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CORREIO Ecos ao espiral 73.....................................................3
O VII Encontro Virtual da Fraternitas………………………….………..4
TEMA BÍBLICO - A ESPERANÇA VEM NOS ATOS………………..….5
«A Igreja foi democrática nos seus inícios. Hoje, não é
assim.»…………………………………………………………………………….…..6
A PROPÓSITO DO DIA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS
CRISTÃOS …………………………………………………………………………..7
UNIÃO/Muitos Resplendores………………………………………………8
In Memoriam.. …………………………………………………………………. 10
Homenageando todas as mães …………………………………..………14
O dia que não queríamos que chegasse………………………………15
Próximos eventos:…… ………………………………………………….…….16
N.º 74 ABRIL DE 2024
EDITORIAL
Renascer
ste boletim que chega às vossas
mãos tem o atraso de um ano: o
Espiral n.º 73 saiu em dezembro
de 2022. E, agora, tem de valer
por cinco.
O ano de 2023 passou e nele não fui
capaz de editar um boletim sequer.
Agradeço, pois, a vossa paciência e a
vossa esperança de o receber outra vez.
Estou igualmente grato a quem está a
trabalhar para que o boletim seja
editado com a regularidade querida.
Mas 2023 foi um ano muito rico em
atividades para a Fraternitas. Seleciono
apenas alguns dos momentos mais
marcantes.
Um deles foi o nosso 47.º Encontro
Nacional. Realizou-se em Fátima, de 21
a 23 de abril, com o tema «Renovação
da Igreja através da sinodalidade».
Teve como conferencistas convidadas
Teresa Toldy e Fátima Almeida, do
Grupo Sinodal Braga-Guimarães.
Testemunharam como muitos católicos
e pessoas de boa vontade não puderam
ficar quietos, quando parecia que as
suas dioceses não estavam a trabalhar
na preparação do Sínodo. Depois,
marcaram presença nos momentos em
que se apresentaram sínteses das
consultas sinodais, fizeram correções e
acrescentaram elementos que
faltavam.
E
2
A Teresa e a Fátima ajudaram-nos a
ter consciência da nossa participação
ativa no caminhar sinodal da Igreja.
O 48.º Encontro Nacional da
Fraternitas foi dedicado à memória
vivencial do cónego Filipe Marques
de Figueiredo, nosso fundador.
Realizou-se em Fátima, de 17 a 19 de
novembro, por se assinalar o
vigésimo aniversário da morte do
cónego Filipe a 28 de novembro.
Ajudaram-nos a fazer este exercício
comemorativo Senra Coelho,
arcebispo de Évora, diocese a que
esteve pastoralmente ligado o
cónego Filipe, e Alípio Afonso, nosso
sócio, autor de um livro sobre o
nosso pai espiritual e profeta.
Em 2023, houve também dois
encontros virtuais da Fraternitas, na
plataforma digital ZOOM. O primeiro
– que foi o VII Encontro Virtual da
Fraternitas - realizou-se no sábado
18 de março, das 15h30 às 17h30.
Tivemos como convidado Eugénio da
Fonseca, 66 anos, casado, pai de dois
filhos, setubalense, licenciado em
Ciências religiosas. Tem dedicado a
vida ao trabalho social, em Setúbal
ao lado de D. Manuel Martins, a nível
nacional, na Cáritas Portuguesa,
entre outros. Falou-nos das
encíclicas do Papa Francisco ‘Fratelli
tutti’, sobre a fraternidade e a
amizade social, e ‘Laudato Si', sobre
o cuidado da casa comum.
O segundo encontro virtual realizou-
se no sábado 30 de setembro. O
nosso sócio Luís Carlos Salgueiro,
atual vogal da Direção, orientou-nos
na reflexão sobre o tema da
comunicação na Igreja. O assunto foi
«Comunicar o quê para quem?».
Gostaria de dizer, a concluir, que
momentos mais marcantes do ano
são os telefonemas entre sócios. É
uma prática que muito saúdo.
E para 2024, o que temos de
novidade? Para já, gostaríamos que
apontassem na agenda e, sem
demora, se inscrevessem no 49.º
Encontro Nacional Fraternitas. Vai
realizar-se de 26 a 28 de abril.
Fernando Félix
3
CORREIO Ecos ao espiral 73...
Muito obrigado à Fraternitas pelo envio do Espiral 73.
 Votos de um ano 2023 repleto de
coragem, esperança e Paz
Francisco, bispo de Évora
 Muito obrigado à direção Espiral do pela
vossa publicação. Agradeço e retribuo os
votos de um feliz ano, repleto de bênçãos de
Deus. Unido em oração e gratidão,
António Luciano, bispo de Viseu
 Meu Caros Amigos, que estejam bem, no
aconchego de todos os seus, no abraço do
Senhor Jesus.
Minha mulher e eu ficámos muito contentes
com a marcação e realização dos nossos
encontros presenciais, com redobrado
interesse pela oportunidade e atualidade do
tema.
Ernesto Delgado e Maria Augusta Jana
 «Ao reconhecermo-nos abençoados,
somos chamados também a abençoar e a
bendizer. É assim que aprendemos o modo de
Deus agir: porque é bendito, torna-se uma
fonte de bênçãos, visitando e redimindo.
Senhor, nosso Deus, visita-nos a todos!»
Cordialmente em Cristo
José Cordeiro, arcebispo de Braga
 Acuso a receção do Espiral n.º 73, que
também recebi em papel. Com os meus
agradecimentos, subscrevo-me cordialmente.
Paz e Bem.
António Montes, bispo emérito de Bragança-Miranda
 Muito obrigado pelo envio do Espiral 73.
Sinceros votos de Feliz Ano.
D. Ximenes Belo (salesiano)
 Muito obrigada, em meu nome e da
minha colega Idalina que esteve comigo, pelo
Encontro de Oração Ecuménica no ZOOM, a
25 de janeiro de 2024. Foi para mim um
pedacinho do Céu. E isso também foi expresso
por outros convidados meus que nem são
membros nem pastores das nossas igrejas,
alguns católicos, e lusitanos como a Rev. Ilma.
Fronteiras eclesiais à parte, somos um no
Senhor. Obrigada pela organização e pela
gravação e que estejamos mais vezes juntos
online e até presencialmente.
Miriam Lopes, pastora na Igreja Metodista
 Nasceste sem uniforme nem bilhete de
identidade...
Descortinar-Te no irreconhecível...
Acolher-Te no silêncio...
Buscar-Te em rosto multiplicado?
Pão, água,
foragido, nu, doente,
preso, esfomeado,
excluído...
Descobrir-Te?!
Se voltas, sempre...!
Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças
Armadas e Seguranç
4
O VII Encontro Virtual da
Fraternitas, realizado no sábado 18 de
março de 2023, foi uma delícia! Teve como
convidado Eugénio da Fonseca, 66 anos,
casado, pai de dois filhos, setubalense,
licenciado em Ciências religiosas. Tem
dedicado a vida ao trabalho social, em
Setúbal ao lado de D. Manuel Martins, a
nível nacional, na Cáritas Portuguesa,
entre outros. Falou-nos das encíclicas
“Fratelli tutti”, sobre a fraternidade e a
amizade social, e da ‘Laudato Si', acerca do
cuidado da casa comum.
Foi muito oportuna a abordagem destes
documentos do Papa Francisco. Os
participantes concentraram-se nestes
documentos. Não dispersaram nem se
apressaram a tirar conclusões. Parece que
todos ganharam mais consciência da sua
responsabilidade na construção e
preservação desta casa comum.
O Dr. Eugénio fez uma apresentação
breve, mas suculenta suscitando a
curiosidade para levar à leitura. Muito
oportuna a leitura do poema do bispo
Manuel Martins “A Igreja é a minha casa”.
Este poema abriu o encontro e foi um
momento de interioridade, muito
profundo.
 Demos conta de que há uma extensa
ignorância, mesmo esquecimento… entre
os cristãos dos textos que alimentam a
nossa fé e sustentam a nossa cultura
religiosa. Que podemos fazer? Que
devemos fazer?
Parabéns e obrigado à Fraternitas por este
encontro e por esta reflexão.
Joaquim Soares
TEMA BÍBLICO
A ESPERANÇA VEM NOS ATOS
Lendo o livro dos Atos dos Apóstolos,
podemos aventar algumas chaves para
este tempo desnorteado, e fazê-lo em
torno da primazia do Espírito, à luz das
primeiras comunidades cristãs e de como
davam testemunho da Boa Nova no
incipiente movimento organizado
chamado Igreja.
O evangelista Lucas escreve este texto
quando os fariseus começam a excluir os
cristãos de origem judaica das sinagogas.
O melhor do livro é que a experiência de
Jesus ressuscitado trouxe uma grande
alegria aos seus seguidores. É um
paralelismo com a alegria que Jesus teve
durante a sua vida, empenhado em
implantar o Reino como o convite aos que
vimos atrás, no meio de dificuldades. Vê-
se melhor em forma de decálogo:
1 – Essa atitude libertadora exemplar traz-
lhes problemas, sem que por isso deixem
de atuar como fez o Mestre. Irradiam
convicção e alegria, provocando com a sua
mensagem uma esperança e levando a
que ninguém fique indiferente. É algo que
inunda toda a narração, como que a
pretender contagiar todos nós que
seguimos os seus passos.
2 – Com a sua autoridade – e não poder –
conseguem que muitos se transformem
em seguidores de Cristo, oferecendo a
todos o plano de Deus, como fez Jesus,
sem ligar a purezas legais nem à
5
classificação de excluídos ou pecadores
formais, e com uma disponibilidade plena.
3 – Jesus não escolhe os melhores segundo
o critério humano. Choca que não eleja
sacerdotes doutos na Lei, ou ilustres
levitas e fariseus. Até a eleição dos Doze
precede a de um fariseu inimigo dos
cristãos para o converter no mais
destacado missionário; chama-se Saulo,
conhecido pelas suas perseguições aos
cristãos, com o aval das autoridades
judaicas.
4 – Os apóstolos não se centralizam em
condenar, mas em salvar. Defendem que
mataram Jesus por ignorância e não se
rebelam contra os que urdiram as infâmias
para O cravar numa cruz. Não realizam
cruzadas contra os que estiveram
envolvidos na morte de Jesus, apesar de
pender sobre eles um fim semelhante ao
do seu Mestre.
5 – Quando os apóstolos são acusados,
também se transformam em
testemunhas, mostrando as razões da sua
fé perante o Sinédrio e pondo as
autoridades judaicas religiosas em
evidência. Se tivessem vivido a sua fé com
um pouco de diplomacia, as autoridades
judaicas ter-lhes-iam oferecido uma
espécie de pacto de não-agressão para
salvar as suas vidas em troca de não
prejudicar o prestígio daquelas
autoridades, protegidas pelo poder
teocrático.
6 – Em Atos, Lucas mostra que a vida
iniciante da Igreja girava em torno de
Cristo vivo e ressuscitado; e apoia-se em
dois pilares: a) A celebração da fé como
encontro alegre dos homens e mulheres
que sentem necessidade de louvar e
agradecer os dons de Deus. Era a festa que
alenta o espírito, mais do que uma
obrigação ritual; b) O serviço aos pobres
como atitude preferencial, à maneira de
Jesus, característica própria dos primeiros
cristãos.
7 – A Igreja há de tomar partido pela vida
e comprometer-se em minorar todo o tipo
de injustiça e morte. Neste sentido,
parece-me necessária uma revisão do
atual estilo das nossas comunidades para
voltar ao princípio de tudo: a deixar-nos
amar por Deus, como nos lembra a
primeira carta de João; a dar e aceitar o
amor dos outros – começando pelo de
Deus – para aprender a amar. Ser-nos-ão
pedidas contas apenas do amor que
pusemos no que fizemos, não de outras
coisas.
8 – A sinodalidade parte precisamente
disto: de ir caminhando juntos e
escutando-nos, entre diferentes que
somos, em fraterna comunidade. Se a
Igreja se torna aborrecida e monótona no
seu testemunho, receosa de perder o seu
poder mundano – que nunca devia ter tido
–, é inconsequente ou se crispa ante
aqueles que não pensam como ela, precisa
de regressar urgentemente à audácia
esperançosa do livro dos Atos e às cartas
dos apóstolos, sem fazer cálculos das
consequências de humanizar a vida ao seu
redor.
9 – Então, para quê a Lei de Moisés? –
pergunta o apóstolo. – E é ele mesmo que
responde dizendo que a função essencial
da Lei não consiste em salvar, mas em
levá-la à prática com o exemplo,
evangelizando. Que ela não salva – é
apenas um meio –, que o que salva é a
promessa tornada realidade na pessoa de
6
Jesus Cristo. Se cumprimos a Lei como um
fim, estamos muito próximos daqueles
escribas e fariseus.
10 – É claro que a Igreja esteve em risco de
se dividir em mais de uma ocasião e, de
facto, isso aconteceu mais tarde. Todavia,
somos o Plano de Deus, não o nosso plano,
unidos no essencial, rezando juntos,
trabalhando para abolir as exclusões
injustas e celebrando, também unidos, até
provocar esse «vede como se amam»
quando celebramos verdadeiramente a
vida.
Gabriel M. Otalora, em Religión Digital
«A Igreja foi democrática nos seus inícios. Hoje, não é assim.»
«O Evangelho de Cristo não é muito
otimista no que respeita ao futuro do
cristianismo… No Evangelho de Cristo não
existem referências a ‘primaveras
eclesiais’.» O sacerdote Rafael Pardo
publicou Quando a Igreja era democrática
(editora Desclée), um estudo que perpassa
os “estudos democráticos” na Igreja, que,
na sua opinião, não isenta de polémica,
conheceu um travão nos anos
subsequentes ao Concílio. Não obstante, o
autor, conscientemente, destaca: «Quero
deixar bem explícito que este livro não faz
uma única menção ao Concílio Vaticano II.
A grande crise não veio com este Concílio
nem com o respetivo papa.»
– A primeira pergunta impõe-se: Quando
é que a Igreja foi democrática?
Foi-o sempre, desde o princípio. Na
Escritura, aparece e eleição popular do
apóstolo Matias (não é Pedro que o
nomeia), aparece também a decisão
tomada em conjunto no Concílio de
Jerusalém sobre alguns ritos judaicos, e
São Paulo declara que as Igrejas lhe
nomearam colaboradores para
administrar o dinheiro, dizendo-se
contente com isso, porque quem
administra a bolsa é sempre criticado.
Desde então, os bispos foram nomeados
democraticamente, durante vários
séculos, e depois essa eleição recaiu sobre
os cabidos eclesiásticos até ao século XX.
Em geral, as pessoas não sabem que o
papa não nomeava os bispos a dedo, nem,
de forma idêntica, os bispos o faziam com
os párocos. Isso é muito recente: a partir
de 1917.
– Pode a Igreja ser democrática? Como?
Não se trata de uma democracia ao estilo
político, todavia pode ganhar-se muito
com espaços de reflexão e decisão em
comum, coisa que antigamente se fazia e
agora não. Até 1914, os leigos
participavam nos conclaves para eleger o
novo papa (os embaixadores de alguns
países católicos), e agora não é assim. Ao
longo de 300 anos, todas as decisões e
nomeações concernentes à Igreja da
América eram realizadas pelo Conselho
das Índias, constituído por leigos e
clérigos, agora não é assim. Nas paróquias,
o Patronato, composto por leigos e por
sacerdotes, administrava a economia e as
festividades, com as normas subjacentes,
hoje não é assim. Em suma, há decisões
eclesiais que outrora eram tomadas em
conjunto e hoje não é assim.
– Apresentas uma perda de democracia
na Igreja a partir da segunda metade do
século XX, coincidindo com o Concílio
7
Vaticano II, que foi proposto
precisamente como um progresso na
participação dos fiéis. Certo? O Concílio
funcionou como um travão para a Igreja?
Quero deixar bem explícito que este livro
não faz uma única menção ao Concílio
Vaticano II. A grande crise não veio com
este Concílio nem com o respetivo papa: o
mundo rural medieval ficou feito em
fanicos com a Segunda Guerra Mundial.
Depois da Guerra, a Igreja adaptou
estruturas que se haviam tornado
antiquadas, porque pertenciam ao mundo
anterior, mas o espírito participativo e
democrático dessas estruturas antigas não
foi transladado para as novas. As
estruturas intermédias, como os
arciprestados e os cabidos,
desapareceram. Seria isso ganância ou
perda de espírito democrático? Que seja o
leitor a julgar e a interpretar. Dantes, os
párocos ganhavam as suas paróquias por
concurso aberto e público (o bispo não
intervinha), atualmente são nomeações ‘a
dedo’ feitas pelo bispo. Será isso ganância
ou perda de espírito democrático? Que o
leitor leia e julgue por si mesmo.
– Avanças uma visão um tanto pessimista
acerca do futuro do cristianismo na
sociedade atual, que classificas de ‘ateia’.
Porquê?
O Evangelho de Cristo não é muito
otimista no que respeita ao futuro do
cristianismo: «tereis perseguições… hão
de entregar-vos… o pai ficará contra o filho
e o filho contra o pai...» Cristo fala de um
“príncipe deste mundo”, que não é Ele, e
São Paulo refere um reino de iniquidade
que viria sobre o mundo, um reino em que
as pessoas zombariam da moral reta. Não
sou eu, é a Escritura que fala e profetiza
sobre isto. No Evangelho de Cristo não
existem referências a ‘primaveras
eclesiais’.
– Que opções tem o cristianismo para
regressar à sua essência no mundo de
hoje?
A única opção e o único caminho é Deus, e
o que Deus quiser e inspirar para a sua
Igreja. A debilidade estrutural conduzir-
nos-á a alternativas e estruturas mais
simples, sem dúvida alguma. Já não é
possível manter economicamente o
património de igrejas medievais e templos
góticos. Nem tão-pouco a Igreja voltará a
ter o monopólio de centros educativos ou
de hospitais e obras assistenciais.
– O Papa Francisco cumpre, por estes
dias, dez anos de pontificado. Como
qualificarias o seu papado?
Qualquer papado é uma ação do Espírito
Santo na Igreja. Os papas incidem em
coisas diferentes porque são pessoas
diferentes e têm sensibilidades teológicas
diferentes. É infantil falar-se de “papa
bom” e “papa mau”, como se fazia em
tempos idos e eu cheguei a ouvir, em
criança. Sou um intelectual, e esse género
de etiquetas pueris repugnam-me por
serem simplificadoras e terem algo de
paranoico: existem bons boníssimos e
maus malíssimos. O Papa Francisco é o
atual papa, e por isso merece-me tanto
carinho como os papas que conheci
anteriormente, e a minha obediência, tal
como a tive para com os antecessores.
Rezo pelo Papa Francisco todos os dias,
para que Deus lhe dê saúde, sabedoria e
fortaleza. Também o fazia com os
anteriores. E fá-lo-ei com os posteriores.
8
Não queria estar na pele de nenhum papa
nem estar submetido a essas pressões.
– São ‘democráticos’ os ataques, as
críticas ao papa, que estão a acontecer?
Porquê?
Qualquer grupo humano que monopolize
um relato único e apague a divergência
torna-se intolerante, fechado, autoritário.
O santo cardeal Newman já explicava, na
sua Carta ao Duque de Norfolk, que ter
unidade de fé com o papa e um respeito
sincero não significa aprovar todas e cada
uma das suas decisões, concretamente
aquelas que não estão ligadas à fé, mas a
questões opináveis. Eu não sou santo nem
sou ninguém para criticar um papa, e
penso que a Internet, por exemplo, é um
difusor de lixo que não consubstancia a via
nem o modo de fazer chegar sugestões ao
Vaticano, se é que elas existem.
Rafael Pardo, em Religión Digital
A PROPÓSITO DO DIA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
Hine ma tov – Como é bom e agradável os Irmãos viverem em união
O Salmo 133 expressa na perfeição o
ambiente do Encontro Ecuménico
online do dia 25 de janeiro, que em boa
hora a Fraternitas promoveu, e me
convidou, e com a qual venho tendo
oportunidades de estreitar laços
fraternos em Encontros Ecuménicos
desde 2017.
Sou Pastora na Igreja Presbiteriana. O
ecumenismo está-me na raíz. Devo o
nome a um padre, responsável pela
revista Miriam, que indicou ao meu
pai, Pastor protestante, em tempos de
poucas amizades ecuménicas, que me
poderia registar na Conservatória do
Porto, menos conservadora do que a
de Aveiro, onde não deixavam. É o
nome da Mãe do Senhor.
No tema da Semana de Oração pela
Unidade dos Cristãos deste ano, Jesus
ensina o valor das duas máximas que
sintetizam a lei de Moisés: «Amarás o
Senhor Teu Deus… e ao Teu Próximo
como a ti mesmo!», com a parábola do
Bom Samaritano. E quem é o meu
próximo?!
Ao nos reunirmos, de várias tradições –
Presbiterianos, Lusitanos e Católicos –
envolvidos ecumenicamente,
convidados por mim, com os membros
da Fraternitas, abriu-se um campo
dinâmico de irmos ao encontro uns dos
outros, e de Deus, em
Oração/Comunicação.
Entre preces, e cânticos, vários matizes
que ouvimos, de impressões que
trocámos, sentimos a presença do
Senhor, na «bondade e
agradabilidade» (Salmo 133) que é
bênção.
Jesus mostra-nos que somos todos
filhos do Pai. Desmonta-nos as defesas
que nos isolam e excluem os outros,
quando percebemos que dependemos
desses outros para nos devolver à vida.
E é nessa humanidade que
descobrimos a Casa do Pai.
Ao fim, custou-nos despedir, porque
estávamos tão bem! Mas voltaremos a
nos encontrar!
9
UNIÃO/Muitos Resplendores
Muitos resplendores, uma só luz.
Luz de Jesus Cristo.
Muitos resplendores, uma só luz
Que nos unifica.
Muitos são os ramos, um tronco só
E esse tronco é Cristo.
Muitos são os ramos, um tronco só
Que nos unifica.
Muitos são os dons, um só o amor:
O amor de Cristo.
Muitos são os dons, um só o amor
Que nos unifica.
Muitas as tarefas, um só sentir:
O sentir de Cristo.
Muitas as tarefas, um só sentir
Que nos unifica.
Muitos ministérios, um só servir:
O servir de Cristo.
Muitos ministérios, um só servir
Que nos unifica.
Muitos são os membros, um corpo só:
E esse Corpo é Cristo.
Muitos são os membros, um corpo só
No qual somos um.
Este canto, de Frostenson e Widestrand, fundamenta-se nos textos bíblicos: João 8, 12; 9, 5; 15, 1-
7. Romanos 11, 17-21. 1 Corintios 11, 2.11.12; 12; 13, 1. Gálatas 3, 28; 1 João 4, 16, baseia-se no
ensinamento de São Cipriano de Cartago (205-258 AD) «A Igreja de Cristo é uma.» E na «Didaché»
(escrito do século I sobre o catecismo cristão), onde também há essa ideia do um e do todos, na
Eucaristia e no pão do Céu.
Pastora Míriam Lopes
Tesouraria
Pagamento de quotas
O Movimento tem como fonte financeira apenas a quotização dos Associados e dos amigos do Movimento.
Por isso, pedimos o favor de cada associado proceder ao pagamento da sua quota, se possível durante o
primeiro trimestre de cada ano.
Recordamos os valores em vigor: CASAL – 30,00 €; SINGULAR – 20,00 €; VIÚVA 5,00 €. À generosidade de
cada um não se pode impor limites. O FUNDO de PARTILHA agradece.
A Tesoureira é a Maria Assunção Bessa Rodrigues, R. Campinho Verde, 15 – 4505-249 FIÃES VFR; Telefone:
220 815 616; Tlm: 966 404 997
IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 (Millenium BCP)
Nota: Este é o primeiro boletim “Espiral” editado por mim. Espero não vos desiludir quanto ao conteúdo,
mas peço que compreendam que não foi muito fácil e agradeço todas as sugestões que me fizerem chegar
para melhorar este meio de comunicação entre nós.
Abílio Rodrigues
10
In Memoriam...
Fazemos memória dos sócios da Fraternitas falecidos em 2023/2024
Emílio Armando Ferreira da Fonseca, associado número 102 da Fraternitas,
faleceu a 12 de janeiro de 2023.
Era natural da freguesia de
São Cosme, Gondomar, onde
nasceu a 25 de janeiro de
1934. Muito cedo entrou na
Juventude Operária Católica.
Foi profissional de
ourivesaria.
Já adulto descobriu a vocação sacerdotal. Nos
seminários do Porto fez os estudos
preparatórios e no Seminário Maior fez o
Curso Superior de Teologia.
Acompanhou com entusiasmo o Concílio
Vaticano II.
Ordenado sacerdote, em Fátima, em 15 de
agosto de 1967, serviu a Igreja como Vigário
Cooperador, em São João da Madeira, e
depois, como pároco, nas freguesias de São
Pedro do Paraíso e Real, concelho de Castelo
de Paiva.
A seguir, voltou ao serviço militar, como
capelão, em Moçambique.
Regressado à Metrópole, foi nomeado pároco
de São Pedro de Abragão, concelho de
Penafiel.
Tempo depois, pediu dispensa do exercício
das Ordens e casou, em 1976, com Josefa dos
Prazeres Valente Lopes da Fonseca. Deste
consórcio nasceu a filha Ana Cristina.
Foi presidente da Junta de freguesia de Duas
Igrejas, em Penafiel.
Lecionou no ensino secundário e foi membro
do Conselho Diretivo da Escola de Penafiel.
O professor Emílio deixou-nos profunda
saudade! Paz à sua alma!
José Quintas da Rocha
Maria José de Vasconcelos Mourão de Sousa Monteiro
faleceu a 5 de maio de 2023.
Membro da Fraternitas
desde o início desta, em
5 de maio de 2000
(curiosamente o dia da
morte da Zé), à vida da
Zé nunca faltou movimento,
espiritualidade e alegria.
Também, infelizmente, nunca lhe faltou
sofrimento físico, desde os problemas que
sentia logo no seu primeiro emprego, nas
viagens nos autocarros da Força Aérea
entre Lisboa e Alverca, até aos seus
últimos dias nos Cuidados Intensivos do
IPO em que os próprios médicos estavam
“habituados” a que a Zé desse sempre a
11
volta às suas tantas e tão violentas crises,
até que… o Senhor que sempre a envolveu
no seu amor, entendeu fazer-lhe a
vontade, como eu percebi dois dias antes
de nos deixar, e contrariando as
expetativas clínicas, levá-la para a
plenitude do seu amor.
As duas grandes dedicações da sua vida
foram a Escola Técnica de Enfermagem
(ETE) então do IPO e a Paróquia de Benfica
onde, durante largos anos foi secretária
paroquial, evidentemente como
voluntária e na qual deu início ao Jardim
Infantil, sendo pároco o presbítero Álvaro
Proença.
As viagens do grupo de amigos de Benfica,
um pouco por toda a Europa, encheram-na
sempre de grande alegria.
Aos 50 anos casou-se, “adotando” uma
família que também a adotou como mãe e
avó querida e, “reformada” da paróquia,
prolongou o seu voluntariado em
múltiplos empenhamentos a que se
dedicou com a competência e o amor que
pautaram sempre a sua vida: lançamento
em Portugal do Movimento Emaús pelo
presbítero Henri de Bourssicaud, braço
direito do Abbé Pierre, onde nos
conhecemos; implantação em Lisboa das
Irmãs da Santa Madre Teresa de Calcutá;
Coração Amarelo; Irmãzinhas dos Pobres;
e o Refood de Belém.
Os comentários do seu grupo de
WhatsApp da ETE à sua partida de entre
nós foram comoventes testemunhos das
profundas amizades que foi alimentando
ao longo da sua vida e da total
disponibilidade que as pautou.
Por seu lado, as netas e o neto dedicaram-
lhe estas palavras no final das Missas que
se celebraram na sua partida:
Querida avó,
querida amiga de que tanto gostamos,
Falar sobre a sua partida é difícil,
Mas se também o foram todos os
obstáculos que enfrentou na vida e dos
quais sempre saiu vencedora, então
também nos cabe a nós ter um bocadinho
de força para agradecer por si e para dizer
as palavras que, apesar de pouco
verbalizadas, sempre foram sentidas
durante os maravilhosos anos que
vivemos ao seu lado.
É difícil ver uma amiga partir.
Uma amiga que cuidava, que através das
conversas reconfortantes, dos abraços
calorosos e das mensagens enviadas
quando a distância mais não permitia, se
fazia presente nas nossas vidas enquanto
nos dava, sem se aperceber, um exemplo
de integridade, tolerância, paciência e
coragem perante as adversidades.
Uma amiga cuja companhia ansiávamos,
cujas histórias nos deliciávamos a ouvir:
uma amiga compreensiva, atenta, que se
ria connosco e na qual confiávamos, com a
qual gostávamos de conversar.
É difícil ver uma avó partir.
Uma avó que sempre nos quis
imensamente bem: que brincou connosco
e jogou connosco, que nos amou por quem
somos, com as nossas imperfeições e
defeitos, que nos compreendeu e
valorizou pelo nosso ser, que sempre
recordou com carinho todos os momentos
12
que partilhamos e nos fez sentir acolhidos
na nossa individualidade todos estes anos.
Obrigada pelo carinho que tinha à vida e
aos outros, por nos ensinar como ser
felizes e como viver a sério, pelo exemplo
de força que para nós foi, força esta que
esperamos que nos guie a todos e em
especial ao avô que tanto se dedicou a si.
Vai deixar uma saudade enorme, mas
reconforta-nos saber que o vazio da sua
partida vai sendo preenchido com todas as
memórias felizes que consigo partilhamos,
e com a certeza de que a avó está
connosco, sempre pronta a dizer “tenho
tanto orgulho na tua vida”.
Finalmente, entre as várias meditações
que lhe dediquei, só quero concluir estas
breves linhas com as seguintes palavras:
“A Zé no Amor que Deus é”
… O Pai tem a Zé na sua glória que é o
esplendor do amor redentor do Pai pelo
seu Filho Jesus que triunfou do pecado e
da morte, chamando-nos à união com
Deus que é Amor. Então o Pai velou pela
Zé que agora me leva infinita vantagem
porque conhece a Deus face a face.”
Francisco Sousa Monteiro
António Carlos Figueiredo Reis faleceu na manhã da quarta-
feira 19 de julho de 2023.
Padre casado com Glória Mamede Marques, e sócio da Fraternitas número 22,
tinha 90 anos, feitos em 16 de abril. Residia em Fiolhal, Carrazeda de Ansiães
(Bragança).
Escreveu a Glória:
«Não sei o tempo... Não sei quanto... MAS
sei como...
É tempo de ESTAR como os amantes
ESTÃO,
como os Esperançados Esperam...
É tempo de Amar com o coração nas
Mãos, mas não as minhas...
descalçando TUDO.
Continuando a rezar Pai Nosso baixinho ao
ouvido dele...
Foi o desafio que escolhemos para a vida
TODA.
Mantém-se.
Este dia chegou ao fim...
UM DIA NOVO COMEÇOU! ALELU'YA!»
O filho Pedro dedicou-lhe este poema:
Agora és Pai-Paisagem
Querido pai
Agora que o teu corpo
Teu invólucro e envelope terreno
Essa parte de ti chamada "corpo"
Depositada foi algures
Entre o Vale do Douro e o Vale do Tua
(Cemitério do Fiolhal, Carrazeda de
Ansiães)
Agora que também és Paisagem
E confortavelmente instalado
Em pleno Douro/Reino Maravilhoso do
Miguel Torga.
Agora és Pai-Paisagem
Serás uma parte dos verdes imensos e
secos.
Sempre que olharmos para estes montes
13
Fazes parte desse mar de vinhas em bardo
Farás corpo com as oliveiras sem fim
És um socalco de xisto brilhante
És tudo isto
Serás mais que tudo isto
Porque te beberemos à mesa enfim
Apreciar-te-emos com renovado prazer
Num Cálice de Ser Humano
Feito Vinho Novo.
Maria Zélia da Silva Martins Afonso, no dia 3 de agosto de 2023,
partiu para a vida celestial, assim creio, mas a dor da sua ausência acompanha-me
dia e noite como se houvesse falecido hoje.
Sem ela a meu lado, depois
de 46 anos de vida
conjugal, espiritualmente
abençoada em Fátima, a razão de ser da
minha vida ativa afigura-se-me terminada.
Sinto-me de braços caídos, enquanto
aguardo idêntico chamamento do Pai
Misericordioso para o Lar Paterno Comum,
onde espero na companhia dos Anjos e
Santos voltar gloriosamente a
reencontrar-nos.
Por outro lado e em compensação, a sua
ausência aviva-me momentos preciosos
de alegria natural e de satisfação
espiritual, vividas em comum, em
atividades sociais e apostólicas.
Conjuntamente fomo-las interpretando
como outros tantos sinais de o nosso amor
ter sido abençoado por Deus, dando ao
desbarato todos os rumores de sinal
contrário, vindos de dentro e de fora da
organização eclesiástica. Disso demos
continuamente graças ao Senhor como eu
continuo a fazer. Muito Obrigado, Senhor.
Não fomos exceção nem modelos.
Seguimos os muitos exemplos
demonstrados pelos casais da Fraternitas
que habitualmente acorriam aos
encontros semestrais e bem assim de
outros casais não filiados, constantes da
roda dos nossos amigos. A experiência de
vida do casal comum assumida foi-nos
demostrando que a sua união favorece
naturalmente o desempenho social de
ambos, constituindo uma mais-valia para
os dois e consequentemente para a
sociedade em que se inserem.
Como sintética e sabiamente disse um
associado da UASP - União das Associações
dos Antigos Alunos dos Seminários
Portugueses no verão do ano 2020, em
Viana do Castelo, no final duma pequena
intervenção minha seguida dum poema da
Zélia: um homem grande só o é com o
apoio duma grande mulher e vice-versa…
Exemplificou com os pobres exemplos que
acabara de presenciar, mas poderia servir-
se da história onde tal confirmação está
sobejamente demonstrada com miríades
de exemplos. Foi assim que São Bento e
sua irmã, Santo Agostinho e sua Mãe
Mónica, São Francisco de Assis e Clara de
Assis, Madame Curi e seu marido… se
completaram nas missões que foram
chamados a desempenhar.
A Zélia, por sua iniciativa, chamou a Tita.
Faz agora 31 anos, tinha ela 3. Devido à
nossa avançada idade nos não permitiram
filiá-la, mas praticamente o resultado foi o
mesmo. A Agostinha foi sempre para nós
nossa filha e nós para ela seus pais. Agora
cuida com eficiência da casa sob a minha
ligeira supervisão. Deus escreveu direito
com linhas tortas. Obrigado, Senhor.
14
Homenageando todas as mães e por ocasião do Dia da Mãe, transcrevemos este
poema que a Tita foi buscar ao espólio da mãe.
Mãe
Dói-me o gesto de te olhar.
Quando penso em te perder
És aquela silhueta de marfim
A quem a recordação dá movimento e vulto
No espaço sem mais nada.
Em ti, tudo é belo e natural.
Vejo o teu rosto lindo
Na moldura preta do teu lenço preto
Vejo o fundo magoado
Que deu expressão
Ao fundo dos teus olhos
Que se fecharam de cansaço,
Que sorriram de amor,
Que me envolveram mil vezes,
Na subtil maneira de sorrir.
Não te esquecerei jamais.
Saudosa e amorosamente,
Hei de lembrar-te sempre,
Minha Mãe.
Alípio e Tita
Manuel Alves de Paiva, padre casado com Judite Pinho Martins,
nasceu a 12 de agosto de 1922 e partiu para junto do Pai a 21 de abril de
2024. Aqui lhe prestamos esta singela homenagem através dos
testemunhos das filhas e do pároco de Oliveira de Azeméis.
O dia que não queríamos que chegasse…
Meu amor, nosso amor: sei que me ouves.
Sinto que estás aqui connosco. Ainda de
corpo, mas para sempre de alma e
coração…
Consigo ver-te, sereno e
maravilhosamente sorridente, sentado no
Céu, ao lado do Pai. Imagino a festa que te
fizeram quando aí chegaste. Consigo
sentir, em cada pedaço do meu corpo, em
cada palpitar do meu coração, a alegria do
reencontro com os outros teus: irmãos,
pais e os muitos amigos que conquistaste
ao longo da tua vida.
Nos teus braços nos recebeste e nos
nossos braços partiste. Tal como querias…
Foste graça, foste luz, foste mão e coração.
Foste colo e abrigo, sempre quente e
aconchegante. Foste luz no caminho de
todos os que tiveram a sorte de se cruzar
contigo. Dizes-me o segredo da força da
tua chama, da tua generosidade e da tua
sabedoria? Mesmo em momentos de
tempestade foste calmaria. Em momentos
de incerteza, foste confiança, foste fé
imensa, brilho intenso, sorriso genuíno,
tranquilidade apaziguadora e amor
desmedido!!!
Meu amor, nosso amor: foste um
profissional, um marido, um pai, um avô e
um sogro perfeito. Por isso, só temos de
dar graças a Deus pelo dom da tua vida. É
15
uma bênção sermos tuas. É uma bênção
termos a correr nas nossas veias, nosso
corpo e na nossa alma, o teu sangue e os
teus cromossomas.
Deus deu-nos o imenso privilégio de te
termos como nosso pai. Mas vieste até nós
apenas emprestado. Porque como sempre
disseste, és genuinamente D’Ele e, por
isso, a ele regressas hoje. No céu são
precisos obreiros e homens de fé como tu.
Sabemos que lá vais continuar a ter uma
vida cheia de sorrisos, alegrias e muitas
bênçãos. Sabemos que lá vais continuar a
ser porto de abrigo, mão estendida e colo
para os que que te rodeiam. Deus precisa
de ti para continuar a sua obra. Por isso te
chamou até Ele.
Acreditamos que estás bem. Sempre te
agarraste à vida e às pessoas com uma
força incalculável. E foi esta força gigante
que te fez estar connosco quase até aos
102 anos. Mas o teu corpo estava cansado.
Sabemos isso. Construíste tanto, que
agora precisas parar. Precisas recomeçar a
tua vida noutra dimensão, onde
seguramente serás também um fazedor,
onde serás luz e abrigo, onde serás
cúmplice do Criador.
As duas meninas que a cigana que te leu
na mão, há cerca de 80 anos atrás, era tu
seminarista, e que te disse que irias ter
como amparo, orgulho e alegria imensa,
estão aqui. Tal como prometido. E
estamos a transbordar de felicidade por
nos teres escolhido para sermos tuas!!!
Há mais de 30 anos que vivemos com
medo deste dia. Sempre pensámos que
ficaríamos desorientadas, perdidas e
desesperadas. Mas, afinal, e como sempre
nos disseste, há que confiar na força dos
homens, mas sobretudo na força de Deus.
Graças a Ele e a ti, que estás aí no céu a
zelar por nós, tal como sempre fizeste na
Terra, e apesar de toda a tristeza, estamos
transbordantes de serenidade. De paz
interior. E com o coração, a alma e todas
as nossas entranhas, carregadas de fé,
num hino de ação de graças a Deus por
tamanha sorte, bênção e privilégio de
seres nosso…
Papá: sabemos que não te vais esquecer
do nosso pacto. Como chegaste primeiro
ao Céu, por favor, guarda um lugarzinho
para nós ao teu lado, e junto Àquele a
quem tudo devemos. Pede a Deus por nós,
está bem? Prometemos que tudo faremos
para honrar tão grande legado.
Viverás para sempre em nós porque, como
sempre disseste, em nós te sentes bem
retratado.
Amamos-te com todas as nossas forças!!!
As tuas meninas
16
"Manuel Alves Paiva,
Homem, esposo, pai de duas filhas, muito
carinhoso na sua missão de doar a vida
pelos seus, com a delicadeza de um
homem inteligente e culto, simples e
generoso em todas as dimensões da sua
vida.
Homem, professor, educador, pedagogo,
de muito estudo… que em muitos alunos,
crianças, adolescentes e jovens, amigos e
cristãos deixou a marca de humanismo, de
espiritualidade e de amizade.
Homem de comunhão, especialista da
comunicação, com marca muito pessoal
na escrita e narrativas da vida, com marca
cristã na comunicação da fé através dos
diversos meios de comunicação social, foi
um pregador das suas opções de vida e das
suas vivências eclesiais e antropológicas.
Homem, pastor, (Deus o chamou no
Domingo do Bom Pastor), padre, homem
de fé, comunicador de Deus, catequista e
orientador espiritual, que na atividade
pastoral da igreja e das pessoas encontrou
um sentido para a missão da sua vida.
O ser humano, com a experiência da
morte, só pode tornar-se um ser com vida
em plenitude. O Professor Paiva, homem
do mundo, homem de Deus, que depois de
101 anos de vida devolvemos a Deus com
gratidão, é para nós esse testemunho de
vida em plenitude. Ámen! Aleluia!"
P. José Manuel Lima, Pároco OA
Próximos eventos:
. Relembramos o dia 14 de maio de 2024, das 17 h 30 às 18 h 30 – Encontro via ZOOM sobre o tema:
“Olha que estou à porta e bato…” – Oração Ecuménica; a Alegria do Evangelho partilhada.
. Outros encontros Virtuais oportunamente divulgados;
. Encontro presencial no início de outubro, 4 – 6 de outubro, em Fátima.
Espiral boletim de
Rua Dr. Manuel Arriaga, 53, 2º Esq f r a t e r n i t a s m o v i m e n t o
3720-233 OLIVEIRA DE AZEMÉIS Responsável: Abílio Pinto Rodrigues
e-maĺl: espĺral.fraternĺtas@gmaĺl.com Nº 74 – Abril de 2024
SECRETARIADO
Pctª Maestro Ivo Cruz, 12 - 11º
A1500-401 LISBOA
Telemóvel:933 522 247

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Boletim Espiral número 74, de abril de 2024

  • 1. 1 CORREIO Ecos ao espiral 73.....................................................3 O VII Encontro Virtual da Fraternitas………………………….………..4 TEMA BÍBLICO - A ESPERANÇA VEM NOS ATOS………………..….5 «A Igreja foi democrática nos seus inícios. Hoje, não é assim.»…………………………………………………………………………….…..6 A PROPÓSITO DO DIA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS …………………………………………………………………………..7 UNIÃO/Muitos Resplendores………………………………………………8 In Memoriam.. …………………………………………………………………. 10 Homenageando todas as mães …………………………………..………14 O dia que não queríamos que chegasse………………………………15 Próximos eventos:…… ………………………………………………….…….16 N.º 74 ABRIL DE 2024 EDITORIAL Renascer ste boletim que chega às vossas mãos tem o atraso de um ano: o Espiral n.º 73 saiu em dezembro de 2022. E, agora, tem de valer por cinco. O ano de 2023 passou e nele não fui capaz de editar um boletim sequer. Agradeço, pois, a vossa paciência e a vossa esperança de o receber outra vez. Estou igualmente grato a quem está a trabalhar para que o boletim seja editado com a regularidade querida. Mas 2023 foi um ano muito rico em atividades para a Fraternitas. Seleciono apenas alguns dos momentos mais marcantes. Um deles foi o nosso 47.º Encontro Nacional. Realizou-se em Fátima, de 21 a 23 de abril, com o tema «Renovação da Igreja através da sinodalidade». Teve como conferencistas convidadas Teresa Toldy e Fátima Almeida, do Grupo Sinodal Braga-Guimarães. Testemunharam como muitos católicos e pessoas de boa vontade não puderam ficar quietos, quando parecia que as suas dioceses não estavam a trabalhar na preparação do Sínodo. Depois, marcaram presença nos momentos em que se apresentaram sínteses das consultas sinodais, fizeram correções e acrescentaram elementos que faltavam. E
  • 2. 2 A Teresa e a Fátima ajudaram-nos a ter consciência da nossa participação ativa no caminhar sinodal da Igreja. O 48.º Encontro Nacional da Fraternitas foi dedicado à memória vivencial do cónego Filipe Marques de Figueiredo, nosso fundador. Realizou-se em Fátima, de 17 a 19 de novembro, por se assinalar o vigésimo aniversário da morte do cónego Filipe a 28 de novembro. Ajudaram-nos a fazer este exercício comemorativo Senra Coelho, arcebispo de Évora, diocese a que esteve pastoralmente ligado o cónego Filipe, e Alípio Afonso, nosso sócio, autor de um livro sobre o nosso pai espiritual e profeta. Em 2023, houve também dois encontros virtuais da Fraternitas, na plataforma digital ZOOM. O primeiro – que foi o VII Encontro Virtual da Fraternitas - realizou-se no sábado 18 de março, das 15h30 às 17h30. Tivemos como convidado Eugénio da Fonseca, 66 anos, casado, pai de dois filhos, setubalense, licenciado em Ciências religiosas. Tem dedicado a vida ao trabalho social, em Setúbal ao lado de D. Manuel Martins, a nível nacional, na Cáritas Portuguesa, entre outros. Falou-nos das encíclicas do Papa Francisco ‘Fratelli tutti’, sobre a fraternidade e a amizade social, e ‘Laudato Si', sobre o cuidado da casa comum. O segundo encontro virtual realizou- se no sábado 30 de setembro. O nosso sócio Luís Carlos Salgueiro, atual vogal da Direção, orientou-nos na reflexão sobre o tema da comunicação na Igreja. O assunto foi «Comunicar o quê para quem?». Gostaria de dizer, a concluir, que momentos mais marcantes do ano são os telefonemas entre sócios. É uma prática que muito saúdo. E para 2024, o que temos de novidade? Para já, gostaríamos que apontassem na agenda e, sem demora, se inscrevessem no 49.º Encontro Nacional Fraternitas. Vai realizar-se de 26 a 28 de abril. Fernando Félix
  • 3. 3 CORREIO Ecos ao espiral 73... Muito obrigado à Fraternitas pelo envio do Espiral 73.  Votos de um ano 2023 repleto de coragem, esperança e Paz Francisco, bispo de Évora  Muito obrigado à direção Espiral do pela vossa publicação. Agradeço e retribuo os votos de um feliz ano, repleto de bênçãos de Deus. Unido em oração e gratidão, António Luciano, bispo de Viseu  Meu Caros Amigos, que estejam bem, no aconchego de todos os seus, no abraço do Senhor Jesus. Minha mulher e eu ficámos muito contentes com a marcação e realização dos nossos encontros presenciais, com redobrado interesse pela oportunidade e atualidade do tema. Ernesto Delgado e Maria Augusta Jana  «Ao reconhecermo-nos abençoados, somos chamados também a abençoar e a bendizer. É assim que aprendemos o modo de Deus agir: porque é bendito, torna-se uma fonte de bênçãos, visitando e redimindo. Senhor, nosso Deus, visita-nos a todos!» Cordialmente em Cristo José Cordeiro, arcebispo de Braga  Acuso a receção do Espiral n.º 73, que também recebi em papel. Com os meus agradecimentos, subscrevo-me cordialmente. Paz e Bem. António Montes, bispo emérito de Bragança-Miranda  Muito obrigado pelo envio do Espiral 73. Sinceros votos de Feliz Ano. D. Ximenes Belo (salesiano)  Muito obrigada, em meu nome e da minha colega Idalina que esteve comigo, pelo Encontro de Oração Ecuménica no ZOOM, a 25 de janeiro de 2024. Foi para mim um pedacinho do Céu. E isso também foi expresso por outros convidados meus que nem são membros nem pastores das nossas igrejas, alguns católicos, e lusitanos como a Rev. Ilma. Fronteiras eclesiais à parte, somos um no Senhor. Obrigada pela organização e pela gravação e que estejamos mais vezes juntos online e até presencialmente. Miriam Lopes, pastora na Igreja Metodista  Nasceste sem uniforme nem bilhete de identidade... Descortinar-Te no irreconhecível... Acolher-Te no silêncio... Buscar-Te em rosto multiplicado? Pão, água, foragido, nu, doente, preso, esfomeado, excluído... Descobrir-Te?! Se voltas, sempre...! Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e Seguranç
  • 4. 4 O VII Encontro Virtual da Fraternitas, realizado no sábado 18 de março de 2023, foi uma delícia! Teve como convidado Eugénio da Fonseca, 66 anos, casado, pai de dois filhos, setubalense, licenciado em Ciências religiosas. Tem dedicado a vida ao trabalho social, em Setúbal ao lado de D. Manuel Martins, a nível nacional, na Cáritas Portuguesa, entre outros. Falou-nos das encíclicas “Fratelli tutti”, sobre a fraternidade e a amizade social, e da ‘Laudato Si', acerca do cuidado da casa comum. Foi muito oportuna a abordagem destes documentos do Papa Francisco. Os participantes concentraram-se nestes documentos. Não dispersaram nem se apressaram a tirar conclusões. Parece que todos ganharam mais consciência da sua responsabilidade na construção e preservação desta casa comum. O Dr. Eugénio fez uma apresentação breve, mas suculenta suscitando a curiosidade para levar à leitura. Muito oportuna a leitura do poema do bispo Manuel Martins “A Igreja é a minha casa”. Este poema abriu o encontro e foi um momento de interioridade, muito profundo.  Demos conta de que há uma extensa ignorância, mesmo esquecimento… entre os cristãos dos textos que alimentam a nossa fé e sustentam a nossa cultura religiosa. Que podemos fazer? Que devemos fazer? Parabéns e obrigado à Fraternitas por este encontro e por esta reflexão. Joaquim Soares TEMA BÍBLICO A ESPERANÇA VEM NOS ATOS Lendo o livro dos Atos dos Apóstolos, podemos aventar algumas chaves para este tempo desnorteado, e fazê-lo em torno da primazia do Espírito, à luz das primeiras comunidades cristãs e de como davam testemunho da Boa Nova no incipiente movimento organizado chamado Igreja. O evangelista Lucas escreve este texto quando os fariseus começam a excluir os cristãos de origem judaica das sinagogas. O melhor do livro é que a experiência de Jesus ressuscitado trouxe uma grande alegria aos seus seguidores. É um paralelismo com a alegria que Jesus teve durante a sua vida, empenhado em implantar o Reino como o convite aos que vimos atrás, no meio de dificuldades. Vê- se melhor em forma de decálogo: 1 – Essa atitude libertadora exemplar traz- lhes problemas, sem que por isso deixem de atuar como fez o Mestre. Irradiam convicção e alegria, provocando com a sua mensagem uma esperança e levando a que ninguém fique indiferente. É algo que inunda toda a narração, como que a pretender contagiar todos nós que seguimos os seus passos. 2 – Com a sua autoridade – e não poder – conseguem que muitos se transformem em seguidores de Cristo, oferecendo a todos o plano de Deus, como fez Jesus, sem ligar a purezas legais nem à
  • 5. 5 classificação de excluídos ou pecadores formais, e com uma disponibilidade plena. 3 – Jesus não escolhe os melhores segundo o critério humano. Choca que não eleja sacerdotes doutos na Lei, ou ilustres levitas e fariseus. Até a eleição dos Doze precede a de um fariseu inimigo dos cristãos para o converter no mais destacado missionário; chama-se Saulo, conhecido pelas suas perseguições aos cristãos, com o aval das autoridades judaicas. 4 – Os apóstolos não se centralizam em condenar, mas em salvar. Defendem que mataram Jesus por ignorância e não se rebelam contra os que urdiram as infâmias para O cravar numa cruz. Não realizam cruzadas contra os que estiveram envolvidos na morte de Jesus, apesar de pender sobre eles um fim semelhante ao do seu Mestre. 5 – Quando os apóstolos são acusados, também se transformam em testemunhas, mostrando as razões da sua fé perante o Sinédrio e pondo as autoridades judaicas religiosas em evidência. Se tivessem vivido a sua fé com um pouco de diplomacia, as autoridades judaicas ter-lhes-iam oferecido uma espécie de pacto de não-agressão para salvar as suas vidas em troca de não prejudicar o prestígio daquelas autoridades, protegidas pelo poder teocrático. 6 – Em Atos, Lucas mostra que a vida iniciante da Igreja girava em torno de Cristo vivo e ressuscitado; e apoia-se em dois pilares: a) A celebração da fé como encontro alegre dos homens e mulheres que sentem necessidade de louvar e agradecer os dons de Deus. Era a festa que alenta o espírito, mais do que uma obrigação ritual; b) O serviço aos pobres como atitude preferencial, à maneira de Jesus, característica própria dos primeiros cristãos. 7 – A Igreja há de tomar partido pela vida e comprometer-se em minorar todo o tipo de injustiça e morte. Neste sentido, parece-me necessária uma revisão do atual estilo das nossas comunidades para voltar ao princípio de tudo: a deixar-nos amar por Deus, como nos lembra a primeira carta de João; a dar e aceitar o amor dos outros – começando pelo de Deus – para aprender a amar. Ser-nos-ão pedidas contas apenas do amor que pusemos no que fizemos, não de outras coisas. 8 – A sinodalidade parte precisamente disto: de ir caminhando juntos e escutando-nos, entre diferentes que somos, em fraterna comunidade. Se a Igreja se torna aborrecida e monótona no seu testemunho, receosa de perder o seu poder mundano – que nunca devia ter tido –, é inconsequente ou se crispa ante aqueles que não pensam como ela, precisa de regressar urgentemente à audácia esperançosa do livro dos Atos e às cartas dos apóstolos, sem fazer cálculos das consequências de humanizar a vida ao seu redor. 9 – Então, para quê a Lei de Moisés? – pergunta o apóstolo. – E é ele mesmo que responde dizendo que a função essencial da Lei não consiste em salvar, mas em levá-la à prática com o exemplo, evangelizando. Que ela não salva – é apenas um meio –, que o que salva é a promessa tornada realidade na pessoa de
  • 6. 6 Jesus Cristo. Se cumprimos a Lei como um fim, estamos muito próximos daqueles escribas e fariseus. 10 – É claro que a Igreja esteve em risco de se dividir em mais de uma ocasião e, de facto, isso aconteceu mais tarde. Todavia, somos o Plano de Deus, não o nosso plano, unidos no essencial, rezando juntos, trabalhando para abolir as exclusões injustas e celebrando, também unidos, até provocar esse «vede como se amam» quando celebramos verdadeiramente a vida. Gabriel M. Otalora, em Religión Digital «A Igreja foi democrática nos seus inícios. Hoje, não é assim.» «O Evangelho de Cristo não é muito otimista no que respeita ao futuro do cristianismo… No Evangelho de Cristo não existem referências a ‘primaveras eclesiais’.» O sacerdote Rafael Pardo publicou Quando a Igreja era democrática (editora Desclée), um estudo que perpassa os “estudos democráticos” na Igreja, que, na sua opinião, não isenta de polémica, conheceu um travão nos anos subsequentes ao Concílio. Não obstante, o autor, conscientemente, destaca: «Quero deixar bem explícito que este livro não faz uma única menção ao Concílio Vaticano II. A grande crise não veio com este Concílio nem com o respetivo papa.» – A primeira pergunta impõe-se: Quando é que a Igreja foi democrática? Foi-o sempre, desde o princípio. Na Escritura, aparece e eleição popular do apóstolo Matias (não é Pedro que o nomeia), aparece também a decisão tomada em conjunto no Concílio de Jerusalém sobre alguns ritos judaicos, e São Paulo declara que as Igrejas lhe nomearam colaboradores para administrar o dinheiro, dizendo-se contente com isso, porque quem administra a bolsa é sempre criticado. Desde então, os bispos foram nomeados democraticamente, durante vários séculos, e depois essa eleição recaiu sobre os cabidos eclesiásticos até ao século XX. Em geral, as pessoas não sabem que o papa não nomeava os bispos a dedo, nem, de forma idêntica, os bispos o faziam com os párocos. Isso é muito recente: a partir de 1917. – Pode a Igreja ser democrática? Como? Não se trata de uma democracia ao estilo político, todavia pode ganhar-se muito com espaços de reflexão e decisão em comum, coisa que antigamente se fazia e agora não. Até 1914, os leigos participavam nos conclaves para eleger o novo papa (os embaixadores de alguns países católicos), e agora não é assim. Ao longo de 300 anos, todas as decisões e nomeações concernentes à Igreja da América eram realizadas pelo Conselho das Índias, constituído por leigos e clérigos, agora não é assim. Nas paróquias, o Patronato, composto por leigos e por sacerdotes, administrava a economia e as festividades, com as normas subjacentes, hoje não é assim. Em suma, há decisões eclesiais que outrora eram tomadas em conjunto e hoje não é assim. – Apresentas uma perda de democracia na Igreja a partir da segunda metade do século XX, coincidindo com o Concílio
  • 7. 7 Vaticano II, que foi proposto precisamente como um progresso na participação dos fiéis. Certo? O Concílio funcionou como um travão para a Igreja? Quero deixar bem explícito que este livro não faz uma única menção ao Concílio Vaticano II. A grande crise não veio com este Concílio nem com o respetivo papa: o mundo rural medieval ficou feito em fanicos com a Segunda Guerra Mundial. Depois da Guerra, a Igreja adaptou estruturas que se haviam tornado antiquadas, porque pertenciam ao mundo anterior, mas o espírito participativo e democrático dessas estruturas antigas não foi transladado para as novas. As estruturas intermédias, como os arciprestados e os cabidos, desapareceram. Seria isso ganância ou perda de espírito democrático? Que seja o leitor a julgar e a interpretar. Dantes, os párocos ganhavam as suas paróquias por concurso aberto e público (o bispo não intervinha), atualmente são nomeações ‘a dedo’ feitas pelo bispo. Será isso ganância ou perda de espírito democrático? Que o leitor leia e julgue por si mesmo. – Avanças uma visão um tanto pessimista acerca do futuro do cristianismo na sociedade atual, que classificas de ‘ateia’. Porquê? O Evangelho de Cristo não é muito otimista no que respeita ao futuro do cristianismo: «tereis perseguições… hão de entregar-vos… o pai ficará contra o filho e o filho contra o pai...» Cristo fala de um “príncipe deste mundo”, que não é Ele, e São Paulo refere um reino de iniquidade que viria sobre o mundo, um reino em que as pessoas zombariam da moral reta. Não sou eu, é a Escritura que fala e profetiza sobre isto. No Evangelho de Cristo não existem referências a ‘primaveras eclesiais’. – Que opções tem o cristianismo para regressar à sua essência no mundo de hoje? A única opção e o único caminho é Deus, e o que Deus quiser e inspirar para a sua Igreja. A debilidade estrutural conduzir- nos-á a alternativas e estruturas mais simples, sem dúvida alguma. Já não é possível manter economicamente o património de igrejas medievais e templos góticos. Nem tão-pouco a Igreja voltará a ter o monopólio de centros educativos ou de hospitais e obras assistenciais. – O Papa Francisco cumpre, por estes dias, dez anos de pontificado. Como qualificarias o seu papado? Qualquer papado é uma ação do Espírito Santo na Igreja. Os papas incidem em coisas diferentes porque são pessoas diferentes e têm sensibilidades teológicas diferentes. É infantil falar-se de “papa bom” e “papa mau”, como se fazia em tempos idos e eu cheguei a ouvir, em criança. Sou um intelectual, e esse género de etiquetas pueris repugnam-me por serem simplificadoras e terem algo de paranoico: existem bons boníssimos e maus malíssimos. O Papa Francisco é o atual papa, e por isso merece-me tanto carinho como os papas que conheci anteriormente, e a minha obediência, tal como a tive para com os antecessores. Rezo pelo Papa Francisco todos os dias, para que Deus lhe dê saúde, sabedoria e fortaleza. Também o fazia com os anteriores. E fá-lo-ei com os posteriores.
  • 8. 8 Não queria estar na pele de nenhum papa nem estar submetido a essas pressões. – São ‘democráticos’ os ataques, as críticas ao papa, que estão a acontecer? Porquê? Qualquer grupo humano que monopolize um relato único e apague a divergência torna-se intolerante, fechado, autoritário. O santo cardeal Newman já explicava, na sua Carta ao Duque de Norfolk, que ter unidade de fé com o papa e um respeito sincero não significa aprovar todas e cada uma das suas decisões, concretamente aquelas que não estão ligadas à fé, mas a questões opináveis. Eu não sou santo nem sou ninguém para criticar um papa, e penso que a Internet, por exemplo, é um difusor de lixo que não consubstancia a via nem o modo de fazer chegar sugestões ao Vaticano, se é que elas existem. Rafael Pardo, em Religión Digital A PROPÓSITO DO DIA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS Hine ma tov – Como é bom e agradável os Irmãos viverem em união O Salmo 133 expressa na perfeição o ambiente do Encontro Ecuménico online do dia 25 de janeiro, que em boa hora a Fraternitas promoveu, e me convidou, e com a qual venho tendo oportunidades de estreitar laços fraternos em Encontros Ecuménicos desde 2017. Sou Pastora na Igreja Presbiteriana. O ecumenismo está-me na raíz. Devo o nome a um padre, responsável pela revista Miriam, que indicou ao meu pai, Pastor protestante, em tempos de poucas amizades ecuménicas, que me poderia registar na Conservatória do Porto, menos conservadora do que a de Aveiro, onde não deixavam. É o nome da Mãe do Senhor. No tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano, Jesus ensina o valor das duas máximas que sintetizam a lei de Moisés: «Amarás o Senhor Teu Deus… e ao Teu Próximo como a ti mesmo!», com a parábola do Bom Samaritano. E quem é o meu próximo?! Ao nos reunirmos, de várias tradições – Presbiterianos, Lusitanos e Católicos – envolvidos ecumenicamente, convidados por mim, com os membros da Fraternitas, abriu-se um campo dinâmico de irmos ao encontro uns dos outros, e de Deus, em Oração/Comunicação. Entre preces, e cânticos, vários matizes que ouvimos, de impressões que trocámos, sentimos a presença do Senhor, na «bondade e agradabilidade» (Salmo 133) que é bênção. Jesus mostra-nos que somos todos filhos do Pai. Desmonta-nos as defesas que nos isolam e excluem os outros, quando percebemos que dependemos desses outros para nos devolver à vida. E é nessa humanidade que descobrimos a Casa do Pai. Ao fim, custou-nos despedir, porque estávamos tão bem! Mas voltaremos a nos encontrar!
  • 9. 9 UNIÃO/Muitos Resplendores Muitos resplendores, uma só luz. Luz de Jesus Cristo. Muitos resplendores, uma só luz Que nos unifica. Muitos são os ramos, um tronco só E esse tronco é Cristo. Muitos são os ramos, um tronco só Que nos unifica. Muitos são os dons, um só o amor: O amor de Cristo. Muitos são os dons, um só o amor Que nos unifica. Muitas as tarefas, um só sentir: O sentir de Cristo. Muitas as tarefas, um só sentir Que nos unifica. Muitos ministérios, um só servir: O servir de Cristo. Muitos ministérios, um só servir Que nos unifica. Muitos são os membros, um corpo só: E esse Corpo é Cristo. Muitos são os membros, um corpo só No qual somos um. Este canto, de Frostenson e Widestrand, fundamenta-se nos textos bíblicos: João 8, 12; 9, 5; 15, 1- 7. Romanos 11, 17-21. 1 Corintios 11, 2.11.12; 12; 13, 1. Gálatas 3, 28; 1 João 4, 16, baseia-se no ensinamento de São Cipriano de Cartago (205-258 AD) «A Igreja de Cristo é uma.» E na «Didaché» (escrito do século I sobre o catecismo cristão), onde também há essa ideia do um e do todos, na Eucaristia e no pão do Céu. Pastora Míriam Lopes Tesouraria Pagamento de quotas O Movimento tem como fonte financeira apenas a quotização dos Associados e dos amigos do Movimento. Por isso, pedimos o favor de cada associado proceder ao pagamento da sua quota, se possível durante o primeiro trimestre de cada ano. Recordamos os valores em vigor: CASAL – 30,00 €; SINGULAR – 20,00 €; VIÚVA 5,00 €. À generosidade de cada um não se pode impor limites. O FUNDO de PARTILHA agradece. A Tesoureira é a Maria Assunção Bessa Rodrigues, R. Campinho Verde, 15 – 4505-249 FIÃES VFR; Telefone: 220 815 616; Tlm: 966 404 997 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 (Millenium BCP) Nota: Este é o primeiro boletim “Espiral” editado por mim. Espero não vos desiludir quanto ao conteúdo, mas peço que compreendam que não foi muito fácil e agradeço todas as sugestões que me fizerem chegar para melhorar este meio de comunicação entre nós. Abílio Rodrigues
  • 10. 10 In Memoriam... Fazemos memória dos sócios da Fraternitas falecidos em 2023/2024 Emílio Armando Ferreira da Fonseca, associado número 102 da Fraternitas, faleceu a 12 de janeiro de 2023. Era natural da freguesia de São Cosme, Gondomar, onde nasceu a 25 de janeiro de 1934. Muito cedo entrou na Juventude Operária Católica. Foi profissional de ourivesaria. Já adulto descobriu a vocação sacerdotal. Nos seminários do Porto fez os estudos preparatórios e no Seminário Maior fez o Curso Superior de Teologia. Acompanhou com entusiasmo o Concílio Vaticano II. Ordenado sacerdote, em Fátima, em 15 de agosto de 1967, serviu a Igreja como Vigário Cooperador, em São João da Madeira, e depois, como pároco, nas freguesias de São Pedro do Paraíso e Real, concelho de Castelo de Paiva. A seguir, voltou ao serviço militar, como capelão, em Moçambique. Regressado à Metrópole, foi nomeado pároco de São Pedro de Abragão, concelho de Penafiel. Tempo depois, pediu dispensa do exercício das Ordens e casou, em 1976, com Josefa dos Prazeres Valente Lopes da Fonseca. Deste consórcio nasceu a filha Ana Cristina. Foi presidente da Junta de freguesia de Duas Igrejas, em Penafiel. Lecionou no ensino secundário e foi membro do Conselho Diretivo da Escola de Penafiel. O professor Emílio deixou-nos profunda saudade! Paz à sua alma! José Quintas da Rocha Maria José de Vasconcelos Mourão de Sousa Monteiro faleceu a 5 de maio de 2023. Membro da Fraternitas desde o início desta, em 5 de maio de 2000 (curiosamente o dia da morte da Zé), à vida da Zé nunca faltou movimento, espiritualidade e alegria. Também, infelizmente, nunca lhe faltou sofrimento físico, desde os problemas que sentia logo no seu primeiro emprego, nas viagens nos autocarros da Força Aérea entre Lisboa e Alverca, até aos seus últimos dias nos Cuidados Intensivos do IPO em que os próprios médicos estavam “habituados” a que a Zé desse sempre a
  • 11. 11 volta às suas tantas e tão violentas crises, até que… o Senhor que sempre a envolveu no seu amor, entendeu fazer-lhe a vontade, como eu percebi dois dias antes de nos deixar, e contrariando as expetativas clínicas, levá-la para a plenitude do seu amor. As duas grandes dedicações da sua vida foram a Escola Técnica de Enfermagem (ETE) então do IPO e a Paróquia de Benfica onde, durante largos anos foi secretária paroquial, evidentemente como voluntária e na qual deu início ao Jardim Infantil, sendo pároco o presbítero Álvaro Proença. As viagens do grupo de amigos de Benfica, um pouco por toda a Europa, encheram-na sempre de grande alegria. Aos 50 anos casou-se, “adotando” uma família que também a adotou como mãe e avó querida e, “reformada” da paróquia, prolongou o seu voluntariado em múltiplos empenhamentos a que se dedicou com a competência e o amor que pautaram sempre a sua vida: lançamento em Portugal do Movimento Emaús pelo presbítero Henri de Bourssicaud, braço direito do Abbé Pierre, onde nos conhecemos; implantação em Lisboa das Irmãs da Santa Madre Teresa de Calcutá; Coração Amarelo; Irmãzinhas dos Pobres; e o Refood de Belém. Os comentários do seu grupo de WhatsApp da ETE à sua partida de entre nós foram comoventes testemunhos das profundas amizades que foi alimentando ao longo da sua vida e da total disponibilidade que as pautou. Por seu lado, as netas e o neto dedicaram- lhe estas palavras no final das Missas que se celebraram na sua partida: Querida avó, querida amiga de que tanto gostamos, Falar sobre a sua partida é difícil, Mas se também o foram todos os obstáculos que enfrentou na vida e dos quais sempre saiu vencedora, então também nos cabe a nós ter um bocadinho de força para agradecer por si e para dizer as palavras que, apesar de pouco verbalizadas, sempre foram sentidas durante os maravilhosos anos que vivemos ao seu lado. É difícil ver uma amiga partir. Uma amiga que cuidava, que através das conversas reconfortantes, dos abraços calorosos e das mensagens enviadas quando a distância mais não permitia, se fazia presente nas nossas vidas enquanto nos dava, sem se aperceber, um exemplo de integridade, tolerância, paciência e coragem perante as adversidades. Uma amiga cuja companhia ansiávamos, cujas histórias nos deliciávamos a ouvir: uma amiga compreensiva, atenta, que se ria connosco e na qual confiávamos, com a qual gostávamos de conversar. É difícil ver uma avó partir. Uma avó que sempre nos quis imensamente bem: que brincou connosco e jogou connosco, que nos amou por quem somos, com as nossas imperfeições e defeitos, que nos compreendeu e valorizou pelo nosso ser, que sempre recordou com carinho todos os momentos
  • 12. 12 que partilhamos e nos fez sentir acolhidos na nossa individualidade todos estes anos. Obrigada pelo carinho que tinha à vida e aos outros, por nos ensinar como ser felizes e como viver a sério, pelo exemplo de força que para nós foi, força esta que esperamos que nos guie a todos e em especial ao avô que tanto se dedicou a si. Vai deixar uma saudade enorme, mas reconforta-nos saber que o vazio da sua partida vai sendo preenchido com todas as memórias felizes que consigo partilhamos, e com a certeza de que a avó está connosco, sempre pronta a dizer “tenho tanto orgulho na tua vida”. Finalmente, entre as várias meditações que lhe dediquei, só quero concluir estas breves linhas com as seguintes palavras: “A Zé no Amor que Deus é” … O Pai tem a Zé na sua glória que é o esplendor do amor redentor do Pai pelo seu Filho Jesus que triunfou do pecado e da morte, chamando-nos à união com Deus que é Amor. Então o Pai velou pela Zé que agora me leva infinita vantagem porque conhece a Deus face a face.” Francisco Sousa Monteiro António Carlos Figueiredo Reis faleceu na manhã da quarta- feira 19 de julho de 2023. Padre casado com Glória Mamede Marques, e sócio da Fraternitas número 22, tinha 90 anos, feitos em 16 de abril. Residia em Fiolhal, Carrazeda de Ansiães (Bragança). Escreveu a Glória: «Não sei o tempo... Não sei quanto... MAS sei como... É tempo de ESTAR como os amantes ESTÃO, como os Esperançados Esperam... É tempo de Amar com o coração nas Mãos, mas não as minhas... descalçando TUDO. Continuando a rezar Pai Nosso baixinho ao ouvido dele... Foi o desafio que escolhemos para a vida TODA. Mantém-se. Este dia chegou ao fim... UM DIA NOVO COMEÇOU! ALELU'YA!» O filho Pedro dedicou-lhe este poema: Agora és Pai-Paisagem Querido pai Agora que o teu corpo Teu invólucro e envelope terreno Essa parte de ti chamada "corpo" Depositada foi algures Entre o Vale do Douro e o Vale do Tua (Cemitério do Fiolhal, Carrazeda de Ansiães) Agora que também és Paisagem E confortavelmente instalado Em pleno Douro/Reino Maravilhoso do Miguel Torga. Agora és Pai-Paisagem Serás uma parte dos verdes imensos e secos. Sempre que olharmos para estes montes
  • 13. 13 Fazes parte desse mar de vinhas em bardo Farás corpo com as oliveiras sem fim És um socalco de xisto brilhante És tudo isto Serás mais que tudo isto Porque te beberemos à mesa enfim Apreciar-te-emos com renovado prazer Num Cálice de Ser Humano Feito Vinho Novo. Maria Zélia da Silva Martins Afonso, no dia 3 de agosto de 2023, partiu para a vida celestial, assim creio, mas a dor da sua ausência acompanha-me dia e noite como se houvesse falecido hoje. Sem ela a meu lado, depois de 46 anos de vida conjugal, espiritualmente abençoada em Fátima, a razão de ser da minha vida ativa afigura-se-me terminada. Sinto-me de braços caídos, enquanto aguardo idêntico chamamento do Pai Misericordioso para o Lar Paterno Comum, onde espero na companhia dos Anjos e Santos voltar gloriosamente a reencontrar-nos. Por outro lado e em compensação, a sua ausência aviva-me momentos preciosos de alegria natural e de satisfação espiritual, vividas em comum, em atividades sociais e apostólicas. Conjuntamente fomo-las interpretando como outros tantos sinais de o nosso amor ter sido abençoado por Deus, dando ao desbarato todos os rumores de sinal contrário, vindos de dentro e de fora da organização eclesiástica. Disso demos continuamente graças ao Senhor como eu continuo a fazer. Muito Obrigado, Senhor. Não fomos exceção nem modelos. Seguimos os muitos exemplos demonstrados pelos casais da Fraternitas que habitualmente acorriam aos encontros semestrais e bem assim de outros casais não filiados, constantes da roda dos nossos amigos. A experiência de vida do casal comum assumida foi-nos demostrando que a sua união favorece naturalmente o desempenho social de ambos, constituindo uma mais-valia para os dois e consequentemente para a sociedade em que se inserem. Como sintética e sabiamente disse um associado da UASP - União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses no verão do ano 2020, em Viana do Castelo, no final duma pequena intervenção minha seguida dum poema da Zélia: um homem grande só o é com o apoio duma grande mulher e vice-versa… Exemplificou com os pobres exemplos que acabara de presenciar, mas poderia servir- se da história onde tal confirmação está sobejamente demonstrada com miríades de exemplos. Foi assim que São Bento e sua irmã, Santo Agostinho e sua Mãe Mónica, São Francisco de Assis e Clara de Assis, Madame Curi e seu marido… se completaram nas missões que foram chamados a desempenhar. A Zélia, por sua iniciativa, chamou a Tita. Faz agora 31 anos, tinha ela 3. Devido à nossa avançada idade nos não permitiram filiá-la, mas praticamente o resultado foi o mesmo. A Agostinha foi sempre para nós nossa filha e nós para ela seus pais. Agora cuida com eficiência da casa sob a minha ligeira supervisão. Deus escreveu direito com linhas tortas. Obrigado, Senhor.
  • 14. 14 Homenageando todas as mães e por ocasião do Dia da Mãe, transcrevemos este poema que a Tita foi buscar ao espólio da mãe. Mãe Dói-me o gesto de te olhar. Quando penso em te perder És aquela silhueta de marfim A quem a recordação dá movimento e vulto No espaço sem mais nada. Em ti, tudo é belo e natural. Vejo o teu rosto lindo Na moldura preta do teu lenço preto Vejo o fundo magoado Que deu expressão Ao fundo dos teus olhos Que se fecharam de cansaço, Que sorriram de amor, Que me envolveram mil vezes, Na subtil maneira de sorrir. Não te esquecerei jamais. Saudosa e amorosamente, Hei de lembrar-te sempre, Minha Mãe. Alípio e Tita Manuel Alves de Paiva, padre casado com Judite Pinho Martins, nasceu a 12 de agosto de 1922 e partiu para junto do Pai a 21 de abril de 2024. Aqui lhe prestamos esta singela homenagem através dos testemunhos das filhas e do pároco de Oliveira de Azeméis. O dia que não queríamos que chegasse… Meu amor, nosso amor: sei que me ouves. Sinto que estás aqui connosco. Ainda de corpo, mas para sempre de alma e coração… Consigo ver-te, sereno e maravilhosamente sorridente, sentado no Céu, ao lado do Pai. Imagino a festa que te fizeram quando aí chegaste. Consigo sentir, em cada pedaço do meu corpo, em cada palpitar do meu coração, a alegria do reencontro com os outros teus: irmãos, pais e os muitos amigos que conquistaste ao longo da tua vida. Nos teus braços nos recebeste e nos nossos braços partiste. Tal como querias… Foste graça, foste luz, foste mão e coração. Foste colo e abrigo, sempre quente e aconchegante. Foste luz no caminho de todos os que tiveram a sorte de se cruzar contigo. Dizes-me o segredo da força da tua chama, da tua generosidade e da tua sabedoria? Mesmo em momentos de tempestade foste calmaria. Em momentos de incerteza, foste confiança, foste fé imensa, brilho intenso, sorriso genuíno, tranquilidade apaziguadora e amor desmedido!!! Meu amor, nosso amor: foste um profissional, um marido, um pai, um avô e um sogro perfeito. Por isso, só temos de dar graças a Deus pelo dom da tua vida. É
  • 15. 15 uma bênção sermos tuas. É uma bênção termos a correr nas nossas veias, nosso corpo e na nossa alma, o teu sangue e os teus cromossomas. Deus deu-nos o imenso privilégio de te termos como nosso pai. Mas vieste até nós apenas emprestado. Porque como sempre disseste, és genuinamente D’Ele e, por isso, a ele regressas hoje. No céu são precisos obreiros e homens de fé como tu. Sabemos que lá vais continuar a ter uma vida cheia de sorrisos, alegrias e muitas bênçãos. Sabemos que lá vais continuar a ser porto de abrigo, mão estendida e colo para os que que te rodeiam. Deus precisa de ti para continuar a sua obra. Por isso te chamou até Ele. Acreditamos que estás bem. Sempre te agarraste à vida e às pessoas com uma força incalculável. E foi esta força gigante que te fez estar connosco quase até aos 102 anos. Mas o teu corpo estava cansado. Sabemos isso. Construíste tanto, que agora precisas parar. Precisas recomeçar a tua vida noutra dimensão, onde seguramente serás também um fazedor, onde serás luz e abrigo, onde serás cúmplice do Criador. As duas meninas que a cigana que te leu na mão, há cerca de 80 anos atrás, era tu seminarista, e que te disse que irias ter como amparo, orgulho e alegria imensa, estão aqui. Tal como prometido. E estamos a transbordar de felicidade por nos teres escolhido para sermos tuas!!! Há mais de 30 anos que vivemos com medo deste dia. Sempre pensámos que ficaríamos desorientadas, perdidas e desesperadas. Mas, afinal, e como sempre nos disseste, há que confiar na força dos homens, mas sobretudo na força de Deus. Graças a Ele e a ti, que estás aí no céu a zelar por nós, tal como sempre fizeste na Terra, e apesar de toda a tristeza, estamos transbordantes de serenidade. De paz interior. E com o coração, a alma e todas as nossas entranhas, carregadas de fé, num hino de ação de graças a Deus por tamanha sorte, bênção e privilégio de seres nosso… Papá: sabemos que não te vais esquecer do nosso pacto. Como chegaste primeiro ao Céu, por favor, guarda um lugarzinho para nós ao teu lado, e junto Àquele a quem tudo devemos. Pede a Deus por nós, está bem? Prometemos que tudo faremos para honrar tão grande legado. Viverás para sempre em nós porque, como sempre disseste, em nós te sentes bem retratado. Amamos-te com todas as nossas forças!!! As tuas meninas
  • 16. 16 "Manuel Alves Paiva, Homem, esposo, pai de duas filhas, muito carinhoso na sua missão de doar a vida pelos seus, com a delicadeza de um homem inteligente e culto, simples e generoso em todas as dimensões da sua vida. Homem, professor, educador, pedagogo, de muito estudo… que em muitos alunos, crianças, adolescentes e jovens, amigos e cristãos deixou a marca de humanismo, de espiritualidade e de amizade. Homem de comunhão, especialista da comunicação, com marca muito pessoal na escrita e narrativas da vida, com marca cristã na comunicação da fé através dos diversos meios de comunicação social, foi um pregador das suas opções de vida e das suas vivências eclesiais e antropológicas. Homem, pastor, (Deus o chamou no Domingo do Bom Pastor), padre, homem de fé, comunicador de Deus, catequista e orientador espiritual, que na atividade pastoral da igreja e das pessoas encontrou um sentido para a missão da sua vida. O ser humano, com a experiência da morte, só pode tornar-se um ser com vida em plenitude. O Professor Paiva, homem do mundo, homem de Deus, que depois de 101 anos de vida devolvemos a Deus com gratidão, é para nós esse testemunho de vida em plenitude. Ámen! Aleluia!" P. José Manuel Lima, Pároco OA Próximos eventos: . Relembramos o dia 14 de maio de 2024, das 17 h 30 às 18 h 30 – Encontro via ZOOM sobre o tema: “Olha que estou à porta e bato…” – Oração Ecuménica; a Alegria do Evangelho partilhada. . Outros encontros Virtuais oportunamente divulgados; . Encontro presencial no início de outubro, 4 – 6 de outubro, em Fátima. Espiral boletim de Rua Dr. Manuel Arriaga, 53, 2º Esq f r a t e r n i t a s m o v i m e n t o 3720-233 OLIVEIRA DE AZEMÉIS Responsável: Abílio Pinto Rodrigues e-maĺl: espĺral.fraternĺtas@gmaĺl.com Nº 74 – Abril de 2024 SECRETARIADO Pctª Maestro Ivo Cruz, 12 - 11º A1500-401 LISBOA Telemóvel:933 522 247