12ºH
Doc. 47
Escola Secundária Monte de Caparica
Português (Curso de Técnico Comercial)
&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&...
do compilador. Apesar de omitir várias poesias de Cesário contempladas em
antologias posteriores, a recolha é representati...
Gomes Leal (1848-1921) e Cesário Verde (1855-1886). Os parnasianos propunham uma poesia descritiva, pictural,
plástica, co...
simplicidade pacífica e salutar do campo. Parece-me pois que a obra do
poeta é, sem dúvida, marcada por características da...
Lisboa oitocentista
(...)
Com a vitória liberal de 1834 torna-se patente o desejo de melhorar a
iluminação pública de Lisb...
(...) Em 1886, já tinham sido introduzidas em Lisboa algumas das inovações
que facilitavam a vida urbana: em 1848, tinham ...
12ºH
Doc. 52
Escola Secundária Monte de Caparica
Português (Curso de Técnico Comercial)
&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&...
valor aspetual antónio alves
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

valor aspetual antónio alves

310 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
310
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
5
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
7
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

valor aspetual antónio alves

  1. 1. 12ºH Doc. 47 Escola Secundária Monte de Caparica Português (Curso de Técnico Comercial) &&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& Cesário Verde: a vida e a obra Nome: José Joaquim Cesário Verde Nascimento: 25-02-1855, Lisboa Morte: 19-07-1886 A poesia de Cesário Verde, prefiguradora de uma modernidade estética só inteiramente reconhecida após a sua morte, dificilmente cabe nas classificações da história literária. Se a representação pictórica dos ambientes e a descrição plástica da realidade o aproximam do Realismo e do Parnasianismo (1), se o interesse pelos fracos e humildes ecoa influências românticas e baudelairianas (2), não é menos verdade que a imaginação do poeta o conduz, muitas vezes, a uma recriação impressionista ou fantasista da realidade devedora da estética simbolista. Filho de um comerciante com loja de ferragens em Lisboa e uma exploração agrícola em Linda-a-Pastora, passa a infância entre os ambientes citadino e rural, binómio que será marcante na sua obra. Em 1873, matricula-se no Curso Superior de Letras, que não chegará a concluir, mas onde trava conhecimento com figuras da vida literária, como Silva Pinto, que se tornará seu grande amigo. Durante a juventude, viaja pelos grandes centros cosmopolitas europeus (Paris e Londres) e deixa vários poemas dispersos por jornais como o Diário de Notícias, Diário da Tarde, Tribuna, A Ilustração, acolhidos com críticas quase sempre desfavoráveis. Em 1874, aparece anunciada a edição breve de um livro de Cesário Verde, que não acontecerá. A partir de 1879, desiludido com a incompreensão do mundo intelectual, Cesário dedica-se cada vez mais a assistir o pai na loja de ferragens e na exploração da quinta. Em 1882, morre-lhe um irmão de tuberculose, tal como a irmã, que havia morrido dez anos antes. Aos 31 anos, ele próprio morre vítima da mesma doença. Em 1887, Silva Pinto publica a primeira edição de O Livro de Cesário Verde. O Livro de Cesário Verde é uma compilação póstuma de poesias de Cesário Verde escritas entre 1873 e 1886, organizada e posfaciada por Silva Pinto, da qual se fez uma primeira edição, em 1887, para oferta a amigos do escritor, e uma segunda edição, em 1901, destinada ao público. A edição princeps (3) de O Livro de Cesário Verde é constituída por 22 composições, repartidas por duas secções, “Crise romanesca” e “Naturais”, sem que se saiba se essa divisão obedeceu a indicações do próprio autor ou ao critério
  2. 2. do compilador. Apesar de omitir várias poesias de Cesário contempladas em antologias posteriores, a recolha é representativa das várias tendências convergentes na obra poética do autor. Baseando-se na representação pictórica e na descrição plástica da realidade, apoiada no predomínio das sensações (“Lavo, refresco, limpo os meus sentidos. / E tangem-me, excitados, sacudidos, / O tacto, a vista, o ouvido, o gosto, o olfacto!”), no que se aproxima do Parnasianismo e do Realismo, Cesário supera, todavia, a captação fotográfica do real, através de um processo de recriação poética que opera uma transfiguração do imediato: “Subitamente — que visão de artista! — / Se eu transformasse os simples vegetais, / À luz do sol, o intenso colorista, / Num ser humano que se mova e exista / Cheio de belas proporções carnais?!” (“Num bairro moderno”). A estética anti-romântica e naturalista (...) patenteia-se nos motivos da mulher soberba e impassível (“Deslumbramentos”,“Frígida”), da cidade mórbida e industrial (“O sentimento dum ocidental”, “Num bairro moderno”), (...) na visão não convencional do campo, marcada pela experiência pessoal (“Em petiz”, “De verão”, “Nós”, “De tarde”). Esta transmudação impressionista ou fantasista da realidade apoia-se num estilo inovador, precursor do Simbolismo, no qual, de entre muitos aspectos, salientaremos o uso da sinestesia (“Cheira-me a fogo, a sílex, a ferrugem; / Sabe-me a campo, a lenha, a agricultura”), do advérbio (“Amareladamente, os cães parecem lobos”; “Um forjador maneja um malho, rubramente”), da hipálage (“Quando arregaça e ondula a preguiçosa saia”; “Um cheiro salutar e honesto a pão no forno”) e do assíndeto (“Vê-se a cidade, mercantil, contente: / Madeiras, águas, multidões, telhados!”). Em suma, a obra poética de Cesário Verde é caracterizada pelo domínio perfeito da língua, riqueza e precisão do vocabulário, rigor e originalidade na adjectivação. Recorrendo também ao verso e estrofe de características tradicionais, o autor cultivou fundamentalmente os versos decassílabos e alexandrinos, estes últimos, segundo o próprio, caracterizados pelo rigor geométrico e pela sobriedade. Tentando encontrar a “perfeição do fabricado” (parnasianismo) e transmitir “o ritmo do vivo e do real” (realismo), como um realizador cinematográfico, o autor, surpreendendo os instantâneos do quotidiano de Lisboa, regista o pulsar do coração da cidade que, vencendo “o Tempo e a Morte”, resiste e sobrevive. In Entre Margens (1) Parnasianismo: Corrente literária surgida em França, com a publicação, em 1866, da revista Parnasse Contemporain, que se propunha valorizar a componente estética da poesia (o chamado ideal de arte pela arte) e reagir contra o sentimentalismo da poesia romântica. Em Portugal, podemos relacionar com o Parnasianismo um grupo de poetas aglutinados em torno da revista A Folha, publicada entre 1868 e 1873, dos quais se destacaram João Penha (1838--1919), director, António Feijó (1859- 1917) e Gonçalves Crespo (1846-1883), havendo, contudo, laivos de Parnasianismo em muitos outros poetas como
  3. 3. Gomes Leal (1848-1921) e Cesário Verde (1855-1886). Os parnasianos propunham uma poesia descritiva, pictural, plástica, com uma versificação perfeita e musical (2) baudelairiano: relativo a Baudelaire — poeta e escritor francês, nasceu em Paris a 9 de Abril de 1821 e morreu a 31 de Agosto 1867. Considerado por muitos um “poeta maldito”, depois da sua morte as opiniões começaram a mudar e muitos poetas tornaram-se seguidores do movimento simbolista de que foi precursor. (3) princeps: diz-se da primeira edição de uma obra. A atmosfera social e cultural do século XIX na poesia de Cesário Verde Para além dos condicionalismos directamente relacionados com a sua vida pessoal (familiar, profissional), importa recordar que Cesário Verde escreve numa época de contradições e conflitos em que a realidade circundante sofre uma nítida decadência física e social da qual Joel Serrão nos dá bem conta na obra que dedicou à poesia de Cesário Verde. Por exemplo, tentativas de industrialização nos centros urbanos ou a estagnação social da época da Regeneração são factores que se traduzem na obra do poeta numa atmosfera de pessimismo, desencanto e consequente ânsia de evasão, O poeta viveu entre 1855 e 1886. Ideologicamente, ele vê-se rodeado de tentativas de superar a decadência e a debilidade da sociedade: a geração de 70, movimentos republicanos, ideologias como o positivismo e o socialismo proudhiano, etc., de que resulta um certo eclectismo que vai decerto influenciar a obra do poeta. (...) Optar pela lírica foi, para Cesário Verde, optar por uma oscilação constante entre duas tendências. Por um lado, temos a revelação do real como ele se apresenta à observação e sob a forma de denúncia social. Para tal o poeta sente a necessidade de apurar os sentidos, como se pode ler na décima estrofe de “Cristalizações”. Por outro lado, temos as manifestações emotivas do sujeito lírico que julgo não terem tanta relação com o bacilo que levou o poeta à morte, mas sim com a existência sensível do “eu de luneta de uma lente só” que dá ocasião a uma “visão de artista” condicionada por factores como “luz do Sol”, “aromas”, “fumos”, permitindo assim algumas dúvidas quanto à verosimilhança daquilo que é poeticamente representado. O facto de se apelidar Cesário Verde de realista deve-se, em grande medida, à evolução estilística e temática que a sua obra revela, acentuada pela bipartição em “crise romanesca” e “naturais”. Na segunda parte predominam composições que explícita ou implicitamente revelam uma tensão dialéctica entre a cidade e o campo. A atmosfera conflituosa dos centros urbanos suscita no poeta a necessidade de denunciar na sua “poesia prosaica” o ambiente corrupto, desvitalizado e tóxico da cidade em oposição à
  4. 4. simplicidade pacífica e salutar do campo. Parece-me pois que a obra do poeta é, sem dúvida, marcada por características da estética realista. (...) A poesia de Cesário Verde reflecte a crise do Naturalismo e o desencanto pela estética realista. O poeta empenha-se no real, é certo, porém, a instância da visão subjectiva é marcante ao ponto de fazer vacilar a concepção de Cesário Verde como poeta realista. Em “Nós” ele é o primeiro a afirmar “ao meu olhar / Tudo tem um certo espírito secreto” o que, à partida, alerta o leitor mais crédulo para as marcas de subjectividade na representação poética. Na poesia de Cesário, mesmo nos textos mais frequentemente citados como realistas, há evidências de que a representação da impressão que o real deixa no poeta suplanta o real objectivo. Segundo os padrões do realismo e do naturalismo, finalidades injuntivas e profilácticas investem sobretudo na verosimilhança à qual subjaz um raciocínio causalista, uma perspectivação do universo em termos científicos, Muito embora não haja a pretensão de trazer fotografias da realidade para a literatura, deseja-se reduzir ao mínimo a interpretação subjectiva dessa realidade: o escritor é mais um cientista do que um eu lírico atendendo à sua imaginação (...) se a obra de Cesário Verde tem marcas de realismo, ela desvia-se, por um lado, dos parâmetros desta estética aproximando-se bastante dos processos impressionistas. In Entre Margens
  5. 5. Lisboa oitocentista (...) Com a vitória liberal de 1834 torna-se patente o desejo de melhorar a iluminação pública de Lisboa; o encargo de tal serviço público transita da Intendência da Polícia para a Câmara Municipal de Lisboa, como, de resto, acontecera já durante o ano de 1823; aumenta o número dos candeeiros e — progresso evidente — a combustão do azeite passou a fazer-se em maior número de dias por mês. Todavia, a Câmara em breve se dava conta de que não podia arcar sozinha com as despesas; o Governo prontifica-se, pois, a ajudá-la. Simplesmente, a contas com necessidades mais prementes, as disponibilidades do Tesouro nem sempre chegavam para pagar a tempo e horas. Deste modo, em 1836-1837, na época do domínio político de setembrismo, a dívida à Câmara montava a 131 791$00 réis. Claro que tais dificuldades financeiras se faziam sentir logo na iluminação. Desde que faltava o dinheiro para comprar azeite, apagava-se a pobre luz por ele fornecida. Por volta de 1837 a Câmara pretende, decerto por razões de economia, substituir total ou parcialmente o azeite por óleo de purgueira (1), o que veio a fazer-se. Em 1842 era concedida patente a um invento português para “extrair o azeite da planta denominada purgueira” e Cesário Verde, evocando os tempos da sua meninice, conta: Uma iluminação a azeite de purgueira, De noite amarelava os prédios macilentos. O número dos candeeiros continua sempre em aumento, andando, em 1840, à volta de 2300. Para manter a funcionar tal serviço público, utilizavam-se no mesmo ano 189 empregados. A verdade, porém, é que, como reconhece o mais conspícuo (2) historiador da matéria, a luz continuava a ser “mui frouxa” e “muitos dos candeeiros se apagavam antes da meia-noite, e depois desta hora era profunda a escuridão pela cidade”. Embora o esforço a considerar na luta contra a noite natural, poderemos, pois, afirmar que a iluminação a azeite de oliveira, de peixe e de purgueira não logrou resolver o problema, e a velha noite continuou a manter, omnipotente, mesmo nas cidades, o seu velho império sobre os homens. (...) (1) purgueira: planta, também chamada pinheiro-de-purga, cujas sementes produzem um óleo fortemente purgativo, usado também na iluminação e conhecido por azeire-de-purgueira. 2. conspícuo: respeitável.
  6. 6. (...) Em 1886, já tinham sido introduzidas em Lisboa algumas das inovações que facilitavam a vida urbana: em 1848, tinham aparecido os primeiros candeeiros a gás e, em 1878, haviam sido instalados, no Chiado, seis candeeiros eléctricos. Não se pense contudo que esses melhoramentos se propagaram rapidamente. Grande parte das ruas da cidade eram de terra, malcheirosas e escuras. A muitas das suas vielas e escadinhas, a civilização não chegara. A 18 de Julho, um grupo de habitantes de Alfama pedia insistentemente à Câmara de Lisboa que mandasse regar as ruas do bairro, pois o vento estava a levantar enormes ondas de poeira, que invadiam casas e lojas. Nos bairros antigos, a higiene era deplorável. Com traseiras, pátios e quintais apinhados de galinhas, coelhos e porcos, as casas estavam infestadas de parasitas. Apesar de a recente captação do rio Alviela ter permitido instalar uma rede de distribuição de água a domicílio, o benefício chegava a poucas casas. Nos mercados, as condições sanitárias eram péssimas, fazendo com que muitos dos géneros consumidos pelas classes populares estivessem estragados. Os fiscais tentavam pôr cobro à situação, mas não chegavam para as encomendas. No mercado central, a 17 de Julho, tinham sido inutilizadas, como impróprias para consumo, 81 pescadas, 76 peixes-espadas e 1200 carapaus: era uma gota no oceano. (...) Os contrastes entre ricos e pobres eram enormes. É verdade que os milionários portugueses eram patéticos quando comparados com os seus parceiros europeus, mas em face da miséria indígena qualquer ser com um mínimo de sensibilidade se chocaria. No centro da cidade, entre portais e vãos de escada, amontoavam-se cegos, estropiados, crianças abandonadas e velhos paralíticos. (...) Os trabalhadores ganhavam salários irrisórios e estavam sempre à beira do desemprego. Alimentavam-se, ano após ano, a pão, sopa e batatas, uma ementa insuficiente que ajuda a explicar as altíssimas taxas de mortalidade de Lisboa e do Porto. As doenças que mais mortes causavam eram a tuberculose pulmonar e as pneumonias. (...) As condições de trabalho eram atrozes: a duração do dia de trabalho era longuíssima e a segurança nas oficinas inexistente. Todos os dias se verificavam acidentes: fiandeiras que ficavam sem dedos, pedreiros que caíam de andaimes, vidreiros que arruinavam os pulmões, mineiros que ficavam soterrados. (...) In Entre Margens
  7. 7. 12ºH Doc. 52 Escola Secundária Monte de Caparica Português (Curso de Técnico Comercial) &&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&

×