentecostes foi celebrada no início, pelos cristãos simplesmente como fim de uma Páscoa de cinquenta dias; tomava-se o mistério pascal em sua plenitude. O Espírito anima seus discípulos para anunciá-lo; é guia do testemunho deles até no detalhe de suas empreitadas e itinerários. São Lucas vai falar sobre outras vindas do Espírito Santo, vários Pentecostes: em Jerusalém (At 2; 4, 25-31), na Samaria (At 8, 14-17), e a que dá início a atividade missionária de Cornélio (At 10, 44).
  • 5. Prólogo: O evangelista Lucas organiza um itinerário geográfico progressivo, as curas realizadas por Pedro, representam um dos motivos que levou a Cornélio chamar o apóstolo em Jope, desejando conhecer melhor a pessoa de Jesus. Toda a unidade literária pode ser representada com o seguinte esquema: Pedro e Eneias (At 9, 32-35) Pedro e Tabita (At 9, 36-42) Transição (At 9, 43) Pedro e Cornélio (At 10, 1-48b) Pedro em Jerusalém (At 11, 1-18)
  • 6. A atividade de Pedro em Lida e Jope (At 9, 32-42) No relato encontram-se elementos interessantes referentes à missão: Pedro atua na mesma área de Felipe, nas cidades da costa do Mediterrâneo entre Azoto e Cesareia (At 8, 40); Devido a proximidade da Igreja em Jerusalém é possível supor que vários missionários trabalhassem nessa região (At 9, 32), como também fora dela (At 9, 31); Lucas apresenta destaque na missão de Pedro entre os “eleitos”, os judeu- cristãos da Palestina (vv. 32.41); dois personagens são beneficiados por Pedro: um homem e uma mulher: Eneias e Tabita
  • 7. O paralítico de Lida (At 9, 32-35) Diferente da cura do coxo (At 3, 3), em Lida, Eneias não faz nada para chamar a atenção de Pedro, é Pedro que percebe a situação e age de forma totalmente gratuita, dizendo ao coxo: “Eneias, Jesus Cristo te restitui a saúde; levanta-te e arruma a tua cama” (At 9, 34); A cura se torna o sinal da irrupção do Reino de Deus (Lc 11, 20), da vitória sobre Satanás (At 10, 38), do senhorio do Ressuscitado sobre o mal que atormenta o ser humano.
  • 8. A ressurreição de Tabita (At 9, 36-42) Há uma continuidade entre a atuação do Mestre e a do discípulo. A mulher que vem a falecer é “uma discípula” (mathêtria, v. 36a), era uma benfeitora da comunidade, “praticante de boas obras e doadora de fartas esmolas” (At 9, 36); frisa-se que ela “caiu doente e morreu” (At 9, 38a). O corpo dela é lavado seguindo a tradição hebraica, é colocado na sala superior à espera do enterro, que normalmente acontecia no mesmo dia. Os discípulos mandam chamar Pedro, que se encontra em Lida, o qual parte imediatamente. Lucas com muita sobriedade, destaca que Pedro, sozinho e de joelhos ora pedindo a Deus intervir nessa situação (Lc 22, 41). A simples ordem: “Tabita, levanta-te”, faz com que a mulher abra os olhos e se sente na cama. Levada pela a mão de Pedro (At 9, 41a), é apresentada viva aos demais que se regozijam pelo acontecido.
  • 9. Vale ressaltar que, nesse ponto dos Atos, Lucas quer mostrar no gesto operado por Pedro a promessa da salvação definitiva trazida por Cristo. Por meio desses dois episódios, Lucas prepara a passagem mais importante da microunidade literária: o encontro de Pedro e Cornélio que iremos aprofundar.
  • 10. A atividade de Pedro em Cesareia: a conversão de Cornélio (At 10, 1—11, 18) Cornélio, como “temente a Deus”, é o primeiro pagão convertido ao judaísmo que vem fazer parte da comunidade cristã, sem ainda ter recebido a circuncisão. É um acontecimento básico abrindo novos horizontes à missão historicamente pode-se duvidar que Cornélio seja verdadeiramente o primeiro pagão a ser aceito na Igreja; esse primado é dado ao eunuco que vai adorar em Jerusalém. Lucas organiza de forma progressiva as várias conversões à fé cristã: os primeiros são os judeu-ortodoxos, seguido dos helenistas e os judeu heterodoxos; na figura dos samaritanos convertidos por Felipe. Seguem-se os “tementes a Deus” – pagãos –. Pedro compreende, então, que uma atitude fechada em relação aos pagãos vai “obstaculizar” a obra de Deus (kôlyein, At 11, 17). Diante de uma inesperada manifestação do Espírito Santo, decide batizar os primeiros incircuncisos, consciente de que está é a vontade de Deus.
  • 11. A organização do relato Toda a narrativa em Atos 10, 1—11, 18 pode ser considerada uma unidade literária: Visão de Cornélio em Cesareia (At 10, 1-8); Visão de Pedro em Jope (At 10, 9-16); O envio dos mensageiros por parte do centurião romano (At 10, 23b-29); Apresentação de Cornélio da visão recebida (At 10, 30-33); O discurso de Pedro (At 10, 34-43); A descida do Espírito Santo (At 10, 44-48); Todo o episódio dura 4 dias (At 10, 30).
  • 12. A ação de Deus Lucas frisa que a acolhida na Igreja do primeiro incircunciso é determinada pela vontade de Deus. Pedro manifesta, em particular, no seu discurso a consciência de que tudo o que ele está vivendo é regido por Deus; o Espírito Santo desce sobre os incircuncisos durante o discurso de Pedro, mostrando explicitamente sua vontade (At 10, 23.33; 11,14).
  • 13. A dúplice visão Cornélio “fixa” com atenção a visão que vem do céu (atenísas); o anjo lhe ordena mandar buscar Pedro, que se encontra em Jope na casa de Simão, o curtidor, perto do mar, indicando com exatidão a sua localização (vv. 6.17.32). Também Pedro recebe a visão, está rezando no terraço da casa onde está hospedado. A dificuldade de dizer com exatidão o que de fato aconteceu é indicada pelo advérbio “como” (cf. At 2, 2-3). Pedro fica perplexo e hesitante diante da visão. Serão os acontecimentos futuros que irão esclarecer o sentido do que ocorreu; em primeiro lugar a intervenção do Espírito. Com efeito, é o próprio Espírito e não Simão, o curtidor, quem avisa Pedro da chegada dos mensageiros de Cornélio (v. 19), convidando-o a andar com eles “sem hesitação, porque fui eu quem os enviei” (v. 20). O Espírito que atua na vida de Pedro e acompanha seus esforços de interpretar o que aconteceu, faz com que ele descubra gradativamente a vontade divina.
  • 14. O encontro e o discurso entre Pedro e Cornélio: (At 10, 34-43) Não se trata simplesmente do encontro de dois personagens, mas de duas comunidades embora pequenas: o judeu-cristão e a dos incircuncisos que Pedro qualifica como pessoas “de outra raça” (v. 28). À luz do desenvolvimento dos acontecimentos, Pedro pode compreender o sentido da visão de Jope e sua referência aos pagãos e declara: “Deus não faz acepção de pessoas” (v. 34), destacando que também os pagãos são chamados à conversão e a fazer parte da Igreja (cf. At 11, 18). Outro elemento característico do discurso é o destaque dado ao valor universal da atuação de Jesus, declara-se que Jesus é “o Senhor de todos” (v. 36) e por meio dele “a Boa Nova da Paz” dirigida aos filhos de Israel, é destinada a se espalhar entre os povos, afirmando que “todo aquele que nele crer” recebe “a remissão dos pecados” (v. 43).
  • 15. A descida do Espírito Santo (At 10, 44-48) A vinda do Espírito Santo é repentina e inesperada; interrompe o discurso de Pedro, mostrando assim, de forma inequívoca, a vontade de Deus (v. 44). Depois da efusão, salienta que os tementes a Deus recebera o Espírito Santo “assim como nós” (v. 47). Por isso, pode-se dizer que em Cesareia acontece um novo Pentecostes, o Pentecostes dos pagãos.
  • 16. Em Jerusalém, Pedro justifica sua conduta A notícia da justificação de Pedro perante as autoridades de Jerusalém é historicamente plausível e manifesta a vigilância com que os chefes da Igreja acompanhavam as várias etapas da difusão do evangelho; no relato, dá-se muito destaque à visão de Pedro, fazendo menção à visão de Cornélio; o Espírito desce sobre os incircuncisos “apenas Pedro começou a falar” (v. 15), realça-se, desta forma, que a manifestação da vontade de Deus ocorre logo ao começo do evento. Pedro, na sua função de representante da Igreja, e não outro apóstolo, é o primeiro a aceitar um pagão na comunidade, Lucas quer apresentar a Igreja que vive em harmonia, obediente a seu chefe, consciente da sua constituição hierárquica.
  • 17. Considerações Finais Sendo assim, São Lucas nos expressa uma Igreja viva e atuante, na força do Espírito Santo, e apresenta em todo o momento que Deus caminha com o seu povo, curando e oferecendo a vida nova em Jesus Cristo. Uma Igreja com uma cabeça visível – Pedro – que não age por si só, mas em comunhão com os demais irmãos, garantindo assim a solidez das ações da Igreja.
  • 18. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASALEGNO, Alberto. Ler os Atos dos Apóstolos. Estudo da Teologia Lucana da Missão. São Paulo: Edições Loyola, 2005; JERUSALÉM, Bíblia de. Português. São Paulo: Paulus, 2019; SAGRADA, Bíblia. Português. Edição Ave Maria. Português. São Paulo: Ave Maria, 2009; PASTORAL, Nova Bíblia. Português. São Paulo: Paulus, 2014; CONGAR, Yves. Revelação e Experiência do Espírito. São Paulo: Edições Paulinas, 2ª ed, 2005 Obrigado!