Rácios

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Conceito sobre rácios, classificação, utilidade prática, cautelas, vantagens e desvantagens.

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Rácios

  1. 1. RáciosNos estudos da economia da empresa tem-se verificado ser útil o uso de «relações» de quociente entregrandezas económicas típicas.Muitos vocábulos têm sido utilizados para designar tais relações, nomeadamente, índice, grau, quociente,indicadores, rácio, coeficiente, etc.Universalmente, tem-se adoptado a palavra rácio, neologismo correspondente ao inglês “ ratio”, queprocede do étimo latino ratio (razão).Rácio: Relação de quociente entre duas grandezas correlacionadas e típicas da situação, da actividade oudo rendimento, potencial ou efectivo, de uma empresa real, ideal ou de uma média de empresas.João Carvalho das Neves, Professor Catedrático, salientou o seguinte: “A técnica estabelecida pelosanalistas financeiros consiste em estabelecer relações entre contas e agrupamentos de contas do Balançoe de Demonstração de resultados entre outras grandezas económico – financeiras”.Classificação dos ráciosEntre as inúmeras classificações de ratios que poderão formular-se. Vejamos as mais vulgares:a) Quanto aos objectivos da análiseO mesmo e dizer quanto á natureza dos fenómenos que os rácios procuram revelar ou medir, assim sepoderá falar em rácios financeiros (rácios de análise financeira), rácios económicos (rácios de análiseeconómica), rácios económicos – financeiros e rácios técnicos.Rácios financeiros:São extraídos da contabilidade (lato senso), designadamente de balanços, contas de ganhos e perdas e deexploração e orçamentos. Através deles procura – apreciar – se a estrutura financeira, os aspectos definanciamento da empresa – origens e aplicações do capital (lato senso) –, a capacidade de crédito, asolvibilidade da empresa, as politicas financeiras seguidas, etc.Rácios económicos:São os anteriores, são também calculadas a partir de cifras da contabilidade, mas alguns deles baseiam-semais particularmente nas estatísticas de produção e de venda. Com estes rácios procura apreciar-se
  2. 2. especialmente a situação económica, a estrutura patrimonial e a marcha da empresa (formação do lucro,andamento dos custos e proveitos auto – financiamento, etc.)Rácios económicos – financeiros:A caracterização destes rácios deduz – se facilmente da sua designação e das espécies simples anteriores.Como exemplos podemos citar os rácios de rendibilidade das vendas, de rotações de “stocks”, do capital,etc.Rácios técnicosRespeitam geralmente á produção ou ás actividades especificamente tecnológicas da empresa e os seustermos expressam-se frequentemente em quantidades físicas. Baseiam-se em estatísticas da produção, dorendimento e utilização das máquinas, de produtividade da mão – de – obra, etc. É nestes rácios queassenta predominantemente o exame das produtividades _ dos equipamentos, da mão – de – obra, etc. –Expressas em unidades – tipo (horas de máquinas, horas de trabalho de operários, rendimento de matérias,etc.).b) Quanto a técnica da sua construçãoOs rácios podem classificar-se em efectivos, orçamentais, médios ou básicos e pilotos ou ideias.Os rácios efectivos e orçamentais são rácios de observação, mas os restantes não têm propriamente talfinalidade, antes são instrumento para essas observações, são elementos de comparação com os ráciosefectivos e orçamentais.Rácios efectivosOs efectivos são extraídos directamente do balanço, das contas de exploração ou das estatísticas daprodução, das vendas, dos rendimentos, etc., de determinada empresa em particular.Rácios orçamentaisOs respeitantes a dados extraídos de orçamentos.Rácios médios ou básicosOs representativos de uma empresa «média» do ramo em observação. São obtidos através de médiasestatísticas simples baseadas em dados de muitas empresas ou, de preferência, de médias combinadas deforma a eliminarem-se defeitos de valores erráticos.
  3. 3. Porem, note-se, que os rácios médios só poderão ter utilização se basearem em valores correctos o queimporta não só a seriedade na confecção dos dados das empresas mas também a uniformidade quanto aoconteúdo das contas e aos critérios de valorimetria e do apuramento de resultados.É nos Estados Unidos da América que a determinação de rácios médios e o seu emprego comoinstrumento de análise estão mais generalizados. As associações de Credit Men servem-se, no estudo dasituação financeira das empresas, de um número limitada de rácios médios calculados por ramos deactividades económica, afim de determinarem os riscos na concessão de crédito.Observam aliás, três tipos de elementos ou factores a que atribuem determinada importância relativa entresi: Factor pessoal, factor financeiro e factor conjuntural ou económica.As observações de natureza pessoal respeitam a um conjunto de elementos variados acerca dos dirigentesdas empresas que vão desde a competência profissional, idoneidade moral, e fortuna pessoal até a aspectosmuito particulares (hábitos de vida, relações sociais, etc.)O factor financeiro é examinado através dos elementos da contabilidade e do orçamento.O factor conjuntural é medido através da observação da situação e evolução próxima da economia emgeral e do ramo ou actividade da empresa em particular.A importância relativa atribuída a cada um dos tipos de observação é a seguinte:Factor pessoal ……….…………….40%Factor financeiro ….……………….40%Factor económica …………………. 20%Quantificações desta natureza não se revestem entre nos de significado prático. No entanto, deve acentuar-se a extrema importância que qualquer dos três elementos apresenta para a observação da situação emarcha de uma empresa.Sob o aspecto que aqui interessa – a aplicação dos rácios na analise dos balanços – ocorre referir que aRobert Morris Associetes( fundada em 1914 e que passou a designar-se em 2000, Risk ManangmentAssociation, instituição especializada no estudo destas matérias indica para a apreciação do factor
  4. 4. financeiro os sete rácios médios abaixo referidos, a cada um dos quais atribui determinada percentagem deimportância no chamado “cálculo do risco”. Importância Relativa, no cálculo doRácio Termo do rácio riscoLiquidez geral Activo Circulante 25% Passivo CirculanteSolvibilidade total Capital próprio 25% PassivoRotação de créditos Vendas 10% Créditos de vendasRotação de Stocks Venda (pc) 10% StocksDe imobilizações Capital próprio 15% ImobilizadoRotação do imobilizado Vendas 10% ImobilizadoRotação do capital próprio Vendas 5% Capital próprioSupondo que, do exame dos dados de um grande número de empresas de um ramo em observação erelativamente a determinada época, se obtinham os seguintes valores para os rácios acima apontadosatravés do cálculo de medidas estatísticas e se lhes atribuía aqueles coeficientes de importância: Importância RáciosRácio Termo do rácio Relativa MédiosLiquidez geral Activo Circulante 25% 2 Passivo CirculanteSolvibilidade total Capital próprio 25% 2 PassivoRotação de créditos Vendas 10% 6 Créditos de vendas
  5. 5. Rotação de Stocks Venda(pc) 10% 4 StocksDe imobilizações Capital próprio 15% 2,5 ImobilizadoRotação do imobilizado Vendas 10% 4 ImobilizadoRotação do capital próprio Vendas 5% 5 Capital próprio 100%De harmonia com a tabela, quando o conjunto dos rácios de uma empresa apresenta um valor total doscoeficientes de importância igual a 100, o risco diz-se Normal, (note-se que, em casos concretos, nãodeixaria de observar-se os outros aspectos atrás referidos – Factor económico e pessoal). Quando o valor émaior do que 100, o risco diz-se Inferior Normal e quando menor que 100, Superior ao Normal.Se os rácios reais da empresa X do ramo considerado tiverem, respectivamente, os seguintes valores, 2,1;1,8; 6,4; 4,8; 2,8; 4,2 e 5,0, vem que a análise do seu risco poderá basear-se no seguinte cálculo: Importâncias Rácios Valores ImportânciaRácio Termo do rácio Relativa Médios Reais RelativaLiquidez geral Activo Circulante 25% 2 2,1 26,25 Passivo CirculanteSolvibilidade total Capital próprio 25% 2 1,8 22,50 PassivoRotação de créditos Vendas 10% 6 6,4 10,67 Créditos de vendasRotação de Stocks Venda(pc) 10% 4 4,8 12,00 StocksDe imobilizações Capital próprio 15% 2,5 2,8 16,80 ImobilizadoRotação do imobilizado Vendas 10% 4 4,2 10,50
  6. 6. ImobilizadoRotação do capital próprio Vendas 5% 5 5 5,00 Capital próprio 100% 103,72Neste exemplo, o risco é inferior ao normal, conforme se pode ver na última coluna do quadro em que seobtém como valor relativo global dos diversos rácios 103.72%. A posição é tanto melhor – pelo menos doponto de vista desta análise - quanto maiores forem os valores dos rácios.De notar que o conjunto dos rácios supra interessa a apreciação de carácter predominantemente financeiro.Um exame mais completo das empresas ou da sua situação económica requer que se contemplem maisalguns rácios. Por isso a Robert Morris Associetes, considera, além dos sete rácios acima indicados, maisos quatro seguintes:Lucro liquido Margem Margem VendasCapital próprio Vendas Activo Total Activo TotalRácios pilotos ou ideias (ou normais)Se os rácios exprimem a realidade visto resultarem das médias obtidas dos rácios reais de um grandenúmero de empresas do mesmo ramo de actividade, por sua vez, os rácios pilotos correspondem a valoresobtidos observados o que se considera a actividade normal ou ideal de uma empresa racionalizada.c) Quanto a sua interpretação no tempo, temos:Rácios estáticos: os que procuram caracterizar dada situação.Rácios cinéticos: Os procuram caracterizar uma série de factos no decurso de determinado período.d) Quanto à espécie de análise que visam, temos:Rácios de estrutura: Os que estabelecem proporções entre rubricas do balanço.Rácios de funcionamento: Os que mostram o comportamento da exploração.Rácios mistos (ou de síntese): Os que combinam os anteriores.Vantagens dos rácios: cautelas na sua utilização
  7. 7. Sendo os rácios expressões de sínteses, de quociente entre duas grandezas, poder-se-á perguntar se osmesmos serão efectivamente mais adequados para a análise da gestão do que as grandezas queconfrontam.Entende-se que a resposta deve ser afirmativa, pois para além da comodidade da simbologia, os rácios dãoindicações mais válidas do que as grandezas ou valores absolutos que correlacionam. Comprovemos aafirmação através de alguns exemplos:1º Exemplo:A empresa A ganhou 100 contos.A empresa B ganhou 120 contos.A empresa A tem um capital próprio de 1.000 contos.A empresa B tem um capital próprio de 1.500 contos.Que conclusão se pode extrair do rácio de rendibilidade do capital próprio? A empresa A tem melhorrendibilidade do que a B; rácio de A (100/ 1.000) é de 10%, o da B de(120 / 1.500).2º Exemplo:A empresa C tem 1.000 contos de existência de mercadorias.A empresa D tem 600 contos de existências de mercadorias.A empresa C vendeu 1.500 contos de mercadorias.A empresa D vendeu 700 contos de mercadorias.CálculosRácios de C = 1.000 x 12 = 8 meses (meses de stock) 1.500Rácios de D = 600 x 12 = 10.28 meses (meses de stock) 700Conclusão:A empresa C tem uma melhor gestão de stocks: para o seu volume de negócios empata proporcionalmentemenos capital em stocks.3º Exemplo:A empresa E tem um activo circulante (incluindo mercadorias) de 1.000 contos.A empresa F tem um activo circulante (incluindo mercadorias) de 2.000 contos.A empresa E tem um passivo a curto prazo de 500 contos.A empresa F tem um passivo a curto prazo de 1.500 contos.Fundo de maneio de E = 500 contosFundo de maneio de E = 500 contos
  8. 8. Rácio de liquidez geral: não obstante o fundo de maneio ser igual em ambas as empresas, o certo é que asituação financeira de E é melhor que a de F, visto que o rácio de liquidez geral de E corresponde a 2 e ode F apenas a 1,3.As cautelas a ter com a utilização dos ráciosA utilização dos rácios requer sempre ponderadas precauções importando ter presente as sua limitações,ocorrendo-nos a este respeito referir, entre outros, os seguintes aspectos:Os rácios são indicadores de sintomas de gestão, tem um carácter precário, não podem se utilizados semter em conta estes aspectos:1. A necessidade de terminologia e métodos de avaliação uniformes. É importante a Normalizaçãoda contabilidade das empresas e de cada ramo, de modo a permitir a comparação entre elas ou noseio delas entre vários períodos económicos.2. Adopção de valores economicamente exactos, ainda que sejam diferentes, das cifras contabilísticas.E valores, fiscais.3. Os termos de cada rácio deve reportar-se a mesma data e período. A periodicidade pode contudo variarpara cada rácio e para cada tipo de empresa. Nas empresas de período sazonal de actividade, os ráciosdevem ser determinados antes: ou depois da exploração.4. No caso de empresas com diversas actividades, os dados terão de desdobrar-se, o que normalmente éfácil para as cifras da conta de exploração, o que não poderá acontecer para as contas do balanço.5.0s termos dos rácios devem prevenir erros voluntários, involuntários e efeitos acidentais dasflutuações monetárias. Em certos casos deverão utilizar-se de preferência unidades físicas. PRODUTO A RENDIMENTO DA MAO DE OBRA Quantidade Quantidade C° de Produc.ANO Produzida Custo Unit. N° de Trab. N° de Trab. N° de Trab.1 500 200,00 50 500 = 10 500x200,00 = 2.000,00 50 502 400 300,00 50 400 = 8 400x300,00 = 2.400,00 50 50
  9. 9. 6. Por motivos de ordem prática aconselha-se a determinação de um número limitado de rácios:Por exemplo, para a análise económica e financeira bastará geralmente o uso dos 7 rácios atrás citados emais os 4 que se calculam subsidiariamente.7. Os rácios devem ser estabelecidos de modo a que a valores mais elevados correspondam sempremelhores situações, actividades ou rendimentos. Note-se a excepção aos rácios de gastos quetradicionalmente se fixam em percentagens do volume de produção ou lucrosVantagens da utilização dos rácios1. Os rácios são um meio, um instrumento importante no estudo dos problemas da gestão das empresas. Evidenciam, de um modo sistemático e por vezes expressivo, quer a situação quer a actividade _ seus custos, proveitos e resultados – em termos monetários ou não ou seja a elaboração do diagnóstico financeiro de uma empresa baseia-se no triângulo da liquidez, estrutura financeira e rentabilidade que tem subjacente os rácios.1. Permite a formulação de comparações muito úteis só controlo da gestão, sob diversos aspectos. Assim, comparando rácios reais de uma empresa obtidos em períodos sucessivos, podem apreciar-se as evoluções verificadas e as suas tendências.2. A possibilidade de comparação entre rácios orçamentais e rácios reais favorece o cumprimento dos programas, permite a atribuição de responsabilidade e dá indicações úteis á gestão futura. Contribui para uma maior eficiência dos serviços.Quanto às desvantagens podemos resumi-las em:a) Se tiver havido incorrecções ao nível dos Balanços, Demonstrações de Resultados e Anexos, os ráciosreflectirão essas incorrecçõesb) Em relação a determinados fenómenos, os relatórios financeiros podem não ser a base de dados maisadequada para a sua análisec) As empresas podem realizar actividades em vários segmentos de negócios. Cada empresa tem umaclassificação das actividades económicas que corresponde à área de negócio mais importante, se asconclusões disserem respeito a um só segmento e não à actividade global da empresa, os resultados dosrácios podem ser enviesados
  10. 10. d) As políticas de provisões e de amortizações adoptadas pelas empresas podem ser diferentes e conduzira distorções ao nível dos ráciose) Um grupo económico pode seguir uma política de transferência de preços entre empresas no seio dogrupo, motivada por interesses de optimização fiscal. Esses preços podem não corresponder aos custosobtidos através da Contabilidade Analítica, conduzindo a que numa empresa os resultados sejamsuperiores e que noutra sejam inferiores aos que de facto se verificariam se o critério fosse somente o dospreços de mercado, sem que houvesse outras motivações.f) Os rácios financeiros são apenas um instrumento de análise que pode e deve ser complementada poroutros; tratam apenas dados quantitativos, não tendo em consideração factores qualitativos como a ética,motivação, etc..Podem construir-se inúmeros rácios, mas a sua utilização vai depender sobretudo dos objectivos deanálise: qual a natureza dos fenómenos que se pretende medir ou revelar, quais as fontes de informaçãoque se vão utilizar, etc…BibliografiaJoão Carvalho das Neves – Análise Financeira (Métodos e Técnicas)Rogério Fernandes Ferreira – Gestão FinanceiraContabilidade Geral e Financeira – Exercícios Práticos, Legislação Complementar IRS-IRC-SOC. COM-ivaHélder Viegas da Silva e Maria Adelaide Matos - A EMPRESA E A CONTABILIDADEDante C. Matarazzo e Armando Oliveira Pestana – Análise Financeira de Balanços

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