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As várias faces de um mesmo universo
Universidade Estadual da Paraíba- UEPB
Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência- PIBID
Subprojeto Letras- Língua Portuguesa
Escola de Atuação: E.E.E.F.M. Félix Araújo
Coordenadora de Área: Magliana Rodrigues da Silva
Supervisora: Geovana Nóbrega
Alunos bolsistas: André Ângelo
Fernanda Félix
Roberlânia Alves
Roberta Tiburcio
Renally Arruda
Projeto:
Nas Trilhas da Língua Portuguesa: o texto
em foco
Crônica da mulher ideal
A mulher perfeita? A mulher ideal tem que acima de tudo se saber mulher. Explorar a sua
essência feminina ao máximo, buscar sempre a magia da criatura ainda não descoberta. Ela
não precisa saber passar, lavar, cozinhar. Ela não precisa saber falar tailandês, calcular
velocidade relativa, ler o futuro nas cartas. A mulher dos sonhos tem que saber amar se
conhecendo amada. Não existe modelo de mulher ideal. Ela acontece por acaso, num milagre
da natureza, mas sempre com três virtudes: beleza, sensibilidade e inteligência. Coloque essas
características na ordem em que desejar, mas também não as veja xiitamente.
A beleza é essencial. Não que a mulher perfeita precise ter corpo de manequim e rosto de atriz
de novela. Refiro-me à beleza que se insinua, pouco a pouco, para ser descoberta bem
devagarzinho. A beleza que nasce de uma fonte interior e se espalha pelos traços externos de
forma continua. A beleza da mulher ideal deve ser dinâmica, nunca um quadro morto. Uma
beleza que rima com encanto e se abriga na profundidade de um olhar.
A mulher ideal tem que compreender o ser amado. Deve ter a sensibilidade à flor da pele.
Precisa ser feita de perdão e prazer. Ela tem que recolher todos os sentimentos em seu corpo e
deixá-los aflorar com toda a naturalidade possível. Enquanto sofrimento, ela deve doar os
lábios num longo sorriso. Na boca da mulher amada deve haver a obra-prima do sentimento.
As fúteis, eu peço encarecidas desculpas, mas inteligência é imprescindível. Não que a mulher
ideal deva recitar Shakespeare, citar Marx e ver a vida na ótica de Freud. É fundamental que
ela tenha uma personalidade nascida no conteúdo. Conteúdo, eis a carência da forma. Quem
negará que um copo vazio tem personalidade forte? A mulher perfeita deve conhecer a vida
em todos os seus ângulos e seduzir através de pensamentos.
Embora com virtudes, a mulher ideal é aquela que é uma virtude por si só. Ela tem que ter as
mãos cheias de carinho, o abraço pronto e a espontaneidade do consolo. Não deve possuir
várias faces, deve ser apenas ela em todas e quaisquer circunstâncias. Deve deixar marcas,
físicas e emocionais, temporais e atemporais, invisíveis e impossíveis de não se ver. A mulher
ideal deve saber viver, saber acontecer, saber amar, enfim, saber mulherizar-se de forma
crônica e irreversível a cada novo dia.
(Daniel Campos)
Garota De Ipanema
(TomJobim)
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor.
Pantera Cor-de-rosa
(Garota Safada)
Toda produzida, jeitinho de santinha
Ela saiu de casa doida pra perder a
linha
Me chama pra dançar, eu não tô
aguentando
Ela tá provocando o Munhoz e o
Mariano
Sabe se vestir do jeito que o
homem gosta
Vestido apertadinho da pantera cor-de-
rosa
Pra que?
Pada pada pada pada
Pada pada pada pada
Pra dar o que falar
Pada pada pada pada
Pada pada pada pada
Pra dar o que falar
Não importa se é preto
Branco, verde ou cor-de-rosa
Se for apertadinho pode pôr, que o pai
gosta.
Os homens são de marte... e é pra lá que eu vou
O diretor Marcus Baldini (Bruna Surfistinha) estreia na comédia com um filme
acima da média. Primeiro, porque a média dos filmes brasileiros do gênero têm sido
bem apelativa, é verdade, segundo porque “Os Homens São de Marte... E É Pra Lá
Que Eu Vou” trata-se de uma comédia romântica bem produzida, com variadas
locações e centrada na figura de Julia Roberts, ops, de Mônica Martelli, que,
idealizadora (roteirista e produtora) da história de Fernanda, a protagonista, domina
o universo da personagem como ninguém – depois de quase uma década em
cartaz, com a peça que atraiu mais de dois milhões de pessoas.
Os Homens São de Marte... é uma comédia romântica diferente. No sentido
de que o par da personagem (o quem vai ficar com ela?) não é apresentado logo no
início do filme, como na maioria das comédias românticas norte-americanas. Trata-
se, segundo ela, não da história de um casal, mas de uma mulher em busca do
amor. É um ponto a favor da originalidade.
Logo no início do filme, Fernanda (uma espécie de alter ego de Mônica
Martelli) diz, afirma, comenta, reafirma e sublinha que precisa de um namorado .
Nisso, ela se repete. E, se o espectador não se incomodar como o “monotema” da
personagem e embarcar na necessidade daquela mulher – alguns vão criticá-la por
projetar o objetivo de vida na busca obsessiva por um homem, mas, vá lá, há que se
dar um desconto, um “vale-comédia”, digamos –, vai se divertir.
Apoiado em situações clichês, é na interpretação da atriz que está o grande
mérito do filme. Por exemplo: após a primeira noite com um homem, mulher acorda
(como qualquer mulher acorda) desarrumada. Antes de abrir os olhos, ela
discretamente pega o estojo de maquiagem , sem se levantar da cama , e dá um
tapinha no visual. E Fernanda, ou melhor, Mônica, o faz de maneira magistral.
Na transposição do palco para a tela, os personagens secundários – que, no
monólogo, claro, eram interpretados por Martelli – ganham vida. Os amigos mais
próximos de Fernanda são vividos pelos ótimosDaniele Valente (se especializando
como a coadjuvante que rouba a cena) e o incensado Paulo Gustavo(descontada
uma peruca/ prótese capilar inacreditavelmente mal feita).
O tal time de Marte é variado e inconstante. Eduardo Moscovis, como o
político; e o arquiteto de Marcos Palmeira convencem bem. Já Humberto
Martins aparece tão exagerado quanto o é o desfecho do segmento que envolve seu
personagem. E o alemão Peter Ketnath (de Cinema, Aspirinas e Urubus) está
repetitivo como são os momentos de “bicho grilagem” que envolvem seu
personagem, o gringo que fincou pé na Bahia.
O maior problema do filme, no entanto, são os momentos dramáticos da
personagem, que soam fora de lugar em um filme tão leve. Fernanda leva um pé na
bunda, sobe música triste, chora. Se recupera sem que haja um arco dramático por
trás e a estrutura "fora-música-choro" se repete. Se prejudica o filme , no entanto,
não arranha a graça de Mônica Martelli, que sacode o cabelo (literalmente. Não
deixe de reparar no tique nervoso que a atriz desenvolveu para as situações de
início de paquera ) e dá a volta por cima.
( Renato Hermsdorff)
Nunca mais
O filme começa em um restaurante de Los Angeles, onde uma garçonete
chamada Slim (Jennifer Lopez) trabalha com sua melhor amiga, Ginny (Juliette
Lewis). Ela recebe avanços românticos de um cliente que brinca com ela sobre o
nome dela, e ela revela que "Slim" não é seu nome real. Ela é salva por um homem
chamado Mitch Hiller (Billy Campbell), que "pára" o homem de vir para ela. Slim se
apaixona por Mitch, eles se casam e têm uma filha chamada Gracie (Tessa Allen).
No entanto, Slim descobre que Mitch tem a traido com uma mulher chamada
Darcelle. Ela confronta-o e ele admite ao mesmo tempo insistindo que Darcelle não
significa nada para ele. Slim torna-se irritada e ameaça sair, enfurecendo Mitch, que
se torna violento, batendo e socando-a no rosto. Ele adverte-a, dizendo a Slim que
ganha o dinheiro e recebe tudo o que ele gosta, o que implica que ele quer
um casamento aberto. Mitch se recusa a parar seu caso, a menos que ela quer lutar
com ele. Ela pára suas tentativas para chamar sua mãe. Quando Slim não consegue
confiar na mãe de Mitch (Janet Carroll), ela pergunta o que ela fazer para acabar
com a raiva de Mitch, dizendo que ele tem uma história de abuso físico. Ginny
aconselha Slim a deixar Mitch, mas Slim não quer machucar Gracie. Ela, então, vai
pegar Gracie da escola para descobrir que Mitch já a pegou. Ela fica em pânico ao
imaginar que Mitch poderia ter deixado a cidade com ela, ela chama Mitch, que lhe
diz que ele levou Gracie para o zoológico.
Naquela noite, durante o jantar, Mitch faz mais insultos a Slim para confiar em
sua mãe, permanecendo civil, na frente de Gracie. Tendo tido o suficiente, planos de
Slim para escapar. No entanto, ao escapar tarde da noite, Mitch frustra ela,
agarrando-a pelos cabelos. Ele joga-a no chão e começa chutando no peito,
enquanto Gracie está dormindo no sofá. Felizmente, Slim tem ajuda de seus amigos
que a levam para fora de casa.
Em Michigan, Slim compra uma casa e muda seu nome para Erin Shleeter.
Embora o seu futuro parece brilhante depois de uma visita de Joe, Mitch
acompanha-los e ataca Slim. Desta vez, ela está preparada, com spray de pimenta e
um plano de fuga. A perseguição de carro segue entre Slim e um dos amigos de
Mitch (Noah Wyle, que havia se disfarçado como um interesse amoroso para Slim),
enquanto Gracie grita ao fundo. Eventualmente, Slim vai esconder-se em São
Francisco, contrata uma mulher que se parece com ela para manter seu disfarce, e
envia Gracie de férias para o Havaí com seu melhor amigo para tirá-la do caminho
do mal. Ela se prepara com instrutor de auto-defesa (Bruce A. Young), que lhe
ensina Krav Maga, uma vez que a auto-defesa não é assassinato. Ele diz a ela a
lição mais difícil, se ele bater nela, segurar a sua voz e despertar quando ele está
prestes a atacar ou chutá-la.
Ela volta para Los Angeles, pausas para nova casa de Mitch e prende-lo lá,
depois de esconder suas armas e bloquear as ligações de telefone, então ele não
pode chamar a polícia. Quando ele diz que não pode bater, ela pergunta por que ele
poderia fazê-lo antes, quando ela era indefesa. Na luta que se seguiu Slim usa suas
novas habilidades, batendo Mitch de maneira ruim. Ela chama Ginny dizendo que
ela não pode matá-lo, e enquanto ela se distrai Mitch bate nela por trás com uma
lâmpada. Slim repete o que ela aprendeu em suas aulas e viagens, bate e chuta no
peito para mandá-lo fora de uma varanda para a sua morte. Ela chama a polícia, que
governa suas ações como auto-defesa.
Como Mitch não é mais uma ameaça, Slim e Gracie passam a viver uma vida feliz
em Seattle com Joe.
Charge 01
Charge 02
Charge 03
Com licença poética
(Adélia Prado)
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira .
Cargo muito pesado pra mulher
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e
ora sim, ora não, creio em parto sem
dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a
sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra
homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas, pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do
bigode.
Meu Deus,por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma
solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o
diabo.
Pagu
(Rita Lee)
Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Hum! Hum!
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum! Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira, nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Ratatá! Ratatá! Ratatá!
Taratá! Taratá!
Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Hanhan! Ah! Hanran!
Fama de porra louca, tudo bem!
Minha mãe é Maria Ninguém
Hanhan! Ah! Hanran!
Não sou atriz, modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Ratatá! Ratatatá
Hiii! Ratatá
A noite não adormece nos olhos
das mulheres
Em memória de Beatriz nascimento
A noite não adormece
Nos olhos das mulheres
a lua fêmea, semelhante nossa,
em vigília atenta vigia e
nossa memória.
A noite não adormece
nos olhos das mulheres
há mais olhos que sono
onde lágrimas suspensas
virgulam o lapso
de nossas molhadas lembranças.
A noite não adormece
nos olhos das mulheres
vaginas abertas
retêm e expulsam a vida donde Ainás,
Nzingas, Ngambeles
e outras meninas luas
afastam delas e de nós
os nossos cálices de lágrimas.
A noite não adormece
jamais nos olhos das fêmeas
pois do nosso sangue-mulher
do nosso líquido lembradiço
em cada gota que jorra
um fio invisível e tônico
pacientemente cose a rede de nossa
milenar resistência.
Uma Galinha
(Clarice Lispector)
Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da
manhã.Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não
olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram,
apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou
magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo , inchar
o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante
ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no
terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá
ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi
chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O
dono da casa lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente
algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu
seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta,
hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se
mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua.
Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por
si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz,
porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito
de conquista havia soado.
Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda,
concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral do telhado e
enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por
um momento. E então parecia tão livre.
Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é
que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É
verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava
consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas
galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se
fora a mesma.
Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz
alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo
por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa
violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos.
Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo.
Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que
fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o
ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu
coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de
tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e
assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do
acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:
— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso
bem!
Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente.
Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem
triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento
especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente
um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha.
O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:
— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha
vida!
— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.
Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a
família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a
corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que
a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa.
Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos
, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.
Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido,
enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava
pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo,
embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho
susto de sua espécie já mecanizado.
Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha
que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar . Nesses
momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às
fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem
nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no
descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a
mesma que fora desenhada no começo dos séculos.
Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.
Mulher Nova Bonita E Carinhosa
Compositor: Zé Ramalho E Otacilio
Batista
Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor
A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
A Mulher de antigamente e a mulher
de hoje em dia
Manoel Monteiro
No passado Zé Pacheco
Um mestre da poesia
Escreveu sobre a mulher
Com arte e com maestria
Eu vou tentar descrever
A mulher de hoje em dia
Deus após formar o mundo
Achou que era preciso
Povoá-lo, fez Adão.
Mas fez Eva sem juízo
E deixou os dois flertando
No pomar do Paraíso...
Quando foi criar o homem
Ficou sobrando um pedaço
Ele deixou assim mesmo
E seguiu sem embaraço
Mas quando fez a mulher
Deixou aberto um espaço
Adão ficou perturbado
Vendo um defeito daquele,
Pois o que faltava nela
Estava sobrando nele
Para tapar o buraco
Meteu o pedaço dele.
Eu acho que a Bíblia fala
Em sentido figurado
Porque deixar Adão nu
Com Eva nua a seu lado
Tinha que dar no que deu
Foi Caim pra todo lado!
Você já imaginou
Eva dengosa e faceira
Tendo só por vestimenta
Uma folha de parreira?
Não precisava nem cão
Para Adão fazer besteira
Mas no começo do mundo
Tudo era diferente
Trabalhar não precisava
Adão vivia contente
Só arrumou ao juntar-se
Eva, a maçã e a serpente
Porque Deus disse a Adão
Coma de tudo, porém
Não coma a maçã de Eva
Adão lhe disse: Está bem!
Mas veio a peste da cobra
Para estragar o xerém.
Contra as ordens do Divino
A cobra se levantou.
Tentou o primeiro homem
E Adão se abestalhou
“comeu” a maçã de Eva
Aí o bicho pegou!
O homem foi enganado
Por Eva e por Lúcifer
Mas ele em sua bondade
Dá tanta corda à mulher
Que ela pensa que pode
Fazer o que bem quiser.
Elas estão todo dia
Tomando o nosso lugar
Se continuarem assim
Só o que vai nos sobrar
É o tanque de lavar roupa
E o ferro de engomar
Em toda repartição
Tem uma mulher mandando
Elas estão assumindo
Todos os postos de mando
E enquanto isso no lar
Tem uma mulher faltando.
A mulher hoje é igual
A um homem destemido
Lavar prato e lavar pano
Acha que é tempo perdido
Mas se vê uma barata
Grita chamando o marido.
Com certeza, brevemente
Vamos ser o rei do Lar
Com um pequeno problema
Difícil de consertar
É que além da mamadeira
Vamos ter que amamentar
Trocar fraldas de menino
Eu mesmo já tenho feito.
Dar banho, limpar cocô
Eu faço e faço direito.
Agora dar de mamar...
Já tentei, mas não tem jeito!
Eu espero que as mulheres
Não nos obriguem parir
Porque eu mesmo não sei
Por onde os filhos vão vir
Se não tem por onde entrar
E nem por onde sair.
Quando a mulher é honesta
Leva vida recatada.
Não vive de porta em porta
Nem gosta de cachorrada
Ao passar na rua, as outras
Dizem: - lá vai a pirada!
Antigamente a mulher
Pelo seu instinto nato
O serviço que fazia
Era “ver” lenha no mato,
Catar pulgas no cachorro
E limpar bosta de gato.
Naquele tempo a mulher
Era um ser quase divino
Vivia para o marido
E para fazer menino.
Mulher não falava grosso
Homem não falava fino.
Houve um tempo que a mulher
Era bicho conhecido
Usava saia godê
Blusa de manga ou vestido
Anágua, friso e marrafa
Cabelo sempre comprido
Touca, espartilho, ampoleta
Moda ousada era coco
Se o rapaz pedisse um beijo
Ficava falando só
Sem casar, só via mesmo
Mão, pescoço e mocotó.
Não raspava sobrancelha
Nem sovaco, nem pentelho
Para usar rouge ou batom
Tinha que pedir conselho
Califon de meio corpo,
Calçola até o joelho.
A mulher andava livre
Do terreiro pra cozinha.
No resto era proibida
Na sala a mulher só vinha
Se fosse pra trazer água
Ou para tanger galinha.
Mulher só ficava nua
No dia do nascimento
Ou quando tomava banho
Mas fora desse momento
Eu acredito que só
Na noite do casamento.
Se o marido descobrisse
Na hora da “inspeção”
Que antes dele outro homem
Havia passado a “mão”
Tinha o direito de
Fazer a devolução.
Se algum “cabra safado”
Tivesse comido o fruto
O marido corneado
Fosse da praça ou matuto
Já estava autorizado
A devolver o produto.
Hoje a coisa é diferente
A mulher tem liberdade
Ganha pra trabalhar fora
É uma temeridade
Se continuar assim
É o fim da humanidade.
Em algumas profissões
A mulher dava primeira
Ninguém ganhava pra elas
Nas artes de rezadeira
Fazer panela de barro
Tecer balaio e esteira.
Pavio de candeeiro?
Faziam como ninguém!
Capar pinto, bater pano
Pilar milho pra xerém
São coisas que as mulheres
Faziam e faziam bem.
Hoje elas são folgadas
Escolhem até profissão
Querem se igualar a nós
Só falam em liberação
Umas já dirigem trem
Outras pilotam avião.
A mulher como empregada
É uma calamidade:
Tem quatro meses de folga
Se for pra maternidade
Seu mês só tem vinte dias
Mas falta mais da metade.
Tem trinta dias de férias
Quinze dias pra casar
Tirando a hora do almoço
E a hora de amamentar
Somando tudo não sobra
Horário pra trabalhar.
Já tem umas no Senado
Só falta uma Presidente
Sou forçado a admitir
Que tem mulher competente
Mas elas mandando em tudo
Que diabos sobra pra gente?
Onde tem homem com “H”
Uma lei s”estabelece
A mulher diz: - Sim, senhor!
Porque sábia reconhece
Que manda quem tem a força
Quem tem juízo obedece.
Desde os tempos da caverna
É por todos conhecido
O destino da mulher
Decser um voto vencido
Submissa ao bisavô
Ao avô, pai e marido.
Lá em casa, pelo menos
A mulher não ignora.
A última palavra é minha
Quem achar ruim, vá embora
A mulher diz: - cala a boca!
Eu respondo: - Sim, senhora!
Mulheres do meu Brasil
Desculpem este meu falar
Tudo isso é brincadeira
Do poeta popular
Se não houvesse mulher
Era preciso inventar.
M – eu poema homenageia
A – o cordelista inspirado
N- osso bardo Zé Pacheco
O – mestre mais consagrado
E – já que gastei papel
L- eiam o livro de MANOEL,
M- ONTEIRO, este seu criado.
Maria da Penha
Maria da Penha Maia Fernandes: um ícone no enfrentamento à violência contra
a mulher.
No ano de 2010 foi lançado, através da editora Armazém da Cultura, o livro
“Sobrevivi... posso contar”, obra de autoria da farmacêutica bioquímica, Maria da
Penha Maia Fernandes. Trata-se da história do relacionamento conjugal entre a
própria autora e o seu ex-companheiro, no qual são reveladas, principalmente, as
violências das quais foi vítima, durante o período em que conviveram juntos e a luta
da autora contra a impunidade nos casos de violência contra a mulher.
As agressões sofridas por Maria da Penha podem ser interpretadas como uma
herança cultural do patriarcado em nossa sociedade, que convencionou a
manifestação de uma desigualdade entre os gêneros, na qual o masculino dominaria
e exploraria o feminino. Tais agressões são consideradas, portanto, violências de
gênero.
“Sobrevivi... posso contar” é o resultado de uma das várias tentativas de superação
das violências vivenciadas pela autora. Nessa obra, Maria da Penha relata em
detalhes sua história de vida, referenciando desde o momento em que conheceu o
seu ex-companheiro, até quando foi estabelecido que este mesmo homem, seria o
único responsável pela tentativa de homicídio impetrada contra a sua pessoa.
O texto escrito por Maria da Penha serviu como elemento base para que ela
pudesse denunciar a omissão do Estado Brasileiro em punir o seu agressor. Era
necessária uma punição compatível aos transtornos causados por ele. Essa
denúncia foi feita junto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da
Organização dos Estados Americanos, em 1998.
Com isso o Brasil foi responsabilizado por essa Comissão, pela violação de direitos
humanos que ocorreu no caso de Maria da Penha. Este fato permitiu que a temática
da violência de gênero fosse amplamente discutida no cenário brasileiro, com
repercussão internacional.
A importância maior, no entanto, se fez para a elaboração de uma legislação
específica para o enfrentamento da violência de gênero no Brasil. Em 2006, entrou
em vigor a lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha.
Desde então, a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, tem sido para o Brasil
um ícone na luta contra a violência de gênero, sendo presença constante em ações
de divulgação da lei que leva o seu nome, além de receber várias homenagens pela
sua perseverança na luta pelos direitos das mulheres.
A publicação de “Sobrevivi... posso contar” fortalece ainda mais a figura guerreira de
Maria da Penha, deixando registrada a história de alguém que sofreu sucessivas
agressões e teve seus direitos violados. Mas, sobretudo fica denotada a história de
alguém que não se conformou com a impunidade e preferiu lutar.
REVISÃO
Resenha: É uma produção textual, por meio da qual o autor faz uma breve
apreciação, e uma descrição a respeito de acontecimentos culturais (como uma
feira de livros , por exemplo) ou de obras (cinematográficas, musicais, teatrais ou
literárias), com o objetivo de apresentar o objeto (acontecimento ou obras), de forma
sintetizada, apontando, guiando e convidando o leitor (ou espectador) a conhecer tal
objeto na integra, ou não (resenha crítica).
Uma resenha deve conter uma análise e um julgamento (de verdade ou de valor).
Uma resenha pode ser:
* Descritiva – É o caso dos resumos técnicos, também chamada de resenha técnica
ou cientifica. A apreciação, ou o julgamento em uma resenha descritiva julga as
ideias do autor, a consistência e a pertinência de suas colocações, ao longo da
descrição da obra, ou seja, trata-se de um julgamento de verdade.
* Crítica ou opinativa – Nesse tipo de resenha o conteúdo apresentado é
mais detalhado do que na resenha descritiva, pois os critérios de
julgamento são de valor, de beleza da forma, estilo do objeto (acontecimento ou
obra). A exploração um pouco maior dos detalhes ocorre devido à necessidade de
que o autor da resenha fundamente suas críticas, sejam elas positivas ou negativas,
utilizando outros autores que trabalharam o mesmo tema.
A resenha deve conter, ainda, uma brevíssima identificação do autor da
obra (vida e outras obras).
PASSO A PASSO PARA A RESENHA CRÍTICA:
1. Identifique a obra: coloque os dados bibliográficos essenciais do livro ou do
filme que você vai resenhar;
2. Apresente a obra: situe o leitor descrevendo em poucas linhas todo o conteúdo
do texto a ser resenhado;
3. Descreva a estrutura: fale sobre a divisão em capítulos, em caso de livros, em
filmes descreva a duração.
4. Descreva o conteúdo: Aqui sim, utilize de 3 a 5 parágrafos para resumir
claramente o texto resenhado;
5. Analise de forma crítica: Nessa parte, e apenas nessa parte, você vai dar sua
opinião. Argumente baseando-se em teorias de outros autores, fazendo
comparações ou até mesmo utilizando-se de explicações que foram dadas em
aula. É difícil encontrarmos resenhas que utilizam mais de 3 parágrafos para
isso, porém não há um limite estabelecido. Dê asas ao seu senso crítico.
6. Recomende a obra: Você já leu, já resumiu e já deu sua opinião, agora é hora
de analisar para quem o texto realmente é útil (se for útil para alguém). Utilize
elementos sociais ou pedagógicos, baseie-se na idade, na escolaridade, na
renda etc.
7. Identifique o autor: Cuidado! Aqui você fala quem é o autor da obra que foi
resenhada e não do autor da resenha (no caso, você). Fale brevemente da vida
e de algumas outras obras do escritor ou pesquisador.
8. Assine e identifique-se: Agora sim. No último parágrafo você escreve seu nome
e fala algo como “ Estudante do PIBID”.
CARACTERÍSTICAS DO RESUMO:
1. Impessoal;
2. Conciso;
3. Compromissado com a verdade do texto a ser resumido;
4. Apresenta os fatos essenciais;
5. Objetivo.
As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressivas as
mensagens. Subdividem-se em figuras de som, figuras de construção, figuras de
pensamento e figuras de palavras.
Figuras de som
a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais.
“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”
b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos.
“Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”
c) paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de
significados distintos.
“Eu que passo, penso e peço.”
Figuras de construção
a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto.
“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia)
b) zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes.
Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro)
c) polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou
elementos do período.
“ E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito (...)”
d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase.
“De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.”
e) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que
se subentende, com o que está implícito.
f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre
porque se inicia uma determinada construção sintática e depois se opta por outra.
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.
g) pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem.
“E rir meu riso e derramar meu pranto.”
h) anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início de versos ou
frases.
“ Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer”
Figuras de pensamento
a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se
opõem pelo sentido.
“Os jardins têm vida e morte.”
b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-
se, com isso, efeito crítico ou humorístico.
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”
c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em
síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradável.
Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou)
d) hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática.
Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede)
e) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados
predicativos que são próprios de seres animados.
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
f) gradação ou clímax: é a apresentação de ideias em progressão ascendente
(clímax) ou descendente (anticlímax)
“Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.”
g) apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma coisa
personificada).
“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!”
Figuras de palavras
a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual,
com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado.
A metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica
subentendido.
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.”
b) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de significado, ou seja,
uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro
significado. Todavia, a transposição de significados não é mais feita com base em
traços de semelhança, como na metáfora. A metonímia explora sempre alguma
relação lógica entre os termos. Observe:
Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa)
c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um
conceito, torna-se outro por empréstimo . Entretanto, devido ao uso contínuo, não
mais se percebe que ele está sendo empregado em sentido figurado.
O pé da mesa estava quebrado.
d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma expressão
que o identifique com facilidade:
...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles)
e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por
diferentes órgãos do sentido.
A luz crua da madrugada invadia meu quarto
SINOPSE:
Lançamento: 21 de marçode 1986 (2h34min)
Dirigido por: Steven Spielberg
Com: Danny Glover, Whoopi Goldberg,Rae Dawn Chong mais
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA
Georgia, 1909. Em uma pequena cidade, Celie (Whoopi Goldberg, uma jovem
com apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças.
Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos
e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a "Mister" (Danny
Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte
da brutalidade de Mister provêm por alimentar uma forte paixão por Shug Avery
(Margaret Avery), uma sensual cantora de blues. Celie fica muito solitária e
compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um
mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie
(Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah
Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida,
Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das
possibilidades que o mundo lhe oferece.
Produzindo:
De acordo com tudo o que estudamos e debatemos até agora, em sala de
aula, faça o seu próprio texto seguindo a estrutura de uma resenha crítica sobre o
filme “A cor púrpura” e lembre-se que seu texto será lido por outras pessoas.
Bom trabalho!

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As várias faces de um mesmo universo

  • 1. As várias faces de um mesmo universo
  • 2. Universidade Estadual da Paraíba- UEPB Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência- PIBID Subprojeto Letras- Língua Portuguesa Escola de Atuação: E.E.E.F.M. Félix Araújo Coordenadora de Área: Magliana Rodrigues da Silva Supervisora: Geovana Nóbrega Alunos bolsistas: André Ângelo Fernanda Félix Roberlânia Alves Roberta Tiburcio Renally Arruda Projeto: Nas Trilhas da Língua Portuguesa: o texto em foco
  • 3. Crônica da mulher ideal A mulher perfeita? A mulher ideal tem que acima de tudo se saber mulher. Explorar a sua essência feminina ao máximo, buscar sempre a magia da criatura ainda não descoberta. Ela não precisa saber passar, lavar, cozinhar. Ela não precisa saber falar tailandês, calcular velocidade relativa, ler o futuro nas cartas. A mulher dos sonhos tem que saber amar se conhecendo amada. Não existe modelo de mulher ideal. Ela acontece por acaso, num milagre da natureza, mas sempre com três virtudes: beleza, sensibilidade e inteligência. Coloque essas características na ordem em que desejar, mas também não as veja xiitamente. A beleza é essencial. Não que a mulher perfeita precise ter corpo de manequim e rosto de atriz de novela. Refiro-me à beleza que se insinua, pouco a pouco, para ser descoberta bem devagarzinho. A beleza que nasce de uma fonte interior e se espalha pelos traços externos de forma continua. A beleza da mulher ideal deve ser dinâmica, nunca um quadro morto. Uma beleza que rima com encanto e se abriga na profundidade de um olhar. A mulher ideal tem que compreender o ser amado. Deve ter a sensibilidade à flor da pele. Precisa ser feita de perdão e prazer. Ela tem que recolher todos os sentimentos em seu corpo e deixá-los aflorar com toda a naturalidade possível. Enquanto sofrimento, ela deve doar os lábios num longo sorriso. Na boca da mulher amada deve haver a obra-prima do sentimento. As fúteis, eu peço encarecidas desculpas, mas inteligência é imprescindível. Não que a mulher ideal deva recitar Shakespeare, citar Marx e ver a vida na ótica de Freud. É fundamental que ela tenha uma personalidade nascida no conteúdo. Conteúdo, eis a carência da forma. Quem negará que um copo vazio tem personalidade forte? A mulher perfeita deve conhecer a vida em todos os seus ângulos e seduzir através de pensamentos. Embora com virtudes, a mulher ideal é aquela que é uma virtude por si só. Ela tem que ter as mãos cheias de carinho, o abraço pronto e a espontaneidade do consolo. Não deve possuir várias faces, deve ser apenas ela em todas e quaisquer circunstâncias. Deve deixar marcas, físicas e emocionais, temporais e atemporais, invisíveis e impossíveis de não se ver. A mulher ideal deve saber viver, saber acontecer, saber amar, enfim, saber mulherizar-se de forma crônica e irreversível a cada novo dia. (Daniel Campos)
  • 4. Garota De Ipanema (TomJobim) Olha que coisa mais linda Mais cheia de graça É ela menina Que vem e que passa Num doce balanço A caminho do mar Moça do corpo dourado Do sol de Ipanema O seu balançado é mais que um poema É a coisa mais linda que eu já vi passar Ah, por que estou tão sozinho? Ah, por que tudo é tão triste? Ah, a beleza que existe A beleza que não é só minha Que também passa sozinha Ah, se ela soubesse Que quando ela passa O mundo inteirinho se enche de graça E fica mais lindo Por causa do amor. Pantera Cor-de-rosa (Garota Safada) Toda produzida, jeitinho de santinha Ela saiu de casa doida pra perder a linha Me chama pra dançar, eu não tô aguentando Ela tá provocando o Munhoz e o Mariano Sabe se vestir do jeito que o homem gosta Vestido apertadinho da pantera cor-de- rosa Pra que? Pada pada pada pada Pada pada pada pada Pra dar o que falar Pada pada pada pada Pada pada pada pada Pra dar o que falar Não importa se é preto Branco, verde ou cor-de-rosa Se for apertadinho pode pôr, que o pai gosta.
  • 5. Os homens são de marte... e é pra lá que eu vou O diretor Marcus Baldini (Bruna Surfistinha) estreia na comédia com um filme acima da média. Primeiro, porque a média dos filmes brasileiros do gênero têm sido bem apelativa, é verdade, segundo porque “Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou” trata-se de uma comédia romântica bem produzida, com variadas locações e centrada na figura de Julia Roberts, ops, de Mônica Martelli, que, idealizadora (roteirista e produtora) da história de Fernanda, a protagonista, domina o universo da personagem como ninguém – depois de quase uma década em cartaz, com a peça que atraiu mais de dois milhões de pessoas. Os Homens São de Marte... é uma comédia romântica diferente. No sentido de que o par da personagem (o quem vai ficar com ela?) não é apresentado logo no início do filme, como na maioria das comédias românticas norte-americanas. Trata- se, segundo ela, não da história de um casal, mas de uma mulher em busca do amor. É um ponto a favor da originalidade. Logo no início do filme, Fernanda (uma espécie de alter ego de Mônica Martelli) diz, afirma, comenta, reafirma e sublinha que precisa de um namorado . Nisso, ela se repete. E, se o espectador não se incomodar como o “monotema” da personagem e embarcar na necessidade daquela mulher – alguns vão criticá-la por projetar o objetivo de vida na busca obsessiva por um homem, mas, vá lá, há que se dar um desconto, um “vale-comédia”, digamos –, vai se divertir. Apoiado em situações clichês, é na interpretação da atriz que está o grande mérito do filme. Por exemplo: após a primeira noite com um homem, mulher acorda (como qualquer mulher acorda) desarrumada. Antes de abrir os olhos, ela
  • 6. discretamente pega o estojo de maquiagem , sem se levantar da cama , e dá um tapinha no visual. E Fernanda, ou melhor, Mônica, o faz de maneira magistral. Na transposição do palco para a tela, os personagens secundários – que, no monólogo, claro, eram interpretados por Martelli – ganham vida. Os amigos mais próximos de Fernanda são vividos pelos ótimosDaniele Valente (se especializando como a coadjuvante que rouba a cena) e o incensado Paulo Gustavo(descontada uma peruca/ prótese capilar inacreditavelmente mal feita). O tal time de Marte é variado e inconstante. Eduardo Moscovis, como o político; e o arquiteto de Marcos Palmeira convencem bem. Já Humberto Martins aparece tão exagerado quanto o é o desfecho do segmento que envolve seu personagem. E o alemão Peter Ketnath (de Cinema, Aspirinas e Urubus) está repetitivo como são os momentos de “bicho grilagem” que envolvem seu personagem, o gringo que fincou pé na Bahia. O maior problema do filme, no entanto, são os momentos dramáticos da personagem, que soam fora de lugar em um filme tão leve. Fernanda leva um pé na bunda, sobe música triste, chora. Se recupera sem que haja um arco dramático por trás e a estrutura "fora-música-choro" se repete. Se prejudica o filme , no entanto, não arranha a graça de Mônica Martelli, que sacode o cabelo (literalmente. Não deixe de reparar no tique nervoso que a atriz desenvolveu para as situações de início de paquera ) e dá a volta por cima. ( Renato Hermsdorff) Nunca mais
  • 7. O filme começa em um restaurante de Los Angeles, onde uma garçonete chamada Slim (Jennifer Lopez) trabalha com sua melhor amiga, Ginny (Juliette Lewis). Ela recebe avanços românticos de um cliente que brinca com ela sobre o nome dela, e ela revela que "Slim" não é seu nome real. Ela é salva por um homem chamado Mitch Hiller (Billy Campbell), que "pára" o homem de vir para ela. Slim se apaixona por Mitch, eles se casam e têm uma filha chamada Gracie (Tessa Allen). No entanto, Slim descobre que Mitch tem a traido com uma mulher chamada Darcelle. Ela confronta-o e ele admite ao mesmo tempo insistindo que Darcelle não significa nada para ele. Slim torna-se irritada e ameaça sair, enfurecendo Mitch, que se torna violento, batendo e socando-a no rosto. Ele adverte-a, dizendo a Slim que ganha o dinheiro e recebe tudo o que ele gosta, o que implica que ele quer um casamento aberto. Mitch se recusa a parar seu caso, a menos que ela quer lutar com ele. Ela pára suas tentativas para chamar sua mãe. Quando Slim não consegue confiar na mãe de Mitch (Janet Carroll), ela pergunta o que ela fazer para acabar com a raiva de Mitch, dizendo que ele tem uma história de abuso físico. Ginny aconselha Slim a deixar Mitch, mas Slim não quer machucar Gracie. Ela, então, vai pegar Gracie da escola para descobrir que Mitch já a pegou. Ela fica em pânico ao imaginar que Mitch poderia ter deixado a cidade com ela, ela chama Mitch, que lhe diz que ele levou Gracie para o zoológico. Naquela noite, durante o jantar, Mitch faz mais insultos a Slim para confiar em sua mãe, permanecendo civil, na frente de Gracie. Tendo tido o suficiente, planos de Slim para escapar. No entanto, ao escapar tarde da noite, Mitch frustra ela, agarrando-a pelos cabelos. Ele joga-a no chão e começa chutando no peito, enquanto Gracie está dormindo no sofá. Felizmente, Slim tem ajuda de seus amigos que a levam para fora de casa. Em Michigan, Slim compra uma casa e muda seu nome para Erin Shleeter. Embora o seu futuro parece brilhante depois de uma visita de Joe, Mitch acompanha-los e ataca Slim. Desta vez, ela está preparada, com spray de pimenta e um plano de fuga. A perseguição de carro segue entre Slim e um dos amigos de Mitch (Noah Wyle, que havia se disfarçado como um interesse amoroso para Slim), enquanto Gracie grita ao fundo. Eventualmente, Slim vai esconder-se em São Francisco, contrata uma mulher que se parece com ela para manter seu disfarce, e envia Gracie de férias para o Havaí com seu melhor amigo para tirá-la do caminho
  • 8. do mal. Ela se prepara com instrutor de auto-defesa (Bruce A. Young), que lhe ensina Krav Maga, uma vez que a auto-defesa não é assassinato. Ele diz a ela a lição mais difícil, se ele bater nela, segurar a sua voz e despertar quando ele está prestes a atacar ou chutá-la. Ela volta para Los Angeles, pausas para nova casa de Mitch e prende-lo lá, depois de esconder suas armas e bloquear as ligações de telefone, então ele não pode chamar a polícia. Quando ele diz que não pode bater, ela pergunta por que ele poderia fazê-lo antes, quando ela era indefesa. Na luta que se seguiu Slim usa suas novas habilidades, batendo Mitch de maneira ruim. Ela chama Ginny dizendo que ela não pode matá-lo, e enquanto ela se distrai Mitch bate nela por trás com uma lâmpada. Slim repete o que ela aprendeu em suas aulas e viagens, bate e chuta no peito para mandá-lo fora de uma varanda para a sua morte. Ela chama a polícia, que governa suas ações como auto-defesa. Como Mitch não é mais uma ameaça, Slim e Gracie passam a viver uma vida feliz em Seattle com Joe. Charge 01 Charge 02
  • 9. Charge 03 Com licença poética (Adélia Prado) Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira . Cargo muito pesado pra mulher esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos -- dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou. Poema de sete faces Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. O bonde passa cheio de pernas: Pernas brancas, pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada. O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode. Meu Deus,por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus,
  • 10. se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração. Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo. Pagu (Rita Lee) Mexo, remexo na inquisição Só quem já morreu na fogueira Sabe o que é ser carvão Hum! Hum! Eu sou pau pra toda obra Deus dá asas à minha cobra Hum! Hum! Hum! Hum! Minha força não é bruta Não sou freira, nem sou puta Porque nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Ratatá! Ratatá! Ratatá! Taratá! Taratá! Sou rainha do meu tanque Sou Pagu indignada no palanque Hanhan! Ah! Hanran! Fama de porra louca, tudo bem! Minha mãe é Maria Ninguém Hanhan! Ah! Hanran! Não sou atriz, modelo, dançarina Meu buraco é mais em cima Porque nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem Ratatá! Ratatatá Hiii! Ratatá A noite não adormece nos olhos das mulheres Em memória de Beatriz nascimento A noite não adormece Nos olhos das mulheres a lua fêmea, semelhante nossa, em vigília atenta vigia e nossa memória. A noite não adormece nos olhos das mulheres há mais olhos que sono onde lágrimas suspensas virgulam o lapso de nossas molhadas lembranças. A noite não adormece nos olhos das mulheres vaginas abertas
  • 11. retêm e expulsam a vida donde Ainás, Nzingas, Ngambeles e outras meninas luas afastam delas e de nós os nossos cálices de lágrimas. A noite não adormece jamais nos olhos das fêmeas pois do nosso sangue-mulher do nosso líquido lembradiço em cada gota que jorra um fio invisível e tônico pacientemente cose a rede de nossa milenar resistência. Uma Galinha (Clarice Lispector) Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio. Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo , inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá
  • 12. ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado. Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral do telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre. Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma. Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e
  • 13. assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos: — Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem! Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão: — Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida! — Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros. Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos , usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto. Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado. Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar . Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem
  • 14. nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos. Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos. Mulher Nova Bonita E Carinhosa Compositor: Zé Ramalho E Otacilio Batista Numa luta de gregos e troianos Por Helena, a mulher de Menelau Conta a história de um cavalo de pau Terminava uma guerra de dez anos Menelau, o maior dos espartanos Venceu Páris, o grande sedutor Humilhando a família de Heitor Em defesa da honra caprichosa Mulher nova, bonita e carinhosa Faz o homem gemer sem sentir dor Alexandre figura desumana Fundador da famosa Alexandria Conquistava na Grécia e destruía Quase toda a população Tebana A beleza atrativa de Roxana Dominava o maior conquistador E depois de vencê-la, o vencedor Entregou-se à pagã mais que formosa Mulher nova bonita e carinhosa Faz um homem gemer sem sentir dor A mulher tem na face dois brilhantes Condutores fiéis do seu destino Quem não ama o sorriso feminino Desconhece a poesia de Cervantes A bravura dos grandes navegantes Enfrentando a procela em seu furor Se não fosse a mulher mimosa flor A história seria mentirosa Mulher nova, bonita e carinhosa Faz o homem gemer sem sentir dor Virgulino Ferreira, o Lampião Bandoleiro das selvas nordestinas Sem temer a perigo nem ruínas Foi o rei do cangaço no sertão Mas um dia sentiu no coração O feitiço atrativo do amor A mulata da terra do condor Dominava uma fera perigosa Mulher nova, bonita e carinhosa Faz o homem gemer sem sentir dor A Mulher de antigamente e a mulher de hoje em dia Manoel Monteiro No passado Zé Pacheco Um mestre da poesia Escreveu sobre a mulher Com arte e com maestria Eu vou tentar descrever A mulher de hoje em dia Deus após formar o mundo Achou que era preciso
  • 15. Povoá-lo, fez Adão. Mas fez Eva sem juízo E deixou os dois flertando No pomar do Paraíso... Quando foi criar o homem Ficou sobrando um pedaço Ele deixou assim mesmo E seguiu sem embaraço Mas quando fez a mulher Deixou aberto um espaço Adão ficou perturbado Vendo um defeito daquele, Pois o que faltava nela Estava sobrando nele Para tapar o buraco Meteu o pedaço dele. Eu acho que a Bíblia fala Em sentido figurado Porque deixar Adão nu Com Eva nua a seu lado Tinha que dar no que deu Foi Caim pra todo lado! Você já imaginou Eva dengosa e faceira Tendo só por vestimenta Uma folha de parreira? Não precisava nem cão Para Adão fazer besteira Mas no começo do mundo Tudo era diferente Trabalhar não precisava Adão vivia contente Só arrumou ao juntar-se Eva, a maçã e a serpente Porque Deus disse a Adão Coma de tudo, porém Não coma a maçã de Eva Adão lhe disse: Está bem! Mas veio a peste da cobra Para estragar o xerém. Contra as ordens do Divino A cobra se levantou. Tentou o primeiro homem E Adão se abestalhou “comeu” a maçã de Eva Aí o bicho pegou! O homem foi enganado Por Eva e por Lúcifer Mas ele em sua bondade Dá tanta corda à mulher Que ela pensa que pode Fazer o que bem quiser. Elas estão todo dia Tomando o nosso lugar Se continuarem assim Só o que vai nos sobrar É o tanque de lavar roupa E o ferro de engomar Em toda repartição Tem uma mulher mandando Elas estão assumindo Todos os postos de mando E enquanto isso no lar Tem uma mulher faltando. A mulher hoje é igual A um homem destemido Lavar prato e lavar pano Acha que é tempo perdido Mas se vê uma barata Grita chamando o marido. Com certeza, brevemente Vamos ser o rei do Lar Com um pequeno problema Difícil de consertar É que além da mamadeira Vamos ter que amamentar
  • 16. Trocar fraldas de menino Eu mesmo já tenho feito. Dar banho, limpar cocô Eu faço e faço direito. Agora dar de mamar... Já tentei, mas não tem jeito! Eu espero que as mulheres Não nos obriguem parir Porque eu mesmo não sei Por onde os filhos vão vir Se não tem por onde entrar E nem por onde sair. Quando a mulher é honesta Leva vida recatada. Não vive de porta em porta Nem gosta de cachorrada Ao passar na rua, as outras Dizem: - lá vai a pirada! Antigamente a mulher Pelo seu instinto nato O serviço que fazia Era “ver” lenha no mato, Catar pulgas no cachorro E limpar bosta de gato. Naquele tempo a mulher Era um ser quase divino Vivia para o marido E para fazer menino. Mulher não falava grosso Homem não falava fino. Houve um tempo que a mulher Era bicho conhecido Usava saia godê Blusa de manga ou vestido Anágua, friso e marrafa Cabelo sempre comprido Touca, espartilho, ampoleta Moda ousada era coco Se o rapaz pedisse um beijo Ficava falando só Sem casar, só via mesmo Mão, pescoço e mocotó. Não raspava sobrancelha Nem sovaco, nem pentelho Para usar rouge ou batom Tinha que pedir conselho Califon de meio corpo, Calçola até o joelho. A mulher andava livre Do terreiro pra cozinha. No resto era proibida Na sala a mulher só vinha Se fosse pra trazer água Ou para tanger galinha. Mulher só ficava nua No dia do nascimento Ou quando tomava banho Mas fora desse momento Eu acredito que só Na noite do casamento. Se o marido descobrisse Na hora da “inspeção” Que antes dele outro homem Havia passado a “mão” Tinha o direito de Fazer a devolução. Se algum “cabra safado” Tivesse comido o fruto O marido corneado Fosse da praça ou matuto Já estava autorizado A devolver o produto. Hoje a coisa é diferente A mulher tem liberdade Ganha pra trabalhar fora
  • 17. É uma temeridade Se continuar assim É o fim da humanidade. Em algumas profissões A mulher dava primeira Ninguém ganhava pra elas Nas artes de rezadeira Fazer panela de barro Tecer balaio e esteira. Pavio de candeeiro? Faziam como ninguém! Capar pinto, bater pano Pilar milho pra xerém São coisas que as mulheres Faziam e faziam bem. Hoje elas são folgadas Escolhem até profissão Querem se igualar a nós Só falam em liberação Umas já dirigem trem Outras pilotam avião. A mulher como empregada É uma calamidade: Tem quatro meses de folga Se for pra maternidade Seu mês só tem vinte dias Mas falta mais da metade. Tem trinta dias de férias Quinze dias pra casar Tirando a hora do almoço E a hora de amamentar Somando tudo não sobra Horário pra trabalhar. Já tem umas no Senado Só falta uma Presidente Sou forçado a admitir Que tem mulher competente Mas elas mandando em tudo Que diabos sobra pra gente? Onde tem homem com “H” Uma lei s”estabelece A mulher diz: - Sim, senhor! Porque sábia reconhece Que manda quem tem a força Quem tem juízo obedece. Desde os tempos da caverna É por todos conhecido O destino da mulher Decser um voto vencido Submissa ao bisavô Ao avô, pai e marido. Lá em casa, pelo menos A mulher não ignora. A última palavra é minha Quem achar ruim, vá embora A mulher diz: - cala a boca! Eu respondo: - Sim, senhora! Mulheres do meu Brasil Desculpem este meu falar Tudo isso é brincadeira Do poeta popular Se não houvesse mulher Era preciso inventar. M – eu poema homenageia A – o cordelista inspirado N- osso bardo Zé Pacheco O – mestre mais consagrado E – já que gastei papel L- eiam o livro de MANOEL, M- ONTEIRO, este seu criado.
  • 18. Maria da Penha Maria da Penha Maia Fernandes: um ícone no enfrentamento à violência contra a mulher. No ano de 2010 foi lançado, através da editora Armazém da Cultura, o livro “Sobrevivi... posso contar”, obra de autoria da farmacêutica bioquímica, Maria da Penha Maia Fernandes. Trata-se da história do relacionamento conjugal entre a própria autora e o seu ex-companheiro, no qual são reveladas, principalmente, as violências das quais foi vítima, durante o período em que conviveram juntos e a luta da autora contra a impunidade nos casos de violência contra a mulher. As agressões sofridas por Maria da Penha podem ser interpretadas como uma herança cultural do patriarcado em nossa sociedade, que convencionou a manifestação de uma desigualdade entre os gêneros, na qual o masculino dominaria
  • 19. e exploraria o feminino. Tais agressões são consideradas, portanto, violências de gênero. “Sobrevivi... posso contar” é o resultado de uma das várias tentativas de superação das violências vivenciadas pela autora. Nessa obra, Maria da Penha relata em detalhes sua história de vida, referenciando desde o momento em que conheceu o seu ex-companheiro, até quando foi estabelecido que este mesmo homem, seria o único responsável pela tentativa de homicídio impetrada contra a sua pessoa. O texto escrito por Maria da Penha serviu como elemento base para que ela pudesse denunciar a omissão do Estado Brasileiro em punir o seu agressor. Era necessária uma punição compatível aos transtornos causados por ele. Essa denúncia foi feita junto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, em 1998. Com isso o Brasil foi responsabilizado por essa Comissão, pela violação de direitos humanos que ocorreu no caso de Maria da Penha. Este fato permitiu que a temática da violência de gênero fosse amplamente discutida no cenário brasileiro, com repercussão internacional. A importância maior, no entanto, se fez para a elaboração de uma legislação específica para o enfrentamento da violência de gênero no Brasil. Em 2006, entrou em vigor a lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha. Desde então, a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, tem sido para o Brasil um ícone na luta contra a violência de gênero, sendo presença constante em ações de divulgação da lei que leva o seu nome, além de receber várias homenagens pela sua perseverança na luta pelos direitos das mulheres. A publicação de “Sobrevivi... posso contar” fortalece ainda mais a figura guerreira de Maria da Penha, deixando registrada a história de alguém que sofreu sucessivas agressões e teve seus direitos violados. Mas, sobretudo fica denotada a história de alguém que não se conformou com a impunidade e preferiu lutar.
  • 20. REVISÃO Resenha: É uma produção textual, por meio da qual o autor faz uma breve apreciação, e uma descrição a respeito de acontecimentos culturais (como uma feira de livros , por exemplo) ou de obras (cinematográficas, musicais, teatrais ou literárias), com o objetivo de apresentar o objeto (acontecimento ou obras), de forma sintetizada, apontando, guiando e convidando o leitor (ou espectador) a conhecer tal objeto na integra, ou não (resenha crítica). Uma resenha deve conter uma análise e um julgamento (de verdade ou de valor). Uma resenha pode ser: * Descritiva – É o caso dos resumos técnicos, também chamada de resenha técnica ou cientifica. A apreciação, ou o julgamento em uma resenha descritiva julga as ideias do autor, a consistência e a pertinência de suas colocações, ao longo da descrição da obra, ou seja, trata-se de um julgamento de verdade. * Crítica ou opinativa – Nesse tipo de resenha o conteúdo apresentado é mais detalhado do que na resenha descritiva, pois os critérios de julgamento são de valor, de beleza da forma, estilo do objeto (acontecimento ou obra). A exploração um pouco maior dos detalhes ocorre devido à necessidade de que o autor da resenha fundamente suas críticas, sejam elas positivas ou negativas, utilizando outros autores que trabalharam o mesmo tema. A resenha deve conter, ainda, uma brevíssima identificação do autor da obra (vida e outras obras). PASSO A PASSO PARA A RESENHA CRÍTICA: 1. Identifique a obra: coloque os dados bibliográficos essenciais do livro ou do filme que você vai resenhar; 2. Apresente a obra: situe o leitor descrevendo em poucas linhas todo o conteúdo do texto a ser resenhado;
  • 21. 3. Descreva a estrutura: fale sobre a divisão em capítulos, em caso de livros, em filmes descreva a duração. 4. Descreva o conteúdo: Aqui sim, utilize de 3 a 5 parágrafos para resumir claramente o texto resenhado; 5. Analise de forma crítica: Nessa parte, e apenas nessa parte, você vai dar sua opinião. Argumente baseando-se em teorias de outros autores, fazendo comparações ou até mesmo utilizando-se de explicações que foram dadas em aula. É difícil encontrarmos resenhas que utilizam mais de 3 parágrafos para isso, porém não há um limite estabelecido. Dê asas ao seu senso crítico. 6. Recomende a obra: Você já leu, já resumiu e já deu sua opinião, agora é hora de analisar para quem o texto realmente é útil (se for útil para alguém). Utilize elementos sociais ou pedagógicos, baseie-se na idade, na escolaridade, na renda etc. 7. Identifique o autor: Cuidado! Aqui você fala quem é o autor da obra que foi resenhada e não do autor da resenha (no caso, você). Fale brevemente da vida e de algumas outras obras do escritor ou pesquisador. 8. Assine e identifique-se: Agora sim. No último parágrafo você escreve seu nome e fala algo como “ Estudante do PIBID”. CARACTERÍSTICAS DO RESUMO: 1. Impessoal; 2. Conciso; 3. Compromissado com a verdade do texto a ser resumido; 4. Apresenta os fatos essenciais; 5. Objetivo.
  • 22. As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressivas as mensagens. Subdividem-se em figuras de som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras. Figuras de som a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais. “Esperando, parada, pregada na pedra do porto.” b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos. “Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral.” c) paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos. “Eu que passo, penso e peço.” Figuras de construção a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto. “Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia) b) zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes. Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro) c) polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do período. “ E sob as ondas ritmadas e sob as nuvens e os ventos e sob as pontes e sob o sarcasmo e sob a gosma e sob o vômito (...)”
  • 23. d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase. “De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do teu asco.” e) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se subentende, com o que está implícito. f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre porque se inicia uma determinada construção sintática e depois se opta por outra. A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa. g) pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem. “E rir meu riso e derramar meu pranto.” h) anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases. “ Amor é um fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer” Figuras de pensamento a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido. “Os jardins têm vida e morte.” b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo- se, com isso, efeito crítico ou humorístico. “A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.” c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradável. Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou) d) hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática. Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede) e) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de seres animados. O jardim olhava as crianças sem dizer nada. f) gradação ou clímax: é a apresentação de ideias em progressão ascendente
  • 24. (clímax) ou descendente (anticlímax) “Um coração chagado de desejos Latejando, batendo, restrugindo.” g) apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma coisa personificada). “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus!” Figuras de palavras a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido. “Meu pensamento é um rio subterrâneo.” b) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de significado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de significados não é mais feita com base em traços de semelhança, como na metáfora. A metonímia explora sempre alguma relação lógica entre os termos. Observe: Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa) c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por empréstimo . Entretanto, devido ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado em sentido figurado. O pé da mesa estava quebrado. d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique com facilidade: ...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles) e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. A luz crua da madrugada invadia meu quarto
  • 25. SINOPSE: Lançamento: 21 de marçode 1986 (2h34min) Dirigido por: Steven Spielberg Com: Danny Glover, Whoopi Goldberg,Rae Dawn Chong mais Gênero: Drama Nacionalidade: EUA Georgia, 1909. Em uma pequena cidade, Celie (Whoopi Goldberg, uma jovem com apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a "Mister" (Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provêm por alimentar uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual cantora de blues. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah
  • 26. Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece. Produzindo: De acordo com tudo o que estudamos e debatemos até agora, em sala de aula, faça o seu próprio texto seguindo a estrutura de uma resenha crítica sobre o filme “A cor púrpura” e lembre-se que seu texto será lido por outras pessoas. Bom trabalho!