Teoria da literatura

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Teoria da literatura

  1. 1. LITERATURA TEORIA DA LITERATURA
  2. 2. LITERARIEDADE Mundo ficcional nas mãos do escritor Escritor Mundo Real Interpretação do mundo ficcional nas mãos do leitor
  3. 3. Literariedade <ul><li>Através de sua sensibilidade o escritor observa o mundo real e cria um mundo ficcional. Observamos no slide anterior que este mundo é muito subjetivo, pessoal, está nas mãos do escritor. Ao chegar nas mãos do leitor, o escritor perde o status de dono desse mundo, pois aí pode-se recriar um mundo diferente do idealizado pelo autor. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Outra observação importante é que o escritor não escolhe quem terá acesso a sua obra, ou se a interpretação será igual a sua intenção. </li></ul>
  5. 5. Visão do escritor Intenção de transmitir ternura, amor, descrever a natureza como um cenário mágico e cúmplice do casal Mundo Real Como ele é: Um casal namorando, a beira do mar, a luz da lua cheia Mundo Ficcional
  6. 6. Diferenças Uma noite de lua cheia, e um casal abraçado a beira do mar. Mundo Real Texto Literário Texto não Literário Mundo Ficcional Os raios do sol por entre as nuvens se abraçando, refletindo um misto de cores lindas e embriagante da natureza que estava namorando, nuvens se olhando, até as ondas estavam se amando e naquele clima nós também estávamos ando um ao outro.
  7. 7. Diferença <ul><li>Texto não literário </li></ul><ul><li>O texto não literário, logo deixará de ser atrativo, é impessoal, não admite outra interpretação, a realidade como ela é, </li></ul><ul><li>Preocupa-se com a informação. </li></ul><ul><li>Texto Literário </li></ul><ul><li>Despreocupação com a informação, veja que na cena real, existe a lua, mostrando que é noite, o texto literário ilude, mostra o dia para dar mais cor a natureza através dos raios do sol. </li></ul><ul><li>Permite interpretações diferentes, deixa no ar um entenda como quiser no trecho “estávam os ando ” onde pode-se entender “usando” ou vários sentidos para a terminação “ando”, desde situações carinhosas, até vulgares. </li></ul>
  8. 8. Fundamentos do texto Literário <ul><li>O autor, com sua cultura, sua experiência de vida, sua ideologia, escreve uma obra, que será lida por alguém cuja recepção estará também impregnada de uma cultura, uma experiência e uma visão de mundo </li></ul>
  9. 9. Fundamentos do texto Literário <ul><li>Para que ocorra alguma interação entre os elementos da tríade autor-obra-leitor, é necessário que haja entre o emissor e o recebedor um mínimo de elementos culturais comuns, a começar pelo código utilizado na escrita, ou seja, o idioma. </li></ul>
  10. 10. Características do texto literário <ul><li>Mundo Ficcional. </li></ul><ul><li>Relação não-imediatista </li></ul><ul><li>Suspensão da convenções de significados correntes </li></ul><ul><li>Despreocupação com a sistematização </li></ul><ul><li>Despreocupação com o saber </li></ul><ul><li>Inexistência da utilidade prática </li></ul><ul><li>Predomínio da linguagem conotativa </li></ul>
  11. 11. Conotação, Recepção, Autoria <ul><li>Nos textos literários nem sempre a linguagem apresenta um único sentido, aquele apresentado pelo dicionário. Empregadas em alguns contextos, elas ganham novos sentidos, figurados, carregados de valores afetivos ou sociais. </li></ul><ul><li>Quando a palavra é utilizada com seu sentido comum (o que aparece no dicionário) dizemos que foi empregada denotativamente.   </li></ul><ul><li>Quando é utilizada com um sentido diferente daquele que lhe é comum, dizemos que foi empregada conotativamente, este recurso é muito explorado na Literatura. </li></ul>
  12. 12. Conotação <ul><li>Observe a canção “Dois rios”, de Samuel Rosa, Lô Borges e Nando Reis, note a caracterização do sol, ele foi empregado conotativamente: </li></ul><ul><li>Note que a expressão “dois rios inteiros” também foi empregada conotativamente e compõe um dos elementos básicos para a interpretação da letra. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>O céu está no chão O céu não cai do alto É o claro, é a escuridão </li></ul><ul><li>O céu que toca o chão E o céu que vai no alto Dois lados deram as mãos </li></ul><ul><li>Como eu fiz também Só pra poder conhecer O que a voz da vida vem dizer </li></ul><ul><li>Que os braços sentem E os olhos vêem Que os lábios sejam(beijam) Refrão Dois rios inteiros Sem direção </li></ul><ul><li>O sol é o pé e a mão O sol é a mãe e o pai Dissolve a escuridão </li></ul><ul><li>O sol se põe se vai E após se pôr O sol renasce no Japão </li></ul><ul><li>Eu vi também Só pra poder entender Na voz a vida ouvi dizer </li></ul><ul><li>Refrão </li></ul><ul><li>E o meu lugar é esse Ao lado seu, meu corpo inteiro Dou o meu lugar pois o seu lugar É o meu amor primeiro O dia e a noite as quatro estações </li></ul><ul><li>O céu está no chão O céu não cai do alto É o claro, é a escuridão </li></ul><ul><li>O céu que toca o chão E o céu que vai no alto Dois lados deram as mãos </li></ul><ul><li>Como eu fiz também Só pra poder conhecer O que a voz da vida vem dizer </li></ul><ul><li>Refrão </li></ul>
  14. 14. Recepção <ul><li>Trata-se mais diretamente da da interpretação. </li></ul><ul><li>A compreensão do texto não se subordina mais nem à vida do escritor nem a sua intenção, ao seu “querer dizer”. Pode-se até admitir, como dizia Marcel Proust, importante escritor francês do final do século XIX e início do XX, que haja uma intenção existente no eu literário do escritor (um “outro eu”, um eu fictício), e não no eu físico. </li></ul>
  15. 15. Recepção e Autoria <ul><li>A obra literária, portanto, supera a intenção do autor — o texto sobrevive sem ela. Mesmo admitindo-se a intenção do “outro eu”, a significação de um texto nunca se esgota nesse propósito, o sentido do texto não é determinado necessariamente pelo “querer dizer” de quem escreveu. </li></ul>
  16. 16. Metalinguagem <ul><li>É a linguagem utilizada para falar sobre outra linguagem. </li></ul><ul><li>Na literatura, a metalinguagem é praticada por um crítico que investiga as relações e estruturas presentes na obra literária, ou por um autor que explica seu próprio fazer literário ou de outrem. </li></ul>
  17. 17. Tipos de Metalinguagem <ul><li>Linguística (definições dos dicionários, regras gramaticais, explicações de textos etc) </li></ul><ul><li>Literária( subdividida em metalinguagem literária ensaística (artigos e ensaios que falam sobre a literatura e sobre obras literárias) e ficcional (obras literárias que falam sobre a linguagem literária). </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Metalinguagem Se alguém um dia perguntar como escrevo Solidão Se alguém perguntar por que escrevo Solidão Se alguém quiser saber o que desejava mudar com tudo isso Solidão E se quer saber também o motivo para tanto pessimismo Solidão E se quer saber o motivo de tanta determinação Solidão Tudo isso é porque não quero existir só eu mesma. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Em Dom Casmurro, Machado de Assis enquanto narra, discute o ato e o modo de narrar . </li></ul><ul><li>Ele põe em prática a metalinguagem , em que a própria narrativa trata de se auto-explicar. Logo no início, a metalinguagem ganha corpo, quando o personagem-narrador explica o título do livro e os motivos que o impulsionaram a escrevê-lo. </li></ul>
  20. 20. Explicação de Machado de Assis <ul><li>Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores, alguns nem tanto. E mais adiante: Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão . </li></ul>
  21. 21. <ul><li>Durante toda a narrativa de Dom Casmurro, a metalinguagem tem um papel fundamental, dando um tom muitas vezes jocoso, ou criando cumplicidade com o leitor, que ao invés de apenas ler passivamente, participa do próprio ato de narrar, ao servir de confidente do escritor, transcendendo o próprio texto. </li></ul>
  22. 22. Alguns exemplos <ul><li>Ao narrar as tentações vividas na juventude dirige-se a uma possível leitora &quot;Tudo isso é obscuro, dona leitora, mas a culpa é do vosso sexo, que perturba assim a adolescência de um pobre seminarista&quot;. </li></ul><ul><li>Ao dar uma explicação, dialoga com o leitor dizendo: &quot;Não sei se me explico bem. Supondo uma concepção grande executada por meios pequenos&quot;. </li></ul><ul><li>Depois de longa narração preliminar, chega ao ponto em que vai narrar o casamento e diz: &quot;Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer a outra parte; casemo-nos.&quot; </li></ul>
  23. 23. Intertextualidade
  24. 24. Intertextualidade <ul><li>A intertextualidade consiste na apropriação de um texto por outro. Essa apropriação se dá por meio da citação, da epígrafe, da alusão ou referência, da imitação (servil ou não) de um estilo, etc. </li></ul><ul><li>O processo intertextual está na percepção do leitor de relações entre um texto e outros que o precederam, isto é, o reconhecimento num texto de palavras, expressões, frases, versos, parágrafos, às vezes páginas inteiras de outros textos. Esses “outros textos” podem ser outras obras de ficção ou não, mitos, provérbios, escritos publicitários, orações, letras de canções populares, histórias da tradição oral etc. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>Canção do Exílio   </li></ul><ul><li>&quot;Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.&quot; Gonçalves Dias </li></ul><ul><li>Canção do Exílio </li></ul><ul><li>Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações. gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a                                                 [ Gioconda Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de                                          [ verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade!                                                </li></ul><ul><li>               Murilo Mendes </li></ul>
  26. 26. A intertextualidade pode ser: <ul><li>Citação - Citar um texto é transcrevê-lo tal como ele aparece em seu original. Esse recurso é muito comum em trabalhos científicos, por exemplo, em que outros autores concorrem para conferir autoridade a um determinado estudo. </li></ul><ul><li>Epígrafe - Um tipo de citação de outro autor que antecede um poema, um conto, um capítulo de um livro, um romance etc. O texto que aparece na epígrafe em geral guarda alguma relação com o texto que se vai escrever. </li></ul>
  27. 27. <ul><li>Alusão - Aludir é fazer referência a um texto, ao seu autor, a algum personagem de outra obra, ou a algum acontecimento marcante que aparece em algum livro. </li></ul><ul><li>Bricolagem - Uma montagem feita de vários textos para produzir outro. </li></ul><ul><li>Pastiche - Imitar o estilo de outro autor. Num sentido mais antigo, o pastiche era considerado uma imitação de baixa qualidade, subalterna, que um escritor “menor” fazia de um texto de um escritor “maior”. Numa concepção contemporânea, a ideia de pastiche não envolve juízo de valor. </li></ul>
  28. 28. P aródia e Paráfrase <ul><li>É importante lembrar que as formas de intertextualidade comentadas acima não devem ser confundidas com paráfrase e paródia , que pertencem a outra categoria. Assim, podemos ter uma citação parafrásica ou parodística, ou uma alusão idem, e assim por diante. </li></ul>
  29. 29. Paródia <ul><li>A paródia é a criação de um texto a partir de um bastante conhecido, ou seja, com base em um texto consagrado alguém utiliza sua forma e rima para criar um novo texto cômico, irônico, humorístico, zombeteiro ou contestador, dando um novo sentido ao texto. Parte da intertextualidade, a paródia é um intertexto, ou seja, é um texto resultante de um texto origem que pode ser escrito ou oral. Essa intertextualidade também pode ocorrer em pinturas, no jornalismo e nas publicidades. </li></ul>
  30. 30. <ul><li>Canto de regresso à pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo [Oswald de Andrade] </li></ul>
  31. 31. Paráfrase <ul><li>Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a idéia do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia” (p. 23): </li></ul>
  32. 32. Paráfrase <ul><li>Paráfrase </li></ul><ul><li>Meus olhos brasileiros se fecham saudosos Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? Eu tão esquecido de minha terra… Ai terra que tem palmeiras Onde canta o sabiá! (Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”). </li></ul>
  33. 33. <ul><li>Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é muito utilizado como exemplo de paráfrase e de paródia, aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto primitivo conservando suas idéias, não há mudança do sentido principal do texto que é a saudade da terra natal. </li></ul>
  34. 34. Gêneros Literários <ul><li>• Épico: é a narrativa com temática histórica; são os feitos heróicos de um determinado povo. O narrador conta os fatos passados, apenas observando e relatando os feitos objetivamente, sem interferência, o que faz a narrativa ser objetiva. • Dramático: é o gênero ligado diretamente à representação de um acontecimento por atores. • Lírico: gênero essencialmente poético, que expõe a subjetividade do autor e diz ao leitor do estado emocional do “eu-lírico”. </li></ul>
  35. 35. Fontes de Pesquisa <ul><li>http://pt.wikipedia.org/wiki/Literariedade </li></ul><ul><li>http://www.brasilescola.com/literatura/denotacao-conotacao.htm </li></ul><ul><li>http://www.alunosonline.com.br/portugues/parodia </li></ul><ul><li>http://www.solar.virtual.ufc.br/TeoriadaLiteratura </li></ul>

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