Características borderlines

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O princípio de racionalidade confere um determinado sentido á vida.
Os instintos propõem-se defender a própria vida existencial

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Características borderlines

  1. 1. Características Borderlines (TPB)Breve contribuição á abordagem clínica Borderline.Uma característica que diferencia o Borderline do sujeito neurótico é a exagerada excitação docorpo sem motivo aparente que a possa determinar.A outra, que a meu ver é mais importante e definidora é a existência de um sentimento deculpa acentuado, o que afasta o sujeito da psicose, muito embora episodicamente surjamsurtos psicóticos.Esta definição serve apenas para identificar o paciente Borderline, o diferenciando doneurótico e psicótico, mas não devemos ignorar que apresenta traços evidentes de ambos ostranstornos.Também o afasta do transtorno bipolar, devido á permanência do transtorno que afeta seucorpo, em que sua baixa auto estima é uma constante.O Transtorno de Personalidade Borderline é um distúrbio comportamental ainda poucocompreendido, que envolve alta reatividade e impulsividade emocional. Isto faz com que ostraços da personalidade se acentuem demais, tornando-se incoerentes, inflexíveis,desadaptados à realidade habitual, prejudicando o bem-estar pessoal, familiar ou social dapessoa.O fato de se afastar do transtorno neurótico e psicótico, tal como são definidos, aquele quepadece carece de algum cuidado de análise, e saber psicanalítico, como forma de direcionar aanálise, dado que a confusão mental do paciente é exagerada, e parece apresentar umaexcitação que provoca um excessivo medo.Primeira nota importante, quanto maior for a sensação de medo mais difícil será aopsicanalista a sua ação, pelo que a primeira atitude será de maternagem, acolhimento, deescuta atenta, para que possa ter êxito o processo de transferência, dado que o pacienteapresenta algum horror ao susto.Não nos podemos esquecer que neste transtorno existe um grau de valorização, excitaçãofora do comum, que confere uma característica de exagerada valorização do próprio EUdaquele que padece, que por incrível que possa parecer não deseja perder.Assim, nos é dado a perceber que os aspectos valorativos prendem-se com o grau deexcitação, derivados de um EU, que apresentam como resultante um sentimento de posse,também ele exagerado, que não deseja conhecer a perda, daí a sua relutância em lidar com afrustração.Desse modo parece esclarecida a exagerada impulsividade, como resposta a algo que oatormenta tentando travar esse processo de destruição de si mesmo, que tende a refletir-sena abordagem com os outros, que na impossibilidade vira-se contra o próprio indivíduo,entendida como retorno de energia que não tem aplicação exterior em objetos. ( Freud - Lutoe melancolia ).Referem alguns teóricos que a endorfina como poderoso analgésico que é liberado perante oscortes na pele ameniza o sofrimento psíquico, ou até mesmo o anula, como se fosse essa acausa do paciente se cortar.A realidade é que o paciente nada sabe sobre isso quando pela primeira vez se corta, cujaintenção é magoar-se, destruir a si mesmo, fazendo o cérebro, por via do corte, um desviopsíquico relativamente às suas preocupações, provocando um deslocamento de energia, queestá de acordo com a forma de organização e função da mente.Porém, os cortes na pele indiciam, devido ao seu poder de destruição, um sentido de morte,um transtorno psicótico.
  2. 2. Não cortava meus braços para morrer, embora eu confesse que a vontade fosse grande:cortava-me para que assim, conseguisse concentrar-me na minha dor física e esquecesse umpouco a dor que eu trazia na alma. Meu alívio era quase que imediato.Suas atitudes parecem incoerentes aos olhos daquele que observam tanta agitação semmotivo aparente para que tal possa suceder, o que para alguns trata-se de teatro, próprio deum indivíduo mimado, que por essa via deseja obter algo.Neste caso particular será necessário estar atento na tentativa de perceber se é de fato teatro,ou apenas se trata de uma energia acumulada no corpo que tende a provocar umaintranquilidade exagerada, que será facilmente detectada perante a escuta de seus desejos.Esse mundo interior feito de constante intranquilidade, de dor e sofrimento, que tem suaorganização própria, tende a ignorar o mundo exterior, dando ideia de uma alienação que narealidade não existe, mas apenas uma adaptação a ela que não consegue.Aquele que padece no seu estado normal reconhece a realidade exterior, pelo menos emparte, deixando de o fazer quando as crises interiores se tornam proeminentes, em que estasparecem aumentar as forças instintuais do próprio corpo, a que urge endereçar a culpa aosoutros num primeiro estágio, que na impossibilidade a dirige contra si mesmo.O psicótico, em nenhuma circunstância, reconhece a realidade exterior.Nem se trata de desadaptação à realidade, mas de um aumento exagerado de tensão, queprovoca no seio familiar a incompreensão de seu estado momentâneo de alteração, em que osmembros não parecem reconhecer o indivíduo que padece, e o tende a tratar como demente,como louco.Podem ocorrer episódios de autolesão (geralmente através de cortes na pele), na tentativade suplantar o extremo sofrimento emocional por uma dor física, liberando assim endorfinas,que são o analgésico natural do corpo. Tentativas de suicídio também acontecem, quando omesmo é visto como uma avenida de fuga definitiva do sofrimento constante.Este distúrbio tem um impacto doloroso nos mais próximos ao paciente, familiares, tornandopara eles a vida insuportável, como também para o indivíduo que padece.Causas do Transtorno de Personalidade BorderlineExiste um intenso debate em andamento sobre os fatores que podem contribuir para osurgimento dos sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline (agora também conhecidopor transtorno de regulação emocional), sem que se tenha chegado ainda a um consenso.Pesquisas recentes indicam cada vez mais que é uma série de fatores neurobiológicos (cujainterrelação ainda não está clara) que predispõem a pessoa a apresentar sintomas dotranstorno de personalidade borderline, isto é, a reagir mais intensamente a níveis de estresseinferiores em comparação com a maioria das pessoas, levando também mais tempo para voltarao prumo. Em outras palavras, parece provável que a pessoa já nasça com um certo conjuntode vulnerabilidades, que podem (ou não) levar a uma manifestação do transtorno dependendodas experiências pessoais a partir da infância.Aqui, somos forçados a recorrer à Neurociência como tentativa de entender que já existe ummapeamento de cérebro da criança, embora rudimentar, enquanto feto, derivado do própriomapeamento cerebral da mãe, que tende a representar a totalidade do corpo nas suas maisdiversas dimensões.Porém, não devemos perder de vista que a repetição compulsiva por parte da mãe durante operíodo de formação da criança parece ser mais determinante que a própria prédisposiçãogenética e biológica.
  3. 3. Ou seja, a irritabilidade deverá ser derivada de algo que a possa provocar, em que aexcitabilidade só por si não configura coisa alguma, pelo que deverá de existir um motivo, umgatilho que a possa despoletar.Esse gatilho estará no comportamento da mãe, que mediante suas atitudes tende a provocarum estado de confusão mental na criança, em que esta não consegue, ou apresenta algumadificuldade de associar ao que lhe é conhecido, mantendo-se também ela dissociada de ummundo de alegria e satisfação, passando a conhecer na maior parte do tempo a tristeza e aangústia.António Damásio, neurocientista, numa entrevista deixa transparecer o seguinte:- O que se está a passar com o indivíduo tem a ver com certos condicionamentos biológicos genéticos, mas existem históricos familiares, que são heranças, que podem vincular o sujeito areações negativas ou positivas.Foi difícil, pois minha mãe ficou sozinha, muito mal e eu não entendia direito o que estavaacontecendo. A partir daí, lembro-me de sentir muito medo do abandono.É esta forma primária embutida, em que o mundo da tristeza e angústia lhe é oferecido, querepetido o reconhece como seu, passando a constar de sua realidade interna, incorporada, nãocomo lei, mas como estado, que dará lugar ao seu mapeamento cerebral pós parto.Aqui nos apercebemos de uma compulsão á repetição, que vem consolidar um mapeamentoanterior do cérebro, agora sentido com mais intensidade, dado a criança relacionar-se mais deperto com sua realidade familiar e relacional.Assim, as formas primárias de relação com os entes queridos tendem a provocar o aumento deintensidade das forças instintuais do corpo (Instinto biológico), que lutam contra a própriamorte anunciada do corpo, criando mecanismos de defesa contra sua própria morte através daafirmação, que mais não será que a expulsão de uma determinada quantidade de energiaacumulada, que provoca um mal estar geral.O paciente, neste caso, não sabe do que padece, nem a origem de seu padecimento, muitomenos saberá compreender e verbalizar suas causas, que para ele são desconhecidas, porquederivadas do instinto biológico.Desse modo, nos apercebemos claramente da distinção entre instinto biológico e o instintoFreudiano provocado pelo recalque, que neste caso não existe, mas apenas posturas,comportamentos incompreendidos e observados como estranhos.Às vezes, se as circunstâncias de vida não desencadearem as fortes e negativas reaçõesemocionais características do transtorno, a vulnerabilidade biológica pode permanecerdormente por muito tempo ou mesmo latente para sempre, e/ou poderá manifestar-se deforma relativamente branda, e/ou mais passageira. Além disso, à medida que a pessoa chegaaos quarenta, registra-se uma tendência à diminuição espontânea dos sintomas deinstabilidade e impulsividade, mesmo sem tratamento específico, principalmente se a pessoaencontra um ambiente mais harmonioso, com mais aceitação e menos atrito.Pelo que podemos perceber existe um conjunto de circunstâncias capazes de despertar osinstintos, como de os manter, mais ou menos aquietados, dependendo do ambiente em que osujeito vive. Por outro lado, o lidar no dia a dia com alegrias e algumas frustrações mediante asrelações sociais promove um aprendizado, que perante a impossibilidade tende o sujeito aadaptar-se a esses incómodos, causando cada vez menos irritabilidade.Só quando as circunstâncias são mais radicais a resposta do corpo não se faz esperar, pelo quedevemos perceber, que existe uma relação entre uma força exterior, que possui umdeterminado quantum de energia, que passando alguns limites a resposta do indivíduo não sefaz esperar.
  4. 4. Esses limites são formas únicas de um sentir individual, e cada um tem o seu próprio limite detolerância, uma vez não observado tende a provocar a irritabilidade e a intolerância, pelo quenão pode ser mensurável, mas apenas observado.Muitas pessoas com Borderline conseguem trabalhar, estudar, relacionar-se com outros deforma eficaz e equilibrada (embora às vezes por períodos limitados) e demonstram grandecompetência, eloquência e inteligência. Por conseguinte, os sintomas Borderline muitas vezesnão são facilmente percebidos por pessoas fora de seu círculo familiar.O descarrego do estresse, da energia acumulada, contida, tem como finalidade a direção doobjeto de desejo, em que o afeto, o podemos perceber como energia que liga os corpos,transferência, em que a comunicação é procurada, não só na alegria como na tristeza, comose um corpo fizesse parte do outro, a que não devemos dar a conotação da existência, ou faltade amor.O que não transborda fora é liberado no seio familiar, como se os mais chegados tivessemobrigação de servir de esponja à sua alma atormentada.Na realidade não devemos falar de inteligência e competência no mundo do trabalho, masantes em associação emocional, porquanto outras emoções se dão nesse mundo, que são, oupodem ser em tudo diferente do seu mundo interno emocional, ficando desse modo afastadaa imagem da morte interior, dado que se sente vivo e operante.É o fazer coisas diferentes, a motricidade, o sentir-se útil, disponível, sem amarras emocionais,que faz o borderline viver e desprender-se de seu mundo oculto e angustiante, que se dá malcom o isolamento e a falta de objetos exteriores.Tenho para mim, que toda a evolução psíquica depende da relação com objetos exteriores, aoseu manuseamento, da observação e do imaginário, como forma de produzir e criar, em que amente uma vez ocupada, impede de lembrar outras coisas, desviando o corpo de sentir seuspróprios instintos que o possam conduzir ao tormento, como projeção para fora de si de seupróprio EU.É para isso que serve o intelecto, como teletransportador de desejos.Não é muito comum uma pessoa com Borderline buscar ajuda psicoterápica por iniciativaprópria para o transtorno em si – e, também, muitas vezes, mesmo quando inicia terapia e amesma começa a focar o transtorno, ela a abandona.Pois, considerando que a pessoa Borderline sofre intensamente com crítica e medo de rejeição,vergonha de si mesma, e confusão quanto aos seus próprios sentimentos, uma abordagem quenão leva esses aspectos em conta provavelmente não terá muito sucesso. É importanteressaltar que quando o terapeuta dá igual importância à aceitação e à mudança, as pessoasmostram-se mais colaborativas e tendem menos a abandonar o tratamento.A primeira abordagem da análise, para além da maternagem, do aconchego, que deve ser sempre feita,serve para o psicanalista perceber quais são as forças operantes e a intensidade que o sujeito deixatransparecer no discurso, para que mais tarde possa pontuar com alguma segurança, mas incidindo empontos laterais não colocando o dedo na ferida, em virtude do paciente ainda não estar preparado.Ou seja, haverá uma maneira de ir aliviando a dor e o sofrimento através do rompimento de formaslaterais que possam conduzir o paciente a uma nova forma de enxergar as coisas, reduzindo aos poucosa tensão interior, pelo que será esta que pode permitir abordar, ou entrar no núcleo do transtorno, deoutro modo ficará assustado e pode desistir da análise.Tenhamos em conta que a posição instintiva é projetada como afirmação do EU, e que a sua negaçãoprovoca o aumento exagerado dessa força instintual, deixando o princípio de racionalidade, aferrando-se o sujeito aos seus próprios instintivos como preservação da vida.O princípio de racionalidade confere um determinado sentido á vida.Os instintos propõem-se defender a própria vida existencial.
  5. 5. Terapias tradicionais que partem do pressuposto de que os comportamentos de hoje sãocausadas por experiências do passado muitas vezes não levam em conta os componentesneurobiológicos do Borderline, limitando assim seu potencial de sucesso.Minha mãe, que era minha cuidadora faleceu, pois já estava desgastada devido aos problemasfamiliares e financeiros. Foi após esse incidente que eu acordei do pesadelo e pensei comigomesmo: “De agora em diante, seja seu próprio cuidador. Conte consigo. Não dependa somentedo apoio de familiares, amigos, terapeutas, psiquiatras e medicações. Ajude-se também. Lute”.Entre o medo de perder e a perda efetiva, permanece um tempo de sofrimento derivado deum sensação de abandono, que mais tarde ou mais cedo vai tornar-se realidade.Sofrer por antecipação é uma das características humanas, por medo de ter medo de encarar ofuturo. Tal característica provém da insegurança formativa que é sentida com maior ou menorintensidade, proveniente de uma confusão mental provocada pela intranquilidade do núcleofamiliar, em que algo parece estar sempre desajustado.É a partir deste quadro de incompreensão, de confusão mental em virtude de ter sidosubstituído o brincar pelos conflitos, dando lugar a uma irritabilidade exagerada, e a um medoda criança em ser abandonada, das violações corporais e psíquicas, que todos os outrossintomas parecem ser decorrentes.- Sentimento de posse exaltado ao extremo.- Complexos de inferioridade.- Tristeza e angústia.- Ansiedade intensa.- Crises de pânico.- Reações violentas.De salientar, que muitos outros sintomas percebidos no Borderline podem ser observados emoutro tipo de transtorno, pelo que não serão definidores, mas apenas consequências de umprocesso primário, este sim, deve ser examinado com cuidado, em que a questão daintensidade das reações deve ser levada em conta.Referências:- Obra de Freud – Luto e melancolia- Depoimentos compilados por Roberta Beline Maran. Uma iniciativa de Helena Polak.João António FernandesPsicanalista FreudianoANALIZZARE – Centro de Estudo e Pesquisa em Psicologia e Psicanálise

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